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UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

ESCOLA DE ENGENHARIA DE SÃO CARLOS


Departamento de Engenharia de Estruturas

FUNDAMENTOS DO CONCRETO
E PROJETO DE EDIFÍCIOS

Libânio M. Pinheiro
ESTRUTURAS DE CONCRETO – CAPÍTULO 1

Libânio M. Pinheiro, Cassiane D. Muzardo, Sandro P. Santos,


Thiago Catoia, Bruna Catoia

Março de 2010

1. INTRODUÇÃO

Este é o capítulo inicial de um curso cujos objetivos são:


 fundamentos do concreto;
 bases para cálculo de concreto armado;
 rotina do projeto estrutural para edifícios de pequeno porte.
É um trabalho dedicado a alunos de graduação e a iniciantes em Engenharia
Estrutural. Os interessados em aprofundar conhecimentos deverão consultar
bibliografia complementar adequada.

1.1 DEFINIÇÕES
Concreto é um material de construção proveniente da mistura, em proporção
adequada, de: aglomerantes, agregados e água. Também é frequente o emprego
de aditivos e adições.

a) Aglomerantes
Os aglomerantes unem os fragmentos de outros materiais. No concreto, em
geral se emprega cimento Portland, que por ser um aglomerante hidráulico, reage
com a água e endurece com o tempo.

b) Aditivos
Os aditivos são produtos que, adicionados em pequena quantidade aos
concretos de cimento Portland, modificam algumas propriedades, no sentido de
melhorar esses concretos para determinadas condições.
Os principais tipos de aditivos são: plastificantes (P), retardadores de pega (R),
aceleradores de pega (A), plastificantes retardadores (PR), plastificantes
aceleradores (PA), incorporadores de ar (IAR), superplastificantes (SP),
superplastificantes retardadores (SPR) e superplastificantes aceleradores (SPA).
USP – EESC – Dep. Eng. de Estruturas 2 Introdução

c) Adições
As adições constituem materiais que, em dosagens adequadas, podem ser
incorporados aos concretos ou inseridos nos cimentos ainda na fábrica, o que
resulta na diversidade de cimentos comerciais.
Com a alteração da composição dos cimentos pela incorporação de adições, é
comum eles passarem a ser denominados aglomerantes.
Os exemplos mais comuns de adições são: escória de alto forno, cinza volante,
sílica ativa de ferro-silício e metacaulinita.

d) Agregados
Os agregados são partículas minerais que aumentam o volume da mistura,
reduzindo seu custo, além de contribuir para a estabilidade volumétrica do produto
final. Dependendo das dimensões características , dividem-se em dois grupos:

 Agregados miúdos: 0,075mm <  < 4,8mm. Exemplo: areias.

 Agregados graúdos:   4,8mm. Exemplo: pedras.

e) Pasta
A pasta resulta das reações químicas do cimento com a água. Quando há
água em excesso, denomina-se nata.

PASTA  CIMENTO + ÁGUA


USP – EESC – Dep. Eng. de Estruturas 3 Introdução

f) Argamassa
A argamassa provém da mistura de cimento, água e agregado miúdo, ou
seja, pasta com agregado miúdo.

ARGAMASSA  CIMENTO + ÁGUA + AREIA

g) Concreto simples
O concreto simples é formado por cimento, água, agregado miúdo e
agregado graúdo, ou seja, argamassa e agregado graúdo.

CONCRETO SIMPLES  CIMENTO + ÁGUA + AREIA + PEDRA


USP – EESC – Dep. Eng. de Estruturas 4 Introdução

No estado endurecido, o concreto apresenta:


 boa resistência à compressão;
 baixa resistência à tração;
 comportamento frágil, isto é, rompe com pequenas deformações.

Na maior parte das aplicações estruturais, para melhorar as características do


concreto, ele é usado junto com outros materiais.

h) Concreto armado
O concreto armado é a associação do concreto simples com uma armadura,
usualmente constituída por barras de aço.
Os dois materiais devem resistir solidariamente aos esforços solicitantes. Essa
solidariedade é garantida pela aderência.

CONCRETO ARMADO  CONCRETO SIMPLES + ARMADURA + ADERÊNCIA

g) Concreto protendido
No concreto armado, a armadura não tem tensões iniciais. Por isso, é
denominada armadura frouxa ou armadura passiva.
No concreto protendido, pelo menos uma parte da armadura tem tensões
previamente aplicadas, denominada armadura de protensão ou armadura ativa.

CONCRETO PROTENDIDO  CONCRETO + ARMADURA ATIVA

h) Argamassa armada
A argamassa armada é constituída por agregado miúdo e pasta de cimento,
com armadura de fios de aço de pequeno diâmetro, formando uma tela.
No concreto, a armadura é localizada em regiões específicas, Na argamassa,
ela é distribuída por toda a peça.

i) Concreto de alto desempenho


Um concreto de alto desempenho – CAD apresenta características
diferenciadas do concreto tradicional, e deve ser entendido como um material que
atende a expectativas para fins pré-determinados, relativos a comportamento
estrutural, lançamento, adensamento, estética e durabilidade frente ao meio
ambiente atual e futuro. Como exemplos podem ser citados: Concreto de Alta
Resistência – CAR e Concreto Autoadensável – CAA.
USP – EESC – Dep. Eng. de Estruturas 5 Introdução

1.2 VANTAGENS DO CONCRETO, RESTRIÇÕES E PROVIDÊNCIAS


Como material estrutural, o concreto apresenta várias vantagens em relação a
outros materiais. Serão relacionadas também algumas de suas restrições e as
providências que podem ser adotadas para contorná-las.

1.2.1 Vantagens do concreto armado


Suas grandes vantagens são:
 É moldável, permitindo grande variabilidade de formas e de concepções
arquitetônicas.
 Apresenta boa resistência à maioria dos tipos de solicitação, desde que seja
feito um cálculo correto e um adequado detalhamento das armaduras.
 A estrutura é monolítica, com trabalho conjunto, se uma peça é solicitada.
 Baixo custo dos materiais – água e agregados, graúdos e miúdos.
 Baixo custo de mão de obra, pois, em geral, a produção de concreto
convencional não exige profissionais com elevado nível de qualificação.
 Processos construtivos conhecidos e bem difundidos em quase todo o país.
 Facilidade e rapidez de execução, principalmente se forem utilizadas peças
pré-moldadas.
 O concreto é durável e protege as armaduras contra corrosão.
 Os gastos de manutenção são reduzidos, desde que a estrutura seja bem
projetada e adequadamente construída.
 O concreto é pouco permeável à água, quando dosado corretamente e
executado em boas condições de plasticidade, adensamento e cura.
 É um material com bom comportamento em situações de incêndio, desde que
adequadamente projetado para essas situações.
 Possui resistência significativa a choques e vibrações, efeitos térmicos,
atmosféricos e a desgastes mecânicos.

1.2.2 Restrições do concreto


Providências adequadas devem atenuar as consequências de algumas
restrições do concreto. As principais restrições são:
 Retração e fluência,
 Baixa resistência à tração,
 Pequena ductilidade,
 Fissuração,
 Peso próprio elevado,
 Custo de formas para moldagem,
 Corrosão das armaduras.
USP – EESC – Dep. Eng. de Estruturas 6 Introdução

1.2.3 Providências
Para suprir as deficiências do concreto, há várias alternativas.
Tanto a retração quanto a fluência dependem da estrutura interna do
concreto. Portanto, para minimizar seus efeitos, adequada atenção deve ser dada a
todas as fases de preparação, desde a escolha dos materiais e da dosagem até o
adensamento e a cura do concreto colocado nas fôrmas.
A fluência depende também das forças que atuam na estrutura. Portanto, um
programa adequado das fases de carregamento, tanto na fase de projeto quanto
durante a construção, pode atenuar os efeitos da fluência.
A baixa resistência à tração pode ser contornada com o uso de adequada
armadura, em geral constituída de barras de aço, obtendo-se o concreto armado.
Além de resistência à tração, o aço garante ductilidade e aumenta a resistência à
compressão, em relação ao concreto simples.
Em peças comprimidas, como nos pilares, os estribos, além de evitarem a
flambagem localizada das barras, podem confinar o concreto, o que também
aumenta sua ductilidade.
A fissuração pode ser contornada ainda na fase de projeto, com armação
adequada e limitação do diâmetro das barras e da tensão na armadura.
Também é usual a associação do concreto com pelo menos uma parte de
armadura ativa, ou seja, com tensões prévias, formando o concreto protendido.
A utilização de armadura ativa tem como principal finalidade aumentar a resistência
da peça, o que possibilita a execução de grandes vãos ou o uso de seções
menores, diminuindo o peso próprio, sendo que também se obtém uma melhora do
concreto com relação à fissuração.
O concreto de alto desempenho – CAD – apresenta características melhores
do que o concreto tradicional – como resistência mecânica inicial e final elevada,
baixa permeabilidade, alta durabilidade, baixa segregação, boa trabalhabilidade, alta
aderência, reduzida exsudação, menor deformabilidade por retração e fluência, entre
outras.
O CAD é especialmente apropriado para obras em que a durabilidade é
condição indispensável. A alta resistência é uma das maneiras de se conseguir
peças de menores dimensões, aliviando o peso próprio das estruturas.
Ao concreto também podem ser adicionadas fibras, principalmente de aço, que
aumentam a ductilidade, a absorção de energia, a durabilidade etc.
A padronização de dimensões, a pré-moldagem e o uso de sistemas
construtivos adequados permitem a racionalização do uso de fôrmas, levando a
economia neste quesito. Outro fator pode contribuir para maior reutilização de
fôrmas é o uso de materiais alternativos, como o plástico.
USP – EESC – Dep. Eng. de Estruturas 7 Introdução

A argamassa armada é adequada para pré-moldados leves, de pequena


espessura.
A corrosão da armadura pode ser prevenida com controle da fissuração e
com o uso de adequado cobrimento da armadura, cujo valor depende do grau de
agressividade do ambiente em que a estrutura for construída.

1.3 APLICAÇÕES DO CONCRETO


É o material estrutural mais utilizado no mundo. Seu consumo anual é da
ordem de uma tonelada por habitante.
Entre os materiais utilizados pelo homem, o concreto perde apenas para a
água.
Outros materiais como madeira, alvenaria e aço também são de uso comum e
há situações em que são imbatíveis. Porém, suas aplicações são bem mais
restritas.
Algumas aplicações do concreto são relacionadas a seguir.
 Edifícios: mesmo que a estrutura principal não seja de concreto, alguns
elementos, pelo menos, o serão;
 Galpões e pisos industriais ou para fins diversos;
 Obras hidráulicas e de saneamento: barragens, tubos, canais, reservatórios,
estações de tratamento etc.;
 Rodovias: pavimentação de concreto, pontes, viadutos, passarelas, túneis,
galerias, obras de contenção etc.;
 Estruturas diversas: elementos de cobertura, chaminés, torres, postes,
mourões, dormentes, muros de arrimo, piscinas, silos, cais, fundações de
máquinas etc.

1.4 ESTRUTURAS DE EDIFÍCIOS


Estrutura é a parte resistente da construção e tem as funções de suportar as
ações e as transmitir para o solo.
Em edifícios, os elementos estruturais principais são:
 Lajes: são placas que, além das cargas permanentes, recebem as ações de
uso e as transmitem para os apoios; travam os pilares e distribuem as ações
horizontais entre os elementos de contraventamento;
 Vigas: são barras horizontais que delimitam as lajes, suportam paredes e
recebem ações das lajes ou de outras vigas e as transmitem para os apoios;
USP – EESC – Dep. Eng. de Estruturas 8 Introdução

 Pilares: são barras em geral verticais que recebem as ações das vigas ou
das lajes e dos andares superiores as transmitem para os elementos
inferiores ou para a fundação;

 Fundação: são elementos como blocos, lajes, sapatas, vigas, estacas etc.,
que transferem os esforços para o solo.

Pilares alinhados ligados por vigas formam os pórticos, que devem resistir
às ações do vento e às outras ações que atuam no edifício, sendo o mais utilizado
sistema de contraventamento.
Em edifícios esbeltos, o travamento também pode ser feito por pórticos
treliçados, paredes estruturais ou núcleos. Os dois primeiros situam-se, em
geral, nas extremidades, e os núcleos, em volta da escada e dos elevadores.
Nos andares com lajes e vigas, a união desses elementos pode ser
denominada tabuleiro, andar, piso ou pavimento. Os termos piso e pavimento
devem ser evitados, quando puderem ser confundidos com pavimentação.
USP – EESC – Dep. Eng. de Estruturas 9 Introdução

É crescente o emprego do concreto em pisos industriais e em pavimentos


de vias urbanas e rodoviárias, principalmente nos casos de tráfego intenso e
pesado.
Nos edifícios com tabuleiros sem vigas, as lajes se apoiam diretamente nos
pilares, sendo denominadas lajes lisas.
Se nas ligações das lajes com os pilares houver capitéis, elas recebem o
nome de lajes-cogumelo.
Os capitéis podem ser de dois tipos: aumento da espessura da laje, caso em
que podem ser denominados pastilhas ou drop panels, ou aumento da seção
transversal do pilar sob a laje, situação em que também podem ser chamados de
ábacos.
Nas lajes lisas, há casos em que, nos alinhamentos dos pilares, uma
determinada faixa é considerada como viga, sendo projetada como tal  são as
denominadas vigas chatas ou vigas-faixa.
São muito comuns as lajes nervuradas. Se as nervuras e as vigas que as
suportam têm a mesma altura, o uso de um forro de gesso, por exemplo, dão a elas
a aparência de lajes lisas.
Nesses casos elas são denominadas lajes lisas nervuradas. Nessas lajes,
também são comuns as vigas-faixa e os capitéis embutidos.
Nos edifícios, são considerados elementos estruturais complementares:
escadas, caixas d’água, muros de arrimo, consolos, marquises etc.

1.5 EDIFÍCIOS DE PEQUENO PORTE


Como foi visto no início, este é o primeiro texto de uma série cujos objetivos
são: apresentar os fundamentos do concreto, as bases para cálculo e a rotina
do projeto estrutural para edifícios de pequeno porte.
Em exemplos simples, serão dimensionadas e detalhadas lajes, vigas e
pilares. As fundações serão estudadas em uma fase posterior.
Serão considerados edifícios de pequeno porte aqueles com estruturas
regulares muito simples, que apresentem:
 até quatro pavimentos;
 ausência de protensão;
 cargas de uso nunca superiores a 3kN/m2;
 altura de pilares até 4m e vãos não excedendo 6m;
 vão máximo de lajes até 4m (menor vão) ou 2m, no caso de balanços.

O efeito do vento poderá ser omitido, desde que haja contraventamento em


duas direções.
USP – EESC – Dep. Eng. de Estruturas 10 Introdução

BIBLIOGRAFIA
Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 6118:2003 - Projeto de estruturas
de concreto. Rio de Janeiro.
Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 7211:1982 - Agregados para
concreto. Rio de Janeiro.
IBRACON (2001). Prática recomendada IBRACON para estruturas de pequeno
porte. São Paulo, Instituto Brasileiro do Concreto: Comitê Técnico CT-301
Concreto Estrutural. 39p.
PINHEIRO, L. M., GIONGO, J.S. (1986). Concreto armado: propriedades dos
materiais. São Carlos, EESC-USP, Publicação 005 / 86. 79p.
PINHEIRO, L. M. (2010). Notas de aula da disciplina Estruturas de Concreto
Armado I. São Carlos, EESC-USP.
ESTRUTURAS DE CONCRETO – CAPÍTULO 2

Libânio M. Pinheiro, Cassiane D. Muzardo, Sandro P. Santos,

Thiago Catoia, Bruna Catoia

Março de 2010

CARACTERÍSTICAS DO CONCRETO

Como foi visto no capítulo anterior, a mistura em proporção adequada de


cimento, agregados, água e, em alguns casos, adições e/ou aditivos resulta num
material de construção, o concreto, cujas características diferem substancialmente
daquelas apresentadas pelos elementos que o constituem.
Este capítulo tem por finalidade destacar as principais características e
propriedades do material concreto, incluindo aspectos relacionados à sua utilização.

2.1 MASSA ESPECÍFICA


Serão considerados os concretos de massa específica normal (c), entre
2000 kg/m3 e 2800 kg/m3.
Para efeito de cálculo, pode-se adotar para o concreto simples o valor
2400 kg/m3, e para o concreto armado, 2500 kg/m3.
Quando se conhecer a massa específica do concreto utilizado, pode-se
considerar, para valor da massa específica do concreto armado, aquela do concreto
simples acrescida de 100 kg/m3 a 150 kg/m3.

2.2 PROPRIEDADES MECÂNICAS


As principais propriedades mecânicas do concreto são: resistência à
compressão, resistência à tração e módulo de elasticidade. Essas propriedades
são determinadas a partir de ensaios, executados em condições específicas.
Geralmente, os ensaios são realizados para controle da qualidade e atendimento
às especificações.

2.2.1 Resistência à compressão


A resistência à compressão simples, denominada fc, é a característica
mecânica mais importante.
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Características do Concreto

Para estimá-la em um lote de concreto, são moldados e preparados corpos de


prova segundo a NBR 5738 – Moldagem e cura de corpos-de-prova cilíndricos
ou prismáticos de concreto, os quais são ensaiados de acordo com a NBR 5739 –
Concreto – Ensaio de compressão de corpos-de-prova cilíndricos.
O corpo de prova padrão brasileiro é o cilíndrico, com 15 cm de diâmetro e
30 cm de altura, e a idade de referência é 28 dias.
Após ensaio de um número muito grande de corpos de prova, pode ser feito
um gráfico com os valores obtidos de fc versus a quantidade de corpos de prova
relativos a determinado valor de fc, também denominada densidade de frequência. A
curva encontrada denomina-se Curva Estatística de Gauss ou Curva de
Distribuição Normal para a resistência do concreto à compressão (Figura 2.1).

Figura 2.1 – Curva de Gauss para a resistência do concreto à compressão

Na curva de Gauss encontram-se dois valores de fundamental importância:


resistência média do concreto à compressão, fcm, e resistência característica
do concreto à compressão, fck.
O valor fcm é a média aritmética dos valores de fc para o conjunto de corpos de
prova ensaiados, e é utilizado na determinação da resistência característica, fck, por
meio da fórmula:
fck  fcm  1,65s

O desvio padrão s corresponde à distância entre a abscissa de fcm e a do ponto


de inflexão da curva (ponto em que ela muda de concavidade).
O valor 1,65 corresponde ao quantil de 5 %, ou seja, apenas 5 % dos corpos
de prova possuem fc  fck, ou, ainda, 95 % dos corpos de prova possuem fc  fck.
Portanto, pode-se definir fck como sendo o valor da resistência que tem 5 %
de probabilidade de não ser alcançado, em ensaios de corpos de prova de um
determinado lote de concreto.
2.2
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Características do Concreto

Como será visto posteriormente, a NBR 8953 define as classes de resistência


em função de fck. Concreto classe C30, por exemplo, corresponde a um concreto
com fck = 30 MPa.
Nas obras, devido ao pequeno número de corpos de prova ensaiados, calcula-
se fck,est, valor estimado da resistência característica do concreto à compressão.

2.2.2 Resistência à tração


Os conceitos relativos à resistência do concreto à tração direta, fct, são
análogos aos expostos no item anterior, para a resistência à compressão. Portanto,
tem-se a resistência média do concreto à tração, fctm, valor obtido da média
aritmética dos resultados, e a resistência característica do concreto à tração, fctk
ou simplesmente ftk, valor da resistência que tem 5% de probabilidade de não ser
alcançado pelos resultados de um lote de concreto.
A diferença no estudo da tração encontra-se nos tipos de ensaio. Há três
normalizados: tração direta, compressão diametral e tração na flexão.

a) Ensaio de tração direta


Neste ensaio, considerado o de referência, a resistência à tração direta, fct, é
determinada aplicando-se tração axial, até a ruptura, em corpos de prova de
concreto simples (Figura 2.2). A seção central é retangular, com 9 cm por 15 cm, e
as extremidades são quadradas, com 15 cm de lado.

Figura 2.2 – Ensaio de tração direta

b) Ensaio de tração na compressão diametral (spliting test)


É o ensaio mais utilizado, por ser mais simples de ser executado e utilizar o
mesmo corpo de prova cilíndrico do ensaio de compressão (15 cm por 30 cm).
Também é conhecido internacionalmente como Ensaio Brasileiro, pois foi
desenvolvido por Lobo Carneiro, em 1943.

2.3
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Características do Concreto

Para a sua realização, o corpo de prova cilíndrico é colocado com o eixo


horizontal entre os pratos da máquina de ensaio, e o contato entre o corpo de prova
e os pratos deve ocorrer somente ao longo de duas geratrizes, onde são colocadas
tiras padronizadas de madeira, diametralmente opostas (Figura 2.3), sendo aplicada
uma força até a ruptura do concreto por fendilhamento, devido à tração indireta
(Figura 2.4).

CARGA

Talisca de Barra de aço suplementar


madeira
(3 mm x 25 mm) Corpo-de-prova cilíndrico
(15 cm x 30 cm)

Plano de ruptura à tração

Base de apoio da
máquina de ensaio

Figura 2.3 – Ensaio de tração por compressão diametral


Adaptado de Mehta e Monteiro (2008)

Tração Compressão

D/6

D/3

D/2

2D/3

5D/6

D
2 0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 10
Tensão x LD/2P

Figura 2.4 – Distribuição de tensão no corpo de prova


(MEHTA e MONTEIRO, 2008)

2.4
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Características do Concreto

O valor da resistência à tração por compressão diametral, fct,sp, encontrado


neste ensaio, é um pouco maior que o obtido no ensaio de tração direta.

c) Ensaio de tração na flexão


Para a realização deste ensaio, um corpo de prova de seção prismática é
submetido à flexão, com carregamentos em duas seções simétricas, até à ruptura
(Figura 2.5).
O ensaio também é conhecido por “carregamento nos terços”, pelo fato das
seções carregadas se encontrarem nos terços do vão.
Analisando os diagramas de esforços solicitantes (Figura 2.6), pode-se notar
que na região de momento máximo tem-se cortante nula.
Portanto, nesse trecho central ocorre flexão pura.
Os valores encontrados para a resistência à tração na flexão, fct,f, são
maiores que os encontrados nos ensaios descritos anteriormente (tração direta e
compressão diametral).

Extremidade da máquina de ensaio

25 mm no mínimo
Esfera de aço

Elemento de apoio e
D=L/3 Corpo-de-prova aplicação da carga

Estrutura rígida de
carregamento
Barra
Esfera de aço
de aço

L/3 L/3 L/3 Base de apoio da


máquina de ensaio
Vão

Figura 2.5 – Ensaio de tração na flexão


(MEHTA e MONTEIRO, 2008)

2.5
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Características do Concreto

Figura 2.6 – Diagramas de esforços solicitantes (ensaio de tração na flexão)

d) Relações entre os resultados dos ensaios


Como os resultados obtidos nos dois últimos ensaios são diferentes dos
relativos ao ensaio de referência, de tração direta, há coeficientes de conversão.
Considera-se a resistência à tração direta, fct, igual a 0,9 fct,sp ou 0,7 fct,f, ou
seja, coeficientes de conversão 0,9 e 0,7, para os resultados de compressão
diametral e de flexão, respectivamente.
Na falta de ensaios, as resistências à tração direta podem ser obtidas a partir
da resistência à compressão fck:

fctm  0,3 fck 2/3


fctk,inf  0,7 fctm
fctk, sup  1,3 fctm

Nessas equações, as resistências são expressas em MPa.


Será visto oportunamente que cada um desses valores é utilizado em situações
específicas.

2.2.3 Módulo de elasticidade


Outro aspecto fundamental no projeto de estruturas de concreto consiste na
relação entre as tensões e as deformações.

2.6
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Características do Concreto

Sabe-se da Resistência dos Materiais que a relação entre tensão e


deformação, para determinados intervalos, pode ser considerada linear (Lei de
Hooke), ou seja, σ  E ε , sendo  a tensão,  a deformação específica e E o
Módulo de Elasticidade ou Módulo de Deformação Longitudinal (Figura 2.7).


Figura 2.7 - Módulo de elasticidade ou de deformação longitudinal

Para o concreto, a expressão do Módulo de Elasticidade é aplicada somente à


parte retilínea da curva tensão versus deformação ou, quando não existir uma parte
retilínea, a expressão é aplicada à tangente da curva na origem. Desta forma, é
obtido o Módulo de Deformação Tangente Inicial, Eci (Figura 2.8).

Eci


Figura 2.8 - Módulo de deformação tangente inicial (Eci)

O módulo de deformação tangente inicial é obtido segundo ensaio descrito na


NBR 8522 – Concreto – Determinação do módulo de deformação estática e
diagrama tensão-deformação.
2.7
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Características do Concreto

Quando não forem feitos ensaios e não existirem dados mais precisos sobre o
concreto, para a idade de referência de 28 dias, pode-se estimar o valor do módulo
de elasticidade inicial usando a expressão:

E ci  5600 fck 1/2

Eci e fck são dados em MPa.

O Módulo de Elasticidade Secante, Ecs, a ser utilizado nas análises elásticas


de projeto, especialmente para determinação de esforços solicitantes e verificação
de estados limites de serviço, deve ser calculado pela expressão:

Ecs = 0,85 Eci

Na avaliação do comportamento de um elemento estrutural ou de uma seção


transversal, pode ser adotado um módulo de elasticidade único, à tração e à
compressão, igual ao módulo de elasticidade secante (Ecs).

2.2.4 Coeficiente de Poisson


Quando uma força uniaxial é aplicada sobre uma peça de concreto, resulta uma
deformação longitudinal na direção da carga e, simultaneamente, uma deformação
transversal com sinal contrário (Figura 2.9).

Figura 2.9 – Deformações longitudinais e transversais

A relação entre a deformação transversal e a longitudinal é denominada


coeficiente de Poisson e indicada pela letra . Para tensões de compressão
menores que 0,5 fc e de tração menores que fct, pode ser adotado  = 0,2.

2.8
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Características do Concreto

2.2.5 Módulo de elasticidade transversal


O módulo de elasticidade transversal pode ser considerado Gc = 0,4 Ecs.

2.2.6 Estados múltiplos de tensão


Na compressão associada a confinamento lateral, como ocorre em pilares
cintados, por exemplo, a resistência do concreto é maior do que o valor relativo à
compressão simples.
O cintamento pode ser feito com estribos, que impedem a expansão lateral do
pilar, criando um estado múltiplo de tensões. O cintamento também aumenta a
dutilidade do elemento estrutural.
Na região dos apoios das vigas, pode ocorrer fissuração por causa da força
cortante. Essas fissuras, com inclinação aproximada de 45, delimitam as chamadas
bielas de compressão.
Portanto, as bielas são regiões comprimidas com tensões de tração na direção
perpendicular, caracterizando um estado biaxial de tensões. Nesse caso tem-se uma
resistência à compressão menor que a da compressão simples.
Portanto, a resistência do concreto depende do estado de tensão a que ele se
encontra submetido.

2.3 ESTRUTURA INTERNA DO CONCRETO


O concreto tem uma estrutura interna altamente complexa e heterogênea,
sendo esta a dificuldade de sua compreensão. Entretanto, o conhecimento da
estrutura e das propriedades individuais dos materiais constituintes e da relação
entre eles auxilia a compreensão das propriedades dos vários tipos de concreto.
Por isso o concreto é dividido em três constituintes:
 pasta de cimento hidratada,
 agregado e
 zona de transição na interface entre a pasta de cimento e o agregado.

A fase agregado é a principal responsável pela massa unitária, pelo módulo de


elasticidade e pela estabilidade dimensional.

Essas propriedades do concreto dependem, principalmente, da densidade e da


resistência do agregado, que por sua vez são determinadas mais por suas
características físicas do que pelas químicas.

2.9
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Características do Concreto

A pasta de cimento hidratada é resultado das complexas reações química do


cimento com a água. A hidratação do cimento evolui com o tempo, o que resulta em
diferentes fases sólidas, vários tipos de vazios e água em diferentes formas.
As quatro principais fases sólidas são:
 silicato de cálcio hidratado (C-S-H), parte resistente da pasta;
 hidróxido de cálcio (CH), parte frágil da pasta;
 sulfoaluminato de cálcio e
 grão de clinquer não hidratado.

Os vazios presentes na pasta de cimento hidratada são classificados de acordo


com o tamanho:
 espaço interlamelar no C-S-H, que são os menores vazios;
 vazios capilares, espaço entre os componentes sólidos da pasta;
 ar incorporado, que são os maiores vazios, só superados pelos relativos ao
 ar aprisionado, que ocupam os maiores vazios.

A classificação da água presente na pasta de cimento hidratada é baseada no


grau de dificuldade ou de facilidade com que pode ser removida. São elas, na ordem
crescente de dificuldade de remoção:
 água capilar ou água livre;
 água adsorvida;
 água interlamelar e
 água quimicamente combinada.

A zona de transição, na interface das partículas grandes de agregado e da


pasta de cimento, embora composta pelos mesmos elementos que a pasta de
cimento hidratada, apresenta propriedades diferentes da matriz. Esse fato se deve
principalmente ao filme de água formado em torno das partículas de agregado, que
alteram a relação água/cimento nessa região, formando uma estrutura mais porosa
e menos resistente.

2.4 DEFORMAÇÕES
O concreto apresenta deformações elásticas e inelásticas, no carregamento, e
deformações de retração por secagem ou por resfriamento. Quando restringidas, as
deformações por retração ou térmicas resultam em padrões de tensão complexos,
que costumam causar fissuração.
2.10
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Características do Concreto

As deformações do concreto dependem essencialmente de sua estrutura


interna. A contração térmica é de maior importância nos elementos de grande
volume de concreto. Sua magnitude pode ser controlada por meio do coeficiente de
expansão térmica do agregado, consumo e tipo de cimento e da temperatura dos
materiais constitutivos do traço do concreto.

2.4.1 Retração por Secagem e Fluência


Denomina-se retração a redução de volume que ocorre no concreto, mesmo na
ausência de tensões mecânicas e de variações de temperatura. A retração por
secagem é a deformação associada à perda de umidade.
A fluência é o fenômeno do aumento gradual da deformação ao longo do
tempo, sob um dado nível de tensão constante.
No caso de muitas estruturas reais, a fluência e a retração ocorrem ao mesmo
tempo. Assim, por uma série de motivos, é pertinente discutir os fenômenos de
retração por secagem e de fluência conjuntamente, considerando os aspectos:
 primeiramente, tanto a retração por secagem quanto a fluência têm a
mesma origem, ou seja, a pasta de cimento hidratado;
 segundo, as curvas deformação versus tempo são muito semelhantes;
 terceiro, os fatores que influenciam a retração por secagem também
normalmente influenciam a fluência, da mesma forma;
 quarto, no concreto a microdeformação de cada fenômeno é significativa e
não pode ser ignorada em projetos estruturais;
 quinto, tanto a retração por secagem quanto a fluência são parcialmente
reversíveis.
Presume-se que tanto as deformações de retração por secagem quanto as de
fluência sejam relativas, principalmente, à remoção da água adsorvida da pasta de
cimento hidratada. A diferença é que, em um caso, a umidade diferencial relativa
entre o concreto e o ambiente é a força motriz, enquanto, no outro, é a tensão
constante aplicada.
As causas da fluência no concreto são mais complexas. Além dos movimentos
de umidade, há outras causas que contribuem para a fluência, principalmente a
microfissuração da zona de transição e a resposta elástica retardada no agregado.
Além da retração por secagem, também denominada de retração capilar, que
ocorre por evaporação parcial da água capilar e perda da água adsorvida, gerando
tensão superficial e fluxo de água nos capilares que provocam a retração, há
também a retração química, que é a contração da água não evaporável, durante as
reações de hidratação do cimento.
2.11
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Características do Concreto

A retração por carbonatação também pode ser considerada uma retração


química. Entretanto, ocorre pela reação de um produto do cimento já hidratado, o
hidróxido de cálcio (CH), com o dióxido de carbono (CO2), produzindo o carbonato
de cálcio mais água [Ca(OH)2 + CO2  CaCO3 + H2O]; esta reação ocorre com
diminuição de volume.
A carbonatação pode melhorar algumas características do concreto. Porém,
devido ao cobrimento insuficiente e a fissuração, a carbonatação pode despassivar a
armadura, deixando-a suscetível à corrosão.

2.4.2 Expansão
Expansão é o aumento de volume do concreto, que ocorre em peças
submersas e em peças tracionadas, devido à fluência.
Nas peças submersas, no início tem-se retração química. Porém, o fluxo de
água é de fora para dentro. Por conta disso, as decorrentes tensões capilares
anulam a retração química e, em seguida, provocam a expansão da peça.

2.4.3 Deformações térmicas


Em geral, sólidos se expandem com o aquecimento e se retraem com o
resfriamento. A não ser sob condições extremas de temperatura, as estruturas
comuns de concreto sofrem pouco ou nenhum dano com as alterações da
temperatura ambiente.
No entanto, em estruturas massivas, a combinação do calor produzido pela
hidratação do cimento e condições desfavoráveis de dissipação de calor resultam
em grande elevação da temperatura do concreto, poucos dias após o lançamento.
A deformação associada à mudança de temperatura depende do coeficiente de
expansão térmica do material e da magnitude de queda ou de elevação de
temperatura.
Define-se coeficiente de variação térmica  como a variação na unidade de
comprimento por variação na unidade de temperatura. Para o concreto armado, para
variações normais de temperatura, a NBR 6118:2003 permite adotar  = 10-5 /C.

2.4.4 Deformação imediata


A deformação imediata acontece por ocasião do carregamento e ocorre de
acordo com a Teoria da Elasticidade. Corresponde ao comportamento do concreto
como sólido verdadeiro, e é causada por uma acomodação dos cristais que formam
o material. Os valores dessas deformações são apresentados nas Tabelas de Lajes
e nas Tabelas de Vigas.

2.12
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Características do Concreto

2.5 FATORES QUE INFLUEM NAS PROPRIEDADES DO CONCRETO


Com base no que foi apresentado neste texto, os principais fatores que influem
nas propriedades do concreto são:
 Tipo e quantidade de cimento;
 Qualidade da água e relação água-cimento;
 Tipos de agregados, granulometria e relação agregado-cimento;
 Presença de aditivos e adições;
 Procedimento e duração do processo de mistura;
 Condições e duração do transporte e do lançamento;
 Condições de adensamento e de cura;
 Forma e dimensões dos corpos de prova;
 Tipo e duração do carregamento;
 Idade do concreto, umidade, temperatura etc.

BIBLIOGRAFIA

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 5738:


Moldagem e cura de corpos-de-prova de concreto cilíndricos ou prismáticos. Rio de
Janeiro, 1994.
______. NBR 5739: Concreto - Ensaio de compressão de corpos-de-prova
cilíndricos. Rio de Janeiro, 1994.
______. NBR 6118: Projeto de estruturas de concreto – Procedimento. Rio de
Janeiro, 2003.
______. NBR 7222: Argamassa e concreto - Determinação da resistência à tração
por compressão diametral de corpos-de-prova cilíndricos. Rio de Janeiro, 1994.
______. NBR 8522: Concreto - Determinação do módulo de deformação estática e
diagrama tensão-deformação. Rio de Janeiro, 1984.
______. NBR 8953: Concreto para fins estruturais - Classificação por grupos de
resistência. Rio de Janeiro, 1992.
______. NBR 12142: Concreto - Determinação da resistência à tração na flexão em
corpos-de-prova prismáticos. Rio de Janeiro, 1991.
MEHTA, P. K.; MONTEIRO, P. J. M. (2008). Concreto: microestrutura, propriedades
e materiais. São Paulo: IBRACON, [Link]., 674p.

2.13
ESTRUTURAS DE CONCRETO – CAPÍTULO 3

Libânio M. Pinheiro, Andreilton P. Santos, Cassiane D. Muzardo, Sandro P. Santos

Março de 2010

AÇOS PARA ARMADURAS

3.1 DEFINIÇÃO E IMPORTÂNCIA

O aço é uma liga de ferrocarbono com outros elementos adicionais (silício,


manganês, fósforo, enxofre etc.), resultante da eliminação total ou parcial de
elementos inconvenientes que se fazem presentes no produto obtido na primeira
redução do minério de ferro. O teor de carbono nessa liga varia de 0 a 1,7%.

Os aços estruturais para construção civil possuem teores de carbono da


ordem de 0,18% a 0,25%. Esse material tem grande aplicação na Engenharia
graças às seguintes características: ductilidade; incombustibilidade; facilidade de ser
trabalhado; resistência a tração, compressão, flexão e torção; resistência a impacto,
abrasão e desgaste. Em condições adequadas, apresenta também resistência a
variações de temperatura, intempéries e agressões químicas.

Como o concreto simples apresenta pequena resistência a tração e é frágil,


é altamente conveniente a associação do aço ao concreto, obtendo-se o concreto
armado.

Esse material, adequadamente dimensionado e detalhado, resiste muito


bem à maioria dos tipos de solicitação. Mesmo em peças comprimidas, além de
fornecer ductilidade, o aço aumenta a resistência do concreto à compressão.

3.2 OBTENÇÃO DO PRODUTO SIDERÚRGICO

O ponto de partida para obtenção do aço é o minério de ferro. A hematita


(Fe2O3) é atualmente o minério de ferro de maior emprego na siderurgia, sendo o
Brasil um dos grandes produtores mundiais.
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Aços para armaduras

Generalizando, pode-se resumir o processo de transformação do minério em


aço em quatro grandes estágios: preparação ou tratamento do minério e do carvão;
redução do minério de ferro; refino e tratamento mecânico.

a) Preparação ou tratamento do minério e do carvão

A primeira fase consiste na preparação do mineral extraído da natureza,


geralmente feita a céu aberto, visto que a sua ocorrência é em grande quantidade.
Nessa fase o material é passado por britadeiras, seguida de classificação pelo
tamanho. É lavado com jato de água, para eliminar argila, terra etc.

Como o minério deve entrar no alto forno com granulometria padronizada, os


pedaços pequenos são submetidos à sintetização ou pelotização, para se
aglutinarem em pedaços maiores.

O coque é um combustível obtido com o aquecimento do carvão mineral,


resultando carbono e cinzas.

Atualmente costuma-se misturar, já nesta fase, um fundente (como o


calcário), necessário à formação da escória de alto forno, que abaixa o ponto de
fusão da mistura, e com isso se obtém maior eficiência das operações de alto forno.

b) Redução do minério de ferro

A redução tem como objetivo retirar o oxigênio do minério, que assim será
reduzido a ferro, e o separa da ganga. Esta é o resultado da combinação de carbono
(coque) com o oxigênio do minério.

Em temperaturas elevadas, as reações químicas que ocorrem entre o coque


e o minério de ferro separam o ferro do oxigênio. Este reage com o carbono do
coque, formando dióxido de carbono (CO2), principalmente.

Simultaneamente, a combustão do carvão e o oxigênio do ar fornecem calor


para fundir o metal reduzido e a ganga, que se combina ao mesmo tempo com os
fundentes, formando a escória que se separa do ferro no estado líquido, em virtude
do seu menor peso específico.
3.2
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Aços para armaduras

Esse processo se passa no alto forno, com altura de 50 m a 100 m. Um


elevador alimenta o forno, pela boca superior, com o minério de ferro, coque e o
fundente. Na sua base é injetado ar quente. A temperatura varia de 1000C no topo
a 1500C na base.

Na base do alto forno obtém-se a escória de alto forno e o ferro gusa, que é
quebradiço e tem baixa resistência, por apresentar altos teores de carbono e de
outros materiais, entre os quais silício, manganês, fósforo e enxofre.

c) Refino

O refino é a transformação do ferro gusa em aço. Essa etapa é processada


nas aciarias, com a diminuição de teor de carbono e de outros materiais. A
transformação é feita pela introdução controlada de oxigênio.

O aço líquido é transferido para a segunda etapa do processo na aciaria,


que é o lingoteamento contínuo, em que são produzidos os tarugos, que são barras
de aço de seção quadrada e comprimento de acordo com sua finalidade.

Nas lingoteiras, inicia-se o processo de solidificação do aço, com a formação


de uma fina casca sólida na superfície do material.

Após a passagem pela lingoteira, existe a câmara de refrigeração, onde é


feita a aspersão de água que se encontra sobre a superfície sólida e ainda rubra do
material, auxiliando sua solidificação até o núcleo.

d) Tratamento mecânico

As próprias leis que regem a solidificação do aço líquido nas lingoteiras


impedem a obtenção de um material homogêneo, resultando sempre num material
com granulação grosseira, quebradiço e de baixa resistência.

Por isso, a etapa final é o tratamento mecânico dos tarugos, que os


transformam em produtos com características adequadas à sua utilização.

3.3
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Aços para armaduras

3.3 TRATAMENTO MECÂNICO DOS AÇOS

Como foi visto, o aço obtido nas aciarias apresenta granulação grosseira, é
quebradiço e de baixa resistência. Para aplicações estruturais, ele precisa sofrer
modificações, o que é feito por dois tipos de tratamento: a quente e a frio.

a) Tratamento a quente

Chama-se tratamento mecânico a quente quando a temperatura de trabalho


é maior 720 (zona crítica), em que ocorre a recristalização do aço. Nessa situação o
aço é mais mole, sendo mais fácil de trabalhar, pois os grãos deformados
recristalizam-se em seguida sob a forma de pequenos grãos.

Este tratamento consiste na laminação, no forjamento e na extrusão,


realizados em temperaturas acima de 720C.

Nessas temperaturas há uma modificação da estrutura interna do aço,


ocorrendo homogeneização e recristalização com a redução do tamanho dos grãos,
melhorando as características mecânicas do material.

O aço obtido nessa situação apresenta melhor trabalhabilidade, aceita solda


comum, possui diagrama tensão-deformação com patamar de escoamento, e resiste
a incêndios moderados. Perde resistência, apenas, com temperaturas acima de
1150 C (Figura 3.1).

Estão incluídos neste grupo os aços CA-25 e CA-50.

A laminação consiste na passagem do material entre dois rolos que gira com
a mesma velocidade periférica em sentidos opostos e estão espaçados de uma
distância algo inferior à espessura da peça a laminar. Nessas condições, em função
do atrito entre o metal e os rolos, a peça é “puxada” pelos rolos, tendo sua
espessura reduzida, o comprimento alongado e a largura levemente aumentada. O
controle do atrito é fundamental, na medida que ele define a maior redução possível,
sem forças externas que empurrem a peça.

3.4
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Aços para armaduras

O forjamento é o processo de conformação com que se obtém a forma


desejada da peça por martelamento ou por aplicação gradativa de pressão. A
maioria das operações de forjamento ocorre a quente, embora certos metais possam
ser forjados a frio.

800

700

600

500
Tensão (MPa)

400

300

200

100

0
0 10 20 30 40 50 60 70 80 90
Deformação (‰)

Figura 3.1 – Diagrama de aço tratado a quente (Fonte: Toshiaki Takeya).

Na Figura 3.1 tem-se:

 Aço CA 50 e diâmetro de 6,3 mm;


 Valores nominais:
As = 31,2 mm2;
fyk = 500 MPa;
fstk = 550 MPa;
 Valores medidos:
As = 31,2 mm2;
fy = 640 MPa;
fst = 750 MPa;
Øeq = 6,3 mm.

3.5
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Aços para armaduras

Existem duas classes principais de equipamentos de forjamento: os martelos


e as prensas. Os martelos provocam deformação do metal por impacto, e as prensas
submetem o metal a uma força de compressão a baixa velocidade.

O processo de forjamento subdivide-se em duas categorias: o forjamento


livre e o forjamento em matriz.

No forjamento livre o material é deformado entre ferramentas planas ou de


formato simples. O processo de deformação é efetuado por compressão direta e o
material escoa no sentido perpendicular à direção de aplicação da força. Esse
processo é usado geralmente para grandes peças, ou quando o número a ser
produzido é pequeno, não compensando a confecção de matrizes, que são caras.

No forjamento em matriz o material é deformado entre duas metades de


matriz, que fornecem a forma desejada à peça.

O forjamento é possivelmente o processo mais antigo de tratamento


mecânico.

No processo da extrusão, o tarugo é refundido e forçado a passar, sob


pressão, por orifícios com a forma desejada.

b) Tratamento a frio ou encruamento

Neste tratamento ocorre uma deformação dos grãos por meio de tração,
compressão ou torção. Resulta no aumento da resistência mecânica e da dureza, e
diminuição da resistência à corrosão e da ductilidade, ou seja, decréscimo do
alongamento e da estricção.

O processo é realizado abaixo da zona de temperatura crítica (720 C). Os


grãos permanecem deformados e diz-se que o aço está encruado.

Nesta situação, os diagramas tensão-deformação dos aços apresentam


patamar de escoamento convencional, a solda torna-se mais difícil e, à temperatura
da ordem de 600C, o encruamento é perdido (Figura 3.2). Neste grupo está
incluído o aço CA-60.
3.6
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Aços para armaduras

O trefilamento é o mais utilizado processo de tratamento mecânico a frio.


Nesse processo o metal é forçado a passar por orifícios de moldagem. É o processo
das fieiras de arames e geralmente é realizado a frio. No trefilamento de arames, os
fios endurecem rapidamente e têm que ser recozidos a cada passagem.

800

700

600

500
Tensão (MPa)

400

300

200

100

0
0 10 20 30 40 50 60 70 80 90
Deformação (‰)

Figura 3.2 - Diagrama de aço tratado a frio (Fonte: Toshiaki Takeya).

Na Figura 3.2 tem-se:

 Aço CA 60 e diâmetro de 8 mm;


 Valores nominais:
As = 50,0 mm2;
fyk = 600 MPa;
fstk = 630 MPa;
Es = 210 GPa;
 Valores medidos:
As = 49,6 mm2;
fy = 750 MPa;
fst = 757 MPa;
Es = 188 GPa;
Øeq = 7,94 mm.
3.7
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Aços para armaduras

A Figura 3.3 ilustra os tipos de tratamento mecânico realizados no aço.

Figura 3.3 – Tipos de tratamento mecânico no aço.

3.4 BARRAS E FIOS

A NBR 7480:2007 “Aço destinado a armaduras para estruturas de concreto


armado” fixa as condições exigíveis na encomenda, fabricação e fornecimento de
barras e fios de aço destinados a armaduras para concreto armado, com ou sem
revestimento superficial.

Classificam-se como barras os produtos de diâmetro nominal 6,3 mm ou


superior, obtidos exclusivamente por laminação a quente, sem processo posterior de
deformação mecânica, sendo permitido o endireitamento do material produzido em
rolos. O diâmetro nominal de 5 mm foi retirado em relação à versão anterior dessa
norma, a NBR 7480:1996. De acordo com o valor característico da resistência de
escoamento, as barras de aço são classificadas nas categorias: CA-25 e CA-50.

Os fios são aqueles de diâmetro nominal 10 mm ou inferior, obtidos a partir


de fio-máquina por trefilação ou laminação a frio. Segundo o valor característico da
resistência de escoamento, os fios são classificados na categoria CA-60.

Esta classificação pode ser visualizada na Tabela 3.1.


3.8
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Aços para armaduras

Tabela 3.1 – Diâmetros nominais conforme a NBR 7480 (2007).

As barras da categoria CA-50 são obrigatoriamente providas de nervuras


transversais oblíquas.

Os valores de coeficiente de conformação superficial para cada diâmetro são


determinados em ensaios em laboratório e devem atender aos parâmetros mínimos
de aderência. Na falta desses ensaios, para barras de diâmetro menor que 10 mm,
deve-se adotar o coeficiente de conformação superficial mínimo igual a 1 ( = 1), e
para barras com diâmetro maior ou igual a 10 mm,  = 1,5.

Os fios podem ser lisos, entalhados ou nervurados. Os de diâmetro nominal


10 mm devem ter obrigatoriamente entalhes ou nervuras. O coeficiente de
conformação superficial mínimo, quando não for obtido por ensaio, pode ser tomado
igual a 1 para diâmetro menor que 10 mm, e 1,5 para diâmetro igual a 10 mm.

A categoria CA-25 deve ter superfície obrigatoriamente lisa, desprovida de


quaisquer tipos de nervuras ou entalhes. Deve-se adotar como coeficiente de
conformação superficial mínimo, para todos os diâmetros,  = 1.

