Copyright © 2022 — Larissa Chagas
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É proibida a reprodução total e parcial desta obra de qualquer forma
ou quaisquer meios eletrônicos, mecânico e processo xerográfico,
sem a permissão da autora. (Lei 9.610/98)
Essa é uma obra de ficção. Os nomes, personagens, lugares e
acontecimentos descritos na obra são produtos da imaginação da
autora. Qualquer semelhança com nomes e acontecimentos reais é
mera coincidência.
REVISÃO:
Camille Gomes
ILUSTRAÇÃO:
Arima
@_arimarts
LEITORAS BETAS:
Abigail Souza, Maria Medeiros, Taila Andrade, Gabriela Campany,
Thamyres da Costa, Camilla Gonçalvez e Leticia Getirana
CAPA:
Heloisa Batistini
DIAGRAMAÇÃO:
Larissa Chagas
@lchagasdesign
MINHA QUERIDA CHEFE – Duologia Minha, Livro Um [recurso digital]
/ Larissa Chagas – 2ª Ed. 2022
nota da autora
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capítulo um
capítulo dois
capítulo três
capítulo quatro
capítulo cinco
capítulo seis
capítulo sete
capítulo oito
capítulo nove
capítulo dez
capítulo onze
capítulo doze
capítulo treze
capítulo quatroze
capítulo quinze
capítulo dezesseis
capítulodezessete
capítulo dezoito
capítulo dezenove
capítulo vinte
capítulo vinte e um
agradecimentos
outros livros da autora
Para aqueles que acreditam que a
metade da sua laranja já foi chupada
até o bagaço, ou que nem existe.
Cada coisa tem o seu tempo certo
para acontecer. Quando menos
esperarem, o amor irá arrebatar
vocês...
Olá, pessoas!
Caso você tenha caído de paraquedas aqui, deixa eu só avisar:
esse livro originalmente se chamava ONLY SEX. Ele foi reescrito uma
segunda vez e publicado, porém, não fiquei contente com o rumo da
história e retirei. Depois de um tempo eu pensei: “teve gente que
gostou de only, nem que seja um pouco”, então revolvi dar mais
uma chance para essa história (reescrevendo pela milésima vez, me
perdoem).
Para quem já leu já em 2019/20, aviso que o livro passou por
mudanças, então o meio e algumas partes do final não será o
mesmo da primeira versão. O enredo realmente mudou, mas a
essência de Only ainda é a mesma (Snow perdendo a cabeça com
a Bright).
Então é isso, assumindo um nome SUPER CLICHÊ digno de um
clichê invertido: Trilogia Only agora é DUOLOGIA MINHA.
Livro Um: Minha Querida Chefe
Livro Dois: Minha Irresistível Chefe em 2023
ESSE LIVRO NÃO É RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS. Contém:
cenas de sexo explícito, abuso álcool, assédio, linguagem imprópria
e palavras de baixo calão. Nem todos os gatilhos estão no primeiro
livro, mas veremos principalmente no segundo livro: luto/perda,
depressão, abandono de vulnerável.
Se não gosta desse tipo de leitura, ou se sentir desconfortável,
vaza daqui, ok?!
Não planejo desrespeitar ninguém com esta obra. É sempre
bom frisar que por mais que eu seja a autora deste livro, não estou
de acordo com algumas falas, pensamentos e ações de
personagens presentes nele.
Atenção: ESTE LIVRO É UMA DUOLOGIA, LOGO, ELE
CONTINUA NO PRÓXIMO VOLUME, NÃO ENCERRA NESTE!
Harry Snow promete arrancar risadas de seus leitores — e
talvez as calcinhas também —, espero que se divirtam com a leitura.
todo amor,
Trilha sonora exclusiva
do livro no Spotify:
Eu não quero ficar sozinho
Eu não quero ficar sozinho quando acabar
Não quero que você saiba
Que eu não quero ficar sozinho
Mas eu sinto isso tomar conta
Eu sinto você assumir o controle
De quem eu sou e de tudo que eu já conheci
Amar você é o antídoto.
Golden | HARRY STYLES
E eu percebo que a culpa é minha
Porque eu sabia que você era problema quando você apareceu
I Knew You Were Trouble | Taylor Swift
Londres, Inglaterra - UK
2018
A água do mar atingia os meus pés quando as ondas se desfaziam
na areia. Não tinha uma pessoa sequer em lugar algum; nem à
minha direita, muito menos à esquerda. Eu estava na praia sozinho.
Entretanto, eu não estava preocupado com isso, a paz que eu tanto
procurava estava ali.
Só eu e a praia, mais ninguém.
Deitei-me no chão, esparramando-me na areia, absorvendo
toda a energia do sol e ouvindo o som das ondas. Estava tudo
tranquilo..., até o som do mar ser substituído por um bip bip
ensurdecedor.
Cacete! Meu despertador.
Então abri os olhos abruptamente e voltei à realidade. Foi
apenas um sonho.
Mais um dia comum na vida do assalariado.
Minha cabeça latejou um pouco e eu ainda nem tinha me
movimentado. Culpa da ressaca que eu ainda estava administrando.
Tenho que parar de beber aos domingos.
Passei as mãos pelos cabelos, para tirar os fios da minha testa,
e, reunindo forças, me levantei da cama. Fui para o banheiro tomar
banho.
Eu iniciava o trabalho um pouco mais tarde às segundas-feiras, às
dez horas, então sempre tinha tempo de ir ao restaurante da mãe do
meu melhor amigo, Landon Thompson, para tomar um delicioso
café da manhã — a mãe dele também era melhor amiga da minha
mãe.
Quando entrei no estabelecimento, encontrei meu amigo
limpando o balcão principal.
— Bom dia, Lan — disse ao rapaz, sentando-me na banqueta,
colocando o paletó e a maleta no assento livre ao lado.
— Oi, Har… Minha nossa senhora! — Suas íris âmbares me
fitaram com atenção. — Essa cara é por causa da bebedeira de
ontem? — Foi mais uma censura do que uma pergunta.
Não achei que estava tão ruim assim.
— Não exatamente. Estou assim porque não dormi muito à
noite… — contestei.
— Ocupado demais com a companheira noturna, não é? —
Landon parou de limpar o balcão e colocou o pano sobre o ombro.
— Cá entre nós… — Ele inclinou o corpo para frente, abaixando-se
na altura da minha orelha. — Eu ainda acho que você deveria
arranjar uma namorada e gastar o seu dinheiro com outra coisa.
Não era novidade nenhuma para o meu amigo que às vezes —
apenas às vezes — eu aderia ao sexo pago. E ele sempre pegava
no meu pé por isso.
— Com o quê, por exemplo? — indaguei.
— Com… — Ele olhou ao redor — Com comida!
— Mas eu gasto com comida, fico satisfeito — pontuei.
— Ter amigo pervertido é foda! — Landou gargalhou.
— Olha só quem fala. — Dei risada. — Onde está a Joh?
— Lá dentro — ele apontou para trás por cima do ombro. —
Temos uma nova cozinheira, minha mãe quer olhar de perto o
trabalho da garota.
— Entendi — balancei a cabeça.
— Tacos? — sugeriu, já acostumado com a minha rotina.
— Sim, mas dessa vez me dá em dobro, estou com muita fome.
E com uma xícara de café bem forte, não posso aparecer no
trabalho com essa cara lamentável.
— Tacos com café… Arghn! — Ele fez cara de nojo.
— É uma delícia, você devia experimentar.
— Dispenso totalmente! — gritou, indo para cozinha.
Cheguei na empresa às dez e quarenta e cinco.
Atrasado. Passei um tempo desnecessário conversando com o
Landon.
Fui direto para a sala do Mike, o meu chefe — já decorando um
discurso para o meu atraso —. Entretanto, a sala dele estava
fechada.
Caminhei até o cubículo do Isaac, meu colega de trabalho.
— Onde está o Mike? — perguntei ao homem.
— Ainda não chegou — disse ele, inclinando-se na cadeira.
— Sério? — Franzi o cenho. Mike não era de se atrasar.
— Sim. Ou, se ele chegou, não veio para cá.
— Que bom. — Sentei-me na cadeira do meu cubículo,
aliviado.
— Se atrasou com o quê dessa vez?
— O quê? Eu me atrasei? Não — debochei, cinicamente.
O homem bufou, mas não disse mais nada. Ciente de que os
meus raros atrasos eram sempre por ficar conversando demais com
o Thompson.
— Sabia que hoje vão apresentar a nova Presidente do Setor?
— disse ele de supetão.
— Qual setor? — franzi o cenho, confuso.
— Não faço a mínima ideia. — Isaac deu de ombros. — Ouvi as
meninas do RH comentando, e pelo que soube, a nova Presidente
será a filha do Senhor Bright.
— Sério? — franzi o cenho mais uma vez. — A filha dele não
estava em Paris?
— Pelo visto, não mais. A apresentação será às 13h30.
Achei tudo repentino demais, afinal era a filha do CEO da
empresa — que ninguém nunca viu (na verdade, eu nunca vi), pois
ela estava morando em Paris — assumindo um cargo importante na
Bright Holdings. Porém, me abstive de comentários mais profundos.
Fiquei duas horas sem fazer nada — exceto por algumas vezes em
que ajudava Isaac com alguns relatórios, não tínhamos o mesmo
chefe, mas o trabalho era praticamente o mesmo. Mike não
apareceu e ninguém do Setor sabia do paradeiro dele, então minha
única opção era continuar esperando.
Às 13h30 da tarde, todo o pessoal se reuniu para a pequena
cerimônia de apresentação da nova Presidente do Setor — que eu
ainda não sabia qual era —, no auditório. No palco, estavam o
senhor e a senhora Bright, algumas pessoas importantes na
empresa, os sócios e os Presidentes de outros Setores.
Apesar de muita gente no local, uma pessoa em particular me
chamou a atenção. Ela estava conversando com o senhor Collon, o
Presidente do Setor Seis. Usava saltos pretos bem altos, uma blusa
de cetim prata — quando se tem uma irmã mais velha que cursa
moda, você acaba aprendendo a reconhecer os tecidos — e uma
saia preta bem justa do mesmo material. Seu cabelo era castanho
escuro, todo cacheado, e sua pele era negra. Quando ela se virou
em minha direção, mas não olhando para mim, pude ver seu rosto.
Meu batimento cardíaco fraquejou. Ela era muito bonita. Muito
mesmo. Seus olhos castanhos percorreram a multidão à sua frente,
ela sorriu e voltou a atenção para o homem ao lado.
Eu não fazia ideia de quem ela era, nunca a vi na empresa.
Certo que eu não conhecia todos da Bright Holdings, afinal a
empresa era gigante. Mas uma mulher com uma beleza como
aquela não passaria despercebida pelos meus olhos.
Minha atenção foi roubada pelo senhor Bright, que pegou o
microfone na mesa e começou a falar.
— Eu agradeço a todos que se deslocaram até aqui. Gostaria
de adiantar para que isso não atrapalhe o trabalho de ninguém.
Como alguns já sabem, a minha filha será a nova Presidente do
Setor Um. — Era o meu Setor. — O senhor Mike Vegar foi
transferido para o Setor Três. E… o assistente do senhor Vegar se
encontra?
Levantei minha mão, surpreso.
— Ótimo. Você será o novo assistente da Emma Bright. Filha,
por favor, venha até aqui. — A mulher que estava ao lado do senhor
Collon dirigiu-se até o senhor Bright.
Cacete!
Ela não podia ser a Emma Bright, filha mais velha do senhor
Bright. De acordo com as informações que eu tinha — obtidas após
ficar vagando pelo RH —, a Emma Bright já estava caminhando
para terceira idade — exagero da minha parte, a Bright tinha 33
anos —, e a mulher que eu estava vendo neste momento não tinha
absolutamente nada de velha, parecia ter a minha idade.
— Oi, pessoal — disse a mulher com uma voz doce, acenando
para a plateia.
Todos aplaudiram e saudaram com boas-vindas.
— Que sorte, hein? — disse Isaac, ao meu lado — A filha do
CEO é a sua nova chefe.
— Estou começando a amar o meu emprego — falei, sorrindo
como um tolo.
Era uma oportunidade e tanto na minha carreira trabalhar com a
filha do dono da empresa, que obviamente seria a próxima CEO,
mas não era só por isso que eu estava feliz.
— Todos já podem voltar para seus respectivos trabalhos,
exceto os Presidentes — continuou o senhor Bright.
Fiquei no meu cubículo esperando minha nova chefe me
chamar. Ainda não tinha trocado uma palavra com ela e confesso
que estava ansioso por isso.
Com certeza iríamos nos dar bem.
A porta da sala, que antes era a do Mike, se abriu e Emma
apareceu.
— Harry Snow? — Ela me chamou com a voz amigável.
— Aqui — disse, levantando-me da cadeira com uma
velocidade desnecessária.
— Você pode vir aqui, por favor?
Assenti, caminhando em sua direção.
Quando entrei na sala, Emma já estava sentada em sua
cadeira. E por Deus! Ela era ainda mais bonita de perto.
— Snow, eu gostaria de saber se você já enviou o contrato para
o dono da Boate K'kiss — disse ela. Pude notar uma mudança
significativa em seu tom de voz. Também não estava me encarando.
— Enviei hoje pela manhã, como foi combinado.
— Cancele.
— O quê? — Acabei falando um pouco alto, devido ao susto.
— Você é surdo? Eu disse cancele — repetiu ela, concentrada
na tela do computador.
Franzi o cenho, um pouco atônito.
— Eu não posso fazer isso. O contrato foi assinado pelo Mike…
digo, pelo senhor Vegar.
— Dê o seu jeito. Você é pago para isso — replicou,
simplesmente.
Admito que fiquei um pouco pasmo com a arrogância repentina
dela. Eu perdi alguma coisa?
— Mas eu teria que ter um belo motivo para cancelar o
contrato… — articulei.
— Invente qualquer coisa. Eu não me importo. — Ela balançou
a mão no ar. — Eu quero essa boate para mim. O espaço dela, para
ser mais clara. — explicou, e então começou a digitar
freneticamente no teclado do computador.
Como ela conseguia se concentrar na conversa e ao mesmo
tempo escrever com tanta rapidez?
— Nenhum Presidente pode comprar um imóvel que vem para
cá. Isso é contra as regras. — falei, e logo me arrependi
amargamente.
— Está tentando me ensinar como comandar um Setor? —
Emma parou de digitar e me encarou. Fodeu! — Saia por aquela
porta e só volte com o contrato cancelado, Snow. Caso contrário,
adorarei te transferir para outro Setor mais incompetente.
Empalideci na mesma hora.
— Sim, senhora — disse, com a voz áspera.
— Senhorita — corrigiu ela, voltando a digitar.
Dei as costas e saí da sala.
Esse é um daqueles momentos em que a frase “não julgue o
livro pela capa” faz todo o sentido. Minha nova chefe na verdade é
uma megera arrogante.
Puta que pariu.
Sentei-me na cadeira do meu cubículo com tanta força que
pensei até que iria cair.
— O que aconteceu lá dentro para você sair assim com essa
cara de búfalo nervoso? — perguntou Isaac, encostando-se na
divisória entre meu cubículo e o dele.
— Aquela vaca quer que eu cancele o contrato — falei, quase
rosnando.
— Que vaca?
— A senhorita Bright! — Fiz cara feia ao proferir o nome dela.
— Por que você já está chamando a sua chefe de vaca no
primeiro dia de trabalho dela? Qual é o seu problema?
— Qual o meu problema?! — gritei. — Qual é o problema dela,
você quer dizer? Ela quer que eu cancele um contrato assinado que
eu enviei hoje pela manhã. Sabe quanto trabalho dá para fazer
isso?
— E qual a razão de ela fazer isso?
— Ela quer o imóvel — resmunguei.
— Mas ninguém pode comprar os imóveis que vêm para cá. —
Ele cruzou os braços, intrigado.
— Eu sei. Disse isso a ela, o que ganhei foi um sermão e uma
ameaça. Se eu não conseguir fazer isso hoje, ela vai me trocar de
Setor.
— Nossa… — Isaac ergueu as sobrancelhas — Eu pensei que
ela era legal.
— Legal é o cacete. Por trás daquele rostinho bonitinho tem
uma naja que sabe muito bem como dar o bote — resmunguei mais
uma vez.
— É, meu amigo... Bem-vindo ao time dos que tem um chefe
insuportável. — Cantarolou Isaac, voltando sua atenção para o
próprio computador.
Murmurei pelo menos cinco palavrões antes de começar a
pensar no que fazer, mas sem sucesso. Quando pensei em pedir
ajuda ao meu companheiro ao lado, antes que ele fosse embora,
para que me desse alguma ideia do que usar como desculpas para
cancelar um contrato valioso que passei semanas trabalhando,
escutei uma voz feminina e autoritária atrás de mim.
— Eu pensei que tinha mandado você trabalhar, Snow. — Virei-
me. Emma estava parada a dois metros da minha cadeira. — Você
é pago para trabalhar e não para ficar de conversa fiada.
Ajeitei minha posição na cadeira e comecei a digitar coisas
aleatórias no documento aberto no Word, só para não dizer nada a
ela. Convenhamos, a minha resposta não seria agradável.
Emma passou por mim e cumprimentou o Isaac, de soslaio
pude ver que até sorriu para ele.
Sério?
A senhorita Bright caminhou em direção ao elevador, com
passos firmes, fazendo seus saltos produzirem um barulho irritante
ao se chocarem contra o piso de mármore, e entrou no
equipamento.
— Não diga nada. Eu vi que ela foi simpática com você, mas
comigo foi o contrário — disse antes que Isaac abrisse a boca para
proferir algo.
— Vai ver foi ódio à primeira vista — ele deu de ombros,
prendendo o riso.
— Como você é engraçado — disse, com desdém. — Vai logo
embora, Isaac.
— Não quer ajuda?
Ponderei, olhando para o elevador por um tempo, para ter
certeza de que a senhorita Bright não iria aparecer.
— Melhor não. É bem provável que a megera apareça e diga
que sou incompetente ao ponto de não conseguir trabalhar sozinho
— praticamente rosnei.
— Acho que você exagerou um pouco, mas vou embora antes
que você desconte o seu ódio em mim. — Ele se levantou da
cadeira, arrumando suas coisas — Tchau, Harry. Te vejo às sete no
bar?
— Se eu tiver 1% de paciência quando acabar isso aqui, irei.
— Ok. Te vejo lá, então.
Isaac saiu do cubículo dele e caminhou até o elevador. Voltei a
atenção para a tela do meu computador. Procurei na lista
interminável dos últimos contratos fechados o número de contato do
quase novo proprietário e liguei para ele.
Se eu conseguisse cancelar o contrato, ainda teria que preparar
a papelada da multa por quebra de acordo. Ou seja: mais trabalho.
Depois de escrever um relatório de cinco páginas e ler três
vezes, mandei o documento para o e-mail do senhor Miller — que
seria o dono —, e imprimi uma cópia para entregar à senhorita
Bright, já que eu ainda não tinha o e-mail dela. Coloquei o relatório
dentro de um envelope e fui até sua sala, dando duas batidas na
porta.
— Pode entrar — disse ela.
— Com licença. — Entrei na sala, me aproximando da mesa. —
Vim entregar o relatório que eu enviei para o senhor Miller.
— Você poderia ter enviado para o meu e-mail.
— Poderia, se o tivesse. — Talvez, só talvez, minha voz tenha
soado rude. Realmente não gostei de como ela me tratou mais
cedo.
— Ah, é..., tinha esquecido. Deixe-me ver isso. — Entreguei o
envelope. Antes que pudesse sair rapidamente de sua sala, ela
continuou: — Tenho dois contratos para você fazer um resumo e
quero que analise o rendimento de uma empresa de bebidas. Os
contratos são para hoje.
— Hoje? — quase gritei. Eu tinha que aprender a controlar meu
tom de voz quando era surpreendido.
— Como sempre: surdo.
— Não tem possibilidade de entregar isso hoje. O meu horário
já acabou.
— Você sai às cinco e meia?
— Não. Às três. — É por isso que eu amo as segundas-feiras;
chego tarde e saio cedo.
— Então me traga os três, prontos... amanhã.
— O quê? — Assumi a minha maior cara de incrédulo. — Eu
não vou passar a noite em claro fazendo isso.
— Você é meu assistente e faz o que eu mandar — retrucou.
Em minha defesa, eu não era o tipo de assistente que recusava
trabalho, sempre fazia o que o Mike mandava com maior prazer,
afinal, para mim era uma experiência e aprendizado. Mas a
senhorita Bright tinha um jeito autoritário demais, parecia que com
três palavras ela me resumia em um simples lacaio, para ser mais
claro.
Ou talvez eu só esteja exagerando e deva calar a boca e
obedecer.
Emma ficou me encarando por longos segundos. Eu não disse
uma sílaba sequer, mas estava fixamente olhando em seus olhos.
Estávamos em um momento muito desconfortável, mas a minha
mente só divagava no quanto ela era bonita — mesmo sendo uma
chata —. Dessa vez eu estava mais perto dela. Meus olhos
percorreram suas pernas torneadas, meu coração começou a bater
mais forte à medida em que seu perfume amadeirado invadia as
minhas narinas.
Emma começou a falar algo, mas eu não prestei a mínima
atenção.
Estava imaginando como seria beijá-la.
Acho que gosto de mulheres raivosas, afinal.
— Snow? — Meu devaneio se desfez quando escutei a voz da
mulher soar mais grave. — Algum problema?
— O que disse? — Senti minhas bochechas corarem. Merda.
— Disse que você pode levar os três e me trazer em quatro
dias. E não adianta arrumar mais desculpas, eu quero em quatro
dias, já sabe o que te aguarda se não fizer. — Ela me entregou os
envelopes. — Agora saia, estou cansada da sua cara.
— Ótimo. — Foi tudo que consegui dizer.
Não, eu não gosto dela.
Virei-me e saí da sala.
Isaac tinha razão. Foi ódio à primeira vista.
Peguei meu paletó, que estava pendurado na cadeira, minha
maleta e caminhei para o elevador.
Minha cabeça começou a latejar só de pensar no quanto eu
teria que trabalhar pela noite.
— Levou uma surra? Meu Deus, que cara é essa? — perguntou
Lan.
Não consegui ir direto para casa, fui para o restaurante da Joh,
precisava comentar sobre a minha indignação com o meu amigo.
— Antes fosse uma surra — murmurei com desgosto. — Essa é
a cara de quem passou as últimas três horas com o cu sentado
numa cadeira, escrevendo um relatório de cinco páginas com fonte
Times New Roman, tamanho doze e texto justificado. Tudo para
atender ao capricho de uma vaca.
— Explica isso aí. — Ele deu a volta no balcão e se sentou ao
meu lado.
— Hoje eu fiquei sabendo que tenho uma nova chefe. Ela é a
filha mais velha do senhor Bright, o dono da empresa. E é uma
chata, insuportável, cretina… — reclamei. — Logo no primeiro dia
ela já me deu três relatórios para entregar em quatro dias.
— Mas esse não é o seu trabalho? — Landon franziu o cenho.
— Vai ficar do meu lado ou do dela?
— Eu só estou fazendo uma pergunta.
— Sim, Lan, esse é o meu trabalho. Porém, não costumo fazer
esse tipo de coisa de uma vez só. Isso dá trabalho, requer atenção.
— Entendi. — O homem balançou a cabeça, mas não parecia
muito interessado. — Vai ver ela não gostou de você — deu de
ombros, por fim.
— Ela me odiou no primeiro segundo que entrei na sala dela,
então.
— Diz aí, ela é uma senhora de idade feiosa ou uma mulher
gostosa?
Revirei os olhos — já prevendo que a pergunta viria mais cedo
ou mais tarde —, mas respondi.
— Sim, ela é gostosa. — Não tinha como mentir com esse fato,
por mais que a senhorita Bright fosse uma cretina comigo, ainda era
uma mulher muito bonita.
— Sério? — Seu interesse no assunto pareceu crescer depois
dessa revelação. Balancei a cabeça para afirmar. — Então você
está fodido. Sua chefe é gostosa e ainda te odeia. Você não vai
poder tirar uma casquinha dela e ainda vai ter que trabalhar como
um escravo.
— Eu não poderia tirar uma casquinha dela nem se ela
gostasse de mim, Lan. Qual parte do “ela é a minha chefe” você não
entendeu? — franzi o cenho para o homem, que se limitou a dar de
ombros. — Estou me sentindo um estagiário — lamentei.
— Irei orar por você, meu amigo. — Ele deu dois tapas de leve
no meu ombro.
— Você nem vai à igreja, Lan — pontuei o óbvio.
— Não significa que eu não possa orar — sorriu cinicamente.
Deus claramente não escuta mais nada que sai da boca dele. —
Você vai para o bar com o pessoal?
— Não, eu estou cansado e estressado.
— Vamos, Harry, vai ser bom para você tirar o trabalho da
cabeça.
— Eu o estou levando para casa, como vou tirar? — aprontei
para os envelopes em cima da minha maleta. Só de olhar para os
papéis, minha cabeça voltou a latejar.
— Você não vai começar nada agora de noite, então vamos lá,
se distrair enquanto há tempo.
Ponderei por um tempo. Em uma coisa Landon tinha razão; eu
não iria começar trabalho nenhum pela noite.
— Amanhã eu trabalho mais cedo, não posso encher a cara —
informei.
— Não vamos encher a cara hoje, é só um encontro de
amigos.
— Eu ainda vou ter que ir para casa tomar um banho.
— Toma banho aqui, você pode vestir uma roupa minha. Vamos!
— Ele se levantou da cadeira, animado.
— As suas calças ficam folgadas em mim. Você tem bunda de
mulher gostosa — sorri para provocar. Lan odiava esse fato.
— Não começa, porra. Você passa muito tempo na minha casa,
deve ter uma roupa sua lá. Acho até que vou começar a te cobrar
aluguel.
Apenas ignorei seu comentário e o segui até a casa, que ficava
em cima do restaurante.
Admito que foi bom ter saído para ver meus amigos. A noite
estava sendo bem divertida, estávamos conversando e rindo que
nem idiotas — como era de costume —. Eu estava indo com calma
na bebida porque teria que trabalhar cedo no dia seguinte.
Tudo estava indo muito bem.
Divinamente bem.
Tão bem que eu achei até que estava em um sonho
maravilhoso.
Mas essa felicidade só durou até eu desproporcionalmente olhar
para a porta do estabelecimento e ver Emma Bright passar por ela.
Deus me odeia e eu posso provar. Quais as chances de isso
acontecer?
Ela entrou com outras duas mulheres ao seu lado,
provavelmente amigas. Estava vestida com calça moon jeans de
lavagem clara — meu conhecimento de roupas também é
aprimorado —, camiseta estampada com logo de banda e nos pés,
tênis all start. Seu cabelo estava solto e volumoso. Comparando
com a Emma que eu estava vendo agora e a que eu vi no trabalho,
elas não pareciam a mesma pessoa.
Ela ainda não tinha me visto. Desejei, com todas as minhas
forças, que a situação continuasse assim.
O tempo foi passando e o sorriso sumindo do meu rosto. Eu não
conseguia mais socializar sabendo que a minha chefe estava no
mesmo ambiente que eu.
Isso nem faz sentido!
Isaac ainda não tinha a visto, e toda hora eu olhava para a
mesa em que a Emma estava, para saber se ela estava me
encarando com o seu olhar julgador. Talvez ela dissesse: “Então é
por isso que você não quer trabalhar, não é, Snow?” quando enfim
notasse minha presença ali.
— Estou exagerando, sem dúvidas — murmurei para mim
mesmo.
Nesse momento, o olhar de Emma Bright se encontrou com o
meu. Ela sorriu.
Maldição!
Meu sangue gelou no corpo. Me senti como um adolescente
que tinha sido pego fazendo algo imoral e ilegal.
— Eu já volto — avisei aos meus amigos e me levantei da
cadeira rapidamente. Fui ao banheiro.
Não devia estar tão incomodado com a presença dela, mas
estava. Talvez fosse porque ela era muito intimidadora.
Joguei água no rosto e enxuguei com papel. Fiquei bastante
tempo me encarando no espelho, repetindo a mesma frase para que
meu subconsciente entendesse o recado: Você vai sair do banheiro
e não vai dar a mínima para a Emma. Ela não tem o direito de dizer
nada sobre você fora do trabalho.
Eu estava pronto.
Saí de perto do espelho e caminhei até a porta. Quando fui
colocar a mão na maçaneta, tinha alguém abrindo a porta por fora,
então me afastei um pouco para a pessoa entrar.
Deus me deu mais sinais de que me odeia.
A senhorita Bright apareceu.
— Esse é o banheiro masculino — falei, completamente
assustado.
— Eu sei. — Ela entrou de vez e fechou a porta.
Oh, porra!
— O que você está fazendo aqui? — Parecia que eu estava
encarando um assassino de tão assustado que me encontrava.
— Vim falar com você. — Ela se encostou à porta.
— E tem que ser justamente aqui? — Comecei a ficar nervoso.
— Estamos no banheiro masculino — enfatizei, caso não tivesse
ficado claro na primeira vez que falei.
— Por que não? — Ela deu de ombros, como se não fosse nada
demais. Estava me encarando de forma estranha, até o seu tom de
voz estava diferente (não vociferando ou dando ordens).
Essa segunda-feira precisa acabar logo.
— O que você quer, senhorita Bright? — perguntei.
— Pare com essa formalidade, não estamos no trabalho. — Ela
sorriu e mordeu o próprio lábio inferior.
Puta merda! Foi sexy pra caralho.
Quer dizer..., não. Nem prestei atenção.
Eu devo ter batido a cabeça na porta quando entrei e estava
inconsciente no chão. Isso não é possível.
— O que você quer, Emma? — Dei um passo para trás, por
segurança, não queria ser acusado de nada. Emma permaneceu
onde estava.
— Chupar você.
Engoli seco. Eu não estava bêbado, e não ingeri álcool o
suficiente para confundir qualquer palavra que ela tenha dito com
chupar.
— O que… o que você disse? — balbuciei.
— Você precisa passar no otorrino, Harry. Tenho quase certeza
de que está ficando surdo. — Ela não foi rude (o que é estranho,
vamos deixar claro). — Eu disse que quero chupar você.
Ai meu Deus.
Arregalei os olhos, depois soltei um riso nervoso.
Eu estou ficando maluco.
Tenho apenas vinte e cinco anos e já estou ficando maluco.
— Você só pode estar bêbada — concluí. Se eu não estivesse
beirando à loucura, essa seria a única resposta para ela me oferecer
esse favor sexual que eu claramente não pedi (embora, não serei
hipócrita, minha mente me deu um breve vislumbre dela ajoelhada à
minha frente).
— Não ingeri uma gota de álcool, Harry. Estou em plena
consciência. — E mais uma vez aquele sorriso. — Você quer? —
perguntou, lambendo os lábios.
Depois disso, eu quase respondi: quero. Mas consegui segurar
a minha boca.
Isso estava muito errado.
Não faz o menor sentido!
Pensando bem, isso poderia ser um teste. Emma poderia estar
me testando para poder me demitir; ela não gostava de mim, era
uma explicação plausível.
Forças dos céus, por que vocês tiraram o Mike de mim?
— Então, Harry, vai querer? — ela insistiu. E dessa vez saiu da
porta e deu três passos curtos em minha direção.
Tomado pelo pavor da demissão, corri até a porta, que agora
estava livre, abri e saí rapidamente do banheiro. Deixando minha
chefe, que provavelmente foi possuída, sozinha no cômodo.
Que loucura!
Voltei para minha mesa mais nervoso que qualquer pessoa
desse mundo.
— O que foi, Harry? — Thomas, um dos meus amigos,
perguntou. — Você está vermelho.
— O que foi o que? Não aconteceu nada! — disse, apressado.
— Você está vermelho. Estava batendo uma no banheiro? —
Landon gargalhou.
— Não seja besta, Lan. — Peguei um copo de Vodka que
estava na minha frente e bebi em um gole só.
— Opa! Você não pode beber. Trabalho amanhã, esqueceu? —
disse Lan, tirando o copo da minha mão.
— Eu sei. É, está tarde, vou para casa. — Levantei-me da mesa
abruptamente. Eu só queria sair do bar antes que a Bright voltasse
para sua mesa.
— Então eu também vou para casa, afinal, você é minha
carona. — disse Lan. — Tchau, pessoal, até sábado.
Despedi-me do pessoal e, em passos apressados, saí do bar
com o Landon atrás de mim.
Eu estou quente e assustado
Eu estou encantando pelo seu charme.
Fifty Ways | Isak Danielson
· dia seguinte ·
— A senhorita Bright quer falar com você. — Foi a primeira coisa
que o Isaac disse assim que pisei o pé no meu cubículo.
— Acabou a minha paz. — Pronto, agora eu seria demitido.
— Por quê? — Meu amigo franziu o cenho pela minha
reclamação.
— Por nada, Isaac. — Balancei a cabeça, negando.
Ainda não tinha absorvido direito o que aconteceu no banheiro
do bar, quando Emma apareceu de supetão e me disse coisas
indecentes. Também não tinha contado para ninguém aquele
absurdo — certamente diriam que eu estava maluco —. Quase não
consegui dormir direito, e estava temendo ser demitido assim que
chegasse ao trabalho e me deparasse com a senhorita Bright.
Bom, de uma forma ou de outra, eu tinha que encarar aquela
mulher.
Coloquei a maleta na minha mesa, tirei o paletó e fui até a sala
da Emma. Respirei fundo e então bati duas vezes na porta.
— Pode entrar. — disse ela, do outro lado.
— Com licença. — Entrei na sala. Não me aproximei muito de
sua mesa, também não a encarei diretamente, morto de vergonha.
Essa era a situação mais embaraçosa pela qual já tinha passado em
toda minha vida. — Bom dia, senhorita Bright — cumprimentei-a
após limpar a garganta.
— Por que você chegou agora? — perguntou ela, indiferente,
sem me encarar. Estava concentrada na tela do seu computador.
— Estou no meu horário — respondi.
— Acho que vou rever seu horário. — Continuava não me
olhando. — Você trouxe os contratos que eu lhe dei ontem?
— Não, deixei-os em casa.
— Não tem problema. Eu tenho as cópias aqui. — Emma
estendeu a mão com dois envelopes, sem desviar o olhar do
monitor.
Achei estranho.
Por que ela não estava me encarando?
Talvez estivesse constrangida com o ocorrido de ontem à noite.
— Para que isso? — perguntei ao, enfim, pegar os envelopes.
— Não está óbvio? Eu quero o resumo.
— Eu sei, irei te entregar em quatro dias, como a senhorita
pediu.
— Eu quero os dois para hoje, Harry. — Ditou, autoritária. —
Você tem sete horas para terminar. É o seu trabalho e você vai fazê-
lo. — Cada palavra proferida por aquela mulher poderia facilmente
me cortar como uma faca bem afiada. Não pelas palavras em si,
mas pelo seu tom de voz.
Cerrei o maxilar, contendo qualquer comentário de sair dar da
minha boca.
Cachorra. Vagabunda. Cretina. Mentalizei, para me manter mais
calmo.
Perdão, Deus, por xingar minha chefe. Vai ver eu estava mal-
acostumado com Mike e tinha que me adaptar as ordens e a rotina
de escravidão da Emma Bright.
Eu sou um homem esforçado, não consegui o emprego na
Bright's Enterprises por ser um preguiçoso que não gostava de
trabalhar. Eu só conhecia a Emma há um dia, logo, logo conseguiria
me acostumar com o seu tom presunçoso e aura inabalável de
poder.
Segurei os papéis nas minhas mãos com mais firmeza e
suspirei.
— Eu farei. — Consegui responder sem rosnar.
— Ótimo.
Dei meia volta e saí da sala — talvez batendo a porta com força.
— O que foi dessa vez? — perguntou Isaac, assim que me
sentei na cadeira do meu cubículo.
— Tenho dois resumos de contrato para hoje — coloquei os
envelopes na minha mesa.
— Sério?
— Olha a minha cara de quem brincaria com isso, Isaac. — O
encarei, sério.
— Por que essa urgência? Vamos ter alguma reunião?
Olhei para trás antes de responder, para certificar-me de que a
senhorita Bright não estava lá.
— Eu não sei — dei de ombros. — Aquela mulher é maluca e
gosta das coisas com muita pressa, pelo visto. Deve ser o tipo de
chefe que só pensa em trabalho, que respira trabalho.
Pensei em acrescentar “deve ser por isso que ainda é senhorita,
não senhora”, mas isso seria muito machista da minha parte. Calei-
me.
Isaac lamentou.
— Quer que eu faça um para você? — indagou ele.
— Você não pode — franzi o cenho. — Se a senhorita Bright ver
você trabalhando por mim, ela vai enforcar nós dois.
— Não seja besta, eu posso esconder os papéis quando ela
passar por aqui. Não tenho nada para fazer até a hora do almoço,
se eu terminar um e você outro, você vai estar livre mais cedo.
Resumos feitos às pressas não saem bem-feitos.
Olhei mais uma vez para a porta da sala da senhorita Bright.
Todo cuidado era pouco.
— Tudo bem — disse por fim. — Mas, se ela nos pegar, vou
colocar a culpa inteiramente em você. — Entreguei um envelope
com os documentos para ele.
— Eu me disponho a te ajudar e é assim que você retribui? —
Ele levantou o dedo do meio para mim.
— Sim, gosto de tirar o meu da reta na primeira oportunidade
que tenho. — Sorri descaradamente para o homem.
Liguei meu computador e me concentrei no trabalho.
Primeiro de muitos.
· duas semanas depois ·
Mesmo com uma jornada de trabalho exaustiva, eu consegui
sobreviver à senhorita Bright. Eu só não sabia até quando.
Com tantos relatórios e resumos para fazer, todos eles exigidos
com urgência pela senhorita Bright, questionei-me vagamente o que
Mike, meu antigo chefe, fazia afinal.
Todas as contas que a Emma estava administrando agora já
pertenceram ao Mike. Eu mesmo já tinha trabalhado com ele
algumas vezes nas questões dessas empresas. Então por que
agora, apenas agora que a Emma assumiu o primeiro Setor, que
tudo parece que foi mal administrado antes?
Essa dúvida iria me perseguir por mais algum tempo. Já que eu
ainda não tinha me encontrado com o Mike Vegar desde a sua troca
de Setor.
Às onze e quarenta e cinco da manhã, eu e Isaac já tínhamos
terminado os resumos de duas distribuidoras de bebidas — ele tinha
me ajudado mais uma vez, já que não tinha nada para fazer (mais
um que tem um chefe suspeito). Imprimi os papéis e caminhei para
a sala da senhorita Bright.
Apesar de já ter entrado naquele cômodo várias vezes durante
a semana, eu ainda não tinha superado o que aconteceu no
banheiro do bar há alguns dias e sempre me tremia um pouco na
presença da mulher. Por não termos tocado no assunto e Emma
não ter trocado muitos olhares comigo, senti que estava a um passo
de encarar aquilo como um surto coletivo (compartilhado por mim e
as vozes na minha cabeça).
— Pode entrar. — Escutei a voz autoritária da mulher, quando
bati na porta.
Quando entrei, encontrei a minha chefe encarando a tela do
computador com atenção — como sempre. Apesar de estar em uma
posição muito comum, sentada em uma cadeira confortável atrás da
mesa, Emma Bright conseguia passar a impressão de poder ao
exercer até mesmo pequenos movimentos como digitar no seu
teclado caríssimo que não fazia o menor barulho.
— Se veio pedir para sair e almoçar, você pode. — Disse ela,
antes que eu sequer abrisse a boca para proferir algo. — Eu não
quero ninguém morrendo de fome aqui, mas isso diminuirá o seu
tempo para me entregar os relatórios. — Pontuou
desnecessariamente.
Eu estava quase me acostumando com o seu veneno. Tudo
pelo bem do meu salário.
— Aqui estão.
— O quê? — perguntou ela, franzindo o cenho. Seus olhos
tinham se movido alguns centímetros da tela do computador para os
papéis que coloquei na mesa.
Está surda agora? pensei. Se meu emprego não dependesse
dela, bem que eu perguntava.
— Eu terminei os dois resumos — respondi.
De súbito, ela exclamou:
— Nossa! — Dessa vez ela me encarou. — Ótimo trabalho,
Snow. Você está pegando o ritmo.
Recebi até um elogio. Milagres acontecem.
Assenti em agradecimento. Porém, Emma continuou me
encarando, sem dizer nada. Seus olhos se moviam por todas as
partes do meu corpo, como se ela estivesse fazendo uma análise
geral. Estava começando a ficar constrangedor.
De repente, brotou um sorriso dos lábios dela. Eu já tinha visto
aquele mesmo sorriso uma vez. Uma única maldita vez.
Será que ela estava pensando no que aconteceu naquele dia?
— Então… — falei, arrastando a voz.
— Você pode ir embora. — Disse ela, enfim. — A típica reunião
dos Presidentes dos Setores será hoje, e você, como meu
assistente, tem que ir.
Assenti mais uma vez. Estava tão preocupado em entregar o
meu trabalho a tempo nos últimos dias, que tinha esquecido
completamente da reunião que acontecia a cada ano na mansão
dos Bright.
— Pode ir para casa. Esteja na reunião às sete. E não se
atrase.
— Sim, senhorita. Com licença.
Saí apressadamente da sala, antes que ela mudasse de ideia e
me mandasse fazer outra coisa.
Estava acostumado a ir à casa do senhor Bright. Trabalhava na
empresa há cinco anos, tinha começado como estagiário. Sabia
muito bem como funcionavam as reuniões. O senhor Bright queria
que os Presidentes dos Setores detalhassem a maior conta que eles
estavam administrando.
Emma não tinha me mandado estudar nada. Provavelmente ela
não me deixaria falar e assumiria a reunião — ao contrário do Mike,
que gostava de dividir os assuntos da reunião comigo.
Tinha bastante gente na casa — bem mais do que no ano
anterior —, vários dos convidados de pé, bebendo e conversando.
Eu não estava com vontade de conversar com ninguém, então
sentei-me no meu lugar, já que os assentos eram ordenados por
Setor (anos se passaram e eu nunca vi uma vantagem nisso).
Depois de alguns minutos ali, o CEO da Bright’s Enterprises,
Jeffrey Bright, chegou e pediu que todos os Presidentes se
sentassem em seus lugares, para que ele começasse a reunião.
Cerca de alguns segundos depois, alguém se sentou ao meu
lado. Virei o rosto para cumprimentar a pessoa, só então me dei
conta de que o assento ao meu lado esquerdo só poderia ser
ocupado pela Emma Bright. Ao encará-la, meu coração se agitou no
peito.
Diferente dos ternos que Emma usava no trabalho, que cobriam
boa parte do seu corpo, dessa vez a roupa que ela usava não cobria
quase nada. Ela estava com um vestido preto bem decotado,
deixando pelo menos dois centímetros dos seus seios visíveis, de
costas nuas e com comprimento até o joelho. Seu cabelo cacheado
estava solto e demasiadamente volumoso.
Meu Deus! O que ela tem de cretina tem de linda, sem dúvidas.
— Senhorita Bright — disse, rouco de repente.
— Snow. — Sua voz foi branda, bem diferente do tom que
usava no trabalho, ela até sorriu.
O perfume amadeirado rapidamente invadiu minhas narinas
quando Emma movimentou o cabelo para trás dos ombros. Meus
olhos percorreram sutilmente o seu decote — talvez houvesse um
ímã ali.
O senhor Bright começou a falar quando todos já estavam no
seu devido lugar.
Eu não era o tipo de homem que me distraia fácil, e dificilmente
não dava ouvidos ao que um CEO tinha a dizer — afinal, eu queria
aprender tudo que era possível com os melhores no ramo da
administração, como o Jeffrey Bright — porém, sem dizer uma única
palavra, Emma Bright tinha roubado a minha atenção única e
exclusivamente para ela.
Não consegui mais escutar o que o CEO estava falando. Meus
olhos vagavam pelo rosto de Emma, no movimento dos seus cachos
volumosos, em suas pernas torneadas e naquele maldito decote
que parecia arrebatar todo o meu ar.
Ah, maldição.
Eu só consegui focar no que os Presidentes tinham a dizer
quando Emma pediu licença para ir ao banheiro. Para minha
infelicidade, esse foi justo o momento em que o Elliot, que era do
Setor Sete, começou a falar — a voz daquele homem me dava
ânsia de vômito —, ele se achava o todo poderoso só porque de
assistente foi promovido a Presidente de Setor.
Depois de quase desenvolver deficiência auditiva, o senhor
Bright deu a vez para o Setor um. Como Emma ainda não tinha
voltado, fui breve em dizer:
— A nossa maior conta continua sendo a do Shopping Center
de Dublin, senhor Bright. E como os detalhes são os mesmos,
tirando o fato de os números de faturamento mensal estarem
maiores a cada mês, não há necessidade de mais delongas.
— Ótimo, Snow — disse o CEO.
Alguns segundos depois, Emma voltou para o meu lado. Ela
murmurou “obrigada” e sorriu para mim.
Assenti e virei meu rosto rapidamente, antes que voltasse ao
transe.
— Bom, para esse ano de 2018, nós temos uma nova meta…
— O senhor Bright voltou a falar. — Cada Setor precisa ter de três a
cinco contas no padrão máximo. Obviamente teremos ajustes nos
salários, 35% para os que estão na presidência e 25% para os que
estão na assistência. Espero contar com a total colaboração de
vocês, estão fazendo um ótimo trabalho, sei que conseguirão. —
Todos começaram a aplaudir. — Vocês podem ir para as mesas
individuais, beber e conversar, como quiserem. Sintam-se à
vontade, a casa é de vocês.
Todos começaram a levantar. Destinado a me afastar
rapidamente da mulher ao meu lado, corri para o salão das mesas
individuais. No meio do caminho, encontrei meu antigo chefe, que
não estava na reunião.
— Mike? — Aproximei-me do homem.
— Harry! — Ele me abraçou.
— Você saiu sem me avisar — pontuei, chateado.
— Nem eu sabia que iriam trocar de Setor. O senhor Bright só
me avisou na noite antes da apresentação da senhorita Bright.
— Entendo — assenti. Realmente a entrada da Emma na
empresa foi de repente.
— Mas agora você deve estar feliz, sua chefe é mulher. E que
mulher, convenhamos. — Ele sorriu, claramente com malícia.
— É... — Limitei-me a balançar a cabeça.
Que mulher.
— Cuidado, é filha do dono. — Mike deu risada, me empurrando
levemente pelo ombro. Depois colocou as mãos no bolso da sua
calça cáqui, que não combinava nada com o terno azul. — Então,
como está indo o trabalho?
— Bem… cansativo. A senhorita Bright gosta de trabalhar,
sabe?
— Essa é das minhas. — Comentou Mike, animado.
Nisso ele estava definitivamente enganado, Emma gostava de
me escravizar e assediar nas horas vagas. Mas eu não disse isso
em voz alta.
Conversamos um pouco sobre outros assuntos. Quando pensei
em questionar o Mike sobre os antigos trabalhos — inexistentes até
a Emma aparecer — o homem se apressou em ir para outro lugar.
— Bom, eu vou falar com a Samara, preciso acertar algumas
coisas com ela sobre o meu Setor. Até outra hora, Harry.
— Até. — Cumprimentei-o com um aperto de mão, e então ele
se afastou.
Andei pelo salão em busca de uma mesa para me sentar, boa
parte das pessoas ali já tinham tomado os assentos. Antes que eu
pudesse me acomodar em uma cadeira confortável, avistei Emma
acenando para mim em uma parte do salão. Hesitante, fui até ela.
— Gostei de como se apresentou hoje — disse ela, assim que
me aproximei. — Rápido e objetivo, sem enrolar com coisas
desnecessárias para ganhar a atenção do meu pai.
Eu não estava esperando pelo elogio. Tanto que gaguejei ao
agradecer por suas palavras.
Essa mulher está estranha hoje, não pude deixar de pensar.
Emma me ofereceu uma taça de vinho branco, eu aceitei. Mas
como ela não esticou a mão para me entregar a taça, tive que
erguer a minha até ela, e a taça estava próxima demais do seu
corpo. Nesse momento, meus olhos caíram brevemente para o seu
decote mais uma vez.
Senti meu sangue esquentar no corpo. Até as minhas pernas
começaram a formigar.
Como ela estava em pé, a visão do seu corpo era bem melhor
agora.
Preciso parar com isso.
Pigarreei antes de falar:
— Obrigado. — Tomei um gole do vinho.
— Eu quero te mostrar uma coisa — disse a Bright de supetão,
com um pequeno sorriso nos lábios.
— O quê? — indaguei.
— Venha comigo. — Ela tirou a taça da minha mão e colocou na
mesa, segurou minha mão e me guiou pelo salão.
— Para onde está me levando? — perguntei, realmente
assustado.
— Você já vai ver — respondeu, simplesmente.
E nessa de “você já vai ver”, ela me fez andar pela casa toda —
e a casa era enorme —. Subimos uma escada longa que dava em
um corredor com várias portas. Provavelmente eram quartos.
Acompanhei Emma até a última porta do corredor.
— Chegamos — disse ela.
— Onde? — perguntei. Não tinha ninguém por perto, estávamos
tão longe da festa que nem era possível escutar o barulho da
música.
Ela vai me matar.
Ela vai me matar e vender os meus órgãos para o mercado
negro.
Que pensamento ridículo. Ela não venderia, não precisa de
dinheiro. Me mataria pelo simples gosto de ver sangue e vísceras
expostas.
— O que você vai me mostrar? — perguntei, meu coração
começou a bater mais forte.
Emma deu um passo para frente, se aproximando de mim.
Ignorando a minha pergunta, ela fez outra:
— Você é gay, Harry?
— Hein? — franzi o cenho. — Isso é alguma brincadeira?
— Não. — Ela sorriu. O sorriso de quem não tinha boas
intenções. — Responda a minha pergunta.
— Eu não sou gay. — Respondi rapidamente. — Agora posso
ir? — É, eu pedi.
— Não. Vamos transar.
Tudo que eu fiz no momento foi arregalar os olhos. Meu sangue
gelou no corpo. Fiquei estático. O pouco de vinho que ingeri deve
ter me deixado bem alterado.
— O que disse? — perguntei, para ter certeza de que tinha
escutado errado.
— Vamos transar — ela repetiu, afirmando e não perguntando.
Bright deu mais um passo, colando seu corpo no meu. Eu não
me afastei — pelo visto o meu tesão foi maior que o meu pavor
daquela situação. O peito da mulher se encheu de ar, deixando seus
seios bem evidentes (e que Deus me perdoe, mas eu olhei na cara
dura para eles).
Ganhando confiança, Emma aproximou seu rosto do meu, seus
lábios quase me tocaram. Um sutil hálito de vinho invadiu minhas
narinas. Ela mordeu o próprio lábio inferior e sorriu.
A filha da puta estava me seduzindo, e estava dando certo.
Bright deslizou uma das suas mãos para dentro do meu blazer.
Estremeci com o contanto, desejando que seus dedos percorressem
a minha pele nua. E, sabendo que aquela era a hora que eu a
mandava parar, eu não fiz. Estava hipnotizado por ela.
Meu Deus, o que eu estou fazendo?
— O que você vai fazer? — perguntei, tentando recuperar o
meu juízo.
