Nome: Caroline Modolo Ribeiro
Especialização: Nutrição Esportiva e Estética
Instagram: @nutricarolmodolo
Suplementação infantil
Uma ingestão adequada vitaminas e minerais é essencial para garantir saúde e
um bom desenvolvimento físico e intelectual, e quando pensamos nisso não é
diferente para as crianças.
A melhor forma de garantir esse aporte de vitaminas tão essências dá se
através da alimentação. Esses micronutrientes tão essenciais são amplamente
encontrados nos alimentos de origem vegetal (legumes, verduras, frutas,
cereais integrais e sementes) e animal (carne e laticínios).
Por meio de uma alimentação diversificada que oferte todos os grupos de
alimentos, é possível obter esses compostos que o organismo necessita para
cumprir inúmeras funções metabólicas, antioxidantes e estruturais, associadas
ao crescimento, desenvolvimento e sistema imunológico.¹
Entretanto, muita das vezes manter uma alimentação variada, que garanta todo
o aporte de nutrientes adequados para a criança, pode ser uma tarefa difícil
para os pais.
Orientações não faltam para que as crianças consumam bastante verduras,
legumes e frutas, e que evitem o açúcar e alimentos ultra processados. Porém
muitas crianças já com o paladar mal-acostumado insistem em uma
alimentação pobre em nutrientes e rica em calorias vazias, muitas das vezes
ofertada pelos próprios pais, na busca por algo mais prático e atrativo para a
criança.
Nesse caso, entra o papel da suplementação, com a finalidade de
complementar uma dieta em que não haja a oferta necessária de nutrientes, e
para corrigir alguma deficiência já existente ou até mesmo para potencializar
um nutriente às necessidades da criança. Mas vale ressaltar que ela nunca
substituirá uma alimentação adequada para a criança.
Quais suplementos podem ser usados durante a infância?
Suplementação vitamínico-mineral
Geralmente as vitaminas A e D e os minerais , zinco e ferro estão entre as mais
comuns deficiências, consideradas de grande efeito social e priorizadas pela
Organização Mundial da Saúde (OMS), porém, atualmente, também passou a
ter relevância, em um nível de saúde publica mundial, a deficiência de um vital
macronutriente para o neurodesenvolvimento, o DHA (Ácido
Docosahexaenoico).²
Vitamina D
A principal função da vitamina D em humanos é a manutenção das
concentrações normais de Cálcio e fósforo. Essa regulação se dá pela maior
eficiência de absorção desses minerais no intestino delgado e pela regulação
da atividade osteoclástica dos ossos. Portanto, o calcitriol age aumentando a
absorção intestinal e reduzindo a secreção de cálcio pelo aumento da
reabsorção dos túbulos distais dos rins e pela mobilização dos minerais dos
ossos, entre outras funções.8
A principal fonte de vitamina D é a exposição solar e corresponde à 90% da
vitamina no organismo. As fontes alimentares em geral não conseguem suprir
as a demanda necessária. O leite humano possui quantidade insuficiente para
suprir as necessidades do lactente (1 litro = 20 a 40 UI), e, mesmo que
vivamos em um país tropical, a poluição ambiental, a neblina, o inverno, o
hábito de manter as crianças vestidas e dentro de casa aumentam o risco de
deficiência. ²
Consequência disso é que a deficiência de vitamina D é um dos distúrbios
nutricionais mais prevalentes em todo o mundo, considerando que 1 bilhão de
pessoas sofram de insuficiência ou deficiência.²
Para garantir adequado aporte desta vitamina e evitar sua deficiência a
Sociedade Brasileira de Pediatria indica a suplementação nos primeiros 2 anos
de vida, mesmo para crianças em aleitamento materno exclusivo.5
- 400 UI por dia a partir da 1ª semana de vida até completar um ano de idade. 5
- 600 UI por dia de 1 (um) ano até completar 2 (dois) anos de idade.5
Vitamina A
A função fisiológica mais conhecida da vitamina A é no processo visual, como
grupo prostético dos pigmentos visuais. Participa, também, do crescimento, do
desenvolvimento ósseo e do tecido epitelial, da expressão gênica, da
diferenciação celular e do processo imunológico.6
Para a promoção do crescimento e do desenvolvimento adequados na infância
e para prevenção dos sintomas de deficiência, foi estabelecido a RDA de 300
µg/dia para crianças de 1 a 3 anos de idade, e de 400 µg/dia para crianças de
4 a 8 anos.6,7
É importante identificar as crianças em risco para deficiência de vitamina A
através de uma anamnese alimentar, e as que não recebem outro suplemento
vitamínico com esta vitamina associada, para não causar Hipervitaminose.
