Figuras de metáfora
ironia
prosopopeia
Linguagem catacrese
aliteração
paradoxo
Professora Mariana Klafke
Observem, no diálogo reproduzido na imagem,
os sentidos que as palavras apresentam no
contexto em que são usadas.
– Agora só tomo café amargo.
(amargo – não doce, sabor penetrante,
desagradável)
– Mas nem adoçante usa? Eu não consigo
tomar café assim. De amarga já me basta a
vida.
(amarga – sensação ruim)
Literal X Figurado
Quando utilizamos uma palavra
considerando o primeiro Quando a palavra assume
significado apresentado no possibilidades de interpretação
dicionário, sem que exista que extrapolam seu significado
possibilidade de outras inicial, estamos fazendo uso da
interpretações, estamos fazendo conotação. É o caso da palavra
uso da denotação. É o caso da amarga no trecho:
palavra amargo no trecho:
– Agora só tomo café amargo. – De amarga já me basta a vida.
Literal X Figurado
Linguagem denotativa Linguagem conotativa
Quando a linguagem está no sentido
Quando a linguagem está no sentido conotativo, significa que ela está sendo
denotativo, significa que ela está sendo utilizada em seu sentido figurado, ou
utilizada em seu sentido literal, ou seja, o seja, aquele cujas palavras, expressões
sentido que carrega o significado básico ou enunciados ganham um novo
das palavras, expressões e enunciados de significado em situações e contextos
uma língua (sentido dicionarizado). particulares de uso.
Elabore uma frase no sentido
denotativo e uma no sentido
conotativo com as palavras
abaixo:
CHUVA
MURO
JOIA
Aplicando...
Em duplas, elaborem um texto narrativo
utilizando uma lista de três palavras
selecionadas por vocês. Utilizem-nas em
sentido denotativo e conotativo.
★ Pesquisem em dicionários os sentidos
possíveis para cada palavra.
★ Garantam que, no texto produzido, as
palavras apareçam com dois sentidos
distintos (denotativo e conotativo).
As figuras de
linguagem são recursos
utilizados para garantir
maior expressividade
ao texto!
Ao empregar uma figura de linguagem, o enunciador possibilita
A figura de linguagem é uma interpretação para o seu enunciado que extrapola o
sentido original, este associado a uma leitura literal dos fatos.
uma forma de Por exemplo:
expressão que se A pedra chorou de tristeza.
distancia das regras da
linguagem denotativa. Nesse exemplo, o sentido denotativo (original) é que uma pedra
verteu lágrimas de seus olhos porque estava triste. Porém,
sabemos que pedras não têm olhos e, portanto, não podem
chorar. Assim, essa expressão afasta-se das regras da
linguagem denotativa para assumir outro sentido.
Desse modo, o fato de a pedra chorar mostra o quanto
determinada situação é triste. É tão triste que até uma pedra
poderia chorar. Nesse exemplo, a pedra foi personificada, foi
tratada como se fosse um ser humano, portanto capaz de
chorar e sentir tristeza.
Dependendo da sua função,
elas são classificadas em:
Figuras de palavras
Figuras de pensamento
Figuras de sintaxe
Figuras de som
Met á fo ra ,
r a ç ã o ,
compa
Figuras de m et o n
,
ím
s in
ia
e
,
s t esia
Palavras catac re s
e per
e
íf r a se .
Também conhecidas como figuras
semânticas, elas estão relacionadas com o
significado que as palavras apresentam e as
alterações que ocorrem ao utilizar uma
figura de linguagem desse tipo.
o o
Comparação Foi
o lh
rá
a
p
r ,
id
o
o
g
, c
es
o
t
m
o d e
ce m a .
Ira
Essa é uma das figuras de linguagem mais A le n car )
(Jo s é d e
simples, pois sua função é justamente
comparar as características de algo. Ela
também é conhecida como símile, e é
possível identificar que está presente no
texto graças aos termos comparativos,
como “tal como”, “igual”, “como”, “assim
como”, “parece”, entre outros.
sa ro,
Metáfora Ele era
nasce
um
ra
p
p
ás
ar a
cantar.
(Vinicius
A metáfora é uma espécie de comparação
indireta e é uma das figuras de linguagem ora e s)
mais presentes em textos poéticos - mas de M
também no cotidiano, às vezes sem que a
gente perceba.
Apesar de normalmente ser confundida com
a comparação, existe uma diferença entre
as duas: enquanto a comparação precisa de
termos comparativos, a metáfora não utiliza
essas palavras.
