Universidade Federal de Uberlândia
Instituto de Ciências Agrárias
Curso de Engenharia Florestal
Disciplina de Ecologia Florestal
Fitofisionomias dos
Biomas Mata Atlântica e
Cerrado
Milton Serpa de Meira Junior
miltonmeira@[Link]
[Link]
FITOFISIONOMIA DA MATA ATLÂNTICA
As fisionomias se distribuem de acordo com:
➢ Riqueza de espécies e composição florística;
➢ Densidade de indivíduos;
➢ Altitude;
➢ Topografia;
➢ Sazonalidade.
FLORESTA OMBROFILA DENSA
O termo Floresta Ombrófila Densa, criado por Ellenberg e Mueller-
Dombois (1967), substitui Pluvial (de origem latina) por Ombrófila (de origem
grega), ambos com o mesmo significado “amigo das chuvas”.
Assim, a característica ombrotérmica da Floresta Ombrófila Densa está presa a
fatores climáticos tropicais de elevadas temperaturas (médias de 25ºC) e de alta
precipitação, bem-distribuída durante o ano (de 0 a 60 dias secos), o que determina
uma situação bioecológica praticamente sem período biologicamente seco.
É circundada por vegetação florestal ou Mata seca.
FLORESTA OMBROFILA DENSA
O tipo vegetacional Floresta Ombrófila Densa foi subdividido em cinco formações,
ordenadas segundo a hierarquia topográfica, que condiciona fisionomias diferentes, de
acordo com as variações das faixas altimétricas.
Formação Aluvial - não condicionada topograficamente e apresenta sempre os am- bientes
repetitivos, dentro dos terraços aluviais dos flúvios;
Formação das Terras Baixas - situada em áreas de terrenos sedimentares do terciário/
quaternário – terraços, planícies e depressões aplanadas não susceptíveis a inunda- ções -
entre 4o de latitude Norte e 16o de latitude Sul, a partir dos 5 m até em torno de 100 m
acima do mar; de 16o de latitude Sul a 24o de latitude Sul de 5 m até em torno de 50 m; de
24o de latitude Sul a 32º de latitude Sul de 5 m até em torno de 30 m;
FLORESTA OMBROFILA DENSA
Formação Submontana - situada nas encostas dos planaltos e/ou serras, entre 4o de
latitude Norte e 16o de latitude Sul, a partir de 100 m até em torno dos 600 m; de 16o de
latitude Sul a 24o de latitude Sul, de 50 m até em torno de 500 m; de 24º de latitude Sul
a 32º de latitude Sul, de 30 m até em torno de 400 m;
Formação Montana - situada no alto dos planaltos e/ou serras, entre os 4º de latitude
Norte e os 16º de latitude Sul, a partir de 600 m até em torno dos 2 000 m; de 16o de
latitude Sul a 24o de latitude Sul, de 500 m até em torno de 1.500 m; de 24º de latitude
Sul até 32º da latitude Sul, de 400 m até em torno de 1.000 m; e
Formação Alto-Montana - situada acima dos limites estabelecidos para a formação
Montana.
FLORESTA OMBROFILA DENSA
FLORESTA OMBROFILA ABERTA
Apresenta quatro faciações florísticas que alteram a fisionomia ecológica da
Floresta Ombrófila Densa, abrindo clareiras, daí advindo o nome adotado,
além dos gradientes climáticos com mais de 60 dias secos por ano, assinalados
na curva ombrotérmica.
Os terrenos areníticos do Cenozoico e do Terciário são, em geral, revestidos por
comunidades florestais com palmeiras por toda a Amazônia e até mesmo fora dela,
e com bambu na parte ocidental da Amazônia, estendendo-se até a borda ocidental
do Planalto Meridional no Estado do Paraná.
FLORESTA OMBROFILA ABERTA
Formação Aluvial - Formação estabelecida ao longo dos cursos de água, ocupa as
planícies e terraços periodicamente ou permanentemente inundados, que na Amazônia
constituem fisionomias de matas-de-várzea ou matas-de-igapó, respectivamente;
Formação das Terras Baixas - Esta formação, compreendida entre 4º de latitude Norte e
16º de latitude Sul, em altitudes que variam de 5 até 100 m, apresenta predominância da
faciação com palmeiras.;
FLORESTA OMBROFILA DENSA
Formação Submontana - Esta formação ocorre em faciação floresta com palmeiras.
