John Locke nasceu em 1632 e faleceu em 1704 foi um filósofo, médico e pensador
político inglês, conhecido por suas contribuições fundamentais para a filosofia política e
a teoria do conhecimento. Ele nasceu em Winston, Somerset, Inglaterra, e teve uma vida
repleta de influências e realizações significativas. Locke estudou na Universidade de
Oxford, onde se destacou em disciplinas como medicina e filosofia. Sua formação
médica posteriormente o levou a desempenhar um papel ativo no campo da medicina,
incluindo trabalhos relacionados à saúde pública. Locke teve um impacto profundo na
filosofia política, no desenvolvimento do pensamento iluminista e na evolução das
teorias democráticas. Sua influência continua a ser sentida na política e na teoria do
conhecimento até os dias de hoje, tornando-o uma figura seminal na história intelectual
e política.
Como sabemos John Locke foi um filósofo inglês do século XVII conhecido por suas
contribuições significativas para a filosofia política e epistemologia. Seus escritos
abordaram diversos tópicos, mas alguns dos principais temas que Locke procurou
abordar incluem, Teoria do conhecimento, Natureza humana, Teoria política e
Tolerância religiosa. Estes são alguns dos principais temas que John Locke explorou em
suas obras, e suas ideias tiveram um impacto duradouro na filosofia, na teoria política e
nos princípios democráticos que moldaram sociedades ao redor do mundo.
Como acabamos de ver Locke é um filosofo que se dedicou a várias áreas do
conhecimento, e foi um dos maiores pensadores políticos da história. Em uma de suas
ideias politicas ele vai pensar como o homem iniciou ou qual foi o motivo de começar
uma sociedade, e porque o estado formado por esta sociedade é tão importante.
Para começarmos a ver como Locke trata esta questão devemos primeiro retornar a
ideia de Hobbes, onde vimos a uma semelhança entre os dois filósofos já que ambos
acreditavam que a única maneira efetivamente razoável de justificar a existência do
poder político seria através da metodologia contratualista. No entanto, diferente de seu
predecessor, Locke não tinha uma visão tão pessimista da natureza humana. A princípio
não vemos muitas diferenças entre os dois além desta, mas por conta desta diferença
básica veremos que os ideais de governo serão diferentes, levando Hobbes a pensar um
estado mais absolutista, que é um sistema de governo em que um monarca, como um rei
ou rainha, possui poder político absoluto e não está sujeito a limitações legais
significativas. Esse sistema é caracterizado pela centralização do poder nas mãos do
monarca, a ausência de limitações legais, frequentemente justificada pela crença na
origem divina da autoridade do monarca.
Já Locke será mais liberal sendo até mesmo considerado pai do liberalismo politico que
é uma corrente política e moral baseada na liberdade, consentimento dos governados e
igualdade perante a lei.
Por tanto podemos perceber que para Jonh Locke os humanos não são totalmente
egoístas, já que temos senso moral, mostrado para nós humanos oque é certo ou errado.
Por tanto os humanos ainda para Locke em seu estado de natureza são seres racionais,
livres, mas não são por natureza bons. Até aqui podemos ver que mesmo no estado de
natureza que é um estado sem lei ainda a justiça, está chamado por ele de lei da natureza
que nos mostra de forma racional oque realmente é certo ou errado, e mesmo que haja
um estado e que este coloque leis que vão contra a moral do povo, ainda sim eles
saberão qual é a forma mais justa de tratar sobre aquela questão. Por conta desta justiça
pela razão ainda surge a igualdade no estado de natureza, onde os homens percebem que
são iguais e por tanto devem se respeitar de modo igual.
Com tudo, ainda na lei natural que acabamos de ver que ela se divide em mais uma
parte onde se chamara de direitos naturais, como o próprio nome diz são os direitos que
todo ser humano merece ter como o direito a vida, liberdade e a propriedade privada. De
acordo com Locke, o direito à propriedade privada é fundamentado no trabalho humano
e na mistura do trabalho com recursos naturais. Ele argumenta que, no estado de
natureza, a Terra e seus recursos são considerados comuns a todos, mas quando um
indivíduo trabalha na terra ou nos objetos naturais, ele investe seu esforço e, portanto,
adquire um direito de propriedade sobre o que foi transformado pelo seu trabalho.
Locke acreditava que a propriedade privada é uma extensão do direito natural do
indivíduo sobre si mesmo e sobre o fruto de seu trabalho.
