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Aula 04 Redes de Computadores

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AULA 04 – REDES

DE COMPUTADORES
Camada física: visão geral de técnicas e meios
de transmissão de dados
Objetivos

 Apresentar as normas de utilização dos meios físicos guiados.


 Compreender as características dos principais meios físicos guiados.
 Compreender a aplicabilidade de cada meio físico guiado de acordo com a rede.
 Apresentar os princípios de comunicação sem fio.
 Compreender as características das diferentes formas de comunicação sem fio

Na aula anterior examinamos os hardwares e os softwares necessários às redes.


Agora vamos nos deter um pouco mais na transmissão: compreenderemos como
os meios físicos são utilizados e quais são seus tipos. Veremos também as
características de cada um, quando e como são utilizados.

Este assunto está dividido em duas aulas: nesta, examinaremos a transmissão


usando algum tipo de cabo, deixando a transmissão “aérea” para a próxima.

Para Pinheiro (2003), os meios de transmissão servem para carregar sinais de


transmissão (fluxo de dados) entre redes, sendo que as propriedades de cada um
desses meios consistem em fatores limitantes para a capacidade da rede. Tais
meios de transmissão são agrupados em meios guiados, como os cabos de cobre
e de fibras ópticas e os meios não guiados, como a radiofrequência, infravermelho
e os raios laser transmitidos pelo ar.

Nesta aula estudaremos os meios guiados: cabos de par trançado, cabos coaxiais
e fibras ópticas. Na próxima aula, estudaremos os meios não guiados, que usam o
ar como meio físico de transmissão.

Utilização dos meios físicos guiados

Os meios físicos utilizados antes da década de 1980 não eram padronizados.


Cada fabricante adotava seu modelo em um projeto de cabeamento e fornecia
orientação quanto à instalação do seu tipo de cabo. Dessa forma, tornava-se difícil
ao instalador compreender as diversas técnicas de cada fabricante e a interação
dos componentes

Para modificar esse panorama, órgãos como ANSI (American National Standards
Institute – Instituto Nacional Americano de Padronização), EIA (Eletronic Industries
Alliance – Aliança das Indústrias Eletrônicas), TIA (Telecommunications Industry
Association – Associação das Indústrias de Telecomunicações) e IEEE (Institute of
Electrical and Electronic Engineers – Instituto de Engenheiros Eletricistas e
Eletrônicos) se reuniram para propor e especificar os parâmetros para os cabos e
acessórios utilizados em um sistema de cabeamento estruturado.

Já abordamos o assunto “padronização”. O modelo OSI apresentado também é


resultado desses esforços de padronização. Demos uma definição de
“cabeamento estruturado”. Dê uma repassada nesses pontos para reforçar.

Por exemplo, a EIA/TIA especifica os padrões para o desempenho técnico; já o


IEEE especifica os requisitos do cabeamento para serem utilizados em redes
Ethernet ou Token Ring. Após o fabricante submeter os produtos de redes para
avaliações técnicas de suas performances, esses órgãos constroem toda a
documentação técnica com as especificações detalhadas para a instalação.

Ethernet e Token Ring são classificações de arquiteturas de rede. As redes Token


Ring foram concebidas pela IBM, mas, como os custos dos seus equipamentos
eram muito altos, acabaram caindo em desuso. Já as redes Ethernet evoluíram
muito, por terem adotado um padrão aberto, o que abriu o mercado para vários
fabricantes produzirem equipamentos para esse modelo, como hubs, switches,
roteadores, tomadas e cabos. Atualmente, a maioria das redes locais instaladas no
mundo é de arquitetura Ethernet. O IEEE padronizou essa rede sob o número
802.3.

