Índice
O que é Bitcoin?
De forma simples e objetiva, o Bitcoin (BTC) é uma moeda digital, criptoativo ou
criptomoeda que existe somente na Internet. Trata-se do primeiro ativo digital
descentralizado. O BTC não depende de nenhum governo, Banco Central ou entidade
centralizadora.
Confira o artigo completo: O que é Bitcoin? Guia para iniciantes
Quem inventou o Bitcoin?
Satoshi Nakamoto é o pseudônimo que lançou o whitepaper do Bitcoin em outubro de
2008, e desde então segue com sua verdadeira identidade não revelada, podendo ele
ser um homem, uma mulher ou até mesmo um grupo de pessoas.
Confira o artigo completo: Afinal, quem é Satoshi Nakamoto?
O que é blockchain?
A blockchain é, de forma simplificada, um livro de registro de dados imutável, distribuído
em um grande grupo de computadores espalhados pelo mundo e que não pertencem
à nenhuma entidade. Esses dados são organizados em blocos que são protegidos e
ligados entre si usando princípios criptográficos, formando uma cadeia, daí o termo
“blockchain”.
Confira o artigo completo: O que é blockchain?
O que é mineração?
A atividade de mineração é a espinha dorsal da rede do Bitcoin. Os mineradores
fornecem segurança e confirmam transações da criptomoeda na blockchain. Sem os
mineradores, a rede seria atacada e disfuncional. A mineração do Bitcoin em si é feita
por computadores especializados, que demandam grandes quantidades de energia
para funcionar, necessitando portanto um investimento alto para fazer parte da rede e
tornar-se um minerador, como é chamada a figura responsável
pela mineração.
Confira o artigo completo: O que é e como funciona a mineração do Bitcoin
O que são altcoins?
As altcoins são criptomoedas alternativas ao Bitcoin. Como exemplo de altcoins
podemos citar Litecoin (LTC), deCRED (DCR), Zcash (ZEC), Dash e Ethereum (ETH).
O que são exchanges?
As exchanges de criptoativos são empresas que facilitam troca de criptomoedas. As
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mais famosas no Brasil fazem negócios – principalmente – entre Bitcoin e Real. Porém,
também existem exchanges que trocam criptomoedas por outras criptomoedas, como
a Binance e a Bittrex.
O que são stablecoins?
Stablecoins são criptoativos com lastro em algum ativo ou grupo de ativos estáveis,
como por exemplo dólar e euro. O objetivo, como o próprio nome diz, é que a stablecoin
seja uma criptomoeda estável. Atualmente, a stablecoin mais conhecida no mercado
é o Tether (USDT), teoricamente lastreado em dólares.
Confira o artigo completo: O que são stablecoins?
O que são wallets?
Wallet, ou carteira, é o local onde são armazenadas as criptomoedas. Existem
diferentes tipos de carteiras, por exemplo a hot wallet, uma carteira com conexão à
Internet (online), e a cold wallet, uma carteira em hardware sem conexão com a internet
(offline). As hot wallets são comumente comparadas à uma conta corrente na qual é
possível movimentar rapidamente uma determinada quantia. Já as cold wallets, são
comparadas à uma poupança, pois trata-se de um armazenamento de mais longo
prazo.
Fontes: O que é uma carteira digital de criptomoedas? e Conheça as diferenças entre
Hot wallet e Cold Wallet
O que é Replace-by-Fee (RBF)?
Trata-se de um método que permite substituir uma transação não confirmada por uma
transação diferente, usando uma taxa maior. Ideal para transações que ficam presas
na blockchain por usar uma taxa baixa.
O que é KYC?
KYC (Know Your Customer) é o termo aplicado ao processo utilizado para identificação
de clientes. O KYC consistem em procedimentos que empresas que trabalham
com criptomoedas, como as exchanges, devem seguir. O objetivo é evitar que as
criptomoedas sejam utilizadas para atividades ilíticas e/ou criminosas.
O que é uma DEX?
DEX é uma exchange descentralizada, ou seja, que não possui um agente intermediário.
Neste tipo de exchange, os usuários realizam as trocas de uma forma direta e
automatizada.
Confira o artigo completo: Como funciona uma exchange descentralizada?
O que determina o preço do Bitcoin (BTC)?
A cotação do Bitcoin é determinada basicamente por uma das leis econômicas mais
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antigas: a lei da oferta e da demanda.
Confira o artigo completo: O que determina o preço do Bitcoin?
O que é MarketCap?
MarketCap em tradução literal significa “Capitalização do Mercado”, mas é
comumente chamado de valor de mercado. A fórmula para definir o marketcap de uma
criptomoeda é o Valor Unitário multiplicado pela Quantidade de Moedas Circulantes.
Exemplo hipotético: Moeda X custa R$1.000 e existem 100.000 moedas em circulação.
Portanto, o marketcap da Moeda X é R$100.000.000. Existem sites que apresentam
um rankeamento das criptomoedas de acordo com esta métrica. O mais famoso deles
é a ferramenta CoinMarketCap.
O que é Ethereum?
O Ethereum (ETH) é a segunda maior criptomoeda em valor de mercado, perdendo
apenas para o Bitcoin. De acordo com o whitepaper do próprio projeto, “o Ethereum é
uma plataforma que executa implementação de aplicações descentralizadas (DApps)
e de smart contracts (contratos inteligentes). DApps são programas de computador
que removem a necessidade de intermediários em basicamente qualquer serviço
centralizado existente ao permitirem que qualquer pessoa confie em uma contraparte
desconhecida para realizar os mais variados tipos de negócios e acordos de forma
100% digital”.
Confira o artigo completo: Ethereum: um guia para iniciantes
O que são contratos inteligentes?
Em 2008, que Satoshi Nakamoto desenvolveu o primeiro contrato inteligente: o
Bitcoin. No entanto, o Bitcoin permitia apenas aplicações simples, como enviar e
receber valores e registrar transações na blockchain. Foi para resolver esse problema
que Vitalik Buterin tornou os contratos inteligentes (smart contracts) reais por meio
do Ethereum. O Ethereum permite a criação de smart contracts, que são aplicações
semelhantes aos contratos tradicionais, mas cujas “cláusulas” são executadas
automaticamente quando determinadas circunstâncias são cumpridas.
Confira o artigo completo: O que são contratos inteligentes?
O que são forks?
Um “fork”, em poucas palavras, é uma atualização de software ou protocolo de uma
criptomoeda. Como regra, essa atualização pode ou não ser compatível com as suas
versões anteriores, isso é o que define um soft fork ou um hard fork.
O soft fork trata-se de uma atualização de software compatível com uma versão
anterior, e isso pode acontecer e acontece a todo momento nos protocolos de muitas
criptomoedas. Um hard fork ocorre quando os desenvolvedores de determinada
criptomoeda lançam uma atualização de software não compatível com a versão
anterior do seu protocolo dela, criando uma ramificação dessa criptomoeda com a
ajuda do mesmo código básico. Nesse caso ocorre a criação de uma nova criptomoeda,
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como foi o caso do surgimento do Bitcoin Cash (BCH) a partir de uma divisão da rede
do Bitcoin.
Confira o artigo completo: Entenda o que são forks e airdrops
O que são Atomic Swaps?
Atomic Swap em tradução literal significa “Troca Atômica”. Consiste em uma forma
de trocar duas criptomoedas diferentes de forma rápida e não suscetível a trapaças. A
transação ocorre entra as blockchains das criptomoedas envolvidas e é baseada em
contratos inteligentes.
Fonte: O que são Atomic Swaps?
O que são hashs?
As transações executadas são agrupadas em blocos, que quando
atingem um certo número de transações são “carimbados”,
gerando um código chamado “hash”. Um exemplo de hash é
0000000000000000000ccd8d997083c8bf0f67069af8cd9b711d4516a70063c7. Se
buscarmos esse código de hash em alguns sites chamados “Block Explorer” – como
o Blockchain.com – podemos visualizar todos os detalhes da transação.
Fonte: O que é e como funciona a blockchain?
O que é a CVM?
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) é uma autarquia federal brasileira que
regulamenta a oferta de todo e qualquer valor mobiliário em território nacional. Além
disso, toda e qualquer oferta pública deve ser registrada na CVM previamente.
O que é a SEC?
SEC é a sigla para Securities and Exchange Commission, ou seja, Comissão de Valores
Mobiliários, um órgão equivalente à CVM nos Estados Unidos.
O que é fiat?
Moeda ou dinheiro fiat ou fiduciário é aquele que possui valor devido à sua aceitação.
São as moedas impressas e distribuídas pelos bancos centrais de governos espalhados
pelo mundo. Exemplos de moeda fiduciária: Real, dólar, euro, libra esterlina e etc.
O que são nós (nodes)?
De modo geral, um node (nó) é um computador conectado à uma rede. No contexto
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da Internet e de sua casa por exemplo, seu telefone é um nó, seu notebook é um
nó, seu roteador é um nó e assim por diante. Os nós podem assumir vários perfis,
tamanhos e formas. Cada um deles desempenha um papel diferente – mas vital – no
funcionamento de uma rede, ou da sua casa, conforme exemplo descrito acima. No
caso da blockchain do Bitcoin, existem quatro tipos principais de nós: nós completos
(full nodes), super nós (master nodes), nós leves (light nodes) e nós de mineração
(mining nodes). Full nodes, master nodes e light nodes executam funções semelhantes,
enquanto mining nodes executam uma função completamente diferente.
Confira o artigo completo: Qual o papel dos nós da blockchain?
O que é ETF?
ETF é a sigla para Exchange Traded Funds, fundos de índices comercializados como
ação, em bolsas. É uma forma de investimento que existe para facilitar a vida dos
usuários, pois ele reflete a performance de um ativo específico ou de uma cesta de
ativos. Um ETF de Bitcoin, por exemplo, refletiria a performance do Bitcoin. Desta
forma, o usuário pouco acostumado com o mercado de criptomoedas conseguiria
se expor a elas comprando um ETF de BTC nas bolsas de valores tradicionais, por
exemplo.
O que é Liquidez?
Liquidez é a velocidade/facilidade que um determinado ativo é transformado em outra
moeda. Por exemplo: Bitcoin apresenta muita liquidez, pois você consegue transformá-
lo muito rapidamente em moeda fiduciária. Um imóvel não possui tanto liquideze, pois
você demora um tempo para conseguir vendê-lo.
O que é deságio?
