Simulado - Linguagens
Simulado - Linguagens
Com
Foi aí que eu, para não ficar atrás, comprei o “Pedra- -Lispe” e fui assim, emendados chovidos três dias, então certificamos de
logo riscá-lo à porta dos dois, para exibir minhas habilidades de permanecer esse tempo em prédio, e enchemos a Fazenda Carimã,
Cavaleiro. Ambos começaram logo a botar defeito em meu cavalo e que era de um denominado Timóteo Regimildiano da Silva; do
terminaram por perguntar se havia algum sentido especial naquele Zabudo, no vulgar. Esse constituía parentesco proximado com os
apelido de “Pedra-Lispe” com o qual eu “tinha desgraçado o nobre Silvalves, paracatuanos, cujos tiveram sesmarias, na confrontação
animal”. das divisas, das duas bandas iguais. Do Zabudo: o senhor preste
— Há, sim, uma significação toda especial! — expliquei. atenção no homem, para ver o que é um ser esperto [...]. No natural,
— Vocês sabem da admiração que eu tenho por Jesuíno Brilhante, que foi ele ver a gente e levou choque. Instantezinho, porém, se
aquele Cangaceiro e herói sertanejo. O cavalo dele chamava-se converteu. Isto, que se desapeou, ligeiro, e tirou o chapéu, com
“Zelação”. Você sabe o que é zelação, Samuel? cortesia mór, com gesto de braço, e manifestou!
— Não! — Zelação é uma dessas estrelas que correm de noite, no ― Senhores meus cavaleiros, podem passar, sem susto e com gosto,
céu. Por isso é que eu queria que o nome do meu Cavalo fosse que aqui está é um amigo...
também o de um bicho corredor do céu, fogoso e arrelampado! ― Amigo de quem? ― eu revidei.
— E pedra-lispe é bicho corredor do céu? — perguntou Samuel, ― Vosso, meussenhor cavaleiro... Amigo e criado...
espantado. — É, sim! Pedra-lispe é a pedra do raio, a pedra do ROSA, J. G. Grande sertão: veredas. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.
corisco! — Que tolice é essa, Quaderna! Pedra-lispe é nitrato de Além de neologismos, a prosa de João Guimarães Rosa também faz
prata! Cujo nome correto, aliás, é pedra-lipes! uso de arcaísmos linguísticos, como vosso, pronome possessivo
— Pode ser lá, na Zona da Mata! [...] Aqui no Sertão, todo mundo que, na fala da personagem, expressa
sabe que, quando cai um raio, vem uma pedra na ponta dele, uma
pedra que se chama pedra-lispe ou pedra-de-corisco e que se (A) ironia.
enterra sete palmos de chão adentro! Agora, se nessa pedra tem (B) respeito.
nitrato de prata ou não, isso é lá com ela e eu não tenho nada com (C) interesse.
isso! (D) ignorância.
SUASSUNA, A. Romance d’A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta. (E) submissão.
16. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2017.
QUESTÃO 05.
A opção da personagem Quaderna pela forma popular do termo Por que um país inteiro [Palau] declarou guerra a protetores solares
“pedra-lipe” é fruto direto do O veto a protetores solares [...] afeta produtos conhecidos por serem
prejudiciais à vida marinha. [...] Quando o banhista entra no mar,
(A) apego à cultura de sua região. essas substâncias em sua pele são liberadas na água, chegando aos
(B) ludicidade com relação às palavras. corais, que absorvem o produto e podem morrer. [...]. Outros países
(C) desejo de contrariar seu interlocutor. e ilhas também anunciaram futuros vetos a protetores solares.
(D) ignorância da variedade culta da língua. Disponível em: [Link]. Acesso em: 2 jan. 2020.
(E) conhecimento precário de ciências naturais. Considerando os elementos característicos do gênero notícia, o
principal objetivo do fragmento é
QUESTÃO 02.
Museu usa linguagem de redes sociais para atrair público (A) alertar sobre os impactos da ação humana na vida marinha.