Não é aconselhável o emprego de diâmetros inferiores a 5 mm em


elementos estruturais, pois os inconvenientes de seu manuseio durante a obra, tais
como transporte desde a central de armação até sua colocação na fôrma e posterior
concretagem, podem comprometer o bom funcionamento da armadura.

O comprimento de fornecimento das barras e fios retos deve ser de 12 m e a


tolerância de ± 1 %. São fornecidos em peças, feixes, rolos ou conforme acordo
entre fornecedor e comprador.

3.9
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Aços para armaduras

3.5 CARACTERÍSTICAS MECÂNICAS

As características mecânicas mais importantes para a definição de um aço


são o limite elástico, a resistência e o alongamento na ruptura. Essas características
são determinadas em ensaios de tração.

O limite elástico é a máxima tensão que o material pode suportar sem que
se produzam deformações plásticas ou remanescentes, além de certos limites.

Resistência é a máxima força de tração que a barra suporta, dividida pela


área de seção transversal inicial do corpo de prova.

Alongamento na ruptura é o aumento do comprimento do corpo de prova


correspondente à ruptura, expresso em porcentagem.

Os aços para concreto armado devem obedecer aos requisitos:


 Ductilidade e homogeneidade;
 Valor elevado da relação entre limite de resistência e limite de
escoamento;
 Soldabilidade;
 Resistência razoável a corrosão.

A ductilidade é a capacidade do material de se deformar plasticamente sem


romper. Pode ser medida por meio do alongamento específico () ou da estricção.

Quanto mais dúctil o aço, maior é a redução de área ou o alongamento


antes da ruptura.

Um material não dúctil, como, por exemplo, o ferro fundido, não se deforma
plasticamente antes da ruptura. Diz-se, então, que o material possui comportamento
frágil.

Adota-se, para aço destinado a armadura passiva (para concreto armado),


massa específica de 7850 kg/m3, coeficiente de dilatação térmica  = 10-5/C, para
temperatura entre -20C e 150C, e módulo de elasticidade de 210 GPa.

3.10
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Aços para armaduras

3.6 ADERÊNCIA

A própria existência do material concreto armado decorre da solidariedade


existente entre o concreto simples e as barras de aço. Qualitativamente, a aderência
pode ser dividida em: aderência por adesão, aderência por atrito e aderência
mecânica.

A adesão resulta de ligações físico-químicas que se estabelecem na


interface dos dois materiais, durante as reações de pega do cimento.

O atrito é notado ao se processar o arrancamento da barra de aço do


volume de concreto que a envolve. As forças de atrito dependem do coeficiente de
atrito entre aço e o concreto, o qual é função da rugosidade superficial da barra, e
decorrem da existência de uma pressão transversal, exercida pelo concreto sobre a
barra e pela retração do concreto.

A aderência mecânica é decorrente da existência de nervuras ou entalhes


na superfície da barra. Este efeito também é encontrado nas barras lisas, em razão
da existência de irregularidades próprias, originadas no processo de laminação das
barras.

As nervuras e os entalhes têm como função aumentar a aderência da barra


ao concreto, proporcionando melhor atuação conjunta do aço e do concreto.

A influência desse comportamento solidário entre o concreto simples e as


barras de aço é medida quantitativamente pelo coeficiente de conformação
superficial das barras (). A NBR 7480:2007 estabelece os valores mínimos para ,
apresentados na Tabela 3.2.

Tabela 3.2 – Valores mínimos de  para   10 mm conforme a NBR 7480:2007

3.11
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Aços para armaduras

A NBR 6118:2003 “Projeto de Estruturas de Concreto” estabelece


coeficiente de conformação superficial 1 para cálculo, de acordo com o estabelecido
na Tabela 3.3.

Tabela 3.3 – Valores mínimos de 1 conforme a NBR 6118:2003

3.7 DIAGRAMA DE CÁLCULO

O diagrama a ser empregado no cálculo, tanto para aço tratado a quente


quanto o tratado a frio, é o indicado na Figura 3.4.

Nessa figura, tem-se:

fyk: resistência característica do aço à tração


fyd: resistência de cálculo do aço à tração, igual a fyk / 1,15
fyck: resistência característica do aço à compressão;
se não houver determinação experimental, considera-se fyck = fyk ;
fycd: resistência de cálculo do aço à compressão, igual a fyck /1,15
yd: deformação específica de escoamento (valor de cálculo)

O diagrama indicado na Figura 3.4 representa um material elastoplástico


perfeito.

Os alongamentos (s) são limitados a 10%o e os encurtamentos a 3,5%o, no


caso de flexão simples ou composta, e a 2%o, no caso de compressão simples.

Esses encurtamentos são fixados em função dos valores máximos adotados


para o material concreto.

3.12
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Aços para armaduras

800
700
600
500
400
300
200
Tensão (MPa)

100
0
-90 -80 -70 -60 -50 -40 -30 -20 -10 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90
-100
-200
-300
-400
-500
-600
-700
-800
Deformação (‰)

Figura 3.4 - Diagrama tensão-deformação para cálculo

3.13
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Aços para armaduras

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6118: Projeto de


estruturas de concreto. Rio de Janeiro, 2003.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 7480: Aço destinado


a armaduras para estruturas de concreto armado. Rio de Janeiro, 2007.

SUSSEKIND, J. C. Curso de Concreto. v.1. [Link]. São Paulo: Globo, 1989.

PETRUCCI, E. G. R. Materiais de construção civil. [Link]. São Paulo: Globo, 1995.

GÓIS, W. Aços para armaduras. Seminário apresentado junto à disciplina:


Fundamentos do Concreto I. Departamento de Engenharia de Estruturas da Escola
de Engenharia de São Carlos, Universidade de São Paulo, São Carlos, 2002.

3.14
ESTRUTURAS DE CONCRETO – CAPÍTULO 4

Libânio M. Pinheiro, Cassiane D. Muzardo, Sandro P. Santos

2 de abril, 2003.

CONCEPÇÃO ESTRUTURAL

A concepção estrutural, ou simplesmente estruturação, também chamada de


lançamento da estrutura, consiste em escolher um sistema estrutural que constitua a
parte resistente do edifício.

Essa etapa, uma das mais importantes no projeto estrutural, implica em


escolher os elementos a serem utilizados e definir suas posições, de modo a formar
um sistema estrutural eficiente, capaz de absorver os esforços oriundos das ações
atuantes e transmiti-los ao solo de fundação.

A solução estrutural adotada no projeto deve atender aos requisitos de


qualidade estabelecidos nas normas técnicas, relativos à capacidade resistente, ao
desempenho em serviço e à durabilidade da estrutura.

4.1 DADOS INICIAIS

A concepção estrutural deve levar em conta a finalidade da edificação e


atender, tanto quanto possível, às condições impostas pela arquitetura.

O projeto arquitetônico representa, de fato, a base para a elaboração do


projeto estrutural. Este deve prever o posicionamento dos elementos de forma a
respeitar a distribuição dos diferentes ambientes nos diversos pavimentos. Mas não
se deve esquecer de que a estrutura deve também ser coerente com as
características do solo no qual ela se apóia.

O projeto estrutural deve ainda estar em harmonia com os demais projetos,


tais como: de instalações elétricas, hidráulicas, telefonia, segurança, som, televisão,
ar condicionado, computador e outros, de modo a permitir a coexistência, com
qualidade, de todos os sistemas.
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Concepção Estrutural

Os edifícios podem ser constituídos, por exemplo, pelos seguintes


pavimentos: subsolo, térreo, tipo, cobertura e casa de máquinas, além dos
reservatórios inferiores e superiores.

Existindo pavimento-tipo, o que em geral ocorre em edifícios de vários


andares, inicia-se pela estruturação desse pavimento. Caso não haja pavimentos
repetidos, parte-se da estruturação dos andares superiores, seguindo na direção dos
inferiores.

A definição da forma estrutural parte da localização dos pilares e segue com


o posicionamento das vigas e das lajes, nessa ordem, sempre levando em conta a
compatibilização com o projeto arquitetônico.

4.2 SISTEMAS ESTRUTURAIS

Inúmeros são os tipos de sistemas estruturais que podem ser utilizados. Nos
edifícios usuais empregam-se lajes maciças ou nervuradas, moldadas no local, pré-
fabricadas ou ainda parcialmente pré-fabricadas.

Em casos específicos de grandes vãos, por exemplo, pode ser aplicada


protensão para melhorar o desempenho da estrutura, seja em termos de resistência,
seja para controle de deformações ou de fissuração.

Alternativamente, podem ser utilizadas lajes sem vigas, apoiadas


diretamente sobre os pilares, com ou sem capitéis, casos em que são denominadas
lajes-cogumelo, e lajes planas ou lisas, respectivamente. No alinhamento dos
pilares, podem ser consideradas vigas embutidas, com altura considerada igual à
espessura das lajes, sendo também denominadas vigas-faixa.

A escolha do sistema estrutural depende de fatores técnicos e econômicos,


dentre eles: capacidade do meio técnico para desenvolver o projeto e para executar
a obra, e disponibilidade de materiais, mão-de-obra e equipamentos necessários
para a execução.

4.2
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Concepção Estrutural

Nos casos de edifícios residenciais e comerciais, a escolha do tipo de


estrutura é condicionada, essencialmente, por fatores econômicos, pois as
condições técnicas para projeto e construção são de conhecimento da Engenharia
de Estruturas e de Construção.

Este trabalho tratará dos sistemas estruturais constituídos por lajes maciças
de concreto armado, moldadas no local e apoiadas sobre vigas. Posteriormente,
serão consideradas também as lajes nervuradas e as demais ora mencionadas.

4.3 CAMINHO DAS AÇÕES

O sistema estrutural de um edifício deve ser projetado de modo que seja


capaz de resistir não só às ações verticais, mas também às ações horizontais que
possam provocar efeitos significativos ao longo da vida útil da construção.

As ações verticais são constituídas por: peso próprio dos elementos


estruturais; pesos de revestimentos e de paredes divisórias, além de outras ações
permanentes; ações variáveis decorrentes da utilização, cujos valores vão depender
da finalidade do edifício, e outras ações específicas, como por exemplo, o peso de
equipamentos.

As ações horizontais, onde não há ocorrência de abalos sísmicos,


constituem-se, basicamente, da ação do vento e do empuxo em subsolos.

O percurso das ações verticais tem início nas lajes, que suportam, além de
seus pesos próprios, outras ações permanentes e as ações variáveis de uso,
incluindo, eventualmente, peso de paredes que se apóiem diretamente sobre elas.
As lajes transmitem essas ações para as vigas, através das reações de apoio.

As vigas suportam seus pesos próprios, as reações provenientes das lajes,


peso de paredes e, ainda, ações de outros elementos que nelas se apóiem, como,
por exemplo, as reações de apoio de outras vigas. Em geral as vigas trabalham à
flexão e ao cisalhamento e transmitem as ações para os elementos verticais −
pilares e paredes estruturais − através das respectivas reações.

4.3
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Concepção Estrutural

Os pilares e as paredes estruturais recebem as reações das vigas que neles


se apóiam, as quais, juntamente com o peso próprio desses elementos verticais, são
transferidas para os andares inferiores e, finalmente, para o solo, através dos
respectivos elementos de fundação.

As ações horizontais devem igualmente ser absorvidas pela estrutura e


transmitidas para o solo de fundação. No caso do vento, o caminho dessas ações
tem início nas paredes externas do edifício, onde atua o vento. Esta ação é resistida
por elementos verticais de grande rigidez, tais como pórticos, paredes estruturais e
núcleos, que formam a estrutura de contraventamento. Os pilares de menor rigidez
pouco contribuem na resistência às ações laterais e, portanto, costumam ser
ignorados na análise da estabilidade global da estrutura.

As lajes exercem importante papel na distribuição dos esforços decorrentes


do vento entre os elementos de contraventamento, pois possuem rigidez
praticamente infinita no seu plano, promovendo, assim, o travamento do conjunto.

Neste trabalho, não serão abordadas as ações horizontais, visto que trata
apenas de edifícios de pequeno porte, em que os efeitos de tais ações são pouco
significativos.

4.4 POSIÇÃO DOS PILARES

Recomenda-se iniciar a localização dos pilares pelos cantos e, a partir daí,


pelas áreas que geralmente são comuns a todos os pavimentos (área de elevadores
e de escadas) e onde se localizam, na cobertura, a casa de máquinas e o
reservatório superior. Em seguida, posicionam-se os pilares de extremidade e os
internos, buscando embuti-los nas paredes ou procurando respeitar as imposições
do projeto de arquitetura.

Deve-se, sempre que possível, dispor os pilares alinhados, a fim de formar


pórticos com as vigas que os unem. Os pórticos, assim formados, contribuem
significativamente na estabilidade global do edifício.

4.4
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Concepção Estrutural

Usualmente os pilares são dispostos de forma que resultem distâncias entre


seus eixos da ordem de 4 m a 6 m. Distâncias muito grandes entre pilares produzem
vigas com dimensões incompatíveis e acarretam maiores custos à construção
(maiores seções transversais dos pilares, maiores taxas de armadura, dificuldades
nas montagens da armação e das formas etc.). Por outro lado, pilares muito
próximos acarretam interferência nos elementos de fundação e aumento do
consumo de materiais e de mão-de-obra, afetando desfavoravelmente os custos.

Deve-se adotar 19cm, pelo menos, para a menor dimensão do pilar e


escolher a direção da maior dimensão de maneira a garantir adequada rigidez à
estrutura, nas duas direções.

Posicionados os pilares no pavimento-tipo, deve-se verificar suas


interferências nos demais pavimentos que compõem a edificação.

Assim, por exemplo, deve-se verificar se o arranjo dos pilares permite a


realização de manobras dos carros nos andares de garagem ou se não afetam as
áreas sociais, tais como recepção, sala de estar, salão de jogos e de festas etc.

Na impossibilidade de compatibilizar a distribuição dos pilares entre os


diversos pavimentos, pode haver a necessidade de um pavimento de transição.
Nesta situação, a prumada do pilar é alterada, empregando-se uma viga de
transição, que recebe a carga do pilar superior e a transfere para o pilar inferior, na
sua nova posição. Nos edifícios de muitos andares, devem ser evitadas grandes
transições, pois os esforços na viga podem resultar exagerados, provocando
aumento significativo de custos.

4.5 POSIÇÕES DE VIGAS E LAJES

A estruturação segue com o posicionamento das vigas nos diversos


pavimentos. Além daquelas que ligam os pilares, formando pórticos, outras vigas
podem ser necessárias, seja para dividir um painel de laje com grandes dimensões,
seja para suportar uma parede divisória e evitar que ela se apóie diretamente sobre
a laje.
4.5
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Concepção Estrutural

É comum, por questões estéticas e com vistas às facilidades no acabamento


e ao melhor aproveitamento dos espaços, adotar larguras de vigas em função da
largura das alvenarias. As alturas das vigas ficam limitadas pela necessidade de
prever espaços livres para aberturas de portas e de janelas.

Como as vigas delimitam os painéis de laje, suas disposições devem levar


em consideração o valor econômico do menor vão das lajes, que, para lajes
maciças, é da ordem de 3,5 m a 5,0 m. O posicionamento das lajes fica, então,
praticamente definido pelo arranjo das vigas.

4.6 DESENHOS PRELIMINARES DE FORMAS

De posse do arranjo dos elementos estruturais, podem ser feitos os


desenhos preliminares de formas de todos os pavimentos, inclusive cobertura e
caixa d’água, com as dimensões baseadas no projeto arquitetônico.

As larguras das vigas são adotadas para atender condições de arquitetura


ou construtivas. Sempre que possível, devem estar embutidas na alvenaria e
permitir a passagem de tubulações. O cobrimento mínimo das faces das vigas em
relação às das paredes acabadas variam de 1,5cm a 2,5cm, em geral. Costuma-se
adotar para as vigas no máximo três pares de dimensões diferentes para as seções
transversais. O ideal é que todas elas tenham a mesma altura, para simplificar o
cimbramento.

Em edifícios residenciais, é conveniente que as alturas das vigas não


ultrapassem 60cm, para não interferir nos vãos de portas e de janelas.

A numeração dos elementos (lajes, vigas e pilares) deve ser feita da


esquerda para a direita e de cima para baixo.

Inicia-se com a numeração das lajes – L1, L2, L3 etc. –, sendo que seus
números devem ser colocados próximos do centro delas. Em seguida são
numeradas as vigas – V1, V2, V3 etc. Seus números devem ser colocados no meio

4.6
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Concepção Estrutural

do primeiro tramo. Finalmente, são colocados os números dos pilares – P1, P2, P3
etc. –, posicionados embaixo deles, na forma estrutural.

Devem ser colocadas as cotas parciais e totais em cada direção,


posicionadas fora do contorno do desenho, para facilitar a visualização.

Ao final obtém-se o anteprojeto de todos os pavimentos, inclusive cobertura


e caixa d’água, e pode-se prosseguir com o pré-dimensionamento de lajes, vigas e
pilares.

4.7
PRÉ-DIMENSIONAMENTO – CAPÍTULO 5

Libânio M. Pinheiro, Cassiane D. Muzardo, Sandro P. Santos

3 abr 2003

PRÉ-DIMENSIONAMENTO

O pré-dimensionamento dos elementos estruturais é necessário para que se


possa calcular o peso próprio da estrutura, que é a primeira parcela considerada no
cálculo das ações.

O conhecimento das dimensões permite determinar os vãos equivalentes e


as rigidezes, necessários no cálculo das ligações entre os elementos.

5.1 PRÉ-DIMENSIONAMENTO DAS LAJES

A espessura das lajes pode ser obtida com a expressão (Figura 5.1):

φ
h=d+ +c
2
d → altura útil da laje

φ → diâmetro das barras

c → cobrimento nominal da armadura

Figura 5.1 - Seção transversal da laje


USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Pré-dimensionamento

a) Cobrimento da armadura

Cobrimento nominal da armadura (c) é o cobrimento mínimo (cmin)

acrescido de uma tolerância de execução (∆c):

c = cmin + ∆c

O projeto e a execução devem considerar esse valor do cobrimento nominal


para assegurar que o cobrimento mínimo seja respeitado ao longo de todo o
elemento.

Nas obras correntes, ∆c ≥ 10mm. Quando houver um controle rigoroso da


qualidade da execução, pode ser adotado ∆c = 5mm. Mas a exigência desse
controle rigoroso deve ser explicitada nos desenhos de projeto.

O valor do cobrimento depende da classe de agressividade do ambiente.


Algumas classes estão indicadas na Tabela 5.1.

Tabela 5.1 – Classes de agressividade ambiental


Microclima
Ambientes internos Ambientes externos e obras em geral
Macroclima
Seco Úmido ou ciclos de Seco Úmido ou ciclos de
UR <= 65% molhagem e secagem UR <= 65% molhagem e secagem
Rural I I I II
Urbano I II I II

Para essas classes I e II, e para ∆c = 10mm, a NBR 6118 (2001) recomenda
os cobrimentos indicados na Tabela 5.2.

Tabela 5.2 – Cobrimento nominal para ∆c = 10mm


Classe de agressividade ambiental
Componente ou elemento I II
Cobrimento nominal (mm)
Laje 20 25
Viga/Pilar 25 30

5.2
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Pré-dimensionamento

b) Altura útil da laje

Para lajes com bordas apoiadas ou engastadas, a altura útil pode ser
estimada por meio da seguinte expressão:

dest = (2,5 – 0,1 x n) . l */100

l x
l* ≤ 
0,7 ⋅ l y
n → número de bordas engastadas
l x → menor vão
l y → maior vão

Para lajes com bordas livres, como as lajes em balanço, deve ser utilizado
outro processo.

c) Espessura mínima

A NBR 6118 (2001) especifica que nas lajes maciças devem ser respeitadas
as seguintes espessuras mínimas:

• 5 cm para lajes de cobertura não em balanço


• 7 cm para lajes de piso ou de cobertura em balanço
• 10 cm para lajes que suportem veículos de peso total menor ou igual a
30 kN
• 12 cm para lajes que suportem veículos de peso total maior que 30 kN

5.2 PRÉ-DIMENSIONAMENTO DAS VIGAS

Uma estimativa grosseira para a altura das vigas é dada por:

l0
• tramos internos: hest =
12
l0
• tramos externos ou vigas biapoiadas: hest =
10
l0
• balanços: hest =
5
5.3
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Pré-dimensionamento

Num tabuleiro de edifício, não é recomendável utilizar muitos valores


diferentes para altura das vigas, de modo a facilitar e otimizar os trabalhos de
cimbramento. Usualmente, adotam-se, no máximo, duas alturas diferentes. Tal
procedimento pode, eventualmente, gerar a necessidade de armadura dupla em
alguns trechos das vigas.

Os tramos mais críticos, em termos de vãos excessivos ou de grandes


carregamentos, devem ter suas flechas verificadas posteriormente.

Para armadura longitudinal em uma única camada, a relação entre a altura


total e a altura útil é dada pela expressão (Figura 5.2):

φl
h = d + c + φt +
2
c → cobrimento

φ t → diâmetro dos estribos

φ l → diâmetro das barras longitudinais

Figura 5.2 – Seção transversal da viga

5.4
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Pré-dimensionamento

5.3 PRÉ-DIMENSIONAMENTO DOS PILARES

Inicia-se o pré-dimensionamento dos pilares estimando-se sua carga, por


exemplo, através do processo das áreas de influência.

Este processo consiste em dividir a área total do pavimento em áreas de


influência, relativas a cada pilar e, a partir daí, estimar a carga que eles irão
absorver.

A área de influência de cada pilar pode ser obtida dividindo-se as distâncias


entre seus eixos em intervalos que variam entre 0,45l e 0,55l, dependendo da
posição do pilar na estrutura, conforme o seguinte critério (ver Figura 5.3):

Figura 5.3 - Áreas de influência dos pilares

• 0,45l: pilar de extremidade e de canto, na direção da sua menor


dimensão;
• 0,55l: complementos dos vãos do caso anterior;
• 0,50l: pilar de extremidade e de canto, na direção da sua maior
dimensão.

No caso de edifícios com balanço, considera-se a área do balanço acrescida


das respectivas áreas das lajes adjacentes, tomando-se, na direção do balanço,
largura igual a 0,50l, sendo l o vão adjacente ao balanço.

5.5
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Pré-dimensionamento

Convém salientar que quanto maior for a uniformidade no alinhamento dos


pilares e na distribuição dos vãos e das cargas, maior será a precisão dos resultados
obtidos. Há que se salientar também que, em alguns casos, este processo pode
levar a resultados muito imprecisos.

Após avaliar a força nos pilares pelo processo das áreas de influência, é
determinado o coeficiente de majoração da força normal (α) que leva em conta as
excentricidades da carga, sendo considerados os valores:

α = 1,3 → pilares internos ou de extremidade, na direção da maior dimensão;


α = 1,5 → pilares de extremidade, na direção da menor dimensão;
α = 1,8 → pilares de canto.

A seção abaixo do primeiro andar-tipo é estimada, então, considerando-se


compressão simples com carga majorada pelo coeficiente α, utilizando-se a seguinte
expressão:

30 × α × A × ( n + 0 ,7 )
Ac =
f ck + 0 ,01 × ( 69 ,2 − f ck )

Ac = b x h → área da seção de concreto (cm2)


α → coeficiente que leva em conta as excentricidades da carga
A → área de influência do pilar (m2)
n → número de pavimentos-tipo
(n+0,7) → número que considera a cobertura, com carga estimada
em 70% da relativa ao pavimento-tipo.
fck → resistência característica do concreto (kN/cm2)

A existência de caixa d’água superior, casa de máquina e outros


equipamentos não pode ser ignorada no pré-dimensionamento dos pilares, devendo-
se estimar os carregamentos gerados por eles, os quais devem ser considerados
nos pilares que os sustentam.

Para as seções dos pilares inferiores, o procedimento é semelhante,


devendo ser estimadas as cargas totais que esses pilares suportam.

5.6
BASES PARA CÁLCULO – CAPÍTULO 6

Libânio M. Pinheiro, Cassiane D. Muzardo, Sandro P. Santos

6 maio 2003

BASES PARA CÁLCULO

6.1 ESTADOS LIMITES

As estruturas de concreto armado devem ser projetadas de modo que


apresentem segurança satisfatória. Esta segurança está condicionada à verificação
dos estados limites, que são situações em que a estrutura apresenta desempenho
inadequado à finalidade da construção, ou seja, são estados em que a estrutura se
encontra imprópria para o uso. Os estados limites podem ser classificados em
estados limites últimos ou estados limites de serviço, conforme sejam referidos à
situação de ruína ou de uso em serviço, respectivamente. Assim, a segurança pode
ser diferenciada com relação à capacidade de carga e à capacidade de utilização da
estrutura.

6.1.1 Estados Limites Últimos

São aqueles que correspondem à máxima capacidade portante da estrutura,


ou seja, sua simples ocorrência determina a paralização, no todo ou em parte, do
uso da construção. São exemplos:

a) Perda de equilíbrio como corpo rígido: tombamento, escorregamento


ou levantamento;
b) Resistência ultrapassada: ruptura do concreto;
c) Escoamento excessivo da armadura: ε s > 1,0% ;
d) Aderência ultrapassada: escorregamento da barra;
e) Transformação em mecanismo: estrutura hipostática;
f) Flambagem;
g) Instabilidade dinâmica − ressonância;
h) Fadiga − cargas repetitivas.
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Bases para cálculo

6.1.2 Estados Limites de Serviço

São aqueles que correspondem a condições precárias em serviço. Sua


ocorrência, repetição ou duração causam efeitos estruturais que não respeitam
condições especificadas para o uso normal da construção ou que são indícios de
comprometimento da durabilidade. Podem ser citados como exemplos:

a) Danos estruturais localizados que comprometem a estética ou a


durabilidade da estrutura − fissuração;
b) Deformações excessivas que afetem a utilização normal da construção
ou o seu aspecto estético − flechas;
c) Vibrações excessivas que causem desconforto a pessoas ou danos a
equipamentos sensíveis.

6.2 AÇÕES

Ações são causas que provocam esforços ou deformações nas estruturas.


Na prática, as forças e as deformações impostas pelas ações são consideradas
como se fossem as próprias ações, sendo as forças chamadas de ações diretas e as
deformações, ações indiretas.

6.2.1 Classificação

As ações que atuam nas estruturas podem ser classificadas, segundo sua
variabilidade com o tempo, em permanentes, variáveis e excepcionais.

a) Ações permanentes

As ações permanentes são aquelas que ocorrem com valores constantes ou


com pequena variação em torno da média, durante praticamente toda a vida da
construção.

Elas podem ser subdivididas em ações permanentes diretas − peso próprio


da estrutura ou de elementos construtivos permanentes (paredes, pisos e
6.2
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Bases para cálculo

revestimentos, por exemplo), peso dos equipamentos fixos, empuxos de terra não-
removíveis etc. − e ações permanentes indiretas − retração, recalques de apoio,
protensão.

Em alguns casos particulares, como reservatórios e piscinas, o empuxo de


água pode ser considerado uma ação permanente direta.

b) Ações variáveis

São aquelas cujos valores têm variação significativa em torno da média,


durante a vida da construção. Podem ser fixas ou móveis, estáticas ou dinâmicas,
pouco variáveis ou muito variáveis. São exemplos: cargas de uso (pessoas,
mobiliário, veículos etc.) e seus efeitos (frenagem, impacto, força centrífuga), vento,
variação de temperatura, empuxos de água, alguns casos de abalo sísmico etc.

c) Ações excepcionais

Correspondem a ações de duração extremamente curta e muito baixa


probabilidade de ocorrência durante a vida da construção, mas que devem ser
consideradas no projeto de determinadas estruturas. São, por exemplo, as ações
decorrentes de explosões, choques de veículos, incêndios, enchentes ou abalos
sísmicos excepcionais.

6.3 VALORES REPRESENTATIVOS

No cálculo dos esforços solicitantes, devem ser identificadas e quantificadas


todas as ações passíveis de atuar durante a vida da estrutura e capazes de produzir
efeitos significativos no comportamento da estrutura.

6.3.1 Para Estados Limites Últimos

Com vistas aos estados limites últimos, as ações podem ser quantificadas
por seus valores representativos, que podem ser valores característicos, valores
característicos nominais, valores reduzidos de combinação e valores convencionais
excepcionais.
6.3
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Bases para cálculo

a) Valores característicos (Fk)

Os valores característicos quantificam as ações cuja variabilidade no tempo


pode ser adequadamente expressa através de distribuições de probabilidade.

Os valores característicos das ações permanentes que provocam efeitos


desfavoráveis na estrutura correspondem ao quantil de 95% da respectiva
distribuição de probabilidade (valor característico superior − Fk, sup). Para as ações
permanentes favoráveis, os valores característicos correspondem ao quantil de 5%
de suas distribuições (valor característico inferior − Fk, inf).

Para as ações variáveis, os valores característicos correspondem a valores


que têm probabilidade entre 25% e 35% de serem ultrapassados no sentido
desfavorável, durante um período de 50 anos. As ações variáveis que produzam
efeitos favoráveis não são consideradas.

b) Valores característicos nominais

Os valores característicos nominais quantificam as ações cuja variabilidade


no tempo não pode ser adequadamente expressa através de distribuições de
probabilidade.

Para as ações com baixa variabilidade, com valores característicos superior


e inferior diferindo muito pouco entre si, adotam-se como característicos os valores
médios das respectivas distribuições.

c) Valores reduzidos de combinação

Os valores reduzidos de combinação são empregados quando existem


ações variáveis de naturezas distintas, com possibilidade de ocorrência simultânea.
Esses valores são determinados a partir dos valores característicos através da
expressão ψ 0 Fk . O coeficiente de combinação ψ 0 leva em conta o fato de que é
muito pouco provável que essas ações variáveis ocorram simultaneamente com
seus valores característicos.

6.4
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Bases para cálculo

d) Valores convencionais excepcionais

São os valores arbitrados para as ações excepcionais. Em geral, esses


valores são estabelecidos através de acordo entre o proprietário da construção e as
autoridades governamentais que nela tenham interesse.

6.3.2 Para Estados Limites de Serviço

Com vistas aos estados limites de serviço, os valores representativos das


ações podem ser valores reduzidos de utilização e valores raros de utilização.

a) Valores reduzidos de utilização

Os valores reduzidos de utilização são determinados a partir dos valores


característicos, multiplicando-os por coeficientes de redução. Distinguem-se os
valores freqüentes ψ1 Fk e os valores quase-permanentes ψ 2 Fk das ações
variáveis.

Os valores freqüentes decorrem de ações variáveis que se repetem muitas


vezes (ou atuam por mais de 5% da vida da construção). Os valores quase-
permanentes, por sua vez, decorrem de ações variáveis de longa duração (podem
atuar em pelo menos metade da vida da construção, como, por exemplo, a fluência).

b) Valores raros de utilização

São valores representativos de ações que atuam com duração muito curta
sobre a estrutura (no máximo algumas horas durante a vida da construção, como,
por exemplo, um abalo sísmico).

6.4 TIPOS DE CARREGAMENTO

Entende-se por tipo de carregamento o conjunto das ações que têm


probabilidade não desprezível de atuarem simultaneamente sobre a estrutura,
durante um determinado período de tempo pré-estabelecido. Pode ser de longa
duração ou transitório, conforme seu tempo de duração.

6.5
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Bases para cálculo

Em cada tipo de carregamento, as ações devem ser combinadas de


diferentes maneiras, a fim de que possam ser determinados os efeitos mais
desfavoráveis para a estrutura. Devem ser estabelecidas tantas combinações
quantas forem necessárias para que a segurança seja verificada em relação a todos
os possíveis estados limites (últimos e de serviço).

Pode-se distinguir os seguintes tipos de carregamento, passíveis de ocorrer


durante a vida da construção: carregamento normal, carregamento especial,
carregamento excepcional e carregamento de construção.

6.4.1 Carregamento Normal

O carregamento normal decorre do uso previsto para a construção,


podendo-se admitir que tenha duração igual à vida da estrutura. Este tipo de
carregamento deve ser considerado tanto na verificação de estados limites últimos
quanto nos de serviço.

Um exemplo deste tipo de carregamento é dado pela consideração, em


conjunto, das ações permanentes e variáveis (g + q).

6.4.2 Carregamento Especial

O carregamento especial é transitório e de duração muito pequena em


relação à vida da estrutura, sendo, em geral, considerado apenas na verificação de
estados limites últimos. Este tipo de carregamento decorre de ações variáveis de
natureza ou intensidade especiais, cujos efeitos superam os do carregamento
normal. O vento é um exemplo de carregamento especial.

6.4.3 Carregamento Excepcional

O carregamento excepcional decorre da atuação de ações excepcionais,


sendo, portanto, de duração extremamente curta e capaz de produzir efeitos
catastróficos. Este tipo de carregamento deve ser considerado apenas na verificação
de estados limites últimos e para determinados tipos de construção, para as quais
não possam ser tomadas, ainda na fase de concepção estrutural, medidas que
anulem ou atenuem os efeitos.
6.6
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Bases para cálculo

6.4.4 Carregamento de Construção

O carregamento de construção é transitório, pois, como a própria


denominação indica, refere-se à fase de construção, sendo considerado apenas nas
estruturas em que haja risco de ocorrência de estados limites já na fase executiva.
Devem ser estabelecidas tantas combinações quantas forem necessárias para a
verificação das condições de segurança em relação a todos os estados limites que
são de se temer durante a fase de construção. Como exemplo, tem-se: cimbramento
e descimbramento.

6.5 SEGURANÇA

Uma estrutura apresenta segurança se tiver condições de suportar todas as


ações possíveis de ocorrer, durante sua vida útil, sem atingir um estado limite.

6.5.1 Métodos Probabilísticos

Os métodos probabilísticos para verificação da segurança são baseados na


probabilidade de ruína, conforme indica a Figura 6.1.

O valor da probabilidade de ruína (p) é fixado pelas normas e embutido nos


parâmetros especificados, levando em consideração aspectos técnicos, políticos,
éticos e econômicos. Por questão de economia, em geral, adota-se p > 0,1 ⋅ 10 −6 .

Figura 6.1 – Esquema dos métodos probabilísticos

6.7
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Bases para cálculo

6.5.2 Método Semi-probabilístico

No método semi-probabilístico, continua-se com números empíricos,


baseados na tradição, mas se introduzem dados estatísticos e conceitos
probabilísticos, na medida do possível. É o melhor que se tem condições de aplicar
atualmente, sendo uma situação transitória, até se conseguir maior aproximação
com o método probabilístico puro.

Sendo Rk e Sk os valores característicos da resistência e da solicitação,


respectivamente, e Rd e Sd os seus valores de cálculo, o método pode ser
representado pelo esquema da Figura 6.2.

Figura 6.2 – Esquema do método dos coeficientes parciais (semi-probabilístico)

A idéia básica é:

a) Majorar ações e esforços solicitantes (valores representativos das


ações), resultando nas ações e solicitações de cálculo, de forma que a
probabilidade desses valores serem ultrapassados é pequena;
b) Reduzir os valores característicos das resistências (fk), resultando nas
resistências de cálculo, com pequena probabilidade dos valores reais
atingirem esse patamar;
c) Equacionar a situação de ruína, fazendo com que o esforço solicitante
de cálculo seja igual à resistência de cálculo.

6.8
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Bases para cálculo

Os coeficientes de majoração das ações e das solicitações são


representados por γf. Os coeficientes de minoração das resistências são indicados
por γm, sendo γc para o concreto e γs para o aço.

6.6 ESTÁDIOS

O procedimento para se caracterizar o desempenho de uma seção de


concreto consiste em aplicar um carregamento, que se inicia do zero e vai até a
ruptura. Às diversas fases pelas quais passa a seção de concreto, ao longo desse
carregamento, dá-se o nome de estádios. Distinguem-se basicamente três fases
distintas: estádio I, estádio II e estádio III.

6.6.1 Estádio I

Esta fase corresponde ao início do carregamento. As tensões normais que


surgem são de baixa magnitude e dessa forma o concreto consegue resistir às
tensões de tração. Tem-se um diagrama linear de tensões, ao longo da seção
transversal da peça, sendo válida a lei de Hooke (Figura 6.3).

Figura 6.3 – Comportamento do concreto na flexão pura (Estádio I)

Levando-se em consideração a baixa resistência do concreto à tração, se


comparada com a resistência à compressão, percebe-se a inviabilidade de um
possível dimensionamento neste estádio.

6.9
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Bases para cálculo

É no estádio I que é feito o cálculo do momento de fissuração, que separa o


estádio I do estádio II. Conhecido o momento de fissuração, é possível calcular a
armadura mínima, de modo que esta seja capaz de absorver, com adequada
segurança, as tensões causadas por um momento fletor de mesma magnitude.

Portanto, o estádio I termina quando a seção fissura.

6.6.2 Estádio II

Neste nível de carregamento, o concreto não mais resiste à tração e a seção


se encontra fissurada na região de tração. A contribuição do concreto tracionado
deve ser desprezada. No entanto, a parte comprimida ainda mantém um diagrama
linear de tensões, permanecendo válida a lei de Hooke (Figura 6.4).

Figura 6.4 – Comportamento do concreto na flexão pura (Estádio II)

Basicamente, o estádio II serve para a verificação da peça em serviço.


Como exemplos, citam-se o estado limite de abertura de fissuras e o estado limite de
deformações excessivas.

Com a evolução do carregamento, as fissuras caminham no sentido da


borda comprimida, a linha neutra também e a tensão na armadura cresce, podendo
atingir o escoamento ou não.

O estádio II termina com o inicio da plastificação do concreto comprimido.


6.10
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Bases para cálculo

6.6.3 Estádio III

No estádio III, a zona comprimida encontra-se plastificada e o concreto


dessa região está na iminência da ruptura (Figura 6.5). Admite-se que o diagrama
de tensões seja da forma parabólico-retangular, também conhecido como diagrama
parábola-retângulo.

Figura 6.5 – Comportamento do concreto na flexão pura (Estádio III)

A Norma Brasileira permite, para efeito de cálculo, que se trabalhe com um


diagrama retangular equivalente (Figura 6.6). A resultante de compressão e o braço
em relação à linha neutra devem ser aproximadamente os mesmos para os dois
diagramas.

Figura 6.6 – Diagrama retangular

6.11
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Bases para cálculo

É no estádio III que é feito o dimensionamento, situação em que denomina


“cálculo na ruptura” ou “cálculo no estádio III”.

6.6.4 Diagramas de Tensão

O diagrama parábola-retângulo (Figura 6.5) é formado por um trecho


retangular, para deformação de compressão variando de 0,2% até 0,35%, com
tensão de compressão igual a 0,85fcd, e um trecho no qual a tensão varia segundo
uma parábola do segundo grau.

O diagrama retangular (Figura 6.6) também é permitido pela NBR 6118. A


altura do diagrama é igual a 0,8x. A tensão é 0,85fcd no caso da largura da seção,
medida paralelamente à linha neutra, não diminuir a partir desta para a borda
comprimida, e 0,80fcd no caso contrário.

6.7 DOMÍNIOS DE DEFORMAÇÃO NA RUÍNA

São situações em que pelo menos um dos materiais − o aço ou o concreto −


atinge o seu limite de deformação:

• alongamento último do aço (εcu = 1,0%)

• encurtamento último do concreto (εcu = 0,35% na flexão e

εcu = 0,2% na compressão simples).

O primeiro caso é denominado ruína por deformação plástica excessiva


do aço, e o segundo, ruína por ruptura do concreto. Ambos serão estudados nos
itens seguintes e referem-se a uma seção como a indicada na Figura 6.7.

No início, algumas considerações devem ser ressaltadas. A primeira refere-


se à perfeita aderência entre o aço e o concreto. A segunda diz respeito à Hipótese
de Bernoulli, de que seções planas permanecem planas durante sua deformação. A
terceira está relacionada à nomenclatura: quando mencionada a flexão, sem que se
especifique qual delas − simples ou composta −, entende-se que pode ser tanto uma
quanto a outra.
6.12
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Bases para cálculo

Figura 6.7 – Seção retangular com armadura dupla

6.7.1 Ruína por Deformação Plástica Excessiva

Para que o aço atinja seu alongamento máximo, é necessário que a seção
seja solicitada por tensões de tração capazes de produzir na armadura As uma

deformação específica de 1% (εs = 1%). Essas tensões podem ser provocadas por

esforços tais como:

• Tração (uniforme ou não-uniforme)

• Flexão (simples ou composta)

Considere-se a Figura 6.8. Nela se encontram, à esquerda, uma vista lateral


da peça de seção indicada anteriormente (Figura 6.7), e à direita, o diagrama em
que serão marcadas as deformações específicas.

Figura 6.8 – Vista lateral da peça e limites das deformações

6.13
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Bases para cálculo

Nesse diagrama, a linha tracejada à esquerda corresponde ao alongamento


máximo de 1% − limite do aço −, e a linha tracejada à direita, ao encurtamento
máximo do concreto na flexão: 0,35%. A linha cheia corresponde à deformação nula,
ou seja, separa as deformações de alongamento e as de encurtamento.

a) Reta a

A linha correspondente ao alongamento constante e igual a 1% é


denominada reta a (indicada também na Figura 6.9). Ela pode ser decorrente de
tração simples, se as áreas de armadura As e A’s forem iguais, ou de uma tração
excêntrica em que a diferença entre As e A’s seja tal que garanta o alongamento
uniforme da seção.

Figura 6.9 – Alongamento de 1% – Reta a

Para a notação ora utilizada, a posição da linha neutra é indicada pela


distância x até a borda superior da seção, sendo esta distância considerada positiva
quando a linha neutra estiver abaixo da borda superior, e negativa no caso contrário.

Como para a reta a não há pontos de deformação nula, considera-se que x


tenda para − ∞.

6.14
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Bases para cálculo

b) Domínio 1

Para diagramas de deformação em que ainda se tenha tração em toda a


seção, mas não-uniforme, com εs = 1% na armadura As e deformações na borda

superior variando entre 1% e zero, tem-se os diagramas de deformação num


intervalo denominado domínio 1 (Figura 6.10). Neste caso a posição x da linha
neutra varia entre − ∞ e zero. O domínio 1 corresponde a tração excêntrica.

Figura 6.10 – Domínio 1

c) Domínio 2

O domínio 2 corresponde a alongamento εs = 1% e compressão na borda

superior, com εc variando entre zero e 0,35% (Figura 6.11). Neste caso a linha

neutra já se encontra dentro da seção, correspondendo a flexão simples ou a flexão


composta, com força normal de tração ou de compressão. O domínio 2 é o último
caso em que a ruína ocorre com deformação plástica excessiva da armadura.

Figura 6.11 – Domínio 2

6.15
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Bases para cálculo

6.7.2 Ruína por Ruptura do Concreto na Flexão

De agora em diante, serão considerados os casos em que a ruína ocorre por


ruptura do concreto comprimido.

Como já foi visto, denomina-se flexão a qualquer estado de solicitações


normais em que se tenha a linha neutra dentro da seção. Na flexão, a ruptura ocorre
com deformação específica de 0,35% na borda comprimida.

a) Domínio 3

No domínio 3, a deformação εcu = 0,35% na borda comprimida e εs varia

entre 1% e εyd (Figura 6.12), ou seja, o concreto encontra-se na ruptura e o aço

tracionado em escoamento. Nessas condições, a seção é denominada subarmada.


Tanto o concreto como o aço trabalham com suas resistências de cálculo. Portanto,
há o aproveitamento máximo dos dois materiais. A ruína ocorre com aviso, pois a
peça apresenta deslocamentos visíveis e intensa fissuração.

Figura 6.12 – Domínio 3

b) Domínio 4

No domínio 4, permanece a deformação εcu = 0,35% na borda comprimida

e εs varia entre εyd e zero (Figura 6.13), ou seja, o concreto encontra-se na

ruptura, mas o aço tracionado não atinge o escoamento.

6.16
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Bases para cálculo

Portanto, ele é mal aproveitado. Neste caso, a seção é denominada


superarmada. A ruína ocorre sem aviso, pois os deslocamentos são pequenos e há
pouca fissuração.

Figura 6.13 – Domínio 4 (εyd > εs > 0)

c) Domínio 4a

No domínio 4a (Figura 6.14), as duas armaduras são comprimidas. A ruína


ainda ocorre com εcu = 0,35% na borda comprimida. A deformação na armadura As

é muito pequena, e portanto essa armadura é muito mal aproveitada. A linha neutra
encontra-se entre d e h. Esta situação só é possível na flexo-compressão.

Figura 6.14 – Domínio 4a

6.7.3 Ruína de Seção Inteiramente Comprimida

Os dois últimos casos de deformações na ruína, domínio 5 e a reta b,


encontram-se nas Figuras 6.15 e 6.16, respectivamente.

6.17
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Bases para cálculo

Figura 6.15 – Domínio 5

Figura 6.16 – Reta b

a) Domínio 5

No domínio 5 tem-se a seção inteiramente comprimida (x > h), com εc

constante e igual a 0,2% na linha distante 3/7 h da borda mais comprimida (Figura
6.15). Na borda mais comprimida, εcu varia de 0,35% a 0,2%. O domínio 5 só é

possível na compressão excêntrica.

b) Reta b

Na reta b tem-se deformação uniforme de compressão, com encurtamento


igual a 0,2% (Figura 6.16).

Neste caso, x tende para + ∞.

6.18
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Bases para cálculo

6.7.4 Diagrama Único da NBR6118 (2001)

Para todos os domínios de deformação, com exceção das retas a e b, a


posição da linha neutra pode ser determinada por relações de triângulos.

Os domínios de deformação podem ser representados em um único


diagrama, indicado na Figura 6.17.

Figura 6.17 – Domínios de deformação na ruína

Verifica-se, nesta figura, que da reta a para os domínios 1 e 2, o diagrama


de deformações gira em torno do ponto A, o qual corresponde à ruína por
deformação plástica excessiva da armadura As.

Nos domínios 3, 4 e 4a, o diagrama de deformações gira em torno do


ponto B, relativo à ruptura do concreto com εcu = 0,35% na borda comprimida.

Finalmente, verifica-se que do domínio 5 e para a reta b, o diagrama gira


em torno do ponto C, correspondente à deformação de 0,2% e distante 3/7 h da
borda mais comprimida.

6.19
FLEXÃO SIMPLES NA RUÍNA: EQUAÇÕES – CAPÍTULO 7

Libânio M. Pinheiro, Cassiane D. Muzardo, Sandro P. Santos.

12 maio 2003

FLEXÃO SIMPLES NA RUÍNA: EQUAÇÕES

7.1 HIPÓTESES

No dimensionamento à flexão simples, os efeitos do esforço cortante podem

ser considerados separadamente. Portanto, será considerado somente o momento

fletor, ou seja, flexão pura.

Admite-se a perfeita aderência entre as armaduras e o concreto que as

envolve, ou seja, a deformação específica de cada barra da armadura é igual à do

concreto adjacente.

A resistência do concreto à tração é desprezada, ou seja, na região do

concreto sujeita à deformação de alongamento, a tensão no concreto é considerada

nula.

Nas peças de concreto submetidas a solicitações normais, admite-se a

validade da hipótese de manutenção da forma plana da seção transversal até o

estado limite último, desde que a relação abaixo seja mantida:

l0
>2
d
l0 → distância entre as seções de momento fletor nulo

d → altura útil da seção

Com a manutenção da forma plana da seção, as deformações específicas

longitudinais em cada ponto da seção transversal são proporcionais à distância até a

linha neutra.
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Flexão simples na ruína: equações

7.2 DIAGRAMA DE TENSÕES NO CONCRETO

Permite-se substituir o diagrama parábola-retângulo pelo retangular, com

altura y = 0,8x e tensão σc = 0,85fcd = 0,85fck/γc, exceto nos casos em que a seção

diminuir a partir da linha neutra no sentido da borda mais comprimida. Nestes casos,

σc = 0,95 . 0,85fcd ≈ 0,80fcd. Os diagramas de tensões e alguns tipos de seção

encontram-se nas Figuras 7.1 e 7.2, respectivamente.


0,85 f cd
ou
εc = 3,5‰ 0,85 fcd 0,80 f cd

2,0‰ y = 0,8x
x

Figura 7.1 – Diagrama de tensões

σcd = 0,85fcd σcd = 0,85fcd σcd = 0,80fcd σcd = 0,80f cd

Figura 7.2 – Alguns tipos de seção e respectivas tensões, para diagrama retangular

7.3 DOMÍNIOS POSSÍVEIS

Na flexão, como a tração é resistida pela armadura, a posição da linha

neutra deve estar entre zero e d (domínios 2, 3 e 4), já que para x < 0 (domínio 1) a

seção está toda tracionada, e para x > d (domínio 4a e 5) a seção útil está toda

comprimida. Os domínios citados estão indicados na Figura 7.3.