Metonímia
Substituição de um termo por outro, desde
que haja uma relação entre eles. Assim, pode
haver a substituição:
do autor pela obra:
Você não vai acreditar: comprei um
Caravaggio. (isto é: comprar um quadro do
Caravaggio.)
do possuidor pelo possuído:
Amanhã, vou ao médico e não se fala mais
nisso! (isto é: ir ao consultório do médico.)
Metonímia
do lugar pelo produto:
Ela só fumava havana e nada mais. (isto é:
fumar charuto produzido em Havana.)
do efeito pela causa:
Aqueles líderes insuflaram a guerra no
coração dos jovens. (isto é: insuflar o ódio,
causa da guerra.)
do continente pelo conteúdo:
Todos os dias, bebo uma xícara de chá de
boldo. (isto é: beber o chá que está na xícara.)
Metonímia
do instrumento pelo agente:
Amanda é um bisturi excepcional. (isto é: é uma
cirurgiã excepcional.)
da coisa pela sua representação:
Ninguém fala mal da minha terra sem antes me pedir
permissão. (isto é: falar mal do país, estado ou
cidade.)
do inventor pelo invento:
O Linux é um sistema operacional gratuito.
(isto é: linux é a invenção de Linus Torvalds; a
palavra vem da união do nome de seu inventor
“Linus” com “Unix”.)
Metonímia
do concreto pelo abstrato:
Na minha vida, encontrei muita gente sem coração.
(isto é: gente sem sentimento.)
da parte pelo todo:
Este foi um livro escrito a quatro mãos. (isto é:
escrito por duas pessoas.)
da qualidade pela espécie:
Os irracionais também têm seus direitos. (isto é: os
animais também têm seus direitos.)
Metonímia
do singular pelo plural:
O artista é livre para expressar pensamentos
e emoções. (isto é: os artistas são livres.)
da matéria pelo objeto:
“Quem com ferro fere, com ferro será
ferido.”
(isto é: ferir com espada.)
do indivíduo pela classe:
Era mais um camões incompreendido. (isto é:
ser mais um poeta incompreendido.)
c o r r e n te,
o
Catacrese Por se r d
muitas v
e m
e u
o
s
e
s
z
s
e s
eu
n
s
ã
e
o
n t id o
perceb d a c a m a ,
ad o : p é
Consiste em transferir a uma palavra o sentido próprio de figur , b o c a d o
a p e rn a
outra, por alguma semelhança entre elas. Veja: barriga d e a lh o , b ala
e n te d
fogão, d lv e r ...
A quarentena já dura dois meses. de re v ó
Não podíamos embarcar no ônibus sem tirar aquelas fotos.
No primeiro exemplo, a palavra “quarentena”, em seu
sentido original, refere-se a um período de quarenta dias.
No entanto, o termo passou a ser empregado com o
sentido de “isolamento”. O mesmo fenômeno acontece no
segundo exemplo, em que “embarcar” deixou de ser apenas
o ato de entrar em uma embarcação e teve seu sentido
ampliado para o ato de entrar em qualquer veículo de
transporte.
ro a lu z , a
i
Sinestesia Te m
manh
c h
n
e
o
ã
r
n
a
a
a
s
u
c e
d
...
iç ão
Oh so
o a ro m a!
co lo rid a d
Talvez você nunca tenha percebido, mas algo s d e
o n su
comum no cotidiano é unir sensações ao (Alph
im a rã e s )
falar uma única frase. Ao fazer isso, você Gu
está usando a sinestesia, figura de linguagem
que reflete no uso de palavras que vão
relacionar os sentidos do corpo humano, isto
é, audição, visão, tato, paladar e olfato.
Portanto, dizer que prefere roupas de
“cores quentes” ou que alguém tem uma “voz
doce” são alguns exemplos disso.
Perífrase
A perífrase ocorre pela substituição de uma
ou mais palavras por outra expressão que
exprime suas características. Exemplos:
A cidade luz foi atingida por terroristas
nessa tarde. (Paris)
A terra da garoa está cada vez mais
perigosa. (São Paulo)
O país do futebol conquistou mais uma
medalha nas olimpíadas. (Brasil)
Figuras de Sintaxe
Algumas
d
sintaxe as figuras de
mais co
assíndet muns sã
o, p o o
anacolu lissíndet
to, elips o,
Em resumo, as figuras de sintaxe são hipérba
to, pleo
e, zeugm
nasmo e
a,
recursos associados à organização e silepse.
estrutura gramatical das frases.