— Já disse: vamos transar... E eu posso fazer o que te ofereci
no banheiro do bar.
Mentira!
— E a troco de quê você quer fazer isso? — questionei, ainda
incrédulo com a situação.
— A troco de nada. Eu apenas quero. — Seus lábios se
direcionaram para o meu pescoço, onde ela deu um selinho.
Minhas pernas claramente bambearam. O sangue voltou a
circular no meu corpo, dessa vez com velocidade. Em poucos
segundos, meu pau acordou, ficando ereto.
Calma pau, ela só me deu um beijo no pescoço.
Estava tão imerso àquela situação que quase disse “então cala
boca e me chupa”. Não era o tipo de coisa que eu diria para a minha
chefe, mas foi o que veio à minha mente no momento.
Emma se afastou de mim, esperando que eu dissesse alguma
coisa, mas eu não conseguia raciocinar direito.
— Tem namorada?
— Não! — Respondi rápido demais para quem estava em
choque.
— Então me deixa fazer um boquete em você, se não gostar,
pode ir sem terminarmos — ela disse em tom casual.
Olha que proposta interessante.
Balbuciei tanto, que estava prestes a acreditar que tinha
desaprendido a falar.
— Sim ou não para o boquete, Harry? — ela perguntou,
passando os cachos para trás do ombro. E mais uma vez minha
atenção caiu para aquele decote.
A filha da puta estava jogando comigo.
Ignorando toda a seriedade da coisa e que ela era a minha
chefe, eu queria muito que ela fizesse aquilo.
Deus, eu queria mesmo!
Ela era tão linda — mesmo sendo uma cretina comigo em boa
parte do tempo —, cheirosa e sexy. Falava boquete com tanta
propriedade, que claramente sabia fazer um.
Eu estava excitado, era um fato.
Eu não pedi nada, é ela que está me oferecendo.
O quão fodido eu vou estar por aceitar?
Antes que eu pudesse ponderar mais sobre a ideia, meus lábios
se abriram e uma palavra escapou da minha boca:
— Sim.
Dito isso, Emma teve carta branca para fazer o que quisesse
comigo. Ela sorriu com a resposta positiva, abriu a porta à nossa
frente e me arrastou para dentro do cômodo. Quando acendeu as
luzes, pude ver que estávamos em um quarto. Emma fechou a porta
e trancou com a chave.
Juro por tudo que é mais sagrado que travei. Não estava
filtrando meus movimentos e por isso deixei que a mulher me
conduzisse.
Minhas roupas estavam sendo arrancadas do meu corpo
enquanto eu permanecia estático.
Eu estou sonhando, sem dúvidas!
Será que é muito tarde para descobrir que na verdade eu sou
esquizofrênico?
Minha chefe não tinha me arrancado de uma festa e me levado
para um quarto com intenções de me satisfazer sexualmente. Isso
era impossível.
Fato que eu queria provar um pouco dela. Mas caralho! Eu sou
o empregado dela.
De repente, me senti estranho.
Ainda duvidando da realidade, senti as mãos da Emma
percorrerem o meu corpo despido. O sangue estava pulsando em
minhas veias tão intensamente, que eu cogitei a ideia de desmaiar a
qualquer momento. Meu coração estava descompassado. Até
respirar era difícil.
Por que eu estou agindo como se nunca tivesse transado
antes?
Quando pensei em dizer algo, tomando coragem para descobrir
se o que estava acontecendo era real, Emma me beijou.
Seus lábios estavam pressionados nos meus. Em poucos
segundos, sua língua deslizou para fora. Imerso naquela loucura,
afastei meus lábios e deixei que sua língua entrasse em minha
boca.
Quente.
De repente, tudo ficou mais quente.
Como se aquele quarto na verdade fosse uma fornalha. Eu já
estava sem meu blazer e a minha gravata estava no chão, minha
camisa estava com todos os botões abertos. Emma deslizou sua
mão pelo meu abdômen, se aproximando mais de mim.
Suas unhas afiadas logo percorreram a minha carne, me
causando um pouco de dor e prazer. Não era como se nunca
tivessem me tocado com intimidade antes, mas porra, aquilo era
bom.
Tomado por uma ousadia desconhecida, envolvi minhas mãos
em sua cintura, apertando sua carne, trazendo para ainda mais
perto de mim, e intensifiquei o beijo. Agora era voraz.
Abracei a minha loucura de uma vez.
Como tudo que é bom pode ficar melhor, ainda me beijando,
Emma conseguiu abrir o cinto da minha calça e descer o zíper.
— Vamos ver isso aqui... — disse ela, se afastando, deslizando
a mão para dentro da minha roupa. Ela segurou o meu membro por
cima da cueca, apertando-o levemente.
Arfei com aquele simples movimento. Eu estava duríssimo. Ela
nem precisou de muito para me deixar naquele estado.
Vai ver eu realmente gosto de mulheres raivosas, dominadoras
e exigentes.
De súbito — para piorar o meu estado de loucura —, Emma
ficou de joelhos na minha frente.
A visão era bem melhor do que eu tinha imaginado (em minha
defesa, isso só sondou a minha mente uma vez).
— Você é bastante sensível, isso é bom — ela disse, suas mãos
desceram o tecido da minha roupa íntima, agora eu estava cem por
cento exposto. — Mas talvez seja um problema também. — O rosto
da mulher se contorceu como se ela tivesse pensado em algo
desagradável.
Não tive tempo de questionar nada. Os lábios vermelhos e
inchados, por causa do beijo recente, de Emma Bright me tocaram
lá; a ponta da sua língua na minha glande.
— Vamos ver quanto tempo você dura.
Puxei o ar com força. Soltei lentamente.
Observei-a. Ansioso por mais.
E eu tive mais, quando ela abriu mais a boca e me chupou.
Levei minha mão até o seu rosto e toquei nos seus cachos. Era
a Emma ali. Ela estava realmente me chupando.
Ela me colocou um pouco mais em sua boca.
Cacete! Certo, certo, certo. Se isso for um sonho, me deixa aqui,
esquece que eu estava reclamando.
Agora, metade de mim já estava dentro daquela boca macia,
que tinha começado com movimentos de vai e vem.
Imediatamente senti uma onda de calor por todo o meu corpo,
como um choque percorrendo toda a minha cervical. Mordi meu
lábio inferior com tanta força que cheguei a sentir o gosto do
sangue. Não tive como segurar meu gemido quando ela começou a
me sugar, me deixando ir fundo em sua garganta.
Eu já estava até revirando os olhos.
Emma era muito boa com a boca, sem dúvidas.
Ciente de que eu precisava durar mais um pouco — pois minha
mente me alertava de que Emma não iria gostar se eu gozasse tão
de repente —, o boquete durou alguns minutos. Emma continuou
pacientemente com o seu trabalho, até as minhas bolas ganharam
sua atenção.
Eu estava perto demais do meu limite. Não deu mais para
segurar. A mulher se afastou e me masturbou até o esperma jorrar
do meu pau e atingir o chão. Xinguei, arfando, esperando a minha
alma voltar para o corpo.
Bright se afastou, lambendo os lábios.
— Gostei disso — comentou. — Aqui está. — Ela estendeu a
mão com a chave. — Pode sair, se quiser, ou pode ficar e terminar.
Você escolhe. Vamos ver se você sabe usar esse brinquedo grosso
que tem no meio das pernas. — Sua voz soou autoritária e como um
desafio.
Eu ainda estava em transe com o que ela tinha feito comigo,
tentando a todo custo organizar meus pensamentos. Estava ainda
mais incrédulo por ela estar me convidando para transar — mesmo
depois do boquete bem-sucedido.
E, analisando os fatos: eu estava quase pelado, morrendo de
tesão e olhando para uma mulher gostosa com um decote muito
chamativo, que tinha acabado de me chupar como nenhuma outra
tinha me chupado na vida.
Eu já disse sim antes. O que vai mudar se eu me afundar ainda
mais agora?
— Isso está tão errado… — murmurei para mim mesmo.
Puxei Emma pelo braço e a beijei.
Ainda devorando os seus lábios, consegui me livrar dos
sapatos. O resto da minha roupa foi para o chão.
— Está mesmo com pressa, não é? — disse Bright. — Já tirou
até a sua roupa..., mas olhe para mim, ainda estou com o meu
vestido. — Ela mordeu os lábios, que estavam ainda mais inchados.
— Tudo bem... — disse eu, me ajoelhando.
Primeiro tirei os saltos da mulher. Permanecendo de joelhos,
percorri minhas mãos pelas suas pernas grossas. Ela deve malhar
bastante, pensei. Suprimindo a minha vontade de passar horas
apenas acariciando as suas pernas, consegui me levantar e segurar
as alças do vestido da Emma. O tecido deslizou pelos seus ombros,
depois pelos seus braços com facilidade.
Em segundos, Emma Bright estava usando apenas uma
calcinha de renda vermelha em minha frente. E no momento
seguinte, nem aquela peça cobria mais o seu corpo.
Ela estava nua diante de mim. Linda. Deliciosa.
Íamos transar. De verdade.
Meu Deus.
Primeiro eu achava que estava louco. Agora eu achava que
estava louco e que meu coração iria parar por não conseguir lidar
com tanta emoção.
Foda-se.
Eu iria aproveitar até a última gota.
Como um ímã, minha boca colou-se a dela, iniciando mais um
beijo. Com mais alguns passos, joguei-a na cama ao lado. O gemido
que escapou dos lábios de Emma quando comecei a beijar seu
pescoço, fez meu pau estremecer, já duro novamente.
Desejando provar tudo e continuar escutando aquele som
maravilhoso — e aproveitar ao máximo o sonho maravilhoso que
estava tendo —, beijei, chupei e mordi diversas partes do corpo da
Emma.
Seus seios macios e naturais ganharam a minha atenção por
um tempo considerável. Só me contentei quando senti seus mamilos
extremamente rígidos na minha língua.
Desci mais um pouco e fui para o meio de suas pernas. Fiz uma
trilha de beijos entre as suas coxas e dei um beijo no seu sexo.
Ela era tão cheirosa, eu poderia ficar bêbado se passasse mais
tempo inspirando aquele aroma.
Toquei seu clitóris, já inchado, demonstrando o quanto ela
estava excitada, então comecei com os movimentos circulares. O
gemido voltou.
Ainda não satisfeito, posicionei dois dedos na sua vagina e
penetrei. Meus dedos nem eram grossos, mas Emma já estava os
esmagando com sua boceta apertada. Imaginei o que ela faria com
o meu pau. Fiquei mais ansioso.
Observando a sua entrada molhada e o seu ponto sensível bem
na minha frente, não quis perder a oportunidade de prová-lo. Minha
língua tocou sua intimidade lentamente. O sabor delicioso dela
explodiu na minha língua, enquanto meus dedos brincavam no seu
sexo.
— Isso, Snow... — ela gemeu, erguendo os quadris.
Lambi e chupei aquela boceta, devolvendo o favor que ela me
fez na mesma intensidade.
Emma não se importou com o tom de voz que estava usando,
pois, seus gemidos estavam se intensificando à medida em que o
clímax estava perto.
— Porra! Dentro de mim. — pediu, entre os gemidos. — Agora...
Se vai me fazer gozar use o pau. — Ordenou.
Eu obedeci. Naquele momento, faria absolutamente qualquer
coisa que ele me pedisse.
Quando me afastei, lambendo os lábios, um preservativo foi
arremessado no meu peito. Não perguntei de onde veio, apenas abri
a embalagem e coloquei o látex no meu pau, que pulsava
loucamente — duas semanas sem sexo, alguém estava realmente
animado por sair da seca.
Voltei para cima da Emma, apoiando um braço em cada lado do
seu corpo. Pude notar um tom avermelhado em seu rosto quando a
encarei. Ela parecia até mais bonita.
Com delicadeza, abri espaço em seu sexo com meu membro.
Emma gemeu bem manhosa quando eu a penetrei por completo.
Acabei grunhindo, sentindo a pressão da sua boceta no meu
pau. Apertada, macia e quente. A combinação perfeita para eu
querer sempre repetir a dose.
Inclinei-me para beijá-la, enterrando meus dedos em seus
cachos, começando a me movimentar, usando bastante os meus
quadris.
O gemido saia da minha boca por vontade própria, minha
respiração estava uma bagunça.
— Porra, Emma... — murmurei, pressionando os lábios.
Certamente vou morrer.
Emma percorreu suas unhas afiadas pelo meu pescoço e pediu
por mais, mais e mais, com voz manhosa. Segurei seu joelho e
ergui sua perna, apoiando-a em meu ombro. Com o movimento,
consegui ir mais fundo.
— Mais rápido. — Ela pediu entre o beijo.
Atendi o seu comando, acelerando o ritmo. O som dos nossos
corpos se chocando preenchia o quarto, se misturando com os
nossos gemidos.
Suor escorria pelas minhas costas, meu cabelo já estava
grudando na minha testa. Quanto mais eu me movimentava, mais
Bright pedia por mais.
Apoiei-me em uma mão e com a outra segurei Emma pela
cintura, trazendo seu corpo para mais perto e erguendo os seus
quadris. A mantive imóvel, comecei a estocar com força.
Quanto mais ela gemia, mais forte ela pressionava as unhas em
minhas costas.
De repente, sua voz sumiu. Suas mãos seguraram o meu
cabelo, mantendo-me imóvel enquanto me encarava. Então notei
que ela estava chegando ao ápice. Aumentei ainda mais as minhas
investidas, queria dar o melhor de mim — me demitiria se não
fizesse essa mulher gozar. Encarei suas íris castanhas.
— Isso! — disse ela, quando a voz voltou, quase sem fôlego,
voltando a gemer.
A voz dela em um gemido delicioso, seu corpo se arqueando,
seus olhos revirando, sua buceta se contraindo no meu pau, era
mais do que suficiente para desencadear o meu ápice.
Os fios do meu cabelo foram puxados com mais força.
Quando seus lábios colaram nos meus para abafar o som de
um grito, nós gozamos juntos.
Dessa vez gozei tão forte que minhas pernas fraquejaram.
Xinguei pelo menos cinco palavrões antes de me afastar da
Emma. Joguei-me para o lado, deitando-me na cama macia.
Puta merda!
Isso foi bom pra caralho.
Meus olhos estavam fechados, enquanto eu tentava — sem
sucesso — recuperar o meu estado de espírito. Fiquei pensando no
que tinha feito.
Foi apenas sexo, ok?
Pessoas transam umas com as outras quando rola interesse
mútuo.
E essa pessoa pode ser a sua chefe que você conheceu há
duas semanas e que certamente não gosta de você, certo?
Respirei fundo e contei mentalmente de um até dez.
Vou surtar.
Quando abri os olhos novamente — talvez tendo cochilado por
alguns minutinhos —, Emma estava em cima de mim. Não tive
tempo de dizer nada, pois ela se inclinou e me beijou. Um beijo
delicado de início, mas que foi ganhando intensidade com o tempo.
De supetão, troquei de posição, ficando por cima dela. Suas
unhas foram percorrendo minhas costas doloridas.
Meu pau estava começando a ficar duro novamente.
Ah, como é bom ser jovem e ter um pau ativo.
— Eu quero mais uma vez… — disse ela com a voz manhosa,
lambendo os meus lábios.
Ela poderia só falar assim comigo no trabalho, eu iria adorar.
— Emma... — Tentei protestar, ciente de que não deveria mais
afundar no que quer que estava acontecendo.
— Shh. Dentro de mim, Snow. — Sua mão ágil tocou o meu
pau, iniciando uma masturbação.
Fechei os olhos e deixei um gemido rouco escapar da minha
garganta.
Precisou de bem pouco para ela ter o que desejava.
Com mais alguns segundos, meu pau ficou realmente duro.
Mais uma vez, não sei de onde veio o preservativo, só vi quando
Emma rasgou a embalagem nos dentes e colocou-o em mim.
Impaciente, ela mesmo guiou meu membro até a sua entrada.
Penetrei-a.
Bright fechou os olhos e gemeu enquanto meu pau preenchia
sua boceta molhada mais uma vez. Observei sua reação bem de
perto, vendo o quanto ela estava gostando.
Bom, eu não brinco em serviço, seja ele qual for. Comecei a
estocar mais forte.
Emma envolveu as pernas em minha cintura e me puxou para
baixo.
— Isso! Bem fundo… — ela arfou.
Enquanto eu continuava me movimentando dentro dela, tendo
meu pau cada vez mais esmagado, deixando grunhidos e palavras
desconexas escaparem da minha boca, eu saboreava a boca da
mulher que estava embaixo de mim; seu pescoço, seios… puxando
seu corpo para mais perto de mim, querendo grudar sua carne na
minha. Meu Deus!
Senti novamente o êxtase chegando.
Em um momento, Bright levou as mãos até o meu cabelo e
puxou alguns fios de forma que eu fosse obrigado a olhar para ela.
Entendi novamente o que estava acontecendo; pelo visto ela
gostava de gozar olhando nos olhos da pessoa.
Repentinamente tomado por uma crise de moral, diminui o ritmo
das minhas investidas.
— Não... Continue, eu estava… — ela disse, com a respiração
entrecortada.
— Eu sei — respondi, olhando em seus olhos. Essa filha da
puta fica ainda mais bonita assim com as bochechas coradas. —
Isso está certo para você, Emma? Nós dois aqui? — questionei.
— O quê? Perguntas depois… Continue, Harry. — Ela começou
a se mexer embaixo de mim. Pressionei meu quadril ao dela,
imobilizando-a. — Harry!
— Responda ou vou embora. — Mentira. — Apenas me
responda se quer que eu continue. — Talvez essa seja a atitude
mais ousada que já tomei em minha vida.
— Eu perguntei se você queria e você disse que sim. Não me
diga que nem terminou e já se arrependeu? — Sua voz assumiu um
tom de irritação, mas sua boceta apertou o meu pau nesse
momento. Tive que usar todo e qualquer resquício de controle para
continuar o que tinha começado.
— Não estou arrependido, Emma... — Minha voz saiu mais
rouca que o normal, já que ela estava me provocando se apertando
em mim. — É que... eu... Assim tão de repente? — Não consegui
formular a pergunta direito.
— Duas pessoas fazendo sexo, o que tem de mais nisso?
— Eu sou o seu assistente, Emma. — comentei, como se fosse
o maior dos absurdos (para a política da empresa talvez realmente
seja).
— Não me importo com isso, assim como você não deveria se
importar. — Sua voz aumentou um tom. — Vi que você tinha algo
que eu queria provar, e estava certa sobre ser bom. — Ela sorriu. —
Não se assuste, garoto. Não vou te demitir por isso. Afinal, você
mete bem gostoso… — Emma mordeu meu lábio inferior. Ah,
inferno! — Não aja como se fosse um garoto de dezessete anos e
estivesse transando com a mãe do seu colega de infância. — Suas
unhas percorreram o meu rosto, arranhando-o. — Agora continue.
De todo modo, éramos adultos. Ambos sabíamos o que
estávamos fazendo — talvez eu não muito. Ela era uma mulher que
estava querendo se divertir, e eu um homem que deveria aproveitar.
Ok, Harry, você já está aqui. Já transou uma vez. Não fará
diferença alguma.
Ergui meu quadril e voltei a me movimentar dentro dela, indo
rápido.
— Isso... — Ela gemeu.
Em um rápido movimento, virei-a de costas, puxei-a pelos
quadris e voltei a penetrá-la, indo mais rápido e mais fundo,
fazendo-a gritar.
Quando vi que ela estava perdendo a voz entre os gemidos,
quase afundando o rosto no colchão, juntei meu corpo ao dela.
Emma ainda conseguiu erguer uma mão e puxar meu cabelo,
juntando seus lábios aos meus, abafando o grito. Suas pernas
tremeram com mais intensidade, o orgasmo lhe pegou em cheio.
Continuei meus movimentos até sentir meu abdômen se contrair
e segundos depois eu gozar.
Meu corpo desabou de novo.
Porra! Porra! Porra!
Parado na cama, como se tivesse cometido o crime mais
hediondo da Terra, observei a senhorita Bright de longe.
Em menos de dez minutos Emma estava da mesma forma que
entrou no quarto: o cabelo estava terrivelmente bem penteado, a
maquiagem bem-feita e o rosto tranquilo, como se nada tivesse
acontecido.
Isso era experiência?
Eu já tinha vestido minha roupa, mas minha cara estava
lamentável.
— Dê um jeito no seu rosto. — Emma disse, terminando de
retocar a maquiagem. — Está com cara de quem acabou de foder.
— Eu acabei de foder — respondi, como se já não estivesse
evidente.
— Eu vou descer — ela disse, ajeitando seu vestido uma última
vez. — Você pode descer em seguida. Se alguém aparecer, você
pode dizer que estava procurando o banheiro e a empregada disse
que tinha um aqui em cima. — Ela tinha tudo tão esquematizado.
Que merda! — Também não preciso dizer que é para ficar de boca
fechada, não é? — Ela me lançou um olhar ameaçador. Engoli em
seco na mesma hora. — Te vejo amanhã no trabalho.
— Está bem. — Assenti. Foi a única coisa coerente que
consegui pensar e fazer no momento.
Bright saiu do quarto, fechando a porta.
Continuei no mesmo lugar.
Estranho. Muito estranho.
Acabamos de transar e ela age com a maior naturalidade
possível. Enquanto eu surto internamente.
E o que vai acontecer amanhã? Vamos transar de novo?
Merda!
Só foi uma transa, Harry. Relaxa.
Uma transa muito boa, por sinal.
Respirei fundo, dei um jeito no meu cabelo e bati três vezes no
meu rosto — para me certificar de que estava acordado —. Contei
de um até cinquenta e três — a intenção era contar até dez, mas eu
fiquei mais nervoso com o passar dos números — e então saí
daquele bendito quarto.
Eu ia ficar bem.
Uma coisa incomum aconteceu na minha vida; uma que se eu
contar, ninguém vai acreditar.
E eu tinha que simplesmente agir naturalmente.
Eu tomei algumas, fiquei bêbado
em você e agora estou chapado
Medicine | Harry Styles
· dia seguinte ·
Eu não consegui dormir direito durante a noite. Minha mente
vivenciava os momentos em que eu estava com a Emma. Toda vez
que eu fechava os olhos, a via embaixo de mim, enquanto eu
entrava em sua boceta apertada e ela gemia alto. E nisso, eu
acabava de pau duro, visto que minha única opção era me
masturbar.
E sim, eu fiz.
Mais vezes do que eu pensei que seria o necessário. E não foi o
suficiente, minha mão não era nada comparado a estar dentro
daquela mulher.
Bater punheta se tornou irrelevante depois disso.
Cacete! Eu estava exausto.
Levantei-me da cama às seis da manhã. Tomei banho, vesti
meu terno e arrumei o cabelo. Fiz minha refeição matinal com um
café bem forte e peguei meus pertences para ir trabalhar.
Já era ruim olhar para a Emma depois da noite no banheiro,
imagina agora.
Eu respirei fundo ao sair de casa e entrei no carro.
Forças dos céus, por favor, me ajudem!
— Bom dia, Harry. — Isaac me cumprimentou assim que eu me
sentei na minha cadeira.
— Bom dia, Isaac. — Mantive o tom casual, mas na verdade
meu nervosismo estava maior agora que tinha entrado na empresa.
— Eu não te vi mais depois dos discursos dos Presidentes, por
onde você andou?
— Hã… Eu… Eu fiquei andando por aí… — comecei a
balbuciar. — Eu estava muito cansado e resolvi ir para casa mais
cedo. — A verdade era que assim que saí daquele bendito quarto
na mansão, eu fui correndo para casa. Não teria coragem para
encarar ninguém logo após ter feito o que fiz.
— Ah! — meu amigo exclamou.
Sutilmente, olhei para a porta da sala da Emma. Meu coração
deu um solavanco. Voltei minha atenção para o Isaac.
— Emma já chegou? — perguntei, como quem não queria
nada.
— Sim.
— Ela não mandou me chamar? — Diz que não… Que sim…
Que não.
— Não.
Assenti. Era melhor assim.
Como eu não tinha cara de pau o suficiente para ir até a sala da
Emma por vontade própria, iria esperar que ela me chamasse.
Comecei a fazer o meu trabalho, atualizando a agenda da senhorita
Bright para algumas reuniões que ela teria durante a semana e
confirmar com os outros empresários. Em meio a atividade, meu
computador notificou um novo e-mail. Quando o abri, era da Emma.
Espero que não seja minha carta de demissão.
Fechei o e-mail e fui direto para a sala dela.
Orando para ter um ataque cardíaco, cair ali no chão e talvez
morrer antes que ela aparecesse.
Bati à porta com dois toques suaves.
— Pode entrar.
— Com licença. — Entrei na sala. Emma estava focada na tela
do computador, seus dedos frenéticos estavam em movimento,
como sempre.
— Emma… Hã… senhorita Bright. — O suor começou a
escorrer pela minha nuca.
Bloqueei todo e qualquer pensamento sobre o que tivemos
ontem. Tanto que nem me aproximei muito da mulher, por
precaução.
— Aqui. — Ela estendeu um envelope para que eu pegasse,
sem ao menos me olhar.
Como de costume. Pelo visto ela sabia muito bem agir como se
nada tivesse acontecido.
— O que é isso? — perguntei, apenas para ter certeza. Meu
subconsciente disse que era mais trabalho.
— Se você ler, vai saber. — Coice um. — Eu quero para hoje.
Os três. — Ditou. — Revise toda a entrada e saída de dinheiro desta
empresa desde que veio parar nas mãos do senhor Vegar aqui na
Bright’s.
Arregalei os olhos.
Não achei seu pedido estranho, apesar de ser bem incomum.
Transações de uma empresa só eram revisadas desde o começo se
notassem algum erro de cálculo de repente. E meu antigo chefe
nunca precisou disso.
O que me assustou realmente foi a exigência da Bright.
— Quer que eu termine os três hoje?
— Sim — respondeu tranquilamente.
Eu iria passar a madrugada na empresa.
— Não importa quanto tempo você tenha que passar aqui. É o
seu trabalho, afinal. — disse ela pausadamente, lendo meus
pensamentos, ainda sem desviar a atenção do computador. — Se
estiver insatisfeito, basta pedir demissão.
Era isso. O meu pesadelo estava de volta.
Bom, não era como se eu tivesse imaginando que ela iria
começar a me tratar bem só porque eu a fiz gozar.
Quem me dera...
— Se já tomou sua decisão, saia da minha sala, já cansei da
sua cara — completou a megera.
Eu ia questioná-la, dizendo que ela nem sequer estava me
olhando, mas eu não queria mais nenhum relatório para fazer.
— Sim, senhorita Bright — respondi, contendo meu rosnado.
Ao sair da sala, acabei batendo a porta com força. Sentei-me na
minha cadeira e logo a tela do computador piscou de novo. Outro e-
mail.
Ela ainda gosta de provocar.
Movido por uma força que não era normal para mim, cliquei em
responder.
Enviei. Cinco minutos depois apareceu outro e-mail.
O último e-mail sumiu, ele foi apagado. Mas tive tempo para
ler.
Então ela estava com raiva porque eu a provoquei? E estava
usando o trabalho como punição?
Que inferno!
Ontem pareceu estar tudo bem e hoje isso.
Optei por não responder, eu tinha muito trabalho para fazer.
Todavia, não posso negar que fiquei instigado a perguntar a ela
se teria realmente a próxima vez que ela citou. Só essa
possibilidade deixou certa coisa na minha calça um pouco alegre.
Estou fodido!
Às sete horas não tinha mais nenhuma alma viva naquele Setor,
somente eu. Ainda terminando o segundo relatório. Eu estava
exausto e cheio de cafeína no sangue. Até perdi as contas de
quantas vezes me levantei para buscar um café. E ainda tinha
Emma, que passava para lá e para cá, com aquele salto barulhento
da porra. Ela sabia que me incomodava, porque eu revirava os
olhos toda vez que ela passava, mas Bright não hesitava em fazer.
Olhei para o relógio, marcava nove e quarenta e cinco da noite.
Eu só tinha terminado duas das três revisões. Sabia que Emma iria
brigar comigo, mas eu não podia mais ficar. Minha cabeça estava
latejando e meus olhos ardendo. Levantei-me da cadeira, peguei o
relatório na sala de impressão e fui até a sala dela. Bati duas vezes
em sua porta e ela me deu permissão para entrar.
— Você já terminou? — ela perguntou de imediato, com os
olhos fixos em alguns papéis na mesa.
— Sim... e não.
— Explique-se, Snow.
— Eu só consegui terminar dois. As empresas são de dois mil e
nove, analisar oito anos de transações em algumas horas não é
fácil. E já está bem tarde... todos já foram embora — diminui o tom
de voz na última frase.
Emma colocou os cotovelos na mesa e apoiou o rosto nas
mãos, cobrindo-os.
— Você pode ir. — disse ela. — Deixe o outro relatório aqui, que
eu termino.
— Você pretende terminá-los hoje? — Olhei para mesa dela e vi
que tinha mais uns três envelopes fechados, pelo visto ela estava
trabalhando neles. — Emma... Senhorita Bright, você tem que
descansar. — disse, brando, realmente preocupado.
— Não me diga como trabalhar, Snow. Vá embora! — vociferou,
claramente irritada.
Seus olhos enfim se ergueram para mim. Fúria foi tudo que vi.
Ela vai me morder?
— Por que está fazendo tudo isso com pressa? — perguntei,
tentando ignorar o surto dela.
— Não é da sua conta, Harry. — O mesmo tom raivoso. — Vá
logo, você já nem deveria estar aqui.
— Mas... — tentei mais uma vez.
— Mas nada, ande logo! — ordenou.
— Está bem. — Coloquei o relatório na mesa e saí da sala.
Eu não era idiota para não perceber que ela estava correndo
contra ao tempo com aqueles relatórios. Talvez fosse por parte de
assumir o cargo do Mike tão de repente. Sabia que era muito
trabalho para ela e não podia deixá-la sozinha.
Peguei o paletó na cadeira e minha maleta no chão, mas não fui
embora. Entrei na sala da Emma, sem bater.
Meu Deus! Eu seria demitido por querer ajudar.
Quando Emma me viu entrando em sua sala, ignorando toda a
educação e não obedecendo às suas ordens, ela encarou com mais
fúria ainda.
— Posso saber o que você quer? — perguntou, tirando os
óculos e colocando-os na mesa com força. — Já não disse para ir
embora?
— Eu vou, mas só se a senhorita vier comigo. — Eu
provavelmente estou muito fora de mim para ter coragem de dizer
isso.
— O que você pensa que está fazendo?
Querendo perder o emprego? Talvez.
— Eu só não quero que você fique se matando fazendo tantos
relatórios até essa hora da noite. Por que toda essa urgência? —
disse o mais brando que consegui no momento, e tentando não
pensar em outra coisa, pois ela ainda estava me encarando muito
fixamente agora.
Não pense, Harry! Não pense!
— Argh! — Emma revirou os olhos, impaciente, então pegou um
elástico bem fino em sua gaveta na mesa e prendeu aquela
cabeleira cacheada de um jeito agressivo antes de me responder. —
O senhor Vegar parou de fazer os relatórios quando soube que iria
trocar de Setor, atrasou muitas análises e deixou erros em alguns
transações de empresas, agora eu preciso verificar se isso foi
apenas um erro ou proposital. Não posso mais perder tempo,
preciso manter os empresários atualizados de suas contas, e
preciso fazer isso imediatamente.
Bom, aqui estava a explicação do porquê que eu ficava sem ter
o que fazer algumas vezes em que vinha trabalhar. Mas o Mike tinha
me dito que só soube que iria trocar de Setor na noite antes da
apresentação da senhorita Bright. Ele mentiu?
— Homens sempre fazendo bagunça e deixando para as
mulheres arrumarem. — Ela gesticulou em direção aos papéis. —
Então, Snow, se não for me ajudar, faça o favor de sair da minha
sala agora. — Emma colocou os óculos e voltou à atenção para o
computador.
— Que tal se fizermos assim... — Eu ainda não tinha desistido
da minha missão, e meio que me sentia culpado pela Emma ter
tanto trabalho, se eu tivesse questionado o Mike, talvez ele me
desse alguma coisa para fazer e hoje teríamos menos relatórios
para analisar. — Você vem comigo e amanhã nós resolvemos isso.
Eu e o senhor Vegar fazíamos os relatórios juntos e terminávamos
bem mais rápido. Podemos fazer isso amanhã.
— Snow... — Emma moveu o olhar para mim mais uma vez.
Ainda parecia que ela queria me morder.
— Vamos, Bright. Ficar tomando café à noite toda não vai
adiantar em nada — insisti.
Emma hesitou por um tempo, mas depois cedeu. O que me fez
agradecer a Deus, eu não aguentava mais ela me olhando como se
fosse me comer vivo.
— Está bem. Eu vou, mas trate de não arranjar nenhuma
desculpa para não me ajudar amanhã. Temos até sexta para
entregar isso tudo. — Ela arrumou suas coisas na bolsa e se
levantou da cadeira.
Quando entramos no elevador, Emma subitamente ficou quieta.
Estranho. Ela começou a se ajeitar no espelho do elevador e volta e
meia o meu olhar se encontrava com o dela.
Lembrei-me de como o rosto dela estava com uma coloração
bonita depois de gozar ontem.
Merda!
Parei de encará-la e não disse uma única palavra.
— Você está de carro? — perguntei quando chegamos ao
estacionamento.
— Hmm... Não. — Ela pensou? — Pode me dar uma carona?
Afinal, você me tirou do trabalho.
— Claro. Vou buscar o carro.
Emma assentiu. Fui até meu carro, que estava estacionado à
alguns metros de onde estávamos.
Devo admitir que ganhava bem na empresa. Tanto que consegui
comprar um carro à vista juntando meu salário de três meses. Bom,
não era um Audi R8, mas era um carro muito bom e ajudava na
minha locomoção.
— Senhor Snow, eu acredito que minha porta estupidamente
cara custa menos que esse seu carro. E você reclamando que
ganha mal… — Ela brincou, sorrindo, assim que entrou no carro.
Humor vindo dessa mulher de repente?
Será que ela tem dupla personalidade?
— Nada que uma bela economia não resolva, senhorita Bright
— respondi no mesmo tom.
Emma estava olhando para mim.
Por que ela estava olhando para mim?
— Para onde vamos? — perguntei, virando o rosto.
Eu queria que ela parasse de me olhar, porque transamos
ontem e não estávamos falando desse assunto — que ela me
parece estar levando numa boa, enquanto eu estou me fazendo de
garotinho apaixonado que não consegue esquecer seu primeiro
beijo.
— Kensington High St, Royal Garden — respondeu Emma.
Claro que ela moraria em um dos bairros mais nobres de toda
Londres.
— Eu pensei que você morava com o seu pai na mansão Bright
— comentei.
— Prefiro ter a minha própria casa.
— Ah…
E de quem era aquele quarto que a gente estava ontem?
Eu quis perguntar, mas achei melhor ficar calado e seguir a
viagem.
Droga!
Eu não deveria ter fodido com ela.
Tudo bem, só passou um dia. Eu vou superar.
O trânsito estava livre, então foi rápido chegar a Kensington. Sem
contar que o bairro não ficava muito longe da empresa. Quando
cheguei ao Royal Garden, saí do carro, dei a volta no veículo e abri
a porta para a Emma.
— Obrigado, Snow — ela disse saindo do carro.
— Por nada — sorri brevemente. — Bom, até amanhã.
— Você não quer entrar? — Emma perguntou antes que eu
entrasse no carro.
— Hã… — Olhei rapidamente para o relógio, eram dez e vinte
da noite, estava muito tarde. Mesmo assim, lá no fundo, fiquei
tentado a aceitar. — Você tem que descansar, eu estaria
incomodando…
— Tomar uma taça de vinho não cansa ninguém, Snow. Vamos,
essa é a minha forma de agradecer a carona. — Seu tom foi calmo.
Também não notei nenhuma malícia nas entonações das palavras.
Ponderei alguns segundos, observando a mulher com um
sorriso mínimo nos lábios.
— Está bem. — Aceitei por fim.
Fechei a porta do carro e acompanhei a mulher até a entrada do
edifício.
O Royal Garden parecia ter o dobro do tamanho por dentro.
Tudo era tão bem arrumado, brilhante e esbanjava riqueza. Emma
segurou meu braço e me guiou até o elevador, ela apertou o botão
para chamá-lo e logo ele apareceu. Sua mão soltou o meu braço
assim que entramos no elevador.
Apenas nesse momento, minha mente clareou por completo e
eu me dei conta de que estava sozinho com a Emma mais uma vez.
E agora estava indo para casa dela.
Comecei a ficar nervoso.
Essa será a nossa “próxima vez”?
Bright apertou o botão para subir ao trigésimo andar. O último.
Ela pegou o celular e digitou uma mensagem rápida, sorrindo para a
tela.
Forcei-me a relaxar. Emma não tinha dito nada suspeito. Se ela
foi direta na primeira vez que transamos, ela seria direta em uma
segunda vez também.
Eu iria entrar no apartamento, tomar uma taça de vinho, apenas
para não fazer desfeita, conversar um pouco e ir para casa.
É isso.
O elevador parou no oitavo andar, algumas pessoas entraram.
Bright passou para minha frente, deixando as pessoas se
acomodarem no equipamento. Com mais alguns segundos, o
elevador parou no décimo segundo andar e mais seis pessoas
entraram. Parou no décimo quinto andar e mais três pessoas
entraram, nenhuma desceu. Com o elevador cheio, Emma se
encostou em mim, para dar mais espaço para as pessoas. Com
isso, sua bunda ficou próxima a minha virilha. Eu não tinha como me
afastar, já estava colado nas paredes do elevador.
Emma continuou encostada em mim até o vigésimo segundo
andar, quando todos que estavam no elevador, incrivelmente,
saíram. Eu me afastei imediatamente dela.
Está tudo sob controle, foi só um elevador cheio. Pensei.
Chegamos ao trigésimo andar e saímos do elevador.
Caminhamos por um longo corredor, parando em frente a uma
grande porta de vidro escuro com dois vasos de flores, um em cada
lado.
Achei um pouco estranho. O andar deveria ter mais portas.
Por onde é que os outros moradores do andar entravam?
Fiquei olhando de um lado para o outro, tentando entender
aquela arquitetura.
— Aqui só tem um apartamento. O meu — disse Bright. Acho
que notando a minha cara de espanto e confusão.
Fiquei boquiaberto. Como uma única pessoa poderia morar
nesse apartamento enorme?
— Tem certeza de que você mora sozinha? — perguntei quando
a mulher abriu a porta, ainda boquiaberto.
— Tirando a Elena, que é quem cuida da casa e de mim, sim.
Eu moro sozinha. Por quê?
— Nada. Só curiosidade — balancei a cabeça.
Dei um passo para frente e entrei no apartamento, aproveitando
a oportunidade para olhar tudo que os meus olhos pudessem ver. O
cômodo era bem iluminado e os móveis eram estupidamente
brilhantes e harmoniosos uns com os outros. Não era muito
diferente da mansão dos Bright, mas esse apartamento tinha mais
cor.
— Sua casa é bonita — falei.
— Obrigada. Sente-se, eu vou trocar de roupa e trazer algo para
bebermos.
— Ok.
Tirei o paletó, coloquei no braço do sofá e me sentei. Continuei
observando o cômodo.
Meu Deus! Só a sala dela era meu apartamento todo.
Depois de alguns minutos, Emma apareceu. Ela estava com um
vestido preto, não muito justo, mas curto, e descalça.
Eu me peguei olhando para as pernas dela.
Que as forças dos céus estejam ao meu lado essa noite.
— Tem preferência de vinho? Quero começar com vinho branco
— ela disse.
Começar?
— Pode ser — concordei, confuso.
Emma foi para a cozinha e rapidamente voltou com duas taças
e uma garrafa de vinho. Um Romanée-Conti. A mulher colocou o
vinho na taça e me serviu, sentando-se ao meu lado. Eu tomei o
primeiro gole, saboreando o quão boa a bebida era.
— Qual a sua idade mesmo, Harry? — Emma perguntou de
repente.
Achei a pergunta estranha, afinal, se ela era a minha chefe,
deveria ter visto a minha ficha e já tinha essa informação. Todavia,
achei melhor responder e não questionar.
— Vinte e cinco — respondi, encarando-a. Tomei mais um gole
do vinho. Tão bom.
— Você tem irmãos? — Mais uma pergunta desnecessária.
— Tenho uma irmã mais velha — respondi novamente. Meu
olhar saiu do seu rosto e foi para o seu torso. Pude observar seu
peito subir e descer lentamente.
— Legal... — Emma tomou um pouco de vinho. — Você não
tem namorada mesmo, não é? — Essa pergunta soou um pouco
mais rápida.
— Não. — Limpei a garganta, desviando o olhar da mulher.
Isso está tão estranho.
— Que bom. — Emma cruzou as pernas, fazendo seu vestido
subir mais um pouco.
Era bom mesmo. Porque seria lamentável ter que explicar para
minha companheira que minha chefe me chupou e eu deixei que as
coisas chegassem até esse ponto.
— E você? — Reuni toda a coragem no meu corpo para
questionar.
— Não se preocupe com isso — respondeu ela.
Aquilo não foi nem um sim nem um não.
Fui forçado a encará-la novamente. A mulher sorriu, mas não se
explicou.
Você também não facilita, Emma.
— Então... Quando estava fora, você trabalhou em outro lugar
antes de vir para Bright’s? — continuei com as perguntas, querendo
manter assunto e focar em meus lábios, não em suas pernas
bonitas.
Mas foi com a boca dela que tudo começou…
Emma hesitou um pouco antes de responder.
— Sim. Um pequeno Setor da Bright’s em Paris. Com empresas
menores e duas no mesmo nível do Shopping em Dublin.
— E por que decidiu vim para Londres tão de repente? — Virei-
me de lado, para encará-la melhor.
— Não foi de repente, Harry. Minha vinda para Londres já
estava programada há muito tempo, eu apenas adiei até não poder
mais. — Seu tom ficou sutilmente mais grave, como se estivesse
perto de se irritar, mas eu estava curioso demais para não fazer
mais perguntas.
— Então significa que você não queria assumir a presidência
aqui?
Bright tomou todo líquido da sua taça e colocou o objeto vazio
na mesa de centro. Ela me lançou um sorriso amargo antes de
responder.
— Não sou o tipo de mulher que quer passar a vida fazendo
fortuna para homens que mal sabem administrar os próprios
negócios, e ainda ousam dizer que mulheres não entendem do
assunto. — Sua expressão se tornou mais amarga. — Mas o que
posso fazer? Sou a única herdeira da Bright Enterprises no
momento, se levarmos em conta que o meu irmão mais novo só tem
dez anos. A empresa precisa ficar nessa família por mais alguns
séculos, então preciso ficar no comando... Assim eu vou ter o que
quero.
— Você não pode só não aceitar? — franzi o cenho, um pouco
confuso.
Emma sorriu, um sorriso de verdade dessa vez. Ela ergueu a
mão e tocou o meu rosto, suas unhas afiadas arranharam minha
bochecha.
— Gosto da sua inocência, Snow. Mas você precisa abrir os
seus olhos se quiser sobreviver nesse mundo. — Ela afastou a mão.
— Às vezes, é necessário se submeter à algumas situações para
alcançarmos os nossos objetivos. E, não é querendo ser militante
nem nada, é apenas a verdade: para nós mulheres, as situações
são bem piores.
— Eu... sinto muito. — Foi tudo que consegui dizer no momento.
Eu nunca tinha sido assistente de uma mulher antes, mesmo
com a Bright’s tendo cinquenta por cento do pessoal na presidência
sendo mulher. Apesar disso, nunca duvidei da capacidade de
nenhuma delas, me abstenho desse pensamento tão retrógrado.
Mas entendia o que a Emma estava dizendo, nem todo mundo
pensava como eu, e mais da metade dos empresários,
administradores e CEO’s eram uns idiotas.
— É, mas chega de falar disso. — Emma ergueu a mão e pegou
a garrafa de vinho. — Deixe-me encher o seu copo.
— Não posso beber muito, vou voltar para casa dirigindo —
lembrei-a, tentando negar.
— Não se preocupe com isso, Snow. — Ela pegou a minha taça
e encheu.
Por que estou sentindo que isso não vai dar certo?
Remexi-me na cama ainda sem abrir os olhos. Minha cabeça
latejou com o menor movimento.
Quando abri os olhos, demorou cerca de dois minutos para as
imagens serem filtradas para meu cérebro e eu notar que não
estava no meu quarto. Não estava nem na minha casa.
Ah, merda!
Tirei o lençol do corpo e vi que estava sem roupas.
Completamente pelado.
Merda! Merda! Merda!
Sentei-me na cama e tentei pensar nas minhas últimas horas de
consciência.
O que foi que eu fiz?
Lembrei de estar com Emma, na casa dela. Arregalei os olhos
abruptamente, quando lembrei que tinha bebido um pouco mais do
que devia com a senhorita Bright.
Antes que pudesse entrar em pânico, questionando-me o que
mais eu fiz, escutei um barulho vindo da porta. Cobri-me
rapidamente com o lençol.
Uma mulher entrou no cômodo. Ela deveria ser mais velha,
apesar de seus cabelos serem totalmente pretos, seu rosto
denunciava um pouco a idade.
— Bom dia, senhor Snow — disse ela, sorrindo brevemente. —
Eu me chamo Elena Evans. Trouxe roupas limpas, o banheiro fica
logo atrás daquela porta. — Apontou para uma porta branca atrás
de si.
— Humm. — Precisei de alguns segundos para processar o que
ela tinha dito. — Bom dia, senhora Evans… Eu estou na casa da
senhorita Bright, certo? — perguntei para confirmar.
— Sim — respondeu, assentindo.
— Onde ela está?
— Emma foi para o trabalho. O senhor pode tomar banho e se
arrumar, eu estarei na cozinha se precisar de qualquer coisa. Com
licença. — A senhora Evans saiu do quarto, fechando a porta.
Cacete!
Eu tinha dormido na casa da Emma. Será que essa era a cama
dela? Será que a gente… Merda!
Eu não conseguia lembrar de nada.
Maldito vinho com gosto bom!
Ciente de que ainda precisava trabalhar, levantei-me da cama,
enrolando o lençol no corpo, e abri a porta que dava no banheiro —
que parecia mais uma sala, de tão grande que era. Tirei o lençol do
corpo e entrei no box de vidro. Abri o chuveiro e fui banhado com a
água quente.
A roupa que a senhora Evans me trouxe foi um terno preto,
camisa social preta também, mas em poá branco, e gravata da
mesma cor. Não sei como ela acertou o tamanho das minhas
roupas, mas couberam certinho.
Afinal, onde foram parar as minhas roupas de ontem?
Quando terminei de me arrumar, peguei minha carteira e o
relógio que estavam na cama também e fui para sala. Depois de me
perder entre os corredores da casa, enfim consegui chegar. A
senhora Evans estava me esperando.
— Deseja comer alguma coisa, senhor Snow? — perguntou.
— Harry, por favor. — Ela assentiu. — E muito obrigado, mas
não quero lhe dar trabalho. Posso comer algo no caminho, e
também não quero me atrasar. Mas se a senhora puder me dar um
remédio para dor de cabeça, eu agradeceria muito — pedi, um
pouco envergonhado.
— Claro, Harry. — Elena foi para a cozinha e voltou em
segundos com um copo de água e um comprimido. — Aqui está.
— Muito obrigado. — Agradeci ao terminar. — E obrigado pelas
roupas.
— Tem certeza de que não quer comer algo? Emma nunca
deixou visita aqui em casa, mas posso preparar algo rápido para o
senhor… para você.
— Não será necessário. — E movido por uma dúvida que
estava martelando a minha cabeça, resolvi perguntar: — Perdoe-me
se eu estiver sendo inconveniente, mas a senhora sabe como eu...
fiquei aqui?
— Não, Harry — respondeu ela, rindo. Por que ela estava
rindo? Isso não foi uma piada. — Eu não estava presente ontem à
noite. Cheguei hoje pela manhã e recebi a notícia de que você
estava aqui.
— Ok… — Agora fodeu, porque não vou ter coragem de
perguntar nada a Emma. — Obrigado, senhora Evans. Tenha um
ótimo dia.
— Igualmente, Harry.
Saí do apartamento e caminhei até o elevador, que chegou
rapidamente. Olhei-me no espelho no equipamento quando entrei,
era visível a confusão no meu semblante.
Não estava nos meus planos ficar bêbado quando aceitei o
convite da Emma.
Meu Deus! Como eu fui deixar isso acontecer?
Já do lado de fora do edifício, vi que o meu carro não estava
estacionado onde o deixei na noite anterior. Olhei para o relógio e vi
que tinha cinco minutos para chegar ao trabalho. Pensei em chamar
um carro por aplicativo, para não me atrasar mais caso o meu
veículo tivesse sido guinchado, mas tudo do que precisava estava
na droga do carro. Coloquei as mãos no bolso procurando a chave e
automaticamente lembrei que não tinha pegado.
Quando me virei para voltar ao apartamento da Emma, escutei
alguém me chamar.
— Oi? — Olhei para o indivíduo e vi que era um manobrista e,
magicamente, meu carro apareceu atrás dele.
— Aqui está seu carro. — Ele me entregou a chave. Encarei-o
completamente confuso. — A senhorita Bright mandou retirar o
carro ontem à noite, ele estava no estacionamento.
— Hã… obrigado. — Isso explica algumas coisas.
— Com licença. — O manobrista saiu num piscar de olhos.
Entrei no carro e peguei meu celular. Tinha três ligações
perdidas do Lan. Liguei para ele e coloquei em viva voz enquanto
seguia apressado para o trabalho.
— ONDE FOI QUE VOCÊ SE METEU, MERDA? — Lan gritou.
— Eu não dormi em casa.”
— Eu sei disso. Onde você estava? Te liguei a noite toda.
— Eu estava… estava… na casa da Emma. — falei, parecendo
que tinha cometido um crime. Eu já tinha contado para o Landon o
que a Emma aprontou comigo há algumas semanas no banheiro do
bar, mas não disse nada sobre transarmos na festa da empresa.
— Emma? Aquela sua chefe?
— Sim…
— Não entendi. Você passou mal ou algo assim?
— Prometo te explicar tudo depois, Landon. Agora até eu estou
um pouco confuso e estou indo para o trabalho. Mas, ontem a
Emma me convidou para tomar uma taça de vinho depois do
trabalho, acho que bebi demais e acabei dormindo em sua casa por
não poder dirigir.
— Entendi… Tudo bem, aguardo o resto da explicação, porque
estou confuso com alguns fatos. Só liguei pra te avisar do jogo no
sábado, em Doncaster. Eu vou jogar.
— Ah, que ótimo! — Sorri com a notícia boa. Apesar de
trabalhar no restaurante da mãe e cuidar de seis irmãos mais novos,
Landon era jogador profissional de futebol. Ainda não estava em um
time de Série A, mas isso era questão de tempo, meu amigo era
ótimo em campo.
— Não se esqueça, você vai. — alertou.
— Eu tenho certeza de que você não vai me deixar esquecer,
Lan.
— Ainda bem que você sabe.
— Tchau, Landon! Preciso trabalhar.
— Tchau, Harold! Boa sorte e tente não ser violado novamente.
