CONTROLE E AUTOMAÇÃO
INDUSTRIAL
( AULA 01)
1 - INTRODUÇÃO
Controle e Automação Industrial - Aula -1 Colégio e Cursos P&C Página 1
Histórico da Automação Industrial
AUTOMAÇÃO NA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL
No início, ocorreu a sincronização mecânica de máquinas, onde, com apenas
um acionador e um intrincado sistema mecânico, se conseguia realizar várias
tarefas, como é o caso, ainda de hoje, de algumas máquinas.
Ex.: Máquinas de Corte e Solda de Plástico - Um só motor para efetuar o
avanço do produto e as operações de corte, soldagem e empilhagem do
produto.
Logo surge a linha de Montagem, onde várias máquinas e/ou operadores eram
colocados “em linha”, numa sequência tal que, a partir da produção/montagem
de subprodutos se chegasse ao final da linha com um produto acabado.
Cada máquina ou processo era desprovido de controles e a interação entre as
máquinas era realizada pelos operadores.
Nos processos que exigissem controle de grandezas físicas como temperatura,
pressão, vazão, etc..., esses controles eram inteiramente manuais, baseados
em instrumentos de medição rudimentares.
Surgem então, os indicadores de temperatura, pressão, etc..., baseados em
princípios físicos (ex.: dilatação de materiais), permitindo a visualização das
grandezas.
Porém, o controle continua a ser manual.
O passo seguinte, foi o surgimento dos instrumentos de controle automático
(pneumáticos) que manobravam automaticamente os atuadores, visando
manter a grandeza controlada em um valor definido (“Set-point”).
AVANÇOS NA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL
Durante a 2a Guerra, a noção de controle de processo foi largamente
expandida. Nesta época foram aprimorados, a nível de aplicação militar, os
controles de servomecanismos elétricos e hidráulicos.
Com isso, no pós guerra, os princípios desenvolvidos para os armamentos
foram adaptados às aplicações industriais. A indústria pôde contar ainda com
um grande contingente de mão-de-obra qualificada para o desenvolvimento e
manutenção destes novos equipamentos.
AS DUAS GRANDES DIVISÕES DA AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL
Automação de Manufatura
Segmento representado pelos equipamentos de controle da automação
de máquinas, transporte de materiais, etc... ( ANIMAÇÃO ).
Controle de Processo
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Segmento representado pelos equipamentos de monitoração e controle
de grandezas físicas de um processo.
NOS ANOS 50
Com a invenção do TRANSISTOR - surgem os instrumentos eletrônicos
analógicos para o controle de processo, que rapidamente ganham terreno
frente aos pneumáticos, devido a seu tamanho reduzido e a facilidade de
calibração e transmissão dos sinais.
Nesta mesma época, surgem os primeiros Variadores de Velocidade para
motores cc, em substituição aos reostatos de controle manual e a lógica de
comando das máquinas (comando de motores, cilindros, etc...) feita com
dispositivos Eletromecânicos ( contatores e relés ), conhecida como Lógica à
Relés.
OS ANOS 60 E A CORRIDA ESPACIAL
Com o advento de Portas Lógicas Discretas, desponta o conceito de Eletrônica
Digital, dando prosseguimento ao aparecimento dos primeiros
COMPUTADORES e as primeiras tentativas de utilização dos mesmos em
controle de processo, sem muito sucesso devido ao :
Custo elevado,
baixa velocidade de processamento,
memória de armazenamento de dados limitada,
linguagens de programação de domínio restrito,
baixa confiabilidade.
No fim dos anos 60, com o advento dos CI’s, surgem os primeiros
Controladores Lógicos Programáveis, com as seguintes vantagens em relação
a lógica à Relés:
podiam ser aplicados a diferentes processos e máquinas, ao contrário
da lógica à relés que eram dedicados a cada processo.
permitiam a alteração dos ciclos de máquina por modificação do
programa, sem necessidade de alterações no cabeamento.
Desvantagens :
custo elevado
baixa confiabilidade
DURANTE OS ANOS 70 E 80
O contínuo desenvolvimento dos MICROPROCESSADORES, com
possibilidades de aplicação a todos os equipamentos, tanto de Automação de
Manufatura, como de Controle de Processo, acarreta o desenvolvimento de
Microcomputadores, mais rápidos, menores, mais confiáveis e mais baratos, o
mesmo acontecendo com os CLP’s e Controladores de Processo (“Single-
Loop’s” e “Multi-Loop’s”)
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Simultaneamente, duas outras áreas apresentaram progressos surpreendentes
:
Comunicação : Com o desenvolvimento de REDES que permitiam a
comunicação entre elementos “inteligentes”, com velocidade de
transmissão e segurança cada vez maior.