Assíndeto
A bar
ca vin
Assíndeto é uma figura de linguagem chego h a pert
u, atra o,
caracterizada pela omissão de conjunções entra cou,
mos.
coordenativas, isto é, conjunções que ligam (Mach
de As ado
orações ou elementos independentes entre si em sis)
um enunciado. É um processo de encadeamento do
enunciado que exige do leitor mais atenção no
exame de cada fato, mantido em sua
independência, por força das pausas rítmicas.
Polissíndeto
“Há do
is dias
telefon meu
e não
Polissíndeto é a figura de construção caracterizada ouve, fala, n
nem to em
pela repetição de conjunções, o que muitas vezes acaba tuge, n ca, nem
gerando um efeito de intensificação do discurso. em mu
(Rubem ge.”
Observe: Braga)
“Enquanto os homens exercem seus podres poderes /
Índios e padres e bichas, negros e mulheres e
adolescentes fazem o carnaval” (Caetano Veloso)
Anacoluto
A sen
sação
É a mudança de construção sintática no meio do uma f é de
enunciado, geralmente depois de uma pausa sensível. rase s
meio olta n
Observe esses versos de Casimiro de Abreu: do pe o
ríodo!
No berço, pendente dos ramos floridos,
Em que eu pequenino feliz dormitava:
Quem é que esse berço com todo o cuidado
Cantando cantigas alegre embalava?
Elipse
É com
um a
sujeito elipse
, do ve de
Ocultação de palavra ou expressão na conju
nção
rbo, d
a
prepo que, d
estrutura do enunciado. sição
que in
a
adjun trodu
— Vou te ligar. Qual o seu número? tos... z
Nesse exemplo, foi omitida a expressão
“de telefone”: Qual o seu número de
telefone?
Zeugma
A igre
ja era
Um tipo de elipse caracterizado pela e pob
re. Os
grand
e
omissão de um termo mencionado humil altare
des. ( s,
Drum Carlo
anteriormente. mond s
de
Preferia os caminhos difíceis aos Aldra
de)
fáceis.
Ou seja: Preferia os caminhos difíceis
aos (caminhos) fáceis.
Hipérbato
Inversão da ordem direta dos elementos de uma oração Essas
que a
ou período. A ordem direta é composta de sujeito, verbo, Belas o ven
chuva to vêm
complemento ou predicativo. Por exemplo: (Joaqu s de j
im Ca unho
!
rdoso
)
As manifestações culturais brasileiras são muito
valorizadas no exterior.
Se ocorrer o hipérbato, a inversão, temos:
Muito valorizadas são as manifestações culturais
brasileiras no exterior.
Pleonasmo
Achei m
ais fáci
É o uso de algum termo dispensável, repetitivo, com o odiar-m l
e a mim
objetivo de enfatizar determinada ideia. mesmo
. (Erico
Verissi
— Vi a abdução com meus próprios olhos — ele afirmou. mo)
Atenção! Esse tipo de ênfase é aceitável quando utilizado
para melhor expressar uma ideia; do contrário, é apenas
uma redundância, um vício de linguagem.
Silepse
Concordância ideológica, ou seja, com a ideia, e não com o
termo expresso. Existem três tipos:
Silepse de gênero: A gente ficou chocado com o que
aconteceu ontem.
Nesse caso, o enunciador é masculino e refere-se a
pessoas do gênero masculino, então faz a concordância
com a ideia, e não com o sujeito “A gente”.
Silepse
Silepse de número: O povo exigiu uma satisfação, pois não
suportavam mais aquele silêncio.
Nesse exemplo, o verbo “suportavam” tem como sujeito “eles/
elas” (não expresso no período), pois o enunciador pensa em povo
como uma quantidade de pessoas. Assim, em vez de fazer a
concordância com a palavra, no singular, “povo” (O povo não
suportava mais aquele silêncio), o enunciador faz a concordância
com a ideia, ou seja, “eles/ elas”, uma quantidade de pessoas
chamadas de “povo”, portanto no plural.
Silepse
Silepse de pessoa: Os ciclistas corremos grande perigo no
trânsito.
Observe que, ao conjugar o verbo “correr” na primeira
pessoa do plural (nós), o enunciador coloca-se na categoria
de ciclista, o que não ficaria evidente se ele fizesse a
concordância gramaticalmente esperada: Os ciclistas correm
grande perigo no trânsito.
