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Aula 3

Nutrição esportiva

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Thamiris Martiny
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NUTRIÇÃO ESPORTIVA

AULA 3

Profª Gisele Farias


CONVERSA INICIAL

A avaliação do estado nutricional é uma ferramenta imprescindível para o


nutricionista, pois além de identificar riscos nutricionais, reflete o estado geral de
saúde do indivíduo, uma vez que o estado nutricional resulta do equilíbrio entre
a ingestão e utilização de nutrientes.
Esta avaliação inclui obtenção de dados antropométricos, bioquímicos,
clínicos, dietéticos e de estilo de vida. Por isso, para facilitar a nossa
memorização, podemos apelidar cada etapa de A, B, C, D e E, respectivamente.
Considerando que não é necessariamente nessa ordem que as informações são
obtidas durante a avaliação nutricional e considerando tornar o conteúdo da
disciplina mais prático, os itens estão sendo apresentados na ordem em que a
avaliação acontece durante um atendimento nutricional.
Desse modo, estudamos na aula anterior a avaliação clínica. Nesta aula,
serão abordados os seguintes tópicos:

• avaliação do consumo alimentar;


• avaliação bioquímica.

Além disso, a partir de agora, reservaremos os últimos tópicos para aplicar


os conhecimentos teóricos em um estudo de caso.

TEMA 1 – AVALIAÇÃO DO CONSUMO ALIMENTAR

A avaliação do consumo alimentar é uma ferramenta imprescindível para


o nutricionista, uma vez que além de ser complementar aos outros pontos da
avaliação nutricional, é determinante para uma prescrição dietoterápica mais
assertiva e individualizada.
É importante que ao escolher o método mais aplicável ao seu público, o
nutricionista considere as vantagens e desvantagens de cada um, bem como o
tipo de análise que deseja obter naquele momento, podendo ser quantitativa,
qualitativa ou ambas.
Vale destacar que é nesta etapa da consulta do nutricionista, por vezes
negligenciada, que se extraem valiosas informações, não só sobre a ingestão de
macronutrientes e de micronutrientes, mas também sobre os hábitos culturais do
indivíduo. Além disso, quando aplicada por vários dias, podem estimar com

2
maior precisão a ingestão calórica, de macronutrientes e de micronutrientes
usual do avaliado.
No quadro a seguir, estão listados os instrumentos para avaliação do
consumo alimentar utilizados na prática clínica, destacando as vantagens e
limitações de cada tipo de inquérito dietético.

Quadro 1 – Vantagens e desvantagens dos inquéritos dietéticos

Inquérito
Vantagens Desvantagens
Dietético
- Baixo custo, fácil e rápida
aplicação; - Depende da memória do
- Quando realizado em vários dias, entrevistado;
fornece estimativa da ingestão usual - Requer treinamento do investigador
do indivíduo; para evitar indução;
- Pode ser aplicado em diferentes - A ingestão prévia nas últimas 24
faixas etárias e em analfabetos; horas pode ter sido atípica;
- Pode ser utilizado para estimar a - Não diferencia a ingestão nos dias
Recordatório
ingestão energética e de da semana da ingestão do fim de
24 horas
macronutrientes; semana;
- Não altera o padrão de ingestão do - Dificuldade em estimar o tamanho
indivíduo; das porções;
- Descreve hábitos culturais; - Bebidas e lanches tendem a ser
- Útil ao avaliar tempo de ingestão omitidos;
de alimentos ou suplementos em - Em alguns momentos, é necessário
relação ao exercício, desconforto questionar sobre a forma de preparo.
gastrointestinal ou alergia alimentar.
- Não depende da memória; - Pode interferir no padrão alimentar;
- Proporciona maior acurácia e - Requer tempo;
Registro precisão quantitativa dos alimentos - Exige que o indivíduo saiba ler e
alimentar - Identifica tipos de alimentos, escrever;
preparações e intervalos entre as - Dificuldade para estimar as
refeições. quantidades ingeridas.
- Leva em consideração as
variações sazonais; - Requer um nutricionista altamente
- Fornece uma completa e detalhada treinado;
descrição quantitativa e qualitativa - Depende da memória do
História
na ingestão alimentar; entrevistado;
alimentar
- Elimina variações do dia a dia; - Tempo de administração longo;
- Fornece uma boa descrição da - Dificuldade de padronização a
ingestão usual; informação na abordagem coletiva.
- Informa o hábito alimentar.
- Baixo custo;
- Gera resultados padronizados;
- Simples administração, não
- Quantificação pouco exata;
Questionário requerendo tanta especialização do
- Dificuldade da análise sem uso de
de entrevistador;
computadores e programas
Frequência - Não altera o padrão de consumo;
especiais;
Alimentar - Estima a ingestão habitual;
- Necessidade em elaborar
- Pode descrever padrões de
questionários direcionados;
ingestão alimentar;

