O VERDADEIRO
VALOR DA
TECNOLOGIA
DA INFORMAÇÃO
O VERDADEIRO VALOR DA
TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO
1. INTRODUÇÃo
Devido à importância e contribuição da Tecnologia da Informação (TI)
para os negócios surge a necessidade concreta de um executivo da área de
TI assumir um papel participativo e ativo na operação e na estratégia de uma
organização. Ocorre que “o executivo (de TI) tornou-se um líder de negócios
e não apenas um especialista em resolver problemas com a tecnologia”
(HUNTER; WESTERMAN, 2011, p. 30).
Dessa forma, se chama atenção e são apresentados argumentos relativos
ao verdadeiro valor da TI, fechando com uma visão geral sobre o framework
Val Information Technology. Espera-se que com esse texto, o leitor possa
ter condições mínimas para participar e contribuir em discussões sobre
esses temas, bem como que sirva de ponto de partida, para um
gerenciamento melhor dessa área vital e estratégica para os negócios. Boa
leitura e bons estudos!
2. A TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO
A TI pode ser conceituada como “recursos tecnológicos e computacionais
para geração e uso da informação” (REZENDE; ABREU, 2011, p. 54). Esta
definição possui uma perspectiva de gestão da TI e de conhecimento. Para
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esses autores, a TI é formada pelos componentes de: Hardware e seus
dispositivos e periféricos; Software e seus recursos; Sistemas de
telecomunicações e seus recursos; Gestão de dados e informações.
Esses componentes interagem constantemente e necessitam
fundamentalmente do recurso humano para que tenham funcionalidade e
utilidade (REZENDE; ABREU, 2011). Também variam de uma organização
para outra e são decorrentes dos processos e dos procedimentos
executados em cada organização, devendo estar alinhados com a sua
missão e suas estratégias (FOINA, 2011).
Observa-se que a área de TI serve de base ou meio para o desenvolvimento
ou renovação de outras atividades ou setores da economia (ALMEIDA, 2010;
LUNARDI; MAÇADA; BECKER, 2006), além de ser considerada pervasiva pelo
fato de estar presente em todo lugar e em todo instante (WEILL; ROSS, 2006).
A excelência em gestão da TI pode ser entendida como a capacidade da
área buscar o alcance de seus propósitos de modo sustentável, por meio
dos seus componentes constituintes, gerando valor para todas as partes
interessadas. Esse fundamento de geração de valor pode possibilitar o
alcance de resultados econômicos, sociais e ambientais, bem como de
resultados dos processos, que os potencializam, em níveis de excelência,
atendendo as necessidades e as expectativas das partes interessadas (FNQ,
2016).
No que tange às partes interessadas, um exemplo de benefício mútuo na
área de TI está relacionado às práticas Extreme Programming (XP), que são
estruturadas de modo a serem mutuamente benéficas para todos os
envolvidos em um projeto de desenvolvimento de software. A prática de
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programação em par, por exemplo, beneficia os programadores de inúmeras
formas. Por outro lado, também beneficia os clientes, porque costuma ser
raro encontrar bugs em funcionalidades implementadas, com a referida
prática. Gerentes de TI, por sua vez, também se beneficiam, porque a
programação em par ajuda a disseminar o conhecimento na equipe. Permite
que seja superada mais facilmente a ausência de um de seus membros em
período de férias, por exemplo.
3. O VERDADEIRO VALOR DA TI
Como se consegue mostrar que o retorno sobre o investimento em TI
ultrapassa o valor investido? Como encontrar o valor da TI ou mensurá-lo?
Como expressá-lo de forma que faça sentido para outros profissionais, que
não são dessa área? Como comunicar eficazmente a contribuição da TI no
desempenho dos negócios? Como demonstrar que as equipes de TI estão
proporcionando valor suficiente à uma determinada organização?
