Saúde do Idoso – Slides Professora Vani Teixeira
Medicações no idoso
Anamnese no idoso (o que é importante?)
Diferença da dentina e esmalte do idoso
Doenças Bucais no idoso
Classificação de Kennedy
Sequência multidisciplinar em caso clínico
Caso clínico de planejamento de PPR
Anamnese e exame clínico
Reconhecer a perda da normalidade. Deve-se obter o maior número de informações das
condições de saúde do paciente, NÃO só pertinentes ao diagnóstico de alguma lesão ou
condição bucal, mas para detecção de alteração sistêmica. Uma anamnese bem feita pode
identificar presença de doenças crônicas. Garante abordagem integral do paciente, orientando
a necessidade de encaminhamentos para outras especialidades contemplando um enfoque
multidisciplinar.
Queixa principal é o primeiro ponto do interrogatório, dessa resposta, derivam outras
perguntas que ajudam o CD a definir sua trajetória. O profissional precisa estimular o paciente
a relatar a história da queixa atual:
Como, quando e onde começou?
Qual tratamento já realizado?
Quais medicamentos tomou?
Teve febre?
A sequência das perguntas é direcionada ao detalhamento da história:
Em quais condições recebeu atendimento odontológico prévio?
O tratamento foi sob anestesia local?
Houve algum episódio de hemorragia?
Como e quando realiza os cuidados de higiene oral?
História médica pregressa
Presença de doenças crônicas; presença de alergias; Uso de medicações; Medicações de uso
contínuo.
De maneira complementar a anamnese oferece informações sobre vida social, hábitos
alimentares e hábitos do paciente e estabelece uma forma de comunicação profissional-
paciente. A anamnese deve englobar a avaliação do tabagismo incluindo o grau de
dependência da nicotina por meio de um questionário físico (Fagestron) ou por meio de
abordagem mínima).
Outro ponto fundamental é a avaliação da autopercepção do paciente sobre sua condição
bucal:
O que vê?
O que sente?
E o impacto na sua qualidade de vida
Tópicos especiais na anamnese
O profissional pode se deparar com 3 situações básicas em relação ao estado mórbido
pregresso do paciente:
O paciente desconhece qualquer anormalidade sistêmica
O paciente está ciente de sua condição sistêmica, mas não se trata
O paciente está ciente de sua condição sistêmica, está compensado e em tratamento.
Na anamnese, no tópico de inventário de saúde, o profissional deve abordar os seguintes
dados:
Se o paciente é portador de condições crônicas, é preciso conhecer o grau e o tipo de
doença, assim como suas comorbidades, tratamentos e avaliar as repercussões, se
houver.
Se o paciente é portador de neoplasia maligna, procure conhecer o tipo de neoplasia,
localização do tumor e o tipo de tratamento a ser realizado, bem como o estado geral
de saúde e as condições gerais.
Para avaliar o paciente portador de HIV, atente-se para a história clínica, atual e
pregressa, medicações em uso e comorbidades, assim como lesões estomatológicas
fúngicas, virais e queilite angular, candidíase leucoplásica, etc.
Tópicos especiais na anamnese
Para avaliar o paciente portador de hepatite é fundamental saber qual é o tipo de doença, os
tratamentos já realizados ou se está em fase de tratamento.
Hepatite é uma inflamação do fígado que pode ser causada por vírus, álcool, drogas, doenças
autoimunes, metabólicas ou genéticas. Tipos A, B e C. também existem os tipos D e E.
Hepatite B, o período de incubação, intervalo entre a exposição efetiva do hospedeiro
suscetível ao vírus e o início dos sinais e sintomas varia de 30 a 180 dias. Transmissão através
de procedimentos sem esterilização ou utilização de material descartável; transmissão vertical;
transmissão de sangue e derivados contaminados; relações sexuais desprotegidas.