Locke também enfatiza que a aquisição de propriedade privada deve ser limitada pelo
princípio da "proporção e limitação", ou seja, uma pessoa só pode apropriar-se de
recursos naturais na medida em que haja recursos suficientes e de qualidade para os
outros, e a aquisição não pode prejudicar ninguém. Esse aspecto limitador é importante
para garantir que a aquisição de propriedade não leve à escassez ou à injustiça para os
outros.
Mas aí entra a primeira questão se o estado de natureza já avia justiça e era algo
relativamente bom para o humano porque ele resolveu sair dele? Pois já á uma lei que
limita o egoísmo humano.
Locke reconhecia que, mesmo com essa lei moral, conflitos poderiam ocorrer no estado
de natureza. O problema, como ele via, era a ausência de uma autoridade superior para
aplicar essa lei e resolver disputas de forma imparcial. No estado de natureza, cada
indivíduo poderia ser seu próprio juiz e aplicar a lei moral de acordo com sua
interpretação, o que poderia levar a desentendimentos e conflitos. Portanto, a solução
proposta por Locke era a formação de sociedades civis e governos. Ao criar um
governo, as pessoas poderiam estabelecer uma autoridade superior que aplicaria a lei de
forma imparcial e resolveria conflitos de maneira justa. Essa autoridade, de acordo com
Locke, deveria ser limitada pelo consentimento dos governados e deveria proteger os
direitos naturais, incluindo o direito à propriedade, que estava no centro de sua filosofia
política. Portanto, o governo tinha o papel de garantir a paz, a segurança e a proteção
dos direitos individuais.
Para Locke, o contrato social não envolve a renúncia completa da liberdade, e seu
propósito principal é garantir uma aplicação mais eficiente da justiça da lei da natureza
e uma proteção mais segura dos direitos naturais. Locke argumentava que o governo
não deveria ter um poder absoluto, mas sim deveria ser limitado. O governo, em sua
visão, existia para proteger os direitos básicos, incluindo o direito à vida, à liberdade e à
propriedade. A lei civil, que é estabelecida pelo governo, deve ser uma extensão e
expressão da lei natural, visando garantir a execução justa e eficaz dos direitos naturais.
Portanto, o poder do governo era limitado pelo respeito aos direitos naturais e pela
necessidade de aplicar a lei da natureza de maneira imparcial.
Locke também enfatizava que o povo tinha o direito de se rebelar contra um governo
que não cumprisse seu papel de proteger os direitos naturais e a lei moral. Ele
argumentava que, se o governo se tornasse tirânico e violasse os direitos dos cidadãos, o
contrato social seria quebrado, e o povo teria o direito e até mesmo o dever de se rebelar
para restaurar a liberdade e a justiça.
John Locke, em sua filosofia política, não apenas advogava pela limitação do poder do
Estado, mas também propunha uma estrutura específica para alcançar essa limitação.
Embora a divisão dos poderes do Estado seja frequentemente associada a Montesquieu,
é importante notar que John Locke, em sua obra "Segundo Tratado sobre o Governo
Civil", antecedeu Montesquieu ao esboçar a ideia de divisão de poderes em um governo.
Locke estipulou a existência prática de dois poderes governamentais fundamentais,
Poder Legislativo onde o poder é responsável por fazer leis. Este deveria representar o
povo e ser eleito por ele. Era o órgão encarregado de criar leis que estivessem de acordo
com a lei natural e que não violassem os direitos individuais. Locke acreditava que as
leis deveriam ser justas e aplicadas de forma imparcial.
E ainda temos o poder executivo que tinha a função de aplicar as leis criadas pelo poder
legislativo. Embora Locke não tenha detalhado a estrutura do poder executivo em
grande profundidade em sua obra, ele mencionou a necessidade de uma autoridade
executiva para garantir que as leis fossem executadas e que a justiça fosse aplicada de
maneira adequada. Portanto, Locke esboçou uma estrutura de governo com poderes
distintos: um poder legislativo que faz leis e um poder executivo que as aplica. A
separação de poderes e a ideia de que esses poderes deveriam ser independentes e
equilibrados eram conceitos centrais na filosofia política de Locke. Essa visão foi
fundamental para o desenvolvimento das teorias posteriores sobre a divisão de poderes,
que influenciaram as bases da democracia moderna e serviram de inspiração para
Montesquieu e os sistemas de checks and balances (controle e equilíbrio) nas
democracias contemporâneas.