— disse ele, rindo, e desligou a chamada.
Ele não iria me deixar em paz nunca com esse assunto.
Cheguei na empresa vinte minutos atrasado. Ótimo.
— Bom dia, Isaac. — disse, sentando-me na cadeira.
— Bom dia, Harry. — Ele me olhou — Que cara é essa? Comeu
e não gostou, foi?
— Eu nem sei se eu comi… — murmurei.
O rapaz franziu o cenho, mas não questionou.
— A senhorita Bright quer falar com você.
Comecei a me tremer no momento seguinte. Peguei os
relatórios na minha maleta e me levantei da cadeira. Bati à porta da
sala e quando escutei a permissão para entrar, o fiz. Emma estava
de pé, ao lado da mesa, falando ao telefone.
— … Claro… Eu irei deixar recado… Só me avise antes, não
quero que fique nada em cima da hora… Ótimo... Até, Bennett. —
Ela desligou o telefone, colocando-o de volta na mesa. — Sente-se,
temos muito que fazer — ordenou, com a voz branda, apontando
para uma cadeira à sua frente e sentando-se na outra atrás da sua
mesa.
Seus olhos se encontraram com os meus sem dificuldade
alguma.
Por que ela consegue agir assim tão normalmente? Fez algum
curso?
O dia começou estranho não só por eu acordar no apartamento
da Emma; ela estava me encarando sem hesitação inicial, não
reclamou do meu atraso — o que por si só é mega estranho, ela
parecia odiar atrasos — e não comentou nada por eu ter dormido na
casa dela.
Embora eu ainda quisesse saber o que aconteceu, não poderia
me esquecer que nesse momento estava no trabalho, não era hora
para tratar de assunto pessoal.
Apressei-me em me sentar na cadeira.
— Por onde vamos começar? — perguntei.
— Eu estava adiantando alguns aqui, podemos começar por
esses. Tem três que já estão em um bom caminho e dois que ainda
não olhei.
— Certo — assenti.
— Então, como fazemos? — perguntou ela, com um sorriso
mínimo no rosto.
Quem era essa mulher e o que fez com a Emma assediadora e
arrogante?
Comecei a explicar.
Quase uma hora da tarde, tínhamos terminado um relatório e
meio. Minha barriga fez um barulho estranho, foi aí que eu lembrei
que não tinha me alimentado durante o dia.
— O que foi isso? — Emma me olhou.
— Desculpa. É que não comi nada quando vim para o trabalho.
— É que eu estava na sua casa e fiquei um pouco assustado com a
recepção.
— Humm. — Ela olhou para o relógio no pulso. — Está no
horário de almoço, você pode sair.
— Obrigado. Prometo não demorar — levantei-me da cadeira.
Coloquei alguns papéis que estavam comigo em cima da mesa e saí
da sala. Passei no meu cubículo e peguei a chave do carro e meu
celular.
— Qual é a glória? — Isaac me perguntou, surgindo do nada.
— O quê? — perguntei, confuso.
— Você sair da sala da Emma sem estar nervoso ou xingando.
— Estamos trabalhando, como eu fazia com o Mike quando ele
tinha muitos relatórios para fazer.
— Sei…
— Estou indo almoçar no restaurante da Joh, você vem?
— Não. Hoje eu vou almoçar com a Camille.
— Humm. — Anuí. — Está bem. Até depois.
— Até.
O movimento no restaurante estava bastante intenso. Assim que
entrei, avistei Lan detrás da bancada, fui direto falar com ele.
— Essa roupa valorizou bastante a sua silhueta — brinquei. Ele
estava vestido com o uniforme de garçom.
— Pode parar, Harry! Você sabe que a minha mãe me obriga a
vestir essa droga de roupa quando o restaurante está cheio —
reclamou.
— Convenhamos né, Lan? Você está trabalhando.
Meu amigo revirou os olhos longamente.
— Qual é a glória de você estar aqui? — indagou.
— Não comi nada pela manhã, estou morrendo de fome.
— Ok. Vou avisar a minha mãe. E… a última mesa foi ocupada
por aquela moça. Acho que ela estava de reserva. Não sei, não me
interesso por nada aqui mesmo — ele deu de ombros. Se a Joh
escutasse isso, certamente chutaria o Lan até ele desmaiar. — Você
vai ter que comer aqui ou lá dentro.
Virei-me para olhar a mulher que tinha roubado o meu lugar.
— Aquela é a Emma — disse, ao ver a mulher se sentar e pegar
o cardápio. De repente, nossos olhares se encontraram. Ficamos
nos encarando por alguns segundos até ela me chamar. — Eu já
volto, Lan. — Caminhei até a mesa. — O que faz aqui? — perguntei
a ela.
— Sou eu quem pergunto. Fiz uma reserva aqui. Está dando
para me seguir agora? — ela ergueu uma das sobrancelhas.
— Eu cheguei primeiro que você, então, você é quem estaria
me seguindo. Eu moro perto, esse é o restaurante da mãe do meu
melhor amigo — expliquei.
— Então foi uma coincidência. Sente-se. — Ela apontou para a
cadeira vazia ao seu lado.
— O quê? Não. Não quero atrapalhar.
— Sente-se, Snow — Ela usou o tom de voz de uma ordem,
então obedeci.
Parabéns, Harry, você acabou de ser adestrado.
— Está bem. — Puxei a cadeira e me sentei.
— Onde você mora? — perguntou.
— Três quarteirões daqui.
— Ah. — Ela assentiu.
— Cheguei — disse Lan, aparecendo de supetão na mesa. —
Você, eu já sei o que vai querer… — ele me disse. — O que vai
querer, Emma? — A mulher franziu o cenho para ele. — Harry me
disse o seu nome. Ele fala tanto de você que já me considero
íntimo. Então, o que vai querer?
Coloquei a mão no rosto, tentando esconder minha vergonha.
Claro que o Landon não perderia a oportunidade de fazer algo do
tipo apenas para me constranger, ele odiava anotar pedidos assim
como odiava servi-los.
— Eu vou querer a especialidade do chef — disse Emma,
mantendo o tom de voz normal.
— Ótimo, mais dinheiro para mim — respondeu Lan,
escrevendo no bloco. Eu sabia que ele não estava anotando o
pedido da Emma. — Vai querer o taco apimentado, Harry?
— Eu não gosto de pimenta, Lan — respondi, olhando para ele
de cara feia.
— E é fraco na bebida… — Agora ele estava dando risada. Eu
vou matá-lo. — Algo para beber, moça?
— Um suco de laranja com limão.
— Ótimo. O seu pedido ficará pronto em instantes. — Ele se
afastou da mesa.
— Então quer dizer que você anda falando sobre mim? —
indagou Emma, quando Landon já estava longe.
Engasguei-me com o vento.
— O-o-o que? — gaguejei, nervoso. — Não, não. Ele apenas
sabe que você é minha chefe agora.
— Seu amigo deixou claro que você fala bastante, tem certeza
de que é só isso?
— Sim, senhorita Bright — engoli em seco.
A mulher sorriu e disse:
— Bom garoto.
Se eu pensava em aproveitar a oportunidade para conversar
com ela sobre o que aconteceu ontem, fui derrotado antes mesmo
de entrar em campo.
Por que ela consegue me intimidar tão fácil?
Parece até que eu tenho medo de mulher. O que está longe de
ser verdade.
Ajeitei-me na cadeira e fiquei calado durante um tempo. Só
voltei a falar quando Emma me questionou sobre algumas coisas
sobre a empresa em que estávamos trabalhando.
Quando Lan veio trazer a conta para Emma, ele me entregou o que
estava escrevendo no bloco de notas. Enquanto Emma passava o
cartão de crédito, movi o papel para o meu colo e o abri para poder
ler.
“Se uma mulher como ela se oferecesse para me chupar, seja lá
aonde for, eu teria aceitado antes mesmo de ela terminar a frase.
Com todo respeito.”
Lan tinha uma letra miserável, mas consegui entender a
besteira que ele escreveu.
Encarei meu amigo, que sorriu descaradamente, lançando um
joinha para mim. Não lhe disse nada, apenas coloquei o papel no
bolso e me levantei, saindo do restaurante junto com Emma.
— Você veio de táxi? — perguntei a mulher.
— Não, vim com o meu motorista.
— Ah, certo. Então eu vou indo, te encontro daqui a pouco… —
Emma assentiu e entrou no carro.
Caminhei até o meu, estava estacionado um pouco distante, e
entrei.
Mais um pouco de trabalho me aguardava.
· dia seguinte ·
Conseguimos terminar todos os relatórios pendentes. Emma
não me obrigou a fazer nenhum relatório repentino, não me tratou
grosseiramente e muito menos me provocou com suas indecências.
Eu reclamava disso, mas estava quase entrando para aquela
zona do “eu já estou acostumado”, como se fizesse parte da minha
rotina de trabalho.
E ainda estava pensando sobre a nossa noite naquele quarto,
se haveria a “próxima vez” que foi mencionada ou se esse era o
sinal de que eu deveria realmente esquecer tudo e agir como se
nada tivesse acontecido — como a expert Emma Bright.
O celular tocou, tirando-me do devaneio. Acabei atendendo sem
olhar quem era, colocando em viva voz pois estava dirigindo para
casa.
— Oi.
— Harry, é a Emma.
— Pois não, senhorita Bright?
— Preciso que você venha aqui no meu apartamento… — sua
voz hesitou. — Tenho uma reunião marcada para segunda e vou
precisar de você. Afinal, você é meu assistente.
— Claro! Chego aí já, já.
Eu sabia de qual reunião ela estava falando, então não era um
trabalho repentino. Só não achei que ela precisaria de mim para
uma reunião assim, afinal, ela já estava familiarizada com os
assuntos do Shopping em Dublin.
— Estou te esperando.” — Ela desligou rapidamente.
Peguei o retorno mais próximo e dirigi para Kensington. Em
alguns minutos, cheguei ao Royal Garden. Entrei no elevador e
apertei o botão para o trigésimo andar.
Caminhei pelo longo corredor até a porta, que agora tinha rosas
vermelhas nos vasos ao lado. Quando ia procurar pela campainha,
a porta se abriu.
— Olá, Snow — disse Emma, vestida apenas com uma blusa
branca de tecido transparente que dava para ver a sua lingerie preta
por baixo.
Puta que o pariu.
Minha pele na sua pele de novo e de novo
Sue para mim, sue para mim
Sweat | ZAYN
· semanas antes ·
— Senhorita Bright, pretende ficar com o assistente do senhor Vegar
ou quer selecionar outro? — perguntou Isabella, do RH.
Eu mal tinha chegado a Londres e já estava sendo
bombardeada com vários trabalhos e problemas.
— O assistente do senhor Vegar é tão incompetente quanto
ele? — questionei, organizando algumas pastas na minha sala
provisória.
A mulher à minha frente ficou sem reação por um tempo.
— Hã... Aqui está a pasta dele. — Ela me entregou os papéis.
— Ele é formado em Administração na melhor faculdade aqui de
Londres, e está aqui na Bright’s há cinco anos. Nunca houve
reclamações, então acredito que ele é bom.
Assim como o chefe do primeiro Setor?
Abri a pasta com as informações do assistente. A primeira coisa
que vi foi um par de olhos verdes como esmeraldas me encarando,
uma foto do Harry Snow. Antes de terminar de ler as informações,
um sorriso animado tomou conta do meu rosto.
— Deixe-o comigo por enquanto — informei para Isabela,
devolvendo a pasta.
Vamos ver se ele é bom mesmo.
· dias atuais ·
— Vai demorar muito? — perguntei ao homem em pé perto da
minha cama, que vestia sua calça preguiçosamente e olhava para
mim satisfeito.
Bom, pelo menos ele ficou. Quanto a mim, tenho que adicionar
mais um homem à lista dos “homens que quando gozam, o sexo
acaba”.
Não estou dizendo que ele foi cem por cento ruim, até que
estava me causando uma sensação boa, mas não foi bastante.
E eu estava pensando em outra coisa…
Melhor: pessoa.
— Já quer se livrar de mim? — ele perguntou, sorrindo, mas não
acelerou o desenvolvimento da sua atividade.
— Vou sair… — menti. — Tenho compromisso de trabalho. Não
quero me atrasar.
— Certo… — Ele terminou de vestir a calça e pegou a camisa
no chão. — Não quero ocupar o tempo da CEO.
— Ainda não sou CEO.
— Mas será — retrucou e enfim vestiu a camisa.
— Talvez…
— Bom, estou de saída, até a próxima, Emma.
— Não terá próxima, Cody, se contente com o pouco que teve
dessa quase CEO — declarei, deixando o assunto bem claro.
O homem sorriu e se aproximou de mim na cama.
— Isso é você quem está dizendo. Te ligo depois. — Ele me deu
um último selinho e se afastou, saindo do quarto.
Ainda bem que eu tinha anotado o número dele também, para
assim poder bloquear e não ser importunada.
Depois de ponderar bastante sobre o assunto, levantei-me da
cama, peguei meu celular e fui para o banheiro.
— Não acredito que vou fazer isso... — disse para mim mesma,
encarando meu reflexo no espelho.
Eu disse que seria uma vez apenas e cá estou eu tentando uma
segunda.
Olhei para o contato salvo no meu celular.
Malditos olhos verdes. Aquele corpo definido, aquelas mãos…
Meu Deus! Aquela boca... Era suficiente para me fazer abrir uma
exceção.
Estou agindo por impulso novamente? Não!
Eu sei separar bem assuntos pessoais de assuntos de trabalho.
Gostei de como o Snow faz, trabalhar para mim é só um bônus,
deixa as coisas mais excitantes.
Não é como se isso fosse atrapalhar os meus planos.
Hoje é só uma exceção. Depois voltamos ao normal… Sim.
Dessa vez não hesitei: fiz a ligação.
E com a resposta positiva, saí do banheiro e entrei no closet.
Abri a gaveta de lingerie e tirei uma preta de renda com calcinha fio-
dental. Minha intenção é ficar sem roupas, mas meu primeiro
pensamento é provocar o Snow — a carinha de envergonhado e
nervoso que ele faz é ótima.
Voltei para o banheiro e tomei um banho rápido, apenas para
preparar meu corpo para algo melhor. Em seguida, me enxuguei e
vesti o conjunto de roupa íntima, junto com uma blusa branca de
tecido bem vagabundo.
Prendi o cabelo sem muito capricho, peguei os papéis com o
resumo das finanças do Shopping em Dublin na cômoda e saí do
meu quarto, indo para sala.
— Elena! — gritei.
— Oi, Emma! — a mulher apareceu na sala.
— Você pode ir para casa. — Joguei-me no sofá. — Hoje eu
vou ter uma visita… Outra… — Sorri cinicamente.
— E essa é mais importante que a outra, para eu ter que sair?
— Apenas assenti. — Aquele rapazinho vai vir aqui de novo… o
Harry? — Agora o tom de voz dela tinha mudado, o que me deixou
curiosa.
— Sim — respondi sem rodeios, eu não mentia para a Elena.
Ela cuidava de mim desde que eu tinha dez anos, então sempre
conversávamos abertamente sobre minha vida pessoal, e eu
escutava seus conselhos.
— Ele é bem bonito.
— Eu sei… — murmurei. — É muito bom de cama também.
— E é só com isso que você se importa? — seu tom continha
uma crítica disfarçada.
— É só isso que importa no momento.
— Hmmm — a mulher murmurou e cruzou os braços. — Não
deixe o seu pai saber o que você está fazendo, sabe como ele é
teimoso e antiquado. Além de que, vai desconfiar sobre...
— Eu sei, eu sei — a interrompi, revirando os olhos.
— E se quer se divertir, tudo bem, mas deixe suas intenções
claras com o rapaz, ele parece ser uma boa pessoa.
— Só o viu uma vez e já está fazendo suposições? — arqueei
uma sobrancelha.
— Eu tenho bons olhos, minha menina. — A mulher sorriu. — E
você é cruel com os homens.
Dessa vez eu sorri.
— Sou apenas com quem merece — retruquei.
— Se você diz… Bom, eu já vou. Aproveite a noite com seu…
assistente.
— Pode deixar! — Estiquei o sorriso.
Elena foi até o quarto dela e pegou a sua bolsa, depois saiu de
casa.
Dez minutos depois, Harry chegou.
— Olá, Snow — cumprimentei-o ao abrir a porta.
O homem me olhou de cima a baixo. Seus olhos percorreram
meu corpo lentamente e, por um momento, pude notar sua
respiração acelerar.
Ótimo, funcionou.
— Entre. — Puxei-o pela mão, já que ele ficou parado no
mesmo lugar. — Sente-se no sofá. Eu vou buscar o documento. —
Ia para meu quarto, mas voltei no meio do caminho, lembrei que o
tinha levado para sala. — Eu esqueci. Está aqui. — Peguei os
papéis que estavam na mesa de centro e parei na frente do Snow.
Ele estava encarando o chão. — Harry?
— Oi? — respondeu, sem me olhar. Toquei seu queixo e
levantei seu rosto para que ele me olhasse.
— Algum problema? — perguntei.
— Não. — Ele se afastou da minha mão. — Deixe-me ver isso.
— Pegou os envelopes e tirou os papéis de dentro. E, como se
tivesse incorporado o assistente mais dedicado do mundo, ele
começou a olhar os relatórios com atenção. — Eu tenho essas
cópias, é do mês passado. Eu conheço as finanças do Shopping de
Dublin. Mike estava com ele há alguns anos.
— Ah, é mesmo. — Sorri brevemente. Eu sabia que ele estava
bem-informado sobre as finanças do Shopping, os papéis eram só
um pretexto. — Então quem tem que estudar isso sou eu… —
Sentei-me ao lado dele no sofá.
— Se você me emprestar seu computador, posso fazer um
resumo básico. Assim você não perde muito tempo.
— Não precisa, Harry. Posso fazer isso depois, com calma. E
você sabendo de tudo, não preciso me preocupar na reunião, não
é? — Cruzei as pernas.
— Ok... É... — Snow apressou-se em colocar os papéis de volta
no envelope.
De repente, ele deu um sobressalto e tocou o próprio pescoço.
Nesse mesmo momento o meu cabelo soltou. O elástico que eu
tinha usado para prender o cabelo se partiu e atingiu o pescoço
dele.
— Desculpa — disse, apressada.
— Tudo bem — respondeu, calmo. — Prenda o cabelo com
isso. — Ele tirou um elástico do bolso, que era um pouco mais
grosso do que o que eu estava usando, e me entregou. — Você usa
um elástico muito fino para prender todo esse cabelo — completou,
e voltou com a mão ao pescoço.
Prendi o cabelo rapidamente.
— Deixe-me ver isso. — Afastei sua mão e vi que o elástico
tinha deixado uma marca vermelha.
Minhas unhas percorreram o seu pescoço.
Por que eu ainda estava enrolando, se queria apenas uma
coisa?
Inclinei o corpo para frente e toquei meus lábios naquela região
exposta, passando a língua logo em seguida.
— Emma… — Sua voz saiu rouca, mas ele não se afastou.
— Está melhor assim ou você quer que eu continue? —
indaguei. Já decidida, sentei-me em seu colo, colocando uma perna
em cada lado de seu corpo. Senti o volume (ele é rápido) e
aproveitei o momento para fazer fricção.
— Emma… — Agora foi um gemido.
Calei sua boca com um beijo, movendo as minhas mãos para
abrir sua camisa. Não demorou muito para Harry ser vencido e
aproveitar o que estava acontecendo, seus dedos se emaranharam
nos meus cachos, puxando-os moderadamente, enquanto seus
lábios devoravam os meus com mais intensidade no beijo.
Não fiquei muito tempo ali, pois queria ir para a melhor parte.
Saí do colo dele e o puxei pela mão. Quando se levantou, Harry
voltou a me beijar. Fui conduzindo-o até o meu quarto, sem
pararmos de nos beijar — um pouco difícil, trombamos nas paredes
da casa.
Ao chegar no quarto, Snow me jogou rapidamente na cama,
tirou os sapatos e a camisa, ficando por cima de mim, com um
joelho em cada lado do meu corpo. Ele apoiou-se em seus
cotovelos e se inclinou para me beijar. Bem devagar, fazendo todo o
meu corpo arrepiar.
Ele é bom até com um simples beijo, por que eu não iria querer
mais?
Dessa vez Harry estava com mais atitude, o que era ótimo.
Seria bom fazer as coisas do jeito dele.
— Não tem droga de reunião nenhuma, não é? — ele
perguntou, partindo o beijo, quase sem fôlego.
— Tem sim, mas você não precisa ir. Apenas na do mês que
vem — respondi apressadamente. — Por favor, não pare — pedi.
Seus lábios voltaram aos meus lábios, dando-me um beijo
suave antes de começar a descer pelo canto da minha boca até
chegar ao pescoço.
Era essa a sensação que eu queria sentir mais cedo.
Com as mãos na barra da minha blusa, Snow puxou-a para
cima, retirando o tecido do meu corpo.
Aproveitei o momento e troquei de posição, ficando por cima.
Comecei a beijar e mordiscar seu pescoço, enquanto suas mãos
passeavam pelo meu corpo.
Minhas mãos foram de encontro a sua calça, abri o cinto junto
ao zíper. Adentrei minha mão na cueca e apertei seu membro
grosso. Harry gemeu e pendeu um pouco a cabeça para trás. Juntei
minha boca à sua, deixando que ele mordesse meu lábio inferior
para em seguida deslizar sua língua para dentro da minha boca.
Minha mão continuava dentro de sua cueca, agora fazendo
movimentos, arrancando pequenos gemidos do homem vulnerável
em minha cama.
— Não fugiu de mim dessa vez… — comentei, fitando suas íris,
que estavam em um verde intenso e brilhoso.
— Acho que esperava por isso… E queria… — respondeu,
entre lufadas.
— Isso é bom. — Sorri. — Sendo assim, vou com calma. Para
você aproveitar melhor… — Diminui a velocidade da masturbação.
— E se eu não quiser ir com calma? — questionou, pude vê-lo
sorrir também.
— Então você quer comandar agora?
Snow não respondeu, mas me segurou pela cintura e trocou
nossa posição, ficando por cima de mim novamente. Levou uma das
mãos até as minhas costas e abriu o fecho do meu sutiã,
arrancando-o de mim e jogando para longe. Distribuiu beijos por
aquela parte agora exposta, e sem perder tempo, ele começou a
chupar um dos meus seios.
Céus!
Snow voltou a me beijar, depositando selinhos nos meus lábios
e acariciando meu rosto.
— Tire a calça — ordenei, empurrando-o para trás.
Obedientemente, ele se livrou da roupa e voltou para cama.
Ajoelhei-me entre suas pernas e segurei seu membro pesado,
colocando meus lábios em volta para senti-lo endurecer ainda mais.
Em seguida, comecei a chupá-lo, subindo… descendo, aplicando
mais pressão na ponta, deixando minha língua molhada facilitar o
movimento e intensificar a sensação.
— Emma… Eu... — o homem fechou os olhos e gemeu.
— Aguente mais um pouco Snow, se gozar agora, eu não vou
querer fazer mais nada... — advertir, provocando-o.
Suguei sua parte mais lisa, escutando-o gemer mais rouco.
Isso, Snow, mostre-me que o que eu estou fazendo com você é
bom.
Chupei-o por mais algum tempo, deslizando minha língua por
toda a sua extensão várias vezes. Quando me dei por satisfeita,
levantei-me, com Harry fazendo o mesmo, e apoiando minhas mãos
em seus ombros, montei nele. Seu membro roçou no fino tecido da
minha calcinha.
Não precisei me preocupar em retirar aquela peça de roupa,
Snow a segurou com as duas mãos e rasgou o tecido no meio.
Agora ambos estavam despidos.
Apenas corpos.
E um desejo animalesco por sexo.
Do jeito que deveria ser.
Seus lábios tocaram os meus.
Harry delicadamente me deitou na cama, sem interromper o
beijo. Soltei um gemido em sua boca quando dois dedos dele foram
ao meu clitóris. Seus dedos eram bons, mas não fiz isso tudo para
ter só eles.
— Não… Eu quero você… — arfei. Dito isso, seus dedos
deslizaram pela minha entrada molhada e começaram a se
movimentar em um vai e vem. Um terceiro e quarto dedo se
juntaram logo em seguida, movimentando-se cada vez mais rápido.
— Merda, Snow... — Quando pensei que gozaria assim, Harry
desceu o corpo e juntou sua língua ao meu clitóris, enquanto seus
dedos faziam mágica cada vez mais rápidos e com mais força. Ele
estocou até eu não aguentar mais. — Harry… — gemi seu nome,
gozando.
Não esperei que a minha respiração voltasse ao normal e nem
que meu corpo se recuperasse do gozo.
— Dentro de mim, Snow. Não brinque mais — ordenei.
— Tudo bem, Bright. — O homem sorriu em malícia, lambendo
os lábios.
Então esse é o verdadeiro Harry Snow? Ótimo.
Seus olhos miraram o preservativo na cama, com alguns
segundos o látex já estava envolto ao seu pau.
Antes mesmo que eu abrisse a boca para pedir, Harry alinhou-
se entre minhas pernas, guiou seu membro até minha entrada e
penetrou-me com força. Fazendo-me não gemer, mas gritar.
— Tão bom... — arfei.
— Vai ser melhor se eu for mais rápido?
Não tive tempo de responder, minha perna foi erguida até o seu
ombro e o ritmo da penetração mudou.
Senti meu corpo ficar cada vez mais quente.
Quanto mais rápido ele mexia, mais forte minhas unhas
arranhavam suas costas. Seus gemidos eram abafados em meu
pescoço e sua mão apertava minha cintura como se eu fosse seu
bem mais precioso e ele não quisesse perder de forma alguma.
— Aperte essa boceta para mim, ok? — murmurou em meus
lábios.
Sorri com a sua ousadia.
Ah, ele está ficando melhor!
Fiz o que foi pedido, contraindo-me em seu pau, apertando-o
bem. Escutei-o gemer bem rouco.
— Isso é bom pra caralho... — arfou.
Sentindo meu corpo ser consumido pelas chamas. Ciente de
que o clímax estava se aproximando, puxei seus cabelos. Harry
olhou imediatamente para mim, suas íris esmeraldas me fitando
com atenção, enquanto eu ia perdendo o controle do meu corpo.
Entrelacei minha perna livre em sua cintura e o pressionei para
baixo.
Com mais algumas estocadas, minhas pernas tremeram com
força. O orgasmo tomou conta de mim. O recebi chamando seu
nome.
Antes que pudesse me recuperar da sensação maravilhosa,
Snow murmurou na minha orelha.
— Vire-se e fique de quatro, Emma. Eu quero gozar com a sua
bunda bem empinada para mim.
Merda, Snow!
Ela gosta quando estou todo bagunçado
E eu gosto quando ela está nua
Wrong | ZAYN (Feat. Kehlani)
Porra.
Eu fiz de novo.
E dessa vez foi pior. Fiz sem culpa alguma.
Eu realmente a fodi como queria. A toquei e pedi para fazer as
coisas que eu queria.
Ah, maldita Emma!
Mas... o que eu podia fazer? Emma Bright é uma tentação; sua
pele macia, que não sinto a menor vontade de parar de tocar; seus
lábios bons de beijar, que se não fosse pela falta de ar, não os
afastaria dos meus por um bom tempo; seu gemido é o mais
prazeroso que já escutei em toda minha vida de fornicação. Não dá
para vencer.
Será que consigo manter essa casualidade? Será que vamos
manter?
Ah, estou pensando demais, de novo.
Alguns minutos depois, ainda na cama, quase pegando no
sono, levantei-me e comecei a pegar minhas roupas no chão.
— O que você está fazendo? — Emma perguntou, ainda
deitada na cama.
— Humm... Pegando a minha roupa para vestir. — Não a
encarei.
— Por quê? Você disse que gosta de dormir sem roupa.
— É que eu ten… Eu disse? — Franzi o cenho. Não me
lembrava de fornecer aquela informação a ela.
— Sim, ontem, quando ficou bêbado com três taças de vinho.
— Três? — Franzi ainda mais o cenho.
Não achei que tinha ficado bêbado com tão pouco. Certo que eu
não tinha costume de ingerir vinho, e por isso me embriagava mais
rápido, mas três taças era muita humilhação.
Bright assentiu, confirmando.
— Eu coloquei você na cama e você disse que só iria dormir se
estivesse totalmente sem roupas. Não que eu tivesse me importado.
Foi uma bela visão… — Ela estava com um sorriso malicioso nos
lábios, tive que me segurar muito para não voltar para cama e beijá-
la nesse instante.
Pare de me seduzir, mulher!
— Pena que não fizemos nada, você apagou assim que se
deitou na cama. — Agora ela fez uma careta.
Pelo menos tirou as minhas dúvidas, não transamos ontem.
Não que isso fizesse diferença agora.
— Eu realmente não gosto de dormir vestido, mas eu não vou
dormir agora. Tenho que ir para casa. — Vesti a cueca com pressa.
— Fique comigo… — Emma levantou da cama mais rápido que
minha capacidade de questionar. Seu lindo corpo nu estava diante
de mim, fiquei olhando como se estivesse hipnotizado. Que droga
está acontecendo comigo? — Durma comigo. — Ela pediu.
Esforcei-me muito para pensar o que eu realmente iria fazer.
— Eu não posso, Emma. Amanhã tenho um compromisso bem
cedo.
— Mas você não trabalha amanhã. — Ela se aproximou ainda
mais de mim e tirou a calça das minhas mãos.
— Não é trabalho.
— Fique, Harry — sussurrou em meu ouvido.
Ela estava implorando por mim?
Cretinas não imploram por nada.
Suas mãos deslizaram pelo meu corpo, passando pelo meu
peito e abdômen, parando na barra da minha cueca. Emma enfiou a
mão pelo tecido e apertou de leve meu membro, e falou bem
devagar:
— Tem uma mulher aqui louca para ser fodida novamente,
porque ela gostou muito de como você fez as coisas dessa vez…
Então, se você for… — Sua voz era sensual, e cada palavra me
deixava mais duro. — Eu vou ficar puta e cheia de raiva de você. —
Emma deslizou a cueca pelas minhas pernas.
E eu estava nu novamente.
E de zero a cem, a probabilidade de eu estar completamente
enfeitiçado era duzentos, porque eu não conseguia fazer ou dizer
nada, a não ser responder aos seus comandos.
Emma me guiou de volta para a cama, onde me sentei e ela
subiu em mim. Sua boca foi de encontro à minha de uma maneira
extremamente selvagem.
Ela começou a esfregar sua intimidade no meu membro. Minhas
mãos estavam alisando suas coxas, então deslizei-as até sua bunda
e apertei. Bright soltou um gemido manhoso entre os beijos.
— Dentro de mim, Snow — pediu ela.
Eu acabei de dar três orgasmos a essa mulher e ela ainda quer
mais?
Segurei-a pela cintura com uma mão e a outra segurei meu
membro, roçando-o de leve em sua entrada, em seguida a
penetrando. Ela desceu lentamente, até o fim, para logo em seguida
começar a se movimentar.
Emma subia e descia bem devagar, contraindo-se no meu pau.
Aquilo era… Merda!… Era maravilhoso.
Quando pensei em segurar sua cintura para acelerar os
movimentos, Emma se levantou do meu colo e seguiu até a
cômoda, abrindo uma gaveta e pegando mais um pacote de
preservativos — foi realmente um pacote —. Ela se aproximou
novamente, abriu uma embalagem e colocou a proteção em mim.
— Você não quer criar problemas, não é? — Ela disse, se
posicionando no meu colo novamente. — Na próxima, podemos
fazer algumas vezes sem camisinha... — A mulher segurou o meu
pau e o colocou de volta na sua boceta. — Com certeza vamos
fazer... — gemeu, tomando meus lábios.
Eu nem consegui filtrar exatamente o que foi dito, minha mente
achou relevante só focar no “na próxima”.
Vai ter mais. Eu vou ter mais.
Eu era uma pessoa sexualmente ativa — não importa se pago
por sexo na maioria das vezes — e até então, nunca tinha
encontrado uma parceira que eu quisesse tanto como queria Emma
agora. Seu corpo se encaixava perfeitamente ao meu. Com certeza
aquela boceta tinha sido projetada para o meu pau entrar e brincar à
vontade.
Peguei-a pela cintura e troquei a posição, deitando-a. Comecei
a penetrá-la com mais força, mas mantendo o ritmo lento.
— Eu quero mais rápido, Harry... — Ela pediu, arranhando
minhas costas.
— Vamos devagar primeiro, Emma — respondi, rouco.
Não queria ser apressado, não sabia se no dia seguinte ou na
semana seguinte ainda teria mais disso. A “próxima vez” foi citada,
mas não ficou explícito o “quando”. Se a vida me deu um presente
desses, tenho que aproveitar bastante. Eu ainda não sabia as
consequências que esse meu envolvimento com ela traria, mas não
fugiria mais. Estaria pronto para dar o que ela me pedisse.
Prolongaria essa noite o máximo possível.
Cada movimento era forte, preciso.
Eu queria isso.
Era simplesmente tudo o que eu queria agora; foder bastante
com Emma Bright.
Acordei de supetão, como se tivesse levado um susto. Pisquei
várias vezes, para que os meus olhos se acostumassem à
claridade, antes de raciocinar onde estava. Tinha dormido mais uma
noite na casa da Emma.
Pelo menos dessa vez eu me lembrava do que tinha feito.
Emma não estava na cama e nem no quarto. Ao meu lado, tinha
uma toalha, roupas que não eram minhas, sapatos e meu celular.
Evidentemente eram para mim, mas eu fiquei confuso com o
motivo.
Só depois de muito encarar as peças que lembrei de ter dito a
Emma que iria sair. Fiquei surpreso por ela ter providenciado roupas
limpas para mim mais uma vez.
Antes de me levantar, peguei meu celular. Tinha cinco ligações
perdidas de Lan e três mensagens.
Landon Thompson:
Eu liguei para você e vossa senhoria não estava atendendo.
Você foi tentar comer a sua chefe ou está gastando dinheiro com
boceta?
Acho bom você lembrar que amanhã tem meu jogo em Doncaster.
Se você não for, Harry, eu vou arrancar suas bolas, fritar e dar para
você comer à força!
Ainda bem que eu não atendi as ligações, sabia que ele iria
berrar.
Faltavam quinze minutos para às oito. Tinha pouco tempo para
me arrumar, comer alguma coisa e chegar em Doncaster antes que
o jogo começasse. Peguei a toalha na cama e fui para o banheiro.
Liguei o chuveiro e deixei a água quente cair em meu corpo. Por
um momento, fiquei perdido nos meus pensamentos, tendo
flashbacks da noite anterior, de como tudo foi bom. Estava tão
distraído que só notei que a Emma tinha entrado no box quando ela
me envolveu com os braços, passando as mãos na minha cintura,
subindo para o meu peito e descendo pelo meu abdômen.
Fiquei acompanhando os movimentos, seguindo suas mãos
com os olhos. Ela começou a mordiscar minhas costas e distribuir
beijos por ela. Ao virar-me, pude contemplar o corpo nu da mulher,
que sorria para mim.
Com o tesão já tomando conta do meu corpo, não pensei duas
vezes, enterrei minha mão em seu cabelo e puxei-a pela cintura.
Meus lábios foram de encontro aos dela, encaixando-se
perfeitamente. Minha língua percorria cada canto de sua boca como
se nunca tivesse estado naquele lugar antes.
Emma ergueu a perna direita até minha cintura e peguei a outra,
fazendo-a entrelaçá-las na minha cintura e apoiei suas costas na
parede.
— Eu queria muito, muito mesmo, fazer isso agora… — falei,
ofegante.
— E por que não faz? — ela perguntou, mordendo o meu lábio.
— Eu tenho que ir para Doncaster.
— Doncaster?
— Sim, assistir uma partida de futebol. Landon, aquele meu
amigo que você conheceu no restaurante, vai jogar. — Emma
abaixou o olhar e suspirou desanimada.
— Tudo bem. — Ela disse por fim, mas voltou a sorrir. — Só que
eu não vou sair daqui sem antes gozar, Harry, faça o seu trabalho.
Aquilo era algo que realmente a Emma diria.
Não querendo desobedecê-la, tirei-a do meu colo e me ajoelhei
na sua frente. Bright abriu as pernas para mim, apoiando uma em
meu ombro.
Inclinei o rosto para chegar mais perto, admirando aquela parte
deliciosa. Fitei-a enquanto passava a língua pela sua intimidade.
— Isso, isso… — Ela gemeu, levando uma mão até meu cabelo,
enrolando alguns fios nos seus dedos e os puxando cada vez mais
forte. Ela soltava pequenos gemidos, abafados pelo barulho da água
que caía.
Por mais que fosse extremamente satisfatório saboreá-la, eu
não queria me atrasar para o compromisso marcado — Landon
poderia realmente cortar minhas bolas —, então comecei a chupar
seu clitóris e penetrei dois dedos em sua boceta.
Emma ficou contente, pois até sorriu enquanto puxava meu
cabelo e arranhava o próprio seio.
Empurrando meu rosto para mais próximo de si, ao mesmo
tempo em que rebolava os quadris descaradamente no meu rosto,
Bright fixou seu olhar no meu. Seu rosto assumiu o tom
avermelhado, anunciando que ela estava prestes a gozar.
Juntei um terceiro dedo em sua boceta molhada e movi minha
língua apenas para o seu ponto sensível. Seu abdômen se contraiu,
ela gozou segundos depois, fechando os olhos e pendendo a
cabeça para trás.
Levantei-me e selei nossos lábios brevemente.
— Sempre tão bom… — disse Emma depois de um tempo, um
pouco atônita. — Termine seu banho. Pedirei para Elena preparar o
café da manhã.
— Não precisa se preocupar. Vou para Doncaster de carro,
posso comer alguma coisa no caminho.
— Você falou isso na outra vez e não comeu nada — retrucou.
— Vamos no jatinho da empresa, para não ter atraso.
— Vamos? — Afastei-me um pouco dela.
— Vou assistir esse jogo com você.
— Por quê? — franzi o cenho.
Não que eu fosse ser rude e dizer que não tinha a convidado,
apenas queria saber por que ela sairia do conforto do lar para ir
comigo em um jogo de futebol em outra cidade. Comigo!
Emma deu de ombros e sorriu.
— Apenas quero te acompanhar. Vai ser bom… — Ela me deu
um selinho rápido e afastou-se, saindo do box.
Fiquei paralisado e com os olhos arregalados.
Meu coração começou a bater exageradamente forte. Visto que
poderia cair no chão, apoiei umas das mãos na parede.
Iríamos sair juntos.
Isso é considerado um encontro?
Não, claro que não. Que loucura.
Recuperei-me do surto desnecessário e voltei a tomar banho.
Por um momento, comecei a sorrir.
De qualquer forma, ainda iríamos sair.
Terminei o banho e saí do banheiro. Tirei a toalha que estava
enrolada na minha cintura e usei-a para secar o cabelo. Peguei a
roupa na cama e comecei a vestir.
Era casual: calça preta, camisa cinza e tênis All Star. Eu
passava tanto tempo usando sapato social que tinha até esquecido
como era bom usar um tênis.
Ajeitei os cabelos, peguei o celular na cama e saí do quarto em
seguida. Como eu tinha chegado ao quarto da Emma às cegas, eu
me perdi um pouco entre os corredores até chegar à sala.
Um cheiro agradável de ovos mexidos com bacon invadiu o ar.
Assim que cheguei à cozinha, avistei a senhora Evans preparando o
café da manhã. Emma estava sentada em uma das cadeiras do
balcão, ela acenou para mim.
— Bom dia, Bright — cumprimentei, ao me sentar ao seu lado,
tentando ao máximo soar casual.
— Bom dia, Snow.
— Bom dia, senhora Evans — cumprimentei a mulher também,
quando ela se aproximou do balcão para colocar os pratos, copos e
os talheres.
— Bom dia, Harry. Ovos mexidos com bacon, você gosta?
— Sim — respondi, um pouco envergonhado. Vou infartar. —
Pelo cheiro, parece ótimo.
— Espero que você goste.
Sorri gentilmente.
— Que horas vai ser o jogo, Harry? — perguntou Emma.
Olhei para ela rapidamente. Rápido mesmo.
— Às nove e meia.
— Ok. Já mandei reservar o jatinho. No máximo, em meia hora
chegaremos em Doncaster.
— Você pode pegar o jatinho da empresa para fins particulares?
— Foi uma pergunta idiota, afinal ela já tinha quebrado as regras da
empresa uma vez, sem contar que a empresa era dela também,
mas eu estava tentando manter uma conversa.
Se eu ficasse calado, começaria a pensar, e não demoraria
muito para minha mente divagar em uma Emma pelada e de quatro
para mim.
Desviei o olhar quando soube que estava vacilando e ficando
excitado.
Chega de constrangimento por esse mês.
— Eu digo que quero usar o jatinho e pronto — respondeu
Bright, simplesmente.
Claro!
Apenas assenti.
— Aqui está. — A senhora Evans serviu a comida nos pratos e
colocou suco de laranja nos dois copos.
— Obrigado — agradeci. Peguei o garfo e a faca que estavam
do lado do meu prato e comecei a comer.
E realmente estava uma delícia. Aquela mulher tinha
conseguido transformar uma refeição incrivelmente simples em algo
maravilhoso. Talvez eu devesse pedir algumas dicas para ela, tinha
quase certeza de que algum dia desses eu acabaria me
envenenando com a minha própria comida.
Depois que terminamos de comer, fiquei esperando Emma na sala
enquanto ela buscava suas coisas. Pude notar que a senhora Evans
não parava de sorrir para mim e movido por curiosidade, resolvi
perguntar se isso tinha algum motivo em particular.
— Não, não. Apenas gosto de ver como vocês ficam juntos.
— Ah! — Anuí, mas arregalei os olhos ao notar que aquilo foi
bastante sugestivo. — Não! Não estamos juntos.
— Não? — a mulher franziu o cenho.
Certo, eu estava ficando constrangido. Ela sabia o que eu
estava fazendo com Emma e eu sabia que ela sabia, mesmo assim
eu estava ficando sem jeito.
— Não — neguei novamente.
— Hmm... Vocês vão sair hoje, isso é bom.
— É só um jogo de futebol em Doncaster.
— Ainda assim, é um começo.
Senhora Evans, para de se sustentar meus devaneios.
— Começo? — perguntei confuso, mas a mulher não me
respondeu, apenas sorriu e saiu do cômodo. Pensei em chamá-la e
pedir para me explicar o que disse, porém vi Emma descer as
escadas.
Parecia até que ela estava em câmera lenta, e por um momento
até achei que estava babando. Sua saia jeans azul deixava suas
lindas pernas expostas e a regata branca fazia com que seus seios
ficassem perfeitamente desenhados no tecido. Os seus cachos
volumosos estavam presos em um rabo de cavalo.
A megera era tão linda.
— Vamos? — perguntou ela, ao se aproximar.
— Claro. — Assenti.
Acompanhei-a até a porta e seguimos para o elevador.
— Vamos no meu carro — disse Emma, assim que saímos do
edifício. Tinha uma BMW estacionada na frente.
Hesitei por alguns segundos, mas quando lembrei que ir com o
motorista dela era melhor do que deixar meu carro estacionado em
qualquer lugar, entrei. Eu tinha menos de uma hora para chegar em
Doncaster, mas como a viagem não seria de carro, sabia que daria
tempo.
No meio do caminho até a empresa, lembrei que tinha que ligar
para Lan e avisar que eu estava levando a Emma comigo. Tirei o
celular do bolso e liguei para ele.
— Lan?”
— Oi, Harold. Não estou te vendo, onde está?”
— Eu ainda não cheguei.”
— E onde você está?”
— Hmm… Estou perto, Lan — menti, para evitar alguns berros.
— Só liguei para avisar que é para deixar duas credenciais na
bilheteria.
— Por quê? Sua irmã vem também?
— Não… é a Emma.
— Você a chamou?
— Digamos que ela que se ofereceu… — falei como se
estivesse contando um segredo.
— Porra, você precisa me explicar essa história o mais rápido
possível, não estou entendendo nada. Nunca saiu com o outro chefe
lá que você idolatrava, e com a Emma já está assim?”
— Juro que te explico depois, Lan.” — assegurei mais uma vez.
— Hoje foque no jogo.
A verdade era que eu também não estava entendendo nada.
— Tudo bem, tudo bem. Vou falar com o Sullivan para deixar as
credenciais na bilheteria. E faça o favor de não demorar, o jogo
começa daqui a pouco.
— Eu já estou chegando. Acalme os seus ânimos.
— É um jogo importante, quero meus amigos por perto para me
apoiar. — Thompson pareceu nervoso na ligação.
— Eu sei, Lan. Vai dar tudo certo.
— Obrigado, Harold. Estou te esperando.
— Até daqui a pouco. — Desliguei.
Coloquei o celular no bolso e encostei-me ao banco. Emma
repousou a mão em minha coxa, mas estava olhando para o lado de
fora do carro, pela janela. Ela estava com o semblante pensativo.
Gostaria de saber o que se passava na cabeça dela.
É meu desejo que você alimenta
Você sabe exatamente o que eu preciso
Você tem poder, poder
Você tem poder sobre mim
Power | Isak Danielson
Chegamos em Doncaster às nove e vinte. Pegamos um táxi e fomos
para o estádio. Demorou menos de dez minutos até lá. Passei na
bilheteria e peguei as credenciais. Fui direto falar com Landon no
campo.
— Lan! — gritei, acenando.
— Até que enfim você chegou, cacete! — Ele correu em minha
direção, me abraçando assim que chegou perto.
— Você é um apressado sem paciência! — retruquei, olhando
ao redor. — Isso aqui está bastante cheio, não é?
— Sim, da última vez não tinha nem metade disso. — Os olhos
do meu amigo se voltaram para mulher atrás de mim. — Oi, Emma.
— Ele acenou para a ela. — Obrigado por vir, e desculpa se ficar
entediada, esse não é o melhor lugar para um encontro.
Olhei feio para o Lan.
— Isso não é um encontro — murmurei.
— Eu gosto de futebol. — respondeu Bright, dando de ombros,
e ignorando o comentário do Landon.
— Sério? — perguntei, virando o corpo em sua direção.
— Sim. Eu sempre joguei na escola, desde que tinha treze
anos. E fui capitã do time na faculdade.
— Isso é bom. — Landon sorriu, contente. — Talvez você possa
mostrar ao Ha...
— Você não vai fazer isso hoje, Landon Thompson! — o
interrompi. — Volte para o seu aquecimento. — Empurrei-o pelos
ombros.
— Ficou vermelho? Eu nem terminei a frase — disse ele, rindo.
— Apenas suma! — brandei. — E faça um bom jogo. — Sorri no
final.
Antes que ele falasse qualquer coisa, dei as costas, segurando
a mão da Emma, e fui para a arquibancada.
— Seu rosto cora quando você fica sem jeito... — disse Emma,
enquanto andávamos. — Isso é adorável.
— Por favor, não piore a minha situação — pedi.
Nossos lugares ficavam bem perto do campo, assim dava para
ver melhor o jogo. Os outros rapazes já estavam lá — Dylan,
Thomas e Isaac, que estava acompanhado da Camille, sua
namorada. Emma se assustou um pouco ao ver Isaac, mas falou
com ele e cumprimentou os outros.
O jogo começou dez minutos depois. Subdivisão de Doncaster
contra subdivisão de San Germany. Confesso que estava um pouco
nervoso. Esse seria um jogo importante, alguns jogadores seriam
escolhidos para jogar no time oficial. Eu estava torcendo para que
Lan conseguisse, era o sonho dele se tornar um titular.
Trinta minutos depois, Doncaster fez um ponto, gol de falta
cobrado pelo Lan. Ele estava se saindo muito bem, não era
nenhuma novidade.
— Filho da puta! — Emma gritou e levantou-se da cadeira,
quando o juiz marcou falta para o time adversário. — Foi falta? Está
cego?
Fiquei surpreso. E não poderia duvidar que ela realmente
gostava de futebol, afinal, passou a maior parte do tempo inquieta e
xingando o juiz.
Vinte minutos depois, chegou o intervalo para o segundo tempo.
Emma me chamou para comer alguma coisa enquanto isso, aceitei.
— A lanchonete é para lá — informei, quando a Bright me puxou
para o lado oposto.
— Eu sei — disse ela simplesmente, arrastando-me até a
escada de emergência.
— Emma? Que diabos você está tentando fazer?
— Shh! Entre logo. — Ela me empurrou e fechou a porta,
encostando-se a ela. — Parte boa: não tem câmeras.
— Eu pensei que você disse que queria comer, não se
esconder... aqui.
— Comer, ser comida, tanto faz... — A mulher deu de ombros e
se aproximou de mim, adentrando as mãos na minha camisa. —
Quinze minutos até o jogo começar. Seja rápido, Snow, não temos
direito a acréscimo.
Estava incrédulo com sua atitude, mas poderia parar para
refletir sobre isso depois. Agora, eu só queria dar a ela o que pediu.
Inclinei-me para frente e pressionei meus lábios nos dela,
agarrando seus cabelos e prensando-a contra a parede.
— Você é maluca, sabia? — disse em sua boca, mas sorrindo.
— Se nos pegarmos, estamos fodidos.
Minha ereção apareceu de forma instantânea — um feito que
Emma conseguia com muita facilidade — e estava pulsando em sua
barriga. Emma ergueu uma perna na minha cintura.
— Coloca o pau para fora — disse ela, um pouco apressada e
sem fôlego por causa do beijo. Fiquei levemente assustado. — Pare
de me olhar assim... Ande logo.
— Tudo bem. — Afastei-me dela o suficiente para abrir a calça,
entrando de vez naquela situação.
Desci o zíper e coloquei o pau para fora. Levantei sua saia e
juntei meu corpo novamente ao dela, voltando a beijá-la. Levei
minhas mãos até suas coxas e puxei-a para meu colo, onde ela
entrelaçou as pernas na minha cintura.
Uma das minhas mãos passeava entre sua coxa e bunda, a
outra eu roçava de leve por cima do tecido da calcinha, que estava
completamente molhada. Em um momento, as mãos de Emma
foram de encontro a minha e as afastou, segundos depois eu
escutei um barulho de tecido rasgando.
— Você rasgou? — perguntei, confuso.
— Não ligue para isso. Dentro de mim, Snow... — Sua mão saiu
do meio de suas pernas, trazendo um preservativo.
Céus, ela tinha planejado isso?
Ainda atordoado, com medo de ser pego e com um membro
pulsando, deixei que Emma colocasse o preservativo em mim e
direcionasse o meu pau até a sua entrada. Penetrei-a rapidamente.
— Isso! — Suas mãos voltaram a puxar meu cabelo com força.
Quando comecei a me movimentar, ela gemeu um pouco alto.
— Acho que... você tem que fazer silêncio... — advertir. —
Podem escutar.
— Duvido que mais alguém venha aqui para trepar.
Tive que sorrir com sua ousadia.
Abri um pouco mais suas pernas para que as estocadas
ficassem mais rápidas e eu pudesse ir mais fundo.
Emma mordeu meu pescoço quando comecei a penetrá-la com
mais força e apertava cada vez mais as pernas na minha cintura.
A ideia de estar transando em uma escada de emergência de
um estádio de futebol deixava a foda ainda mais excitante.
