DEPARTAMENTO DE DIREITO
DIREITO DE FAMÍLIA
ADOÇÃO
O Direito Civil é a disciplina jurídica das pessoas comuns, de seus negócios, de seus bens, de
suas relações familiares, de sua vida cotidiana. Por isso, antes de começarmos o tema da
Adoção, é imprescindível conhecer “a vida como ela é”. Façam o seguinte:
(1) acessem o link do projeto TJES ESPERANDO POR VOCÊ:
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(2) Clique em uma das fotos; qualquer uma (ou várias, se você quiser).
(3) Assista ao vídeo que vem logo abaixo da foto; se não houver vídeo
correspondente à foto escolhida, clique em outra.
Definição de Adoção: “Ato solene pelo qual se cria entre o adotante e o adotado relação
fictícia de paternidade e filiação” (Francisco Cavalcanti PONTES DE MIRANDA). Depende de
sentença judicial. A adoção é medida excepcional e irrevogável, à qual se deve recorrer
apenas quando esgotados os recursos de manutenção da criança ou adolescente na família
natural ou extensa (art. 39, §1º, do ECA).
Perda do Poder Parental (Poder Familiar): com a adoção, ocorre a extinção do poder
familiar estabelecido no art. 1.630 do CCB, que os pais detêm sobre o menor; trata-se de um
efeito automático. Não há adoção sem prévia decretação, pelo Judiciário, de perda do
poder familiar. Todavia, pode ocorrer a perda do poder parental por força de sentença
judicial, garantidos o contraditório e a ampla defesa aos pais, sem que a criança venha a ser
adotada por outra família; ou seja, nesta hipótese, a criança fica sem pais e é destinada a um
estabelecimento de acolhimento ("orfanato') até que venha a ser adotada ou alcance a
maioridade.
Definição de Família no Estatuto da Criança e do Adolescente:
NATURAL: Art. 25. Entende-se por família natural a comunidade formada pelos pais
ou qualquer deles e seus descendentes.
SUBSTITUTA: Art. 28. A colocação em família substituta far-se-á mediante guarda,
tutela ou adoção, independentemente da situação jurídica da criança ou
adolescente, nos termos desta Lei.
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EXTENSA (ou Ampliada): Art. 25 - Parágrafo único. Entende-se por família extensa ou
ampliada aquela que se estende para além da unidade pais e filhos ou da unidade do
casal, formada por parentes próximos com os quais a criança ou adolescente convive
e mantém vínculos de afinidade e afetividade.
Guarda: O Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei nº 8.069) tem por embasamento a
proteção integral da criança e do adolescente, segundo direito fundamental de que cada um
deles deve ser criado no seio de sua família e, excepcionalmente, em família substituta (ECA,
art. 19 e CF, art. 227). Assim, são estabelecidas três formas de colocação de criança e de
adolescente em família substituta: guarda, tutela e adoção (ECA, art. 28). A Guarda está
regulada nos artigos 33 a 35, e genericamente nos artigos 28 a 32, todos do ECA.
Tutela: enquanto a Curatela se aplica a maiores incapazes, a Tutela é para os filhos menores
e ocorre (art. 1.728 do CCB e art. 36 do ECA) com o falecimento dos pais (dos dois), ou sendo
estes julgados ausentes; e no caso de os pais decaírem do poder familiar. Quando os pais
perdem o poder familiar? Veja no art. 1.638 do CCB.
OBS: Tomada de Decisão Apoiada: Art. 1.783-A do CCB: A tomada de decisão
apoiada é o processo pelo qual a pessoa com deficiência elege pelo menos 2 (duas)
pessoas idôneas, com as quais mantenha vínculos e que gozem de sua confiança,
para prestar-lhe apoio na tomada de decisão sobre atos da vida civil, fornecendo-lhes
os elementos e informações necessários para que possa exercer sua capacidade.