7.2
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Flexão simples na ruína: equações

Figura 7.3 – Domínios de deformação

7.3.1 Domínio 2

No domínio 2, a ruína se dá por deformação plástica excessiva do aço, com

a deformação máxima de 10‰; portanto, σsd = fyd. A deformação no concreto varia

de 0 até 3,5‰ (Figura 7.4). Logo, o concreto não trabalha com sua capacidade

máxima e, portanto, é mal aproveitado. A profundidade da linha neutra varia de 0 até

0,259d (0< βx < 0,259), pois:


εc 3,5
β x 23 = = = 0,259
(ε c +εs ) (3,5 + 10)

Figura 7.4 – Deformações no Domínio 2


7.3
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Flexão simples na ruína: equações

7.3.2 Domínio 3

No domínio 3, a ruína se dá por ruptura do concreto com deformação

máxima εc = 3,5‰ e, na armadura tracionada, a deformação varia de εyd até 10‰, ou

seja, o aço está em escoamento, com tensão σs = fyd (Figura 7.5).

É a situação ideal de projeto, pois há o aproveitamento pleno dos dois

materiais. A ruína é dúctil, pois ela ocorre com aviso, havendo fissuração aparente e

flechas significativas. Diz-se que as seção é subarmada. A posição da linha neutra

varia de 0,259d até x34 (0,259 < βx < βx34).

εc 3,5 f yd
β x 34 = = ; ε yd =
(ε c +εs ) (3,5 + ε yd ) Es
ε cu
ε cu = 3,5‰

εs ε yd < ε s < 10‰

Figura 7.5 – Deformações no Domínio 3

7.3.3 Domínio 4

Assim como no domínio 3, o concreto encontra-se na ruptura, com

εc = 3,5‰. Porém, o aço apresenta deformação abaixo de εyd e, portanto, ele está

mal aproveitado. As deformações podem ser verificadas na Figura 7.6.

O dimensionamento nesse domínio é uma solução antieconômica, além de

perigosa, pois a ruína se dá por ruptura do concreto e sem escoamento do aço. É

uma ruptura brusca, ou seja, ocorre sem aviso. Quando as peças de concreto são

dimensionadas nesse domínio, diz-se que elas são superarmadas, devendo ser

evitadas; para isso pode-se usar uma das alternativas:


7.4
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Flexão simples na ruína: equações

• Aumentar a altura h, porque normalmente b é fixo, dependendo da


espessura da parede em que a viga é embutida;
• Fixar x como xlim34, ou seja, βx = βx34, e adotar armadura dupla;
• Outra solução é aumentar a resistência do concreto (fck).

ε cu
ε cu = 3,5‰

x
d

εs 0< εs < ε yd

Figura 7.6 – Deformações no Domínio 4

7.4 EQUAÇÕES DE EQUILÍBRIO

Para o dimensionamento de peças na flexão simples com armadura dupla

(Figura 7.7), considera-se que as barras que constituem a armadura estão

agrupadas, concentradas no centro de gravidade dessas barras.

b
d' εc = 3,5‰ σcd
R's ε 's
A's y = 0,8x
Rc x
Md
d
h

As
s
εs

Figura 7.7 - Resistências e deformações na seção

7.5
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Flexão simples na ruína: equações

As equações de equilíbrio de forças e de momentos são respectivamente:


Rc + R’s – Rs = 0
Md = γf x Mk = Rc (d - y/2) + R’s (d - d’)

As resultantes no concreto (Rc) e nas armaduras (Rs e R’s) são dadas por:
Rc = b y σcd = b . 0,8x . 0,85fcd = 0,68 bd βx fcd
Rs = As σs
R’s = A’s σ’s

Para diagrama retangular de tensões no concreto, tem-se que:


y = 0,8x → d – y/2 = d (1 - 0,8x/2d) = d (1 - 0,4βx)

Com esses valores, resultam as seguintes equações para armadura dupla:


0,68 bd βx fcd + A’s σ’s - As σ s = 0 (1)
Md = 0,68 bd² βx fcd (1 - 0,4βx) + A’s σ’s (d – d’) (2)

Para armadura simples, A’s = 0. As equações (1) e (2) resultam:


0,68 bd βx fcd - As σ s = 0 (1’)
Md = 0,68 bd² βx fcd (1 - 0,4 β x) (2’)

7.5 EXEMPLOS

A seguir apresentam-se alguns exemplos de cálculo de flexão simples.

7.5.1 Exemplo 1

Cálculo da altura útil (d) e da área de aço (As) para seção retangular.

a) Dados

Concreto C25, Aço CA-50, b = 30 cm, Mk = 210 kN.m, βx= βx23


εc 3,5
β x 23 = = = 0,259
(ε c +εs ) (3,5 + 10)

7.6
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Flexão simples na ruína: equações

b) Equações de equilíbrio

0,68 bd βx fcd - As σ s = 0 (1’)


Md = 0,68 bd² βx fcd (1 - 0,4βx) (2’)

c) Cálculo de d (equação 2’)

2,5
1,4 × 21000 = 0,68 × 30 × d 2 × 0,259 × × (1 − 0,4 × 0,259)
1,4
d = 58,93 cm (h = 59+3 = 62 cm)

d) Cálculo de As (equação 1’)

2,5 50
0,68 × 30 × 58,93 × 0,259 × − As × =0
1,4 1,15
As = 12,80 cm²

7.5.2 Exemplo 2

Idem exemplo anterior com βx = βx34.

a) Cálculo de βx34
εc 3,5
β x 34 = =
(ε c +εs ) (3,5 + ε yd )
f yd 50 / 1,15
ε yd = = = 2,07‰
Es 210000
3,5
β x 34 = = 0,628
(3,5 + 2,07)

b) Cálculo de d (equação 2’)

2,5
1,4 × 21000 = 0,68 × 30 × d 2 × 0,628 × × (1 − 0,4 × 0,628)
1,4
d = 41,42 cm (h = 42+3 = 45 cm)

7.7
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Flexão simples na ruína: equações

c) Cálculo de As (equação 1’)

2,5 50
0,68 × 30 × 41,42 × 0,628 × − As × =0
1,4 1,15
As = 21,81 cm²

7.5.3 Exemplo 3

Cálculo da altura útil (d) e da área de aço (As) para seção retangular.

a) Dados

Concreto C25, Aço CA-50, b = 30 cm, h = 45 cm, d = 42cm, Mk = 252 kN.m.

b) Cálculo de βx

Na equação (2’), supondo armadura simples:

Md = 0,68 bd² βx fcd (1 – 0,4βx)


2,5
25200 × 1,4 = 0,68 × 30 × 42 2 × β x × (1 − 0,4 × β x )
1,4
25704βx² - 64260βx + 35280 = 0
βx² - 2,5βx + 1,3725 = 0
βx = 0,814 (βx > βx34: Domínio 4)
βx = 1,686 (x > d, portanto descartado)

c) Conclusão

Como βx > βx34 , σ s < fyd (domínio 4): há solução melhor com armadura dupla.

7.5.4 Exemplo 4

Idem exemplo anterior, com Mk = 315 kN.m.

7.8
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Flexão simples na ruína: equações

a) Cálculo de βx (equação 2’)

Md = 0,68 bd² βx fcd (1 – 0,4βx)


2,5
31500 ×1,4 = 0,68 × 30 × 42 2 × β x × (1 − 0,4 × β x )
1,4
25704βx² - 64260βx + 44100 = 0
βx² - 2,5βx + 1,7157 = 0
∆ = (-2,5)² - 4 x1 x 1,7157 = -0,6128 < 0

b) Conclusão

Não há solução para armadura simples. Neste caso só é possível armadura


dupla (exemplo 5).

7.5.5 Exemplo 5

Solução do exemplo anterior com armadura dupla.

a) Dados

Mk = 315 kN.m, βx = βx34 = 0,628, d’ = 3 cm

b) Cálculo de A’s (Equação 2)

Md = 0,68 bd² βx fcd (1 - 0,4βx) + A’s σ’s (d – d’)


1,4. 31500 = 0,68. 30. 422. 0,628. 2,5/1,4 (1 - 0,4. 0,628) +A’s 50/1,15. (42–3)
A’s = 8,19 cm²

c) Cálculo de As (equação 1)

0,68 bd βx fcd + A’s σ’s - As σs = 0


0,68 . 30 . 42 . 0,628 . 2,5/1,4 + 8,19 . 50/1,15 - As . 50/1,15 = 0
As = 30,29 cm²

7.9
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Flexão simples na ruína: equações

d) Armaduras possíveis

As : 6 Ø 25 (Ase = 30 cm²) 2 camadas


8 Ø 22,2 (Ase = 31,04 cm²) 2 camadas

A’s : 2 Ø 25 (Ase = 10 cm²)


3 Ø 20 (Ase = 9,45 cm²)

f) Solução adotada (Figura 7.8)

Figura 7.8 – Detalhamento da seção

7.10
FLEXÃO SIMPLES NA RUÍNA: TABELAS – CAPÍTULO 8

Libânio M. Pinheiro, Cassiane D. Muzardo, Sandro P. Santos

27 maio 2003

FLEXÃO SIMPLES NA RUÍNA: TABELAS

O emprego de tabelas facilita muito o cálculo de flexão simples em seção


retangular.

Neste capítulo será revisto o equacionamento na flexão simples, com o


objetivo de mostrar a obtenção dos coeficientes utilizados nas tabelas, além de
mostrar o uso dessas tabelas.

8.1 EQUAÇÕES DE EQUILÍBRIO

Para o dimensionamento de peças na flexão simples, considera-se que as


barras que constituem a armadura estão agrupadas, e se encontram concentradas
no centro de gravidade dessas barras.

b
d' εc = 3,5‰ σcd
R's ε 's
A's y = 0,8x
Rc x
Md
d
h

As
s
εs

Figura 8.1 - Resistências e deformações na seção

Do equilíbrio de forças e de momentos (Figura 8.1), tem-se que:

Rc + R’s – Rs = 0
Md = γf . Mk = Rc . (d - y/2) + R’s . (d - d’)
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Flexão simples na ruína: tabelas

As resultantes no concreto e nas armaduras podem ser dadas por:

Rc = b y σcd = b . 0,8 . 0,85fcd = 0,68 bd βx fcd


Rs = As σs
R’s = A’s σ’s

Do diagrama retangular de tensão no concreto, tem-se que:

y = 0,8x ⇒ d – y/2 = d (1 - 0,8x/2d) = d (1 - 0,4βx)

Substituindo-se esses valores nas equações de equilíbrio, obtêm-se:

0,68 bd βx fcd + A’s σ’s - As σ s = 0 (1)


Md = 0,68 bd² βx fcd (1 - 0,4βx) + A’s σ’s (d – d’) (2)

8.1.1 Armadura Simples

No caso de armadura simples, considera-se A’s = 0; portanto, as equações


(1) e (2) se reduzem a:

0,68 bd βx fcd - As σ s = 0 (1’)


Md = 0,68 bd² βx fcd (1 - 0,4 β x) (2’)

8.1.2 Armadura Dupla

Para armadura dupla tem-se A’s ≠ 0, sendo válidas as equações (1) e (2).

Quando, por razões construtivas, se tem uma peça cuja seção não pode ser
aumentada, e seu dimensionamento não é possível nos domínios 2 e 3, resultando
portanto no domínio 4, torna-se necessária a utilização de armadura dupla, uma
parte da qual se posiciona na zona tracionada, e outra parte, na zona comprimida
da peça.

Para o cálculo dessa armadura, limita-se o valor de βx em βx34 e calcula-se o


momento fletor máximo (M1) que a peça resistiria com armadura simples. Com este
valor calcula-se a correspondente área de aço tracionado (As1).
8.2
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Flexão simples na ruína: tabelas

Como este valor do momento (M1) é ultrapassado, calcula-se uma seção


fictícia com armadura dupla e sem concreto, parte comprimida e parte tracionada,
para resistir o restante do momento (M2), obtendo-se a parcela As2 da armadura
tracionada e a armadura A’s comprimida. No final, somam-se as duas armaduras
tracionadas, calculadas separadamente.

8.2 EQUAÇÕES DE COMPATIBILIDADE

Para a resolução das equações de equilíbrio de forças e de momentos,


necessita-se de equações que relacionem a posição da linha neutra e as
deformações no aço e no concreto. Tais relações podem ser obtidas com base na
Figura 8.2.
εc
d' ε 's

x
d

εs

Figura 8.2 – Deformações no concreto e no aço

εc εs ε's
= =
x (d − x ) ( x − d ' )
εc εs ε's
= = (3)
β x (1 − β x ) (β x − d' / d)
εc
βx = (3a)
εc + εs
ε c (1 − β x )
εs = (3b)
βx
ε c (β x − d' / d )
ε's = (3c)
βx

8.3
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Flexão simples na ruína: tabelas

8.3 TABELAS PARA ARMADURA SIMPLES

Para facilitar o cálculo feito manualmente, pode-se desenvolver tabelas com


coeficientes que reduzirão o tempo gasto no dimensionamento. Esses coeficientes
serão vistos a seguir.

8.3.1 Coeficiente kc

bd 2
Por definição: kc =
Md

Da equação (2’), tem-se que:

bd 2 1
kc = =
M d 0 ,68 β x f cd ( 1 − 0 ,4 β x )

kc = f (βx , fcd), onde fcd = fck / γ c

8.3.2 Coeficiente ks

Asd
Este coeficiente é definido pela expressão: ks =
Md

Da equação (1’) obtém-se que: 0,68 bd βx fcd = As σ s.

Substituindo na equação (2’), tem-se:

Md = As σ s d (1 – 0,4βx)

A partir desta equação, define-se o coeficiente ks :

As d 1
ks = =
M d σ s ( 1 − 0 ,4 β x )

ks = f (βx , σ s); nos domínios 2 e 3, tem-se σ s = fyd .

Os valores de kc e de ks encontram-se na Tabela 1.1 (PINHEIRO, 1993).

8.4
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Flexão simples na ruína: tabelas

8.4 TABELAS PARA ARMADURA DUPLA

Assim como para armadura simples, também foram desenvolvidas tabelas


para facilitar o cálculo de seções com armadura dupla.

b
Seção 1 Seção 2
d'

A's A's
d
h
≡ + d - d'

As A s1 A s2

Md = M1 + M2

Figura 8.3 – Decomposição da seção para cálculo com armadura dupla

De acordo com a decomposição da seção (figura 8.3), tem-se:

Seção 1: Resiste ao momento máximo com armadura simples.

M1 = bd² / kclim, em que kclim é o valor de kc para βx = βx34

As1 = kslim M1 / d

Seção 2: Seção sem concreto que resiste ao momento restante.

M 2 = M d – M1
M2 = As2 fyd (d – d’) = A’s σ’s (d – d’)

8.4.1 Coeficiente ks2

Da equação de equilíbrio da seção 2, resulta:

1 M2
A s2 =
f yd d − d'

8.5
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Flexão simples na ruína: tabelas

1
Fazendo k s2 = , tem-se:
f yd

M2
A s2 = k s2
d − d'

ks2 = f (fyd)

8.4.2 Coeficiente k’s

De modo análogo ao do item anterior, obtém-se:

1 M2
A's =
σ's d − d '

1
Fazendo k's = , tem-se:
σ's

M2
A's = k 's
d − d'

k’s = f (σ’s) = f1 (fyd, σ’s) = f2 (fyd, d’/h)

8.4.3 Armadura Total

Os coeficientes ks2 e k’s podem ser obtidos na Tabela 1.2 (PINHEIRO, 1993).

Armadura tracionada: As = As1 + As2

Armadura comprimida: A’s

8.5 EXEMPLOS

A seguir apresentam-se alguns exemplos sobre o cálculo de flexão


simples.

8.6
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Flexão simples na ruína: tabelas

8.5.1 EXEMPLO 1

Calcular a área de aço (As) para uma seção retangular. Dados:

Concreto classe C25

Aço CA-50

b = 30 cm

h = 45 cm

Mk = 170 kN.m

h – d = 3 cm

Solução:

d = 45 – 3 = 42 cm

kc = bd² = 30 . 42² _ = 2,2 → ks = 0,028 - Tabela 1.1 (PINHEIRO, 1993)


Md 1,4 . 17000

ks = As d
Md

As = 0,028 . 1,4 . 17000 / 42

As = 15,87 cm²

8.5.2 EXEMPLO 2

Dimensionar a seção do exemplo anterior para Mk = 315 kN.m e armadura


dupla.

Dados:

d’ = 3 cm

βx = βx34

8.7
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Flexão simples na ruína: tabelas

bd 2 30 × 42 2
M1 = = = [Link] (Tabela 1.1, PINHEIRO, 1993)
k c lim 1,8

M1 29400
A s1 = k s × = 0,031× = 21,70cm 2
d 42

M2 = Md – M1 = 1,4 . 31500 – 29400 = 14700 [Link]

M2 14700
As2 = k s2 × = 0,023 × = 8,67cm 2 (Tabela 1.2, PINHEIRO, 1993)
d − d' 42 − 3

d' 3
= = 0,067 => k 's = 0,023 => A' s = 8,67cm 2 (Tabela 1.2, PINHEIRO, 1993)
h 45

As = As1 + As2 = 21,70 + 8,67 = 30,37 cm²

As : 6 Ø 25 (Ase = 30 cm²) 2 camadas


8 Ø 22,2 (Ase = 31,04 cm²) 2 camadas

A’s : 2 Ø 25 (Ase = 10 cm²)


3 Ø 20 (Ase = 9,45 cm²)

Solução adotada (Figura 8.4):

Figura 8.4 – Detalhamento da seção retangular

8.8
FLEXÃO SIMPLES NA RUÍNA: SEÇÃO T – CAPÍTULO 9

Libânio M. Pinheiro, Cassiane D. Muzardo, Sandro P. Santos.

Setembro de 2004.

FLEXÃO SIMPLES NA RUÍNA: SEÇÃO T

9.1 SEÇÃO T

Até agora, considerou-se o cálculo de vigas isoladas com seção retangular,


mas nem sempre é isso que acontece na prática, pois em uma construção podem
ocorrer lajes descarregando em vigas (Figura 9.1). Portanto, há um conjunto laje-
viga resistindo aos esforços. Quando a laje é do tipo pré-moldada, a seção é
realmente retangular.

Figura 9.1 – Piso de um edifício comum – Laje apoiando-se nas vigas

9.2 Ocorrência

Esse tipo de seção ocorre em vigas de pavimentos de edifícios comuns, com


lajes maciças, ou com lajes nervuradas com a linha neutra passando pela mesa, em
vigas de pontes (Figura 9.2), entre outras peças.

Figura 9.2 – Seção de uma ponte


USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Flexão simples na ruína: seção T

9.3 Largura Colaborante

No cálculo de viga como seção T, deve-se definir qual a largura colaborante


da laje que efetivamente está contribuindo para absorver os esforços de
compressão.

De acordo com a NBR 6118, a largura colaborante bf será dada pela largura
da viga bw acrescida de no máximo 10% da distância “a” entre pontos de momento
fletor nulo, para cada lado da viga em que houver laje colaborante.

A distância “a” pode ser estimada em função do comprimento L do tramo


considerado, como se apresenta a seguir:

• viga simplesmente apoiada ......................................................a = 1,00 L


• tramo com momento em uma só extremidade ........................a = 0,75 L
• tramo com momentos nas duas extremidades .........................a = 0,60 L
• tramo em balanço.....................................................................a = 2,00 L

Alternativamente o cálculo da distância “a” pode ser feito ou verificado


mediante exame dos diagramas de momentos fletores na estrutura.

Além disso, deverão ser respeitados os limites b1 e b3 conforme a figura 9.3.

• bw é a largura real da nervura;


• ba é a largura da nervura fictícia obtida aumentando-se a largura real
para cada lado de valor igual ao do menor cateto do triângulo da mísula
correspondente;
• b2 é a distância entre as faces das nervuras fictícias sucessivas.

Quando a laje apresentar aberturas ou interrupções na região da mesa


colaborante, esta mesa só poderá ser considerada de acordo com o que se
apresenta na figura 9.4.

9.2
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Flexão simples na ruína: seção T

0,5b 2 b
b1 ≤  b3 ≤  4 (NBR 6118)
0,10a 0,10a

bf

b3 c b1 b1

b4 c b2

bw bw
ba

bf

hf

b3 bw b1

Figura 9.3 - Largura de mesa colaborante

abertura
2 2
1 1
bf bef

Figura 9.4 - Largura efetiva com abertura

9.3
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Flexão simples na ruína: seção T

9.4 Verificação do Comportamento (Retangular ou T Verdadeira)

Para verificar se a seção da viga se comporta como seção T (Figura 9.5), é


preciso analisar a profundidade da altura y do diagrama retangular, em relação à
altura hf do flange (espessura da laje). Caso y seja menor ou igual a hf, a seção
deverá ser calculada como retangular de largura bf; caso contrário, ou seja, se o
valor de y for superior a hf, a seção deverá ser calculada como seção T verdadeira.
O procedimento de cálculo é indicado a seguir.

Calcula-se βxf = hf / (0,8d)

Supondo seção retangular de largura bf, calcula-se kc.

kc = bfd² / Md, entrando na tabela 1.1 (PINHEIRO, 1993), tira-se βx.

Se βx ≤ βxf → cálculo como seção retangular com largura bf,

Se βx > βxf → cálculo como seção T verdadeira.

bf

y hf

d
h

As

bw

Figura 9.5 – Seção T

9.5 Cálculo como Seção Retangular

Procede-se o cálculo normal de uma seção retangular de largura igual a bf


(Figura 9.6). Utiliza-se a tabela com o βx calculado para verificação do
comportamento, pois se partiu da hipótese que a seção era retangular. Com este
valor de βx, tira-se o valor de ks e calcula a área de aço através da equação:
ksMd
As =
d
9.4
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Flexão simples na ruína: seção T

bf bf
σcd
y hf y = 0,8x

d
h

As

bw

Figura 9.6 – Seção T “falsa” ou retangular

9.6 Cálculo como Seção T Verdadeira

Para o cálculo como seção T verdadeira, a hipótese de que a seção era


retangular não foi confirmada, portanto procede-se da seguinte maneira (figura 9.7).

bf bf - bw bw

hf hf
y y

h
≡ +

bw

Md = M0 + ∆M
Figura 9.7 – Seção T verdadeira

Calcula-se normalmente o momento resistente M0 de uma seção de concreto


de largura bf - bw, altura h e βx = βxf. Com esse valor de M0, calcula-se a área de aço
correspondente. Com a seção de concreto da nervura (bw x h) e com o momento que
ainda falta para combater o momento solicitante, ∆M = Md – M0, calcula-se como
uma seção retangular comum (Figura 9.7), podendo ser esta com armadura simples
ou dupla. A área de aço total será a soma das armaduras calculadas separadamente
para cada seção.

9.5
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Flexão simples na ruína: seção T

Deverá existir uma armadura transversal com área mínima de 1,5cm²/m para
que haja solidariedade entre a alma e a mesa.

9.7 EXEMPLOS

A seguir apresentam-se alguns exemplos envolvendo o cálculo de flexão


simples em seção T.

9.7.1 EXEMPLO 1

Calcular a área de aço para uma seção T com os seguintes dados:

Concreto classe C25, Aço CA-50


bw = 30 cm, bf = 80 cm
h = 45 cm, hf = 10 cm
Mk = 315 kN.m
h –d = 3 cm

Solução:

d = 45 – 3 = 42 cm

hf 10
β xf = = = 0,30
0,8d 0,8 × 42
2 2
bf d 80 × 42
kc = = = 3,2 → βx = 0,29
Md 1,4 × 31500

βx = 0,29 < βxf → T “Falsa” (Cálculo como seção retangular de largura bf)

ks = 0,026 – Tabela 1.1 (PINHEIRO, 1993)

Md 1,4 × 31500 2
As = ks × = 0,026 × = 27,30cm
d 42
As: 6 Ø 25 (30 cm²)
7 Ø 22,2 (27,16 cm²) 2 camadas

9.6
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Flexão simples na ruína: seção T

9.7.2 EXEMPLO 2

Calcular a área de aço do exemplo anterior, para um momento Mk=378 kN.m

a) Verificação do comportamento

hf 10
β xf = = = 0,30 → kcf = 3,1 e ksf = 0,026
0,8d 0,8 × 42

2 2
bd 80 × 42
kc = = = 2,7 → βx = 0,36 > βxf → T Verdadeira
Md 1,4 × 37800

b) Flange

2 2
bd (80 − 30) × 42
M0 = = = 28452 [Link]
k cf 3,1

28452 2
A s0 = 0,026 × = 17,61 cm
42

c) Nervura

∆M = Md – M0 = 1,4 x 37800 – 28452 = 24468 [Link]


2 2
bwd
30 × 42
kc = = = 2,2 > k c lim = 1,8 → Armadura Simples
∆M 24468

24468 2
∆A s = 0,028 × = 16,31 cm
42

d) Total

As = 17,61 + 16,31 = 33,92cm²

As → 7 Ø 25 (35 cm²) 2 na 2ª camada

Solução adotada (Figura 9.8):

9.7
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Flexão simples na ruína: seção T

Figura 9.8 – Detalhamento da seção T

Obs.: Este detalhamento pode ser melhorado.

9.8
ADERÊNCIA E ANCORAGEM – CAPÍTULO 10

Libânio M. Pinheiro, Cassiane D. Muzardo


25 setembro 2003

ADERÊNCIA E ANCORAGEM

Aderência (bond, em inglês) é a propriedade que impede que haja


escorregamento de uma barra em relação ao concreto que a envolve. É, portanto,
responsável pela solidariedade entre o aço e o concreto, fazendo com que esses
dois materiais trabalhem em conjunto.
A transferência de esforços entre aço e concreto e a compatibilidade de
deformações entre eles são fundamentais para a existência do concreto armado.
Isto só é possível por causa da aderência.
Ancoragem é a fixação da barra no concreto, para que ela possa ser
interrompida. Na ancoragem por aderência, deve ser previsto um comprimento
suficiente para que o esforço da barra (de tração ou de compressão) seja transferido
para o concreto. Ele é denominado comprimento de ancoragem.
Além disso, em peças nas quais, por disposições construtivas ou pelo seu
comprimento, necessita-se fazer emendas nas barras, também se deve garantir um
comprimento suficiente para que os esforços sejam transferidos de uma barra para
outra, na região da emenda. Isto também é possível graças à aderência entre o aço
e o concreto.

10.1 TIPOS DE ADERÊNCIA


Esquematicamente, a aderência pode ser decomposta em três parcelas:
adesão, atrito e aderência mecânica. Essas parcelas decorrem de diferentes
fenômenos que intervêm na ligação dos dois materiais.

10.1.1 Aderência por Adesão


A aderência por adesão caracteriza-se por uma resistência à separação dos
dois materiais. Ocorre em função de ligações físico-químicas, na interface das
barras com a pasta, geradas durante as reações de pega do cimento. Para
pequenos deslocamentos relativos entre a barra e a massa de concreto que a
envolve, essa ligação é destruída.
A Figura 10.1 mostra um cubo de concreto moldado sobre uma placa de aço. A
ligação entre os dois materiais se dá por adesão. Para separá-los, há necessidade
de se aplicar uma ação representada pela força Fb1. Se a força fosse aplicada na
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Aderência e Ancoragem

horizontal, não se conseguiria dissociar a adesão do comportamento relativo ao


atrito. No entanto, a adesão existe independente da direção da força aplicada.

Figura 10.1 – Aderência por adesão

10.1.2 Aderência por Atrito


Por meio do arrancamento de uma barra em um bloco concreto (Figura 10.2),
verifica-se que a força de arrancamento Fb2 é maior do que a força Fb1 mobilizada
pela adesão. Esse acréscimo é devido ao atrito entre a barra e o concreto.

Figura 10.2 – Aderência por atrito

O atrito manifesta-se quando há tendência ao deslocamento relativo entre os


materiais. Depende da rugosidade superficial da barra e da pressão transversal σ,
exercida pelo concreto sobre a barra, em virtude da retração (Figura 10.2). Em
barras curvas ou em regiões de apoio de vigas em pilares, aparecem acréscimos
dessas pressões de contato, que favorecem a aderência por atrito.
O coeficiente de atrito entre aço e concreto é alto, em função da rugosidade da
superfície das barras, resultando valores entre 0,3 e 0,6 (LEONHARDT, 1977).
Na Figura 10.2, a oposição à ação Fb2 é constituída pela resultante das
tensões de aderência (τb) distribuídas ao longo da barra.

10.2
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Aderência e Ancoragem

10.1.3 Aderência Mecânica


A aderência mecânica é devida à conformação superficial das barras. Nas
barras de alta aderência (Figura 10.3), as saliências mobilizam forças localizadas,
aumentando significativamente a aderência.

Figura 10.3 – Aderência mecânica em barras nervuradas

A Figura 10.4 (LEONHARDT, 1977) mostra que mesmo uma barra lisa pode
apresentar aderência mecânica, em função da rugosidade superficial, devida à
corrosão e ao processo de fabricação, gerando um denteamento da superfície. Para
efeito de comparação, são apresentadas superfícies microscópicas de: barra de aço
enferrujada, barra recém laminada e fio de aço obtido por laminação a quente e
posterior encruamento a frio por estiramento. Nota-se que essas superfícies estão
muito longe de serem efetivamente lisas.
Portanto, a separação da aderência nas três parcelas - adesão, atrito e
aderência mecânica - é apenas esquemática, pois não é possível quantificar
isoladamente cada uma delas.

Figura 10.4 - Rugosidade superficial de barras e fios lisos (LEONHARDT, 1977)

1.1. TENSÃO DE ADERÊNCIA


Para uma barra de aço imersa em uma peça de concreto, como a indicada na
figura 10.5, a tensão média de aderência é dada por:

10.3
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Aderência e Ancoragem

Figura 10.5 – Tensão de aderência

Rs
τb =
π.φ.l b
Rs é a força atuante na barra;
φ é o diâmetro da barra;
lb é o comprimento de ancoragem.

A tensão de aderência depende de diversos fatores, entre os quais:

• Rugosidade da barra;
• Posição da barra durante a concretagem;
• Diâmetro da barra;
• Resistência do concreto;
• Retração;
• Adensamento;
• Porosidade do concreto etc.

Alguns desses aspectos serão considerados na seqüência deste texto.

10.3 SITUAÇÕES DE ADERÊNCIA

Na concretagem de uma peça, tanto no lançamento como no adensamento, o


envolvimento da barra pelo concreto é influenciado pela inclinação dessa barra. Sua
inclinação interfere, portanto, nas condições de aderência.

10.4
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Aderência e Ancoragem

Por causa disso, a NBR 6118 (2003) considera em boa situação quanto à
aderência os trechos das barras que estejam com inclinação maior que 45º em
relação à horizontal (figura 10.6 a).

FIGURA 10.6 – Situações de boa e de má aderência (PROMON, 1976)

As condições de aderência são influenciadas por mais dois aspectos:

• Altura da camada de concreto sobre a barra, cujo peso favorece o


adensamento, melhorando as condições de aderência;

• Nível da barra em relação ao fundo da forma; a exsudação produz porosidade


no concreto, que é mais intensa nas camadas mais altas, prejudicando a
aderência.

Essas duas condições fazem com que a NBR 6118 (2003) considere em boa
situação quanto à aderência os trechos das barras que estejam em posição
horizontal ou com inclinação menor que 45º, desde que:

10.5
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Aderência e Ancoragem

• para elementos estruturais com h < 60cm, localizados no máximo 30cm


acima da face inferior do elemento ou da junta de concretagem mais próxima
(Figuras 10.6b e 10.6c);
• para elementos estruturais com h ≥ 60cm, localizados no mínimo 30cm
abaixo da face superior do elemento ou da junta de concretagem mais próxima
(Figura 10.6d).

Em outras posições e quando do uso de formas deslizantes, os trechos das


barras devem ser considerados em má situação quanto à aderência.
No caso de lajes e vigas concretadas simultaneamente, a parte inferior da viga
pode estar em uma região de boa aderência e a parte superior em região de má
aderência. Se a laje tiver espessura menor do que 30cm, estará em uma região de
boa aderência. Sugere-se, então, a configuração das figuras 10.6e e 10.6f para
determinação das zonas aderência.

10.4 RESISTÊNCIA DE ADERÊNCIA


A resistência de aderência de cálculo entre armadura e concreto é dada pela
expressão (NBR 6118, 2003, item [Link]):

f bd = η1 ⋅ η 2 ⋅ η3 ⋅ f ctd

1,0 para barras lisas



η1 = 1,4 para barras entalhadas
2 ,25 para barras nervuradas

1,0 para situações de boa aderência
η2 = 
0,7 para situações de má aderência
1,0 para φ ≤ 32 mm
η3 = 
(132 − φ ) / 100 para φ > 32 mm

O valor fctd é dado por (item 8.2.5 da NBR 6118, 2003):

f ctk,inf
f ctd = sendo f ctk,inf = 0,7 f ctm e f ctm = 0,3 f ck2 / 3
γc

Portanto, resulta:

0 ,21
f ctd = f ck2 / 3
γc

10.6
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Aderência e Ancoragem

10.5 COMPRIMENTO DE ANCORAGEM


Todas as barras das armaduras devem ser ancoradas de forma que seus
esforços sejam integralmente transmitidos para o concreto, por meio de aderência,
de dispositivos mecânicos, ou por combinação de ambos.
Na ancoragem por aderência, os esforços são ancorados por meio de um
comprimento reto ou com grande raio de curvatura, seguido ou não de gancho.
Com exceção das regiões situadas sobre apoios diretos, as ancoragens por
aderência devem ser confinadas por armaduras transversais ou pelo próprio
concreto, considerando-se este caso quando o cobrimento da barra ancorada for
maior ou igual a 3φ e a distância entre as barras ancoradas também for maior ou
igual a 3φ.
Nas regiões situadas sobre apoios diretos, a armadura de confinamento não é
necessária devido ao aumento da aderência por atrito com a pressão do concreto
sobre a barra.

10.5.1 Comprimento de Ancoragem Básico

Define-se comprimento de ancoragem básico lb (Figura 10.5) como o


comprimento reto necessário para ancorar a força limite Rs = As fyd, admitindo, ao
longo desse comprimento, resistência de aderência uniforme e igual a fbd, obtida
conforme o item 10.4.
O comprimento de ancoragem básico lb é obtido igualando-se a força última de
aderência lb πφ fbd com o esforço na barra Rs = As fyd (ver Figura 10.5):

lb πφ fbd = Αsfyd

πφ 2
Como As = obtém-se:
4
φ f yd
lb =
4 f bd

De maneira simplificada, pode-se dizer que, a partir do ponto em que a barra


não for mais necessária, basta assegurar a existência de um comprimento
suplementar lb que garanta a transferência das tensões da barra para o concreto.

10.5.2 Comprimento de Ancoragem Necessário


Nos casos em que a área efetiva da armadura Αs,ef é maior que a área
calculada As,calc, a tensão nas barras diminui e, portanto, o comprimento de

10.7
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Aderência e Ancoragem

ancoragem pode ser reduzido na mesma proporção. A presença de gancho na


extremidade da barra também permite a redução do comprimento de ancoragem,
que pode ser calculado pela expressão:
As ,calc
l b ,nec = α 1 . l b ⋅ ≥l b ,min
As ,ef

1,0 para barras sem gancho



α1 = 0,7 para barras tracionadas com gancho , com cobrimento ≥ 3φ
no plano normal ao do gancho

lb é calculado conforme o item 10.5.1;
lb,min é o maior valor entre 0,3 lb , 10 φ e 100 mm.

10.5.3 Ancoragem de Barras Comprimidas


Nas estruturas usuais de concreto armado, pode ser necessário ancorar barras
compridas, nos seguintes casos:

• em vigas - quando há barras longitudinais compridas (armadura dupla);


• nos pilares - nas regiões de emendas por traspasse, no nível dos andares ou
da fundação.

As barras exclusivamente compridas ou que tenham alternância de solicitações


(tração e compressão) devem ser ancoradas em trecho reto, sem gancho (Figura
10.7). A presença do gancho gera concentração de tensões, que pode levar ao
fendilhamento do concreto ou à flambagem das barras.
Em termos de comportamento, a ancoragem de barras comprimidas e a de
barras tracionadas é diferente em dois aspectos. Primeiramente, por estar
comprimido na região da ancoragem, o concreto apresenta maior integridade (está
menos fissurado) do que se estivesse tracionado, e poder-se-ia admitir
comprimentos de ancoragem menores.
Um segundo aspecto é o efeito de ponta, como pode ser observado na Figura
10.7. Esse fator é bastante reduzido com o tempo, pelo efeito da fluência do
concreto. Na prática, esses dois fatores são desprezados.
Portanto, os comprimentos de ancoragem de barras comprimidas são
calculados como no caso das tracionadas. Porém, nas comprimidas não se usa
gancho.
No cálculo do comprimento de traspasse l0c de barras comprimidas, adota-se a
seguinte expressão (NBR 6118, 2003, item [Link]):

10.8
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Aderência e Ancoragem

l 0c = l b ,nec ≥ l 0c ,min

l0c,min é o maior valor entre 0,6 lb , 15 φ e 200 mm.

Figura 10.7 Ancoragem de barras comprimidas (FUSCO, 1975)

10.6 ANCORAGEM NOS APOIOS


De acordo com a NBR 6118 (2003), item [Link], a armadura longitudinal de
tração junto aos apoios deve ser calculada para satisfazer a mais severa das
seguintes condições:

a) no caso de ocorrência de momentos positivos, a armadura obtida através do


dimensionamento da seção;
b) em apoios extremos, para garantir ancoragem da diagonal de compressão,
armadura capaz de resistir a uma força de tração Rs dada por:
a 
R s =  l  ⋅ Vd + N d (4)
d 
onde Vd é a força cortante no apoio e Nd é a força de tração eventualmente
existente. A área de aço nesse caso é calculada pela equação:
Rs
As ,calc =
f yd
c) em apoios extremos e intermediários, por prolongamento de uma parte da
armadura de tração do vão (As,vão), correspondente ao máximo momento positivo do
tramo (Mvão), de modo que:

10.9
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Aderência e Ancoragem

− As,apoio ≥ 1/3 (As,vão) se Mapoio for nulo ou negativo e de valor absoluto


Mapoio≤ 0,5 Mvão;
− As,apoio ≥ 1/4 (As,vão) se Mapoio for negativo e de valor absoluto
Mapoio> 0,5 Mvão.

10.6.1 Comprimento mínimo de ancoragem em apoios extremos


Em apoios extremos, para os casos (b) e (c) anteriores, a NBR 6118 (2003)
prescreve que as barras devem ser ancoradas a partir da face do apoio, com
comprimento mínimo dado por:

l b ,nec conforme 10.5.1



l be ,min ≥ (r + 5,5φ ) sendo r o raio interno de curvatura do gancho (Tab. 10.1)
60mm

Desta forma, pode-se determinar o comprimento mínimo necessário do apoio:

t min = l be ,min + c
no qual c é o cobrimento da armadura (Figuras 10.8a e 10.8b).

a) Barra com ponta reta b) Barra com gancho

Figura 10.8 – Ancoragem no apoio

A NBR 6118 (2003), item [Link].1, estabelece que quando houver


cobrimento da barra no trecho do gancho, medido normalmente ao plano do gancho,
de pelo menos 70 mm, e as ações acidentais não ocorrerem com grande freqüência
com seu valor máximo, o primeiro dos três valores anteriores pode ser
desconsiderado, prevalecendo as duas condições restantes.

10.10
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Aderência e Ancoragem

10.6.2 Esforço a ancorar e armadura calculada


Na flexão simples, o esforço a ancorar é dado por:
a 
Rs =  l  Vd , face
d 

A armadura para resistir esse esforço, com tensão σs = fyd, é dada por:
Rs
As ,calc =
f yd

10.6.3 Armadura necessária em apoios extremos


Na expressão do comprimento de ancoragem necessário (item 10.5.2),
As ,calc
l b ,nec = α1l b
As ,ef

impondo l b ,nec = l b ,disp e As ,ef = As ,nec , obtém-se:

α1 l b
As ,nec = As ,calc
l b ,disp

A área das barras ancoradas no apoio não pode ser inferior a As, nec.

10.7 ANCORAGEM FORA DE APOIO


Algumas barras longitudinais podem ser interrompidas antes dos apoios. Para
determinar o ponto de início de ancoragem dessas barras, há necessidade de se
deslocar, de um comprimento al, o diagrama de momentos fletores de cálculo.

10.7.1 Deslocamento al do diagrama

O valor do deslocamento al é dado por (item 17.4.2.2c da NBR 6118, 2003):

 VSd , max  0,5d caso geral


al = d ⋅  ⋅ (1 + cot g α) − cot gα  ≥ 
 2 ⋅ (VSd , max − Vc )  0,2d para estribos inclinados a 45º

em que α é o ângulo de inclinação da armadura transversal em relação ao eixo


longitudinal da peça (45° ≤ α ≤ 90). O valor de Vc para flexão simples, flexo-tração
com a linha neutra cortando a seção ou para flexo-compressão em vigas não
protendidas é dado por:

Vc= Vco= 0,[Link].d


10.11
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Aderência e Ancoragem

Vale ressaltar que, nos casos usuais, nos quais a armadura transversal
(estribos) é normal ao eixo da peça, α = 90o e a expressão de a l resulta:

 VSd , max 
al = d ⋅   ≥ 0,5d
 2 ⋅ (VSd , max − Vc ) 

O deslocamento al é fundamentado no comportamento previsto para


resistência da viga à força cortante, em que se considera que a viga funcione como
uma treliça, com banzo comprimido e diagonais (bielas) formados pelo concreto, e
banzo tracionado e montantes constituídos respectivamente pela armadura
longitudinal e pelos estribos. Nesse modelo há um acréscimo de esforço na
armadura longitudinal de tração, que é considerado através de um deslocamento al
do diagrama de momentos fletores de cálculo.

10.7.2 Trecho de ancoragem


Será calculado conforme o item [Link].1 da NBR 6118, 2003 (Figura 10.9).

Figura 10.9 – Ancoragem de barras em peças fletidas


10.12
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Aderência e Ancoragem

O trecho da extremidade da barra de tração, considerado como de ancoragem,


tem início na seção teórica onde sua tensão σs começa a diminuir, ou seja, o esforço
da armadura começa a ser transferido para o concreto. A barra deve prolongar-se
pelo menos 10φ além do ponto teórico de tensão σs nula, não podendo em nenhum
caso ser inferior ao comprimento de ancoragem necessário, calculado conforme o
item 10.5.2 deste texto.
Assim, na armadura longitudinal de tração das peças fletidas, o trecho de
ancoragem da barra terá início no ponto A (Figura 10.8) do diagrama de forças
Rs = Md/z deslocado. Se a barra não for dobrada, o trecho de ancoragem deve
prolongar-se além de B, no mínimo 10φ. Se a barra for dobrada, o início do
dobramento poderá coincidir com o ponto B (Figura 10.9).

10.7.3 Ancoragem em apoios intermediários


Se o ponto A de início de ancoragem estiver na face do apoio ou além dela
(Figura 10.10a) e a força Rs diminuir em direção ao centro do apoio, o trecho de
ancoragem deve ser medido a partir dessa face, com a força Rs dada no item 10.6.2.
Quando o diagrama de momentos fletores de cálculo não atingir a face do
apoio, as barras prolongadas até o apoio (Figura 10.10b) devem ter o comprimento
de ancoragem marcado a partir do ponto A e, obrigatoriamente, deve ultrapassar
10φ da face de apoio.
Quando houver qualquer possibilidade da ocorrência de momentos positivos
nessa região, provocados por situações imprevistas, particularmente por efeitos de
vento e eventuais recalques, as barras deverão ser contínuas ou emendadas sobre
o apoio.

Figura 10.10 – Ancoragem em apoios intermediários


10.13
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Aderência e Ancoragem

10.8 GANCHOS DAS ARMADURAS DE TRAÇÃO


Os ganchos das extremidades das barras da armadura longitudinal de tração
podem ser (item [Link] da NBR 6118, 2003):
• semicirculares, com ponta reta de comprimento não inferior a 2φ (Figura
10.11a);
• em ângulo de 45º (interno), com ponta reta de comprimento não inferior a 4φ
(Figura 10.11b);
• em ângulo reto, com ponta reta de comprimento não inferior as 8φ (Figura
10.11c).

Para barras lisas, os ganchos devem ser semicirculares. Vale ressaltar que,
segundo as recomendações da NBR 6118 (2003), as barras lisas deverão ser
sempre ancoradas com ganchos.

(a) (b) (c)

Figura 10.11 - Tipos de ganchos

Ainda segundo a NBR 6118 (2003), o diâmetro interno da curvatura dos


ganchos das armaduras longitudinais de tração deve ser pelo menos igual ao
estabelecido na Tabela 10.1.

Tabela 10.1 - Diâmetros dos pinos de dobramento

BITOLA CA - 25 CA - 50 CA - 60
(mm)

φ < 20 4φ 5φ 6φ

φ ≥ 20 5φ 8φ -

10.14
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Aderência e Ancoragem

10.9 GANCHOS DOS ESTRIBOS


A NBR 6118 (2003), item 9.4.6, estabelece que a ancoragem dos estribos deve
necessariamente ser garantida por meio de ganchos ou barras longitudinais
soldadas. Os ganchos dos estribos podem ser:

• semicirculares ou em ângulo de 45o (interno), com ponta reta de


comprimento igual a 5φ, porém não inferior a 5cm;
• em ângulo reto, com ponta reta de comprimento maior ou igual a 10φ, porém
não inferior a 7cm (este tipo de gancho não deve ser utilizado para barras e fios
lisos).

O diâmetro interno da curvatura dos estribos deve ser, no mínimo, igual ao


valor dado na Tabela 10.2.

Tabela 10.2 - Diâmetros dos pinos de dobramento para estribos

BITOLA CA - 25 CA - 50 CA - 60

φt ≤ 10 3φt 3φt 3φt

10 < φt < 20 4φt 5φt -

φt ≥ 20 5φt 8φt -

AGRADECIMENTOS
Aos colaboradores na redação e na revisão deste texto:

Marcos Vinícius Natal Moreira,


Murilo Alessandro Scadelai e
Sandro Pinheiro Santos.

REFERÊNCIAS
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (2003). NBR 6118 – Projeto
de estruturas de concreto. Rio de Janeiro, ABNT.
FUSCO, P.B. (1975). Fundamentos da técnica de armar: estruturas de concreto. v.3.
São Paulo, Grêmio Politécnico.

10.15
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Aderência e Ancoragem

LEONHARDT, F.; MÖNNIG, E. (1977). Construções de concreto: princípios básicos


do dimensionamento de estruturas de concreto armado. v.1. Rio de Janeiro,
Interciência.
PROMON ENGENHARIA (1976). Tabelas para dimensionamento de concreto
armado: segundo a NB-1/76. São Paulo, McGraw-Hill do Brasil, 269p.

10.16
LAJES MACIÇAS – CAPÍTULO 11

Libânio M. Pinheiro, Cassiane D. Muzardo, Sandro P. Santos

11 junho 2010

LAJES MACIÇAS

Lajes são elementos planos, em geral horizontais, com duas dimensões


muito maiores que a terceira, sendo esta denominada espessura. A principal função
das lajes é receber os carregamentos atuantes no andar, provenientes do uso da
construção (pessoas, móveis e equipamentos), e transferi-los para os apoios.
Apresenta-se, neste capítulo, o procedimento para o projeto de lajes retangulares
maciças de concreto armado, apoiadas sobre vigas ou paredes. Esses apoios são
admitidos indeslocáveis. Nos edifícios usuais, as lajes maciças têm grande
contribuição no consumo de concreto: aproximadamente 50% do total.

11.1 VÃO LIVRE, VÃO TEÓRICO E CLASSIFICAÇÃO DAS LAJES

No projeto de lajes, a primeira etapa consiste em determinar os vãos livres


(0), os vãos teóricos () e a relação entre os vãos teóricos.

Vão livre é a distância livre entre as faces dos apoios. No caso de balanços,
é a distância da extremidade livre até a face do apoio (Figura 1).