Ferro
As funções do ferro estão amplamente descritas na literatura , incluindo sua
participação como componente estrutural de proteínas(enzimas e
hemoglobinas) no transporte de oxigênio para todos os tecidos do organismo e
no desenvolvimento da cognição.4
A deficiência de ferro, que é a responsável por causar a anemia ferropriva, é a
mais prevalente em crianças, principalmente em países subdesenvolvidos,
sendo duas vezes mais provável de afetar bebês entre as idades de 6 e 24
meses e 25 a 60 meses.²
A anemia se torna um sério problema, pois pode prejudicar o desenvolvimento
mental e psicomotor, causar o aumento de morbidade e mortalidade materna e
infantil, além de uma redução da resistência as infecções.²
As recomendações para bebês amamentados são aproximadamente
1mg/kg/dia por 4 a 6 meses de idade, preferivelmente de alimentos
suplementares e apenas fórmulas fortificadas com ferros para desmame ou
suplemento ao leite humano e para bebês alimentados por fórmulas, apenas
fórmula fortificada com ferro durante o primeiro ano de vida. E para crianças de
um a três anos de idade a recomendação é de 7mg de ferro/dia, e para aquelas
com quatro a nove anos, é de 10mg/dia, pois nessa fase ocorre um rápido
processo de incorporação de ferro corporal. 4,5
Zinco
O Zinco é tido como um mineral importante para a nutrição, e
consequentemente para a saúde humana.7 Ele realiza três importantes papéis
biológicos no nosso organismo: catalítico, estrutural e regulatório. Por meio
desses, o zinco tem um papel determinante no sistema imune, atuando como
anti-inflamatório, assim como no sistema de defesa antioxidante.7
A dosagem sérica de zinco não reflete com segurança o real estado nutricional
com relação ao mineral. A prova terapêutica pode ser realizada utilizando-se o
zinco na dosagem de 1 mg/kg/dia e observando-se a resposta clínica em 5-10
dias de uso.
No tratamento da deficiência, é preconizado a dose de zinco elementar, 1-
2mg/kg/dia por via oral e correção dietética adequada; na diarreia aguda se
prescreve 20mg/dia para crianças acima de seis meses de idade e metade da
dose para aquelas abaixo dessa idade.¹
Ácidos graxos poli-insaturados de cadeia longa (LCPUFA)
Os ácidos graxos poli-insaturados de cadeia longa (LCPUFA), como o ácido
eicosapentaenoico (EPA) e o ácido docosaexaenoico (DHA), exercem funções
bioquímicas e fisiológicas fundamentais no metabolismo e na saúde humana.9
Do mesmo modo, o DHA tem um papel crucial no desenvolvimento cerebral e
da visão, sendo assim um nutriente primordial para o desenvolvimento e
crescimento infantil.9
De acordo com o I Consenso Brasileiro da Associação Brasileira de Nutrologia,
as recomendações de DHA durante a gestação, lactação e infância, são de
200mg de DHA ao dia para gestantes, lactantes, independente da dieta. No
caso das crianças não amamentadas, estas devem receber o DHA por meio da
sua fórmula complementar, do contrário, o DHA deve ser suplementado de
forma isolada.2
Considerações finais
Toda suplementação, deve ser avaliada de forma criteriosa, levando em
consideração as recomendações diárias de ingestão (DRI) para cada faixa
etária, além das diversas preparações comerciais. E muita atenção, pois os
polivitamínicos podem até parecer uma solução mais prática e até mesmo mais
acessível, porém eles podem conter vitaminas hidro e lipossolúveis em
quantidades variáveis, causando um risco de toxicidade quando ingeridas em
altas doses ou por tempo prolongado.¹
Então a melhor solução é sempre buscar um profissional para ter uma
orientação individualizada e segura em relação a suplementação e a dosagem,
respeitando as recomendações para cada faixa etária.
