DIREITO PENAL A perda de bens consiste na reversão de
REVISÃO I pertences do condenado ao Fundo Penitenciário
DAS PENAS Nacional. A multa consiste no pagamento de
NOÇÕES INTRODUTÓRIAS valores impostos na sentença. Afeta o
CONCEITUAÇÃO patrimônio do acusado.
MARIA HELENA DINIZ Por fim, a suspensão ou interdição de
Sanção restritiva de liberdade ou pecuniária direitos pode consistir, por exemplo, na
aplicada pelo Poder Judiciário a quem proibição do exercício de profissão ou de função
praticar contravenção ou crime. pública, na suspensão da carteira de
(pág. 1309, Maria H. Diniz)
habilitação, na proibição de frequentar certos
NUCCI locais etc.
É a sanção imposta pelo Estado, através da
ação penal, ao criminoso, cuja finalidade é a
retribuição ao delito perpetrado e a
prevenção a novos crimes.
(pág. 629, Nucci) TIPOS (ESPÉCIES)
Sanção penal é o gênero para as espécies1:
CLEBER MASSON
A) Medida de segurança;
Sanção penal é a resposta estatal, no
exercício do ius puniendi e após o devido B) Penas.
processo legal, ao responsável pela prática As penas reclamam a culpabilidade do agente,
de um crime ou de uma contravenção penal. e destinam-se aos imputáveis e aos
(pág. 771, Masson) semi-imputáveis sem periculosidade.
Já as medidas de segurança têm como
pressuposto a periculosidade, e dirigem-se aos
PREVISÃO CONSTITUCIONAL
inimputáveis e aos semi-imputáveis dotados de
periculosidade, pois necessitam, no lugar da
punição, de especial tratamento curativo.
(pág. 771, Masson)
A pena privativa de liberdade é exemplo de
privação de direito (de ir e vir, de liberdade).
A limitação de fim de semana, por sua vez, é
exemplo de pena restritiva de liberdade (que,
no Código Penal, entretanto, integra o rol das 1
Destarte, o Direito Penal é um sistema de dupla via,
penas denominadas restritivas de direitos). pois admite as penas (1.ª via) e as medidas de segurança
(2.ª via) como respostas estatais aos violadores das suas
regras. (SISTEMA VICARIANTE)
FINALIDADES DA PENA
Para a teoria absoluta, a finalidade da pena é
retributiva. Por sua vez, para a teoria relativa,
os fins da pena são estritamente preventivos. E,
finalmente, para a teoria mista ou unificadora, a
pena tem dupla finalidade: retributiva e
preventiva.
É chamada de absoluta porque esgota-se em si
mesma, ou seja, a pena independe de qualquer
finalidade prática, não se vincula a nenhum fim,
pois não se preocupa com a readaptação social A prevenção de novas infrações penais atende a
do infrator da lei penal. Pune-se simplesmente um aspecto dúplice: geral e especial.
como retribuição à prática do ilícito penal. Em PREVENÇÃO GERAL
outras palavras, a pena funciona meramente A prevenção geral é destinada ao controle da
como um castigo, assumindo nítido caráter violência, na medida em que busca diminuí-la
expiatório. A pena atua como instrumento de e evitá-la. Pode ser negativa ou positiva.
vingança do Estado contra o criminoso, com a ● A prevenção geral negativa, idealizada
finalidade única de castigá-lo, fator esse que por J. P. Anselm Feuerbach com arrimo em
sua teoria da coação psicológica, tem o
proporciona a justificação moral do condenado
propósito de criar no espírito dos potenciais
e o restabelecimento da ordem jurídica.
criminosos um contraestímulo
A teoria absoluta e a finalidade retributiva da suficientemente forte para afastá-los da
pena ganharam destaque com os estudos de prática do crime. Busca intimidar os
Georg Wilhelm Friedrich Hegel e de Emmanuel membros da coletividade acerca da
gravidade e da imperatividade da pena,
Kant, que exemplificava:
retirando-lhes eventual incentivo quanto à
prática de infrações penais.
