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Meteorologica

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yuri tavares
Direitos autorais
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MINISTÉRIO DA AGRICULTURA E PECUÁRIA

Subsecretária de Gestão de Pessoas e de Gestão do Conhecimento


Sara Martins
Coordenadora-Geral da Escola Nacional de Gestão Agropecuária
Luciana Gomes Rodrigues Barbosa dos Santos
Conteudista/Autora
Helenir Trindade de Oliveira.
Meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia

UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA
Reitora
Márcia Abrahão Moura
Vice-reitor
Enrique Huelva Unternbäumen
Centro de Educação a Distância e Tecnologias Educacionais
Letícia Lopes Leite
Coordenação do Projeto
Letícia Lopes Leite
Gestão Pedagógica
Priscila Costa Santos
Análise Pedagógica
Roberta Assunção
Revisão de Texto
Rozana Reigota Naves
Designer Instrucional
Marina Vianna de Souza
Projeto Gráfico, Diagramação e Ilustrações
Douglas dos Santos de Aguiar

Desenvolvedora Moodle
Danielle Alves
Gestão de Produção de Curso EaD
Deise Mazzarella Goulart Ferreira
Produção Audiovisual
Matheus Sette Moraes de Castilho
Raquel Thayse Miranda Freire de Lima
Realização
Enagro/MAPA
Centro de Educação a Distância e Tecnologias Educacionais/UnB

Julho/2024 – TED 001/2022


SEI 23106.124758/2022-73
Abertura do curso:

Bem-vindo(a) ao curso Observação Meteorológica!

Conteudista: Helenir Trindade de Oliveira

Carga horária: 20h.

Ementa do curso: Técnicas de Observação Meteorológica. Tipos, importância


e finalidade das Estações Meteorológicas. Diferença entre estações convencio-
nais e automáticas. Elementos meteorológicos e os instrumentos de medida.
Fenômenos meteorológicos e observação visual.

Público-Alvo: Servidores(as) do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA),


do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) e da Comissão Executiva do Pla-
no de Lavoura Cacaueira (CEPLAC). Terceirizados(as) do MAPA. Servidores(as)
da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), da Empresa Brasileira de
Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e do Instituto Nacional de Colonização e
Reforma Agrária (Incra), além de agentes públicos de outras esferas governa-
mentais e do público em geral.

Por mais que a ciência meteorológica tenha avançado nas últimas décadas, com os satéli-
tes meteorológicos, a modelagem numérica para previsão de tempo e clima, as estações
meteorológicas automáticas que transmitem as informações via celular e/ou satélite, o
observador meteorológico ainda é uma peça fundamental nessa grande engrenagem.
Espalhada em todo o mundo, existe uma Rede de Estações principais convencionais de
superfície que, nos mesmos horários, realizam suas observações e as transmitem para os
Centros de Previsão, para que, de posse dessas e de outras informações, possam realizar
suas previsões de tempo.
Na Organização das Nações Unidas (ONU), encontra-se a Organização Meteorológica Mun-
dial (OMM), que coordena mundialmente todas as atividades meteorológicas desde 1950.

Este curso apresenta o que é uma estação meteorológica, quais os instrumentos mínimos
que compõem uma estação principal, como se realiza uma observação meteorológica e
todos os aspectos que a envolvem. É um curso preparatório, em que o(a) cursista perceberá
que é necessário muito treinamento para que ele possa estar preparado para realizar uma
observação sozinho, pois só a teoria não o deixará pronto para, por exemplo, classificar
uma nuvem no céu e definir a altura da nuvem mais baixa no céu ou ler um barômetro e
calcular a pressão ao nível médio do mar. É preciso muita prática para alcançar esse objetivo.

O pré-requisito para este curso é o Ensino Fundamental Completo e, para quem interes-
sar-se pelo assunto, existem dois Cursos Técnicos de Meteorologia no Brasil, um no CEFET/
RJ e outro no IFSC/SC.

Este curso é uma preparação teórica para futuros observadores e pode ser utilizado também
como uma revisão de conteúdo para quem trabalha na área.

Os objetivos do curso são:

Tema 1 – Fundamentos Gerais e Estações Meteorológicas: Conhecer o que


é uma Observação Meteorológica, descrever o que é uma Estação Meteoroló-
gica Convencional de Superfície e listar alguns instrumentos que fazem parte
de uma estação principal.

Tema 2 – Pressão, Vento, Temperatura, Umidade Relativa: Identificar e


especificar quais instrumentos medem a pressão, o vento, a temperatura e a
umidade relativa do ar.

Tema 3 – Precipitação: Citar os diferentes tipos de precipitação, descrevendo


como se identifica sua intensidade.

Tema 4 – Meteoros: Conhecer e identificar os tipos de meteoros, descrevendo


as características de alguns deles.

Tema 5 – Visibilidade, Nebulosidade: Citar alguns fenômenos que podem


reduzir a visibilidade na estação demonstrando como se calcula a quantidade
de nuvens no céu.

Tema 6 – Insolação e Evaporação: Descrever o instrumento que registra as


horas de brilho solar e como se mede a evaporação da água.

Tema 7 – Nuvens: Conhecer e identificar os tipos de nuvem, diferenciando


nuvens baixas, médias e altas.
Sumário
TEMA 01 –Fundamentos Gerais e TEMA 04 –Meteoros . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23
Estações Meteorológicas. . . . . . . . . . . . . . . . 1 Abertura do tema . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23
Abertura do tema . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1 4.1. Hidrometeoros. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 24
1.1. O que é uma observação 4.2. Litometeoros. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25
meteorológica. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2 4.3. Fotometeoros. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 26
1.2. Finalidade e importância. . . . . . . . . . . . . . 3 4.4. Eletrometeoros. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 27
1.3. Horários das observações. . . . . . . . . . . . . 3 4.5. Avaliação dos Meteoros . . . . . . . . . . . . . 28
1.4. Unidades de medida . . . . . . . . . . . . . . . . . 4 Síntese do tema . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 29
1.5. Altitude de uma estação e diferença
entre altura e altitude. . . . . . . . . . . . . . . . 4 TEMA 05 –Visibilidade e Nebulosidade. 30
1.6. Alguns tipos de estações Abertura do tema . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 30
meteorológicas/climatológicas. . . . . . . . . 5 5.1. Visibilidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 30
1.7. Instrumentos mínimos de uma 5.2. Nebulosidade. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 31
Estação Climatológica Principal (ECP). . . 7
Síntese do tema . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 33
1.8. Diferença entre meteorologia e
climatologia. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7 TEMA 06 –Insolação e Evaporação. . . . . 34
Síntese do tema . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8 Abertura do tema . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34
6.1. Insolação. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34
TEMA 02 –Pressão, Vento, Temperatura
6.2. Evaporação. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 36
e Umidade Relativa. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9
Síntese do tema . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37
Abertura do tema . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9
2.1. Pressão atmosférica do ar . . . . . . . . . . . . 9
TEMA 07 –Nuvens . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 38
2.2. Vento em superfície. . . . . . . . . . . . . . . . . 12
Abertura do tema . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 38
2.3. Temperatura do ar. . . . . . . . . . . . . . . . . . 15
7.1. Definição de nuvens . . . . . . . . . . . . . . . . 38
2.4. Umidade relativa do ar. . . . . . . . . . . . . . 17
7.2. Classificação das nuvens. . . . . . . . . . . . . 39
Síntese do tema . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18
7.3. Observação das nuvens . . . . . . . . . . . . . 43
Síntese do tema . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 44
TEMA 03 –Precipitação . . . . . . . . . . . . . . . . 19
Abertura do tema . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19
Referências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 46
3.1. Definição e Unidade de Medida. . . . . . . 19
3.2. Leitura do Pluviômetro. . . . . . . . . . . . . . 19
3.3. Leitura do Pluviógrafo. . . . . . . . . . . . . . . 20
3.4. Graus de Intensidade da
Precipitação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 21
Síntese do tema . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22
TEMA 01 –
Fundamentos Gerais e Estações
Meteorológicas
Abertura do tema
Neste tema serão apresentados ao(à) cursista o que é estação meteorológica, os proce-
dimentos para realizar uma observação meteorológica, a importância da observação e a
forma de utilização das informações coletadas. O(A) cursista verificará que, apesar de a
grande maioria dos observadores meteorológicos trabalharem isolados em uma estação,
as informações coletadas por ele, junto com as informações coletadas por observadores
espalhados por todo o mundo, e mais outros dados, formam os bancos de dados meteo-
rológicos e climatológicos, pertencentes aos Serviços Meteorológicos.
OBSERVAÇÃO METEOROLÓGICA
Tema 01 –Fundamentos Gerais e Estações Meteorológicas

1.1. O que é uma observação meteorológica


Uma observação meteorológica é o registro de instrumentos que medem os principais
elementos meteorológicos e uma estimativa visual de outros que, no seu conjunto, repre-
sentam as condições meteorológicas em um dado momento e em um determinado local.
É a avaliação de elementos e fenômenos meteorológicos que descrevem o estado atual da
atmosfera.

