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Tipos e Materiais de Coberturas de Edificações

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COBERTURAS
1. CONCEITO
A cobertura, parte superior da edificação que a protege das intempéries, normalmente
possui as seguintes partes constituintes: Estrutura de apoio; Trama (estrutura para
sustentação das telhas); Telhado e, em alguns casos, sistema de captação de águas
pluviais (Figura 1). Muitas vezes os termos cobertura e telhado são utilizados como se
fossem sinônimos, porém, cabe ressaltar que nem todo sistema de proteção superior de
um edifício, obrigatoriamente, constitui-se num telhado como, por exemplo, lajes com
espelho d’água, terraços e jardins suspensos.

As coberturas têm como função principal a proteção das edificações, contra a ação das
intempéries, atendendo às funções utilitárias, estéticas e econômicas. Em síntese, as
coberturas devem preencher as seguintes condições:
a) Funções utilitárias: impermeabilidade, leveza, isolamento térmico e acústico;
b) Funções estéticas: forma e aspecto harmônico com a linha arquitetônica,
dimensão dos elementos, textura e coloração;
c) Funções econômicas: custo da solução adotada, durabilidade e fácil
conservação dos elementos.
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1.1. Componentes da Estrutura de madeira


A estrutura de madeira é considerada como o conjunto de componentes ligados entre si,
com a função de suportar o telhado. Ela é composta por uma armação principal e outra
secundária, também conhecida por trama. A estrutura principal pode ser constituída por
tesouras, ou por pontaletes, e vigas principais, sendo a trama constituída pelas ripas, pelos
caibros e pelas terças.
Os componentes da estrutura, ilustradas na Figura 2 a seguir, são definidos como:

OBS: A definição de cada componente é apresentada na seção GLOSSÁRIO.

1.2. Componentes do Telhado


O telhado é a parte da cobertura constituída pelas telhas e peças complementares. Suas
partes podem assim ser definidas, conforme ilustram as Figuras 3 e 4:
3

2. FORMAS DO TELHADO
O telhado pode assumir diversas formas, em função da planta da edificação a ser coberta.

2.1. Uma água


O telhado mais simples é constituído por uma única água, sendo denominado telhado de
uma água ou alpendre (Figura 5), neste caso não estão presentes nem a cumeeira, nem
o espigão e nem o rincão.

2.2. Duas águas


O telhado de duas águas apresenta dois planos inclinados que se encontram para formar
a cumeeira (Figura 6). O fechamento da frente e fundo é feita com oitões.
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2.3. Três águas


O telhado de três águas, além de ter dois planos inclinados principais, apresenta um outro
plano em forma de triângulo que recebe o nome de tacaniça (Figura 7). Neste caso, além
da cumeeira, o telhado apresenta dois espigões.

2.4. Quatro águas


Caracterizada por coberturas de edificações quadriláteras, de formas regulares ou
irregulares. No caso de telhado com quatro águas, teremos duas águas mestras e duas
tacaniças (Figura 8).

2.5. Múltiplas águas


Coberturas de edificações cujas plantas são determinadas por superfícies poligonais
quaisquer, onde a determinação do número de águas é definida pelo processo do triângulo
auxiliar (Figura 9).

3. MATERIAIS
3.1. Madeira
Não devem ser empregadas na estrutura, peças de madeira que:
• sofreram esmagamentos ou outros danos que possam comprometer a segurança
da estrutura;
• apresentam alto teor de umidade, isto é, madeiras verdes;
• apresentam defeitos como nós soltos, nós que abrangem grande parte da seção
transversal da peça, fendas exageradas, arqueamento acentuado, etc.;
5

• não se adaptam perfeitamente nas ligações;


• apresentam sinais de deterioração, por ataque de fungos ou insetos.
As espécies de madeira a serem empregadas devem ser naturalmente resistentes ao
apodrecimento e ao ataque de insetos, ou serem previamente tratadas. Existe uma
extensa listagem de madeiras brasileiras que são adequadas para utilização em estruturas
de cobertura, permitindo a produção de peças serradas na forma de vigas, pranchas,
caibros, ripas, etc. Algumas das espécimes comumente utilizadas no estado do Rio
Grande do Norte são a Maçaranduba e o Angelim. As seções comerciais mais comuns
para madeira serrada são apresentadas a seguir (Tabela 1):