Outro aspecto interessante sobre o sistema de cabeamento é a sua classificação


em categorias, criadas porque o modelo de cabeamento estruturado prevê o uso
simultâneo de vários sistemas atendendo a diferentes utilizações, como: sistemas
de computação e redes, telefonia, segurança, controle ambiental, TV a cabo,
gerenciamento de energia e sistema de sonorização. Assim, cada utilização adota
uma categoria diferente ou necessita de uma categoria melhor à medida que
evolui. Por exemplo, as redes Ethernet de 10 Mbps necessitam de cabos categoria
3 (CAT3) no mínimo; ao evoluir para 100 Mbps, passam a necessitar de cabos
categoria 5 (CAT5). As categorias para cabeamento de rede foram divididas em
CAT 1, 2, 3, 4, 5, 5e, 6, 6a (e elas não param por aí, estão sempre evoluindo);
cada categoria tem suas especificações e medidas que veremos na próxima
seção.

Algumas questões práticas da escolha dos cabos no momento da elaboração do


projeto da rede são de fundamental importância. Para as redes locais é muito
importante que se conheçam as categorias dos cabos e onde devem ser utilizadas.
Um simples erro ou descuido na seleção do cabo para o tipo de rede que se está
instalando pode comprometer toda a comunicação dos equipamentos de redes
com os computadores e servidores.

1. Agora que abordamos novamente a “padronização” como um dos fatores de sucesso


das redes, tente definir esse conceito com suas próprias palavras.
2. Para recordar também: quais as taxas de transmissão que vimos até agora? (tanto
para redes LAN quanto para as WAN).

Tipos de meios físicos guiados


Vários meios físicos podem ser utilizados para realizar a transmissão de dados,
cada um com propriedades específicas. São basicamente agrupados em fios de
cobre (como o par trançado e o cabo coaxial) e ópticos (como as fibras ópticas).
Vamos ao estudo deles.

Par trançado

É o meio de transmissão mais antigo e ainda o mais comum. Esse cabo consiste
em dois fios entrelaçados em forma helicoidal. Os cabos de par trançado
atualmente possuem quatro pares dispostos dentro de uma proteção externa de
PVC. Cada par é formado por dois fios entrelaçados.

Estrutura de um cabo par trançado com quatro pares.


O entrelaçamento dos pares (Estrutura de um cabo par trançado com quatro
pares.) não é somente para efeito visual, é uma técnica com um objetivo. Dois fios
quando dispostos em paralelo dentro de um recipiente (no caso aqui, a proteção
externa de PVC) podem formar uma antena simples e captar ondas de
radiofrequência do ar ou de outros pares de fios vizinhos. Isso geraria um
fenômeno de interferência denominado crosstalk (linha cruzada). Desse modo, o
receptor não conseguiria ler os pacotes, pois uma interferência externa iria
embaralhar os dados. Com os fios dispostos em forma de par trançado, as ondas
geradas pelos diferentes pares de fios tendem a se cancelar, o que significa menor
interferência. Essa técnica denomina-se Efeito Cancelamento.
Par de fios trançados.
Você pode observar na Figura Par de fios trançados. que os fios entrelaçados
possuem uma quantidade de tranças por cm (ou polegadas). A tendência é que,
quanto maior a quantidade de tranças por cm, melhor a qualidade do cabo, pois o
efeito cancelamento é mais eficiente.

A seguir, na Figura Efeito cancelamento nos pares trançados, demonstraremos


que os dois fios que formam o par está transmitindo a mesma informação, porém
com polaridade diferente. Toda transmissão elétrica gera em torno de si um campo
eletromagnético com a mesma polaridade e direção. Esse campo eletromagnético
pode corromper os dados de um par vizinho e causar perda de informações. Para
evitar isso, o outro fio que faz parte do par transmite a mesma informação com
polaridade contrária, gerando também um campo eletromagnético contrário,
fazendo com que ambos se anulem. Assim, os campos eletromagnéticos de cada
par tendem a interferir muito pouco no seu par vizinho.

Efeito cancelamento nos pares trançados.