Esses são alguns exemplos de questões que norteiam esse tema e área de
pesquisa, consistindo em verdadeiros dilemas e desafios a serem resolvidos
nesse caminho para o valor da TI, conforme afirmam Hunter e Westerman
(2011). Na verdade, trata-se de problemas a serem resolvidos por executivos
da área de TI, na prática profissional em organizações.
Observa-se que “mostrar valor é a chave para realizar mais valor – mais
especificamente, o envolvimento efetivo da empresa em TI depende, em
grande parte, da comunicação bem-sucedida sobre o valor que isso produz”
(HUNTER; WESTERMAN, 2011, p. 21). Nesse sentido, essa seria uma
possibilidade de resolver esses problemas e que vem sendo praticada por
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diversos executivos da área de TI, considerados de sucesso.
Para tanto, se torna necessário pensar sobre o valor da TI de uma forma
diferente, reconhecendo a área como contribuidora e facilitadora
significativa para o desempenho do negócio, do ponto de vista interno e
externo à organização. Comunicando o papel da área da TI como parceira,
em vez de uma área especialista ou fornecedora de tecnologias apenas.
Nesse caso, por exemplo, pode-se deixar com que os custos e o
desempenho estejam transparentes e comparáveis, fornecendo
informações aos clientes e/ou aos solicitantes da área, que podem ser
usadas por eles para controlar seus próprios custos. Segundo Hunter e
Westerman (2011), para reduzir os custos de TI, não basta cortar o
orçamento dessa área. Cabe ajustar o consumo de serviços da área naquilo
que é essencial para melhorar o desempenho dos negócios de uma
organização.
Administrar a TI também envolve ajudar na análise e tomada de decisão
sobre os melhores investimentos nessa área, aqueles que produzem
benefícios operacionais e financeiros no desempenho dos negócios
(HUNTER; WESTERMAN, 2011). Outro desafio está associado ao
desenvolvimento de uma percepção do valor da TI em termos de
necessidades do negócio.
Para isso, métricas associadas à área são bem-vindas, principalmente, se
estiverem focadas em termos comerciais ou na linguagem do negócio, tais
como gastos de operação da TI x transformações no negócio, despesas
operacionais x aumento de receita e assim por diante. Ocorre que consistem
em instrumentos que de certa forma concretizam e demonstram a conexão
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dos investimentos e gastos da área aos benefícios e às melhorias no
desempenho dos negócios.
Basicamente, o valor da TI deve ser medido em termos de seus efeitos e
consequências sobre os negócios, ou seja, os resultados como aumento nas
vendas, nas margens, na participação no mercado, entre outros. Portanto,
defende-se que a comunicação desse valor não seja sobre TI, propriamente
dita, mas que enfatize nos resultados e no crescimento dos negócios,
utilizando uma linguagem focada nisso como, por exemplo, “Sustentar o
crescimento da empresa” em vez de “Construir ou ampliar a infraestrutura
de TI”, ou, “Obter e manter clientes” em vez de “Instalar um software CRM”
(HUNTER; WESTERMAN, 2011).
E, uma vez que estejam claros os benefícios e efeitos no desempenho dos
negócios, cabe uma revisão periódica e estruturada, após a implementação
do investimento e até que a realização desses benefícios e efeitos, se torne
parte dos negócios. Se forem encontrados desvios significativos entre o
previsto e o realizado, pode-se traçar ações a fim de melhorar esse
desempenho, além de identificar lições aprendidas a respeito das práticas
de TI. Isso consiste numa forma sistemática de se demonstrar, criar e
comunicar o verdadeiro valor entregue pela TI.
Um modelo abrangente de boas práticas associadas ao valor de TI é o Val
Information Technology (Val IT), que trata da “governança dos
investimentos de TI e o gerenciamento do portfólio desses investimentos”
(FERNANDES; ABREU, 2012). Por sua vez, Governança de Tecnologia da
Informação (GTI) consiste em uma estrutura de relacionamentos e de
processos, para fins de direcionamento e de controle, com a finalidade de
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alcance de objetivos de obtenção de valor e de minimização de riscos de TI
e de processos de uma organização (FERNANDES; ABREU, 2008).