Pode ocorrer com as quatro faciações florísticas (com palmeiras, com cipó, com
sororoca e com bambu) entre 4º de latitude Norte e 16º de latitude Sul, situadas acima
de 100 m de altitude e não raras vezes chegando a cerca de 600 m;
Formação Montana - Esta formação situa-se quase toda entre 4º de latitude Norte e 16º
de latitude Sul, ocupando a faixa altimétrica entre 600 e 2.000 m e, por conseguinte,
restrita a poucos planaltos
FLORESTA OMBROFILA ABERTA
FLORESTA OMBROFILA MISTA
Esta floresta, também conhecida como “mata-de-araucária” ou “pinheiral”,
é um tipo de vegetação do Planalto Meridional, onde ocorria com maior
frequência.
Formação Aluvial - Esta formação compreende as planícies aluviais onde a Araucaria
angustifolia está associada a espécies que podem variar de acordo com a situação
geográfica e a altitude;
Formação Submontana - Esta formação compreendia pequenas disjunções localizadas em
diferentes pontos do “Cráton Sul-Rio-Grandense” e de outras áreas da periferia do Planalto
das Araucárias;
FLORESTA OMBROFILA MISTA
Formação Montana - Esta formação, preservada atualmente em poucas localidades, como
o Parque Nacional do Iguaçu (PR), ocupava quase inteiramente o planalto acima de 500 m
de altitude;
Formação Alto-Montana - Esta floresta está localizada acima de 1 000 m de altitude,
ocupando as encostas das colinas diabásicas em mistura com arenitos termometamorfizados
pelo vulcanismo cretácico.;
FLORESTA OMBROFILA MISTA
FLORESTA ESTACIONAL SEMIDECIDUAL
O conceito ecológico deste tipo florestal é estabelecido em função da ocorrência de
clima estacional que determina semideciduidade da folhagem da cobertura florestal.
A porcentagem das árvores caducifólias no conjunto florestal, e não das espécies que
perdem as folhas individualmente, situa-se, ordinariamente, entre 20% e 50%.
Formação Aluvial - É uma formação encontrada com maior frequência na grande
depressão pantaneira;
Formação das Terras Baixas - É uma formação encontrada frequentemente revestindo
tabuleiros do Pliopleistoceno do Grupo Barreiras, desde o sul da cidade de Natal (RN) até o
norte do Estado do Rio de Janeiro;
FLORESTA ESTACIONAL SEMIDECIDUAL
Formação Submontana - situada na faixa altimétrica que varia de 100 a 600 m de acordo
com a latitude de 4° N até 16° S; de 50 a 500 m entre os 16° até os 24° de latitude S; e de
30 a 400 m após os 24° de latitude Sul;
Formação Montana - está situada nas faixas altimétricas acima desses níveis, nas
seguintes áreas: na Amazônia entre 600 e 2000 m de altitude e acima dos 16° de latitude
Sul entre os 400 e 1500 m de altitude;
FLORESTA ESTACIONAL SEMIDECIDUAL
FLORESTA ESTACIONAL DECIDUAL
Ocorre na forma de disjunções distribuídas por diferentes quadrantes do País, com
estrato superior formado de macro e mesofanerófítos predominantemente caducifólios,
com mais de 50% dos indivíduos despidos de folhagem no período desfavorável.
São identificadas em duas situações distintas: na zona tropical, apresentando uma
estação chuvosa seguida de período seco; na zona subtropical, sem período seco, porém
com inverno frio (temperaturas médias mensais menores ou iguais a 15ºC, que
determina repouso fisiológico e queda parcial da folhagem).
Formação Aluvial - Esta formação, quase exclusiva das bacias dos rios do Estado do Rio
Grande do Sul, encontra-se bastante desfalcada dos seus elementos principais, explotados
para uso doméstico;
Formação das Terras Baixas - Formação encontrada em áreas descontínuas e
relativamente pequenas, ocorrendo com maior expressividade na Bacia do Rio Pardo, no
sul do Estado da Bahia;
FLORESTA ESTACIONAL DECIDUAL
Formação Submontana - situada na faixa altimétrica que varia de 100 a 600 m de acordo
com a latitude de 4° N até 16° S; de 50 a 500 m entre os 16° até os 24° de latitude S; e de
30 a 400 m após os 24° de latitude Sul;
Formação Montana - está situada nas faixas altimétricas acima desses níveis, nas
seguintes áreas: na Amazônia entre 600 e 2000 m de altitude e acima dos 16° de latitude
Sul entre os 400 e 1500 m de altitude;
FLORESTA ESTACIONAL DECIDUAL
FORMAÇÕES PIONEIRAS
Ao longo do litoral, bem como nas planícies fluviais e mesmo ao redor das
depressões aluviais (pântanos, lagunas e lagoas), há frequentemente terrenos instáveis
cobertos por uma vegetação, em constante sucessão.
