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Amane Carlitos
Emidio Sadique Quelimane
Guida Joaquim
Marcela Pedro Daima
Práticas Etnográficas do Moçambique Colonial e Pós - colonial
Licenciatura em Ensino de Química com Habilidade em Gestão Laboratorial
Universidade Rovuma
Instituto Superior de Recursos Naturais e Ambiente
2024
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amane carlitos
Emidio Sadique Quelimane
Guida Joaquim
Marcela Pedro Daima
Práticas Etnográficas do Moçambique Colonial e Pós - colonial
Trabalho de carácter avaliativo de antropologia
cultural de Moçambique, à ser apresentado no
Departamento de Ciências Naturais, Engenharia,
Tecnologia e Matemática, 2˚ ano, 2˚ semestre, sob
orientação do docente:
dr: Fauk Abdul Amede
Universidade Rovuma
Instituto Superior de Recursos Naturais e Ambiente
2024
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Sumário
Introdução..................................................................................................................................4
Práticas Etnográficas do Moçambique Colonial e Pós - colonial..............................................5
Práticas etnográficas de Moçambique colonial..........................................................................6
Práticas etnográficas de Moçambique pós-colonial...................................................................7
O Marxismo e a Antropologia....................................................................................................7
Práticas etnográficas em Moçambique: Antecedentes pós-coloniais.........................................8
A questão multicultural das línguas em Moçambique...............................................................8
Antropologia na África Colonial................................................................................................9
Construção de Categorias Sociais............................................................................................10
As ideias principais de Sir Edward Bumett Tylor sobre o povo africano...............................10
Impacto da Antropologia na Colonização................................................................................10
Métodos Antropológicos..........................................................................................................11
Principais Áreas de Interesse Contemporâneas........................................................................12
Referencias Bibliográficas.......................................................................................................14
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Introdução
As práticas etnográficas em Moçambique, tanto no período colonial quanto no pós-colonial,
oferecem uma rica tapeçaria de interações culturais, sociais e políticas. A etnografia, como
método de pesquisa, permite a compreensão profunda das dinâmicas sociais e das construções
identitárias em um contexto marcado por colonialismos, lutas pela independência e
transformações sociais. Neste estudo, buscamos explorar como as práticas etnográficas foram
moldadas por esses contextos históricos e como elas, por sua vez, influenciaram a construção
do conhecimento sobre Moçambique.
Objetivos
Geral:
Conhecer as práticas etnográficas em Moçambique, destacando suas características e
influências no período colonial e no pós-colonial.
Específicos:
Examinar as metodologias etnográficas utilizadas durante o período colonial e suas
implicações para a representação dos moçambicanos.
Investigar como as práticas etnográficas mudaram após a independência de
Moçambique e a emergência de novas vozes e narrativas.
Avaliar o impacto das práticas etnográficas na construção da identidade nacional
moçambicana e na preservação cultural.
Quanto a metodologia usada na realização do presente trabalho foi a de consulta de
referências bibliográficas que debruçam acerca do assunto em questão, que consiste na leitura
e interpretação dos dados, os respectivos autores estão citados dentro do trabalho e vem na
bibliográfica.
A organização importa referir que os conteúdos estão seqüenciados de acordo com amplitude
da sua complementaridade lógica, partindo da introdução que faz a apresentação do tema,
sugerindo objectivos a serem alcançados e apresenta o método pelo qual usado na elaboração
do mesmo.
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Práticas Etnográficas do Moçambique Colonial e Pós - colonial
Os estudos etnográficos são uma técnica, proveniente das disciplinas de Antrópologia Social,
que consiste no estudo de um objecto por vivência directa da realidade onde este se insere.
Estes estudos têm mostrado que o trabalho das pessoas é, normalmente, mais rico e complexo
do que o descrito pelas definições dos processos e pelos modelos dos sistemas.
Foi o antropólogo Suíço Henri-Alexandre Jonud que marcou o inicio das pesquisas
etnográficas de Moçambique, isso iniciou no século XIX quando a europa sofria
transformações em suas velhas estruturas sociais, da mesma forma que em toda a Europa
ocorreram reviravoltas políticas.
Patrick. (p37. 2007) Afirmava que,….
