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Vulnerabilidade das Águas Subterrâneas em Icoaraci

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Uso potencial e vulnerabilidade das águas subterrâneas em áreas de

expansão urbana: Distrito de Icoaraci, Belém, Pará


Layla Maria Monteiro Gomes de Barros Aline Maria Meiguins de Lima
Universidade Federal do Pará Universidade Federal do Pará

RESUMO
A vulnerabilidade das águas subterrâneas varia em função das características
hidrogeológicas e das formas de uso do solo, sendo de alta relevância socioambiental
pelo potencial de abastecimento humano. Com o objetivo de avaliar a vulnerabilidade
das águas subterrâneas em uma área de expansão urbana (Distrito de Icoaraci,
Belém, Pará), adotando o método GOD (Grau, Ocorrência, Distância) e admitindo
as condições de urbanização em áreas de planície amazônica, foram empregados o
total de 129 poços oriundos do Sistema de Informações de Águas Subterrâneas
(SIAGAS) e do banco de dados da companhia de saneamento (COSANPA). Estes
foram consistidos e espacializados em uma base georreferenciada, interpolados e
processados por álgebra de mapas. Os produtos indicaram que: 64% da área foi
classificada como vulnerabilidade média e 16% como insignificante; as áreas de
maior concentração da ocupação comprometem as águas subterrâneas; e a desigual
distribuição dos poços, pode subestimar o resultado de algumas áreas. O estudo da
vulnerabilidade deve ser ponto fundamental no planejamento para a implantação de
captações subterrâneas para fins de abastecimento público e de coleta e tratamento
de esgoto sanitário, a ausência ou fragilidade deste, compromete o uso das águas e
favorece a contaminação hídrica subterrânea, principalmente dos aquíferos de
comportamento não confinado.
Palavras-chave: Aquífero; Contaminação; Usos da água.

Potential use and groundwater vulnerability in areas of urban expansion: Icoaraci


District, Belém, Pará

ABSTRACT
The vulnerability of groundwater changes according to hydrogeological
characteristics and land use forms, being of high socio-environmental relevance due
to its potential for human supply. The main goal was to assess the vulnerability of
groundwater in an area of urban expansion (District of Icoaraci, Belém, Pará) and
adopt the GOD methodology (Degree, Occurrence, Distance), highlighting the
urbanization process in the Amazonian wetplain. The total of 129 wells from the
Groundwater Information System (SIAGAS) and the sanitation company's
(COSANPA) database were used. These were consisted and specialized in a
georeferenced base, interpolated and processed by map algebra. The products
indicated that: 64% of the area was classified as medium vulnerability and 16% as
insignificant; the areas with the highest concentration of occupation compromise
groundwater; and the unequal distribution of wells may underestimate the result in
some areas. The vulnerability evaluation is fundamental for groundwater collection
implementation for public supply purposes and sewage destinations. These studies'
absence or fragility compromises the water use and favors groundwater
contamination, mainly of unconfined aquifers.
Keywords: Aquifer; Contamination; Water uses.

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Uso potencial e vulnerabilidade das águas subterrâneas em áreas de expansão urbana...

Uso potencial y vulnerabilidad de las aguas subterráneas en áreas de expansión urbana:


Distrito de Icoaraci, Belém, Pará

RESUMEN
La vulnerabilidad de las aguas subterráneas varía de acuerdo con las características
hidrogeológicas y las formas de uso de la tierra, siendo de gran relevancia
socioambiental debido a su potencial para el abastecimiento humano. Con el objetivo
de evaluar la vulnerabilidad natural de los acuíferos subterráneos en una zona de
expansión urbana (Distrito de Icoaraci, Belém, Pará); adoptando el método GOD
(Grado, Ocurrencia, Distancia) y admitiendo las condiciones de urbanización en
áreas de la llanura amazónica. se utilizaron un total de 129 pozos del Sistema de
Información de Aguas Subterráneas (SIAGAS) y de la base de datos de la empresa de
saneamiento (COSANPA). Estos fueron constituidos y especializados en una base
georeferenciada, interpolada y procesada mediante álgebra cartográfica. Según los
resultados: el 64% de la zona estaba clasificada como de vulnerabilidad mediana y
el 16% como insignificante; las zonas con una concentración más elevada de
ocupación ponen en peligro las aguas subterráneas; y la desigualdad en la
distribución de los pozos puede subestimar el resultado en algunas áreas. El estudio
de la vulnerabilidad debería ser un punto fundamental en la planificación de la
aplicación de captaciones subterráneas para el abastecimiento público. Este también
abarca la recogida y el tratamiento de aguas residuales sanitarias, su ausencia o
fragilidad pone en peligro el uso del agua y favorece la contaminación de las aguas
subterráneas, principalmente acuíferos de comportamiento no confinado.
Palabras clave: Acuífero; Contaminación; Usos del agua.