Figuras de
Pensamento
e n s a m e n to
ig u r a s d e p As Figuras de Pensamento são
Algu m as f a çã o ,
o , g r a d
são euf e m is m
tí te se , recursos associados à combinação de
, ir on i a, an
hipérbo le
s on if ic a ç ã o . ideias e pensamentos, ou seja, à
x o e p er
parado interpretação das frases.
Eufemismo
io fa z ia a
se c r etár Consiste em atenuar o sentido desagradável,
d ação , o o a
Na r e q u a n d
d o jo rn al, grosseiro ou indecoroso de uma palavra ou
cozinha r im av e ril , m a s
,n ã o p expressão, substituindo-a por outra que suavize
senhora rnos a , d e le se
o in v e
ainda nã i mid a m e n te . seu significado. Um exemplo clássico é a
i m o u t e)
aprox d de A n d r a d expressão "passou desta para uma melhor".
r um m o n
(Ca rlo s D
Gradação
, p o r Sabe quando você está lendo uma história e, de
ac on te c e
Éo qu e a u, repente, várias palavras surgem em um
e c ho “É p
, n o tr
exemplo o fim do parágrafo e levam até uma ideia central? Isso
é
é pedra, ú sica se chama gradação, que é a figura de linguagem
h o” d a m
ca m in ada responsável por enumerar uma sequência de
ço ”, c an t
de M ar
“Águas e g in a . termos com o objetivo de intensificar uma ideia
s R
por Eli
ou de levar ao ponto alto de uma história.
Hipérbole
Expressões como “morrendo de fome” ou
“caindo de sono” apresentam uma figura de
ra d a r ao
r i q u e z a pa linguagem muito conhecida e frequentemente
Temos a ind a s o b r a
nd o int e iro e
nta
exigida no Enem e vestibulares: a hipérbole. Ela
m u s e n o ve
tro c en t o é utilizada para demonstrar maior intensidade
pa ra q ua ív e is.
o s p o ss
m u n d de algo, o que causa a ideia de exagero em
e nove o n d d e
lo s D r umm
(Car )
uma frase, em um parágrafo ou até em todo
Andrade o contexto.
Ironia
i ap ro v ado A ironia, talvez a mais comum de todas as
a m e n to fo
O cas e s , c om a figuras de linguagem, consiste basicamente
S r. A n t un
pelo q u e u m
a lm a co m em exprimir uma ideia contrária ao que se
mesm a p ria
aria a p r ó
sa n c io n pensa com a finalidade, normalmente, de
réu c h a d o d e
u çã o . (Ma
exe c criticar.
Assis)
Antítese
Consiste basicamente em juntar uma ideia a
sd is tin to s ,o outra de sentido contrário, causando um
m u nd o
Há dois e sc u r o. efeito estético que enfatiza os sentidos de
claro e o
e s cu r o vive cada termo e causa estranhamento ao
d e ntro do e
Mas do c la ro , q u
u m m u n mesmo tempo.
também s o lh os ...
do fe c h oo
v e jo qu an d ra d e)
eu o n d de A n
s D ru m m
(Ca rlo
Paradoxo
Outra figura de linguagem que trabalha com a
oposição é o paradoxo, porém, não se engane ao
pensar que ele é igual à antítese! Na verdade, o
paradoxo faz um jogo de ideias contrárias, mas
sem a necessidade de utilizar palavras opostas.
Por isso, a oposição é muito menos explícita do
que no caso da antítese, como você pode ver
neste exemplo: “A voz que dá boas-vindas é a
mesma que diz adeus”.
Personificação
Também conhecida como prosopopeia, essa figura
de linguagem costuma aparecer em histórias
infantis, já que animais e objetos muitas vezes
tis a podem estar entre os personagens, que fazem
la s in fa n
s t re parte dos elementos da narrativa desses contos.
Havia e s m a t in a is
r p r e ce Como eles precisam interagir entre si, os autores
balbucia ues ce n te .
d e liq dão ações e sentimentos humanos a seres que não
no céu o ra e s )
c iu s d e M apresentam essas características. Ou seja: é o que
(Vini
acontece ao dizer que “o Sol descansou” ou que “a
Lua está tranquila”.
Figuras de Som
São aqueles recursos associados Algumas figuras de
aos sons das palavras, figuras que som são assonância,
se referem à sonoridade. As aliteração,
figuras de som têm o objetivo de onomatopeia e
realçar e de enfatizar os sons de paronomásia.
um texto, dando mais destaque a
eles.