3
- Utilidade nas pesquisas - As listas pequenas (< 50 itens)
epidemiológicas; podem subestimar a ingestão por
- Pode ser utilizado para associar não contemplas todos os alimentos
nutrientes específicos às patologias consumidos pelo indivíduo e as
e necessidades fisiológicas; grandes (> 150 itens) podem ser
- Pode ser autoaplicável; cansativas;
- Útil ao avaliar o estado dos - Depende da memória do
nutrientes com um número limitado entrevistado e, caso seja
fontes dietéticas ricas, como autoaplicado, dependerá do grau de
antioxidantes, vitamina D, cálcio e escolaridade;
iodo. - Não contempla informações
importantes como o
momento/circunstância da ingestão
de alimentos e/ou bem como suas
combinações nas refeições.

TEMA 2 – AVALIAÇÃO BIOQUÍMICA – PARTE 1

De forma complementar ao exame físico e à avaliação do consumo


alimentar, a avaliação bioquímica serve como parâmetro para a prescrição
dietética. Essa avaliação consiste na interpretação de exames laboratoriais úteis
na detecção de carências e/ou excessos nutricionais, informações sobre o
estado nutricional do atleta, capacidade de transporte de oxigênio, ganho ou
perda de massa muscular, diagnóstico de alterações metabólicas e fisiológicas
de forma precoce, antes que ocorram lesões celulares e/ou orgânicas e de
patologias relacionadas à modalidade esportiva (anemia e infecções
respiratórias), além de ser uma ferramenta importante para monitorar a
adequação da estratégia nutricional.
De acordo com o inciso VIII do art. 4º da Lei n. 8.234/1991 e do art. 1º da
Resolução do Conselho Federal de Nutricionistas (CFN) n. 306/2003, o
nutricionista pode solicitar exames laboratoriais cujos métodos ou técnicas
tenham respaldo científico e que possuam relação com alimentação e nutrição,
necessários à avaliação, à prescrição, ao diagnóstico nutricional e à evolução
nutricional do paciente. Sendo assim, é importante que o nutricionista estude
todo o mecanismo fisiológico envolvido no marcador que esteja avaliando, desde
a participação dos nutrientes nas funções celulares, uma vez que a interpretação
dos exames laboratoriais não necessariamente leva em consideração os valores
de referência, já que estes não são baseados no estado nutricional, mas sim em
doenças ou nos pontos de corte de risco para desenvolvimento de determinadas
patologias.

4
No contexto do esporte e atividade física, é importante considerar a
avaliação de todos os sistemas envolvidos para a prática de exercício físico.
Dessa forma, uma análise completa de um atleta inclui o hemograma; os
biomarcadores da função hepática, do processo inflamatório, do estado funcional
do músculo e do estresse oxidativo; o perfil glicêmico; o perfil lipídico; os
hormônios e os micronutrientes, os quais serão abordados a seguir.