(….), As reviravoltas estiveram circunscritas aos embates entre a
emergência de novas ideias iluministas anti-religiosas, ao
questionamento do renascimento cristão e a laicização do Estado
nacional suiço.
As relações entre o clero e o Estado na Suíça eram muito íntimas. Em 1803, depois de
ocorrida a emancipação do domínio de Napoleão, houve grandiosa celebração das igrejas pela
eleição do primeiro Grande Conselho. Além disso, o Estado possuía, por volta de 1820,
muitos pastores em seu quadro de funcionários.
Foram criadas escolas dominicais. Estas escolas se espalharam as reflexões questionadoras
contra as antigas práticas religiosas da igreja catolica, a missao destes missionarios era de
expalhar pelo mundo a mensagem cristã, bem como a promoção contínua da reforma
religiosa. Junod acreditava que sua tarefa etnográfica era a de documentar uma civilização
estagnada.
JUNOD. ( 1996:21).Afirmava que,….
(….), Era possível que estes indígenas, por causa de quem tínhamos vindo
para a África, aproveitassem com um estudo desse género e viessem mais
tarde a ser-nos gratos por saberem o que haviam sido na sua vida primitiva.
É neste contexto que Henri-Alexandre Jonud vem para Moçambique com o objectivo de
desenvolver trabalhos religiosos (envangelização dos povos), e de um modo pessoas
desenvolver trabalhos antropólogos ligados as práticas etnográficas de Moçambique.
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Práticas etnográficas de Moçambique colonial
No período colonial, os portugueses preocupados com a dominação das sociedades nas suas
colónias, levam a cabo trabalhos etnográficos que numa primeira fase era efectuada por
missionários, administradores e voluntários afins. Estes períodos de recolha de dados dividiu-
se em duas fases:
1. Fase da antropologia missionária
Nesta fase a pesquisa etnográfica de Moçambique, foi levada a cabo por missionários e
administradores coloniais.
Como primeiro etimólogo e botânico em terras africanas, Junod, correndo contra a corrente
dos ventos de mudança e dinâmica cultural, se esforçou em instituir uma “antropologia de
resgate”, virada a capturar os aspectos primitivos dos seres vivos (botânica) e os usos e
costumes dos primitivos (etnologia) antes que a colonização, a modernidade e a rápida
expansão da urbanização os fizessem desaparecer.
2. Fase da investigação colonial
Esta fase divide-se em dois períodos:
2.1.A Missão Etnográfica e Antropológica de Moçambique (1936 a 1956 )
Neste período de Missão Etnográfica e Antropológica de Moçambique o governo colonial em
Moçambique desenvolveu pesquisas com objectivo de conhecer os grupos étnicos habitantes
em Moçambique, seus hábitos e costumes, com objectivo de dominação.
2.2. Missão de Estudos das Minorias Étnicas do Ultramar Português ( 1957 a 1960)
No segundo período intitulado Missão de Estudos das Minorias Étnicas do Ultramar
Português o governo colonial “administradores”, já estavam imbuídos de novos discursos
sobre a população da colónia, onde já eram concordantes no discurso quanto aos povos das
colónias, e criam-se decretos de integração dos indígenas no Estado português.
As atenções ficam viradas aos estudos de culturas locais. Neste período não se tratava mais
de medir índices cranianos ou avaliar provas de esforço físico (robustez para o trabalho); não
se tratava mais de conhecer apenas a disposição social e cultural dos povos de Moçambique,
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tratava-se sobretudo de salvaguardar os interesses fundamentais do colonialismo português
com vista a facilitar a gestão social das populações dominadas.
Foi assim que se criou, em Fevereiro de 1957, a Missão de Estudos das Minorias Étnicas do
Ultramar Português, sob o impulso do Professor Adriano Moreira (1922- ), director do Centro
dos Estudos Políticos e Sociais.
Nas suas duas fases, a Missão Antropológica de Moçambique desenvolveu suas actividades
em território nacional durante um período de vinte e três anos (1936-1959) tendo registado 44
trabalhos publicados, dos quais apenas 14 versam sobre a etnografia.