Deságio é a diferença negativa entre o valor de mercado de um determinado ativo
e o valor de comercialização. Exemplo: Vamos supor que o Bitcoin tenha o valor de
mercado de R$ 40.000,00. Um Bitcoin com deságio de 5% é comercializado a R$
38.000,00, que é o valor de mercado subtraído de 5%.
O que é ICO?
ICO é a sigla de Initial Coin Offering. Portanto, ICO é uma Oferta Inicial de Moeda. O
nome é uma analogia às IPOs, que são as listagens nas bolsa de valores. As ICOs
são feitas por equipes que possuem um projeto, mas precisam de capitalização para
poderem tirá-lo do papel. É, portanto, um levantamento de capital para a execução do
projeto. É um investimento de altíssimo risco, visto que muitos destes projetos jamais
saíram do papel.
Confira o artigo completo: O que são ICOs?
O que é “Ataque de 51%”?
Um ataque de 51% à uma blockchain acontece quando um minerador ou um grupo
de mineradores tentam controlar mais de 50% do poder de mineração (poder
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computacional, taxa de hash ou hashrate) de uma rede. Caso consigam, esses agentes
podem impedir que novas transações ocorram ou sejam confirmadas.
Agentes maliciosos podem se beneficiar de um ataque de 51% para reverter transações
que já ocorreram em uma blockchain, no que passou a ser conhecido como gasto
duplo. Por exemplo, pode-se gastar cinco Bitcoins para comprar um carro. Depois que
o carro é entregue, a lógica determina que os Bitcoins sejam transferidos para cobrir
o custo da compra. No entanto, ao realizar um ataque de 51%, um invasor poderá
reverter uma transação, resultando no reembolso de todas as criptomoedas usadas
para financiar a transação. No final, o atacante torna-se proprietário do carro e dos
Bitcoins usados para comprá-lo.
Confira o artigo completo: Entenda o que é um ataque de 51%
Retornos fixos mensais são viáveis nas Criptomoedas?
Infelizmente muitos oportunistas se aproveitam da alta volatilidade das criptomoedas
e do desconhecimento da tecnologia para aplicar golpes. Ao longo da história
se tornaram comuns pirâmides financeiras que se “fantasiam” de empresas de
criptomoedas. Rendimentos fixos mensais elevados não é algo viável e/ou sustentável.
O que é Bitcoin?
Guia completo sobre o
que você precisa saber
O que é Bitcoin?
Reflita
O Bitcoin tem despertado a curiosidade e atenção
do mundo nos últimos 10 anos. Mas você sabe o que
ele é e como funciona? Este é um grande desafio, e
nosso guia vai ajudar você a superá-lo em poucos
minutos.
O Bitcoin é uma forma de dinheiro, assim como são o Real brasileiro, Dólar e Euro. O
que o diferencia é o fato de ser 100% digital. Bitcoins existem apenas na internet e
podem ser utilizados através de um computador ou até de um smartphone. Portanto,
não existem cédulas ou moedas físicas de Bitcoin.
Por sua natureza digital, o Bitcoin é a moeda mais prática de ser utilizada no mundo.
É possível enviar uma transação de qualquer valor, para qualquer lugar e em qualquer
horário. Essas transações não precisam de bancos ou outros intermediários como
sistemas de pagamentos.
Atualmente, é possível comprar pequenas frações de BTC. Isso torna o seu uso, seja
como meio de troca ou como investimento, muito mais prático e rápido. Além disso,
o criptoativo é uma ferramenta livre de censura. Nenhuma empresa ou governo
pode impedir transações com o uso do Bitcoin.
Apesar de ser um bem digital, o Bitcoin possui regras rígidas de segurança. Ele
não é um sistema centralizado, o que significa que não pode ser derrubado por
governos ou empresas. É possível verificar cada transação nos mínimos detalhes.
Sua criação segue protocolos matemáticos rígidos e reais. Vamos conhecer cada
uma delas mais adiante.
O que é Bitcoin? Guia para iniciantes 11
Como surgiu o Bitcoin?
O Bitcoin surgiu oficialmente em 31 de
outubro de 2008. Naquela data, alguém
publicou um artigo sob o pseudônimo de
Satoshi Nakamoto, chamado “Bitcoin: um
sistema de dinheiro de pessoa para pessoa”
(em tradução livre). Em suas nove
páginas, o documento trazia em detalhes
todo o funcionamento da criptomoeda.
Já o lançamento do Bitcoin em si ocorreu no dia
03 de janeiro de 2009, quando foi minerado o
primeiro bloco – chamado de bloco-gênese.
Satoshi permaneceu em atividade no Bitcoin até 2010, quando misteriosamente
desapareceu. Desde então, a comunidade em torno do BTC aumentou
consideravelmente, mas o criador da criptomoeda nunca mais foi visto. Além disso, os
Bitcoins minerados por Satoshi (cerca de 1 milhão) nunca foram movidos.
Até hoje especula-se quem poderia ser a pessoa por trás do nome, mas elas nunca
foram provadas. No entanto, certos nomes costumam estar presentes em todas as
listas de especulações sobre quem seria o criador do Bitcoin. Os mais cotados para
serem Satoshi são:
Hal Finney:
matemático e programador, faleceu em 2014. Finney foi a primeira pessoa a receber
uma transação de Bitcoin, além de ter sido muito ativo no desenvolvimento inicial da
criptomoeda;
Wei Dai:
cientista ligado à segurança da informação, Dai criou um protocolo de blocos que
mais tarde inspiraria o funcionamento da blockchain do Bitcoin;
Nick Szabo:
jurista, criptógrafo e polímata, Szabo realizou várias pesquisas na área de moeda
digital e contratos inteligentes. Ele chegou a criar uma moeda digital em 1998
(BitGold), com funcionamento muito similar ao Bitcoin;
O que é Bitcoin? Guia para iniciantes 12
Quanto vale um Bitcoin?
O valor do Bitcoin é definido pela oferta e
demanda do mercado. Assim como a
negociação de qualquer moeda, seu preço
flutua diariamente. Dessa forma, podemos
classificar o BTC como um instrumento de renda
variável, assim como ações e fundos imobiliários,
por exemplo.
Não existe uma cotação oficial no preço do Bitcoin. Diversas plataformas possuem
seus mecanismos de avaliação de preço. A negociação de Bitcoin funciona 24 horas
por dia e não possui mecanismos como circuit breaker – que paralisam as negociações
em caso de fortes quedas, como ocorre na bolsa de valores. Por isso, o mercado de
Bitcoin é hoje um dos mais livres do mundo.
Devido a isso, a cotação do Bitcoin pode apresentar bastante volatilidade em vários
momentos. Quedas fortes de 5%, 10% em um dia são comuns nesse mercado,
especialmente pela natureza permanente das negociações. Por isso, é importante
entender a dinâmica do mercado antes de começar a investir.
Como investir em Bitcoin?
O investimento em Bitcoin tem sido uma estratégia lucrativa nos últimos anos. Muitos
investidores que adquiriram a criptomoeda logo no início ficaram milionários. E,
mesmo com o preço mais alto hoje em dia, ter Bitcoin em seu portfólio pode ser uma
boa estratégia de diversificação para o longo prazo.
Muitos grandes fundos e empresas têm adquirido Bitcoin como parte de sua estratégia.
O criptoativo tem pouca correlação com investimentos tradicionais, e isso pode
ajudar bastante a potencializar os rendimentos da carteira. Por isso, o mercado de
investimentos em Bitcoin hoje é bastante diverso e cheio de opções.
Existem duas formas de se fazer uma exposição ao Bitcoin:
• Direta: o investidor compra o criptoativo e armazena em uma carteira con-
trolada por si próprio. Apesar de ser a forma mais segura, ela pode deixar
o investidor exposto diretamente às oscilações de preço do Bitcoin;
• Indireta: forma ideal para quem não deseja comprar Bitcoin nem ter que
gravar senhas de carteiras. Essa compra direta pode ser feita através de
fundos de investimento que aplicam em Bitcoin, derivativos (opções ou
contratos futuros), etc.
O que é Bitcoin? Guia para iniciantes 13
Afinal, quem
é Satoshi
Nakamoto?
Afinal, quem é Satoshi Nakamoto?
Depois de conhecer o Bitcoin e suas
características, uma das maiores curiosidades
referentes ao ecossistema é sobre a
verdadeira identidade de seu criador.
Satoshi Nakamoto é o pseudônimo que lançou
o whitepaper do Bitcoin há mais de 10 anos, em
2008, e desde então segue com sua verdadeira
identidade não revelada, podendo ele ser
um homem, uma mulher, um grupo de pessoas,
e assim por diante.
A busca por descobrir quem de fato é Satoshi Nakamoto tornou-se uma corrida
incansável para muitas figuras do ecossistema de criptoativos, que não se
conformam e fazem questão de revelar o verdadeiro criador da principal criptomoeda
do mercado. Este mistério, que fez com que algumas personalidades fossem tidas
como Satoshi, assim como uma delas chegou a se auto proclamar o criador do BTC,
nos levará do Japão até uma pequena cidade californiana chamada Temple City e
depois atravessará o Oceano Pacífico para chegar à Austrália.
Curiosidade
O icônico whitepaper afirma que Satoshi Nakamoto
viveu no Japão e nasceu em 1975. Porém, quando
a mídia mundial achou que havia encontrado o ver-
dadeiro Satoshi em 2014, na verdade, ele era enge-
nheiro de computação e morava em Temple City, no
condado de Los Angeles. Enquanto o homem nipo-a-
mericano chamado Dorian Satoshi Nakamoto negou
firmemente ser o verdadeiro criador do Bitcoin, a tra-
ma continuou a engrossar.
Então, logo foi iniciado outro processo de especulação, agora envolvendo o cientista
da computação Hal Finney, que foi o destinatário da primeira transação de Bitcoin e
parece ter vivido há “poucos quarteirões” de Satoshi.
Na época, o jornalista da Forbes Andy Greenberg entrevistou Finney em sua casa. O
cientista da computação tinha uma doença terminal (Esclerose Lateral Amiotrófica,
ALS), que deixava o entusiasta dos criptoativos “trancado” em seu corpo e incapaz
de falar ou mover seus músculos. Greenberg acreditava que Finney, que pareceu se
divertir quando o jornalista perguntou se ele conhecia Nakamoto, era o criador do
Bitcoin ou simplesmente usava o nome de seu vizinho como um apelido.
