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Características do Empréstimo Bancário

Empréstimo bancário

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Maria Flor
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Empréstimo bancário

Dentre as múltiplas operações atinentes à actividade bancária, destaca-se o empréstimo bancário.


Iguala-se o empréstimo bancário praticamente ao mútuo comum, regrado pelo Código Civil.

É a operação pela qual o banco entrega certa quantia em dinheiro ao cliente, que, por sua vez,
assume a obrigação de restitui-la, no prazo ajustado, no mesmo género, quantidade e qualidade,
acrescida de juros e comissões, conforme previamente acordado. O empréstimo bancário, de
regra, envolve dinheiro, mas pode ter como objecto títulos (empréstimo de títulos representativos
de valores pecuniários) ou firma (empréstimo de firma).

A finalidade dos empréstimos de títulos consiste, em geral, na constituição de uma caução em


favor do prestatário, normalmente perante algum órgão público, com o qual contratou a execução
de uma obra.

No empréstimo bancário figuram o banco como mutuante, prestador, e o cliente como mutuário,
prestatário, tomador.

Há mútuo sempre que alguém entrega a outrem uma certa quantidade de coisas fungíveis, para
que a consuma, comprometendo-se este a devolver, na forma e no prazo avençados, não as
próprias coisas recebidas, mas coisas ou bens equivalentes em quantidade, qualidade e género.

O mútuo é o empréstimo de coisas fungíveis. O mutuário é obrigado a restituir ao mutuante o


que dele recebeu em coisa do mesmo género, qualidade e quantidade.

O empréstimo bancário constitui um mútuo, com a especialidade de ser concedido por uma
entidade creditícia submetida a disciplina. Basicamente, vem a ser um contrato que expressa o
fornecimento de crédito aos interessados.

Os bancos empregam considerável parcela dos valores que arrecadam do público em geral para a
concessão de empréstimos aos seus clientes, a prazo lixo, com juros e comissões, o que permite
aos mesmos o investimento nos mais variados sectores da actividade em que atuam. Sem dúvida,
trata-se o empréstimo de uma das operações centrais da actividade bancária. Na sua função
intermediadora no crédito, ou dispondo simplesmente de seu próprio capital, o banco empresta
dinheiro habitual e profissionalmente, angariando, com isso, rendas, comissões, taxas pela
prestação de serviços e juros moratórios no caso de inadimplemento do devedor.
Historial do Empréstimo Bancário

É o empréstimo bancário um dos contratos mais antigos é ainda, a operação bancária que mais
sobressai, e que precedeu as outras formas de operações.

Mesmo nas épocas em que o comércio se resumia na troca ou permuta de produtos (escambo), o
empréstimo era praticado na Babilónia e no Egipto, tendo como objecto cereais e outros bens
fungíveis, produtos naturais, ou coisas do uso quotidiano dos povos antigos, como ressaltam dos
papiros encontrados na era dos faraós.

Nas primeiras manifestações do direito, o mútuo correspondia à figura da doação de coisas, e o


pagamento se fazia em bens do mesmo género. O crédito equivalia aos bens que alguém tinha
para receber.

Quando do Direito romano, tornou-se comum o empréstimo, realizado por banqueiros, os quais
cobravam juros habitualmente.

Denominavam-se os banqueiros argentis. Eles pesavam o dinheiro em presença do cliente e de


cinco testemunhas. O devedor comprometia-se a devolver idêntica quantidade de moedas, com o
acréscimo das equivalentes a juros. Se ficava inadimplente, sofria a execução. Carlos Gilberto
Villegas

Na Idade Média, em que ascendia a posição da Igreja, o empréstimo a juros era combatido, o que
não impediu a difusão, especialmente por judeus e lombardos, cobrando juros e impondo já
garantias quanto à solvabilidade. Múltiplas finalidades dirigem os interessados a buscar os
empréstimos.

Exemplificativamente, o industrial tende à obtenção de valores para desenvolver o ramo em que


opera, como no melhoramento de sua indústria. O titular do negócio visa à ampliação do sector
do negócio e ao aumento de sua arrecadação.

O empresário, não raras vezes s ocorre-se do empréstimo para superar dificuldades momentâneas
ou temporárias.