2.1 Hemograma

O hemograma é um exame bioquímico que traz informações sobre


quantidade e qualidade das células sanguíneas. É dividido em série vermelha,
série branca e plaquetograma.
Na série vermelha, as informações quantitativas são obtidas pelos
seguintes parâmetros: número de eritrócitos, hemoglobina e hematócrito, e as
qualitativas pelos marcadores: Volume Corpuscular Médio (VCM), Hemoglobina
Corpuscular Média (HCM), Concentração de Hemoglobina Corpuscular Média
(CHCM) e Distribuição do tamanho dos eritrócitos (RDW).
A hemoglobina é o principal componente proteico dos eritrócitos e é
responsável pelo transporte de oxigênio para os tecidos. A expansão do volume
plasmático induzida pelo exercício principalmente em atletas que praticam
modalidades de alto volume com predominância do metabolismo aeróbio
(endurance) faz com que os valores de eritrócitos, hemoglobina e hematócrito
sejam menores quando comparados a atletas de outras modalidades ou
indivíduos sedentários.
A série branca analisa as células de defesa do organismo contra infecções
e agressões externas dos sistemas imunes inato (basófilos, eosinófilos,
neutrófilos e monócitos) e adquirido (linfócitos), mas também adaptações
musculares aos estímulos do treinamento.
A determinação do número total de leucócitos circulantes é útil para
identificar infecção ou inflamação, alergias e também avaliar resposta
adrenérgica e fornecer informações sobre o envelhecimento celular.
É importante que o exame de sangue seja coletado no mínimo 48 horas
após realização do exercício físico, uma vez que, em proporção direta da
intensidade e duração do exercício há aumento do cortisol e da adrenalina, e

5
consequentemente, do número de leucócitos, conhecido como leucocitose, de
forma transitória.
Nas semanas seguintes após provas de maratona e/ou ultramaratonas, o
número total de leucócitos pode estar reduzido, caracterizando um quadro de
imunossupressão, ou seja, tornando o atleta mais suscetível a infecções
oportunistas. No entanto, a adaptação tecidual em resposta à prática de
exercício físico de forma crônica, estimula substâncias anti-inflamatórias,
protegendo o indivíduo do desenvolvimento de doenças crônicas inflamatórias,
o que contribui também com a melhora da função imune.
As plaquetas participam do controle da coagulação sanguínea e seus
valores estão aumentados na presença de infecções, inflamação e hemorragia
e reduzidos em doenças autoimunes ou em indivíduos em tratamento
quimioterápico.

2.2 Biomarcadores da função hepática

Em atletas, as provas de função hepática são úteis para avaliar a função


fisiológica do fígado e identificar possível lesão hepática, alteração do fluxo biliar
e/ou lesão de vias biliares e também podem identificar riscos por outras causas
não hepáticas, como toxicidade por uso de medicamentos e suplementos.
As provas de função hepática são divididas em testes que avaliam a
integridade dos hepatócitos (aminotransferases: aspartato amino transferase
(AST/TGO) e alanina amino transferase (ALT/TGO), a capacidade de síntese
hepática (albumina sérica) e a presença de colestase (fosfatase alcalina, gama
glutamil transferase (GGT) e bilirrubinas).
As aminotransferases contribuem com o processo de gliconeogênese e
também com a formação de energia no ciclo de Krebs uma vez que são
responsáveis pela transferência de grupos alfa-amino de alanina e aspartato
para alfa-cetoglutarato, formando piruvato e oxaloacetato. Para o transporte do
grupo amino, é necessário a participação da coenzima piridoxal-fosfato,
dependente de vitamina B6.

6
2.3 Biomarcadores do processo inflamatório, do estado funcional do
músculo e do estresse oxidativo

Em resposta ao processo inflamatório agudo e a fim de reparar e


regenerar o tecido muscular e reestabelecer o equilíbrio sistêmico após o
exercício, há produção, recrutamento e liberação de citocinas, espécies reativas
de oxigênio, imunoglobulinas, proteínas de fase aguda, hormônios e leucócitos
ativados na circulação.
A produção de radicais livres aumenta também devido à maior utilização
de oxigênio e também pelo recrutamento de células fagocitárias pelo músculo
proporcionadas pelo exercício físico. O estresse mecânico e os radicais livres
estimulam a produção de peróxidos lipídicos, que alteram a permeabilidade da
membrana da célula do tecido muscular esquelético, e com isso enzimas e
proteínas intracelulares se direcionam para a circulação sistêmica.
Entretanto, em períodos de treinamento frequente e extenuante, sem o
período de recuperação ideal, esse processo fisiológico pode evoluir para uma
lesão subclínica do atleta.
Desse modo, o monitoramento de biomarcadores envolvidos com o
processo inflamatório e estresse oxidativo, bem como o conhecimento da
atividade de enzimas musculares é importante para prevenção de lesões
musculares, e também para adequar o volume de treino e repouso de acordo
com a individualidade, garantindo assim, melhores adaptações ao treino. Ainda,
são úteis para adequação do plano alimentar do indivíduo.
Dentre os biomarcadores utilizados na prática clínica para identificação de
resposta inflamatória, destaca-se a Proteína C Reativa (PCR).
É possível analisar o estado funcional do músculo, verificando se há dano
muscular ou como está o processo de adaptação muscular ao treino pela
quantificação das seguintes proteínas intracelulares: creatinoquinase (CK),
lactato desidrogenase (LDH), aspartato aminotransferase (AST) e mioglobina.
Desse modo, os níveis desses marcadores podem estar aumentados em
lesões musculares devido à sobrecarga ou podem sugerir efeitos adaptativos ao
treinamento. Como essas proteínas encontram-se amplamente distribuídas nos
tecidos, como, por exemplo, no músculo cardíaco, nos rins, nos eritrócitos, no