Mas isso não é tudo. Finney também conhecia o “entusiasta da moeda
descentralizada” e cientista Nick Szabo, que escreveu um artigo sobre o “Bit Gold”
em 1998 e era considerado um fã de pseudônimos. Szabo também confirmou em
2011 que apenas ele, Finney ou Wei Dai – criador do precursor do Bitcoin, o B-Money
– poderiam ter sido responsáveis pela moeda digital.
Além das figuras citadas acima, outro conhecido suspeito de ser Satoshi é o
cientista de computação e empresário australiano Craig Wright. Porém, ao contrário
dos outros concorrentes, Wright na verdade se auto proclamou ser o criador da
criptomoeda e em 2016, forneceu “prova técnica” para as agências de notícias
BBC, The Economist e GQ, que consistia em uma demonstração do processo de
verificação usado na primeira transação do Bitcoin.
Porém, o The Economist afirmou que “tais demonstrações podem ser administradas
em etapas” e relatou que Wright recusou-se a tornar a prova pública e a fornecer
outras garantias. Ele então postou um pedido de desculpas em seu blog afirmando
que não tinha mais a “coragem” de continuar o processo e provar sua identidade.
Colocadas as informações acima, a verdadeira identidade do criador do Bitcoin
continua um mistério. Alguns especialistas acreditam que Satoshi Nakamoto
poderia ser a pessoa mais rica do mundo, considerando a valorização do preço do
BTC desde a sua criação.
O que é Bitcoin? Guia para iniciantes 16
O que é
blockchain?
O que realmente é blockchain?
A blockchain do Bitcoin é uma invenção
inegavelmente engenhosa, criada pelo
pseudônimo Satoshi Nakamoto. Desde então, ela
evoluiu para algo maior e muitas pessoas hoje
em dia se perguntam: o que realmente é
blockchain?
Ao permitir que as informações digitais possam ser armazenadas de forma
distribuída e evitar a duplicação e falsificação dos dados, a tecnologia blockchain
está criando a espinha dorsal de um novo tipo de internet. Concebida originalmente
com o Bitcoin como ativo nativo de sua rede, a comunidade de tecnologia agora
encontrou outros usos potenciais. Dentre estes, versões privadas, diferentes da
proposta da blockchain original do Bitcoin, denominadas DLT, que explicaremos em
outros artigos.
Atenção
A blockchain é, de forma simplificada, um livro de registro de
dados imutável, distribuído em um grande grupo de computadores
espalhados pelo mundo e que não pertencem à nenhuma entidade.
Esses dados são organizados em blocos que são protegidos e ligados entre si
usando princípios criptográficos, formando uma cadeia, daí o termo “blockchain”.A
rede blockchain não tem autoridade central – é a própria definição de um sistema
descentralizado. Por ser um livro contábil compartilhado e imutável, as informações
estão abertas para que todos possam ver. Portanto, tudo o que é adicionado à
blockchain é, por natureza, transparente e todos os envolvidos são responsáveis
por suas ações.
A blockchain é uma maneira simples e inovadora de passar informações de A para
B de uma maneira totalmente automatizada e segura. Os blocos que contêm as
transações realizadas são verificados por milhares de computadores que compõem
esta rede distribuída. A segurança dos dados registrados é bastante alta. Para
falsificar um único registro seria necessário falsificar toda a cadeia de blocos em
milhões de instâncias. Computacionalmente, isso é praticamente impossível.
O Bitcoin usa esse modelo de blockchain para registrar e armazenar as suas
transações monetárias, mas a arquitetura blockchain pode ser implantada de várias
outras maneiras, como veremos em outros artigos.
O que é e como
funciona a
mineração do
Bitcoin
O que é Bitcoin? Guia para iniciantes 19
A atividade de mineração é a espinha dorsal da rede
do Bitcoin. Os mineradores fornecem segurança e
confirmam transações da criptomoeda na blockchain.
Sem os mineradores, a rede seria atacada e disfuncional.
A mineração do Bitcoin em si é feita por computadores
especializados, que demandam grandes quantidades
de energia para funcionar, necessitando portanto um
investimento alto para fazer parte da rede e tornar-se um
minerador, como é chamada a figura responsável pela
mineração.
O papel dos mineradores é proteger a rede e processar todas as transações de
Bitcoin. Os mineradores conseguem isso resolvendo um problema computacional
que lhes permite encadear blocos de transações (daí a explicação para o famoso
termo “blockchain, block significa bloco e chain significa cadeia).
Por esse serviço, os mineradores são recompensados com taxas cobradas sobre
as transações registradas e com Bitcoins recém-criados.
Como funciona a mineração do Bitcoin?
Os mineradores protegem a rede e confirmam as transações de Bitcoin. Existem
muitos aspectos e funções da mineração de Bitcoin, entre elas estão:
• Emissão de novos Bitcoins
• Confirmação de transações
• Prover segurança
Mineração para emitir novos Bitcoins
Moedas tradicionais, como o dólar ou o euro, são emitidas pelos bancos centrais
dos países. O banco central pode emitir novas unidades de dinheiro a qualquer
momento, com base no que ele acredita ser melhor para a economia.
O Bitcoin é diferente. Nele, os mineradores recebem novas unidades da criptomoeda
a cada 10 minutos em média. Esse é o tempo médio em que um bloco é encontrado,
e a recompensa de ter achado esse bloco é justamente uma quantia em Bitcoin.
Atualmente, essa recompensa é de 12,5 Bitcoins, porém, de tempo em tempo, esse
montante é reduzido pela metade, em um evento chamado halving, que basicamente
aumenta o grau de dificuldade de mineração da rede. O próximo halving acontecerá
em maio de 2020.
taxa de emissão é definida no código, para que os mineradores não possam enganar
o sistema ou criar Bitcoins do nada. Eles precisam usar seu poder de computação
para gerar os novos Bitcoins.
Mineração para confirmar transações
Os mineradores incluem transações enviadas na rede do Bitcoin em seus blocos.
Uma transação só pode ser considerada segura e completa depois de incluída em
um bloco. Por quê? Por que apenas quando uma transação é incluída em um bloco
ela é oficialmente incorporada à blockchain do Bitcoin.
Mais confirmações são melhores para transações maiores. Aqui está uma tabela
para que você tenha uma ideia melhor:
• Zero confirmações – pagamentos com 0 confirmações ainda podem
ser revertidos! Aguarde pelo menos um;
• Uma confirmação – uma confirmação é suficiente para pequenas tran-
sações de Bitcoin inferiores a US$1.000;
• Três confirmações – suficiente para transações de US$1.000 a
US$10.000. A maioria das exchanges exige três confirmações para de-
pósitos;
• Seis confirmações – o suficiente para pagamentos grandes entre
US$10.000 e US$1.000.000. Seis é o padrão para a maioria das transa-
ções serem consideradas seguras.
Mineração como proteção da rede
Os mineradores protegem a rede do Bitcoin, dificultando um ataque, uma alteração
ou a sua parada. Quanto mais mineradores minerarem, mais segura será a rede.
A única maneira de reverter as transações na rede do Bitcoin é ter mais de 51%
do seu poder de hash (poder de hash ou hashrate é como é chamado o poder
computacional da rede), o famoso ataque de 51%. O hashrate distribuído entre
muitos mineradores diferentes mantém o BTC seguro e protegido.
No próximo artigo falaremos mais sobre o que é um ataque de 51%.
O que é Bitcoin? Guia para iniciantes 21
O que são
stablecoins?
Talvez um dos maiores receios do público em
relação às criptomoedas seja a volatilidade.
Após a ascensão apresentada no fim de 2017
e a subsequente queda, é normal que leigos
temam a estabilidade do valor dos criptoativos
sem conhecer os fundamentos por trás deles.
Contudo, nem toda criptomoeda do mercado
está submetida às variações de valor. As
moedas estáveis, ou stablecoins, guardam
um valor fixo ditado por um ativo que lhes
serve de base. Pode ser uma moeda fiduciária
(como o dólar americano), ouro, petróleo, ações
de uma empresa – uma stablecoin sempre terá
lastro em um ativo. Mas qual é o propósito?
Uma alternativa às negativas
Não é incomum o surgimento de notícias envolvendo o fechamento de contas de
exchanges por bancos. Seja por temor ou por excesso de cautela, faz parte da
história das criptomoedas esse tipo de prática: instituições financeiras rejeitam a
ideia de servir negócios envolvidos com criptoativos.
Isso impactava diretamente a dinâmica das exchanges, uma vez que não era possível
negociar com moedas fiduciárias nas exchanges. Neste cenário, surgiu o conceito
de stablecoin, uma criptomoeda pareada com o valor de um ativo representando a
posse do usuário da exchange.
O formato mais comum de pareamento de uma stablecoin é a relação 1:1 com
uma moeda fiduciária, geralmente o dólar americano. É a garantia que traders
possuem sobre guardar uma versão digital de uma moeda fiduciária, quando foi
impossibilitado o armazenamento da versão real da mesma moeda.
Uma alternativa à volatilidade
Contudo, desde o surgimento das stablecoins, algumas coisas mudaram.
Instituições financeiras como o JP Morgan Chase, líder mundial em serviços
financeiros e terceira maior empresa do mundo, começaram a manifestar-se sobre
aplicações destas moedas para negociações interbancárias, por exemplo dando
origem à JPM Coin. Stablecoins estão sendo até mesmo defendidas no caso de
emissão por bancos centrais.
A estabilidade destas moedas digitais passou a ser cobiçada como uma alternativa
à volatilidade dos criptoativos, servindo de ponte para a entrada de instituições
antes receosas sobre a estabilidade do mercado.
As mais notórias
Talvez a mais conhecida (e mais controversa) stablecoin do mercado seja o token
USDT, emitido pela Tether. Sempre envolvido em polêmicas, sendo a mais recente
o empréstimo de US$850 milhões à Bitfinex que fez com que o token não seja
mais 100% colateralizado por dólares americanos, o USDT surgiu em 2015 e está
atualmente entre as 10 maiores criptomoedas do mundo em valor de mercado.
Durante muito tempo, o token reinou absoluto no mercado, contudo, ele apresentou
um colapso em outubro de 2018 que abriu espaço para a ascensão de outras
stablecoins – ainda que sua dominação sobre o nicho se mantenha.