Hepatite C, o período de incubação, intervalo entre a exposição efetiva do hospedeiro
suscetível a um agente biológico e o início dos sinais e sintomas neste hospedeiro, varia de 15 a
150 dias. Transmissão é gerada principalmente pelo contato com o sangue contaminado.
Quando observar a situação de surto, notificar a vigilância sanitária.
Na avaliação do paciente cardiopata, é preciso conhecer a história clínica, atual e pregressa,
gravidade e tipo das alterações cardiovasculares e suas complicações. Verificar medicações que
estão em uso, cirurgias, episódios de angina, IAM, comorbidades e quais cuidados tomar!!!
Cuidados com pacientes cardiopatas:
As bactérias bucais podem chegar ao coração por meio da corrente sanguínea, desenvolvendo
uma endocardite infecciosa. Se isso já ocorre com a má higiene bucal, imagine com um
procedimento incorreto. O ideal é que o dentista mantenha uma comunicação com o médico
para oferecer o melhor tratamento, assegurar a saúde total do indivíduo e evitar o uso e a
receita de remédios indesejáveis para cardiopatas.
É de suma importância que o paciente entenda sobre a importância de responder
sinceramente todas as perguntas. Explique a ele os perigos de uma periodontite, por exemplo,
oferece ao coração. Isso é fator crucial para que ele entenda a importância dos cuidados com a
higiene oral.
Preste atenção aos sinais:
Pacientes portadores de cardiopatias congênitas costumam apresentar:
os lábios arroxeados
respiração ofegante
aumento do volume torácico
sudorese excessiva
A profilaxia é uma etapa fundamental, principalmente em pacientes cardiopatas, já que
qualquer procedimento oferece risco de infecções. Veja também se os fármacos podem
oferecer algum efeito colateral que possa afetar as patologias do coração.
O ideal é que as consultas odontológicas com pacientes cardiopatas sejam curtas. O ideal é que
o CD saiba os procedimentos de primeiros socorros, como reanimação cárdio pulmonar.
Na avaliação de pacientes nefropatas
O tipo de tratamento médico atual (conservador, diálise ou transplante).
Os tipos de medicamentos utilizados
Os tipos de acesso vascular
Dias da diálise
Pacientes com coagulopatias
Qual o grau e a doença, assim como suas comorbidades?
Registrar os medicamentos que o paciente faz uso e certificar-se caso algum tenha uma
contraindicação para uma intervenção odontológica/cirúrgica.
Paciente transplantado
Registre o período do transplante, estado geral, condições gerais, medicações e
comorbidades.
Se o paciente faz uso de Bifosfonatos
Busque informações sobre o tipo, via de administração e o tempo de uso
Presença de comorbidades e fatores de risco para desenvolvimento de osteonecrose
dos maxilares.
O bisfosfonato também deve ser considerado em pacientes com necessidades de
procedimentos cirúrgicos, especialmente implantes, pois interfere diretamente sobre a
remodelação e a vascularização óssea.
Portadores de doenças mentais
Procure conhecer a doença, histórico de crises, comportamentos, condições de
socialização.
Medicações e internações
Alucinações
Autismo procure conhecer as características de comportamento e sua rotina e associar as
possíveis comorbidades que podem estar associadas
Problemas auditivos
Verifique o grau do problema e busque meios alternativos de comunicação (libras, mímicas,
escrita, desenhos, etc.).
Avalie todas as condições físicas, sociais e emocionais dos pacientes. Se o próprio paciente não
tiver condições de responder, as perguntas devem ser direcionadas aos cuidadores ou
responsáveis.
Pacientes portadores de doença periodontal
Tabagismo
Diabetes
Histórico familiar de doença periodontal
Histórico de tratamento periodontal anterior
Medicamentos bloqueadores dos canais de cálcio, reguladores neurológicos e
imunossupressores.