Práticas etnográficas de Moçambique pós-colonial
O Marxismo e a Antropologia
Marx também se preocupou pelo estudo das sociedades primitivas, preocupando-se com o
surgimento do capitalismo, ele se interessa pelo feudalismo e pelas sociedades primitivas.
Para Marx, a sociedade se divide em infra-estrutura (estrutura económica formada das
relações de produção e da força de trabalho) e supra-estrutura (que se divide em dois níveis: o
nível jurídico-político formado pelas normas e leis que correspondem a sistematização das
relações já existentes e o nível da estrutura ideológica: filosofia, arte, religião, etc., isto é,
conjunto de ideias de determinada classe social para defender seus interesses). De acordo com
este determinismo económico, Marx classifica a sociedade segundo o tipo predominante de
relações de produção.
Os países africanos adoptaram o marxismo, depois das independências. Assiste-se, por
exemplo, em Moçambique a criação de lojas do povo, cooperativas do povo, machambas do
povo, o salário era único para todos os funcionários, aldeias comunais.
A antropologia marxista passou a ser maioritariamente do terceiro mundo e foi adoptada pelo
3º congresso da Frelimo realizado em Maputo em 1977, pelo seu determinismo económico e
por ser promotora de igualdade de classes. Ela se centra sobre a análise das formas de
exploração (sexual – androcentrismo; laboral – eurocentrismo, etc.); para outros, a
diferenciação sexual é cultural e não biológica. Ela será empregue como expressão da
emancipação de uma classe social oprimida. As independências dos países africanos
fomentam a formação de um homem novo, caracterizado pela criação de uma nova identidade
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cultural onde os valores da sociedade tradicional (a etnia, a tribo e a região) são substituídos
pelo nacionalismo.
Portanto, a experiencia de uma antropologia critica, reflexiva só começa a ser desenvolvida a
partir de 1980, isto é logo após as independências das colónias, porque antes de um estudo
critico e reflectivos nas colónias fazia-se um estudo especulativo com o intento de denegrir a
própria cultura, isto é, tentar fazer com que os moçambicanos negassem a sua própria
identidade cultura.
Práticas etnográficas em Moçambique: Antecedentes pós-coloniais
Segundo Malinowski, para atingir melhores resultados na gestão e administração das
populações indígenas, o administrador colonial deveria se apoiar nas ciências antropológicas.
Após seu retorno das Ilhas Trobriand, Malinowski se esforçou em sensibilizar os futuros
administradores coloniais aos métodos da etnografia e aos aspectos práticos da disciplina
antropológica. A antropologia, segundo Malinowski, não deveria envolver-se numa procura
hipotética de um possível passado histórico de uma sociedade. Ao contrário, ela deveria
esforçar-se em compreender os processos históricos contemporâneos de contacto entre
sociedades (Pereira, 1998:19). Para Malinowski, o conhecimento do passado não passava de
uma busca gratuita: o administrador colonial, relacionando-se com homens, deveria antes de
tudo, interessar-se pelo presente e pelo futuro.
Logo após uma efectiva colonização administrativa e territorial, a metrópole ocupa
“cientificamente” as colónias com o objectivo de melhor conhecer, para melhor dominar. E
foi a partir desta ideia que começam a surgir as primeiras associações antropológicas a
trabalhar nas colónias. Para ilustrar melhor esse crescente investimento científico. Segundo
Ribeiro Thomaz (2002:106) Mendes Corrêa é “considerado o primeiro antropólogo português,
doutor em medicina pela Universidade do Porto, Mendes Corrêa destacou-se por desenvolver
estudos que, partindo da antropologia física e da antropologia criminal, passam cada vez mais
por um enfoque ora ‘etnopsicológico’, ora histórico e cultural, sem, contudo, abandonar
jamais.
A questão multicultural das línguas em Moçambique
A questão central na discussão do problema da língua ou das línguas em Moçambique é o
carácter multicultural da nossa sociedade. As relações de conflitualidade que ao longo da
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história têm marcado a convivência do português com as línguas moçambicanas são, afinal, o
rosto desfigurado da nossa multiculturalidade mal aceite.
Silva, T. (1998) defende que:
A questão multicultural refere-se a coexistência de diversas culturas dentro
de uma mesma sociedade enfatizando a importância do respeito e da
valorização das diferenças culturais.