As superfícies de topo das peças de madeira da estrutura do telhado, expostas ao


ambiente exterior, devem ser tratadas pela aplicação de pintura impermeabilizante, como
por exemplo tinta a óleo ou esmalte sintético; podem ainda ser tratadas com óleo
queimado (Figura 10). Quando se tiver uma peça tratada e esta precisar ser cortada na
obra, a superfície de corte deve ser novamente tratada ou pintada.
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3.2. Argamassa
A argamassa a ser empregada no emboçamento das telhas e das peças complementares
(cumeeira, espigão, arremates e eventualmente rincão), deve possuir boa capacidade de
retenção de água, ser impermeável, ser insolúvel em água e apresentar boa aderência
com o material cerâmico. Consideram-se como adequadas as argamassas de traço 1:2:9
ou 1:3:12 (cimento : cal : areia, em volume) ou quaisquer outras argamassas com
propriedades equivalentes. Não devem ser empregadas argamassas de cimento e areia,
isto é, argamassas sem cal.
A areia deve ser isenta de torrões de argila, matéria orgânica ou outras impurezas.

3.3. Acessórios Metálicos


Os acessórios metálicos a serem empregados, como pregos, parafusos e chapas de aço,
devem ser protegidos contra corrosão; componentes que apresentarem sinais de
corrosão, isto é, ferrugem, não devem ser empregados na estrutura.

3.4. Telhas e Cobrimentos


O mercado oferece uma diversidade de materiais para telhamento de coberturas, cuja
escolha na especificação de um projeto depende de diversos fatores, entre eles o custo
que irá determinar o patamar de exigência com relação à qualidade final do conjunto,
devendo-se considerar as seguintes condições mínimas:
• Ser impermeável, sendo esta a condição fundamental mais relevante;
• Ser resistente o suficiente para suportar as solicitações e impactos;
• Possuir leveza, com peso próprio e dimensões que exijam menos densidade de
estruturas de apoio;
• Ser durável e devem manter-se inalteradas suas características mais
importantes;
• Proporcionar um bom isolamento térmico e acústico.

3.4.1. Telhas cerâmicas


As telhas cerâmicas são tradicionalmente usadas na construção civil. No Brasil, a NBR
15310 estipula alguns critérios de qualidade para estas telhas. A absorção de água não
deve ser superior a 20% e a tolerância de dimensões admitida é de ± 2,0% para as
dimensões de fabricação. As cargas de ruptura à flexão não devem ser inferiores a 1000
N (100 Kg) para telhas planas de encaixe (Ex: Telha francesa) e telhas simples de
sobreposição (Ex: Telha colonial) e 1300 N (130 Kg) para telhas compostas de encaixe
(Ex: Telha romana). Para fins de comercialização, a unidade é o metro quadrado de
telhado.
A seguir são apresentadas as características técnicas das principais telhas cerâmicas
utilizadas no Brasil. Para isso, são listadas a quantidade de telhas e peso por metro
quadrado e a inclinação mínima do telhado (Tabela 2).
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Além disso, as telhas cerâmicas não devem apresentar defeitos como fissuras, desvios
de dimensões, arestas quebradas, entre outros. Devem ter a superfície pouco rugosa,
tonalidade uniforme e um acabamento que facilite a montagem do telhado e a ligação
entre as peças e devem ter impermeabilidade compatível com o uso. Yazigi (2009)
descreve um método expedito para avaliação da impermeabilidade das telhas cerâmicas,
que consiste em moldar sobre a telha um anel de argamassa, no interior do qual se
deposita água até 5cm de altura. Conforme o autor, uma boa telha não deixa infiltrar
umidade em menos de 24 horas do início do ensaio, sendo que a umidade só aparece
após 48 horas e sem gotejamento.

