Parecer Jurídico
Requerente : Policial militar : bacharel em direito
Assunto : O parecer analisa o abuso de autoridade em Procedimentos Administrativos Disciplinares
(PADs), destacando a necessidade de motivação idônea para atos administrativos e a importância da
defesa técnica ao enfrentar arbitrariedades .
Procederei à análise da temática acima indicada - a título opinativo e informativo - , tendo como
objetivo trazer os esclarecimentos jurídicos necessários sobre o assunto .
Relatório
O presente parecer jurídico visa abordar a questão do abuso de autoridade em Processos
Administrativos Disciplinares (PADs), com foco na situação de um servidor público que se sente vítima
de arbitrariedade por parte da administração pública . A situação em análise parte do pressuposto de
que todo ato administrativo deve ser devidamente motivado , sob pena de nulidade , conforme
estabelece o ordenamento jurídico brasileiro . No entanto , há casos em que a administração pública se
desvia desse princípio , resultando em decisões arbitrárias que afetam diretamente os direitos dos
servidores .
Nos últimos anos , tem - se observado um aumento significativo nas denúncias de abuso de
autoridade dentro do âmbito dos PADs. Servidores públicos relatam que são frequentemente
submetidos a processos disciplinares sem a devida fundamentação , com decisões que visam mais a
perseguição pessoal do que a correção de condutas inadequadas . Tais situações configuram um
grave desvio de finalidade , uma vez que o PAD deve ser um instrumento de garantia da moralidade e
da eficiência administrativa , e não um meio de perseguição .
O caso específico em análise envolve um servidor público que foi condenado em um PAD, o qual
ele alega ter sido conduzido de maneira arbitrária . Segundo o servidor , o processo foi instaurado sem
que houvesse uma motivação idônea e clara , e as provas apresentadas contra ele foram insuficientes
ou manipuladas . Além disso , há indícios de que a comissão processante não agiu com imparcialidade ,
favorecendo interesses escusos que visavam prejudicar o servidor em questão .
A situação descrita pelo servidor é de extrema gravidade , pois não apenas atenta contra os
princípios da administração pública , mas também viola direitos fundamentais garantidos pela
Constituição Federal . A falta de uma defesa técnica e combativa pode levar a uma situação de
desigualdade processual , onde o servidor , desprovido de meios adequados para se defender , acaba
sendo injustamente penalizado . Assim , torna - se imprescindível a busca por uma orientação jurídica
especializada para garantir que seus direitos sejam resguardados .
Neste contexto , o parecer jurídico tem como objetivo fornecer uma análise detalhada da situação
apresentada , orientando o servidor sobre as possíveis medidas a serem adotadas para contestar a
decisão administrativa que lhe foi desfavorável . Serão examinados os elementos constitutivos do
abuso de autoridade no âmbito dos PADs, a fim de verificar a legalidade e a legitimidade do processo
disciplinar ao qual o servidor foi submetido .
É o relatório sobre o caso ao qual este Jurista passa a se manifestar .
Mérito
O caso em apreço suscita uma série de considerações relevantes acerca dos princípios que regem
o Processo Administrativo Disciplinar (PAD) e as garantias constitucionais dos servidores públicos ,
bem como a legislação pertinente ao abuso de autoridade , configurando uma situação que demanda
uma análise jurídica pormenorizada e estratégica .
Primeiramente , é fundamental destacar que o devido processo legal , a ampla defesa e o
contraditório são garantias constitucionais asseguradas pelo artigo 5º , LV, da Constituição Federal de
1988, aplicáveis a todos os processos judiciais e administrativos . No contexto dos PADs, esses
princípios devem ser observados rigorosamente para assegurar a justiça e a legalidade do
procedimento .
A Lei nº 8.112/1990, que dispõe sobre o regime jurídico dos servidores públicos civis da União , das
autarquias e das fundações públicas federais , estabelece no artigo 143 que a autoridade que tiver
ciência de irregularidade no serviço público é obrigada a promover a sua apuração imediata , mediante
sindicância ou processo disciplinar , assegurada ao acusado ampla defesa . A condução arbitrária de
um PAD, portanto , viola não apenas os princípios constitucionais , mas também as normas específicas
que regulam o procedimento disciplinar .
No que tange à alegação de que o PAD teria sido instaurado como forma de retaliação , é crucial
considerar o princípio da impessoalidade , também previsto na Constituição Federal (art . 37, caput ).
Esse princípio determina que os atos administrativos devem ser praticados sem qualquer subjetivismo
ou preferências pessoais , visando sempre ao interesse público . Assim , um PAD instaurado com desvio
de finalidade , como meio de perseguição a um servidor , configura uma violação grave desse
princípio .
A Lei nº 13.869/2019, conhecida como Lei de Abuso de Autoridade , tipifica diversas condutas
abusivas que podem ser cometidas por agentes públicos no exercício de suas funções . Dentre elas,
destacam - se as previsões do artigo 9º , que trata da condução coercitiva sem prévia intimação judicial
do investigado , e do artigo 22 , que criminaliza a prática de submeter o detento ou preso a
interrogatório policial durante o período de repouso noturno , sem que essas situações sejam
diretamente aplicáveis ao caso , mas ilustram a preocupação legislativa com o abuso de autoridade .