O vão teórico () é denominado vão equivalente pela NBR 6118:2003, que o
define como a distância entre os centros dos apoios, não sendo necessário adotar
valores maiores do que:

 em laje isolada, o vão livre acrescido da espessura da laje no meio do


vão;
 em vão extremo de laje contínua, o vão livre acrescido da metade da
dimensão do apoio interno e da metade da espessura da laje no meio
do vão.
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Lajes maciças

Nas lajes em balanço, o vão teórico é o comprimento da extremidade até o


centro do apoio, não sendo necessário considerar valores superiores ao vão livre
acrescido da metade da espessura da laje na face do apoio.

Em geral, para facilidade do cálculo, é usual considerar os vãos teóricos até


os eixos dos apoios (Figura 1).

Figura 1 – Vão livre e vão teórico

Conhecidos os vãos teóricos considera-se x o menor vão, y o maior e

 = y /x (Figura 2). De acordo com o valor de , é usual a seguinte classificação:

   2  laje armada em duas direções;


   2  laje armada em uma direção.

ly

lx

Figura 2 – Vãos teóricos x (menor vão) e y (maior vão)

11.2
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Lajes maciças

Nas lajes armadas em duas direções, as duas armaduras são calculadas


para resistir os momentos fletores nessas direções.

As denominadas lajes armadas em uma direção, na realidade, também têm


armaduras nas duas direções. A armadura principal, na direção do menor vão, é
calculada para resistir o momento fletor nessa direção, obtido ignorando-se a
existência da outra direção. Portanto, a laje é calculada como se fosse um conjunto
de vigas-faixa na direção do menor vão.

Na direção do maior vão, coloca-se armadura de distribuição, com seção


transversal mínima dada pela NBR 6118:2003. Como a armadura principal é
calculada para resistir à totalidade dos esforços, a armadura de distribuição tem o
objetivo de solidarizar as faixas de laje da direção principal, prevendo-se, por
exemplo, uma eventual concentração de esforços.

11.2 VINCULAÇÃO

A etapa seguinte do projeto das lajes consiste em identificar os tipos de


vínculo de suas bordas.

Existem, basicamente, três tipos: borda livre, borda simplesmente apoiada e


borda engastada (Tabela 1).

Tabela 1 – Representação dos tipos de apoio

Borda livre Borda simplesmente apoiada Borda engastada

A borda livre caracteriza-se pela ausência de apoio, apresentando, portanto,


deslocamentos verticais. Nos outros dois tipos de vinculação, não há deslocamentos
verticais. Nas bordas engastadas, também as rotações são impedidas. Este é o
caso, por exemplo, de lajes que apresentam continuidade, sendo o engastamento
promovido pela laje adjacente.

11.3
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Lajes maciças

Uma diferença significativa entre as espessuras de duas lajes adjacentes


pode limitar a consideração de borda engastada somente para a laje com menor
espessura, admitindo-se simplesmente apoiada a laje com maior espessura. É claro
que cuidados devem ser tomados na consideração dessas vinculações, devendo-se
ainda analisar a diferença entre os momentos atuantes nas bordas das lajes, quando
consideradas engastadas.

Na Tabela 2 são apresentados alguns casos de vinculação, com bordas


simplesmente apoiadas e engastadas. Nota-se que o comprimento total das bordas
engastadas cresce do caso 1 até o 6, exceto do caso 3 para o 4A. Outros tipos de
vínculos, incluindo bordas livres, são indicados nas Tabelas de Lajes.

Tabela 2 - Casos de vinculação das lajes

As tabelas para dimensionamento das lajes, em geral, consideram as bordas


livres, apoiadas ou engastadas, com o mesmo tipo de vínculo ao longo de toda a
extensão dessas bordas. Na prática, outras situações podem acontecer,
devendo-se utilizar um critério, específico para cada caso, para o cálculo dos
momentos fletores e das reações de apoio.

11.4
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Lajes maciças

Pode ocorrer, por exemplo, uma borda com uma parte engastada e a outra
apoiada, como mostrado na Figura 3. Um critério aproximado, possível para este
caso, é indicado na Tabela 3.

Figura 3 - Caso específico de vinculação

Tabela 3 – Critério para bordas com uma parte engastada e outra parte apoiada

y
 y1  Considera-se a borda totalmente apoiada
3
Calculam-se os esforços para as duas situações
y 2y
  y1   borda totalmente apoiada e borda totalmente engastada 
3 3
e adotam-se os maiores valores no dimensionamento
2y
 y1  Considera-se a borda totalmente engastada
3

Se a laje do exemplo anterior fosse armada em uma direção, poderiam ser


consideradas duas partes, uma relativa à borda engastada e a outra, à borda
simplesmente apoiada. Portanto, seriam admitidas diferentes condições de
vinculação para cada uma das partes, resultando armaduras também diferentes,
para cada uma delas.

No caso de lajes adjacentes, como indicado anteriormente, vários aspectos


devem ser analisados para se adotar o tipo de apoio, nos vínculos entre essas lajes.

Uma diferença significativa entre os momentos negativos de duas lajes


adjacentes poderia levar à consideração de borda engastada para uma das lajes e
simplesmente apoiada para a outra, em vez de engastada para ambas. Tais
considerações são indicadas na Figura 4.

11.5
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Lajes maciças

Figura 4 – Critério para considerar bordas engastadas

É importante salientar que critérios como este devem ser cuidadosamente


analisados, tendo em conta a necessidade de garantir a segurança estrutural.

11.3 ESPESSURAS, COBRIMENTOS MÍNIMOS E PRÉ-DIMENSIONAMENTO

As espessuras das lajes e o cobrimento das armaduras devem estar de


acordo com as especificações da NBR 6118:2003.

11.3.1 Espessuras mínimas

De acordo com a NBR 6118:2003), as espessuras das lajes devem respeitar


os seguintes limites mínimos:

 5 cm para lajes de cobertura não em balanço;


 7 cm para lajes de piso ou de cobertura em balanço;
 10 cm para lajes que suportem veículos de peso total menor ou igual a 30 kN;
 12 cm para lajes que suportem veículos de peso total maior que 30 kN;
 15 cm para lajes com protensão.

11.6
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Lajes maciças

11.3.2 Cobrimentos mínimos

São especificados também os valores mínimos de cobrimento para


armaduras das lajes, de acordo com a agressividade do meio em que se encontram.
Esses valores são dados na Tabela 4, extraída da NBR 6118:2003.

O valor de c que aparece nesta tabela é um acréscimo no valor do


cobrimento mínimo das armaduras, sendo considerado como uma tolerância de
execução. O cobrimento nominal é dado pelo cobrimento mínimo acrescido do valor
da tolerância de execução c , que deve ser maior ou igual a 10 mm.

Tabela 4 – Cobrimento nominal para c  10mm

Classe de agressividade ambiental (Tabela 1 da Norma)


Tipo e Componente
I II III IV**
de Estrutura
Cobrimento nominal (mm)

Laje* de Concreto Armado 20 25 35 45


* Para a face superior de lajes e vigas que serão revestidas com argamassa de contrapiso, com
revestimentos finais secos tipo carpete de madeira, com argamassa de revestimento e acabamento
tais como pisos de elevado desempenho, pisos cerâmicos, pisos asfálticos, e outros tantos, as
exigências desta tabela podem ser substituídas pelo item [Link] (NBR 6118:2003) respeitando um
cobrimento nominal  15 mm.
** Nas faces inferiores de lajes e vigas de reservatórios, estações de tratamento de água e esgoto,
condutos de esgoto, canaletas de efluentes e outras obras em ambientes química e intensamente
agressivos a armadura deve ter cobrimento nominal  45 mm.

11.3.3 Pré-dimensionamento da altura útil e da espessura

A NBR 6118 (2001) não especifica critérios de pré-dimensionamento. Para


lajes retangulares com bordas apoiadas ou engastadas, a altura útil d (em cm) pode
ser estimada por meio da expressão:

d = (2,5 – 0,1 n) */100

n é o número de bordas engastadas;


* é o menor valor entre x e 0,7y.

11.7
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Lajes maciças

Para lajes em balanço, pode ser usado o critério da NBR 6118 (1978):

lx
d
 
2 3

Os coeficientes 2 e 3 dependem da vinculação e do tipo de aço,

respectivamente. Podem ser encontrados nas Tabelas de Lajes.

Esta segunda expressão também pode ser utilizada para lajes que não
estejam em balanço. Porém, para lajes usuais de edifícios, costumam resultar
espessuras exageradas. A primeira expressão é mais adequada nesses casos.

11.4 ESFORÇOS

Nesta etapa consideram-se: ações, reações de apoio e momentos fletores.

11.4.1 Ações

As ações devem estar de acordo com as normas NBR 6120 e NBR 6118.

Nas lajes geralmente atuam, além do seu peso próprio, pesos de


revestimentos de piso e de forro, peso de paredes divisórias e cargas de uso.

Na avaliação do peso próprio, conforme item 8.2.2 da NBR 6118:2003,


admite-se o peso específico de 25 kN/m3 para o concreto armado.

As cargas relativas aos revestimentos de piso e da face inferior da laje


dependem dos materiais utilizados. Esses valores se encontram na Tabela 8, no
final deste capítulo.

As cargas de paredes apoiadas diretamente na laje podem, em geral, ser


admitidas uniformemente distribuídas na laje.

Quando forem previstas paredes divisórias, cuja posição não esteja definida
no projeto, pode ser admitida, além dos demais carregamentos, uma carga
uniformemente distribuída por metro quadrado de piso não menor que um terço do
peso por metro linear de parede pronta, observado o valor mínimo de 1 kN/m2.

11.8
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Lajes maciças

Os valores das cargas de uso dependem da utilização do ambiente


arquitetônico que ocupa a região da laje em estudo e, portanto, da finalidade da
edificação (residencial, comercial, escritórios etc.).

Esses valores estão especificados na NBR 6120:1980, sendo os mais


comuns indicados na Tabela 9, no final deste capítulo.

Podem, ainda, atuar cargas concentradas específicas. Esses casos,


entretanto, não serão contemplados neste trabalho.

11.4.2 Reações de apoio

As ações atuantes nas lajes são transferidas para as vigas de apoio. Embora
essa transferência aconteça com as lajes em comportamento elástico, o
procedimento de cálculo proposto pela NBR 6118:2003 baseia-se no comportamento
em regime plástico, a partir da posição aproximada das linhas de plastificação,
também denominadas charneiras plásticas. Este procedimento é conhecido como
processo das áreas.

a) Processo das áreas

Conforme o item [Link] da NBR 6118:2003, permite-se calcular as reações


de apoio de lajes retangulares sob carregamento uniformemente distribuído
considerando-se, para cada apoio, carga correspondente aos triângulos ou trapézios
obtidos, traçando-se, a partir dos vértices, na planta da laje, retas inclinadas de:

 45 entre dois apoios do mesmo tipo;


 60 a partir do apoio engastado, se o outro for simplesmente apoiado;
 90 a partir do apoio vinculado (apoiado ou engastado), quando a borda
vizinha for livre.

Este processo encontra-se ilustrado nos exemplos da Figura 5. Com base


nessa figura, as reações de apoio por unidade de largura serão dadas por:

p Ax p  A' x pAy p  A' y


vx  v' x  vy  v' y  (1)
y y x x

11.9
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Lajes maciças

p  carga total uniformemente distribuída

 x,  y  menor e maior vão teórico da laje, respectivamente

v x , v' x  reações de apoio na direção do vão  x

v y , v' y  reações de apoio na direção do vão  y

Ax , A’x etc.  áreas correspondentes aos apoios considerados


,
 sinal referente às bordas engastadas

Figura 5 - Exemplos de aplicação do processo das áreas

Convém destacar que as reações de apoio vx ou v’x distribuem-se em uma

borda de comprimento y e vice-versa.

As reações assim obtidas são consideradas uniformemente distribuídas nas


vigas de apoio, o que representa uma simplificação de cálculo. Na verdade, as
reações têm uma distribuição não uniforme, em geral com valores máximos na parte
central das bordas, diminuindo nas extremidades. Porém, a deslocabilidade das
vigas de apoio pode modificar a distribuição dessas reações.

b) Cálculo por meio de tabelas

O cálculo das reações pode ser feito mediante o uso das Tabelas de Lajes.
Tais tabelas, baseadas no Processo das Áreas, fornecem coeficientes
adimensionais (  x , ' x ,  y , ' y ), a partir das condições de apoio e da relação

 = y /x com os quais se calculam as reações, dadas por:

11.10
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Lajes maciças

p lx p lx
vx  x v' x  ' x
10 10
(4)
pl pl
vy  y x v' y  ' y x
10 10

O fator de multiplicação depende de x e é o mesmo para todos os casos.

Para as lajes armadas em uma direção, as reações de apoio são calculadas


a partir dos coeficientes adimensionais correspondentes à condição  = y /x > 2.

Nas Tabelas de Lajes, foram feitas correções dos valores obtidos pelo
Processo das Áreas, prevendo-se a possibilidade dos momentos nos apoios
atuarem com intensidades menores que as previstas.

Quando isto ocorre, o alívio na borda apoiada, decorrente do momento na


borda oposta, não acontece com o valor integral.

Para não correr o risco de considerar reações de apoio menores do que


aquelas que efetivamente possam acontecer, os alívios foram consideradas pela
metade.

11.4.3 Momentos fletores

As lajes são solicitadas essencialmente por momentos fletores e forças


cortantes. O cálculo das lajes pode ser feito por dois métodos: o elástico, que será
aqui utilizado, e o plástico, que poderá ser apresentado em fase posterior.

a) Cálculo elástico

O cálculo dos esforços solicitantes pode ser feito pela teoria clássica de
placas delgadas (Teoria de Kirchhoff), supondo material homogêneo, isótropo,
elástico e linear.

A partir das equações de equilíbrio, das leis constitutivas do material (Lei de


Hooke) e das relações entre deslocamentos e deformações, fazendo-se as
operações matemáticas necessárias, obtém-se a equação fundamental que rege o
problema de placas  equação de Lagrange:

11.11
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Lajes maciças

4w 4w 4w p


2   (5)
x 4
x y
2 2
y 4 D

Eh 3
D
12(1   2 )

w função que representa os deslocamentos verticais


p  carga total uniformemente distribuída

D rigidez da placa à flexão


E  módulo de elasticidade
h  espessura da placa
  coeficiente de Poisson

Uma apresentação detalhada da teoria de placas pode ser encontrada em


TIMOSHENKO (1940).

Na maioria dos casos, não é possível determinar, de forma exata, uma


solução para a equação diferencial (5) que, ainda, satisfaça às condições de
contorno.

Em geral, recorre-se a processos numéricos para a resolução dessa


equação, utilizando, por exemplo: diferenças finitas, elementos finitos, elementos de
contorno ou analogia de grelha.

b) Cálculo por meio de tabelas

Esses processos numéricos também podem ser utilizados na confecção de


tabelas, como as de Czerny e as de Bares, obtidas por diferenças finitas.

As tabelas 2.5 e 2.6 (Tabelas de Lajes), empregadas neste trabalho, foram


baseadas nas de BARES (1972), com coeficiente de Poisson igual a 0,15.

O emprego dessas tabelas é semelhante ao apresentado para as reações


de apoio. Os coeficientes tabelados (  x , ' x ,  y , ' y ) são adimensionais, sendo os

momentos fletores por unidade de largura dados pelas expressões:

11.12
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p   2x p   2x
mx   x  m' x   ' x 
100 100
(6)
p   2x p   2x
my   y  m' y   ' y 
100 100

m x , m' x  momentos fletores na direção do vão  x

m y , m' y  momentos fletores na direção do vão  y

Para as lajes armadas em uma direção, os momentos fletores são


calculados a partir dos coeficientes adimensionais correspondentes à condição
 = y /x.

11.4.4 Compatibilização de momentos fletores

Os momentos fletores nos vãos e nos apoios também são conhecidos como
momentos positivos e negativos, respectivamente.

No cálculo desses momentos fletores, consideram-se os apoios internos de


lajes contínuas como perfeitamente engastados. Na realidade, isto pode não ocorrer.

Em um pavimento, em geral, as lajes adjacentes diferem nas condições de


apoio, nos vãos teóricos ou nos carregamentos, resultando, no apoio comum, dois
valores diferentes para o momento negativo. Esta situação está ilustrada na
Figura 6. Daí a necessidade de promover a compatibilização desses momentos.

Na compatibilização dos momentos negativos, o critério usual consiste em


adotar o maior valor entre a média dos dois momentos e 80% do maior. Esse critério
apresenta razoável aproximação quando os dois momentos são da mesma ordem
de grandeza.

Em decorrência da compatibilização dos momentos negativos, os momentos


positivos na mesma direção devem ser analisados. Se essa correção tende a
diminuir o valor do momento positivo, como ocorre nas lajes L1 e L4 da Figura 6,
ignora-se a redução (a favor da segurança).

11.13
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Lajes maciças

Caso contrário, se houver acréscimo no valor do momento positivo, a


correção deverá ser feita, somando-se ao valor deste momento fletor a média das
variações ocorridas nos momentos fletores negativos sobre os respectivos apoios,
como no caso da laje L2 da Figura 6.

Pode acontecer da compatibilização acarretar diminuição do momento


positivo, de um lado, e acréscimo, do outro. Neste caso, ignora-se a diminuição e
considera-se somente o acréscimo, como no caso da laje L3 da Figura 6.

m’21 m’23 m’34


m’32
m’12 m’43

L1 L2 L3 L4

m3 m4
m1
m2

0,8 m’23
m’*23  (m’23 + m’32)
0,8 m’21
2
m’*12  (m’21 + m’12) 0,8 m’34
2 m’*34  (m’34 + m’43)
2

L1 L2 L3 L4

m4
m1 m*3 = m3+ (m’34 - m’*34)
2
m*2 = (m’21 - m’*12) + (m’23 - m’*23)
2 2

Figura 6 – Compatibilização de momentos fletores

Se um dos momentos negativos for muito menor do que o outro, por


exemplo m’12< 0,5m’21, um critério melhor consiste em considerar L1 engastada e
armar o apoio para o momento m’12 , admitindo, no cálculo da L2, que ela esteja
simplesmente apoiada nessa borda.

11.14
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Lajes maciças

11.5 DIMENSIONAMENTO DAS ARMADURAS

Conhecidos os momentos fletores característicos compatibilizados ( m k ),


passa-se à determinação das armaduras. Esse dimensionamento é feito da mesma
forma que para vigas, admitindo-se a largura b = 1 m = 100 cm. Obtém-se, dessa
forma, uma armadura por metro linear.

Podem ser utilizadas as Tabelas Gerais, sendo a Tabela 1.1 para o cálculo
das áreas necessárias das armaduras e a Tabela 1.4a para a escolha do diâmetro e
do espaçamento das barras.

 Inicialmente, determina-se o momento fletor de cálculo, em [Link]/m:


md   f  m k , com  f  1,4

 Em seguida, calcula-se o valor do coeficiente k c :

bwd2
kc  , com b w  100 cm
md

 Conhecidos o concreto, o aço e o valor de k c , obtém-se, na Tabela 1.1, o


valor de k s .

 Calcula-se, então, a área de armadura necessária:

a sd ksmd
ks   as 
md d

 Na tabela 1.4a, com o valor de as , escolhe-se o diâmetro das barras e


,,

o seu espaçamento.

As armaduras devem respeitar os valores mínimos recomendados pela


NBR 6118:2003, indicados nas tabelas 5 e 6, nas quais  = as (bw . h).

Se for necessário calcular min para fatores diferentes, pode-se usar a


equação:

f cd
 min  min min: taxa mecânica mínima de armadura longitudinal
f yd

Admitindo-se b = 100cm e d em centímetros, obtém-se as em cm2/ m.


11.15
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Tabela 5 – Valores mínimos para as armaduras

Armaduras negativas s   min


Armaduras positivas de lajes armadas em
s  0,67 min
duas direções
Armadura positiva (principal) de lajes
s   min
armadas em uma direção

Armadura positiva (secundária) de lajes


armadas em uma direção

Tabela 6 – Valores de min

fck 20 25 30 35 40 45 50
min min (%)
0,035 0,150 0,150 0,173 0,201 0,230 0,259 0,288
Os valores de min estabelecidos nesta tabela pressupõem o uso de aço
CA-50,  c  1,4 e  s  1,15.
Caso esses fatores sejam diferentes, min deve ser recalculado com base
no valor de min dado.

Devem ser observadas outras prescrições da NBR 6118, algumas das quais
são mencionadas a seguir:

 Qualquer barra da armadura de flexão deve ter diâmetro no máximo


igual a h/8.
 As barras da armadura principal de flexão devem apresentar
espaçamento no máximo igual a 2h ou 20 cm, prevalecendo o menor
desses dois valores na região dos maiores momentos fletores.
 A armadura secundária de flexão deve corresponder à porcentagem de
armadura igual ou superior a 20% da porcentagem da armadura
principal, mantendo-se, ainda, um espaçamento entre barras de no
máximo 33 cm.

11.16
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Lajes maciças

11.6 VERIFICAÇÃO DAS FLECHAS

Na verificação da flecha de uma laje, considera-se: a existência de fissuras;


o momento de inércia; as flechas imediata, diferida e total; e os valores limites.

11.6.1 Existência de fissuras

Durante a vida útil de uma estrutura, e mesmo durante sua construção, se


atuar um carregamento que provoque um determinado estágio de fissuração, a
rigidez correspondente a esse estágio ocorrerá para sempre.

Com a diminuição da intensidade do carregamento, as fissuras podem até


fechar, mas nunca deixarão de existir.

a) Carregamento a considerar

Neste texto, a condição de fissuração será verificada para combinação rara.

Em lajes de edifícios em que a única ação variável é a carga de uso, o valor


da combinação rara coincide com o valor total da carga característica.

Portanto, o momento fletor ma na seção crítica resulta:

ma  m d,rara  mr

Se fosse conhecido um carregamento de construção cujo momento fletor


superasse mk , deveria ser adotado o valor de ma relativo a esse carregamento de
construção.

b) Momento de fissuração

A peça será admitida fissurada se o momento ma ultrapassar o momento de

fissuração, dado por (item 17.3 da NBR 6118:2003):

11.17
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α fct Ic
mr 
yt
α  1,5 para seção retangular
fct  fctm  0,3 fck 2 3 item 8.2.5 da NBR 6118, 2001
bh 3
Ic  (momento de inércia da seção bruta de concreto)
12
h
y t  (distância do centro de gravidade à fibra mais tracionada)
2

No cálculo da resistência do concreto à tração direta fct, a NBR 6118:2003


não especifica o quantil a ser adotado. A opção pela resistência média (quantil de
50%) foi feita pelos autores.

11.6.2 Momento de Inércia

Com os valores de ma e mr, obtidos conforme o item anterior, duas situações


podem ocorrer: ma  mr e ma  mr.

a) ma  mr

Se ma não ultrapassar mr , admite-se que não há fissuras. Nesta situação,


pode ser usado o momento de inércia da seção bruta de concreto Ic, considerado no
item anterior.

b) ma  mr

No caso em que ma ultrapassar mr, considera-se que há fissuras na laje,


embora partes da laje permaneçam sem fissuras, nas regiões em que o momento de
fissuração não for ultrapassado. Neste caso poderá ser considerado o momento de
inércia equivalente, dado por (item [Link].1 da NBR 6118: 2003, adaptado):

m   m 
3
Ieq   r  Ic  1   r   I2
 ma    ma  
 

I2 é o momento de inércia da seção fissurada - estádio II.

11.18
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Lajes maciças

Para se determinar I2, é necessário conhecer a posição da linha neutra, no


estádio II, para a seção retangular com largura b = 100 cm, altura total h, altura útil d
e armadura as (em cm2/m).

Considerando que a linha neutra passa pelo centro de gravidade da seção


homogeneizada, x2 é obtido por meio da equação:

bx 2
  e a s d  x   0
2
E
e  s
Ec

Conhecido x2 obtém-se I2, dado por:

3
bx
I2    e a s d  x 2
3

11.6.3 Flecha Imediata

A flecha imediata ai pode ser obtida por meio da tabela 2.2a (Tabelas de
Lajes), com a expressão adaptada:

 b pl x4
ai   
100 12 E c Ic
ly
 é o coeficiente adimension al tabelado, função do tipo de vinculação e de λ  ;
lx
b  100 cm;
p  g   2 q é o valor da carga para combinação quase permanente
( 2  0,3 para edifícios residenciais);
l x é o menor vão;
E c  E cs  0,85 . 5600 f ck (em MPa) é o módulo de elasticidade secante do concreto).

Se ma  mr, deve-se usar Ieq no lugar de Ic.

11.19
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Lajes maciças

11.6.4 Flecha diferida

Segundo o item [Link].2 da NBR 6118:2003, a flecha adicional diferida,


decorrente das cargas de longa duração, em função da fluência, pode ser calculada
de maneira aproximada pela multiplicação da flecha imediata pelo fator f dado por:


f 
1  50 '

A 's
' 
bd

A’s é a armadura de compressão, no caso de armadura dupla;

  ( t )  ( t 0 )

 é um coeficiente em função do tempo, calculado pela expressão seguinte


ou obtido diretamente na Tabela 7.

( t )  0,68(0,996 t ) t 0,32 para t  70 meses

( t )  2 para t > 70 meses

t é o tempo, em meses, quando se deseja o valor da flecha diferida;

t0 é a idade, em meses, relativa à aplicação da carga de longa duração.

Portanto, a flecha diferida af é dada por:

a f   f .a i

Tabela 7 – Valores de  e função do tempo (Tabela 21 da NBR 6118:2003)

Tempo (t)
0 0,5 1 2 3 4 5 10 20 40  70
meses
Coeficiente
0 0,54 0,68 0,84 0,95 1,04 1,12 1,36 1,64 1,89 2
(t)

11.20
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Lajes maciças

11.6.5 Flecha total

A flecha total at pode ser obtida por uma das expressões:

a t  ai  a f
a t  a i (1   f )

11.6.6 Flechas Limites

As flechas obtidas conforme os itens anteriores não devem ultrapassar os


deslocamentos limites estabelecidos na Tabela 18 da NBR 6118:2003, na qual há
várias situações a analisar.

Uma delas, que pode ser a situação crítica, corresponde ao limite para o
deslocamento total, relativo à aceitabilidade visual dos usuários, dado por:

lx
a lim =
250

11.7 VERIFICAÇÃO DO CISALHAMENTO

As forças cortantes, em geral, são satisfatoriamente resistidas pelo concreto,


dispensando o emprego de armadura transversal.

A verificação da necessidade de armadura transversal nas lajes segundo a


NBR 6118:2003 é dada em seu item 19.4.1.

Um exemplo dessa verificação encontra-se no Capítulo 12 Projeto de Lajes


Maciças.

Em caso de necessidade de armadura transversal, ou seja, quando não se


verifica a condição estabelecida no início deste item, aplicam-se, segundo a Norma,
os critérios estabelecidos no seu item 17.4.2, relativo a elementos lineares, com
resistência dos estribos obtida conforme o item 19.4.2 da NBR 6118:2003.

11.21
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Lajes maciças

11.8 BARRAS SOBRE OS APOIOS

O comprimento das barras negativas deve ser determinado com base no


diagrama de momentos fletores na região dos apoios.

Em edifícios usuais, em apoios de lajes retangulares que não apresentem


bordas livres, os comprimentos das barras podem ser determinados de forma
aproximada, com base no diagrama trapezoidal indicado na Figura 7, adotando-se
para  um dos valores:

 o maior entre os menores vãos das lajes adjacentes, quando ambas


foram consideradas engastadas nesse apoio;
 o menor vão da laje admitida engastada, quando a outra foi suposta
simplesmente apoiada nesse vínculo.

Com base nesse procedimento aproximado, são possíveis três alternativas


para os comprimentos das barras, indicadas nas figuras 7a, 7b e 7c
respectivamente.

a) Um só tipo de barra (Figura 7a)

Adota-se um comprimento a1 para cada lado do apoio, com a1 igual ao


menor valor entre:

a   b
a1    (6)
0,25  10 (em geral, maior valor)

a   1,5d  deslocamento do diagrama (NBR 6118, 2001)

b  comprimento de ancoragem com gancho, dado na Tabela 1.5

(Tabelas Gerais)

  diâmetro da barra

11.22
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Lajes maciças

b) Dois tipos de barras (Figura 7b)

Consideram-se dois comprimentos de barras, com a21 e a22 dados pelos

maiores valores entre:

 0,25  a 
  b
a 21   2 (7)
0,25  10 (em geral, maior valor)

a    b

a 22   0,25  a  (8)
  10 (em geral, maior valor)
2

Figura 7 - Alternativas para as armaduras negativas

11.23
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Lajes maciças

c) Barras alternadas de mesmo comprimento (Figura 7c)

Podem ser adotadas barras de mesmo comprimento, considerando na


alternativa anterior as expressões que, em geral, conduzem aos maiores valores:

0,25  a 
a  a 21  a 22  0,25  10   10
2
3
a    20  0,75d (9)
8
Pode-se estimar o comprimento das barras com o emprego da expressão (9)
e posicioná-las, considerando os valores:

2 1
a 21  a a 22  a (10)
3 3
Em geral esses comprimentos são arredondados para múltiplos de 5 cm.

Para garantir o correto posicionamento das barras da armadura sobre os


apoios, recomenda-se adotar, perpendicularmente a elas, barras de distribuição,
com as mesmas áreas e espaçamentos indicados para armadura positiva
secundária, na Tabela 5, no item 5 deste trabalho.

11.9 BARRAS INFERIORES

Considera-se que as barras inferiores estejam adequadamente ancoradas,


desde que se estendam, pelo menos, de um valor igual a 10 a partir da face dos
apoios. Nas extremidades do edifício, elas costumam ser estendidas até junto a
essas extremidades, respeitando-se o cobrimento especificado.

Nos casos de barras interrompidas fora dos apoios, seus comprimentos


devem ser calculados seguindo os critérios especificados para as vigas. Podem ser
adotados, também, os comprimentos aproximados e as distribuições indicadas na
Figura 8.

11.24
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Lajes maciças

Figura 8 – Comprimentos e distribuição das barras inferiores

11.10 ARMADURA DE CANTO

Nos cantos de lajes retangulares, formados por duas bordas simplesmente


apoiadas, há uma tendência ao levantamento provocado pela atuação de momentos
volventes (momentos torçores).

Quando não for calculada armadura específica para resistir a esses


momentos, deve ser disposta uma armadura especial, denominada armadura de
canto, indicada na Figura 9.

A armadura de canto deve ser composta por barras superiores paralelas à


bissetriz do ângulo do canto e barras inferiores a ela perpendiculares. Tanto a
armadura superior quanto a inferior deve ter área de seção transversal, pelo menos,
igual à metade da área da armadura no centro da laje, na direção mais armada.

As barras deverão se estender até a distância igual a 1/5 do menor vão da


laje, medida a partir das faces dos apoios. A armadura inferior pode ser substituída
por uma malha composta por duas armaduras perpendiculares, conforme indicado
na Figura 9.

11.25
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Lajes maciças

Figura 9 - Armadura de canto

Como em geral as barras da armadura inferior são adotadas constantes em


toda a laje, não é necessária armadura adicional inferior de canto.

Já a armadura superior se faz necessária e, para facilitar a execução,


recomenda-se adotar malha ortogonal superior com seção transversal, em cada
direção, não menor que asx/2.

11.11 PESO DOS MATERIAIS E CARGAS DE USO

Os pesos de alguns materiais de construção e os valores mínimos de


algumas cargas de uso são indicados nas tabelas 8 e 9.

Essas tabelas encontram-se nas páginas seguintes.

11.26
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Lajes maciças

Tabela 8 – Peso específico dos materiais de construção

Peso específico
Materiais
aparente kN/m3
Arenito 26
Basalto 30
Rochas Gnaisse 30
Granito 28
Mármore e calcáreo 28
Blocos de argamassa 22
Cimento amianto 20
Lajotas cerâmicas 18
Blocos artificiais
Tijolos furados 13
Tijolos maciços 18
Tijolos sílico-calcáreos 20
Argamassa de cal, cimento e areia 19
Argamassa de cimento e areia 21
Revestimentos e
Argamassa de gesso 12,5
concretos
Concreto simples 24
Concreto armado 25
Pinho, cedro 5
Louro, imbuia, pau óleo 6,5
Madeiras
Guajuvirá, guatambu, grápia 8
Angico, cabriúva, ipê róseo 10
Aço 78,5
Alumínio e ligas 28
Bronze 85
Chumbo 114
Metais Cobre 89
Ferro fundido 72,5
Estanho 74
Latão 85
Zinco 75
Alcatrão 12
Asfalto 13
Borracha 17
Materiais diversos
Papel 15
Plástico 21
Vidro plano 26

11.27
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Lajes maciças

Tabela 9 – Valores mínimos de cargas de uso

Local kN/m2
Arquibancadas 4
Escritórios e banheiro 2
Bancos
Salas de diretoria e de gerência 1,5
Sala de leitura
2,5
Sala para depósito de livros
Bibliotecas 4
Sala com estantes de livros, a ser determinada, ou 2,5 kN/m2 por
6
metro de altura, porém com mínimo de
Casas de máquinas (incluindo máquinas) a ser determinada, porém com o mínimo de 7,5
Platéia com assentos fixos 3
Cinemas Estúdios e platéia com assentos móveis 4
Banheiro 2
Sala de refeições e de assembléia com assentos fixos 3
Sala de assembléia com assentos móveis 4
Clubes
Salão de danças e salão de esportes 5
Sala de bilhar e banheiro 2
Com acesso ao público 3
Corredores
Sem acesso ao público 2
Cozinhas não
A ser determinada em cada caso, porém com mínimo de 3
residenciais
Dormitórios, sala, copa, cozinha e banheiro 1,5
Edifícios residenciais
Despensa, área de serviço e lavanderia 2
Com acesso ao público 3
Escadas
Sem acesso ao público 2,5
Corredor e sala de aula 3
Escolas
Outras salas 2
Escritórios Sala de uso geral e banheiro 2
Forros Sem acesso ao público 0,5
Galerias de arte A ser determinada em cada caso, porém com o mínimo de 3
Galerias de lojas A ser determinada em cada caso, porém com o mínimo de 3
Garagens e Para veículos de passageiros ou semelhantes com carga máxima
3
estacionamentos de 25 kN por veículo
Ginásios de esportes 5
Dormitórios, enfermarias, salas de recuperação, de cirurgia, de raio
Hospitais X e banheiro 2
Corredor 3
Laboratórios Incluindo equipamentos, a ser determinada, porém com mínimo de 3
Lavanderias Incluindo equipamentos 3
Lojas 4
Restaurantes 3
Palco 5
Teatros
Demais dependências: iguais às especificadas para cinemas *
3
Com acesso ao público
2
Terraços Sem acesso ao público
0,5
Inacessível a pessoas
Com acesso ao público 3
Vestíbulo
Sem acesso ao público 1,5

11.28
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Lajes maciças

BIBLIOGRAFIA

BARES, R. (1972) Tablas para el calculo de placas y vigas pared. Barcelona,


Gustavo Gili.
CARVALHO, R.C.; FIGUEIREDO FILHO, J.R. (2007) Cálculo e detalhamento de
estruturas usuais de concreto armado: segundo a NBR6118:2003. [Link]. São
Carlos, EdUFSCar.
NBR 6118:1978 Projeto e execução de obras de concreto armado. Rio de Janeiro,
Associação Brasileira de Normas Técnicas. (Versão substituída pela
NBR 6118:2003)
NBR 6118:2003 Projeto de estruturas de concreto. Associação Brasileira de Normas
Técnicas.
NBR 6120:1980 Cargas para o cálculo de estruturas de edificações. Rio de Janeiro,
Associação Brasileira de Normas Técnicas.
TIMOSHENKO, S.P. (1940) Theory of plates and shells. New York, McGraw-Hill.
492p.

11.29
PROJETO DE LAJES MACIÇAS – CAPÍTULO 12

Libânio M. Pinheiro, Cassiane D. Muzardo, Sandro P. Santos, Marcos V. N. Moreira,


Thiago Catoia, Bruna Catoia

Março de 2010

PROJETO DE LAJES MACIÇAS

12.1 DADOS INICIAIS

A forma das lajes, com todas as dimensões necessárias, encontra-se no


Desenho C-1, no final do capítulo. A partir desse desenho, obtêm-se os vãos
efetivos (item [Link] da NBR 6118:2003), considerados, neste texto, até os eixos
dos apoios e indicados na Figura 1.

Outros dados: concreto C25, aços CA-50 (  6,3 mm) e CA-60 (  5 mm) ,
cobrimento c  2 cm (Tabela 6.1 da NBR 6118:2003, ambientes urbanos internos
secos, e Tabela 7.2, classe de agressividade ambiental I).

V1

L2
L1
V4

V2
L4
L3
V5

V6

V3

Figura 1 – Vãos até os eixos dos apoios

12.2 VINCULAÇÃO

No vínculo L1-L2, há continuidade entre as lajes e elas são de portes


semelhantes: ambas serão consideradas engastadas. Pode-se considerar como de
portes semelhantes as lajes em que, no vínculo em comum, o momento da menor
seja superior à metade do momento da outra.
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Projeto de lajes maciças

No vínculo L1-L3, a laje L1 é bem maior que L3. Esta pode ser considerada
engastada, mas aquela não deve ser, pois o momento fletor proveniente da L1
provocaria, na L3, grandes regiões com momentos negativos, comportamento
diferente do que em geral se considera para lajes de edifícios.

Portanto, será admitida para a L1 a vinculação indicada na Figura 2.

 2x  2 3  1y

Figura 2 – Vínculos L1-L2 e L1-L3 (dimensões em centímetros)

Porém, como se verifica a condição  2 x  2 3  y , a laje L1 será calculada


como se fosse engastada ao longo de toda essa borda.

No vínculo L2-L3, a laje L2 é bem maior que a L3. Esta será considerada
engastada e aquela apoiada.

A laje L4 encontra-se em balanço, e não haverá equilíbrio se ela não for


engastada.

Porém, ela não tem condições de receber momentos adicionais,


provenientes das lajes vizinhas.

Portanto, as lajes L2 e L3 devem ser admitidas simplesmente apoiadas nos


seus vínculos com a L4.

Em consequência do que foi exposto, resultam os vínculos indicados na


Figura 3, e os tipos das lajes L1, L2, L3 e L4 são, respectivamente: 2B, 2A, 3 (ver a
Tabela 2.1a, nas Tabelas de Lajes) e laje em balanço.

12.2
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Projeto de lajes maciças

Figura 3 – Vínculos das lajes

12.3 PRÉ-DIMENSIONAMENTO

Conforme critério proposto por MACHADO (2003), para lajes maciças com
bordas apoiadas ou engastadas, a altura útil d pode ser estimada por meio da
expressão (dimensões em centímetros):
d est  (2,5 - 0,1n)  * / 100

n é o número de bordas engastadas;

* é o menor valor entre *x (menor vão) e 0,7*y.

A altura h pode ser obtida com a equação:


h  ( d  c    2)

Como c = 2 cm, e admitindo-se  = 1,0 cm (10 mm), diâmetro que em geral


não é ultrapassado em lajes comuns de edifícios, resulta:

h  d  2,5 cm

O pré-dimensionamento das lajes L1, L2 e L3 está indicado na Folha ML-1,


no final deste capítulo.

12.3
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Para a laje L4 em balanço, pode ser adotado critério indicado nas tabelas
2.1a a 2.1c (ver Tabelas de Lajes). Na tabela 2.1a, para lajes maciças,

considerando-se 1,15 sd = 500 MPa (CA-50), obtém-se  3  25 . Na tabela 2.1c,

para lajes em balanço,  2  0,5 . Portanto, para a laje L4 resulta:


x 110
dest    8,8 cm
 2 .  3 0,5 . 25

Será adotada a espessura h  10 cm para todas as lajes. Naquelas em que


hadot < hest, deverão ser verificadas as flechas.

12.4 AÇÕES, REAÇÕES E MOMENTOS FLETORES

Os cálculos de L1, L2 e L3 estão indicados na Folha ML-2, no final do


capítulo. Para as reações de apoio e os momentos fletores, foram utilizadas as
tabelas 2.2a a 2.2c e 2.3a a 2.3c (ver Tabelas de Lajes), respectivamente.

Importante:

Quando a posição das paredes for conhecida, e principalmente quando elas


forem de alvenaria, seus efeitos devem ser cuidadosamente considerados, nos
elementos que as suportam. Neste projeto, foi considerada uma carga de paredes
divisórias de 1,0 kN/m2, atuando nas lajes L1, L2 e L3.

O cálculo da laje L4 foi feito conforme o esquema indicado na Figura 4.

g1 + q1
g+q

Figura 4 – Esquema da laje L4

Para esta laje, as cargas uniformemente distribuídas são:

g  gpp  gpr  2,50  1,00  3,50 kN/m 2 ; q  3,00 kN/m 2


p  g  q  3,50  3,00  6,50 kN/m 2

O valor da carga variável q deve ser adotado em função do uso da obra, de


acordo com a NBR 6120:1980. Para edifícios residenciais, em geral q = 1,5 kN/m2.
12.4
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Na extremidade, será considerada uma mureta de ½ tijolo de bloco cerâmico


de oito furos (1,9 kN/m2), com 1,10 m de altura, e uma carga variável de 2,0 kN/m.

g1  1,9  1,10  2,09 kN/m ; q1  2,00 kN/m


p1  g1  q1  2,09  2,00  4,09 kN/m

Para esses carregamentos, a reação de apoio e o momento fletor sobre o


apoio resultam, respectivamente:

r  p.  p1  6,50  1,10  4,09  11,24 kN/m

p. 2 6,50  1,10 2


m  p1     4,09  1,10  8,43 kNm/m
2 2

As reações de apoio das lajes podem ser indicadas dentro de semicírculos,


como na Folha ML-3. Os momentos fletores estão indicados na Folha ML-4, na qual
se encontram, também, os momentos compatibilizados (dentro dos retângulos).

12.5 DISPOSIÇÕES CONSTRUTIVAS

Antes de se iniciar o cálculo das armaduras, devem-se considerar algumas


disposições construtivas.

12.5.1 Diâmetro das barras

A NBR 6118:2003 prescreve que, para lajes, qualquer barra da armadura


de flexão deve ter diâmetro menor ou igual a h/8 (item 20.1). Para h = 10 cm, tem-se:

h 10
max    12,5  max  12,5 mm
8 8

A Norma não especifica, para essas barras, um diâmetro mínimo. Porém,


costuma-se adotar   5 mm, exceto no caso de telas soldadas, em que são usuais
diâmetros menores.

Portanto, para lajes maciças comuns em edifícios de pequeno porte, é usual


adotar barras com diâmetros de 5 mm a 10 mm.

12.5
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12.5.2 Espaçamento máximo

Quanto ao espaçamento máximo, a NBR 6118:2003, no item 20.1,


considera dois casos: armadura principal e armadura secundária.

a) Armadura principal

Consideram-se principais as armaduras:

 negativas;

 positivas na direção do menor vão, para lajes   2;

 positivas nas duas direções, para   2.

Nesses casos,

smax = 2 h ou 20 cm,

prevalecendo o menor desses valores, na região dos maiores momentos fletores.

Para h = 10 cm, esses valores se confundem. Portanto, smax = 20 cm

b) Armadura secundária

São admitidas secundárias as também conhecidas como armaduras de


distribuição. São elas:

 as positivas na direção do maior vão, para   2.


 as negativas perpendiculares às principais, que, além de servirem
como armadura de distribuição, ajudam a manter o correto
posicionamento dessas barras superiores, durante a execução da obra,
até a hora da concretagem da laje.

Para essas barras tem-se: smax  33 cm

12.5.3 Espaçamento mínimo

A NBR 6118:2003 não especifica espaçamento mínimo, que deve ser


adotado em função de razões construtivas, como, por exemplo, para permitir a
passagem de vibrador.

12.6
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É usual adotar-se espaçamento entre 10 cm e smax, este, no caso, igual a


20 cm. Nada impede, porém, que se adote espaçamento pouco menor que 10 cm.

12.5.4 Armadura mínima

Segundo a NBR 6118:2003, item [Link].1, a armadura mínima de tração


deve ser determinada pelo dimensionamento da seção a um momento fletor mínimo
dado pela expressão a seguir, respeitada a taxa mínima absoluta de 0,15%:

Md,min = 0,8 W0 fctk,sup

W0 é o módulo de resistência da seção transversal bruta de concreto, relativo


à fibra mais tracionada;

fctk,sup é a resistência característica superior do concreto à tração (item 8.2.5


da NBR 6118:2003).

O dimensionamento para Md,min deve ser considerado atendido se forem


respeitadas as taxas mínimas de armadura da Tabela 17.3 da NBR 6118:2003.

Segundo essa Tabela 17.3, para concreto C25, smin  0,15% , taxa esta

relativa à área total da seção de concreto (Ac = b.h).

Para lajes, conforme a Tabela 19.1 da NBR 6118:2003, devem ser


considerados os casos indicado a seguir.

a) Armadura negativa principal e armadura positiva principal para   2

0,15
a s1,min  min bh   100  10  1,50 cm2 /m
100

b) Armaduras positivas para   2

a s2,min  0,67min  bh  0,67  1,50  1,00 cm2 /m (nas duas direções)

12.7
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c) Armaduras de distribuição negativa,  qualquer, e positiva,   2

0,2 a s,princ

a s3,min  0,5min b h  0,5  1,50  0,75 cm2 /m (Tabela 19.1 da Norma)
 2
0,90 cm /m

12.6 CÁLCULO DAS ARMADURAS

Para os momentos fletores compatibilizados indicados na Folha ML-4, o


cálculo das armaduras está indicado na Folha ML-5, em que foram utilizadas as
tabelas 1.1 e 1.4a (ver Tabelas Gerais).

12.6.1 Armaduras negativas

Para armadura negativa, tem-se: d = h – c – /2.

Convém iniciar o dimensionamento pelo maior momento, para o qual se


pode admitir, inicialmente,  = 10 mm = 1 cm. Sendo h = 10 cm e c = 2 cm, resulta:

d = h – c – /2 = 10 – 2 – 0,5 = 7,5 cm

Com espaçamento entre smin, da ordem de 10 cm, e smax , neste caso igual
a 20 cm, se resultarem barras de diâmetro muito diferente do admitido no início,
deve-se analisar a necessidade de se adotar novo valor da altura útil d e de fazer
novo cálculo da armadura.

Pode ser necessário, até mesmo, modificar a espessura das lajes, situação
em que os cálculos precisam ser alterados, desde o valor do peso próprio.

Adotado o diâmetro e o espaçamento relativos ao maior momento, esse


cálculo serve de orientação para os cálculos subsequentes. Convém observar que
espaçamentos maiores acarretam menor número de barras, diminuindo custos de
execução.

Destaca-se, também, que não se pode adotar armadura menor que a


mínima, neste caso as1,min = 1,50 cm2/m (item anterior 12.5.4a).

12.8
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12.6.2 Armaduras positivas

As armaduras positivas são colocadas junto ao fundo da laje, respeitando-se


o cobrimento mínimo. Há dois casos a considerar: barras inferiores e barras
sobrepostas às inferiores.

a) Barras inferiores

As barras correspondentes à direção de maior momento fletor, que em geral


coincide com a direção do menor vão, devem ser colocadas próximas ao fundo da
laje. Neste caso, a altura útil é calculada como no caso da armadura negativa, ou
seja, d = h – c – i / 2, sendo i o diâmetro dessas barras inferiores.

Convém iniciar pelo maior momento positivo, como foi feito para as barras
negativas. Os cálculos anteriores dão uma boa indicação dos novos diâmetros a
serem adotados no cálculo da altura útil d.

Obtidas essas armaduras, deve-se assegurar que elas obedeçam às áreas


mínimas, neste caso iguais a (item 12.5.4 deste capítulo):

as1,min = 1,50 cm2/m, para   2, e

as2,min = 1,00 cm2/m, para   2

b) Barras sobrepostas às inferiores

As barras relativas à direção de menor momento fletor são colocadas por


cima das anteriores. Sendo i o diâmetro dessas barras inferiores e s o diâmetro

das barras sobrepostas, a altura útil destas é dada por: d = h – c – i – s/2.

Por exemplo, para a laje L2, na direção vertical,


d = 10 – 2,0 – 0,8 – 0,8/2 = 6,8 cm.

