Prevenção das Doenças Cárie e Periodontite na Infância
É comum que as áreas da odontologia sejam segmentadas nos estudos, e muitas
vezes esquecemos que o modelo ideal é o modelo integral: precisamos ver o paciente como
um todo.
A prevenção conjunta dessas doenças se baseia numa hipótese de etiologia
integrativa: as doenças cárie e periodontal tem origens interrelacionadas (pois são
mediadas por higiene e acúmulo de biofilme). Embora as bactérias sejam diferentes nas
doenças individualmente, em termos de etiologia o biofilme e o microbioma são um só, não
sendo possível estudar uma doença sem falar da outra, muito menos trabalhar a prevenção
de uma sem associar com a outra. Isso faz com que os múltiplos fatores etiológicos das
duas doenças sejam integrados.
Ambas doenças possuem etiologias complexas e multifatoriais e elas se ligam
através da hipótese integrativa, por conta de um desequilíbrio gerado pela disbiose do meio
oral. Quando os microrganismos da cavidade oral entram em desequilíbrio, fazem com que
ocorra a desmineralização da estrutura dental (cárie) e irritação gengival que ultrapassa o
limite de modulação do organismo, gerando inicialmente uma gengivite, que pode evoluir
para uma periodontite.
Cáries e Periodontites estão associadas ao biofilme, o que muda são as bactérias
predominantes nesse biofilme.
Essas doenças têm etiologia complexa e multifatorial.
Alguns pacientes podem ter uma péssima higiene oral, maus hábitos dietéticos e
outros fatores que fazem do ambiente oral um ambiente propício para lesão de cárie, mas
não ter lesão de cárie ou doença periodontal. Já outros pacientes podem ter uma boa
higiene oral, seguir uma boa dieta e apresentar lesões de cárie e/ou doença periodontal.
Isso ocorre porque diversos fatores, além do patógeno, influenciam no surgimento e
progressão da doença: a tríade de Keyes (1960), que cita hospedeiro, dieta cariogênica e
microrganismos como os fatores que interagem para determinar o surgimento da cárie, já
não é mais reconhecida como o modelo que explica o surgimento da doença. Atualmente,
se considera de extrema importância entender os níveis de risco de cárie de cada paciente
(alto, moderado e baixo), bem como os fatores confundidores e moduladores das doenças,
o que determina o porquê de alguns pacientes terem as doenças, e outros não.
Um fator comum ao surgimento dessas doenças é a sacarose, que provoca uma
perturbação no organismo, o que gera o desequilíbrio/disbiose, e determina o aumento da
carga de doenças crônicas, como a diabetes, doenças cardiovasculares e cárie.
Segundo a OMS, a sacarose não deve ultrapassar 5% do total de calorias para
prevenção de cárie e doenças crônicas. Já a Associação Americana do Coração
afirma que crianças acima de 2 anos precisam de apenas 25g por dia de sacarose,
enquanto as crianças abaixo de 2 anos não precisam de adição de sacarose na dieta
(zero sacarose).
Conceito de Cárie
A palavra cárie vem do grego e significa “cavidade”. Ao longo do tempo, esse
conceito foi alterado múltiplas vezes, de forma que deixou de ser sinônimo de cavidade em
estrutura dental e passou a ser entendida como manifestação/sinal do desequilíbrio des-re.
O conceito mais atual de cárie explica que a doença é uma disbiose fomentada pela
adição da sacarose, gerando uma perturbação no sistema, considerada um desequilíbrio de
sais minerais – esse desequilíbrio, em última instância, pode gerar uma cavidade na
estrutura do dente.
O termo correto para a cárie em crianças com menos de 4 anos é CÁRIE NA
PRIMEIRA INFÂNCIA, outros termos como cárie de mamadeira, cárie rampante e cárie
precoce não são mais utilizados.
Ações integradas contra a cárie na primeira infância são necessárias urgentemente em 4
áreas essenciais:
1. Conscientizar sobre a cárie na primeira infância
2. Limitar o consumo de açúcar
3. Escovar os dentes duas vezes por dia (mínimo de 1000ppm de flúor)
4. Fornecer as primeiras orientações preventivas
Ciclo de Vida da Doença Periodontal
O tempo e outros fatores moduladores que ocorrem no sistema imunológico do
paciente ao longo da vida são os responsáveis pelo surgimento da doença periodontal. É
falso que criança não pode ter doença periodontal! Essa doença não é restrita ao adulto.