INTRODUÇÃO
A água é um recurso natural limitado dotado de valor econômico (PNRH, 1997). As
águas subterrâneas são destacadas por possuírem a maior parcela das águas doces em estado
físico líquido, geralmente ter boa qualidade natural e por, em alguns casos, apresentar
inviabilidade técnica ou econômica para recuperação da qualidade de seus mananciais depois
de contaminados, fato este que leva a manutenção da qualidade das águas subterrâneas ser
indispensável (FOSTER et al., 2002). Os aquíferos constituem formações geológicas,
constituída por rochas permeáveis, que armazenam água em seus poros ou fraturas
(REBOUÇAS et al., 2002). O aquífero freático, também chamado do tipo livre, é constituído
por uma formação geológica permeável e superficial, aflorante em toda a sua extensão, e
limitado na base por uma camada impermeável; a superfície superior da zona saturada está em
equilíbrio com a pressão atmosférica, com a qual se comunica livremente (BORGUETTI et al.,
2004).
A explotação das águas subterrâneas, consideradas bens de domínio estadual, está
sujeita à obtenção de outorga de direito de uso do recurso hídrico, esse instrumento constitui o
ato administrativo que define os termos e as condições mediante as quais o Poder Público
permite, por prazo determinado, o uso do recurso hídrico. A proteção das águas subterrâneas
deve estar baseada em quatro estratégias: cadastro de usuários (com identificação de fontes de
contaminação); delimitação das áreas de recarga; monitoramento da qualidade da água; e
mapeamento da vulnerabilidade de aquíferos (Política Nacional de Recursos Hídricos (PNRH),
Lei n. 9.433, de 8 de janeiro de 1997).
A Lei n. 14.026, de 15 de julho de 2020, atualiza o marco legal do saneamento básico e
atribui competências à Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), apresentando
elementos que foram derivados da PNRH. O destaque de relação direta com o planejamento do

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BARROS, Layla Maria Monteiro Gomes de; LIMA, Aline Maria Meiguins de

uso das águas subterrâneas está na implementação de um “sistema de informações sobre os


serviços públicos de saneamento básico, articulado com o Sistema Nacional de Informações
em Saneamento Básico (SINISA), o Sistema Nacional de Informações sobre a Gestão dos
Resíduos Sólidos (SINIR) e o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos
(SINGREH), observadas a metodologia e a periodicidade estabelecidas pelo Ministério do
Desenvolvimento Regional” (Art. 8, VI). A integração da informação associada as políticas de
saneamento básico e de recursos hídricos possibilita que os gestores públicos acompanhem o
crescimento da desmanda hídrica, evitando comprometer a disponibilidade e ainda garantindo
a manutenção continuada de oferta.
Em hidrogeologia o conceito de vulnerabilidade começou a ser usado intuitivamente a
partir da década de 1970 na França (FOSTER et al., 2002), e de maneira mais ampla na década
de 1980 (HAERTLE, 1983; ALLER et al., 1987; FOSTER; HIRATA, 1988). A avaliação da
vulnerabilidade das águas subterrâneas permite caracterizar o grau de influência de fontes
potenciais de contaminação que estão na superfície do solo ou perto dela, e que possam
influenciar a recarga subterrânea; as condições geológicas, geomorfológicas ou de cobertura da
terra intervenientes; condições de risco de transporte de contaminantes ou de atividades que
envolvam perfurações subterrâneas, que podem representar riscos adicionais para as águas
subterrâneas (STEMPVOORT et al., 2013).
Na busca de um método de definição do amplo aspecto de variáveis que podem compor
as vulnerabilidades, são desenvolvidas de forma continuada, técnicas onde o uso de sistemas
de informação geográfica e de ferramentas de sensoriamento remoto combinadas auxiliam, por
exemplo, a prevenção de contaminação do abastecimento de água para consumo humano
(OROJI, 2018a) principalmente nas zonas urbanas consolidadas ou em expansão. Apesar dos
níveis de incerteza observados no desenvolvimento de mapas de vulnerabilidade, estes
permitem a identificação de áreas mais sensíveis, possibilitando o planejamento de ações
futuras (BOUFEKANE; SAIGHI, 2013).
Os métodos existentes para a vulnerabilidade das águas subterrâneas podem ser
classificados em três categorias básicas (FANNAKH; FARSANG, 2022, p. 3): Métodos
baseados em índices (métodos qualitativos), acoplados a Sistemas de Informação Geográfica
(SIG); Métodos estatísticos; e métodos baseados em processos (métodos quantitativos), que
incluem modelagem de simulação na definição da “vulnerabilidade específica” das águas
subterrâneas, enquanto os métodos qualitativos e ferramentas estatísticas pretendem examinar
a “vulnerabilidade intrínseca”.
Com relação ao estudo da vulnerabilidade das águas subterrâneas, Meneses (2016) e
Maria (2018) destacam alguns dos modelos existentes: Poluição dos Lençóis Aquíferos (PLA)
- analisa as formações geológicas segundo a condutividade hidráulica e das características de
sorção do material; DRASTIC - considera a profundidade da água subterrânea, material do
aquífero, solo, topografia, litologia da zona vadosa e condutividade hidráulica; SINTACS -
voltado para avaliações e mapeamento de vulnerabilidades em média e grande escala, utilizando
ponderação por pesos, abrange a profundidade do nível estático, recarga líquida, espessura da
zona não saturada, tipo de solo, tipo de aquífero, condutividade hidráulica e topografia; SI
(Susceptibility Index) - envolve a profundidade, recarga líquida, meio aquífero, topografia e uso
do solo; GOD - adota o tipo de aquífero, litologia da zona vadosa e profundidade; AVI (Aquifer
Vulnerability Index) - admite a condutividade hidráulica e a espessura das camadas dos
diferentes materiais que se encontram sobre o nível da água do aquífero; GODS (metodologia
modificada do método GOD) - avalia o tipo de aquífero, litologia da zona vadosa, profundidade
da água e fator solo.