As observações devem ser realizadas nas horas determinadas e devem ser executadas em
curto espaço de tempo, devido à constante variação dos elementos meteorológicos a serem
registrados, como temperatura, vento, precipitação (chuva) etc. É de suma importância
observar o horário e o tempo, porque o descuido dá lugar à obtenção de dados que não
podem ser comparados entre si.

Figura 1 – Observações meteorológicas

Shutterstock, 2024.

O observador meteorológico ao fazer a observação meteorológica,


jamais pode dar informações sobre previsão do tempo; em vez disso,
ele só pode informar as condições do tempo no local da estação. Não
lhe é facultado dar informações sobre o tempo futuro, mesmo que,
ATENÇÃO com o tempo e experiência, seu conhecimento não lhe permite dar
essas informações.

O que é Previsão do Tempo?

É uma descrição detalhada da ocorrência futura do tempo; também chamada de prog-


nóstico do tempo. A previsão é elaborada pelo meteorologista com o auxílio dos dados
meteorológicos, das imagens de satélite e de modelos numéricos de tempo.

2
OBSERVAÇÃO METEOROLÓGICA
Tema 01 –Fundamentos Gerais e Estações Meteorológicas

1.2. Finalidade e importância


As observações meteorológicas, realizadas de maneira uniforme, em horários predeter-
minados, e em estações meteorológicas de superfície padronizadas (muito importante),
fornecem:

– Aos meteorologistas, nos centros de previsão do tempo, as condições meteorológicas


que estão ocorrendo naquele momento, que auxiliam, diariamente no prognóstico de
tempo.
– Depois de analisados e processados, esses registros seguem para um banco de dados
e são utilizados para estudos de diagnóstico de tempo, estudos de clima, cálculo de
Normais Climatológicas, estudos de mudanças climáticas etc.
– Cooperação com outros Serviços Meteorológicos para estudos de Modelagem Numé-
rica de Tempo e Clima.

É necessário frisar a importância, a responsabilidade e a necessidade


de pontualidade e precisão de um observador meteorológico.
ATENÇÃO

1.3. Horários das observações


Para que as observações sejam comparáveis entre si e representem uma fotografia de como
o tempo está em uma determinada região, elas precisam ser realizadas na mesma hora.
Essa uniformidade dos horários é essencial.

Na Meteorologia, como se trabalha com dados mundiais, utiliza-se, por convenção, o Tempo
Universal Coordenado (UTC) ou Tempo Médio de Greenwich (TMG) e as estações meteoro-
lógicas convencionais realizam, no mundo inteiro, no mínimo três observações diárias, às
12TMG, 18TMG e 24TMG (muitos países realizam também a observação das 06TMG).

Como a diferença entre o horário universal e o horário de Brasília é de três horas a menos,
a maior parte do Brasil, realiza as observações às 09h, 15h e 21h.

Quando há horário de verão, as observações passam para as 10h, 16h


e 22h (horário de Brasília).
IMPORTANTE

3
OBSERVAÇÃO METEOROLÓGICA
Tema 01 –Fundamentos Gerais e Estações Meteorológicas

Maiores informações podem ser obtidas no Manual de Observações


Meteorológicas:

[Link]
SAIBA MAIS
manual-de-observa%C3%A7%C3%B5es-meteorol%C3%B3gicas

Você sabe quantos fusos horários temos no Brasil?

Pela sua grande extensão territorial, o Brasil é divido em quatro fusos


horários: GMT -2, GMT -3 (horário de Brasília, hora oficial do país), GMT
SAIBA MAIS -4 e GMT -5.

Pesquise: Por que existem os fusos horários?

1.4. Unidades de medida


As medidas dos instrumentos usados nas estações meteorológicas são:

– Pressão atmosférica: milímetros de mercúrio (mm de Hg), milibares (mb) ou hecto-


pascal (hPa); a pressão padrão da superfície terrestre é 1013,2 milibares (mb).
– Temperatura: graus Celsius (°C).
– Velocidade do vento: metros por segundo (m/s), quilômetros por hora (km/h) ou nó
(kt); o nó é uma medida de velocidade náutica; 1 nó corresponde a 1.852 km/h.
– Direção do vento pela rosa dos ventos, em graus: 0-360.
– Umidade relativa do ar, em porcentagem: %.
– Precipitação, em milímetros: mm.
– Evaporação, em milímetros: mm.

1.5. Altitude de uma estação e diferença entre altura e altitude


– Altura (h): é a distância, no sentido vertical, entre dois pontos quaisquer.

Exemplo: altura de uma pessoa, altura de um prédio.
– Altitude (H): é a distância, no sentido vertical, entre um ponto e o nível médio do mar

Exemplo: altitude de uma cidade.
– Altitude de uma estação (Hp): é a distância vertical, acima do nível médio do mar,
e o local onde está instalada a estação.

4
OBSERVAÇÃO METEOROLÓGICA
Tema 01 –Fundamentos Gerais e Estações Meteorológicas

1.6. Alguns tipos de estações meteorológicas/climatológicas


Para conhecimento, apresentamos alguns tipos de estações meteorológicas, mas este cur-
so trata da observação meteorológica realizada em uma Estação Climatológica Principal
Convencional de Superfície, que faz parte da Rede Mundial de Estações da Organização
Meteorológica Mundial (OMM).

Figura 2 – Estações Meteorológicas de Porto Alegre/RS

Fonte: INMET, 2024.

5
OBSERVAÇÃO METEOROLÓGICA
Tema 01 –Fundamentos Gerais e Estações Meteorológicas

1.6.1. Estação climatológica principal


Realiza observações climatológicas e sinóticas, pelo menos 3 vezes ao dia. Isto é, a diferença
é que os dados são transmitidos logo depois da observação (3 x ao dia) para os Serviços
Meteorológicos responsáveis (no caso do INMET, para os Distritos responsáveis).

Como será que todas essas informações são transmitidas para os Serviços
Meteorológicos?

Como esses dados correm o mundo e, lembrando que os Centros de Previsão precisam
deles com rapidez, foi criada uma mensagem, chamada mensagem sinótica (numérica),
onde estão incluídas todas as informações observadas em uma estação. Essa mensa-
gem é padrão no mundo inteiro, sendo codificada e transmitida pelos observadores
e, todos que trabalham com Meteorologia conseguem interpretá-la.

1.6.2. Estação climatológica auxiliar


Uma estação climatológica auxiliar realiza observações climatológicas de uma a três vezes
ao dia e os dados são enviados apenas mensalmente.

1.6.3. Estação agroclimatológica


Uma estação agroclimatológica realiza observação climatológica e outras, pelo menos três
vezes ao dia, com a finalidade de estabelecer relações entre o clima e/ou plantas e animais
(normalmente esse tipo de estação é instalada em parceria com órgãos de pesquisa).

1.6.4. Estação automática


Uma estação automática registra e transmite automaticamente as observações de todos
os sensores eletrônicos, em intervalos de tempos regulares, e dispensa a presença do ob-
servador. Essas estações são programadas para transmitirem informações por satélite e
via celular e, no caso do INMET, os dados disponibilizados são horários.

1.6.5. Estação de radiossonda


Diferentemente das demais, que são estações de superfície, a estação de radiossonda é
uma estação de altitude, que, com instrumentos eletrônicos, mede diversos parâmetros das
camadas superiores da atmosfera, por meio de sondagem. Essas estações são importantes,
pois transmitem informações do comportamento da atmosfera.

Além dessas, existem estações com especificidades diferentes, como


as da Aeronáutica, Marinha, Agência Nacional de Águas, CEMADEN e
ATENÇÃO outras.

6
OBSERVAÇÃO METEOROLÓGICA
Tema 01 –Fundamentos Gerais e Estações Meteorológicas

1.7. Instrumentos mínimos de uma Estação Climatológica Principal


(ECP)
Essa listagem foi retirada do Manual de Observações Meteorológicas do INMET – Parte A.

– Abrigo meteorológico com Termômetro de Mínima, Termômetro de Máxima, Psicrô-


metro, Termohigrógrafo e Evaporímetro de Piche.
– Pluviômetro, Pluviógrafo.
– Heliógrafo.
– Catavento, Anemômetro, Anemógrafo.
– Barômetro, Barógrafo e Atlas de Nuvens.

Todos esses equipamentos serão mostrados nos temas correspondentes.

Você observou que alguns instrumentos da estação terminam em


metro e outros terminam em grafo? A que se deve essa diferença?

Por exemplo: o barômetro mede a pressão atmosférica do ar e o ba-


REFLEXÃO rógrafo registra essa mesma pressão em um gráfico; esses gráficos,
dependendo do instrumento, podem ser diários ou semanais.

Todo o cuidado com a instalação, a padronização dos equipamentos e a sua manutenção


constante é muito importante, pois os dados coletados nessas estações, que fazem parte
da Rede Mundial, vão ser comparados entre si e, portanto, a forma e o horário de coleta
precisam ser confiáveis.