Essa proteção “natural” não é o único tipo de proteção que um cabo par trançado
pode oferecer. Esses cabos podem ainda apresentar uma proteção adicional
contra interferências. Em função disso, existem dois tipos de par trançado:

STP (Shielded Twisted Pair – Par Trançado Blindado) – esse tipo de cabo
possui em volta dos pares uma espécie de papel alumínio. Essa proteção de
alumínio serve como uma blindagem adicional contra interferências externas,
como motores elétricos, reatores de lâmpadas e equipamentos industriais, que
geram ondas eletromagnéticas que podem corromper os dados que trafegam pelo
cabo. Esse cabo tem a vantagem de transmitir dados com menores interferências,
porém, possui custo elevado e maior peso, o que o torna mais difícil para passar
em tubulações. Atualmente, para redes instaladas em ambiente industrial, em que
vários campos eletromagnéticos causam interferência, a fibra óptica tem sido
melhor opção, pois, apesar do custo maior, ela transmite sem interferências,
possui peso menor e atinge maiores taxas de transmissão. A Figura Cabo par
trançado STP ilustra um cabo do tipo STP.

Cabo par trançado STP.


UTP (Unshielded Twisted Pair – Par Trançado Não Blindado) – esse é o cabo
mais simples e mais barato para as redes locais. É conhecido popularmente como
“cabo de internet”, já que as pessoas têm o hábito de compartilhar internet com os
vizinhos utilizando esse cabo; também é ainda o mais utilizado para montar redes
locais nas empresas. Ele não possui blindagem, o que o torna mais barato e mais
leve, facilitando a passagem por tubulações. As redes locais especificadas para
funcionar até 1000 Mbps (1 Gigabit) necessitam desse tipo de cabo com
especificação CAT5e ou CAT6. A Figura Cabo par trançado UTP CAT5e mostra
um cabo par trançado UTP CAT5e.
Cabo par trançado UTP CAT5e.
Atualmente, os cabos de par trançado CAT6 e CAT6a garantem melhor qualidade
em transmissões de 1 Gbps e permitem interligação de redes de 10 Gbps (10 GbE
– Ethernet de 10 gigabits por segundo).

Os cabos UTP necessitam de um conector para se ligar às interfaces de rede ou


às portas do switch do tipo RJ-45 (Figura Conector RJ-45 crimpado no cabo). Eles
são instalados nas pontas dos cabos UTP utilizando uma ferramenta chamada
popularmente de “alicate de crimpagem”.

Conector RJ-45 crimpado no cabo.


Fibra óptica

As fibras ópticas já se tornaram conhecidas e são usadas até como instrumento de


decoração, graças à sua capacidade de direcionar a luz, levando-a a fazer
“curvas”. Também já é sabido que esses feixes de luz podem ser usados como
meio de transporte de informação e têm capacidade de transmissão de grandes
volumes de dados. Vamos, portanto, abordar suas características funcionais e
compreender seu funcionamento.

Numa transmissão óptica, três componentes são fundamentais: uma fonte de luz,
o meio de transmissão e um detector. A fonte de luz (ou fototransmissor) recebe
sinais elétricos e os converte em luminosos. O meio de transmissão é uma fibra
ultrafina de vidro (com menor espessura que um fio de cabelo) que consegue
carregar o sinal luminoso. O detector faz o processo inverso: recebe sinais
luminosos e os converte em elétricos.

Para entender melhor esse fenômeno, digamos que no seu quarto as luzes sejam
apagadas e você acende uma lanterna contra a parede a uma distância de 2
metros; a luz se espalha, formando um circulo com diâmetro muito maior do que
sua lanterna. Agora imagine que você tenha um tubo com espelhos por dentro e
você o coloque na frente da sua lanterna: a luz será refletida dentro do tubo,
chegando à parede um forte círculo luminoso e o seu quarto continuará escuro. O
cabo de fibra óptica é esse tubo espelhado. Dizemos que os cabos de fibras
ópticas possuem o fenômeno de reflexão interna total. Por transportar luz e não
sofrer interferências eletromagnéticas, esses cabos podem ligar duas redes locais
distantes algumas dezenas de quilômetros, com taxas na casa dos gigabits (1
Gbps ou mais).

Para que o fenômeno de reflexão total aconteça dentro da fibra, no processo de


fabricação ela recebe um revestimento de vidro, que também é um material
transparente, porém com índice de refração inferior ao do núcleo (a Figura
Estrutura de um cabo de fibra óptica destaca esses dois componentes). Com isso
os sinais luminosos são refletidos pelas paredes da fibra, fazendo com que não se
percam pela capa.