Uma destas stablecoins que ascendeu durante as dificuldades do USDT foi o
TrueUSD (TUSD). Surgido no início de 2018 e emitido pela plataforma TrustToken,
o TrueUSD é a 33ª maior criptomoeda do mercado em termos de capitalização e,
assim como a Tether, guarda a promessa de ser pareada com o dólar americano
em uma proporção 1:1. Seu volume de negociação que, antes do colapso do USDT,
dificilmente tocava a zona de US$20 milhões, em abril deste ano atingiu a média de
US$94,7 milhões. Dentre as stablecoins que ascenderam no fim de 2018, talvez ela
seja a mais promissora competidora do token emitido pela Tether.
Outra stablecoin que conquistou espaço foi a Paxos Standard Token (PAX), emitida
pela Paxos. Ocupando a posição de 39ª maior criptomoeda em valor de mercado,
ela guarda um importante traço: a companhia responsável pela sua emissão possui
uma licença junto ao Departamento de Serviços Financeiros de Nova York para
oferecer serviços relacionados a criptoativos.
Em outras palavras, isso quer dizer que a PAX é uma stablecoin pareada com o dólar
americano que é “regulamentada” – um status que lhe é útil em diversas situações.
Seu volume de negociação, que geralmente ficava na região dos US$20 milhões
antes do colapso do USDT, dificilmente fica abaixo de US$50 milhões atualmente.
Mais distante no ranking das maiores criptomoedas, mas igualmente importante,
vem o Gemini Dollar. Este token pareado com o dólar americano atualmente é a
110ª maior criptomoeda do mundo, e é emitida pela Gemini, exchange dos gêmeos
Winklevoss. Seu volume diário de movimentação, que antes de outubro de 2018
variava entre US$2 milhões e US$5 milhões, atualmente fica na faixa entre US$6
milhões e US$20 milhões – não sendo atípicos os dias em que ela toca os US$100
milhões.
O que é Bitcoin? Guia para iniciantes 24
O futuro
O senso de estabilidade apresentado pelas stablecoins com certeza dá margem
para discursos como o dos Winklevoss, que afirmaram que elas terão um futuro
brilhante. É até mesmo possível que elas impulsionem a adoção das criptomoedas
dentre aqueles mais céticos da sociedade, especialmente instituições. O próprio
Facebook está planejando uma rede de pagamentos baseada em uma stablecoin,
dizem as notícias recentes. Seja como for, as stablecoins já são uma parte do
ecossistema dos ativos digitais e, aparentemente, uma parte bem importante.
O que é Bitcoin? Guia para iniciantes 25
Conheça as
diferenças entre
Hot wallet e
Cold Wallet
Você muito provavelmente já escutou falar de Hot
Wallet e Cold Wallet, mas você sabe a diferença entre
uma e outra?
A maneira mais simples de escrever a diferença
entre uma e outra é a seguinte: Hot Wallets são
conectadas à internet enquanto as Cold Wallets
não são. A maioria das pessoas que possuem
ativos digitais usam ambas com diferentes
objetivos.
Hot Wallets são como Contas Corrente
enquanto as Cold Wallets são como
Poupanças.
Pessoas que possuem criptos geralmente deixam uma parte do que possuem em
Hot Wallets para comprar itens, pagar contas, fazer alguns trades entre outras
coisas. Já as Cold Wallets são usadas para fazer “hold” das moedas com mais
segurança, visto que não são conectadas à internet e – por isso – são mais seguras
contra hacker.
O que é Bitcoin? Guia para iniciantes 27
Então quer dizer que as Hot Wallets não são
seguras?
A segurança das Hot Wallets depende bastante de uma série de hábitos de utilização
e de aplicações voltadas à segurança. Elas são naturalmente mais vulneráveis
à roubos porque estão constantemente conectadas na internet. Partindo deste
pressuposto, elas estão constantemente sob ameaça de ataque hacker, mas manter
pequenas quantias em Hot Wallets é razoavelmente seguro, porque os hackers não
vão querer gastar energia para roubar pequenas quantias de dinheiro.
Por isso, não é muito seguro deixar suas criptos em exchanges, pois elas são alvos
de ataque hacker devido às altas quantias que elas precisam deixar nas Hot Wallets.
E se os hackers conseguirem essa invasão, você muito provavelmente irá ter seus
fundos drenados.
Que Cold Wallet posso usar?
Existem diferentes tipos de Cold Wallet, mas iremos focar em Hardware Wallet. Uma
Hardware Wallet é um dispositivo físico que mantém offline suas criptos e que tem
a funcionalidade de conectar em um computador quando for necessário.
Esse tipo de carteira é mais seguro porque para você concretizar a transação, é
necessário apertar um botão no dispositivo. As duas principais Hardware Wallet do
mercado são a Trezor e a Ledger, que já falamos aqui no Criptomoedas Fácil.
Saiba mais
Confira também: Como criar uma paper wallet e Top
5 aplicativos de wallets para Bitcoin
O que é uma carteira digital de criptomoedas?
O que é Bitcoin? Guia para iniciantes 28
Como funciona
uma exchange
descentralizada?
Em abril, a Binance anunciou o lançamento
de sua exchange descentralizada (plataforma
também conhecida pelo termo DEX), conforme
relatado aqui no CriptoFácil. Apesar das
negociações ainda não estarem liberadas, já
é possível que os usuários criem carteiras na
plataforma.
Contudo, tendo em vista que a Binance já
possui uma exchange, é possível que aqueles
ainda novos no ecossistema dos criptoativos
se perguntem: o que é uma exchange
descentralizada e como ela funciona?
Entendendo exchanges centralizadas
Antes de entender como funciona uma DEX, é preciso visitar o conceito de exchange
centralizada. Infelizmente, nem todos os negócios aceitam pagamentos em
criptomoedas, sendo necessário ainda movimentarmos moedas fiduciárias para
pagarmos algumas contas. Para isso servem as exchanges: trocamos criptomoedas
por moedas fiduciárias.
Além desta função, é por meio das exchanges que criptomoedas de projetos
diferentes são negociadas. Por exemplo, tenho uma fração de Bitcoin e preciso
de uma criptomoeda mais “privada” para conduzir uma transação. Por meio da
exchange, eu vendo uma porção de BTC e utilizo o dinheiro para comprar XMR
(Monero, uma moeda focada em anonimato), conduzindo meus negócios da forma
como quero com a nova moeda adquirida.
Contudo, apesar de serem fáceis de utilizar, as exchanges contrariam um pouco um
dos principais fundamentos do movimento das criptomoedas: a descentralização.
Exchanges centralizadas representam pontos únicos de falha que guardam
fundos dos usuários e não são incomuns notícias envolvendo ataques a elas com
consequentes furtos de fundos – a própria Binance foi recentemente hackeada.
Portanto, visando retomar o conceito de trocas peer-to-peer (p2p) trazido pelo
Bitcoin, as DEX tomaram forma.
DEX na prática
Entendidas as exchanges centralizadas, é chegada a hora de entender as exchanges
descentralizadas. Uma DEX é uma forma de usuários negociarem criptoativos
sem confiar a posse de suas moedas a um terceiro. Em vez disso, as negociações
ocorrem diretamente entre usuários por meio de um processo automatizado.
Tal processo utiliza um sistema que pode se basear em tokens proxy (criptoativos
que representam uma certa moeda fiduciária ou criptomoeda) ou em ativos (que
podem representar ações de uma companhia, por exemplo). É possível ainda que
a plataforma se lastreie em um sistema descentralizado de custódia com multi-
assinaturas, dentre outras soluções.
Diferente das exchanges centralizadas, o usuário deposita seus fundos e recebe
uma “nota promissória” que pode ser livremente negociada na plataforma, quando
um usuário solicita o saque de seus fundos, estes são convertidos de volta à
criptomoeda que a nota representa e é enviada ao seu dono.
Faca de dois gumes
De cara, a DEX apresenta três benefícios claros: o primeiro deles é a possibilidade
de negociar seus fundos sem deixá-los com um terceiro. Isso confere uma grande
segurança às negociações de criptoativos.
O segundo benefício é o anonimato. Muitas exchanges centralizadas utilizam
políticas know your customer, ou KYC, exigindo que seus usuários forneçam dados
pessoais para negociarem na plataforma. Ao utilizar uma DEX, não é necessário
fornecer documentos, garantindo a privacidade dos usuários.
O terceiro benefício é a inexistência de hacks e interrupção nos serviços. A qualquer
momento, de forma segura, um usuário poderá negociar suas criptomoedas sem se
preocupar com uma eventual paralisação nos serviços.
Contudo, nem tudo é perfeito. A DEX também apresenta três desvantagens em
relação às exchanges centralizadas: a primeira delas é a complexidade de uso, uma
vez que o usuário é totalmente responsável pelos procedimentos envolvendo uma
negociação. Não há um terceiro facilitando o processo.
A segunda desvantagem é a ausência de ferramentas. Por exemplo, muitas
exchanges descentralizadas não possuem stop loss, o que pode causar medo em
muitos traders – por ser algo básico em qualquer exchange centralizada e uma
importante ferramenta para o trading.
Por fim, a baixa liquidez é outro problema das plataformas de troca descentralizadas.
Por não possuírem um público vasto, bem como por não possuírem um “caixa” para
bancar os depósitos, as DEXs podem deixar a desejar para aqueles que utilizam
exchanges para trading.
De qualquer forma, para aqueles que buscam apenas formas anônimas e seguras
de trocarem suas criptomoedas, as exchanges descentralizadas representam uma
ótima opção.
O que é Bitcoin? Guia para iniciantes 31
O que
determina
o preço do
Bitcoin?
O preço do Bitcoin é definido por um processo
que se resume a compradores e vendedores que
se encontram em uma exchange para chegar a
um acordo sobre o preço pelo qual negociarão o
criptoativo.
Os compradores querem pagar o mínimo possível
pelo seu Bitcoin. Os vendedores querem vender
seus Bitcoins pelo preço mais alto possível. Ambos
devem se comprometer com um determinado
preço antes que qualquer negociação possa
ocorrer.
Conforme reportado pelo CriptoFácil, o preço atual do Bitcoin, em qualquer
exchange, é simplesmente o preço mais recente que um comprador e um vendedor
concordaram fazer negócio. Vamos entender como compradores e vendedores
chegam à um acordo dentro de uma exchange.
O livro de ofertas
A interface de negociação em qualquer exchange de criptoativos padrão é conhecida
como “livro de ofertas”. Naturalmente, não é um livro real – é a página de exibição de
informações de mercado relacionadas à execução de pedidos de compra e venda
naquela plataforma.