O Observador precisa sempre ter em mente a grande responsabilidade do seu trabalho.

1.8. Diferença entre meteorologia e climatologia

Meteorologia: é a ciência que estuda a atmosfera e os fenômenos atmosféricos.

Climatologia: estuda o comportamento dos fenômenos atmosféricos em períodos


de médio e longo prazos. Para se definir o clima de uma região são calculadas as
condições médias da temperatura, precipitação, vento, umidade etc.

A previsão do tempo,refere-se a 24h, 72h, 96h ou, no máximo 15 dias. Quando se trata de
previsão climática, refere-se a previsão mensal, trimestral ou por mais tempo.

7
OBSERVAÇÃO METEOROLÓGICA
Tema 01 –Fundamentos Gerais e Estações Meteorológicas

Síntese do tema
Parabéns, você chegou ao final do Tema 1!

Neste primeiro tema foi explicado o conceito de observação meteorológica, realizada em


estações meteorológicas de superfície convencionais, sua finalidade, importância e horários
em que são realizadas.

Foi mostrada a diferença entre altura e altitude e citadas as unidades de medida dos dife-
rentes elementos meteorológicos medidos e registrados em uma estação.

O tema termina com a descrição de alguns tipos de estações meteorológicas, a lista dos
instrumentos mínimos que compõem uma ECP, de acordo com o INMET, e a diferença entre
Meteorologia e Climatologia.

Acesse a atividade avaliativa do Tema 1 do curso.


ATIVIDADE

8
TEMA 02 –
Pressão, Vento, Temperatura e
Umidade Relativa
Abertura do tema
Neste tema serão apresentados, ao(à) cursista, quatro elementos meteorológicos impor-
tantes: pressão, vento, temperatura e umidade relativa do ar.

A pressão atmosférica do ar e o vento são essenciais para a previsão do tempo. Os(As) cur-
sistas aprenderão o que são, quais são os instrumentos que fornecem essas informações,
como se faz a leitura de cada um, como se registra a temperatura mínima e máxima do dia
e como é calculada a umidade relativa do ar.

2.1. Pressão atmosférica do ar


Figura 1 – Atmosfera
A Terra é envolvida por uma grande ca-
mada de ar (atmosfera) e esse ar tem
um peso que varia de acordo com o ta-
manho da sua coluna sobre uma deter-
minada superfície. Portanto, a pressão
atmosférica é o peso exercido pela co-
luna da atmosfera acima de uma deter-
minada superfície.

O ar é mais denso (pesado) na superfície


e mais leve em altitude elevada devido
à força da gravidade que o puxa na di-
reção da superfície. Fonte: Pexels, 2024.
OBSERVAÇÃO METEOROLÓGICA
Tema 02 –Pressão, Vento, Temperatura e Umidade Relativa

A pressão também tem uma variação diária devido à mudança da temperatura que oca-
siona variações na densidade do ar. A medida da pressão é de suma importância para a
Meteorologia e deve ocorrer exatamente nos horários padrões das observações.

O aparelho usado é o barômetro de mercúrio, também conhecido como barômetro de Tor-


ricelli (nome do seu inventor). Hoje em dia, os barômetros adquiridos para as estações são
os digitais, mas a grande maioria das estações do INMET ainda trabalha com barômetros
de mercúrio. Esses, quando são comparados nas inspeções técnicas, apresentam excelente
resultado.

Nas Estações Climatológicas Principais - ECPs, o barômetro é o único instrumento que não
pode ficar no cercado da estação, ao ar livre, então nestas estações é construído um pequeno
prédio de alvenaria onde fica instalado o barômetro e serve de escritório para o observador.

Figura 2 – Barômetro de Mercúrio

Fonte: INMET, 2024.

Enquanto as demais leituras dos instrumentos da estação podem iniciar uns 10 minutos
antes do horário padrão da observação, a pressão atmosférica deve ocorrer rigorosamente
no horário padrão. Agregado ao barômetro, tem um termômetro que indica a temperatura
do instrumento e do mercúrio. Para se calcular a pressão ao nível da estação, depois da
leitura do barômetro e do termômetro do barômetro, é feita uma correção a 0°C, instru-
mental e da gravidade. A correção da gravidade é feita por meio de uma tabela calculada
para cada estação meteorológica.

10
OBSERVAÇÃO METEOROLÓGICA
Tema 02 –Pressão, Vento, Temperatura e Umidade Relativa

Depois disso, para que todas as pressões, de todas as estações, fiquem no mesmo nível, e
possam ser comparadas nas análises dos campos de pressão nas cartas sinóticas nos cen-
tros de previsão do tempo, elas precisam ser reduzidas ao nível médio do mar. Para este
cálculo, o observador utiliza tabelas que foram calculadas para cada estação, levando em
conta a altitude da estação (Hp) e o (Hz) que é a altitude da cuba do barômetro, calculada
na hora da instalação do instrumento.

O registrador da pressão atmosférica é o barógrafo e o seu gráfico é semanal, trocado toda


segunda-feira, meia-hora antes da observação das 9h ou 12TMG.

Figura 3 – Barógrafo Figura 4 – Carta Sinótica

Fonte: INMET, 2024. Fonte: INMET, 2024.

Vamos ver se você entendeu o assunto? Se a pressão é o peso da coluna de ar


em uma determinada superfície, onde ela é maior? Em uma cidade à beira-mar,
por exemplo, há 10m de altitude, ou em uma cidade serrana a 950m de altitude?

A pressão é mais alta na cidade à beira-mar, onde a coluna de ar é bem maior.

11
OBSERVAÇÃO METEOROLÓGICA
Tema 02 –Pressão, Vento, Temperatura e Umidade Relativa

2.2. Vento em superfície


O vento é o ar em movimento. Embora este movimento ocorra tanto na horizontal como
na vertical, sua direção e velocidade são medidas, nas estações, apenas na horizontal.

A direção do vento é definida pela posição a partir da qual ele está soprando. Para tanto,
se utilizam os pontos cardeais ou rosa dos ventos, a partir do Norte Geográfico ou Norte
Verdadeiro, definido na instalação da estação, assim como os demais pontos cardeais para
facilitar a identificação do observador.

O vento, cuja direção o observador deve registrar é a corrente de ar que passa livremente
sobre a estação, observada durante os 10 min da observação.

Figura 5 – Pontos Cardeais

Fonte: Mapa, 2024.

Para o registro da velocidade do vento, observa-se a velocidade média com que o ar se


desloca em um determinado ponto. O observador deve anotar as variações da velocidade
durante os últimos 10 minutos e depois registrar a velocidade média.

Os equipamentos para leitura da direção e velocidade do vento são:

– Catavento tipo Wild


– Anemômetro
– Anemógrafo

Todos instalados a 10m de altura do solo (altura padrão para todas as estações). Se a esta-
ção possui só o catavento, a velocidade do vento é estimada segundo uma tabela específica
(Tabela 1).

12
OBSERVAÇÃO METEOROLÓGICA
Tema 02 –Pressão, Vento, Temperatura e Umidade Relativa

Figura 6 – Catavento Figura 7 – Detalhe do Catavento

Fonte: INMET, 2024. Fonte: INMET, 2024.

Tabela 1 – Tabela para Leitura do Catavento

Fonte: INMET, 2024.

O anemômetro pode ser de dois tipos: o autogerador que registra a direção e a velocidade;
e o autogerador sem direção, que registra só a velocidade.

O anemógrafo registra, em um diagrama que é trocado, diariamente, às 8h30:

– a direção do vento (2 penas);


– a velocidade média do vento; e
– a velocidade instantânea do vento (rajada).

O termo rajada de vento é utilizado quando ocorre um aumento brusco na velocidade do


vento, normalmente acompanhado também por variações bruscas na direção.

13
OBSERVAÇÃO METEOROLÓGICA
Tema 02 –Pressão, Vento, Temperatura e Umidade Relativa

Figura 8 – Foto do anemógrafo Figura 9 – Detalhe do anemógrafo

Fonte: INMET, 2024. Fonte: INMET, 2024.

A velocidade do vento é registrada em metros por segundo (m/s), quilômetros por hora
(Km/h) e em nós.

A Meteorologia utiliza a Escala Beaufort para a classificação e divulgação de fenômenos


como vento forte, ventania, tempestade etc.

A Escala Beaufort é baseada na Força ou Número de Beaufort, a qual


foi feita para calcular e informar a velocidade do vento. É composta da
velocidade do vento, um termo descritivo e os efeitos visíveis sobre a
ATENÇÃO superfície da Terra ou do mar. Foi inventada por Sir Francis Beaufort
(1777-1857), higrógrafo da Marinha Real Britânica.

14
OBSERVAÇÃO METEOROLÓGICA
Tema 02 –Pressão, Vento, Temperatura e Umidade Relativa

Tabela 2 - Escala Beaufort

Fonte: INMET, 2024.