Estrutura de um cabo de fibra óptica


As fibras ópticas podem ser classificadas em dois tipos: monomodo (ou
monomodais ou de modo único) e multimodo (ou multimodais ou de modo
múltiplo). Cada uma tem suas características e aplicações, a saber:
Fibra óptica monomodo – com esse tipo de fibra não ocorre a dispersão modal,
ou seja, o feixe de luz se propaga em linha reta (único modo) sem ter que ser
refletido internamente. Isso garante que o sinal atinja distâncias maiores e com
maiores taxas de transmissão. Para conseguir isso, o núcleo da fibra precisa ser
ultrafino, cerca de 8 μm (8 micrômetros = 8 x 10 -6 metros). O fato de ser tão fino
traz um problema: a acoplagem e a fixação com as interfaces de rede devem
utilizar equipamento especial para permitir alinhar o feixe luminoso da placa de
rede com a fibra, o que é um trabalho difícil, minucioso e caro. Esse tipo de fibra é
indicado para interligar campi de universidades e redes locais que precisem
ultrapassar 2 km de comprimento. A Figura Transmissão num cabo de fibra
monomodo mostra o modo de transmissão de uma fibra monomodal.

Transmissão num cabo de fibra monomodo.


Fibra óptica multimodo (destacada na Figura Estrutura da fibra óptica
multimodo) – é mais grossa que a fibra monomodo. A luz é refletida várias vezes
na parede do cabo, ocorrendo o fenômeno de dispersão modal, o que faz o sinal
perder força. Devido a essa dispersão, este cabo pode chegar ao máximo de 2 km.
O núcleo deste cabo chega a 62,5 μm, aproximadamente oito vezes mais grosso
do que o núcleo da fibra monomodo. Esses cabos são mais fáceis de instalar e
ligar às placas de rede, justamente pelo seu diâmetro maior. Ainda assim, exigem
equipamento e pessoal especializados para montagem e instalação.
Estrutura da fibra ótica multimodo.
Você pode observar que na Figura Estrutura da fibra ótica multimodo. há duas
medidas destacadas: a de 62 μm (micrometros) indica o diâmetro do núcleo da
fibra, por onde efetivamente passam os sinais luminosos; a de 125 μm indica o
diâmetro da casca ou cladding, que serve como uma espécie de espelho para
refletir os sinais luminosos. O restante do material refere-se a um polímero de PVC
que reveste a casca, fibras de resistência mecânica que ajudam a proteger o
núcleo contra impactos e, finalmente, o revestimento externo do cabo.

As fibras multimodais ainda podem ser classificadas em dois tipos, de acordo com
seu modo de propagação. São elas: fibras multimodo de índice degrau e fibras
multimodo de índice gradual.

Fibra multimodo de índice degrau – foi um dos primeiros tipos de fibra a surgir.
O termo degrau designa e existência de apenas um índice de refração entre o
núcleo e a casca. Como sofre maior atenuação por km (cerca de 5 dB/km), ela
atinge menores distâncias do que as fibras ópticas de índice gradual. A Figura
Propagação da luz na fibra multimodo de índice degrau exemplifica esse tipo de
transmissão.
Propagação da luz na fibra multimodo de índice degrau.
Fibra multimodo de índice gradual – nesta, o índice de refração diminui
gradativamente e de forma contínua, ao invés da mudança brusca do núcleo para
a casca. Na verdade, esse tipo de fibra é fabricado com “várias cascas”, cada uma
com um índice de refração diferente, sendo a mais externa a que tem o índice
menor. A Figura Propagação de luz na fibra multimodo de índice gradual mostra
uma transmissão do tipo gradual.

Propagação de luz na fibra multimodo de índice gradual.


É importante ressaltar que, assim como nos cabos metálicos, a fibra óptica
também sobre os efeitos da atenuação.

Cabos coaxiais

Os cabos coaxiais inauguraram as primeiras redes locais que evoluíram para os


padrões que temos. Hoje não são mais utilizados para instalação de novas redes
locais. A existência de redes antigas e a necessidade do conhecimento histórico
nos levam a abordar os aspectos tecnológicos e as características desse meio de
transmissão.