Fui acelerando meus movimentos e sentindo que estava
chegando ao meu limite. Bright puxou meu rosto para ela, juntei a
minha testa à sua. Cada um puxando ar com força.
Meus olhos estavam bem fixos aos dela, eu me vi perdido —
como se uma avalanche de sentimentos tivesse me atingido no
momento. Tentei afastar os pensamentos e focar no que estava
fazendo.
Bright apertou ainda mais as pernas na minha cintura e segurei
seus quadris para aprofundar as estocadas, seu corpo se chocando
contra a parede. Ela se esforçava para não produzir muitos sons,
mas sempre dizia “mais rápido, Snow”.
Pressionei minha boca contra a dela, para abafar o som do seu
gemido. Gozamos em perfeita sintonia quando eu meti fundo.
Esperei alguns segundos para controlar a respiração antes de
me afastar, retirando o preservativo do meu pau e o amarrando.
Emma se afastou quando percebeu que precisava se ajeitar. Ela me
entregou um lenço de papel para colocar a camisinha usada, em
seguida tirou a calcinha rasgada e vestiu uma nova que pegou na
bolsa.
— Você planeja tudo... — comentei, olhando perplexo para ela.
— Gosto de lugares diferentes. Não iria perder a oportunidade
de foder aqui. — Emma ajeitou a roupa e o cabelo. Pronto, lá estava
ela: impecável, como se nada tivesse acontecido. — Vamos, o jogo
já vai começar.
Ajeitei o cabelo e passei a mão no rosto, então saímos da
escada de emergência.
Eu certamente surtaria com isso depois, e não conseguia
imaginar em que mais essa mulher poderia me surpreender.
Joguei o papel no lixo e passei na lanchonete, peguei um copo
grande de Coca-Cola. Eu nem era muito fã de refrigerante, mas
precisava repor as energias com bastante açúcar.
Voltamos para a arquibancada e o jogo começou. Encostei-me
bem no meu assento e comecei a tomar a bebida. Esforcei-me para
não ficar pensando muito nos eventos de agora pouco e prestar a
atenção ao jogo.
O que foi um pouco difícil, já que a Emma estava ao meu lado,
com seu rosto um pouco corado, e volta e meia sorria para mim.
O jogo terminou. O time de Doncaster ganhou de quatro a um
do San Germany. Foi um jogo e tanto. Lan tinha feito três gols e um
passe para o último. Agora o time estava comemorando, então optei
por falar com Landon à noite, quando ele estivesse em casa, ou no
dia seguinte, pois provavelmente sairia para beber com seus
colegas.
Por volta de uma e quarenta da tarde, chegamos em Londres.
Ficamos na frente da empresa, esperando o motorista. No momento
em que o homem estacionou o carro, meu celular tocou.
— Só um momento — disse para Emma, que assentiu e entrou
no carro.
Tirei o celular do bolso e vi que era uma chamada de Landon.
— EU CONSEGUI! — ele gritou.
— O quê?
— O contrato. Sou o novo atacante do time de Doncaster.
— Porra! Meus parabéns, Lan! Você jogou muito bem, fico feliz
por você. — falei, extremamente animado.
— Obrigado, Haz. — Até sua voz demonstrava felicidade. —
Bom, acho que eu vou demorar aqui. Você pode passar lá no
restaurante amanhã, será minha comemoração com vocês. Hoje
vou comemorar a vitória com o time, alguns colegas também
conseguiram o contrato.
— Tudo bem. Maneire na bebida.
— Eu não sou fraco que nem você, Harold — retrucou
ferozmente.
— Estou apenas avisando, criança grosseira.
— Blá, blá, blá. Até amanhã, Harry. Temos coisinhas para
conversar.
— Que coisinhas?
— Amanhã, meu querido Harold. Amanhã.
— Lá vem você. — Revirei os olhos, sabendo do que se tratava.
— Tchau, Lan.
Desliguei a chamada.
Entrei no carro e fechei a porta. Estranhamente, tinha uma tela
de vidro escuro entre o lado do motorista e onde nós estávamos. Eu
estava com a Emma tempo o suficiente para saber que ela iria
aprontar alguma coisa, então não disse nada, apenas me acomodei
no banco.
Quando estávamos próximos a Union Street, Emma pousou a
mão em minha coxa, movendo-a para cima e para baixo.
Acompanhei seus movimentos até que, com muita agilidade, a mão
subiu e adentrou minha calça, apertando meu membro. Soltei o ar
com força. Ela tinha mãos tão macias, que era impossível não ficar
satisfeito com seus toques. Com a outra mão, Emma abriu o botão
da minha calça e desceu o zíper.
— Eu não acredito que você quer fazer isso aqui no carro... —
disse arfando, seus movimentos tinham ficado mais precisos.
— Não acredita que farei uma coisa tão simples como essa? —
ela arqueou uma das sobrancelhas. — Você sempre faz o que eu
quero, então considere isso como um bônus pela foda na escada de
emergência. — A mulher se levantou e ficou posicionada na minha
frente, de joelhos. O carro era espaçoso, o corpo dela coube
perfeitamente no lugar. — Vou fazer você gozar antes mesmo de
chegarmos ao meu apartamento... — Dito isso, ela colocou meu pau
para fora da cueca e o atacou com a boca.
Pendi a cabeça para trás, recostando no banco. Deixei que um
gemido escapasse.
A boca dela fazia um verdadeiro estrago. Ela chupava com
vontade, dando pressão em lugares específicos que me faziam
querer gozar imediatamente.
Eu nem sabia se podia fazer barulho, mas deixei minha voz
solta, saboreando cada sensação que aquela boca me
proporcionava, sentindo tocar sua garganta.
Emma continuou com os movimentos até que meu abdômen se
contraísse e eu não aguentasse mais segurar. Gozei em sua boca
observando-a, pela primeira vez, engolir toda porra.
Ah, sexy pra caralho.
— Eu gosto de fazer isso — disse ela, lambendo os lábios,
então se levantou e sentou-se em meu colo, distribuindo beijos pelo
meu pescoço. Meu peito subia e descia rapidamente e eu tentava
controlar a respiração. — Há tempos que eu não ficava tão animada
assim. Você tem algo que eu quero provar por mais tempo, Snow...
— Ela sussurrou em meu ouvido, começando a se remexer no meu
colo, esfregando sua intimidade no meu membro, que ainda estava
para fora.
Cacete! Eu acabei de gozar e já quero entrar nessa mulher.
Mas antes que eu pudesse fazer qualquer coisa, o carro parou
no Royal Garden. Emma saiu de cima de mim, ajeitando a roupa.
Ajeitei meu pau na calça e saí do carro.
— Você pode pedir para buscarem meu carro? — falei para
Emma.
— Hmm... Você tem que buscar suas roupas. Aqui não é a sua
casa. — E essa foi sua forma de me convidar a entrar.
— Claro — assenti.
Assim que entramos no elevador, o celular da Emma tocou.
— Oi, Bennett. Eu estava realmente esperando sua ligação... —
disse ela, atendendo a chamada.
Olhei para a parte superior do elevador em busca da câmera.
Para a minha sorte, a câmera era igual a dos elevadores da
empresa. Não era aquela coisa exagerada e extravagante que
ficava presa no teto, parecia mais um olho mágico, assim poderia
passar despercebida. Peguei o adesivo que tinha vindo junto com as
credenciais do jogo em Doncaster, era a logo do time, tinha o
tamanho perfeito para cobrir a câmera. Tirei o adesivo do papel de
proteção e colei na câmera.
— Claro... Amanhã mesmo eu posso lhe passar isso... — Emma
continuava falando com o Bennett, que eu não fazia a menor ideia
de quem era.
Aproximei-me da mulher, empurrando-a até que encostasse no
painel do elevador. Ela me olhou confusa.
Ok. Eu também não sabia exatamente o que eu estava fazendo,
e talvez estivesse motivado por uma ousadia desconhecida, mas de
uma coisa eu sabia: eu precisava fazer isso. E já que ela me
provoca tanto, não custa nada dar o troco.
Eu só esperava que ninguém resolvesse apertar o botão para o
elevador parar.
Juntei meu corpo ao dela e levei meus lábios até seu pescoço,
onde dei leves beijos, passando a língua algumas vezes. Emma
soltou a bolsa no chão e agarrou meus cabelos.
— E-eu... vo-vou... Ai meu Deus!... Não, eu estou bem...
Coloquei a minha mão debaixo da saia dela e não perdi tempo,
puxei o tecido da sua calcinha para o lado e dedilhei sua intimidade,
parando no clitóris, fazendo movimentos circulares bem devagar.
Emma fechou os olhos e mordeu os próprios lábios para não acabar
gemendo.
— Bennett... eu te ligo depois. Eu tenho... — Comecei a
movimentar os dedos mais rápido. — Depois eu ligo! — disse
apressada e jogou o celular em cima da bolsa. Agarrou meu cabelo
com as duas mãos e invadiu a minha boca com a sua língua. — O
que pensa que está fazendo?
— Eu não sei..., mas acho que você está gostando, está tão
molhadinha — sorri.
— Por que não estaria, se você faz tudo tão bem? — Sua boca
atacou a minha novamente.
Levei minha outra mão até seu cabelo e puxei o elástico que o
prendia.
É estranho, eu sei, mas adoro seus fios soltos. Posso até
afirmar que sinto mais tesão assim.
— A câmera... — Ela parou de me beijar, tentando se afastar.
— Eu dei um jeito. — Emma olhou para a câmera e viu o
adesivo colado, então sorriu. Estendendo a mão, ela digitou alguns
números no painel do elevador e ele parou.
— Temos alguns minutos até notarem que o elevador parou. —
Ela mordeu meu lábio inferior e o puxou. Deslizei meus dedos até
sua entrada e os penetrei. O doce som do seu gemido tomou conta
daquela cabine e nada poderia ser mais gratificante para mim
naquele momento. — Eu... quero... você dentro de mim... — Era
maravilhoso vê-la tentando se concentrar para falar. — Seu pau,
não seus dedos. Eles são bons, mas eu quero algo maior.
Olhei em seus olhos. Um terceiro dedo se juntou aos dois que
estavam entrando e saindo dela e meu polegar ia estimulando o
clitóris, fazendo-a gemer mais alto e esmagar meus dedos.
Apoiei a cabeça em seu ombro, mas não fiquei lá por muito
tempo, já que Emma puxou meu cabelo, fazendo com que eu
erguesse a cabeça para olhá-la. Então comecei a estimulá-la mais
rápido, ela estava perto.
E assim, contemplei-a desfazer-se em meus dedos.
— Você é tão linda... — disse eu, selando seus lábios algumas
vezes antes de me afastar.
— Você está se tornando rebelde muito cedo, Snow. Eu disse
que queria o seu pau, agora vai ter que terminar o que começou —
reclamou ela, sem fôlego e começou a se ajeitar.
A luz do elevador piscou e ele voltou a se mover. Tínhamos
parado no vigésimo quinto andar.
— Você é incansável — comentei.
— Quando eu cansar, você será o primeiro a saber... Afinal, vai
estar em cima de mim ou atrás — Emma sorriu, passando o cabelo
cacheado pelos ombros.
A forma com que ela era direta me assustava, mas também me
deixava animado.
Mas eu não queria que ela se cansasse de mim.
Comecei a sentir um desconforto em minhas calças, devido ao
meu pau ter dado sinal de vida.
Chegamos ao trigésimo andar e saímos do elevador. Emma
abriu a grande porta de vidro e entramos no apartamento. Havia um
homem sentado no sofá, trajando um caríssimo terno Louis Vuitton.
Era o senhor Bright.
— Pai? — indagou Emma, assustada.
— Até que enfim você chegou. Onde você estava, Emma? — O
mais velho perguntou, e parecia estar com raiva de alguma coisa.
— Em Doncaster. — Emma respondeu, jogando a bolsa no
sofá.
— Boa tarde, senhor Bright — falei. Pode até parecer mentira,
pois eu já estava há cinco anos na empresa, mas eu não tinha visto
o senhor Jeffrey Bright muitas vezes, e a maioria foi nas festas da
empresa e reunião de Setores.
E, nesse momento, o senhor Bright não sabia, mas ele estava
sendo o maior empata foda do planeta.
— Boa tarde, Snow — respondeu, acredito que por pura
educação.
Emma sentou-se no sofá, e eu não tive escolha a não ser fazer
o mesmo. Sentei-me na outra ponta, longe dela.
— O que você estava fazendo em Doncaster com seu
assistente? — O homem perguntou como se a filha tivesse cometido
um crime. Abaixei a cabeça, nervoso. — E por que demorou tanto
para chegar? Faz tempo que a recepção me disse que você estava
subindo.
— Fui assistir uma partida de futebol, um dos jogadores é amigo
do Snow. E o elevador parou do nada, esperei até que voltasse ao
normal. — Continuei calado. — Não vai me dizer que estou proibida
de me divertir também?
— Sabe que não é disso que estou falando. — Escutei o senhor
Bright suspirar pesadamente. —Preciso falar com você. Em
particular.
— Vamos conversar no meu escritório. — Emma levantou-se do
sofá e começou a andar. Seu pai a acompanhou.
Eu estava sozinho naquela sala, olhando para as paredes e
ainda excitado. Sabia que a reunião com o pai iria demorar e não
tinha mais razão para eu estar ali, então me levantei e caminhei até
a porta. Porém, assim que abri, escutei a senhora Evans me
chamar.
— Já estava de saída? — indagou ela. Assenti. — Fique mais
um pouco.
— Não, obrigado. Eu só vim acompanhar a Emma até aqui e
pegar as minhas roupas, mas não sabia que o senhor Bright a
aguardava para conversar.
— Só um momento que eu pego suas roupas. — A senhora
Evans se afastou e subiu as escadas. Minutos depois, ela retornou
com uma sacola em mãos. — Aqui. Todas lavadas.
Aproximei-me e peguei a sacola em sua mão.
— Desculpe pelo incômodo e muito obrigado.
— Não foi incômodo algum, Harry. — A mulher sorriu simpática.
— Tenha um ótimo dia.
— Igualmente, Harry, e espero que volte aqui mais vezes. —
Seu sorriso aumentou.
A recepção foi melhor do que a da Emma, que saiu sem nem ao
menos me dizer se era para ir ou ficar.
Acenei para a mais velha e saí do apartamento. Caminhei pelo
longo corredor e apertei o botão para chamar o elevador, que abriu
suas portas.
Acho que esse era o momento exato em que eu já poderia
surtar, pois assim que as portas se fecharam e o elevador começou
a descer, vi-me em um estado de confusão mental.
Eu fiz o que fiz e não estava arrependido, mas me sentia vazio
agora. Não podia explicar esse sentimento com clareza, mas podia
afirmar que já o senti antes... E espero que não chegue a tal ponto.
Meu olhar pousou no adesivo que eu tinha colado na câmera,
rapidamente o retirei de lá, acenando para quem quer que estivesse
do outro lado.
Quem diria que um dia eu masturbaria uma mulher em um
elevador, receberia um boquete no carro, foderia com ela em uma
escada de emergência de um estádio, faria sexo oral no banheiro de
sua casa... E até seria arrastado de uma festa para transar.
Definitivamente começamos a nossa relação de um jeito intenso
e estranho.
Duas da manhã e nada. Eu não conseguia pregar os olhos.
Dizem que quando você não consegue dormir é porque alguém
está pensando em você. Mas era perfeitamente o contrário: eu não
conseguia dormir porque estava pensando em uma pessoa que
devia estar dormindo tranquilamente nesse momento.
E tudo que me impedia de fazer o mesmo tinha nome e
sobrenome: Emma Bright.
Todos os meus momentos com ela estavam muito presentes em
minha mente. Fechando os olhos, eu podia sentir seu toque, seu
gosto, sua boca na minha, seu corpo junto ao meu...
O que resultou em uma ereção. Meu pau não descia de maneira
alguma.
Muito obrigado, forças dos céus!
Tirei o lençol do corpo e me levantei da cama, indo direto para
o banheiro. Não tinha outra alternativa, se não me aliviar. Bem
melhor que ficar com as bolas doendo depois.
Olha só a que ponto cheguei; tendo que dar uma de
adolescente em plena puberdade porque não conseguia parar de
pensar em uma boceta.
Fui direto para o box e liguei o chuveiro. A água quente banhava
meu corpo enquanto minha mão trabalhava lá embaixo.
Estranhamente, não sentia a mesma sensação de antes. Não que
me masturbasse com uma frequência, mas sabia que tinha algo
errado.
Era só o que me faltava, meu pau com vontade própria.
Continuei me tocando até gozar, porém, para minha completa
frustração, ainda estava ereto.
— Aquela mulher não vai aparecer aqui de madrugada e eu não
sou louco de ir até a casa dela como um maníaco do sexo para
pedir tal coisa — falei para mim mesmo, como se fosse adiantar de
alguma coisa. — Transamos hoje mesmo, não há necessidades
desse tesão todo.
Sabendo que não faria diferença, virei-me e peguei o sabonete
líquido, passando no corpo de forma preguiçosa.
Foda-se. Quer ficar duro, que fique.
Eu só precisava dormir.
Você me pegou na minha fraqueza
E eu vou me apaixonar por você
At My Weakest | James Arthur
Aproveitei o domingo de manhã para me exercitar, tinha muito
tempo que não ia para a academia. Passei quatro horas no
estabelecimento, saí de lá apenas quando já estava exausto.
Antes de ir para casa, comprei um sanduíche de peito de peru com
alface em uma lanchonete. Como estava suado e fedido, não fiquei
por lá.
Ao chegar no segundo quarteirão antes da minha casa,
encontrei uma garotinha quase dentro de um cesto de lixo, apoiada
em uma caixa, tentando pegar algo no cesto. Ela era muito
pequena, poderia até cair dentro do cesto caso se esticasse mais.
Ao me aproximar, vi que ela conseguiu pegar algo de dentro: um
saco manchado. A garotinha o abriu e tirou o que tinha dentro, que
eram restos de comida. Ela cheirou e balançou a cabeça, quando
fez menção de colocar aquilo na boca, gritei:
— Não faça isso! — Ela olhou para mim assustada e se
encolheu ao lado do cesto. Aproximei-me devagar, a criança fechou
os olhos, tremendo. — Eu não queria ter gritado com você, me
desculpe — disse brando.
— Não me machuque — pediu ela, quase chorando, sua voz
era baixa.
— Não vou te machucar. — Agachei-me para ficar mais perto
dela.
— Não? — Ela continuava com os olhos fechados.
— Não. Claro que não.
Agora de perto, pude ver que suas roupas estavam sujas, assim
como sua pele. E se estava procurando comida no lixo, ela poderia
ser moradora de rua.
Olhei para o sanduíche em minhas mãos e depois para a
criança.
— Você gosta de sanduíche?
— Sim. — Ela abriu os olhos, suas íris eram verdes, iguais as
minhas.
A expressão dela mudou de medo para curiosidade. A pequena
tinha um rosto muito bonito e, apesar de maltratados, seus cabelos
eram cacheados.
— Eu tenho um aqui. Você quer? — disse.
— Você vai me dar?
— Claro. É todinho seu. — Entreguei o saco com o sanduíche
para ela, que abriu e começou a comer no mesmo instante.
Sentei-me no chão e fiquei olhando a pequena garota comer,
em parte para me certificar que ela não voltaria a pegar o saco no
lixo.
Pelo menos não enquanto eu estivesse ali.
— Onde você mora? — perguntei.
— Eu não tenho casa... Papai nos colocou na rua, foi o que a
mamãe disse — respondeu, enquanto comia.
— E onde está a sua mãe?
— Ela foi... procurar comida. — A garota parou de comer e
enrolou o resto do sanduíche no saco. — Eu vou guardar para a
mamãe.
Meu coração se apertou no peito.
— Não precisa, você pode comer tudo — falei.
— Não, a mamãe está com fome também.
Meu coração, meu coração, meu coração.
— Quando você vai dormir com sua mãe, onde você fica?
— Para lá! — Ela apontou para um lugar aleatório. — Tem uma
ponte... Não sei o nome.
Lembrei-me que a única ponte que ficava naquela direção era a
Ponte Holborn.
— Ótimo. Meu nome é Harry, e o seu?
— Adrissa.
— Que nome bonito — sorri.
— Obrigada. — Ela deu um sorriso amarelo. — Foi a mamãe
que escolheu.
— Foi uma ótima escolha. Qual a sua idade? — Adrissa
estendeu a mão, indicando o número com os dedos. — Seis? —
Assentiu. Ela falava bem para a idade que tinha, mas era pequena
demais também.
— Qual a sua? — perguntou.
— Eu tenho vinte e cinco.
— Quanto é vinte e cinco?
— Humm. Deixe todos os dedos... — Abri as mãos dela.
— Isso é vinte e cinco?
— Não, mas se você juntar suas mãos com as minhas... — Abri
minhas mãos. — E mais os dedos de um pé, vai dar vinte e cinco.
— É muito! — exclamou.
— É. — Dei risada. — Bom, tenho que ir, Adrissa. Espero te
encontrar depois. — Levantei-me.
— Muito obrigada, Harry. — Ela estendeu a mão para um
cumprimento. Eu apertei e ajudei-a a levantar.
— Melhor voltar para sua mãe, ela deve estar te procurando. —
A garota assentiu. — Tome cuidado ao atravessar a rua. Tchau,
Pequena.
— Tchau, Harry!
Acenei e comecei a andar.
Quando cheguei em casa, tomei banho, comi o que tinha
disponível na geladeira — pois estava com preguiça de cozinhar —
e fui dormir um pouco.
Acordei algumas horas depois com meu celular tocando. Era
Landon ligando, dizendo que era para encontrá-lo no bar.
Preguiçosamente, peguei minha toalha na cadeira e me arrastei até
o banheiro.
Ao terminar o banho, vesti-me e fui para a cozinha. Coloquei
algumas frutas que estavam em cima da mesa em uma sacola,
voltei para sala e peguei minhas chaves. Saí de casa.
Não consegui parar de pensar na garotinha que tinha conhecido
na volta para casa, então fui andando até a Ponte Holborn procurar
por ela.
Foi difícil encontrá-la, tinham muitas pessoas naquele local —
algumas não eram muito amigáveis.
— Adrissa! — gritei quando avistei uma pequena garota de
cabelos cacheados. Ela olhou para trás e correu até mim.
— Oi, Harry!
— Oi, Pequena. — Eu me agachei para tentar ficar do tamanho
dela. — Trouxe isso para você. — Entreguei a sacola a ela.
— O que é isso?
— Olhe.
Adrissa abriu a sacola e tirou uma maçã de dentro. Uma mulher
apareceu do lado dela e a puxou para perto.
— Ele é o moço bonzinho, mamãe. — Adrissa disse para a
mulher.
— Oi. — Acenei para mãe dela. — Eu só vim trazer frutas para
ela.
— Por que está fazendo isso? — A mulher perguntou, um pouco
rude.
— Eu... eu só quero ajudá-la. Não tenho nenhuma outra
intenção, eu juro.
— É o que sempre dizem, não é? — Agora foi extremamente
rude. Mas eu entendia a atitude dela. Eu era um homem mais velho
dando presentes para uma garotinha inocente.
— Juro que tenho boas intenções, vim apenas trazer algumas
frutas para ela. Encontrei-a mais cedo, ela disse que ficava por aqui.
— Sorri para a mulher, tentando convencê-la. Talvez não tenha
funcionado muito bem, já que a mulher não desfez a expressão
azeda no rosto.
— Mamãe, está cheio de frutas aqui... O que é isso? — Adrissa
tirou uma das frutas da sacola e apertou.
— Isso é jambo — respondi.
— Jambo... É de comer?
— Claro, tudo que tem aí dentro é de comer. Dê uma mordida.
— Ela olhou para a mãe, que assentiu, então mordeu a fruta.
— É doce. — Sorriu.
— Tem várias frutas diferentes, tenho certeza de que você vai
gostar — falei.
— Obrigado, Harry. — A pequena ergueu os braços e os
envolveu em meu pescoço, me abraçando.
— Adrissa, não! — A mãe dela a puxou, repreendendo seu ato.
— Você está suja. — A garotinha logo se encolheu, fazendo bico.
— Não tem problema, foi só um abraço. — disse. — Até depois,
Adris.
Relutante, mas vendo que a filha tinha ficado satisfeita com as
frutas, a mulher disse:
— Muito obrigado, senhor.
— Pode me chamar de Harry.
— Muito obrigado, Harry.
— Por nada — Anuí. — Tchau.
Adris, que estava devorando o jambo, acenou para mim.
Comecei a andar.
Estava me sentindo bem em ter deixado a garotinha feliz. Sabia
que não era grande coisa, e que depois ambas voltariam a procurar
comida, mas, pelo menos hoje, elas poderiam ficar despreocupadas.
E talvez eu fosse lá mais vezes, para ajudá-las com alguma
coisa, e aos outros que estavam ali também.
Como íamos comemorar a contratação do Lan, evidente que teria
bebida. Exatamente o que eu estava precisando. Até porque seria
no bar onde o Dylan, nosso amigo, trabalha. E a última vez em que
eu estive lá, foi quando a Emma queria praticar indecências comigo
no banheiro.
Não vou conseguir esquecer aquele dia.
Na verdade, duvido esquecer qualquer coisa que tenha feito
com ela.
— Olha só quem chegou! — Landon gritou assim que eu pisei o
pé no bar. — Você demorou.
— Eu tive que resolver algumas coisas antes. E vim andando,
dê-me um desconto.
— Está sem carro?
— Não. Eu que quis andar mesmo.
— Então nada de desconto.
— Vai à merda... — ralhei. — Ah! Meus parabéns. Novo jogador
do time de Doncaster! — Puxei-o para um abraço.
— Obrigado. — Ele sorriu largo. — Minha mãe ficou louca
quando soube.
— Eu imagino. — Caminhei com ele até a mesa onde os outros
estavam.
Dylan logo apareceu com uma garrafa de vodca e encheu os
copos, inclusive o dele — essa era a vantagem de ter o pai como
dono do bar: ele sempre ficava de folga quando era dia de
comemoração.
Peguei o copo na mesa e virei o líquido de uma vez na boca. O
álcool foi queimando a minha garganta.
— Alguém está animado hoje, hein? — disse Thomas.
— Muito tempo sem beber... — respondi.
— Exatos cinco dias? — interveio o Lan.
— Talvez, mas hoje a minha única preocupação é encher a
cara.
— Isso! — Isaac gritou. — Por favor, sem assuntos estressantes
hoje. Quero apenas relaxar.
— Por isso eu gosto do Isaac, ele me entende. Enche o copo,
Dylan.
Décimo quinto copo de vodca virado com sucesso.
Eu estava bêbado.
Mas ainda estava de pé, consciente e feliz.
À meia noite, o bar estava fechado para nós. Smells Like Teen
Spirit ecoava pelo estabelecimento e eu dançava como se não
houvesse amanhã. Em meio a música, eu me empolguei e tirei a
camisa, jogando-a para cima. E quando ia fazer meus melhores
passos, a música parou de repente.
— Por que parou a música? — Olhei para os outros, confuso.
— O que é isso nas suas costas, Harry? — Lan apareceu atrás
de mim.
— Isso... o quê? — Ele me levou até o espelho na parede do
bar.
— Olhe.
No espelho, vi minhas costas marcadas com arranhões. Eu não
sabia que estava tão feio.
— Emma gosta... — disse e tropecei. Parado eu não tinha muito
domínio sobre os meus pés.
— Isso foi a Emma? Emma sua chefe? — Ele perguntou, acho
que assustado, não tinha certeza com o rosto dele embaçado.
— Sim... legal, né?
— Você está comendo a sua chefe? Desde quando?
— Essa semana?
— E não me contou uma coisa dessas?
— Eu ia contar, Lan! Eu disse... eu disse... que ia contar.
— Espera, você acabou de dizer que transou com a senhorita
Bright? — Isaac perguntou.
Caminhei até ele e coloquei a mão em sua boca, aproximando
meu rosto do dele.
— Shiiiiiiiiiiiiiiiiii! Disse, mas você não pode contar para
ninguém... Porque... é segredinho — Comecei a rir.
— Estou completamente por fora disso — comentou Thomas.
— Somos dois — Dylan concordou.
— Esqueçam isso. Coloquem a música novamente, eu quero
dançar. — Todos ficaram me olhando. — Qual é? Eu quero dançar,
isso é uma comemoração ou não? — gritei. Logo a música voltou a
tocar. — Vocês são ótimos amigos.
— Eu... estou... bem... porra, me solta! — disse para Lan, que
estava me segurando, entrando comigo no quarto.
— Você está bêbado, merda. Não sei qual a glória que ainda
está consciente, você bebeu muito.
— Porque eu estou bem...
Ele me jogou na cama, talvez com força.
Ah, a gravidade.
— A sua sorte é que eu sou um bom amigo... Fique quieto! —
Landon começou a tirar os meus sapatos.
— Lan... — chamei-o.
— O que é?
— Eu sou um merda?
— Por que está dizendo isso?
— Porque é a verdade... Eu sou um merda!
— Não, Harry. Você não é um merda.
— Eu sou um merda...
— Já são duas da manhã, vá dormir.
— Lan? — Ele já tinha tirado meus sapatos.
— O que é?
— Me faz um boquete?
— Vai tomar no seu cu, Harry! — falou, irritado.
— Dorme comigo?
— Do jeito que você está, é bem capaz de você me comer.
— Eu não pratico esse tipo de coisa, vai contra os meus
princípios de bom moço. Mas você iria gostar... Emma nunca
reclamou...
— Eu não sou a Emma e nem gosto de pau, a não ser o meu.
— Minhas bolas doem! — reclamei.
— Bate uma mais tarde.
— Não adianta, esse pau quer a boceta dela.
— Ainda não acredito que você realmente comeu.
— Quero comer de novo... de novo e de novo. Cadê meu
celular? Vou ligar para ela agora! — levantei-me da cama.
— Isso é patético, Harry. — Landon me empurrou pelo peito, caí
no colchão novamente. — Você está super bêbado e ainda tem que
trabalhar amanhã... Quer dizer, hoje... Ah, sei lá! Então cala a boca
e dorme. Tchau — Ele saiu do meu quarto.
— Tchau, Lan... — Fechei os meus olhos para dormir, mas algo
estava me incomodando. Sentei-me na cama, pendendo o corpo
para os lados várias vezes, e só depois de muito tempo consegui
tirar a roupa.
Apaguei.
Morto.
Era exatamente assim que eu me sentia. Fui andando devagar
na volta para casa, depois de correr por duas horas e ir parar em
outro bairro. Acordei de ressaca e precisava me exercitar para
mandar a indisposição embora.
Um pouco mais perto de casa, encontrei o Thomas — ele
estava abrindo o estúdio de tatuagem dele.
— Está perdido, Harry? — perguntou.
— Eu, não. Estava correndo — respondi, encostando-me à
parede.
— Está bêbado ainda, é? — Ele começou a rir.
— Me economize, Thomas. Eu não sei o que vocês colocaram
na minha bebida ontem, mas me fez muito mal.
— Ha-ha. Era só o que me faltava. Você que bebeu que nem
um condenado por conta própria, enquanto gritava
desesperadamente pela Emma.
— Eu?
Sabia que agora começariam os testemunhos que sempre
aconteciam depois que eu bebia muito, porque eu simplesmente
não lembro de nada e falo muita merda nesse estado.
— Sim. Você disse que estava comendo ela.
— Eu disse isso?! — indaguei assustado.
Nossa, eu era péssimo para guardar segredo depois que bebia.
— Sim...
Passei a mão no rosto, queria mesmo era me socar com força.
Pelo menos foi só para os meus amigos que eu contei, não é como
se eles fossem espalhar esse segredo pelos quatro cantos da Terra.
— Eu nunca mais vou beber.
— Duvido muito. A noite foi legal, você tem que beber assim
mais vezes.
— Está louco? O máximo que eu dormi foram duas horas e
tenho que trabalhar daqui a pouco. Eu estou cansadíssimo e minha
cabeça ainda está latejando.
— Quer entrar para descansar?
— Não. Eu tenho que ir para casa. Se eu entrar, você vai acabar
me convencendo a fazer uma tatuagem.
— Sabe como é, eu tenho que ganhar minhas libras. — Ele riu.
— E eu não quero me viciar. Preciso ir, pretendo me jogar na
cama e tentar dormir mais um pouco.
— Desde que horas você está correndo?
— Cinco da manhã. Fui parar em Nothing Hill.
— Você com certeza ainda está bêbado — reagiu ele, rindo.
— Até mais, Thomas. — Voltei a correr.
· três semanas depois ·
Trabalhar para Emma Bright se tornou cansativo, confuso e
excitante.
Houve uma “próxima vez”.
Não só uma. Transamos mais quatros vezes durante as
semanas que passaram. Eu pude visitar a casa dela, estávamos
conversando mais e, surpreendentemente, até assistimos um filme
juntos.
Comecei a achar ela menos megera. Apesar de ela ainda me
dar bastante relatórios para fazer.
Meu coração começou a acelerar mais quando ela sorria para
mim, quando me provocava e me beijava.
Embora isso fosse uma coisa boa, eu ainda me sentia muito
confuso com a nossa relação. Eu estava começando a desenvolver
sentimentos guardados a sete chaves.
Esse era o maior dos meus problemas.
O que eu mais temia.
E eu tinha um péssimo histórico com esse tipo de sentimento.
Desenvolvi o costume de correr pela manhã antes de ir para o
trabalho nas segundas-feiras.
Enfim, em casa. Joguei-me na cama todo suado, sujo e nojento.
Preferia mil vezes ter que trocar os lençóis depois do que ir tomar
banho primeiro. Tirei o tênis sem levantar e me ajeitei na cama. A
paz repousou sobre mim. Até o meu celular tocar.
Levantei na cama e peguei o aparelho na cômoda. O número
não era conhecido.
— Alô?
— Harry Snow? — Uma mulher perguntou.
— Sim... Quem fala?
— É a Elena. Senhora Evans.
— Ah, sim. Bom dia, senhora Evans, o que deseja? — franzi o
cenho.
— Emma pediu para te ligar. Ela quer que você passe aqui
quando estiver indo para o trabalho. É referente a uma reunião dela.
— Tudo bem. Farei isso.
— Ótimo. — Ela desligou a chamada.
A última vez que Emma disse que queria falar comigo sobre
trabalho, era uma armação.
Mas ela não precisava mais disso para ter de mim o que queria.
De qualquer forma, eu esperava, no fundo, bem lá no fundo do
meu coração, que dessa vez fosse realmente trabalho.
Ela não me ligaria tão cedo do dia para fornicar, não é?
Forças dos céus! Por favor, que seja apenas trabalho!
Minhas energias se esvaíram com a caminhada, estava sem
capacidade de fazer qualquer esforço físico.
Deixei o celular na cômoda e voltei para cama, me deitando e
apagando.
Mesmo estando cansado, não consegui dormir muito. Parte
minha estava tão agoniado para saber o que a Emma queria
comigo, que não deixava a outra parte descansar direito.
Levantei da cama e tirei os lençóis, jogando-os no cesto de
roupa suja. Peguei uma toalha limpa e fui para o banheiro. Tomei
um banho demorado e saí vasculhando o guarda-roupas. Achei um
conjunto de terno que eu nunca havia usado, foi um presente da
minha mãe. O paletó era cinza-chumbo e o seu tecido era bem
pesado — o que era bom, já que estava fazendo muito frio —, a
calça era um tom mais claro, a camisa era azul-escuro estampada e
a gravata era do mesmo tom que a camisa.
Ao terminar de me vestir, ajeitei meu cabelo com um pouco de
gel. Arrumei alguns papéis na maleta e peguei as outras coisas
necessárias. Olhei no relógio e vi que faltavam dez minutos para as
nove horas, então saí de casa e segui para o estabelecimento da
Joh.
— Olá, Haz! — disse Lan, assim que entrei no restaurante. Ele
estava limpando a bancada, como sempre.
— Bom dia, Lan. — Sentei-me na cadeira mais próxima.
— Você está com uma cara péssima — comentou ele, parando
sua atividade. — O que foi?
— Acho que ando pensando demais em um determinado
assunto... — murmurei.
— Quer conversar agora?
— Eu... eu... eu acho...
— Não tenho paciência se você ficar balbuciando — explanou.
— Sou seu amigo, pode falar da forma mais escrota que irei
compreender. — Ele socou levemente meu braço e repousou as
mãos no balcão.
Parei para pensar, alinhar os meus pensamentos com calma.
Não sabia se tinha cem por cento de certeza do que estava
sentindo, mas talvez falando em voz alta, alguém iluminasse um
caminho para mim.
— Eu sei que tem pouquíssimo tempo que estou com a Emma.
Estou, não, porque só transamos...
— Vocês foram a um encontro uma vez, no jogo.
— Aquilo não foi um encontro, ela se ofereceu para ir e eu
deixei — expliquei.
— Tudo bem, continue.
Puxei o ar com força e o soltei.
— Você me conhece, Landon — comecei —, sabe que eu não
diria isso se não tivesse uma pequena chance de ser possível. É
que... — o nervosismo aumentou. — Olha, eu já me relacionei com
outras mulheres e nunca senti nada como isso que estou sentindo
pela Emma... Estou gostando dela — falei de uma vez.
— Você o que? — Landon franziu o cenho, olhando-me como
se essa fosse a coisa mais absurda que ele já escutou.
— Eu sei, Lan, é loucura. Acredite em mim, sei disso. Mas... —
Fiz uma pausa para suspirar. Eu não queria usar aquela pessoa
como exemplo, mas era a minha única opção. — Quando foi que
você me viu assim, todo travado e confuso, em relação a alguém?
A expressão do Landon mudou.
— Oito anos atrás — respondeu, com um sorriso mínimo nos
lábios.
— Sim... — murmurei.
Essa é uma história curta com um final trágico.
Quando eu tinha dezessete anos, me apaixonei perdidamente
pela minha vizinha, Melissa Blackwood, quando ainda morava em
Holmes Chapel. Eu me declarei para ela um ano depois de
descobrir essa paixão e fui agraciado com uma resposta recíproca,
começamos a namorar. Quando estava disposto a pedi-la em
casamento, no nosso terceiro ano de namoro, descobri que ela me
traia com o seu melhor amigo. O próprio rapaz que me contou, por
não “aguentar” mais ficar com uma mulher comprometida. Hilário.
— Não chega a ser a mesma coisa, mas eu sei que sinto algo
pela Bright — disse por fim. — Foi um pouco difícil lidar com a
Emma no começo, mas agora que estou conhecendo-a melhor,
passando da fase de apenas sexo, consigo ver a mulher incrível que
ela é.
Landon ficou alguns segundos em silêncio antes de dizer:
— Que menino carente você se tornou, não é? Volte para as
putas, Haz. Isso, muito provavelmente, é falta de bocetas novas.
— Não sinto interesse por outras pessoas no momento… —
Não tinha certeza, mas foi quase um lamento. Eu realmente não
queria estar naquela situação.
— Que porcaria, hein, Harry? — Landon fez uma careta, mas
suavizou o semblante logo depois. — E você já falou sobre esse
“sentir algo” para Bright? — Ele cruzou os braços, parecendo
intrigado.
— Não. Só agora que estou admitindo isso para mim mesmo...
— murmurei. Eu queria bater minha cabeça no balcão até desmaiar.
— Tudo bem. Olha, você pode fazer duas coisas — começou
ele, aceitando o meu surto. — Esperar para ter certeza do que está
sentindo, se não está confundindo as coisas por ter conseguido uma
foda boa e ter realizado o sonho de qualquer homem que é solteiro
e tem uma chefe gostosona. — Apesar de absurdo, ele falou sério.
— Ou, pode contar que está gostando dela, chamá-la para sair para
se conhecerem melhor e depois você pode sugerir algo mais...
intenso? Íntimo com certeza não é a palavra certa.
— E... se eu esperar para ter certeza e ela me chutar ou me
trocar por outro? — Ponderei sobre essa questão.
— Então conte.
— Mas... e se contar e ela se assustar, por eu ser tão carente e
sentimental, e me chutar por isso? — Minhas indagações faziam
sentido.
— Tudo bem, não é todo dia em que você acaba transando com
uma quase CEO e desenvolvendo sentimentos por ela...
— Você não está ajudando, Lan — queixei.
— Desculpe. Hmm..., vamos analisar os fatos dessa relação.
— Relação? — Franzi o cenho. Estava mais para bagunça.
— Sim, relação. Mas se preferir podemos chamar de “Foda
Constante”.
— “Relação” está ótimo.
— Ok. Foi ela que chegou em você primeiro, propondo sexo,
isso?
— Sim — respondi rapidamente.
— O que significa que ela tinha realmente um interesse em
você. Quantas vezes vocês já... pá? — Ele fez um gesto obsceno.
— Eu não sei — balancei a cabeça.
— Classifique: muito ou pouco?
— Acho que está mais para “muito”.
— E quantas dessas vezes foi ela que tomou a atitude?
— Acho que todas.
— Tem certeza de que você gosta de mulher, Harry? — Lan
franziu o cenho. — Porra! Uma mulher gostosa ao seu lado, te
dando o maior mole, e você espera que ela vá até você?
— É complicado — resmunguei. — Eu trabalho para ela, foi um
pouco difícil digerir que minha chefe queria transar comigo. Isso é
moralmente muito errado.
— Esqueça que ela é a sua chefe, esqueça que você trabalha
com ela, foque no fato de que você gosta dela. É uma mulher, não
um bicho de sete cabeças. Não é como se você fosse ser preso por
isso.
— Focar no fato de que eu gosto dela... — repeti, como se fosse
uma criança aprendendo uma lição. — Ok. Eu consigo… E se der
errado? — Nunca é tarde demais para ser negativo.
— Você segue a vida, assim como fez com a Melissa.
— Não foi uma das coisas mais fáceis da minha vida... — Deixei
a frase morrer. Lidar com os três anos que fui enganado pela mulher
que eu estava perdidamente apaixonado e queria formar uma
família me deixou desesperançoso sobre o futuro. Desde então,
meu foco foi apenas em relações casuais, nada demais.
— É, com a Melissa foi mais complicado... — Fez-se um minuto
de silêncio naquele momento. — Talvez seja amor de palha. Você
só está eufórico com essa coisa toda, tudo que ela te proporciona...
— Tenha calma, Lan, eu não cheguei na parte do amor... E se
eu for levar um fora, espero não estar apaixonado até lá.
— Se você comparou com a Melissa, é amor.
— Eu comparei ao desejo repentino de querer a pessoa —
expliquei.
— Tudo bem. Então fala com ela hoje.
— Hoje? — balancei a cabeça, já assumindo a minha covardia.
— Eu não sei...
— Facilita, Harry.
— Hoje ela me pediu para passar na casa dela. Acho que é
alguma coisa referente ao trabalho, não vou encher a cabeça dela
com isso. Ela tem uma reunião — balancei a cabeça com tanta força
que pensei que iria deslocar o pescoço.
— Entendo. Então pode ser amanhã.
— É. Amanhã... tudo ou nada. — Engoli em seco. — Eu consigo
lidar com a rejeição... Normal.
— Você nem falou com a mulher e já está sofrendo.
— Aprenda, Lan, você tem que se preparar para o pior, porque
se der certo, aí você se surpreende.
— Meu Deus... — ele revirou os olhos. — Você não vai contar,
não é?
— Eu estou pensando, está bem?
— Se você não contar, eu conto.
— Você não faria isso... — Olhei de cara feia para ele.
— Você sabe que faria — ele ergueu as sobrancelhas.
— É, eu sei que faria. Tenho certeza de que sua missão na
Terra é me constranger. — Landon me lançou um sorriso cínico. —
Eu preciso ir, vou dirigir até Kensington antes.
— Ok. Vem almoçar aqui hoje?
— Acho que sim. Na verdade, eu não tomei café. — Eu deveria
ter pedido algo antes de começar a me confessar. Culpado.
— Vou falar com a Joh, ok?
— Eu não queria atrapalhar, mas não quero ficar com fome até
a tarde, então sim.
Lan entrou na cozinha e depois de alguns segundos voltou.
— Ela já estava preparando — avisou.
— Obrigado.
De sonhadores a inimigos
Você tá indo, vai me deixar aqui perdido
Cê já contou pros seus amigos de nós?
Me beija com raiva | Jão
Chegando ao trigésimo andar do Royal Garden, caminhei
calmamente pelo longo corredor. Eu nunca cheguei a apertar a
campainha daquele apartamento, então eu não fazia a menor ideia
de onde ela ficava, e como um tolo, fiquei procurando. De repente, a
porta se abriu e a Elena apareceu.
— O que você estava fazendo? — ela perguntou.
— Procurando a campainha.
Ela deu risada. Não entendi o porquê ela estava rindo. Era
algum erro procurar uma campainha na casa de uma pessoa
banhada em dinheiro?
— Não tem campainha manual. Sempre que o elevador chega
ao trigésimo andar, toca uma campainha automática, como só a
Emma mora aqui, é evidente que a visita é para ela.
— Entendi. — falei, contendo o meu tom de voz para não soar
tão impressionado. — A senhorita Bright está?
— Entre — Elena me deu passagem. — Ela está no quarto,
você sabe onde fica. — A mulher deu um pequeno sorriso e se
afastou.
Em plena segunda-feira de manhã eu já estou sendo
constrangido.
Mantendo o resto de calma que me sobrou, caminhei até o
quarto da Emma. A porta estava fechada, dei duas batidas de leve,
assim como eu fazia na sala dela na empresa.
— Pode entrar. — Escutei sua voz dentro do quarto.
Coloquei a mão na maçaneta e abri a porta, entrei só com
metade do corpo, vi que ela estava deitada na cama, coberta com o
edredom.
— Pode entrar, eu estou vestida — disse Bright quando me viu.
Como se fizesse alguma diferença.
— Com licença. — Entrei completamente no quarto, mas fiquei
parado perto da porta.
— Pode vir até aqui? — ela pediu, pude ver um sorriso surgir
em seus lábios. — Eu prometo que não vou te morder.
— Hmm... Claro. — Fechei a porta e caminhei até sua cama. —
O que gostaria de falar comigo?
Emma ficou me olhando por um minuto inteiro, pensei até que
tinha apagado de repente, mas então ela balançou a cabeça
negando e começou a falar.
— Você vai ter que ir à reunião com o meu pai por mim. — A
mulher desceu o edredom até a cintura e ficou sentada na cama.
Automaticamente meus olhos se fixaram em seus seios, cobertos
por um lindo sutiã rosa rendado.
Eu parecia um garoto de quinze anos olhando para uma mulher
de roupa íntima pela primeira vez.
— Por quê? — perguntei, não sei depois de quanto tempo, mas
acredito que foi o suficiente para perceber que iria começar a babar
a qualquer momento.
— Estou sentindo muita cólica, está insuportável — respondeu,
irritada. — A reunião é à uma da tarde, mas antes disso você tem
que fazer um Extrato Anual das tarifas do FlexFor. E isso é para
hoje, comece fazendo assim que você chegar.
— Ok. A reunião é sobre o Shopping Center em Dublin?
— Sim. Meu pai quer saber se depois... Que inferno! — ela
pendeu o corpo para trás e cobriu o rosto com o edredom.
— Está tudo bem? — perguntei, preocupado, mas me arrependi
logo em seguida.
— Eu estou com cara de quem está bem?! — Emma gritou,
tirando o pano do rosto e me encarou.
Automaticamente dei um passo para trás, assustado. Ninguém
me avisou que eu estava entrando no quarto de um animal raivoso.
— Ali na mesa tem alguns papéis importantes para a reunião.
Não é nenhum bicho de sete cabeças, coisa simples. Você vai ter
que tirar duas cópias, para entregar ao meu pai e ao senhor Larry.
— Ok. — Assenti. — Mais alguma coisa?
— Não... — Ela ponderou. — Posso resolver as outras coisas
aqui em casa.
— Se tiver mais alguma coisa pode me dizer, eu faço.
— Bom... — Emma ponderou por mais tempo. — Tem, sim.
— Um momento. — Tirei meu celular do bolso e abri no bloco
de notas, estava sem a minha caderneta no momento e precisava
anotar as coisas para não esquecer. — Pode falar.
— Tem o contrato da SKatacal, envie ao senhor Gregory. Ele
tem que ver se as propostas são boas o suficiente para marcarmos
uma reunião com os outros Presidentes. Preciso que ligue para o
Senhor Morais pergunte se ele está disponível para uma reunião na
sexta, acerte o horário que for melhor para ele. Apenas isso.
Quando terminar pode simplesmente ir embora, não precisa passar
aqui para me dizer nada, amanhã conversamos.
— Está bem.
— Aqui a chave da minha sala, você pode trabalhar lá. —
Emma estendeu a mão com a chave, que não faço ideia de onde ela
tirou.
Aproximei-me da cama e estiquei a mão para pegar o objeto,
porém a mulher foi mais rápida e me segurou, ficando sentada na
cama novamente. Com a outra mão ela pegou a minha gravata e
puxou-a para si, fazendo com que meu rosto ficasse próximo ao
seu.
— Se eu não estivesse morrendo de dor, iria arrancar suas
roupas agora e fazer você me comer de quatro — Emma sussurrou.
Pisquei algumas vezes tentando assimilar o que escutei.
Poderia até dizer que escutei errado, se não conhecesse a Emma e
sua língua solta. E, por mais que pareça uma puta mentira, o meu
pau acordou prontíssimo para atender o seu pedido — embora ela
nem tenha pedido nada.
Não tive tempo de responder ou pensar algo construtivo, Emma
inclinou-se mais um pouco e selou meus lábios. Eu sentia falta
daquele contato, fazia alguns dias que não nos beijávamos. Sentia
de verdade. Eu tinha certeza.
Eu infelizmente tinha certeza.
— Saia logo do meu quarto antes que eu mude de ideia — disse
Emma, cortando o beijo, justo quando eu estava a um passo de me
jogar em cima dela e não sair até que o meu trabalho estivesse
devidamente finalizado. — Você tem uma reunião.
— Certo. Eu vou indo — respondi, mas não me afastei, beijei-a
de novo. — Melhoras... — A beijei mais uma vez, ela colocou a mão
no meu cabelo e puxou intensificando o beijo.
Nunca pensei que seria tão forte em resistir à tentação — talvez
seja porque ninguém nunca realmente me tentou dessa maneira.
— Eu vou! — Usei toda força, que eu gostaria que não existisse
dentro de mim, e me afastei. — Eu vou — repeti, pegando a chave
em sua mão. — Fique bem, Emma.
Ela pendeu o corpo para trás novamente e se cobriu.
Olhei-a uma última vez e então saí do quarto, fechando a porta
em seguida. Ajeitei meu cabelo e, olhando para todos os lados, na
certeza de que não tinha ninguém por perto, ajeitei o meu pau na
calça.
Saí do apartamento e caminhei até o elevador. Mesmo que não
conseguisse cem por cento, tentei focar meus pensamentos nas
coisas que deveria fazer no trabalho. Principalmente na reunião com
o senhor Bright.
— A Senhorita Bright ainda não chegou — disse Isaac, quando
me viu indo para a sala dela.
— Ela não vem hoje, está indisposta. Irei trabalhar na sala dela.