Uso de anticoagulantes
Presença de válvulas cardíacas/antibióticoprofilaxia
Hábitos de higiene bucal
Autopercepção de sinais e sintomas de doenças periodontais
Exame físico extrabucal
Inspeção, palpação e avaliação funcional da forma facial, pele facial, olhos, ouvidos, nariz,
glândulas parótidas, pescoço e ATM. Avaliar a face de frente e de perfil buscando assimetrias,
determinar a relação maxilomandibular, posição do pescoço, do nariz e dos lábios, musculatura
e presença de linfonodos palpáveis. Observar também os movimentos mandibulares de
abertura, fechamento, lateralidade e excursivos, bem como a ATM. Nos lábios devemos
procurar sinais como nódulos, fissuras, descamações ou alteração de cor.
1. Sequência de intervenção
1. Comece avaliando a morfologia craniofacial óssea, muscular e tegumentar
2. Avalie ATM (sintomatologia dolorosa, ruídos articulares e limitação de movimentos)
3. Verifique a ocorrência de perfil esquelético associado a maloclusão de classe II e III, ou
problemas verticais ou laterolaterais.
4. Problemas de mastigação, fala e halitose.
5. Palpe os linfonodos, examinando-os quanto a consistência, tamanho, mobilidade e
sensibilidade a palpação.
Exame físico intrabucal
Realizado por meio da inspeção, palpação e avaliação funcional da mucosa, dos dentes e das
estruturas de suporte.
Avaliação da mucosa (cor, aspecto, mobilidade, rebordos)
Avaliação estomatológica em busca de lesões.
Avaliação dos dentes:
1. Número, cor, forma, posição e desenvolvimento
2. Mobilidade
3. Cáries, restaurações, fraturas ou presença de manchas
4. Oclusão e antagonista
5. Restos radiculares
6. Fase e desenvolvimento da dentição
Arcos dentais e relação entre eles (relação transversal, maloclusão, linha média,
trespasse horizontal e vertical dos incisivos, curva de Spee).
Verifique os freios labial e lingual
Índice de placa visível
Índice de sangramento gengival
Fatores retentivos de placa
Profundidade de sondagem
Nível de inserção clínica
Condições de higiene
Percussão horizontal e vertical
Palpação na porção apical
Saliva:
1. Halitose ou queixa de xerostomia
2. Fluxo salivar
3. Características físicas da saliva
Aspectos de fonação, deglutição, função mastigatória e possíveis parafunções
A língua deve ser observada nas regiões ventral, dorsal e lateral
Papilas digitiformes devem estar presentes. A ausência dessa característica pode significar
estado anêmico, diabetes ou presença de lesões conhecidas como língua geográfica.
O palato deve ser observado procurando alterações eritematosas típicas da candidíase,
alteração da forma, presença de lesões ou nodulações ou ainda exostoses conhecidas
como tórus.
Os sinais vitais, assim como todas as outras informações prestadas na anamnese devem ser
registrados no prontuário do paciente, sendo uma exigência legal.
Exames complementares
Podem ser por imagem, laboratorial ou clínica. Os exames complementam as informações
colhidas durante a anamnese e do exame físico. Em outras situações, a avaliação do paciente
por outro profissional, numa abordagem multiprofissional se faz necessária, como por
exemplo, nos casos em que hajam alterações sistêmicas que podem interferir na condução do
tratamento, comprometendo a segurança do paciente.
O exame radiográfico permite avaliar a relação entre uma estrutura e/ou lesão com o osso e
estruturas anatômicas subjacentes e em caso de lesões, dimensionar o tamanho, bem como
outras características como bordas, radiopacidade, presença de halos, etc. A radiografia
também tem indicação para pacientes em uso de próteses totais, afim de evidenciar restos
radiculares ou dentes inclusos sob suas próteses.
A radiografia panorâmica pode ser usada como exame de triagem nos casos de necessidade de
visualização ampla de todo o complexo maxilomandibular. No entanto, para visualização de
detalhes das estruturas dentárias e ósseas circunjacentes, a radiografia periapical é a mais
indicada.
