Características do Empréstimo Bancário
Características do Empréstimo Bancário
É a operação pela qual o banco entrega certa quantia em dinheiro ao cliente, que, por sua vez,
assume a obrigação de restitui-la, no prazo ajustado, no mesmo género, quantidade e qualidade,
acrescida de juros e comissões, conforme previamente acordado. O empréstimo bancário, de
regra, envolve dinheiro, mas pode ter como objecto títulos (empréstimo de títulos representativos
de valores pecuniários) ou firma (empréstimo de firma).
No empréstimo bancário figuram o banco como mutuante, prestador, e o cliente como mutuário,
prestatário, tomador.
Há mútuo sempre que alguém entrega a outrem uma certa quantidade de coisas fungíveis, para
que a consuma, comprometendo-se este a devolver, na forma e no prazo avençados, não as
próprias coisas recebidas, mas coisas ou bens equivalentes em quantidade, qualidade e género.
O empréstimo bancário constitui um mútuo, com a especialidade de ser concedido por uma
entidade creditícia submetida a disciplina. Basicamente, vem a ser um contrato que expressa o
fornecimento de crédito aos interessados.
Os bancos empregam considerável parcela dos valores que arrecadam do público em geral para a
concessão de empréstimos aos seus clientes, a prazo lixo, com juros e comissões, o que permite
aos mesmos o investimento nos mais variados sectores da actividade em que atuam. Sem dúvida,
trata-se o empréstimo de uma das operações centrais da actividade bancária. Na sua função
intermediadora no crédito, ou dispondo simplesmente de seu próprio capital, o banco empresta
dinheiro habitual e profissionalmente, angariando, com isso, rendas, comissões, taxas pela
prestação de serviços e juros moratórios no caso de inadimplemento do devedor.
Historial do Empréstimo Bancário
É o empréstimo bancário um dos contratos mais antigos é ainda, a operação bancária que mais
sobressai, e que precedeu as outras formas de operações.
Mesmo nas épocas em que o comércio se resumia na troca ou permuta de produtos (escambo), o
empréstimo era praticado na Babilónia e no Egipto, tendo como objecto cereais e outros bens
fungíveis, produtos naturais, ou coisas do uso quotidiano dos povos antigos, como ressaltam dos
papiros encontrados na era dos faraós.
Quando do Direito romano, tornou-se comum o empréstimo, realizado por banqueiros, os quais
cobravam juros habitualmente.
Na Idade Média, em que ascendia a posição da Igreja, o empréstimo a juros era combatido, o que
não impediu a difusão, especialmente por judeus e lombardos, cobrando juros e impondo já
garantias quanto à solvabilidade. Múltiplas finalidades dirigem os interessados a buscar os
empréstimos.
O empresário, não raras vezes s ocorre-se do empréstimo para superar dificuldades momentâneas
ou temporárias.
Objecto do Contrato
O empréstimo de dinheiro define-se, conforme Sérgio Carlos Covello, como o contrato pelo qual
a instituição bancária entrega certa soma pecuniária ao cliente (prestatário), o qual, por sua vez,
se obriga a restitui-la, no prazo avençado, no mesmo género, quantidade e qualidade, acrescida
de juros e comissões, conforme prévia estipulação.
Nota-se que o banco entrega uma soma em dinheiro, a qual passa a pertencer ao mutuário, que
suportará os ónus pelos riscos ocorríeis. Há uma efectiva tradição da propriedade, e não apenas
do direito ao uso.
Com o decurso do prazo estabelecido, fica o mutuário obrigado a restituir uma quantia
equivalente, com os acréscimos pactuados.
Real- porque pressupõe a entrega do dinheiro, da coisa objecto de empréstimo para que se
aperfeiçoe.
Além dessas obrigações, poderá o mutuário ser obrigado a amortizar o valor devido segundo os
prazos estabelecidos (poderá ocorrer a amortização parcelada dos encargos ou dos juros, ou a
amortização do capital emprestado; os prazos de amortização podem ser, ainda, mensais,
bimestrais, trimestrais, semestrais e anuais); dar ao valor recebido o destino consignado no
pedido, como no caso dos financiamentos agrícolas, industriais ou comerciais; e permitir ao
banco a verificação ou comprovação das actividades atendidas pelo valor emprestado.
É operação considerada onerosa porque apresenta vantagens para ambas as partes: ao banco, no
recebimento de juros e comissões; ao cliente, por ter a disponibilidade de recursos necessários
para a consecução de seus negócios ou satisfação de suas necessidades. Trata-se de operação
nominativa, porque a legislação lhe concede denominação específica, assim como é considerado
típico porque possui regulamentação própria.
De acordo com o reembolso, o empréstimo bancário pode ser simples, com devolução numa
única vez, ou amortizável, quando a devolução se processa em prestações sucessivas (mensal,
trimestral ou semestral).
Por fim, de acordo com a garantia, o empréstimo pode ser sem garantia ou com garantia, real,
incidente sobre bens móveis ou imóveis, ou fidejussória, por intermédio de fiança.
Obrigações do mutuário
Vem a ser a principal obrigação do cliente. A restituição do valor recebido constitui um dos
meios pelos quais os bancos e as entidades financeiras obtêm ingressos de fundos para poderem
realizar novos investimentos. Os depósitos e os pagamentos dos empréstimos concedidos
formam as vias pelas quais ingressam os fundos nos bancos, a fim de permitir um
desenvolvimento normal. Quando dificuldades normais da economia de um país entorpecem o
normal cumprimento das obrigações dos prestatário, a actividade bancária se "ressente",
causando uma estagnação nas actividades produtivas, por falta de recursos nos investimentos
necessários ao desenvolvimento.
Como é sabido, o mútuo bancário é essencialmente oneroso. Desde a antiguidade foi permitido
aos banqueiros cobrar taxas de juros e comissões superiores aos máximos previstos em leis nos
contratos comuns. Justiniano regulamentou a matéria em Roma, relativa às taxas de juros
autorizadas, que estabeleceu em 6% (seis por cento) ao ano, de modo geral, em 4% (quatro por
cento) ao ano referentemente as pessoas ilustres. Aos banqueiros, a taxa ficou elevada para 8%
(oito por cento).
d) Dar ao valor recebido o destino consignado no pedido, para o qual optou o banco
concedê-lo.
É evidente que muitos empréstimos possuem uma determinada finalidade, em geral ligada a um
sector específico da produção. O desvio da finalidade pode ordenar o vencimento antecipado da
divida, pois, dentre outras consequências, é possível que tal fato provoque a incapacidade
económica no pagamento da obrigação.
De acordo com a política que implanta o governo, facilitam-se os créditos para sectores
específicos da indústria, do comércio ou da agricultura, inclusive com menor taxa de juros. Não é
raro serem os encargos subsidiados com dinheiro público. Daí a obrigatoriedade do emprego das
quantias emprestadas dentro dos sectores que foram referidos no pedido dirigido ao banco.
Assiste ao banco também, o direito ao exame dos livros comerciais ou contáveis e de toda a
documentação existente e referente à empresa ou ao mutuário.
Forma do contrato
O contrato bancário realiza-se através de documento escrito, público ou particular mais comum a
última forma. O instrumento público impõe-se quando garantido o mútuo por hipoteca.