Em relação ao tempo, pode-se citar a maturação do biofilme dental: na fase
inicial estão presentes microrganismos cocos, aeróbios e gram positivos no biofilme,
que, com o tempo, passa a apresentar microorganismos espiroquetas, anaerobios,
gram negativos, que caracteriza o biofilme como extremamente agressivo. A falta de
higiene, independentemente da idade, faz com que ocorra a doença periodontal e por
isso a desorganização do biofilme dental é extremamente necessária.
Maturação e Virulência do Biofilme
Substrato Limpo → Aeróbias, Gram+, Cocos → Anaeróbias, Gram-, espiroquetas
Fatores Determinantes, Modificadores e Predisponentes da Doença
Periodontal
São fatores que modificam o percurso da doença, tanto na infância como na vida
adulta, que nos permitem entender como uma criança pode ter mais ou menos risco de
desenvolver a doença periodontal, e quais são as intervenções necessárias sobre esses
fatores que podem ser realizadas como forma de prevenção.
O estágio eruptivo do dente perturba o organismo, pois permite o acúmulo de
biofilme abaixo do tecido gengival, na pseudobolsa (que nessa fase pode ter até 7mm), e
isso gera uma zona para a maturação do biofilme, gerando irritação gengival.
O uso de aparelho ortodôntico também é um fator que promove a retenção de
biofilme e faz com que haja associação com a doença periodontal
Crianças com diabetes tipo I tem mais chances de ter um status de higiene oral pior
por acúmulo de biofilme e particularidades, como o estado hiperglicêmico no sulco gengival,
que favorece o acúmulo de biofilme.
Risco Individual de Cárie:
● Fator socioeconômico
● Educação (criança e responsáveis
● Higiene, medicamentos e flúor
● Pacientes com necessidades especiais
O risco de cárie pode ser baixo, moderado ou alto, e interfere no grau de
invasibilidade da doença no organismo. O grau de risco dita os procedimentos necessários
para a saúde da criança. A ficha para avaliação do grau de risco geralmente é dividida para
pacientes abaixo de 6 anos e acima de 6 anos. Se o paciente apresentar 1 fator de alto
risco, ele é automaticamente considerado de alto risco.
Níveis de Prevenção da Cárie:
● Primário
○ Evitar o primeiro sinal
○ Quando o dente está hígido, devemos evitar o surgimento de manchas
brancas através da aplicação tópica de flúor e selantes
● Secundário
○ Evita a evolução da cárie incipiente
○ Quando tem mancha branca, devemos evitar que evolua para cavitação
● Terciário
○ Evitar que a cárie vire uma endo ou exo
○ Se evita que a cavidade evolua para uma condição pulpar, perda do dente,
ou que afete os dentes vizinhos
Por que reconhecer o risco da cárie do paciente?
Em lesões restritas a esmalte (E1 e E2), uma remineralização pode ser realizada por
diversos meios (educação de saúde, uso de substâncias químicas ou infiltrativas) e após
isso, monitorar a saúde oral do paciente.
A depender da profundidade da lesão, é preciso conhecer se o paciente é risco
baixo, moderado ou alto, pois esses níveis ajudam na decisão clínica de tratamento do
paciente.
● Risco Baixo ou Moderado → pode ser submetido a meios de remineralização
● Risco Alto → procedimentos restauradores
Classificação radiográfica das lesões:
● Lesão E1: menos da metade do esmalte;
● Lesão E2: mais da metade do esmalte, sem ultrapassar a junção esmalte-dentina.
● Lesão D1: ultrapassa, um pouco, a junção esmalte-dentina.
● Lesão D2: menos da metade da dentina.
● Lesão D3: metade, ou mais, da dentina.
Níveis de Prevenção da Doença Periodontal:
● Primário
○ Tem como objetivo manter a gengiva saudável
● Secundário
○ Tem como objetivo controlar a gengivite para não virar periodontite
● Terciário
○ Frear a periodontite para que não haja perda dentária
Em determinados casos, a periodontite na infância pode não estar tão associada à
falta de higiene oral, mas a doenças que comprometem o sistema imunológico, como a
diabetes, quadros de imunossupressão, leucemia, etc.