Assonância
A assonância é uma figura de linguagem
que consiste na repetição de fonemas "Esta menina
vocálicos, especialmente em sílabas tão pequenina
tônicas, para inferir um som e quer ser bailarina
estabelecer efeitos sonoros específicos ”
no texto. Trata-se de um recurso (Cecília Meireles)
linguístico muito utilizado em poemas ou
letras de música, mas também pode
ocorrer em textos em prosa.
Aliteração
Enquanto a assonância promove repetições de
sons vocálicos, especialmente as sílabas
tônicas, a aliteração é a repetição de sons
consonantais. Veja o exemplo abaixo, extraído “A brisa do Brasil
do texto “Mundo Moderno”, escrito por Chico beija a balança.”
Anysio: (Castro Alves, “Na
“Meu monólogo mostra mentiras, mazelas, vio
Negreiro”)
misérias, massacres, miscigenação, morticínio
– maior maldade mundial. Ela ocorre logo após
a abertura: Mundo moderno, marco malévolo,
mesclando mentiras […]. E tem esta conclusão:
Merecemos. Maldito mundo moderno,
mundinho.”
Onomatopéia
As onomatopeias
Seja o “tic-tac” do relógio, o “ding- são
muito utilizadas e
dong” da campainha ou o “miau” de um m
gato, esses ruídos demonstrados a histórias e
partir de palavras são exemplos da brincadeiras infan
tis e
onomatopeia. Trata-se da figura de nos quadrinhos.
linguagem cuja função é expressar os
barulhos da natureza, de objetos e de
ações nos textos escritos ou falados.
Paronomásia
A paronomásia é uma figura de linguagem que utiliza
palavras parônimas no mesmo enunciado de modo a
produzir um jogo sonoro no discurso. É bastante A paronomásia é
utilizada na linguagem publicitária e, também, nas muito utilizada em
artes, como em letras de músicas, poesias e até
mesmo em prosas. Chamamos de parônimas as campanhas
palavras que têm significado diferente e som muito publicitárias:
parecido. Essas palavras costumam se diferenciar no “Tomou Doril, a dor
som por apenas um fonema, uma letra ou uma sílaba.
Pela semelhança no som, algumas palavras parônimas sumiu.”
acabam confundindo muitas pessoas. Exemplos:
Comprimento x Cumprimento
Cavaleiro x Cavalheiro
Pluvial x Fluvial
A Casa de Vidro
Houve protestos.
Deram uma bola a cada criança e tempo para brincar. Elas
aprenderam malabarismos incríveis e algumas viajavam pelo mundo
exibindo sua alegre habilidade. (O problema é que muitos, a maioria, (ENEM - 2018) Publicado em 1979, o texto compartilha com
não tinham jeito e eram feios de noite, assustadores. Seria melhor outras obras da literatura brasileira escritas no período
prender essa gente — havia quem dissesse.)
Houve protestos. as marcas do contexto em que foi produzido, como a:
Aumentaram o preço da carne, liberaram os preços dos cereais e
abriram crédito a juros baixos para o agricultor. O dinheiro que A) referência à censura e à opressão para alegorizar a
sobrasse, bem, digamos, ora o dinheiro que sobrasse! falta de liberdade de expressão característica da época.
Houve protestos. B) valorização de situações do cotidiano para atenuar os
Diminuíram os salários (infelizmente aumentou o número de assaltos)
porque precisamos combater a inflação e, como se sabe, quando os sentimentos de revolta em relação ao governo instituído.
salários estão acima do índice de produtividade eles se tornam C) utilização de metáforas e ironias para expressar um
altamente inflacionários, de modo que. olhar crítico em relação à situação social e política do país.
Houve protestos. D) tendência realista para documentar com
Proibiram os protestos. verossimilhança o drama da população brasileira durante o
E no lugar dos protestos nasceu o ódio. Então surgiu a Casa de
Vidro, para acabar com aquele ódio. Regime Militar.
E) sobreposição das manifestações populares pelo
ÂNGELO, I. A casa de vidro. São Paulo: Círculo do Livro, 1985. discurso oficial para destacar o autoritarismo do
momento histórico.
A Casa de Vidro
Houve protestos.
Deram uma bola a cada criança e tempo para brincar. Elas
aprenderam malabarismos incríveis e algumas viajavam pelo mundo
exibindo sua alegre habilidade. (O problema é que muitos, a maioria, (ENEM - 2018) Publicado em 1979, o texto compartilha com
não tinham jeito e eram feios de noite, assustadores. Seria melhor outras obras da literatura brasileira escritas no período
prender essa gente — havia quem dissesse.)