7
fígado e no músculo esquelético, os níveis elevados podem ser em
consequência a lesões hepáticas, cardíacas e processos hemolíticos.
Quando o processo inflamatório se instala de forma crônica, o dano
gerado pelas espécies reativas de oxigênio pode atingir células próximas,
favorecendo um estado inflamatório sistêmico. Assim, para avaliação do
estresse oxidativo, são mensurados os antioxidantes produzidos pelas células
teciduais e pelos fluidos biológicos como reação de defesa às espécies reativas
de oxigênio, como ácido úrico, creatinina e ureia.

TEMA 3 – AVALIAÇÃO BIOQUÍMICA – PARTE 2

Continuando os estudos sobre os exames bioquímicos mais importantes


para os atletas, neste tema vamos abordar sobre o perfil glicêmico, o perfil
lipídico, os hormônios e os micronutrientes.

3.1 Perfil glicêmico

Após a ingestão e digestão de carboidratos, a glicose absorvida no


intestino delgado chega as células beta pancreáticas pelo transportador GLUT-
2, estimulando a liberação de insulina. Na sequência, a insulina se liga ao seu
receptor com atividade tirosina-quinase nos tecidos-alvo, que é ativado e sofre
uma reação de fosforilação. Essa reação promove uma cascata de sinalização
ao GLUT-4, que permite o influxo de glicose na célula por difusão facilitada.
A insulina é estimulada quando houver oferta energética, como
hiperglicemia, hiperaminoacidemia (leucina, isoleucina, valina, arginina,
triptofano), por hormônios gastrointestinais (secretina, gastrina, CCK, GIP) e por
drogas: sulfas, estimuladores beta adrenérgicos e teofilinas. Em contrapartida,
hipoglicemia, depleção de potássio, cortisol estimuladores alfa adrenérgicos,
beta bloqueadores e diuréticos são inibidores de sua ação.
Pensando no contexto da prática de atividade física, a contração muscular
usa a glicose fornecida pelo glicogênio muscular e hepático como primeira fonte
de energia. Uma observação importante é que o músculo esquelético, quando
exercitado, insere transportadores GLUT-4 na membrana celular no momento da
contração, mesmo na ausência da insulina.

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Além disso, a prática de atividade física melhora a sensibilidade à insulina,
favorecendo maior estoque de glicogênio muscular e remoção de lactato do
músculo para o sangue e, consequentemente, os valores plasmáticos de glicose
são inferiores em praticantes de atividade física e atletas quando comparados
aos sedentários.
Os exames laboratoriais utilizados para avaliação do metabolismo dos
carboidratos são: glicose em jejum, insulina em jejum, teste oral de tolerância à
glicose (TOTG) e hemoglobina glicada.

3.2 Perfil lipídico

O colesterol é uma molécula lipossolúvel que compõe a membrana


celular, conferindo a característica de fluidez. Além disso, é precursor de
hormônios esteroides, sais biliares e vitaminas lipossolúveis. Para ser
transportado pela corrente sanguínea, precisa se ligar a proteínas, formando as
lipopoproteínas.
As lipoproteínas são categorizadas de acordo com a densidade da
proteína em lipoproteína de alta densidade (HDL), lipoproteína de baixa
densidade (LDL) e lipoproteína de muito baixa densidade (VLDL).
A LDL é responsável pelo transporte de colesterol aos tecidos extra-
hepáticos: músculo, suprarrenal e tecido adiposo. Em contrapartida, a HDL é
responsável pelo transporte reverso do colesterol, ou seja, dos tecidos extra-
hepáticos para o fígado.
O perfil lipídico analisa o colesterol total (CT) e suas frações: LDL, HDL,
VLDL e triglicerídeos.

