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MATERIALIDADE Da AUDITORIA

Auditoria Interna

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Robaina Mussona
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Auditoria Financeira I

Tema VI: Materialidade e Risco de Auditoria


 Conceitos.
 Materialidade em Auditoria
 Risco de auditoria: Riscos Inerente, de Controlo e de Detecção.
 Aplicações Práticas

1. Introdução
Considera-se que uma informação é materialmente relevante se a sua omissão ou distorção puder
influenciar as decisões dos utilizadores das demonstrações financeiras.
 Omissão ou distorção material →incluídas no relatório da auditoria
 Omissão ou distorção sem materialidade →excluídas do relatório da auditoria (são apenas
dadas a conhecer à empresa para rectificação futura)

2. Conceito do Nível de Materialidade


Não existem parâmetros quantitativos pré-definidos nas normas de auditoria internacionais de
auditoria (NIAs).

Por exemplo, a falta de um ajustamento para dívidas de terceiros de 10.000,00 será material? ou só
se for maior do que 100.000,00?

2.1 Recurso a Indicadores Representativos da Posição Financeira e Desempenho


 % do resultado antes de impostos
 % do activo total ou líquido
 % do volume de vendas, etc.

Âmbito de Aplicação Critério de Materialidade


Contas de resultados Entre 5 a 10% do resultado antes de impostos, ou
entre 0,5 a 4% do volume de vendas
Contas de Balanço Entre 0,5 a 10% do activo, ou 1% do activo líquido,
ou 5% do capital circulante
Fonte: Audit Framework de Roger Adams

Porém, estes indicadores podem variar de empresa para empresa ou ainda de ramo para ramo de
actividade.

A falta de um reajustamento para dívidas de terceiros de 100.000,00 poderá não ser material na
empresa A com um activo de 250.000.000,00 (0,04%) e um resultado líquido de 30.000.000,00
(0,33%), mas já o será na empresa B com um activo de 700.000,00 (14,29%) e um resultado líquido
de 80.000,00 (125%).

2.2 Factores de natureza qualitativa


Existem factores qualitativos, isto é, as circunstâncias que rodeiam uma distorção (ou omissão),
podem determinar que, mesmo sem ser ultrapassado um limite de materialidade quantitativo, esta
seja considerada material. Certos contratos de empréstimo contêm cláusulas segundo as quais, se
uma empresa ultrapassar determinados rácios a dívida vence-se de imediato. Deste modo, se um
determinado indicador tiver sido ligeiramente superado, a empresa pode ser tentada a distorcer as
suas demonstrações financeiras para que o rácio em causa se situe dentro dos parâmetros
contratuais.
1
Mesmo que a distorção não seja quantitativamente material, o auditor pode considerá-la
qualitativamente material.

2.3 Responsabilidade Exclusiva do Auditor


Ainda que existam alguns parâmetros consensuais, depende do juízo profissional do auditor,
determinar a materialidade de uma distorção.

2.4 Normas profissionais sobre materialidade


 Directriz de Auditoria da Ordem dos Revisores Oficiais de Contas de Portugal 320 -
Materialidade de Auditoria.

 Norma Internacional de Auditoria do IAASB 320 - Materialidade de Auditoria

Caso Prático 1:

Apresentam-se seguidamente as demonstrações financeiras da empresa “ABC,Lda.”, referentes ao


ano N:

Balanço:
Activo V. Bruto Reaj/Amortiz. Liquido
Activos tangíveis 10.000.000 (4.000.000) 6.000.000
Inventários 4.000.000 400.000 3.600.000
Clientes 3.000.000 300.000 2.700.000
Disponibilidades - - 1.000.000
Total 17.000.000 4.700.000 13.300.000
Capital Próprio e Passivo
Capital social 4.000.000
Reservas 2.000.000
RLE (100.000)
5.900.000
Passivo ML/Prazo 3.000.000
Passivo C/Prazo 4.400.000
7.400.000
CP+P 13.300.000