Essas barras devem respeitar as áreas mínimas (item 12.5.4 deste capítulo):

as2,min = 1,00 cm2/m, para   2

as3,min = 0,90 cm2/m (ou o valor que for maior), para   2

12.9
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12.6.3 Armadura de distribuição das barras negativas

Devem respeitar à área mínima as3,min, dada pelo maior dos valores:

0,2 as,princ; 0,5 asmin ou 0,90 cm2/m.

No vínculo L1-L2, será adotada a armadura:

a s3,min  0,2  6,92  1,38 cm2 /m (6,3 c/ 22 cm; ase = 1,42 cm2/m)

Nos demais vínculos, admitir-se-á:

a s3,min  0,90 cm 2 /m (adotou-se 6,3 c/ 30 cm; ase = 1,04 cm2/m)

Essas armaduras estão indicadas no Desenho C-2 a/b, no final do capítulo.

12.7 FLECHA NA LAJE L2

Será verificada a flecha na laje L2, na qual ocorre a maior flecha.

12.7.1 Verificação se há fissuras

A verificação da existência de fissuras será feita comparando o maior


momento positivo, em serviço, para combinação rara, dado na Folha ML-4,
( m d,rara  m y,k  636 kN cm/m ), com o momento de fissuração mr, dado por (item

17.3.1 da NBR 6118:2003):


 fct Ic
mr 
yt

 = 1,5 para seções retangulares

fct  fct,m  0,3 fck2/3  0,3  25 2 3  2,565 MPa  0,2565 kN/cm 2 (item 8.2.5)

b h 3 100  10 3
Ic    8333 cm 4
12 12

h h 10
yt  h - x  h -    5,0 cm
2 2 2

12.10
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Resulta:

 fct Ic 1,5  0,2565  8333


mr    641 [Link]/m
yt 5,0

Como md,rara < mr, não há fissuras, e a flecha pode ser calculada com o
momento de inércia Ic da seção bruta, sem considerar a presença da armadura.

Caso contrário, isto é, se md,rara fosse maior que mr, a flecha deveria ser
calculada com o momento de inércia equivalente, baseado no item [Link].1 da
NBR 6118:2003.

12.7.2 Flecha imediata

A flecha imediata pode ser obtida por meio da Tabela 2.5a, (ver Tabelas de
Lajes), com a expressão:

 b p. 4x
ai   
100 12 E c I

  402 Laje tipo 2A,   1,09)


b  100 cm
p  g   2 .q  4,50  0,3  3,00  5,40 kN/m 2  5,40  10 -4 kN/cm 2 ( folha ML  2)
 x  460 cm  4,6  10 2 cm
E c  0,85  5600 fck  0,85  5600 25  23800 MPa  2380 kN/cm 2 (item 8.2.8)
I  Ic  8333 cm 4  0,8333  10 4 cm 4

Resulta:

 b p 4x 4,02 100 5,40 4,6 4 10 8


ai         ai  0,41 cm
100 12 E c I 100 12 10 4 2380  0,8333  10 4

12.7.3 Flecha total

A flecha total é dada pela flecha inicial mais a flecha diferida. Pode ser
obtida multiplicando-se a inicial pelo coeficiente ( 1   f ), com  f dado no item
[Link].2 da NBR [Link]

12.11
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
f 
1  50'

Para um tempo infinito (t  70 meses) e carregamento aplicado em


t0 = 1 mês, obtém-se (Tabela 17.1 da NBR 6118:2003):

  ( t )  ( t 0 )  2  0,68  1,32

'  0 (taxa de armadura de compressão)

Resulta a flecha total:

a t  ai (1   f )  0,41 (1  1,32)  a t  0,95 cm

12.7.4 Flecha limite

Flecha limite admitida pela NBR 6118:2003, na Tabela 13.2, para


aceitabilidade sensorial:

lx 460
  1,84 cm
250 250

lx
Como a t  , a flecha atende esta especificação da citada Norma. Pode
250
ser necessária a verificação de outros tipos de efeito, indicados na tabela 13.2.

Fazendo um cálculo análogo para a laje L1, ter-se-ia: tipo 2B, =1,82,
mxk = 6,26 kN.m/m,  = 5,49, lx = 380 cm, ai = 0,26 cm e

x
a t  0,60 cm   1,52 cm
250

Portanto, com relação às flechas, poderia ser adotada uma espessura menor
para as lajes.

12.12
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12.8 CISALHAMENTO

Na Folha ML-3, nota-se que, na borda direita da L1, ocorre o maior valor da
força cortante: 14,45 kN/m. Considerando-se: bw = 100 cm, d = 7,6 cm e
VSk = 14,45 kN/m, a verificação de cisalhamento deve ser feita de acordo com o item
19.4 da NBR 6118:2003, comparando-se a força cortante solicitante com a
resistente, de modo que:

VSd  VRd1

12.8.1 Força cortante solicitante

VSd = 1,4 VSk = 1,4 . 14,45 = 20,23 kN  VSd = 20,23 kN / m

12.8.2 Força cortante resistente

VRd1   Rd . k ( 1, 2  40 1 ). d

 Rd  0 , 25 fctd

fctd  fctk,inf /  c (item 8.2.5 da NB-1)

fctk,inf  0,7 fct,m  0,7 . 0,3 fCK


2/ 3
 0,21. 252 / 3  0,21. 8,550  1,795MPa  0,1795kN/ cm2

 Rd  0 , 25 . 0,1795 / 1,4  0,0321 kN / cm 2

k  1,6  d  1,6  0,076  1,524 m  1,0 m  k  1,524

A s1 A s1 2,79 0,367
1      0,367%
A c b w  d 100  7,6 100

0,367
v Rd1  0,0321 . 1,524 ( 1, 2  40 . )  100  7,6  VRd1 = 50,07 kN/m
100

12.8.3 Verificação de cisalhamento

Como VSd = 20,23 kN/m < VRd1 = 50,07 kN/m, a laje resiste à força cortante,
sem armadura para cisalhamento.

12.13
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12.9 COMPRIMENTO DAS BARRAS SOBRE OS APOIOS

A armação das lajes encontra-se no Desenho C-2 a/b, no final deste


capítulo. O cálculo dos comprimentos das barras sobre os apoios internos é
diferente do relativo à laje L4 em balanço.

12.9.1 Apoios internos

Podem ser adotadas barras alternadas com comprimentos horizontais dados


pela expressão:

3
a  x,max  20   0,75 d
8

No vínculo L1-L2 serão adotadas barras de comprimento calculado com


 x,max  460 cm (laje L2, Figura 1).

Nos vínculos L1-L3 e L2-L3 considera-se  x,max  230 cm , da laje L3, pois a

L2 foi admitida simplesmente apoiada nesses vínculos.

O cálculo dos comprimentos das barras para os apoios internos está


indicado na Tabela 1 (ver também Desenho C-2 a/b).

Tabela 1 – Comprimentos dos trechos horizontais das barras (em centímetros)

Vínculo x,max  d 3/8x,max 20 0,75d a a/3(a) 2a/3(a) aadot

L1-L2 460 1,0 7,5 172,5 20 5,6 198 65 130 195


L1-L3
230 0,63 7,68 86,3 12,6 5,8 105 35 70 105
L2-L3
(a)
valor inteiro mais próximo, múltiplo de 5 cm.

12.9.2 Laje L4 em balanço

Sendo l o comprimento da barra no balanço, adota-se o comprimento total


do trecho horizontal igual a 2,5 l (ver Figura 6 e Desenho C-2 a/b).

a  2,5 l  2,5 (110 - 2)  270 cm

12.14
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Projeto de lajes maciças

14,18

8,58

7,09

6,57

14,18

8,58

13,66

1,5

Figura 6 – Comprimento total do trecho horizontal nos vínculos L2-L4 e L3-L4

12.10 COMPRIMENTO DAS BARRAS POSITIVAS

O comprimento das barras positivas pode ser obtido com base na Figura 7 e
no Desenho C-1.

Figura 7 – Comprimento das barras positivas

Nas extremidades serão adotadas barras com ganchos de 90º, prolongados


até a face externa, respeitando-se o cobrimento.

Nos apoios internos com lajes adjacentes, serão adotadas barras sem
ganchos, prolongadas de pelo menos 10 a partir da face do apoio.

O cálculo dos comprimentos das barras positivas está indicado na Tabela 2.

12.15
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Tabela 2 – Comprimento das barras positivas (em centímetros)

Laje Direção  0 ∆e ∆d 1,nec 1,adot ∆g tot

Horiz. 0,8 360 18 8 386 390 8 398


L1
Vert. 0,5 670 18 18 706 705 5+5 715
Horiz. 0,8 480 8 18 506 510 8 518
L2
Vert. 0,8 440 8 18 466 470 8 478
Horiz. 0,63 480 6,3 6,3 492,6 500 - 500
L3
Vert. 0,63 210 18 6,3 234,3 240 6 246

Nessa Tabela 2:

 é o diâmetro da barra (Folha ML-6, no final do capítulo)

l0 é o vão livre (Desenho C-1)

l e e l d são os acréscimos de comprimento à esquerda e à direita, de

valor (t  c) ou 10. Para   10 mm , pode-se adotar 10 cm no lugar de 10

t é a largura do apoio

c é o cobrimento da armadura (c = 2 cm)

1,nec = 0 + De + Dd

1,adot é o valor adotado do trecho horizontal da barra

1,nec = 0 + De + Dd

lg é o acréscimo de comprimento de um ou de dois ganchos, se houver

(Tabela 1.7a, ver Tabelas Gerais)

tot = 1,adot + Dg

ltot é o comprimento total da barra

12.16
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Para a laje L1, na direção vertical, o comprimento 1,nec = 706 cm é o valor


máximo para que seja respeitado o cobrimento nas duas extremidades da barra.

Em geral, os valores adotados 1,adot são múltiplos de 5 cm ou de 10 cm . Os


comprimentos adotados estão indicados no Desenho C-2 a/b.

12.11 ARMADURAS DE CANTO

Na laje L1, nos dois cantos esquerdos, e na laje L2, canto superior direito,
não há armadura negativa. Nessas posições serão colocadas armaduras superiores
de canto, conforme o detalhe 3 do Desenho C-2 a/b, válido para os três cantos.

Para as lajes L1 e L2, os maiores valores de lx e da armadura positiva são


(folhas ML-1 e ML-5, respectivamente):

x = 460 cm e a s  2,96 cm 2 /m

Então, o comprimento do trecho horizontal das barras de canto e a área por


unidade de largura são:

460
h = x / 5  t - 2   20  2  92  18  110 cm
5

as 2,96
a sc    1,48 cm2 /m
2 2

Adotou-se  6,3 c/ 20, ase = 1,56 cm2/m (Tabela 1.4a, ver Tabelas Gerais).

O detalhe das armaduras de canto encontra-se no Desenho C-2 a/b.

12.12 NÚMERO DAS BARRAS

Há várias maneiras de numerar as barras. Como as primeiras a serem


posi2ionadas nas formas são as barras positivas, recomenda-se começar por elas e,
em seguida, numerar as negativas.

12.17
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Projeto de lajes maciças

12.12.1 Numeração das barras positivas

O procedimento ora sugerido consiste em numerar primeiro as barras


positivas, começando pelas barras horizontais, da esquerda para a direita e de cima
para baixo. Para numerar as barras verticais, gira-se o desenho de 90º no sentido
horário, o que equivale a posicionar o observador à direita do desenho. Continua-se
a numeração seguindo o mesmo critério adotado para as barras horizontais.

A numeração das barras inferiores está indicada no Desenho C-2 a/b.


Essas barras são as seguintes: N1, N2... N6.

Para garantir o correto posicionamento das barras, convém que seja


colocado de forma clara, nos desenhos de armação das lajes:

BARRAS POSITIVAS DE MAIOR ÁREA POR METRO DEVEM SER


COLOCADAS POR BAIXO (N1, N5 e N6).

12.12.2 Numeração das barras negativas

Terminada a numeração das barras positivas, inicia-se a numeração das


barras negativas, com os números subsequentes (N7, N8 etc.). Elas podem ser
numeradas com o mesmo critério, da esquerda para a direita, de cima para baixo,
com o desenho na posição normal, e em seguida, fazendo a rotação de 90º da folha
no sentido horário. Obtêm-se dessa maneira as barras N7, N8, N9 e N10, indicadas
no Desenho C-2 a/b já citado.

Na sequência, são numeradas as barras de distribuição da armadura


negativa e outras barras eventualmente necessárias.

12.12.3 Barras de distribuição

As barras N10 já citadas são de distribuição, nos vínculos L2-L4 e L3-L4.


Outras barras de distribuição relativas às armaduras negativas são: N11, no vínculo
L1-L2, e N12, nos vínculos L1-L3 e L2-L3 (ver Desenho C-2 a/b).

12.18
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Projeto de lajes maciças

O cálculo dos comprimentos das barras de distribuição é feito, em geral,


como em barras corridas, assim denominadas aquelas em que não há posição
definida para as emendas. Essas emendas devem ser desencontradas, ou seja, não
devem ser feitas em uma única seção. Para levar em conta as emendas, o
comprimento calculado deve ser majorado em 5%. O comprimento das emendas
deve ser indicado no desenho de armação.

Os comprimentos médios das barras corridas resultam (ver Desenho C-1):

N11: m = (440 + 18 + 18) . 1,05 = 500 cm

N12: m = (210 + 18 + 18 + 480 + 18 + 18) . 1,05 = 800 cm

12.12.4 Barras de canto

As barras de canto serão as N13 (Desenho C-2 a/b).

12.13 QUANTIDADE DE BARRAS

A quantidade ni de barras Ni pode ser obtida pela equação:

bj
ni 
si

bj é a largura livre, na direção perpendicular à das barras (Desenho C-1)

si é o espaçamento das barras Ni (Desenho C-2 a/b)

Poucas vezes ni vai resultar um número inteiro. Mesmo nesses casos, e nos
demais, deve-se arredondar ni para o número inteiro imediatamente inferior ao valor
obtido, conforme está indicado na Tabela 3.

Nas barras de distribuição da armadura negativa, em geral esta regra não é


respeitada, podendo ser adotado um número menor de barras, suprimindo-se as
mais distantes da região de momento negativo máximo, com ocorreu com as barras
N11 da Tabela 3, por exemplo.

12.19
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Projeto de lajes maciças

Tabela 3 - Quantidade das barras (bj e si em centímetros)

Barra bj si ni,calc ni,adot


N1 670 18 37,2 37
N2 440 18 24,4 24
N3 210 33 6,4 6
N4 360 20 18,0 17
N5 480 20 24,0 23
N6 480 17 28,2 28
N7 450 11 40,9 40
N8 470 20 23,5 23
N9 220 20 11,0 10
N10 (e) 150 33 4,5 4
N10 (d) 100 33 3,0 2
N11 120 22 5,5 5*
N12 60 30 2,0 2
N13 92 20 4,6 4

* Para a N11, em vez de cinco, foram adotadas quatro barras de cada lado.

12.14 DESENHO DE ARMAÇÃO

A armação das lajes encontra-se nos desenhos C-2 a/b e C-2 b/b, nos
quais estão também a relação das barras, com diâmetros, quantidades e
comprimentos, e o resumo das barras, com tipo de aço, bitola, comprimento total
(número inteiro em metros), massa de cada bitola (kN/m), massa total mais 10%
(número inteiro em quilogramas), por conta de perdas, e a soma dessas massas.

REFERÊNCIAS

MACHADO, Claudinei Pinheiro (2003). Informação pessoal.


NBR 6118:2003. Projeto de estruturas de concreto. Rio de Janeiro, ABNT.
NBR 6120:1980. Cargas para o cálculo de estruturas de edificações. Rio de Janeiro,
ABNT.
Tabelas gerais e Tabelas de Lajes. Disponível em:
[Link]/mdidatico/concreto/Textos/
12.20
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Projeto de lajes maciças

RELAÇÃO DOS ANEXOS

Folhas de memória de cálculo:

ML-1 – Pré-dimensionamento
ML-2 – Esforços nas lajes
ML-3 – Reações de apoio
ML-4 – Momentos fletores
ML-5 – Cálculo das armaduras
ML-6 – Esquema das barras

Desenhos:

C-1 – Forma das Lajes


C-2 a/b – Armação das Lajes
C-2 b/b – Armação das Lajes

12.21
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Projeto de lajes maciças

L2
L1

L4
L3

L1 L2 L3
lx (cm) 380 460 230
ly (cm) 690 500 500
0,7ly (cm) 483 350 350
l* (cm) 380 350 230

n 1 1 2

dest (cm) 9,1 8,4 5,3

hest (cm) 11,6 10,9 7,8

h (cm) 10 10 10

* é o menor valor entrex e 0,7y


n é o número de bordas engastadas

Critério: Assunto: Folha:


dest = (2,5 – 0,1n) */100 Pré-dimensionamento ML-1
Escala: Aluno: Data:
Sem Escala João D. Silva dd/mm/aaaa

12.22
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Projeto de lajes maciças

Lajes L1 L2 L3
Tipo 2B 2A 3
lx (m) 3,80 4,60 2,30
Características
ly (m) 6,90 5,00 5,00
ly/lx 1,82 1,09 2,17
Peso Próprio 2,50 2,50 2,50
Piso + Revestimento 1,00 1,00 1,00
Divisórias 1,00 1,00 1,00
Ações (kN/m2)
g 4,50 4,50 4,50
q 3,00 3,00 3,00
p 7,50 7,50 7,50
x 3,46 2,01 4,38
'x 5,07 - 6,25
y 1,83 2,85 2,17
Reações de 'y - 4,17 3,17
Apoio (kN/m) rx 9,86 6,93 7,56
r'x 14,45 - 10,78
ry 5,22 9,83 3,74
r'y - 14,39 5,47
x 5,78 3,61 7,03
'x 11,89 - 12,50
y 1,66 3,74 1,60
Momentos 'y - 9,18 8,20
Fletores (kNm/m) mx 6,26 5,73 2,79
m'x 12,88 - 4,96
my 1,80 5,94 0,63
m'y - 14,57 3,25

Unidades: Assunto: Folha:


kN e m Esforços nas Lajes ML-2
Escala: Aluno: Data:
Sem Escala João D. Silva dd/mm/aaaa

12.23
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Projeto de lajes maciças

V1
5,22 6,93
14,39

9,83
L1 L2
14,45

L4
9,86
V4

V6
V2 6,93

11,24
10,78
5,47

3,74
V5

L3

5,22 7,56
V3

Unidades: Assunto: Folha:


kN/m Reações de Apoio ML-3
Escala: Aluno: Data:
Sem Escala João D. Silva dd/mm/aaaa
12.24
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Projeto de lajes maciças

1,80

5,73
5,73
1,80

6,26 13,73 6,36


6,26 12,88 14,57 5,94
L2
8,43
L1 0 8,43
4,96
0

L4
4,96
2,79
1,80
1,80

2,79

L3
6,26 3,25 0,63 8,43
6,26 0 3,25 0,63 0 8,43

Unidades: Assunto: Folha:


kN.m/m Momentos Fletores ML-4
Escala: Aluno: Data:
Sem Escala João D. Silva dd/mm/aaaa
12.25
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Projeto de lajes maciças

MOMENTO mk md  d kc ks as,nec c/s as,e

L1-L2 1373 1922 10 7,5 2,9 0,027 6,92 10 c/ 11 7,14

L1-L3 325 455 6,3 7,68 13 0,024 1,42(a) 6,3 c/ 20 1,56

L2-L4
843 1180 10 7,5 4,8 0,025 3,93 10 c/ 20 3,93
L3-L4

L2-L3 496 694 6,3 7,68 8,5 0,024 2,17 6,3 c/ 14 2,23

mx 626 876 8 7,6 6,6 0,024 2,77 8 c/ 18 2,79


L1
λ=1,82
my 180 252 5 6,95 19,2 0,023 0,83(b) 5 c/ 20 0,98

mx(1) 573 802 8 6,8 5,8 0,025 2,95 8 c/ 17 2,96
L2
λ=1,09
my 636 890 8(2) 7,6 6,5 0,024 2,81 8 c/ 18 2,79

mx 279 391 6,3 7,68 15,1 0,024 1,22(a) 6,3 c/ 20 1,56
L3
λ=2,17
my 63 88 6,3 7,05 56,5 0,023 0,29(c) 6,3 c/ 33 0,95

(1)
Momento direção (a)
vertical
as1,min = 1,50 cm²/m

(2)
Barra direção horizontal por (b)
baixo
as2,min = 1,00 cm²/m

(c)
as3,min = 0,90 cm²/m

Unidades: Assunto: Folha:


kN e cm ( em mm) Cálculo das Armaduras ML-5
Escala: Aluno: Data:
Sem Escala João D. Silva dd/mm/aaaa
12.26
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Projeto de lajes maciças

8
5

N6 - c/17
N7 - 10c/11
8 130 65 8

65 130

7
L2 N8 - 10c/20
L1 8 8
270

N2 - 8c/18 L4
N4 - 5c/20

N10 - (4+2) 6,3c/33


35 8

70
N9 - 6,3c/14

35

N5 - 6,3c/20
70

N9 - 6,3c/20
8

8 70 35 8 L3
35 70
N1 - 8c/18
8 N3 - 6,3c/33
7
6
5

N1, N2 e N5: por baixo


N10: face superior, por baixo da N8
c = 2cm

Aços: Assunto: Folha:


CA-50 ( 5mm: CA-60) Esquema das Barras ML-6
Escala: Aluno: Data:
Sem Escala João D. Silva dd/mm/aaaa
12.27
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Projeto de lajes maciças

V1 20x40
P1 P2 P3
20x20 20x20 20x20

L1 L2
h=10 h=10

L4
h=10
V2 20x40
P4 P5 V6 20x40 P6
V5 20x40
V4 20x40

20x20 20x20
20x20
L3
h=10

V3 20x40
P7 P8 P9
20x20 20x20 20x20

Especificações:

C25, c = 1,4
CA-50, c = 2cm

Unidades: Assunto: Desenho:


cm Forma das Lajes C-1
Escala: Aluno: Data:
Sem Escala João D. Silva dd/mm/aaaa
12.28
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Projeto de lajes maciças

Detalhe 3 Detalhe 3

8
5

N6 - 28 c/17 (428)
N7 - 40 10c/11 (211)
8 8

470
130 65

65 130
N4 - 17 5c/20 (715)

7
N8 - 23 10c/20 (286)
8 8
270
705

N2 - 24 8c/18 (518)
8
510

N10 - (4+2) 6,3c/33 (480)


34N9 - 6,3c/14
8

70
35

466
35

N5 - 23 6,3c/20 (246)
70

N9 - 10 6,3c/20 (121)
8

8 70 35 8

240
N1 - 37 8c/18 (398) 35 70
8
390 N3 - 6 6,3c/33 (500)
500
5

7
Detalhe 3

Detalhe 1 : N11 Detalhe 3 (3x)

V5

8 8
4N11 4N11 110
N13 - 4 6,3c/20 (126)
4 N13 -c/20

N11 (4+4) 6,3c/22 (m=500)

Detalhe 2 : N12

N1, N2 e N5: por baixo


V5,V2
N10: face superior, por baixo da N8
2N12 2N12

N12 (2+2) 6,3c/30 (m=800)

Unidades: Assunto: Desenho:


Centímetros ( em mm) Armação das Lajes C-2 a/b
Escala: Aluno: Data:
Sem Escala João D. Silva dd/mm/aaaa
12.29
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Projeto de lajes maciças

RELAÇÃO DAS BARRAS


Comprimento (m)
Barra  (mm) Quantidade
Unitário Total
N1 8 37 3,98 147,26
N2 8 24 5,18 124,32
N3 6,3 6 5,00 30,00
N4 5 17 7,15 121,55
N5 6,3 23 2,46 56,58
N6 8 28 4,78 133,84
N7 10 40 2,11 84,40
N8 10 23 2,86 65,78
N9 6,3 44 1,21 53,24
N10 6,3 6 4,80 28,80
N11 6,3 8 5,00 40,00
N12 6,3 4 8,00 32,00
N13 6,3 24 1,26 30,24

RESUMO DAS BARRAS


 Compr. Total Massa Massa total + 10%
(mm) (m) (kg/m) (kg)
CA-60
5 122 0,154 21
CA-50
6,3 271 0,245 73
8 405 0,395 176
10 150 0,617 102
Total 372

Aços: Assunto: Desenho:


CA-50 ( 5mm: CA-60) Armação das Lajes C-2 b/b
Escala: Aluno: Data:
Sem Escala João D. Silva dd/mm/aaaa

12.30
CISALHAMENTO EM VIGAS – CAPÍTULO 13

Libânio M. Pinheiro, Cassiane D. Muzardo, Sandro P. Santos

25 ago 2010

CISALHAMENTO EM VIGAS

Nas vigas, em geral, as solicitações predominantes são o momento fletor e a


força cortante.
Em etapa anterior, o efeito do momento fletor foi analisado separadamente.
Neste capítulo considera-se o efeito conjunto dessas duas solicitações, com
destaque para o cisalhamento.

13.1 COMPORTAMENTO RESISTENTE

Considere-se a viga biapoiada, Figura 13.1, submetida a duas forças F


iguais e equidistantes dos apoios, armada com barras longitudinais tracionadas e
com estribos, para resistir os esforços de flexão e de cisalhamento, respectivamente.
A armadura de cisalhamento poderia também ser constituída por estribos
associados a barras longitudinais curvadas (barras dobradas). Essas barras
dobradas, também conhecidas como cavaletes, eram comuns até os anos 1970 e
não são mais usadas atualmente, principalmente por razões construtivas.
Para pequenos valores da força F, enquanto a tensão de tração for inferior à
resistência do concreto à tração na flexão, a viga não apresenta fissuras, ou seja, as
suas seções permanecem no Estádio I. Nessa fase, origina-se um sistema de
tensões principais de tração e de compressão.
Com o aumento do carregamento, no trecho de momento máximo (entre as
forças), a resistência do concreto à tração é ultrapassada e surgem as primeiras
fissuras de flexão (verticais). Nas seções fissuradas a viga encontra-se no Estádio II
e a resultante de tração é resistida exclusivamente pelas barras longitudinais. No
início da fissuração da região central, os trechos junto aos apoios, sem fissuras,
ainda se encontram no Estádio I.
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Cisalhamento em Vigas

Continuando o aumento do carregamento, surgem fissuras nos trechos entre


as forças e os apoios, as quais são inclinadas, por causa da inclinação das tensões

principais de tração I (fissuras de cisalhamento). A inclinação das fissuras


corresponde aproximadamente à inclinação das trajetórias das tensões principais,
isto é, aproximadamente perpendicular à direção das tensões principais de tração.
Com carregamento elevado, a viga, em quase toda sua extensão, encontra-
se no Estádio II. Em geral, apenas as regiões dos apoios permanecem isentas de
fissuras, até a ocorrência de ruptura na região central da viga.
A Figura 13.1 indica a evolução da fissuração de uma viga de seção T, para
vários estágios de carregamento.

Figura 13.1 – Evolução da fissuração

13.2 MODELO DE TRELIÇA

O modelo clássico de treliça foi idealizado por Ritter e Mörsch, no início do


século XX, e se baseia na analogia entre uma viga fissurada e uma treliça.

13.2
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Cisalhamento em Vigas

Considerando uma viga biapoiada de seção retangular, Mörsch admitiu que,


após a fissuração, seu comportamento é similar ao de uma treliça como a indicada
na Figura 13.2, formada pelos elementos:

 banzo superior  cordão de concreto comprimido;


 banzo inferior  armadura longitudinal de tração;
 diagonais comprimidas  bielas de concreto entre as fissuras;
 diagonais tracionadas  armadura transversal (de cisalhamento).

Na Figura 13.2 está indicada armadura transversal com inclinação de 90,


formada por estribos.

Figura 13.2 – Analogia de treliça

Essa analogia de treliça clássica considera as seguintes hipóteses básicas:

 fissuras, e portanto as bielas de compressão, com inclinação de 45;


 banzos paralelos;
 treliça isostática; portanto, não há engastamento nos nós, ou seja, nas
ligações entre os banzos e as diagonais;
 armadura de cisalhamento com inclinação entre 45 e 90.

Porém, resultados de ensaios comprovam que há imperfeições na analogia


de treliça clássica. Isso se deve principalmente a três fatores:

 a inclinação das fissuras é menor que 45;


 os banzos não são paralelos; há o arqueamento do banzo comprimido,
principalmente nas regiões dos apoios;
13.3
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Cisalhamento em Vigas

 a treliça é altamente hiperestática; ocorre engastamento das bielas no


banzo comprimido, e esses elementos comprimidos possuem rigidez
muito maior que a das barras tracionadas.

Para um cálculo mais refinado, tornam-se necessários modelos que


considerem melhor a realidade do problema.
Por esta razão, como modelo teórico padrão, adota-se a analogia de treliça,
mas a este modelo são introduzidas correções, para levar em conta as imprecisões
verificadas.

13.3 MODOS DE RUÍNA

Numa viga de concreto armado submetida a flexão simples, vários tipos de


ruína são possíveis, entre as quais: ruínas por flexão; ruptura por falha de
ancoragem no apoio, ruptura por esmagamento da biela, ruptura da armadura
transversal, ruptura do banzo comprimido devida ao cisalhamento e ruína por flexão
localizada da armadura longitudinal.

a) Ruínas por flexão

Nas vigas dimensionadas nos domínios 2 ou 3, a ruína ocorre após o


escoamento da armadura, ocorrendo abertura de fissuras e deslocamentos
excessivos (flechas), que servem como “aviso” da ruína.
Nas vigas dimensionadas no Domínio 4, a ruína se dá pelo esmagamento do
concreto comprimido, não ocorrendo escoamento da armadura nem grandes
deslocamentos, o que caracteriza uma “ruína sem aviso”.

b) Ruptura por falha de ancoragem no apoio

A armadura longitudinal é altamente solicitada no apoio, em decorrência do


efeito de arco. No caso de ancoragem insuficiente, pode ocorrer o colapso na junção
da diagonal comprimida com o banzo tracionado, junto ao apoio.
A ruptura por falha de ancoragem ocorre bruscamente, usualmente se
propagando e provocando também uma ruptura ao longo da altura útil da viga.

13.4
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Cisalhamento em Vigas

O deslizamento da armadura longitudinal, na região de ancoragem, pode


causar ruptura por cisalhamento da alma. A rigor, esse tipo de ruptura não decorre
da força cortante, mas sim da falha na ancoragem do banzo tracionado na diagonal
comprimida, nas proximidades do apoio.

c) Ruptura por esmagamento da biela

No caso de seções muito pequenas para as solicitações atuantes, as


tensões principais de compressão podem atingir valores elevados, incompatíveis
com a resistência do concreto à compressão com tração perpendicular (estado
duplo). Tem-se, então, uma ruptura por esmagamento do concreto (Figura 13.3).
A ruptura da diagonal comprimida determina o limite superior da capacidade
resistente da viga à força cortante, limite esse que depende, portanto, da resistência
do concreto à compressão.

Figura 13.3 – Ruptura por esmagamento da biela

d) Ruptura da armadura transversal

Corresponde a uma ruína por cisalhamento, decorrente da ruptura da


armadura transversal (Figura 13.4). É o tipo mais comum de ruptura por
cisalhamento, resultante da deficiência da armadura transversal para resistir às
tensões de tração devidas à força cortante, o que faz com que a peça tenha a
tendência de se dividir em duas partes.
A deficiência de armadura transversal pode acarretar outros tipos de ruína,
que serão descritos nos próximos itens.

13.5
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Cisalhamento em Vigas

Figura 13.4 – Ruptura da armadura transversal

e) Ruptura do banzo comprimido devida ao cisalhamento

No caso de armadura de cisalhamento insuficiente, essa armadura pode


entrar em escoamento, provocando intensa fissuração (fissuras inclinadas), com as
fissuras invadindo a região comprimida pela flexão. Isto diminui a altura dessa região
comprimida e sobrecarrega o concreto, que pode sofrer esmagamento, mesmo com
momento fletor inferior àquele que provocaria a ruptura do concreto por flexão
(Figura 13.5).

Figura 13.5 – Ruptura do banzo comprimido, decorrente do esforço cortante

f) Ruína por flexão localizada da armadura longitudinal

A deformação exagerada da armadura transversal pode provocar grandes


aberturas das fissuras de cisalhamento. O deslocamento relativo das seções
adjacentes pode acarretar na flexão localizada da armadura longitudinal, levando a
viga a um tipo de ruína que também decorre do cisalhamento (Figura 13.6).

13.6
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Cisalhamento em Vigas

Figura 13.6 – Ruína por flexão localizada da armadura longitudinal

13.4 MODELOS DE CÁLCULO

A NBR 6118:2003, item 17.4.1, admite dois modelos de cálculo, que


pressupõem analogia com modelo de treliça de banzos paralelos, associado a
mecanismos resistentes complementares, traduzidos por uma parcela adicional Vc.

O modelo I admite (item [Link]):

 bielas com inclinação  = 45o;


 Vc constante, independente de VSd.

VSd é a força cortante de cálculo, na seção.

O modelo II considera (item [Link]):

 bielas com inclinação  entre 30o e 45o ;

 Vc diminui com o aumento de VSd.

Nos dois modelos, devem ser consideradas as etapas de cálculo:

 verificação da compressão na biela;

 cálculo da armadura transversal;

 deslocamento a do diagrama de força no banzo tracionado.

Na sequência, será considerado o modelo I.

13.7
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Cisalhamento em Vigas

13.5 VERIFICAÇÃO DA COMPRESSÃO NA BIELA

Independente da taxa de armadura transversal, deve ser verificada a


condição:

VSd  VRd2

VSd é a força cortante solicitante de cálculo (f . VSk); na região de apoio, é


o valor na respectiva face (VSd = VSd, face );
VRd2 é a força cortante resistente de cálculo, relativa à ruína da biela; no
modelo I (item [Link] da NBR 6118:2003):

VRd2 = 0,27 v2 fcd bw d

 v2 = (1 – fck / 250), fck em MPa, ou v2 = (1 – fck / 25), fck em kN/cm2

13.6 CÁLCULO DA ARMADURA TRANSVERSAL

Além da verificação da compressão na biela, deve ser satisfeita a condição:

VSd  VRd3 = Vc + Vsw

VRd3 é a força cortante resistente de cálculo, relativa à ruína por tração


diagonal;
Vc é parcela de força cortante absorvida por mecanismos complementares
ao de treliça (resistência ao cisalhamento da seção sem armadura
transversal);
Vsw é a parcela de força absorvida pela armadura transversal.

No cálculo da armadura transversal considera-se VRd3 = VSd , resultando:

Vsw = VSd – Vc

a) Cálculo de VSd

Prescrições da NBR 6118:2003, item [Link].1, para o cálculo da armadura


transversal no trecho junto ao apoio, no caso de apoio direto (carga e reação de
apoio em faces opostas, comprimindo-as):
13.8
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Cisalhamento em Vigas

 para carga distribuída, VSd = VSd,d/2 , igual à força cortante na seção


distante d/2 da face do apoio;
 a parcela da força cortante devida a uma carga concentrada aplicada à
distância a < 2d do eixo teórico do apoio pode ser reduzida
multiplicando-a por a / (2d).

Nesses casos, considerar VSd = VSd,face (ou VSd = VSd,eixo) está a favor da
segurança.

b) Cálculo de Vc

Para modelo I, na flexão simples item [Link].b da NBR [Link]

Vc = 0,6 fctd bw d

fctd = fctk,inf / c

fctk,inf = 0,7 fct,m = 0,7 . 0,3 fck2/3 = 0,21 fck2/3

Para c = 1,4, resulta:

Vc = 0,09 fck2/3 bw d (fck em MPa, item 8.2.5 da NBR 6118:2003)

c) Cálculo da armadura transversal

De acordo com o modelo I (item [Link] da NBR 6118:2003):

Vsw = (Asw / s) 0,9 d fywd (sen  + cos  )

Asw é a área de todos os ramos da armadura transversal;


s é o espaçamento da armadura transversal;
fywd é a tensão na armadura transversal;
 é o ângulo de inclinação da armadura transversal (45    90).

Em geral adotam-se estribos verticais ( = 90) e determina-se a área


desses estribos por unidade de comprimento, ao longo do eixo da viga:
asw = Asw / s

Nessas condições, tem-se:

13.9
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Cisalhamento em Vigas

Vsw = asw 0,9 d fyw ou

asw = Vsw / (0,9 d fywd)

A tensão fywd, no caso de estribos, é dada pelo menor dos valores: fyd e
435 MPa. Portanto, para aços CA-50 ou CA-60, pode-se adotar:

fywd = 435 MPa = 43,5 kN/cm2

13.7 ARMADURA TRANSVERSAL MÍNIMA

Para garantir dutilidade à ruína por cisalhamento, a armadura transversal


deve ser suficiente para suportar o esforço de tração resistido pelo concreto na
alma, antes da formação de fissuras de cisalhamento.
Segundo o item [Link].1 da NBR 6118:2003, a armadura transversal
mínima deve ser constituída por estribos, com taxa geométrica:

A f
  sw  0,2 ctm
sw b  s  sen  f
w ywk

fctm = 0,3 fck2/3 (item 8.2.5 da NBR 6118:2003);

fywk é resistência característica de escoamento da armadura transversal.

Portanto, a taxa mínima sw,min da armadura transversal depende das

resistências do concreto e do aço. Os valores de sw,min são dados na Tabela 13.1.

Tabela 13.1 – Valores de sw,min (%)

CONCRETO
AÇO
C20 C25 C30 C35 C40 C45 C50

CA-25 0,1768 0,2052 0,2317 O,2568 0,2807 0,3036 0,3257

CA-50 0,0884 0,1026 0,1159 0,1284 0,1404 0,1580 0,1629

CA-60 0,0737 0,0855 0,0965 0,1070 0,1170 0,1265 0,1357

13.10
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Cisalhamento em Vigas

A armadura mínima é calculada por meio da equação:

A
a  sw   .b
sw, min s sw, min w

13.8 FORÇA CORTANTE RELATIVA À TAXA MÍNIMA

A força cortante solicitante VSd,min relativa à taxa mínima é dada por:

VSd,min = Vsw,min + Vc

com

Vsw,min = sw,min 0,9 bd fywd

13.9 DETALHAMENTO DOS ESTRIBOS

Apresentam-se as prescrições indicadas na NBR 6118:2003, item [Link].

a) Diâmetro mínimo e diâmetro máximo

O diâmetro do estribo deve estar no intervalo: 5 mm  t  bw /10.

Quando a barra for lisa, t  12 mm.

No caso de estribos formados por telas soldadas, t,min = 4,2 mm, desde
que sejam tomadas precauções contra a corrosão da armadura.

b) Espaçamento longitudinal mínimo e máximo

O espaçamento mínimo entre estribos, na direção longitudinal da viga, deve


ser suficiente para a passagem do vibrador, garantindo um bom adensamento.
Para que não ocorra ruptura por cisalhamento nas seções entre os estribos,
o espaçamento máximo deve atender às seguintes condições:

VSd  0,67 VRd2  smáx = 0,6 d  300 mm;

VSd > 0,67 VRd2  smáx = 0,3 d  200 mm.

13.11
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Cisalhamento em Vigas

c) Número de ramos dos estribos

O número de ramos dos estribos deve ser calculado em função do


espaçamento transversal máximo, entre ramos sucessivos dos estribos:

VSd  0,20 VRd2  st, max = d  800 mm;

VSd > 0,20 VRd2  st, max = 0,6d  350 mm.

d) Ancoragem

Os estribos para cisalhamento devem ser fechados na face tracionada da


viga, com um ramo horizontal envolvendo as barras da armadura longitudinal de
tração, e ancorados na face oposta.
Portanto, nas vigas biapoiadas, os estribos podem ser abertos na face
superior, com ganchos nas extremidades.
Quando esta face também puder estar tracionada, o estribo deve ter o ramo
horizontal nesta região, ou complementado por meio de barra adicional.
Portanto, nas vigas com balanços e nas vigas contínuas, devem ser
adotados estribos fechados tanto na face inferior quanto na superior.

e) Emendas

As emendas por transpasse são permitidas quando os estribos forem


constituídos por telas.
Embora não sejam usuais, as emendas por traspasse também são
permitidas se os estribos forem constituídos por barras de alta aderência, ou seja, de
aço CA-50 ou CA-60.

13.10 EXEMPLO DE APLICAÇÃO

No final do capítulo sobre “Vigas”, apresentam-se todas as etapas do projeto


de uma viga biapoiada, o cálculo de cisalhamento inclusive.

13.12
ESTRUTURAS DE CONCRETO – CAPÍTULO 14

Libânio M. Pinheiro, Cassiane D. Muzardo

2004 out 06

ESTADOS LIMITES DE SERVIÇO

14.1 MOMENTO DE FISSURAÇÃO (Mr)


“Nos estados limites de serviço as estruturas trabalham parcialmente no estádio I e
parcialmente no estádio II. A separação entre essas duas partes é definida pelo momento de
fissuração. Esse momento pode ser calculado pela seguinte expressão aproximada” (item
17.3 da NBR 6118:2003):
α ⋅ fct ⋅ Ic
Mr =
yt
α é o fator que correlaciona aproximadamente a resistência à tração na flexão com a
resistência à tração direta:

1,2 para seções T ou duplo T


α=
1,5 para seções re tan gulares
A resistência do concreto à tração direta, fct, é obtida conforme o item 8.2.5 da NBR
6118:2003. Para determinação de Mr, no estado de limite de formação de fissura, deve ser
usado o fctk,inf, e no estado limite de deformação excessiva, o fctm;

f 2/3
= 0,21 fck (em MPa, formação de fissura)
 ctk,inf
fct =
f 2/3
 ctm = 0,3 fck (em MPa, deformação excessiva)

Ic é o momento de inércia da seção bruta de concreto;


yt é a distância do centro de gravidade da seção à fibra mais tracionada.
Para seção retangular, resulta:
3
b⋅h
Ic =
12
yt = h – x = x

14.2 HOMOGENEIZAÇÃO DA SEÇÃO


Por ser formado por dois materiais – concreto e aço – com propriedades diferentes, é
necessário homogeneizar a seção, para alguns cálculos. Essa homogeneização é feita
substituindo-se a área de aço por uma área correspondente de concreto, obtida a partir da
área de aço As, multiplicando-a por αe = Es/Ec.
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Estados Limites de Serviço

14.2.1 Estádio I
No estádio I o concreto resiste à tração. Para seção retangular, a posição da linha
neutra e o momento de inércia são calculados com base na Figura 14.1.

Figura 14.1 – Seção retangular no Estádio I

No cálculo da posição x1 da linha neutra, basta fazer MLN = 0, sendo MLN o momento
estático da seção em relação à linha neutra. Para a seção retangular da figura 14.1 tem-se:
x (h − x )
MLN = b ⋅ x ⋅ − b ⋅ (h − x ) ⋅ − (α e − 1) ⋅ A s ⋅ (d − x ) = 0 → x1
2 2
αe = Es/Ec
Es = 210 GPa = 210 000 MPa (Item 8.3.5 da NBR 6118:2003)
1/ 2 1/ 2
Ec = 0,85 Eci = 0,85 . 5600 fck = 4760 fck (em MPa, item 8.2.8 da NBR 6118:2003)

A expressão para cálculo da posição x1 da linha neutra resulta:


2
b⋅h
+ (α e − 1) ⋅ A s ⋅ d
x1 = 2
b ⋅ h + (α e − 1) ⋅ A s

Para a mesma seção retangular da Figura 14.1, o momento de inércia resulta:


3 2
b⋅h  h 2
I1 = + b ⋅ h ⋅  x1 −  + (α e − 1) ⋅ A s ⋅ (d − x1 )
12  2

Para seção circular, tem-se:


4
π⋅φ
I1,cir =
64

No cálculo de I1, é desprezível o momento de inércia da armadura em relação ao


próprio eixo.
14.2
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Estados Limites de Serviço

14.2.2 Estádio II
No estádio II o concreto tracionado é desprezado, pois ele está fissurado (Figura 14.2).

Figura 14.2 – Seção retangular no Estádio II

Com procedimento análogo ao do estádio I, desprezando-se a resistência do concreto


à tração, tem-se para seção retangular no estádio II (Figura 14.2):

x
MLN = b ⋅ x ⋅ − α e ⋅ A s ⋅ (d − x ) = 0 → x 2
2

Portanto, a posição da linha neutra x2 é obtida por meio da equação:


b
⋅ x 22 + α e ⋅ A s ⋅ x 2 − α e ⋅ A s .d = 0
2

Momento de inércia I2:


2
b ⋅ x 23 x
I2 = + b ⋅ x 2 ⋅  2  + α e ⋅ A s ⋅ (d − x 2 )2
12 2
ou
3
b ⋅ x2
I2 = + α e ⋅ A s ⋅ (d − x 2 )2
3

14.3 FORMAÇÃO DE FISSURAS


O estado limite de formação de fissuras corresponde ao momento de fissuração
calculado com fct = fctk,inf. Esse valor de Mr é comparado com o momento fletor relativo à
combinação rara de serviço, dada por (item [Link] da NBR 6118:2003):

14.3
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Estados Limites de Serviço

Fd, ser = ∑ Fgik + Fq1k + ∑ ψ 1j ⋅ Fqjk

Fd,ser é o valor de cálculo das ações para combinações de serviço


Fq1k é o valor característico das ações variáveis principais diretas
Ψ1 é o fator de redução de combinação freqüente para ELS (Tabela 14.1)

Tabela 14.1 – Valores de ψ0, ψ1 e ψ2 (NBR 6118:2003)

γf2
Ações
ψ0 ψ 1(1) ψ2

Locais em que não há predominância de pesos de


equipamentos que permanecem fixos por longos períodos 0,5 0,4 0,3
de tempo, nem de elevadas concentrações de pessoas (2)
Cargas
acidentais de
edifícios Locais em que há predominância de pesos de
equipamentos que permanecem fixos por longos períodos 0,7 0,6 0,4
de tempo, ou de elevada concentração de pessoas (3)

Bibliotecas, arquivos, oficinas e garagens 0,8 0,7 0,6

Vento Pressão dinâmica do vento nas estruturas em geral 0,6 0,3 0


Variações uniformes de temperatura em relação à média
Temperatura 0,6 0,5 0,3
anual local
(1)
Para valores de ψ1 relativos às pontes e principalmente aos problemas de fadiga, ver seção 23 da NBR 6118:2003

(2)
Edifícios residenciais

(3)
Edifícios comerciais e de escritórios

Para edifícios, em geral, em que a única ação variável é a carga de uso, tem-se:

Fd,ser = Fgk + Fqk = Fk

Portanto, Md, rara = Mr .

Se Md, rara > Mr , há fissuras; caso contrário, não.

14.4 DEFORMAÇÃO
Na verificação das deformações de uma estrutura, deve-se considerar: combinação
quase-permanente de ações e rigidez efetiva das seções.

14.4
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Estados Limites de Serviço

A combinação quase-permanente é dada por (item [Link] da NBR 6118:2003):

Fd,ser = ∑ Fgik + ∑ ψ 2 j ⋅ Fqjk

Fd,ser é o valor de cálculo das ações para combinações de serviço


Fqjk é o valor característico das ações variáveis principais diretas
Ψ2 é o fator de redução de combinações quase permanente para ELS (Tabela 14.1).

Para edifícios, em geral, em que a única ação variável é a carga de uso, tem-se
(Tabela 14.1, ψ2 = 0,3):

Fd,ser = Fgk + ψ 2 ⋅ Fqk

14.4.1 Flecha imediata em vigas


A flecha imediata pode ser calculada admitindo-se comportamento elástico e pode
ser obtida por meio de tabelas, em função das condições de apoio e do tipo de
carregamento. PINHEIRO (1993) apresenta tabelas com expressões do tipo:

 p l4
α (p é uma carga linearment e distribuída)
 EI

 P l 3
ai =  β (P é uma carga concentrad a)
 EI
 2
 Ml
δ E I (M é um momento aplicado )


α, β, δ são coeficientes tabelados e l é o vão teórico.


Conforme a NBR 6118:2003, o módulo de elasticidade e o momento de inércia podem
ser obtidos, respectivamente, conforme os itens 8.2.8 e [Link].1:
1/ 2 1/ 2
E = E cs = 0,85 ⋅ E ci = 0,85 ⋅ 5600 ⋅ fck = 4760 ⋅ fck

 Mr 
3   M 3 
I = Ieq =  I + 1 −  r   I
M  c  M   2
 a   a 
Ic é o momento de inércia da seção bruta de concreto;
I2 é o momento de inércia da no estádio II, calculado com αe = Es/Ec;
Ma é o momento fletor na seção crítica, para combinação quase permanente;
Mr é o momento de fissuração calculado com fct=fctm.

