Universidade Católica de Moçambique
Instituto de Educação à Distância
Como interpretar o ser humano na sua condição vocacional que se caracteriza em Crer,
Esperar E Amar?
Amélia Carlos Cossa, 708223641
Curso: Licenciatura em Ensino de Biologia
Disciplina: Fundamento de Teologia Católica
Ano de Frequência: 2° Ano
Tutor: Frei Hortêncio Bernardo José
Maputo, Setembro de 2023
Índice
1. Introdução............................................................................................................................1
1.1. Objectivos.....................................................................................................................1
1.1.1. Objectivo Geral.....................................................................................................1
1.1.2. Objectivos Específicos..........................................................................................1
2. Pessoa Humana....................................................................................................................2
2.1. Conceito de Pessoa Humana........................................................................................2
2.2. Abordagem da pessoa humana e sua dignidade no Magistério da Igreja Católica......3
3. Vocação................................................................................................................................4
3.1. Conceito de Vocação....................................................................................................4
3.2. Dimensões da Vocação Humana..................................................................................4
3.2.1. Dimensão Universal..............................................................................................4
3.2.2. Dimensão específica.............................................................................................5
3.2.3. Dimensão Pessoal.................................................................................................5
4. A vida cristã: um itinerário na fé, na esperança e no amor..................................................6
5. Conclusão............................................................................................................................9
6. Referências Bibliográficas.................................................................................................10
1. Introdução
Crer nem sempre é fácil. É preciso ter valor e pedir ao Espírito Santo que nos dê a luz,
especialmente nos momentos em que não enxergo bem. Esperar também não é nada tranquilo.
É muito mais fácil inquietar-se, temer ou desanimar-se do que esperar. Esperar é dar crédito.
O amor ainda mais difícil, principalmente quando somos convidar a amar incondicionalmente,
inclusive aqueles que nos causam dor e sofrimento. Outro dia conheci a história de uma mãe
que tem dois filhos em prisões diferentes. Ela acorda todo domingo bem cedo e passa o dia
visitando-os, levando comida e carinho. De forma semelhante, mas ainda mais pleno, é o
amor de Deus por nós.
A vocação é o chamado de Deus dirigido a toda pessoa humana, em vista da realização de
uma missão ou serviço em favor da comunidade. É o chamado do Pai, por meio de Jesus
Cristo na força do Espírito Santo e tem como finalidade a realização plena da pessoa humana.
Toda pessoa é vocacionada, é eleita por Deus.
O presente trabalho debruça sobre o conceito de Pessoa Humana, abordagem da pessoa
humana e sua dignidade no Magistério da Igreja Católica, e da vocação da pessoa humana.
1.1. Objectivos
1.1.1. Objectivo Geral
Analisar o ser humano na sua condição vocacional que se caracteriza em Crer, Esperar
e Amar.
1.1.2. Objectivos Específicos
Definir o conceito de Pessoa humana;
Descrever a pessoa humana e sua dignidade no Magistério da Igreja Católica;
Definir o conceito de vocação
Identificar as dimensões da vocação
Descrever o ser humano na sua condição vocacional
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2. Pessoa Humana
2.1. Conceito de Pessoa Humana
Nos nossos dias, pessoa passou a designar aquele que desempenha um papel na vida. Um dos
sentidos atuais do termo é ser autoconsciente ou racional. Este sentido tem precedentes
filosóficos irrepreensíveis. John Locke define uma pessoa como "um ser inteligente e
pensante, dotado de razão e reflexão e que pode considerar-se a si mesmo aquilo que é, a
mesma coisa pensante, em diferentes momentos e lugares".
Para Tomás de Aquino, a pessoa é “aquilo que há de mais perfeito em toda a natureza”
(AQUINO, S. Th., I, q.29, a.3), mas não é um modo especial de ser, como se fosse algo
adicionado de fora. A pessoa é a plenitude do ser em si, a existência do próprio ser, aquilo que
é plenamente por natureza, quando não restrita pelas limitações próprias do modo ser. Ou seja,
“quando se é permitido ser plenamente “si mesmo” como presença ativa, decorre então que a
pessoa tranforma-se em auto-presença luminosa e auto-controle, ou seja, a auto-consciência
na ordem do conhecimento e da auto-determinação da ordem da ação” (cf. CLARKE, Person
and Being, p.25)
A pessoa humana é o sujeito de direitos humanos. Logo, é importante definirmos com clareza
o conceito de pessoa humana. Primeiramente, deve estar claro que o conceito de pessoa é
ligeiramente distinto do conceito de indivíduo. Em termos filosóficos, indivíduo é “aquilo que
não pode ser dividido” (Boécio, citado por Abbagnano, 2007, p.555). Logo, o conceito de
indivíduo é mais interno, ligado à indivisibilidade de algo ou alguém. Entendemos que um
homem é indivíduo, por exemplo, quando admitimos que, embora ele possa ser fisicamente
desmembrado, não se divide em vários seres, mas continua sendo um único ser.