3.4.2. Telhas de fibrocimento

As telhas de fibrocimento chegaram para substituir as tradicionais telhas de amianto, uma


substância nociva a saúde e que era utilizada na fabricação de telhas desde a década de
40. Em alguns casos o telhado de fibrocimento é mais barato do que de outras telhas
convencionais. O preço das telhas não difere muito. O grande porém é que a estrutura
para o produto em fibrocimento necessita de menos madeira e a instalação é mais
simples. Além disso, a montagem de um telhado de fibrocimento é mais prática e rápida
do que uma telha convencional. Além do menor consumo de madeira, que reduz o tempo
de montagem a telha de fibrocimento é maior, o que gera uma economia de tempo ao
instalar o produto no telhado.

No Brasil, são fabricados diversos modelos de telhas de fibrocimento. Dentre elas, é


possível destacar a telha ondulada (Figura 11), produto tradicionalmente utilizado em
coberturas residenciais, galpões, depósitos e obras em geral.
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Algumas características técnicas da telha ondulada são apresentadas a seguir (Tabela 2)

Obs: Os dados apresentados podem variar, dependendo do fabricante.

A fixação das telhas deve ser realizada com parafusos ou ganchos com rosca e vedação
com arruelas e buchas na segunda e na quinta onda (Figura 12).

Em cada telha de periferia da água do telhado (beirais ou faixas da cumeeira), colocar


sempre dois parafusos com rosca soberba ou ganchos com rosca por apoio nas cristas
da segunda e da quinta onda. Nas demais telhas pode-se optar, alternativamente, pela
colocação de dois ganchos chatos por apoio, na primeira e na quarta cava (Figura 13).

Dependendo da forma do telhado serão necessárias peças complementares, como por


exemplo: Cumeeiras, domo de ventilação, espigão normal, espigão plano (cumeeira
plana), placa de ventilação cumeeira, cantoneira, aresta, rufo, telha de claraboia, telha de
ventilação, etc. Em locais sujeitos a ventos fortes recomenda-se atenção especial para
assegurar que vãos livres, balanços e fixações atendam aos requisitos exigidos nessas
condições, conforme as normas ABNT NBR 7196 e NBR 6123.
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3.4.3. Telha termoacústica


A telha termoacústica (Figura 13) é uma nova opção para projetos de coberturas.
Também chamada de telha sanduiche, a cobertura reúne propriedades, que isolam a
temperatura e o som. A espessura padrão do isolante é de 30mm ou 50mm, mas pode
variar conforme a necessidade, principalmente em função do grau de isolamento térmico.
Por esta propriedade, as telhas podem ser apontadas como econômicas, já que garantem
o contole térmico dos ambientes e promovem menores gastos com ar-condicionado e
medidas que consomem energia. Consistem em telhas trapezoidais formando um
sanduíche e se caracterizam como telhas metálicas produzidas com chapas de aço
galvanizado. Por ser um material pré-fabricado, a sua maior vantagem e grande diferença
das telhas metálicas comuns, é a sua camada de isolante térmico entre as chapas
galvanizadas.

Principais vantagens:
• Isolamento térmico: controlam incêndios, conforto térmico e economia de energia
com refrigeração;
• Isolamento acústico: controle de ruídos;
• Menos gastos: são leves e não comprometem a estrutura de sustentação;
• Impermeável: reduz riscos de infiltração e goteiras da chuva;
• Durabilidade: elimina corrosão e ferrugem;

3.4.4. Telhas de alumínio

• é um material mais leve, e de maior custo;


• fornecidas em perfil ondulados e trapezoidais;
• refletem 60% das irradiações solares, mantendo o conforto térmico sob a
cobertura. São resistentes e duráveis;
• cuidado deve ser observado para não apoiar as peças diretamente sobre a
estrutura de apoio em metal ferroso, as peças devem ser isoladas no contato;
10

3.4.5. Telhas de concreto


• telhas produzidas com traço especial de concreto leve, proporcionando um telhado
com 10,5 telhas por metro quadrado e peso de 50 kg/m2;
• perfis variados com textura em cores obtidas pela aplicação de camada de verniz
especial de base polímero acrílica;
• alta resistência das peças, superior a 300 kg.