O valor de Mr deve ser reduzido à metade, no caso de utilização de barras lisas.

14.5
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Estados Limites de Serviço

14.4.2 Flecha diferida


A flecha adicional diferida, decorrente das cargas de longa duração em função da
fluência, pode ser calculada de maneira aproximada pela multiplicação da flecha imediata
pelo fator αf dado pela expressão (NBR 6118:2003 – item [Link].2):
∆ξ
αf =
1 + 50 ⋅ ρ'
ρ’ é a taxa de armadura de compressão (armadura dupla), dada por:
As'
ρ' =
b⋅d
∆ξ = ξ( t ) − ξ( t 0 ) (Tabela 14.2)
t é o tempo, em meses, quando se deseja o valor da flecha diferida;
t0 é a idade, em meses, relativa à data de aplicação da carga de longa duração.

Obtém-se, portanto:

Flecha diferida: af = αf . ai

Flecha total: at = ai + αf . ai = ai (1 + αf)

Tabela 14.2 – Valores de ξ (Tabela 17.1 da NBR 6118:2003)

Tempo (t)
0 0,5 1 2 3 4 5 10 20 40 70
meses
Coeficiente
0 0,54 0,68 0,84 0,95 1,04 1,12 1,36 1,64 1,89 2
ξ(t)

14.4.3 Verificação das flechas


Os deslocamentos obtidos devem ser comparados com os valores limites dados na
Tabela 14.3 e com os demais valores indicados na Tabela 13.2 da NBR 6118:2003.

Caso esses limites sejam ultrapassados, tem-se entre as soluções possíveis:


• Aumentar a idade para aplicação da carga (aumentar t0), mantendo o escoramento
por mais tempo ou retardando a execução de revestimentos, paredes etc.
• Adotar uma contraflecha (ac), que pode ser estimada por meio da expressão
(flecha imediata mais metade da flecha diferida):

 α  a
a c = a i ⋅ 1 + f =a + f
 i
 2  2

14.6
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Estados Limites de Serviço

É usual arredondar o valor da contraflecha (ac) para o múltiplo de 0,5 cm mais próximo
do valor calculado. A contraflecha pode ser adotada mesmo quando os deslocamentos
estiverem abaixo dos limites da Norma.

Tabela 14.3 – Limites para deslocamentos (Parte da Tabela 13.2 da NBR 6118:2003)

Deslocamento a
Tipo de efeito Razão da limitação Exemplo Deslocamento limite
considerar
Deslocamentos
visual visíveis em elementos Total l/250
Aceitabilidade estruturais
sensorial
Vibrações sentidas no Devidos a cargas
outro l/350
piso acidentais

superfícies que devem Coberturas e (1)


Total l/250
drenar água varandas

(2)
Total l/350 + contra-flecha
Pavimentos que
Efeitos estruturais Ginásios e pistas de
devem permanecer
em serviço boliche
planos Ocorrido após a
l/600
construção do piso

Elementos que
Ocorrido após De acordo com
suportam
Laboratórios nivelamento do recomendação do fabricante
equipamentos
equipamento do equipamento
sensíveis
(1)
As superfícies devem ser suficientemente inclinadas ou o deslocamento previsto compensado por contraflechas, de
modo a não se ter acúmulo de água.
(2)
Os deslocamentos podem ser parcialmente compensados pela especificação de contraflechas. Entretanto, a
atuação isolada da contraflecha não pode ocasionar um desvio do plano maior que l/350.

14.5 ABERTURA DE FISSURAS


Na verificação de abertura de fissuras deve ser considerada combinação freqüente de
ações. Para edifícios em geral, em que a carga de uso é a única ação variável, tem-se:

Fd,ser = Fgk + ψ1 ⋅ Fqk com ψ1 = 0,4 (Tabela 14.1)

14.5.1 Valor da abertura de fissuras


A abertura de fissuras, w, determinada para cada região de envolvimento, é a menor
entre w 1 e w 2 , dadas pelas expressões (item [Link] da NBR 6118:2003):

14.7
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Estados Limites de Serviço

 φi σ 3 ⋅ σ si
w 1 = ⋅ si ⋅
12,5 ⋅ ηi E si fctm

w≤
 φi σ si  4 
w 2 = 12,5 ⋅ η ⋅ E ⋅  ρ + 45 
 i si  ri 

σsi , φi , Esi, ρri são definidos para cada área de envolvimento em exame (Figura 14.3):

Acri é a área da região de envolvimento protegida pela barra φi (Figura 14.3);


Esi é o módulo de elasticidade do aço da barra considerada, de diâmetro φi ;
ρri é a taxa de armadura em relação à área Acri, dada por:
A si
ρri =
A cri

σsi é a tensão de tração no centro de gravidade da armadura considerada, calculada


no Estádio II, cálculo este que pode ser feito com αe=15 (item [Link] da NBR 6118:2003).
ηi é o coeficiente de conformação superficial da armadura considerada (η1 para
armadura passiva dado no item [Link] da NBR 6118:2003)

1,0 para barras lisas



η1 = 1,4 para barras dentadas

2,25 para barras nervuradas
2/3
fctm = 0,3 ⋅ fck (em MPa, item 8.2.5 da NBR 6118:2003)

Figura 14.3 – Concreto de envolvimento da armadura (Figura 17.3 da NBR 6118:2003)

14.8
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Estados Limites de Serviço

14.5.2 Cálculo de σsi

Há duas maneiras de se calcular o valor de σsi, indicadas a seguir.

a) Cálculo refinado
No Estádio II obtém-se x2 e I2 (item 14.2.2). Neste caso, a Norma permite adotar αe=15.

σs Md,freq α e ⋅ Md,freq ⋅ (d − x 2 )
σ cs = = ⋅ (d − x 2 ) ⇒ σ s =
αe I2 I2

b) Cálculo aproximado
É feito adotando-se z = 0,80d (Figura 14.4):
M d,freq
σs =
0,80 ⋅ d ⋅ A s

Figura 14.4 – Braço de alavanca

14.5.3 Valor limite


Em função da classe de agressividade ambiental, (Tabela 6.1 da NBR 6118:2003), a
abertura máxima característica wk das fissuras é dada na Tabela 14.4.

Tabela 14.4 – Exigências de durabilidade relacionadas à fissuração e à proteção da


armadura (Parte de tabela 13.3 da NBR 6118:2003)

Classe de
Tipo de concreto Exigências relativas à Combinação de ações
agressividade
estrutural fissuração em serviço a utilizar
ambiental (CAA)
Concreto simples CAA I a CAA IV Não há ***
CAA I ELS - W wk ≤ 0,4 mm
Concreto armado CAA II a CAA III ELS - W wk ≤ 0,3 mm Combinação freqüente

CAA IV ELS - W wk ≤ 0,2 mm

14.9
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Estados Limites de Serviço

Caso o valor obtido para wk > wk,lim , as providências possíveis são:

• Diminuir o diâmetro da barra (diminui φ);


• Aumentar o número de barras mantendo o diâmetro (diminui σs);
• Aumentar a seção transversal da peça (diminui φ).

14.6 EXEMPLO
Verificar os ELS para a viga biapoiada indicada na Figura 14.5. Dados:
seção 22cm x 40cm, l = 410cm, concreto C25, aço CA-50, armadura longitudinal 4φ20
(12,60 cm2), d = 35,9cm, classe II de Agressividade Ambiental.

Figura 14.5 – Viga biapoiada

14.6.1 Momento de fissuração

α ⋅ fct ⋅ Ic
Mr =
yt
α = 1,5 (seção retangular)
3 3
b⋅h 22 ⋅ 40 4
Ic = = = 117333 cm
12 12
h 40
yt = h − x = = = 20 cm
2 2

a) Formação de fissura

2/3 2/3 2
fct = fctk,inf = 0,21⋅ fck = 0,21⋅ 25 = 1,795 MPa = 0,1795 kN / cm

1,5 ⋅ 0,1795 ⋅ 117333


Mr = = 1580 [Link] = 15,8 kN.m
20

14.10
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Estados Limites de Serviço

2 2
p⋅l 50 ⋅ 4,10
Md,rara = = = 105,1kN.m
8 8
Md,rara = 105,1kN.m > Mr = 15,8 kN.m → há fissuras

b) Deformação excessiva

2/3 2/3 2
fct = fctm = 0,3 ⋅ fck = 0,3 ⋅ 25 = 2,565 MPa = 0,2565 kN / cm

1,5 ⋅ 0,2565 ⋅ 117333


Mr = = 2257 [Link] ≅ 22,6 kN.m
20

14.6.2 Momento de inércia no estádio II

b 2
⋅ x 2 + α e ⋅ A s ⋅ x 2 − α e ⋅ A s .d = 0 (Item 14.2)
2
Es = 210000 MPa
1/ 2 1/ 2
Ec = 4760 ⋅ fck = 4760 ⋅ 25 = 23800 MPa

Es 210000
αe = = = 8,82
Ec 23800
22 2
⋅ x 2 + 8,82 ⋅ 12,60 ⋅ x 2 − 8,82 ⋅ 12,60.35,9 = 0
2
2
x 2 + 10,10 ⋅ x 2 − 362,69 = 0
x 2 = 14,66 cm ( A raíz negativa é ignorada )
b ⋅ x 23
I2 = + α e ⋅ A s ⋅ (d − x 2 )2
3
22 ⋅ 14,66 3
I2 = + 8,82 ⋅ 12,60 ⋅ (35,9 − 14,66) 2 ⇒ I2 = 73.240 cm 4
3

14.6.3 Deformação excessiva

a) Combinação quase-permanente

43
p qp = g + ψ 2 ⋅ q = 40 + 0,3 ⋅ 10 = 43 kN / m = kN cm
100

b) Momento de inércia equivalente

É obtido com a expressão indicada no item 14.4.1:


14.11
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Estados Limites de Serviço

 Mr 
3   M 3 
I = Ieq =  ⋅ I + 1 −  r   ⋅ I
M  c  M   2
 a   a 

São conhecidos os valores (item 14.6.1 e 14.6.2)


Mr = 22,6 kN.m (EL - Deformação) (Item 14.6.1b)
Ma = Md, rara = 105,1kN.m (Item 14.6.1a)

Ic = 117333 cm 4 (Item 14.6.1)

I2 = 67380 cm 4 (Item 14.6.2)

Resulta:

 22,6 
3
  22,6  3  4
I = Ieq =   ⋅117333 + 1−    ⋅ 73240 = 73679 cm
 105,1   105,1 

c) Flecha imediata

A flecha imediata é obtida com a expressão (Tabela 3.2a, caso 6, PINHEIRO, 1993):

5 p ⋅ l4
ai = ⋅
384 E ⋅ I

O módulo de elasticidade do concreto foi calculado no item 14.6.2:


1/ 2 2
E = E cs = 4760 ⋅ fck 1/ 2 = 4760 ⋅ 25 = 23.800 MPa = 2.380 kN / cm

Substituindo os valores já obtidos, resulta:

5 43 410 4
ai = ⋅ ⋅ ⇒ a i = 0,902 cm
384 100 2380 ⋅ 73679

d) Flecha diferida

∆ξ
αf = (Item 14.4.2)
1 + 50 ⋅ ρ'

t ≥ 70 meses 
 ∆ξ = 2 − 0,68 = 1,32 (Tabela 14.2)
t 0 = 1mês 

ρ' = 0 ( Armadura simples )

14.12
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Estados Limites de Serviço

1,32
αf = = 1,32
1
a f = α f ⋅ ai = 1,32 ⋅ 0,902 → a f = 1,191cm

e) Flecha total

at = ai ⋅ (1+ α f ) = 0,902 ⋅ (1+ 1,32) ⇒ at = 2,09 cm

f) Flecha limite

Da Tabela 14.3, para aceitabilidade visual:


l 410
a lim = = = 1,64 cm
250 250

Há necessidade de contraflecha, pois:

at = 2,09 cm > alim = 1,64 cm

g) Contraflecha

α a 1,191 (Item 14.5.3)


a c = ai ⋅ 1+ f  = ai + f = 0,902 + = 1,49 cm
 2 2 2
Adota-se contraflecha de 1,5cm.

14.6.4 Abertura de fissuras

a) Dados iniciais

φ = 20 mm
η = 2,25 (Barras nervuradas, CA-50)
Es = 210 000 MPa = 21 000 kN/cm2 (Item 8.2.5 da NBR 6118:2003)

b) Taxa de armadura ρri

Com base na Figura 14.3, há duas regiões de envolvimento a considerar


(Figura 14.6): das barras externas, A c r i , e s , e das barras internas, A c r i , i n t . O
espaçamento horizontal e h das barras longitudinais é dado por:

b − (2c + 2φ t + 4φl )
eh = (Há três espaços entre as barras)
3

14.13
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Estados Limites de Serviço

Para b=22cm, c=2,5cm, φ t =0,63cm e φ l = 2cm, resulta:

22 − (2 ⋅ 2,5 + 2 ⋅ 0,63 + 4 ⋅ 2,0)


eh = = 2,58 cm
3
As respectivas áreas de envolvimento resultam:

eh
Acri, est = (c + φ t + φ l + ) ⋅ ( c + φ t + 8φ l ) =
2

= (2,5 + 0,63 + 2,0 + 2,58 ) ⋅ (2,5 + 0,63 + 8 ⋅ 2,0) = 122,81cm


2
2
2
Acri, int = ( φ l + e h ) ⋅ (c + φ t + 8φ l ) = ( 2,0 + 2,58 ) ⋅ ( 2,5 + 0,63 + 8 ⋅ 2,0 ) = 87,62 cm

Adota-se o menor desses dois valores, resultando:

2
Acri = 87,62 cm
A si 2,0
ρ ri = = = 0,0228 = 2,28 %
A cri 87,62

Figura 14.6 – Área Acr

c) Momento fletor para combinação freqüente

Md, freq = Mgk + ψ1 ⋅ Mqk ψ 1 = 0,4 (Tabela 14.1)

2
40 ⋅ 4,10
Mgk = = 84,1kN.m
8
2
10 ⋅ 4,10
Mqk = = 21,0 kN.m
8
Md, freq = 84,1 + 0,4 ⋅ 21,0 = 92,5 kN.m

14.14
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Estados Limites de Serviço

d) Cálculo aproximado de σs

Md, freq 9250 2


σs = = = 25,56 kN / cm
0,80 ⋅ d ⋅ A s 0,80 ⋅ 35,9 ⋅ 12,60

e) Cálculo de σs no estádio II com αe = Es / Ec = 8,82

α e ⋅ Md,freq ⋅ (d − x 2 ) 8,82 ⋅ 9250 ⋅ (35,9 − 14,66)


σs = = = 23,66 kN / cm2
I2 73240

f) Cálculo de σs no estádio II com αe = 15

• Linha neutra

b 2
⋅ x 2 + α e ⋅ A s ⋅ x 2 − α e ⋅ A s .d = 0
2
22 2
⋅ x 2 + 15 ⋅ 12,60 ⋅ x 2 − 15 ⋅ 12,60.35,9 = 0
2
x 22 + 17,18 ⋅ x 2 − 616,82 = 0
x 2 = 17,69 cm ( A raíz negativa é ignorada )

• Momento de inércia

3
b ⋅ x2
I2 = + α e ⋅ A s ⋅ (d − x 2 )2
3
22 ⋅ 17,69 3
I2 = + 15 ⋅ 12,60 ⋅ (35,9 − 17,69) 2 ⇒ I2 = 103269 cm 4
3

• Valor de σs para αe = 15

α e ⋅ Md,freq ⋅ (d − x 2 ) 15 ⋅ 9250 ⋅ (35,9 − 17,69)


σs = = = 24,47 kN / cm2
I2 103269

Nota-se que este valor de σs é muito próximo dos obtidos nos itens anteriores.

14.15
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Estados Limites de Serviço

g) Cálculo de wk

 φi σ 3 ⋅ σ si
w 1 = ⋅ si ⋅
 12,5 ⋅ ηi E si fctm
wk ≤ 
 φi σ  4 
w 2 = ⋅ si ⋅  + 45 
 12,5 ⋅ ηi E si  ρ ri 

20 25,56 3 ⋅ 25,56
w1 = ⋅ ⋅ = 0,26 mm
12,5 ⋅ 2,25 21000 0,2565

20 25,56  4 
w2 = ⋅ ⋅ + 45  = 0,19 mm
12,5 ⋅ 2,25 21000  0,0228 

Obtém-se, portanto:

w k = 0,19 mm < w lim = 0,4 mm (Item 14.5.3)

AGRADECIMENTOS

Aos colaboradores na redação, nos desenhos e na revisão deste texto:


Marcos Vinícius Natal Moreira,
Anastácio Cantisani de Carvalho (UFAM) e
Sandro Pinheiro Santos.

REFERÊNCIA

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (2003). NBR 6118 – Projeto de


estruturas de concreto. Rio de Janeiro, ABNT.

14.16
VIGAS – CAPÍTULO 15

Libânio M. Pinheiro, Cassiane D. Muzardo, Sandro P. Santos

30 setembro 2003

VIGAS

Vigas são “elementos lineares em que a flexão é preponderante” (NBR 6118:


2003, item [Link]). Portanto, os esforços predominantes são: momento fletor e força
cortante.
Nos edifícios, em geral, as vigas servem de apoio para lajes e paredes,
conduzindo suas cargas até os pilares.
Como neste capítulo o efeito do vento não será considerado, as vigas serão
dimensionadas para resistir apenas às ações verticais.

15.1 DADOS INICIAIS


O primeiro passo para o projeto das vigas consiste em identificar os dados
iniciais. Entre eles incluem-se:

• classes do concreto e do aço e o cobrimento;


• forma estrutural do tabuleiro, com as dimensões preliminares em planta;
• distância até o andar superior;
• reações de apoio das lajes;
• cargas das paredes por metro quadrado;
• dimensões das seções transversais das vigas, obtidas num pré-
dimensionamento.
Em seguida, devem ser considerados: esquema estático, vãos e dimensões da
seção transversal.

a) Vinculação
No início deste cálculo simplificado, as vigas serão admitidas simplesmente
apoiadas nos pilares. Posteriormente, serão consideradas suas ligações com os
pilares de extremidade.

b) Vão livre e vão teórico


Vão livre ( l 0 ) é a distância entre as faces dos apoios (Figura 15.1). O vão
efetivo ( l ef ), também conhecido como vão teórico ( l ), pode ser calculado por:

l = l0 + a1 + a2

com a1 igual ao menor valor entre t1 / 2 e 0,3h e a2 igual a t2 / 2.


USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Vigas

No entanto, é usual adotar o vão teórico como sendo, simplesmente, a distância


entre os eixos dos apoios.
Nas vigas em balanço, vão livre é a distância entre a extremidade livre e a face
externa do apoio, e o vão teórico é a distância até o centro do apoio.

Figura 15.1 – Vão livre e vão teórico

c) Pré-dimensionamento
As vigas não devem apresentar largura menor que 12cm. Esse limite pode
ser reduzido, respeitando-se um mínimo absoluto de 10cm em casos excepcionais,
sendo obrigatoriamente respeitadas as seguintes condições (item 13.2.2 da NBR
6118, 2003):

• alojamento das armaduras e suas interferências com as armaduras de outros


elementos estruturais, respeitando os espaçamentos e coberturas
estabelecidos nessa Norma;

• lançamento e vibração do concreto de acordo com a NBR 14931.


Sempre que possível, a largura das vigas deve ser adotada de maneira que
elas fiquem embutidas nas paredes.
Porém, nos casos de grandes vãos ou de tramos muito carregados, pode ser
necessário adotar larguras maiores. Nesses casos, procura-se atenuar o impacto na
arquitetura do edifício.
Como foi visto no Capítulo 5, item 5.2, uma estimativa grosseira para a altura
das vigas é dada por:

• tramos intermediários: hest = l0/12

• tramos extremos ou vigas biapoiadas: hest = l0/10

• balanços: hest = l0/5

15.2
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Vigas

As vigas não podem invadir os espaços de portas e de janelas. Considera-se


a abertura de portas com 2,20m de altura.
Para simplificar o cimbramento, procura-se padronizar as alturas das vigas.
Não é usual adotar mais que duas alturas diferentes. Tal procedimento pode,
eventualmente, gerar a necessidade de armadura dupla, em alguns trechos.

Os tramos mais carregados, e principalmente os de maiores vãos, devem ter


suas flechas verificadas posteriormente.

15.2 AÇÕES

Em geral, as cargas nas vigas são: peso próprio, reações de apoio das lajes e
peso de paredes. Eventualmente, as vigas podem receber cargas de outras vigas.
As vigas podem, também, receber cargas de pilares, nos casos de vigas de
transição ou em vigas de fundação.
Com exceção das cargas provenientes de outras vigas ou de pilares, que são
concentradas, as demais podem ser admitidas uniformemente distribuídas.

a) Peso próprio

Com base no item 8.2.2 da NBR 6118 (2003), na avaliação do peso próprio de
peças de concreto armado, pode ser considerada a massa específica (ρc) 2500kg/m3.

b) Reações das lajes

No cálculo das reações das lajes e de outras vigas, é recomendável discriminar


as parcelas referentes às ações permanentes e às ações variáveis, para que se
possam estabelecer as combinações das ações, inclusive nas verificações de
fissuração e de flechas.

c) Peso de paredes

No cômputo do peso das paredes, em geral nenhum desconto é feito para vãos
de portas e de janelas de pequenas dimensões. Essa redução pode ser feita quando a
área de portas e janelas for maior do que 1/3 da área total, devendo-se, nesse caso,
incluir o peso dos caixilhos, vidros etc.
Os pesos específicos dos materiais que compõem as paredes podem ser obtidos
na “Tabela 8 – Peso específico dos materiais de construção”, que se encontra no
capítulo 11 “Lajes Maciças”.

15.3
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Vigas

15.3 ESFORÇOS

Nas estruturas usuais de edifícios, para o estudo das cargas verticais, as vigas
podem ser admitidas simplesmente apoiadas nos pilares, observando-se a
necessidade das correções indicadas no item 15.3.1.
Se a carga variável for no máximo igual a 20% da carga total, a análise estrutural
pode ser realizada sem a consideração da alternância de cargas (item [Link] da
NBR 6118, 2003). Mais detalhes serão vistos na seqüência, no item b.

a) Correções adicionais para vigas simplesmente apoiadas nos pilares


No cálculo em que as vigas são admitidas simplesmente apoiadas nos pilares,
deve ser observada a necessidade das seguintes correções adicionais (item [Link]
da NBR 6118, 2003):
• não devem ser considerados momentos positivos menores que os que se
obteriam se houvesse engastamento perfeito da viga nos apoios internos;
• quando a viga for solidária com o pilar intermediário e a largura do apoio,
medida na direção do eixo da viga, for maior que a quarta parte da altura do
pilar, não pode ser considerado momento negativo de valor absoluto menor do
que o de engastamento perfeito nesse apoio;
• quando não for realizado o cálculo exato da influência da solidariedade dos
pilares com a viga, deve ser considerado, nos apoios externos, momento igual
ao momento de engastamento perfeito (Meng) multiplicado pelos coeficientes
estabelecidos nas seguintes relações:
r + rsup
M = Meng ⋅ inf
vig r + r + rsup
vig inf
I
r= → rigidez do elemento, avaliada conforme indicado na
l
figura 14.8 da NBR 6118 (2003)

inf, sup, vig → índices referentes ao pilar inferior, ao pilar superior e


à viga, respectivamente.

b) Carga acidental maior que 20% da carga total

No cálculo de uma viga contínua com carga uniforme, para se determinar a


combinação de carregamento mais desfavorável para uma determinada seção, deve-
se considerar, em cada tramo, que a carga variável atue com valor integral ou com
valor nulo.
Na verdade, devem ser consideradas pelo menos três combinações de
carregamento: (a) todos os tramos totalmente carregados, (b) tramos alternados
totalmente carregados ou com valor nulo da carga variável e (c) idem, alterando a
ordem dos carregamentos, isto é, os tramos totalmente carregados passam a ter carga

15.4
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Vigas

variável nula e vice-versa. Essas três situações devem ser consideradas quando a
carga variável é maior que 20% da carga total
Mesmo assim, é prática comum no projeto de edifícios usuais considerar apenas
a primeira das três combinações citadas. Esse procedimento em geral não
compromete a segurança, dada a pequena magnitude das cargas variáveis nesses
edifícios, em relação à carga total.

15.4 VERIFICAÇÕES

Antes do cálculo das armaduras, é necessário verificar se a seção transversal é


suficiente para resistir aos esforços de flexão e de cisalhamento.

a) Momento Fletor

O momento limite para armadura simples é dado por:

b ⋅ d2
Md,lim =
k c,lim

k c,lim → valor de k c correspondente ao limite entre os domínios 3 e 4


(ver Tabela 1.1 de PINHEIRO, 1993)
Pode-se usar armadura simples, para Md,máx ≤ Md,lim , ou armadura dupla,
para Md,máx até um valor da ordem de 1,2 ⋅ Md,lim , no caso de aço CA-50.

Para valores maiores de Md,máx , pode ser necessário aumentar a seção da


viga. O emprego de seção T, quando for possível, também é uma alternativa.
Outras providências, menos práticas, seriam: diminuir o momento fletor –
alterando a vinculação, o vão ou a carga – ou aumentar a resistência do concreto.
Esta talvez seja a menos viável, pois em geral se adota a mesma resistência do
concreto para todos os elementos estruturais.

b) Força Cortante

A máxima força cortante VSd , na face dos apoio, não deve ultrapassar a força
cortante última VRd2 , relativa à ruína das bielas comprimidas de concreto, dada por
(item [Link] da NBR 6118, 1973):
VRd2 = 0,27 αv2 fcd bw d

αv2 = (1 - fck / 250) , fck em MPa ou αv2 = (1 - fck / 25) , fck em kN/cm2

fcd → resistência de cálculo do concreto

bw → menor largura da seção, compreendida ao longo da altura útil


15.5
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Vigas

d → altura útil da seção, igual à distância da borda comprimida ao centro de


gravidade da armadura de tração
O estudo completo da ação da força cortante encontra-se no capítulo sobre
“Cisalhamento em Vigas”.

15.5 CÁLCULO DAS ARMADURAS E OUTRAS VERIFICAÇÕES

O cálculo das armaduras é feito a partir dos diagramas de esforços, já com seus
valores de cálculo (ver figura 15.3: memorial sintetizado).
As armaduras longitudinais e transversais são calculadas, respectivamente, das
maneiras indicadas nos capítulos sobre “Flexão Simples na Ruína: Tabelas para
Seção Retangular” e “Cisalhamento em Vigas”.
As verificações de ancoragem nos apoios e dos estados limites de serviço foram
estudadas, respectivamente, nos capítulos sobre “Aderência e Ancoragem” e “Estados
Limites de Serviço”.
Exemplos desses cálculos são apresentados no item 15.7.

15.6 REAÇÕES DE APOIO TOTAIS


Calculadas as reações de apoio de todas as vigas do andar, pode ser elaborado
um esquema do tabuleiro, com as reações em cada pilar, discriminando-se as
parcelas referentes a cada viga e indicando-se os valores totais. Estes serão somados
às ações provenientes dos demais andares, para se efetuar o dimensionamento de
cada tramo dos pilares.

15.7 EXEMPLO DE VIGA BIAPOIADA


Apresenta-se o projeto da viga V1, apoiada nas vigas V2 e V3 (Figura 15.2).

Figura 15.2 – Forma da viga biapoiada

15.6
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Vigas

Recomenda-se elaborar um memorial sintetizado, como o indicado na Figura


15.3, que inclui as informações essenciais para o projeto e os principais resultados
obtidos, entre os quais:
• nome da viga e dimensões da seção transversal (em cm);
• classe do concreto e do aço;
• cobrimento nominal (em cm);
• valores de referência Md,lim , VRd2 e VSd,min (unidades kN e m);
• esquema estático com identificação dos apoios e seus comprimentos (em cm);
• vãos teóricos (em cm);
• valores característicos das cargas parciais (pp; laje sup; laje inf; par etc.) e
totais (p), com destaque para as cargas variáveis (q) (em kN/m);
• esforços característicos - Vk , Rk e Mk (unidades kN e m);
• diagramas de esforços de cálculo: Vd e Md (unidades kN e m);
• barras longitudinais (φl em mm) com seus comprimentos (em cm);

• estribos φt (em mm), espaçamento e comprimento dos trechos com mesmo


espaçamento, (em cm).

15.7.1 Dados iniciais


Os dados iniciais estão indicados na Figura 15.3 (dimensões em centímetros):
Nome da viga: V1
Dimensões da seção: 22 x 40
Classe do concreto C25 e do aço CA-50
Cobrimento c = 2,5 (Classe I)
Esquema estático
Dimensões dos apoios na direção do eixo da viga (22)
Vão teórico (410)
Nome dos apoios (V2 e V3).

15.7.2 Ações
As cargas, admitidas uniformes, são: peso próprio, reações das lajes e carga de
parede (Figura 15.3). As partes das reações de apoio das lajes, relativas à carga
variável, estão entre parênteses.
• pp = 0,22 x 0,40 x 25 = 2,2 kN/m
• laje sup = 20,0 kN/m (5,7 kN/m), laje inf = 15,0 kN/m (4,3 kN/m)
(valores obtidos no cálculo de lajes)
• par = 4,00 x 3,2 = 12,8 kN/m (4m de parede, 3,2 kN/m2)
• carga total p = 50,0 kN/m; carga variável q = 10,0 kN/m
15.7
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Vigas

Figura 15.3 – Memorial sintetizado

15.8
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Vigas

15.7.3 Esforços e diagramas


Numa viga biapoiada, o cálculo dos esforços é muito simples. Seus valores
característicos são (Figura 15.3):
Mk = pl2 / 8 = 50,0 x 4,102 / 8 = 105,1 kN.m

Vk = pl / 2 = 50,0 x 4,10 / 2 = 102,5 kN


Neste caso, as reações nos apoios V2 e V3 são iguais às forças cortantes nos
eixos dos apoios. Portanto, seus valores são: V2 = 102,5 kN e V3 = 102,5 kN.
Em seguida, são traçados os diagramas dos esforços de cálculo (Figura 15.3),
cujos valores máximos são:
Md,max = γf Mk = 1,4 . 105,1 = 147,1 kN.m

Vd,eixo = γf Vk = 1,4 . 102,5 = 143,5 kN


Nas faces dos apoios tem-se:
Vd,face = Vd,eixo - pd . t / 2 = 143,5 - 1,4 . 50,0 . 0,22 / 2 = 135,8 kN

15.7.4 Verificações
Os esforços máximos Md,max e Vd,face serão comparados com os valores de
referência Md,lim , VRd2 e VSd,min, indicados na Figura 15.3, no alto, à direita.

a) Altura útil
Para a seção indicada na Figura 15.4, tem-se:
d’ = h – d = c + φt + φl /2

Considerando c = 2,5 cm, φt = 0,63 cm e φl = 2 cm (φt e φl estimados), tem-se:

d’ = 2,5 + 0,63 + 2,0 / 2 = 4,13 ≅ 4,1 cm


d = h – d’ = 40 – 4,1 = 35,9 cm

Figura 15.4 – Seção transversal da viga

15.9
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Vigas

b) Momento máximo com armadura simples

PINHEIRO, 1993 – Tabela 1.1:

b ⋅ d2 22 ⋅ 35,9 2
Md,lim = = = 15752 [Link] = 157,5 kN.m
k c,lim 1,8
Md,máx = 147,1kN.m < Md,lim = 157,5 kN.m → Armadura simples!

c) Força cortante VRd2

Para unidades kN e cm, tem-se:

 2,5  2,5
VRd2 = 0,27 ⋅ α v ⋅ fcd ⋅ b w ⋅ d = 0,27 ⋅ 1 − ⋅ ⋅ 22 ⋅ 35,9 = 342,7 kN
 25  1,4

VSd,face = 135,8 kN < VRd2 = 342,7 kN → Bielas resistem!

d) Força cortante VSd,min relativa a armadura transversal mínima

VSd,mín = Vsw,mín + Vc
0,1026
Vsw,mín = ρ sw,mín ⋅ 0,9 ⋅ b ⋅ d ⋅ f ywd = ⋅ 0,9 ⋅ 22 ⋅ 35,9 ⋅ 43,5 = 31,7 kN
100
(ρwmin dado na Tabela 13.1, do capítulo 13 – Cisalhamento em Vigas)

0,21
fctd = 0,21
γc
f2/ 3
⋅ ck = ⋅ (25)2 / 3 = 1,2825 MPa = 0,1282 kN/ cm2
1,4
Vc = 0,6 ⋅ fctd ⋅ b ⋅ d = 0,6 ⋅ 0,1282 ⋅ 22 ⋅ 35,9 = 60,8kN
Resulta:
VSd,mín = 31,7 + 60,8 = 92,5 kN

VSd,face = 135,8 kN > VSd,mín = 92,5 kN ⇒ asw > asw , mín

e) Trecho com armadura transversal maior que a mínima

VSd,eixo − VSd,mín 143,5 − 92,5


a= = = 0,73 m = 73 cm
pd 70

15.10
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Vigas

15.7.5 Dimensionamento da armadura de flexão

b ⋅ d2 22 ⋅ 35,9 2
kc = = = 1,9
Md 14710
k c = 1,9 → k s = 0,030 − Tabela 1.1 (Pinheiro ,1993 )

k ⋅M 0,030 ⋅ 14710
As = s d = = 12,29 cm 2
d 35,9
PINHEIRO (1993), Tabela 1.3a: 4φ20 (12,60 cm2)
As barras longitudinais de flexão estão indicadas na Figura 15.3. O cálculo dos
comprimentos das barras interrompidas antes dos apoios, denominado decalagem,
será visto no item 15.7.9).

15.7.6 Dimensionamento da armadura transversal (cisalhamento)

Com VSd > VSd,mín , há armadura transversal maior que a mínima. Os cálculos
dessas armaduras encontram-se nos itens seguintes (ver, também, a Figura 15.3).

a) Armadura transversal junto ao apoio

Força cortante a d/2 da face do apoio:


d 0,359
VSd,d / 2 = VSd,face − p d ⋅ = 135,8 − 1,4 ⋅ 50 ⋅ = 123,2 kN
2 2
Vsw = VSd,d / 2 − Vc = 123,2 − 60,8 = 62,4 kN

A sw Vsw 62,4
asw = = = = 0,0444cm2 / cm = 4,44cm2 / m
s 0,9 ⋅ d ⋅ fywd 0,9 ⋅ 35,9 ⋅ 43,5
a sw
= 2,22 cm 2 / m (estribos de 2 ramos )
n
Pode-se adotar:
φ5 c/ 9 (2,22 cm2/m)
φ6,3 c/ 14 (2,25 cm2/m)

b) Armadura transversal mínima

A sw,mín
a sw,mín = = ρ sw,mín ⋅ b w = 0,001026 ⋅ 0,22 = 0,000226 m 2 / m = 2,26 cm 2 / m
s
Utilizando-se estribos de dois ramos, tem-se:
15.11
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Vigas

A sw
a sw = = 1,13 cm 2 / m
s
Pode-se adotar:
φ5 c/ 17,5 (1,14 cm2/m)
φ6,3 c/ 28 (1,12 cm2/m)

c) Diâmetro dos estribos

φ t,mín = 5 mm

φ t,máx = 0,1⋅ b w = 22 mm
Adotando φt = 5 mm ou φt = 6,3 mm, são satisfeitas as duas condições.

d) Espaçamento máximo longitudinal dos estribos

Se VSd ≤ 0,67 VRd2, então smáx= 0,6 d ≤ 300 mm.


Se VSd > 0,67 VRd2, então smáx= 0,3 d ≤ 200 mm.
VSd,face 135,8
= = 0,40 → VSd,face = 0,40 ⋅ VRd2 ≤ 0,67 ⋅ VRd2
VRd2 342,7
Portanto, s máx = 0,6 ⋅ d = 0,6 ⋅ 35,9 = 22 cm .

e) Número de ramos dos estribos

Se VSd ≤ 0,20 VRd2, então st, máx = d ≤ 800 mm.


Se VSd > 0,20 VRd2, então st, máx = 0,6d ≤ 350 mm.
VSd,face = 0,40 ⋅ VRd2 > 0,20 ⋅ VRd2

Portanto, s máx = 0,6 ⋅ d = 0,6 ⋅ 35,9 = 22 cm .


Para estribos de dois ramos:
s t = b w − 2 ⋅ c − φ t = 22 − 2 ⋅ 2,5 − 0,63 = 16,37cm < s t,máx = 22 cm → 2 ramos

15.7.7 Comprimento de ancoragem

a) Resistência de aderência

f bd = η 1 ⋅ η 2 ⋅ η 3 ⋅ f ctd

η1 = 2,25 (CA − 50barras nervuradas )


η 2 = 1,0 (situação de boa aderência )
η 3 = 1,0 (para φ ≤ 32 mm )
15.12
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Vigas

f ctd = 0,1282 kN / cm 2 (Item 15.7.4d)

fbd = 2,25 ⋅ 1,0 ⋅ 1,0 ⋅ 0,1282 = 0,289 kN / cm 2

b) Comprimento de ancoragem básico

φ f yd 2,0 50
lb = ⋅ = ⋅ = 75 cm
4 fbd 4 1,15 ⋅ 0,289

15.7.8 Ancoragem no apoio

A notação é indicada na figura 15.5.

Figura 15.5 – Ancoragem no apoio

a) Dimensão mínima do apoio

(r + 5,5φ) = 4 ⋅ φ + 5,5 ⋅ φ = 9,5 ⋅ 2,0 = 19 cm


l b,mín ≥ 
60mm = 6 cm
l b,disp = t − c = 22 − 2,5 = 19,5 cm > l b,mín = 19cm → OK

Na direção perpendicular ao gancho deve-se ter cobrimento c ≥ 7 cm.

b) Esforço a ancorar e armadura calculada para tensão fyd

al
Rs = ⋅ Vd,face
d
al Vd,face 135,8
= = = 0,905 > 0,5 OK!
d 2 ⋅ ( Vd,face − Vc ) 2 ⋅ (135,8 − 60,8)

R s = 0,905 ⋅ 135,8 = 122,9 kN


15.13
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Rs 122,9
A s,calc = = = 2,83 cm 2
f yd 50
1,15

c) Armadura necessária no apoio


A s,cal
l b,disp = α 1 ⋅ l b ⋅
A s,nec

α1 ⋅ l b 0,7 ⋅ 75
A s,nec = ⋅ A s,calc = ⋅ 2,83 = 7,62 cm 2
l b,disp 19,5

1 1
Como Mapoio = 0 : A s,apoio ≥ ⋅ A s, vão = ⋅ 11,69 = 3,90 cm 2
3 3

É necessário prolongar três barras até o apoio:


3φ20 : A s,apoio = 9,45 cm 2 > As, mec = 7,62 cm 2

15.7.9 Decalagem da armadura longitudinal


Como foi visto no item 15.7.8, três barras devem ser prolongadas até os apoios.
Portanto deve ser calculado, somente, o comprimento da 4a barra (ver Figura 15.3).
Como A s,ef = 12,60 cm 2 > A s,calc = 12,29 cm 2 , o comprimento de ancoragem
necessário é menor que l b , porém não pode ser menor que l b,mín , dado pelo maior
dos valores:

0,3 ⋅ l b = 0,3 ⋅ 75 = 22,5 cm



l b,mín ≥ 10 ⋅ φ = 10 ⋅ 2,0 = 20 cm
100mm = 10 cm

No cálculo de l b,mec , adota-se:


α1 = 1 (Barra sem gancho)
l b = 75 cm (Item 15.7.7)

A s,calc = 12,29 cm 2 (Item 15.7.5)


A s,ef = 12,60 cm 2 (4φ20)

Com esses valores, obtém-se:


A s,cal 12,29
l b,mec = α 1 ⋅ l b ⋅ = 1,0 ⋅ 75 ⋅ = 73 cm > lbe,min = 22,5 cm
A s,ef 12,60

15.14
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Vigas

b) Deslocamento al

al
Como = 0,905 (Item 15.7.8), resulta:
d
a l = 0,905 ⋅ d = 0,905 ⋅ 35,9 ≅ 32 cm

c) Comprimento da 4a barra

102 + a l + 10 ⋅ φ = 102 + 32 + 10 ⋅ 2,0 = 154 cm ←


l 4e ≥ 
0 + a l + l b,mec = 0 + 32 + 73 = 105 cm
l 4 = l 4 e + l 4 d = 2 ⋅ 154 = 308 cm

Valor adotado: l 4 t = 308 cm (múltiplo de 10 cm)

15.7.10 Estados limites de serviço


A verificação dos estados limites de serviço (momento de fissuração, abertura de
fissuras e deformação excessiva) encontra-se no capítulo “Estados Limites de
Serviço”. Não há providências a tomar.

15.7.11 Desenho de armação


Com base no memorial sintetizado da Figura 15.3, pode ser construído o
desenho de armação, que se encontra na Figura 15.6.

15.15
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Vigas

Figura 15.6 – Desenho de armação

15.16
ESTRUTURAS DE CONCRETO – CAPÍTULO 16

Murilo A. Scadelai, Libânio M. Pinheiro

9 nov 2005

PILARES

Pilares são elementos estruturais lineares de eixo reto, usualmente dispostos na


vertical, em que as forças normais de compressão são preponderantes e cuja função
principal é receber as ações atuantes nos diversos níveis e conduzi-las até as
fundações.
Junto com as vigas, os pilares formam os pórticos, que na maior parte dos
edifícios são os responsáveis por resistir às ações verticais e horizontais e garantir a
estabilidade global da estrutura.
As ações verticais são transferidas aos pórticos pelas estruturas dos andares, e
as ações horizontais decorrentes do vento são levadas aos pórticos pelas paredes
externas.

16.1 CARGAS NOS PILARES


Nas estruturas usuais, compostas por lajes, vigas e pilares, o caminho das
cargas começa nas lajes, que delas vão para as vigas e, em seguida, para os pilares,
que as conduzem até a fundação.
As lajes recebem as cargas permanentes (peso próprio, revestimentos etc.) e as
variáveis (pessoas, máquinas, equipamentos etc.) e as transmitem para as vigas de
apoio.
As vigas, por sua vez, além do peso próprio e das cargas das lajes, recebem
também cargas de paredes dispostas sobre elas, além de cargas concentradas
provenientes de outras vigas, levando todas essas cargas para os pilares em que
estão apoiadas.
Os pilares são responsáveis por receber as cargas dos andares superiores,
acumular as reações das vigas em cada andar e conduzir esses esforços até as
fundações.
Nos edifícios de vários andares, para cada pilar e no nível de cada andar, obtém-
se o subtotal de carga atuante, desde a cobertura até os andares inferiores. Essas
cargas, no nível de cada andar, são utilizadas para dimensionamento dos tramos do
pilar. A carga total é usada no projeto da fundação.
Nas estruturas constituídas por lajes sem vigas, os esforços são transmitidos
diretamente das lajes para os pilares. Nessas lajes, deve-se dedicar atenção especial
à verificação de punção.

16.2 CARACTERÍSTICAS GEOMÉTRICAS


No dimensionamento de pilares, a determinação das características geométricas
está entre as primeiras etapas.
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Pilares

16.2.1 Dimensões mínimas


Com o objetivo de evitar um desempenho inadequado e propiciar boas
condições de execução, a NBR 6118:2003, no seu item 13.2.3, estabelece que a
seção transversal dos pilares, qualquer que seja a sua forma, não deve apresentar
dimensão menor que 19 cm. Em casos especiais, permite-se a consideração de
dimensões entre 19 cm e 12 cm, desde que no dimensionamento se multipliquem as
ações por um coeficiente adicional γn, indicado na Tabela 1 e baseado na equação:

γ n = 1,95 − 0, 05 ⋅ b

b é a menor dimensão da seção transversal do pilar (em cm).

Tabela 1. Valores do coeficiente adicional γn em função de b (NBR 6118:2003)

B (cm) ≥ 19 18 17 16 15 14 13 12

γn 1,00 1,05 1,10 1,15 1,20 1,25 1,30 1,35

Portanto, o coeficiente γn deve majorar os esforços solicitantes finais de cálculo


nos pilares, quando de seu dimensionamento.
Todas as recomendações referentes aos pilares são válidas nos casos em que a
maior dimensão da seção transversal não exceda cinco vezes a menor dimensão
(h ≤ 5b). Quando esta condição não for satisfeita, o pilar deve ser tratado como pilar-
parede (NBR 6118:2003, item 18.5).
Em qualquer caso, não se permite pilar com seção transversal de área inferior a
360 cm². Exemplos de seções mínimas: 12cm x 30cm, 15cm x 24cm, 18cm x 20cm.

16.2.2 Comprimento equivalente

Segundo a NBR 6118:2003, item 15.6, o comprimento equivalente le do pilar,


suposto vinculado em ambas extremidades, é o menor dos valores (Figura 1):

l + h
le ≤  0
 l

lo é a distância entre as faces internas dos elementos estruturais, supostos


horizontais, que vinculam o pilar;
h é a altura da seção transversal do pilar, medida no plano da estrutura;
l é a distância entre os eixos dos elementos estruturais aos quais o pilar está
vinculado.

No caso de pilar engastado na base e livre no topo, le = 2l.

16.2
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h/ 2

h
l 0 l 0 +h l

h/ 2

Figura 1. Distâncias lo e l

16.2.3 Raio de giração


Define-se o raio de giração i como sendo:

I
i=
A

I é o momento de inércia da seção transversal;


A é a área de seção transversal.
Para o caso em que a seção transversal é retangular, resulta:

b ⋅ h3
2
I 12 = h ⇒ i = h
i= =
A b⋅h 12 12

16.2.4 Índice de esbeltez


O índice de esbeltez é definido pela relação:

le
λ=
i

16.3 CLASSIFICAÇÃO DOS PILARES


Os pilares podem ser classificados conforme as solicitações iniciais e a esbeltez.

16.3.1 Pilares internos, de borda e de canto


Quanto às solicitações iniciais, os tipos de plilares são mostrados na Figura 2.

16.3
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Pilares

PILAR DE
CANTO
PILAR DE
BORDA

PILAR
INTERNO

Figura 2. Classificação quanto às solicitações iniciais

Serão considerados internos os pilares em que se pode admitir compressão


simples, ou seja, em que as excentricidades iniciais podem ser desprezadas.
Nos pilares de borda, as solicitações iniciais correspondem a flexão composta
normal, ou seja, admite-se excentricidade inicial em uma direção. Para seção
quadrada ou retangular, a excentricidade inicial é perpendicular à borda.
Pilares de canto são submetidos a flexão oblíqua. As excentricidades iniciais
ocorrem nas direções das bordas.

16.3.2 Classificação quanto à esbeltez

De acordo com o índice de esbeltez (λ), os pilares podem ser classificados em:
• pilares robustos ou pouco esbeltos → λ ≤ λ1
• pilares de esbeltez média → λ1 < λ ≤ 90
• pilares esbeltos ou muito esbeltos → 90 < λ ≤ 140
• pilares excessivamente esbeltos → 140 < λ ≤ 200

A NBR 6118:2003 não admite, em nenhum caso, pilares com λ superior a 200.

16.4 EXCENTRICIDADES DE PRIMEIRA ORDEM


As excentricidades de primeira ordem são comentadas a seguir.

16.4.1 Excentricidade inicial


Em estruturas usuais de edifícios, ocorre um monolitismo nas ligações entre
vigas e pilares que compõem os pórticos. A excentricidade inicial, oriunda das ligações
dos pilares com as vigas neles interrompidas, ocorre em pilares de borda e de canto.

16.4
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Pilares

A partir das ações atuantes em cada tramo do pilar, as excentricidades iniciais


no topo e na base são obtidas com as expressões (Figura 3):

M topo M base
ei ,topo = e ei ,base =
N N

Figura 3. Excentricidades iniciais no topo e na base do pilar

Os momentos no topo e na base podem ser obtidos no cálculo do pórtico,


usando, por exemplo, o programa Ftool (MARTHA, 2001). Segundo a NBR 6118:2003,
pode, também, ser admitido esquema estático apresentado na Figura 4.