2.3. Temperatura do ar
A quantidade de energia emitida pelo Sol praticamente não se altera. Entretanto, as variações
de temperatura do ar estão associadas aos movimentos do nosso planeta, além de fatores
como latitude, altitude, proximidade de corpos d’água, circulações da atmosfera e outros.

A unidade que mede a temperatura é o “grau” e a escala mais comum é a Celsius “°C”. Por
convenção, o zero desta escala corresponde à temperatura do gelo em fusão e qualquer
valor acima desta temperatura é considerado “positivo” e qualquer valor abaixo é “negativo”.

Os instrumentos utilizados são os termômetros de mercúrio ou álcool e devem ser instalados


numa posição em que suas medidas sejam representativas da livre circulação do ar e não
influenciadas por condições artificiais, como o caso de proximidade de grandes edifícios,
estradas asfaltadas e extensas áreas de concreto e o solo, sempre que possível, deve ser
coberto de grama curta (condições ideais).

15
OBSERVAÇÃO METEOROLÓGICA
Tema 02 –Pressão, Vento, Temperatura e Umidade Relativa

Em todas as Estações Convencionais de Superfície, os termômetros estão instalados em


um Abrigo Meteorológico de madeira de lei, pintado de branco, com paredes de venezianas
duplas e invertidas, para evitar que a luz incida diretamente sobre os sensores, permitindo
que o ar atravesse livremente e que os instrumentos em seu interior registrem as caracte-
rísticas naturais da atmosfera.

No Abrigo estão o termômetro de máxima, o termômetro de mínima, o psicrômetro, o


termohigrógrafo e o evaporímetro de Piche.

Psicrômetro São dois termômetros comuns, normalmente de mercúrio, onde no primeiro


lemos a temperatura do ar (e chamamos de bulbo seco). Sobre o segundo, chamado de
bulbo úmido, falaremos no próximo tema (2.4 – Umidade Relativa).
Termômetro de máxima É semelhante ao termômetro comum, só que apresenta um
estrangulamento no tubo capilar que não permite que o mercúrio retorne ao reserva-
tório, quando a temperatura diminui, e permanece indicando a temperatura máxima
daquele dia. Na observação seguinte, o observador prepara o termômetro, colocando-o
na temperatura atual.
Termômetro de mínima É de álcool e quando registra a mínima do dia e a temperatura
começa a subir novamente, o álcool se dilata e fica na posição da mínima ocorrida. Como
no termômetro de máxima, na próxima observação o observador prepara o termômetro,
colocando-o na temperatura atual.
Evaporímetro de Piche Instrumento que mede a evaporação (mais detalhes no tema 6).
Termohigrógrafo Registrador da variação da temperatura e da umidade relativa do ar.
Devido a esses registradores é que as estações podem informar o horário em que ocorre-
ram as temperaturas mínimas e máximas registradas pelos termômetros. O diagrama do
termohigrógrafo, normalmente é semanal, e é trocado todas as segundas-feiras às 8h30.
Termômetros de solo ou geotermômetros Normalmente esses termômetros ficam
com o bulbo enterrado a diferentes profundidades no solo (2, 5, 10, 20, 30 e 50 cm) e a
leitura é feita nos três horários da observação.

Figura 10 – Abrigo Meteorológico Figura 11 - Instrumentos do Abrigo Meteorológico

Fonte: INMET, 2024. Fonte: INMET, 2024.

16
OBSERVAÇÃO METEOROLÓGICA
Tema 02 –Pressão, Vento, Temperatura e Umidade Relativa

2.4. Umidade relativa do ar


A umidade relativa do ar está relacionada à quantidade de vapor d´água na atmosfera. O
vapor d’água apresenta-se na atmosfera em proporções muito variáveis e em mistura com
o ar seco. Devido à facilidade com que a proporção da umidade pode variar, a sua medida
torna-se elemento de grande importância.

O instrumento mais comum para medir a umidade relativa é o psicrômetro que consiste
em dois termômetros montados lado a lado. O primeiro é chamado de bulbo seco e regis-
tra a temperatura do ar e o segundo é o de bulbo úmido. Ele tem um cadarço de algodão
embebido em água destilada ou água da chuva, em torno do seu bulbo. Com a leitura das
duas temperaturas, obtém-se, por meio de tabelas apropriadas, a umidade relativa do ar.
Essas tabelas são chamadas tabelas psicrométricas e todas as estações as possuem.

17
OBSERVAÇÃO METEOROLÓGICA
Tema 02 –Pressão, Vento, Temperatura e Umidade Relativa

Síntese do tema
Parabéns, você chegou ao final do Tema 2!

Neste tema, o(a) cursista teve acesso à definição dos seguintes elementos meteorológicos
e os respectivos instrumentos que realizam suas medições e registros:

a) Pressão Atmosférica: o instrumento medidor é o Barômetro e o instrumento registra-


dor é o Barógrafo.
b) Vento em Superfície: o instrumento medidor é o Catavento ou Anemômetro e o ins-
trumento registrador é o Anemógrafo.
c) Temperatura do Ar: o instrumento medidor é o Termômetro e suas variações e o
instrumento registrador é o Termohigrógrafo.
d) Umidade Relativa: o instrumento medidor é o Psicrômetro e o instrumento registrador
é o Termohigrógrafo.

Também foram apresentadas a tabela dos pontos cardeais e a escala Beaufort.

Acesse a atividade avaliativa do Tema 2 do curso.


ATIVIDADE

18
TEMA 03 –
Precipitação
Abertura do tema
Neste tema, o(a) cursista vai aprender o que é precipitação e seus diferentes tipos. O objetivo
é que o(a) cursista consiga diferenciar os graus de intensidade de uma chuva ou chuvisco
e o que é uma chuva contínua ou em forma de pancada

3.1. Definição e Unidade de Medida


A precipitação é o resultado da condensação da água Figura 1 – Foto Pluviômetro
na atmosfera que cai em direção ao solo, quando o
peso das gotas supera as correntes verticais de ar. A
precipitação é um hidrometeoro (os meteoros e seus
tipos serão tratados no Tema 4) e pode ser líquido
(chuva, chuvisco) ou sólido (neve, granizo).

A unidade de medida da precipitação é o milíme-


tro (mm) onde uma lâmina de 1 mm corresponde
à distribuição uniforme de 1 litro d’água por metro
quadrado (1l/m²).

3.2. Leitura do Pluviômetro


O aparelho que mede a precipitação em uma esta-
ção é o pluviômetro; ele mede a altura da coluna de
água que se acumularia no solo se não ocorresse in-
filtração, evaporação ou escoamento. O pluviômetro
Fonte: INMET, 2024.
padrão utilizado na Rede do INMET é o Ville de Paris.
OBSERVAÇÃO METEOROLÓGICA
Tema 03 –Precipitação

Acompanham o pluviômetro, duas provetas para a leitura da altura da água recolhida, sen­
do uma de 7mm e outra de 25mm. A primeira é apropriada para a medição de pequenas
quedas d’água e é dividida de décimos em décimos de milímetros e a maior é dividida de
dois em dois décimos de milímetros.

Figura 2 – Detalhe da proveta para leitura da precipitação

Fonte: INMET, 2024.

3.3. Leitura do Pluviógrafo


O pluviógrafo é um instrumento que, além de registrar a quantidade de chuva, registra
também o horário em que a chuva ocorre. Analisando-se o pluviograma, pode-se verificar
a intensidade da precipitação. Esse diagrama é diário, devendo ser trocado todos os dias
quando houver precipitação e, nos casos em que a precipitação não ocorrer, o diagrama
pode ser trocado de três em três dias.

Figura 3 – Pluviógrafo Figura 4 – Diagrama Pluviométrico com registro de precipitação

Fonte: INMET, 2024. Fonte: INMET, 2024.

20
OBSERVAÇÃO METEOROLÓGICA
Tema 03 –Precipitação

3.4. Graus de Intensidade da Precipitação


Chuva forte: é uma precipitação acima de 60 mm por hora ou de 10,0 mm em 10 min.
Chuva moderada: de 5,1 mm até 60,0 mm por hora ou no máximo de 6,0 mm em 10 min.
Chuva fraca: de 1,1 mm por hora até 5,0 mm ou no máximo 0,8 mm em 10 min.
Chuva inapreciável: é uma precipitação cuja quantidade não é acusada no pluviômetro
porque não acumula, ou porque uma evaporação forte a faça desaparecer. Neste caso
deve ser informado apenas o início da ocorrência do fenômeno.
Chuvisco forte: de 0,5 mm por hora e visibilidade inferior a 500 m. Quando a precipita-
ção exceder de 1,0 mm por hora considera-se chuva. *Visibilidade faz parte do Tema 5.
Chuvisco moderado: de 0,3 a 0,5 mm por hora e visibilidade entre 500 e 1000 m.
Chuvisco fraco: de no máximo 0,3 mm por hora e visibilidade superior a 1000 m.
Chuvisco inapreciável: precipitação constituída por gotículas tão pequenas que parecem
flutuar no ar, e quando atingem o solo não o umedecem completamente.