Demonstração dos Resultados:


Gastos e Perdas MT Rendimentos e Ganhos MT
Gastos operacionais 8.000.000 Vendas e prestação de serviços 10.000.000
Gastos não operacionais 2.100.000
Resultado líquido do exercício (100.000)
Total 10.000.000 Total 10.000.000

O auditor que realizou a auditoria às contas do ano N verificou a ocorrência das seguintes distorções:
a) O empréstimo a longo prazo de 3.000.000 celebrado com o Banco “X, SA” , do qual 900.000
se vence em N+1, estava totalmente apresentado no Balanço no Passivo a M/Longo Prazo;

b) Os juros antecipados, à taxa de 5% ao ano, de um empréstimo a curto prazo de 1.000.000


contraído em Outubro de N, foram contabilizados como custo financeiro no momento do
pagamento.
c) Existe um erro de cálculo nas amortizações do activo tangível, que atinge favoravelmente
resultado em 100.000;
2
d) Foram realizadas no final de N vendas de 40.000 (margem de 40%) a um cliente que não
havia encomendado o produto e que o devolveu em Janeiro de N+1. De notar que o
empréstimo a longo prazo tem uma cláusula segundo a qual a empresa não pode vender nos
próximos anos menos do que o volume de vendas de N-1, ou seja 10,000,000, sob pena do
empréstimo se vencer de imediato.

Pretende-se:
a) Rectifique o Balanço e a Demonstração dos Resultados do exercício N para que as
demonstrações financeiras apresentem de forma verdadeira e apropriada a posição
financeira e os resultados do exercício em causa.

b) Estabeleça o limite de materialidade apropriado para as demonstrações financeiras do


exercício N.

c) Das situações identificadas pelo auditor quais as que consideraria materiais?

3. Risco de Auditoria: Riscos Inerente, de Controlo e de Ddetecção


 O Risco de Auditoria é o risco (probabilidade) de vir a emitir uma opinião não apropriada
sobre Demonstrações Financeiras que padecem de deficiências materiais.

O Risco de Auditoria decompõe-se em três componentes:


 Risco inerente (Ri)
 Risco de controlo (Rc)
 Risco de detecção (Rd)

Matematicamente, calcula-se assim: RA=Ri*Rc*Rd

3.1 Risco Inerente: probabilidade de ocorrerem deficiências com materialidade nas demonstrações
financeiras ou nos saldos das contas, sem entrar em conta com o sistema de controlo instituído na
empresa. É o risco que deriva das características da própria empresa.

Na avaliação ao nível global das demonstrações financeiras o auditor tem em conta factores como:
 A integridade, experiência e competência dos administradores, que podem afectar a
veracidade e a qualidade do processo de elaboração das contas;
 A existência de pressões anormais sobre a administração (entraves na negociação com os
bancos e dificuldades financeiras graves, etc.) que possam predispor à distorção das
demonstrações financeiras;
 A natureza da actividade desenvolvida, a complexidade da estrutura accionista e do grupo
que a empresa encabeça ou em que se insere, a dispersão geográfica das instalações, pode
favorecer a prática de distorções nas demonstrações financeiras.

Assim, o auditor pode avaliar como baixo o risco inerente da auditoria à uma empresa com um
passado não tenha sido manchado por actos ou operações de duvidosa legalidade, que actue num
sector estável da economia, no qual não estejam a ser sentidas pressões especiais e cuja
administração seja reputadamente séria e competente. Numa empresa com características opostas,
o auditor avaliaria o risco inerente como elevado.

3.1.1 Avaliação do risco inerente a nível mais elementar (contas ou classes) o auditor tem
em conta factores como:

3
 A sua maior ou menor susceptibilidade de distorção, por exemplo, as disponibilidades
apresentam-se mais favoráveis à ocorrência de deficiências, intencionais ou não, do que as
contas do imobilizado;
 A complexidade das operações, as quais muitas vezes implicam a participação de peritos (na
valorização das existências ou dos benefícios de reforma, muitas vezes é necessário recorrer
a especialistas)
 o recurso a apreciações com algum grau de subjectividade (a determinação do saldo da
conta de provisão para dívidas de cobrança duvidosa ou para outros riscos e encargos).