Figura 4. Esquema estático

Para esse esquema estático, pode ser considerado, nos apoios extremos,
momento fletor igual ao momento de engastamento perfeito multiplicado pelos
coeficientes estabelecidos nas seguintes relações:

16.5
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Pilares

3rinf + 3rsup
• na viga:
4rvig + 3rinf + 3rsup

3rsup
• no tramo superior do pilar:
4rvig + 3rinf + 3rsup

3rinf
• no tramo inferior do pilar:
4rvig + 3rinf + 3rsup

ri é a rigidez do elemento i no nó considerado, avaliada de acordo com a Figura 4 e


dada por:

Ii
ri =
li

16.4.2 Excentricidade acidental


Segundo a NBR 6118:2003, na verificação do estado limite último das estruturas
reticuladas, devem ser consideradas as imperfeições do eixo dos elementos da
estrutura descarregada. Essas imperfeições podem ser divididas em dois grupos:
imperfeições globais e imperfeições locais.
Muitas das imperfeições podem ser cobertas apenas pelos coeficientes de
ponderação, mas as imperfeições dos eixos das peças não. Elas devem ser
explicitamente consideradas porque têm efeitos significativos sobre a estabilidade da
construção.

a) Imperfeições globais
Na análise global das estruturas reticuladas, sejam elas contraventadas ou não,
deve ser considerado um desaprumo dos elementos verticais conforme mostra a
Figura 5:

Figura 5. Imperfeições geométricas globais (NBR 6118:2003)

1 1+ 1
θ1 = θ a = θ1 n
100 l 2

16.6
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Pilares

l é a altura total da estrutura (em metros);


n é o número total de elementos verticais contínuos;
θ1min = 1/400 para estruturas de nós fixos; ou
θ1min = 1/300 para estruturas de nós móveis e imperfeições locais.

Esse desaprumo não precisa ser superposto ao carregamento de vento. Entre os


dois, vento e desaprumo, pode ser considerado apenas o mais desfavorável (que
provoca o maior momento total na base de construção). O valor máximo de θ1 será de
1/200.

b) Imperfeições locais
Na análise local de elementos dessas estruturas reticuladas, devem também ser
levados em conta efeitos de imperfeições geométricas locais. Para a verificação de um
lance de pilar deve ser considerado o efeito do desaprumo ou da falta de retilinidade
do eixo do pilar (Figura 6).

E le m e n to d e lig a ç ã o

3
1

1 2

1 .P ila r d e c o n tra v e n ta m e n to
2 .P ila r c o n tra v e n ta d o
3 .E le m e n to d e lig a ç ã o e n tre
o s p ila re s 1 e 2

/2 1 1

a )F a lta d e re tilin id a d e b )D e s a p ru m o

L a n c e d e p ila r

Figura 6. Imperfeições geométricas locais (NBR 6118:2003)

Admite-se que, nos casos usuais, a consideração da falta de retilinidade seja


suficiente. Assim, a excentricidade acidental ea pode ser obtida pela expressão:

ea = θ1 ⋅ l
2

16.7
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Pilares

No caso de elementos, usualmente vigas e lajes, que ligam pilares


contraventados a pilares de contraventamento, deve ser considerada a tração
decorrente do desaprumo do pilar contraventado (Figura 6). Para pilar em balanço,
obrigatoriamente deve ser considerado o desaprumo, ou seja:

ea = θ1 ⋅ l

16.4.3 Momento mínimo


Segundo a NBR 6118:2003, o efeito das imperfeições locais nos pilares pode ser
substituído em estruturas reticuladas pela consideração do momento mínimo de 1a
ordem, dado por:
M1d,min = Nd (0,015 + 0,03h)

h é a altura total da seção transversal na direção considerada (em metros).

Nas estruturas reticuladas usuais admite-se que o efeito das imperfeições locais
esteja atendido se for respeitado esse valor de momento total mínimo. A este
momento devem ser acrescidos os momentos de 2a ordem.
No caso de pilares submetidos à flexão oblíqua composta, esse mínimo deve ser
respeitado em cada uma das direções principais, separadamente; isto é, o pilar deve
ser verificado sempre à flexão oblíqua composta onde, em cada verificação, pelo
menos um dos momentos respeita o valor mínimo indicado.

16.4.4 Excentricidade de forma


Em edifícios, as posições das vigas e dos pilares dependem fundamentalmente
do projeto arquitetônico. Assim, é comum em projetos a coincidência entre faces
(internas ou externas) das vigas com as faces dos pilares que as apóiam.
Quando os eixos baricêntricos das vigas não passam pelo centro de gravidade
da seção transversal do pilar, as reações das vigas apresentam excentricidades que
são denominadas excentricidades de forma. A Figura 7 apresenta exemplos de
excentricidades de forma em pilares intermediários, de borda e de canto.
As excentricidades de forma, em geral, não são consideradas no
dimensionamento dos pilares, pelas razões apresentadas a seguir. A Figura 8 mostra
as vigas VT01 e VT04 que se apóiam no pilar P01, com excentricidades de forma efy e
efx, respectivamente. As tensões causadas pela reação da viga VT01, pelo Princípio
de Saint-Venant, propagam-se com um ângulo de 45o e logo se uniformizam,
distribuindo-se por toda a seção do pilar em um plano P.
A excentricidade de forma provoca, no nível de cada andar, um momento fletor
MVT01 = [Link] que tende a ser equilibrado por um binário. A Figura 8 também
representa esquematicamente os eixos dos pilares em vários tramos sucessivos, os
momentos introduzidos pela excentricidade de forma e os binários que os equilibram.
Observa-se que, em cada piso, atuam pares de forças em sentidos contrários
com valores da mesma ordem de grandeza e que, portanto, tendem a se anular.

16.8
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Pilares

y
P1 P2

x x

efx
efx

a) Pilar interno
b) Pilar de borda
y
P1

efy
x

efx

c) Pilar de canto

Figura 7. Exemplos de excentricidades de forma em pilares

Fd
PO1 VT 01 L01
Andar i
e fy
VT01
R VT01
RVT04

e fx B
y VT04
45°
x P01 plano p
VT 04

e
fy

Corte B-B

M VT01
i+2

VT04 M VT01
i+1

VT04 M VT01
i

VT04
M VT01
i-1

VT04
i-2

VT04

Figura 8. Excentricidades de forma e binários correspondentes

16.9
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Pilares

A rigor, apenas nos níveis da fundação e da cobertura as excentricidades de


forma deveriam ser consideradas. Entretanto, mesmo nesses níveis, elas costumam
ser desprezadas.
No nível da fundação, sendo muito grande o valor da força normal proveniente
dos andares superiores, o acréscimo de uma pequena excentricidade da reação da
viga não afeta significativamente os resultados do dimensionamento. Já no nível da
cobertura, os pilares são pouco solicitados e dispõem de armadura mínima, em geral,
capaz de absorver os esforços adicionais causados pela excentricidade de forma.

16.4.5 Excentricidade suplementar


A excentricidade suplementar leva em conta o efeito da fluência. A consideração
da fluência é complexa, pois a duração de cada ação tem que ser levado em conta, ou
seja, o histórico de cada ação precisaria ser conhecido.
O cálculo da excentricidade suplementar é obrigatório em pilares com índice de
esbeltez λ > 90, de acordo com a NBR 6118:2003.
O valor dessa excentricidade ec, em que o índice c refere-se a “creep” (fluência,
em inglês), pode ser obtida de maneira aproximada pela expressão:

M   φN Sg

ec =  Sg + ea   2,718 N − N − 1
e Sg

N   
 Sg   

10 ⋅ E ci ⋅ I c
Ne = (força de flambagem de Euler);
l 2e
MSg, NSg são os esforços solicitantes devidos à combinação quase permanente;
ea é a excentricidade acidental devida a imperfeições locais;
ϕ é o coeficiente de fluência;
Eci = 5600 fck½ (MPa);
Ic é o momento de inércia no estádio I;
l e é o comprimento equivalente do pilar.

16.5 ESBELTEZ LIMITE


O conceito de esbeltez limite surgiu a partir de análises teóricas de pilares,
considerando material elástico-linear. Corresponde ao valor da esbeltez a partir do
qual os efeitos de 2a ordem começam a provocar uma redução da capacidade
resistente do pilar.
Em estruturas de nós fixos, dificilmente um pilar de pórtico, não muito esbelto,
terá seu dimensionamento afetado pelos efeitos de 2a ordem, pois o momento fletor
total máximo provavelmente será apenas o de 1a ordem, num de seus extremos.
Diversos fatores influenciam no valor da esbeltez limite. Os preponderantes são:

• excentricidade relativa de 1a ordem e1/h;


• vinculação dos extremos do pilar isolado;
• forma do diagrama de momentos de 1a ordem.

16.10
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Pilares

Segundo a NBR 6118:2003, os esforços locais de 2a ordem em elementos


isolados podem ser desprezados quando o índice de esbeltez λ for menor que o valor
limite λ1, que pode ser calculado pelas expressões:

λ1 =
( 25 + 12,5 ⋅ e1 h ) 35 ≤ λ 1 ≤ 90
αb

sendo e1 a excentricidade de 1a ordem. A NBR 6118:2003 não deixa claro como se


adota este valor. Na dúvida, pode-se admitir, no cálculo de λ1, e1 igual ao menor valor
da excentricidade de 1a ordem, no trecho considerado. Para pilares usuais de edifícios,
vinculados nas duas extremidades, na falta de um critério mais específico, é razoável
considerar e1 = 0.
O coeficiente αb deve ser obtido conforme estabelecido a seguir.

a) Pilares biapoiados sem forças transversais

MB
α b = 0, 60 + 0, 40 ≥ 0, 40 sendo: 0,4 ≤ α b ≤ 1, 0
MA

MA é o momento fletor de 1a ordem no extremo A do pilar (maior valor absoluto ao


longo do pilar biapoiado);
MB é o momento fletor de 1a ordem no outro extremo B do pilar (toma-se para MB o
sinal positivo se tracionar a mesma face que MA e negativo em caso contrário).

b) Pilares biapoiados com forças transversais significativas, ao longo da


altura

αb = 1

c) Pilares em balanço

MC
α b = 0,80 + 0, 20 ≥ 0,85 sendo: 0,85 ≤ α b ≤ 1, 0
MA

MA é o momento fletor de 1a ordem no engaste;


MC é o momento fletor de 1a ordem no meio do pilar em balanço.

d) Pilares biapoiados ou em balanço com momentos fletores menores que


o momento mínimo (ver item 16.4.3)

αb = 1

16.11
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Pilares

16.6 EXCENTRICIDADE DE SEGUNDA ORDEM


A força normal atuante no pilar, sob as excentricidades de 1a ordem
(excentricidade inicial), provoca deformações que dão origem a uma nova
excentricidade, denominada excentricidade de 2a ordem.
A determinação dos efeitos locais de 2a ordem, segundo a NBR 6118:2003, em
barras submetidas à flexo-compressão normal, pode ser feita pelo método geral ou por
métodos aproximados.
A consideração da fluência é obrigatória para índice de esbeltez λ > 90,
acrescentando-se ao momento de 1a ordem M1d a parcela relativa à excentricidade
suplementar ec.

16.7 MÉTODOS DE CÁLCULO


Apresentam-se conceitos do método geral, do pilar padrão e dos métodos
simplificados indicados pela NBR 6118:2003.

16.7.1 Método geral


O método geral consiste em estudar o comportamento da barra à medida que se
dá o aumento do carregamento ou de sua excentricidade. É aplicável a qualquer tipo
de pilar, inclusive nos casos em que as dimensões da peça, a armadura ou a força
aplicada são variáveis ao longo do seu comprimento.
A utilização desse método se justifica pela qualidade dos seus resultados, que
retratam com maior precisão o comportamento real da estrutura, pois considera a não-
linearidade geométrica, de maneira bastante precisa.
Considere-se o pilar da Figura 9 engastado na base e livre no topo, sujeito à
força excêntrica de compressão Nd.
e
Nd

Figura 9. Pilar sujeito à compressão excêntrica

Sob a ação do carregamento, o pilar apresenta uma deformação que, por sua
vez, gera nas seções um momento incremental Nd.y, provocando novas deformações
e novos momentos (Figura 10). Se as ações externas (Nd e Md) forem menores que a
capacidade resistente da barra, essa interação continua até que seja atingido um
estado de equilíbrio para todas as seções da barra. Tem-se, portanto, uma forma

16.12
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Pilares

fletida estável (Figura 10.a). Caso contrário, se as ações externas forem maiores que a
capacidade resistente da barra, o pilar perde estabilidade (Figura 10.b). A verificação
que se deve fazer é quanto à existência da forma fletida estável.

Nd Nd
e a e

y a y ∞

a) Equilíbrio estável b) Equilíbrio instável

Figura 10. Configurações fletidas

A estabilidade será atingida quando o pilar parar numa forma deformada estável,
como mostra a Figura 11, de flecha a, com equilíbrio alcançado entre esforços internos
e externos, respeitada a compatibilidade entre curvaturas, deformações e posições da
linha neutra, assim como as equações constitutivas dos materiais e sem haver, na
seção crítica, deformação convencional de ruptura do concreto ou deformação plástica
excessiva do aço.

a e

N d
y
n

y2
2
y1
1

0 y 0= a

1'

2'

Figura 11. Deformada estável

16.13
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16.7.2 Pilar padrão


Como o método geral é extremamente trabalhoso, tendo em vista o número
muito grande de operações matemáticas, torna-se inviável a utilização desse método
sem o auxílio do computador.
A NBR 6118:2003 permite a utilização de alguns métodos simplificados, como o
do pilar padrão e o do pilar padrão melhorado, cujas aproximações são relativas às
não-linearidades física e geométrica.
Por definição, pilar padrão é um pilar em balanço com uma distribuição de
curvaturas que provoque na sua extremidade livre uma flecha a dada por:

 l2  l2  1 
a = 0,4 ⋅   = e ⋅  
 r  base 10  r  base

A elástica do pilar, indicada na Figura 12, é admitida senoidal, dada pela


equação (1):

Figura 12. Elástica do pilar padrão

π 
y = − a ⋅ sen x  (1)
l 

Nessas condições, tem-se:


2
π π  π π 
y' = − a ⋅ ⋅ cos x  y' ' = a ⋅   ⋅ sen x 
l l  l l 

Como:

1 d2y

r dx 2

16.14
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Pilares

Para a seção média, tem-se:


2
1 π
  = ( y ' ' )x = l / 2 = a ⋅  
 r  x =l / 2 l

Assim, a flecha máxima pode ser:

l2  1 
a= ⋅ 
π 2  r  x =l / 2

Para o caso do pilar em balanço, tem-se:

l 2e  1 
a= ⋅  em que π2 ≅ 10.
10  r  base

Obtendo-se a flecha máxima, pode-se obter também o momento total, já que o


momento de 2a ordem pode ser obtido facilmente pela equação (2).

M 2, base = N ⋅ a

l 2e  1 
M 2, base = N ⋅ ⋅  (2)
10  r  base

16.7.3 Método da curvatura aproximada


O método do pilar padrão com curvatura aproximada é permitido para pilares de
seção constante e de armadura simétrica e constante ao longo de seu eixo e λ ≤ 90. A
não-linearidade geométrica é considerada de forma aproximada, supondo-se que a
configuração deformada da barra seja senoidal. A não-linearidade física é levada em
conta através de uma expressão aproximada da curvatura na seção crítica. A
excentricidade de 2a ordem e2 é dada por:

l 2e 1
e2 = ⋅
10 r

1/r é a curvatura na seção crítica, que pode ser avaliada pela expressão:

1 0,005 0,005
= ≤
r h(ν + 0,5) h

h é a altura da seção na direção considerada;


ν = NSd / (Acfcd) é a força normal adimensional.

Assim, o momento total máximo no pilar é dado por:

16.15
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 l2 1 
M d , tot =  α b M1d , A + N d . e  ≥ M1d , A
 10 r 

16.7.4 Método da rigidez κ aproximada

O método do pilar padrão com rigidez κ aproximada é permitido para λ ≤ 90 nos


pilares de seção retangular constante, armadura simétrica e constante ao longo do
comprimento. A não-linearidade geométrica é considerada de forma aproximada,
supondo-se que a deformada da barra seja senoidal. A não-linearidade física é levada
em conta através de uma expressão aproximada da rigidez.
O momento total máximo no pilar é dado por:

α b M1d , A
M d , tot = ≥ M1d , A
λ2 (3)
1−
120 κ ν

κ é valor da rigidez adimensional, dado aproximadamente por:

 M d ,tot 
κ = 321 + 5.  ⋅ν
 h.N d  (4)

Observa-se que o valor da rigidez adimensional κ é necessário para o cálculo de


Md,tot, e para o cálculo de κ utiliza-se o valor de Md,tot. Assim, a solução pode ser obtida
por tentativas. Usualmente, poucas iterações são suficientes.

16.8 CÁLCULO SIMPLIFICADO


A NBR 6118:2003, item 17.2.5, apresenta processos aproximados para
dimensionamento à flexão composta normal e à flexão composta oblíqua.

16.8.1 Flexão composta normal


O cálculo para o dimensionamento de seções retangulares ou circulares com
armadura simétrica, sujeitas a flexo-compressão normal, em que a força normal
reduzida (ν) seja maior ou igual a 0,7, pode ser realizado como um caso de
compressão centrada equivalente, em que:

 e
NSd , eq = NSd 1 + β  e M Sd , eq = 0
 h

NSd e M
ν= = Sd
A cf cd h NSd h

16.16
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Pilares

1
β=
(0,39 + 0,01α ) − 0,8 d'
h

sendo o valor de α dado por:

α = -1/αS, se αS < 1 em seções retangulares;


α = αS, se αS ≥ 1 em seções retangulares;
α = 6, se αS < 6 em seções retangulares;
α = -4, em seções circulares.

Supondo que todas as barras sejam iguais, αS é dado por:

αS =
(n h − 1)
(n v − 1)

O arranjo de armadura adotado para detalhamento (Figura 13) deve ser fiel aos
valores de αS e d’/h pressupostos.

nh barras de
área As
d'

h nv MSd nv barras de
área As

d'
nh
b

Figura 13. Arranjo de armadura caracterizado pelo parâmetro αS (Figura 17.2 da NBR 6118:2003)

16.8.2 Flexão composta oblíqua


Nas situações de flexão simples ou composta oblíqua, pode ser adotada a
aproximação dada pela expressão de interação:

16.17
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Pilares

α α
 M Rd , x   M Rd , y 
  +  =1
 M Rd , xx   M Rd , yy 

MRd,x; MRd,y são as componentes do momento resistente de cálculo em flexão oblíqua


composta, segundo os dois eixos principais de inércia x e y, da seção bruta, com
um esforço normal resistente de cálculo NRd igual à normal solicitante NSd. Esses
são os valores que se deseja obter;
MRd,xx; MRd,yy são os momentos resistentes de cálculo segundo cada um dos referidos
eixos em flexão composta normal, com o mesmo valor de NRd. Esses valores são
calculados a partir do arranjo e da quantidade de armadura em estudo;
α é um expoente cujo valor depende de vários fatores, entre eles o valor da força
normal, a forma da seção, o arranjo da armadura e de suas porcentagens. Em
geral pode ser adotado α = 1, a favor da segurança. No caso de seções
retangulares, pode-se adotar α = 1,2.

16.9 DISPOSIÇÕES CONSTRUTIVAS


Serão considerados o cobrimento das armaduras dos pilares e alguns aspectos
relativos às armaduras longitudinais e às transversais.

16.9.1 Cobrimento das armaduras


O cobrimento das armaduras é considerado no item 7.4.7 da NBR 6118:2003.
Cobrimento mínimo é o menor valor que deve ser respeitado ao longo de todo o
elemento considerado. Para garantir o cobrimento mínimo (cmin), o projeto e a
execução devem considerar o cobrimento nominal (cnom), que é o cobrimento mínimo
acrescido da tolerância de execução (∆c). Assim, as dimensões das armaduras e os
espaçadores devem respeitar os cobrimentos nominais, estabelecidos na Tabela 2,
para ∆c = 10 mm.
c nom = c min + ∆c

Tabela 2. Valores de cnom em pilares de concreto armado para ∆c = 10 mm (NBR 6118:2003)

Classe de agressividade I II III IV


cnom ( mm) 25 30 40 50

Nas obras correntes, o valor de ∆c deve ser maior ou igual a 10 mm. Quando
houver um adequado controle de qualidade e rígidos limites de tolerância da
variabilidade das medidas durante a execução, pode ser adotado o valor ∆c = 5 mm,
mas a exigência de controle rigoroso deve ser explicitada nos desenhos de projeto.
Permite-se, então, redução de 5 mm dos cobrimentos nominais prescritos na Tabela 2.
Os cobrimentos são sempre referidos à superfície da armadura externa, em
geral à face externa do estribo. O cobrimento nominal deve ser maior que o diâmetro
da barra.

16.18
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A dimensão máxima característica do agregado graúdo utilizado não pode


superar em 20% o cobrimento nominal, ou seja:

d max ≤ 1,2 ⋅ c nom

16.9.2 Armaduras longitudinais


A escolha e a disposição das armaduras devem atender não só à função
estrutural como também às condições de execução, particularmente com relação ao
lançamento e adensamento do concreto. Os espaços devem permitir a introdução do
vibrador e impedir a segregação dos agregados e a ocorrência de vazios no interior do
pilar (item 18.2.1 da NBR 6118:2003).
As armaduras longitudinais colaboram para resistir à compressão, diminuindo a
seção do pilar, e também resistem às tensões de tração. Além disso, têm a função de
diminuir as deformações do pilar, especialmente as decorrentes da retração e da
fluência.
O diâmetro das barras longitudinais não deve ser inferior a 10 mm e nem
superior a 1/8 da menor dimensão da seção transversal (item [Link] da
NBR 6118:2003):

10 mm ≤ φl ≤ b
8

16.9.3 Limites da taxa de armadura longitudinal


Segundo o item [Link] da NBR 6118:2003, a armadura longitudinal mínima
deve ser:

Nd
A s,min = 0,15 ⋅ ≥ 0,004 ⋅ A c
fyd

O valor máximo da área total de armadura longitudinal é dado por:

A s,max = 8 % A c

A maior área de armadura longitudinal possível deve ser 8% da seção real,


considerando-se inclusive a sobreposição de armadura nas regiões de emenda.

16.9.4 Número mínimo de barras


A NBR 6118:2003, no item [Link], estabelece que as armaduras longitudinais
devem ser dispostas de forma a garantir a adequada resistência do elemento
estrutural. Em seções poligonais, deve existir pelo menos uma barra em cada vértice;
em seções circulares, no mínimo seis barras distribuídas ao longo do perímetro. A
Figura 14 apresenta o número mínimo de barras para alguns tipos de seção.

16.19
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Pilares

Figura 14. Número mínimo de barras

16.9.5 Espaçamento das barras longitudinais


O espaçamento mínimo livre entre as faces das barras longitudinais, medido no
plano da seção transversal, fora da região de emendas, deve ser igual ou superior ao
maior dos seguintes valores (Figura 15):

 20 mm

a≥ φl
 1,2 ⋅ d (diâmetro máximo do agregado)
 max

Esses valores se aplicam também às regiões de emenda por traspasse.

Ø
l
a a
a

lb
l

S em em end as C o m em en d as
p o r trasp asse p o r trasp asse

Figura 15. Espaçamento entre as barras da armadura longitudinal

Quando estiver previsto no plano de execução da concretagem o adensamento


através de abertura lateral na face da fôrma, o espaçamento das armaduras deve ser
suficiente para permitir a passagem do vibrador.
O espaçamento máximo sl entre os eixos das barras deve ser menor ou igual a
duas vezes a menor dimensão da seção no trecho considerado, sem exceder 40 cm,
ou seja:

2b
sl ≤ 
40 cm

16.20
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Pilares

Para LEONHARDT & MÖNNIG (1978) esse espaçamento máximo não deve ser
maior do que 30 cm. Entretanto, para pilares com dimensões até 40 cm, basta que
existam as barras longitudinais nos cantos.

16.9.6 Armaduras transversais


A armadura transversal de pilares, constituída por estribos e, quando for o caso,
por grampos suplementares, deve ser colocada em toda a altura do pilar, sendo
obrigatória sua colocação na região de cruzamento com vigas e lajes (item 18.4.3 da
NBR 6118:2003). Os estribos devem ser fechados, geralmente em torno das barras de
canto, ancorados com ganchos que se transpassam, colocados em posições
alternadas.
Os estribos têm as seguintes funções:
a) garantir o posicionamento e impedir a flambagem das barras longitudinais;
b) garantir a costura das emendas de barras longitudinais;
c) confinar o concreto e obter uma peça mais resistente ou dúctil.

De acordo com a NBR 6118:2003, o diâmetro dos estribos em pilares não deve
ser inferior a 5 mm nem a 1/4 do diâmetro da barra isolada ou do diâmetro equivalente
do feixe que constitui a armadura longitudinal, ou seja:

5 mm
φt ≥ 
φl 4

Em pilares com momentos nas extremidades (portanto, nos pilares em geral), e


nos pré-moldados, LEONHARDT & MÖNNIG (1978) recomendam que se disponham,
nas suas extremidades, 2 a 3 estribos com espaçamento igual a st/2 e st/4 (Figura 16).

Figura 16. Estribos adicionais nos extremos e ganchos alternados (LEONHARDT & MÖNNIG, 1978)

16.21
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Pilares

FUSCO (1994) ainda comenta que, de modo geral, nos edifícios, os estribos não
são colocados nos trechos de intersecção dos pilares com as vigas que neles se
apóiam. Isso decorre do fato de a presença de estribos nesses trechos dificultar muito
a montagem da armadura das vigas. A NBR 6118:2003 deixa claro que é obrigatória a
colocação de estribos nessas regiões.

16.9.7 Espaçamento máximo dos estribos


O espaçamento longitudinal entre estribos, medido na direção do eixo do pilar,
deve ser igual ou inferior ao menor dos seguintes valores:
 20 cm
menor dimensão da seção

st ≤ 
 12φl para CA − 50
 25φl para CA − 25

Permite-se adotar o diâmetro dos estribos φ t < φl 4 , desde que as armaduras


sejam constituídas do mesmo tipo de aço e o espaçamento respeite também a
limitação (fyk em MPa):

 φ2  1
s max = 90.000 ⋅  t  ⋅
 φl  f yk

16.9.8 Estribos suplementares


Sempre que houver possibilidade de flambagem das barras da armadura,
situadas junto à superfície, devem ser tomadas precauções para evitá-la. A NBR
6118:2003 (item 18.2.4) considera que os estribos poligonais garantem contra
flambagem as barras longitudinais situadas em seus cantos e as por eles abrangidas,
situadas no máximo à distância de 20φt do canto, se nesse trecho de comprimento
20φt não houver mais de duas barras, não contando a do canto (Figura 17).

t t t t t t

Figura 17. Proteção contra a flambagem das barras longitudinais (LEONHARDT & MÖNNIG, 1981)

Quando houver mais de duas barras no trecho de comprimento 20φt ou barras


fora dele, deve haver estribos suplementares. Se o estribo suplementar for constituído
por uma barra reta, terminada em ganchos, ele deve atravessar a seção do pilar e os
seus ganchos devem envolver a barra longitudinal.

16.22
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Pilares

Se houver mais de uma barra longitudinal a ser protegida junto à extremidade do


estribo suplementar, seu gancho deve envolver um estribo principal em um ponto junto
a uma das barras, o que deve ser indicado no projeto de modo bem destacado, como
indicado na Figura 18. Essa amarra garantirá contra a flambagem essa barra
encostada e mais duas no máximo para cada lado, não distantes dela mais de 20φt.
No caso da utilização dessas amarras, para que o cobrimento seja respeitado, é
necessário prever uma distância maior entre a superfície do estribo e a face do pilar.

(dois estribos poligonais) (um estribo poligonal e uma barra (barra com gancho envolvendo o
com ganchos) estribo principal)

Figura 18. Estribos suplementares e ganchos

É oportuno comentar que a presença de estribos suplementares pode dificultar a


concretagem. Uma alternativa seria concentrar as barras nos cantos, para evitar os
estribos suplementares.
A NBR 6118:2003 comenta ainda que, no caso de estribos curvilíneos cuja
concavidade esteja voltada para o interior do concreto, não há necessidade de
estribos suplementares. Se as seções das barras longitudinais se situarem em uma
curva de concavidade voltada para fora do concreto, cada barra longitudinal deve ser
ancorada pelo gancho de um estribo reto ou pelo canto de um estribo poligonal.

16.10 EXEMPLOS DE CÁLCULO


Será feito o dimensionamento do pilar P5 (Figura 19 e Figura 20), utilizando-se o
Método da Curvatura Aproximada, segundo a NBR 6118:2003.

16.10.1 Dados
• Concreto C25, aço CA 50;
• Cobrimento nominal cnom = 2,5 cm e d’=4,0 cm;
• Nk = 650 kN;
• Comprimento do pilar: 290 cm (Figura 20);
• Seção transversal: 15 cm x 45 cm;
• Carga total na viga pk = 24 kN/m.

Como a menor dimensão do pilar é inferior a 19 cm, no dimensionamento deve-


se multiplicar as ações por um coeficiente adicional γn, indicado na Tabela 1, na qual b
é a menor dimensão da seção transversal do pilar. Dessa forma, tem-se:

16.23
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Pilares

V1 (15 x 50)
P1 P3
P2

h = 9 cm

V2 (15 x 60)
P4 P5 P6
(15x45)

h = 9 cm h = 9 cm

V3 (15 x 60)
P7 P8 P9
(25x45)
V5 (15 x 50)

V6 (15 x 60)

V7 (15 x 50)
h = 9 cm h = 9 cm

V4 (15 x 50)
P10 P11 P12

Figura 19. Planta de forma do edifício

V6 (15x40)

V2 V3

V6 (15x40)

V2 V3

P5 P8
(15x45) (25x45)

Figura 20. Vista lateral

16.24
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Pilares

γ n = 1,20 (b = 15cm ) ⇒ N d = γ f ⋅ γ n ⋅ N k = 1,4 ⋅1,2 ⋅ 650 ⇒ N d = 1092 kN

Nd 1092
ν= = ∴ ν = 0,91
b ⋅ h ⋅ fcd 2,5
15 ⋅ 45 ⋅
1,4

16.10.2 Comprimento equivalente, raio de giração e índice de esbeltez

O comprimento equivalente le do pilar deve ser o menor dos seguintes valores:

l + h  250 + 15 = 265 cm
le ≤  0 ⇒ le ≤  ⇒ l e = 265 cm
 l 290 cm

Calculando-se o raio de giração e o índice de esbeltez, tem-se:

h 15
i= = ∴ i = 4,33 cm
12 12

l e 265
λ= = ∴ λ = 61,2
i 4,33

16.10.3 Excentricidade inicial


Para o cálculo da excentricidade inicial, devem ser definidas algumas grandezas.

a) Vão efetivo da viga


O vão efetivo da viga V6 é calculado conforme a Figura 21.

l ef = l 0 + a1 + a 2

 1 ⋅ t1 = 15 = 7,5 cm
a1 ≤  2 2 ⇒ a1 = 7,5 cm
1
 2 ⋅ h = 40 = 20 cm
2

 1 ⋅ t 2 = 45 = 22,5 cm
a2 ≤  2 2 ⇒ a 2 = 20 cm
1
 2 ⋅ h = 40 = 20 cm
2

l ef = l 0 + a1 + a 2 = 462,5 + 7,5 + 20 ⇒ l ef = 490 cm

16.25
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Pilares

t1 l0 t2

Figura 21. Vão efetivo da viga

b) Momentos na ligação viga-pilar


Para o cálculo dos momentos na ligação viga-pilar, será considerado o esquema
apresentado na Figura 22. Portanto, para o caso em estudo, tem-se (Figura 23):

45 ⋅15 3
I 12656,25
rsup = rinf = = 12 = ⇒ rsup = rinf = 95,5 cm 3
le 265 132,5
2

15 ⋅ 403
I vig 80000
rvig = = 12 = ⇒ rvig = 163,3
lef 490 490

l sup
2

l inf
2

l vig

Figura 22. Esquema estático para cálculo do momento de ligação viga-pilar

16.26
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Pilares

650 kN

Figura 23. Esquema estático para pilar em estudo

p ⋅ l 2 24 ⋅ 4,90 2
M eng = = ⇒ M eng = 48,02 kN ⋅ m
12 12

3 ⋅ rsup 3 ⋅ 95,5
M sup = M eng ⋅ = 48,02 ⋅ ⇒ M sup = 11,22 kN ⋅ m
3 ⋅ rsup + 4 ⋅ rvig + 3 ⋅ rinf 3 ⋅ 95,5 + 4 ⋅ 163,3 + 3 ⋅ 95,5

3 ⋅ rinf 3 ⋅ 95,5
M inf = M eng ⋅ = 48,02 ⋅ ⇒ M inf = 11,22 kN ⋅ m
3 ⋅ rinf + 4 ⋅ rvig + 3 ⋅ rsup 3 ⋅ 95,5 + 4 ⋅ 163,3 + 3 ⋅ 95,5

M vig = M sup + M inf = 11,22 + 11,22 = 22,44 kN.m

O momento total no topo e base do pilar em estudo resulta:

M d , topo = − M d , base = 1,4 ⋅ 1,2 ⋅ 11,22 ⇒ M d, topo = −M d, base = 18,85 kN ⋅ m = 1885 kN ⋅ cm

c) Excentricidade inicial no topo e na base

M d 1885
ei = = ⇒ ei = 1,73 cm
N d 1092

d) Momento mínimo

M 1d ,min = N d
( 0, 015 + 0, 03 ⋅ h ) = 1, 4 ⋅1, 2 ⋅ 650 ⋅ ( 0, 015 + 0, 03 ⋅ 0,15 ) ⇒ M1d,min = 21, 29 kN.m

16.27
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Pilares

e) Verificação da dispensa dos efeitos de 2a ordem


Para pilares biapoiados sem cargas transversais, e sendo os momentos de
1a ordem nos extremos do pilar M A = − M B = 18,85 kN.m < M 1d , min = 21,29 kN.m ,
tem-se, segundo o item 15.8.2.d da NBR 6[Link]

α b = 1, 0

Considerando-se e1 = 0, resulta:

25 + 12,5 ⋅ e1 h 25
λ1 = = ⇒ λ 1 = 25
αb 1,0

35 ≤ λ1 ≤ 90 ⇒ λ 1 = 35

Como λ = 61,2 > λ1 = 35 ⇒ Devem ser considerados os efeitos de 2a ordem.

16.10.4 Método da Curvatura Aproximada

M1d,min = N d ( 0, 015 + 0, 03 ⋅ h ) = 1, 4 ⋅1, 2 ⋅ 650 ⋅ ( 0, 015 + 0, 03 ⋅ 0,15 ) ⇒ M 1d,min = 21, 29 kN.m

(M 1d,A = 18,85 kN.m ) < (M 1d,mín = 21, 29 kN.m ) ∴ M1d, A = 21,29 kN.m

1 0,005 0,005 1 0,005 0,005 1


= ≤ ↔ = = 0,0236 ≤ = 0,033∴ = 0,0236
r h (ν + 0,5) h r 0,15(0,91 + 0,5) 0,15 r

l 2e 1 2,65 2
M d , tot = α b ⋅ M 1d ,A + N d ⋅ ⋅ = 1,0 ⋅ 21,29 + 1,4 ⋅ 1,2 ⋅ 650 ⋅ ⋅ 0,0236 = 39,39 kN.m
10 r 10
M d , tot 39,39
e tot = = = 3,61 cm
Nd 1,4 ⋅ 1,2 ⋅ 650

ν ⋅ e tot 0,91 ⋅ 3,61


µ= = ∴ µ = 0,22
h 15

Será considerado:
d' 4
= = 0,27 ≅ 0,25
h 15

Utilizando-se o ábaco A-5 de Venturini (1987), obtém-se:

2,5
15 ⋅ 45 ⋅
A c ⋅ f cd 1, 4
ω = 0,90 ⇒ A s = ⋅ω = = 27, 72 ⋅ ω = 27, 72 ⋅ 0,90 ∴ A S = 24,95 cm 2
f yd 50
1,15

16.28
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Pilares

24, 95
Taxa de Armadura: ρ = = 3, 70%
15× 45

Armadura adotada: 12 φ 16 mm (24,0 cm²). Alternativa: 8 φ 20 mm (25,20 cm²)

16.10.5 Estribos

a) Diâmetro

φ l 16
φ t ≥  4 = 4 = 4 mm
 5 mm
Adotado φt = 5 mm

b) Espaçamento

15 cm (menor dimensão)



φ t ≥ 12φ l = 12 ⋅ 1,6 = 19,2 cm
 20 cm

Adotado s = 15 cm

Figura 24. Detalhe da seção: 12 φ 16, estribos φ 5 c/ 15

16.29
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Pilares

c) Estribos suplementares

20φ t = 20 ⋅ 0,5 = 10 cm
As quatro barras centrais precisam de estribo suplementar. São adotados os
estribos múltiplos, indicados na Figura 24.

16.10.6 Método da Rigidez κ Aproximada


Utilizando as eq.(3) e (4), item 16.7.4, tem-se:

• 1a Iteração:
Será adotado para 1a aproximação o momento total obtido pelo método anterior.

(M ) d , tot 1.0 = 39,39 kN.m ⇔ κ ( ν ) = 321 + 5 0,15 ⋅ 139,2 ,⋅391,4 ⋅ 650  ∴ (κ ν ) = 70,48
1
  1

1,0 ⋅ 21,29
(M ) d , tot 1.1 = = 38,21 kN.m
61,20 2
1−
120 ⋅ 70,48

Para a segunda iteração, pode-se considerar como estimativa razoável a média


entre os valores anteriores:

39,39 + 38,21
(M ) d , tot 2.0 = ⇒ (M d,tot )2.0 = 38,80 kN.m
2

• 2a Iteração:

(M ) d, tot 2.0 = 38,80 kN.m ⇔ κ ( ν ) = 321 + 5 0,15 ⋅ 138,2 ,⋅801,4 ⋅ 650  ∴ (κ ν ) = 69,90
1
  2

1,0 ⋅ 21,29
(M ) d , tot 2.1 = = 38,47 kN.m
61,20 2
1−
120 ⋅ 69,90

Adotando-se a média dos dois últimos valores, tem-se:

38,80 + 38,47
(M )d , tot 3.0 = ⇒ (M d,tot )3.0 = 38,64 kN.m
2

M d , tot 38,64
e tot = = ∴ e tot = 0,0354 m = 3,54 cm
Nd 1,4 ⋅ 1,2 ⋅ 650

16.30
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Pilares

ν ⋅ e tot 0,91⋅ 3,54


µ= = ∴ µ = 0,21
h 15

Utilizando-se o ábaco A-5 de Venturini (1987), obtém-se:

2,5
15 ⋅ 45 ⋅
A c ⋅ f cd 1,4
ω = 0,88 ⇒ A s = ⋅ω= ⋅ 0,86 = 27,72 ⋅ 0,88 ∴ A s = 24,39 cm 2
f yd 50
1,15

24,39
Taxa de Armadura: ρ = = 3,61% (2% menor que o anterior)
15 × 45

O dimensionamento também pode ser feito usando programas computacionais,


como por exemplo os encontrados no site:
[Link]/concretoarmado

16.11 CONCLUSÕES
Inicialmente, é importante salientar que a excentricidade de 1a ordem e1 não
inclui a excentricidade acidental ea, apenas a excentricidade inicial ei, sendo que a
excentricidade acidental não interfere no resultado quando M1d,A > M1d, Min, pois este
último leva em conta uma excentricidade acidental mínima.
No cálculo de λ1, a NBR 6118 não deixa claro qual a seção em que se deve
considerar a excentricidade de primeira ordem e1. Para pilares usuais de edifícios,
ainda se pode imaginar que e1 deva ser considerado no centro do pilar. No entanto,
para pilares em balanço, existe a dúvida sobre onde considerar a excentricidade, se
no meio do pilar ou no engaste.
Para se determinar a influência da solidariedade dos pilares com a viga, no
cálculo do momento atuante no pilar, pode-se considerar o esquema estático da
Figura 17. No entanto, os coeficientes da NBR 6118:2003 não estão em acordo com
esse esquema, conforme pode ser constatado no item [Link] dessa Norma.

16.31
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Pilares

REFERÊNCIAS

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6118:2003 – Projeto de


estruturas de concreto. Rio de Janeiro, ABNT.

FUSCO, P. B. Técnica de armar as estruturas de concreto. São Paulo, Editora Pini,


1994.

LEONHARDT, F.; MÖNNIG, E. (1978). Construções de concreto: princípios básicos


sobre a armação de estruturas de concreto armado. Rio de Janeiro, Interciência.

MARTHA, L. F. (2001). Ftool – two-dimensional frame analysis tool. Versão


Educacional 2.09. Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro – PUC-Rio.
Departamento de Engenharia Civil e Tecgraf/PUC-Rio – Grupo de Tecnologia em
Computação Gráfica. Disponível em <[Link]

VENTURINI, W. S.; RODRIGUES, R. O. (1987). Dimensionamento de peças


retangulares de concreto armado solicitadas à flexão reta. EESC/USP, São Carlos.

Site: [Link]/concretoarmado (programas para cálculo de flexão composta


normal e oblíqua)

16.32
ESTRUTURAS DE CONCRETO – CAPÍTULO 17

Libânio M. Pinheiro, Julio A. Razente

01 dez 2003

LAJES NERVURADAS

1. INTRODUÇÃO

Uma laje nervurada é constituída por um conjunto de vigas que se cruzam,


solidarizadas pela mesa. Esse elemento estrutural terá comportamento intermediário
entre o de laje maciça e o de grelha.

Segundo a NBR 6118:2003, lajes nervuradas são "lajes moldadas no local ou com
nervuras pré-moldadas, cuja zona de tração é constituída por nervuras entre as
quais pode ser colocado material inerte."

As evoluções arquitetônicas, que forçaram o aumento dos vãos, e o alto custo das
formas tornaram as lajes maciças desfavoráveis economicamente, na maioria dos
casos. Surgem, como uma das alternativas, as lajes nervuradas (ver figura 17.1).

Figura 17.1 – Laje nervurada bidirecional (FRANCA & FUSCO, 1997)

Resultantes da eliminação do concreto abaixo da linha neutra, elas propiciam uma


redução no peso próprio e um melhor aproveitamento do aço e do concreto. A
resistência à tração é concentrada nas nervuras, e os materiais de enchimento têm
como função única substituir o concreto, sem colaborar na resistência.
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Lajes nervuradas

Essas reduções propiciam uma economia de materiais, de mão-de-obra e de


fôrmas, aumentando assim a viabilidade do sistema construtivo. Além disso, o
emprego de lajes nervuradas simplifica a execução e permite a industrialização, com
redução de perdas e aumento da produtividade, racionalizando a construção.

2. FUNÇÕES ESTRUTURAIS DAS LAJES

As lajes recebem as ações verticais, perpendiculares à superfície média, e as


transmitem para os apoios. Essa situação confere à laje o comportamento de placa.

Outra função das lajes é atuar como diafragmas horizontais rígidos, distribuindo as
ações horizontais entre os diversos pilares da estrutura. Nessas circunstâncias, a
laje sofre ações ao longo de seu plano, comportando-se como chapa.

Conclui-se, portanto, que as lajes têm dupla função estrutural: de placa e de chapa.

O comportamento de chapa é fundamental para a estabilidade global da estrutura,


principalmente nos edifícios altos. É através das lajes que os pilares contraventados
se apóiam nos elementos de contraventamento, garantindo a segurança da estrutura
em relação às ações laterais.

Embora o arranjo de armaduras, em geral, seja determinado em função dos esforços


de flexão relativos ao comportamento de placa, a simples desconsideração de
outros esforços pode ser equivocada. Uma análise do efeito de chapa se faz
necessária, principalmente em lajes constituídas por elementos pré-moldados. Na
figura 17.2, é mostrado um exemplo de transferência de forças e de tensões em laje
formada por painéis pré-moldados, comportando-se como diafragma.

3. CARACTERÍSTICAS DAS LAJES NERVURADAS

Serão considerados os tipos de lajes nervuradas, a presença de capitéis e de vigas-


faixa e os materiais de enchimento.

17.2
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Lajes nervuradas

Figura 17.2 – Comportamento de laje como diafragma (EL DEBS, 2000)

3.1. Tipos de Lajes Nervuradas

As lajes nervuradas podem ser moldadas no local ou podem ser executadas com
nervuras pré-moldadas.

a) Laje moldada no local

Todas as etapas de execução são realizadas "in loco". Portanto, é necessário o uso
de fôrmas e de escoramentos, além do material de enchimento. Pode-se utilizar
fôrmas para substituir os materiais inertes. Essas fôrmas já são encontradas em
polipropileno ou em metal, com dimensões moduladas, sendo necessário utilizar
desmoldantes iguais aos empregados nas lajes maciças (Figura 17.3).

b) Laje com nervuras pré-moldadas

Nessa alternativa, as nervuras são compostas de vigotas pré-moldadas, que


dispensam o uso do tabuleiro da fôrma tradicional. Essas vigotas são capazes de
suportar seu peso próprio e as ações de construção, necessitando apenas de

17.3
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Lajes nervuradas

cimbramentos intermediários. Além das vigotas, essas lajes são constituídas de


elementos de enchimento, que são colocados sobre os elementos pré-moldados, e
também de concreto moldado no local. Há três tipos de vigotas (Figura 17.4).

Figura 17.3 – Laje nervurada moldada no local

Concreto armado Concreto protendido Vigota treliçada

Figura 17.4 – Vigotas pré-moldadas (FRANCA & FUSCO,1997)

3.2. Lajes Nervuradas com Capitéis e com Vigas-faixa

Em regiões de apoio, tem-se uma concentração de tensões transversais, podendo


ocorrer ruína por punção ou por cisalhamento. Por serem mais frágeis, esses tipos
de ruína devem ser evitados, garantindo-se que a ruína, caso ocorra, seja por flexão.
Além disso, de acordo com o esquema estático adotado, pode ser que apareçam
esforços solicitantes elevados, que necessitem de uma estrutura mais robusta.

17.4
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Lajes nervuradas

Nesses casos, entre as alternativas possíveis, pode-se adotar (Figura 17.5):

• região maciça em volta do pilar, formando um capitel;

• faixas maciças em uma ou em duas direções, constituindo vigas-faixa.

Figura 17.5 – Capitel e viga-faixa

3.3 Materiais de enchimento

Como foi visto, a principal característica das lajes nervuradas é a diminuição da


quantidade de concreto, na região tracionada, podendo-se usar um material de
enchimento. Além de reduzir o consumo de concreto, há um alívio do peso próprio.
Portanto, o material de enchimento deve ser o mais leve possível, mas com
resistência suficiente para suportar as operações de execução. Deve-se ressaltar
que a resistência do material de enchimento não é considerada no cálculo da laje.

Podem ser utilizados vários tipos de materiais de enchimento, entre os quais: blocos
cerâmicos, blocos vazados de concreto e blocos de EPS (poliestireno expandido),
também conhecido como isopor. Esses blocos podem ser substituídos por vazios,
obtidos com fôrmas constituídas por caixotes reaproveitáveis.

17.5
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Lajes nervuradas

a) Blocos cerâmicos ou de concreto

Em geral, esses blocos são usados nas lajes com vigotas pré-moldadas (Figura
17.6), devido à facilidade de execução. Eles são melhores isolantes térmicos do que
o concreto maciço. Uma de suas restrições é o peso específico elevado, para um
simples material de enchimento.

Figura 17.6 – Lajes com vigotas pré-moldadas (PEREIRA, 2001)

b) Blocos de EPS

Os blocos de EPS vêm ganhando espaço na execução de lajes nervuradas, sendo


utilizados principalmente junto com as vigotas treliçadas pré-moldadas (Figura 17.7).
As principais características desses blocos são:

• Permite execução de teto plano;

• Facilidade de corte com fio quente ou com serra;

• Resiste bem às operações de montagem das armaduras e de concretagem,


com vedação eficiente;

• Coeficiente de absorção muito baixo, o que favorece a cura do concreto


moldado no local;

• Baixo módulo de elasticidade, permitindo uma adequada distribuição das


cargas;

• Isolante termo-acústico.

c) Caixotes reaproveitáveis

A maioria dessas formas é de polipropileno ou de metal. Sua principal vantagem são


os vazios que resultam, diminuindo o peso próprio da laje (ver figura 17.5).

