FACULDADE DE ESTUDOS SOCIAIS DO ESPÍRITO SANTO
CIÊNCIAS CONTÁBEIS
CONCEITOS
Legislação e Cálculos Atuariais – CC5A – 2024/1
Professor: Adriano Marcos de Souza
LEGISLAÇÃO E CÁLCULOS ATUARIAIS
1. CONCEITO
A ciência atuarial é a ciência das técnicas específicas de análise de riscos e expectativas, principalmente na administração de seguros
e fundos de pensão. Esta ciência aplica conhecimentos específicos das matemáticas estatística e financeira.
2. FUNDAMENTOS DE DEMOGRAFIA
2.1. INTRODUÇÃO
Os estudos da demografia precedem aos estudos e desenvolvimento da matemática atuarial.
Demografia é a ciência que estuda o movimento das populações.
População
Um conjunto de indivíduos com uma determinada característica.
Uma população pode manter certo equilíbrio ou pode sofrer um desequilíbrio. Uma população pode crescer de forma acentuada e
gerar malefícios para si mesma (fome). Também poderá diminuir de forma que fique exposta ao risco de extinção. Uso de
métodos contraceptivos, preço de escolas para crianças, lazer, influenciam no equilíbrio populacional.
Conforme Whipple, demografia é o conjunto dos estudos de:
Genealogia
Ciência que estuda os movimentos dos ancestrais e sua documentação familiar (arvora genealógica);
Eugenia
Ciência que estuda a hereditariedade sob o ponto de vista científico;
Censo
Coleta de informações e dados quanto a aspectos sociais, contagem e movimento das populações, quanto aos fatos vitais, tais
como nascimento, casamento, separações, óbitos, doenças e morbidades em geral. Tais fatos, registrados em cartórios de registro
civil, fornecem os dados para quaisquer coletas do passado para que se possam fazer previsões ou manusear tais dados para o
futuro;
Bioestatística
Parte da estatística que reúne os fatos de registros vitais e os organiza e analisa sob a égide dos métodos estatísticos;
Biometria
Parte da estatística de grande importância para a ciência atuarial no estudo de pessoas, a qual efetua grupamento e análise de dados
sobre a “vida provável”, “quantidade de existência”, “vida média”;
Antropometria
Parte da estatística diretamente relacionada com a biometria que estuda as medições das populações sob o ponto de vista de
crescimento, peso, estatura, envelhecimento;
Patometria
Parte da estatística que estuda as patologias do ser humano e suas morbidades.
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Todos os estudos e dados necessários para as ciências citadas acima devem ser coletados e desenvolvidos por órgãos
governamentais (ministérios e secretárias), hospitais, registros públicos e empresas privadas com interesse direto no assunto, como, por
exemplo, as seguradoras, agências do governo como o DATASUS, Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), DATAPREV e
muitos outros órgãos.
2.2. MOVIMENTO DAS POPULAÇÕES
As populações se movimentam e aumentam ou diminuem.
A demografia tem suas divisões e por objetivo o estudo do movimento da população e a investigação científica da sua tendência,
tamanho, distribuição e composição.
Está dividida em:
Demografia quantitativa
Se ocupa do estudo dos fatores como mortalidade, natalidade e migração;
Demografia qualitativa
Se ocupa de características como sexo, idade, estado de saúde e características intelectuais.
Os fenômenos criados pelos acontecimentos demográficos dão à demografia uma característica de multidisciplinaridade, pois pode
ser estudada por áreas de ciências sociais, geografia, estatística, ciências atuariais e outras.
2.3. MIGRAÇÃO
Fator demográfico mais importante na análise de uma população.
Repulsão de uma população
Seus fatores são pressão demográfica, inexistência de empregos, inexistência de sistemas que garantam uma mínima vida digna no
campo, perseguições de várias ordens, superpopulação, guerras, desastres naturais, crises econômicas, problemas de fronteiras,
formação de novas nações, governos ditatoriais e outros.
Atração de uma população
Seus fatores são salários elevados, boas condições médico-sanitárias ou educacionais, necessidade de mão-de-obra, liberdade de
expressão e clima agradável, belezas naturais e boa terra.
Migração interna
Ocorre dentro de uma determinada região ou país. Exemplo: êxodo rural, que desloca populações do campo para a cidade.
Urbanização
É uma modalidade de organização do espaço. O êxodo rural é uma das causas de urbanização no Brasil.