3.4.6. Chapas de policarbonato


• apresentadas em chapas compactas ou alveolares, transparentes ou translúcidas,
em cores, baixa densidade, resistentes a raios ultravioleta, flexíveis, material auto
extinguível não gerando gases tóxicos quando submetido a ação do fogo;
• a aplicação de chapas de policarbonato, devido a variedade de tipos e espessuras,
é a solução para inúmeras indicações, tais como: coberturas em geral, luminosos,
blindagem, janelas e vitrines etc.;
• basicamente as chapas de policarbonato podem ser instaladas em qualquer tipo
de perfil: de aço, alumínio ou madeira, porém, é necessário que tenham boa área
de apoio e folga para a dilatação térmica.

3.5. Cálculo prático para coberturas


Para se obter o número de telhas ou a érea de um pano de cobertura é necessário saber:
- A inclinação da cobertura:
I (%) = (h / A) x 100 , Onde: h = altura (m) e A = largura ou vão (m) (Figura 14)

- A área de projeção horizontal:


Área = A x C, Onde: A = largura ou vão (m) e C = comprimento (m) (Figura 14)

Em geral, a área no espaço, ou seja, a área do pano inclinado, pode ser determinada
multiplicando-se a área de projeção horizontal pelo fator de correção, conforme Tabela 3
a seguir:
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- Exemplo de cálculo:
Considerando uma cobertura com telha cerâmica colonial, em uma água, com inclinação
de 27%, e área de projeção horizontal de 50m². Tomando o rendimento da telha como 33
peças/m² e o fator de correção para a inclinação de 27% igual a 1,036, Temos que:

Número de telhas = Área x Fator x Rendimento


Número de telhas = 50,0 m² x 1,036 x 33 peças/m²
Número de telhas ≅ 1710 peças

4. DETALHES DOS ELEMENTOS DE CAPTAÇÃO DE ÁGUA


Os elementos de captação de águas pluviais de coberturas compõem o sistema de coleta
e condução das águas que vai desde o telhado propriamente dito até ao sistema público
de destinação dessas águas (drenagem superficial e subterrânea da via pública). Em
geral os elementos de captação e condução são executados em chapas de ferro
galvanizado, mas podem ser de PVC rígido, fibrocimento ou concreto armado
impermeabilizado (Figura 15).
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A colocação e fixação dos elementos de captação de água devem ocorrer pouco antes
do arremate final do telhado e o engenheiro deve verificar os seguintes pontos antes de
liberar a continuidade dos trabalhos, pois é prudente evitar retorno de operários sobre a
cobertura para fazer reparos para não causar danos às telhas e acessórios e com isso
provocar infiltrações e goteiras:
• conferir as emendas (soldas e rebites);
• verificar se o recobrimento mínimo é respeitado (8 cm em telhados comuns);
• fazer um teste de vazamento e caimento (ver se água fica parada em pontos da
calha);
• ver se existem juntas de dilatação em calhas com mais de 20 m;
• verificar os pontos de impermeabilização.
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5. ETAPA DE EXECUÇÃO

5.1. Condições para o início dos serviços

As lajes, vigas, pilares ou paredes que tenham sido calculadas para suportar a sobrecarga
resultante da estrutura de madeira e telhas devem estar concluídas. As descidas de águas
pluviais, as calhas coletoras e quando for o caso a platibanda devem estar concluídas e
impermeabilizadas. Caso não haja detalhamento do telhado, o engenheiro deve definir os
parâmetros para execução em função das recomendações do fabricante de acordo com
o tipo/dimensões da telha escolhida (catálogo técnico). Devem estar definidos a inclinação
do telhado, o espaçamento entre terças (vão livre), o sentido da montagem, os
recobrimentos laterais e longitudinais, os cortes dos cantos se necessário, etc. As telhas
devem estar armazenadas próximas ao local onde será executado o serviço. Todos os
EPI’s que serão usados devem estar disponíveis para a execução do serviço. Por fim,
não é recomendável executar o serviço com chuva ou ventos fortes.