Para realização do tratamento periodontal, solicitar:
Periapical de áreas > ou = 2/3 do comprimento da raiz com perda de inserção (em até 3
áreas radiografáveis).
Panorâmica em indivíduos com > ou = 2/3 do comprimento da raiz com perda de
inserção generalizada (que não pode ser radiografada com 3 filmes radiográficos)
Solicitar hemograma, coagulograma e glicemia.
Para tratamento endodôntico:
Periapical
Tomografia dental (em casos especiais)
Para tratamentos ortodônticos:
Vídeonasolaringoscopia e polissonografia para diagnósticos que possam comprometer
o desenvolvimento normal das estruturas orofaciais (exames solicitados geralmente
pelo médico para identificar apneia do sono).
Fotografias
Radiografias
Tomografias
Para cardiopatas solicitar panorâmica afim de identificar focos infecciosos e condições bucais.
Em casos de procedimentos invasivos em pacientes com neoplasias, solicitar radiografia
panorâmica afim de identificar focos infecciosos.
Hemograma: permite avaliar as condições gerais do paciente, sistema imunitário, condição
hepática e renal, presença de infecções ocasionais, avitaminoses e outros distúrbios que
possam vir a comprometer a cicatrização dos implantes osseointegrados.
Coagulograma: permite avaliar cascata de coagulação, possíveis distúrbios e uso continuado de
anticoagulantes.
Glicemia em jejum: permite avaliar dosagem glicêmica esporádica do paciente, que no caso de
diabetes mellitus descompensada, seria contraindicado o tratamento com implantes
osseointegrados.
Medicação no idoso
Polifarmácia é um termo utilizado para descrever a situação em que vários medicamentos são
prescritos simultaneamente, sendo uma prática clínica comum nas pessoas idosas. É
fundamental o conhecimento sobre farmacocinética e farmacodinâmica dos medicamentos. A
ocorrência da polifarmácia pode ser explicada pelo número de doenças crônicas que
acometem os idosos. Os medicamentos mais comumente utilizados pelos idosos são os que
atuam no sistema cardiovascular, sedativos, tranquilizantes e os ansiolíticos, drogas que em sua
maior parte estão associadas a efeitos de inibição do fluxo salivar, aumentando a
suscetibilidade à cárie. Cabe ressaltar que os idosos são grandes consumidores de analgésicos
pertencentes a classe dos AINES. Esse fato associado ao declínio da função renal, pode
desencadear distúrbios nesse órgão e prejudicar a excreção de outros medicamentos.
A ingestão de medicamento pelos idosos altera o metabolismo e acarreta sensibilidade a
drogas, o que por sua vez pode afetar tanto os dentes quanto o periodonto.
Drogas anticolinérgicas, anti-hipertensivas, antidepressivas e ansiolíticos provocam xerostomia,
produzindo maior acúmulo de placa, aumento da incidência de cáries e inflamação gengival.
Com a perda fisiológica dos tecidos, o dente vai perdendo algumas de suas características
anatômicas e colorimétricas tornando-se mais complexo o processo de caracterização no
tratamento restaurador.
Antes da prescrição da medicação é essencial que o profissional se pergunte:
É realmente necessária a utilização de um fármaco para mudar o curso clínico desse
problema?
Qual fármaco utilizar?
Como deve ser administrado esse fármaco? O idoso e seu cuidador tem condições de
assimilar essas informações?
O idoso está utilizando outro fármaco?
Quais os efeitos esperados desse fármaco?
O fármaco poderá ser usado para outros fins que não esse da prescrição?
Principais problemas bucais no idoso
1. Boca seca
2. Cárie radicular
3. Perda dental
4. Problemas nas próteses
5. Câncer bucal
6. Gengivite
7. Queilite angular
8. Candidíase oral
A cavidade bucal sofre inúmeras alterações:
Atresia dos canais radiculares
Retração dos tecidos periodontais
Desidratação da mucosa oral
Alterações na estrutura e superfície da língua
Redução do volume e composição da saliva
Diminuição do paladar
Perda de apetite
Problemas nutricionais
Estrutura dentária
A forma, cor, tamanho e diversas estruturas dos dentes representam uma resposta de
adaptação aos estímulos biológicos das necessidades, determinam a idade aproximada de uma
pessoa por meio de sua dentição e sinais característicos.