— Ah! — Ele exclamou, assentindo. — Se precisar de ajuda eu
estou aqui, o senhor Veras está em reunião.
— Tenho um Extrato Anual para fazer. Está a fim?
— Porra, isso é chato! — franziu o rosto. — Mas eu vou, é
melhor do que ficar parado. Não trabalhar me dá sono.
— Ok, vem.
Isaac pegou o notebook e se levantou da cadeira, me seguindo.
Caminhei até a mesa da Emma e me sentei no lugar dela. Nos
porta-retratos ali, tinha algumas fotos dela com a família, não resisti
e peguei para olhar de perto. Emma não se parecia muito com o pai,
a única semelhança entre eles era a pele negra e os olhos que
passavam uma impressão de poder e prepotência.
— Por onde começamos, chefe temporário. Vai dividir? —
indagou Isaac, tirando-me do devaneio.
Coloquei o porta-retrato no lugar.
— Sim, eu fico com o primeiro semestre e você com segundo —
respondi.
— Ok.
Liguei meu computador e enviei um documento com as
informações para o Isaac.
— Chegou aí? — perguntei.
— Sim.
Deixei-o começar o trabalho e fui fazer as outras coisas que a
Emma pediu; comecei por mandar o contrato para o senhor
Gregory.
Meu dia foi excelente. Consegui terminar o Extrato Anual com o
Isaac, liguei para o senhor Morais e marquei a reunião.
A minha reunião com o senhor Bright tinha sido perfeita — pelo
menos era o que eu acreditava —. Foi a minha primeira reunião
sozinho com ele, fui confiante, não tive um ataque de tremedeira
quando entreguei os papéis da reunião para os senhores, e até
apresentei algumas propostas para aumentar a lucratividade do
Shopping, o senhor Larry tinha gostado — apesar de dizer que iria
pensar sobre o assunto.
De todo modo, foi uma boa primeira vez. Eu senti que, se um
dia me tornasse Presidente de Setor, iria lidar com as coisas muito
bem.
Enquanto dirigia pela Union Street, eu pensava na Emma. Pelo
visto, eu tinha chegado muito rápido ao ponto “não parar de pensar
nela”.
O Lan me aconselhou a falar com ela, mas eu nem sabia por
onde começar, na verdade — apesar de parecer bem simples.
Talvez eu só devesse chamá-la para sair. Um encontro de
verdade.
Tomado por uma coragem utilizada uma única vez na minha
vida, peguei o retorno mais próximo e segui para Kensington.
Eu precisava pelo menos tentar algo.
Chegando ao Royal Garden, fiz o mesmo processo de sempre.
Acho que o meu coração estava prestes a sair pela boca. Eu estava
muito nervoso, era como se minha vida toda dependesse das
palavras que iria proferir diante da Emma.
Saí do elevador e caminhei até a porta do apartamento.
— Harry? — Elena apareceu, me olhando confusa. — O que faz
aqui?
— Oi, senhora Evans. Emma está?
— Não. Ela foi ao médico e ainda não chegou.
— Hmm... — Que droga! — Tudo bem.
— Você não quer entrar e esperar?
— Não. Eu converso com ela amanhã. — Balancei a cabeça
rapidamente. — Mas ela está bem? — perguntei, preocupado.
— Sim. Precisou apenas fazer alguns exames por causa das
dores que sentia mais cedo.
— Certo.
— Eu aviso que você esteve aqui.
— Obrigado. — Sorri e caminhei de volta para o elevador.
É muito azar mesmo.
Ou talvez seja Deus me livrando de fazer merda.
Tudo bem, agora eu poderia ir para casa e surtar.
— Já chega, Harry! — Jacson, instrutor da academia, me gritou
pela quinta vez.
Saí da esteira e peguei a minha garrafa de água que estava no
chão, jogando o líquido no corpo.
— Você está com um gás e tanto ultimamente — comentou ele,
aproximando-se.
— É para compensar os dias que faltei. O que vem agora?
— Acho que já está bom por hoje.
— Não, eu aguento mais alguns.
— Harry, eu não quero ninguém morrendo aqui. Tudo em
excesso faz mal, vá para casa.
— Você está ficando chato — resmunguei. Peguei a toalha no
chão e pausei a música no celular.
— Você sempre foi. Até amanhã.
— Até.
Saí da academia e fui caminhando para casa. Eram quase dez
horas da noite.
Chegando no segundo quarteirão antes de casa, lembrei que foi
ali que encontrei a Adrissa, a garotinha que morava na rua. O que
posteriormente me fez lembrar que eu não tinha a visto esses dias.
Se não estivesse tão tarde, levaria alguma refeição para ela na
ponte.
Deixaria para fazer isso no dia seguinte.
Continuei andando até minha casa.
· dia seguinte ·
Acordei um pouco tarde, mas consegui chegar à empresa no
horário. Isaac me avisou que a Emma pediu que eu fosse para a
sala dela assim que eu chegasse, então coloquei as minhas coisas
na mesa e fui até ela.
Como de costume, dei duas batidas na porta, Emma deu-me
permissão para entrar. Ela estava encostada na mesa, quase
sentada. Parecia bem melhor do que ontem. Seus cabelos estavam
soltos e extremamente volumosos, acabei sorrindo.
Linda.
— Bom dia, Emma — disse.
— Senhorita Bright, mantenha a formalidade — corrigiu-me,
séria. — O que foi fazer no meu apartamento, Snow? Eu disse que
não precisava ir. — Seu tom foi de completa censura.
Ok. A Emma megera tinha voltado.
— Desculpe-me, Senhorita Bright, eu acabei esquecendo —
menti.
— Que seja. — Ela caminhou até o outro lado da mesa e
sentou-se na cadeira. — O meu pai falou que você foi muito bem na
reunião, meus parabéns... — Ia proferir um “obrigado”, porém ela
continuou falando: — Mas não fez mais que o seu trabalho.
Os momentos com a Emma boa foram demasiadamente bons
enquanto duraram.
Nem precisei me preocupar em perguntar se ela estava bem.
Com essa atitude, ela estava ótima.
— Quero o resumo desses três — Emma começou a selecionar
alguns papéis. — Para hoje. E faça-me o favor de não brincar com
os dedos entre as teclas, eu não quero ter que consertar os seus
erros.
Ah, cretina!
Caminhei até a mesa e estendi a mão para pegar os papéis,
mas, novamente, fui pego no seu jogo, Emma segurou a minha mão
e levantou-se da cadeira.
— Sabia que você encolhe um pouco os olhos quando está
bravo? Acho adorável, ainda mais quando sou eu quem causo isso.
— Ela inclinou o corpo um pouco para frente. — Você me xinga,
Snow? — Sua mão percorreu meu braço até chegar no meu
colarinho, onde segurou minha gravata, puxando-me para frente. —
Eu tenho certeza que você me xinga. — Agora nossos rostos
estavam próximos e eu pude sentir meu corpo esquentando de
forma preocupante. — Deveria dizer em voz alta — ela continuou.
— Eu ficaria tão molhada ao escutar sua voz rouca e sexy proferir
essas palavras para mim. — Emma sorriu descaradamente e
mordeu o próprio lábio inferior.
Essa mulher era o demônio.
Antes mesmo que eu pudesse reagir, Emma me beijou. Sua
língua tocou a minha e eu acabei deixando um gemido escapar.
Minhas mãos foram automaticamente nos seus cabelos. Agradeci
mentalmente a Deus por me dar a oportunidade de tocar aqueles
cachos mais uma vez.
Bright cortou o beijo, se afastou e, num piscar de olhos, ficou na
minha frente. Com minha urgência falando mais alto, voltei a selar
seus lábios. Segurei-a pela cintura e coloquei-a em cima da mesa.
— Se começar, vai ter que terminar — disse ela, um pouco sem
fôlego.
— Não vejo problema — respondi, quase instantaneamente.
Emma ponderou por um tempo, apenas olhando-me fixamente.
Depois sorriu e disse:
— Tranque a porta, Snow.
Fiz o que ela pediu, sem nem ao menos hesitar.
Não perdi tempo, assim que me aproximei de Emma
novamente, puxei sua saia para cima.
Não sabia qual parte daquilo me deixava mais surpreso.
Íamos transar no escritório, em pleno expediente.
Isso é tão, tão, tão errado.
Ainda assim, por querer muito matar a saudade que sentia dela,
meus lábios colaram nos seus, agora de forma mais delicada, e
minhas mãos foram nas suas coxas expostas, alisando-as
lentamente. Eu sabia que não tinha tempo para fazer as coisas com
calma, mas Emma tinha uma pele muito macia, era impossível não
tocar.
O sangue circulava rapidamente pelas minhas veias, enchendo-
me de tesão.
Deslizando minha mão para dentro de sua coxa, toquei sua
intimidade, pude sentir o tecido da calcinha molhada. Levantei ainda
mais a saia dela e com as duas mãos puxei sua calcinha para baixo,
ficando ajoelhado.
Sabendo o que seria feito, Emma trouxe o corpo um pouco mais
para frente, ela apoiou uma perna na cadeira e a outra no meu
ombro.
Inclinei o rosto e passei a língua bem devagar pelo seu sexo,
saboreando o gosto bom que ela tinha. Ao olhar para cima, vi que
Emma estava com a mão na boca, claramente para conter os
gemidos, não podia ser escandalosa agora.
Resolvi provocar, mesmo que não devesse. Segurei sua perna,
caso ela quisesse se afastar, e chupei-a com mais vontade,
deixando que minha língua passasse excessiva e exclusivamente
no seu clitóris. Emma mordeu os lábios e perdeu a cabeça para trás.
Era maravilhoso contemplá-la assim.
Ela puxava meu cabelo com força, sem pena alguma de mim,
com suas pernas dando leves espasmos. Visto isso, dei-me por
satisfeito e me levantei. Juntei meus lábios nos da Bright no mesmo
momento em que deslizei dois dedos para dentro da sua boceta
molhada.
— Inferno... — disse ela, com a voz fraca. — Trepar em silêncio
é uma tortura.
Acabei sorrindo.
— Seja boazinha e lide com isso — disse eu, dobrando os
dedos para fazer um gancho e tocar seu ponto sensível,
movimentando-os mais rápido.
Emma abafou os gemidos nos meus lábios, usando suas unhas
para arranhar meu pescoço.
— Por que você sempre me dá os dedos se você tem algo tão
grande dentro das calças? — praguejou ele, me empurrando de
leve, levando suas mãos ágeis para o meu cinto.
Emma desceu o zíper e tirou o meu pau da cueca. Ele pulsava
em suas mãos macias, sedento pelo seu toque. A situação mudou
quando Bright começou a me masturbar, fechei os olhos, arfando.
— Você faz isso tão bem — falei, controlando-me para não
gemer mais alto.
— Então me compense colocando-o dentro de mim, Harry... —
A voz dela ficava doce e branda quando ela estava cheia de tesão,
eu gostava disso.
Ah, pelo amor de Deus, o que é que eu não gosto nessa mulher
desde então?
Tirei meus dedos dela e guiei meu membro até a sua entrada,
penetrando-a bem devagar, absorvendo todo prazer, ficando
completamente louco com o gemido dela no meu ouvido. Dessa vez
não houve preservativo, pude sentir meu pau diretamente na sua
boceta apertada. Deliciosa.
Apoiei uma mão na mesa e a outra segurei sua cintura.
Comecei a me movimentar. Queria tanto que estivéssemos em um
lugar mais reservado, pois eu queria que os gemidos presos na
garganta da Emma se misturassem com os meus naquele cômodo.
Mas tudo bem, haveria uma próxima.
Estar dentro dela, aonde quer que fosse, valia a pena.
Juntei meus lábios nos de Emma e comecei a estocar mais
rápido dessa vez. Pude escutar com perfeição o som produzido por
nossos sexos se encontrando. Abri mais suas pernas, e inclinei seu
corpo para trás, quase deitando-a na mesa. Movimentei mais meus
quadris, para chegar mais fundo.
— Harry... — ela gemeu, não desgrudando os olhos de mim.
Sua boceta me pressionava com cada vez mais força, forçando-
me a chegar no limite.
— Emma... eu vou... gozar... — murmurei, pronto para me
afastar, mas a mulher entrelaçou as pernas na minha cintura, me
puxando para baixo. — Eu realmente vou gozar — diminui meus
movimentos.
— Deixe dentro de mim... — pediu. Franzi o cenho
automaticamente. — Eu não tenho dezoito anos, Harry, sei me
cuidar. — A mulher sorriu. — Volte a meter com força e deixe tudo
dentro de mim.
Atônito, mas obediente, continue minhas investidas. Emma
segurou meu cabelo, prendendo o meu rosto próximo ao seu.
Meti com força, como ela gostava. Meu abdômen se contraiu,
eu grunhi e me derramei dentro dela.
Porra!
Puxei seu rosto para mim e selei seus lábios delicadamente. Ela
estava tão ofegante quanto eu.
— Você é linda, Emma — disse, porque era a mais pura
verdade. — E fica ainda mais linda depois que goza.
Emma sorriu e me beijou novamente.
— Então que bom que você sempre me faz gozar.
Eu sentia meu coração bater forte, e não era porque tinha feito
todo aquele esforço, e sim porque estava ali com ela.
Olha a bela enrascada que eu me meti.
Mas quem não arriscaria se tivesse uma mulher como essa em
seus braços nesse momento?
— Eu... Eu preciso te falar uma coisa... — comecei, todavia,
ainda estava formulando uma frase decente para proferir.
— Que quer me comer de novo? — Emma sorriu. — Aproveita
que ainda está dentro de mim. — Ela se contraiu em volta do meu
pau.
Fechei os olhos e deixei um gemido escapar. Merda, como isso
pode ser tão bom? Meu pau ainda estava perfeitamente duro, pronto
para mais quantas ela quisesse.
— Isso seria ótimo. — Movi os quadris para frente, indo mais
fundo nela, e agora foi sua vez de gemer. — Mas não é isso.
— E o que é? — indagou, em um sopro.
No momento em que abri a boca, escutei batidas na porta.
— Senhorita Bright, está aí? — disse alguém do outro lado.
Puta merda!
Oh, eu tenho estado atordoado e confuso
Desde o dia em que te conheci
Dazed & Confused | Ruel
Afastei-me rapidamente da Emma e comecei a arrumar minha
roupa, colocando minhas coisas para dentro.
— Você ainda está com cara de quem acabou de foder —
avisou ela, prendendo o riso.
— Desculpe-me por não ser experiente como você — falei,
talvez um pouco irritado, mas não com ela e sim com o empata foda
do outro lado da porta.
Tirando o rosto um pouco corado da Emma, ela estava
completamente normal. Era surreal como ela aparentava não ter
feito nada.
— Senhorita Bright? — a pessoa chamou novamente.
— Só um momento! — Emma pegou a calcinha no chão e
jogou-a dentro da bolsa, resmungando algo para si mesmo.
Arrumou a saia e a blusa, jogou o cabelo para trás dos ombros e
pronto. Caminhou até a porta e abriu. — Desculpe-me pela demora,
Bennett.
— Sem problemas — disse o homem, entrando na sala.
Agora eu sabia quem era o tal Bennett que ela estava
conversando ao telefone dias atrás. Ele tinha cabelos bem pretos,
como se tivessem recém tingidos, sua postura era de um típico
empresário importante, alto e de pele pálida, trajava um terno que
deveria valer meu salário de dois meses. Tive que admitir, mesmo
não querendo, que ele era um homem bonito.
— Você é o assistente da Emma? Snow, certo? — ele me
perguntou, estendendo a mão para mim e sorrindo.
— Bom dia, senhor Bennett — cumprimentei-o com a mão
esquerda, pois a direita foi a que usei para colocar meus dedos
dentro da Emma.
— Esqueça o senhor, apenas Bennett.
— Bennett... claro. — Assenti.
— Sente-se, Bennett — disse Emma. — Snow... — Ela deu a
volta por mim, pegou os papéis na mesa, e me entregou. —
Termine-os.
Bright não disse mais nada; não sorriu e muito menos me olhou.
Não que eu devesse esperar um beijo de despedida ou algo
parecido, apenas tinha me esquecido que estávamos no trabalho e
eu era apenas o assistente dela.
— Com licença, senhorita Bright. Bennett. — Saí da sala, talvez
batendo a porta com força.
Passei pelo meu cubículo e arremessei os papéis de forma
agressiva na mesa, seguindo diretamente para o banheiro. Lavei as
minhas mãos e o rosto. Voltei para o meu lugar e me sentei.
— Qual o seu problema? — Isaac apareceu do meu lado, rindo.
— Nada — quase rosnei.
— Calma aí, senhor Selvagem — ele provocou, se referindo à
noite em que fiquei completamente bêbado e saí contando
segredos.
— Isaac, eu vou dar um soco tão forte na sua cara que você vai
voltar para Wolverhampton — ameacei.
— Desculpa, desculpa. Não tem como esquecer esse dia.
Então, o que aconteceu dessa vez? — Ele puxou a cadeira dele e
sentou-se perto de mim.
— Não é nada, eu só tenho trabalho para fazer.
— E você queria vir para o trabalho e não trabalhar?
— Não disse nesse sentido. — De canto de olho notei que o
Isaac estava me encarando, então virei-me para ele. — Perdeu
alguma coisa?
— A sua cara está... Você... — Ele franziu o cenho, parecendo
notar algo em mim.
— Não, Isaac! — interrompi antes que ele terminasse de
formular a frase.
— Danadinho... — sussurrou, socando levemente o meu braço.
— Não deveria ficar estressado depois disso. Ou você não chegou a
gozar?
— Ah, merda! Pare de besteira. — Voltei minha atenção para o
computador, ligando-o. — O que você tem hoje, hein?
— Eu sou um homem feliz.
— Gostaria que expressasse sua felicidade em outro lugar,
tenho trabalho para fazer.
— Ok. Ok. — Ele jogou as mãos para o alto, em redenção. —
Vou abusar a Samara no RH, estou sem trabalho. Como sempre.
Não sei o porquê ainda não demitiram o meu chefe, ele nem
trabalha — resmungou. — Até daqui a pouco, Harry.
— Até, Isaac.
Peguei um dos envelopes com violência e tirei os papéis de
dentro, suspirando forte.
Eu não tinha motivo para estar com raiva de nada. Emma
estava apenas trabalhando com o Bennett — sem calcinha, com
aquele homem bonito que era o tipo de cara ideal para ela, e que
certamente o pai dela apoiaria o relacionamento.
Deus, olha o que eu estou pensando!
Já cheguei na fase possessiva e ciumenta?
— A vida é uma merda — disse, para mim mesmo. — E eu sou
um cara emocionado, pelo visto.
O jeito seria distrair a mente com os Encargos Financeiros que
tinha para fazer.
Meio-dia. Hora do almoço. Emma continuava na sala com o
Bennett.
Não tive como não pensar que ela poderia estar fazendo a
mesma coisa que fez comigo antes de ele chegar. Era uma ideia
absurda, porém possível. Ela era uma mulher livre, leve e solta,
podia fazer o que bem quisesse.
Ainda assim, quis muito ir até a sala dela e entrar de supetão,
ou pelo menos verificar se a porta estava trancada, mas consegui
me controlar. A dúvida me pareceu mais saudável do que saber a
verdade.
Peguei minhas coisas na mesa e me levantei da cadeira, no
mesmo momento vi a porta da sala da Emma se abrindo — sim, eu
estava secando aquela porta esperando por esse momento.
Ela saiu da sala com o Bennett, eles ficaram conversando mais
um pouco. Não olhei para Emma com atenção, por mais que a
minha vontade fosse muita. Virei-me e caminhei para o elevador,
entrando logo em seguida. Quando as portas do equipamento iam
se fechar, Bennett colocou a mão para impedi-las.
Inferno.
— Lembre-se que você está me devendo um jantar, Emma. —
Ele disse para a mulher que estava ao lado dele. — Eu vou cobrar.
— E então entrou no elevador.
— Você já está cobrando, Bennett. É só me ligar para saber se
eu estou disponível.
— Claro, mulher de negócios agora. Até mais, Emma. — Ele
piscou para ela, sorrindo.
Emma sorriu brevemente. A porta do elevador começou a se
fechar, mas antes que se tocassem, os olhos da mulher se
encontraram com os meus, então nosso contato foi interrompido e o
elevador começou descer.
— Você tem muita sorte em trabalhar com a Emma, Harry —
disse o Bennett.
Gostaria de lhe informar que não queria (e nem pretendia)
dialogar com ele, mas eu tinha educação.
— Uhum. — Foi o máximo que consegui proferir. Estava ficando
com raiva, e o motivo ainda era desconhecido para mim.
Isso não faz sentido, eu sou um homem bem controlado, não
tenho ataques de raiva repentinos.
— Ela é uma mulher incrível... Nossa... — Ele deixou a frase no
ar, e como para bom entendedor meia palavra basta, aquilo foi mais
do que o suficiente para minha interpretação.
— Eu sei — respondi, quase entredentes.
— Claro, você trabalha com ela, mas... É melhor deixar para lá.
Nos vemos em breve, Snow — disse ele, saindo do elevador
quando o mesmo parou no estacionamento.
— Bennett. — Acenei com a cabeça.
Observei o homem entrar na Mercedes dele e tomar rumo para
sabe-se lá Deus onde.
Queria que fosse para o inferno.
Eu não estava colocando lenha na fogueira, ele tinha insinuado
que tinha transado com a Emma. Tenho certeza disso. A forma com
que a Emma entrou na minha vida dizia muito sobre as atitudes
dela, e óbvio que eu não deveria ter me achado o filho da puta
sortudo e exclusivo.
Esse pensamento me deprimia. Outra pessoa estava provando
da maravilha que era o corpo dela.
Não, não, não. Eu quero ser o único.
Merda. Estou entrando de cabeça na fase “possesiva”.
Optei por não ir para o restaurante de carro, estava nervoso
demais para conduzir um automóvel. Saí do estacionamento e fui
para frente da empresa pegar um táxi.
— Qual foi dessa cara de morto? — perguntou o Lan, atrás do
balcão. Era horário de almoço, então o restaurante estava cheio.
— Tem certeza de que quer conversar agora? Você está
trabalhando.
— Para a sua informação, eu não trabalho mais aqui. Eu sou
jogador de um time da Série A agora.
— Ainda assim, está aqui limpando o balcão — pontuei.
Landon levantou o dedo do meio para mim.
— Isso porque eu sou um filho muito bom.
Franzi o cenho.
— Você não quer ficar cuidando dos seus irmãos mais novos,
não é? — indaguei.
— Cala a boca, Harry! — ralhou. — Então, você falou com a
Emma? O que ela te disse? Foi uma coisa ruim, né? Pela sua cara...
— Não, Lan. Eu ainda não falei com ela. — Minha voz é puro
lamento.
— Por que não?
— Não dá para falar esse tipo de coisa no trabalho... — limpei a
garganta. Eu não ia dizer que fiz coisa pior no trabalho.
— Não custava nada puxar ela para um cantinho e dizer
algumas palavras... Chamava ela para almoçar aqui e aproveitava a
oportunidade.
— Não pensei nisso... — toquei meu queixo —, mas também,
ela passou horas trancada na sala, em uma possível reunião, com o
Bennett. Não tive a oportunidade de fazer o convite. — Falei o nome
do homem com total desprezo.
Está piorando.
— Pelo visto você não foi com a cara do tal Bennett.
— Tenho quase certeza de que ele já transou com a Emma.
— Seu pau vibrou dando esse sinal? — Landon gargalhou logo
em seguida.
— Como você é engraçado, Thompson. — Ri sem humor.
— Eu sei... — Ele arriscou um sorriso amarelo. — Então, por
que você acha isso?
— Ele fez insinuações na breve conversa que teve comigo no
elevador.
— Certo. Então temos que eliminar esse Bennett.
— Temos? — franzi o cenho.
— Sim, eu estou torcendo por você agora. É bom te ver com um
propósito, e ultimamente eu estou caridoso.
— Que propósito maravilhoso, correr atrás de uma mulher que
provavelmente não me quer.
— Não seja pessimista.
— Harry... — Joh apareceu ao lado do Landon, segurando uma
bandeja. — Seu almoço, querido. — Ela me entregou um prato com
lasanha.
— Muito obrigado, Joh.
— Se precisar de mais alguma coisa, é só falar com o Lan que
ele me avisa.
— Eu não trabalho mais aqui, a senhora esqueceu? — rebateu
o filho.
— Não, mas eu ainda mando em você.
— Só isso aqui está ótimo, Joh. Obrigado — falei.
— Por nada, meu amor. — A mulher voltou para a cozinha.
Peguei o garfo ao lado do prato e comecei a comer.
— Mas então, vai falar com a gostosona cacheada, não é? —
Landon chamou a minha atenção.
— Talvez — murmurei.
— Eu já disse que se você não falar, eu faço isso por você.
— Qual o seu problema? — encarei-o.
— Harry, pare de ser frouxo, quando você vai para balada e
quer levar uma mulher para sua cama, você não pensa nem duas
vezes antes de falar com ela.
— Por Deus, Landon! — Apoiei o talher no prato. — Eu estou
sendo repetitivo, mas parece que só você não entendeu. Você tem
noção do que é o assistente chamando a chefe para sair com outras
intenções?
— Graças a você, eu tenho noção do que é o assistente transar
com a chefe. Você está falando como se fosse pedir a mulher em
casamento. Só tenta alguma coisa está bem? Cacete! —
esbravejou.
Fiquei alguns minutos em silêncio.
Vou ser franco, talvez eu só estivesse arrumando desculpas
para não falar com a Emma. Não é como se eu fosse me declarar,
eu só a convidaria para sair e diria que estava gostando da nossa
“relação”.
— Está bem, eu vou. Mas sei que vou quebrar a cara.
— Pois que quebre, pelo menos esse assunto acaba logo —
disse ele, impaciente.
— Não era você que estava caridoso? — observei, sorrindo.
— Perdi a paciência. Come essa merda aí e fica quieto. — Ele
me bateu com o pano que estava nos ombros.
Landon tinha o pavio muito curto, mas eu já estava acostumado
com o humor dele.
— Muito obrigado — disse ao taxista, assim que desci do carro.
Graças ao Landon, que não parou de tagarelar, eu tinha chegado
vinte minutos atrasado.
Como o trânsito estava um pouco engarrafado, desci antes o
prédio da empresa e fui andando o curto caminho até lá. Faltando
alguns metros para chegar, vi o segurança de um dos edifícios
vizinhos gritar com uma pequena garotinha. Ao me aproximar eu
pude reconhecer a garota.
Era a Adrissa.
— Se voltar aqui de novo, eu mesmo vou jogar você na lata de
lixo! — o segurança gritou, arrastando a criança pela camisa.
— Solte-a! — gritei. — Solte-a agora! — Corri até o homem. —
Eu mandei você soltá-la! — repeti, firme.
— É uma garota de rua, ela está incomodando as pessoas.
— Você não pode tratá-la assim. É só uma criança. — Adrissa
estava com as mãos no rosto e chorando. O segurança se afastou,
soltando a camisa da menina.
Por um momento, pensei que o homem avançaria para cima de
mim, pois estava me olhando com uma cara de pouquíssimos
amigos, mas ele apenas voltou para o prédio.
Aproximei-me da garota, me abaixando.
— Você está bem, Pequena? — Ela não disse nada. — Ei, sou
eu, o Harry. Lembra de mim?
— H-Harry? — Ela tirou as mãos do rosto, quando teve certeza
de que era eu, me abraçou rapidamente.
— Você está bem, Adris?
— Ele é mau! — falou, ainda chorando.
— Eu sei, mas ele já foi. Não vou deixá-lo tocar em você, está
bem? — Ela assentiu.
A fim de evitar as pessoas me olhando, afastei-me daquele
edifício, segurando a Adrissa pela mão, e fiquei mais perto da
Bright's Enterprises.
— O que você está fazendo aqui? Está muito longe da ponte. —
Agachei-me de novo em sua frente, limpando seus olhos.
— Procurando o lugar onde a mamãe foi.
— Como você chegou aqui?
— Eu entrei no ônibus, depois me deixaram aqui... Eu ia
perguntar ao moço onde fica o lugar para onde a mamãe foi..., mas
ele foi mal comigo... — Ela fazia várias pausas enquanto falava,
porque ainda estava chorando.
— Está tudo bem agora, estamos longe dele — assegurei. —
Sabe o nome do lugar para onde a sua mãe foi? Talvez eu possa te
levar lá.
— O moço da ponte disse que ela foi para o céu.
— O quê? — franzi o cenho, confuso.
Adrissa fez uma pausa, provavelmente para controlar o choro,
então falou:
— Um moço a levou em um carro grande... Eu perguntei para
onde ele estava levando a mamãe e ele disse que agora ela estava
no céu. Eu quero ver a mamãe, Harry...
Engoli seco e pisquei inúmeras vezes. Se eu tinha entendido
direito, a mãe dela morreu.
A mãe dela morreu?
— Você sabe como faz para chegar lá? — Ela apontou para o
céu.
Meu Deus. Meu Deus. Meu Deus.
— Pequena... Olha, vamos precisar conversar melhor sobre
isso. Tenho que ter a certeza de onde sua mãe realmente está, ok?
— pedi. — Você tem que me prometer que vai ficar aqui... Não saia
daqui por nada nesse mundo. Eu vou ali e já volto.
— Você vai me deixar? — perguntou, querendo chorar
novamente, segurando o meu braço.
— Não. Eu vou e volto. — Toquei suas bochechas molhadas. —
Prometo que serei rápido. Você não vai sair daqui, não é?
— Eu vou ficar. — Ela balançou a cabeça, olhando para o outro
lado. — Tenho medo do moço mau.
— Ótimo. Se você ficar aqui, ele não vai te pegar.
— Uhum. — Ela concordou.
Levantei-me, colocando a criança sentada na escada, e entrei
correndo na empresa. Optei por subir as escadas, para ser mais
rápido, o fluxo do elevador estava intenso. Subi correndo até o sexto
andar, pensei em me jogar no chão quando cheguei.
— Onde você estava, Harry? — perguntou Emma, que estava
sentada na minha cadeira.
— Desculpe-me a demora... Eu tive um contratempo... — Eu
estava ofegante.
Que porcaria, minhas caminhadas pela manhã não estavam
servindo de nada?
— Por que veio pelas escadas?
— Para... ganhar mais tempo... Acho que vou desmaiar... —
Coloquei a mão no peito, puxando o ar com força.
— Na minha sala tem água, venha, eu preciso falar com você.
— Bright levantou-se da cadeira, eu a segui.
Assim que entramos, Emma entregou-me um copo com água,
que eu bebi rapidamente. Enquanto tentava normalizar a minha
respiração, pensei em aproveitar esse momento para falar com ela
sobre o assunto que mais estava sondando minha mente nesses
últimos dias. Sei que tinha que ser rápido por conta da Adrissa, mas
eu poderia ser sucinto... Afinal, colocando em questão, não tinha
muito o que dizer.
— Eu também tenho que falar com você... com a senhorita —
falei.
— Tudo bem. Diga.
— Não, primeiro as damas... Bom para eu recuperar o fôlego,
essas escadas são perigosas...
— Então que seja. Bom... — Ela se aproximou de mim, seus
lábios se uniram aos meus e sua língua tocou a minha de forma
delicada. Era um beijo lento, sem pressa, mas cheio de vontade. —
Isso acaba aqui — disse ela, cortando o beijo repentinamente.
— O que? — Senti meu coração começar a bater mais forte,
mas não era por euforia nem nada parecido.
— Eu sou a sua chefe. Você está aqui para trabalhar e não para
ganhar uma foda grátis toda manhã.
— Emma... — Fui pego tão desprevenido, que nem sabia o que
dizer.
— Eu sei que fui eu quem começou tudo isso, mas não achei
que iria deixar chegar até esse ponto, então desculpe-me por isso...
de verdade. Não posso misturar trabalho com... esse tipo de
relação. Fui extremamente antiprofissional transando aqui com
você, poderiam ter escutado... Ou pior.
Nada do que ela estava dizendo era mentira. Eu bem sabia
disso. Não era como se eu nunca tivesse pensado nessas
possibilidades. Ainda mais hoje, quando deixei aquilo acontecer,
quando quis que aquilo acontecesse.
Dei um passo para trás, derrotado, visto que não valia mais a
pena tentar dialogar.
— Eu vi que passei dos limites hoje, então é melhor mantermos
nossos assuntos apenas profissionais. — Seco, rápido, certeiro.
Eu estava sem palavras, mas não surpreso. Essa é a parte boa
de sempre se preparar para o pior.
Ah, tudo bem. Mais uma mulher dispensou o meu coração, ou
pelo menos a chance de tê-lo. Eu lido com isso.
— Harry... Eu espero que você entenda... — Continuei olhando
em seus olhos, mas não disse nada, apenas assenti. — O-o que
você queria me dizer?
— Não tem mais importância — balancei a cabeça,
desesperançoso. — Será que eu poderia ser liberado mais cedo? —
pedi, sério. Era verdade que eu queria sair logo daquela sala, mas
não estava inventando desculpas para isso. — Tenho algo
importante para resolver.
— Você ainda não...
— É importante. Eu fico o dia inteiro amanhã, dobro o meu
horário, o que a senhorita quiser, eu só preciso resolver uma coisa
agora.
Emma me encarou por torturantes um minuto, e enfim cedeu.
— Tudo bem. Pode ir.
— Muito obrigado, senhorita Bright. — Caminhei até a porta.
— Eu sei que você está com raiva, mas...
— Não é raiva, Bright. — Virei-me para olhá-la. — Sei que não
sou o melhor e nem o mais interessante dos homens, mas achei
que poderíamos tentar algo mais. Ponderei bastante sobre esse
assunto..., mas obrigado por mostrar que eu estava errado. Eu sou
apenas o seu assistente afinal... — Dei as costas e saí da antes que
ela falasse mais alguma coisa.
Pelo menos agora acabou. Meu coração já pode se concentrar
na função a qual ele foi projetado; que é bombear o sangue
oxigenado proveniente dos pulmões para todo meu corpo e não ficar
palpitando de forma desregulada por uma mulher que não quis nada
mais do que me usar por um tempo.
Fui para o meu cubículo e comecei a arrumar minhas coisas.
— Por que você está indo embora cedo? Foi demitido? — Isaac
perguntou, aparecendo de supetão, como sempre.
— Não. Eu tenho que resolver uma coisa e pedi para ser
liberado. — Joguei os papéis de modo aleatório e violento, dentro da
maleta. — Até amanhã, Isaac.
— Até.
Desci as escadas correndo, ignorei o elevador novamente.
Fiquei extremamente aliviado ao ver que a Adrissa estava no
mesmo lugar.
— Voltei, Pequena. — Sentei-me ao lado dela na escada.
— Tudo bem? — ela perguntou, me olhando com atenção.
Não sabia se ela tinha uma ótima percepção ou se a minha cara
estava extremamente lamentável.
— Está tudo bem, sim, Adris. Apenas uma coisa que me deixou
triste, mas logo vai passar. — Sorri para garota. — Mas olhe o lado
bom...
— Que lado bom? — ela franziu o cenho, seus olhinhos ainda
estavam vermelhos.
— Eu tenho você.
— Isso é bom? — perguntou, curiosa.
— Sim. Quando se está triste, nada melhor do que ter uma
pessoa legal por perto para mandar a tristeza embora.
— Então eu sou legal?
— Claro que é.
A pequena sorriu largo e eu não pude deixar de acompanhar.
— Vamos para casa, Adris. — Levantei-me e estendi a mão
para ela.
— Ver a mamãe?
Droga!
Eu ainda tinha que saber do paradeiro de sua mãe, e se fosse
verdade que a mulher morreu, eu nem saberia o que fazer depois.
Olhei para pequena e senti meu coração apertar no peito.
Não iria deixá-la sozinha na rua.
— Primeiro... — Agachei-me em sua frente. — Vamos para
minha casa, tomar banho e comer. Depois eu vou saber para onde
sua mãe foi, ok? — Ela assentiu. — Confia em mim para cuidar de
você enquanto sua mãe não está?
— Sim. Você é legal. E quando se está triste é bom ter uma
pessoa legal por perto.
Olha como aprende rápido.
Sorri para ela.
— Exatamente. Agora, vamos... — Segurei sua mão e
caminhamos até o estacionamento.
— Você tem uma casa? — ela perguntou, com a voz normal.
— Sim.
— E ela é grande?
— Não exatamente, mas cabem várias pessoas lá.
— A mamãe disse que tínhamos uma casa, mas eu não lembro.
Ela disse que eu era muito pequena para lembrar.
Pequena você ainda é, pensei.
Soltei sua mão para pegar a chave do carro no bolso.
— Você tem carro?!
— Sim.
— Legal! — Adrissa começou a correr entre os carros.
— Espere, Adris!
— Qual desses é o seu?! — Ela sumiu do meu campo de visão.
— Adris! Cadê você?
— Aqui! — E ela apareceu atrás de mim e deu um gritinho.
— Ei! Não pode correr pelo estacionamento, não quero que
você seja atropelada.
— Desculpa... — Ela abaixou o olhar e fez bico.
— Não precisa pedir desculpa, apenas prometa que não vai
mais fazer isso. — Eu me abaixei. — Ok?
— Ok. — Ela assentiu.
— Ótimo — Levantei-me, desliguei o alarme do carro e abri a
porta. Tirei meu paletó e coloquei no banco carona para Adrissa
sentar-se, foi uma coisa necessária já que as roupas dela estavam
bastante sujas. — Entre — disse a ela.
— Esse é seu? — ela perguntou, acredito que surpresa,
enquanto eu prendia o cinto de segurança nela.
— Sim.
Pude notar que seu sorriso estava de ponta a ponta. Dei a volta
e entrei.
— Gosto do seu carro, Harry — ela deu o veredito.
— Eu também gostos do meu carro — sorri para a garota.
Ah, inferno
O que eu fiz por último?
[...] Minha cabeça está girando, fora de controle
Oh, Hell | SoMo
Adrissa precisava de um banho, mas não tinha roupas. Pensei em
passar em uma loja e comprar-lhe roupas novas, mas
provavelmente não me deixariam entrar com ela, e eu não queria
deixá-la do lado de fora enquanto fazia isso. Minha mente se
iluminou e eu lembrei que Landon tinha irmãs pequenas.
Estacionei em frente ao restaurante e saí do carro, dei a volta e
abri a porta para Adris. Tirei o cinto e ajudei-a a sair.
— Aqui é a sua casa? — Ela perguntou.
— Não, Pequena. Eu só vou pedir a um amigo algumas roupas
para você.
— Por quê?
— Porque você precisa de um banho e essas roupas que você
está usando são muito grandes... e estão sujas. — Ela pareceu
entender perfeitamente. Segurei sua mão e caminhei até a janela do
restaurante.
Pude ver que o Lan estava limpando uma mesa, peguei meu
celular e liguei para ele.
— Oi?
— Olhe para janela.
— O quê?
— Olhe para a janela, Lan.
— Qual o seu problema? — Ele fez o que pedi. Acenei. — O
que você quer?
— Venha aqui fora.
— Entre.
— Eu não posso.
— O quê? Está com algum vírus contagioso?
— Não seja idiota! Venha logo aqui fora!
— Que fogo no cu. — Landon desligou a chamada e caminhou
para fora do estabelecimento. — O que foi?
— Preciso de um favor. — Adris escondeu-se atrás de mim. —
Está tudo bem, Pequena.
— Quem é essa? —Lan olhou para a Adrissa, que agora
segurou minha mão com mais força. — Onde você achou essa mini
mendiga?
— Lan, não a chame assim — o repreendi.
— Você sequestrou essa criança? — Meu amigo arregalou os
olhos.
— Eu não sequestrei ninguém... — ponderei. — Talvez sim, se
colocarmos as leis em questão, mas essa não foi a minha intenção.
— Oh! É sério, o que você está fazendo com ela?
— É um assunto delicado, depois eu explico..., mas resumindo,
eu estou tomando conta dela, temporariamente.
— Você vai ter que explicar, sim! — Ele cruzou os braços. — O
que você quer?
— Tem como você emprestar algumas roupas da sua irmã mais
nova?
— Minha irmã mais nova é a Dory, um bebê.
— Eu estou falando da outra mais nova.
— Posso pegar algumas da Phoebe... Se bem que, eu acho
que também não vai caber. Essa menina tem o que, três anos?
— Ela tem seis anos. — Puxei a Adrissa para frente.
— Parece um projeto de gente de tão pequena. Oi, mini
mendiga! — Lan acenou para a criança.
— Ela é bem pequena mesmo, e pare de chamá-la assim!
— Não, gostei do apelido — disse, simplesmente. — Acho que
tem umas roupas antigas das meninas lá em casa que devem caber
nela. Espera aí que eu já volto. — Ele se afastou e começou a
correr.
— Ele é mau! — disse a Adris.
— Não, Pequena. Ele não é mau... quer dizer, não o tempo
todo... Quer dizer, ele não é mau! — me corrigi. Landon era apenas
um caso sério de lidar. — Não precisa ter medo dele, ok?
Adrissa hesitou, mas acabou concordando, balançando a
cabeça.
Muitos minutos depois, Landon voltou com uma sacola na mão.
— Estava confeccionando as roupas? — perguntei.
— A minha mãe guarda as coisas muito bem guardadas. Aqui
as roupas, foram as menores que encontrei. — Ele entregou a
sacola.
— Obrigado. Pelo menos ela vai ter o que vestir quando tomar
banho.
— Sim... Porra! — o homem berrou de repente. — Ela é a sua
filha!?
— Não — respondi, confuso.
— Ela tem os seus olhos... — Ele inclinou-se para frente, para
analisar a Adrissa com atenção. — Até o formato da boca é igual...
— Ele voltou para posição anterior. — Tem certeza de que não é a
sua filha?
— Tenho, sim.
— A mãe pode ter abandonado o pacote na sua porta.
— Eu não a encontrei na minha porta.
— Ela pode ter armado para isso acontecer então... — sugeriu,
pelo visto falando sério. — Tem certeza de que não gozou dentro de
nenhuma donzela no passado? — Pude ver um sorriso se formando
em seus lábios.
— Tenho, sim. Não fiz nenhum filho quando tinha dezoito anos.
— Como você sabe?
— Eu perdi a virgindade com dezenove anos, idiota, ela tem
seis!
— Ela pode ter mentido a idade. — Ele deu de ombros.
— Cala a boca, Landon.
— Eu pediria um teste de DNA. — Encarei-o, sério. Era só o
que me faltava. — Ok, já entendi. Mas ainda quero saber o que você
está fazendo com ela.
— Só ajudando... Preciso ir, tchau — apressei-me.
— Tchau. Até depois, mini mendiga. — Adris deu língua para
ele. — Olha, a praga é ousada!
— Não mais que você. — Abri a porta do carro para a Adrissa,
prendendo o cinto quando ela se sentou no banco.
Dei a volta e entrei no veículo.
— Cara! — Lan apareceu de supetão na janela do carro.
— Cace... Landon!
— Foi mal. Esqueci de perguntar, você falou com a Emma?
Você foi demitido por falar com ela? Você voltou cedo demais para
casa.
Virei-me para a Adris e disse:
— Fique aqui.
— Vai sair? — ela perguntou.
— Eu só vou conversar com o Lan aqui fora, fique aqui.
Ela assentiu. Abri a porta e saí do carro.
— Eu nem cheguei a falar com ela — disse, com uma carga
demasiada de decepção na voz, encostando-me ao carro. — Emma
me deu um grande pé na bunda... Disse que de agora em diante
manteríamos nossa relação apenas como chefe e funcionário. Não
vamos mais transar, nem nada parecido. — Suspirei. — É melhor
assim, eu estava confundindo as coisas.
— Sinto muito. — Sua empatia durou apenas alguns segundos
— Mas nada que uma noite na balada não resolva! — disse ele,
animado. — Mulheres para pegar, sexo grátis... — Ele deu risada
com a última frase.
— Não, hoje não. Eu ainda estou... triste..., sei lá... E tenho que
cuidar da Adris.
— Essa mini mendiga já vai começar a estragar os meus
planos? — resmungou.
— Eu juro que vou lhe dar um soco na cara.
— É só um apelido carinhoso, relaxe.
Olhei para ele com os olhos semicerrados.
— A Chloe ainda está trabalhando como babá, se você mudar
de ideia, pede a ela para tomar conta da mini... da Adrissa —
sugeriu, tentando de qualquer forma me arrastar para uma balada.
— Vou pensar melhor na sua digníssima tentativa de me fazer
transar com desconhecidas para amenizar o fato de que a minha
chefe me dispensou — falei rapidamente. — Agora eu tenho que ir.
— Entrei no carro e saí dali antes que o Landon dissesse mais
alguma coisa.
— Essa é a sua casa? — Adris perguntou assim que saímos do
carro e subimos os poucos degraus da minha residência.
— Sim — tirei a chave do bolso e abri a porta. — Pode entrar.
Ela passou correndo por mim e entrou, fui logo em seguida.
Vasculhei a sacola que o Lan tinha me dado e tirei as roupas.
Realmente as peças iam ficar folgadas nela, mas não tinha outra
escolha.
— Que tal um banho? — perguntei para a garota, que estava
animada olhando a casa.
— Sim!
— Vou ajudar você com essas roupas. — Coloquei a minha
maleta no sofá e tirei o relógio, os sapatos e o meu celular do bolso.
— Agora vamos tirar esses trapos. — Abaixei-me em sua frente e
comecei a desamarrar os cadarços dos seus sapatos, ela apoiou a
mão no meu ombro para não cair.
Depois dos calçados, tirei seu casaco, em seguida o short e a
blusa, deixando-a apenas de calcinha.
— Você sabe tomar banho sozinha, Adris? — Ela negou. —
Tudo bem, eu vou ajudar. Vou encher um balde com água, para ficar
mais fácil.
Peguei um balde na dispensa e fomos para o banheiro. Enchi o
balde com água quente e coloquei a criança no box. Expliquei para
ela o que deveria fazer, assim ela aprendia — com seis anos é bom
saber tomar banho sozinha, e eu estava facilitando com o balde —.
Fiquei supervisionando até ela terminar, tinha até se divertido. Tive
que ajudá-la a lavar os cabelos, com um pouco de dificuldade pois
os fios estavam muito embaraçados e eu não queria machucá-la
fazendo esforço, sem contar que os cachos eram longos.
Coloquei-a sentada no sofá quando terminamos tudo.
— Você está com fome? — Sim, eu fiz essa pergunta idiota. A
criança assentiu. — Ok. — Peguei o controle remoto e liguei a
televisão. — Gosta de desenho?
— Sim — respondeu animada.
— Fique assistindo. Eu vou tentar cozinhar algo para
comermos... Não sou nenhum mestre na cozinha, mas ainda não
tive uma intoxicação alimentar, então espero que leve isso em
consideração. — Falei mais para mim do que para ela, que estava
com os olhos fixos na TV.
Fui para o meu quarto e entrei logo no banheiro. Desfiz-me das
roupas ensopadas no corpo e entrei no box para tomar banho.
Quando terminei, vesti as roupas limpas e fui para a cozinha.
Abri a geladeira na esperança de ter algo já pronto, mas, para o
meu azar, não tinha nada. Eu não era de deixar comida pronta em
casa, costumava almoçar e jantar no restaurante, apenas quando a
preguiça de ir até lá reinava no meu corpo que eu decidia cozinhar.
Em resumo: tive que cozinhar desta vez.
Adrissa estava tão entretida assistindo o desenho, que eu tive que
avisar várias vezes que ela tinha que comer o que estava no prato.
Perto das sete da noite, Adris já estava caindo de sono no sofá.
Primeiro, eu ajeitei o quarto de hóspedes — onde meus pais e
minha irmã costumavam dormir quando iam me visitar — e depois
voltei para buscá-la.
Peguei-a no colo, ela logo ajeitou o rosto sobre o meu ombro.
Coloquei-a na cama e a cobri com o edredom.
— Boa noite, Pequena. — Dei um beijo em sua testa e saí do
quarto.
Sabia que estaria sendo um pouco irresponsável por deixá-la
sozinha em casa, mas eu precisava sair para ter informações de sua
mãe. Não quis deixar para o dia seguinte, pois teria que trabalhar.
Para ser sincero, eu nem pensei muito, apenas saí de casa —
pedindo a Deus para que a garota não acordasse até eu chegar — e
fui em direção à Ponte Holborn.
O local era pouco iluminado, e como estava tarde, fiquei com
receio de andar sozinho por ali. Caminhei até uma senhora que
estava comendo algo em uma marmita.
— Olá, boa noite... — disse, a mulher olhou-me sem se importar
muito. — Me chamo Harry... Será que eu poderia te fazer uma
pergunta?
— Tecnicamente você já fez — respondeu ela.
Coice um.
— Está procurando a garotinha? — uma voz masculina atrás de
mim perguntou. — Eu já te vi aqui algumas vezes.
— Na verdade, não. — Virei-me para olhar o homem e me
aproximei dele. — Estou procurando a mãe dela.
— Não está mais aqui.
— Sabe para onde ela foi?
— Provavelmente para o cemitério mais próximo.
Franzi o cenho automaticamente.
— Ela faleceu hoje pela manhã, parada cardíaca... algo assim
— o homem continuou. — Não disseram muita coisa, já que o
socorro demorou bastante para chegar aqui.
Meu Deus.
Fiquei sentido. Eu realmente fiquei sentido.
— Sabe se tinha mais alguém com ela além da filha? —
indaguei.
— Não, eram apenas elas duas. Você é parente?
— Não, não! É que a filha dela está na minha casa... Eu a
encontrei perto do meu trabalho e a trouxe comigo, mas não sabia o
que tinha acontecido realmente com a mãe dela.
— Bom, agora você sabe... — ele disse, e deu as costas.
— Olha, se alguém aparecer aqui procurando pela garotinha
pode dar o meu endereço? — perguntei ao homem, que se virou e
assentiu. — Quatro quarteirões à esquerda, casa trinta e cinco. —
Ele assentiu novamente e se afastou.
Sem mais nada para fazer ali, fui embora.
Agora eu literalmente não sabia o que fazer.
Não seria insensível ao ponto de apenas deixá-la nesse lugar
sozinha — tecnicamente —. Eu me sentia péssimo só de pensar
nela indo para algum cesto de lixo procurar comida. E mesmo que
eu sempre viesse visitá-la, trazendo uma refeição, ela ainda estaria
dormindo em um edredom velho e embaixo de uma ponte.
Certo que essas eram as condições em que ela estava antes de
eu tê-la conhecido, mas pelo menos ela tinha a mãe.
Eu deveria mandá-la para um abrigo? Orfanato? Relatar a
alguma autoridade?
Acho que seria o mais plausível. Não posso simplesmente levar
uma criança de rua para minha casa — apesar de já ter levado.
Eu não sabia mesmo o que fazer.
De todo modo, deixaria que ela ficasse hoje. Estava em uma
cama confortável e quentinha, seria bom para ela ter isso depois de
passar por um dia ruim.
— Jesus, me ajuda aqui — murmurei sozinho.
Ao chegar em casa, assim que abri a porta encontrei a Adrissa
na sala.
— O que foi, Pequena? — Aproximei-me dela.
— Xixi — disse ela, coçou o olho esquerdo e bocejou.
— Claro. — Segurei sua mão, guiando-a até o banheiro.