Por outro lado, pessoa é um termo relacional, pois seu entendimento considera a relação de
alguém com o mundo e outros seres que o rodeiam. De fato, o termo grego prosopon e o
latino persona eram entendidos inicialmente pelos gregos e romanos como “a máscara de uma
personagem, usada por um ator de teatro”, que depois identificaram o termo com o papel
desempenhado pelo ator na peça. Contudo, na filosofia grega pré-socrática e socrática, o
termo pessoa não foi muito discutido (Leite 2016).
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2.2. Abordagem da pessoa humana e sua dignidade no Magistério da Igreja Católica
O Catecismo da Igreja Católica, no parágrafo 362, define a pessoa humana, com uma
abordagem emocionante, integral e inigualável. A pessoa humana, criada à imagem de Deus, é
um ser ao mesmo tempo corporal e espiritual. O relato bíblico expressa esta realidade com
uma linguagem simbólica, ao afirmar que o “Senhor Deus formou o ser homem com o pó do
solo, soprou-lhe nas narinas o sopro da vida, e ele tornou-se um ser vivente” (Gn 2,7).
Portanto, o homem, em sua totalidade, é querido por Deus.
Santo Tomás de Aquino, durante a Escolástica, foi o primeiro a sistematizar um conceito de
dignidade no meio teológico e filosófico, em moldes que se assemelham aos tempos
hodiernos. A dignidade é algo absoluto e pertence à essência (...) “o corpo humano tem a
máxima dignidade, uma vez que a forma que o aperfeiçoa, a alma racional, é a mais digna”.
Por ser à imagem de Deus, o indivíduo humano tem a dignidade de pessoa: ele não é apenas
alguma coisa, mas alguém. É capaz de se conhecer, de se possuir, de se doar livremente e de
entrar em comunhão com outras pessoas. Ele é chamado, por graça, a uma aliança com seu
Criador, a oferecer-lhe uma resposta de fé e de amor que ninguém mais pode dar em seu lugar.
A dignidade da pessoa humana radica na sua criação à imagem e semelhança de Deus e
realiza-se na sua vocação à bem-aventurança divina Compete ao ser humano chegar
livremente a esta realização. Pelos seus actos deliberados a pessoa humana conforma-se, ou
não, com o bem prometido por Deus e atestado pela consciência moral. Os seres humanos
edificam-se a si mesmos e crescem a partir do interior: fazem de toda a sua vida sensível e
espiritual objecto do próprio crescimento. Com a ajuda da graça, crescem na virtude, evitam o
pecado e, se o cometeram, entregam-se como o filho pródigo à misericórdia do Pai dos
céus. Atingem, assim, a perfeição da caridade.
Dicionário de Bioética, ainda que não usando os termos “imagem de Deus” usa o termo
“criatura” que remete para a Criação por parte de Deus: «A pessoa humana com a sua
dignidade de criatura racional encerra em si direitos sagrados cujo respeito é exigido não só
pelo bem individual, mas também pelo interesse social.» (MARTINS, 2019, p. 50).
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3. Vocação
3.1. Conceito de Vocação
A palavra "vocação" qualifica muito bem a relação de Deus com cada ser humano, na
liberdade do amor, porque "toda vida é vocação" (Paulo VI, Carta enc. Populorum
progressio, 15). Terminada a criação, Deus contempla o homem e vê que é "coisa muito boa"
(cf Gn 1,31): ele o fez "à sua imagem e semelhança", confiou às suas mãos o universo e
chamou-o a uma íntima relação de amor (Papa João Paulo II, 2001).