Sua forma visual é semelhante à da fibra óptica: um condutor central de cobre, um


isolante de PVC, uma malha externa metálica e, enfim, a capa (Figura Estrutura de
um cabo coaxial).
Estrutura de um cabo coaxial.
Podemos observar que esse cabo, diferentemente do cabo par trançado UTP,
possui uma malha de cobre ou alumínio que envolve o núcleo do cabo. Essa
malha serve como uma blindagem contra fenômenos eletromagnéticos externos,
como motores elétricos, redes sem fio, reatores de lâmpadas, telefones sem fio,
etc. Na verdade esta é uma de suas poucas vantagens. Uma série de
desvantagens fez com que esse cabo caísse em desuso. São elas:

a. Difícil manipulação – devido à sua estrutura de malha e isolante, esse cabo fica
mais pesado e menos flexível, dificultando sua passagem por tubulações.
b. Baixa capacidade de transmissão – a largura de banda, característica do cobre
desse cabo, é muito baixa, chegando a 10 Mhz. Isso faz com que redes locais
montadas com esse cabo possam chegar a no máximo 10 Mbps.
c. Ligação complexa – os terminais desses cabos necessitam de conectores de difícil
emenda. Trata-se de um conector tipo BNC que deve ser ligado diretamente à
interface de rede através de um conector T. Isso faz com que cada estação possua
três conexões (uma de entrada no T, outra de entrada na interface de rede, outra de
saída para outra interface de rede). Uma quebra, desconexão ou mau contato em um
conector faz com que toda a comunicação entre os computadores cesse (pois esse
tipo de cabo era usado para redes de topologia em barramento). Observe a Figura
Padrão de conexão de cabos coaxiais nos conectores BNC e na placa de rede.
d. Modo de transmissão half-duplex – por haver apenas um meio efetivo de
transmissão (o condutor central da Figura Estrutura de um cabo coaxial.), essa
transmissãoem rede local é feita toda no modo half-duplex.

Existem basicamente três modos de transmissões conhecidos:

a. Simplex: há transmissão em apenas um sentido. O transmissor só pode ser


transmissor e o receptor não pode fazer o papel de transmissor. Ex.:sinal de TV ou
rádio.
b. Half-duplex: existe transmissão e recepção em ambos os sentidos, mas não ao
mesmo tempo. Quando o transmissor envia um dado, o receptor tem que aguardar
sua chegada até poder enviar uma resposta. Existe apenas um canal neste modo de
transmissão. Assim são as redes locais montadas com cabos coaxiais e as
comunicações utilizando walk talk, como rádios de polícia.
c. Full-duplex: a transmissão e a recepção podem acontecer ao mesmo tempo, já que
existem no mínimo dois canais (um para enviar e outro para receber dados). É o
modo de transmissão mais rápido, utilizado em redes locais de par trançado (que
possuem quatro vias) e de fibras ópticas (que utilizam duas vias).

Padrão de conexão de cabos coaxiais nos conectores BNC e na placa de rede.


Podemos observar que essa rede não necessita de um equipamento concentrador,
como um hub ou switch. Na verdade isso era uma vantagem dessas redes, pois
ficavam mais baratas. Entretanto,
elas tinham um alto índice de quedas (paradas), devido a conexões defeituosas,
remoção de conectores ou queima de placas de rede.

Anteriormente vimos os principais meios físicos de transmissão do tipo “guiado”,


que utilizam cabos. Nesta aula verificaremos as principais formas não guiadas de
transmissão, que utilizam o ar como meio físico.

Em alguns lugares é difícil ou pouco prático utilizar redes cabeadas. Na sua casa,
por exemplo, se você quiser usar o micro em vários lugares, terá que espalhar
pontos de rede, o que o obrigará no mínimo a refazer a decoração. Prédios antigos
ou empresas com escritórios situados em prédios diferentes, aeroportos e
rodoviárias são situações, não únicas, comuns para utilização de algum tipo de
enlace sem fio.