Assista a este conteúdo em vídeo.

Para ver o vídeo,


acesse o curso online

Pelo tipo de nuvem que dá origem à precipitação e seu aspecto de continuidade, ainda
podemos classificar as precipitações em:
Intermitentes: quando a intensidade aumenta e diminui, com interrupções momen-
tâneas, sendo precipitações geralmente provenientes de nuvens nimbustratus (nuvem
é assunto do tema 7).
Pancadas: quando a intensidade aumenta ou diminui bruscamente, porém com inter-
rupções irregulares, sendo precipitações provenientes de nuvens cumuliformes.
Contínuas: quando a intensidade diminui ou aumenta muito lentamente e sem inter-
rupção, sendo precipitações provenientes de nuvens estratiformes.

21
OBSERVAÇÃO METEOROLÓGICA
Tema 03 –Precipitação

Síntese do tema
Parabéns, você chegou ao final do Tema 3!

Neste tema foi apresentada a definição de precipitação e foram apresentados os instrumen-


tos que medem a precipitação: o pluviômetro, que mede quanto choveu, e o pluviógrafo,
que registra o horário e a intensidade da chuva, além da quantidade.

Foram apresentados também os diferentes graus de intensidade de uma precipitação da


chuva ou chuvisco, que podem ser fortes, moderados, fracos ou inapreciáveis, e as dife-
renças quanto à continuidade da precipitação, que pode ser intermitente, contínua ou em
forma de pancadas.

Acesse a atividade avaliativa do Tema 3 do curso.


ATIVIDADE

22
TEMA 04 –
Meteoros
Abertura do tema
Os meteoros são fenômenos observados na natureza e alguns atraem a curiosidade de
muitas pessoas. Neste tema, o(a) cursista vai aprender qual a diferença entre uma névoa
úmida e um nevoeiro, que a geada é um fenômeno que se forma na superfície e que não
precipita, a diferença entre relâmpago e trovão, e outros tipos de meteoros que existem.

Figura 1 – Meteoro

Fonte: Pixabey, 2024.


OBSERVAÇÃO METEOROLÓGICA
Tema 04 – Meteoros

4.1. Hidrometeoros
Um hidrometeoro é um meteoro formado por um conjunto de partículas d’água, líquidas
ou sólidas, em queda ou em suspensão na atmosfera, ou levantadas da superfície da terra
pelo vento, ou depositadas sobre objetos, no solo ou na atmosfera livre.

Vamos descrever alguns hidrometeoros:


Chuva: precipitação de partículas d’água líquida, sob a forma gotas de diâmetro superior a 0,5mm
ou de gotas menores e muito dispersas.
Chuvisco: precipitação bastante uniforme, constituída exclusivamente de finas gotas d’água (diâ-
metro inferior a 0,5mm) muito unidas entre si. Também conhecido como garoa.
Neve: precipitação de cristais de gelo translúcidos e brancos, em geral em forma hexagonal e ra-
mificados, formados diretamente pelo congelamento do vapor d’água na atmosfera. É produzida
por nuvens do tipo stratus, mas também pode se originar das nuvens tipo cumulus. Quando a neve
atravessa camadas de ar cuja temperatura é 0°C ou mesmo um pouco superior, ela condensa água
líquida sobre sua superfície; esses cristais de neve tornam-se úmidos, derretem em parte e aglome-
ram-se uns aos outros, formando flocos brancos mais ou menos volumosos.
Granizo: precipitação de pedaços de gelo, cujo diâmetro atinge de 5 a 50mm, ou `s vezes mais, e
que caem, ora separados, ora aglomerados, em blocos irregulares. Ocorre quando a temperatura
da nuvem está acima de 0°C, enquanto as camadas inferiores de ar estão com temperaturas ainda
mais baixas. Resulta daí que o pingo de chuva congela na queda, alcançando o solo no estado sólido.
Nevoeiro: suspensão, na atmosfera, de pequenas gotas d’água que reduzem a visibilidade horizontal
na superfície, geralmente a menos de 1km. O nevoeiro pode ser fraco (quando os objetos podem ser
percebidos a menos de 1km), moderados (quando os objetos podem ser percebidos de 100 a 500m)
e fortes (quando os objetos não podem ser percebidos a partir de 100m de distância do observador).
Na estação, o observador tem pontos de referência predeterminados para essa verificação.
Névoa úmida: suspensão, na atmosfera, de microscópicas gotículas d’água, não reduzindo a visi-
bilidade na superfície da terra a menos de 1km.
Geada: depósito de gelo de aspecto cristalino. Forma-se quando a temperatura baixa o suficiente
para provocar a condensação da umidade atmosféricas sobre os objetos. A geada ocorre pela irra-
diação noturna da terra para o céu.
Assista a este conteúdo em vídeo:

Para ver o vídeo,


acesse o curso online

Muitas pessoas falam erroneamente que a geada cai. Geada se forma


na superfície ou em objetos próximos à superfície.
ATENÇÃO

24
OBSERVAÇÃO METEOROLÓGICA
Tema 04 – Meteoros

4.2. Litometeoros
Litometeoros consistem de um conjunto de partículas, na maioria sólida e não aquosa, em
suspensão no ar ou elevadas do solo pelo vento. Elas têm as mais variadas origens: fumaça
de cidades industriais, queimadas, poeiras da terra e/ou desertos, cinzas vulcânicas e po-
dem ser transportadas pelos ventos a grandes altitudes e grandes distâncias. Veja alguns
exemplos:

Névoa seca: suspensão na atmosfera de


partículas secas, extremamente pequenas,
invisíveis a olho nu e suficientemente nu-
merosas para dar ao ar, um aspecto opaco.
A névoa seca é o nome genérico dado aos
litometeoros quando a visibilidade hori-
zontal é de 1000 m ou mais. Ela difere da
névoa úmida pela menor porcentagem
de umidade relativa do ar. Por definição,
quando a umidade relativa está a menos
de 80% e temos névoa, o observador a
classifica como névoa seca.
Pexels, 2024.

Tempestade de poeira ou areia: conjun-


to de partículas de poeira ou areia, levan-
tadas do solo, sob a forma de redemoinho
e de altura variável.

Acesse o link a seguir e veja uma maté-


ria jornalística sobre uma tempestade de
poeira em São Paulo: [Link]
[Link]/tempestade-de-areia-atinge-inte-
rior-de-sao-paulo-e-transforma-o-dia-em-
-noite/

Pexels, 2024.

25
OBSERVAÇÃO METEOROLÓGICA
Tema 04 – Meteoros

4.3. Fotometeoros
Fotometeoro é um fenômeno luminoso decorrente da reflexão, refração, difração ou inter-
ferência da luz solar ou lunar. Os mais comuns são:

Halo Solar ou Halo Lunar: fenômeno


ótico em forma de anéis, arcos, ou focos
luminosos produzidos pela refração ou
reflexão da luz, por cristais de gelo em
suspensão na atmosfera oriundos de
nuvens cirruformes, nevoeiro gelado
etc. Podem ser: pequenos halos, gran-
des halos, coluna luminosa branca (ras-
tro de luz), um arco tangente na parte
externa de um halo.
Pixabay, 2024.

Coroa solar ou lunar: uma ou mais


séries de anéis coloridos (raramente
superiores a três) centralizados sobre
o sol ou a lua e de raio pequeno.

Flickr, 2024.

Arco íris: grupo de arcos concêntricos,


cujas cores vão do violeta ao vermelho,
produzidos pela luz solar ou lunar, so-
bre uma cortina de gotas d’água que
estão na atmosfera (de chuva, de garoa
ou de nevoeiro).

Flickr, 2024.

26
OBSERVAÇÃO METEOROLÓGICA
Tema 04 – Meteoros

4.4. Eletrometeoros
Um eletrometeoro é uma manifestação visível ou audível de eletricidade. Os mais impor-
tantes são:

– Trovoada: Uma ou várias descargas bruscas de eletricidade atmosférica, manifestan-


do-se por uma claridade breve e intensa (relâmpago) e por um ruído seco ou por um
surdo (trovão).

Figura 2 – Trovoada

Fonte: Pexels, 2024.

– Relâmpago: Manifestação luminosa que acompanha uma descarga brusca de eletrici-


dade atmosférica proveniente de uma nuvem (raramente emana de edifícios elevados
ou de montanhas).
– Trovão: ruído seco ou rolamento surdo que acompanha o relâmpago. O ruído é o re-
sultado do superaquecimento do ar no curso da descarga elétrica, provocando uma
brusca expansão. Na ocorrência de uma trovoada deve ser observada a direção em
que ocorreu em relação à estação e a sua intensidade. A intensidade é baseada nas
seguintes características:

A intensidade é moderada quando


A intensidade é fraca quando
ocorrem fortes ruídos de trovões e O fenômeno é considerado forte
os relâmpagos ocorrem dentro
existem frequentes clarões de quando os trovões ocorrem
da nuvem e a precipitação, se
relâmpagos da nuvem para o solo e continuamente, as chuvas são
existente, é fraca ou moderada;
da nuvem para a nuvem; a chuva, fortes, normalmente
os trovões não são muito
se existir, é moderada ou forte, acompanhadas de granizos e os
ruidosos e os ventos não
granizos podem ocorrer e o vento ventos são superiores a 17 m/s.
excedem 13 m/s;
pode atingir 17 m/s.