Portanto, o carácter multicultural das línguas moçambicanas foi também alvo de estudos
antropológicos, até que em 1978 foi fundado o Núcleo de Estudo de Línguas Moçambicanas
(NELIMO).
Após uma pesquisa, o NELIMO defendia a tese de que a diversidade linguística de
Moçambique não era tão complexa como se pensava, pois haveria quatro grandes línguas que
poderiam servir como línguas veiculares para todo o território moçambicano, nomeadamente:
macua, nyanja, sena e shona (tsonga). Para os pesquisadores Gregório Firmino e Inês
Machungo, que chegaram a conclusões semelhantes, o português deveria permanecer como
língua oficial, símbolo da unidade nacional, enquanto as línguas bantu seriam preservadas
como símbolos da heterogeneidade cultural do país.
Antropologia na África Colonial
A antropologia na África colonial foi profundamente influenciada pelo contexto de
dominação europeia, que se intensificou a partir do final do século XIX. A disciplina emergiu
não apenas como uma forma de entender as culturas africanas, mas também como um meio de
justificar a colonização.
Segundo Silva, T. (1998) afirma que:
(….), Durante este período, a colonização se consolidou, e a antropologia se
desenvolveu como uma ferramenta para os colonizadores. A pesquisa
antropológica frequentemente ignorava as estruturas sociais e culturais
locais, retratando as sociedades africanas de forma superficial
A proveniência da Antropologia em África deve-se, como causa na Europa no século XV e
XVI, pelas descobertas de novos continentes e, mais tarde, com a colonização dos povos dos
novos continentes, sobre o continente africano. Em que, por sua vez, os colonizadores
estavam interessados em buscar entender esses africanos, dando partida com notícias sobre os
povos distantes, produzidas por viajantes ou missionários.
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A Conferência de Berlim que decorreu nos anos 1884-1885, onde as potências europeias
dividiram a África entre si, dando início a um período de colonização intensa. E em 1890-
1930 O auge da colonização na África, marcado por estudos antropológicos que buscavam
categorizar e classificar sociedades africanas.
Construção de Categorias Sociais
A ideia de "primitividade" foi central para a construção das categorias sociais pelos
antropólogos. Em textos da época, como os de Sir Edward Brent Taylor, as sociedades
africanas eram frequentemente descritas como "primitivas", justificando assim a
superioridade dos colonizadores.
As ideias principais de Sir Edward Bumett Tylor sobre o povo africano
Classificação das Culturas
Taylor via as culturas africanas como parte de um contínuo evolutivo. Ele acreditava que as
sociedades africanas estavam em um estágio mais "primitivo" em comparação com as
sociedades europeias. Essa noção justificava, para muitos colonizadores, a ideia de que era
seu dever "civilizar" os africanos.
Animismo e Religião
Em Primitive Culture, Tylor descreveu muitas sociedades africanas como praticantes de
animismo, uma crença em espíritos que habitavam objectos e seres naturais. Isso foi visto
como um exemplo de uma fase religiosa primitiva, contrastando com a religião organizada
que prevalecia na Europa.
Relação com a Ciência e a Razão
Tylor argumentava que as sociedades africanas careciam do que ele considerava um
pensamento racional e científico, que era um dos pilares da civilização ocidental. Essa visão
reforçou a ideia de que as culturas africanas eram inferiores e não dignas de respeito.
Impacto da Antropologia na Colonização
As ideias de Taylor e de outros antropólogos da época foram usadas para justificar políticas
coloniais. A noção de que os europeus eram superiores e que os africanos precisavam ser
"ensinados" e "civilizados" alimentou a narrativa colonial de dominação.
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Métodos Antropológicos
O uso de métodos como a observação participante em 1920-1930 se tornou mais comum,
embora frequentemente os antropólogos estivessem distantes da realidade das comunidades
que estudavam. O trabalho de Bronislaw Malinowski na Melanésia influenciou métodos,
mas sua aplicação na África foi problemática, pois frequentemente ignorava o contexto
colonial.
Malinowski, em Argonauts of the Western Pacific (1922), enfatizou a importância da
observação participante, defendendo que para entender uma cultura, o antropólogo deve viver
entre as comunidades que estuda. Ele introduziu a teoria do funcionalismo, sugerindo que
todos os aspectos de uma cultura têm funções que ajudam a manter a estabilidade social.