3.3 Hormônios

Os hormônios possuem como principal função atuar como mensageiros.


O estímulo à resposta hormonal pode ocorrer por sinalização do hipotálamo para
a hipófise e consequente atuação do hormônio na célula-alvo, e/ou por
oscilações dos níveis de íons e/ou nutrientes na circulação sanguínea, e/ou por
estímulo neural.

9
Os principais hormônios que compõem a avaliação bioquímica do atleta
são: hormônio do crescimento (GH), hormônio tireoestimulante (TSH), insulina e
hormônio paratireoidiano (PTH).

3.4 Micronutrientes

A avaliação dos níveis séricos das vitaminas e minerais em praticantes de


atividade física e atletas é essencial para a garantia de bom rendimento, uma
vez que participam de inúmeras reações orgânicas, como, por exemplo: do
processo de divisão e regeneração celular, da contração muscular e também dos
processos envolvidos com a produção de energia.
Sendo assim, os principais micronutrientes que fazem parte da avaliação
bioquímica do atleta são as vitaminas A, B9, B12, C, D e K e os minerais cálcio,
ferro, fósforo, magnésio, potássio, sódio e zinco.
No quadro abaixo estão os exames bioquímicos mais utilizados na
avaliação nutricional do atleta com seus respectivos valores de referência para
adultos de acordo com gênero:

Quadro 2 – Exames bioquímicos

Valor de Referência
Homens Mulheres
Hemograma
Número de eritrócitos (milhões/mm3) 4,30 a 5,70 3,90 a 5,00
Hemoglobina (g/dL) 13,50 a 17,50 12,00 a 15,50
Hematócrito (%) 39,00 a 50,00 35,00 a 45,00
VCM (fl) 81,00 a 95,00 82,00 a 98,00
HCM (pg) 26,00 a 34,00
CHCM (g/dL) 31,00 a 36,00
RDW (%) 11,80 a 15,60 11,90 a 15,50
Leucócitos totais (mil/mm3) 4,50 a 11,00
Neutrófilos (mil/mm3) 1,80 a 7,70
Monócitos (mil/mm3) 0,00 a 0,80
Linfócitos (mil/mm3) 1,00 a 4,00
3
Eosinófilos (mil/mm ) 0,00 a 0,45
Basófilos (mil/mm3) 0,00 a 0,20
3
Plaquetas (mil/mm ) 150,00 a 400,00
Função Hepática
Albumina sérica (g/dL) > 3,50
AST (U/L) 14,00 a 20,00 10,00 a 36,00
ALT (U/L) 10,00 a 40,00 7,00 a 35,00
GGT (U/L) 12,00 a 73,00 8,00 a 41,00
Fosfatase alcalina (U/L) 40,00 a 150,00 40,00 a 150,00