Alterações na estrutura dental
Atrição
Periodontite
Dentina secundária
Reabsorção radicular
O esmalte que se encontra na superfície do dente se desgasta e há obliteração dos túbulos da
dentina, tecido abaixo do esmalte.
O bordo incisal e as superfícies oclusais dos dentes vão se desgastando com o avanço da idade
e pelo uso contínuo, com o envelhecimento há o aumento da densidade do osso alveolar
restante , desidratação e espessamento dos tecidos elásticos.
Esmalte
AS alterações histológicas a que o dente está sujeito vão influenciar diretamente ao nível das
suas propriedades ópticas. A composição da superfície do esmalte altera como resultado de
adições e alterações dos fluídos orais.
Abrasão
Abfração
Atrição
Erosão
O esmalte sofre um desgaste gradual com a idade, que surge de forma natural, isto é, ao longo
da vida vamos tendo alterações na dieta ou até mesmo nos hábitos que podem provocar
lesões de erosão.
Tratando-se de um material cristalino com a progressão da idade há uma exposição da cor da
dentina, resultando num tom mais amarelado do dente.
Com a idade, o dente vai alterando a sua cor que pode ser causa da redução da sua
translucidez. Esta pode ser devido à formação de dentina secundária e diminuição da
espessura do esmalte ou devido à acumulação de manchas na superfície dentária.
Dentina
Apresenta também uma característica particular, trata-se de um tecido permeável. Ao longo
dos anos sofre alterações, uma vez que o tamanho dos túbulos e a capacidade de
permeabilização vai diminuir.
Erosão
É definida como a perda de substância mineral como resultado de um processo químico que
não implique bactérias. Este contato com ácidos pode ocorrer de duas maneiras distintas:
Extrínseca: através do ar e dieta.
Intrínseca: através de regurgitações gástricas.
A erosão por via intrínseca é gerada por ácidos que surgem do nosso organismo. A
polimedicação na geriatria pode provocar episódios de vômitos e refluxo.
Ataque ácido na 3ª idade - Esmalte
Dentre os meios reabilitadores utilizados atualmente, diversos materiais restauradores fazem
uso de ataque ácido do esmalte como condição do seu desempenho clínico.
Fatores como tempo de condicionamento e concentração dos ácidos, bem como a sua
viscosidade tem sido estudados e profundamente analisados por conta das possíveis diferenças
existente entre dentes jovens e idosos visando uma máxima eficiência e durabilidade dos
procedimentos clínicos restauradores atuais.
Considerando que o esmalte idoso tem maior concentração de nitrogênio e fluoretos isto afeta
as propriedades adesivas do esmalte e uma outra evidente alteração com a idade é o desgaste
por atrito, causando uma diminuição gradativa de sua espessura. Sua espessura torna-se mais
fina, apresentando trincas e adquirindo uma coloração mais escura devido uma maior
incorporação de matéria orgânica na película adquirida preexistente.
É clinicamente relevante a diminuição da permeabilidade do esmalte. Também, com o passar
dos anos, a penetração de ácidos no esmalte diminui devido à redução dos poros ou espaço
nele presentes.
Ataque ácido na 3ª idade – Dentina
A dentina, com o avanço da idade, há seu crescimento contínuo por estímulos fisiológicos e
patológicos (a chamada dentina secundária). O resultado é um estreitamento gradativo da
cavidade pulpar, onde o volume diminui paralela e progressivamente com o aumento da
dentina reacional.
Ocorre a diminuição no número e diâmetro dos canalículos dentinários devido à deposição de
dentina peritubular e com a idade e atrito da oclusão dos dentes, causando a obliteração
inevitável, levando ao quadro da esclerose dentinária e diminuindo assim a elasticidade total
do dente.