Vegetação com influência marinha (Restingas) - As comunidades vegetais que recebem
influência direta das águas do mar apresentam gêneros característicos das praias: Remirea e
Salicornia. Seguem-se, em áreas mais altas, afetadas pelas marés equinociais, as conhecidas
Ipomoea pes-caprae e Canavalia rosea, além dos gêneros Paspalum e Hidrocotyle;
Vegetação com influência fluviomarinha (Manguezal e Campos Salinos) - Manguezal é
a comunidade microfanerófitica de ambiente salobro, situada na desembocadura de rios e
regatos no mar, onde, nos solos limosos (manguitos), cresce uma vegetação especializada,
adaptada à salinidade das águas, com a seguinte sequência: Rhizophora mangle, Avicennia
sp., cujas espécies variam conforme a latitude, e Laguncularia racemosa;
Vegetação com influência fluvial (comunidades aluviais) - Trata-se de comunidades
vegetais das planícies aluviais que refletem os efeitos das cheias dos rios nas épocas
chuvosas, ou, então, das depressões alagáveis todos os anos.
FORMAÇÕES PIONEIRAS
FORMAÇÕES PIONEIRAS
RESTINGA
MANGUEZAL
COMUNIDADE ALUVIAL
CAMPOS DE ALTITUDE
A vegetação de altitude ocorre no topo de serras e cadeias montanhosas em alturas
variadas. Apresenta características morfológicas marcantes ligadas às pressões
ambientais dos locais onde desenvolveram seu percurso evolutivo.
Os campos de altitude são típicos dos pontos mais elevados de montanhas que se
soergueram principalmente durante o Terciário. Ocorrem principalmente nos sistemas
serranos do sudeste brasileiro: Serra da Mantiqueira (Serra do Itatiaia, que abriga o Pico
das Agulhas Negras), Serra do Caparaó (que abriga o Pico da Bandeira), Serra do Mar
(Serra dos Órgãos, que abriga a Pedra do Sino), mas também em Campos do Jordão e
em uma variedade de picos isolados em Santa Catarina e Paraná. Estão geralmente
situados acima de 1.500 m de altitude e associados a rochas ígneas e rochas
metamórficas, como granito, gnaisse e, no caso particular de Itatiaia, nefelino-sienito
FORMAÇÕES PIONEIRAS
FITOFISIONOMIA DO CERRADO
FITOFISIONOMIA DO CERRADO
As fisionomias se distribuem de acordo com:
Tipo de solo (mais pobres ou menos pobres);
Irregularidade dos regimes e características das queimadas de
cada local (frequência, época, intensidade);
Umidade.
Caracterização dos tipos fisionômicos do Cerrado,
segundo Ribeiro e Walter (2008).
Critérios: Fitofisionômico
Primeiramente a fisionomia (forma): estrutura,
formas de crescimento dominantes e mudanças estacionais.
Posteriormente consideram aspectos do ambiente:
fatores edáficos e composição florística.
14 Fitofisionomias
Limites Geográficos do
Bioma Cerrado
Cobertura arbórea Cobertura arbórea
maior que 70% menor que 5%
Formações Formações Formações
Florestais Savânicas Campestres
MC MG MS CE CSR PC PL VE CR CL CS
Inundável Não DE TP RL RU SE UM SE UM
Inundável GB BA BU
Formações Florestais
Mata Ciliar
Acompanha os rios de médio e grande porte e não
forma galerias,
É Semidecidual, com diferentes graus de
caducifolia na estação seca,
As árvores predominantemente eretas, (20 a 25 m )
podendo chegar aos 30 m,
É circundada por vegetação florestal (Cerradão e
ou Mata seca).
• - - - i
Mata de Galeria
Acompanha rios de pequeno porte e córregos
formando corredores fechados sobre o curso d’água,
É perenifólia,
Circundada por faixas de vegetação não florestal (Savânicas e
ou campestres),
Presença da árvores com pequenas sapopemas ou saliências
nas raízes,
Podem ser inundáveis ou não inundáveis.
MATA DE GALERIA NÃO INUNDÁVEL
MATA DE GALERIA INUNDÁVEL
Mata Seca
Não possui associação com cursos d’água, a vegetação
ocorre em solos ricos em nutrientes e mais profundos,
Podem ser de 3 tipos: Sempre verdes, Semidecidua e
Decídua,
As árvores são geralmente eretas,
Na época chuvosa, o dossel fechado desfavorece a
presença de plantas arbustivas,
Na época seca, a abertura do dossel, desfavorece a
presença de epífitas.