● Prevenção geral positiva, de outro lado,
consiste em demonstrar e reafirmar a
existência, a validade e a eficiência do
Direito Penal. Almeja-se demonstrar a
vigência da lei penal. O efeito buscado com
a pena é romper com a ideia de vigência de
uma “lei particular” que permite a prática Penal, quando dispõe que a pena será
criminosa, demonstrando que a lei geral – estabelecida pelo juiz “conforme seja
que impede tal prática e a compreende necessário e suficiente para reprovação e
como conduta indesejada – está em vigor.
prevenção do crime”. É também chamada de
Em suma, o aspecto positivo da prevenção
teoria da união eclética, intermediária,
geral repousa na conservação e no reforço
da confiança na firmeza e poder de execução conciliatória ou unitária.
do ordenamento jurídico. A pena tem a
missão de demonstrar a inviolabilidade do
Direito diante da comunidade jurídica e
reforçar a confiança jurídica do povo.
PREVENÇÃO ESPECIAL
A pena ainda é dotada de prevenção especial,
direcionada exclusivamente à pessoa do
condenado. Subdivide-se também a
prevenção especial em negativa e positiva.
● Para a prevenção especial negativa, o
importante é intimidar o condenado para
que ele não torne a ofender a lei penal.
Busca, portanto, evitar a reincidência.
● a prevenção especial positiva
preocupa-se com a ressocialização do
condenado, para que no futuro possa ele,
com o integral cumprimento da pena, ou, se
presentes os requisitos legais, com a
obtenção do livramento condicional,
retornar ao convívio social preparado para
respeitar as regras a todos impostas pelo
Direito.
FUNDAMENTOS DA PENA
Fundamentos da pena não se confundem com
FUNÇÃO DA PENA NO BRASIL
finalidades da pena. Aqueles se relacionam com
A pena deve, simultaneamente, castigar o
os motivos que justificam a existência e a
condenado pelo mal praticado e evitar a prática
imposição de uma pena; estas dizem respeito
de novos crimes, tanto em relação ao criminoso
ao objetivo que se busca alcançar com sua
como no tocante à sociedade. Em síntese,
aplicação.
fundem-se as teorias e finalidades anteriores. A
Apontam-se seis principais fundamentos da
pena assume um tríplice aspecto: retribuição,
pena: retribuição, reparação, denúncia,
prevenção geral e prevenção especial. Foi a
incapacitação, reabilitação e dissuasão.
teoria acolhida pelo art. 59, caput, do Código
A) Retribuição: confere-se ao condenado uma pena
proporcional e correspondente à infração penal na
qual ele se envolveu. É a forma justa e humana que
tem a sociedade para punir os criminosos, com
proporção entre o ilícito penal e o castigo. O mal que
a pena transmite ao condenado deve ser equivalente
ao mal produzido por ele à coletividade. O crime deve
ter a pena que merece (desvalor do criminoso),
semelhante ao desvalor social da conduta.
B) Reparação: consiste em conferir algum tipo de
recompensa à vítima do delito. Relaciona-se com a
vitimologia, notadamente com a assistência à vítima e
à reparação do dano, como forma de recompor o mal
social causado pela infração penal.
C) Denúncia: é a reprovação social à prática do
crime ou da contravenção penal. A necessidade de
aplicação da pena justifica-se para exercer a
prevenção geral por meio da intimidação coletiva, e
não para desfazer o desequilíbrio causado pelo crime.
D) Incapacitação: priva-se a liberdade do
condenado, retirando-o do convívio social, para a
proteção das pessoas de bem. Para Garofalo, a pena é
um mal necessário à reparação do dano provocado
pela conduta criminosa. E, embora na aparência o fim
da pena seja a vingança social ou o desejo de fazer
sofrer ao culpado um mal análogo ao que ele produziu,
na realidade o que se deseja é isto: em primeiro lugar,
excluir do meio coletivo os delinquentes
inassimiláveis; depois constranger o autor de um mal
a repará-lo, tanto quanto possível.
E) Reabilitação: deve recuperar-se o penalmente
condenado. A pena precisa restaurar o criminoso,
tornando-o útil à sociedade. Funciona como meio
educativo, de reinserção social, e não punitivo.
F) Dissuasão: busca convencer as pessoas em geral,
e também o condenado, de que o crime é uma tarefa
desvantajosa e inadequada. A pena insere-se como
atividade destinada a impedir o culpado de tornarse
nocivo à sociedade, bem como instrumento para
afastar os demais indivíduos de práticas ilícitas
perante o Direito Penal.