5.2. Execução da estrutura de madeira


Executar os apoios das terças, que podem ser em colunas de alvenaria, em pontaletes
de madeira (Figura 16) ou na tesoura de madeira (Figura 17), nesse último caso,
recomenda-se posicionar as terças sobre os nós das tesouras, conforme indicado na
Figura 17. Estas terças devem ser apoiadas e fixadas nas empenas de tesouras ou nas
vigas principais de estruturas pontaletadas, mediante o emprego de chapuzes de
madeira, cantoneiras metálicas, tarugos de madeira, parafusos passantes ou quaisquer
outros dispositivos similares, conforme indicado nas Figuras 16 e 17.
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O espaçamento transversal (entre terças) e o longitudinal (Vão livre máximo da terça)


dependem de diversos fatores, como por exemplo: Resistência da madeira empregada,
dimensões da peça serrada, Peso específico da telha, etc. Nesse sentido, alguns autores
desenvolveram um método prático de dimensionamento, levando em consideração o tipo
de madeira (Tabela 4) e de telha (Tabelas 5 e 6). Contudo, é sempre recomendável o
dimensionamento estrutural da cobertura.
Tabela 4 - Algumas espécies de madeiras indicadas para a estrutura de telhado (IPT)

Tabela 5 - Vão máximo das terças (m)

Tabela 6 - Vão máximo dos caibros (m)

As emendas de terças devem ser feitas, preferencialmente, a aproximadamente 1/4 do


vão, com chanfros à 45° no sentido do diagrama de momentos fletores, conforme indicado
na Figura 18.
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Recomenda-se que as emendas sejam feitas com cobre juntas de madeira, posicionadas
nas duas faces laterais da terça, conforme representado na Figura 19.

O espaçamento real entre caibros deve ser dado em função das características das ripas,
recomendando-se que não seja ultrapassado o limite de 50cm. Os caibros devem ser
pregados às terças, sendo que a penetração do prego na terça deve equivaler no mínimo
à metade do comprimento do prego, conforme ilustrado na Figura 20. Para madeiras
naturalmente resistentes à umidade, ou que receberam tratamento preservativo
adequado, admite-se a fixação "total” do caibro em lajes inclinadas de concreto armado.
Nesse caso, a fixação do caibro à laje pode ser efetuada mediante a cravação de pregos
ao longo do caibro, sendo o conjunto chumbado ao concreto por ocasião da moldagem
da laje, conforme representado na Figura 21.

Sempre que possível, deve-se evitar a emenda de caibros. Quando houver essa
necessidade, a emenda entre caibros deve ser feita sobre a terça conforme sua
espessura, ou seja, se a espessura da terça for maior ou igual a 5cm pode ser feita uma
emenda de topo, caso contrário, deve ser feita uma emenda com transpasse lado a lado,
obedecendo-se assim uma das maneiras indicadas na Figura 22. Os caibros devem ser
posicionados, com o auxílio de uma ripa de madeira, sobre as terças, iniciando-se pela
extremidade.
16

O espaçamento entre ripas (galga) é dado em função das dimensões da telha cerâmica
e do recobrimento longitudinal. Deve-se construir, portanto, uma guia para ripamento com
base nas dimensões das telhas a serem empregadas. Para isso, é recomendado montar
uma fiada de telhas próximo ao comprimento do telhado para determinar um comprimento
médio que será utilizado como galga (Figura 23);

Após a determinação da galga, colocar as ripas partindo-se dos beirais em direção as


cumeeiras, com o auxílio da guia, atentando para o alinhamento das mesmas durante a
colocação. As emendas de ripas devem ser feitas de topo, sempre sobre os caibros;
O primeiro apoio da primeira fiada de telhas (beiral) pode ser constituído por duas ripas
sobrepostas ou por testeiras (Figura 24), de forma a compensar a espessura das telhas
e garantir o plano do telhado. Também devem ser pregadas ripas duplas na última fiada
(próxima da cumeeira).