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São encontradas aplicações com múltiplas finalidades para os métodos GOD e


DRASTIC no Brasil e em diversos países (FRAGA et al.., 2013; FELDKIRCHER et al.., 2014;
GUETTAIA et al., 2017; OROJI, 2018b; RUKMANA et al., 2019; TAAZZOUZTE et al.,
2020; AKINLALU et al., 2021; FANNAKH; FARSANG, 2022; SEKAR et al.., 2023). Estes
se adequam a uma condição comum em vários países que é a disponibilidade limitada dos
conjuntos de dados geológicos, hidrológicos e hidrogeológicos que influenciam a
vulnerabilidade das águas subterrâneas; onde a atribuição de pesos e classificações visam
reduzir as incertezas significativas (FANNAKH; FARSANG, 2022).
O grau de poluição/contaminação das águas subterrâneas depende da condição
hidrogeológica e litológica do subsolo, da profundidade do aquífero e do ambiente ao redor
(BANKS et al., 2002). Neste contexto, questiona-se: como a necessidade de urbanização pode
confrontar com o limite de oferta ou vulnerabilidade hídrica, tanto superficial quanto
subterrânea?. O fato é que as cidades estão crescendo, horizontalmente e de forma vertical,
ambientes antes dominados por residências, tornam-se aglomerados de condomínios verticais,
multiplicando de forma expressiva o número de residentes e consequente consumo de água.
Assim, o sistema de gestão pública voltado ao saneamento deveria basear-se em estudos prévios
que direcionassem a melhor estratégia de aproveitamento e as demandas por proteção em
função da qualidade hídrica. Desta forma, teve-se como objetivo avaliar a vulnerabilidade
natural das águas subterrâneas em uma área de expansão urbana (Distrito de Icoaraci, Belém,
Pará), adotando o método GOD, considerando as condições de urbanização em áreas de planície
amazônica.
O Distrito de Icoaraci se destaca pelo seu polo de artesanato em cerâmica, com uma
vasta gama de obras Marajoaras e Tapajônicas, assim como o porto pesqueiro e hidroviário
presentes em sua Orla. Apresenta cerca de 110 empresas instaladas de naturezas diversas (setor
alimentício, químico e de processamento de couro) que são atendidas por infraestrutura urbana
que supre as suas necessidades (GAMA et al., 2013). Apesar de geograficamente estar cercado
por águas fluviais, a principal fonte de abastecimento público, comercial e industrial advém das
águas subterrâneas.
A hidrogeologia do município de Belém foi discutida pela Agência Nacional de Águas
(ANA) em Brasil (2018), em estudos voltados à gestão das águas subterrâneas de Belém. Os
principais destaques foram para: o Sistema Aquífero Barreiras, que compreende reservatórios
livres em sua porção superior e semiconfinados em sua porção inferior; o Sistema Aquífero
Pirabas, composto principalmente de reservatórios semiconfinados, representado por aquíferos
espessos encerrados por camadas impermeáveis a semipermeáveis, onde a frequência dos
reservatórios arenosos é variável, os dados de poços e de perfilagens indicam sucessão com
recorrência frequente de camadas arenosas e argilosas, por esta razão, são os reservatórios mais
explotados pelo sistema público de abastecimento e grandes indústrias; e para as ocorrências
de aquíferos livres, influenciados pela descarga extensa rede hidrográfica instalada na área.
As inúmeras feições hídricas superficiais, topografia plana, baixas altitudes e nível de
água raso indicam que a maior parte da área se comporta, predominantemente, como zona de
descarga das águas subterrâneas. Imbiriba Júnior et al. (2021) apresentam a denominação de
aquífero Marajó para os níveis definidos como aquífero Pirabas para esta região, com base na
reformulação proposta por Nogueira et al. (2021).