2.4. AGLOMERAÇÕES URBANAS
O êxodo rural pode resultar em uma urbanização articulada ou integrada (quando a indústria – setor secundário ou industrial e
terciário ou de serviços participa de um processo que resulta na articulação do campo com a cidade, modernizando a última e
aumentando sua produtividade) e ou anômala.
As aglomerações urbanas podem ser definidas de acordo com a maneira como se interligam: conurbações, áreas metropolitanas e
megalópoles.
Conurbações
Ocorre quando duas ou mais cidades próximas se integram física e funcionalmente formando um conjunto. As cidades formam
uma teia de conexões de casas, prédios, ruas, comércio e serviços.
Áreas metropolitanas
São caracterizadas por grandes espaços onde há uma integração de várias cidades a uma metrópole.
Megalópoles
São conurbações de várias regiões metropolitanas que resultam em uma vasta área urbanizada. Bos-Was que une Boston a
Washington numa extensão de 700 quilômetros.
A globalização criou uma modalidade de centros urbanos chamados de cidades globais. As cidades globais ”são aquelas que
concentram perícia e conhecimento em serviços ligados à globalização, independentemente do tamanho de sua população”.
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2.5. DENSIDADE DEMOGRÁFICA
Densidade demográfica ou população relativa representa a quantidade de habitantes por Km².
População absoluta de um país = 100.000 habitantes = 100 habitantes / Km²
Km ² 1.000 Km²
Um país ou região que possuir uma grande população absoluta será considerado muito populoso.
Um país ou região que possuir uma grande densidade demográfica será considerado muito povoado.
País pouco populoso, mas muito povoado:
População absoluta de uma país = 10.200.000 habitantes = 334,3 habitantes / Km²
Km ² 30.518 Km²
País muito populoso, mas pouco povoado:
População absoluta de uma país = 180.000.000 habitantes = 21 habitantes / Km²
Km ² 8.547.403 Km²
País populoso e muito povoado:
População absoluta de uma país = 130.000.000 habitantes = 902,79 habitantes / Km²
Km ² 143.998 Km²
A produção e a população devem caminhar juntas até um determinado limite. Se este for atingido e não forem introduzidas
melhorias tecnológicas ou econômicas, a partir do momento que forem ultrapassadas no tempo as curvas referentes à população e à
qualidade de vida, ambas começarão a se distanciar cada vez mais, gerando, em conseqüência, maior pobreza e com ela seus sintomas
característicos decorrentes, que vão desde doenças infecto contagiosas à violência.
Quanto ao movimento, uma população pode ser definida em população aberta ou população fechada:
População fechada
É a não verificação de ganhos nem perdas exteriores, ou seja, não há movimento de migrações. O crescimento ocorre pela
diferença entre nascimentos e falecimentos. Quando relacionamos o resultado obtido entre os nascimentos e os falecimentos com o
total da população, obtemos o que se denomina de taxa de crescimento vegetativo.
Chegamos ao mesmo resultado calculando a diferença entre a taxa de natalidade e a taxa de mortalidade. As taxas de natalidade e
de mortalidade não são percentuais mas, sim, sempre contadas a cada mil, portanto, milhagem.
Uma população modifica-se através de três formas: nascimentos (idade zero), falecimentos com idades diversas e envelhecimento
de um ano para cada indivíduo
Esse é o critério com que se inicia o estudo de atuária.
Pirâmide de idades
Dependendo de sua forma obtêm-se uma visão geral de juventude, maturidade ou envelhecimento de uma população e com isto
antever possíveis conseqüências sociais.
Na passagem de um ano, as pessoas nascidas neste período formarão uma nova classe de indivíduos, ou seja, formarão a base, e as
classes superiores serão deslocadas e ocuparão uma nova posição, um plano acima. A classe de indivíduos do sexo masculino entre 0 e
1 ano será deslocada para a classe de indivíduos do sexo masculino entre 1 e 2 anos. Ao saltar para o escalão superior, esta classe ficará
menor devido à perda de indivíduos por mortalidade. O primeiro destes tipos é o que representa uma população que se expande. O
segundo tipo de pirâmide, o de população que regride, também poderá ficar estacionária.
A população humana cresce em decorrência de haver uma taxa de natalidade maior que a taxa de mortalidade.
Estudos de previsão demográfica consistem num processo de premissa de que um determinado padrão observado numa análise
histórica tenderá a continuar.
Necessário se faz separar os fatores como natalidade, mortalidade e migração que atuam sobre o total da população, para uma
maior precisão de resultados.