Essas boas práticas podem prover controles, indicadores de desempenho,
bem como tendências relacionadas à área, tornando-a conhecida como um
todo para a organização, do ponto de vista de capacidade, limitações e valor
agregado. O Val IT aborda suposições, custos, riscos e resultados
relacionados a um equilibrado portfólio de investimentos de TI (ISACA,
2018). Foca a gestão do valor e o retorno de investimentos na área, podendo
ser utilizado como base para o estabelecimento de processos de priorização
e análise de investimentos de TI. Seus objetivos são (FERNANDES; ABREU,
2012, p. 228):
Auxiliar a gerência para assegurar que as organizações obtenham o
máximo de retorno dos investimentos em TI para suporte ao negócio, a
um custo razoável e com um nível de risco conhecido e aceitável;
Prover diretrizes, processos, e práticas de apoio para subsidiar a diretoria
e a gestão executiva no entendimento e no desempenho dos seus
respectivos papéis, em relação aos investimentos de TI.
Observa-se que o framework Val IT trata da tomada de decisão em relação
aos investimentos em TI, além da realização efetiva dos benefícios. Além
disso, define valor como o lucro líquido total do ciclo de vida econômico de
um investimento, relacionado aos custos, ajustados ao risco (no caso de
valores financeiros) e no valor do dinheiro no tempo (ISACA, 2018).
As partes interessadas relevantes dos respectivos investimentos devem
aplicar sete princípios norteadores do framework Val IT são (ISACA, 2018):
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Investimentos de TI serão gerenciados como portfólio de investimentos;
Investimentos de TI incluirão o conjunto completo de atividades
requeridas para atingir o valor para o negócio;
Investimentos em TI serão gerenciados por meio de seu ciclo de vida
econômico;
Práticas de entrega de valor reconhecerão que existem diferentes
categorias de investimentos a serem avaliadas e gerenciadas
diferentemente;
Práticas de entrega de valor definirão e monitorarão métricas chaves e
responderão rapidamente a quaisquer mudanças ou desvios;
Práticas de entrega de valor envolverão todos as partes interessadas
relevantes e atribuirão responsabilidades pelo resultado de forma
apropriada para a entrega das capacitações e a realização de benefícios
para o negócio;
Práticas de entrega de valor serão continuamente monitoradas, avaliadas
e melhoradas.
Segundo Fernandes e Abreu (2012, p. 229), o Val IT é formado por três
domínios, com os seguintes objetivos:
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Governança do valor (value governance): estabelece o framework de
governança, incluindo a definição de portfólio requerido para gerenciar
investimentos e os serviços de TI resultantes, ativos e recursos;
Gerenciamento do investimento (investment management): define os
programas potenciais baseado em requisitos do negócio, determina se
devem ser considerados para análise posterior e desenvolve os Business
Cases para os programas de investimentos candidatos para avaliação pelo
gerenciamento do portfólio;
Gerenciamento de portfólio (portfolio management): estabelece o
direcionamento estratégico para os investimentos, as características do
portfólio de investimento e as restrições de recursos e fundos, a partir das
quais as decisões sobre o portfólio têm que ser feitas.
Ainda, de acordo com a estrutura desse modelo, cada domínio supracitado
é constituído de um conjunto de processos relacionados. Segundo
Fernandes e Abreu (2008), a adoção dessas práticas gerenciais permite a
obtenção de benefícios, tais como aumento da transparência e a
compreensão dos custos, riscos e benefícios de investimentos em TI,
possível seleção dos melhores investimentos para o negócio e alinhados à
estratégia da organização, maior controle sobre os investimentos e os
benefícios associados.
Por fim, se verifica que esse framework demonstra, a partir de seus princípios
e domínios supracitados, que pode ser útil e servir de referência no
planejamento, na gestão e no monitoramento de programas de
investimentos na área de TI e no gerenciamento de seu portfólio, sendo útil
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para se demonstrar o valor que essa área gera para o negócio.