Software : com o desenvolvimento de “Linguagens” específicas para os
profissionais da área da automação, como é o caso da Linguagem
“LADDER”, usada em praticamente todos os CLP’s.
Com a constante redução do tamanho físico, aliada ao aumento da capacidade
computacional e a redução dos preços, os equipamentos de automação
puderam ser distribuídos ao longo das áreas de processo, interligados por
redes a Estações de Supervisão. A tal estrutura, destinada a área de Controle
de Processo, deu-se o nome de SDCD (Sistema Digital de Controle
Distribuído).
Os CLP’s, que a princípio foram desenvolvidos para substituir painéis de relés
em automação de máquinas, incorporaram elementos de controle de processo,
como entradas e saídas analógicas, entradas para termopares, instruções PID,
etc..., tornando-se capazes de atuar tanto em Automação de Manufatura como
em Controle de Processo.
FINALMENTE, NOS ANOS 90
Com o permanente avanço dos “Micro-Chip’s” e a consequente redução no
tamanho e preço dos equipamentos, bem como aumento da velocidade de
tratamento, surgem os MICRO-CLP’s.
No que se refere a conectividade, duas grandes linhas estão em
desenvolvimento, com possibilidades surpreendentes :
Redes de altíssima velocidade para ligação entre CLP’s e CLP’s e Micros
corporativos , permitindo um grande tráfego de informações “ON-LINE”.
Redes de Campo ( “Field-Bus” ), permitindo a ligação entre os CLP’s e os
diversos elementos de campo ( sensores, inversores, interfaces,
eletroválvulas, etc... ), com um simples “par de fios”, o que representa
uma enorme redução nos custos de projeto e instalação.
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CONTATOS ELÉTRICOS
Contato elétrico é um elemento móvel, condutor de eletricidade, que tem
o propósito de permitir ou não a circulação de corrente elétrica através da união
ou interrupção de partes de um circuito elétrico.
Classificação dos contatos elétricos:
Segundo as características de fabricação, é possível classificar os
contatos elétricos em três tipos:
Contato normalmente aberto (NA):
Este tipo de contato é construído de modo a permanecer aberto quando
não acionado (estado de repouso). Quando acionado, o contato NA é fechado
e possibilita a circulação de corrente elétrica pelo circuito. O contato NA
também é chamado de: contato de fechamento, contato de trabalho ou
normally open contact (NO).
Acionamento do
contato
Contato normalmente fechado (NF):
Este tipo de contato é construído para que quando seja acionado, o
circuito se abra e a passagem da corrente elétrica seja interrompida. O contato
NF também é chamado de: contato de abertura, contato de repouso ou
normally closed contact (NC).
Acionamento do
contato
Contato reversível:
O contato reversível tem as características do contato NA e do contato
NF, podendo possuir um terminal comum ou terminais independentes.
Acionamento do
Acionamento do contato
contato
NA NF NF
COMUM
NF NA 4 NA
Terminal comum Terminais independentes
Acionamento dos contatos:
Os responsáveis pelo acionamento dos contatos elétricos são os
dispositivos acionadores (também conhecidos como "dispositivos auxiliares
para comando") os quais dividem-se essencialmente em dois tipos:
Dispositivos auxiliares para comando provocado e Dispositivos auxiliares para
comando automático.
Como os dispositivos acionadores são usados em diferentes tipos de
aplicações, estes possuem formatos e modos de operação variados.
Dispositivos auxiliares para comando provocado:
Geralmente o seu acionamento ocorre por ação manual como por
exemplo em interruptores, comutadores e botões.
Os interruptores, amplamente utilizados como aparelhos de comutação
nas instalações elétricas interiores para controle de iluminação, mantêm o
estado/posição provocado pelo acionamento quando se deixa de agir sobre
eles, portanto, apresentam dois estados estáveis.
Contato NA
Bornes de
ligação
Acionador tipo
TECLA
INTERRUPTOR ELÉTRICO COM ACIONADOR TIPO TECLA
Os comutadores também acionam contatos elétricos porém, estes
dispositivos podem conter mais de um contato de tipos diferentes (NA e NF).
Além do mais, podem assumir várias posições estáveis ou terem embutido um
mecanismo de retorno automático para a posição original. Seus acionadores
são do tipo manopla curta, manopla longa ou com chave.