O método despertou a curiosidade dos jovens pela arte (B) analisar o impacto do uso do protetor solar para a vida marinha.
A mistura de arte com a linguagem das mídias sociais aumentou em (C) divulgar e criticar a ação do país relacionada ao veto aos
78% a visitação ao Museu Nacional de Belas Artes (MNBA). A protetores solares.
exposição Hashtags da Arte selecionou 40 obras do acervo do (D) apresentar a medida adotada pelo país, bem como os motivos
museu e marcou cada uma delas com adesivos com palavras-chave responsáveis por ela.
usadas em aplicativos misturadas às descrições das obras. O método (E) informar sobre os motivos que levaram os banhistas a tomar
despertou a curiosidade dos jovens pela arte. [...] Um exemplo é o uma ação conscientizadora.
quadro datado de 1817 que mostra Dom João VI posando com seu
traje bordado a ouro, que ganhou as hashtags #lookdodia, QUESTÃO 06.
#reidocamarote e #ostentação, entre outras. Sobre a relação entre atividade física e esporte, com frequência o
GANDRA, A. Disponível em: [Link]. Acesso em: 21 nov. 2019 primeiro termo se restringe às ações de conteúdos esportivos, que
as pessoas fazem sem ânimo competitivo; ou a competição focada
A exposição Hashtags da Arte desperta o interesse do leitor por se ao caráter lúdico. A prática de atividade física também pode ter
apropriar de uma linguagem digital, que consiste no uso de uma como objetivo a melhoria da saúde ou bem-estar; bem como a
palavra-chave antecedida do sinal #. Essa linguagem agrega às prevenção de determinadas patologias. Nestes casos, as atividades
obras artísticas um caráter [...] não estão dirigidas à competição em si, não se sujeitam a
regulamentos formais bem como não seguem um marco
(A) realista, por expor seus significados sem artifícios. organizacional definido.
(B) intimista, por adotar expressões familiares e populares. CÁRDENAS, R N; FREIRE, I A. Disponível em: [Link]. Acesso em: 26 nov.
(C) sensacionalista, por apelar às piadas típicas da internet. 2021.
(D) instrucional, por traduzir ao público a complexidade delas. A definição apresentada de atividade física relaciona essa prática
(E) modernizante, por articular o contemporâneo e o clássico. corporal com a
(A) luta contra estigmas sociais. Pela leitura, infere-se que o torneio descrito constitui uma forma de
(B) medo de sair sozinha na rua.
(C) separação de classes sociais. (A) consolidação das culturas juvenis nas favelas.
(D) imagem da mulher pura e frágil. (B) estímulo à interação social entre os indivíduos.
(E) recusa à independência feminina. (C) comunicação entre jovens de diferentes nações.
(D) revelação dos jogadores profissionais das favelas.
(E) financiamento de atividades culturais nas comunidades.
QUESTÃO 08.
QUESTÃO 04.
Disponível em: [Link]. Acesso em: 17 mar. 2020.
QUESTÃO 17.
NAMORADOS
O rapaz chegou-se para junto da moça e disse:
— Antônia, ainda não me acostumei com o seu corpo, com a sua
cara.
A moca olhou de lado e esperou.
— Você não sabe quando a gente e criança e de repente vê uma
lagarta listrada?
A moca se lembrava:
— A gente fica olhando...
A meninice brincou de novo nos olhos dela.
O rapaz prosseguiu com muita doçura:
— Antônia, você parece uma lagarta listrada.
Dali, S. Aparição de rosto e fruteira numa praia. 1938. A moca arregalou os olhos, fez exclamações.
O rapaz concluiu:
“Nos sonhos, com frequência experimentamos a sensação de que as — Antônia, você é engraçada! Você parece louca.
pessoas e objetos se fundem e trocam de lugar. Nosso gato pode ser Manuel Bandeira.
ao mesmo tempo nossa tia, e o nosso jardim pode ser a África.”