Quanto a migrações, as hipóteses são pouco confiáveis.
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2.6. MORBIDADE OU MORBILIDADE
É a taxa de portadores de determinada doença em relação à população total estudada, em determinado local e em determinado
momento.
As relações de cada enfermidade com os dias em que ela permanecer fornecem as taxas de morbilidade ou morbidade.
Considerando um tratamento estatístico, relacionando doença e quantidade de dias relativos a ela, o seu tempo, podemos calcular a
sua duração média bem como as características da dispersão relativas a essa média, o que se denomina em estatística atuarial de
“expostos”.
A natalidade é um dos importantes fatores, ao lado da mortalidade e da migração, para o estudo da população. Serve de fator
indicativo da situação econômica de um país. Um país em crise tende a ter queda na taxa de natalidade.
É a natalidade que trata da relação entre o número de nascidos vivos e o total da população.
Nascido vivo
Para o IBGE, aquela que, após a expulsão ou extração completa do corpo da mãe, independentemente do tempo de duração da
gravidez, manifestou algum sinal de vida.
Taxa bruta de natalidade
É o número de nascidos vivos, por mil habitantes, na população residente em determinado espaço geográfico, no ano considerado.
Expressa a intensidade com a qual a natalidade atua sobre uma determinada população.
É influenciada pela estrutura da população, quanto à idade e ao sexo.
Em geral, taxas elevadas estão associadas a condições socioeconômicas precárias e a aspectos culturais da população.
A taxa bruta de natalidade, ou simplesmente natalidade obtém-se por:
Número total de nascidos vivos residentes x 1.000
População total residente
Com os dados de taxa de natalidade podemos concluir em que grau de desenvolvimento encontra-se um determinado país. É um
indicador de IDH (Índice de Desenvolvimento Humano). Em países considerados avançados essa taxa é baixa, com média de 5 por mil,
enquanto que nos países menos favorecidos é mais alta, com média de 30 ou mais por mil.
No Brasil a taxa bruta de natalidade está em constante queda, pois era de 23,39 nascidos vivos por mil habitantes em 1991, 21,97
em 1995, 21,06 em 2000 e 18,17 em 2004 segundo IBGE.
Taxa de Fecundidade
Número médio de filhos nascidos vivos, tidos por mulher ao final do seu período reprodutivo, em determinado espaço geográfico.
A taxa é estimada para um ano calendário determinado, a partir de informações retrospectivas obtidas em censos e inquéritos
demográficos.
A taxa de fecundidade total é obtida pelo somatório das taxas específicas de fecundidade para cada idade das mulheres residentes
de 15 a 49 anos.
As taxas específicas de fecundidade expressam o número de filhos nascidos vivos tidos por mulher, por ano das faixas etárias de
15-19, 20-24, 25-29, 30-34, 35-39, 40-44 e 45-49 anos.
Um dos fenômenos demográficos mais importantes, pois mostra e serve para identificar o grau de uma nação, é definida como o
“fenômeno relacionado aos nascimentos vivos considerados do ponto de vista da mulher, do casal ou, mais raramente, em relação ao
homem”.
Em comparação à fecundidade, a taxa de natalidade é ineficaz para se mensurar a fecundidade de uma população. Numa população
em que haja um índice preponderante de adultos entre 20 e 40 anos, sua taxa de natalidade será maior que numa população normal.
Como a fecundidade varia muito de acordo com a idade da mulher, calcula-se a taxa de fecundidade segundo a idade.
Quando analisamos uma população ou queremos demonstrar a composição de uma população graficamente, como é o caso da
pirâmide de idades, duas características normalmente estarão presentes: a idade e o sexo dos indivíduos que compõem a população
estudada. Estas duas características determinam o crescimento de uma população, pois estão diretamente relacionadas àquelas.
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A situação quanto a possíveis matrimônios acontecerá de acordo com o equilíbrio entre os sexos. Dessa forma, para um país com
cultura monogâmica, por exemplo, o equilíbrio entre os sexos será ideal quanto mais próximo for de 1. Para um país onde predomina
uma cultura poligâmica, onde os homens podem ter várias esposas, a proporção de homens poderá ser menos do que a de mulheres.
Índice de masculinidade
Número de homens para cada grupo de 100 mulheres, na população residente em determinado espaço geográfico, no ano
considerado.
É obtido através da fórmula que demonstra o equilíbrio entre os sexos e é chamada de razão dos sexos. Ela é a relação entre o
número de homens e o número de 100 mulheres.
