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UNIVERSIDADE LICUNGO
FACULDADE DE ECONOMIA E GESTÃO
LICENCIATURA EM GESTÃO DE EMPRESAS COM HABILITAÇÃO
EM GESTÃO FINANCEIRA- Ano 2
Empréstimos Obrigacionistas (Teoria)
Quelimane
2023
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3º Grupo
Edmilson de Nascimento E. Camilo
Eugénio José
Siamante Mucobora
Binigna Mujaide
Jorge Yassin Bordo
Danilo Zeca Lundo
Valério Bartolomeu Faria
Empréstimos Obrigacionistas (Teoria)
Trabalho científico de carácter avaliativo a ser entregue
e apresentado na cadeira Calculo Financeiro - II, sob a
orientação do docente:
Dr. Moisés F. Quissico
Quelimane
2023
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Sumário
Introdução ................................................................................................................................... 4
Parte I: ELEMENTOS DE PESQUISA ..................................................................................... 5
1.1. Empréstimos Obrigacionistas (Teoria) ................................................................................ 5
1.2. Objectivos ............................................................................................................................ 5
1.2.1. Geral ................................................................................................................................. 5
1.2.2. Especifico ......................................................................................................................... 5
1.3. Metodologia ......................................................................................................................... 5
Parte II: FUNCAMENTAÇÃO TEÓRICA ................................................................................ 6
Parte III: DESENVOLVIMENTO ............................................................................................. 7
3.1. Empréstimos Obrigacionistas .............................................................................................. 7
3.2. Quadro de amortização ...................................................................................................... 10
4. Modalidades de Amortização de Empréstimos Obrigacionistas .......................................... 11
4.1. Amortização Através de Prestações (Aproximadamente) Constantes .............................. 11
4.1.1. Sem Premio de Reembolso ............................................................................................. 11
4.1.2. Com Prémio de Reembolso ............................................................................................ 13
4.2. Através de Amortizações Constantes ................................................................................ 13
4.2.1. Sem Prémio de Reembolso ............................................................................................. 13
4.2.2. Com Prémio de Reembolso ............................................................................................ 14
4.3. Através de Amortização Única .......................................................................................... 14
5. Aspectos Específicos dos Empréstimos Obrigacionistas ..................................................... 14
5.1 Taxa Efectiva da Operação ................................................................................................. 14
5.1.1. Para o Subscritor ............................................................................................................. 15
5.1.2. Para a Emitente ............................................................................................................... 16
6. Conclusão ............................................................................................................................. 18
7. Referencia Bibliográfica ....................................................................................................... 19
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Introdução
No cenário financeiro global, as empresas enfrentam constantes desafios na busca
por recursos para financiar suas operações e projetos de expansão. Dentre as
diversas opções de captação de recursos disponíveis, os Empréstimos
Obrigacionistas emergem como uma alternativa significativa para as organizações
em busca de financiamento de longo prazo. Os Empréstimos Obrigacionistas são
uma modalidade de captação de recursos que envolve a emissão de títulos de
dívida por parte das empresas, os quais são adquiridos por investidores no
mercado de capitais. Esse mecanismo de financiamento desempenha um papel
crucial na alocação de recursos no ambiente empresarial contemporâneo.
Ao longo deste estudo, serão abordados conceitos fundamentais dos empréstimos
obrigacionistas, como o valor nominal, valor de emissão, emitente e mais. Além
disso, exploraremos a maneira como a Taxa Efectiva da Operação é calculada e
como ela reflete o custo real do financiamento para as empresas.
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Parte I: ELEMENTOS DE PESQUISA
1.1. Empréstimos Obrigacionistas (Teoria)
1.2. Objectivos
1.2.1. Geral
Estudo dos Empréstimos Obrigacionistas.
1.2.2. Especifico
Compreender o conceito de Empréstimos Obrigacionistas;
Estudo das Modalidades de Amortização dos Empréstimos
Obrigacionistas;
Identificar os Aspectos Específicos dos Empréstimos Obrigacionistas.
1.3. Metodologia
Para a realização do presente trabalho foram usados livros bem como de
conteúdos encontrados em sites da web, onde são todos mencionados na
referência bibliográfica.