Adoção à Brasileira: É crime: art. 242 do CP. Porém, é socialmente aceita. Em se tratando de
adoção à brasileira (em que se assume paternidade sem o devido processo legal), a melhor
solução consiste em só permitir que o pai adotante busque a nulidade do registro de
nascimento quando ainda não tiver sido constituído o vínculo de socioafetividade com o
adotado. STJ – 3ª. Turma. Notícia de 14/07/2009.
Regulamentação legal da Adoção: Lei Nacional de Adoção (Lei nº. 12.010/2009), que alterou
o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA - Lei nº. 8.069/90). Código Civil (art. 1.618 e
1.619).
Entrega de criança recém-nascida: Estatuto da Criança e do Adolescente: Art. 19-A. A
gestante ou mãe que manifeste interesse em entregar seu filho para adoção, antes ou logo
após o nascimento, será encaminhada à Justiça da Infância e da Juventude. (Incluído pela Lei
nº 13.509, de 2017). No Estado do ES, o procedimento detalhado foi estabelecido pelo ato
normativo disponível em: http://www.tjes.jus.br/corregedoria/2022/04/12/ato-
normativo-conjunto-no-009-2022-disp-12-04-2022/
Adoção de maior de 18 anos: segue a mesma regra do ECA, segundo determina o CCB (art.
1.620). O ECA trata da adoção do menor e o código civil da adoção do maior.
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Pré-requisito principal para deferimento da adoção: deve-se respeitar o Princípio do Melhor
Interesse da Criança. ECA: art. 43. A adoção será deferida quando apresentar reais vantagens
para o adotando e fundar-se em motivos legítimos. Não se admite, por exemplo, a Adoção
Previdenciária: Apelação cível. Adoção. Comprovando-se que a adoção pretendida não
objetiva alcançar a finalidade precípua do instituto, qual seja a de constituir-se uma família,
na relação mãe e filho adotivo, mas, na realidade, instituir um herdeiro e beneficiário de
pensão previdenciária, indefere-se o pedido. Apelo desprovido. TJ/RJ - Recurso nº.
1995.001.00875, Desembargador Youssif Salim Saker – 8ª Câmara, 1995. No mesmo
sentido, Superior Tribunal de Justiça no REsp 696204/RJ – Publicado em 19-9-2005.
OBS: Eis um caso curioso: a sentença havia destituído os pais do poder familiar haja
vista abusos e agressões à criança. O casal apelou, alegando que a mãe não havia
sido ouvida (desrespeito ao contraditório/ampla defesa). Neste intervalo, a criança
foi colocada em um estabelecimento de acolhimento e depois foi posta em uma
família substituta (guardiões). Algum tempo depois, o Tribunal reconheceu aquele
vício processual e anulou a sentença e determinou que a criança fosse retirada do
casal guardião e devolvida ao estabelecimento de acolhimento. O casal detentor da
guarda cumpriu a determinação. Qual medida judicial seria cabível neste caso para
preservar o melhor interesse da criança?
Efeitos da adoção: atribui ao adotado a condição de filho do adotante, com os mesmos
direitos e deveres dos filhos biológicos, inclusive em relação a alimentos e a herança. A
adoção é irrevogável, mas é anulável (ou seja, se houver vício). A filiação por adoção cria
vínculos de parentesco do adotado com todos os parentes do adotante, independentemente
da vontade destes. Ex: a criança adotada será neta do pai do adotante.
OBS: O Superior Tribunal de Justiça decidiu em 16/08/2007 no REsp 813.604-SC que a
criança adotada por apenas uma pessoa (no caso, uma mulher) possuía direito a
alimentos em relação ao seu pai biológico, uma vez que o vínculo paterno não havia
sido extinto pela adoção, mas apenas o materno. Neste caso, parece razoável
concluir que poderia também ter direito à herança, embora isso não tenha sido
debatido nos autos, pois o pai estava vivo.