Se o índice obtido for maior que 100, teremos então um predomínio de homens; se for menor que 100, haverá predomino de
mulheres. Um índice próximo de 100 mostra que há um equilíbrio de gêneros.
Número de residentes do sexo masculino x 100 = 5.000 homens x 100 = 100
Número de residentes do sexo feminino 5.000 mulheres
Mortalidade
É um dos fenômenos mais importantes quando falamos de demografia, pois funciona, conforme definições da OMS (Organização
Mundial de Saúde), em 1950, de que ela deveria corresponder à cessação dos sinais de vida em um momento qualquer após o
nascimento. A mortalidade é o evento demográfico relacionado ao óbito.
Taxa bruta de Mortalidade
Número total de óbitos, por mil habitantes, na população residente em determinado espaço geográfico, no ano considerado.
Número total de óbitos de residentes x 1.000 = 75.000 x 1.000 = 13,88 por mil habitantes
População total residente 5.400.000
Pelos cálculos acima, pode-se inferir que para cada mil habitantes há um índice de 13,88 mortes no ano.
Se taxa bruta de mortalidade for calculada ano a ano, representa-se por l x – “população de idade x”.
É dessa forma de cálculo envolvendo a taxa de mortalidade que obteremos a tábua de mortalidade e a partir desta deduziremos as
taxas de sobrevivência e a tabela de sobrevivência.
No Brasil, as causas de óbito são sempre analisadas por tipo de mortalidade e por profissão e também as relações com a
sazonalidade.
2.7. TÁBUA DE MORTALIDADE OU SOBREVIVÊNCIA
São destinadas a medir as probabilidades de vida e de morte das pessoas em cada idade.
Para cada idade ou grupo de idade são apresentadas as quantidades de falecimentos, a taxa de mortalidade específica, a
probabilidade de falecimentos, a probabilidade de sobrevivência e a esperança de vida.
2.8. IDADE MÉDIA DE UMA POPULAÇÃO
É a relação da soma de todas as idades e o total da população.
Somatório de todas as idades
Total da população
2.9. IDADE MEDIANA
Divide o contingente populacional total de uma população em duas partes iguais, resultando que 50 % da população está acima da
idade mediana ou é mais velha e 50 % está abaixo desta idade ou é mais jovem que a idade mediana.
2.10. VIDA MÉDIA OU ESPERANÇA DE VIDA AO NASCER
Número médio de anos de vida esperados para um recém-nascido, mantido o padrão de mortalidade existente na população
residente, em determinado espaço geográfico, no ano considerado.
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A partir da tábua de sobrevivência se chega à fórmula do cálculo da vida média ou esperança de vida ao nascer.
Soma-se o número de sobreviventes no primeiro ano ao total de sobreviventes do segundo ano, e assim sucessivamente e divide-se
o total pelo total de vivos inicial. Ao resultado desta operação soma-se ½.
Em atuária representa-se por e͓ͦ
E = v1 + v2 + v3 + ... + 1
vo 2
Onde:
vo = número de vivos inicial;
v1 = número de sobreviventes de um ano;
v2 = número de sobreviventes de dois anos, e assim sucessivamente.
2.11. VIDA MEDIANA OU VIDA PROVÁVEL
É a duração de vida da qual cada indivíduo em uma probabilidade em duas de atingir.
Na tábua de sobrevivência corresponde ao ponto em que o número de sobreviventes em relação ao número inicial atinge 50 %.
É simbolizada por vp.
Exemplo:
Num determinado período nasceu 10.000 indivíduos. 65 anos depois a população caiu para 5.000 indivíduos. Desta forma,
podemos afirmar que a possibilidade de um recém-nascido chegar a 65 anos de idade é de 50 %. Portanto, a vida provável deste recém-
nascido será de 65 anos.
2.12. ENVELHECIMENTO DE UMA POPULAÇÃO
O índice de envelhecimento de uma população é definido como a relação entre o número de 60 anos e mais, para cada grupo de
100 pessoas menores de 15 anos, na população residente em determinado espaço geográfico, no ano considerado.
Número de pessoas residentes de 60 anos e mais x 100
Número de pessoas residentes com menos de 15 anos
A ONU tem por referência que uma população está envelhecendo quando 7 % de seus habitantes estão com mais de 65 anos.
O aumento ou redução da longevidade podem ser situações demográficas que, caminhando silenciosas e crescentes, ou
diminuindo, afetarão o fluxo de caixa da previdência pública.