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Parte II: FUNCAMENTAÇÃO TEÓRICA
Os Empréstimos Obrigacionistas representam uma alternativa importante para as
empresas na captação de recursos, oferecendo flexibilidade, diversificação e
acesso a capital de longo prazo. No entanto, é fundamental que as empresas
compreendam os riscos associados e as implicações financeiras e regulatórias ao
optarem por essa modalidade de financiamento.
Segundo Richard A. Brealey e Stewart C. Myers (2008) eles definem
Empréstimos Obrigacionistas como títulos de dívida emitidos por empresas, nos
quais a empresa se compromete a pagar juros periódicos e o valor principal na
data de vencimento. Eles destacam a importância desses instrumentos no
financiamento de projetos de longo prazo.
Empréstimos Obrigacionistas são uma forma de financiamento alternativa às
ações e empréstimos bancários, que permite às empresas captar recursos no
mercado de capitais mediante a emissão de títulos de dívida (EUGENE F.
BRIGHAM E JOEL F. HOUSTON, 2016)
É notório a existência de inúmeras definições diferentes para os Empréstimos
Obrigacionistas. Todavia, podemos definir Empréstimos Obrigacionistas, em
linhas gerais como títulos de dívida emitidos por empresas como forma de
captação de recursos financeiros. Esses títulos são disponibilizados para
investidores no mercado de capitais e representam uma promessa de pagamento
de juros periódicos e a devolução do valor principal investido na data de
vencimento.
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Parte III: DESENVOLVIMENTO
3.1. Empréstimos Obrigacionistas
Em um capítulo passado abordámos a amortização de empréstimos em que havia
apenas um mutuantes, ou seja, nos quais o empréstimo é concedido, na sua
totalidade por apenas uma entidade. Porém, há situações em que, devido à elevada
quantia desejada pelo mutuário, se revela necessário recorrer a mais do que um
mutuante (por exemplo, para financiar investimentos de grande envergadura,
normalmente de longo prazo).
Num cenário como esse, é frequente o recurso aos empréstimos obrigacionistas
(ou empréstimos por obrigações). Ao lançar um empréstimo obrigacionista, o
mutuário procura captar poupanças de varias entidades, instituições para financiar
o seu projecto, obrigando-se a reembolsar o respectivo capital e pagar os juros
devidos de acordo com determinadas condições previamente fixadas e divulgadas
na chamada ficha técnica do empréstimo.
Uma obrigação é um titulo representativo de uma divida, pelo qual a entidade
emitente se compromete a pagar aos seus detentores (os obrigacionistas) um dado
rendimento periódico (o juro) e a reembolsar o capital de acordo com o que tiver
sido estipulado, aquando da emissão, na referida ficha técnica.
Há inúmeros tipos de obrigações e varias modalidades de amortização de
empréstimos obrigacionistas, mas vamos fixar-nos nas obrigações de taxa fixa
(em que o juro pago aos subscritores é constante ao longo de todo prazo do
empréstimo) e em três modalidades de amortização: através de prestações
constantes, através de amortizações constantes e através de amortização única no
final do prazo do empréstimo. Nas duas primeiras, vamos considerar que a
amortização é efectuada por sorteio e consideraremos as hipóteses de não haver
qualquer premio de reembolso e de haver um prémio de reembolso contante.
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É de frisar que a abordagem que vamos efectuar centra-se nos aspectos
“financeiros” dos empréstimos obrigacionistas, não nos seus aspectos jurídico-
legal. Vejamos a seguir os conceitos relevantes para a nossa análise.
Emitente: é o mutuário (empresa, instituição financeira, Estado ou entidade
pública que lança o empréstimo obrigacionista).
Subscritores ou obrigacionistas: são os mutuantes (aqueles que compram
obrigações, ou seja, emprestam dinheiro à entidade emitente).
Vida do empréstimo: é a duração do empréstimo, ou seja, o tempo que decorre
o momento da emissão das obrigações e o pagamento da última prestação.
Maturidade: é a data em que ocorre o pagamento da última prestação do
empréstimo, ou seja, em que ele se extingue.
Valor Nominal (Vn): é o valor sobre o qual é calculado o juro.
Taxa de juro ou taxa de cupão (i): é a taxa (quase sempre, anual nominal) à qual
serão calculados os juros devidos aos obrigacionistas (assim, se os juros forem
pagos em subperíodos do ano, à taxa a utilizar é a correspondente taxa
proporcional). Na contagem dos dias para efeitos de cálculo dos juros considera-
se muitas vezes a utilização da base 30/360.
