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Existencialismo

Sobre existêncialismo

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"Existencialismo de Sartre

Antes de Sartre, o existencialismo já encontrava seus ecos nas artes, na sociedade e na


filosofia heideggeriana desde o fim da Primeira Guerra Mundial. Desolados com o horror da
guerra, os europeus começaram a pensar em sua situação e em sua condição enquanto
seres finitos. É nesse aspecto que Heidegger identifica o ser humano como um ser-para-a-
morte, o que nos levaria à angústia, pois temos consciência de nossa finitude.

O existencialismo sartriano parte das ideias de Heidegger, mas vai além, pois o filósofo
francês identifica a liberdade, o abandono, a primazia da existência e o não
reconhecimento de si como fatores para a angústia.

Em primeiro lugar, estamos condenados a ser livres. Isso implica nossa atitude, qualquer
que seja ela, como fruto de nossa escolha, e também significa que estamos vivendo uma
condenação, pois, por mais que queiramos livrar-nos de nossa liberdade, não é possível
fazê-lo.

Também há a questão do abandono. O ser humano, para Sartre, está abandonado, largado
no mundo, pois, ao contrário do que diz a religião e as concepções metafísicas medievais,
não há um Deus que nos guie. Outro fator de angústia é a falta de essência que nos
determine. Para Sartre, existência precede a essência, e “se realmente a existência precede
a essência, o homem é responsável pelo que é”|3|. O ser humano tem responsabilidade
total por si e, ao mesmo tempo, não tem uma essência predefinida.

Sartre critica toda a filosofia desde Platão até Kant, que tentou enquadrar o ser humano
num conceito de humanidade, numa essência que precedia a existência e dava à vida
humana uma forma. Sartre é contra qualquer maneira de determinismo, e o fato de a
existência preceder a essência, para o filósofo, é fator de angústia.

Existência preceder a essência significa que não há algo totalizante que defina todos os
espécimes humanos. Não há um conceito de humano pronto e acabado que abarque
todos, indiscriminadamente. Para Sartre, as pessoas fazem-se, constroem-se, na medida
em que vivem e exercem a sua liberdade, pela qual estão condenadas. Dessa maneira, não
há uma essência humana, mas uma condição humana. Isso é angustiante porque tira do
ser humano uma de suas certezas otimistas: a de que ele é, necessariamente, um ser
dotado de características que o distinguem dos outros.

O ser-em-si: é o que Heidegger chamou de Dasein (ser-aí). São as coisas do mundo, os


fenômenos. É o modo como as coisas mostram-se, aparecem para nós. A fenomenologia
de Husserl e Heidegger é importante para Sartre porque ela entra nesse primeiro aspecto:
das coisas materiais e fenomênicas.

O ser-para-si: é a consciência e o modo como ela se relaciona com o ser-em-sí. É a nossa


mente, é o imaterial que reconhece o nosso corpo (material e ser-em-sí) — encontra-se em
conflito ao contrastar-se com o outro ser e reconhecer que não há uma forma definida
como ele. Isso nos leva à angústia.

Sartre, ao defender-se das acusações de marxistas, de que ele não teria consciência de
classe (pois à primeira vista, parece que o existencialismo é individualista), e dos cristãos,
por parecer demasiado pessimista e sem esperança, escreve o ensaio O existencialismo é
um humanismo. Nesse texto, o filósofo defende que o ser humano faz-se por suas
escolhas, mas coloca uma dimensão ética ao dizer que “escolhendo-se, ele [o homem]
escolhe todos os homens”.

De fato, não há um único de nossos atos que, criando o ser humano que queremos ser, não
esteja criando, simultaneamente, uma imagem do homem tal como julgamos que ele deva
ser”|3|. Isso significa dizer que o ser humano, ao fazer as suas escolhas, projeta nelas a
imagem que ele quer passar para a humanidade e que define, para si, o que é humanidade.
Desse modo, cada escolha singular não é egoísta e individual, mesmo que prejudique a
humanidade. Para aprofundar-se nessa teoria filosófica, acesse: O existencialismo em
Sartre.

Simone de Beauvoir e Jean-Paul Sartre

Durante seus estudos na Sorbonne, Simone de Beauvoir conheceu o filósofo Jean-Paul


Sartre, que se tornou seu companheiro. Contudo, Sartre não era um simples amante, mas
um parceiro intelectual de Beauvoir. O filósofo francês foi um dos marcos da corrente
existencialista na Filosofia.

O existencialismo entende a vida como algo sem sentido e considera que tentar dar
sentido a uma coisa sem sentido (vida) é absurdo.

Como existencialista, Sartre teorizava que nós humanos nascemos sem qualquer
propósito. Isto é, não somos imbuídos de um sentido pelo qual viver e por isso não há razão
nenhuma para não sermos quem quisermos ser.

Simone de Beauvoir e Jean-Paul Sartre compartilhavam aquela ideia acerca da existência


preceder a essência – l’existentialisme à l’essentialisme. Ou seja, ela entendia que o ser
humano é algo que existe sem um propósito predeterminado na vida além daquele que ele
vier a escolher.

A partir dessa reflexão, ela percebeu que algumas coisas que aconteciam na sociedade
eram completamente descabidas. Uma delas é a misoginia, a qual ela pôde experienciar
em primeira mão durante sua vida.

Simone de Beauvoir entendia o machismo como algo retrógrado e equivocado. Ao


analisarmos as investigações sobre o que é o ser humano, boa parte das explicações são
fundamentadas ou influenciadas pelas histórias infundadas das religiões abraâmicas,
como aquela história da mulher vir de uma das costelas do homem.