A ideia das comunicações sem fio não é substituir por inteiro as redes de
cabeamento, mas fornecer opções e flexibilidade de uso por parte do utilizador.

Vejamos então os principais sistemas de transmissão de dados sem fio.

Utilização dos meios físicos não guiados

Para a utilização de um enlace de comunicação sem fio, faz-se necessário o uso


de transmissores e receptores que se comuniquem através de frequências
lançadas no ar. Quando os elétrons se movem, eles criam ondas eletromagnéticas
que podem se propagar pelo ar ou pelo vácuo. Esse fenômeno foi observado pela
primeira vez pelo físico alemão Heinrich Hertz em 1887. O número de oscilações
por segundo dessas ondas eletromagnéticas é chamado de frequência e é medido
em Hz (Hertz – em homenagem ao seu observador).

Segundo explica Tanembaum (2003), o princípio da comunicação sem fio é


baseado na ideia da instalação de transmissores e receptores de ondas
eletromagnéticas em antenas de tamanho adequado, formando um circuito
elétrico.

Estamos acostumados ao conceito de “frequência”, dado o contato que temos


desde cedo com as rádios comerciais e comunitárias. Quando sintonizamos o dial
de nosso rádio em 105,7 (MHz), estamos sintonizando a frequência do nosso rádio
com a frequência da torre de transmissão daquela rádio. Algumas rádios adotam
como nome a sua frequência (Rádio 98, por exemplo), o que facilita ao ouvinte
localizá-la no dial.

As redes sem fio, tanto em nossas residências como em locais públicos, também
necessitam de um transmissor. Em todas elas é comum observarmos a existência
de um aparelho que forneça o enlace sem fio (chamado de AP –Access Point –
Ponto de Acesso) dotado de uma antena e a existência de um computador ou
notebook dotado de uma interface de rede wireless (sem fio).

Tipos de meios físicos não guiados

A transmissão por radiofrequência não é a única forma para os enlaces sem fio.
Dependendo da aplicação a que se deseja atender ou o serviço a ofertar, um
enlace diferente pode ser utilizado. Mas sem dúvida, a radiofrequência é um dos
enlaces sem fio mais utilizados. Vejamos os principais.

Rádio (RF ou radiofrequência)

As ondas de rádio são fáceis de gerar e conseguem percorrer longas distâncias e


atravessar prédios e paredes. Devido a essas características, elas são
amplamente utilizadas. Os governos exercem o controle do seu licenciamento de
uso, justamente para evitar que algumas frequências interfiram em outras. Imagine
você falando ao celular e de repente escutar a transmissão de um canal de TV?
Com algumas exceções, como a banda ISM (Industrial Scientifc and Medical –
Banda Industrial, Científica e Médica), todas as bandas de celulares, canais de
rádio e TV, sistemas de posicionamento global (GPS) e radar de controle de
tráfego aéreo, dentre outras, são controladas pelos governos.

Basicamente, existem dois modos de transmissão em RF: as ondas que se


propagam de forma difusa (ou omnidirecionais – que se propagam em todas as
direções, possibilitando várias conexões) e as ondas que se propagam de forma
direcional, formando apenas um enlace.
Transmissão de RF omnidirecional.
Você facilmente pode notar que a forma omnidirecional de transmissão não
oferece muita segurança, já que qualquer antena receptora instalada nas
proximidades pode captar os dados que ali trafegam. Por isso, algumas dessas
transmissões são feitas com algum tipo de segurança, como criptografia ou
senhas. É o que acontece nas redes sem fio instaladas em prédios e casas por
meio dos APs.

Transmissão de RF direcional.
O sistema direcional utiliza duas antenas, normalmente do tipo parabólica ou
grade, para se comunicar. Assim, somente duas redes podem estabelecer
conexão, formando apenas um enlace. Essas antenas precisam estar alinhadas
(chamadas popularmente de “visada sem barreiras”) e são mais difíceis de instalar.
Têm a grande vantagem de não dispersar o sinal, melhorando a segurança contra
acessos indevidos.