Valor de emissão (Ve): é o valor que os subscritores pagam pelas obrigações no
momento da sua emissão. Pode ser igual, superior ou inferior ao valor nominal,
dizendo-se respectivamente que a emissão é efectuada ao par, acima do par ou
abaixo do par.
Se Ve = Vn, a emissão diz-se ao par;
Se Ve ˃ Vn, a emissão diz-se acima do par’
Se Ve ˂ Vn, a emissão diz-se abaixo do par ou a desconto (pode funcionar
como um incentivo à compra da obrigação).
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Valor de reembolso (Vr): é o valor que os subscritores recebem pelas obrigações
quando são amortizadas. Pode ser igual, superior ou inferior ao valor nominal,
dizendo-se, respectivamente que o reembolso é efectuado ao par, acima do par
ou abaixo do par.
Se Vr = Vn, o reembolso diz-se ao par;
Se Vr ˂ Vn, o reembolso diz-se abaixo do par;
Se Vr ˃ Vn, o reembolso diz-se acima do par (pode funcionar como um
incentivo à compra da obrigação)
Forma de reembolso (modalidades de amortização): é a forma como a emitente
procede ao reembolso do capital aos subscritores. Podem ser as mais diversas mas
vamos analisar apenas três: através de prestações constantes (situação em que a
amortização de capital é crescente ao longo do tempo), através de amortização
de capital constantes (situação em que as prestações são decrescentes ao longo
do tempo) ou através de uma amortização única. Nos dois primeiros casos pode
acontecer existir um prazo de carência, isto é, a amortização do capital começar a
ser efectuada apenas alguns períodos apos a emissão do empréstimo
obrigacionista. Como sabemos, durante o prazo de carência são pagos apenas os
juros devidos.
Antes de analisarmos algumas modalidades de reembolso de empréstimos
obrigacionistas convencionemos a simbologia a adoptar e seu significado e
veremos também um quadro de Amortização genérico que possa responder às
situações que analisaremos.
Abreviatura Significado
Vn Valor nominal da obrigação
Ve Valor de emissão da obrigação
Vr Valor de reembolso da obrigação
i Taxa de juro (anual nominal)
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Dk Capital em dívida no momento k
Q ou Q v0 Número de obrigações emitidas e subscritas
n Duração do empréstimo (número de períodos)
jk Juro relativo ao período k
mk Amortização de capital relativa ao período k
Prk Prémio de reembolso relativo ao período k
pk Prestação relativa ao período k
Qk Número de obrigações reembolsadas no período k
Qvk Número de obrigações vivas no final do período k
3.2. Quadro de amortização
Períod Númer Valor nominal Juro do ano Número de Amort Premi Prestaç
o o de das obrig. vivas obrig. a ização o de ão a
(Prest. obrig. (2) = (1). 𝑉𝑛 reembolsar do ano reemb pagar
) vivas (3) = (2). 𝑖 olso
no (5)
(4) = [ ]
início 𝑉𝑟
do (5) (7)=(3)
períod (6) +(5)+(6
o )
(1)
1 𝑄 𝐷0 𝑗1 𝑄1 𝑚1 𝑃𝑟1 𝑝1
= 𝑄𝑣0
2 𝑄𝑣1 𝐷1 𝑗2 𝑄2 𝑚2 𝑃𝑟2 𝑝1
… … … … … … … …
n-1 𝑄𝑣𝑛−2 𝐷𝑛−2 𝑗𝑛−1 𝑄𝑛−1 𝑚𝑛−1 𝑃𝑟𝑛−1 𝑝𝑛−1
n 𝑄𝑣𝑛−1 𝐷𝑛−1 𝑗𝑛 𝑄𝑛 𝑚𝑛 𝑃𝑟𝑛 𝑝𝑛
Totais… 𝑄 = 𝑄𝑣𝑛 𝐷0
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4. Modalidades de Amortização de Empréstimos Obrigacionistas
No estudo dessas modalidades de amortização, deve ficar claro que muito daquilo
que for apresentado, sê-lo-á sobretudo na óptica do mutuário, ou seja da emitente.
É importante realçar este aspecto, porque nos empréstimos obrigacionistas, ele
não vai ter como contraparte, não apenas um mutuante, mas vários mutuantes.
