Tablets e ultrabooks na educação
José Moran
Pesquisador e orientador de projetos inovadores na educação
Do livro “Novas Tecnologias e Mediação Pedagógica”,
Papirus, 21ª ed, 2013, p.30-35 (texto ampliado)
Há uma pressão enorme para incluir as tecnologias móveis na educação. Alguns
colégios e instituições superiores entregam tablets ou ultrabooks para os alunos como
parte do material escolar. Há uma tendência à substituição dos livros de texto por
conteúdos digitais dentro de tecnologias móveis. Uma justifica é diminuir de peso das
mochilas dos alunos; outra, baratear do acesso ao conteúdo não impresso (além de ser
ecologicamente mais correto); também é visto como importante oferecer recursos de
pesquisa, de leitura e de comunicação próximos dos alunos, dos ambientes digitais que
frequentam, para motivá-los mais a aprender.
Este é um campo minado de discussões, decisões, interesses. Qualquer análise ainda é
parcial, provisória, precária. Mesmo assim, esta é a percepção que tenho no momento.
As tecnologias móveis trazem enormes desafios, porque descentralizam os processos
de gestão do conhecimento: podemos aprender em qualquer lugar, a qualquer hora e
de muitas formas diferentes. Podemos aprender sozinhos e em grupo, estando juntos
fisicamente ou conectados. Na medida que entram na sala de aula o seu uso não pode
ser só complementar. Podemos repensar a forma de ensinar e de aprender, colocando
o professor como mediador, como organizador de processos mais abertos e
colaborativos.
No Brasil, os smartphones e os tablets ainda estão numa fase de experimentação
dentro das escolas. Trazem desafios complexos. São cada vez mais fáceis de usar,
permitem a colaboração entre pessoas próximas e distantes, ampliam a noção de
espaço escolar, integrando os alunos e professores de países, línguas e culturas
diferentes. E todos, além da aprendizagem formal, têm a oportunidade de se engajar,
aprender e desenvolver relações duradouras para suas vidas. Ensinar e aprender
podem ser feitos de forma muito mais flexível, ativa e focada no ritmo de cada um.
A tela sensível ao toque permite uma navegação muito mais intuitiva e fácil do que
com o mouse. Crianças pequenas encontram os jogos e aplicativos muito mais
rapidamente. Com o barateamento progressivo a partir de agora, estarão muito mais
presentes dentro e fora da sala de aula. Permitem experimentar muitas formas de
pesquisa e desenvolvimento de projetos, jogos, atividades dentro e fora da sala de
aula, individual e grupalmente. O professor não precisa focar sua energia em transmitir
informações, mas em disponibilizá-las, gerenciar atividades significativas desenvolvidas
pelos alunos, saber mediar cada etapa das atividades didáticas. Poderemos ensinar e
aprender a qualquer hora, em qualquer lugar e da forma mais conveniente para cada
situação. Os próximos passos na educação estarão cada vez mais interligados à
mobilidade, flexibilidade e facilidade de uso que os tablets e celulares oferecem a um
custo mais reduzido e com soluções mais interessantes, motivadoras e encantadoras.
Não podemos esquecer que há usos dispersivos. É cada vez mais difícil concentrar-se
em um único assunto ou texto, pela quantidade de solicitações que encontramos nas
tecnologias móveis. Tudo está na tela, para ajudar e para complicar, ao mesmo tempo.
As tecnologias móveis desafiam as instituições a sair do ensino tradicional em que os
professores são o centro, para uma aprendizagem mais participativa e integrada, com
momentos presenciais e outros a distância, mantendo vínculos pessoais e afetivos,
estando juntos virtualmente.
As inovações mais promissoras encontram-se em escolas que têm tecnologias móveis
na sala de aula, utilizadas por professores e alunos. Os programas de um computador
ou tablet por aluno, ainda em fase experimental em centenas de escolas municipais,
estaduais e particulares, sinalizam mudanças muito importantes na forma de ensinar e
de aprender. As aulas são mais focadas em projetos colaborativos, os alunos
aprendem juntos, realizam atividades diversificadas em ritmos e tempos diferentes. O
professor muda sua postura. Ele sai do centro, da lousa para circular orientando os
alunos individualmente e em pequenos grupos. As aulas de 50 minutos não fazem
sentido, porque dificultam a sequência de tempos para atividades de pesquisa, análise,
apresentação, contextualização e síntese.
Tablets ou ultrabooks?