17.6
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Lajes nervuradas

Após a execução, para retirar os caixotes, pode-se injetar ar comprimido. O número


de reutilizações dessas formas pode ultrapassar cem vezes.

As fôrmas reaproveitáveis dispensam o uso do tabuleiro tradicional, que pode ser


substituído por pranchas colocadas apenas na região das nervuras. As vigotas pré-
moldadas substituem com vantagens essas pranchas, simplificando a execução.

Figura 17.7 – Blocos de EPS com vigotas treliçadas (FRANCA & FUSCO, 1997)

4. CONSIDERAÇÕES DE PROJETO

A prática usual consiste em adotar painéis com vãos maiores que os das lajes
maciças, apoiados em vigas mais rígidas que as nervuras.

Apresentam-se a seguir as dimensões limites, segundo a NBR 6118: 2003, item


[Link]. A vinculação será definida com base na resistência do concreto à
compressão.

17.7
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Lajes nervuradas

4.1 Dimensões mínimas

As prescrições quanto às dimensões mínimas da mesa e das nervuras são


indicadas na Figura 17.8.

a) Espessura da mesa

Quando não houver tubulações horizontais embutidas, a espessura da mesa deve


ser maior ou igual a 1/15 da distância entre nervuras e não menor que 3 cm;

A espessura da mesa deve ser maior ou igual a 4cm, quando existirem tubulações
embutidas de diâmetro máximo 12,5mm.

b) Largura das nervuras

A largura das nervuras não deve ser inferior a 5cm;

Se houver armaduras de compressão, a largura das nervuras não deve ser inferior a
8cm.

4.2 Critérios de projeto

Os critérios de projeto dependem do espaçamento e entre os eixos das nervuras.

Para e ≤ 65cm, pode ser dispensada a verificação da flexão da mesa e, para a


verificação do cisalhamento da região das nervuras, permite-se a consideração dos
critérios de laje;

Para e entre 65 e 110cm, exige-se a verificação da flexão da mesa e as nervuras


devem ser verificadas ao cisalhamento como vigas; permite-se essa verificação
como laje se o espaçamento entre eixos de nervuras for até 90cm e a largura média
das nervuras for maior que 12cm;

Para lajes nervuradas com espaçamento entre eixos maior que 110cm, a mesa deve
ser projetada como laje maciça, apoiada na grelha de vigas, respeitando-se os seus
limites mínimos de espessura.

17.8
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Lajes nervuradas

Figura 17.8 – Seção típica e dimensões mínimas

4.3 Vinculação

Para as lajes nervuradas, procura-se evitar engastes e balanços, visto que, nesses
casos, têm-se esforços de compressão na face inferior, região em que a área de
concreto é reduzida. Nos casos em que o engastamento for necessário, duas
providências são possíveis:

• limitar o momento fletor ao valor correspondente à resistência da nervura à


compressão;

• utilizar mesa na parte inferior (Figura 17.9), situação conhecida como laje
dupla, ou região maciça de dimensão adequada.

5. AÇÕES E ESFORÇOS SOLICITANTES

As ações devem ser calculadas de acordo com a NBR 6120:1980 – Cargas para o
cálculo de estruturas de edificações.

A laje nervurada pode ser tratada como placa em regime elástico. Assim, o cálculo
dos esforços solicitantes em nada difere daquele realizado para lajes maciças.

Para cálculo dos momentos fletores e das reações de apoio, podem ser utilizadas as
tabelas de PINHEIRO (1993). Para obter os esforços nas nervuras, conhecidos os
esforços por unidade de largura, basta multiplicar esse valor pela distância entre
eixos das nervuras.
17.9
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Lajes nervuradas

Figura 17.9 – Diagrama de momentos para lajes nervuradas contínuas (engastadas)

Vale lembrar que, em lajes nervuradas de grandes dimensões em planta e


submetidas a cargas concentradas elevadas, o cálculo deve considerar a posição
dessas cargas, a localização e a rigidez das nervuras, as condições de apoio das
lajes, a posição dos pilares e a deformabilidade das vigas de sustentação. Para isso
podem ser utilizados programas computacionais adequados.

6. VERIFICAÇÕES

Podem ser necessárias as seguintes verificações: flexão nas nervuras, cisalhamento


nas nervuras, flexão na mesa, cisalhamento na mesa e flecha da laje.

6.1. Flexão nas nervuras

Obtidos os momentos fletores por nervura, o cálculo da armadura necessária deve


ter em vista:

17.10
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Lajes nervuradas

• No caso de mesa comprimida, que é o usual, a seção a ser considerada é


uma seção T. Em geral a linha neutra encontra-se na mesa, e a seção
comporta-se como retangular com seção resistente bf.h;

• No caso de mesa tracionada, quando não se tem laje dupla, a seção


resistente é retangular bw.h (ver nomenclatura na figura 17.8).

Vale lembrar que outros aspectos devem ser considerados: ancoragens nos apoios,
deslocamentos dos diagramas, armaduras mínimas, fissuração etc.

No item [Link].1 da NBR 6118:2003, as taxas mínimas de armadura variam em


função da forma da seção e do fck do concreto (Tabela 17.1).

Nas seções tipo T, a área da seção a ser considerada deve ser caracterizada pela
alma acrescida da mesa colaborante.

Tabela 17.1 – Taxas mínimas de armadura de flexão para vigas (Tabela 17.3 da
NBR 6118:2003)

Valores de ρmin* % (As,min/Ac)


Forma da seção fck
ω
20 25 30 35 40 45 50
Retangular 0,035 0,150 0,150 0,173 0,201 0,230 0,259 0,288

T (mesa comprimida) 0,024 0,150 0,150 0,150 0,150 0,158 0,177 0,197

T (mesa tracionada) 0,031 0,150 0,150 0,153 0,178 0,204 0,229 0,255

Circular 0,070 0,230 0,288 0,345 0,403 0,518 0,518 0,575

* Os valores de ρmín estabelecidos nesta tabela pressupõem o uso de aço CA-50,


γc = 1,4 e γs = 1,15. Caso esses fatores sejam diferentes, ρmín deve ser recalculado com
base no valor de ωmín dado.

6.2. Cisalhamento nas nervuras

De acordo com a NBR 6118:2003, itens [Link] e [Link].2-b, a verificação do


cisalhamento nas nervuras depende da distância entre elas:

17.11
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Lajes nervuradas

a) Distância entre eixos das nervuras menor ou igual a 65cm

Para lajes com espaçamento entre eixos menor ou igual a 65cm, para a verificação
do cisalhamento da região das nervuras, permite-se considerar os critérios de laje.

A verificação da necessidade de armadura transversal nas lajes é dada pelo item


19.4.1 da NBR 6118:2003. As lajes podem prescindir de armadura transversal para
resistir aos esforços de tração oriundos da força cortante, quando a força cortante de
cálculo obedecer à expressão:

Vsd ≤ VRd1

A resistência de projeto ao cisalhamento, para lajes sem protensão, é dada por:

VRd1 = τRd k (1,2 + 40ρ1 ) b w d

τRd = 0,25 fctd

fctd = fctk,inf / γ c

A s1
ρ1 = , não maior que | 0,02 |
bw d

k é um coeficiente que tem os seguintes valores:

• para elementos onde 50% da armadura inferior não chega até o apoio:
k = | 1| ;
• para os demais casos: k = | 1,6 − d | , não menor que |1|, com d em metros.

fctd é a resistência de cálculo do concreto ao cisalhamento;

As1 é a área da armadura de tração que se estende até não menos que
d + lb,nec além da seção considerada, com lb,nec definido em [Link] e figura

19.1 (NBR 6118:2003);

bw é a largura mínima da seção ao longo da altura útil d.

17.12
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Lajes nervuradas

De acordo com o item 8.2.5 da NBR [Link]

2/3 2/3
fck,inf = 0,7 fct,m = 0,7 ⋅ 0,3 fck = 0,21 fck (em MPa)

Resulta:

2/3
τRd = 0,0525 fck (em MPa)

Em caso de necessidade de armadura transversal, ou seja, quando não se verifica a


condição estabelecida no início deste item, aplicam-se os critérios estabelecidos nos
itens 17.4.2 e 19.4.2 NBR 6118: 2003.

b) Distância entre eixos das nervuras de 65cm até 90cm

A verificação de cisalhamento pode ser como lajes, da maneira indicada no item


anterior, se a largura média das nervuras for maior que 12cm (NBR 6118:2003, item
[Link]-b).

c) Distância entre eixos das nervuras entre 65cm e 110cm

Para lajes com espaçamento entre eixos das nervuras entre 65cm e 110cm, as
nervuras devem ser verificadas ao cisalhamento como vigas. Deve ser colocada
armadura perpendicular à nervura, na mesa, por toda a sua largura útil, com área
mínima de 1,5cm2/m.

Como foi visto no item anterior, ainda se permite a consideração de laje se o


espaçamento entre eixos de nervuras for até 90cm e a espessura média das
nervuras for maior que 12cm.

6.3 Flexão na mesa

Para lajes com espaçamento entre eixos de nervuras entre 65 e 110cm, exige-se a
verificação da flexão da mesa (NBR 6118:2003, item [Link]-b). Essa verificação
também deve ser feita se existirem cargas concentradas entre nervuras.

17.13
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Lajes nervuradas

A mesa pode ser considerada como um painel de lajes maciças contínuas apoiadas
nas nervuras. Essa continuidade implica em momentos negativos nesses apoios,
devendo, portanto, ser disposta armadura para resistir a essa solicitação, além da
armadura positiva.

Outra possibilidade é considerar a mesa apoiada nas nervuras. Dessa forma, podem
ocorrer fissuras na ligação das mesas, sobre as nervuras.

6.4. Cisalhamento na mesa

O cisalhamento nos painéis é verificado utilizando-se os critérios de lajes maciças,


da mesma forma indicada no item 6.2-a deste texto.

Em geral, o cisalhamento somente terá importância na presença de cargas


concentradas de valor significativo. Recomenda-se, sempre que possível, que ações
concentradas atuem diretamente nas nervuras, de forma a evitar a necessidade de
armadura de cisalhamento na mesa.

6.5. Flecha

Na verificação da flecha em lajes, segundo a NBR 6118:2003, item 19.3.1, devem


ser usados os critérios estabelecidos no item 17.3.2 dessa Norma, considerando-se
a possibilidade de fissuração (estádio II).

O referido item 17.3.2 estabelece limites para flechas segundo a Tabela 13.2 da
Norma citada, levando-se em consideração combinações de ações conforme o item
[Link] dessa Norma.

O cálculo da flecha é feito utilizando-se processos analíticos estabelecidos pela


própria Norma (item 17.3.2), que divide o cálculo em duas parcelas: flecha imediata
e flecha diferida.

A determinação do valor de tais parcelas é apresentada a seguir e abordada pela


Norma, nos itens [Link].1 e [Link].2, respectivamente.

17.14
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Lajes nervuradas

De acordo com o item [Link] da NBR 6118:2003, as combinações de serviço


classificadas como quase permanentes são aquelas que podem atuar durante
grande parte do período de vida da estrutura e sua consideração pode ser
necessária na verificação do estado limite de deformações excessivas. A tabela 11.4
do item [Link] da Norma traz a seguinte expressão para combinações quase
permanentes:

Fd,ser = Σ Fgi,k + Σ ψ2j Fqj,k

onde:

Fd,ser é o valor de cálculo das ações para combinações de serviço;

Fgi,k são as ações devidas às cargas permanentes;

Fqj,k são as ações devidas às cargas variáveis;

ψ2j é o coeficiente dado na tabela 11.2 do item 11.7.1, cujos valores podem ser

adotados de acordo com os valores da Tabela 17.2 deste texto.

Tabela 17.2 – Valores do coeficiente ψ2

Tipos de ações ψ2
Cargas acidentais em edifícios residenciais 0,3
Cargas acidentais em edifícios comerciais 0,4
Cargas acidentais em bibliotecas, arquivos, oficinas e garagens 0,6
Pressão dinâmica do vento 0
Variações uniformes de temperatura 0,3

a) Flecha imediata

A parcela referente à flecha imediata, como o próprio nome já diz, refere-se ao


deslocamento imediatamente após a aplicação dos carregamentos, que pode ser
calculado com a utilização de tabelas, tais como as apresentadas em PINHEIRO
(1993), em função da vinculação das lajes.
17.15
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Lajes nervuradas

Vale salientar que a Norma estabelece uma expressão para o cálculo da rigidez
equivalente, considerando-se a possibilidade da laje estar fissurada. Essa rigidez
equivalente é dada por:

 Mr    M 3  
3

(EI)eq = Ecs .   .Ic + 1 − 


r
  .III  ≤ Ecs .Ic
 M    M   
a
 a

Ic : é o momento de inércia da seção bruta de concreto;

III : é o momento de inércia da seção fissurada (estádio II);


Ma : é o momento fletor na seção crítica do vão considerado, momento máximo no

vão, para vigas biapoiadas ou contínuas, e momento no apoio para balanços,


para a combinação de ações considerada nessa avaliação;
Mr : momento de fissuração, que deve ser reduzido à metade, no caso de barras
lisas;
Ecs : módulo de elasticidade secante do concreto.

b) Flecha diferida

A parcela referente à flecha diferida, segundo a Norma, é decorrente das cargas de


longa duração, em função da fluência, e é calculada de maneira aproximada pela
multiplicação da flecha imediata pelo fator α f dado por:

∆ξ
αf =
1 + 50ρ '

A 's
ρ' = e ∆ξ = ξ(t) − ξ(t 0 )
b w .d

As' é a área de armadura de compressão (em geral As'=0)

ξ é um coeficiente em função do tempo, calculado pela expressão seguinte ou


obtido diretamente na Tabela 17.3, extraída da mesma Norma.

17.16
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Lajes nervuradas

ξ(t) = 0,68.(0,996 t ).t 0,32 para t ≤ 70 meses


ξ(t) = 2 para t > 70 meses

t: é o tempo em meses, quando se deseja o valor da flecha diferida;


t 0 : é a idade, em meses, relativa à data de aplicação da carga de longa duração.

Portanto, a flecha total é obtida multiplicando-se a flecha imediata por (1+ α f ) .

Tabela 17.3 – Valores do coeficiente ξ em função do tempo

Tempo (t)
0 0,5 1 2 3 4 5 10 20 40 ≤ 70
meses
Coeficiente
0 0,54 0,68 0,84 0,95 1,04 1,12 1,36 1,64 1,89 2
ξ(t)

c) Flecha Limite

Segundo a NBR 6118:2003, os deslocamentos limites são valores práticos utilizados


para verificação em serviço do estado limite de deformações. São classificados em
quatro grupos: aceitabilidade sensorial, efeitos específicos, efeitos em elementos
não estruturais e efeitos em elementos estruturais. Devem obedecer aos limites
estabelecidos pela tabela 18, do item 13.3 dessa Norma.

d) Contraflecha

Segundo a NBR 6118:2003 os deslocamentos excessivos podem ser parcialmente


compensados por contraflechas. No caso de se adotar contraflecha de valor ao, a
flecha total a ser verificada passa a ser:

atot – ao ≤ alim

A contraflecha ao pode ser adotada como um múltiplo de 0,5cm, com valor estimado
pela soma da flecha imediata com metade da flecha diferida, ou seja:

ao ≅ ai + (af /2)
17.17
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Lajes nervuradas

BIBLIOGRAFIA

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6118 - Projeto e


execução de obras de concreto armado. Rio de Janeiro, 1978.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6118 - Projeto de
estruturas de concreto. Rio de Janeiro, 2001.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6120 - Cargas para o
cálculo de estruturas de edificações. Rio de Janeiro, 1980.
AMERICAN CONCRETE INSTITUTION. ACI 318: Building code requirements for
reinforced concrete. Detroit, Michigan, 2002.
ATEX Brasil. Encarte técnico. Lagoa Santa (MG), 2002.
BOCCHI JÚNIOR, C.F. Lajes nervuradas de concreto armado. São Carlos. 183p.
Dissertação (Mestrado) – Escola de Engenharia de São Carlos, Universidade de
São Paulo, 1995.
DROPPA JÚNIOR, A. Análise estrutural de lajes formadas por elementos pré-
moldados tipo vigota com armação treliçada. São Carlos. 177p. Dissertação
(Mestrado) – Escola de Engenharia de São Carlos, Universidade de São Paulo,
1999.

EL DEBS, M.K. Concreto pré-moldado: fundamentos e aplicações. São


Carlos. Projeto REENGE. Escola de Engenharia de São Carlos,
Universidade de São Paulo, 2000.

FERREIRA, L.M. PINHEIRO, L.M. Lajes nervuradas: notas de aula. São Carlos,
1999.
FRANCA, A.B.M.; FUSCO, P.B. As lajes nervuradas na moderna construção de
edifícios. São Paulo, AFALA & ABRAPEX, 1997.
FUSCO, P.B. Técnicas de armar as estruturas de concreto. São Paulo, Pini,
1994.
PEREIRA, V. Manual de projeto de lajes pré-moldadas treliçadas. São Paulo.
Associação dos fabricantes de lajes de São Paulo, 2000.
PINHEIRO, L.M. Concreto armado: tabelas e ábacos. São Carlos, Departamento
de Engenharia de Estruturas, EESC-USP, 1993.

17.18
ESTRUTURAS DE CONCRETO – CAPÍTULO 18

Juliana S. Lima, Mônica C.C. da Guarda, Libânio M. Pinheiro

29 novembro 2007

TORÇÃO

1. GENERALIDADES
O fenômeno da torção em vigas vem sendo estudado há algum tempo, com
base nos conceitos fundamentais da Resistência dos Materiais e da Teoria da
Elasticidade. Vários pesquisadores já se dedicaram à compreensão dos tipos de
torção, à análise da distribuição das tensões cisalhantes em cada um deles, e,
finalmente, à proposição de verificações que permitam estimar resistências para as
peças e impedir sua ruína.
Apesar dos primeiros estudos sobre torção serem atribuídos a Coulomb, as
contribuições de Saint-Venant (aplicação da torção livre em seção qualquer) e
Prandlt (utilização da analogia de membrana) é que impulsionaram a solução para o
problema da torção. No caso específico de análise de peças de concreto, foi a partir
de Bredt (teoria dos tubos de paredes finas) que o fluxo das tensões foi
compreendido. Na parte experimental, podem-se destacar os estudos de Mörsch,
Thürlimann e Lampert, fundamentais para o conhecimento do comportamento
mecânico de vigas submetidas à torção.
Em geral, os estudos sobre torção desconsideram a restrição ao
empenamento, como nas hipóteses de Saint-Venant, mas, na prática, as próprias
regiões de apoio (pilares ou outras vigas) tornam praticamente impossível o livre
empenamento. Como conseqüência, surgem tensões normais (de coação) no eixo
da peça e há uma certa redução da tensão cisalhante. Esse efeito pode ser
desconsiderado no dimensionamento das seções mais usuais de concreto armado
(perfis maciços ou fechados, nos quais a rigidez à torção é alta), uma vez que as
tensões de coação tendem a cair bastante com a fissuração da peça e o restante
passa a ser resistido apenas pelas armaduras mínimas. Assim, os princípios básicos
de dimensionamento propostos para a torção clássica de Saint-Venant continuam
adequados, com uma certa aproximação, para várias situações práticas. No caso de
seções delgadas, entretanto, a influência do empenamento pode ser considerável, e
devem ser utilizadas as hipóteses da flexo-torção de Vlassov para o
dimensionamento. Um método simplificado é apresentado na Revisão da NBR 6118,
mas não será objeto de análise deste trabalho.
O dimensionamento à torção baseia-se nas mesmas condições dos demais
esforços: enquanto o concreto resiste às tensões de compressão, as tensões de
tração devem ser absorvidas pela armadura. A distribuição dos esforços pode ser
feita de diversas formas, a depender da teoria e do modelo adotado.
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Torção

A teoria que é mais amplamente aceita para a distribuição das tensões


decorrentes da torção é a da treliça espacial generalizada, na qual se baseiam as
formulações das principais normas internacionais. A filosofia desse método é a
idealização da peça como uma treliça, cujas tensões de compressão causadas pelo
momento torçor serão resistidas por bielas comprimidas (concreto), e as de tração,
por diagonais tracionadas (armaduras).
Vale a lembrança de que não é todo tipo de momento torçor que precisa ser
considerado para o dimensionamento das vigas. A chamada torção de
compatibilidade, resultante do impedimento à deformação, pode ser desprezada,
desde que a peça tenha capacidade de adaptação plástica. Em outras palavras,
com a fissuração da peça, sua rigidez à torção cai significativamente, reduzindo
também o valor do momento atuante. É o que ocorre em vigas de bordo, que
tendem a girar devido ao engastamento na laje e são impedidas pela rigidez dos
pilares. Por outro lado, se a chamada torção de equilíbrio, que é a resultante da
própria condição de equilíbrio da estrutura, não for considerada no dimensionamento
de uma peça, pode levar à ruína. É o caso de vigas-balcão e de algumas marquises.
A seguir, será apresentada uma síntese dos conceitos que fundamentam os
critérios de dimensionamento à torção, relacionados às disposições da Revisão da
NBR 6118.

2. TEORIA DE BREDT
A partir dos estudos de Bredt, percebeu-se que quando o concreto fissura
(Estádio II), seu comportamento à torção é equivalente ao de peças ocas (tubos) de
paredes finas ainda não fissuradas - Estádio I (figura 1c). Essa afirmativa é
respaldada na própria distribuição das tensões tangenciais provocadas por
momentos torçores (figura 1b), as quais, na maioria das seções, são nulas no centro
e máximas nas extremidades.

t
τc Ae
T τc

(a) (b) (c)

Figura 1 - Tubo de paredes finas

18.2
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Torção

A partir dos conceitos de Resistência dos Materiais, pode-se chegar à


chamada primeira fórmula de Bredt, dada por:
T
τc = (1)
2 ⋅ Ae ⋅ t
τc é a tensão tangencial na parede, provocada pelo momento torçor;
T é o momento torçor atuante;
Ae é a área delimitada pela linha média da parede da seção equivalente;
t é a espessura da parede equivalente.

3. TRELIÇA ESPACIAL GENERALIZADA


O modelo da treliça espacial generalizada que é adotado para os estudos de
torção tem origem na treliça clássica idealizada por Ritter e Mörsch para
cisalhamento, e foi desenvolvido por Thürlimann e Lampert. Essa treliça espacial é
composta por quatro treliças planas na periferia da peça (tubo de paredes finas da
Teoria de Bredt), sendo as tensões de compressão absorvidas por barras (bielas)
que fazem um ângulo θ com o eixo da peça, e as tensões de tração absorvidas por
barras decompostas nas direções longitudinal (armação longitudinal ) e transversal
(estribos a 90o). Pode-se observar que a concepção desse modelo baseia-se na
própria trajetória das tensões principais de peças submetidas à torção (figura 2).

σI σII
T T x
σI
σII

Figura 2 - Trajetória das tensões principais provocadas por torção

Apenas para a apresentação das expressões que regem o dimensionamento,


será considerada uma seção quadrada com armadura longitudinal formada por
quatro barras, uma em cada canto da seção, e armadura transversal formada por
estribos a 90o (figura 3).

3.1 Biela de concreto


Como o momento atuante deve igualar o resistente, tem-se, no plano ABCD:
2 ⋅ Cd ⋅ sen θ ⋅ l = Td (2)
Td
Cd =
2 ⋅ l ⋅ sen θ (3)

18.3
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Torção

Estribo
B Barras
A Longitudinais
θ Y

Bielas T
comprimidas
l
D Z X
NÓ A C θ = inclinação
lc da biela
Rld R wd otg
θ
A Cd l
PLANO ABCD
Cd Cd sen θ
Rld
R wd

l C sen θ Cd sen θ
d

y
y Cd sen θ
l
lc
otg
θ
lc
otg
θ
lc
otg
θ

Figura 3 - Treliça espacial generalizada

Sendo σcd o valor de cálculo da tensão de compressão, e observando que a força Cd


atua sobre uma área dada por y ⋅ t , tem-se:
Td
σcd ⋅ y ⋅ t =
2 ⋅ l ⋅ sen θ
Td
σcd =
2 ⋅ y ⋅ l ⋅ t ⋅ sen θ (4)
Mas,
y = l ⋅ cos θ (5)
Ae = l2 (6)
Logo,
Td
σcd =
A e ⋅ t ⋅ sen2 θ (7)

18.4
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Torção

Nas bielas comprimidas, a tensão resistente é menor que o valor do fcd.


Dentre as várias razões, pode-se citar a existência de tensões transversais (que não
são consideradas no modelo, e interferem no estado de tensões da região), e a
abertura de fissuras da peça. Assim:
σcd ≤ 0,5 ⋅ α v ⋅ f cd (8)
onde:
fcd é a resistência de cálculo do concreto à compressão;
αv é o coeficiente de efetividade do concreto, dado por:
⎛ f ⎞
α v = ⎜1 − ck ⎟ (MPa) (9)
⎝ 250 ⎠

3.2 Armadura longitudinal


Para o equilíbrio de forças na direção X,
4 ⋅ R ld = 4 ⋅ Cd ⋅ cos θ (10)
Como:
R ld = A so ⋅ f ywd
onde:
Aso é a área de uma das barras longitudinais;
fywd é a tensão de escoamento do aço, com seus valores de cálculo, e,
A sl = 4 ⋅ A so
utilizando-se a eq.(3), a eq. (10) pode ser escrita como:
2 ⋅ Td
A sl ⋅ f ywd = ⋅ cotg θ
l
Distribuindo a armação de forma uniforme em todo o contorno u = 4 ⋅ l , para
reduzir a possibilidade de abertura de fissuras nas faces da viga, e lembrando da
eq.(6), tem-se:
⎛ A sl ⎞ 2 ⋅ Td
⎜ ⎟ ⋅ f ywd = ⋅ cotg θ
⎝ u ⎠ l⋅u
⎛ A sl ⎞ Td
⎜ ⎟= ⋅ cotg θ (11)
⎝ u ⎠ 2 ⋅ A e ⋅ f ywd

3.3 Estribos
Para o equilíbrio das forças do nó A, na direção Z,
R wd = Cd ⋅ sen θ (12)
Mas:
l ⋅ cotg θ
R wd = ⋅ A 90 ⋅ f ywd
s
18.5
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Torção

onde:
s é o espaçamento longitudinal dos estribos;
l ⋅ cotg θ
é o número de estribos concentrados na área de influência do nó A.
s
Substituindo na eq.(12), lembrando da eq.(2):
l ⋅ cotg θ Td
⋅ A 90 ⋅ f ywd = ⋅ sen θ
s 2 ⋅ l ⋅ sen θ
Substituindo a eq. (6) e rearrumando,
A 90 Td
= ⋅ tg θ (13)
s 2 ⋅ A e ⋅ f ywd

3.4 Torçor resistente


Para determinação do momento torçor resistente de uma seção já
dimensionada, pode-se rearrumar a eq.(11),
Td
tg θ ==
⎛A ⎞
2 ⋅ A e ⋅ f ywd ⋅ ⎜ sl ⎟
⎝ u ⎠
que fornece a inclinação da biela comprimida, e substituí-la na eq.(13), resultando:
2
⎛ A 90 ⎞ ⎛ A sl ⎞ Td
⎜ ⎟ ⋅⎜ ⎟=
⎝ s ⎠ ⎝ u ⎠ (2 ⋅ A e ⋅ f ywd )
2

⎛A ⎞ ⎛A ⎞
Td = 2 ⋅ A e ⋅ f ywd ⋅ ⎜ 90 ⎟ ⋅ ⎜ sl ⎟ (14)
⎝ s ⎠ ⎝ u ⎠

4. INTERAÇÃO DE TORÇÃO, CISALHAMENTO E FLEXÃO


Boa parte dos estudos de torção é relativa a torção pura, isto é, aquela
decorrente da aplicação exclusiva de um momento torçor em uma viga. Essa
situação, entretanto, não é usual. A grande maioria das vigas torcionadas também
está submetida a forças cortantes e momentos fletores, o que dá origem a um
estado de tensões mais complexo e mais difícil de ser analisado.
A experiência vem demonstrando que, de uma maneira geral, a filosofia e os
princípios básicos de dimensionamento propostos para a torção simples também
são adequados, com uma certa aproximação, para solicitações compostas.
Por isso, em geral, o procedimento adotado para o dimensionamento a
solicitações compostas é a simples superposição dos resultados obtidos para cada
um dos esforços solicitantes separadamente, que se mostra a favor da segurança.
Por exemplo, a armadura de tração prevista pela torção que estiver na parte
comprimida pela flexão poderia ser reduzida, se fosse considerado o alívio sofrido
por sua resultante (de tração) nessa região. Ou ainda, como em uma das faces

18.6
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Torção

laterais da peça as diagonais solicitadas pela torção e pelo cisalhamento são


opostas, poderia ser considerado o alívio na resultante de tração no estribo, e
conseqüentemente, reduzir-se sua área.
Evidentemente, na face lateral oposta, as diagonais têm a mesma direção, e a
armação necessária vem do somatório daquelas calculadas para cada um dos dois
esforços separadamente. E para a verificação da tensão na biela comprimida desta
face, não bastará se observar o comportamento das resultantes relativas à torção e
ao cisalhamento separadamente - surge a necessidade de uma nova verificação,
que considere a interação delas.
Na figura 4, apresenta-se uma superfície que mostra a interação dos três
tipos de esforços, com base em resultados experimentais. Qualquer ponto interior a
essa superfície indica que a verificação da tensão na biela foi atendida. Pode-se
V
observar que, para uma mesma relação sd , o momento torçor resistente diminui
Vult
M sd
com o aumento da relação .
M ult
Cabe a ressalva de que a superposição dos efeitos das treliças de
cisalhamento e de torção só estará coerente se a inclinação da biela comprimida for
adotada a mesma nos dois casos.
Tsd
Tult
1
1

0,3 ≅ 0,5 a 0,6 1 Vsd


1 Vult
1
1
M sd
M ult

Figura 4 - Diagrama de interação

5. DIMENSIONAMENTO À TORÇÃO SEGUNDO A NOVA NBR 6118


A grande novidade desse novo texto em relação à NBR 6118/78 é que agora
o modelo adotado é o de treliça espacial generalizada, descrito anteriormente, e não
mais a treliça clássica. Assim, o projetista tem a possibilidade de determinar a
inclinação da biela comprimida, e com mais liberdade para trabalhar o arranjo das
armaduras a serem utilizadas, realizando um dimensionamento totalmente
compatível com o cisalhamento.
18.7
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Torção

Ocorreram alterações na determinação da seção vazada equivalente e nas


verificações a serem realizadas para o dimensionamento, sendo estas agora
escritas em termos de momentos torçores, e não mais em termos de tensões. Dessa
forma, acredita-se que o processo de dimensionamento torna-se mais coerente,
inclusive com a tendência das normas internacionais.
As taxas mínimas e os espaçamentos também foram modificados em relação
à flexão e ao cisalhamento isoladamente. Para a torção, as novas prescrições são
descritas a seguir.

5.1 Torção de compatibilidade


Como já foi comentado, apenas a torção de equilíbrio precisa ser considerada
no dimensionamento de vigas. A torção de compatibilidade pode ser desprezada,
desde que sejam respeitados os limites de armadura mínima de cisalhamento, e:
Vsd ≤ 0,7 ⋅ VRd , 2 (15)
sendo:
VRd , 2 = 0,27 ⋅ α v ⋅ f cd ⋅ b w ⋅ d ⋅ sen2 θ (16)
já para estribos a 90o com o eixo da peça.

5.2 Determinação da seção vazada equivalente


Uma novidade da nova NBR 6118 é que não se define mais a espessura da
parede equivalente apenas com base no cobrimento das armaduras, como era feito
anteriormente. Ficam definidos os seguintes critérios:
A
he ≤ (17)
μ
h e ≥ 2 ⋅ C1 (18)
onde:
he é a espessura da parede da seção equivalente
A é a área da seção
μ é o perímetro da seção cheia
φ
C1 = l + φt + c (19)
2
sendo:

φl o diâmetro da armadura longitudinal;


φt o diâmetro da armadura transversal;
c o cobrimento da armadura.

18.8
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Torção

5.3 Definição da inclinação da biela comprimida


Assim como no cisalhamento, a inclinação da biela deve estar compreendida
entre 30o e 45o, sendo que o valor adotado deve ser o mesmo para as duas
verificações.

5.4 Verificação da biela comprimida


Para se assegurar o não esmagamento da biela comprimida na torção pura, a
nova NBR 6118 exige a verificação da seguinte condição:
Tsd ≤ TRd , 2 (20)
sendo TRd,2 o momento torçor que pode ser resistido pela biela. Este torçor pode ser
obtido pela substituição da eq. (8) na eq.(7), que, rearrumada, fornece:
TRd , 2 = 0,5 ⋅ α v ⋅ f cd ⋅ A e ⋅ h e ⋅ sen2 θ (21)

5.5 Verificação da tensão na biela comprimida para solicitações combinadas


A nova NBR 6118 menciona que, no caso de torção e cisalhamento, deve ser
obedecida a seguinte verificação:
Vsd T
+ sd ≤ 1 (22)
V`Rd , 2 TRd , 2
Observe que essa expressão linear (figura 5) fornece resultados
conservadores em relação àqueles esboçados na figura 4. No EUROCODE 2
(1992), por exemplo, a expressão equivalente à eq.(22) é de segundo grau.
Observe-se ainda, também com base na figura 4, que a eq.(22) só se mostra
adequada para situações em que o momento fletor de cálculo não ultrapassa cerca
de 50 a 60% do momento último da seção, apesar da nova NBR 6118 não trazer
comentários a respeito disso.

Tsd
TRd,2
1

1 Vsd
VRd,2

Figura 5 - Diagrama de interação torção x cortante, segundo a nova NBR 6118

18.9
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Torção

5.6 Determinação da armadura longitudinal


Deve ser verificada a seguinte condição:
Tsd ≤ TRd , 4 (23)
sendo TRd,4 o momento torçor que pode ser resistido pela armadura longitudinal,
dado por:
⎛A ⎞
TRd , 4 = ⎜ sl ⎟ ⋅ 2 ⋅ A e ⋅ f ywd ⋅ tg θ (24)
⎝ u ⎠
que é decorrente da eq.(11), lembrando que u é o perímetro da seção equivalente.

5.7 Determinação dos estribos


Deve ser verificada a seguinte condição:
Tsd ≤ TRd ,3 (25)
sendo TRd,3 o momento torçor que pode ser resistido pelos estribos, dado por:
⎛A ⎞
TRd ,3 = ⎜ 90 ⎟ ⋅ 2 ⋅ A e ⋅ f ywd ⋅ cotg θ (26)
⎝ s ⎠
que é obtida a partir da eq.(13).

5.8 Armadura longitudinal e estribos para solicitações combinadas


No banzo tracionado pela flexão, somam-se as armaduras longitudinais de
flexão e de torção. A armadura transversal total também deve ser obtida pela soma
das armaduras de cisalhamento e de torção.
No banzo comprimido, pode-se reduzir a armadura de torção, devido aos
esforços de compressão do concreto na espessura he e comprimento Δu
correspondente à barra considerada.

5.9 Verificação da taxa de armadura mínima


A taxa de armadura mínima, como se sabe, vem da necessidade de se
garantir a ductilidade da peça e melhorar a distribuição das fissuras. Em relação à
NBR 6118/78, sua Revisão está mais coerente, por reconhecer que há influência da
resistência característica do concreto. É dada por:
A f
ρ w = sw ≥ 0,2 ⋅ ctm (27)
bw ⋅ s f ywk
2
sendo fctm a tensão média de tração, dada por f ctm = 0,3 ⋅ 3 f ck .
Não há referência quanto à taxa mínima de armadura longitudinal.

18.10
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Torção

6. DISPOSIÇÕES CONSTRUTIVAS
Apenas as barras longitudinais e os estribos que estiverem posicionados no
interior da parede da seção vazada equivalente deverão ser considerados efetivos
para resistir aos esforços gerados pela torção.
São válidas as mesmas disposições construtivas de diâmetros,
espaçamentos e ancoragem para armaduras longitudinais de flexão e estribos de
cisalhamento, propostos na nova NBR 6118 (que tem alterações em relação ao
texto anterior). Especificamente para a torção, valem as recomendações
apresentadas a seguir.

6.1 Armaduras longitudinais


Para que efetivamente existam os tirantes supostos no modelo de treliça, é
necessário se dispor uma barra de armadura longitudinal em cada canto da seção.
ΔA sl
De acordo com a nova NBR 6118, deve-se procurar atender à relação em
Δu
todo o contorno da viga, sendo Δu o trecho do perímetro correspondente a cada
barra, de área ΔAs . Em outras palavras, a armadura longitudinal de torção não deve
estar concentrada nas faces superior e inferior da viga, e sim, uniformemente
distribuída em todo o perímetro da seção efetiva.
Apesar de não haver prescrição na norma, deve-se preferencialmente adotar
φl ≥10mm nos cantos. O espaçamento de eixo a eixo de barra, tanto na direção
vertical quanto na horizontal, deverá ser sl ≤ 350mm.

6.2 Estribos
Os estribos devem estar posicionados a 90o com o eixo longitudinal da peça,
devendo ser fechados e adequadamente ancorados por ganchos em ângulo de 45o.
Além disso, devem envolver as armaduras longitudinais.

7. EXEMPLO
Seja a viga V1 da marquise esquematizada na figura 6, a qual está submetida
à torção de equilíbrio, além de flexão e cisalhamento. O fck adotado foi de 25 MPa, o
cobrimento de 2,5 cm (de acordo com as exigências da nova NBR 6118), e a altura
útil:
1,0
d = 50 − 2,5 − − 0,63 = 46,37 cm
2

18.11
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Torção

PLANTA VIGA V1
30 370 30

35
P1 V1(35/50) P2
(30/35) (30/35)
P1 P2

285 19,23 kN/m


21,45 kNm/m

35,09 kN
38,46 kN 30,64 kN

VISTA (V)
d/2
35 285
35,09 kN 38,46 kN
d/2
50 8 39,15 kNm
42,90 kNm
16
(T)

300 39,15 kNm 42,90 kNm

9,35 kNm 9,35 kNm


(M)

29,11 kNm

Figura 6 - Viga V1 do exemplo

7.1 Verificação da biela comprimida


Para não haver esmagamento da biela comprimida, de acordo com a eq. (22):
VSd T
+ Sd ≤ 1
V`Rd,2 TRd,2
VSd = 1,4 ⋅ 35,09 = 49,13 kN e TSd = 1,4 ⋅ 3915 = 5481 kN ⋅ cm
Considerando a inclinação θ = 45o, na eq. (16):
⎛ 25 ⎞ 2,5
VRd , 2 = 0,27 ⋅ α v ⋅ f cd ⋅ b w ⋅ d ⋅ sen2 θ = 0,27 ⋅ ⎜1 − ⎟⋅ ⋅ 35 ⋅ 46,37 ⋅ sen2 ⋅ 45 o
⎝ 250 ⎠ 1,4
VRd , 2 = 704,24 kN
Segue-se a determinação da seção vazada equivalente, a partir das eqs. (17) e
(18):
A
he ≤
μ

18.12
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Torção

A = b ⋅ h = 35 ⋅ 50 = 1750 cm 2 e μ = 2 ⋅ (b + h ) = 2 ⋅ (35 + 50) = 170 cm


A 1750
he ≤ = = 10,29 cm
μ 170
h e ≥ 2 ⋅ C1
φl 1,0
C1 = + φt + c = + 0,63 + 2,5 = 3,63 cm
2 2
h e ≥ 2 ⋅ C1 = 2 ⋅ 3,63 = 7,26cm
Adotou-se, então, h e = 8 cm . Logo:
A e = (35 − 8) ⋅ (50 − 8) = 1134 cm 2
u = 2 ⋅ [(35 − 8) + (50 − 8)] = 138 cm
Tem-se, então, a partir da eq. (21):
⎛ 25 ⎞ 2,5
TRd , 2 = 0,5 ⋅ α v ⋅ f cd ⋅ A e ⋅ h e ⋅ sen2 θ = 0,5 ⋅ ⎜1 - ⎟⋅ ⋅ 1134 ⋅ 8 ⋅ sen2 ⋅ 45 o
⎝ 250 ⎠ 1,4
TRd , 2 = 7290 kN ⋅ cm
Assim,
VSd T 49,13 5481
+ Sd ≤ 1 ∴ + = 0,07 + 0,75 = 0,82 ≤ 1 ⇒ OK
V`Rd,2 TRd,2 704,24 7290
Observe-se que há uma certa folga na verificação, o que permitiria uma
redução da inclinação da biela. Como conseqüência, haveria uma redução da área
de aço transversal necessária, e um acréscimo da área de aço longitudinal.
Observa-se, entretanto, que esse procedimento é mais eficiente nos casos em que o
esforço cortante é grande, e a redução da área dos estribos é maior que o
acréscimo das barras longitudinais. Em geral, nos demais casos, não compensa
adotar valores menores de θ.

7.2 Dimensionamento à flexão


+
M d = 1,4 ⋅ 2911 = 4075,4 kN ⋅ cm

M d = 1,4 ⋅ 935 = 1309 kN ⋅ cm
No dimensionamento, as armaduras obtidas foram:
Asl+ = 2,11 cm2
Asl- = 0,65 cm2
Entretanto, para seções retangulares de fck = 25 MPa, a nova NBR 6118
prescreve a área de aço mínima dada por:
A sl min = ρ l min ⋅ b w ⋅ d = 0,0015 ⋅ 35 ⋅ 50 = 2,63 cm 2
que deverá ser respeitada tanto para a armadura positiva quanto para a negativa.

18.13
USP – EESC – Departamento de Engenharia de Estruturas Torção

7.3 Dimensionamento ao cisalhamento


A partir das verificações realizadas no dimensionamento ao cisalhamento,
também para θ = 45o, observa-se que a própria seção já resistiria ao cortante
atuante. É necessário que a peça tenha apenas uma armadura mínima, dada por:
⎛ A sw ⎞ ⎛ f ctm ⎞⎟ ⎛ 0,3 ⋅ 3 252 ⎞ 2

⎜ ⎜
⎟ = ρ w min ⋅ b w = ⎜ 0,2 ⋅ ⎜
⋅ b w = 0,2 ⋅ ⎟ ⋅ 35 = 3,60 cm
⎝ s ⎠ min ⎝ f ywk ⎟⎠ ⎜
⎝ 500 ⎟
⎠ m

7.4 Dimensionamento à torção


Considera-se também a inclinação da biela comprimida θ = 45o.

) Cálculo da armadura longitudinal


A partir das eqs. (23) e (24):
Tsd ≤ TRd , 4
⎛A ⎞ ⎛A ⎞ 50 ⎛A ⎞
TRd , 4 = ⎜ sl ⎟ ⋅ 2 ⋅ A e ⋅ f ywd ⋅ tg θ = ⎜ sl ⎟ ⋅ 2 ⋅ 1134 ⋅ ⋅ tg 45 = 98606,7 ⋅ ⎜ sl ⎟
⎝ u ⎠ ⎝ u ⎠ 1,15 ⎝ u ⎠
⎛A ⎞ ⎛ A sl ⎞ cm 2
5481 ≤ 98606,7 ⋅ ⎜ sl ⎟ ∴ ⎜ ⎟ ≥ 5,56
⎝ u ⎠ ⎝ u ⎠ m

) Cálculo dos estribos

Utilizando-se as eqs. (25) e (26):


Tsd ≤ TRd ,3
⎛A ⎞ ⎛A ⎞ 50 ⎛A ⎞
TRd ,3 = ⎜ 90 ⎟ ⋅ 2 ⋅ A e ⋅ f ywd ⋅ cotg θ = ⎜ 90 ⎟ ⋅ 2 ⋅ 1134 ⋅ ⋅ cotg 45 = 98608,7 ⋅ ⎜ 90 ⎟
⎝ s ⎠ ⎝ s ⎠ 1,15 ⎝ s ⎠
⎛A ⎞ ⎛ A 90 ⎞ cm 2
5481 ≤ 98608,7 ⋅ ⎜ 90 ⎟ ∴ ⎜ ⎟ ≥ 5,56
⎝ s ⎠ ⎝ s ⎠ m

7.5 Detalhamento

a) Armadura longitudinal
A área total da armadura longitudinal é obtida pela soma das parcelas
correspondentes à flexão e à torção, que deve ser feita para cada uma das faces da
viga.
Na face superior, a flexão exige Asl- = 0,65 cm2. A parcela da torção é dada
por A sl = 5,56 ⋅ (0,35 − 0,08) = 1,50 cm 2 . A área de aço total nessa face vale, então:
Asl,tot = 0,65 + 1,50 = 2,15 cm2

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Observe-se, entretanto, que esta área é menor que a mínima prescrita na


nova NBR 6118. Portanto, para a face superior, a área de aço vale:
Asl,tot = Asl min = 2,63 cm2 ⇒ (4 φ 10)
Na face inferior, a flexão exige Asl = 2,11 cm2. A parcela da torção é a
-

mesma anterior, A sl = 1,50 cm 2 . A área de aço total nessa face vale, então:
Asl,tot = 2,11 + 1,50 = 3,61 cm2 ⇒ (5 φ 10)
que já supera a área de aço mínima exigida pela flexão.
Nas faces laterais, como a altura da viga é menor que 60 cm, não é
necessária a utilização de armadura de pele. Há apenas a parcela da torção, cuja
área de aço vale A sl = 5,56 ⋅ (0,50 − 0,08) = 2,34 cm 2 , ou seja,
Asl,tot = 2,34 cm2 ⇒ (3 φ 10)

a) Estribos

A área final dos estribos é dada pela soma das parcelas correspondentes ao
A A
cisalhamento e à torção, sw + 90 , mas neste exemplo, como já foi visto, não é
s s
necessária armadura para o cisalhamento. Há apenas a parcela da torção, que já
supera a área de aço mínima exigida. Assim, em cada face deve-se ter:
2
⎛ A 90 ⎞ cm
⎜ ⎟ = 5,56 ⇒ (φ 8 c 9)
⎝ s ⎠TOTAL m

que obedece ao espaçamento longitudinal máximo entre estribos, segundo a Norma:


Vd ≤ 0,67 VRd,2 ⇒ smáx = 0,6d ≤ 30 cm ⇒ smáx = 27,8 cm
O detalhamento final da seção transversal é apresentado na figura 7, que
precisa ser corrigida. Na face superior, devem ser colocadas 4φ10, em vez das 3φ10
indicadas.

3φ10

φ8 c. 9

3φ10 3φ10

5φ10

Figura 7 - Detalhamento final da Viga V1 (na face superior: 4φ10, em vez de 3φ10).

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8. CONSIDERAÇÕES FINAIS
A utilização do modelo de treliça espacial generalizada é a principal mudança
introduzida pela nova NBR 6118, permitindo que se trabalhe com a mesma
inclinação da biela (de 30o a 45o) tanto na torção quanto no cisalhamento. Além
disso, com essas novas diretrizes, o projetista tem a possibilidade de realizar um
dimensionamento mais eficiente para cada seção estudada, já que, com a escolha
dos valores de θ e he, pode-se distribuir mais conveniente as parcelas de esforços
das bielas e das armaduras.
Assim, acredita-se que as novas prescrições, respaldadas nas principais
normas internacionais, estão mais criteriosas em relação às da versão anterior.

AGRADECIMENTOS
Ao CNPq e à CAPES, pelas bolsas de estudo.

REFERÊNCIAS
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS NBR 6118:1978 - Projeto e
execução de obras de concreto armado. Rio de Janeiro, 1978.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Revisão da NBR 6118 -
Projeto de estruturas de concreto. 2000.
COMITÉ EURO-INTERNACIONAL DU BÉTON. CEB-FIP Model Code 1990. Bulletin
d’ Information, n.204, 1991.
COMITE EUROPEEN DE NORMALISATION. Eurocode 2 - Design of concrete
structures. Part 1: General rules and rules for buildings. Brussels, CEN, 1992.
FÉDÉRATION INTERNATIONALE DU BÉTON. Structural concrete: textbook on
behavior, design and performance. FIB Bulletin, v.2, 1999.
LEONHARDT, F.; MÖNNIG, E. Construções de concreto: princípios básicos de
estruturas de concreto armado. v1. Rio de Janeiro, Interciência, 1977.
SUSSEKIND, J.C. Curso de concreto. v.2. Rio de Janeiro, Globo, 1984.

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