Isto é, quando o mutuário amortiza uma parte do capital e paga os juros
respectivos, fá-lo relativamente a alguns obrigacionistas. Normalmente isso é
feito através de um sorteio. Por outro lado, não nos podemos esquecer que, agora,
aquilo que se esta amortizar, é um determinado numero de obrigações que,
compreensivelmente, deve ser um numero inteiro. Assim, pode acontecer que seja
necessário efectuar alguns ajustamentos, para que o capital a amortizar resulte
num número inteiro de obrigações, o que pode fazer com que as prestações não
sejam exatamente constantes, mas aproximadamente constantes.
4.1. Amortização Através de Prestações (Aproximadamente) Constantes
É uma forma de reembolso, em que não havendo prémio de reembolso, a
prestação é composta por duas parcelas: amortização de capital (mk ) e juro (jk ).
Este vai diminuindo ao longo do tempo, pelo que aquela vai aumentando. Se
houver prémio de reembolso, podem considerar-se duas situações:
1) O premio de reembolso é considerado “à parte” ou seja, a prestação
(constante) é apenas composta por amortização e juro (𝑝𝑘 = 𝑚𝑘 + 𝑗𝑘 );
2) O premio de reembolso é considerado como fazendo parte da prestação
(constantes), pelo que 𝑝𝑘 = 𝑚𝑘 + 𝑗𝑘 + 𝑃𝑟𝑘 . Está situação implica a
chamada normalização do empréstimo.
4.1.1. Sem Premio de Reembolso
Não havendo prémio de reembolso, Vn = Vr. Por outro lado, 𝑝𝑘 = 𝑚𝑘 + 𝑗𝑘 .
Assim, os passos a seguir com vista à elaboração do quadro de amortização são
os seguintes:
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1º) Calcular o valor da prestação (constante);
𝐷0 = 𝑝 ∙ 𝑎𝑛˥𝑖
Ou
𝑄 ∙ 𝑉𝑛 = 𝑝 ∙ 𝑎𝑛˥𝑖
O valor assim obtido designa-se habitualmente por prestação teórica na medida
em que, muitas vezes, o valor real da prestação não é exatamente aquele, devido
ao facto de ser necessário proceder a um ajustamento ao nível do número de
obrigações a amortizar, por forma a torná-lo inteiro.
2º) Calcular o valor do juro relativo ao primeiro período:
𝑗1 = 𝐷0 ∙ 𝑖
Ou
𝑗1 = 𝑄 ∙ 𝑉𝑛 ∙ 𝑖
3º) Calcular, por diferença, o valor relativo à amortização do primeiro período:
𝑚1 = 𝑝 − 𝑗1
4º) Calcular o número de obrigações que é possível amortizar com o valor
obtido no passo anterior:
𝑚1
𝑄1 =
𝑉𝑛
Pode acontecer que este valor não seja inteiro. Neste caso, arredondar-se-á para o
número inteiro mais próximo. Isto pode fazer com que o valor de todas as
prestações não sejam exactamente constantes, mas apenas aproximadamente
constantes. Se, no final, a soma de todas as obrigações amortizadas for diferente
do valor de obrigações emitidas (e, por hipótese, subscritas), efectuar-se-á o
ajustamento que revelar necessário.
Deve perceber-se que, nesta situação,
∑𝑛𝑘=1 𝑄𝑘 = 𝑄 (a soma de todas as obrigações amortizadas ao longo do
empréstimo é igual à totalidade das obrigações emitidas e, por hipótese,
subscritas)
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∑𝑛𝑘=1 𝑚𝑘 = 𝐷0 = 𝑄 ∙ 𝑉𝑛 (a soma das amortizações é igual ao montante do
empréstimo).
𝑚𝑘+1 = 𝑚𝑘 (1 + 𝑖) (lei das amortizações, em valor. Estes valores podem não ser
exactamente iguais, mas apenas aproximadamente iguais, pelas razoes já
apontadas).
𝑄𝑘+1 = 𝑄𝑘 (1 + 𝑖) (leis das amortizações, em quantidade – numero de
obrigações amortizadas em cada período. Estes valores podem não ser
exactamente iguais, mas apenas aproximadamente iguais, pelas razoes já
apontadas).