Métodos de Prevenção da Cárie e da Doença Periodontal
A prevenção das doenças, por meio de observação e controle, passa pelo controle
dos fatores etiológicos, controle da dieta, uso racional de sacarose e controle do biofilme
por meios químicos e mecânicos.
1. Controle dos Fatores Etiológicos
A lesão de cárie é um sintoma e não a doença em si. Devemos informar ao paciente
e seus responsáveis sobre o surgimento da cárie e os métodos de prevenção. Devemos
ensinar como escovar os dentes, como escolher o dentifrício, explicar que os dentes
decíduos também merecem atenção.
2. Controle da Dieta
Nós podemos educar os responsáveis e explicar os fatores dietéticos que
influenciam na doença periodontal e lesão de cárie, porém nunca exigir mudanças que
podem não ocorrer devido a fatores socioeconômicos e culturais.
Sendo assim, outros meios, como a intensificação de higiene oral, devem ser
explorados. Existe uma razão diretamente proporcional entre boa dieta e boa saúde
periodontal, assim como uma dieta ruim leva a uma saúde periodontal ruim – essa relação
também pode ser estabelecida para a cárie.
Análise da Dieta
● Frequência → muitos se alimentam de carboidratos fermentáveis numa
frequência inadequada
● Oportunidade → orientar os responsáveis a dar o açúcar após as principais
refeições, seguido de escovação
● Consistência → consistências pegajosas deixam o açúcar mais tempo na
superfície dentária
● Açúcares embutidos → alto nível de sacarose
● Recordatórios de dieta → diários de 3 a 7 dias
3. Controle Mecânico do Biofilme
Depende de frequência, tipo de escova, técnica utilizada e controle motor. De todos
esses fatores, o único que apresenta evidência científica que comprova que interfere no
controle de biofilme é o controle motor.
Na odontopediatria não se faz distinção entre as técnicas, em termo de controle de
biofilme (no entanto, a técnica de fones é aprendida mais rapidamente pela criança – é
conhecida como “bolinhas na frente e vai e vem ou ‘serrote’ atrás”).
O controle de biofilme para dentes que
estão erupcionando deve ser mais rigoroso e por
isso há modificação da técnica: enquanto os
dentes erupcionados tem sua superfície oclusal
escovada em um movimento ântero-posterior
(setas azuis), a escovação dos dentes que ainda
estão erupcionando ocorre de maneira horizontal
em sentido látero-lateral (setas vermelhas). É
muito importante informar o paciente e os
responsáveis sobre essa modificação da técnica.
Em casos de hipomineralização molar-incisivo é interessante prescrever um
dentifrício diferente (com 5000ppm de flúor) para os dentes afetados. Os outros dentes, não
afetados, devem ser escovados com um dentifrício de 1100ppm de flúor. A literatura mostra
que o ideal é o dentifrício de 1100ppm de flúor, mas o uso do dentifrício de 5000ppm tem
como objetivo uma atenção direcionada para o paciente e seus responsáveis para as
regiões afetadas/de alto risco (“só o fato de ter prescrito o dentifrício para aquela região, faz
com que o paciente e os responsáveis não esqueçam daquela região”).
A literatura mostra que a profilaxia e o controle periódico não apresentam suporte
científico de que irão prevenir cárie ou doença periodontal. O objetivo desses
procedimentos é facilitar a visualização de alterações nas superfícies dos dentes a
depender do risco individual de cárie de cada paciente. Pacientes com risco alto precisam
ser avaliados pelo dentista com mais frequência do que aqueles com baixo risco.
Uma revisão sistemática publicada em 2017 revelou que o uso de fio dental em
dentição decídua com o objetivo de prevenir cárie proximal não apresenta suporte científico.
Usar ou não o fio dental na dentição decídua, não faz diferença em relação à prevenção de
cárie. No entanto, é importante incentivar o uso do fio dental, para que a criança já esteja
habituada quando sua dentição for mista/permanente. Os dentes decíduos em arco do tipo
1 de Baume apresentam espaços interproximais (embora o ponto de contato dos molares
sejam áreas de predileção para a cárie – geralmente a cárie em crianças é oclusoproximal,
envolvendo os molares). Além disso, as crianças não têm habilidade para usar o fio dental
corretamente.