Essas alterações estruturais podem determinar uma redução na qualidade adesiva a ser
conseguida clinicamente. Observa-se que nos tecidos esclerosados e/ou hipermineralizados,
torna-se mais difícil a união do material restaurador na dentina idosa do que quando
comparada com a dentina mais jovem.
Por esta razão se necessita mais tempo de ataque ácido nos dentes dos idosos quando
comparado aos dos dentes mais jovens.
Conclusões:
Soluções de ácido fosfórico em concentrações de 35% a 50% são mais eficientes no
condicionamento seletivo do esmalte.
Um maior tempo de 60 segundos de ataque nos pacientes dessa faixa etária.
Condicionadores com gel de viscosidade mais fina produzem tags bem definidos, que
favorecem um melhor selamento marginal das restaurações.
Para se criar parâmetros inquestionáveis sobre os procedimentos de ataque ácido em
dentes de indivíduos idosos, é necessário realizar estudos com maior padronização
metodológica.
Os problemas mais comuns são: cárie e doença periodontal.
Cárie radicular: quando existe recessão gengival, as raízes dos dentes ficam expostas,
ficando mais suscetível a cárie dentária. Como os idosos apresentam uma maior
predisposição para recessões gengivais, para manter uma boa higiene oral é essencial
usar uma pasta fluoretada.
Desvio mesial dos dentes provocado pela força de oclusão.
Os dentes tornam-se mais escurecidos, com tonalidade amarelada, acastanhada ou
cinza.
Ocorre desgaste no esmalte devido ao atrito provocado pela mastigação ou por hábitos
viciosos como o bruxismo, assim, a superfície dentária se torna mais lisa e polida,
devido ao atrito de alimentos e da escovação ao longo da vida.
O esmalte dentário se apresenta mais maturado em decorrência de maior deposição
de fluoretos em sua superfície, consequentemente mais resistente ao ataque ácido e
ao processo de cárie, reduzindo eficiência do ácido fosfórico na sua desmineralização,
quando sistemas adesivos estão sendo utilizados.
Os canalículos dentinários sofrem alterações com a idade, pois há, também, uma
calcificação progressiva na dentina periférica, na junção amelo-dentinária e dentina-
cemento, progredindo em direção à polpa e aos espaços interglobulares. Há uma
redução na permeabilidade dos canalículos dentinários, o que ocasiona o aumento do
limiar de sensibilidade à dor, devido ao menor fluxo em seu interior.
A polpa dentária apresenta-se reduzida, fibrótica e com diminuição de sua
celularidade. Paralelamente ocorre a redução do número e qualidade dos vasos
sanguíneos e da atividade vascular, tornando-a mais suscetível ao dano irreversível, o
que limita o sucesso dos tratamentos conservadores.
Dicas de prevenção:
Consultas regulares ao dentista
Atenção especial à escovação da gengiva. Escova macia trocando a cada 2 meses.
Escova elétrica auxilia na coordenação.
Escova interdental em regiões com maior espaço entre os dentes.
Fio dental com suporte especial para idosos.
Limpadores de língua.
Bochechos.
Cuidados com as próteses após alimentação.
Classificação de Kennedy
É um sistema utilizado para identificar e categorizar as combinações das arcadas parcialmente
desdentadas.
Classe I
Apresenta desdentamento bilateral. A área edentula está localizada na parte posterior aos
dentes remanescentes.
Classe II
Apresenta o desdentamento unilateral. A área edentula está localizada na parte posterior aos
dentes remanescentes.
Classe III
Apresenta desdentamento intercalar e unilateral. Isso significa que existem espaços sem
dentes tanto em regiões anteriores como em regiões posteriores aos dentes remanescentes.
Classe IV
A ausência de dentes é extensa, área edentula anterior com envolvimento de linha média, não
há modificações na classe VI.