4.1.2. Com Prémio de Reembolso
Havendo prémio de reembolso, Vr ˃ Vn. Por outro lado, pode acontecer que se
pretenda a prestação (constante) seja apenas composta por amortização e juro
(𝑝𝑘 = 𝑚𝑘 + 𝑗𝑘 ), ou seja composta por amortização, juro e prémio de reembolso
(𝑝𝑘 = 𝑚𝑘 + 𝑗𝑘 + 𝑃𝑟𝑘 ).
4.2. Através de Amortizações Constantes
Neste caso as prestações (compostas por amortização de capital e juro) vão
diminuindo ao longo do tempo, uma vez que o capital amortizado em cada período
é constante e o juro vai diminuindo. Mesmo que as prestações incluam prémio d
reembolso, isso continua a acontecer. Nesta modalidade o prémio de reembolso é
constante. Tratando-se de uma modalidade que não oferece qualquer tipo de
problema, independentemente de haver ou não prémio de reembolso.
4.2.1. Sem Prémio de Reembolso
𝐷0
Nesta situação, o valor a amortizar em cada período é dado por 𝑚 = . Como
𝑛
𝑄∙𝑉𝑛 𝑄
𝐷1 = 𝑄 ∙ 𝑉𝑛, Também podemos dizer que 𝑚 = ⇔𝑚= ∙ 𝑉𝑛.
𝑛 𝑛
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4.2.2. Com Prémio de Reembolso
Esta situação requer apenas, relativamente à anterior, a inclusão de mais uma
coluna no quadro de amortização, para refletir o prémio de reembolso. A
prestação é, agora, superior à situação anterior exactamente no montante do
prémio de reembolso.
4.3. Através de Amortização Única
Neste caso, ao longo do prazo do empréstimo apenas se pagam os juros
periódicos, sendo a amortização do capital efectuada de uma só vez, no final do
prazo.
5. Aspectos Específicos dos Empréstimos Obrigacionistas
5.1 Taxa Efectiva da Operação
A taxa de juro (normalmente, anual nominal) serve apenas para calcular o juro
periódico a que o subscritor tem direito. Porém, nem sempre esta taxa reflete
exactamente o retorno que o subscrito obtém ou o custo em que a emitente incorre.
Na óptica do obrigacionista basta, por exemplo, que a emissão e/ou reembolso
não sejam efectuados ao par. Na óptica da emitente, o juro não é seguramente o
único custo que vai suportar com o empréstimo (registos legais, comissões
bancarias, publicidade, impostos, etc., designadas despesas de emissão)
Assim, é importante calcular a taxa efectiva associada a um empréstimo
obrigacionista, quer na perspectiva do subscritor, quer na perspectiva da emitente.
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5.1.1. Para o Subscritor
Na perspectiva de um subscritor que compra as obrigações no momento da
emissão e as mantém até ao reembolso, a compra das obrigações envolve os
seguintes fluxos:
Fluxos negativos: preço de compra das obrigações (por hipótese, valor de
emissão, Ve);
Fluxos positivos: juros recebidos até a data de reembolso (j1, j2, …,jk) e
valor de reembolso (Vr).
Admitindo, como temos vindo a fazer, que se trata de obrigações de taxa fixa,
reembolsadas por sorteio, o subscritor conhece o valor do juro que vai receber
periodicamente (j=Vn.i), mas não sabe até quando é que o vai receber, uma vez
que não conhece, a priori, a data em que as suas obrigações vão ser reembolsadas.
Isto é, só é possível efectuar o cálculo da taxa efectiva para o subscritor a
posteriori. Deve perceber-se que não é necessário calcular com o número exacto
de obrigações daquele subscritor; basta efectuar o cálculo da taxa efectiva por
obrigação (isto é, assumindo todos os valores em termos unitários).
Esquematicamente, temos na perspectiva do subscritor que é reembolsado no final
do período k (1 k n):
Desde modo, é fácil estabelecer a equação de equivalência que permite obter a
taxa efectiva para o subscritor cujo reembolso ocorre no momento k, que
representaremos por 𝑖𝑠𝑢𝑏 .