O auditor numa empresa comercial, mesmo que transitoriamente o saldo de disponibilidades se


apresente baixo, é provável que atribua risco inerente elevado a esta classe de contas, enquanto,
numa outra empresa, por exemplo, de venda de automóveis de luxo - eventualmente, apresentando
até nestas contas um saldo elevado, mas com menor número de transacções - pode considerar o
risco inerente como médio ou baixo.

3.2 Risco de Controlo: probabilidade de ocorrência de uma deficiência com materialidade nas
demonstrações financeiras ou nos saldos das contas sem ser oportunamente evitada ou detectada
pelo sistema de controlo instituído na empresa.

 Sistemas de Controlo Interno


Regras e procedimentos instituídos nas empresas por forma às actividades serem desenvolvidas
eficientemente e os seus activos estarem protegidos. Comportam desde os sistemas contabilístico e
informático até aos circuitos de autorização e documentais a que devem obedecer certas operações
- compras, vendas, pagamentos, recebimentos, etc.

Um sistema de controlo interno bem concebido e aplicado correctamente


 Evita ou minimiza a ocorrência de erros
 Dissuade ou minimiza a prática de actos fraudulentos.

Quanto mais eficaz for o sistema de controlo interno de uma empresa, mais baixo é o risco das
demonstrações financeiras de uma empresa serem afectadas por distorções materiais. O inverso é
também verdadeiro, ou seja, se o sistema de controlo interno não funcionar satisfatoriamente, o
risco de práticas fraudulentas ou de ocorrência de erros será elevado.

3.3 Risco de Detecção: probabilidade de os procedimentos realizados pelo auditor não detectarem
uma deficiência com materialidade nas demonstrações financeiras ou nos saldos das contas.
 Quanto maior for a extensão - temporal e espacial – dos procedimentos de auditoria mais
baixo é o risco de detecção (menor é a probabilidade de o auditor não detectar deficiências
materiais nas demonstrações financeiras).

 Quanto menor for a extensão - temporal e espacial – dos procedimentos de auditoria mais
elevado é o risco de detecção (maior é a probabilidade de o auditor não detectar
deficiências materiais nas demonstrações financeiras).

3.4 Relação entre o Risco de Detecção, o Risco Inerente e o Risco de Controlo:


RA=Ri*Rc*Rd

 Riscos não influenciáveis pelo auditor


 Risco inerente
4
 Risco de controlo

São apenas avaliados pelo auditor, não sendo susceptíveis de, a curto prazo, registarem alteração
sensível por estarem associados a factores exógenos de carácter permanente (a natureza da
actividade, por exemplo) ou endógenos, embora de difícil mutação, pelo menos no curto prazo (a
qualidade do sistema de controlo interno) ·

 Riscos influenciáveis pelo auditor

3.5 Risco de detecção


É o único risco que está na sua dependência e sob o qual o auditor pode agir em função da avaliação
que fez dos riscos inerente e de controlo.

 Definição do risco de detecção:


Objectivo do auditor: correr um risco de auditoria aceitável - Risco de auditoria pré-fixado baixo
(5%).

 Exemplo:
Avaliações dos riscos inerentes e de controlo de um cliente:
 Risco inerente do cliente X - elevado (100%)
 Risco de controlo do cliente X -médio/baixo (30%)

Exemplo da definição do risco de detecção adequado:

Ra = 5%; Ri = 1 ;Rc = 0,3

Ra = Ri x Rc x Rd Û Rd = Ra / ( Ri x Rc ) Û
Û Rd = 0,05 / ( 1 x 0,3) Û Rd = 0,166 = 16,6%

O auditor tem de correr um risco de detecção baixo (16,6%), para o risco de auditoria ser de 5%, isto
é, deve dispor de um nível de segurança de 83,4% nas suas verificações.