4. Controle Químico do Biofilme
O biofilme pode ser controlado através da clorexidina 0,12%, mas estudos mostram
evidências divergentes para prevenção de cárie e doença periodontal: alguns estudos
mostram que só é eficaz na prevenção de doença periodontal, e não da cárie.
Manutenção e Controle
É a volta do paciente para a manutenção e controle de sua saúde. O retorno do
paciente depende dos riscos individualizados de cárie de cada paciente: um paciente com
aparelho ortodôntico precisa ser monitorado mais vezes do que um paciente sem aparelho
periodontal, por exemplo. É preciso conhecer o paciente para determinar quando ele deve
retornar e a anamnese bem feita é muito importante para isso.
Fluoretos - Métodos exclusivos para prevenção de cárie
O "flúor", como é conhecido no meio odontológico, é o elemento mais eletronegativo
da tabela periódica e tem extrema facilidade de se unir a outro flúor, formando um gás. A
substância química que é aplicada nos dentes dos pacientes é o fluoreto (junção de flúor,
cálcio e outros elementos menos eletronegativos)
Quando o flúor está desassociado, ele apresenta um estado de eletronegatividade
máxima e irá reagir rapidamente com o meio (nesse caso, o cálcio do dente).
Após a reação, não é necessário pedir para o paciente esperar 30 minutos para
comer ou beber água, pois o gel entrou em contato com as superfícies dentárias por mais
ou menos 2 minutos e já finalizou sua reação com as superfícies.
O mecanismo de ação do flúor diminui a desmineralização, ativa a remineralização,
diminui o pH crítico e a produção ácida e interfere na adesão bacteriana. O flúor não
fortalece os dentes (apenas diminui a desmineralização, e não a evita – em alguns casos o
desafio cariogênico é tão intenso que o flúor não consegue atuar naquela superfície), não
inibe a produção ácida (o flúor interfere no metabolismo bacteriano, mas não impede que as
bactérias produzam ácido) e não têm indicação sistêmicas.
Os fluoretos formam fluoretos de cálcio e apenas 10% de apatita fluoretada – isso
faz com que não ocorra uma mudança de solubilidade do dente na presença de fluoretos. A
tentativa de adicionar mais flúor nos dentifrícios não irá produzir mais apatita fluoretada (o
máximo de formação é 10%). A formação do fluoreto de cálcio é diretamente proporcional a
dose de fluoreto, mas sempre levando em consideração o limite de saturação da saliva e do
biofilme. A formação do fluoreto de cálcio é inversamente proporcional ao pH – quanto mais
ácido, mais se forma fluoreto de cálcio (por isso os produtos geralmente são “flúor fosfatado
acidulado”)
A diminuição da desmineralização ocorre por conta da precipitação da apatita
fluoretada (FA), que precipita primeiro. A FA é mais insolúvel do que a hidroxiapatita (HA), e
quando ocorre uma demsineralização da superfície, a FA se precipita primeiro na lesão,
trazendo consigo, do meio, o cálcio e o fosfato, evitando que ocorra mais desmineralização.
A ativação da remineralização ocorre quando o pH volta a normalidade e o fluoreto
de cálcio presente na saliva precipita na lesão, trazendo consigo, da saliva, cálcio, flúor e
fósforo, na tentativa de remineralizar a lesão.
Quando não há fluoretos presentes na saliva, o esmalte passa a desmineralizar num
pH =5,5 e a dentina, num pH=6,7. Se há fluoretos no meio, é necessário um pH mais ácido
para desmineralizar os tecidos (o pH pode chegar a 4,5 e o esmalte não desmineralizar, ou
a 5,5 e a dentina não desmineralizar, por exemplo). Na presença de fluoretos, o pH crítico
para que o dente comece a desmineralizar, precisa ser mais ácido do que o usual.
O fluoreto diminui a capacidade da bactéria em produzir ácido, além de interferir no
mecanismo de adesinas, fazendo com que produzam adesinas deficientes e tenham
dificuldades de aderir entre elas e na superfície dentária.
Mitos do Fluoreto:
● Mecanismo de ação sistêmica
○ O mecanismo de ação é sempre por meio tópico, mesmo que seja engolido,
pois retorna à cavidade oral através das glândulas salivares.
● Quantidade excessiva interfere na solubilidade
○ Não interfere, pois apenas 10% do fluoreto é incorporado à apatita
fluoretada.