Gombrich, E.H. A História da Arte. A temática amorosa na obra de Bandeira frequentemente vem
associada à infância, mais especialmente à passagem da meninice à
A relação observada entre o texto e a imagem permite o adolescência, ao tempo da descoberta do amor por parte do garoto.
entendimento e a intenção do artista do século XX. Neste caso, a Sobre o poema anterior é possível afirmar categoricamente que,
obra apresenta características
(A) o rapaz pretendia ofender abertamente a personagem Antônia,
(A) do Cubismo, onde figura e fundo se fundem em um mesmo fato que reafirma o tom radical do modernismo brasileiro,
plano e o artista trabalha apenas em duas dimensões, sem se sobretudo da primeira fase.
preocupar com a perspectiva matemática. (B) o autor vale-se de temática, vocabulário e construção simples,
(B) do Surrealismo, pois o artista desse movimento vai representar aproximando sua poesia do cotidiano corriqueiro dos brasileiros
o mundo dos sonhos e do inconsciente em formas abstratas, e afastando-a da estética acadêmica e parnasiana.
criando composições surpreendentes. (C) seus versos apresentam a simetria para reproduzir o ritmo do
(C) do Expressionismo, com a representação dos sentimentos e sem tema abordado.
a preocupação com as formas clássicas, os elementos da (D) apresenta a escolha do tema do amor romântico, caracterizador
pintura representam o interior dos artistas. do estilo literário dessa época.
(D) do Surrealismo, misturando nas telas fragmentos (E) vale-se de diálogos, gênero discursivo típico do Realismo.
surpreendentes e disparatados do mundo real, pintados com a
mesma detalhada precisão dos pintores Neoclássicos.
(E) do Cubismo, apresentando formas sintéticas e geometrizadas,
comuns no século XX, mas que podem ser entendidas como a QUESTÃO 18.
expressão do ponto de vista do artista. TEXTO I - Mulher, Irmã, escuta-me: não ames,
Quando a teus pés um homem terno e curvo
QUESTÃO 16. jurar amor, chorar pranto de sangue,
Não creias, não, mulher: ele te engana! Meça desta grande terra
As lágrimas são gotas de mentira Umas tarefa pra eu!
E o juramento manto da perfídia. Tenha pena do agregado
Joaquim Manuel de Macedo Não me dêxe deserdado
Daquilo que Deus me deu.
TEXTO II - Teresa, se algum sujeito bancar o PATATIVA DO ASSARÉ. A terra é naturá. In: Cordéis (2008)
sentimental em cima de você
E te jurar uma paixão do tamanho de um bonde A partir da análise da linguagem utilizada no poema, infere-se que o
Se ele chorar eu-lírico revela-se como falante de uma variedade linguística
Se ele ajoelhar específica. Esse falante, em seu grupo social, é identificado como um
Se ele se rasgar todo falante
Não acredite não, Teresa
(A) escolarizado proveniente de uma metrópole.
É lágrima de cinema
(B) sertanejo morador de uma área rural.
É tapeação
(C) idoso que habita uma comunidade urbana.
Mentira
(D) escolarizado que habita uma comunidade do interior;
CAI FORA
Manuel Bandeira (E) típica dos moradores da grande metrópole Ibitira (MG).
QUESTÃO 19.
Um dia depois do tumulto provocado pela invasão de uma fazenda
em Rosário do Sul por mulheres da Via Campesina, integrantes do
Movimento dos trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) bloquearam
ontem uma série de rodovias importantes em diferentes pontos do AMARAL, Tarsila do. Morro da Favela. 1925, óleo sobre tela, 65x70, IEB/USP.