Houve protestos. as marcas do contexto em que foi produzido, como a:
Aumentaram o preço da carne, liberaram os preços dos cereais e
abriram crédito a juros baixos para o agricultor. O dinheiro que A) referência à censura e à opressão para alegorizar a
sobrasse, bem, digamos, ora o dinheiro que sobrasse! falta de liberdade de expressão característica da época.
Houve protestos. B) valorização de situações do cotidiano para atenuar os
Diminuíram os salários (infelizmente aumentou o número de assaltos)
porque precisamos combater a inflação e, como se sabe, quando os sentimentos de revolta em relação ao governo instituído.
salários estão acima do índice de produtividade eles se tornam C) utilização de metáforas e ironias para expressar um
altamente inflacionários, de modo que. olhar crítico em relação à situação social e política do país.
Houve protestos. D) tendência realista para documentar com
Proibiram os protestos. verossimilhança o drama da população brasileira durante o
E no lugar dos protestos nasceu o ódio. Então surgiu a Casa de
Vidro, para acabar com aquele ódio. Regime Militar.
E) sobreposição das manifestações populares pelo
ÂNGELO, I. A casa de vidro. São Paulo: Círculo do Livro, 1985. discurso oficial para destacar o autoritarismo do
momento histórico.
A nossa emotividade literária só se interessa pelos populares
do sertão, unicamente porque são pitorescos e talvez não se
possa verificar a verdade de suas criações. No mais é uma
continuação do exame de português, uma retórica mais
difícil, a se desenvolver por este tema sempre o mesmo:
Dona Dulce, moça de Botafogo em Petrópolis, que se casa (ENEM - 2019) Situado num momento de
com o Dr. Frederico. O comendador seu pai não quer porque
o tal Dr. Frederico, apesar de doutor, não tem emprego. transição, Lima Barreto produziu uma literatura
Dulce vai à superiora do colégio de irmãs. Esta escreve à renovadora em diversos aspectos. No
mulher do ministro, antiga aluna do colégio, que arranja um fragmento, esse viés se fundamenta na:
emprego para o rapaz. Está acabada a história. É preciso
não esquecer que Frederico é moço pobre, isto é, o pai tem
dinheiro, fazenda ou engenho, mas não pode dar uma A) releitura da importância do regionalismo.
mesada grande. B) ironia ao folhetim da tradição romântica.
Está aí o grande drama de amor em nossas letras, e o tema C) desconstrução da formalidade parnasiana.
de seu ciclo literário. D) quebra da padronização do gênero narrativo.
BARRETO, L. Vida e morte de MJ Gonzaga de Sá. Disponível E) rejeição à classificação dos estilos da época.
em: www.brasiliana.usp.br. Acesso em: 10 ago. 2017.
A nossa emotividade literária só se interessa pelos populares
do sertão, unicamente porque são pitorescos e talvez não se
possa verificar a verdade de suas criações. No mais é uma
continuação do exame de português, uma retórica mais
difícil, a se desenvolver por este tema sempre o mesmo:
Dona Dulce, moça de Botafogo em Petrópolis, que se casa (ENEM - 2019) Situado num momento de
com o Dr. Frederico. O comendador seu pai não quer porque
o tal Dr. Frederico, apesar de doutor, não tem emprego. transição, Lima Barreto produziu uma literatura
Dulce vai à superiora do colégio de irmãs. Esta escreve à renovadora em diversos aspectos. No
mulher do ministro, antiga aluna do colégio, que arranja um fragmento, esse viés se fundamenta na:
emprego para o rapaz. Está acabada a história. É preciso
não esquecer que Frederico é moço pobre, isto é, o pai tem
dinheiro, fazenda ou engenho, mas não pode dar uma A) releitura da importância do regionalismo.
mesada grande. B) ironia ao folhetim da tradição romântica.
Está aí o grande drama de amor em nossas letras, e o tema C) desconstrução da formalidade parnasiana.
de seu ciclo literário. D) quebra da padronização do gênero narrativo.
BARRETO, L. Vida e morte de MJ Gonzaga de Sá. Disponível E) rejeição à classificação dos estilos da época.
em: www.brasiliana.usp.br. Acesso em: 10 ago. 2017.
O açúcar
O branco açúcar que adoçará meu café
nesta manhã de Ipanema
não foi produzido por mim
nem surgiu dentro do açucareiro por milagre.