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De facto, os juros periódicos constituem uma renda de termos constantes, pelo
que a taxa efectiva para subscritor será uma taxa, 𝑖𝑠𝑢𝑏 , tal que
𝑉𝑒 = 𝑗 ∙ 𝑎𝑘˥𝑖𝑠𝑢𝑏 + 𝑉𝑟(1 + 𝑖𝑠𝑢𝑏 )−𝑘
Ou, o que é mesmo,
𝑉𝑒 = (𝑉𝑛 ∙ 𝑖) ∙ 𝑎𝑘˥𝑖𝑠𝑢𝑏 + 𝑉𝑟(1 + 𝑖𝑠𝑢𝑏 )−𝑘
5.1.2. Para a Emitente
Na perspectiva da emitente, a venda das obrigações envolve os seguintes fluxos:
Fluxos negativos: despesas suportadas na emissão (De), juros pagos (j1, j2,
…jn), amortizações efectuadas (m1, m2, …mn), se for o caso, prémios de
reembolso, designaremos neste ponto por 𝑚′𝑘 a soma da amortização de
capital com o prémio de reembolso (se este for 0, 𝑚′𝑘 = 𝑚𝑘), ou seja,
𝑚′𝑘 = 𝑚𝑘 + 𝑃𝑟𝑘 .
Fluxos positivos: montante encaixando com o empréstimo ([Link],
admitindo que todas as obrigações emitidas são subscritas).
Esquematicamente, temos:
Deste modo, a equação de equivalência que permite obter a taxa efectiva para
emitente, que representaremos por 𝑖𝑒𝑚𝑖 , será seguinte:
𝑛
𝑄 ∙ 𝑉𝑒 = 𝐷𝑒 + ∑ [(𝑚′𝑘 + 𝑗𝑘 )(1 + 𝑖𝑒𝑚𝑖 )−𝑘 ]
𝑘=1
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Se o reembolso do empréstimo for efectuado através de prestações constantes,
incluindo o prémio de reembolso, estamos na presença de uma renda de termos
constantes e a obtenção da taxa efectiva para a emitente é simples.
𝑄 ∙ 𝑉𝑒 = 𝐷𝑒 + 𝑝 ∙ 𝑎𝑛˥𝑖𝑒𝑚𝑖
Se o empréstimo dor reembolsado através de amortizações de capital (m)
constantes, ainda que haja prémio de reembolso, o seu valor será constante (Pr).
Esquematicamente temos:
Neste cenário, a equação de valor que permite obter 𝑖𝑒𝑚𝑖 será:
𝑛
𝑄 ∙ 𝑉𝑒 = 𝐷𝑒 + (𝑚 + Pr) ∙ 𝑎𝑛˥𝑖𝑒𝑚𝑖 + ∑ 𝑗𝑘 (1 + 𝑖𝑒𝑚𝑖 )−𝑘
𝑘=1
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6. Conclusão
Neste estudo, exploramos de forma abrangente os Empréstimos Obrigacionistas,
uma importante ferramenta de financiamento corporativo que envolve a emissão
de títulos de dívida para captar recursos de múltiplos investidores. Os
Empréstimos Obrigacionistas desempenham um papel fundamental em situações
em que a empresa necessita de financiamento substancial para projetos de grande
envergadura, normalmente de longo prazo.
Uma das características essenciais dos Empréstimos Obrigacionistas é a sua
diversidade. Existem inúmeras modalidades de amortização e tipos de obrigações,
o que permite que as empresas adaptem esses instrumentos às suas necessidades
específicas.
É crucial reconhecer que, nos Empréstimos Obrigacionistas, o mutuário não tem
apenas um mutuante, mas vários. Isso implica uma complexidade adicional na
gestão dos pagamentos de juros e amortizações, muitas vezes realizados através
de sorteio, e na necessidade de ajustar as prestações para garantir que o número
de obrigações a ser amortizado seja inteiro.
Além disso, a análise da taxa de juro é fundamental, pois ela não reflete
necessariamente o retorno real para o investidor ou o custo total para a empresa
emissora. Tanto os investidores quanto as empresas emissoras devem calcular a
Taxa Efectiva da Operação para avaliar de forma mais precisa os benefícios e
custos associados aos Empréstimos Obrigacionistas.
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7. Referencia Bibliográfica
Matias R. Calculo Financeiro, Teoria e Pratica. Lisboa, Portugal: Escolar Editara
Wikipédia. Obrigação (título de crédito). Disponível em:
[Link]
r%C3%A9dito)