Estado. A manifestação nas estradas foi justificada pelos
participantes de uma forma de protesto contra a atuação da Brigada Tarsila do Amaral foi uma das mais importantes pintoras brasileiras
Militar durante a desocupação da área usada para plantio de do movimento modernista. Nasceu na cidade de Capivari (interior de
eucaliptos. Nos dois casos, é inaceitável que, na preocupação por São Paulo), em 1 de setembro de 1886. Ao analisar a imagem
uma reivindicação legítima, como é o caso da reforma agrária, anterior é possível relacioná-la com as Vanguardas Europeias já que
militantes de movimentos sociais firam direitos assegurados pela
Constituição, entre os quais o de propriedade, o de ir e vir. (A) a pintura apresenta traços nitidamente surrealistas,
Limite ultrapassado. Zero Hora. Porto Alegre, 6 mar. 2008.
desfigurando a realidade cotidiana brasileira juntamente com os
O trecho apresentado é o primeiro parágrafo de um editorial. Nele, o corpos disformes e cilíndricos dos indivíduos retratados.
autor apresenta o assunto por meio de vocábulos e expressões (B) a imagem possui fortes semelhanças com os ideais naturalistas,
subjetivos. Caracteriza esse uso o termo valendo-se de cores fortes e grande presença de elementos do
cotidiano brasileiro, principalmente quanto à vegetação colorida
(A) "tumulto", empregado para avaliar a invasão da fazenda. e retorcida.
(B) "MST", utilizado para identificar o grupo responsável pela (C) a pintura possui marcantes traços do futurismo, apontando para
invasão. uma arte inovadora que retrata a realidade cotidiana de
(C) "bloquearam", usado para apontar o modo como os maneira retorcida e ligada aos ideais de movimento.
manifestantes agiram. (D) a imagem possui fortes traços cubistas em sua estética,
(D) "participantes", usado para aludir aos manifestantes do valendo-se de formas geométricas variadas, mas sem perder de
movimento. vista os valores cotidianos representativos de uma arte
(E) "agrária", utilizado para qualificar a motivação dos tipicamente brasileira.
manifestantes. (E) a pintura possui grandes influências dadaístas relacionadas,
principalmente, à transfiguração das imagens e distorção da
QUESTÃO 20. realidade natural e cotidiana brasileira.
O Capoeira
— Qué apanhá sordado? QUESTÃO 23.
— O quê? O movimento hip hop é tão urbano quanto as grandes construções
— Qué apanhá? de concreto e as estações de metrô, e cada dia se torna mais
Pernas e cabeças na calçada. presente nas grandes metrópoles mundiais. Nasceu na periferia dos
ANDRADE, Oswald de. Poesias Reunidas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1971. bairros pobres de Nova lorque. É formado por três elementos: a
música (o rap), as artes plásticas (o grafite) e a dança (o break). No
Uma das diretrizes da construção poética de Oswald de Andrade foi hip hop os jovens usam as expressões artísticas como uma forma de
a percepção de elementos cotidianos como matéria de inspiração resistência política. Enraizado nas camadas populares urbanas, o hip
literária. Pautado pelas indagações, o texto em análise incita uma hop afirmou-se no Brasil e no mundo com um discurso político a
reflexão que aponta para favor dos excluídos, sobretudo dos negros. Apesar de ser um
movimento originário das periferias norte-americanas, não
(A) o desrespeito às leis brasileiras, o que viabiliza a relação encontrou barreiras no Brasil, onde se instalou com certa
pacífica entre soldado e capoeira. naturalidade – o que, no entanto, não significa que o hip hop
(B) a necessidade de se rejeitarem as normas morais instituídas brasileiro não tenha sofrido influências locais.
com o objetivo de fazer algazarra social. Disponível em: [Link].
(C) o mau uso da língua portuguesa por parte daqueles que não são
escolarizados, no caso, o capoeira. O texto aponta que o movimento tem como principal característica a
(D) a ausência de polidez entre os interlocutores, fato que
compromete a boa convivência entre soldado e capoeira. (A) expressão artística dos socialmente oprimidos.
(E) o embate entre a autoridade e o povo, que é representado pelo (B) valorização da manifestação de artes visuais.
confronto entre o capoeira e o soldado. (C) segmentação das artes em formas distintas.
(D) afirmação nacionalista das classes pobres.
(E) integração social das classes periféricas.
QUESTÃO 21.
Iscute o que tô dizendo,
Seu dotô, seu coroné:
De fome tão padecendo
Meus fio e minha muié.
Sem briga, questão nem guerra,