As ripas são simplesmente pregadas aos caibros, sendo que a penetração do prego no
caibro deve ser pelo menos igual à metade ao seu comprimento (o esquema e semelhante
ao da Figura 20). As emendas de ripas devem ser feitas de topo, sempre sobre os caibros.
As ripas podem ainda ser fixadas diretamente sobre lajes inclinadas através de parafusos
e buchas, conforme representado na Figura 25.
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A depender do tipo de madeira utilizado na estrutura, recomenda-se imunizar as peças


de madeira com solução fungicida e inseticida.

5.3. Cobertura com Telhas Cerâmicas:


A colocação das telhas deve ser feita por fiadas, iniciando-se pelo beiral e prosseguindo
em direção à cumeeira. A aplicação das telhas de capa e canal (tipo colonial, paulista e
plan) deve ser iniciada pela colocação dos canais, posicionando-se com sua parte mais
larga voltada para cima, isto é, em direção à cumeeira (Figura 26). Os canais devem ser
espaçados o máximo possível dentro da largura das capas, isto é, de maneira que as
capas se apoiem nas abas laterais dos canais. Os canais das fiadas superiores devem
ser posicionados sobre aqueles das fiadas inferiores, conforme as saliências e
reentrâncias eventualmente existentes, observando-se sempre um recobrimento
longitudinal mínimo de 60mm entre eles. As capas são posicionadas sobre os canais com
a parte mais larga voltada para baixo, isto é, em posição oposta a dos canais; as capas
das fiadas superiores também são posicionadas sobre aquelas das fiadas inferiores,
conforme o desenho das telhas, observando-se o recobrimento longitudinal mínimo de
60mm.
18

Durante a execução do telhado, deve-se dispor pilhas de telhas sobre a trama, nos
cruzamentos dos caibros com as ripas, evitando que o montador caminhe com telhas na
mão sobre a parte já coberta (Figura 27). Para a distribuição das telhas pode-se dispor
algumas tábuas longitudinais (direção da água) sobre o madeiramento, de forma que os
montadores possam caminhar sobre elas.

O primeiro apoio da primeira fiada de telhas deve ser constituído por duas ripas
sobrepostas ou por testeiras (tabeiras), de forma a compensar a espessura da telha e
garantir o plano do telhado, conforme mostrado anteriormente na Figura 24.
As telhas de capa e canal devem ter as capas emboçadas com a argamassa definida no
item 3.2. No caso de beirais laterais, a proteção pode ser feita conforme indicado na
Figura 28, mediante o emboçamento de peças cerâmicas apropriadas (cumeeiras ou
capas de telhas do tipo capa e canal).

A cumeeira deve ser executada, de preferência, com peças cerâmicas denominadas


"cumeeiras"; quando não se dispuser de tais peças podem ser utilizadas capas de telhas
do tipo capa e canal. Essas peças devem ser cuidadosamente encaixadas e emboçadas
na cumeeira do telhado, (empregando-se a argamassa especificada no item 3.2),
obedecendo-se um sentido de colocação contrário ao dos ventos dominantes (Figura 29),
deve-se observar ainda um recobrimento longitudinal mínimo de 60mm entre as peças
subsequentes.
19

O espigão pode ser executado com peças de cumeeiras ou capas das telhas de capa e
canal, como as do tipo colonial. No espigão, as peças são colocadas do beirai em direção
à cumeeira, observando-se o recobrimento longitudinal mínimo de 60mm entre elas
(Figura 30).