Vejo-o puro
e afável ao paladar
como beijo de moça, água (ENEM - 2007) A antítese que configura uma
na pele, flor
que se dissolve na boca. Mas este açúcar
imagem da divisão social do trabalho na
não foi feito por mim. sociedade brasileira é expressa poeticamente na
Este açúcar veio oposição entre a doçura do branco açúcar e:
da mercearia da esquina e tampouco o fez o Oliveira,
[dono da mercearia.
Este açúcar veio
A) o trabalho do dono da mercearia de onde veio
de uma usina de açúcar em Pernambuco o açúcar.
ou no Estado do Rio
e tampouco o fez o dono da usina. B) o beijo de moça, a água na pele e a flor que
Este açúcar era cana se dissolve na boca.
e veio dos canaviais extensos
que não nascem por acaso
C) o trabalho do dono do engenho em
no regaço do vale. Pernambuco, onde se produz o açúcar.
(...) D) a beleza dos extensos canaviais que nascem
Em usinas escuras, no regaço do vale.
homens de vida amarga
e dura
E) o trabalho dos homens de vida amarga em
produziram este açúcar
branco e puro
usinas escuras.
com que adoço meu café esta manhã em Ipanema.
Ferreira Gullar. Toda Poesia. Rio de Janeiro:
Civilização Brasileira, 1980, p. 227-8.
O açúcar
O branco açúcar que adoçará meu café
nesta manhã de Ipanema
não foi produzido por mim
nem surgiu dentro do açucareiro por milagre.
Vejo-o puro
e afável ao paladar
como beijo de moça, água (ENEM - 2007) A antítese que configura uma
na pele, flor
que se dissolve na boca. Mas este açúcar
imagem da divisão social do trabalho na
não foi feito por mim. sociedade brasileira é expressa poeticamente na
Este açúcar veio oposição entre a doçura do branco açúcar e:
da mercearia da esquina e tampouco o fez o Oliveira,
[dono da mercearia.
Este açúcar veio
A) o trabalho do dono da mercearia de onde veio
de uma usina de açúcar em Pernambuco o açúcar.
ou no Estado do Rio
e tampouco o fez o dono da usina. B) o beijo de moça, a água na pele e a flor que
Este açúcar era cana se dissolve na boca.
e veio dos canaviais extensos
que não nascem por acaso
C) o trabalho do dono do engenho em
no regaço do vale. Pernambuco, onde se produz o açúcar.
(...) D) a beleza dos extensos canaviais que nascem
Em usinas escuras, no regaço do vale.
homens de vida amarga
e dura
E) o trabalho dos homens de vida amarga em
produziram este açúcar
branco e puro
usinas escuras.
com que adoço meu café esta manhã em Ipanema.
Ferreira Gullar. Toda Poesia. Rio de Janeiro:
Civilização Brasileira, 1980, p. 227-8.
(ENEM - 2014) Os meios de comunicação podem
contribuir para a resolução de problemas sociais, entre
os quais o da violência sexual infantil. Nesse sentido, a
propaganda usa a metáfora do pesadelo para:
A) informar crianças vítimas de abuso sexual sobre os
perigos dessa prática, contribuindo para erradicá-la.
B) denunciar ocorrências de abuso sexual contra
meninas, com o objetivo de colocar criminosos na cadeia.
C) dar a devida dimensão do que é o abuso sexual para
uma criança, enfatizando a importância da denúncia.
D) destacar que a violência sexual infantil predomina
durante a noite, o que requer maior cuidado dos
responsáveis nesse período.
E) chamar a atenção para o fato de o abuso infantil
ocorrer durante o sono, sendo confundido por algumas
crianças com um pesadelo.
(ENEM - 2014) Os meios de comunicação podem
contribuir para a resolução de problemas sociais, entre
os quais o da violência sexual infantil. Nesse sentido, a
propaganda usa a metáfora do pesadelo para:
A) informar crianças vítimas de abuso sexual sobre os
perigos dessa prática, contribuindo para erradicá-la.
B) denunciar ocorrências de abuso sexual contra
meninas, com o objetivo de colocar criminosos na cadeia.
C) dar a devida dimensão do que é o abuso sexual para
uma criança, enfatizando a importância da denúncia.
D) destacar que a violência sexual infantil predomina
durante a noite, o que requer maior cuidado dos
responsáveis nesse período.
E) chamar a atenção para o fato de o abuso infantil
ocorrer durante o sono, sendo confundido por algumas
crianças com um pesadelo.
(ENEM - 2001) Oxímoro (ou paradoxo) é uma construção textual que agrupa significados que se excluem mutuamente.