Depois que ela terminou, levei-a de volta para o quarto e
coloquei-a na cama. Ela dormiu rapidamente. Fiquei um tempo
observando-a, até uma ideia passar pela minha mente.
Não, Harry!
Era bom tem uma pessoa em casa, e ela era uma garota
adorável, que pelo visto gostou de mim, mas eu não podia fazer
esse tipo de coisa.
Só estava comovido demais com a história e tinha um coração
mole.
Mal sabia cuidar de mim, como iria tomar conta de uma garota
de seis anos?
Não posso, do nada, assumir uma responsabilidade tão grande,
afirmei para mim mesmo.
Saí do quarto e fechei a porta devagar, indo para o meu quarto
em seguida. Ajeitei-me na cama e fechei os olhos. E como se não
bastasse a dor de cabeça que eu acabei de arrumar, comecei a
pensar na Emma; em como seria bom, nesse exato momento,
passear minhas mãos pelo seu corpo perfeito.
Há algo diabólico em seu sorriso, está me perseguindo
E cada vez que olho para trás, só está ganhando velocidade
Ready To Run | One Direction
Acordei antes do meu despertador tocar. Talvez tenha sido culpa do
sonho erótico que tive com a minha chefe. Nunca saberei ao certo.
Mas não voltei a dormir.
Levantei-me da cama e fui para cozinha, minha intenção era
beber água, mas quando olhei para pia, e vi que estava cheia de
pratos da noite anterior, resolvi lavar. Eu tinha tempo.
Depois de tudo pronto, fui para o quarto acordar a Adris. Doeu-
me o coração acordá-la tão cedo, mas eu tinha que ir trabalhar.
— Pequena... Adrissa... — Ela abriu os olhos. — Está na hora
de acordar.
— Hmm... — murmurou.
— Vamos tomar banho e sair para tomar café. Você está com
fome? — Ela balançou a cabeça em afirmativa, ainda sonolenta. —
Ótimo.
Depois que a Adrissa tomou banho, deixei-a assistindo televisão
enquanto eu tentava pensar em uma forma de pentear seus
cabelos. O bom de ter colocado o desenho, era que ela não ligava
para os puxões que eu estava dando enquanto desembaraçava.
Quando terminei — depois do que me pareceu uma eternidade
—, fiz um coque no cabelo dela, que era a única coisa que eu sabia
fazer.
Deixei-a na sala e fui tomar banho. Enquanto vestia a roupa,
ponderei mais um pouco sobre o assunto.
Eu não conseguiria fazer outra coisa.
Parecia até que eu estava abandonando-a se tomasse outra
decisão, e me sentia culpado por isso.
Era uma ideia extremamente absurda, não sabia se iria dar
certo, mas, agora, estava tão disposto a tentar que preferia correr os
riscos.
Queria tomar conta dela... Por um longo tempo.
De certo modo, a resposta não era definitiva, já que o processo
de adoção teria que passar pela aprovação do juizado.
Talvez até lá eu tenha consciência do que estou realmente
fazendo, seja iluminado pela graça divina e desista disso... Ou então
aceite a ideia de uma vez.
A garotinha só precisou de uma noite comigo para roubar
definitivamente o meu coração. Meu Deus, como sou fraco... E
louco.
Arrumei meu cabelo, passando um pouco de gel para manter os
fios no lugar, peguei minhas coisas e fui para sala.
— Agora podemos ir comer. — Desliguei a televisão.
— Desenho! — protestou.
— Você pode assistir na casa da Joh. Você vai ter que ficar lá
enquanto eu trabalho.
— Quem é Joh?
— A mãe do meu melhor amigo.
— E por que eu vou ter que ficar na casa dela? Pensei que
ficaria com você... — A Pequena desceu do sofá, então eu me
abaixei em sua frente.
— Olha, você vai ficar comigo, mas eu tenho que trabalhar e
não posso te levar junto. Eu vou voltar, não se preocupe — falei,
pedindo muito a Deus, usando toda a minha fé, para que ela não
falasse nada sobre a mãe, ainda não tinha pensado em como dar a
trágica notícia. — Chloe, que é das filhas da Joh, é uma pessoa
legal e boa, ela vai cuidar de você enquanto eu estou fora. Tudo
bem?
Adrissa fez bico, nada contente. Depois de hesitar por um
tempo, enquanto eu prometia que ela não ficaria lá por muito tempo
e que na casa da Joh ela poderia brincar de boneca e assistir
desenho, ela cedeu.
Dei um beijo em sua bochecha e me levantei, segurando em
sua mão e caminhando para fora de casa.
Entrei no restaurante e caminhei até o balcão, onde coloquei a
Adrissa sentada em uma das cadeiras. Landon logo apareceu.
— Olha só quem está aqui — alarmou. — Mini mendiga!
— Bom dia para você também, Lan.
— Achei que o ambiente estava me deixando louco e eu estava
vendo coisas, mas você ainda está com ela. — Ele apontou para a
garota.
— É... — Foi tudo o que disse.
— Pelo visto você resolveu assumir a paternidade. Foi você que
penteou o cabelo dela? — ele começou a rir.
Revirei os olhos.
— Foi a única coisa que consegui fazer, não tenho dons para
esse tipo de coisa..., mas admita, até que ficou bom.
— Se eu semicerrar os olhos e ficar de longe, sim.
— Não estrague o meu momento — resmunguei. — Pode pedir
a Joh para preparar o café da manhã para nós?
— Jamais negaria comida para sua filha. — Ele entrou na
cozinha rindo. Minutos depois, voltou. — Então... pode explicar
agora o que está fazendo com essa criança? — perguntou.
Eu me afastei da Adrissa, que estava entretida brincando com o
porta-palitos, pedindo para o Lan me acompanhar. Resumi toda a
história da Adrissa para ele e contei das minhas intenções de adotá-
la.
— Você é louco? — ele gritou, boquiaberto — Não pode fazer
isso.
— Poder, eu posso.
— Então você não deve fazer isso! — retrucou. — Harry! Você
tem noção da responsabilidade? Não pode, da noite para o dia,
querer um filho. Perder sua chefe ninfomaníaca doeu tanto assim
que você está desesperado por companhia?
— Não posso deixá-la na rua... — Tentei argumentar.
— Ela já estava na rua antes de você conhecê-la, Harry.
Existem outros lugares, sem ser a sua casa, que ela vai ficar bem e
seguir a vida, você não tem que ficar cuidando dela só porque a
encontrou na rua.
— Eu sei..., mas eu quero que ela fique, Lan... Eu só... — Dei
de ombros, sem saber muito bem como explicar a minha loucura.
— Meu Deus! Você está realmente muito carente.
— Me sinto culpado por tomar qualquer outra decisão, Lan... Ela
gostou de mim, e agora não tem mais ninguém... Seria tão errado
assim tentar?
— Você deu comida para ela, claro que ela gostou de você —
objetou. — Passou uma noite com a criança e agora isso? — Ele
suspirou forte.
— Eu sei..., mas também não é como se eu conhecesse ela há
um dia, eu visite-a na ponte várias vezes — cocei a nuca, pensando.
— Não quero parecer o vilão aqui, mas você sabe que não vai
ser tão fácil quanto parece, não é?
— Tenho ciência disso. Talvez nem me deixem ficar com ela, sei
que rola todo um processo para essas coisas. Mas, se eu não
tentar, acredito que vou me arrepender bastante.
Meu amigo sorriu e balançou a cabeça, sabia que ele estava
incrédulo.
— Primeiro a paixonite com a chefe, agora quer ser pai... Vou
começar a cancelar bebida alcoólica para você.
— Talvez deva mesmo..., embora acredite que isso não irá
reverter o meu coração mole. — Olhei para pequena, que ainda
brincava com as coisas no balcão.
— Você vai matar essa menina, não sabe nem cuidar de si
mesmo — argumentou Lan.
— Para um primeiro dia, ela não parece uma pessoa que está
prestes a morrer... Eu vou conseguir cuidar dela.
— Isso se não te negarem a guarda.
— Eu tenho um bom emprego e uma casa razoavelmente boa,
são pontos positivos, não é?
— E é um solteirão de vinte e cinco anos.
— Não tinha colocado isso em questão — torci a boca. —
Mesmo assim, vou tentar.
— Você nunca tomou conta de uma criança antes, não é nem o
irmão mais velho para dizer que tem experiência.
— Eu convivi bastante com seus irmãos.
— Conviver é totalmente diferente de criar — pontuou. — Você
é maluco, Harry Snow. Deveria ir para casa dormir e acordar direito,
algo muito errado aconteceu com você.
— Uma coisa mínima pode mudar a sua vida. Num piscar de
olhos alguma coisa acontece, quando você menos espera, e te
coloca num caminho que você nunca planejou e um futuro que você
nunca imaginou.[1] — falei para o meu amigo, mas olhando para a
Adrissa.
— Não começa com essa filosofia de livro barato, ainda acho
uma loucura — ralhou. — E a sua mãe vai surtar.
— Possivelmente... — Esqueci completamente dessa parte. —
Aquilo da Chloe ainda trabalhar de babá, é verdade, não é? —
Landou confirmou. — Certo. Vou precisar que ela fique com a
Adrissa enquanto estou no trabalho.
— Gastos para vida... — Ele cantarolou.
— Para, Lan.
— As putas sentirão a sua falta, Harry, você vai destinar o
dinheiro delas para aquele projeto de gente. — Agora ele estava
gargalhando.
— Você é uma desgraça de amigo. — Por mais que não
quisesse, acabei rindo com ele.
Voltei para o lado da Adrissa, fiquei observando-a brincar.
Landon entrou na cozinha.
De repente, escutei alguém me chamar. Olhei para trás e vi a
Emma Bright, não muito distante de mim.
Meus olhos se encontraram com os dela, mas eu não a encarei
por muito tempo, pois tive que admirar o seu corpo por completo.
Ela estava vestida com um simples vestido azul, que caia
divinamente bem em seu corpo e a deixava incrivelmente linda.
Seus cachos estavam soltos, volumosos, caindo perfeitamente
sobre os seus seios, nos pés os clássicos saltos altos.
Ok.
Se essa era a parte em que eu deveria começar a esquecer dos
meus sentimentos — não muito bem desenvolvidos —, eu
sinceramente não estava levando a sério. Tudo que eu consegui
fazer no momento foi sorrir e pedir a Deus para não desmaiar ali
mesmo por conta do meu coração que estava batendo muito
rápido.
— O que você faz aqui? — perguntei, depois de tempo o
suficiente para ficar constrangedor.
— Hmm... Isso é um restaurante, o que as pessoas costumam
fazer em restaurantes, Harry? — disse ela.
— Eu quis dizer, o que você faz aqui tão cedo... — corrigi a
pergunta, ignorando a indelicadeza.
A mulher não descansa nem pela manhã.
— Apenas vim tomar café da manhã.
— Ah, tudo bem.
Achei estranho ela sair de tão longe para tomar café, sendo que
tinha uma cozinheira em casa, mas não disse nada.
— Você não quer se sentar comigo? — Ela perguntou
rapidamente, e deu um pequeno passo para frente.
— Eu... Na verdade, eu estou com companhia.
Emma franziu o cenho.
— Tudo bem. — Seu tom de voz saiu ríspido.
Acho que deveria dizer a ela que a minha companhia era uma
garotinha de seis anos. Mas deixei-a pensar o que quisesse.
— Te vejo daqui a pouco, no trabalho — falei, antes que ela se
virasse.
— Não te avisaram?
— O quê? — franzi o cenho.
— O andar foi isolado. Houve vazamento de gás, interditaram
por uma semana para trocar toda tubulação.
— Isso significa...?
— Que você não vai ter que ir para a empresa, porém, quando
eu precisar, você vai ter que ir até a minha casa. Não vou perder
uma semana de trabalho porque houve um vazamento estúpido de
gás — explicou, soando indiferente.
— Certo. Você... A senhorita pode me ligar.
— Claro que eu posso ligar, você trabalha para mim — replicou.
— Volte para sua companhia... Eu tenho mais o que fazer. — Emma
virou-se e elegantemente caminhou até uma mesa bem distante de
onde eu estava, sentando-se de costas para mim.
— Quem era ela? — perguntou Adrissa.
— Ela é a Emma, minha chefe.
— Chefe? — Ela fez uma cara de quem não sabia o que a
palavra significava.
— É que eu trabalho para ela, eu faço o que ela me pede —
simplifiquei.
— Emma manda em você?
— Hmm... Digamos que sim, mas só quando eu estou no
trabalho.
— Legal. — Ela voltou a brincar com o palito. — Emma...
Emma... bonita. Ela é bonita.
— Você acha? — perguntei, sorrindo.
— Sim. Parece com... a mamãe...
Agora ferrou.
— Está com fome? Daqui a pouco o Lan deve trazer a comida!
Você gosta de sopa? Do que você gosta? — perguntei, apressado.
— Aqui está! — Lan saiu da cozinha com uma bandeja na mão
e colocou no balcão. Timing perfeito.
Era um tipo de coisa ridícula e insensível de se pedir, mas eu
precisava que ela esquecesse a mãe por um tempo. Pelo menos até
eu achar uma forma de conseguir contar a verdade. Uma hora eu
teria que contar.
— Salada de frutas. Suco. Torradas. E essa coisa aqui que eu
não faço a mínima ideia do que seja... Mingau? — disse Thompson,
apontando para as coisas na bandeja. — Você já pode comer,
projeto de gente.
— Harry...? — Adrissa olhou para mim.
— Você pode comer, Pequena — falei. A garota pegou a colher
e começou a tomar a sopa, que o Lan achou ser mingau.
— Ela só faz o que você manda? — Meu amigo perguntou,
apoiando o braço no balcão.
— Não, mas ela confia em mim, não em você, que não para de
dar apelido sem graça para ela.
— São fofos.
— Cala a boca, Lan.
Peguei meu celular no bolso para ver as horas. A princípio
estava ligado, mas quando tentei colocar a digital ele simplesmente
desligou. Depois ficou ligando e desligando sem parar.
— Acho que você vai ter que comprar outro... Se bem que já
deveria ter comprado assim que a tela trincou... — disse o Landon.
— Eu sei, estava apenas enrolando. Vou aproveitar que hoje
não irei trabalhar para fazer umas comprinhas.
— Por que você não vai trabalhar?
— Emma me avisou que houve vazamento de gás no andar, o
isolaram. — Landon exclamou um “ah”. Aproveitei para acrescentar:
— Ela está ali — apontei por cima do ombro.
— Mentira? — Ele olhou para frente. — Ela não mora longe
daqui? — Assenti. — E o que está fazendo aqui?
— Gastando dinheiro no estabelecimento da sua família? — dei
de ombros.
Landon franziu o cenho, mas se absteve de mais comentários.
Peguei a salada de fruta da bandeja e a colher. Adrissa
continuava tomando sopa.
— Você parece estar levando numa boa a presença dela... para
quem tomou um pé na bunda. — Ele não se absteve tanto assim.
— O que você queria? Que eu me jogasse no chão e
começasse a chorar? — ironizei.
— Seria engraçado. — O homem começou a rir.
Apenas revirei os olhos.
— Acabou — disse a Adris, apontando para o prato vazio.
— Você quer comer as torradas com o suco? — perguntei. Ela
balançou a cabeça em afirmativa. Tirei o prato da bandeja e
coloquei em sua frente. — Esse copo é muito grande para você
segurar... Aqui tem canudo, Lan?
— Ali — ele apontou para um recipiente no balcão.
Peguei um e entreguei para ela.
— Cinza é feio — disse a garota.
— O quê? — olhei-a, confuso.
— Não gosto de canudo cinza, é feio — ela repetiu, fazendo
careta.
— Mas não é cinza, é vermelho. — Olhei o canudo com
atenção. Era vermelho.
— Cinza — rebateu, firme, então eu entendi.
— A garota é retardada — a maldade em pessoa, Landon
Thompson, proferiu.
— Ela não é retardada. Deve ser daltônica.
— Aquela coisa que não consegue identificar as cores? —
Assenti. — Para mim isso se chamava dislexia.
— O que faz de você um tremendo ignorante.
— Morre, Harry — articulou.
— Pequena, só tem dessa cor... Então vai ter que ser essa feia
mesmo. — Coloquei o canudo no copo.
— Hmm — ela fez bico.
— É só um canudo, fica logo com esse — interveio o Lan, sem
paciência.
— Não sei como os seus irmãos não ficaram traumatizados.
Você é péssimo com crianças.
— Eles nunca criticaram os canudos, e você já está a mimando.
— Cala a boca, Lan.
Depois de uns trinta minutos, Adrissa terminou de comer. Notei que
Emma ainda continuava no restaurante — não que eu estivesse a
cada dois minutos olhando para trás para confirmar isso.
Desci a Adrissa do banco e peguei um guardanapo para limpar
a boca dela.
— Vamos agora? — Ela perguntou, eu tinha dito que iríamos
sair para fazer compras.
— Sim.
— No carro?
— Sim.
— Eu gosto do carro. — Ela sorriu.
— Percebi isso. — Joguei o guardanapo na lixeira e me
levantei.
Despedi-me do Landon, pedindo para ele falar com a Chloe
depois. Segurei a mão da Adrissa e caminhamos para a saída. Ao
olhar para a mesa da Emma — juro que não queria, mas foi
automático —, vi que ela estava conversando com alguém. Uma
mulher. Parecia bastante entretida no assunto, estava até sorrindo.
Apenas apressei os meus passos e saí do estabelecimento.
— Seremos só eu e você hoje — disse para a Adrissa.
— Por que não chama a moça bonita?
— Moça bonita? — franzi o cenho, sem entender.
— Que manda em você.
— Ah! — exclamei, sorrindo. — Não. A senhorita Bright é muito
ocupada para... Na verdade, ela não aceitaria esse tipo de pedido
meu.
— Por quê?
Ponderei.
— Acho que ela não gosta de mim — respondi com exagero.
— Por quê? — Crianças são sempre curiosas.
— Eu ainda não sei.
— Hmm... Eu gosto de você — disse a garotinha, sorrindo.
— Eu também gosto de você, Adris. — Sorri também — Vamos.
Eu não quero chegar tarde em casa. — Abri a porta do carro para
ela e a coloquei no banco, passando o cinto em seguida.
Dei a volta e entrei no veículo.
Ficamos rodando algumas lojas por horas. Comprei tudo que eu
precisava e alguns brinquedos e roupas para Adrissa. Também
comprei um celular novo, já que o meu não tinha mais salvação.
À noite, não consegui dormir muito bem. Assim que fechei os
olhos na cama fui levado para um maldito devaneio.
Emma Bright estava dominando meus pensamentos.
Maldita mulher.
Lembrei-me de tudo: seus lábios, seu cheiro, seu toque, meu
corpo por cima dela, nós dois suados após atingir o mais perfeito
clímax.
E eu queria mais.
Todavia, eu não teria mais nada.
— Inferno! — esbravejei, enfiando a cabeça no travesseiro.
Meia noite. Chovia forte e até trovejava. E eu ainda estava sem
conseguir dormir. Simplesmente não conseguia fechar os olhos sem
ser levado para um devaneio com a Emma.
Minha obsessão estava ficando crítica. O que uma rejeição não
faz com um homem.
Eu mereço.
Virei-me para o outro lado da cama. Assustei-me ao ver Adrissa
parada perto da porta, me olhando.
Jesus Cristo!
— Não consigo dormir... — disse ela, quase chorando. — O
barulho... Tenho medo.
— Tudo bem, pode dormir aqui comigo. — Movi-me na cama,
dando espaço para ela.
Adrissa subiu na cama, com muita dificuldade. Pensei que ela
iria se deitar na parte livre, mas ela se ajeitou no meu torso,
apoiando a cabeça no meu peito.
De primeira, eu travei, surpreso, mas depois encarei aquilo
como uma situação normal. Era uma criança, poderia ser um
costume que ela tinha com a mãe.
— Tudo bem. — Ajeitei-me melhor na cama e cobri nossos
corpos. — Boa noite, Adris.
Diga-me para onde vamos a partir daqui?
Eu preciso saber, preciso saber agora
Read My Mind | The Wanted
· cinco dias depois ·
A semana passou e eu não recebi nenhuma ligação da Emma. O
que achei estranho, mas compreensível. Vai ver, ela apenas não me
queria na casa dela.
Não vou começar a desenvolver teorias do caos.
Aproveitei os dias para passear com a Adrissa, indo no
shopping e em alguns parques. Ela se encantava com tudo que via,
e era maravilhoso vê-la sorrindo daquela forma.
Meu coração estava se agitando de uma forma nova. Era
estranho, mas ao mesmo tempo muito bom.
Não tinha desistido da ideia de adotá-la, muito pelo contrário, eu
tinha ficado ainda mais convicto da minha decisão.
Eu sou louco? Talvez.
Eu sabia que não seria algo fácil, estávamos falando da criação
de um ser humano, mas eu estava disposto a tentar. Adrissa não
precisou de muito para ganhar o meu coração, e eu ganhei a sua
amizade e confiança na mesma proporção.
A parte mais difícil foi dizer a Adris que a mãe dela havia
falecido. Visitei os moradores da Ponte mais uma vez, para checar
as informações e ver se alguém tinha procurado pela garota.
Ninguém apareceu e a morte da mulher era verdadeira. Era
desgraça demais para uma garotinha tão nova.
Pensei em várias formas de começar aquela conversa com a
Adrissa, mas, no fim, decidi ser direto. Bom, na medida do possível,
já que se tratava de uma criança, então fui delicado com as minhas
palavras. Adrissa ficou triste, chorou bastante, mas entendeu que a
mamãe dela era um anjo agora, e que estava no céu cuidando dela.
Decidido sobre as minhas ações, entrei em contato com uma
amiga advogada para me ajudar. Félicité era extremamente
eficiente, conseguiu me conceder a guarda temporária da Adrissa
por dois meses — bastante até —, enquanto as autoridades
analisavam o caso da garota.
Muita coisa poderia acontecer em dois meses; como
encontrarem a família biológica da Adrissa — avôs e o próprio pai,
se vivos —. De qualquer forma, eu torcia para os dois lados: meu e
deles.
Por tanto que a garotinha recebesse amor e vivesse bem, eu
estaria satisfeito.
Voltando a minha rotina de trabalho, logo na segunda-feira, era
o dia do meu aniversário.
Os vinte e seis anos chegaram. Eu sobrevivi.
Deixei a Adrissa com a Chloe — prometendo veementemente
que iria voltar para buscá-la mais tarde — e fui trabalhar.
Assim que cheguei à empresa, comecei a suar frio. Eu não tinha
visto a Emma por dias. E bom, no fundo, lá no fundo — não tão
profundo assim —, eu estava com saudades dela, mesmo ciente de
que a nossa relação era apenas profissional agora.
Talvez eu ainda estivesse mantendo um resquício de
esperança.
Pobre e tolo Harry.
Porém, como a pessoa sortuda que sou, Bright não tinha ido
para a empresa. Achei estranho, já que eu sabia que ela não tinha
nenhuma reunião marcada e não me ligou para avisar que estava
indisposta, como da outra vez.
Sentei-me na minha cadeira, um pouco desmotivado, e abri meu
e-mail. Vi que tinha uma mensagem dela. Rapidamente cliquei para
ler.
Estava tão nervoso por achar que a encontraria hoje, que
simplesmente não notei a sacola preta com a logo da Louis Vuitton
na minha mesa. E, na verdade, fiquei mais surpreso por ter recebido
um presente dela.
Pensei em responder perguntando o porquê da ausência dela
no trabalho, mas decidi não abusar da minha sorte. Era melhor
assim.
Fechei o e-mail e comecei a trabalhar.
À noite, minha mãe organizou uma festa de aniversário surpresa
para mim. Foi no restaurante da Joh mesmo. Ela convidou os meus
amigos e alguns conhecidos. Devo dizer que a minha querida mãe
ficou fissurada na Adrissa — surtou um pouco quando eu contei
minhas intenções de adotar a criança, mas depois que eu expliquei
a situação sobre a mãe da garota, Annie amoleceu o coração. Além
disso, como todo mundo ali, minha mãe também achou a criança
muito parecida comigo.
Landon espalhando sua loucura.
— Então se você conseguir a guarda dela, eu serei titia? —
indagou Emily, minha irmã. — E você será papai...
— É o que parece. — respondi, olhando a Adris brincar com as
gêmeas, irmãs do Landon.
Emily me encarou por alguns minutos, talvez avaliando minhas
palavras.
— Adrissa é uma criança muito fofa e inteligente, e parecer
estar feliz com você — ela começou. — Essa nova vida é
gratificante para ela, mas você precisa conversar com ela sobre
suas intenções. Se por alguma razão não aprovarem a adoção, a
menina vai parar em alguma instituição, uma vida bem diferente da
que está experimentando agora... E se por algum milagre
aprovarem, você vai ser o pai dela, responsável por ela por anos.
— Eu vou conversar com ela. Só quero ir com um assunto de
cada vez, para que ela entenda o que está acontecendo —
justifiquei-me, encarando a loira.
— Certo. E tem certeza mesmo de que é isso que você quer?
Voltei a encarar a criança no chão, rodeada de brinquedos e
com um sorriso radiante nos lábios.
Formar uma família era o que eu desejava desde muito novo.
Achei que esse desejo se realizaria quando estava em um
relacionamento com a Melissa, depois da decisão de noivar com
ela. Embora tenha me decepcionado no final, por ser traído por anos
pela mulher, o desejo de formar uma família, de ser pai, não se
desfez.
Certo que estou pulando algumas etapas e não tenho uma
esposa, mas ainda é válido.
— Tenho absoluta certeza — respondi.
— Ótimo — Emily sorriu e me abraçou. — Vou torcer para dar
tudo certo, então.
· uma semana depois ·
Por incrível que pareça, Emma Bright ficou a semana toda sem
falar comigo.
Digo, ela só falava básico do básico. Sempre que queria alguma
coisa, me mandava um e-mail e nunca me chamava de Harry, só de
Snow. Ela estava realmente levando a sério a parte de manter os
assuntos apenas profissionais.
Perdi as contas de quantas vezes desejei entrar na sala dela e
beijá-la ao menos uma vez. O que fizemos ainda estava fresco na
minha mente, eu não estava conseguindo administrar esse novo
relacionamento, queria que tudo voltasse a ser como era antes...
Queria que ela me provocasse e depois pedisse por mim.
Deus. Eu só queria tocá-la novamente.
Eu estava surtando. Muito.
O que você fez comigo, Emma Bright?
Logo outra semana chegou. Eu não estava mais aguentando a
monotonia da senhorita Bright; só se comunicando comigo por e-
mails de puro interesse profissional, olhares desencontrados e
pouquíssimas palavras.
Ainda assim, Emma Bright conseguia fazer com que eu a
desejasse fortemente.
Hoje, na quarta-feira, ela estava com um vestido preto, justo,
que dava um belo volume aos seus seios e desenhava
perfeitamente as lindas curvas do seu corpo. Seu cabelo estava
solto, os cachos divinamente volumosos. Nos pés os saltos
enormes, que faziam barulho no piso de mármore quando ela
passava atrás de mim. Eu sempre olhava, para vê-la rebolar a
bunda a cada passo.
Caí de cabeça nessa loucura. A situação ficou crítica.
O meu trabalho do dia já tinha encerrado. Arrumei minhas
coisas na maleta e caminhei para o elevador, apertando o botão
para chamá-lo. Entrei rapidamente no equipamento assim que as
portas se abriram.
— Espere, Snow!
Eu já sabia quem estava me chamando.
— Oi — disse, colocando a mão na porta, impedindo fechasse.
— Eu esqueci de entregar a sua passagem. — Emma Bright
apareceu na minha frente. Essa foi a frase mais longa que ela falou
comigo durante o dia.
— Passagem? — perguntei, confuso.
— Sim. Para Dublin. — Ela estendeu a mão e me entregou um
envelope.
Lembrei da reunião que ela teria com o senhor Larry em Dublin.
— Mas eu não preciso ir com você.
— Eu quero que você vá comigo — replicou.
— Quer? — Olhei em seus olhos, mas logo a minha atenção foi
para os seus lábios.
Eu queria tanto beijá-la. Queria como se a minha vida
dependesse disso.
— Terei que ir à algumas reuniões e vou precisar da sua ajuda
para me organizar melhor — explicou. — Vamos viajar no sábado, a
primeira reunião é na segunda. Teremos o domingo para revisar os
assuntos... Ok? — Sua voz estava extremamente branda e suas
palavras eram diretas.
— Claro — assenti.
— Ótimo. Até amanhã, Snow.
— Senhorita Bright... — Ficamos nos encarando por um tempo
sem dizer nada.
Observei o peito de Emma subir e descer lentamente. Engoli em
seco algumas vezes, controlando-me para não dizer nada; para não
pedir por nada.
Visto que não havia nada a ser dito, Bright se afastou.
As portas do elevador se fecharam, apertei o botão do elevador
para o estacionamento.
Está ficando cada vez mais difícil trabalhar para essa mulher.
Mas a culpa era minha, parece que só foi ela me dispensar que
a confusão de sentimentos que eu estava antes começou a se
alinhar.
Não posso ficar pensando nisso..., mas como evitar?
Quando cheguei na casa da Joh, Adrissa estava brincando com
a Phoebe... Ou seria a Dayse? Eu nunca conseguia distinguir as
gêmeas.
— Harry! — Ela gritou, correndo para me abraçar.
— Oi, Pequena. — Carreguei-a.
— Vamos para casa agora? — perguntou, mas não muito
contente.
— Sim. Você queria ficar?
— Eu queria brincar mais um pouco...
— Vai poder brincar bastante com a... ela — apontei para outra
criança na sala — amanhã.
— Tá bom. — Ela assentiu, mas ainda demonstrava
descontentamento.
— Vá chamar a Chloe para pegar as suas coisas. — Coloquei-a
no chão. Adrissa saiu correndo pela casa.
Alguns minutos depois, Chloe apareceu na sala com a Adris e
as coisas dela na mão.
— A bonitinha aqui não quis almoçar direito hoje — disse a
jovem.
— Por quê? — Olhei para criança.
— Folha ruim — respondeu ela, fazendo cara de nojo.
— Folha?
— Ela está falando da alface — disse Chloe. — O que ela
comeu foi quase nada.
— Vou pedir algo no restaurante. — Peguei a Adris do colo.
Eu queria que a Adrissa se alimentasse bem. Além de ser uma
criança pequena, ela era muito magra — claro que por conta da
situação em que vivia —, então era essencial que ela comesse
coisas saudáveis.
— Você vai jantar agora — disse para ela. — E se não comer,
vai ficar sem desenho.
— Mas eu gosto de desenho — protestou.
— Se você prometer que vai comer todo dia, mesmo se tiver
folha, eu prometo que não vou tirar o seu desenho.
— Tá bom. — Ela fez bico, mas assentiu.
Olha, eu levo jeito.
Chloe me acompanhou até a porta.
— Eu acho que você deveria colocá-la na escola — disse a
mulher. — Ela já tem seis anos.
— Eu só tenho a guarda provisória — lembrei-a.
— E o quê que tem? Essas semanas que restam vai ser bom
para ela aprender algo e socializar com mais crianças. Você pode
tentar colocar ela na mesma escola que as meninas aqui. Só é
explicar a situação na hora que for matricular ela, ou ver com a sua
advogada. E outra, você vai estar pagando, com certeza eles vão
aceitar — sugeriu. — E isso pode até contar como um ponto para
você, na adoção. Está cuidando da educação da criança.
— Hmm... — Ponderei rapidamente. — Pode ser. Vou analisar
isso melhor amanhã, quando estiver liberado para o almoço. —
Aproveitar para acrescentar: — Ah! Sabe aquela viagem que eu
disse que talvez eu fosse fazer? Então, eu vou viajar e vou deixá-la
com você.
— Você sabe que eu vou cobrar em dobro, não é?
— Isso é extorsão, Chloe — franzi o cenho.
— Eu vou perder o meu sábado e o meu domingo cuidando da
criança.
— Eu sei que você vai deixá-la com a Geórgia e vai sair —
repliquei, me referindo a terceira irmã mais velha da família.
— Eu poderia não fazer isso dessa vez. — Ela cruzou os braços
e se apoiou na porta.
— Você é tão cara de pau quanto o Lan. Vou pagar só as horas
a mais.
A mulher revirou os olhos.
— Tenha uma boa noite, senhorita.
Coloquei a Adris no chão e caminhamos para a saída. Perto das
escadas, a criança começou a correr.
— Cuidado para não cair! — alertei, mas não adiantou de nada,
ela continuou correndo.
Depois que a Joh preparou o nosso jantar, saí do restaurante e
fui direto para casa. Ajudei Adrissa no banho e deixei-a assistindo
desenhos enquanto tomava o meu.
Na cozinha, esquentei o jantar e servi nos pratos. Como eu
tinha certeza de que a Adrissa não sairia da frente da TV para
comer, eu levei o prato até ela.
— Hora de comer, Adris — disse a ela.
— Desenho primeiro.
— Não, comer primeiro. O desenho não vai fugir de você.
— A comida também não — retrucou.
Encarei-a, pasmo.
— Eu vou deixar você menos tempo com a família do Lan,
arrogância pega — murmurei. — Coma tudo, por favor. — Coloquei
o prato dela em cima da mesa de centro e peguei um banquinho
para ela se sentar. — É para comer agora — ordenei.
Crianças precisam de pulso firme.
A garota desceu do sofá e sentou-se no banquinho, pegando o
talher para começar a comer.
Um ponto para o Harry.
Os demônios dos quais estamos fugindo,
eles estão implorando para ficar
Red Desert | 5 Seconds Of Summer
Na quinta-feira e na sexta-feira Emma não apareceu para trabalhar,
e como da outra vez, deixou um e-mail avisando o que eu deveria
fazer.
Bom, se ela continuasse faltando assim, talvez ficasse mais fácil
para mim. Não ia ter muito o que olhar para ficar desejando.
O sábado chegou. O dia em que eu iria para Dublin.
Arrumei as minhas malas logo na sexta de noite. Também tive
uma conversa longa com a Adrissa, ela queria que eu a levasse
comigo, expliquei — várias vezes — que eu não poderia porque eu
estava viajando à trabalho, mas que logo eu estaria de volta.
Consegui matriculá-la na escola, mesmo sendo por um curto
período. Félicité me ajudou com a parte burocrática, e como a Chloe
disse: eu estava pagando, então até que foi fácil achar a vaga.
Levei a Adrissa até a casa da Joh e segui para o aeroporto.
A viagem para Dublin foi tranquila. Assim que saí do aeroporto,
recebi uma mensagem da Bright avisando para esperá-la ali
mesmo, pois iríamos juntos para o apartamento. Quando o carro
estacionou na minha frente e a mulher saiu do veículo, senti que
todo o meu ar estava sendo roubado naquele momento. Eu já tinha
a visto várias vezes, e de todas as maneiras, mas, ainda assim,
Emma Bright conseguia me surpreender com a sua beleza.
— Snow? — Ela me chamou.
— Oi. Desculpe-me... — Balancei a cabeça, percebendo que
estava estático.
— Qual o seu problema? Você está muito aéreo ultimamente.
— Não é nada.
— Coloque as suas coisas no carro. E rápido.
Assenti, enfim me movendo.
Quanto mais linda, mais megera.
— Eu pensei que iríamos ficar em um hotel — comentei assim que
chegamos, ajudando o motorista a tirar as malas do táxi.
— Eu não vou perder o meu tempo em hotel, sendo que eu
tenho um apartamento aqui — respondeu Emma.
Dirigindo-se até a recepção, Bright pegou a chave do
apartamento. E, como na moradia dela em Londres, essa também
ficava no último andar e era tão grande quanto a outra.
— Onde fica o seu quarto, Bright? — perguntei ao entrarmos.
— E por que você quer saber? — Ela me encarou no mesmo
momento, com a expressão confusa.
— Suas malas.
— Ah, isso. — A mulher revirou os olhos. — Venha.
Peguei as malas e a segui pela longa escada, seguindo pelo
longo corredor, observando-a rebolar a bunda enquanto andava — o
que era extremamente visível, graças ao seu vestido curto. Enfim
cheguei ao seu quarto, onde coloquei as malas na cama, e logo
caminhei para fora.
— Obrigada. — Escutei-a dizer antes que eu saísse.
— Por nada.
— Você pode se hospedar em qualquer quarto, depois que
comermos alguma coisa podemos começar alguns trabalhos.
— Ok. — Assenti. — Com licença. — Apressei-me em me
afastar dela.
Voltei para a sala e peguei a minha mala. Caminhei um pouco
entre os corredores e entrei em um quarto qualquer, me jogando na
cama.
Quando fechei os olhos por um momento, me dei conta de que
ficaria dias nesse apartamento com a Emma.
Sozinhos. Sendo que eu estava com tanta vontade de beijá-la
que não conseguia expressar em palavras. Morrendo de tesão.
Agora eu perco o meu emprego.
Levantei-me da cama e comecei a tirar a roupa. Joguei as
peças no chão e entrei no banheiro.
Um banho iria me deixar mais relaxado. Sem dúvidas.
Assim que terminei de vestir a minha roupa e saí do quarto, uma
música começou a tocar. Consegui reconhecer a melodia quando
cheguei à sala.
Ao caminhar mais um pouco, encontrei Emma na cozinha. Ela
estava virada para a pia, fazendo alguma coisa. Quando me
aproximei do balcão, reparei que ela estava apenas com uma
camisa social branca e calcinha de renda preta.
Como se eu não tivesse tesão acumulado o suficiente, aquela
cena apareceu para contribuir um pouco mais.
Não tive como desviar meus olhos de suas pernas. E até
ponderei bastante sobre a ideia de ter caído no chão do banheiro e
isso ser apenas um sonho.
Essa mulher era a responsável por tirar o meu sono, interferir no
meu trabalho, bagunçar a minha cabeça... e confundir os meus
sentimentos.
Maldita a hora em que eu disse sim.
Emma, que estava se movendo ao ritmo da música, se assustou
quando se virou e deu de cara comigo — secando-a.
— Eu não tinha te visto — disse ela, sorrindo, e pausou a
música.
— Eu sei... — Fiz um esforço mental para não desviar o olhar
dos seus olhos para os seus seios, que estavam quase à mostra
pois ela não estava de sutiã, a propósito.
Não funcionou por muito tempo.
Encarei fixamente o vão entre os seus seios. Meu coração se
tornou uma bagunça de solavancos. O sangue pareceu circular mais
rápido entre as minhas veias.
O que estou fazendo?
Tentando com todas as forças subir o meu olhar — talvez não
todas assim —, pude notar duas borboletas bordadas no colarinho
da camisa que Emma usava.
— Essa camisa...
— Sim, é sua. Peguei no seu quarto. — Ela levou a mão até um
botão e o abriu. — Mas se estiver incomodado, eu posso tirar...
— Não. — Engoli em seco. — Está tudo bem. Pode continuar o
que você estava fazendo.
A mulher sorriu e encheu o peito de ar, a camisa se movimentou
no seu corpo, fazendo eu ver bem mais do que deveria.
Emma virou-se para pia, colocou a água em uma panela e ligou
o cooktop, depois colocou macarrão dentro de uma panela que já
estava com água fervendo.
— Então, Snow... — Virou-se para mim novamente. — Quer...
comer? — perguntou, mordendo os lábios bem devagar.
Eu com certeza caí no banho.
— Você está com cara de quem está com fome... — Ela
continuou, sua voz era suave e sexy. — Posso resolver isso. —
Bright levou a mão até a camisa e abriu mais um botão, sobrando
apenas dois fechados agora.
Como o esperado, não precisou de muito para que eu optasse
por perder o juízo de uma vez.
Quem disse que o diabo veste Prada, com certeza nunca olhou
Emma Bright de perto.
Liguei o foda-se.
Eu quero essa mulher.
Preciso tocá-la mais uma vez. Só mais uma vez.
Dei a volta no balcão e me aproximei, juntando o meu rosto ao
dela. Fechei os olhos, sentindo o seu cheiro maravilhoso de perto.
Emma não pediu para eu me afastar.
Assim eu vou me entregar.
Minha vida não estava perfeita, mas eu estava bem melhor
antes da Emma aparecer, seduzir-me e agitar o meu coração em tão
pouco tempo.
Não tem mais volta, não é?
No momento em que os nossos lábios se tocaram, deixei um
gemido que estava há muito tempo preso em minha garganta.
Porra, tão bom. Minhas mãos adentraram em seus cabelos. Aquela
sensação dos cachos se enrolando em meus dedos era
absolutamente maravilhosa.
Segurei-a pela cintura e a coloquei em cima do balcão da
cozinha, sem desgrudar da sua boca. Eu sentia o sangue ferver por
cada parte do meu corpo quando sua língua tocava a minha e suas
mãos percorriam desesperadamente pelos meus braços.
Tão fodidamente bom.
Mas...
O resquício de sanidade que restou no meu cérebro me fez
cortar o beijo abruptamente.
— Qual o problema? — perguntou Emma, um pouco sem
fôlego.
— Emma, eu... — Abri os olhos para encará-la. — Eu... — Levei
minha mão até o seu rosto e o acariciei levemente. — Eu gosto de
você. De verdade. — As palavras se arrastaram pela minha
garganta com facilidade.
Emma abriu a boca para proferir alguma coisa inúmeras vezes,
mas desistiu em todas elas. Seu olhar era de surpresa, e sua
respiração tinha ficado mais pesada.
Eu me sentia ainda mais tolo por ter dito aquilo em voz alta,
ainda mais porque não mudaria absolutamente nada entre nós a
essa altura.
Todavia, aquela era a verdade.
Pelo menos agora ela sabe o que fez comigo.
Me dispensar naquele dia foi como tentar apagar fogo com
gasolina.
Eu ainda estou queimando.
— Harry... — Foi a única coisa que ela disse, depois de um
tempo, e baixou o olhar.
— Tudo bem. Eu sei que estou bancando o sentimental, mas
acredite em mim, é a mais pura verdade. Não soube o que estava
acontecendo comigo até chegar ao ponto de não conseguir parar de
pensar em você — acrescentei. O não eu já tenho, por que não
correr atrás da humilhação?! — Quer dizer, eu ainda estou confuso
pra cacete. Talvez essa seja a única coisa que eu tenha certeza no
momento.
— Harry, eu... eu... — balbuciou.
— Está tudo bem. — Deslizei minha mão pelo seu pescoço. Eu
ainda tinha o controle, precisava aproveitar para falar. — Se eu
continuar o que estamos fazendo aqui, sei como vai ser quando isso
tudo acabar... Vamos voltar para os assuntos de trabalho, você vai
me ignorar e eu vou ficar desejando que você mude de ideia
novamente. — Desci a mão e apertei sua cintura.
— Não pense no depois, Harry. Vamos pensar no agora, eu e
você... — Ela entrelaçou as pernas na minha cintura e puxou-me
para mais perto.
Fiquei olhando em seus olhos por um bom tempo. Suas mãos
percorreram os meus braços e pararam no meu rosto. Eu desejei
tanto por esse momento; poder beijá-la e me enfiar no seu corpo,
não sabia por que estava ponderando sobre o assunto.
Talvez porque não fosse passar de apenas sexo mais uma vez.
Talvez “gostar” não fosse a palavra que eu deveria ter usado.
Ainda assim, isso era melhor do que nada.
Era melhor do que ficar com ereção de madrugada e não
conseguir se aliviar porque não é a sua própria mão que o seu pau
quer. Era melhor do que ficar tendo devaneios transando com ela.
Era melhor do que apenas ficar pensando em todos os momentos
em que sua pele encostou na minha, em que seus lábios me
beijaram e suas mãos me apertaram.
Harry tolo. Depois de fodê-la hoje, devaneios e desejos será
tudo que eu vou ter.
Fechei os olhos e senti seus lábios nos meus de repente. Foi o
suficiente para eu tomar a minha decisão.
— Porra, Emma — grunhi em seus lábios.
Esse era o tipo de inimigo invencível.
Afastei-me da mulher apenas o suficiente para abrir sua camisa
com um puxão, fazendo os botões restantes voarem para sabe-se lá
Deus onde. Sorri ao ver seus lindos seios expostos de uma vez,
sendo atraídos como imãs, minhas mãos o agarraram.
— Você é tão linda... — disse encantado, excitado, atônito.
— E você ainda está vestido. — Pontuou ela, colocando as
duas mãos na barra da minha camiseta, puxando-a para cima.
Livrei-me do tecido no mesmo instante. — Vamos logo, eu também
estou com fome.
Puxei-a do balcão, segurando-a pela cintura. Caminhei até a
sala — fazendo uma prece mental às forças dos céus para não
esbarrar em nada — e me sentei no sofá enorme, com ela no meu
colo.
Tirei a camisa da Emma, jogando no chão, e sem perder tempo
coloquei a minha boca em um dos seus seios. Senti o seu mamilo
endurecendo cada vez mais à medida em que eu o chupava.
Gemidos escapavam de sua boca, enquanto ela se contorcia e
dava pequenos puxões no meu cabelo.
Parar agora não era mais opção. Eu já estava provando do
manjar dos deuses.
Joguei-a no sofá, ficando por cima e direcionei minha boca até o
seu pescoço, enquanto as minhas mãos passeavam pelo seu corpo.
Minha pele se arrepiava em cada canto que os seus dedos me
tocavam.
Emma entrelaçou as pernas novamente na minha cintura e
puxou-me para baixo. Nossos sexos colidiram, ela começou a
rebolar no meu membro, que pulsava, já estupidamente duro,
querendo estar dentro dela.
Trilhei beijos do seu pescoço até o umbigo. Afastei um pouco
suas pernas e inclinei-me para depositar um beijo na sua intimidade,
ainda por cima da calcinha. Ela gemeu e então soltou um gritinho
quando eu mordi lá, suavemente. Passei os meus dedos por cima
do tecido da calcinha, que estava completamente molhada,
estimulando seu clitóris.
— Harry... — A voz dela saiu como um sussurro e ela estava
arranhando os próprios seios.
— Você sentiu a minha falta, Emma? — indaguei. — É por isso
que estamos aqui? — Beijei a parte interna da sua coxa. Ela ergueu
os quadris para se aproximar. Mordi seus lábios com um pouco mais
de força. — Apenas me responda e eu faço como você quiser.
Ergui os olhos para encarar a mulher vulnerável na minha
frente.
— Senti, Harry... — respondeu, novamente quase em um
sussurro.
— Estamos sozinhos, Bright... — pressionei dois dedos no seu
ponto sensível, sentindo-o inchado — Coloque essa voz para fora.
— Porra... Eu senti a sua falta, Harry. — Seu tom agora foi mais
alto.
— Muito bom saber disso. — Sorri.
Não se agarre a pequenas esperanças, Snow. Alertei a mim
mesmo.
Rapidamente, rasguei a calcinha dela. Inclinei-me novamente
para depositar outro beijo lá, dessa vez sentindo seu gosto delicioso
impregnado na minha língua. Segurei suas pernas com força, para
prendê-la perto de mim enquanto eu a chupava, sugando seu clitóris
bem forte. Ela soltou um gritinho tão sexy, que eu pude sentir o meu
pau se contorcer na minha calça.
Lambi a sua intimidade lentamente, deixando-a se recuperar.
Emma ergueu uma mão até o meu rosto, acariciando-o, e depois a
moveu para o meu cabelo, onde o puxou. Seus quadris começaram
a se movimentar contra a minha boca, deixei-a brincar com a minha
língua.
Palavras incoerentes saíam de sua boca em uma voz
completamente rouca.
— Eu poderia fazer isso o dia todo, e não cansaria — disse eu,
feliz por conseguir raciocinar o bastante para formar uma frase.
— Então faça... — ela gemeu, manhosa. — Não pare... Por
favor... — pediu, contorcendo-se, elevando seu quadril.
Deslizei dois dedos para dentro da sua boceta encharcada e
comecei a movimentá-los. Puxei seus quadris com a outra mão,
incentivando-a a se mover no mesmo ritmo. Bright começou a
circular os quadris, indo cada vez mais rápido.
— Eu... — ela arfou, os movimentos começaram a falhar,
quebrando o ritmo.
Girei o pulso, entrando ainda mais fundo. Aumentei a velocidade
da penetração e deixei minha língua passar exclusivamente em seu
clitóris. Emma gritou e suas pernas tremeram quando o clímax
tomou conta do seu corpo.
Enquanto ela recuperava a respiração, eu fiquei observando-a.
Porra, até do seu rosto corado depois de gozar eu senti falta. Fiquei
por cima dela de novo e beijei-a.
— Você é tão linda.
— Você já disse isso. — Emma sorriu.
— Eu sei. — Selei delicadamente seus lábios.
— Gosto de você, Harry... — Ela disse, olhando em meus olhos.
— Você não estaria aqui se isso não fosse verdade... e também, se
não fodesse direito... — Agora seus lábios se moveram para um
sorriso malicioso.
Não tive tempo de reagir apropriadamente ao que ela disse,
pois senti sua mão abrir o botão da minha calça e descer o meu
zíper. Emma colocou a mão por dentro da minha boxer e arranhou o
meu membro. Eu acabei gemendo.
Puta merda. É essa a mão maravilhosa que tem que me tocar!
— Sabia que o seu gemido é um tesão? — disse ela.
— Acredito que não tanto quanto o seu.
— Não sabe o quanto eu estava ansiosa por isso... — Ela
começou a me masturbar.
Arfei.
— Acredito que não tanto quanto eu.
Não satisfeito, levantei-me, desfiz-me das calças e voltei a
sentar no sofá. Emma rapidamente levantou-se e se sentou no meu
colo, pegando o meu membro novamente. Seus dedos ágeis me
pressionavam com força, arrancando todo o ar do meu pulmão.
— Não é aqui que você vai gozar. — Ela disse, erguendo os
quadris e posicionando o meu pau em sua entrada.
Emma sentou bem devagar, fazendo-me arfar cada vez mais
pesado enquanto sua boceta molhada e apertada me engolia.
Não estava usando preservativo, então a sensação era pele na
pele.
Inferno! Como era bom!
— Ai meu Deus... — Ela gemeu, inclinando a cabeça para trás.
Beijei seus lábios, agarrei sua bunda, suas coxas, subi as mãos
até os seios, necessitando tomar todas as partes do seu corpo ao
mesmo tempo.
Girei meu corpo, segurando-a pela cintura e nos deitei no sofá.
Comecei a me movimentar, entrando e saindo dela bem devagar,
querendo aproveitar o máximo possível.
— Snow... — Meu nome saiu da sua boca como um gemido
manhoso.
Eu queria que ela continuasse falando, era maravilhoso escutar
sua voz naquela situação; absorvendo o prazer. Estava controlando-
me para não gozar desde que ela sentou no meu pau daquela
maneira.
Coloquei suas pernas na minha cintura e segurei suas mãos do
topo da sua cabeça. Comecei a aumentar minhas investidas.
— Isso... assim...
Nós nos movíamos juntos sem esforço nenhum, nossas peles
molhadas deslizando uma na outra. Suas mãos apertavam a minha
cada vez mais forte. Ela estava chegando perto, seus gritos se
tornavam mais altos, ainda que vez ou outra ela ficasse sem voz; a
boca aberta em um gemido silencioso, meu nome escapava de sua
boca inúmeras vezes e sua boceta esmagava o meu pau a todo
momento.