No lado de compra do livro, estão listadas todas as ofertas existentes para comprar
Bitcoin a um determinado preço – também conhecidas como “lances”, ou “bids” no
termo em inglês. Do lado da venda, estão todas as ofertas para vender Bitcoin a um
determinado preço – conhecidas como “asks” no termo em inglês.
Conforme as ordens de compra e venda dos dois lados do livro são combinadas,
elas vão sendo executadas. O preço mais recente será sempre aquele utilizado na
última ordem executada
Makers e takers
Os movimentos de preço do Bitcoin são frequentemente explicados como a
presença de mais compradores do que vendedores, ou vice-versa. Na prática, isso
não é realmente verdade, pois sempre são necessárias duas partes para negociar
(se alguém comprou Bitcoin, alguém o vendeu).
O que realmente faz aumentar ou diminuir o preço é o lado mais agressivo em
“cruzar o spread”. O spread é simplesmente a diferença entre o melhor lance e o
melhor preço de venda.
Qualquer lado que estiver mais motivado para negociar, pagará um custo de
spread determinado para executá-lo imediatamente. Esse lado é conhecido como
“comprador”, ou “taker” no termo em inglês, pois aceita a oferta listada no livro de
ofertas pelo “maker” (a pessoa que criou o trade).
Supostamente, consideremos que vários compradores, convencidos de que o preço
chegará a US$10.000 até a próxima semana, estão agindo como compradores.
Os compradores acreditam que lucram comprando abaixo de US$10.000. Isso
os torna mais propensos a pagar o spread para comprar todas as criptomoedas
oferecidas a US$9.400 – eles esperam ganhar US$600.
Depois que os compradores absorvem todas as criptomoedas oferecidas a US$9.400,
a próxima melhor opção é comprar as criptomoedas oferecidas a US$9.450 – e
depois disso, as criptomoedas oferecidas a US$9.500, e assim por diante.
Se a compra é agressiva, os vendedores logo percebem e começam a aumentar os
preços de suas solicitações. Isso continua até que a pressão de compra se esgote,
e nesse ponto o processo será revertido. Com o tempo, esses impulsos aumentam
ou diminuem o preço.
Esse processo acontece em todas as exchanges de Bitcoin. O que mantém os
preços mais ou menos sincronizados nas exchanges é o processo de arbitragem do
Bitcoin, a estratégia de negociação que tira proveito das diferenças de preço entre
as plataformas de negociação.
Por exemplo, se o Bitcoin é barato na BitcoinTrade e mais caro na Mercado Bitcoin,
os comerciantes compram na BitcoinTrade e vendem na Mercado Bitcoin. Os efeitos
da arbitragem são o que mantém os preços nas exchanges alinhados.
O que é Bitcoin? Guia para iniciantes 34
Principais exchanges do mercado
Por fim, vale a pena observar o efeito das exchanges líderes de mercado. Aquelas
com os volumes mais altos (ou seja, o maior número de criptomoedas negociadas),
tendem a ser consideradas como tendo o preço mais “oficial”.
Por exemplo, se os preços do Bitcoin subirem em uma grande exchange como
Bitfinex, Binance ou Bitstamp e, principalmente, em várias grandes exchanges ao
mesmo tempo, então quase certamente levará todas as outras exchanges globais
a terem preços mais altos também.
A razão para esse fenômeno é simplesmente que a maioria dos traders presta muita
atenção aos preços das principais exchanges. Eles têm a expectativa de que os
preços nas principais exchanges sejam filtrados por pequenas exchanges, devido
aos efeitos da arbitragem e à crença de que outros traders agirão de acordo.
Esse principal efeito cambial ocorre mesmo em exchanges que usam moedas
diferentes. Por exemplo, se o Bitcoin que está sendo negociado em um país de alto
volume como o Japão, com preço em JPY, começar a cair abaixo do preço médio
internacional, é provável que isso represente um empecilho nos preços em USD,
EUR e Real.
O que é Bitcoin? Guia para iniciantes 35
Ethereum:
um guia para
iniciantes
Você já deve ter ouvido falar em Ethereum.
Se não ouviu, então você tem andado
bastante ausente ou é iniciante no mundo das
criptomoedas. Bem, não se preocupe. Vamos
deixar você atualizado neste artigo.
O que é a Ethereum?
De acordo com o white paper, “Ethereum é uma plataforma descentralizada que
executa implementação de aplicações descentralizadas (dapps) e de smart
contracts (contratos inteligentes). Dapps são programas de computador que
removem a necessidade de intermediários em basicamente qualquer serviço
centralizado existente ao permitirem que qualquer pessoa confie em uma contraparte
desconhecida para realizar os mais variados tipos de negócios e acordos de forma
100% digital”. Este é um resumo preciso, mas ao explicar pela primeira vez o que é
Ethereum para amigos, familiares e estranhos, a melhor forma é comparar Ethereum
com Bitcoin, pois muitas pessoas já ouviram falar sobre o Bitcoin antes.
bitcoin e ethereum
Simplificando, o Bitcoin pode ser descrito como dinheiro digital usado para transferir
“valor” de uma pessoa para outra (P2P). É comumente usado como uma reserva de
valor e representa o melhor exemplo para o público entender o conceito da moeda
digital descentralizada.
Ethereum é diferente do Bitcoin, pois permite contratos inteligentes (Smart
Contracts) que podem ser descritos como dinheiro digital altamente programável.
Imagine enviar automaticamente dinheiro de uma pessoa para outra, mas apenas
quando um certo conjunto de condições são atendidas. Por exemplo, um indivíduo
quer comprar uma casa de outra pessoa. Tradicionalmente, existem vários terceiros
envolvidos na transação, incluindo advogados e agentes de custódia, o que torna
o processo desnecessariamente lento e caro. Com um contrato inteligente do
Ethereum, o vendedor pode transferir automaticamente a propriedade da casa para
o comprador e os fundos para o vendedor sem precisar que um terceiro.
O potencial para isso é incrível! Pense nas inúmeras aplicações que atuam
como terceiros para conectá-lo com outras pessoas com base em alguma lógica
definida (por exemplo, Uber, Airbnb, eBay). Muitos dos sistemas centralizados que
usamos hoje poderiam ser construídos de forma descentralizada no Ethereum. A
descentralização é importante porque elimina pontos únicos de falha ou controle.
Isso torna a colisão interna e os ataques externos impraticáveis. As plataformas
descentralizadas eliminam os intermediários que, em última instância, levam a
custos mais baixos para o usuário.
A sua arquitetura inicial foi concebida por um jovem gênio russo-canadense, na
época com 19 anos, chamado Vitalik Buterin, que escolheu o seguinte título para
o seu white paper: “Ethereum: uma plataforma de contratos inteligentes e aplicativos
descentralizados da próxima geração”.
Qual a funcionalidade ou para que serve o
Ethereum?
Ethereum foi projetado para ser uma plataforma de contrato inteligente. Sua origem
está realmente ligada a uma crítica feita por Vitalik Buterin sobre o bitcoin ser uma
plataforma de contratos inteligentes muito limitada. O Ethereum Virtual Machine
(EVM) é onde os contratos inteligentes são executados no Ethereum. Ele oferece
uma linguagem de programação “Turing Complete“, o que significa que ele suporta
uma programação muito mais ampla do que a rede do Bitcoin. Uma boa metáfora é
que o EVM é um computador global distribuído onde todos os contratos inteligentes
são executados.
Os contratos inteligentes:
• Funcionam como contas de “assinatura múltipla“, de modo que os fun-
dos são gastos apenas quando uma porcentagem necessária de pes-
soas concorda;
• Gerenciam acordos entre usuários, digamos, se alguém comprar o
carro do outro;
O que é Bitcoin? Guia para iniciantes 38
• Fornecem utilidade para outros contratos (semelhante a como
funciona uma biblioteca de software);
• Armazenam informações sobre um aplicativo, como informações de
registro de domínio ou registros de associação;
Poder dos contratos inteligentes
Imagine se você e eu colocamos uma aposta sobre quem vai ser o campeão da
final da copa brasil. Eu aposto no Cruzeiro enquanto você aposta no Flamengo. Nós
concordamos que o perdedor deve dar ao vencedor R$100. Como podemos fazer
isso e garantir que o perdedor fará sua promessa? Posso pensar em três maneiras
distintas:
1. Confiar uns nos outros
A maneira mais simples de fazer isso seria confiar uns nos outros. Se somos
amigos por muito tempo, a confiança entre nós é algo fácil de se atingir. Eu sei onde
você mora e você conhece todos os tipos de coisas embaraçosas sobre mim. Mas
as coisas ficam mais difíceis se somos estranhos um para o outro. Você não tem
motivos para confiar em mim e não tenho motivos para confiar em você.
2. Assinar um acordo legal
Outra maneira plausível é formular a nossa aposta como um acordo legal. Nós dois
assinamos um acordo que define todos os termos da nossa aposta em detalhes –
incluindo o que aconteceria se o perdedor violasse o acordo.
O acordo nos tornaria legalmente obrigados a pagar o vencedor, mas não servirá
de propósito prático, pois o fato de forçar o acordo através da rota legal seria mais
caro do que a vantagem da aposta.
3. Obter ajuda de um amigo em comum
Poderíamos encontrar um amigo mútuo em quem ambos confiássemos e nós dois
lhe damos os R$100 cada um para a custódia. No próximo dia, ele verificaria o
campeão e daria o total de R$200 a quem ganhasse a aposta. Simples e fácil. Mas
e se o amigo confiável fugir com R$200?
Agora, temos três maneiras diferentes de fazer a aposta, mas cada opção tem suas
deficiências. Porque somos estranhos, não podemos confiar uns nos outros. Forçar
O que é Bitcoin? Guia para iniciantes 39
um acordo legal será tão caro que não seria viável. Obter ajuda de um amigo mútuo
traz a questão da confiança novamente.
O contrato inteligente do Ethereum pode salvar o dia em tal situação. Um contrato
inteligente é como o amigo comum confiável, mas escrito em código. O Ethereum
nos permite escrever um software que aceite o Ether com R$100 de ambos e, no
dia seguinte, usa a API do resultado do jogo para verificar o campeão e transferir o
valor total de Ether de R$200 para o vencedor.
Uma vez escrito um contrato inteligente, ele não pode ser editado ou alterado de
forma alguma. Portanto, você pode ter certeza de que, qualquer que seja o contrato,
ele será executado, não importa o que aconteça.
Onde comprar Ethereum?
O Ethereum tem apresentado um bom crescimento de seu valor nos últimos meses.