Vocação é a palavra que introduz na compreensão dos dinamismos da revelação de Deus, e
assim desvela ao homem a verdade sobre a sua existência. No documento conciliar Gaudium
et spes lemos que "A razão mais elevada da dignidade do homem consiste na sua vocação
para a comunhão com Deus. Desde o seu nascimento, o homem é convidado ao diálogo com
Deus: de fato, ele não existe senão porque, criado por Deus, por amor, é por Ele conservado,
sempre por amor, nem vive plenamente e conforme a verdade, se não o reconhece livremente
e não se entrega ao seu Criador" (n. 19). É nesse diálogo de amor com Deus que se alicerça a
possibilidade que cada pessoa tem de crescer segundo linhas e características próprias, que lhe
foram dadas, e capazes de "dar sentido" à história e às relações fundamentais de seu existir
quotidiano, enquanto está a caminho da plenitude da vida (Papa João Paulo II, 2001).
3.2. Dimensões da Vocação Humana
3.2.1. Dimensão Universal
Ensina o Catecismo da Igreja Católica (n. 1878): “Todos os homens são chamados ao mesmo
fim, o próprio Deus. Existe certa semelhança entre a união das pessoas divinas e a
fraternidade que os homens devem estabelecer entre si, na verdade e no amor. O amor ao
próximo é inseparável do amor a Deus”.
O homem foi criado para amar, para ser um dom para Deus e para os outros. A sua vida é um
dom. Todo ser humano é para o outro ser humano um sinal do Absolutamente Outro que é
Deus, a Quem todo o seu ser busca e para quem caminha nesta vida.
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Os outros nos arrancam da solidão, do egoísmo, de nós mesmos, e de algum modo tendem a
nos empurrar para Deus. O homem, então, foi criado para a comunhão, para a vida de união
com Deus e com seus irmãos pelo amor verdadeiro.
O Catecismo nos ensina: “A pessoa humana tem necessidade de vida social. Esta não constitui
para ela algo acrescentado, mas é uma exigência de sua natureza. Mediante o intercâmbio
com os outros, a reciprocidade dos serviços e o diálogo com seus irmãos, o homem
desenvolve as próprias virtualidades; responde assim à sua vocação” (CIC, 1879).
A vida Social ou Vida de Comunhão é uma vocação, ou seja, é uma tendência inata do ser
humano, e não uma manifestação casual e passageira em sua vida. È o homem e a mulher, ou
seja, a comunidade humana que é representada pelos dois que são a imagem de Deus (Gen 1,
27).
3.2.2. Dimensão específica
O homem pecou quebrando sua comunhão com Deus e com seu semelhante, mas Deus em
sua misericórdia retomaria a execução do seu projeto. Deus convoca Abrão para sair de seu
pequeno círculo familiar para abraçar a grande família humana. Este não é um chamado a
abandonar os seus, mas a alargar as fronteiras de sua doação de si. Os seus estão dentro da
grande família humana que é sua e está sob a sua responsabilidade.
O Senhor escolhe um povo, pactua com ele uma aliança, como figura do que haveria de vir
em Jesus Cristo: uma sociedade fundada na Graça divina, cuja finalidade seria dar a vida em
plenitude, vida em abundância para todos os seus membros.
3.2.3. Dimensão Pessoal
A vida consagrada é um chamado de Deus, um dom de Deus. É um dom para a construção da
fraternidade. Aqueles que são chamados a uma vida consagrada são chamados a construir
juntos a unidade, a comunhão, a família de Deus, pois além da vocação à salvação, à
santidade, ao amor, Deus escolhe algumas pessoas para uma vida de maior intimidade com
ele e as destina a cumprir uma missão em favor dos demais.
A vocação possui um carisma específico pata transformar a realidade temporal. A vocação
Shalom tem a missão de promover a paz, por isto ser Shalom é ser discípulo da paz.
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Para os que pertencem à uma família religiosa sua missão no mundo coincide com o carisma
desta.
O ser humano é criado único, irrepetível e por isto tem um papel único no mundo e na família
religiosa. Cada pessoa tem uma contribuição, tem uma missão na família religiosa e no
mundo.
A missão está irrevogavelmente ligada aos outros. Ninguém pode construir a sua história
sozinho. O projeto de vida de um vocacionado não é separado do projeto de vida da
comunidade. Cada vocacionado tem uma missão única dentro do carisma da comunidade
religiosa. Esta missão dá sentido à sua história pessoal e deve construir seu futuro. É vivendo
a vocação com fidelidade que se descobre a missão pessoal. É trabalho de Deus e da escuta do
homem. Nós não somos acostumados a ler os acontecimentos da nossa vida e interpretá-los à
luz da vocação.