MATERIAL E MÉTODOS
A área objeto da pesquisa faz parte da região de expansão urbana do município de Belém
(PA), localizada nas margens do sistema estuarino amazônico, com forte influência das águas

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fluviais e definida por uma topografia de ambiente de várzea. O denominado Distrito de


Icoaraci é um Distrito Administrativo de Belém que, no final dos anos 60 (Século XX), não
passava de uma área afastada do centro da capital paraense e que servia de “dormitório” da
população de menor poder aquisitivo que vinha do interior paraense para trabalhar na cidade,
nas décadas seguintes cresceu e hoje é parte integrante da Região Metropolitana de Belém
(RMB), estando localizado em uma área de expansão de Belém (Figura 1) (DIAS; SILVA,
2009).

Figura 1 - Localização Distrito de Icoaraci.

Fonte: Autores (2021).

Como trata-se basicamente da análise voltada para o potencial subterrâneo, a base de


informações disponível foi composta pelos poços cadastrados no Sistema de Informações de
Águas Subterrâneas (SIAGAS) do Serviço Geológico do Brasil CPRM e pelos operados pela
companhia de saneamento do estado do Pará (CONSAPA). O total de poços obtidos foi de 144,
sendo a maioria (134) do SIAGAS. A revisão da qualidade destes dados, permitiu que fossem
selecionados 129, para o tratamento final. Os critérios de revisão adotados foram a qualidade
das informações associadas ao perfil construtivo do poço e a correta identificação do perfil
geológico/hidrogeológico. Poços com descrição incompleta ou incerta quanto as características
hidrogeológicas e construtivas foram retirados da análise.
Na caracterização da altimetria foi usada a base do SRTM (Missão Topográfica Radar
Shuttle, Resolução de 30 m). O método de avaliação constou de três etapas: (1) a seleção da

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base de dados; (2) a avaliação da vulnerabilidade; (3) a definição de áreas prioritárias de atenção
para gestão das águas subterrâneas. Os poços avaliados (129) foram identificados considerando
os critérios de: grau de confinamento dos aquíferos; característica dos estratos acima da zona
saturada do aquífero em termos do grau de consolidação e caráter litológico; e profundidade do
topo do aquífero. Nesse momento, foi priorizado o comportamento de recarga direta, o que
caracteriza principalmente a condição de aquífero livre, com as profundidades que atendiam
esse comportamento. A avaliação das condições de vulnerabilidade buscou uma metodologia
que atendesse a qualidade da informação fornecida pela maior quantidade de poços existentes,
assim a que se mostrou de melhor adequação foi o método GOD (FOSTER; HIRATA, 1988)
(Figura 2).

Figura 2 - Método GOD para avaliação da vulnerabilidade natural.

Fonte: Adaptada para aplicação de Foster e Hirata (1988).

As variáveis que o método avalia não permitem estabelecer uma relação de causa-efeito
com a forma de contaminação associada (FOSTER et al., 2002). Primeiramente seleciona-se o
parâmetro G (tipo de aquífero), multiplicando-se em seguida pelo valor atribuído ao parâmetro
O (litologia). O resultado desta operação será multiplicado finalmente pelo valor atribuído a D
(Distância ao topo).
O Método GOD de mapeamento da vulnerabilidade natural à contaminação foi
desenvolvido inicialmente por Foster (1987), sendo aperfeiçoado por Foster e Hirata (1988) e
Foster et al.. (2002), e fundamentam-se nos mecanismos de recarga da água subterrânea e na
capacidade natural de atenuação de efluentes, podendo variar em função das condições