Estava prestes a me derramar dentro dela, mas precisava que
ela gozasse junto comigo, então diminui a velocidade.
— Por favor... Não pare... — implorou.
— Não vou parar, amor, quero que goze comigo. — Apoiei uma
perna sua no meu ombro e usei minha mão livre para estimular o
seu clitóris. — Vamos, aperte essa boceta gostosa até chegar lá.
Comecei a estocar mais fundo e bem mais rápido. Se antes ela
gritava, agora tinha mais motivo ainda para continuar fazendo isso.
Liberei suas mãos, Emma rapidamente puxou-me pelos
cabelos, seus lábios se abriram em um perfeito O e ela pendeu a
cabeça para trás.
Eu estava quase entrando em combustão, e quando ela disse o
meu nome em um gemido extremamente excitante recebendo o seu
orgasmo, não pude mais segurar. Nada no mundo poderia ser
melhor do que aquela sensação. Então entreguei-me, gozando junto
com ela, deixando toda minha porra dentro dela.
Puta merda.
Minha respiração estava uma bagunça. Meu peito subia e
descia de um jeito desengonçado. Eu estava exausto.
Feliz.
Emma se remexeu embaixo de mim, e eu notei que o meu peso
estava incomodando. Saí de cima dela e joguei-me no chão. Peguei
a minha camisa — que Emma estava vestindo antes —, cobrindo os
meus documentos. Fechei os olhos para descansar um pouco,
recuperar as energias gastas, mas rapidamente os abri pois escutei
um bip bip.
Bright se levantou do sofá e correu até a cozinha. Eu ainda
estava indisposto — e confesso que com preguiça — para levantar
e verificar o que tinha acontecido, então continuei deitado. Emma
voltou para sala minutos depois, e agora estava vestindo a minha
camiseta que foi arrancada na cozinha.
— Eu acho que o nosso jantar vai ter que ficar para outra hora
— anunciou ela.
— O que houve? — consegui sentar-se, ainda no chão.
— O macarrão que eu pretendia fazer... a água evaporou e ele
queimou.
— Eu posso descer, passar em um restaurante e comprar algo
para nós. — Levantei-me.
— Sem pressa, Snow. — Ela se aproximou, puxando a camisa
da minha mão. — Segunda rodada no meu quarto... daqui a pouco...
— disse, sorrindo.
Emma colocou as mãos no meu peito e as deslizou até o meu
abdômen, e em seguida as direcionou para o meu membro,
segurando com força.
— Vou colocá-lo na minha boca primeiro.
E lá estava eu, pronto para mais quantas ela quisesse.
Parece que estamos tão distantes
Há tanto espaço entre nós
Talvez já tenhamos sido vencidos
Love In The Dark | Adele
· dia seguinte ·
Acordar ao lado da Emma me causava uma sensação boa. Podia
até parecer besteira, dado a tudo o que já fizemos — e fizemos
muita coisa na noite anterior —, mas vê-la deitada na cama, ao meu
lado, tranquila, me passava uma sensação de bem-estar; de um
homem feliz ao lado da mulher que gosta.
Apesar de estar com o cabelo bagunçado e deitada de um jeito
nada confortável na cama, ela estava inenarravelmente linda,
vestida apenas com a minha camiseta e o com o lençol cobrindo
suas pernas. Sua expressão era serena, e a respiração calma.
Essa poderia ser a última vez em que eu a veria assim, então
passei mais tempo do que o considerado normal observando-a,
querendo gravar milimetricamente cada detalhe do seu corpo, do
seu rosto perfeito.
Levantei-me da cama do jeito mais delicado possível, eu não
queria que ela acordasse, e fui para o banheiro do quarto que eu me
hospedei, para tomar banho.
Vesti uma calça moletom preta, uma camisa de manga
comprida, preta também, e coloquei a touca na cabeça. Calcei os
tênis, peguei o meu celular que estava na cama, e o fone de ouvido,
depois saí do quarto.
Decidi que iria correr um pouco. Aconteceu muita coisa em um
dia só, eu precisava distrair a mente, e correr seria a melhor opção.
Verifiquei se Emma ainda estava no quarto. Ela continuava
dormindo, então eu saí.
Ignorei o elevador e desci pelas escadas, correndo. Funcionava
como um bom aquecimento.
Eram seis horas da manhã, o movimento nas ruas ainda estava
lento. Não tinha muitos carros passando e as lojas ainda estavam
fechadas.
Coloquei o meu fone e escolhi uma playlist bem aleatória para
tocar, então I Know You Were Trouble, da Taylor Swift, invadiu os
meus ouvidos. Não era a minha primeira escolha, mas deixei a
música tocar. Comecei a correr.
Uma hora e meia depois, eu era um homem morto. Corri pela
cidade como se estivesse fugindo de algum animal selvagem e
agora estava à beira de um ataque cardíaco.
Passei em um mercado para comprar água e foram necessários
mais de cinco minutos para eu conseguir falar para a atendente que
eu queria água — na verdade eu nem falei, ela me ofereceu.
Quando é que eu vou ganhar a maldita resistência se eu corro
bastante?
Sentei-me em um banco da praça, ainda tentando controlar a
minha respiração, quando o meu celular tocou. Era o Lan.
— Bom dia, caro cidadão! — cumprimentou ele, aparentemente
contente.
— B-bom... dia, L-Lan!
— Não acredito que você atendeu o celular fodendo. Cara,
poupe-me disso!
— Idiota! E-eu... — Demorei um pouco para falar. — Eu estava
correndo, estou apenas muito cansado.
— Ah bom!
— O que você quer?
— Primeiro, eu quero saber como estão as coisas aí, você e a
sua chefe gostosa que lhe deu um pé na bunda....
— Ficaria feliz se você parasse de me lembrar dessa parte.
— Não — respondeu simplesmente. — E então, como está?
— Eu acho que está tudo bem... Eu contei que gosto dela... —
Minha voz diminuiu de repente.
— Calma, mas ela não te dispensou e disse que vocês não
iriam mais se pegar? Por que você falou?
— Estávamos no meio de uma coisa...
— Coito?
— Não foi no meio do coito. Estávamos... Bom, não tínhamos
chegado à parte do coito. Eu simplesmente soltei, saiu da minha
boca como algo que deveria ser dito naquele momento.
— E o que mais?
— Depois ela disse que gosta de mim também, mas eu não
senti tanta firmeza assim, já que dessa vez estávamos no coito... —
Fiz uma pausa para organizar meus pensamentos.
— Complicado... Talvez ela só queira aproveitar, como antes. —
Continuei calado. — Olha, Harry, toma cuidado, ok?
— Por que está dizendo isso?
— Porque eu te conheço, e não quero ver mais ninguém
brincando com os seus sentimentos. — Seu tom estava sério. —
Não acredito que a Emma esteja na mesma sintonia que você, e
agora que você resolveu se emocionar, ela pode simplesmente se
aproveitar e arrastar essa relação complicada até onde quiser.
As palavras sumiram da minha boca. Landon costumava ser
cruel até mesmo quando não era a intenção dele, mas ele sempre
falava a verdade e era sincero comigo. Não seria agora que eu
desacreditaria nele.
Eu dei carta branca a Emma ontem. Tomar de volta seria uma
missão impossível.
Definitivamente, “gostar” não é a palavra.
— Eu vou tentar, Landon... — disse por fim. E mudei logo de
assunto, adiando a dor de cabeça. — Onde está a Adris?
— Saiu com a Chloe, acho que foram comprar roupa... Sei lá.
— Ah, eu queria falar com ela. Depois ligo para a Chloe, então.
— Ok. Segunda coisa, que dia você vai voltar?
— Acho que na quarta. Por quê?
— Meu primeiro jogo no time oficial é na quinta, você tem que ir!
— disse ele, animado.
— Claro que eu vou, Lan.
— Só para constar: eu não perguntei se você iria, eu afirmei.
Revirei os olhos.
— Ok. Onde vai ser?
— Aqui em Londres mesmo.
— Ótimo.
— É muito importante para mim, é o meu primeiro jogo no time
da Série A, por Deus, Harry, não falte!
— Eu sei, Lan. Não irei faltar. Se preciso peço até demissão,
fico ao relento e sem emprego, mas eu não falto o jogo.
— Ótimo. Isso que é amigo dedicado. — Ele deu risada e eu
acompanhei. — Tchau, Haz. E mantenha a cabeça no lugar, as duas
de preferência.
— Vou me esforçar — assegurei, sem credibilidade alguma.
— Porra nenhuma.
— Tenha fé em mim, Landon — resmunguei.
— Por te conhecer, eu não desperdiço a minha fé. Tchau, Harry.
No aguardo da sua ligação em prantos. — Ele desligou na minha
cara.
Landon Thompson tóxico.
Terminei de beber a água que comprei, mas continuei sentado
no banco por um tempo, olhando o movimento.
Nem comecei a jogar, mas sinto que já perdi.
Agradeci a Deus por ter lembrado o caminho de volta para o
apartamento. As ruas já estavam mais movimentadas e eu me
confundi em algumas interseções. Olhei no relógio e eram nove
horas e dez minutos, não tinha demorado muito para voltar, mas
novamente estava tendo uma crise de falta de ar. Fiquei mais dez
minutos do lado de fora, tentando recuperar o meu fôlego de vida,
depois entrei.
Por coincidência, encontrei Emma esperando o elevador chegar.
— Bom dia, Emma — falei, quando cheguei perto dela.
Ela virou-se e me fuzilou com o olhar.
— Onde você estava? — perguntou, quase rosnando.
— Eu fui correr um pouco.
— Por que não me avisou?
— Você estava dormindo, não queria te acordar.
O elevador chegou e ela entrou, eu em seguida. As portas se
fecharam e o equipamento começou a subir. Ficamos em silêncio.
Emma estava de braços cruzados e se movendo de uma forma que
deixava evidente que ela estava com raiva.
— Aconteceu alguma coisa? — perguntei, preocupado.
— Não. — Agora ela rosnou mesmo.
— Tem certeza?
— Sim.
Quando pensei em questionar mais uma vez, não acreditando
em suas palavras, o celular dela tocou. Emma o atendeu
rapidamente, se afastando um pouco de mim.
Não vou mentir, por mais que isso fosse inadequado, eu tentei
prestar a atenção na conversa dela. Pena que não consegui captar
nada significativo. Bright soltou um repertório extenso de palavrões
quando desligou a chamada.
O elevador parou no trigésimo andar, a mulher saiu
praticamente correndo.
— Emma — corri atrás dela.
— Não enche! — Ela continuou andando apressada.
— Emma dá para você parar? Emma! — O inferno daquele
corredor era tão longo que eu fui chamando-a por todo o percurso.
— Emma! Dá para você parar? — gritei.
E então ela parou. Fiquei feliz por ter conseguido sua atenção,
mas quando ela lentamente virou-se e me encarou como se
quisesse me estripar ali mesmo, mudei de ideia.
E quis muito correr.
— O que você quer, Snow? — indagou, furiosa.
— Quero saber por que você está assim... O que aconteceu? —
Agora eu estava perto dela, e pude ver o seu peito subindo e
descendo rapidamente. Ela estava respirando raiva. — Eu fiz
alguma coisa?
— Por que você acha que você fez alguma coisa? — retrucou.
— Porque você está praticamente rosnando para mim.
— Não me enche, Snow. — Emma me deu as costas, mas eu
segurei seu braço e puxei-a para mim.
— Emma... Por que continua fazendo isso? — Encarei seus
olhos castanhos. — Um dia me quer e no outro me trata... assim?
— Me solta, Snow. — Seus olhos não saíram dos meus, pude
vê-los um pouco marejados.
Estava acontecendo alguma coisa, era evidente, ela só não
queria me contar.
— Não vou soltar até você me contar o que aconteceu — disse
firme.
Eu pensei em beijá-la, para ver se assim a raiva dela diminuía
um pouco, mas não tive muito tempo para ponderar sobre o
assunto, pois Emma levantou o joelho e acertou bem no meio de
minhas pernas.
— Caralho! — Soltei-a imediatamente para segurar as minhas
partes baixas e gemer de dor.
Curvei todo o meu corpo para frente. Ela deu uma joelhada
extremamente forte.
Meu pau nunca mais vai subir.
Bright virou-se, sem dizer nada, e caminhou para dentro do
apartamento.
Lentamente, entrei na residência também, sentando-me no sofá.
Eu ainda estava sentindo dor, mas tentei ignorá-la por um
tempo, a fim de procurar em minha mente se eu tinha feito algo para
ter deixado a Bright com raiva. Porém, a única coisa que eu fiz
assim que acordei foi admirá-la e depois sair para correr um pouco.
Não iria até o quarto dela — ou seja lá onde ela esteja — tentar
conversar de novo. Eu não queria ter o meu membro afetado pela
segunda vez.
Pensei que seria diferente.
Tivemos uma noite tão agradável e dormimos bem.
Mas, pelo visto, ela ainda estava com essa mania de me tratar
bem apenas quando precisava de mim para penetrá-la e lhe
proporcionar orgasmos.
Como você é tolo, Harry.
Eu deveria ter ficado em casa. Dublin não seria bom para mim.
Não vale a pena ser pisado e feito de trouxa só para ganhar uma
boa foda.
A magia de ontem já desapareceu, eu consigo pensar com
coerência agora.
Levantei do sofá e subi as escadas. Passei direto pelo quarto da
Emma, que estava com a porta fechada, e fui para o que eu me
hospedei. Tirei a roupa e entrei no banheiro.
Passei bastante tempo com a cabeça encostada no box, pensando
se realmente deveria ir embora. Não era a minha obrigação estar
em Dublin, o senhor Vegar nunca exigia a minha presença, então se
eu fosse para casa, a senhorita Bright não poderia me demitir por
isso.
Saí do banheiro e vesti a cueca que tinha deixado na cama,
sem me enxugar, depois vesti a calça moletom que estava limpa.
Arrumei as minhas malas e fiquei olhando-as por um tempo.
— Eu devo ir ou devo ficar? — perguntei a mim mesmo. —
Alguém me manda um sinal... Forças dos céus? — Olhei para cima.
Merda.
Saí do quarto e fui para sala.
Já era quase meio-dia, eu iria esperar mais uma hora para que
Emma saísse do quarto dela e aparecesse na sala. Caso o tempo
passasse e ela não parecesse, eu iria para casa sem avisá-la.
Sentei-me no sofá e fiquei olhando para o armário de bebidas.
Pensei se seria bom beber um pouco para clarear as ideias, eu
só não poderia ficar bêbado. Tendo isso em mente, corri até a
cozinha para buscar um copo com gelo. Abri o armário e peguei
uma garrafa de uísque.
Não vou me embebedar, preciso estar sóbrio para falar com a
Emma.
Vai ser apenas um gole da coragem.
Se você não encontrar outro motivo para ficar
Então eu sei que sempre terei um solitário, solitário, solitário coração
Lonely Heart | 5 Seconds Of Summer
Encarei meu reflexo no espelho. Lamentável.
O tempo para tomar uma decisão estava acabando.
E as coisas começaram a ficar mais complicadas.
Eu não deveria ter arrastado o Snow para Dublin comigo.
Foda-se a minha vontade de ter um pouco de paz e aproveitar o
tempo com ele sem o risco de alguém nos pegar juntos.
Foda-se que eu senti falta do seu beijo e das suas mãos firmes
segurando o meu corpo, do seu pau me fodendo com força.
Não, foda-me é o correto.
Harry Snow foi o filho da puta sortudo que conseguiu agitar o
meu coração e me fazer ir contra os princípios que eu estabeleci; os
planos que eu precisava seguir para que a minha vida entre nos
trilhos novamente.
Estou perto, não posso desistir agora.
Um plano idiota, mesquinho e egoísta, mas não posso desistir.
Era para ser apenas casual. Era para eu não ter mais relação
nenhuma com ele além do trabalho.
Francamente, hein, Emma? Voltamos a ter quinze anos?
Eu estava gostando do Harry. Gostando de verdade. Mais até
do que eu gostaria de admitir. E o fato de ele sentir a mesma coisa
— não sei se com a mesma intensidade que eu — me deixava feliz.
Estava até ponderando a ideia de tentar algo com ele. Pelo menos
tentar; pelo menos fazer durar mais
Sinto-me bem quando estou com o Snow, isso vai além do sexo
maravilhoso que ele faz. Ele me toca como se eu fosse especial, me
beija como se dependesse dos meus lábios para viver e me olha
como se eu fosse a única pessoa que importasse para ele na Terra.
Mas, tentar...?
As palavras do meu pai latejavam na minha cabeça: “Ou você
se casa antes dos trinta e cinco com um homem de negócios que
possa desempenhar um papel na nossa empresa, ou eu espero até
que o seu irmão tenha idade suficiente para assumir o seu cargo. E
não espere nenhum apoio da minha parte se não cumprir o
combinado.”
Eu não queria um marido de fachada, apenas porque o meu pai
precisava disso.
Não queria ter filhos com esse marido idiota de fachada apenas
porque o legado dos Bright tinha que ser passado e o meu pai teria
um derrame se visse uma mulher sozinha no poder.
Sou a porra de uma mulher inteligente e não preciso de um
homem para provar isso.
Eu sou ambiciosa — como toda mulher deveria ser —, e tinha
planos para construir o meu próprio negócio, mas se deixasse a
BEH agora, o senhor Bright dificultaria muito as coisas para mim.
Claro que sim.
Harry não entenderia. Acharia apenas que estou sendo a Emma
cretina.
Preciso de mais tempo.
Porra!
Voltei para cama e agarrei os lençóis que o Harry tinha dormido,
estava com o cheiro dele.
— Inferno, Snow... — murmurei no silêncio.
O barulho da música alta me tirou do sono. Levantei-me da
cama, atônita, e abri a porta do quarto. O som parecia vir da sala,
segui até lá.
Encontrei Harry deitado no chão, com um copo em uma das
mãos e um controle remoto na outra.
— Você tem algum distúrbio mental? — gritei, mas ele pareceu
não escutar.
Cheguei perto dele, vi que estava de olhos fechados e sorrindo.
Fui até o aparelho de som e desliguei manualmente. Rapidamente,
Harry abriu os olhos e me encarou.
— Que... merda você... está fazendo... aqui? — A voz dele
estava mais lenta que o normal e bem mais rouca também.
Estava bêbado.
— Você não está em uma balada, Harry. — Olhei para o sofá e
vi uma garrafa de uísque quase vazia.
— Vá embora, Emma! Eu... não gosto de você... na minha casa.
— Ele tentou levantar-se do chão, mas foi inútil. Segurei seu braço
para tentar ajudá-lo, mas assim que ele conseguiu ficar de pé, logo
se afastou de mim. — Não toque em... mim! Não... — Snow deu
dois passos para trás, tentando se equilibrar.
— Eu só estou tentando te ajudar — disse calma, por incrível
que pareça.
— Eu não preciso da sua ajuda! — cuspiu.
No dia em que ele bebeu na minha casa em Londres, e ficou
bêbado, não chegou ao ponto de ficar falando demais, apagou logo.
Que merda, Harry.
— Você precisa de um banho, venha. — Dei um passo para
frente e ele cambaleou três passos para trás. — Harry?
— Eu... não... Eu não vou... com você. Você é uma vaca... faz
mal... e me machuca...
— Por que estava bebendo, Harry? — franzi o cenho.
— Porque sim... — Ele se jogou no sofá e colocou as mãos no
rosto.
— Venha comigo, Snow — aproximei-me, com medo de ele
apagar ali mesmo, ficaria mais difícil levá-lo para o quarto.
— Vocês só brincam comigo. — Ele tirou as mãos do rosto e me
encarou.
— De quem você está falando? — perguntei, confusa.
Harry se levantou de supetão e ficou de costas para mim, como
estava sem camisa, pude ver as marcas dos arranhões que eu fiz
em suas costas na noite anterior.
Merda, merda, merda!
— Eu vou... vou embora daqui, pra longe... de você! — Snow
começou a andar em direção as escadas, mas eu segurei seu braço
rapidamente. Ele virou-se para me encarar. — Eu deveria estar em
casa... Você... só... confunde. Me deixa perdido... e bagunça a
minha cabeça.
— Você faz a mesma coisa — rebato. Não era um ótimo
momento para conversarmos, ele estava bêbado, não lembraria de
nada depois.
— Eu só faço te querer! Isso... é confundir? Então... eu queria
que você me... confundisse como eu te confundo. Seria... seria
prefeito! Agora me largue... você não pode me tocar... — Ele tentou
se afastar, mas eu continuei segurando seu braço e com a outra
mão toquei o seu torso nu.
— Você me fez sentir coisas boas depois de muito tempo sem
nada parecido, Harry... — Fui teimosa e continuei falando.
— Só nos damos bem quando eu estou dentro de você, Emma.
— Ele falou a frase inteira dessa vez.
Encarei sua íris verdes, brilhantes.
— Tem algumas coisas que eu preciso resolver antes...
— Que coisas? — Indagou ele. Balancei a cabeça. — Não vai...
me explicar?
— Eu não posso. — Minha mão agora estava em seu cabelo,
puxando os fios de leve.
— Tem... tem outro?
— Não — neguei rapidamente.
— Então?
— Harry... — Juntei meu corpo ao dele. — Você não pode me
pedir isso... Não agora, por favor. — Levei minha outra mão até o
seu rosto e o puxei para mim, mas ele não me deixou beijá-lo.
— Não sei se consigo desta maneira... Você bagunçou a minha
mente rápido demais, eu nem... Eu nem tenho certeza do que
quero, porque estou tão viciado em você, que não consigo pensar
com coerência... — Apesar de bêbado, suas palavras saíram de
forma sincera.
— O que você quer dizer com isso? — perguntei, temendo a
resposta.
— Que... Eu não vou mais tocar em você, Emma. — Ele se
afastou completamente. — Você só está me usando. — Suas
palavras foram sérias.
Não estava errado, no fim das contas, eu estava o usando.
Todavia, eu não tinha consciência de que uma transa iria
resultar nisso. Quando eu o dispensei, era para ser para valer. Mas
a falta falou mais alto... Maldito seja!
— Com licença, senhorita Bright... — disse firme, então virou-se
e começou a andar.
— Harry, por favor...
O homem não me deu atenção, continuou subindo as escadas
da maneira mais desastrada possível. Enquanto eu ficava parada, o
observando.
Vai ver era até o certo a se fazer.
Deveria deixá-lo ir. Não podia metê-lo nessa confusão gratuita
que era a minha vida.
A culpa é toda minha.
Subi as escadas para voltar ao quarto. No meio do corredor, vi o
Harry jogado no chão. Pelo menos não estava apagado. Segurei-o
pelo braço e ajudei-o a se levantar.
— Por que você... você ainda está na... minha... casa? — ele
perguntou, a voz arrastada tinha voltado com força.
— Essa não é a sua casa, Harry.
— Então o que... eu... o que eu estou fazendo... na sua casa?
— Estamos em Dublin e amanhã temos trabalho para fazer, que
era para ser feito hoje. Você precisa de um banho gelado.
— Eu não quero... tomar banho com você...
— Isso não foi um convite — rebati, um pouco sem paciência.
Ele era pesado e não estava ajudando. — Entre no quarto, Harry...
— pedi.
— Você só sabe mandar em mim. Emma mandona!
Depois de muito o empurrar, eu consegui fazer com que ele
entrasse no quarto. Vi que as malas estavam arrumadas em sua
cama.
Ele realmente iria embora.
Harry sentou-se na cama e, num piscar de olhos, abaixou a
cabeça e começou a vomitar.
— Que porcaria — resmunguei, com nojo.
Puxei-o da cama e empurrei-o até o banheiro, então comecei a
tirar sua calça.
— O que você... está fazendo? — perguntou ele.
— Tirando a sua roupa, não está óbvio? — Desci a calça pelas
suas pernas. — Dê um passo para trás... — Ele obedeceu e repetiu
o processo com a outra. — Entre no box.
— Você está parecendo... a minha mãe... — Ele entrou no box.
— Eu sei cuidar de... cuidar de mim.
— Cala a boca, Snow.
— Você está sempre com raiva de mim?
— Não estou com raiva de você. — Liguei o chuveiro em água
gelada.
Harry rapidamente segurou a minha mão e me puxou para perto
dele. Pensei que ele iria dizer ou fazer alguma coisa, mas não disse
e nem fez, então me afastei e saí do box. Estava toda molhada
agora.
— Fique aqui até eu voltar — disse a ele, e saí do banheiro.
Fui até o meu quarto. Enxuguei-me e troquei a roupa. Coloquei
a camisa que o Harry estava usando na noite anterior, e uma
calcinha. Apenas. Quando voltei para o quarto do Snow, ele ainda
estava debaixo do chuveiro.
— Posso... sair agora? A água está congelando... os meus...
órgãos. — pediu ele, batendo os dentes.
— Pode. — Peguei a toalha que estava pendurada no box e
entreguei para ele.
Saí do banheiro e fui até suas malas, abri as duas para procurar
uma calça e uma cueca para ele. Quando voltei para o banheiro de
novo, Harry nem tinha se enxugado.
— Você é pior que criança. Preferia que você tivesse apagado
logo, seria mais fácil. — Peguei a toalha da mão dele e comecei a
enxugá-lo.
Tive que me concentrar — e muito — para não pensar no tesão
que estava sentindo nesse exato momento passando a toalha pelo
corpo dele; pelo seu abdômen definido e os seus braços
musculosos.
Não posso pensar nisso agora.
— Consegue se trocar pelo menos? — perguntei, engolindo em
seco.
— Você não vai fazer isso por mim? — Ele sorriu.
Franzi o cenho.
— Você fez de propósito? — Joguei as roupas para ele. —
Troque a roupa e saia do banheiro, Snow.
Era só o que me faltava.
Caminhei até a sala e liguei para recepção, pedindo para que
alguém viesse limpar o quarto sujo de vômito.
— Quer comer alguma coisa? — Perguntei quando voltei ao
banheiro. Harry tinha feito o que eu mandei, estava vestido.
— Eu quero dormir — respondeu.
Segurei sua mão e o guiei para fora do banheiro. Avisei que
iriam limpar o quarto dele e que ele iria dormir no meu.
— Não quero dormir no mesmo lugar que você... — Ignorei-o e
continuei andando.
— Você pode se deitar aí. — disse a ele, que logo começou a
tirar a roupa. — Mas o que... Ah!
Eu tinha esquecido que ele gostava de dormir sem roupa.
Tudo bem. Podemos dormir pelados uma última vez.
Ajeitei-o um pouco na cama e o cobri com o edredom. Deitei-me
também, ao seu lado, ficando extremamente próxima. Ele já tinha
apagado na cama.
Coloquei minha mão em seu rosto e acariciei. Meus dedos
delinearam a sua boca rosada. Desci o toque pelo seu torso e
dedilhei seu abdômen, depois seus braços.
Inferno.
Apoiei minha cabeça em seu peito e fechei os olhos.
Estou confusa.
Deveria ser fácil escolher.
Não conseguir dormir.
Eu andaria no fogo ardente
Mesmo se seu beijo pudesse me matar
Die For You | Justin Bieber (feat. Dominic Fike)
Abri os olhos despertando do sono. Espreguicei-me no colchão, mas
parei no meio do meu ato. Eu não me lembrava de ter ido para
cama. Aquele nem era o meu quarto, era o da Emma. E eu estava
sozinho ali.
Ao tentar levantar da cama, minha cabeça latejou como o
inferno. Não precisei de mais nenhuma informação para ficar ciente
de que tinha passado do ponto e enchido a cara.
— Droga! — murmurei.
Pelo visto, eu não sou uma das melhores pessoas para
controlar a bebida. Agora eu não sabia se tinha feito algo com a
Emma ou se só tive a ousadia de entrar no quarto dela e dormir.
Levantei-me da cama — praguejando muito —, vesti minhas
roupas, que encontrei no chão, e saí do quarto. Caminhei até a
cozinha, mas não encontrei a senhorita Bright pelo caminho. Sorte a
minha. Seria bom evitá-la um pouco, ainda mais porque eu ainda
não me lembrava das merdas que tinha feito.
De acordo com a minha memória, eu não tinha comido nada o
dia todo, então abri a geladeira, vasculhando a dispensa cheia, e
comecei a preparar uma refeição.
Resolvi procurar a Emma depois que terminei de jantar e limpar
a louça. Desde o tempo em que estive na cozinha, não a vi em
nenhum momento. Apesar de estar com medo de saber a verdade
— eu sentia no fundo do meu coração que eu tinha feito alguma
besteira —, fiquei preocupado com a sua ausência. E pelo que pude
lembrar, alguma coisa tinha acontecido com ela pela manhã, o que
desencadeou um surto de raiva — descontado em mim.
Talvez agora que o tempo passou, ela responda sem me
agredir.
Procurei-a no quarto dela, no banheiro e no meu quarto.
Comecei a andar pela casa abrindo todas as portas, até chegar em
um ponto que eu não lembrava onde ficava mais nada. Eu tinha me
perdido na casa.
— Essa é boa, Harry. Muito inteligente da sua parte — disse a
mim mesmo. — Maldita casa grande... Qual a necessidade disso
tudo!?
Continuei andando pelo longo corredor até encontrar uma porta
aberta. Ao me aproximar, vi que Emma estava lá, vestida com um
roupão de cetim rosa, virada de frente para uma grande janela que
ia do chão até o teto. Dava para ver a cidade perfeitamente, já era
noite.
Tinha apenas um piano no meio daquela grande sala. Fiquei
parado na porta observando a mulher, que parecia pensativa.
Depois de um tempo, pigarreei para chamar sua atenção. Emma
virou-se e me encarou.
— Está melhor? — perguntou ela, sem sair do lugar. Seu
semblante era pacífico.
— Se com melhor você quer dizer menos bêbado, sim — sorri
brevemente. — Que horas são? Eu só me lembro de acordar de
manhã e já é de noite. O que eu fiz o dia todo?
— Devem ser umas dez horas... Isso que dá se embebedar sem
motivo.
— Se eu bebi assim, tive um motivo. Posso não lembrar agora,
mas deve ter um.
Emma ficou em silêncio por um tempo, como se estivesse
pensando se proferia as próximas palavras ou não.
Decidiu arriscar:
— Você disse que iria embora.
— Está vendo, sempre tem... — Parei de falar quando notei que
a hora das revelações estava chegando. — O quê? — Franzi o
cenho.
— Foi você que disse. — Ela deu de ombros.
A lembrança chegou com tudo. Antes de começar a beber, eu
estava decidindo se iria embora ou não, pois estava estupidamente
decepcionado com as atitudes da Bright.
Maldito álcool.
Entrei na sala de uma vez e me sentei no banco do piano.
— Eu estava no seu quarto — observei.
— Não transamos, Harry — respondeu rapidamente, mas
calma.
Não sei se estava surpreso ou feliz com a notícia.
— E... como eu fui parar lá se nós não... fizemos... nada? —
balbuciei, nervoso.
— Você vomitou no seu quarto, pedi para que limpassem, então
levei você para o meu. — Ela caminhou até o piano.
— Humm. — Balancei a cabeça em afirmativa.
Emma não disse mais nada, então eu não tinha feito nenhuma
merda.
Abri a tampa do piano e fiquei encarando as teclas. Dedilhei as
notas de uma música que conhecia, eu não era bom tocando piano,
mas sabia uma ou duas melodias. Quando finalizei, a voz de Emma
preencheu o silêncio na sala.
— Desculpe-me por mais cedo, eu estava muito estressada...
Não queria te machucar. — Havia uma seriedade confiante em seu
tom de voz.
— Está tudo bem. Então... — Arrastei a voz. — Pode me dizer
agora o motivo do seu estresse?
— Na verdade, eu já estava administrando alguns problemas
pessoais, e quando recebi uma ligação de trabalho hoje pela
manhã, perdi a paciência por um tempo. — Ela sentou-se ao meu
lado no banco. — Em resumo: o senhor Larry vai vender o
shopping e eu vou perder a administração.
— Por que ele vai fazer isso? — indaguei, surpreso e confuso.
— Apenas quer repassar o estabelecimento. E de acordo com o
que ele me disse, o novo comprador vai construir um aeroporto ao
lado. De qualquer forma, eu perco a administração, porque o meu
contrato é com o senhor Larry... — Emma balançou a cabeça,
suspirando forte. — Logo agora que o Bright disse que temos que
ter cinco contas do mesmo nível. Essa era a maior do meu Setor...
— Mas a culpa não é sua, Emma. Foi uma venda surpresa. —
Virei-me para ela, colocando uma perna de cada lado no banco, e
segurei sua mão.
— Surpresa até demais. Foi só eu assumir a conta, que aquele
senhorzinho decidiu vender o patrimônio. — Ela certamente não
queria dizer “senhorzinho”. — Como se não me quisesse no
comando.
— Não acho que seja por isso, você é competente, Emma. —
Assegurei. — Podemos dar um jeito. Deixe-me pensar um pouco...
— Eu não posso fazer nada contra isso, Harry. É uma venda
direta. — Lamentou.
— Pode sim, pelo menos tentar. — Ponderei um pouco, a ideia
chegou rapidamente. Emma me encarou com mais atenção,
esperando a minha resposta. — Que tal... Compre o shopping do
senhor Larry por dois por cento a mais do valor que ele está
passando para o novo comprador... E venda para o comprador por
dois por cento a menos do preço inicial. Óbvio que com um porém: a
BEH vai ficar na administração. Teremos quatro por cento de
prejuízo, se colocarmos em questão, mas administraremos um
shopping e um aeroporto, isso são duas contas. E ainda tem a
Bright Construction Company, que pode fazer uma planta com esse
projeto do novo comprador, seria bom para ter algo sólido para
propor a ele, e com isso, poderíamos oferecer um desconto
significativo se ele contratar a nossa Construtora. Você é a única
que pode comprar um imóvel, e como o seu objetivo é administrar e
não possuir, eu acho que pode dar certo... — Expliquei. Emma ficou
me encarando por muito tempo sem reação nenhuma. — E-eu falei
merda demais? — balbuciei.
— Não. — A mulher balançou a cabeça. — Você pensou nisso
em dois segundos?
— Não foi ruim? — Perguntei para ter certeza.
— Claro que não, Snow. — Ela balançou a cabeça mais uma
vez.
— Então acha que pode tentar? — Sempre bom ter certeza
absoluta.
— Acredito que sim. Preciso falar com o senhor Bright antes,
por causa da Construtora.
— Tudo bem.
Bright me encarou por um tempo, com um sorriso pequeno nos
lábios. Depois se inclinou e disse:
— Obrigada pela ajuda, Harry. — Ela me deu um beijo na
bochecha. Um gesto simples, mas que eu gostei bastante.
— Se você tivesse me contado pela manhã, evitaria toda a briga
e estresse. — Arrisquei censurá-la, eu tinha total razão.
— Como eu disse: estava com outras coisas na cabeça
também, então eu só extravasei na pessoa errada... Eu sinto muito.
— Está tudo bem. — Segurei sua mão com mais força,
acariciando o dorso.
Aproveitando o momento de paz, decidi colocar algumas
palavras para fora. Deus é testemunha de que a coragem não anda
sempre comigo.
— É... eu estava arrumando as coisas para ir embora, mas eu
queria conversar com você primeiro, só que acabei bebendo demais
e estraguei meus próprios planos. — Fiz uma pausa para observar a
reação da mulher. — Fiquei chateado com a forma que você me
tratou, e como me trata algumas vezes. Já disse que gosto você, e
mesmo se eu não dissesse, daria para perceber pela forma com que
eu fico quando estou com você... Sei que as coisas são um pouco
complicadas para você, visto quem somos, então entendo os seus
receios. Isso não é um ultimato, Emma, mas preciso que decida o
que fazer com a gente. Não sirvo para ser passatempo, por mais
que seja bom com você, eu não quero só isso. — Balancei a cabeça
de um lado para o outro. — Tudo bem se a resposta for não, é só
me liberar, como fez antes. Eu dou conta se você fizer a sua parte.
Emma suspirou forte, desviou o olhar, balançou a cabeça e
então disse:
— Eu gosto muito de você, Harry... E eu te desejo. — Meu
coração acelerou. — Mas... não é só complicado para mim, é super-
complicado. Não por eu ser a sua chefe; por você trabalhar para
mim, isso não é o que me impede. Eu sou a porra de uma Bright,
tenho responsabilidades e compromisso com empresa do meu pai.
Meu irmão não vai assumir o meu cargo tão cedo, ele ainda é uma
criança, então até lá eu sou a herdeira de toda essa merda, e
preciso disso para garantir meu futuro. — Ela levantou-se do banco
e sentou-se no meu colo, seus olhos voltaram a me encarar
fixamente. — Quero ficar com você... Essa é a primeira vez, em
anos, que a ideia de me juntar com alguém, tendo sentimentos, se
passa pela minha cabeça. — Suas mãos tocaram o meu rosto. Meu
coração é um amontoado de solavancos desenfreados. — Tudo que
eu te peço é um pouco de tempo, que não desista de mim e que
confie em mim, mesmo que isso tudo pareça uma cilada e eu seja
uma cretina.
Precisei de mais tempo que o necessário para reagir a tudo que
ela falou.
Meu peito parecia que iria explodir.
Eu podia acreditar nela?
Mesmo que isso tudo pareça uma cilada.
Meu coração dizia: sim.
Meu cérebro dizia: talvez.
Escutei o meu coração.
— Não vou desistir de você, Emma — verbalizei o meu desejo,
me entregando de bandeja, mais uma vez, para ela.
A mulher no meu colo sorriu e aproximou o rosto. Deixei que
seus lábios tocassem delicadamente os meus, causando um arrepio
por todo o meu corpo com o contato.
Mesmo que isso tudo pareça uma cilada.
— Estamos bem? — perguntei, quando ela se afastou.
— Estamos... Pelo menos por enquanto. — Seus lábios
voltaram para os meus com mais urgência.
Minhas mãos percorreram cada parte do seu corpo perfeito,
apertando sua carne com força. Seu cheiro deliciosamente doce
invadiu as minhas narinas quando beijei o seu pescoço, seu gosto
agora estava na minha língua.
Mais impaciente do que eu, Emma abriu o próprio roupão,
revelando seus seios, que cabiam perfeitamente na palma da minha
mão. Foram feitos para mim.
— Preciso de você dentro de mim... — ela pediu em um
sussurro.
Cretina irresistível.
Nem preciso dizer que aquilo foi o suficiente para levantar o
meu pau, que estava esperando o momento para atuar.
Deitei-a no banco, chegando um pouco mais para trás para
ganhar espaço, e abri o roupão um pouco mais. Inclinei-me e beijei
sua barriga agora exposta, escutei-a gemer.
— Senti saudades de você — disse ela, com voz mansa.
— Só passei um dia sem estar em você, Emma — falei,
sorrindo.
— Foi o suficiente para eu sentir saudades.
— Você é gulosa.
Cheguei mais para trás, saindo do banco e me ajoelhando no
chão. Abri um pouco mais as pernas da Emma, permitindo-me ver
com perfeição sua boceta gostosa. Minha boca se encheu de saliva.
Vou dar o que ela quer, mas vou aproveitar cada momento.
Inclinei-me um pouco mais e passei a língua pelo seu sexo.
— Eu adoro o seu gosto... — disse, saboreando o manjar.
— E eu adoro a sua boca..., mas odeio quando fica falando em
hora desnecessária — arfou, sedenta.
— Calma Emma, o orgasmo não vai fugir de você. — Voltei para
o banco, levando o meu rosto até o da Bright, onde abri a boca e
senti sua língua macia tocar a minha de forma lenta. Ergui a mão e
tirei a presilha do cabelo dela. Seguei seus cachos com força, o que
a fez gemer. Fui trilhando beijos até chegar a seus seios, onde
mordi seus mamilos de leve.
Deslizando a minha mão pelo seu corpo, desci até chegar na
sua boceta, agora molhada.
— Harry... — Meu nome escapou de sua boca em um gemido.
Não há mais nada a ser feito. Eu perdi esse jogo.
Penetrei-a com dois dedos. Escutei o seu maravilhoso gemido
bem de perto.
Tudo cheirava à luxúria. Nada retumbava em minha mente a
não ser o quanto eu queria dar o meu melhor para ela e deixá-la
satisfeita.
Afastei meus dedos dela e tirei seu roupão completamente.
Segurei-a pela cintura e me levantei. As teclas fizeram um som
totalmente desafinado quando eu a coloquei em cima do piano.
Meus lábios exploraram os dela em sincronia, lascivo.
Meu pau pulsava intensamente dentro da calça.
— Quero de você dentro de mim. — Emma murmurou, suas
mãos alcançaram o cordão da minha calça, abrindo-a. — Rápido,
Snow...
Abaixei a calça, deixando o pano deslizar nas minhas pernas.
Não queria perder tempo ou fazer rodeio, poderia deixar isso para
outra hora, então guiei meu membro até a sua entrada. De repente,
minha consciência resolveu se fazer presente.
Eu mesmo estou empatando a minha foda agora.
— Vamos fazer mais uma vez sem preservativo? — questionei,
esfregando o meu pau na sua entrada lubrificada.
— Eu uso DIU há muito tempo, e já te conheço o bastante, por
que acha que sugeri da primeira vez? — Bright segurou o meu
rosto. — Você quer usar?
— Não. Gosto de como a sua boceta me estrangula sem nada.
— Bem errado da minha parte.
— Então coloque-o em mim, irei fazer o que você gosta. —
Suas unhas arranharam o meu pescoço com força.
Não esperei mais para agir. Penetrei-a, indo fundo e com força,
arrancando o seu melhor gemido, deixando que os únicos sons que
ecoassem naquela sala fossem o da sua voz enfatizando o prazer
que estava sentindo, e do piano quando tinha suas teclas
pressionadas durante o movimento.
Emma pediu por mais.
Eu disse que daria tudo que ela quisesse.
Tudo.
— É assim que você quer? — rosnei em seus lábios.
— Mais rápido, Snow... — pediu, apoiando as costas no atril do
piano.
Abri mais as pernas dela, segurando uma no meu braço, e
aumentei a velocidade das minhas estocadas. Batendo no fundo da
sua boceta, que não parava de me apertar.
Como ela pode ser tão boa nisso?
Apoiei minha mão na tampa do piano para ganhar estabilidade e
meter mais fundo.
— Isso... Isso... — enfatizou ela, revirando os olhos.
Dó, ré, mi, fá, sol, lá, si e por último dó mais agudo ecoava
naquele cômodo, se misturando com os gemidos da mulher.
Entre puxões de cabelo, gemidos, entocadas e arranhões,
chegamos ao nosso clímax. Gozei mais uma vez dentro dela — tão
bom e tão perigoso.
Emma continuou me abraçando, esperando que a sua
respiração voltasse ao normal. Acariciei seu rosto e o inclinei para
mim, fazendo com que ela me olhasse, e então beijei-a
apaixonadamente.
Porque era assim que eu me sentia: um completo, e idiota,
apaixonado.
Essa é a palavra. Essa é a verdade irrefutável.
Ajeitei minha calça e peguei Emma no colo. Saímos da sala de
piano. Consegui lembrar o caminho para o quarto dela — como
poderia esquecer, não é? —. Coloquei-a delicadamente na cama.
— Aonde você vai? — Ela perguntou quando eu me afastei,
indo até a porta.
— Não vou a lugar nenhum. — Fechei a porta e voltei para
cama. Tirei a calça e me deitei ao seu lado. — Boa noite, amor —
falei, beijando sua testa.
— Apenas descanse, Harry. Eu ainda não acabei.
— Definitivamente insaciável... — Fechei os meus olhos. Se ela
respondeu alguma coisa, eu não sei.
Acho que apertaram o meu botão de desligar e eu
simplesmente apaguei.
Emma subia e descia com a boca envolta do meu pau, sua
língua circulava pela minha glande. Pendi a cabeça para trás e
deixei que os gemidos escapassem da minha boca, agora com mais
intensidade.
Enterrei minhas mãos em seu cabelo, fazendo meus dedos se
enrolarem nos cachos. De repente, ela aumentou a sucção,
deixando-me cada vez mais próximo. Mas eu a queria em cima de
mim, aquela boca na minha, chupando meus lábios enquanto eu me
estocava nela.
Sentei-me na cama e puxei-a para o meu colo, enlaçando suas
pernas nos meus quadris. Bright lambeu os lábios, sexy.
— Você é tão gostoso... Do jeitinho que eu gosto. — Ela disse,
sorrindo maliciosamente.
— Sorte a minha, então. — Segurei-a pela cintura e ergui seus
quadris. — Mais gostoso mesmo é isso aqui... — Posicionei meu
pau em sua entrada. Com um único movimento, Emma desceu.
Seus quadris se impulsionaram para frente, fazendo-me entrar mais
fundo. — Não é gostoso pra caralho? — agarrei sua cintura.
— Sim... sim... — arfou.
— Então mexe essa boceta para mim.
Emma começou a cavalgar preguiçosamente, mexendo em
pequenos movimentos. Beijou cada centímetro do meu pescoço,
chupando e mordendo, enquanto eu distribuía tapas em sua bunda.
Por um tempo, ela continuou se mexendo devagar, contraindo a
boceta levemente, fazendo-me soltar inúmeros palavrões. Mas
então, ela se apoiou nos pés e começou a se movimentar mais
rápido.
— Eu vou... Harry... — gemeu, ofegante.
— Goza pra mim, amor.
Agarrei-a com força, sabendo que iria deixar marcas em sua
pele depois, e comecei a me mover também. Emma gemia e se
contorcia em cima de mim e, justo quando eu achei que não
conseguia mais me segurar, vi seu abdômen se contrair e suas
pernas tremerem. Seu orgasmo desencadeou o meu, enterrei o meu
rosto em seu pescoço, abafando um grunhido alto.
Porra!
Não se apaixone por mim
Já fiz anjos chorarem
When Angels Cry | Desire The Unknown
Assim que abri os olhos, vi que estava agarrada ao Harry; seus
braços estavam sobre mim e eu estava com a cabeça deitada em
seu torso. Nesse momento, senti meu coração bater mais rápido.
Ele tinha ficado comigo.
Eu pedi para ele me esperar e ele disse sim.
Ah, Emma, o que você fez? Não combinamos de deixá-lo ir?
Com cuidado, afastei-me dele, ficando sentada na cama. Harry
resmungou um pouco, ainda dormindo, mas logo se ajeitou em uma
nova posição. Alguns fios de seu cabelo estavam sobre o seu rosto,
sua boca rosada estava entreaberta e sua respiração era tranquila,
assim como o seu semblante. Permiti-me olhá-lo por um tempo,
para contemplar sua beleza.
Ele disse sim.
Ao lembrar de que tinha muitos compromissos no dia — e já
tinha perdido dois dias de trabalho —, levantei-me da cama e
caminhei para o banheiro. No meio do caminho, escutei a voz rouca
de Harry me chamar. Virei-me e o vi sentado na cama, apenas com
o torso à mostra. Ele piscou algumas vezes, grunhiu e me chamou
novamente.
Aproximei-me da cama com a intenção de sentar-me ao seu
lado, mas ele me puxou para o colo.
— Tudo bem? — perguntou. Apoiei minhas mãos em seus
ombros, senti a sua pele quente contra a minha. Quente até demais.
— Por que a pergunta?
— Parece que no dia seguinte você sempre me odeia, estou
tentando me certificar de que isso não irá se repetir hoje.
— Não se preocupe com isso. Conversamos ontem, lembra? —
sorri.
Eu deveria deixá-lo ir.
— Ótimo. — Harry adentrou uma mão na minha camiseta e
apertou a minha cintura.
Fitei seus olhos verdes.
— Queria ficar com você na cama, mas tenho uma reunião hoje
cedo. — Avisei. Sua mão se moveu para os meus seios, apertando-
os.
Sou obrigada a fechar os olhos.
— Jura? — Provocou, iniciando uma massagem.
Gemi.
Merda, hoje preciso ser profissional.
— Pare de brincadeira, Snow. — Relutante, afastei sua mão. —
É dia de trabalhar, levante dessa cama e vá se arrumar, antes que
eu te demita — demandei.
Snow fez careta, mas assentiu. Sorri, dando um beijo em sua
bochecha.
Levantei-me de seu colo, passei pela cômoda e peguei um
elástico, prendendo o cabelo antes de entrar no banheiro.
Abri o meu guarda-roupa e peguei um terninho cinza chumbo. Fiz a
maquiagem e ajeitei o meu cabelo. Peguei tudo que eu precisava e
saí do meu quarto.
Ao passar pelo quarto do Harry, notei um silêncio absurdo.
Entrei no cômodo, observando que a sua mala estava do mesmo
jeito que eu tinha deixado. Coloquei as minhas coisas na cama e
caminhei até o banheiro.
— Harry? — bati na porta — Harry, você está bem?
— Estou bem. — Sua voz saiu como um grunhido abafado.
— Certeza?
— Estou bem. Irei sair daqui a pouco. — Respondeu no mesmo
tom.
— Tudo bem. — Não me afastei da porta. Sabia ele que não
estava nada bem, sua voz denunciava.
A porta do banheiro se abriu e Snow saiu. Estava vestido, mas
não com trajes de trabalho, seu semblante estava péssimo.
— Preciso dormir... — Harry caiu na cama.
— O que aconteceu? — franzi o cenho.
— Eu não sei... meu corpo está pegando fogo e me sinto tonto.
Toquei seu rosto, estava quente feito brasa.
— Deve ser porque você encheu a cara ontem e ainda vomitou.
Olha aqui as consequências — censurei-o.
— Tudo bem... Só me deixa morrer aqui... — resmungou de
olhos fechados.
— Pelo visto, eu não vou poder contar com você na reunião de
hoje — lamentei, ou reclamei. Os dois.
— Se você quiser uma ameba inconsciente ao seu lado, eu
posso ir... — Ele tentou se levantar.
— Não, obrigada. Odeio gente incompetente.
O homem resmungou algo que eu não entendi, mas também,
não dei muita importância.
— Maldição, Snow.
Fui até a cozinha, peguei uma garrafa de água na geladeira,
remédio para febre e preparei um café da manhã rápido. Voltei para
o quarto.
— Você precisa comer algo, Harry — alertei-o. — Trouxe
remédio também.
— Obrigado, amor. — Ele conseguiu se levantar, tomou o
comprimido com água e voltou a deitar.
Amor.
Soava bem saindo dos lábios dele, mesmo com a voz de quem
estava falecendo aos poucos.
— Tome o café da manhã também. Eu tenho que ir, não posso
me atrasar.
— Tudo bem...
— Te vejo mais tarde. Se sentir que está ficando pior, ligue para
a recepção e peça um médico.
O homem assentiu de forma preguiçosa. Aproximei-me e beijei
seu rosto quente.
— Eu vou compensar o trabalho depois, não me demita,
Emma... — murmurou, sonolento.
— Claro que vai, Snow. — Afastei-me do rapaz.
Ele vai ficar bem.
Peguei minhas coisas na cama e saí do quarto.
O dia seria longo e estressante.
Eu estou gritando que não te quero
Mas você sabe que eu quero
Nobody Like You | Little Mix
Abri os olhos despertando do sono. Ainda estava claro do lado de
fora, pude ver pelas janelas que estavam abertas.
Levantei da cama me sentindo bem melhor. Meu corpo estava
com temperatura normal e minha cabeça não doía mais.