4. A vida cristã: um itinerário na fé, na esperança e no amor
A Providência Divina fez com que hoje nós pudéssemos iniciar um caminho. Este caminho
que é guiado pela Luz do Evangelho e percorrido na busca das virtudes da fé, esperança e
amor. Este itinerário ou caminho de vida cristã, é antes de mais nada uma atitude voluntária
do ato de Fé, como oferta completa do dom da própria vida a Deus. Só é possível
compreender e também viver plenamente a vida cristã quando o fundamento é baseado por
uma causa maior, que é o Reino dos Céus. Do ponto de vista puramente social, a vida cristã
autêntica pode ser chamativa e até mesmo estranha para alguns.
A nossa vida nesta terra é um percurso dinâmico, fatigoso e até ambíguo. Para tantas pessoas
a vida se torna uma realidade agitada, complexa, por vezes cheia de dificuldades. Os homens
sempre se sentiram impelidos em buscar respostas as verdades últimas sobre os fenômenos
que o cercam. É justo e necessário esta busca do ser humano pelo conhecimento, pela
compreensão de si próprio e pela realidade em volta de si. Foi Deus quem colocou no
coração do homem o desejo de conhecer a verdade e, em última análise, de O conhecer a Ele,
para que, conhecendo-O e amando-O, possa chegar também à verdade plena sobre si
próprio” (cf. Ex 33, 18; Sal 2726, 8-9; 6362, 2-3; Jo 14, 8; 1 Jo 3, 2)
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Revestidos com a couraça da fé, os cristãos podem ser cada vez mais uma resposta ao mundo
e aos questionamentos do mundo. Esta resposta, ou testemunho, faz-se útil principalmente
agora, em um mundo cada vez mais chagado pela descrença, pelo egoísmo, pela divisão e
pela ganância. O testemunho de pessoas deve um alento aos males quem tanto afligem a
contemporaneidade. Com o estilo de vida e a busca do Absoluto, sugere quase que uma
terapia espiritual para os males do nosso tempo. Por isso, no coração da Igreja, representa
uma bênção e um motivo de esperança para a vida humana e para a própria vida eclesial.
Os homens e as mulheres que se consagram a Deus, por exemplo, são uma opção de
oferecimento da própria existência pelas causas do Reino de Deus, que gerou numerosos
frutos para a Igreja durante os séculos. A vida consagrada, mais do que nunca tem sido
necessária como reflexo e testemunho de Jesus na sociedade. Ela se torna presença da Pessoa
de Jesus no mundo, no testemunho de pessoas concretas. Este gesto é um despertar
comovente que converte mais pessoas à consciência da existência de algo sobrenatural, além
dos entraves desta vida. O ato de consagração por meio dos votos é um dos maiores atos de fé
que um cristão pode fazer como prova efetiva daquilo que ele crê. (Além do martírio).
fé e os testemunhos de fé não se motivam somente por meio de milagres, prodígios ou
acontecimentos sobrenaturais. Os milagres deste tipo existem, mas eles são somente sinais;
auxílio para um ato de fé ainda muito imperfeito. A fé também não se dá a partir de
sentimentos ou sensações e impressões pessoais. O verdadeiro despertar para a fé se dá
quando nós cremos nas palavras do Senhor (Jo 5, 24). Todas as nossas atitudes e atos devem
ser baseadas na crença em Jesus, em tudo o que Ele diz, porque Ele viu Deus face a face (Jo
12, 49). Na verdade, cremos mais naquilo que o Senhor diz do que naquilo que nós vemos, ou
sentimos. É assim que deve ser, esta é a real experiência de fé.
Deus, sendo infinitamente bom e amável, não nos engana. Por isso, todas as verdades, valores
e conselhos do Evangelho são normas que trazem vida e vida em abundância (Jo 10, 10).
О ato de fé é aquilo que faz com que a pessoa cresça espiritualmente, porque é ele que
engrandece a Igreja. Existe uma diferença! Existe a fé enquanto virtude que já está presente
em nós, e existe o ato de fé exercido. Se queremos crescer espiritualmente, não basta somente
crermos, mas temos que ter uma intervenção divina da graça e isso acontece no ato de fé. A
princípio, o ato de fé não é uma ocorrência rara.