27
OBSERVAÇÃO METEOROLÓGICA
Tema 04 – Meteoros

4.5. Avaliação dos Meteoros


Todos os fenômenos que ocorrem na estação ou próximos a ela, devem ser anotados e re-
gistrados pelo observador (não só nos três horários de observação, mas durante todo o dia).

Este registro deve ser feito acompanhado de sua intensidade, o período de ocorrência, seu
caráter e sua direção (quando houver).

Veja abaixo:

– Intensidade: Informar se o fenômeno é fraco, moderado ou forte.


– Ocorrência: De preferência anotar o horário de início e término da duração do fenô-
meno e, não sendo possível, usar a seguinte representação: na (para madrugada), a
(para manhã), p (para tarde) e np (para noite).
– Caráter: Pode ser contínuo (quando a intensidade aumenta ou diminui), intermi-
tente (a intensidade aumenta e diminui) e em forma de pancadas (característico de
precipitações).
– Direção: normalmente ventanias, trovoadas, precipitações à vista podem ter seu
registro completado com direção.

Para a meteorologia, é muito importante que as Estações Meteoro-


lógicas registrem os fenômenos adversos: chuvas intensas, granizo,
geada, neve, ventanias etc. Os observadores, além de registrarem,
ATENÇÃO devem reportar a ocorrência desses fenômenos ao transmitirem a
observação meteorológica (mensagem sinótica).

Lembramos novamente que é necessário muito treinamento para ficar apto a conhecer e
distinguir todos os detalhes que envolvem uma Observação Meteorológica.

28
OBSERVAÇÃO METEOROLÓGICA
Tema 04 – Meteoros

Síntese do tema
Parabéns, você chegou ao final do Tema 4!

Neste tema foi explicado que os meteoros são fenômenos observados na natureza ou na
superfície da terra e que eles são classificados em 4 categorias (aqui foram definidos os
mais comuns):

– Hidrometeoros: chuva, chuvisco, granizo, nevoeiro, nevoa úmida e geada.


– Litometeoros: névoa seca e tempestade de poeira ou areia.
– Fotometeoros: halo solar e halo lunar, coroa solar ou lunar e arco íris.
– Eletrometeoros: trovoada, relâmpago e trovão.

Foi explicado, também, que os meteoros são registrados considerando-se a intensidade, o


horário ou período de ocorrência, o caráter e, dependendo do meteoro, a direção que ele
ocorreu, em relação à estação meteorológica.

Também foi falado sobre a importância do observador transmitir, junto da observação, a


informação da ocorrência de fenômenos adversos registrados, não só na hora da observa-
ção, mas durante todo o dia.

Fenômenos adversos são considerados: chuvas intensas, geadas, queda de neve, queda
de granizo etc.

Acesse a atividade avaliativa do Tema 4 do curso.


ATIVIDADE

29
TEMA 05 –
Visibilidade e Nebulosidade
Abertura do tema
O(A) cursista verá como o observador estima a visibilidade horizontal em uma estação
meteorológica e como ele estima a cobertura de nuvens que tem no céu e a altura da base
dessas nuvens na hora da observação.

5.1. Visibilidade
A visibilidade para a Meteorologia é definida como a distância máxima que um objeto pode
ser visto e identificado. Essa distância é horizontal e, no caso das observações noturnas,
considera-se que a iluminação fosse elevada ao nível normal da luz diurna, ou seja, mede-se
a distância máxima que um objeto pode ser visto e identificado em qualquer circunstância.

As observações de visibilidade, não deverão ser feitas com a ajuda de nenhum aparelho
ótico, como binóculos, teodolitos etc. Todas as estações meteorológicas possuem o qua-
dro de visibilidade com as indicações dos pontos de referência (postes, edifícios, acidentes
geográficos, torres etc.) espalhados pelo horizonte e em quadrantes diferentes.

À noite, a visibilidade é mais difícil de ser observada pois o olho humano gasta em torno de
meia hora para adaptar-se completamente ao ambiente. Portanto, a visibilidade deve ser
a última observação a ser feita.

A visibilidade é expressa em metros e quilômetros e em algumas situações, em que o ho-


rizonte é limitado ou há ausência de pontos de referência apropriados, pode-se estimá-la.
Os fatores que podem afetar a visibilidade são: precipitação, nevoeiro, névoas, fumaça,
poeira, areia etc.
OBSERVAÇÃO METEOROLÓGICA
Tema 05 –Visibilidade e Nebulosidade

Figura 1 – Exemplo do Quadro de Visibilidade da estação de Porto Alegre - RS

Fonte: INMET, 2024.

5.2. Nebulosidade
A nebulosidade é a fração do céu coberta de nuvens, ou seja, a cobertura de nuvens no céu.
A observação da nebulosidade engloba:

– Tipos de nuvens (Tema 7).


– Nebulosidade total ou cobertura do céu.
– Nebulosidade parcial das nuvens baixas e, na ausência, das nuvens médias.
– Altura da base das nuvens baixas ou médias.

A nebulosidade total é a fração da abóbada celeste oculta pelo conjunto das nuvens visíveis.
O céu é dividido em 10 partes e a nebulosidade vai representar quantas partes tem nuvens.
Por exemplo: se o observador informa:

0: o céu está claro; não tem nuvem no céu.


4: o céu está parcialmente nublado; com, por exemplo, 4/10 de nuvens cumulus.
5: metade do céu está com nuvens, sendo necessário informar, em seguida, quantas
partes dessas cinco têm de nuvem baixa, nuvem média e nuvem alta (se houver os
três tipos).
8: o céu está nublado, sendo necessário informar quantas partes de cada tipo de nuvem.
10: o céu está encoberto e, se somente nuvens baixas estiverem visíveis, é necessário re-
portar 10 partes da nuvem baixa que predominar no céu no momento da observação.

31
OBSERVAÇÃO METEOROLÓGICA
Tema 05 –Visibilidade e Nebulosidade

Define-se como altura de uma nuvem, ou altura de uma camada de nuvem, a distância ver-
tical medida entre a base da nuvem ou da camada das nuvens e o nível médio da estação.
Pode ser feita por instrumentos (balão-piloto, radiossonda) ou por estimada visual.

Nas estações do INMET, a altura das nuvens, é calculada por estimativa visual e o obser-
vador leva em conta a comparação com alturas de objetos conhecidos (morros próximos,
montanhas), o tipo da nuvem etc.

Figura 2 – Exemplos de nuvens 1

Fonte: INMET, 2024

Figura 3 – Exemplos de nuvens 2

Fonte: INMET, 2024

32
OBSERVAÇÃO METEOROLÓGICA
Tema 05 –Visibilidade e Nebulosidade

Síntese do tema
Parabéns, você chegou ao final do Tema 5!

Neste tema foram apresentados ao(à) cursista aspectos sobre a visibilidade e sobre como
o observador avalia e faz a observação sem a ajuda de aparelhos e com o auxílio da carta
de visibilidade, elaborada para cada estação meteorológica na data da sua criação e que
pode ser revisada a cada visita da equipe de manutenção.

Também neste tema é explicado que a avaliação da nebulosidade é feita pela estimativa
da fração do céu coberta pelas nuvens, ou seja, quantas partes do céu estão ocultas pelas
nuvens e o cursista deve aprender a estimar a altura da base das nuvens, levando em conta
pontos próximos conhecidos por ele, como prédios, morros etc.

Novamente, verificamos a necessidade de muito treinamento nessa atividade.

Acesse a atividade avaliativa do Tema 5 do curso.


ATIVIDADE

33
TEMA 06 –
Insolação e Evaporação
Abertura do tema
O(A) cursista aprenderá neste tema como são calculadas e registradas as horas de brilho
solar em uma estação e uma das maneiras de se medir a evaporação da água. Também
compreenderá por que as estações precisam estar em locais distantes de árvores muito
altas e prédios muito elevados.

6.1. Insolação
A vida na Terra depende da radiação solar que chega à superfície. Além de aquecer o solo e
ser fonte de calor para aquecer o ar atmosférico, a radiação solar ainda pode ser utilizada
para muitas outras finalidades práticas, como, por exemplo, converter-se em energia elétrica
por meio de células fotovoltaicas. O aparelho que mede a radiação solar é o piranômetro.

Numa Estação Climatológica Principal Convencional temos o heliógrafo que registra as horas
de brilho solar diárias, livre de quaisquer obstáculos (nuvens).