● Possuem ação antimicrobiana a nível crítico
○ Isso não ocorre, a ação antimicrobiana é a nível experimental, numa
concentração tão alta que seria tóxico ao ser humano.
● Deixa o dente mais forte
○ Não. Um dente hígido continuará com os mesmos níveis de dureza com ou
sem o fluoreto. O fluoreto só faz o processo de remineralização em dentes
que já sofreram desmineralização, nunca superando a resistência de um
dente hígido.
Verdades sobre o Fluoreto:
● O paciente não precisa esperar 30 minutos para comer ou beber após aplicação
tópica de flúor.
● Dentes com fluorose podem receber fluoretos sem aumentar o risco da lesão, pois é
um defeito de esmalte que ocorreu na fase de odontogênese.
● Dentes com fluorose não são mais suscetíveis a cárie.
● Fluoretos por si só não previnem o surgimento de cárie.
Meios de Aplicação dos Fluoretos
Os fluoretos são o meio preventivo mais impactante na qualidade de vida das
pessoas segundo a OMS. Podem ser administrados por meios de aplicação coletivos,
individuais, e profissionais.
1. Meio Coletivo
● A água fluoretada na concentração de 0,7-1ppmF pode reduzir em até 60%
os níveis de cárie
● A fluoretação das águas é um processo que necessita continuidade para que
o Fluor possa agir no meio oral. Quando há descontinuidade:
○ Aumento de 25% de novas lesões em decíduos
○ Aumento de 35% de novas lesões em permanentes
● 50% dos municípios brasileiros não tem água fluoretada. O custo é de 0,50
dólares por pessoa por 18 anos. O custo para tratar os dentes em lugares
sem água fluoretada pode ser de 56 a 250 vezes maior.
● Os estudos mais recentes não são suficientes para afirmar que as águas
devem ser fluoretadas, são necessários mais estudos acerca do tema. No
entanto, os estudos mais antigos devem ser respeitados e por isso, a
fluoretação das águas é vista como necessidade.
● Bochechos semanais numa concentração de 0,2% em população escolar
ajudam a reduzir o índice de cárie em 30%.
2. Meio Individual
● O uso do dentifrício fluoretado é considerado um meio mais racional de
utilização dos fluoretos, pois combina o efeito químico com o mecânico de
desorganização do biofilme.
● Quantidade de dentifrício:
○ Menores de 3 anos → grão de arroz
○ Maiores de 3 anos → grão de ervilha
● Devemos informar às crianças para não molhar o dentifrício, pois dilui a
quantidade de flúor disponível na porção de dentifrício. Além disso, o
enxágua após a escovação deve ser o mínimo possível, para que o fluoreto
permaneça na cavidade bucal.
● A escovação com dentifrício fluoretado (1000-5000ppmF) mostra redução na
prevalência de cáries na ordem de 21% a 28%.
● Dentifrícios com baixa concentração de fluoretos não são recomendados,
pois a cada redução de 500ppmF, há um aumento de 6% na prevalência de
cáries
● Não há evidência que comprove a diminuição na prevalência de fluorose em
casos de dentifrício com flúor. O paciente escova os dentes e boa parte pode
ser ingerida e eliminada através da urina e fezes. Quando retorna à cavidade
oral através das glândulas salivares, atua topicamente.
● Obs: bochechos diários (0,05%) são contraindicados para menores de 6
anos, pois as crianças dessa idade acabam engolindo o produto químico.
3. Meio Profissional
● Aplicação tópica de géis de flúor neutro e flúor fosfatado acidulado.
○ Fosfatado acidulado dispensa profilaxia antes da aplicação
○ Reduzem a prevalência de cárie em 37% quando aplicados 2 a 3
vezes ao ano
● O verniz fluoretado necessita de profilaxia prévia à sua aplicação e
apresenta eficácia de 43% na diminuição da prevalência de cárie quando
aplicado pelo menos 2 vezes ao ano.