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Bilirrubina direta (mg/dL) 0,00 a 0,20
Bilirrubina total (mg/dL) 0,30 a 1,00
Processo inflamatório
Indicador de risco cardiovascular
Abaixo de 0,1 mg/dL: risco baixo
De 0,1 e 0,3 mg/dL: risco
intermediário Acima de 0,3 mg/dL:
risco aumentado Indicador de
processos infecciosos e/ou
inflamatórios
De 1,0 e 5,0 mg/dL: encontrado em
Proteína C Reativa
infecções virais e processos
inflamatórios leves
De 5,1 e 20,0 mg/dL - encontrado
em infecções bacterianas e
processos inflamatórios sistêmicos
Acima de 20,0 mg/dL - encontrado
em infecções graves, grandes
queimados e em politraumatismo
Estado funcional do músculo
CK (U/L) 38,00 a 174,00 26,00 a 140,00
LDH (U/L) 135,00 a 225,00 135,00 a 214,00
Mioglobina (ng/mL) < 72,00 < 58,00
Estresse oxidativo
Ácido úrico (mg/dL) 3,60 a 7,70 2,50 a 6,80
Creatinina sérica (mg/dL) 0,80 a 1,20 0,60 a 1,00
Ureia (mg/dL) 10,00 a 50,00
Perfil Glicêmico
Glicose em jejum (mg/dL) 70,00 a 99,00
Insulina em jejum (uU/mL) 1,50 a 14,90
TOTG (mg/dL) < 140,00 após 2 horas
Hemoglobina glicada (%) < 5,70
Perfil lipídico
CT (mg/dL) < 190,00
LDL (mg/dL) < 100,00
HDL (mg/dL) > 40,00
VLDL (mg/dL) < 15,00
Triglicerídeos (mg/dL) < 150,00
Hormônios
GH (ug/L) 0,02 a 0,97 0,02 a 3,61
TSH (mUI/L) 0,45 a 4,50
PTH (pg/mL) 10,00 a 65,00
Micronutrientes
Vitamina A (mg/L) 0,30 a 0,70
Vitamina B9 – Ácido fólico (ng/mL) > 3,90
Normal: > 300,00
Vitamina B12 (ng/L) Limítrofe: 190,00 a 300,00
Deficiente: < 190,00
Vitamina C - Ácido ascórbico (mg/dL) 0,40 a 2,00
Vitamina D – 25 OH (ng/mL) 20,00 a 100,00
Vitamina K (pg/mL) 80,00 a 1160,00
Cálcio (mg/dL) 8,60 a 10,30

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Ferro (mcg/dL) 65,00 a 175,00 50,00 a 170,00
Fósforo sérico (mg/dL) 2,40 a 4,60 2,30 a 4,30
Magnésio (mg/dL) 1,60 a 2,60
Potássio sérico (mEq/L) 3,50 a 5,00
Sódio (mEq/L) 135,00 a 145,00
Zinco (ug/mL) 0,50 a 1,10

TEMA 4 – AVALIAÇÃO CLÍNICA NUTRICIONAL NA PRÁTICA

A seguir, será apresentado um estudo de caso no formato de anamnese


nutricional com o objetivo de mostrar como os conhecimentos teóricos adquiridos
podem ser colocados em prática:

4.1 Dados pessoais

Nome: R. S. [Link]: Masculino


DN: 02.03.1988Idade: 33 anos
Escolaridade: pós-doutorado Profissão: docente universitário

4.2 Dados gerais

Indicação: Colega de trabalho. Refere desejo de participar de triathlon em 4


meses.
Objetivos: Emagrecer e melhorar rendimento nas modalidades esportivas que
pratica.
Modalidades Esportivas: Natação, ciclismo e corrida.
Há quanto
Treino Dias da semana Horários Duração
tempo

Natação Segunda a sexta 14h00 as 15h00 1 hora 3 meses

Corrida Segunda a sexta 15h00 as 15h30 30 minutos 3 anos


Ciclismo Segunda a sexta 15h30 as 16h15 45 minutos 3 meses
Musculação Segunda a sexta 16h15 as 16h45 30 minutos 1 ano

• Qual fase de treino/competição que o atleta se encontra? Em


preparação para triathlon em 4 meses.
• Sentimento durante o treino: Cansaço excessivo.
• Hidratação durante o Treino: 250 mL entre as modalidades.
• Quais as características do dia de competição? 1500 m de natação +
40 km ciclismo + 10 km corrida.

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• Atividades diárias de rotina:
o Aulas pela manhã, das 08h00 às 12h00 e a noite, das 19h00 às 22h00.
o Almoça em restaurante.
o Após as aulas da noite, janta em casa.
• Horas de sono/qualidade do sono: 07 horas, sono reparador (entre
00h00 e 07h00).

4.3 Dados clínicos

• História mórbida atual: sem queixas.


• História mórbida pregressa: Nega doenças pregressas.
• Já consultou com algum nutricionista? Nega.
• Faz uso de medicamentos? Se sim, qual (is)? Nega.
• História Familiar: Câncer de mama (avó materna), Hiperlipidemia (mãe).
• Já passou por alguma cirurgia? Nega.
• É fumante? Não.
• Ingere bebida alcóolica? Sim, nos finais de semana.
• Sinais clínicos em atletas (exame físico):
o Olhos: Secos e vermelhidão.
o Unhas: Com manchas brancas.
• Sintomas:
o Sistema neurológico: Cansaço e fadiga, mialgia, contrações contínuas.
o Sistema neuromuscular: Câimbras musculares.