Como agir? Estender temporal e espacialmente os procedimentos de auditoria

Avaliação do auditor sobre o risco de controlo


Nível de Risco de Detecção
Alto Médio Baixo
Avaliação do Alto O mais baixo Mais Baixo Médio
Auditor sobre o Médio Mais Baixo Médio Mais Alto
Risco Inerente Baixo Medio Mais Alto O Mais Alto
Nota: As áreas sombreadas referem-se ao risco de detecção

Fonte: Directriz de Auditoria 400

Para manter um risco de auditoria aceitável, se o auditor avalia como altos o risco inerente e o risco
de controlo deverá correr o mais baixo risco de detecção possível, ou seja, deverá alargar a extensão
dos [Link] o auditor, pelo contrário, avalia como baixos o risco inerente e o risco de
controlo poderá correr o mais alto risco de detecção possível, ou seja, não necessita de realizar um
exame tão alargado e profundo

5
Caso Prático 2:
1. Admitindo que é o auditor e que foi contactado pelas empresas abaixo indicadas tendo em
vista a sua eventual contratação para o exercício das funções profissionais para que está
legalmente habilitado, avalie-as quanto ao risco inerente e risco de controlo:

a) O Banco de Chimoio, cujo Presidente do Conselho de Administração se mantém em funções


há mais de 10 anos e sucedeu ao Pai, herdeiro de uma família de prestigiados banqueiros. O
Banco, que tem acções cotadas na Bolsa, é conhecido pela sua política de gestão
conservadora e rigorosa, em que o controlo é reconhecido como preocupação estratégica.
Por tal motivo, nos últimos anos tem realizado um investimento assinalável na remodelação
do sistema de controlo interno implantado e na sua modernização.

b) Sociedade de Construção do Centro: é uma sociedade cujo capital está na posse da família
Simões. O actual Presidente do Conselho de Administração, Sr. João Simões, fundou a
empresa nos anos 90, tendo conseguido dar-lhe a projecção pública actual. A SCC tornou-se
conhecida por ter construído e comercializado projectos imobiliários de considerável
dimensão na área da Grande Maputo. O crescente volume de obras e a escassez de mão-de-
obra qualificada têm forçado a empresa nos últimos anos a contratar pessoal imigrante, cuja
situação muitas vezes não está legalizada.

c) “Manica City FC” é uma SAD: a ascensão desta SAD ao “Moçambola” de 2014 coroa o
projecto de Eduardo Fatia, pequeno industrial de Chimoio que procurou criar condições para
conduzir o clube da sua terra ao escalão maior do futebol nacional. O percurso foi
rapidíssimo e em 3 anos o clube subiu da II Divisão à Liga de Honra e desta ao Moçambola,
tendo entretanto sido transformado em SAD. Ou por despeito ou com fundamento, o certo
é que Eduardo Fatia a par do sucesso desportivo, é acusado de práticas eticamente
reprováveis e negócios pouco transparentes na gestão da SAD, os quais já valeram processos
diversos por incumprimento fiscal e outras irregularidades. A PIC investiga a contratação de
3 jogadores, tendo verificado que a contabilidade da SAD é rudimentar e que faltam
documentos na empresa.

Pede-se:

a) Tendo em conta a avaliação anteriormente realizada defina o risco de detecção que deve
correr para que o risco de auditar aquelas empresas seja aceitável.

b) Um auditor que foi contactado para realizar a auditoria às contas de uma empresa, após um
contacto preliminar com vista a obter conhecimento sobre o contexto e os sistemas de
controlo dessa empresa, avaliou o risco inerente em 25% e o risco de controlo em 60%.
Interprete estes dados e refira se o auditor pode correr um risco aceitável se concordar em
realizar o trabalho que lhe foi proposto.

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