○ Geralmente aplicado sobre lesões de mancha branca
○ Não é recomendado usar em dentes hígidos por ser um material caro
○ Aplicar em superfície seca e isolada
○ Estudos mostram que o verniz não aparenta ser eficaz para reverter
lesões em pacientes com alto risco de cárie
● O diamino fluoreto de prata é o mais recomendado em pacientes com alto
risco de cárie, é um material barato, pode ser usado nas concentrações de
12% ou 30%
○ 70% das lesões em dentina são paralisadas com apenas 1 aplicação
○ Apresenta taxa de 96% de prevenção de cárie
○ Quando entra em contato com o tecido colágeno desorganizado,
tende a manchar esse tecido com uma coloração escura, devido à
reação da prata com o oxigênio, gerando um manchamento escuro
○ O mecanismo de ação envolve um antimicrobiano (prata) e um
fluoreto de altíssima concentração, agindo juntos para que ocorra a
remineralização da lesão.
○ Estudos atuais mostram que o diamino fluoreto de prata é mais
efetivo que o CIV, pois além de paralisar a lesão, também permite a
disponibilidade do flúor na cavidade.
○ Um novo produto no mercado, o Riva Star, apresenta concentração
de 38% de diamino fluoreto de prata, e em seu passo 2, tem iodeto,
que faz com que o manchamento escuro fique um pouco mais claro.
Mais estudos são necessários em relação a esse material e suas
propriedades de paralisação da lesão, adesividade, etc.
4. Outros meios
● O Xylitol é um açúcar invertido que promove a redução da quantidade do
biofilme pela perturbação do metabolismo das bactérias.
○ Evidências na literatura são confusas e não são suficientes, alguns
estudos recentes mostram que a goma de xylitol não é eficaz para a
redução da lesão de cárie.
○ Em termos de dentifrício, também há uma baixa evidência científica
de que o xylitol funciona para reduzir a prevalência de cárie,
● O Fosfato de Cálcio estabilizado com Caseína é um produto que reverte
lesões de cárie ativa pela deposição de fosfato e cálcio.
○ Quando indicado, deve ser esfregado no dente e o excesso é
removido sem água.
○ O produto é muito caro e, por possuir caseína, não pode ser indicado
para pacientes com alergia a leite.
○ São necessários mais estudos sobre a eficácia desse produto
● A Arginina é uma enzima que transforma ácido em amônia, conhecida no
Brasil como “neutraçúcar”
○ Está contida em alguns dentifrícios em uma concentração de 1,5%¨e
deve ser utilizada 2 vezes ao dia
○ Sua ação envolve o aumento do pH, favorecendo a remineralização
○ São necessários mais estudos para acumular evidências de que a
arginina funciona.
● O uso dos Selantes depende de algumas situações: da pessoa, da técnica, e
do material utilizado.
○ Em termos de pessoa, precisamos considerar:
■ Risco individual do paciente → contraindicado para baixo risco
■ Motivação → paciente precisa ser motivado
■ Tipo de Dente → molares precisam mais de selantes
■ Morfologia/Erupção do dente → o estado da erupção dita qual
selante utilizar (resinoso, precisa de isolamento, já o
ionomérico é indicado para casos em que não se pode isolar)
○ Em termos de material utilizado, levamos em consideração:
■ Resinoso → isolamento
■ Ionomérico (CIV) → quando isolamento não é possível
■ Laser de baixa potência → pode selar a superfície dentária
■ Eficácia → não há diferença de eficácia entre resinoso e
ionomérico
○ Em termos de técnica, precisamos considerar:
■ Isolamento absoluto → mais recomendado
■ Isolamento relativo → quando não dá pra fazer absoluto
■ Sonda exploradora → utilizada para tentar remover o selante
após a aplicação, para verificar a retenção do selante
■ Resinoso precisa de condicionamento ácido + adesivo
Panorama de Tratamento de Lesões de Cárie
● Lesões Iniciais (ICDAS 1 e 2)
○ Intervenção baseada na aplicação de flúor, IHO, instrução de dieta e selante
● Lesões Moderadas (ICDAS 3 e 4)
○ Sombreamento de dentina externa → selante resinoso
○ Sombreamento de dentina interna → remoção da lesão + RC ou CIV
○ Em casos de cavidade existente, usamos selante ou cariostático (diamino)
● Lesões Severas (ICDAS 5 e 6)
○ Cavidades com aberturas <3mm em dentina externa → selante ou RC
○ Aberturas >3mm → RC e CIV, ou utilizar Técnica de Hall (intervenção não
invasiva que consiste em aplicar um elástico separador em uma consulta, e
cimentação de coroa de aço em consulta posterior)
○ Se a lesão estiver paralisada, há possibilidade de não restaurar a lesão.
Depende do risco de cárie do paciente.