Para Garfield, a frase de saudação de Jon (tirinha) expressa o maior de todos os oxímoros. Nas alternativas abaixo,
estão transcritos versos retirados do poema “O operário em construção”. Pode-se afirmar que ocorre um oxímoro em:
A - "Era ele que erguia casas Onde antes só havia chão."
B - "... a casa que ele fazia Sendo a sua liberdade Era a sua escravidão."
C - "Naquela casa vazia Que ele mesmo levantara Um mundo novo nascia De que sequer suspeitava."
D - "... o operário faz a coisa E a coisa faz o operário."
E - "Ele, um humilde operário Um operário que sabia Exercer a profissão."
(ENEM - 2001) Oxímoro (ou paradoxo) é uma construção textual que agrupa significados que se excluem mutuamente.
Para Garfield, a frase de saudação de Jon (tirinha) expressa o maior de todos os oxímoros. Nas alternativas abaixo,
estão transcritos versos retirados do poema “O operário em construção”. Pode-se afirmar que ocorre um oxímoro em:
A - "Era ele que erguia casas Onde antes só havia chão."
B - "... a casa que ele fazia Sendo a sua liberdade Era a sua escravidão."
C - "Naquela casa vazia Que ele mesmo levantara Um mundo novo nascia De que sequer suspeitava."
D - "... o operário faz a coisa E a coisa faz o operário."
E - "Ele, um humilde operário Um operário que sabia Exercer a profissão."
(ENEM - 2012) A causa mortis do personagem, expressa no último parágrafo, adquire um efeito irônico no texto porque, ao longo da
narrativa, ocorre uma:
A) metaforização do sentido literal do verbo “beber”.
B) aproximação exagerada da estética abstracionista.
C) apresentação gradativa da coloquialidade da linguagem.
D) exploração hiperbólica da expressão “inúmeras coroas”.
E) citação aleatória de nomes de diferentes artistas.
(ENEM - 2012) A causa mortis do personagem, expressa no último parágrafo, adquire um efeito irônico no texto porque, ao longo da
narrativa, ocorre uma:
A) metaforização do sentido literal do verbo “beber”.
B) aproximação exagerada da estética abstracionista.
C) apresentação gradativa da coloquialidade da linguagem.
D) exploração hiperbólica da expressão “inúmeras coroas”.
E) citação aleatória de nomes de diferentes artistas.
Personificação/
(UFPE) Assinale a alternativa em que o autor NÃO utiliza Prosopopeia
prosopopéia.
a) “A luminosidade sorria no ar: exatamente isto. Era um
suspiro do mundo.” (Clarice Lispector)
b) “As palavras não nascem amarradas, elas saltam, se beijam,
se dissolvem…” (Drummond)
c) “Quando essa não-palavra morde a isca, alguma coisa se
escreveu.” (Clarice Lispector)
d) “A poesia vai à esquina comprar jornal”. (Ferreira Gullar)
e) “Meu nome é Severino, Não tenho outro de pia”. (João
Cabral de Melo Neto)
Personificação/
(UFPE) Assinale a alternativa em que o autor NÃO utiliza Prosopopeia
prosopopéia.
a) “A luminosidade sorria no ar: exatamente isto. Era um
suspiro do mundo.” (Clarice Lispector)
b) “As palavras não nascem amarradas, elas saltam, se beijam,
se dissolvem…” (Drummond)
c) “Quando essa não-palavra morde a isca, alguma coisa se
escreveu.” (Clarice Lispector)
d) “A poesia vai à esquina comprar jornal”. (Ferreira Gullar)
e) “Meu nome é Severino, Não tenho outro de pia”. (João
Cabral de Melo Neto)
Catacrese
(FUVEST) A catacrese, figura que se observa na frase
“Montou o cavalo no burro bravo”, ocorre em:
a) Os tempos mudaram, no devagar depressa do tempo.
b) Última flor do Lácio, inculta e bela, és a um tempo esplendor
e sepultura.
c) Apressadamente, todos embarcaram no trem.
d) Ó mar salgado, quanto do teu sal são lágrimas de Portugal.
e) Amanheceu, a luz tem cheiro.
Catacrese
(FUVEST) A catacrese, figura que se observa na frase
“Montou o cavalo no burro bravo”, ocorre em:
a) Os tempos mudaram, no devagar depressa do tempo.
b) Última flor do Lácio, inculta e bela, és a um tempo esplendor
e sepultura.
c) Apressadamente, todos embarcaram no trem.
d) Ó mar salgado, quanto do teu sal são lágrimas de Portugal.
e) Amanheceu, a luz tem cheiro.
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