No momento atual é difícil escolher uma das duas ferramentas sem perder algo. Os
tablets atraem mais, são mais intuitivos, fáceis de manusear, de ler. Aos poucos
chegarão com comandos de voz, sem precisar tocar na tela para acontecer o que
desejamos conseguir. Os ultrabooks são mais rápidos, leves e com mais recursos. Os
tablets não privilegiam o ato de escrever, fundamental para aprender. Têm teclado,
mas ainda não está totalmente integrado, de forma fácil para quem escreve muito.
Percebo que é uma questão de pouco tempo para termos no mercado tablets que
incorporem os melhores recursos dos notebooks mais poderosos. Na minha opinião
não deveríamos, atualmente, optar por uma ou outra ferramenta exclusivamente, mas
ter ambas disponíveis para os alunos, permitindo a escolha pessoal, de acordo com o
perfil de cada um e de como vai utilizá-los mais. Os tablets e smartphones são mais
avançados, inovadores e chamativos. Os ultrabooks procuram incorporar alguns dos
avanços de ambos. É uma decisão ainda em aberto, aguardando a evolução
integradora das tecnologias móveis.
Alguns aplicativos para tecnologias móveis
Os aplicativos cada vez mais se adaptam aos principais sistemas operacionais, abertos
e fechados. Os aplicativos mais interessantes que conheço, principalmente para
smartphones, ajudam no aprendizado de línguas. Cursos inteiros podem ser
acompanhados por podcast ou vídeos, com testes adequados e ambientes de
colaboração como os que acontecem em redes sociais. Gosto, por exemplo, do
LearnEnglish do British Council com histórias em capítulos, jogos, desafios e integração
com Facebook e Twitter. Outro semelhante é o ESLPod com histórias do cotidiano e
explicações das principais expressões em ritmos diferentes. Tem aplicativos como o
Stitcher que organiza os programas de rádio e podcast por temas e línguas e são
extremamente variados e atualizados e podem ser acessados a qualquer hora e de
qualquer lugar. Tem o Google Earth e todas as possibilidades de utilização
principalmente em Geografia, o YouTube com a imensa variedade de vídeos, de canais
e de facilidade de postagem de novos vídeos feitos pelos alunos. O Google Sky Map –
ao apontar o smartphone para o céu e o Google Sky Map mostrará as estrelas,
planetas, constelações e muito mais para ajudar a identificar os objetos celestes em
vista. O aplicativo mais conhecido é o Wikipedia - da maior enciclopédia online
colaborativa. Também é interessante o Celeste CE - Basta apontar a câmera e ver
exatamente onde cada objeto do Sistema Solar está localizado de dia ou noite. O
Inclass e o My Class Schedule - Aplicativos para que o estudante organize horários de
estudo, notas e todas as informações do seu curso. Há os aplicativos que utilizam a
localização por GPS e que permitem interagir com outras pessoas naquilo que se
precisa, enviar fotos, trocar vídeos, desenvolver projetos juntos. A tendência é a de
termos muitas mais soluções para todas as nossas necessidades. O que nunca pode
faltar é a vontade e o gosto por aprender.
Existem centenas de aplicativos interessantes para a sala de aula, por faixa etária e por
área de conhecimento:
Os melhores aplicativos para crianças (1-5 anos e 6-10 anos):
http://educarparacrescer.abril.com.br/aprendizagem/melhores-aplicativos-criancas-
729539.shtml
50 ferramentas online para professores:
http://canaldoensino.com.br/blog/conheca-50-ferramentas-online-para-professores
Os 101 sites mais úteis da Internet:
http://www.youpix.com.br/top10/top-101-sites-uteis-para-favoritar/
Aplicativos e Games para Ciências, Idiomas:
http://www.techtudo.com.br/softwares/educacao/ciencias/todos/downloads.html
Conclusão
Todas as tecnologias nos ajudam e ao mesmo tempo nos complicam. Depende de
como as integramos no que pretendemos. Elas podem nos ajudar a aprender e a
evoluir, mas também favorecem a dispersão nas múltiplas telas, aparelhos, aplicativos,
redes. Ajudam a comunicar-nos melhor, mas também a desfocar-nos, distrair-nos,
tornar-nos dependentes. A educação é um processo rico e complexo de ajudar a
aprender, a evoluir, a ser pessoas livres. As tecnologias fazem parte do nosso mundo,
nos ajudam, mas ainda precisamos experimentar muito para encontrar caminhos de
integração que nos permitam avanços significativos na escola e na vida.