Referências
1. WEFFORT, VIRGINIA RESENDE SILVA; MARANHÃO, HÉLCIO DE SOUSA;
MELLO, ELZA DANIEL DE; BARRETTO , JUNAURA ROCHA; FISBERG,
MAURO; MORETZSOHN , MÔNICA DE ARAUJO; WAYHS, MÔNICA LISBOA
CHANG; KONSTANTYNER, TULIO; OLIVEIRA , FERNANDA LUISA
CERAGIOLI; LAMOUNIER, JOEL ALVES; MAXIMINO, PRISCILA; RICCO ,
RAFAELA CRISTINA; ZORZO, RENATO AUGUSTO. Temas da Atualidade em
Nutrologia Pediátrica. São Paulo: SBP: Departamento Científico de Nutrologia
Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), 2021. Disponível em:
https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/Manual_de_atualidades_em_Nu
trologia_2021_-_SBP_SITE.pdf. Acesso em: 29 set. 2022.
2. SPSP | Sociedade de Pediatria de São Paulo. Out. 2019b. Disponível em:
https://www.spsp.org.br/site/asp/boletins/AtualizeA4N5.pdf. Acesso em: 2 out.
2022.
3. Chefe E, Dra P, Marques M, Suen, Durval R, Filho, et al. Anais do Congresso
International Journal of Nutrology [Internet]. [cited 2022 Oct 1]. Available from:
https://nutritotal.com.br/pro/wp-content/uploads/sites/3/2015/01/405-2014-
Consenso-DHA.pdf
4. BASES bioquímicas e fisiológicas da Nutrição : nas diferentes fases da vida, na
saúde e na doença. Barueri - SP: Manole, 2013. ISBN 978-85-204-3177-1.
5. Cristine M. Trahms; MS, RD, CD, FADA, Kelly N. McKean, MS, RD, CD.
Nutrição no Estágio Inicial da Infância. In: Krause, Alimentos, Nutrição e
Dietoterapia. 13. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2012. p. 379. ISBN 978-1-4377-
2233-8.
6. MARIA FRACISCATO COZZOLINO, Silvia; COMINETTI, Cristiane. Bases
bioquímicas e fisiológicas da Nutrição : nas diferentes fases da vida, na saúde
e na doença. Barueri - SP: Manole, 2013. 666 p. ISBN 978-85-204-3177-1.
7. TANNENBAUM, G.S. (1991), Neuroendocrine Control of Growth Hormone
Secretion. Acta Pædiatrica, 80: 5-16. https://doi.org/10.1111/j.1651-
2227.1991.tb17962.x
8. M. FRANCISCATO COZZOLINO, Silvia. Biodisponibilidade de nutrientes. 5. ed.
Barueri - SP: Manole, 2020. 1443 p. ISBN 978-85-204-4136-7.
9. CHENG, Yu-Shian et al. Supplementation of omega 3 fatty acids may improve
hyperactivity, lethargy, and stereotypy in children with autism spectrum
disorders: A meta-analysis of randomized controlled trials. Neuropsychiatric
disease and treatment, v. 13, p. 2531, 2017.