Normalmente, espera-se que um investimento gere fluxos de caixa maiores
que o próprio investimento. E, no sentido financeiro pode-se dizer que
ocorre geração de valor, quando o investimento é menor que o fluxo de caixa
da operação no futuro e ocorre destruição de valor, quando o investimento
é maior que o fluxo de caixa da operação no futuro (ROSS; WESTERFIELD;
JORDAN, 2009; GITMAN, 1978). Isso justifica a importância do fluxo de caixa
no processo decisório. Ocorre que nesse processo deve-se considerar o
impacto das decisões no fluxo de caixa da empresa, tanto a curto como no
longo prazo, ou seja, se teremos geração de valor.
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Considera-se que esse texto apresenta uma visão geral dos tópicos
abordados e adota uma linguagem simples e objetiva, com alguns
exemplos para facilitar a assimilação e aprendizagem. Corresponde a um
produto de experiências profissionais, revisão teórica e recortes realizados.
Em função disso reconhece-se a possível existência de lacunas e outras
referências, métodos e técnicas, que podem ser úteis no estudo do
verdadeiro valor da TI.
Espera-se que esse texto tenha chamado a sua atenção para os aspectos
abordados, possa ajudar a potencializar os resultados de aprendizagem no
curso, bem como os resultados práticos na área de TI, na aplicação desses
conteúdos e práticas apresentadas, ao longo da sua vivência profissional.
Deseja-se muito aprendizado, crescimento e sucesso nessa caminhada.
Lembre-se que esse sucesso é proporcional ao esforço e dedicação
empregados, durante esse período. Bons estudos!
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REFERÊNCIAS
ALMEIDA, Virgilio A. F. Pesquisa em Computação: essencial para o avanço da
CT&I. Parcerias Estratégicas – Ed. Especial/Centro de Gestão e Estudos
Estratégicos, v. 15, n. 31, p. 289-292, 2010.
FERNANDES, Aguinaldo A.; ABREU, Vladimir F. de. Implantando a governança
de TI: da estratégia à gestão dos processos e serviços. Rio de Janeiro:
Brasport, 2012.
FERNANDES, Aguinaldo A.; ABREU, Vladimir F. de. Implantando a governança
de TI: da estratégia à gestão dos processos e serviços. Rio de Janeiro:
Brasport, 2008.
FOINA, Paulo R. Tecnologia da Informação: planejamento e gestão. São
Paulo: Atlas, 2011.
FNQ, Fundação Nacional da Qualidade. #24 Novo Modelo de Excelência da
Gestão® - MEG. São Paulo: Fundação Nacional da Qualidade, 2016.
Disponível em:
https://drive.google.com/file/d/1csjNgyfsx0UyCwvBhw8lz7Vhc4HdTW8e/view
Acesso em 08 dez. 2021.
GITMAN, L. J. Princípios da Administração Financeira. São Paulo: Harbra,
1978.
HUNTER, Richard; WESTERMAN, George. O Verdadeiro Valor da TI. São Paulo:
M. Books do Brasil Ltda., 2011.
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ISACA, INFORMATION SYSTEMS AUDIT AND CONTROL ASSOCIATION. Val IT
Framework, 2018.
LUNARDI, Guilherme L.; MAÇADA, Antonio C. G.; BECKER, João L.
Gerenciamento dos investimentos em Tecnologia de Informação (TI): um
estudo baseado em minicasos. In: XXVI Enegep. Fortaleza: Abepro, 2006.
REZENDE, D. A.; ABREU, A. F. Tecnologia da Informação aplicada a sistemas
de informação empresariais: o papel estratégico da informação e dos
sistemas de informação nas empresas. São Paulo: Atlas, 2011.
ROSS, S.; WESTERFIELD, R.; JORDAN, B. Princípios de Administração
Financeira. São Paulo: Atlas, 2009.
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