Malinowski criticou a abordagem eurocêntrica e argumentou que a cultura deve ser analisada
em seu próprio contexto, ressaltando que "a cultura é um sistema integrado de práticas que
atende às necessidades humanas".
Antropologia em Moçambique: Desenvolvimento Histórico e Principais Áreas de
Interesse Contemporâneas
Colonialismo e Antropologia
A antropologia em Moçambique durante o período colonial foi marcada por uma perspectiva
eurocêntrica, onde os pesquisadores frequentemente descreviam as culturas indígenas com um
viés de superioridade cultural. Esta abordagem limitou a compreensão das dinâmicas sociais
locais.
Independência e Novas Perspectivas
Com a independência em 1975, a antropologia começou a evoluir para incluir vozes locais e
realidades socioculturais, permitindo uma análise mais crítica e contextualizada das
dinâmicas sociais.
Conflito Civil
A guerra civil de 1977 a 1992 teve um impacto profundo na sociedade moçambicana.
Antropólogos começaram a investigar as consequências sociais e culturais do conflito,
incluindo questões de deslocamento forçado e suas implicações nas estruturas familiares e
comunitárias.
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Principais Áreas de Interesse Contemporâneas
Identidade e Cultura
Pesquisas contemporâneas sobre identidade em contextos de globalização e migração
exploram como diferentes grupos étnicos preservam suas tradições frente a influências
externas.
Desenvolvimento e Globalização
A análise das políticas de desenvolvimento e suas implicações sociais é uma área importante,
focando nas dinâmicas de resistência e adaptação das comunidades locais às mudanças
globais.
Saúde e Antropologia Médica
A antropologia médica investiga práticas de saúde tradicionais e suas interacções com
sistemas de saúde modernos, especialmente em resposta a epidemias como o HIV/SIDA.
Género e Antropologia Feminista
O estudo das questões de género, papéis sociais e como as mulheres navegam em contextos
de desigualdade social e económica é uma área crescente na antropologia moçambicana.
Antropologia Ambiental
Pesquisas sobre as relações das comunidades com seus ambientes naturais, incluindo a
conservação e os desafios das mudanças climáticas, são cada vez mais relevantes.
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Conclusão
Durante a colonização, a etnografia foi frequentemente utilizada como uma ferramenta de
controle, reforçando estereótipos e promovendo uma visão distorcida das culturas locais. Essa
abordagem não apenas desumanizava os povos africanos, mas também limitava a
compreensão das suas complexidades sociais e culturais. A intenção era mais a de classificar e
dominar do que de entender e respeitar.
Com a independência, a etnografia em Moçambique começou a se reinventar. Os etnógrafos
moçambicanos surgiram como vozes essenciais, buscando contar suas próprias histórias e
representar suas culturas de maneira autêntica. Este movimento não apenas desafiou as
narrativas coloniais, mas também promoveu uma valorização das identidades locais,
permitindo que as tradições e práticas culturais fossem vistas através de uma lente mais
respeitosa e inclusiva.
No entanto, essa evolução não vem sem desafios. A globalização e as mudanças sociais
contemporâneas apresentam novas dinâmicas que podem ameaçar a preservação das culturas
locais. As práticas etnográficas actuais precisam, portanto, navegar entre a valorização das
tradições e a adaptação às realidades modernas.
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Referencias Bibliográficas
1. Patrick (2007) . Junod e as sociedades africanas: impacto dos missionários suíços na
África austral. Maputo.
2. JUNOD . Usos e costumes dos Bantu. Tomo I. Maputo, Arquivo Histórico de
Moçambique, 1996.
3. Pereira, M. (1989). Antropologia ambiental: questões contemporâneas em
Moçambique. Editora JKL.
4. Santos , A. (1952). Estudos antropológicos em Moçambique. Editora MNO.
5. Silva, T. (1998). A guerra civil em Moçambique: impactos sociais e culturais. Editora
PQR.
6. Thomaz, L. (2011). Desenvolvimento e resistência em Moçambique: uma análise
crítica. Editora STU.