Cerradão
Apresenta dossel contínuo, A presença de poucas
epífitas
Apresentam muitas espécies comuns ao Cerrado,
A altura média do estrato arbóreo varia de 8 a 15
metros,
Proporcionando condições de luminosidade que
favorecem a formação dos estratos arbustivos e
herbáceos diferenciados
Solos são profundos, bem drenados e de baixa a
média fertilidade.
Formações Savânicas
Gradiente fitofionômico do Cerrado
e seus fatores condicionantes
Cerrado Sentido Restrito
Presença de árvores baixas, inclinadas, tortuosas,
com ramificações irregulares e retorcidas, e
geralmente com evidências de queimadas,
É composto por um estrato herbáceo-graminoso
contínuo, sob um estrato arbustivo-arbóreo
descontínuo e esparso,
Plantas lenhosas apresentam troncos com casca de
cortiça espessa, fendida ou sulcada, gemas apicais
bem protegidas com pilosidades e folhas rígidas e
coriáceas.
Solos com boas características físicas, mas pobres
em nutrientes e muito ácidos, baixos teores de
matéria orgânica,
Vários fatores influenciam na densidade arbórea,
como: condições edáficas, pH, saturação por
alumínio, fertilidade, condições hídricas,
profundidade do solo, frequência de queimadas e
ações antrópicas,
Os reflexos desses fatores aparecem na estrutura
da vegetação, na distribuição espacial dos
indivíduos e na florística,
Em virtude disso o cerrado sentido restrito se
divide em: Denso, Típico, Ralo e Rupestre.
CERRADO DENSO
CERRADO TÍPICO
CERRADO RALO
CERRADO RUPESTRE
Parque de Cerrado
Caracteriza-se pela presença de árvores agrupadas
em pequenas elevações do terreno (murundus),
estes podem ser imperceptíveis ou com muito
destaque,
Os murundus são elevações convexas, que variam
de 0,1 a 1,5 m de altura e 0,2 a mais de 20 m de
diâmetro,
Observa-se um trecho campestre nas depressões
entre eles, com predominância de gramíneas.
Palmeiral
Caracterizada pela presença marcante de uma única
espécie de palmeira arbórea,
Geralmente, não há presença marcante de árvores
dicotiledôneas,
No cerrado podem ser encontrados 4 subtipos para
palmeirais, que variam em estrutura de acordo com a
espécie dominante,
Macaubal (Acromia aculeata – Macaúba), Guerobal
(Syagrus aleracea – Gueroba), Babaçual (Attalea
speciosa – Babaçu) e Buritizal (Mauritia flexuosa –
Buriti)
Vereda
É composta pela palmeira Mauritia flexuosa (Buriti)
emergente, em meio a agrupamentos mais ou menos
densos de espécies arbustivo-herbáceas,
São circundadas por campos típicos, geralmente úmidos,
e os buritis não formam dossel, como ocorre no
Buritizal,
São encontradas em solos com afloramento do lençol
freático ou nos vales pouco íngremes ou áreas planas
acompanhando as linhas de drenagem.
Formações campestres
Campo Sujo
É um tipo fisionômico exclusivamente arbustivo-
herbáceo, Com arbustos e subarbustos esparsos,
Encontrado em solos rasos, eventualmente com
pequenos afloramentos rochosos de pouca extensão
ou em um solo profundo de baixa fertilidade,
De acordo com particularidades ambientais, podem
ser de 3 tipos: Seco, Úmido e com Murundus.
Campo Limpo
É uma fitofisionomia predominantemente herbácea,
com raros arbustos e ausência total de árvores,
Pode ser encontrado em diferentes variações de
graus de umidade, profundidade e fertilidade do
solo,
É mais encontrado nas encostas, nas chapadas,
circundando as veredas e na borda das matas de
galeria,
Apresenta as mesmas variações do campo sujo:
Seco, Úmido e com Murundus.
Campo Rupestre
É predominantemente herbáceo-arbustivo com
a presença rara de árvores pouco desenvolvidas
de ate dois metros de altura,
Ocupa trechos de afloramentos rochosos,
Geralmente ocorre em altitudes superiores a
900 m, podendo ser encontrada a partir de 700
m,
Pela dependência das condições edáficas
restritivas e do clima peculiar, a flora é típica,
contendo muitos endemismos e plantas raras.
Limites Geográficos do
Bioma Cerrado
Cobertura arbórea Cobertura arbórea
maior que 70% menor que 5%
Formações Formações Formações
Florestais Savânicas Campestres
MC MG MS CE CSR PC PL VE CR CL CS
Inundável Não DE TP RL RU SE UM SE UM
Inundável GB BA BU