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geológicas superficiais e da profundidade do nível d’água. Cada parâmetro recebe um valor


entre 0 e 1, e o índice de vulnerabilidade é obtido multiplicando-se os três valores.
Este método obtém o índice de vulnerabilidade como resultado da interação entre três
variáveis (Equação 1), onde (G) equivale ao “Grau de confinamento hidráulico” da água
subterrânea; (O) a “Ocorrência de estratos” de cobertura (característica litológica e grau de
consolidação da zona vadosa ou camada confinante); e (D) a “Distância até o lençol freático
ou o teto do aquífero confinado”: 𝑉𝑎 = (𝐺)𝑥(𝑂)𝑥(𝐷) (eq. 1)
Admitindo que o método GOD além de avaliar a vulnerabilidade à contaminação dos
aquíferos, orienta sobre o comportamento de contaminantes em subsuperfície. O tratamento da
base de informação associada aos poços foi realizado em programa de tabulação de dados
(planilhas tipo Excel); e importados para um sistema de tratamento de dados geoespaciais (QGis
3.28), onde cada componente foi inicialmente tratado individualmente, para a seguir, por meio
de álgebra de mapas simples (multiplicação) serem processados de forma integrada.
A distribuição por categoria de análise utilizou o método de interpolação que sistematiza
segundo a Ponderação do Inverso da Distância (Inverse Distance Weighting - IDW), “onde são
atribuídos pesos aos pontos amostrados de acordo com a distância que estão do ponto com
valor desconhecido” (HERNANDEZ et al., 2021, p. 4), neste caso parte-se do princípio que os
pontos mais próximos ao amostrado, são mais semelhantes a este do que os mais distantes. A
geração do processo de interpolação foi realizada no mesmo sistema de tratamento de dados
geoespaciais citado.
De forma complementar, foram realizadas atividades de campo para avaliação das
condições in loco dos poços. As atividades de campo consistiram na tomada de registros
fotográficos dos principais poços amostrados e da descrição de suporte às análises das
condições ambientais do entorno dos poços.
A definição de áreas prioritárias de atenção para gestão das águas subterrâneas
considerou os resultados do método GOD, que filtra principalmente as ocorrências associadas
a recarga direta (freático) e os “vazios” de informação pela falta de adensamento de poços. O
Quadro 1 sistematiza a hierarquia adotada de classificação, assim como, utilizados os
mapeamentos de Brasil (2018) para avaliar de forma comparativa os resultados obtidos,
oriundos dos “Estudos Hidrogeológicos para a Gestão das Águas Subterrâneas da Região de
Belém/PA” (disponíveis no Catálogo de Metadados da ANA).

Quadro 1 - Definição das Classes de Vulnerabilidade.


Classes Definição
Vulnerável à maioria dos contaminantes com impacto rápido em muitos cenários de
Extrema
contaminação.
Vulnerável a muitos contaminantes (exceto os que são fortemente adsorvidos ou
Alta
rapidamente transformados), em condições múltiplas de contaminação.
Vulnerável a alguns contaminantes, mas somente quando continuamente lançados ou
Moderada
lixiviados.
Vulnerável somente a contaminantes conservadores, a longo prazo, quando contínua e
Baixa
amplamente lançados ou lixiviados.
Presença de camadas confinantes sem fluxo vertical significativo de água subterrânea
Insignificante
(percolação).
Fonte: Adaptado de Brasil (2018).

RESULTADOS E DISCUSSÕES
Os poços amostrados estão localizados em uma área urbanizada, com aglomerações
locais, associadas com algumas áreas verdes marginais aos cursos d´água (Figura 3). Por ser
uma região de várzea, observa-se o adensamento de poços com abastecimento direto de

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aquíferos rasos, não confinados, coincidindo com a maior concentração residencial (Figuras 3A
e 3B).

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Figura 3 - Espacialização das áreas amostradas. (A) Distribuição espacial dos poços segundo
a distância do topo ao nível freático. (B) Grau de confinamento do aquífero. (C) Perfil de
cobertura da zona não saturada.

Fonte: Autores (2021).