Micro-ondas

Quando há necessidade de transmissão de dados em longas distâncias, o enlace


micro-ondas é mais eficaz, podendo chegar a taxas de 1 Gbps. Esse sistema é
chamado também de MMDS (Multipoint Microwave Distribution System – Sistema
de Distribuição Multiponto Micro-ondas) e utiliza antenas direcionais para
estabelecer o enlace. A frequência nesse tipo de transmissão normalmente precisa
ser licenciada pelo órgão regulador do governo (no caso do Brasil, a ANATEL).
Essa modalidade é utilizada para transmissões de TV por assinatura, mas as
concessionárias telefônicas como Embratel e Oi também a utilizam para
transmissão de grandes volumes de dados.

As micro-ondas viajam em linha reta. Assim, a distância que uma transmissão


desse tipo pode alcançar está relacionada diretamente à altura da torre
transmissora. Isso porque a torre transmissora deve “enxergar” a receptora; assim,
montanhas ou a própria curvatura da terra podem interferir na transmissão. Dados
obtidos em Tanembaum (2003) afirmam que uma torre com 100 m de altura pode
transmitir dados sob forma de micro-ondas até uma distância de 80 km sem o uso
de repetidores.

Assim, a comunicação por micro-ondas é muito usada na telefonia a longa


distância, em telefones celulares, na distribuição de sinais de televisão e em outras
formas novas de comunicação. A disseminação de canais de fibra óptica tem um
alto custo que, em vários casos, pode ser bastante diminuído com os canais de
micro-ondas.
Transmissão num sistema direcional micro-ondas.
Na Figura Transmissão num sistema direcional micro-ondas, simulamos um
exemplo de transmissão de TV por assinatura (comercialmente conhecida por
SKY). O fato de as micro-ondas atravessarem facilmente a atmosfera terrestre
torna atrativo seu uso por transmissoras de TV. Nas residências é necessário
instalar um equipamento receptor dotado de uma miniantena parabólica apontada
para o satélite transmissor utilizando cálculos de latitude e longitude. As duas
antenas precisam estar devidamente alinhadas para que a recepção aconteça com
perfeição.

É muito comum observarmos notebooks, netbooks, celulares, tablets e outros


dispositivos portáteis se comunicando através de enlaces wireless.

Laser

Outra forma de transmissão sem fio é o sinal óptico sob forma de laser, que já vem
sendo utilizado há algum tempo. O mais comum nesse tipo de enlace é a conexão
de LANs situadas em prédios diferentes, porém com visada. Uma das vantagens
desse tipo de transmissão é prescindir (não necessitar) da licença de um órgão
regulador.
Apesar do custo relativamente baixo, esse tipo de enlace enfrenta alguns
problemas. O primeiro deles é a natureza direcional: é necessária precisão
milimétrica para estabelecer a visada perfeita. Muitas vezes são usadas lentes que
desfocam o laser para facilitar o estabelecimento do enlace. Outro fato é a questão
climática: há problemas na transmissão em dias de chuva e de neblina; também
em dias de sol intenso pode haver interferências das correntes de convecção
(turbulências de ar quente) que emanam dos telhados e desviam o feixe de laser.

Topologias da rede (modos)

Segundo Engst (2005), esta é a classificação de redes wireless quanto ao espaço


físico:

 Indoor: dizemos que uma WLAN é indoor quando o sinal está sendo transmitido em
ambiente fechado, normalmente na presença de muitos obstáculos; um escritório é
um bom exemplo. Seu alcance é pequeno, ficando em torno de até 300 metros.

Sistema indoor.

 Outdoor: dizemos que uma WLAN é outdoor quando o sinal está sendo transmitido
em ambiente aberto. Nesse caso, o objetivo é a interligação entre prédios ou
localidades remotas, muitas vezes a alguns quilômetros de distância.
Rede wireless outdoor.
Ainda de acordo com Engst (2005), esta é a classificação das rede wireless quanto
ao tipo de conexão:

Ad-hoc: é composta por estações dentro de um mesmo espaço que se


comunicam entre si sem a ajuda de uma infraestrutura. Qualquer estação pode
estabelecer uma comunicação direta com outra estação.
Rede
wireless modo ad-hoc.
Abaixo um vídeo do Youtube ensinando a montar uma rede ad-hoc no Windows
10.