Esse aumento pode ser atribuído a vários fatores, como os progressos que estão
ocorrendo na plataforma, seu uso em diferentes projetos, potencial futuro e o aumento
da atividade de sua comercialização. A disparada do valor tem comprovado que o
Ether é um ativo promissor. Isso tem criado uma procura em muitas plataformas
de comercialização de Bitcoin, forçando-as a incluí-lo juntamente com o bitcoin e
outras criptomoedas.
Conclusão
Ethereum não é apenas uma criptomoeda a ser negociada, seu valor real reside em
seu propósito. O objetivo da Ethereum é permitir a descentralização de validação e
segurança de documentos e aplicativos através dos smarts contracts na blockchain.
Saiba mais
Veja também: https://www.youtube.com/watch?-
v=5rh1THmpiOI&t=7s
O que é Bitcoin? Guia para iniciantes 40
Saiba o que
são contratos
inteligentes
e como eles
funcionam
O termo contratos inteligentes (ou smart
contracts) é um dos mais conhecidos nas
criptomoedas. Essa ferramenta costuma ser vista
como uma revolução tecnológica, a solução para
diversos problemas. Várias empresas buscam
entender essa nova tecnologia e utilizá-la para
criar sistemas que podem mudar completamente
nosso mundo.
Mas o que realmente são os contratos
inteligentes? Como eles funcionam? Para
entender tudo isso, primeiro precisamos conhecer
mais sobre a blockchain e como os contratos
inteligentes são inseridos nela. E no texto de hoje
vamos ver tudo sobre a relação entre Bitcoin,
Ethereum, blockchain e contratos inteligentes.
Contratos inteligentes em diferentes blockchains
O que são contratos inteligentes?
Os contratos inteligentes também são conhecidos pelos termos smart contracts
ou contratos digitais. Eles são contratos executados por meio de códigos escritos
e operados em uma blockchain. Por isso, contratos inteligentes não dependem de
qualquer tipo de intervenção humana – aliás, eles existem justamente para eliminar
o fator humano dos contratos.
A ideia por trás dos contratos inteligentes é realizar transações entre duas ou mais
partes de forma que apenas as partes tenham acesso ao contrato. Dessa forma,
não existe a necessidade de advogados, juízes ou outros intermediários para fazer
cumprir as cláusulas de execução. Tanto a linguagem quanto as cláusulas do
contrato são as mais claras possíveis.
Dessa forma, os contratos inteligentes fazem do próprio código seu sistema legal.
Este princípio está ancorado na frase code is the law (o código é a lei, na tradução
literal). Segundo este conceito, os contratos são executados, julgados e cumpridos
por meio de cláusulas escritas previamente.
Como surgiram os contratos inteligentes?
A ideia por trás dos contratos inteligentes surgiu ainda na década de 1990, mais
especificamente no ano de 1997. Foi quando o jurista e criptógrafo Nick Szabo
escreveu um artigo intitulado The Idea of Smart Contracts, ou “A Ideia de Contratos
Inteligentes”. Szabo, portanto, deu início a essa ideia quase 20 anos antes do
surgimento do Ethereum.
Logo nas primeiras linhas, Szabo deixou claro o que ele enxergava nos contratos
inteligentes. A premissa era dificultar ao máximo a quebra de contratos, tornando-
os mais seguros. Para ele, “muitos tipos de cláusulas contratuais podem ser
embutidas no hardware e software que convivemos.”
Famosa publicação de Nick Szabo no Twitter
O que é Bitcoin? Guia para iniciantes 43
Com isso, os contratos seriam mais seguros, baratos e fáceis de produzir. Ao mesmo
tempo, a digitalização seria “uma forma de tornar a quebra de contrato cara (e se
desejado, às vezes de forma proibitiva) para o infrator.” Um exemplo que se tornou
famoso pela aplicação de um contrato inteligente foi o de uma máquina de venda
automática.
Segundo Szabo, a proteção dessas máquinas é uma espécie de contrato inteligente.
Ela é um contrato com o portador, pois qualquer um com moedas pode participar de
uma troca com o fornecedor. “O cofre e outros mecanismos de segurança protegem
as moedas armazenadas e os produtos de infratores, suficientemente para permitir
a implantação lucrativa de máquinas de venda automática em uma ampla variedade
de áreas”, disse Szabo.
Bitcoin
Apesar de Szabo ter criado um conceito revolucionário, ele nunca conseguiu
implementá-lo na prática. Ele chegou a fazer uma tentativa por meio do BitGold,
criptomoeda idealizada ainda nos anos 90, porém não obteve sucesso. Assim, os
contratos inteligentes existiram apenas na teoria por quase 10 anos.
Quando o Bitcoin foi criado, em 2009, finalmente as ideias de Szabo saíram do papel.
De fato, a criação do Bitcoin em si foi o primeiro contrato inteligente implementado
com sucesso. Além disso, a blockchain do Bitcoin forneceu a primeira estrutura
funcional para a execução de outros tipos de contratos inteligentes.
A inspiração de Szabo é clara, pois o programador foi citado como uma das
referências de Satoshi Nakamoto no white paper. Entretanto, o Bitcoin possuía
sérias limitações nesse aspecto, pois os contratos inteligentes suportados pela rede
eram muito básicos. O próprio Bitcoin tinha como principal característica a mera
transferência de valores, mas a rede não tinha estrutura para executar contratos
mais complexos.
Ethereum
Essa limitação do Bitcoin chamou a atenção do programador russo-canadense
Vitalik Buterin. Ele queria uma rede na qual contratos mais sofisticados fossem
possíveis para qualquer situação. E foi com essa ideia em mente que em 2013 ele
anunciou a criação do Ethereum, rede blockchain que foi lançada oficialmente em
2015.
Além da criptomoeda, o Ethereum possibilitou a criação de outras criptomoedas e
blockchains dentro da sua própria rede. E ao contrário do Bitcoin, no Ethereum elas
poderiam ser criadas com mais facilidade. Com isso, o Ethereum virou praticamente
um sinônimo de contratos inteligentes, visto que a maioria deles são desenvolvidos
lá.
O que é Bitcoin? Guia para iniciantes 44
O que são contratos?
Como funcionam contratos inteligentes
Os contratos são termos firmados entre uma ou mais partes. Esses termos
estabelecem as condições para negociações financeiras, pagamentos em dinheiro
e até mesmo casamentos. Geralmente, um contrato possui as seguintes partes
(isso vale para contratos físicos e também para contratos digitais):
• Signatários: são as partes que assinam o contrato. Elas podem ser
duas ou mais pessoas e devem estar descritas ao longo do instrumen-
to. As assinaturas do contrato podem ser feitas de forma manual ou
digital;
O que é Bitcoin? Guia para iniciantes 45
• Assunto do contrato: é o tipo de contrato que está sendo assinado. Por
exemplo, um contrato de compra e venda de um imóvel. No caso do
contrato inteligente, ele precisa ter acesso ao teor do objeto;
• Termos do contrato: são as cláusulas que compõem o contrato. No
caso dos contratos inteligentes, elas precisam ser escritas de forma
clara e com uma linguagem adequada ao tipo de contrato escrito.
Vantagens dos contratos inteligentes
Contratos inteligentes
Os contratos inteligentes possuem algumas vantagens sobre os seus pares
tradicionais. Afinal, vivemos em um mundo cada vez conectado e dependente da
tecnologia. Com isso, o uso de contratos de papel tende a ser cada vez menos
eficiente. As principais vantagens dos contratos inteligentes são:
• Linguagem: contratos tradicionais geralmente trazem uma série de
cláusulas em uma linguagem jurídica e complexa. Além disso, essa
linguagem pode ser bastante interpretativa, causando insegurança ju-
rídica. Já os contratos inteligentes prezam pela simplicidade e suas
cláusulas não podem ser alteradas, trazendo mais seguranças para as
partes;
O que é Bitcoin? Guia para iniciantes 46
• Custos: contratos convencionais demandam altos custos. São gastos
com papelada, cartórios, autenticações e outras burocracias que po-
dem inviabilizar a negociação. Os contratos inteligentes eliminam ou
reduzem esses intermediários, gerando custos muito menores e mais
eficiência;
• Agilidade nas negociações: os contratos convencionais podem ser
quebrados, gerando uma disputa jurídica que pode demorar anos para
ser resolvida. Já os contratos inteligentes possuem cláusulas que se
executam sozinhas, ou são bloqueadas em caso da quebra de contra-
to. Novamente, isso elimina intermediários e economiza tempo nas ne-
gociações;
• Segurança: contratos inteligentes são quase impossíveis de hackear,
desde que implementados corretamente. Além disso, as blockchains
que implementam os contratos costumam ser bastante seguras e pre-
servam tanto os documentos quanto a segurança e privacidade das
partes.
Riscos dos contratos inteligentes
Contratos inteligentes não são a cura para todos os males
O que é Bitcoin? Guia para iniciantes 47
Os contratos inteligentes são uma tecnologia muito promissora. No entanto, eles
não estão livres de riscos. Apesar da forte segurança, é preciso observar alguns
fatores que devem ser considerados como riscos na execução destas ferramentas.
Os principais são:
• Pouco histórico: os contratos inteligentes possuem pouco mais de 10
anos de uso. Por isso, ainda são uma ferramenta em desenvolvimento.
É preciso ter cuidado na hora de escolher a melhor blockchain e outras
ferramentas para criar seu contrato;
• Risco de código: um contrato inteligente pode ser escrito com um có-
digo vulnerável. Se isso acontecer, o resultado pode ser muito grave.
Como ocorreu com o caso DAO, em 2016, onde uma falha no código fez
um hacker roubar US$ 150 milhões deste contrato. Por isso, o código
não deve conter qualquer traço de falha ou brechas que possam ser
exploradas;
• Ação do governo: como é uma tecnologia nova, os contratos inteligen-
tes ainda são vistos com desconfiança. Nenhum governo ainda sabe
como regulamentar essas ferramentas ou como cobrar impostos sobre
os valores dos contratos. Por isso, existe o risco dos governos limita-
rem pesadamente ou até proibirem os contratos inteligentes.
No entanto, é um fato de que os contratos inteligentes vieram para ficar. Hoje eles já
são utilizados em muitas formas de negócio. Por conta disso, criptomoedas como
ETH atingiram um valor de mercado bastante elevado nos últimos anos. E a medida
que estes contratos forem mais utilizados, mais resiliente e segura a tecnologia
tende a ficar.