Sob a ótica da estratégia jurídica , é imperativo que a defesa técnica do servidor público
envolvido no PAD aborde a questão do abuso de autoridade , demonstrando , com base nos fatos
narrados e na legislação aplicável , que houve violações aos princípios administrativos e
constitucionais . A defesa deve requerer a anulação dos atos administrativos que sejam eivados de
vícios , como falta de motivação , desvio de finalidade , ou cerceamento de defesa , solicitando a
produção de todas as provas cabíveis para a comprovação da inocência do servidor ou da
irregularidade do processo .
Além disso , é essencial que a defesa avalie a possibilidade de acionar as vias judiciais para a
proteção dos direitos do servidor , por meio de ação anulatória de ato administrativo ou mesmo de
mandado de segurança , caso se identifique uma situação de ilegalidade ou abuso de poder que afete
direito líquido e certo do servidor .
Em suma , a defesa do servidor público acusado em um PAD deve ser pautada por uma
abordagem jurídica meticulosa , que abarque tanto a contestação das irregularidades procedimentais e
substanciais do processo disciplinar quanto a adoção de medidas judiciais apropriadas para a
salvaguarda de seus direitos . A atuação deve ser fundamentada nos princípios constitucionais do
devido processo legal , da ampla defesa e do contraditório , bem como nas disposições da Lei nº
8.112/1990 e da Lei de Abuso de Autoridade , buscando , sempre , a justiça e a legalidade na condução
do PAD e na proteção dos direitos do servidor .
Continuando a análise do caso em questão , é importante salientar que a defesa do servidor público
acusado em um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) deve ser robusta e estrategicamente
elaborada , levando em consideração todos os aspectos legais e fáticos apresentados .
Para isso , a defesa deve inicialmente requerer o acesso integral ao processo administrativo , com
base no princípio da publicidade e do direito à informação , assegurados pela Constituição Federal de
1988, em seu artigo 5º , XXXIII, e pela Lei de Acesso à Informação (Lei nº 12.527/2011). Isso permitirá
uma análise detalhada de todas as etapas do PAD, bem como das provas já produzidas .
Após a obtenção e análise dos autos , deve - se verificar a observância dos princípios da
legalidade , impessoalidade , moralidade , publicidade e eficiência , previstos no artigo 37 da
Constituição Federal , que regem a administração pública . Qualquer desvio desses princípios pode ser
questionado e servir como base para a impugnação do processo .
Um ponto crítico a ser analisado é a motivação dos atos administrativos praticados no âmbito do
PAD. Conforme o artigo 50 da Lei nº 9.784 /1999, que regula o processo administrativo no âmbito da
Administração Pública Federal , os atos administrativos devem ser motivados , com indicação dos fatos
e dos fundamentos jurídicos que os justifiquem . A ausência de motivação ou a motivação inadequada
são vícios que podem levar à anulação do ato .
Outro aspecto relevante diz respeito ao direito de defesa e ao contraditório , garantidos pelo artigo
5º , LV, da Constituição Federal . A defesa deve verificar se essas garantias foram plenamente
exercidas durante o PAD. Caso se identifique qualquer cerceamento de defesa , como a negativa
injustificada de produção de provas ou a ausência de notificação para atos processuais importantes ,
tais fatos devem ser enfaticamente contestados .
A Lei de Abuso de Autoridade (Lei nº 13.869/2019) também deve ser considerada , especialmente se
houver indícios de que o PAD foi instaurado ou conduzido com finalidade de perseguição ou qualquer
outra motivação que extrapole os limites da legalidade . A defesa pode argumentar que condutas
abusivas por parte dos responsáveis pelo PAD configuram atos de abuso de autoridade , passíveis de
responsabilização nas esferas administrativa , civil e penal .
Diante de evidências de irregularidades no PAD, a defesa pode requerer a sua anulação , com base
no artigo 53 da Lei nº 9.784 /1999, que prevê a possibilidade de anulação de atos administrativos
eivados de vícios . Além disso , pode - se considerar a interposição de ação judicial , como mandado de
segurança , para proteger direito líquido e certo do servidor , não amparado por habeas corpus ou
habeas data , conforme estabelece a Lei nº 12.016/2009 .
Por fim , é essencial que a defesa mantenha uma postura proativa , solicitando a produção de todas
as provas necessárias para comprovar a inocência do servidor ou as irregularidades no PAD. Isso
inclui a oitiva de testemunhas , a juntada de documentos e, se necessário , a realização de perícias .
O sucesso da defesa dependerá da habilidade em demonstrar , de forma clara e objetiva , as falhas
processuais e legais que possam ter comprometido a lisura e a justiça do PAD, sempre com base na
legislação vigente e nos princípios que regem a administração pública e o direito administrativo .
Diante do exposto e considerando todas as normativas e argumentações jurídicas abordadas e
aplicáveis ao caso em questão , concluo a consulta solicitada . Este parecer , embasado em criteriosa
análise , reflete meu entendimento jurídico sobre a matéria , devendo ser considerado como tal para os
devidos fins - e sem que perca o caráter meramente opinativo e interpretativo .
[NOME DO : Policial militar : bacharel em direito e Pós Graduado em Direito Militar
[OAB nº ],
[LOCAL, DATA]
Assinatura do Advogado