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O grau de confinamento é fundamental para determinar a vulnerabilidade natural de


uma região, pois é através da precipitação e posterior carreamento de sólidos pela água, que o
contaminante pode possuir a capacidade de adentrar a zona vadosa ou não saturada. Foram
obtidos três tipos diferentes quanto ao grau de confinamento dos aquíferos analisados. Dentre
eles, 93 poços são caracterizados como não confinados (livres) (áreas que apresentam maior
probabilidade de infiltração de contaminantes), 21 poços são confinados (áreas que possuem
maior dificuldade em infiltração de possíveis poluentes), enquanto apenas 5 poços são
classificados como semiconfinado (áreas que apresentam probabilidade intermediária de ter as
águas subterrâneas afetadas). Nesta contabilidade encontram-se oito sistemas de abastecimento
de água (totalizando 10 poços), com características de profundidade (> 50 m) e confinamento,
irão naturalmente se deslocar para a menor vulnerabilidade.
A variável de cobertura do aquífero ficou dependente do grau de informação do
SIAGAS e das demais bases coletadas. Assim, buscou-se compatibilizar as informações com a
pesquisa sobre a hidrogeologia local, e demais registros que validassem os perfis litológicos
(BRASIL, 2018; IMBIRIBA JÚNIOR et al., 2021; NOGUEIRA et al., 2021). Foram
encontradas as variações entre estratos argilosos, arenosos, areno-argilosos e argilo-arenosos
predominantemente (Figura 3C).
Com relação à distância da superfície até o lençol freático, percebe-se que ocorre uma
pequena variação: 88 poços estão na classificação entre 5 a 20 m (variando entre 5 a 19 m),
enquanto 34 poços possuem profundidade inferior a 5 m de acordo com a classificação do
método (entre 2,1 a 4,8 m), e apenas 7 poços estão na classificação entre 20 a 50 m.
A aplicação do método GOD resultou na distribuição da Figura 4. Onde o percentual
obtido foi de: 8% de vulnerabilidade alta (10 poços), 12% baixa (15 poços), 16% insignificante
(21 poços) e 64% de média vulnerabilidade (83 poços).
Na área em que são encontrados os poços de característica confinados e semiconfinados,
com cobertura de argilas e argilas arenosas, e de maior profundidade (filtro do método),
resultam os valores de vulnerabilidade baixa ou de insignificante. A vulnerabilidade média é
representada por aquíferos do tipo livre, areias média, fina e muito fina e areno-argilosas, bem
como distâncias do topo ao nível freático entre 1 e 20 m. As áreas de vulnerabilidade alta
apresentam as mesmas características de grau de confinamento e aproximadamente a mesma
litologia que as áreas de média vulnerabilidade, se distinguindo pela distância do topo ao nível
freático, de no máximo 5 m.
Ressalta-se um fator associado a representação por meio da interpolação de valores: a
presença de faixas de menor adensamento de poços, onde predominam os valores interpolados.
Assim, a melhoria da qualidade e quantidade dos dados, pode resultar em mudanças de
comportamento. O grau de incerteza destas áreas é inversamente proporcional ao número de
poços usados como parâmetro, um zoneamento refinado será possibilitado com a continuidade
da amostragem e sua melhor distribuição geográfica em uma malha mais regular. A realização
de estudos de vulnerabilidade natural dos aquíferos é de grande importância para que sejam
evitadas a alocação de sistemas de abastecimento de água para fins de abastecimento público
em áreas que tenham alta vulnerabilidade natural, pois isso poderia elevar o risco de ocorrências
de contaminação.
Desta forma, o estudo de vulnerabilidade natural do aquífero é útil para propiciar uma
boa gestão e melhor aproveitamento dos recursos hídricos subterrâneos, bem como a alocação
mais adequada de sistemas de abastecimentos público de água. Entretanto, deve-se ter o aporte
de outras informações e estudos para garantir a eficiente tomada de decisão dos gestores
públicos e as ações dos demais atores sociais envolvidos no uso e no gerenciamento das águas
subterrâneas.

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BARROS, Layla Maria Monteiro Gomes de; LIMA, Aline Maria Meiguins de

Figura 4 - (A) Mapa de distribuição de vulnerabilidades à contaminação. (B) Áreas


prioritárias para futuras perfurações de poços. (C) Setorização da região.

Fonte: Autores (2021).

Na Figura 4B é apresentada uma releitura da Figura 4A, em termos de necessidade de


implantação de poços, segundo os setores de abastecimento (Figura 4C), para melhoria da
distribuição de água na área, assim como com vistas a maior segurança em termos de
vulnerabilidades. O zoneamento obtido foi compatível com o mapeamento de Brasil (2018)
como pode ser observado na Figura 5.
O grau de contaminação identificado por Brasil (2018) foi equivalente ao obtido pelo
GOD aplicado. O nível mais elevado é coincidente com a área urbanizada, e com áreas de
retenção do fluxo superficial.

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Uso potencial e vulnerabilidade das águas subterrâneas em áreas de expansão urbana...

Figura 5 - Aspectos do mapeamento realizado por Brasil (2018), associados a base de


informações elaborada.