As peças devem ser emboçadas com a argamassa definida no item 3.2. As telhas das
águas do telhado são cortadas nos seus encontros com o espigão, de forma que o
recobrimento entre as peças de espigão e as telhas seja no mínimo igual a 30mm.
O rincão é geralmente constituído por uma calha metálica (chapa de aço galvanizado)
fixada na estrutura de madeira do telhado. As telhas, ao atingirem o rincão, devem ser
cortadas na direção do rincão de tal forma que recubram a calha metálica em pelo menos
60mm de cada lado. A largura livre da calha deve ser de aproximadamente 150mm, sendo
que suas bordas devem ser viradas para cima para não permitir o vazamento da água
que ali se acumula (Figura 31).
20

Os arremates, encontros do telhado com paredes paralelas ou transversais ao


comprimento das telhas devem ser executados empregando-se rufos metálicos ou
componentes cerâmicos, de forma a garantir a estanqueidade do telhado, conforme
mostram as Figuras 32 e 33.

5.4. Cobertura com Telhas de Fibrocimento


Proceder a montagem das telhas de baixo para cima (do beiral para cumeeira ou da calha
para a platibanda), em faixas perpendiculares às terças de apoio. As águas opostas
devem ser montadas simultaneamente. As telhas devem ser montadas, de preferência,
no sentido contrário aos ventos dominantes na região, a fim de garantir maior
estanqueidade da cobertura (Figura 34).

Não se deve pisar diretamente sobre as telhas, para isso devem ser usadas tábuas, de
modo a permitir livre movimentação dos montadores. As tábuas devem ser colocadas de
maneira a distribuir os esforços nos pontos de apoio das telhas (terças) (Figura 35).
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Obedecer durante a montagem os recobrimentos laterais e longitudinais, previamente


definidos em função do tipo de telha e inclinação do telhado de acordo com cada
fabricante e conforme exemplo retirado de um catálogo técnico (Figura 36).

Confira a distância máxima entre apoios e a inclinação mínima do telhado, conforme


detalhamentos retirados de um catálogo técnico (Figura 37).

Nos encontros das telhas, para evitar a sobreposição de quatro espessuras, os cantos
das telhas intermediárias devem ser cortados na diagonal (veja o esquema abaixo, Figura
38). O corte de canto é obrigatório, pois evita o surgimento de frestas, que possibilitam a
entrada de luz e água, e impede deformações nas telhas.
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A fixação das telhas às terças de madeira deve ser feita através de parafusos apropriados,
juntamente com o conjunto de vedação, seguindo as recomendações apresentadas
anteriormente (Item 3.4.2) e (Figuras 12 e 13).
Nunca instale as telhas por fiada ou instale de todo um lado para só depois iniciar o outro.
Isso causa problemas na instalação das cumeeiras, além de prejudicar a estrutura do
telhado devido ao peso mal distribuído.
Os arremates do telhado com paredes devem ser executados com rufos. O rufo deve ser
posicionado de modo que a aba plana fique a uma distância mínima de 2 cm da parede
para que o telhado possa se movimentar. Para vedar esse espaçamento, deve ser
colocado o contra-rufo em chapa galvanizada fixado na parede.
DICAS:
• Observar que os furos para a fixação devem ter uma folga de 2mm para a
movimentação das telhas;
• Não deixe as telhas soltas sobre a estrutura de apoio sem que a fixação esteja
completa.
• Evite martelar com excessiva força os pregos de fixação sob o risco de trincas nas
telhas.
• Utilize os equipamentos de segurança necessários para a execução do serviço em
altura.
• Se o telhado for muito inclinado, amarre as tábuas utilizadas na instalação das
telhas.
• Instalar a telha com o carimbo do fabricante virado para cima.
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GLOSSÁRIO NA ÁREA DE EXECUÇÃO DE COBERTURAS