Saiba mais
Leia também: Ethereum 2.0 atinge marca de 1 mi-
lhão de ETH depositados
Leia também: Contratos inteligentes no Bitcoin en-
tram em fase de testes
Leia também: Vitalik Buterin: o Bitcoin é centraliza-
do, não o Ethereum
O que é Bitcoin? Guia para iniciantes 48
Entenda o que
são forks e
airdrops
Alguns termos comumente usados no universo
dos criptoativos como forks e airdrops não são
tão simples de serem compreendidos, inclusive
podem causar confusão.
Os forks e airdrops podem ser confundidos pelo
simples fato de que ambos acontecimentos
geralmente geram criptomoedas “extras” ou
“grátis” aos usuários. No entanto, existem
distinções importantes entre essas duas
operações. Abaixo, explicaremos o forks e os
airdrops, para que entenda as semelhanças e
diferenças entre eles.
Forks
As criptomoedas, sendo bastante jovens e prósperas, já testemunharam várias
montanhas-russas, algumas que podem ter sido inclusive propositalmente
iniciadas, por exemplo, historicamente, todas as vezes que o Bitcoin sofre uma
bifurcação em sua rede, uma grande névoa de especulação é gerada. Os forks
tornaram-se objetos de bastante especulação no mercado das criptomoedas, por
isso a busca pelo entendimento sobre eles tem aumentado.
Um “fork”, em poucas palavras, é uma atualização de software ou protocolo de uma
criptomoeda. Como regra, essa atualização pode ou não ser compatível com as
suas versões anteriores, isso é o que define um soft fork ou um hard fork.
O soft fork, como mencionado acima, trata-se de uma atualização de software
compatível com uma versão anterior, e isso pode acontecer e acontece a todo
momento nos protocolos de muitas criptomoedas. Isso fornece aos nós da
rede (nodes) não atualizados, a possibilidade de operar como antes e continuar
processando transações enquanto o novo protocolo implementa suas novas regras.
Nesse caso não ocorre o que chamamos de “bifurcação”.
Um hard fork ocorre quando os desenvolvedores de determinada criptomoeda
lançam uma atualização de software não compatível com a versão anterior do seu
protocolo dela, criando uma ramificação dessa criptomoeda com a ajuda do mesmo
código básico. Nesse caso ocorre a criação de uma nova criptomoeda, como foi
o caso do surgimento do Bitcoin Cash (BCH) a partir de uma divisão da rede do
Bitcoin. Geralmente, todos os detentores da criptomoeda original podem adquirir a
mesma quantidade da nova criptomoeda criada, e é nesse momento que pode ser
confundido com um airdrop, mas isso falaremos mais adiante.
Alguns hard forks podem sofrer hard forks inclusive, como é o caso do Bitcoin
SV (BSV), criptomoeda originada de uma bifurcação da rede do Bitcoin Cash. De
acordo com o block explorer Blockchair, aproximadamente 20% dos nós do BSV
ainda estão na versão mais antiga do software da criptomoeda.
Essencialmente, é a equipe de desenvolvedores, bem como as comunidades de
mineração e entusiastas e investidores que geralmente estão por trás de um hard
fork. Trata-se inclusive de resolver uma questão de consenso, quando diferentes
grupos estão dispostos a levar a criptomoeda em direções diferentes. Assim, as
ramificações da criptomoeda não são totalmente iguais: a original normalmente
continua sem desviar de seu caminho inicial, enquanto a nova ramificação faz
ajustes no código e em diferentes protocolos.
Para que uma nova criptomoeda originada de um hard fork obtenha a adesão de
investimentos, é extremamente necessário que ela seja incluída nas plataformas
de negociação. Algumas exchanges são conhecidas por terem alta adesão às
criptomoedas originadas de hard forks, como por exemplo a HitBTC.
Airdrops
Um lançamento aéreo, por outro lado, é a distribuição de uma criptomoeda a um
determinado grupo de investidores. Isso pode acontecer por meio de procedimentos
como compras em ICOs (ofertas iniciais de moedas) e até mesmo como brindes
oferecidos pelos desenvolvedores. No airdrops, os tokens são normalmente alocados
aos detentores de uma blockchain preexistente, como Bitcoin ou Ethereum.
O que é Bitcoin? Guia para iniciantes 51
É este último ponto que cria confusão sobre a diferença entre um airdrop e um hard
fork. Em cada caso, é comum que os titulares de uma moeda digital anterior recebam
novos tokens, normalmente em um volume equivalente às suas participações
atuais. No caso do hard fork do bitcoin cash mencionado acima, por exemplo, os
titulares de bitcoin receberam uma quantidade equivalente de tokens de bitcoin em
dinheiro em um momento designado pelos desenvolvedores do fork.
Em outros casos nos quais os airdrops acontecem, destaca-se a expansão do
reconhecimento de uma nova criptomoeda. Após a criação da quantidade adicional
de uma criptomoeda existente, ela pode ser entregue à uma gama maior de
pessoas no mercado, o que causa um excesso de criptomoedas no mercado. Nesta
perspectiva, um airdrop é diferente de um hard fork, pois não cria outra criptomoeda;
ao contrário, forma uma oferta maior de uma criptomoeda que já existe.
Para receber forks e airdrops, as exchanges de criptomoedas normalmente
exigem a manutenção da criptomoeda bifurcada na conta principal antes do
evento, exatamente como a HitBTC explica. Também é essencial acompanhar as
tendências e os anúncios nas mídias sociais. Novamente, para obter as informações
atualizadas, a HitBTC sugere seguir seu Twitter, Facebook e Telegram.
Além disso, caso os usuários da HitBTC ainda não tenham recebido suas
criptomoedas, a exchange possui um formulário de solicitação. Este é um serviço
dedicado à experiência amigável que a HitBTC pratica ao longo dos anos desde
2013.
Portanto, cabe a você usuário de criptoativos escolher sua montanha-russa para
uma viagem agradável.
O que é Bitcoin? Guia para iniciantes 52
Qual o papel
dos nós da
blockchain?
A blockchain do Bitcoin é frequentemente
apontada como uma das formas mais
revolucionárias de tecnologia descentralizada
que o mundo já experienciou. E, para ser
descentralizada de fato, ela precisa de uma rede
global distribuída de computadores ou nós (nodes)
conectados. Mas, afinal, o que são nodes?
De modo geral, um node (nó) é um computador
conectado à uma rede. No contexto da Internet e
de sua casa por exemplo, seu telefone é um nó,
seu notebook é um nó, seu roteador é um nó e
assim por diante.
Os nós podem assumir vários perfis, tamanhos e formas. Cada um deles desempenha
um papel diferente – mas vital – no funcionamento de uma rede, ou da sua casa,
conforme exemplo descrito acima.
No caso da blockchain do Bitcoin, existem quatro tipos principais de nós: nós
completos (full nodes), super nós (master nodes), nós leves (light nodes) e nós de
mineração (mining nodes). Full nodes, master nodes e light nodes executam funções
semelhantes, enquanto mining nodes executam uma função completamente
diferente. Entenda a função de cada um deles:
Nós de mineração
Pense nos nós de mineração (mining nodes) simplesmente como os nós que
produzem os blocos para a blockchain.
São os nós de mineração que confirmam os blocos que devem ser colocados nessa
“lista”, em um processo conhecido como “mineração”. Quando as pessoas falam
sobre a rede do Bitcoin, particularmente no contexto de seu consumo de energia,
geralmente estão referindo-se à rede de mineradores e máquinas ASIC (dispositivos
específicos para praticar a atividade de mineração de criptoativos).
Os nós de mineração não são realmente responsáveis pela manutenção da
blockchain, eles são responsáveis apenas pela criação de blocos a serem
adicionados à ela. Após a criação desses blocos, eles são enviados pela rede para
os full nodes, que por sua vez, os validam e os adicionam à blockchain.
Nós completos e super nós
Como o próprio nome sugere, os nós completos (full nodes) são responsáveis
por manter e distribuir cópias de todo o registro da blockchain. Como tal, eles
desempenham um papel vital na rede, pois são o ponto principal para validar o
histórico da blockchain.
O nó completo é capaz de validar transações desde o bloco gênese, o primeiro
bloco minerado na blockchain do Bitcoin. Alguns estimam que existem mais de
10.000 full nodes operacionais na rede do Bitcoin.
Esses nós propagam a blockchain para todos os outros nós da rede para garantir
a manutenção confiável da blockchain. Quanto mais nós, mais descentralizada a
rede, e mais difícil é de invadi-la.
Dependendo do número de conexões de entrada e saída de um full node, ele também
pode ser chamado de super nó (super node).
Os super nós geralmente operam 24 horas para ajudar a conectar outros full nodes
e espalhar a blockchain por toda a rede. Eles servem como retransmissão de
informações ou redistribuição para garantir que todos tenham a cópia correta da
blockchain.
Nós leves
Os nós leves (ou light nodes) executam uma função semelhante a dos nós completos,
mas, em vez de manter uma cópia inteira da blockchain, eles mantêm apenas uma
parte dela.
Light nodes apenas baixam o cabeçalho do bloco de transações anteriores, para
confirmar a validade da blockchain e passar essas informações para outros nós.
O cabeçalho do bloco é um resumo de um determinado bloco, inclui informações
sobre o bloco anterior, por exemplo qual o hash, a hora em que foi extraído e um
número de identificação exclusivo.
De um modo geral, os nós leves conectam-se a um nó pai, geralmente um nó
completo; que mantém uma cópia completa da blockchain. Como nós leves
processam menos blockchain e não ajudam a propagar grandes volumes de dados
pela rede, eles não precisam ser tão poderosos e são muito mais baratos de possuir
e manter do que os nós completos ou super nós.
Dito isto, se um nó completo for hackeado e reter uma cópia incorreta da blockchain,
os nós leves podem servir para descartá-lo como falso e confirmar para o nó
completo a blockchain correto que ele deve manter. Pense em um grupo de light
nodes como um grupo de amigos solidários que ajudam a manter um full node em
linha reta e estreita.
O que é Bitcoin? Guia para iniciantes 55
O uso de light nodes ajuda a descentralizar ainda mais a rede blockchain e a espalhar
o livro razão por uma distância maior por um custo menor em comparação aos nós
completos.
Validação não é o mesmo que consenso
Os nodes (nós) validam a blockchain seguindo várias regras. Quando a rede inteira
segue essas regras, todos os nós devem ajudar a produzir a mesma blockchain.