Infraestruturada: possui um ponto de acesso que é responsável por quase toda a


funcionalidade da rede. As estações se comunicam entre si usando esse ponto de
acesso.

 Necessidade de um potnto de acesso (AP);


 Comunicação cliente-cliente não é permitida;
 Toda a comunicação é feita com AP;
 Centralização do tráfego;
 Todo o tréfego da Rede passa pelo AP.
Rede
wireless modo infraestrutura.
Infravermelhos

As redes baseadas em infravermelhos ou lasers, segundo Dantas (2002), utilizam


a mesma tecnologia dos controles remotos sem fio usados em aparelhos de TV.
Para haver uma conexão de rede de infravermelho é necessário alinhar os dois
dispositivos para estabelecer um vínculo de conexão. Por esse motivo, elas são
especialmente convenientes para computadores pequenos e portáteis, pois um
computador portátil que use infravermelho pode ter todo o hardware de
comunicação embutido.

Porta infravermelho de um notebook.


Bluetooth

A proposta da tecnologia bluetooth é habilitar os usuários para conexão de uma


grande variedade de dispositivos de computação e telecomunicações de maneira
simples e fácil (DANTAS, 2002). Essa tecnologia é usada para transmissão de
dados via sinais de rádio de alta frequência, entre 2402 e 2480 GHZ. Sua
desvantagem é a velocidade da conexão, que raramente passa de 700kb/s, o
alcance é de no máximo 10 metros, e só podem ser ligados oito acessos
simultâneos.

Rede bluetooth.
PLC (Power Line Communications)

De acordo com Ferreira (2012), o Power Line Communications (PLC) é um sistema


que permite a transmissão de sinais de internet, voz, vídeo e comunicação digital e
analógica, por meio da rede elétrica. Existem dois tipos de PLC:

 o primeiro é o interior (indoor), em que a transmissão é conduzida usando a rede


elétrica interna de um apartamento ou de um prédio;
 o segundo é o exterior (outdoor), em que a transmissão é conduzida usando a rede
pública exterior de energia elétrica.

O princípio básico de funcionamento das redes PLC é que, como a frequência dos
sinais de conexão é na casa dos MHz (1 a 30 MHz), e a energia elétrica é da
ordem dos Hz (50 a 60 Hz), os dois sinais podem conviver harmoniosamente, no
mesmo meio. A internet sob PLC possui velocidade simétrica, ou seja, você tem o
mesmo desempenho no recebimento ou envio de dados.

De acordo com Ferreira (2012), o sinal a ser enviado pela linha elétrica é chamado
de BPL e sai da central, indo para o injetor, que vai se encarregar de enviá-lo para
a rede elétrica. No caminho, repetidores têm a função de evitar que os
transformadores filtrem as altas frequências. Chegando perto do destino, o extrator
retira o sinal, deixando-o pronto para uso da casa, chegando até o modem BPL,
que vai converter para uso pelo computador, através de uma porta Ethernet ou
USB.

Funcionamento da rede PCC.

Sistema distribuição BPL.


Conexão via cabo USB*
O cabo USB-USB usado para conectar dois micros é chamado “bridged” (ou “cabo
de rede USB”), porque possui um pequeno circuito eletrônico no meio do cabo
permitindo que os dois micros conversem entre si (TORRES, 2006).

A finalidade do circuito eletrônico é controlar o fluxo de dados entre os dois


conectados para a troca de dados. Apesar de ter uma alta taxa de transferência,
cada porta USB só permite ligação ponto a ponto.

Cabo de rede USB

 *ESSE TIPO DE CONEXÃO NÃO DEVE SER TENTADA COM UM CABO USB
TIPO A-A COMUM, SE FOR, CERTAMENTE QUEIMARÁ AS PORTAS USB DOS
DOIS COMPUTADORES, E EM CASOS MAIS GRAVES A PLACA-MÃE INTEIRA.

Fim da aula 4

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