Como esse instrumento registra o deslocamento do Sol durante o decorrer do dia, as di-
reções leste a oeste, devem estar livres de obstáculos, como prédios e árvores para não
obstruírem parte do registro.

São utilizados três tipos de tiras heliográficas, que variam de curvatura e de tamanho de
acordo com a época do ano e a troca das tiras é realizada sempre na observação da noite.
OBSERVAÇÃO METEOROLÓGICA
Tema 06 – Insolação e Evaporação

Figura 1 – Heliógrafo

Fonte: INMET, 2024.

Figura 2 - Fita Heliográfica

Fonte: INMET, 2024.

A tira curva comprida é utilizada de meados de outubro até o final de fevereiro. A tira reta,
de princípio de março a meados de abril e do início de setembro a meados de outubro. A
tira curva curta, de meados de abril ao final de agosto.

Conforme o Sol vai se deslocando, os seus raios, ao incidirem na esfera de vidro, vão quei-
mando a tira heliográfica, que depois fornece a insolação do dia, sem a interferência de
nuvens, a qual é expressa em horas e décimos.

35
OBSERVAÇÃO METEOROLÓGICA
Tema 06 – Insolação e Evaporação

6.2. Evaporação
A evaporação é o processo pelo qual existe a conversão da água, em seu estado líquido,
para o estado gasoso. Esse vapor d’água provém dos oceanos, rios, lagos e de toda super-
fície umedecida.

A razão de evaporação é definida como a quantidade de água evaporada de uma unidade


de área de superfície (mm) por unidade de tempo (1 dia). Os fatores que afetam evaporação
são: radiação, temperatura, velocidade do vento, umidade relativa do ar, pressão atmosfé-
rica, a natureza da superfície.

O instrumento que mede a evaporação é o evaporímetro de Piche; ele fica instalado den-
tro do abrigo meteorológico e é lido apenas uma vez por dia, na leitura das 9h ou 12TMG.
Ele consiste de um pequeno tubo de vidro fechado em uma extremidade e graduado em
milímetros e, na extremidade aberta, ajusta-se um dispositivo para fixar um disco de papel
poroso que veda a saída d’água (quando o aparelho é invertido) sem impedir a evaporação.

Outro instrumento que também mede a evaporação é o Tanque de Evaporação Classe A.

Figura 3 - Evaporímetro Figura 4 - Tanque de Evaporação

Fonte: INMET, 2024. Fonte: INMET, 2024.

36
OBSERVAÇÃO METEOROLÓGICA
Tema 06 – Insolação e Evaporação

Síntese do tema
Foi informado ao(à) cursista, neste tema, que o piranômetro é o instrumento que mede
a radiação solar que chega na superfície da terra e que o heliógrafo registra as horas de
brilho solar livre de quaisquer obstáculos (nuvens). O heliógrafo utiliza três tipos de tiras
heliográficas, de acordo com a época do ano, devido ao deslocamento do Sol.

Também foram apresentados aspectos relativos à evaporação e à forma como é feita a


medida da evaporação, por meio do evaporímetro de Piche.

Acesse a atividade avaliativa do Tema 6 do curso


ATIVIDADE

37
TEMA 07 –
Nuvens
Abertura do tema
Neste tema, o(a) cursista aprenderá que as nuvens se dividem em altas, médias e baixas e
conhecerá seus diferentes gêneros. Entenderá, também, que o tempo depende muito do
tipo de nuvens que se formam no céu, razão pela qual é importante o seu registro pelos
observadores.

7.1. Definição de nuvens


Nuvem é um conjunto visível de partículas minúsculas de água líquida ou de gelo, ou de
ambos, em suspensão na atmosfera.

O aspecto de uma nuvem depende muito da natureza, dimensões, número e distribuição


no espaço, das partículas que a compõem e também da intensidade e da cor que a nuvem
recebe. A luminância da nuvem é determinada pela quantidade de luz refletida, difundida
e transmitida pelas partículas que a constituem e a sua cor depende essencialmente da
cor da luz que recebe.
OBSERVAÇÃO METEOROLÓGICA
Tema 07 – Nuvens

7.2. Classificação das nuvens


As nuvens apresentam-se sob uma variedade infinita de formas e podem ser classificadas
de acordo com seus gêneros, espécies e variedades. As nuvens foram divididas, vertical-
mente, em três camadas:

Camada superior
nuvens altas: suas altitudes aproximadas são de 3 a 8 km nas regiões polares,
de 5 a 13 km nas regiões temperadas e de 6 a 18 km nas regiões tropicais.

Camada média
nuvens médias: suas altitudes aproximadas são de 2 a 4 km nas regiões polares,
de 2 a 7 km nas regiões temperadas e de 2 a 8 km nas regiões tropicais.

Camada inferior
nuvens baixas: suas altitudes aproximadas são da superfície a 2 km nas
regiões polares, nas regiões temperadas e nas regiões tropicais.

Vamos descrevê-las, separando-os pela camada em que elas ocorrem:

– Nuvens altas: Cirrus, Cirrocumulus e Cirrostratus.


– Nuvens médias: Altocumulus, Altostratus e Nimbostratus.
– Nuvens baixas: Stratocumulus, Stratus, Cumulus e Cumulonimbus.

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OBSERVAÇÃO METEOROLÓGICA
Tema 07 – Nuvens

7.2.1 Nuvens Altas


[Link] Cirrus: As nuvens Cirrus são constituídas de cristais de gelo. Podem se apresentar sob
a forma de fibras delgadas ou filamentos que podem ser retilíneos, encurvados ou parecendo
emaranhados. Podem se apresentar em bancos densos, que parecem cinzentos, quando se en-
contram na direção do Sol e podem esconder completamente o Sol.
A qualquer hora do dia, essas nuvens suficientemente elevadas acima do horizonte são brancas,
mais brancas que qualquer outra nuvem situada na mesma região do céu.
Podem-se observar fenômenos de halos, mas raramente os halos se apresentam sob a forma de
um anel completo.
[Link] Cirrocumulus: As nuvens Cirrocumulus são em forma de banco, lençol ou camada delgada
de nuvens brancas, sem sombra própria, compostas de elementos muito pequenos em forma de
grânulos, unidos ou não, e dispostos mais ou menos regularmente; a maioria dos elementos tem
uma largura aparente inferior a um grau. São constituídas quase que exclusivamente de cristais
de gelo; algumas gotículas d’água super fundidas podem estar presentes.
Essas nuvens apresentam-se igualmente em bancos, comumente muito alongados e cujos con-
tornos são bem delimitados. São sempre transparentes e deixam aparecer a posição do Sol ou
da Lua. Uma coroa ou irisações são, às vezes, observadas nessas nuvens.
Essas nuvens podem ter nascimento no ar límpido e, quando em forma de lentes ou de amêndoas,
provêm da ascensão orográfica local de uma camada de ar úmido.
[Link] Cirrostratus: As nuvens Cirrostratus são um véu de nuvens transparente e esbranquiçado,
de aspecto fibroso ou liso, cobrindo inteiramente ou parcialmente o céu, e dando geralmente
lugar a um fenômeno de halo. São constituídas principalmente por cristais de gelo e sua formação
é devido à ascensão lenta, em níveis bastante elevados, de camadas de ar de grande extensão
horizontal. Podem resultar da fusão de Cirrus ou de elementos de Cirrocumulus. Também podem
ser formadas pela queda de cristais de gelo do Cirrocumulus.

Figura 1 – Nuvens Altas

Fonte: Organização Meteorológica Mundial, 2024.

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OBSERVAÇÃO METEOROLÓGICA
Tema 07 – Nuvens

7.2.2. Nuvens Médias


[Link] Altocumulus: As nuvens Altocumulus são quase invariavelmente constituídas por gotículas
d’água, pelo menos na sua maioria; contudo, nas temperaturas muito baixas, podem se formar
cristais de gelo. Apresentam-se como um lençol de grande extensão composto de elementos iso-
lados ou não, dispostos com bastante regularidade. Também podem apresentar-se sob a forma
de bancos com o aspecto de lentes, às vezes muito alongadas e com contornos bem delineados.
A transparência da Altocumulus é muito variável; às vezes a nuvem é opaca e pode esconder com-
pletamente o Sol. Essas nuvens formam-se quase sempre nas bordas de uma camada extensa de
ar ascendente ou em consequência de turbulência ou de convecção em nível médio.
[Link] Altostratus: As nuvens Altostratus são constituídas por gotículas d’água e cristais de gelo.
Também contêm gotas de chuva e flocos de neve. Apresentam-se quase sempre sob a forma de
uma camada de grande extensão horizontal (até várias centenas de quilômetros) e de dimensão
vertical relativamente considerável (até vários milhares de metros). Podem ser compostas de duas
ou mais camadas superpostas e geralmente são tão densas que não se percebe o Sol, a não ser
vagamente. São nuvens que produzem precipitações que, quando atingem o solo, têm caráter
contínuo e podem ter a forma de chuva, neve ou gelo. As nuvens Altostratus, nas regiões tropicais,
algumas vezes são provenientes da expansão da parte mediana ou superior de um Cumulonimbus.
[Link] Nimbostratus: As nuvens Nimbostratus são uma camada de nuvem cinzenta, muitas vezes
sombria, com um aspecto embaciado em consequência de pancadas mais ou menos contínuas
de chuva ou de neve que, na maioria dos casos, atingem o solo. Apresenta-se, geralmente, sob a
forma de uma camada baixa, de grande extensão, de cor cinza escuro da qual caem precipitações
contínuas sob a forma de chuva, neve ou gelo.
Essa nuvem resulta da lenta ascensão de camadas de ar de grande extensão horizontal a alturas
elevadas e, em certas ocasiões, podem ser originadas de outras nuvens médias ou mesmo de
algumas nuvens baixas.