Objecto do Contrato

O objecto do mútuo bancário é, basicamente, o dinheiro que consiste em um bem fungível,


destinado ao consumo em actividades ou sectores do interesse do mutuário.

O empréstimo de dinheiro define-se, conforme Sérgio Carlos Covello, como o contrato pelo qual
a instituição bancária entrega certa soma pecuniária ao cliente (prestatário), o qual, por sua vez,
se obriga a restitui-la, no prazo avençado, no mesmo género, quantidade e qualidade, acrescida
de juros e comissões, conforme prévia estipulação.
Nota-se que o banco entrega uma soma em dinheiro, a qual passa a pertencer ao mutuário, que
suportará os ónus pelos riscos ocorríeis. Há uma efectiva tradição da propriedade, e não apenas
do direito ao uso.

Com o recebimento, assiste, ao prestatário, a faculdade de aplicar a importância na forma que


entender, segundo seus interesses, se foi celebrado empréstimo pessoal, ou em consonância com
os objectivados, se conseguida para determinado escopo.

Com o decurso do prazo estabelecido, fica o mutuário obrigado a restituir uma quantia
equivalente, com os acréscimos pactuados.

Além do empréstimo de dinheiro, há, outrossim, o empréstimo de títulos e o empréstimo de


firma. O primeiro envolve títulos representativos de valores pecuniários, ou títulos-valor.

Mediante esta operação, os bancos favorecem as actividades comerciais e industriais de sua


clientela, facilitando-as com a garantia que representa o valor dos títulos emprestados ao cliente.
A ele são cedidos os títulos que o mesmo necessita para constituir uma garantia pignoratícia,
comummente chamada caução, que serve para garantir.

Características do Empréstimo Bancário

O empréstimo bancário é operação de carácter real, unilateral, onerosa, nominativa e típica.

Real- porque pressupõe a entrega do dinheiro, da coisa objecto de empréstimo para que se
aperfeiçoe.

Unilaterais -porque após aperfeiçoado o contrato, as obrigações recaem somente na pessoa do


mutuário ou seja, de restituir a coisa emprestada na época e nas condições ajustadas, acrescido de
juros, correcção ou comissão. O mutuante, por já ter cumprido sua obrigação com a entrega do
dinheiro ao mutuário, a nada se obriga.

Além dessas obrigações, poderá o mutuário ser obrigado a amortizar o valor devido segundo os
prazos estabelecidos (poderá ocorrer a amortização parcelada dos encargos ou dos juros, ou a
amortização do capital emprestado; os prazos de amortização podem ser, ainda, mensais,
bimestrais, trimestrais, semestrais e anuais); dar ao valor recebido o destino consignado no
pedido, como no caso dos financiamentos agrícolas, industriais ou comerciais; e permitir ao
banco a verificação ou comprovação das actividades atendidas pelo valor emprestado.
É operação considerada onerosa porque apresenta vantagens para ambas as partes: ao banco, no
recebimento de juros e comissões; ao cliente, por ter a disponibilidade de recursos necessários
para a consecução de seus negócios ou satisfação de suas necessidades. Trata-se de operação
nominativa, porque a legislação lhe concede denominação específica, assim como é considerado
típico porque possui regulamentação própria.

Modalidades do Empréstimo Bancário

As modalidades de empréstimo bancário são definidas de acordo com a sua destinação, de


acordo com o reembolso e de acordo com a garantia.

Segundo o critério da destinação, o contrato de empréstimo bancário pode ser considerado


pessoal ou comercial.

 Os empréstimos pessoais são concedidos levando-se em consideração a pessoa do


tomador, tendo como finalidade o consumo ou o atendimento de necessidades pessoais e
familiares. Em geral são concedidos a curto e médio prazo.

 Os empréstimos comerciais se destinam a actividade industrial ou comercial do cliente.


A duração, nestes, é de médio e longo prazo.

De acordo com o reembolso, o empréstimo bancário pode ser simples, com devolução numa
única vez, ou amortizável, quando a devolução se processa em prestações sucessivas (mensal,
trimestral ou semestral).

Por fim, de acordo com a garantia, o empréstimo pode ser sem garantia ou com garantia, real,
incidente sobre bens móveis ou imóveis, ou fidejussória, por intermédio de fiança.