Indo além, na criação do mundo descrita em Gênesis, há trechos completamente


destoantes do que prega um estado democrático de direito. Por exemplo, na passagem de
Gênesis [Link] “E à mulher disse: Multiplicarei grandemente a dor da tua conceição; em dor
darás à luz filhos; e o teu desejo será para o teu marido, e ele te dominará”.

A ideia de que a mulher deve ser algo semelhante ao que foi narrado pelas religiões é algo
infortúnio para o desenvolvimento de uma sociedade justa, já que nas religiões judaico
cristãs elas tem um papel servil e inferior ao homem. Esse tipo de pensamento demostra
como a ideia de superioridade masculina é algo entendido como predeterminado e,
portanto, avesso ao existencialismo.

O que é ser mulher para Simone de Beauvoir


Aquela pergunta fundamental ao existencialismo sobre o que é ser humano, a qual os
filósofos existencialistas vinham desde o século XIX se indagando, também foi feita por
Beauvoir. Entretanto, a filósofa vai além e passa a trilhar um caminho inédito até então.

Simone de Beauvoir se indagou sobre o que é ser mulher. Em seu prestigiado livro “O
segundo sexo”, a filósofa definiu muito assertivamente que a mulher não é o homem, ela é
o outro.

Ela diz isso, pois enxergou que o homem é definido como ser humano, mas a mulher é
apenas o outro. Ora, quando os filósofos ponderavam acerca do que é o ser humano, na
realidade eles estavam pensando sobre o que é o homem.

Ao longo das eras, a figura masculina tem definido historicamente o que é ser humano,
visto que a maioria dos grandes nomes da filosofia é composta por homens e foram eles
que escreveram sobre a natureza humana. Assim, eles adotaram o gênero masculino como
o padrão com o qual julgamos a natureza humana.

Concomitante a isso, eles definiram a mulher como algo que difere do homem e, portanto,
algo que difere do padrão. Por isso, Beauvoir diz que o homem é definido como ser humano
e a mulher como o outro, ou seja, algo que não é o homem e, por extensão, diverge das
indagações sobre o que é ser humano.

“Ninguém nasce mulher: torna-se mulher”

Embora as ideias de Simone de Beauvoir ultrapassem as discussões sobre o gênero, já que


ela faz uma brilhante análise da autonomia indivíduo, é indiscutível que suas contribuições
para autonomia feminina sejam indispensáveis.

Essa ideia de um feminismo existencialista que ela inaugura trouxe uma distinção entre o
feminino e feminilidade, que avançou muito a discussão sobre a autonomia feminina. Para
Beauvoir, o ente biológico não tem nada a ver com a maneira com a qual a mulher exprime
seu ser.

Do ponto de vista existencialista, nós temos a capacidade de nos estruturarmos enquanto


sujeitos sociais. Ou seja, a construção da maneira que podemos nos manifestar
socialmente é aberta as mudanças do indivíduo e, portanto, existem várias maneiras de
ser. Mais especificamente, existem várias maneiras de ser mulher.

Uma das citações mais famosas de Simone de Beauvoir é esta: “ninguém nasce mulher:
torna-se mulher. Nenhum destino biológico, psíquico, econômico define a forma que a
fêmea humana assume no seio da sociedade; é o conjunto da civilização que elabora esse
produto intermediário entre o macho e o castrado que qualificam o feminino”

Essa afirmação contém justamente essa ideia da construção do ente como algo social e
não predeterminado. O interessante é que Beauvoir vai além do feminismo e da busca por
direitos equânimes. Ela defendia a ideia de uma mulher livre, só que mais do que a
liberdade modelo feminino predeterminado, ela queria que a mulher fosse livre da ideia de
ser igual ao homem.

A opressão do ser humano sobre o outro

Ao comparar as noções fornecidas pelo existencialismo, que dizem não sermos nada além
de nossas ações, isto é, nós somos definidos pelas escolhas que fazemos ao longo da vida,
com a ideia de mulher, é possível notar que a mulher possui sua identidade já
predeterminada.

Pensando no cotidiano, não é preciso se esforçar muito para perceber como a mulher é
definida a partir do que lhe impõe o mundo, mundo este que é também definido pelos
homens. É o caso dos estereótipos como: mãe, esposa, donzela em perigo etc. Pense nas
histórias da Disney e em quantas princesas são resgatadas por seus príncipes encantados.

Trecho do filme Wi-Fi Ralph que faz piada com os estereótipos femininos perpetuados
pelas animações da Disney durante muitos anos.

Na maioria dessas histórias infantis, o papel da mulher é meramente existir até que um
homem a encontre e ela se torne alguém em função dele. Se você acha exagero, vamos
pegar a Branca de Neve como estudo de caso. No conto alemão, uma mulher é definida
como bela (Branca de Neve), o que causa inveja em uma outra mulher (sua madrasta), que
tenta matá-la.

Perceba que o valor associado à mulher é a beleza. O fato de ela ser bonita é basicamente
o que a define enquanto ser. Isso ajuda a criar aquela ideia de objetificação da mulher, visto
que, para a Filosofia, historicamente falando, ela não é nada além do outro. Nesse caso, ou
outro (a mulher) é entendido como um objeto, pois quem reflete sobre o ser é o homem e
ela não é homem.

A ideia desse exemplo é mostrar uma noção, ainda que vaga, sobre a diferença entre o
homem e a mulher. Saindo dos contos infantis, podemos também analisar a inserção da
mulher na sociedade, mais especificamente no mercado de trabalho.
Essa análise é de extrema importância, já que trabalhar é um aspecto importante da
autonomia do sujeito e como a mulher é o outro sujeito, ela não está bem inserida no
mercado de trabalho. Por exemplo, isso fica evidente na pesquisa feito pelo Instituto Ethos
em 2010 que mostrou que as mulheres ocupavam apenas 13% dos cargos de nível
executivo e sênior nas 500 maiores empresas do Brasil.

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