Deve-se notar que a validação realmente ocorre antes da mineração de um bloco
e que validação não é o mesmo que consenso. O consenso é alcançado quando
os nós de mineração concordam com a ordem das transações, não sobre quais
transações são válidas.
Curiosidade
Leia também: O que é e como funciona a mineração
do Bitcoin
O que é Bitcoin? Guia para iniciantes 56
O que são
ICOs?
O que é Bitcoin? Guia para iniciantes 57
No final de 2017, o mercado de criptoativos
testemunhou a maior alta nos valores das moedas
já vista, em especial do Bitcoin. Um frenesi
tomou conta dos investidores, que correram para
comprar criptomoedas e conquistar margens de
lucro enquanto ainda era possível.
Há quem aponte que essa movimentação
estratosférica tenha sido impulsionada pelas
ofertas iniciais de moedas, também conhecidas
como ICOs. A busca por Ether, moeda digital
nativa da rede Ethereum, intensificou-se a medida
em que investidores buscavam participar cada
vez mais das ofertas de diferentes projetos.
Mas o que é uma ICO e onde tudo isso se relaciona?
Entendendo uma ICO
Imagine que uma startup tenha uma ideia referente à uma criptomoeda, um projeto
onde o ativo digital será aplicado para comprar dados coletados por dispositivos,
como radares. Os dados são adquiridos das empresas donas dos dispositivos com
essa criptomoeda e armazenados em uma blockchain.
A startup cria o projeto, cria uma lista de metas e aplicações da moeda digital
(também conhecido como white paper) e disponibiliza em um site dedicado a
elucidar ao máximo o mercado acerca das figuras por trás da ideia. Contudo, falta
uma parte importante para criar todo o ecossistema no qual a criptomoeda se
baseará: financiamento.
Para conseguir o dinheiro necessário para desenvolver o projeto, a empresa cria a
criptomoeda e disponibiliza sua venda. A aquisição desta nova moeda digital se
dá por meio do Ether, ativo digital nativo da rede Ethereum, ou por meio de moedas
fiduciárias – dólar, por exemplo.
A venda destas moedas tem um nome específico, conhecido como oferta inicial de
moedas – ou, conforme dito acima, ICO. Este é o propósito de uma ICO: angariar
fundos para um projeto por meio da venda dos tokens que serão utilizados por ele.
Pode ajudar no entendimento interpretar a ICO como uma venda de ações, embora
não sejam vendidas partes da startup, apenas o token que lastreará o projeto dela.
De forma simples, compra-se tokens que o investidor acredita que valorizarão
quando o projeto deslanchar.
Trata-se de um investimento de risco. Avalia-se o projeto, considera-se a possibilidade
dele ganhar tração e é feita a compra dos tokens que servem de base para o mesmo.
Quem pode criar uma ICO?
Teoricamente, qualquer pessoa. Criar um token é algo relativamente simples,
bastando apenas um protocolo – o mais popular sendo o Ethereum – para que seja
feita a emissão. Contudo, a criação do token não é a questão importante, mas a
ideia por trás dele.
Pelo fato de qualquer um poder lançar uma venda de tokens, não é incomum que
muitas ICOs fracassem. De acordo com uma pesquisa publicada em janeiro, 144
ICOs realizadas em 2017 falharam em 2018. Inclusive, o site Dead Coins é dedicado
a listar projetos que fracassaram, dividindo até mesmo as causas que ocasionaram
a extinção dos projetos.
É importante ler o white paper antes de investir em um projeto e apostar apenas
na longevidade daqueles com sólidas promessas. Tendo em vista que qualquer
pessoa pode emitir um token, não é incomum que projetos sejam criados apenas
para que um grupo mal intencionado colete o montante arrecadado e suma sem
deixar rastros.
Por que Ether?
A busca por Ether em 2017 se tornou altíssima quando o investimento em ICOs
atingiu altas marcas. Mas por que essa criptomoeda em específico?
Conforme dito acima, o protocolo Ethereum é o mais popular para a criação de
tokens, que surgem no formato ERC-20 – um padrão da plataforma. Por terem lastro
na blockchain Ethereum, é muito mais simples adquirir os tokens por meio de um
criptoativo já estabelecido que também tem base na mesma rede. Isso facilita a
aquisição tanto na praticidade quanto no custo.
É por esta razão que projetos dão preferência à Ether. Contudo, o cenário tem mudado
gradativamente após o lançamento da Binance Chain, blockchain da exchange de
criptomoedas Binance. Por meio da plataforma Binance Launchpad, dedicada a
ICOs, a aquisição de tokens de projetos buscando financiamento pode ser feita por
meio da Binance Coin (BNB), moeda nativa da rede Binance.
Conclusão
Desta forma, é correto afirmar que ICO é uma forma que startups relacionadas a
criptomoedas encontraram para financiar seus projetos. Porém, tendo em vista
que qualquer pessoa pode emitir tokens e criar um projeto mirabolante e de difícil
O que é Bitcoin? Guia para iniciantes 59
cumprimento, é fácil ser vítima de um golpe quando não se dá a devida atenção ao
white paper do projeto.
ICO é uma interessante ferramenta disponível no ecossistema de criptoativos, mas
é preciso ter cautela.
Saiba mais
Leia também: Primeira ICO no formato “loteria” será
realizada na Binance Launchpad
O que é Bitcoin? Guia para iniciantes 60
Entenda o que
é um ataque
de 51%
Um ataque de 51% à uma blockchain acontece
quando um minerador ou um grupo de mineradores
tentam controlar mais de 50% do poder de
mineração (poder computacional, taxa de hash
ou hashrate) de uma rede. Caso consigam, esses
agentes podem impedir que novas transações
ocorram ou sejam confirmadas.
Agentes maliciosos podem se beneficiar de um
ataque de 51% para reverter transações que já
ocorreram em uma blockchain, no que passou a ser
conhecido como gasto duplo. Por exemplo, pode-
se gastar cinco Bitcoins para comprar um carro.
Depois que o carro é entregue, a lógica determina
que os Bitcoins sejam transferidos para cobrir
o custo da compra. No entanto, ao realizar um
ataque de 51%, um invasor poderá reverter uma
transação, resultando no reembolso de todas as
criptomoedas usadas para financiar a transação.
No final, o atacante torna-se proprietário do carro
e dos Bitcoins usados para comprá-lo.
Como ocorre um ataque de 51%
Sempre que uma transação é realizada em uma blockchain, seja de Bitcoin ou
qualquer outra criptomoeda, ela geralmente é colocada em um conjunto de
transações não confirmadas. Em troca, os mineradores têm permissão para
selecionar transações do pool para formar um bloco de transações.
Para que uma transação seja adicionada à uma blockchain, um minerador deve
“encontrar uma resposta correta para um quebra-cabeça”. Os mineradores
encontram soluções para complexos enigmas matemáticos usando poder
computacional. Quanto maior o poder computacional de um minerador, maior a
probabilidade dele encontrar a resposta correta para adicionar um bloco à uma
blockchain.
A “resposta correta para um quebra-cabeça” deve ser transmitida para outros
mineradores e só pode ser aceita se todas as transações em um bloco forem válidas
de acordo com o registro existente em uma blockchain. Os mineradores corruptos,
por outro lado, não transmitem soluções para o resto da rede.
Essa prática pode resultar na formação de duas versões de uma blockchain. Uma
que é a blockchain original, seguida por mineradores legítimos, e uma segunda
blockchain usada inteiramente por um minerador corrupto que não está transmitindo
resultados de um quebra-cabeça para a rede original.
Um minerador corrupto, na maioria das vezes, continuará trabalhando em sua
própria versão da blockchain, que neste caso não é transmitida para o resto da rede.
Com a segunda blockchain agora isolada da rede, o minerador corrupto pode gastar
seus Bitcoins na versão verdadeira da blockchain, aquela que todos os mineradores
estão seguindo.
Governança democrática
A blockchain, pelo menos a do Bitcoin, é programada de forma a seguir sempre
a cadeia mais longa, que é sempre vista como a blockchain legítima. Quem tem
o maior poder computacional ou poder de mineração provavelmente adicionará
blocos à uma cadeia muito mais rapidamente, resultando na blockchain mais longa
que acabaria sendo vista como a mais legítimo.
Um minerador corrupto tentará, assim, adicionar blocos à sua cadeia de forma
muito mais rápida, numa tentativa de torná-la mais longa como uma cadeia legítima.
Assim que a blockchain corrompida atingir o limite considerado mais longo, um
minerador corrompido, neste caso, a transmitirá para a rede como parte do processo
de iniciação de um ataque de 51%.
O resto da rede ao detectar a blockchain recém-corrompida, deixará de usar a
blockchain legítima original e mudará para a nova.
Reversão de transação
Assim que a blockchain corrompida é considerada a cadeia verdadeira, o protocolo
determina que todas as transações não incluídas nela sejam revertidas. Nesse
caso, um invasor acabaria recebendo um reembolso de todo seu Bitcoin gasto na
blockchain anterior que agora é considerada ilegítimo.
É o que geralmente é chamado de ataque de “gasto duplo” ou ataque de 51%.
Probabilidade de ataques de 51% ocorrerem
Tentativas de ataques de 51% à blockchain do Bitcoin são raros porque um invasor
precisaria de poder computacional ou de mineração para substituir o de milhões
de mineradores em todo o mundo. Para poder iniciar um ataque desse tipo, seria
necessário gastar uma quantia enorme de dinheiro para adquirir hardware de
mineração capaz de competir com o restante da rede.
O fato de mesmo os computadores mais poderosos do mundo não poderem competir
com milhões de outros computadores torna extremamente difícil a realização de
um ataque desse tipo. Os custos de eletricidade necessários para propagar esse
ataque também tornariam as operações irrealistas.
O que é Bitcoin? Guia para iniciantes 63
No entanto, isso não significa que não existam outras maneiras de iniciar um
ataque de 51%. Um bug no código de uma blockchain poderia, em alguns casos,
abrir a porta para um minerador produzir novos blocos de forma muito mais rápida,
portanto, estaria em posição de iniciar um ataque de 51%.
Tais ataques são comuns em blockchains menores com sistema de prova de
trabalho (Proof-of-Work ou PoW), pois nesse caso é necessário menos poder
computacional. A blockchain do Bitcoin nunca sofreu um ataque de 51%, em parte
porque se orgulha de um poder de hash ativo que é difícil de comprometer.
O que é Bitcoin? Guia para iniciantes 64
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