TEMA 5 – AVALIAÇÃO DO CONSUMO ALIMENTAR NA PRÁTICA

Continuando o estudo de caso, na sequência serão apresentados os


dados sobre consumo alimentar de R. S. A.:
• Preferências alimentares: tomate;
• Aversões alimentares: nega;
• Intolerância: nega;
• Alergias: nega;
• Função intestinal: regular (1x ao dia);
• Ingestão de líquidos: 2000 mL de água ao dia;
• Utilização de medicamentos/suplementos: nega;

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• Recordatório 24 horas:
o Café da manhã (07h00): 1 pão francês + ½ col. sopa de margarina + 1
caneca de café com leite (integral) com açúcar.
o Almoço (12h30): 4 col. sopa de arroz branco, 1 concha média de feijão
preto, 2 porções de carne (aproximadamente 200 g) + salada mista (1
prato de sobremesa).
o Lanche da tarde (17h00): 2 pacotes de bolacha recheada.
o Jantar (22h00): 1 prato de espinafre + 2 tomates + 1 lata de atum.

Após a aplicação da anamnese, o profissional nutricionista deve analisar


as informações obtidas e, associando com a queixa principal e/ou objetivos do
paciente, traçar estratégias para o tratamento nutricional.
No quadro abaixo, estão descritas as informações quantitativas do
consumo alimentar de R. S. A. de acordo com o recordatório 24 horas aplicado
durante a avaliação nutricional. No decorrer da disciplina, estudaremos a
recomendação de nutrientes para R. S. A. e então conseguiremos avaliar a
adequação.

Quadro 2 – Análise quantitativa do recordatório 24 horas de R. S. A.

Avaliado
Valor Calórico 3408,00 Kcal
Carboidratos 449,10 g (52,71%)
Proteínas 144,82 g (17,00%)
Gorduras 115,11 g (30,40%)
Fibra Alimentar 24,84 g
Cálcio 1149,26 mg
Cobre 2,33 mg
Cromo 137,66 mcg
Ferro 25,03 mg
Fósforo 1805,29 mg
Iodo 225,02 mcg
Magnésio 456,32 mg
Manganês 7,91 mg
Ômega-3 180,00 mg
Ômega-6 2080,00 mg
Potássio 4686,30 mg
Vitamina A 225,29 ug
Vitamina B1 1,12 mg
Vitamina B2 1,95 mg
Vitamina B3 26,98 mg
Vitamina B5 7,19 mg
Vitamina B6 1,69 mg

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Vitamina B9 563,72 mcg
Vitamina B12 7,62 mcg
Vitamina C 100,62 mg
Selênio 7,14 mcg
Sódio 3145,65 mg
Zinco 21,64 mg

NA PRÁTICA

Os sinais e sintomas de R. S. A. nos sugerem investigar como está a


adequação do consumo dos seguintes nutrientes: proteína, ácidos graxos
essenciais, coenzima Q10, complexo B, vitamina A, vitamina C, cálcio, cobre,
cromo, ferro, fósforo, iodo, magnésio, manganês, potássio, selênio, sódio e
zinco.
Para isso, o nutricionista pode inicialmente fazer uma investigação mais
detalhada do consumo alimentar, complementando com outros tipos de
inquéritos dietéticos, como o QFA e o registro alimentar de 3 dias. Após isso,
pode fazer a solicitação de alguns parâmetros bioquímicos laboratoriais que
julgar pertinente como complementar à sua avaliação nutricional.

FINALIZANDO

Até o momento, estudamos as etapas B, C, D e E da avaliação nutricional


com ênfase ao levantamento de informações necessárias para a prescrição
dietética do atleta.
Após a aplicação da anamnese nutricional, deve-se estudar quais
aspectos devem ser melhor investigados para que a conduta nutricional esteja
alinhada à queixa principal e/ou objetivos do praticante de atividade física e/ou
atleta.

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REFERÊNCIAS

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