Fonte: Adaptado da ANA (BRASIL, 2018) - Estudos Hidrogeológicos Para a Gestão das Águas Subterrâneas da
Região de Belém (PA).

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BARROS, Layla Maria Monteiro Gomes de; LIMA, Aline Maria Meiguins de

Utilizando os dados de 1026 poços cadastrados no SIAGAS, Brasil (2018, p. 43)


estabeleceu “uma correlação da altitude do terreno versus cota do nível estático, confirmando
a existência de uma superfície freática controlada pela altitude do terreno, típica de aquíferos
livres” (aproximadamente 88%). Esta gerou a equação 2, onde, X= altitude do terreno (m) e Y=
carga hidráulica (m): Y = 0,8951 X - 3,407 (eq. 2).
Por meio da Equação 2 e da altimetria definida para o terreno, foi calculada a carga
hidráulica, onde as zonas mais vulneráveis voltam a coincidir com os locais de maior
adensamento de poços de até 10 m de profundidade e adensamento urbano. Neste contexto, é
possível avaliar os pontos destacados por Maria (2018, p. 1):
- A vulnerabilidade avaliada ressalta o comportamento do aquífero relativo à contaminação,
vinculado as condições geológicas e hidrogeológicas, visando retratar a resposta ao “processo
de absorção e tempo de deslocamento do fluído contaminante”; “a dinâmica do escoamento do
fluído contaminante na zona saturada”; e “a concentração residual do contaminante ao atingir
a zona saturada”.
- O mapeamento com base em técnicas de geoprocessamento, possibilita a melhoria continuada
das informações, incluindo o adensamento urbano e o aumento do número de poços
processados.
- E o método GOD é mais adequado para levantamentos de menor escala de detalhamento,
sendo um sistema clássico para avaliação rápida da exposição do aquífero à contaminação.
Segundo estimativas o Distrito de Icoaraci teria aproximadamente 167.035 mil
habitantes integrando a área de maior adensamento da Região Metropolitana de Belém (RMB)
nos últimos anos (RAMOS; COSTA, 2019). Adotando-se o parâmetro definido pela
Organização das Nações Unidas (ONU), onde cada pessoa necessitaria de 3,3 m³/pessoa/mês
(cerca de 110 litros de água por dia), a região teria um consumo de cerca de 551 mil
m³/pessoa/mês. Brasil (2019) enquadra estes valores como ainda de menor consumo, quando
comparados com outras capitais do país, porém em Belém não existe um sistema de coleta de
esgoto eficiente para a totalidade da população, dado que pode ser observado pelas estatísticas
do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), indicando que este consumo
não retorna ao sistema com qualidade para o reaproveitamento e ainda favorecendo o
desperdício de água.
A carência na infraestrutura de saneamento básico e de saneamento in situ são fatores
que podem influenciar diretamente as águas subterrâneas. Estudos conduzidos na Região
Metropolitana de Belém apontam que o alto índice pluviométrico e o decorrente incremento
potencial da infiltração de efluentes domésticos através do sistema de saneamento in situ,
podem ser fontes potenciais de contaminação do aquífero Barreiras (CABRAL; LIMA, 2006;
GAMA et al., 2013; RAMOS; COSTA, 2019), principalmente por compostos nitrogenados e
cloreto (HIRATA; FERREIRA, 2001).
A localização estuarina do Distrito e o ambiente de várzea amazônica reforçam a
necessidade de se desenvolver diretrizes de gestão com base no ambiente local, com destaque
para um sistema de tratamento de águas residuais e monitoramento da poluição costeira; sendo
essencial a atualização do cadastro de poços pelas agências estaduais de gerenciamento da água,
e em paralelo e de maneira continuada a realização de programas de educação ambiental pública
sobre a poluição da água e conscientização sobre a gestão das águas subterrâneas (SEKAR et
al., 2023).
A aplicação do método GOD permite adotar uma escala de prioridade para a gestão das
águas subterrâneas de forma a minimizar o impacto da urbanização, principalmente nas áreas
potenciais de recarga (RUKMANA et al., 2019). Fraga et al. (2013), Oroji (2018a) e Fannakh
e Farsang (2022), na análise comparativa com outros métodos, principalmente com o

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Uso potencial e vulnerabilidade das águas subterrâneas em áreas de expansão urbana...