• Água – é o tipo de caimento dos telhados em forma retangular ou trapezoidal (uma
água, duas águas, três, quatro águas).
• Alpendre - cobertura suspensa por si só ou apoiada em colunas sobre portas ou vãos.
Geralmente, fica localizada na entrada da edificação.
• Amianto – originado do mineral chamado asbesto, composto por filamentos delicados,
flexíveis e incombustíveis. É usado na composição do fibrocimento.
• Beiral – parte da cobertura em balanço que se prolonga além da prumada das
paredes.
• Caibros – peças e madeira que ficam apoiadas sobre as terças para distribuir o peso
do telhado.
• Calha – é canal ou duto em alumínio, chapas galvanizadas, cobre, PVC ou latão que
recebe as águas das chuvas e as leva aos condutores verticais.
• Cavalete – é a estrutura de apoio de telhados feita em madeira, assentada
diretamente sobre laje.
• Chapuz – é o calço de madeira, geralmente em forma triangulas que serve de apoio
lateral para a terça ou qualquer outra peça de madeira.
• Claraboia – é a abertura na cobertura, fechada por caixilho com vidro ou outro material
transparente, para iluminar o interior.
• Contrafrechal – é a viga de madeira assentada na extremidade da tesoura.
• Cumeeira – parte mais alta do telhado no encontro de duas águas.
• Empena ou perna - São as partes inclinadas da tesoura. Definem a declividade do
caimento do telhado.
• Espigão – interseção inclinada de águas do telhado.
• Frechal – é a componente do telhado, a viga que se assenta sobre o topo da parede,
servindo de apoio à tesoura. Distribui a carga concentrada das tesouras sobre a
parede.
• Oitão ou frontão - cada uma das duas paredes laterais onde se apoia a cumeeira nos
telhados de duas águas.
• Platibanda – mureta de arremate do telhado, pode ser na mesma prumada das
paredes ou com beiral.
• Policarbonato - Material sintético, transparente, inquebrável, de alta resistência, que
pode substituir o vidro, proporcionando grande luminosidade.
• Recobrimentos – são os transpasses laterais, inferior e superior que um elemento de
cobrimento (telha) deve ter sobre o seguinte.
• Rincão (água furtada) – canal inclinado formado por duas águas do telhado.
• Ripas – são as peças de madeira de pequena esquadria pregadas sobre os caibros
para servir de apoio para as telhas.
• Tacaniça – é uma água em forma triangular.
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• Terças – são as vigas de madeira que sustentam os caibros do telhado, paralelamente


à cumeeira e ao frechal.
• Tirante ou Linha – é a viga horizontal (tensor) que, nas tesouras, está sujeita aos
esforços de tração.
• Treliça – é a armação formada pelo cruzamento de ripas de madeira. Quando tem
função estrutural, chama-se viga treliça e pode ser de madeira ou metálica.
• Varanda – área coberta ao redor de bangalôs (casas térreas), no prolongamento do
telhado.

BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE CONSTRUÇÃO INDUSTRIALIZADA. Manual
técnico de fibrocimento. São Paulo: Pini, 1988. 180p.
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Científicos Editora S.A., 1994. 935p.
DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL DA UEPG. Notas de aulas da disciplina de Construção Civil.
Carlan Seiler Zulian; Elton Cunha Doná. Ponta Grossa: DENGE, 2000-2001.
DIRETÓRIO ACADÊMICO DE ENGENHARIA CIVIL DA UFPR. Notas de aulas da disciplina de
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ETERNIT. Catálogo personalizado on-line. Disponível na página:
http://www.eternit.com.br/etertools/catalogo/. Acessado em 06/09/2001.
GUEDES, Milber Fernandes. Caderno de encargos. 3ª ed. atual. São Paulo: Pini, 1994. 662p.
KLOSS, Cesar Luiz. Materiais para construção civil. 2ª ed. Curitiba: Centro Federal de Educação
Tecnológica, 1996. 228p.
PETRUCCI, Eládio G R. Materiais de construção. 4ª edição. Porto Alegre- RS: Editora Globo, 1979. 435p.
RIPPER, Ernesto. Como evitar erros na construção. 3ª ed.rev. São Paulo: Pini, 1996. 168p.
RIPPER, Ernesto. Manual prático de materiais de construção. São Paulo: Pini, 1995. 253p.
SOUZA, Roberto...[et al.]. Qualidade na aquisição de materiais e execução de obras. São Paulo: Pini,
1996. 275p.
VERÇOSA, Enio José. Materiais de construção. Porto Alegre: PUC.EMMA.1975.

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