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Embora a vocação religiosa seja um gesto fundado na fé, ela também não deixa de ser um
mistério no qual devemos aceitar, como um dom generoso. Para que a vocação sobreviva, é
necessário que a virtude da fé se renove a cada novo dia que desponta. Se não acreditardes,
não compreendereis (cf. Is 7, 9), se não acreditares, não subsistireis[3]. Diz São João
Crisóstomo, que sem ela (a Fé) não conseguimos sequer entender o sentido das coisas mais
importantes: “Aqueles que, não têm fé, são parecidos com aquelas pessoas que querem
navegar no mar, mas não têm um barco”.
O ato de fé e o ser cristão exigem uma atitude de convergência, ou mudança radical de vida.
Esta mudança é popularmente chamada de “conversão”. Conversão é, entre outras coisas,
mudança de direção, mudar o rumo da história, é ir por outros caminhos, no sentido figurado
do termo, o que nos faz lembrar a passagem bíblica da epifania do Senhor (Mt 2,1-12). Não
no sentido convencional do termo, como estamos acostumados, mas nas entrelinhas,
interpretamos que esta conversão revela mudança de rumo e de direção na vida naqueles que
fazem o verdadeiro encontro com o Senhor. É a passagem em que os magos, guiados pela
estrela, procuravam o rei dos judeus. Eles seguiram a estrela, porém quando chegaram nas
imediações do palácio de Herodes, a estrela desapareceu e eles foram pedir informações
justamente a Herodes, que era inimigo do menino. Após o afastamento dos magos, a estrela
volta a brilhar e eles encontram o menino. Ao encontrarem, adoram-no oferecendo os
presentes das divindades (incenso, ouro e mirra). Após este encontro eles têm a vida
completamente transformada e retornam por outro caminho. Nem sequer voltaram para avisá-
lo que tinham encontrado a criança, como ele havia pedido. Este é um exemplo de um sentido
mais parabólico de conversão: irmos por caminhos alternativos que superem Herodes e seus
palácios. A estrela que conduz a Deus não brilha em meio a atrocidades, crueldades e
ambições.
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5. Conclusão
A dignidade da pessoa humana e a vida virtuosa se fundem na abordagem católica, isto é, o
cristão é exortado a gozar de uma existência virtuosa, aproximada à Revelação de Deus. Isso
garante, pois, o respeito à dignidade alheia e o respeito à vocação original de cada pessoa nos
planos divinos do Reino.
A vocação é uma proposta ao homem, à qual ele pode aderir ou não, mais não lhe compete
fabricá-la ou modifica- lá. O chamado de Deus é uma realidade que pode ser percebida
somente dentro de uma dimensão de abertura, para si, para o outro e para Deus.A vida é
condição indispensável de realização da vocação. A existência é uma oportunidade de
compreensão do projeto de Deus e também de atualização dos seus próprios sonhos e ideais.
O amor é a característica mais expressiva da vocação a qual Deus nos chama: amados por Ele,
também podemos amar àqueles que fazem parte da nossa realidade e de uma maneira mais
universal, todo o gênero humano.
A vocação é um dom de Deus que chama o homem a viver e realizar o seu projeto de amor.
Todo ser humano é chamado pelo Senhor à existência, mas desde a eternidade todas as
criaturas já existem no coração amoroso do Criador.
As vocações, na Igreja de Cristo, não são compreensíveis a não ser à luz da fé. A fé verdadeira
faz perceber a vida a partir de um horizonte novo, que não despreza o horizonte das realidades humanas e
das deste mundo; a fé é uma luz sobrenatural que se irradia sobre toda a realidade e a faz conhecer a partir
do olhar de Deus.
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6. Referências Bibliográficas
Catecismo da Igreja Católica. (2000). Edição Típica Vaticano. São Paulo: Edições
Loyola
Catecismo da Igreja Católica. (2005). Compêndio. Lisboa: Gráfica de Coimbra.
Papa João Paulo II (2001). A vida como vocação: Mensagem do Santo Padre ara O XXXVIII
dia Mundial de Oração pelas Vocações
Santos, M. F. (1966). Dicionário de filosofia e ciências culturais. v. IV. 4. ed. São Paulo:
Matese, 1966, p. 1408.
Universidade Católica de Moçambique (2014). Manual de fundamentos de teologia católica.
Beira
[Link]
[Link]
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