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Os botões, dependendo do tipo de aplicação, podem ter seus sistemas de
acionamento embutidos no corpo, afim de evitar acionamentos involuntários, ou
sistemas externos, tipo pedal ou soco que proporcionam grande rapidez de
acionamento, sendo utilizados principalmente, em comandos no pé ou para
desligamento das instalações em casos de emergência.
Os botões são classificados em dois tipos básicos:
- Botão de pulsador(impulso): Possui apenas uma posição estável,
quando se deixa de agir sobre ele a força de sua mola interna provoca o
retorno do contato a posição original de repouso.
- Botão liga/desliga(retenção): Possui duas posições estáveis, alternando
os estados de seus contatos a cada acionamento realizado.
Dispositivos auxiliares para comando automático:
São dispositivos de detecção de informações devido a: ação de um
operador, variação de uma grandeza física ou alteração da posição de um
móvel(chaves de fim de curso ou limit switches).
Os contatos elétricos também estão presentes nos dispositivos de
comando eletromecânicos conhecidos como relés e contatores.
Os relés são interruptores com comando por eletroímã. Possuem uma
bobina que ao ser energizada, cria um campo magnético provocando o
acionamento de seus contatos utilizados na lógica de controle de um processo
ou para acionamento de pequenas cargas.
Comum
NF
Mola a NA NF
NA
a
Terminais da
bobina Núcleo
b b C
Esquema funcional
Símbolo gráfico:
As chaves contatoras ou contatores, tem como principal diferença, em
comparação com os relés, o fato de possuírem três contatos especiais
chamados de contatos de potência ou principais, além dos contatos comuns
chamados de contatos de comando ou auxiliares.
Seus contatos principais(NA), em função da: construção, da disposição do
seu mecanismo e da presença de um dispositivo eficaz de corte do arco
voltaico; possuem um poder de corte intensidades de corrente muito superiores
à intensidade nominal. Por isso, são largamente usados na partida de motores,
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em circuitos de iluminação importantes, etc; utilizando uma potência de
controle muito pequena.
Símbolo gráfico:
A LÓGICA E OS CONTATOS ELÉTRICOS
Os sistemas lógicos são estudados através da "álgebra de Boole",
matemático inglês George Boole (1815 - 1864). Boole estabeleceu as relações
entre a lógica e a álgebra ao exprimir as operações lógicas valendo-se dos
símbolos algébricos(conectivos).
A álgebra de Boole faz uso de apenas duas grandezas: falso ou
verdadeiro. Essas grandezas são representadas pelos símbolos "0" e "1" que
definem "estados lógicos".
O “estado lógico" é um estado perfeitamente definido, que não admite
dúvidas, pois possui apenas dois valores distintos, ou seja, "grandezas
binárias".
0= falso = aberto = GND = Lo = Off
1 = verdadeiro = fechado = Vcc = Hi = On
Como os dispositivos acionadores assumem apenas dois estados
distintos ("atuado" ou "não atuado") e os contatos elétricos também podem
assumir estados diferentes perfeitamente definidos ("aberto" ou "fechado"),
então, nada mais natural que expressemos as suas associações através da
forma algébrica definida por Boole.
Para representar a lógica dos contatos elétricos, toma-se como base o
seguinte critério:
Contato tipo NA
Não atuado = Circuito aberto = 0
Atuado = Circuito fechado = 1
Contato tipo NF
Não atuado = Circuito fechado = 1
Atuado = Circuito aberto = 0
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Tabela Verdade:
Após o levantamento da descrição do funcionamento do circuito monta-se
uma tabela verdade, considerando todas as combinações possíveis dos
estados das entradas e anotando os resultados na saída, como mostrado a
seguir.
Tabela verdade da "função E" de 2 entradas
a b S
0 0 0
0 1 0
1 0 0
1 1 1
Agora que temos a tabela verdade, produziremos o diagrama elétrico do
que represente o circuito. Na “tabela verdade” acima, a saída "S" só é igual a
"1" se as variáveis de entrada "a" e "b" forem iguais a "1", pois esta tabela foi
montada a partir da lógica “E”.
- Diagrama elétrico:
No diagrama elétrico acima, notamos que a saída "S" será acionada
somente se os contatos "a" E "b" estiverem fechados, assim, este circuito
representa uma função "E" de duas entradas.
Funções lógicas:
As funções lógicas básicas são: “E” (AND), “OU” (OR) e “NÃO” (NOT ou
INVERSOR). A partir da combinação das funções básicas temos as funções
derivadas, que são: “NÃO E” (NAND), “NÃO OU” (NOR), “OU EXCLUSIVO”
(XOR) e a “FUNÇÃO COINCIDÊNCIA” (NEXOR) também conhecida como
“FUNÇÃO IGUALDADE”.