Saí do quarto e fui para a sala. Pelo silêncio, percebi que a
Emma ainda não tinha retornado.
Eram duas da tarde. Verifiquei meu celular, sem mensagens.
Às sete da noite, Emma Bright ainda não tinha chegado. Passei
boa parte do meu tempo revisando alguns documentos do Shopping
de Dublin, para talvez — só talvez — tentar entender a venda
repentina do senhor Larry. Não encontrei nada suspeito, mas eu
também não tinha toda a papelada.
Assisti alguns filmes que estavam passando na TV e dormi mais
um pouco, pois sentia meu corpo fraco. Depois que senti fome, fui
para a cozinha preparar o jantar, resolvi fazer uma lasanha — a
dispensa da Bright era ótima.
Depois de uns quarenta minutos preparando tudo, coloquei a
lasanha no forno.
— Cheiro de comida boa. — Escutei a voz da Emma de
repente. Ela apareceu na cozinha, parecia de bom humor. — Você
comprou?
— Não. Arrisquei cozinhar hoje.
Ela sorriu.
Meu coração acelerou um pouco.
Olhando-a assim, como isso pode parecer uma cilada?
— Você está melhor? — Ela perguntou, preocupada.
— Sim. A febre já foi embora e não me sinto tão cansado.
— Que bom. — A mulher se aproximou do balcão.
— E como foi com o senhor Larry?
— Ele aceitou a proposta. — Emma suspirou aliviada. — A
senhora Mitchell, que estava interessada no Shopping, também
aceitou a proposta que eu fiz, e gostou ainda mais de ter o desconto
significativo contratando a Construtora Bright. A conversa até que foi
melhor com uma mulher, me sentir mais à vontade para discutir as
propostas... — Ela franziu o rosto. — Os anos passam, mas vocês,
homens, tem uma mania de olhar para as mulheres na mesma
posição que a minha de forma diferente, como se não
entendêssemos nada do que estamos falando. É ridículo.
— Eu nunca faria isso. Sei que você é competente.
— Não estava falando de você, Snow. — Emma se aproximou
de mim e me deu um selinho rápido. — Mas você me olha diferente
também.
— Diferente? — perguntei, confuso. — Como?
— Como se sempre quisesse me comer. — Ela sorriu
maliciosamente.
Sorri também. A mulher não perde uma.
Emma se afastou, pegou um pedaço de tomate que estava em
uma vasilha e comeu.
— Eu já acertei a venda para amanhã. Ou seja, temos bastante
trabalho hoje.
— Certo — assenti. Tive a oportunidade de ficar calado, mas
resolvi falar: — Hmmm... Para uma reunião, você demorou
bastante...
— Depois da reunião eu fui jantar com o senhor Foster[2] —
explicou.
— Senhor Foster? Da Foster’s Business?
— O próprio.
— Achei que ele tinha relações com o Setor Três.
— E tem, mas estávamos conversando algumas coisas e
provavelmente ele terá relações comigo.
— Emma!? — arregalei os olhos.
— Trabalho, Harry! — Ela deu risada e se aproximou de mim
novamente. — O senhor Foster é um partido em tanto...
— Olha, você não precisa me falar isso.
— ..., mas eu prefiro você. — A mão dela deslizou para dentro
da minha calça com facilidade. — Meu lindo e bem-dotado
assistente, que sabe muito bem como me foder... — Ela começou a
percorrer os dedos pelo meu membro e foi inevitável não fechar aos
olhos e soltar um gemido.
Inferno! Meu pau já estava duro em sua mão.
— Não vou brincar aqui, não quero que queime outra comida. —
A diaba sorriu e se afastou.
— Então vai me deixar aqui de pau duro? — questionei,
perdido.
— Gosto do seu pau duro. — Emma apenas piscou um olho e
aumentou o sorriso. — Eu vou tomar banho. Depois de jantar,
começamos os trabalhos.
— Ok — concordei, um pouco desanimado.
Eu queria brincar.
Encarei minha ereção na calça.
— Nada de brincadeira pra você hoje, pode liberar o sangue.
Tínhamos que deixar tudo em ordem para apresentar a futura
dona do Shopping. Eu estava arrumando todos os relatórios e
extratos e revisando minuciosamente o contrato de venda. Emma
estava tentando falar com o arquiteto, ela precisava de um projeto
para apresentar amanhã, foi uma exigência da senhora Mitchell.
Depois de muito tempo, eu consegui terminar o meu trabalho —
com os olhos ardendo e cansadíssimo —, mas Emma continuava
com o notebook nas mãos, olhando para a bendita tela, esperando
uma mensagem.
— Nada ainda? — perguntei.
— Não. Vou ter que ficar aqui até ele responder.
— Precisa de alguma coisa?
— Não. Você já fez o suficiente. Pode ir dormir.
— Tem certeza?
— Sim. Eu só tenho que esperar ele responder e falar com o
meu pai. Ele vem aqui amanhã, mas eu quero tirar algumas dúvidas
antes.
— O senhor Bright vem para cá? — Perguntei tão rápido, que
me assustei com a maneira a qual eu proferi as palavras.
— Sim. Ele vai acompanhar a reunião de amanhã. Não gosto da
ideia de ter que precisar dele, mas ele é o dono da Construtora
Bright, não é mesmo? — Emma revirou os olhos.
— Entendi. Mas, de qualquer forma, é você que vai administrar
tudo, o mérito é seu.
— Não sem a sua ajuda. — A mulher sorriu.
Aproximei-me dela e selei delicadamente os seus lábios.
— Boa noite, Emma.
— Boa noite, Harry.
Subi as escadas e fui direto para o quarto da Emma. Tirei as
roupas e me joguei na cama.
Como um bom homem emocionado que me tornei, comecei a
imaginar que esse poderia ser meu futuro: trabalhar com a Emma
pela manhã e à noite dormir com ela; preparar nosso jantar quando
chegássemos de uma reunião maçante e logo em seguida foder no
banheiro para terminar o dia bem.
Talvez isso só fosse existir na minha cabeça mesmo.
Dei o voto de confiança para ela, mas... eu sou tão azarado.
Fechei os olhos. Logo o sono tomou conta de mim.
Espreguicei-me na cama e automaticamente olhei para o lado.
Emma não estava lá.
O outro lado da cama continuava igual; ela não tinha se deitado
comigo.
Não quis criar mil e uma teorias, mas me senti mal com isso.
Todavia, resolvi ignorar tudo por um momento. Ainda tinha
trabalho para fazer e não queria me atrasar.
Levantei-me da cama, vesti a roupa e saí do quarto, indo para o
meu.
Depois do banho, vesti o terno que tinha ganhado de presente
da Emma. Calcei os sapatos e peguei um sobretudo na minha mala,
então saí do quarto. Em meio ao caminho para a sala, fui arrumando
o meu cabelo.
Assim que pisei o pé no primeiro degrau para descer as
escadas, avistei o senhor Bright sentado no sofá ao lado da Emma.
— Bom dia, senhor Bright — falei, assim que cheguei perto dos
dois.
— Bom dia, Snow.
— Senhorita Bright. — Ela apenas me olhou.
Ok. Ok. Isso não significa nada, Harry.
O senhor Bright se levantou do sofá, e com toda elegância do
mundo fechou um botão do seu terno.
— Eu te vejo na reunião, Emma. Não se atrase. — disse ele
para a filha, sério.
— Eu sei, pai.
— Ótimo. E... — O homem parou na minha frente, me olhando
de cima a baixo. Correr foi a primeira ideia que passou na minha
mente. — Emma me disse que foi você que pensou na proposta
para manter a conta. De toda forma, foi um ótimo trabalho, Snow.
— Obrigado, senhor Bright — disse eu, um pouco nervoso. O
CEO estendeu a mão, eu apertei.
— Depois vamos conversar sobre o andamento do seu MBA[3].
Com cinco anos na empresa, e sendo um ótimo assistente,
podemos mover você para presidência de algum setor menor. — O
homem se afastou quando terminou de falar.
Jesus Cristo!
Ainda bem que o senhor Bright já estava indo embora, se ele
me fizesse proferir mais uma frase depois daquela informação, eu
começaria a gaguejar e ele certamente mudaria de ideia.
Emma o acompanhou até a porta, conversando com o pai.
Ainda absorvendo a ideia de ter ganhado uma promoção,
caminhei para a cozinha.
— Que bom que você já está se alimentando. Não quero me
atrasar. — disse Emma entrando na cozinha depois de um tempo.
Eu tinha me adiantado e preparado o meu café-da-manhã. — Eu já
recebi o projeto do arquiteto. Ficou perfeito. — Ela abriu o
computador que estava em mãos, colocando-o na bancada.
Olhando para a tela, vi o canhoto do prédio. Realmente estava
perfeito. A maneira com que o arquiteto juntou o Shopping com o
aeroporto chamou muito a atenção.
— Ficou muito bom — concordei.
— O meu pai também gostou — ela estava bastante animada.
— Temos que estar na empresa alguns minutos antes, para arrumar
as coisas — ditou.
— Ok. Vou terminar essas torradas rapidinho.
A mulher assentiu, mas manteve o olhar sobre mim.
— Você ficou muito bonito nesse terno — ela sorriu.
Estamos bem.
— Obrigado. É o que você me deu de presente.
— Eu sei, fui eu que comprei — seu sorriso aumentou. — Estou
te esperando na sala, Harry. — Emma fechou o notebook e saiu do
cômodo rebolando a bunda.
Depois da refeição, lavei a louça e voltei para sala. Emma se
levantou do sofá assim que me viu, pegando sua bolsa. Ela olhou
para mim e depois para os papéis que estavam em cima da mesa.
Entendi o recado, peguei os papéis. Conferi meus pertences, e
saímos do apartamento.
Assim que entramos no elevador, eu não consegui controlar a
minha boca, tive que perguntar:
— Por que... você não dormiu no seu quarto hoje?
Emma não estava olhando para mim, e se manteve assim
enquanto respondia:
— Eu avisei que o senhor Bright viria para cá. Não podia
arriscar que ele nos pegasse dormindo juntos.
Anuí.
Foi um motivo plausível.
Chegamos à empresa uma hora antes do horário combinado. Dirigir
por Dublin era uma maravilha, as principais vias eram livres.
— Não sei quem foi o louco que lhe deu essa carteira de
motorista. — Emma reclamou quando saiu do carro, eu estava
dirigindo.
— Qual é? Eu nem acelerei tanto assim.
— Uma viagem que era para durar quarenta minutos você fez
em quinze!
— Ok. Eu passei um pouco do limite — confessei.
Mas o que posso fazer? O carro da Bright era um Audi R8
conversível.
— Você tem noção de como está o meu cabelo? Com o dobro
de volume graças à ventania que tomou só enquanto eu fechava a
janela. — Ela continuou reclamando.
— Para com isso, Emma, você está linda. Acredite, o seu cabelo
está melhor assim, gosto desse volume todo. — Aproximei-me.
A mulher me encarou, séria.
— Eu não estou aqui para te agradar, Snow. — Um corte afiado
como faca recém amolada.
— Desculpa — falei, sorrindo.
— Vamos logo, Snow. — Emma me entregou sua bolsa e deu
as costas, começando a andar. A segui.
Logo na recepção, fomos atendidos por uma recepcionista
morena, alta e de olhos azuis.
— Em que posso ajudar? — perguntou ela.
— Emma Bright. Eu tenho uma reunião com a senhora Mitchell.
A recepcionista olhou algo no computador e disse:
— Sexto andar, o elevador fica logo ali. — Ela apontou para a
direita.
— Obrigada.
Segui minha chefe mais uma vez. Entramos no elevador. Assim
que chegamos ao sexto andar e as portas se abriram dei de cara
com outra morena de olhos azuis.
— Senhorita Bright? — disse ela.
— Sim.
— Acompanhe-me até a sala de conferência.
— Antes, poderia me informar onde fica o toilet?
— Claro. Fernanda... Acompanhe a senhorita Bright até o toilet.
— Acompanhe-me, por favor — pediu Fernanda, uma loira
agora. Emma pegou a bolsa na minha mão e seguiu a mulher.
Olhei para a morena número dois, que fez sinal para que eu a
acompanhasse.
— Aqui está — ela abriu a porta da sala de conferência. —
Precisa de mais alguma ajuda?
— Não. Muito obrigado.
— Se precisar, é só me chamar. Com licença — Ela se afastou,
fechando a porta.
Mas como vou chamar se não sei o nome dela?
Já estava acostumado a arrumar a sala de conferência para
reuniões com o senhor Vegar, então comecei a fazer o meu
trabalho. Separei os resumos do que iriamos discutir e coloquei
posicionado na frente de cada assento. Separei os papéis que a
Bright precisaria, e conectei o notebook dela com o aparelho para
apresentação.
Depois de tudo pronto, Emma apareceu na sala. Ela tinha
trocado o vestido dela por um terninho vinho. A maquiagem também
estava diferente, mais leve. A única coisa que não tinha mudado foi
o cabelo, volumoso.
Sorri.
A reunião foi maravilhosa — apesar de durar bastante por
discutimos diversos pontos —. A senhora Mitchell adorou o projeto
feito pelo arquiteto e deixou isso bem claro.
Meu coração quase saiu pela boca, quando em um momento da
reunião o senhor Bright me pegou olhando para Emma de um jeito
muito comprometedor — ela ficava tão sexy quando estava
empenhada em apresentar seu trabalho, era difícil não babar —.
Passei o resto da reunião só olhando para os papéis que estavam
na minha frente.
— Que tal um jantar para comemorar? — sugeriu Emma,
quando entramos no carro.
— Tem certeza? — indaguei. O senhor Bright ainda estava em
Dublin, e eu sabia que a Emma não queria que ele nos visse juntos
por tanto tempo.
— Sim. Será apenas um jantar para comemorar a nossa nova
conta.
— Tudo bem — concordei.
Emma sorriu. Um sorriso doce e muito bonito. Depois disso, eu
concordaria em ir até o inferno com ela, se esse fosse o seu desejo.
Oh, mesmo que esteja acabado, você deveria ficar esta noite
Se amanhã você não será minha
Você não vai me dar isso pela última vez?
Love You Goodbye | One Direction
· dois dias depois ·
Emma se remexeu na cama, murmurando coisas incompreensíveis.
Fiz uma oração silenciosa para que ela não acordasse agora, eu
queria ficar admirando-a por mais tempo. O cabelo bagunçado, a
expressão calma, seus braços em torno do meu torso... Estava tudo
tão bom, que eu até tinha medo disso ser apenas um sonho.
Depois de muito tempo só olhando para a Emma, sentindo meu
coração se sacudir no peito cada vez mais rápido, ela acordou.
— Que horas são? — perguntou, sonolenta.
Olhei para o relógio em cima da cômoda.
— Nove e vinte.
— Droga. Vamos perder o voo para Londres — resmungou,
porém não se moveu do lugar.
— Essa não é a parte que você levanta toda desesperada e
começa a se arrumar?
— Seria, se eu não tivesse agarrada em você.
— Interessante. — Movi minha mão pela sua cintura. — Que
horas é voo?
— Dez e meia.
— Então acho melhor nos levantarmos — sugeri.
— E eu acho melhor ficar aqui — retrucou, sorrindo
Passei minha mão pela coxa dela e subi até a bunda, onde dei
um tapa forte.
— Ai... — Não foi um “ai” de dor.
— Vá se arrumar. — Desenrosquei-me dela e me levantei da
cama. — Eu vou tomar banho.
— Por que toda essa disposição?
— Só estou feliz de acordar ao seu lado, não posso?
— Essa frase perde todo o sentido, já que eu quero continuar
deitada com você, e você já se levantou — pontuou.
— Não quero perder o voo e de alguma forma levantar alguma
suspeita..., sei lá — dei de ombros. Ainda não tinha superado o
olhar julgador do senhor Bright.
Emma bufou.
— Você vai tomar banho comigo, então. — Ela levantou da
cama e tirou o resto de roupa que estava no corpo, ficando nua na
minha frente.
— Banho? — perguntei. Emma sorriu como uma criança
travessa.
Todo meu sangue se direcionou para uma parte do meu corpo.
— Não..., você vai me chupar e depois me foder contra o box.
— Ela me arrastou até o banheiro.
Bom, eu não podia negar um pedido feito de uma forma tão
carinhosa como aquela.
— Você sabe que não vamos chegar a tempo, não né? — disse
para Emma. O banho rendeu bastante.
— Sim.
— E então?
— Jatinho da empresa — respondeu simplesmente. Claro.
— Tudo bem. — Assenti. — Onde estão suas malas?
— Aqui. — A mulher apontou para uma minúscula mala ao lado
dela.
— Você não trouxe só isso.
— Acha que eu vou levar peso para casa? — Ela arqueou as
sobrancelhas. — O que é importante está nessa mala. Vamos logo.
Peguei a minha mala e a dela, fomos para o elevador.
O táxi já estava a nossa espera. Guardei as malas e entrei no
carro. Para minha surpresa, Emma entrelaçou sua mão na minha e
apoiou a cabeça no meu ombro.
Essa era a primeira vez que fazíamos contato íntimo em público.
Por mais que pequeno, fiquei muito feliz.
Enfim, Londres. Depois da viagem mais silenciosa da minha
vida: eu e Emma não trocamos uma sílaba desde que entramos no
jatinho. O que estava me incomodando. Ela parecia estar pensativa.
Será que vamos voltar à estaca zero?
Saímos do aeroporto, fiz companhia a Emma até o carro dela
chegar. Ainda no total e completo silêncio.
— Meu carro — ela disse. Enfim uma palavra.
O carro estacionou e o motorista saiu para pegar a mala dela.
— Você não quer uma carona? — indagou.
— Não, obrigado. Eu pego um táxi.
— Tem certeza?
— Sim.
— E se eu perguntar de novo, você muda de ideia? — Sorriu
maliciosamente.
Droga! É um humor que realmente oscila.
— Pare de ser fogosa, Emma — sussurrei, mesmo estando
perto dela.
Ela fez uma careta de poucos amigos.
— Você lembra o que disse? — Sua voz ficou séria de repente,
ela não estava mais me encarando.
— Sobre? — indaguei confuso.
— A nossa conversa naquela noite.
Eu tinha feito uma promessa. Claro que não tinha esquecido.
Segurei o rosto dela e o virei para mim. Seus olhos castanhos
fitaram os meus.
— Eu prometo — firmei.
Emma sorriu docemente.
Afastei minha mão do seu rosto. Queria poder beijá-la nesse
momento, mas já estávamos em Londres, e em um lugar muito
público com muito público.
— É... Eu estava pensando... — Comecei a balbuciar, nervoso.
— Você quer sair comigo no sábado à noite? — Arrisquei o convite.
A máximo que ela poderia dizer era um não bem grande.
— Está me chamando para sair, Snow? — Seu tom foi divertido.
— Sim. — O nervosismo aumentou. Que hilário. — Quero sair
com você, como um encontro. Depois levá-la para minha casa.
— Você não precisa me chamar para sair para conseguir me
comer, Harry. — Ela falou como se não fosse nenhuma baixaria. —
Você deveria estar bem ciente disso.
— Um encontro, Emma. Vou te buscar às oito. — Ignorei suas
palavras maliciosas.
— Ok — seu sorriso aumentou. — E aonde vamos?
— Ainda não pensei nessa parte. — Estava esperando um não.
— Ótimo.
— Ótimo — repeti.
Emma abriu a porta do carro.
— Tem certeza de que você não quer uma carona?
— Sim, Emma. Se eu entrar, você vai querer me devorar —
brinquei.
— E seria tão ruim assim? — A fogosa arqueou uma das
sobrancelhas.
Sorri. Quando a abracei para me despedir, ela sussurrou no
meu ouvido:
— Estou ansiosa para foder na sua cama. — Ela se afastou,
estava sorrindo. — Tchau, Snow.
Diaba.
— Tchau, senhorita Bright.
A mulher entrou no carro e seguiu viagem. Fiquei com um
sorriso besta no rosto... e com o pau duro.
Peguei um táxi e fui direto para a casa do Landon. Eu tinha que
ir buscar a Adrissa.
Quando toquei a campainha, Chloe abriu a porta.
— Você já chegou? — disse ela.
— É o que parece. Cadê a Adris?
— Pensei que você chegaria de noite. Eu vou buscá-la na
escola agora.
— Eu posso buscar.
— Eu vou ter que ir de qualquer jeito. Minhas irmãs estudam lá
— lembrou. — E também, de noite eu marquei de ir ao cinema.
— Com a Adrissa também? — A mulher assentiu. — Tudo bem.
Sabe, aproveitando que estamos aqui, vou pedir para você ficar com
a Adrissa no sábado também... Eu tenho um encontro.
A morena semicerrou os olhos, como se não acreditasse em
mim. Magoou.
— Ok, mas você vai ter que me emprestar o seu carro — ela
contrapôs.
— Eu vou sair como? Voando? — ironizei.
— Pegue um táxi — rebateu.
Encarei a mulher por um tempo.
— Você é insuportável, Chloe. — Revire os olhos. — Que horas
você vai querer?
— Meia noite.
— O que você vai fazer na rua à meia noite para querer um
carro? — franzi o cenho.
— Não é da sua conta. — A naturalidade com que as palavras
grosseiras saiam de sua boca era prova de que ela tinha realmente
o mesmo sangue do Landon.
— Eu vou sair primeiro, depois te dou a chave — propus por
fim.
— Ótimo. Agora me dê uma carona até a escola das meninas,
não quero pegar ônibus.
— Eu estou sem o carro.
— Vá buscar. Sua casa fica logo ali, eu espero.
Encarei-a novamente por um tempo.
— Você é insuportável, Chloe — repeti.
Adrissa correu em minha direção, com um sorriso de ponta a ponta,
e me abraçou forte.
— Harry! Eu estava com saudades! — disse ela, animada.
— Eu também estava, Pequena. — Carreguei-a no colo. Eu
realmente senti falta dela, e foram só cinco dias longe. — Você está
bem?
— Sim — ela balançou a cabeça enfatizando a resposta. — A
gente vai para sua casa agora?
— Bom, você vai para casa da Chloe.
— Por quê?
— Você vai ao cinema. Esqueceu?
— Ah, assistir filme naquela televisão gigante! — Adrissa
exclamou dramaticamente. — Então amanhã você pode ir me
buscar, Harry.
Sorri com as suas palavras. Ela é muito fofa.
— Combinado. — Coloquei-a no chão, segurando sua mão. —
Eu vou em casa tomar um banho, você almoça na casa da Chloe e
aí nós vamos para a sorveteria antes de vocês saírem. Pode ser?
— Pode! — respondeu, feliz.
Seguimos para casa.
Depois da sorveteria, resolvi passar no Shopping para comprar
roupas novas. Não tinha nada melhor para fazer, e queria aproveitar
o tempo com a Adrissa.
— Quer me ajudar a escolher as roupas, Pequena? —
perguntei, entrando em uma loja.
A garotinha assentiu, concordando.
Peguei várias peças de roupa e fui para um provador individual.
Coloquei a Adrissa sentada em um assento que tinha ali e entrei na
cabine. Vesti o primeiro conjunto de roupas. Quando saí do
provador, Adrissa foi logo balançando a cabeça em negativa.
— O que foi? — perguntei.
— Tire isso! — disse ela, fazendo careta.
— Por quê? É tão ruim assim?
— Sim.
— Vocês mulheres veem defeito em tudo. Ficou perfeito em
mim. — Passei a mão pela camiseta vermelha.
— Feio, feio.
Lembrei-me que Adrissa não conseguia enxergar a cor
vermelha por conta do daltonismo, e ela não gostava de “cinza”, que
era como enxergava a cor.
— Tudo bem... — Entrei no provador e troquei a roupa. — Agora
está melhor? — Saí trajando um conjunto com bastante azul.
— Sim. Gostei dessa.
— Ótimo — peguei o padrão.
Depois de trocar várias peças de roupa — entre vários “muito
feio, Harry” e “tire isso” —, eu consegui ficar com cinco das quinze
peças que eu tinha levado para provar. Passei na sessão infantil e
pedi ajuda a uma das funcionárias para escolher roupas para a
Adrissa. Depois que paguei as compras, a levei de volta à casa da
Chloe.
— Vocês demoraram — reclamou Chloe, assim que abriu a
porta.
— Passamos no Shopping para fazer compras. E... — Tirei um
envelope do bolso. — Seu pagamento. Mil e quinhentas libras. Não
reclame, porque ninguém pagaria isso tudo para uma babysitter ficar
menos de uma semana com a criança.
— Estou começando a te amar, Harry. — Ela pegou o envelope,
sorrindo cinicamente.
Despedi-me da Adrissa e saí da casa dos Thompson.
Pensei em ligar para o Lan, para nos encontrarmos em um bar e
eu contar as novidades — desabafar e surtar —, mas ele tinha um
jogo no dia seguinte.
Ficaria entediado em casa até a minha garotinha voltar.
Porque honestamente, eu preferiria estar com você do que sozinho
Então me ame errado, se você não pode me amar direito
Tudo que eu quero é estar no seu vício
Você é quem constrói meu paraíso
Love Me Wrong | Isak Danielson
· três dias depois ·
Eu estava orgulhoso de mim mesmo. Deixei o meu quarto
incrivelmente bonito. Parecia até que eu estava em um hotel
luxuoso. Champanhe, pétalas de rosas e luz de velas aromáticas.
— Ela vai gostar — disse para mim mesmo, contente.
Peguei meu celular, a chave do carro e saí de casa.
Cheguei ao apartamento da Emma pontualmente. Confesso que
estava um pouco — muito — nervoso. Seria a primeira vez que
sairíamos juntos. Sério. Um encontro. Por livre e espontânea
vontade.
Entrei no elevador e apertei o botão para o trigésimo andar.
Assim que as portas se abriram, dei de cara com a Emma. Ela
entrou no elevador e apertou o botão para o térreo.
Encarei-a, confuso.
— O meu pai está aqui. Quis sair antes que ele resolvesse fazer
perguntas. — Ela respondeu a minha indagação silenciosa.
— Tudo bem — assenti, mas um pouco preocupado. De
qualquer forma, ela não tinha cancelado comigo por isso. — Você
está muito bonita, Emma.
A mulher trajava um vestido verde musgo de veludo, que dava
um lindo contraste em sua pele negra, tinha as costas nuas, uma
fenda que começava do quadril e o cumprimento até os joelhos. Nos
pés os típicos saltos exageradamente altos. Seu cabelo estava
divinamente volumoso — como eu adorava — e sua maquiagem era
leve, mas com bastante gloss nos lábios.
— Obrigada, Harry. — Ela sorriu. — E para onde vamos?
— Bella Napoli — respondi.
— Nunca fui nesse restaurante.
— Também não.
— Então por que escolheu?
— Queria experimentar algo novo — dei de ombros.
Isso foi um gatilho para acordar a Emma Fogosa.
— Hmm... — Bright se aproximou de mim. — Tenho algo novo
que você pode experimentar... Fica no meu corpo, tenho certeza de
que você iria adorar. — Seus lábios se esticaram para um sorriso
libidinoso.
— Emma... — Senti meu pau acordar na minha calça.
Por Deus, ela nem me tocou!
— Eu não quero comer, Harry, quero ser a comida. — Seu olhar
caiu para minha ereção. — Alguém aqui concorda comigo. — Sua
mão nervosa me agarrou.
— Emma... — Acabei fechando os olhos.
Inferno de mulher provocadora.
Esse elevador não chega no térreo?
— Você não quer entrar em mim? — Ela sussurrou no meu
ouvido, seus seios pressionados no meu peito.
— Quero... E eu vou... — Abri os olhos, precisava tomar
controle daquela situação, controlar a ninfomaníaca. — Mas
primeiro eu vou te levar para jantar, já que foi o combinado. —
Afastei a mão dela do meu pacote.
— Como quiser, Snow... Só que, você poderia estar gozando
agora na minha boca. — As portas do elevador enfim se abriram,
Emma saiu rebolando a bunda.
Porra, ela vai me provocar a noite toda.
— Aqui é bonito — disse Emma, assim que chegamos no
restaurante francês e nos sentamos no nosso lugar.
O garçom nos trouxe o cardápio. Bright fez o pedido sem muita
demora, eu passei alguns minutos pensando sobre o que pedir.
Depois que o garçom se afastou, notei que Emma estava me
fitando.
— O que foi? — perguntei.
— Você.
— O que têm?
— É gostoso... — Ela mordeu o próprio lábio.
O que deram a essa mulher, meu Deus?
— Emma, tente focar em outra coisa.
— Estou jantando com você, em que mais eu deveria focar?
Nesse momento o garçom nos serviu o vinho. Emma quase
secou a taça dela em um gole.
— Uma coisa que reparei, eu nunca vejo você falando da sua
mãe... — Puxei conversa. Se ela abrisse a boca novamente para
responder algo que não fosse uma pergunta específica, com certeza
iria falar de sexo. — Já vi a Katherine algumas vezes.
— Katherine não é a minha mãe. Ela é minha madrasta, e mãe
do Elliot, meu irmão mais novo.
— Sério? — Fiquei surpreso.
— Sim. Meu pai se separou da minha mãe quando eu tinha dez
anos. Conheceu a Katherine anos depois, quando ela ficou grávida
foi que se casaram.
— Entendi. A sua mãe mora aqui na Inglaterra?
— Não, em Paris. Quando eu fui para a França fazer faculdade,
fiquei morando com ela.
— Ah — balancei a cabeça. — Posso saber o nome dela? —
Minha futura sogra se Deus quiser.
— Amanda Cher. Meu pai diz que eu sou uma cópia da minha
mãe, em todos os aspectos.
— Então eu já sei que ela é uma mulher muito bonita — falei.
Emma sorriu.
— Talvez você a conheça um dia — disse ela.
Se Deus quiser.
Conversamos bastante. Tivemos um jantar tranquilo; sem
brigas, sem assuntos constrangedores, sem climão. Depois que
terminamos de comer, a primeira coisa que a Emma disse quando o
garçom levou os pratos foi:
— Tacos.
— O quê? — franzi o cenho, confuso.
— Quero comer tacos.
— Aqui não tem.
— Eu sei, mas eu estou louca de vontade de comer tacos.
Podemos ir ao restaurante que fica perto da sua casa, do seu amigo
Landon.
Fiquei impressionada por ela lembrar o nome do Landon. E
ainda confuso com seu pedido repetindo, ela tinha, literalmente,
acabado de comer.
— Por favor, Harry. — Emma usou a voz manhosa.
— Tudo bem... — cedi. Negar não é uma opção.
Paguei a conta e saímos do restaurante.
O restaurante estava lotado. Emma sugeriu que eu fizesse o
pedido para levar, ela ficou me esperando no carro.
Dez minutos depois — rápido assim porque o pedido era para
mim e a Joh me amava —, os tacos ficaram prontos. Entreguei a
chave reserva do carro a Chloe e saí do restaurante.
Só não demorei lá porque o Lan não estava — viajou com o
time para Liverpool, depois da vitória no jogo de quinta-feira —. Eu
queria falar com ele, apesar de normalmente ser péssimo em dar
conselhos, ultimamente ele estava se saindo muito bem nessa
posição.
Voltei para o carro. Emma estava falando com alguém no
celular, mas, assim que eu me sentei no banco do motorista, ela
desligou a chamada.
— Tudo bem? — perguntei num tom de voz casual, para ela não
entender outra coisa.
— Sim, só estava falando com a Elena. Se eu não avisar a ela
que vou demorar para chegar em casa, ou que não vou para casa,
ela fica acordada me esperando.
Anuí. Entreguei as marmitas e comecei a dirigir.
Emma segurou minha mão quando descemos do carro e seguimos
o pequeno caminho até a minha casa. Abri a porta e dei passagem
para ela entrar.
— Eu vou colocar isso aqui em um prato para ficar melhor —
falei, pegando a sacola de sua mão.
Ela se sentou no sofá e começou a tirar os saltos.
— Onde é o seu quarto? — perguntou, antes que eu me
afastasse.
— Primeira porta do corredor — apontei.
— Obrigada. — Ela caminhou para lá.
Entrei na cozinha e peguei um prato no armário. Só nesse
momento que eu me lembrei que o quarto estava arrumado.
É, vai ser uma surpresa quando ela abrir a porta.
Coloquei a comida no prato e fui para o quarto. Emma estava
deitada na cama.
— A sua cama é grande — ela disse, sorrindo. — Eu adorei isso
aqui... esse cheirinho de rosas é maravilhoso.
— Quis fazer algo bonito para você. — Meu coração deu alguns
solavancos, feliz com a reação da mulher. — Aqui, estão
quentinhos. — Entreguei-lhe o prato.
— Obrigada.
Enquanto Emma comia, aproveitei para tirar a minha roupa.
Comecei pelos sapatos, depois o paletó, a gravata e em seguida a
camisa.
— Não sabia que eu iria ganhar uma sessão de strip.
Sorri para ela e me sentei na cadeira. Fiquei fitando-a até que
terminasse de comer.
Quando isso aconteceu, Emma se levantou, colocou o prato na
cômoda, e começou a tirar a roupa — que não era muita.
Os olhos dela não desgrudaram dos meus nem por um
segundo. Linda. Ficando apenas de calcinha de renda, ela
caminhou até mim, colocando uma perna em cada lado do meu
corpo e se sentando no meu colo. Minhas mãos foram direto para
sua cintura, e as dela agarraram o meu cabelo. E como um imã,
nossos lábios se encontraram.
Meu corpo todo se aqueceu, preparando-se para o prazer
iminente.
Minhas mãos saíram da sua cintura e foram para os seus seios
expostos, meus dedos brincando com os seus mamilos. Afastei-me
de seus lábios para beijar seu pescoço, sentindo sua pele macia e
cheirosa se arrepiar com o contado.
— Harry... — Ela gemeu meu nome quando desci mais um
pouco e passei minha língua pelo seu mamilo.
Segurei-a pela cintura e me levantei da cadeira, deitando-a na
cama, observando aquela mulher gostosa desejando por mim.
Desfiz-me das últimas peças que cobriam o meu corpo, e voltei
para Emma.
— Você é tão linda... — disse, tomando seus lábios.
Ansioso, agarrei sua calcinha e rasguei o tecido com facilidade.
— Daqui a pouco eu não vou ter o que vestir, se você ficar
rasgando — disse ela, em um sussurro.
— Você gosta quando eu faço isso — repliquei.
Bright não disse nada. Quem cala, consente.
Beijei seus lábios, seu pescoço, seus seios; cada centímetro do
seu corpo perfeito, até parar no meio de suas pernas. Minha boca
se encheu de água, observando aquela boceta molhadinha.
— Olhe só para você, amor... tão pronta para me receber... —
enunciei. — O que você quer primeiro? Meus dedos? Minha língua?
Minha boca?
— Seu pau. — Ela remexeu os quadris, usei minhas mãos para
manter suas pernas bem abertas.
— Será o último. Vai ganhar a língua primeiro. — Lambi o seu
sexo de baixo para cima, três vezes. Suas mãos agarraram o meu
cabelo, vi sua respiração acelerar e escutei gemidos manhosos
saírem de sua boca. — Agora será a minha boca. — Afastei-me da
mulher e peguei minha gravata que estava na cama.
Segurei as mãos da Emma.
— O que você vai fazer? — ela perguntou, um pouco perdida.
— Estou só garantindo que essa noite não termine tão cedo. —
Amarrei o tecido em suas mãos e prendi na cabeceira de ferro.
— Vai me dar uns tapas também? — A safada sorriu.
— Com certeza, essa sua bunda gostosa merece uns tapas
bem fortes.
Voltei ao meio das pernas dela, dessa vez sem rodeio, comecei
a chupá-la.
— Droga... — Emma gemeu/reclamou. — Eu quero tocar em
você... Ai meu Deus! — Ela fechou as pernas em volta do meu
pescoço.
— Não. — Abri as pernas dela novamente e voltei para o meu
trabalho, deslizei dois dedos para sua boceta. — Vai ficar amarrada
até eu terminar de te foder.
— Harry Snow... Filho da puta... — Sua voz saiu como um
gemido gostoso, ela começou a movimentar os quadris.
— Boa menina. — Coloquei mais um dedo e inclinei o rosto
para abocanhar seu clitóris.
A voz de Emma Bright reverberou pelo quarto como música.
Todos os músculos do meu corpo pediam socorro, mas eu ainda
queria mais.
Com as mãos ainda amarradas e de quatro para mim na cama,
com sua bunda bem empinada para receber o meu pau, Emma
gemia o meu nome e pedia por mais.
Eu sempre tinha mais para ela.
Sempre.
O suor escorria pelas minhas costas enquanto eu me
movimentava, desferia tapas em sua bunda, deixando marcas, e
puxava o seu cabelo.
Ciente de que tinha palavras a serem proferidas, me afastei da
Emma — escutando o seu resmungo de descontentamento antes
—, e rapidamente desamarrei suas mãos da cabeceira. Virei-a de
frente e alinhei nossos corpos, ficando por cima.
Seus grandes olhos castanhos me encararam, seu rosto estava
lindamente corado, sua respiração era uma bagunça.
Meu coração batia forte no peito, e não era pelos meus esforços
no sexo — não agora.
Emma entrelaçou as pernas na minha cintura, voltei para sua
boceta antes que ela puxasse meus quadris para baixo. Arfei,
quando ela voltou a se contrair. Comecei a me movimentar.
— Isso é tão bom, porra... — disse eu, gemendo. Bright segurou
meu rosto e puxou-o para si, logo invadindo minha boca com a sua
língua.
Senti suas pernas começarem a tremer na minha cintura, assim
como seu gemido que aumentava. Emma segurou o meu rosto com
as duas mãos novamente. Estava perto.
— Goza bem gostoso no meu pau, amor — disse em seus
lábios, estocando mais rápido. — Eu vou continuar te dando quanto
mais orgasmos você quiser. Vou dar tudo de mim para você. Apenas
para você.
Eu estou sem uísque
Para absorver o estrago que você fez
Suicide | James Arthur
Quando despertei pela manhã, Emma não estava ao meu lado na
cama. Procurei por ela pela casa, mas nem sinal da sua presença.
Fiquei me perguntando como foi que ela saiu de perto de mim
sem que eu acordasse. Odiei-me por ter o sono tão pesado.
Também, a madrugada foi tão cansativa...
Ao voltar para o quarto e verificar as horas no celular, vi uma
mensagem da Bright.
Emma Bright:
Eu não queria me desgrudar de você, mas eu sou uma
Presidente de Setor e tenho compromissos.
E também não queria te acordar, sei que te cansei
bastante.
Mas vou admitir que é muito gratificante estar
escrevendo essa mensagem e ao mesmo tempo
olhando para a maravilha que é esse seu corpo
completamente nu.
Queria montar em você. De novo.
Enfim... Nos vemos na segunda, Snow.
Muito obrigada pela noite maravilhosa.
Bjs.
Meu coração se tornou um amontoado de muitas coisas
naquele momento. Parar de sorrir não era uma opção.
Estou rendido. Rendido. Fodido.
Respondi a mensagem da mulher e coloquei o celular de volta
na cômoda. Destilando felicidade, caminhei para o banheiro.
Eu tinha que buscar a minha garotinha ainda. Hoje iriamos
aproveitar o dia no parque.
— Que tal vermos as princesas? — perguntei para Adrissa,
quando entreguei o sorvete de casquinha para ela.
Estava tendo uma apresentação no parque — motivo pelo qual
ele estava tão cheio nesse dia.
— Hmm... — A garota não pareceu tão contente.
— Não gosta das princesas? Olha, tem a Rapunzel... —
Observei por cima da multidão de pais. — E a Ariel também... —
Adrissa continuou com a mesma expressão. — Tudo bem, nada de
princesas.
— Eu gosto dali. — Ela apontou para o outro lado, também tinha
um amontoado de pessoas observando uma apresentação. — Tem
o Homem-Aranha. Gosto do desenho do Homem-Aranha. — Agora
ela sorriu.
— Vamos ver os heróis, então. — Peguei a criança no colo e a
coloquei nos meus ombros, para que ela pudesse ver os
personagens melhor.
· dia seguinte ·
Voltar a empresa depois de dias completamente maravilhosos me
fez acreditar que nada que acontecesse no meu trabalho — ou fora
dele — iria abalar a felicidade que reinava em mim.
Eu me sentia ótimo.
— Quem é vivo sempre aparece! — disse o Isaac, assim que eu
me sentei na cadeira do meu cubículo.
— Bom dia, Isaac — respondi animado.
— Bom dia, Harry. Você está ótimo!
— É... Acordei bem.
— Mas chegou um pouco atrasado... — comentou. Chato.
— Tive que levar a Adrissa no médico, antes de ela ir para
escola.
— A garotinha que você está querendo criar? — Assenti,
concordando. — Ela está bem?
— Sim, sim. Foi uma consulta marcada pelo Juizado, para
arquivarem no processo.
— Entendi. — O homem balançou a cabeça. — Fiquei sabendo
que você deu uma ótima solução para garantir a conta do Shopping
de Dublin.
— Sério? — franzi o cenho.
Como o povo é rápido com fofoca.
— Isso foi comentado pelos presidentes de setores. Até o
imprestável do meu chefe comentou. Você se saiu muito bem,
colega! — Ele sorriu.
— Obrigado. — Sorri também.
— Quem sabe não rola uma promoção e você vira Presidente
de Setor e me elege o seu assistente? Já falei que o meu chefe é
um imprestável? — Isaac aumentou o sorriso.
— Bom, o senhor Bright ficou de conversar comigo depois sobre
o MBE, quem sabe a promoção realmente não vem.
— Estou torcendo por você, Harry. — Ele deu duas batidinhas
no meu ombro.
— Obrigado, Isaac.
Olhei distraidamente para o lado — meu pescoço já estava
acostumado a fazer o movimento naquela direção —. Vi Emma
Bright saindo de sua sala, ela caminhou lentamente em minha
direção.
— Quero esses relatórios... Resumidos, é óbvio. — A mulher
passou por mim e colocou os papéis na minha mesa.
— Bom dia para você também, Emma. — disse.
— Senhorita Bright. Você não está falando com a sua mãe —
corrigiu.
Ajeitei-me na cadeira e peguei os papéis.
De volta ao trabalho com a minha megera favorita.
• quatro semana depois •
Coloquei a caneca de café na minha mesa e levantei-me da
cadeira. Organizei todos os papéis dos relatórios no envelope e
segui até a sala da minha chefe para entregá-los. Como de
costume, dei dois toques na porta, recebendo a permissão para
entrar logo em seguida.
A senhorita Bright estava sentada em sua cadeira acolchoada.
Ela me olhou brevemente.
— Terminou? — indagou. Assenti em resposta. — Ótimo.
Coloque-os na mesa — orientou e voltou a atenção para o
computador.
Caminhei até a mesa e coloquei os envelopes arrumados.
— Vai fazer algo hoje à noite? — Ela perguntou, me olhando de
soslaio. — Poderíamos jantar, se quiser.
— Está me chamando para sair, senhorita Bright? — brinquei,
sorrindo.
— É o que parece, Snow... — Dessa vez ela me olhou e sorriu
também.
— Tudo bem — concordei, depois de passar alguns segundos
apenas admirando o seu sorriso.
— Ótimo. Dessa vez eu escolho um restaurante. — Concordei
mais uma vez. — Vem aqui... — pediu baixo, então me aproximei.
— Mais... — Apoiei as mãos em sua mesa e inclinei-me. — Não
deveria, mas...
Emma tocou o meu rosto e selou meus lábios. Não fazíamos
mais sexo no trabalho, mas Emma me provocava sempre que podia,
e eu ganhava alguns selinhos — claro que apenas em lugares que
não tinha ninguém —. Eu gostava quando isso acontecia. Nosso
relacionamento estava bom.
Bright sorriu e mordeu os próprios lábios quando se afastou.
— Agora saia, preciso terminar esse trabalho. — Ela voltou a
atenção para o computador.
— Precisa de ajuda? — perguntei, queria passar mais tempo
perto dela.
— Não, consigo resolver sozinha. Já te mando um e-mail com
outra coisa para fazer. E verifique a minha agenda, por favor,
preciso saber quantas reuniões ainda tenho hoje.
— Sim, senhorita. — Afastei-me. Como ainda estava com as
mãos na mesa, acabei derrubando alguns envelopes. — Oh,
desculpe.
Abaixei-me para pegar os envelopes, e como se já não fosse
desastrado o suficiente, derrubei os papéis que estavam dentro.
Peguei-os para colocar de volta no envelope, mas no momento em
que, despretensiosamente, meus olhos passaram sobre o que
estava escrito no papel, não soube muito bem como reagir.
EMMA CHER BRIGHT & CHARLES WILLIAM BENNETT
CERIMÔNIA DE NOIVADO
10|05|2018
Meu sangue esfriou no corpo.
— Algum problema, Harry? — Emma perguntou.
Levantei-me com o convite nas mãos.
— Você vai se casar... com ele...? — Minha voz saiu
extremamente baixa.
— O quê? — A mulher me olhou confusa.
— Você está noiva? — Joguei o papel em sua mesa.
Bright encarou os convites por um tempo.
— Desculpa... — Foi tudo que ela disse depois de um tempo e
levantou-se da cadeira, vindo em minha direção.
Afastei-me dela no mesmo momento.
— Isso é sério? Você está me dizendo que essa merda é séria?!
— brandei, me dando conta do quão grave era aquela situação. —
Há quanto tempo eu estou sendo o otário nessa história toda?
— Harry... Eu... — Ela tentou se aproximar novamente, afastei-
me ainda mais.
— Você está noiva de outro! Noiva!
— Pelo amor de Deus, fale baixo. Podem escutar...
— Eu estou pouco me fodendo! — esbravejei. — Eu não
acredito que você fez isso... — balancei a cabeça confuso. Parecia
que todo o ar foi sugado dos meus pulmões no momento.
Deveria ser um pesadelo. O universo não esperaria justo esse
momento, justo quando eu estou ridiculamente louco por ela, para
me mostrar o quanto eu estava sendo idiota.
O roteirista da minha vida me odeia.
— Quando você iria me contar? — perguntei, ainda incrédulo.
— Você não vai entender agora...
— Sério que é esse o seu argumento infalível para resolver
esse problema? Que eu não vou entender agora? — Dessa vez eu
me aproximei dela. — Foi bom para você fingir que gostava de
mim?
— Não estava fingindo — Emma tentou tocar o meu rosto, mas
eu afastei sua mão.
— Mesmo, Emma? Porque pelo que eu vi naquele convite, você
vai se casar com o Bennett. É só porque ele é rico e se acha o dono
do mundo? — Ela não respondeu, estava com os olhos marejados.
Todavia, eu estava com tanta raiva que apenas ignorei. — Eu me
abri completamente para você em Dublin. Você deveria ter sido
sincera...
— Eu fui sincera.
Ri sem humor e balancei a cabeça.
— Você está se escutando, Bright? — ralhei.
— Harry... — Afastei-me da mentirosa. — Harry, espera.
Abri a porta e saí da sala, batendo a porta com força, de
propósito.
E como se não fosse o suficiente saber que Emma tinha me
enganado esse tempo todo e que eu fui um completo idiota, dou de
cara com o Bennett, ele estava conversando com o Senhor Miller.
Peguei minhas coisas apressado e caminhei para o elevador. Ao
passar pelos homens, esbarrei no Bennett propositalmente,
empurrando-o um pouco.
Infantilidade? Sim!
— Snow? Aconteceu alguma coisa? — perguntou o ricaço,
surpreso.
— Nada que seja da sua conta — respondi no mesmo tom.
Dei as costas e voltei a andar, indo para o elevador, enquanto
algumas pessoas ali no setor me olhavam confusas. Eu estava
movido à raiva, não me importei.
Passei pela porta giratória, saindo do edifício.
Por que esse tipo de coisa só acontece comigo, Deus?
Assim que abri a porta do meu carro, escutei a voz de Emma
me chamando. Meu primeiro pensamento foi entrar no carro e deixá-
la falando sozinha, mas o idiota aqui a esperou se aproximar.
— Você prometeu — disse ela rapidamente.
— E você não me contou a verdade, Emma — rebati. — Não
vou me sujeitar a isso, por mais que esteja apaixonado por você. —
A confissão saiu em um péssimo momento.
Parabéns pela humilhação, Snow!
Bright arregalou os olhos.
— Eu sinto o mesmo, Harry... Você tem que acreditar. — A
mulher grunhiu de repente — Eu disse: por mais que pareça uma
cilada, e você prometeu! — Jogou na minha cara.
— Não dá para acreditar em você agora. Você não me contou
sobre o noivado, me deixou no escuro, Emma! Agora quer que eu
seja o que? Seu amante? — vocifere. — Parece que só você não
entendeu o quanto isso é errado. — Ela tentou falar novamente,
mas eu a interrompi. — Poupe o seu tempo, Emma. Não precisa
mais fingir. Arrume outro idiota que queira emprestar o corpo para
você usar como bem entender — disse por fim e entrei no carro.
Liguei o veículo e saí rapidamente dali.
Mesmo que isso tudo pareça uma cilada...
Ela nunca iria me escolher.
Cretina.
— Você é um idiota, Harry! — Bati no volante com força,
buzinando desnecessariamente.
Fui usado. Rebaixado. Descartado. Mais uma vez.
Eu queria ir para casa e tomar um banho. Esfregar meu corpo
ao máximo, para remover cada vestígio daquela mulher em mim.
Cada resquício do seu toque na minha pele.
Maldita Emma Bright.
CONTINUA EM:
Obviamente, muito obrigada a você, leitor, por ler/reler esse livro.
Espero do fundo do meu humilde coração que você tenha gostado e
se divertido — ou suspirado em certos momentos — durante a
leitura (com final bem filha da puta, né? Mas nos vemos no livro
dois, segura na minha mão e confia).
Às leitoras betas: Abigail Souza, Camille Gomes, Maria
Medeiros, Taila Andrade, Gabriela Campany, Thamyres da Costa,
Camilla Gonçalves e Leticia Getirana. Muito obrigada pela ajuda e
incentivo durante a reescrita dessa duologia — estou adorando a
companhia de vocês durante a escrita, somos um grupinho agora!
À Heloisa, capista, por entregar uma capa muito bonita para
esse novo projeto (desculpa por mexer no título, fiquei agoniada
com o branco simples, mas olha, está super lindinha �� ).
À Arima, ilustradora maravilhosa, que topou fazer a arte de
Emma e Harry. Muito obrigada por esse luxo de arte, estou
apaixonada!
Obrigada a todos que chegaram até aqui, vocês são muito
importantes para mim, espero vocês no próximo livro!
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Vol. 1 - Um plano muito bem elaborado
Vol. 2 - Bem-vindo à fabulosa Las Vegas
Vol. 3 - Justificando os meios
• Colecionando Estrelas
+16 | YoungAdult | Romance Adolescente | Contemporâneo | Drama
| Golden Boy
[1]
Um Homem de Sorte, Nicholas Sparks.
[2]
Eric Foster, personagem principal do livro Sr. Foster (trilogia), de Stefane Lima.
[3]
O Master of Business Administration, mais conhecido pela sigla MBA, é um grau
acadêmico de pós-graduação destinado a administradores e executivos das áreas de
gestão de empresas e gestão de projetos, mas que atrai também pessoas de várias outras
disciplinas acadêmicas.