Figura 2 – Nuvens Médias

Fonte: Organização Meteorológica Mundial, 2024.

41
OBSERVAÇÃO METEOROLÓGICA
Tema 07 – Nuvens

7.2.3. Nuvens baixas


[Link] Stratocumulus: As nuvens Stratocumulus são constituídas de gotículas d’água, acom-
panhadas algumas vezes de gotas de chuva ou de pelotas de neve, mais raramente, de cristais
e de flocos de neve. Apresentam-se sob a forma de um lençol ou de uma camada composta de
elementos análogos aos dos Altocumulus, porém situados em um nível menos elevado, o que os
faz parecerem mais grossos.
Algumas vezes originam precipitações de intensidade sempre fraca sob a forma de chuva, neve
ou pelotas de neve. Em tempo extremamente frio podem ocorrer halo, coroa ou irisações.
Às vezes, essa nuvem tem origem em atmosfera límpida, embaixo de uma base de um Altostratus
ou um Nimbostratus. Pode formar-se de um Altocumulus ou da expansão de um Cumulus ou de
um Cumulonimbus.
[Link] Stratus: Essas nuvens são constituídas por gotículas d’água muito pequenas e, nas tem-
peraturas muito baixas, por pequenas partículas de gelo. Um processo frequente de formação
do Stratus corresponde à ascensão progressiva de uma camada de nevoeiro, provocada pelo
aquecimento da superfície terrestre ou pelo aumento da velocidade do vento.
[Link] Cumulus: As nuvens Cumulus são nuvens isoladas, geralmente densas e de contornos bem
definidos, desenvolvendo-se verticalmente em forma de domos ou torres e, cuja parte superior,
assemelha-se a uma couve-flor. As partes iluminadas pelo sol são de um branco brilhante e sua
base, relativamente sombria, é horizontal.
São constituídas por gotículas d’água e, nas partes dessa nuvem, onde a temperatura é inferior
a 0°C, formam-se cristais de gelo. Podem ter dimensão vertical pequena, moderada ou grande.
Cumulus de grande dimensão vertical podem originar precipitações; nas regiões tropicais, estas
nuvens podem provocar chuvas abundantes sob a forma de aguaceiros. Essas nuvens originam-se
sob o efeito das correntes convectivas que aparecem quando o decréscimo vertical da tempera-
tura nas camadas baixas da atmosfera é grande.
[Link] Cumulonimbus: As nuvens Cumulonimbus são nuvens muito densas, em forma de mon-
tanha, de grande desenvolvimento vertical. Essas nuvens são constituídas por gotas d’água, e, na
sua parte superior, por cristais de gelo, gotas de chuva grossas, flocos de neve ou granizo.
As dimensões horizontal e vertical dessa nuvem são tão grandes que ela só é visível a uma longa
distância. Quando a nuvem se encontra próxima à estação, o observador só enxerga parte da
sua base. Seu aspecto sombrio é aumentado pela ocorrência de trovões e relâmpagos, podendo,
ainda, estar ocorrendo fortes pancadas de chuva, ventania forte, queda de granizo etc.
As Cumulonimbus normalmente se originam de um Cumulus fortemente desenvolvido, mas
também podem se formar de um Altocumulus, de um Stratocumulus, de um Altostratus ou de
um Nimbostratus.

Quando a nuvem Nimbostratus deriva de um Cumulonimbus, ela é


considerada uma nuvem baixa.
ATENÇÃO

42
OBSERVAÇÃO METEOROLÓGICA
Tema 07 – Nuvens

Figura 3 – Nuvens baixas

Fonte: Organização Meteorológica Mundial, 2024.

7.3. Observação das nuvens


A observação das nuvens deve começar pela identificação de todas as nuvens presentes no
céu, no momento da observação. É bom ressaltar que a identificação correta das nuvens
implica numa vigilância quase contínua do conjunto do céu, para acompanhar sua evolução.
Assim o observador acompanhará o que está acontecendo e saberá o desenvolvimento das
nuvens no decorrer do dia. Uma vigilância contínua do céu é muito útil quando as nuvens
se apresentam em forma de camadas ou superpostas. A altura da base das nuvens e a
nebulosidade total e parcial vimos no Tema 5.

43
OBSERVAÇÃO METEOROLÓGICA
Tema 07 – Nuvens

Síntese do tema
O(A) cursista, neste tema, começou a se familiarizar com as nuvens, aprendendo como elas
se formam, quais os gêneros existentes, qual a altitude média em que elas se formam e
quais são alguns dos fenômenos associados a elas.

Também aprendeu que existem dez gêneros de nuvens que se distribuem entre:

– nuvens altas, médias e baixas, cujas altitudes variam de acordo com a região onde
elas se formam (regiões polares, regiões temperadas ou regiões tropicais).

Uma nuvem Cirrus, que se forma na região polar, tem sua altitude entre 3 e 8
km e, se ela se forma numa região tropical, sua altitude varia entre 6 e 18 km.
EXEMPLO

Acesse a atividade avaliativa do Tema 7 do curso


ATIVIDADE

44
Síntese do Curso
A observação meteorológica deve ser realizada por um profissional capacitado para essa
tarefa, que é o observador meteorológico.

Para se tornar um observador meteorológico é necessário muito treinamento e dedicação.


Sua atividade é realizada em uma Estação Meteorológica e exige que o observador conheça
as características e variações dos elementos atmosféricos, além de observar e registrar os
fenômenos meteorológicos que estejam ocorrendo na hora da observação.

As observações devem ser realizadas nos horários predeterminados e no menor espaço de


tempo possível para evitar a variação das informações. Além disso, ele precisa estar atento
às modificações do tempo nos demais horários do dia.

Um fator muito importante, é justamente o cumprimento do horário para realizar uma


observação, pois os dados registrados e transmitidos pelo(a) observador(a) serão utilizados
e comparados com as demais informações enviadas por observadores de outras estações
e têm o objetivo de informar os Centros de Previsão e Serviços Meteorológicos sobre a
condição atual do tempo e as mudanças que estão ocorrendo.

Neste curso, apresentamos a finalidade, importância e tipos de algumas Estações Meteo-


rológicas, definimos os elementos meteorológicos (temperatura, vento, pressão etc.) e
apresentamos os instrumentos que medem e registram a variação desses elementos.

Explicamos o que é uma precipitação, os diferentes graus de intensidade da chuva, como se


mede e registra este fenômeno, além de apresentarmos os fenômenos que são observados
na natureza e o registro da intensidade, período de ocorrência, direção etc.

Encerramos o curso com o estudo das nuvens e os diversos gêneros que existem.

Importante destacar que, em outro momento, será necessário complementar este curso,
incluindo os temas sobre registro e sobre codificação dos dados observados, bem como a
montagem das “mensagens sinóticas” e sua transmissão para os Serviços Meteorológicos.

No vídeo, a seguir, você terá uma breve explanação do grande papel e da importância da
Meteorologia nas atividades humanas.

Para ver o vídeo,


acesse o curso online

Acesse o glossário do INMET em:

ATENÇÃO
[Link]
Referências
Manual de Observações Meteorológicas. Instituto Nacional de Meteorologia – INMET/MAPA.
Brasília – 3ª edição – 1999

Meteorologia Básica e Aplicações. Rubens Leite Vianello e Adil Rainier Alves. Editora UFV –
Universidade Federal de Viçosa/MG – 2000

Meteorologia – Noções Básicas. Rita Yuri Ynoue, Michelle S. Reboita, Tércio Ambrizzi, Gyrlene A. M.
da Silva. Oficina de Textos – São Paulo/SP – 2017.

Evolução do Tempo e do Clima na Região Metropolitana de São Paulo. Augusto José Pereira Filho,
Paulo Marques dos Santos, Teresinha de Maria Bezerra Sampaio Xavier. Instituto de Astronomia,
Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP – 2007

Atlas Internacional de Nuvens - Abreviado. Departamento Nacional de Meteorologia – Ministério


da Agricultura. 2ª edição – 1972

Publicação: A Estação Meteorológica e seu Observador. Rubens Leite Vianello - 2011. Site do
INMET/SDI/MAPA – Publicações: [Link]
[Link]

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