DRASTIC, destacam que de acordo com as abordagens, a interpretação da vulnerabilidade de


uma determinada região vai variar com os critérios e com os fatores de análise, sempre sendo
dependentes do tipo das interações possíveis de serem mapeadas.
Connel e Van Den Daele (2003) e Moraru e Hannigan (2017) discutem a necessidade
de avanços técnicos para resolver o problema da análise de vulnerabilidade das águas
subterrâneas, pela sua dependência da qualidade e da quantidade da informação do poço
(construtiva e hidrogeológica). Estes valorizam o uso de métodos estatísticos e de simulação,
principalmente pela limitação dos vários índices adotados, que apresentam dificuldades de
diferenciar a variabilidade de comportamento dos fatores contaminantes. Taghavi et al. (2022)
complementam com a proposição de uma avaliação híbrida, com uma análise estatística, de
superposição de indicadores e de processos, onde as várias probabilidades aplicadas, podem ser
continuamente atualizadas com novos dados, facilitando o processo futuro de tomada de
decisão. De forma geral, identificar os pontos vulneráveis à contaminação de um aquífero
consiste o primeiro passo para sua proteção, pois, a partir desse é possível delinear áreas de
proteção, bem com traçar metas e definir critérios para seu melhor gerenciamento, mediante
controle no uso e ocupação do solo e na locação de poços em áreas adequadas (FOSTER et al.,
2013).

CONCLUSÃO
O estudo da vulnerabilidade natural da água subterrânea no Distrito de Icoaraci mostrou
que 64% da área tem vulnerabilidade média e cerca de 12% possuem vulnerabilidade baixa.
Isso já evidencia um sinal de alerta para essas áreas de média vulnerabilidade. O método GOD
é passível de uso em uma dimensão com menor detalhamento, desta forma sugere-se que as
áreas de média e alta vulnerabilidade sejam aplicadas com métodos mais abrangentes para
obtenção de resultados mais detalhados.
Como recomendações que se pode apresentar em função dos resultados apresentados
indicamos: instalação de sistemas de tratamento adequado de efluentes domésticos (coleta e
tratamento) bem como de deposição de resíduos sólidos; realização de estudos da evolução de
poluição pelo uso errôneo de fossas sépticas e agentes químicos; e nas áreas classificadas de
extrema, elevada e de moderada vulnerabilidade à contaminação, devem ser tomadas várias
precauções, para evitar que haja infiltração de efluentes de fossas sépticas, chorume proveniente
de depósitos de lixo a céu aberto e aterros sanitários, vazamento de tanques de postos de
gasolina e outros.
Como a maioria do Distrito está inserido em área de moderada vulnerabilidade, deve ser
ampliado o serviço de abastecimento público de água para que a população não utilize fonte
alternativa (poços) para abastecimento sem nenhum tratamento, e com riscos à saúde. E dada a
condição estuarina da região, o uso de poços com abastecimento direto do lençol freático deve
ser observado, dada a susceptibilidade do ambiente à contaminação pelos efeitos do
desflorestamento e lançamento de efluentes diretamente no ambiente sazonalmente alagado.

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HISTÓRICO
Submetido: 12 de fevereiro de 2023.
Aprovado: 08 de junho de 2023.
Publicado: 09 de junho de 2023.

DADOS DO(S) AUTOR(ES)


Layla Maria Monteiro Gomes de Barros
Mestre pela Universidade Federal do Pará (UFPA). Servidora da Companhia de Saneamento do Pará (COSANPA), Belém,
Pará, Brasil. Endereço para correspondência: Av. José Bonifácio, 417, São Brás, Belém, Pará, Brasil, 66063-075.
ORCID: http://orcid.org/0000-0003-1604-3219.

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Lattes: http://lattes.cnpq.br/7852990560873555.
E-mail: [email protected].

Aline Maria Meiguins de Lima


Doutora pela Universidade Federal do Pará (UFPA). Docente da Universidade Federal do Pará (UFPA), Belém, Pará, Brasil.
Endereço para correspondência: R. Augusto Corrêa, 01, Guamá, Belém, Pará, Brasil, 66075-110.
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-0594-0187.
Lattes: http://lattes.cnpq.br/6572852379381594.
E-mail: [email protected].

COMO CITAR O ARTIGO - ABNT


BARROS, L. M. M. G.; LIMA, A. M. M. Uso potencial e vulnerabilidade das águas subterrâneas em áreas de
expansão urbana: Distrito de Icoaraci, Belém, Pará. Revista GeoUECE, Fortaleza (CE), v. 12, n. 22, e202302,
2023. https://doi.org/10.59040/GEOUECE.2317-028X.v12.n22.e202302

Revista GeoUECE, Fortaleza (CE), v. 12, n. 22, e202302, e-ISSN: 2317-028X, 2023
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