Quem pode adotar: os maiores de 18 anos, independentemente de estado civil e de opção
sexual, vedada a adoção por procuração, desde que não sejam nem ascendentes (por
exemplo, avô) nem irmãos do adotado. O adotante há de ser, pelo menos, dezesseis anos
mais velho do que o adotando. O adotante tem que demonstrar que possui condições
morais e materiais de desempenhar a função de verdadeiro pai/mãe da criança e que possa
lhe proporcionar ambiente familiar adequado (art. 29 c/c art. 43, do ECA).
Adoção por duas pessoas (Adoção Conjunta): somente se forem casadas ou viverem em
união estável (art. 42, §2º, do ECA).
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OBS: A adoção por casal homoafetivo foi expressamente excluída pelo Congresso
durante os debates do projeto de lei da Lei Nacional de Adoção. Contudo, registre-se
que em 27/04/2010 a 4ª Turma do STJ decidiu manter uma decisão do TJ/RS que
deferira a adoção de uma criança por uma mulher de casal homossexual. Todavia, foi
um caso muito específico: as crianças haviam sido adotadas em 1998 por uma das
mulheres; a outra, que passou a manter com ela união homoafetiva, depois de anos
pleiteou a adoção para que a criança passasse a ter duas mães. O Ministério Público
recorreu da decisão, mas o recurso foi rejeitado pelo STJ. Conclusão silogística: o STF
decidiu que a união estável pode ser entre pessoas do mesmo sexo, de modo que, se
for cumprido o art. 43, do ECA, não haverá impedimento.
Cadastro Nacional de Adoção (CNA) - cadastro de adotáveis e de interessados em adotar:
art. 50. do ECA: A autoridade judiciária manterá, em cada comarca ou foro regional, um
registro de crianças e adolescentes em condições de serem adotados e outro de pessoas
interessadas na adoção. "O CNA é um sistema de informações, hospedado nos servidores do
CNJ, que consolida os dados de todas as Varas da Infância e da Juventude referentes a
crianças e adolescentes em condições de serem adotados e a pretendentes habilitados à
adoção. Ao centralizar e cruzar informações, o sistema permite a aproximação entre crianças
que aguardam por uma família em abrigos brasileiros e pessoas de todos os Estados que
tentam uma adoção. O sistema objetiva reduzir a burocracia do processo, pois uma pessoa
considerada apta à adoção em sua comarca (área jurisdicional que abrange um ou mais
municípios) ficará habilitada a adotar em qualquer outro lugar do país."
OBS: Veja o Cadastro em: http://www.cnj.jus.br/sistemas/infancia-e-
juventude/20530-cadastro-nacional-de-adocao-cna
“Doação” de criança: as gestantes ou mães que manifestarem interesse em entregar seu
filho para adoção devem ser encaminhadas ao juiz da infância e da adolescência. A “adoção
à brasileira” (ou adoção simulada) é ato contrário à lei. Porém, se a relação persistir por
longo período, configura filiação socioafetiva, que, segundo parte da doutrina, é irrevogável,
pois nemo potest venire contra factum proprium (haveria, assim, violação à boa fé objetiva).
Adoção intuito personae: Adoção intuitu personae é aquela que ocorre quando os próprios
pais biológicos escolhem a pessoa que irá adotar seu filho. Neste caso, não se utiliza o
cadastro de adotáveis e de interessados em adotar. O STJ possui julgado admitindo-a: AgRg
na MC 15.097-MG, Rel. Min. Massami Uyeda, julgado em 5/3/2009. Atualmente é tratada no
§13 do art. 50, do ECA.
Procedimento para se adotar: ver art. 197-A, do ECA.
ATENÇÃO: a adoção somente se perfaz por meio de sentença judicial (art. 28, do
ECA).
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Adoção internacional: ver art. 51 e 52, do ECA.
Coexistência de filiação: (1) não podem existir simultaneamente a filiação biológica e a
adotiva (ECA Art. 41. A adoção atribui a condição de filho ao adotado, com os mesmos
direitos e deveres, inclusive sucessórios, desligando-o de qualquer vínculo com pais e
parentes, salvo os impedimentos matrimoniais). (2) todavia, podem coexistir a filiação
adotiva e a socioafetiva.