Obrigações do mutuário

As obrigações dirigem-se tão-somente ao tomador. O banco concede o empréstimo seu dever se


resume à entrega do valor, e a respeitar as condições clausuladas no contrato.
Ao prestatário, todavia, atribuem-se obrigações, como:

a) Restituir a soma emprestada na época e nas condições combinadas.

Vem a ser a principal obrigação do cliente. A restituição do valor recebido constitui um dos
meios pelos quais os bancos e as entidades financeiras obtêm ingressos de fundos para poderem
realizar novos investimentos. Os depósitos e os pagamentos dos empréstimos concedidos
formam as vias pelas quais ingressam os fundos nos bancos, a fim de permitir um
desenvolvimento normal. Quando dificuldades normais da economia de um país entorpecem o
normal cumprimento das obrigações dos prestatário, a actividade bancária se "ressente",
causando uma estagnação nas actividades produtivas, por falta de recursos nos investimentos
necessários ao desenvolvimento.

b) Abonar juros e comissões, encargos estes estipulados previamente.

As comissões correspondem à contraprestação, ou ao preço do contrato; os juros equivalem à


remuneração do capital.

Como é sabido, o mútuo bancário é essencialmente oneroso. Desde a antiguidade foi permitido
aos banqueiros cobrar taxas de juros e comissões superiores aos máximos previstos em leis nos
contratos comuns. Justiniano regulamentou a matéria em Roma, relativa às taxas de juros
autorizadas, que estabeleceu em 6% (seis por cento) ao ano, de modo geral, em 4% (quatro por
cento) ao ano referentemente as pessoas ilustres. Aos banqueiros, a taxa ficou elevada para 8%
(oito por cento).

c) Amortizar o valor segundo os prazos estabelecidos.

O empréstimo bancário ou financeiro, em geral, deve prever o tempo de devolução do capital e


dos encargos, bem como a forma de amortização. Ou seja, se tais obrigações serão cumpridas em
um só ato, ou se o adimplemento se efectuará em várias quotas, mediante prestações
amortizáveis.

As formas contratuais de pagamento variam, também, quanto ao objecto da amortização. Há


contratos que fixam a amortização parcelada dos encargos ou dos juros, e outros que incluem a
amortização do capital emprestado.
Os prazos de amortização podem ser, ainda, mensais, bimestrais, trimestrais, semestrais e anuais.

d) Dar ao valor recebido o destino consignado no pedido, para o qual optou o banco
concedê-lo.

É evidente que muitos empréstimos possuem uma determinada finalidade, em geral ligada a um
sector específico da produção. O desvio da finalidade pode ordenar o vencimento antecipado da
divida, pois, dentre outras consequências, é possível que tal fato provoque a incapacidade
económica no pagamento da obrigação.

De acordo com a política que implanta o governo, facilitam-se os créditos para sectores
específicos da indústria, do comércio ou da agricultura, inclusive com menor taxa de juros. Não é
raro serem os encargos subsidiados com dinheiro público. Daí a obrigatoriedade do emprego das
quantias emprestadas dentro dos sectores que foram referidos no pedido dirigido ao banco.

e) Permissão ao banco para realizar qualquer tipo de verificação ou comprovação das


actividades atendidas pelo valor emprestado.

Assiste ao banco também, o direito ao exame dos livros comerciais ou contáveis e de toda a
documentação existente e referente à empresa ou ao mutuário.

Caso tenha ficado convencionado a apresentação mensal ou em outras épocas de balancetes, ou


da situação contável, ao banco, assim deve cumprir o prestatário, com o envio, também, de seus
contadores ou economistas, caso for solicitado.

Forma do contrato

O contrato bancário realiza-se através de documento escrito, público ou particular mais comum a
última forma. O instrumento público impõe-se quando garantido o mútuo por hipoteca.

Nas cláusulas vêm discriminadas as estipulações concernentes a juros, comissões, taxas,


garantias, obrigações, prazo, modo de pagamento, causas de vencimento antecipado etc.
Quase sempre, acompanha um título de crédito, como nota promissória ou letra de câmbio, a fim
de facilitar a circulação e possibilitar o protesto. Todavia, o seu valor está subordinado a
exigibilidade do montante consignado no contrato e a validade deste.

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