2.13. SIMBOLOGIA E NOTAÇÕES
x = idade
l = número de sobreviventes
lx = número de sobreviventes na idade x
d = número de falecimentos
dx = número de falecimentos na idade x
w = idade máxima
w – 1 = idade extrema da tábua, ou seja, os sobreviventes que não conseguem chegar à idade w, ou seja, l w = 0
l0 = raiz da tábua, ou seja, representa o número de pessoas vivas com idade inferior a 1 ano
S(x) = função de sobrevivência
p = probabilidade
T = total de óbitos
Px = Probabilidade de vida
qx = Probabilidade de morte
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2.14. FUNÇÃO DE SOBREVIVÊNCIA
Se alguém de idade x conseguir chegar à idade x + 1, verifica-se que houve uma probabilidade de sobrevivência que é função de x.
Essa função é representada por S(x).
Essa função é contínua, decrescente e varia no intervalo 0 ≤ x ≤ w.
Se tivermos a seguinte função de sobrevivência: S(x) = 1 – ( x ) com x є [ 0, 110 ], a probabilidade de alguém ao nascer sobrevi-
( 110 )
ver à idade de 20 anos:
S(20) = 1 – 20 S(20) = 110 – 20 S(20) = 90 S(20) = 9 S(20) = 0,8181 S(20) = 81,81 %
110 110 110 11
Com a mesma função de sobrevivência acima, a probabilidade de alguém ao nascer falecer entre 20 anos e 40 anos será:
S(20) – S(40) = [ 1 – 20 ] - [ 1 – 40 ] = 9 - 7 = 2 = 0,1818 = 18,18 %
110 110 11 11 11
Para o cálculo acima, basta calcular a probabilidade de uma pessoa ao nascer sobreviver à idade de 20 anos ( 9/11 = 81,81 %) e a
probabilidade dessa mesma pessoa ao nascer sobreviver à idade de 40 anos ( 7/11 = 63,63 %), depois subtrair uma da outra ( 81,81 % –
63,63 % = 18,18 % ).
Com a mesma função de sobrevivência acima, a probabilidade de alguém de 20 anos sobreviver à idade de 40 anos é calculada
pela fórmula S(40) = p . S(20), fazendo a transformação da fórmula, p = S(40) / S(20):
p = S(40) p = 1 – ( 40 / 110 ) p = 0,6363 p = 0,7777 p = 77,77 %
S(20) 1 – ( 20 / 110 ) 0,8181
Logo, a probabilidade de alguém de 20 anos sobreviver à idade de 40 anos será de 77,77 %.
Com a mesma função de sobrevivência acima, a probabilidade de alguém de 20 anos falecer até 40 anos será a diferença entre 1 e a
probabilidade de sua sobrevivência na mesma idade, ou seja:
F=1-p
F = 1 - S(40) F = 1 - 1 – ( 40 / 110 ) F = 1 - 0,6363 F = 1 - 0,7777 F = 0,2223 F = 22,23 %
S(20) 1 – ( 20 / 110 ) 0,8181
Logo, a probabilidade de alguém de 20 anos falecer até a idade de 40 anos será de 22,23 %.
RESUMO:
para calcular a probabilidade de alguém ao nascer vir a falecer entre duas idades basta calcular a probabilidade de sobrevivência
de cada idade e subtrair a probabilidade de sobrevivência da menor idade da probabilidade de sobrevivência da maior idade, ou seja:
S(menor idade) – S(maior idade)
para calcular a probabilidade de alguém de determinada idade sobreviver à outra determinada idade basta dividir a
probabilidade de sobrevivência da maior idade pela probabilidade de sobrevivência da menor idade, ou seja:
S(maior idade) x 100
S(menor idade)
para calcular a probabilidade de alguém de determinada idade vir a falecer até outra determinada idade basta subtrair a
probabilidade de sobrevivência no mesmo intervalo de 1, ou seja:
1 – S(maior idade) x 100
S(menor idade)
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3. TÁBUA DE MORTALIDADE OU SOBREVIVÊNCIA
3.1. INTRODUÇÃO
Tábua de mortalidade, também chamada de Tábua de vida ou ainda Tábua atuarial é uma tabela utilizada no cálculo atuarial, para
planos de previdência e seguros de vida, tanto no setor público, quanto no setor privado. São utilizadas para calcular as probabilidades
de vida e de morte de uma população, em função da idade.
São criadas a partir de dados provenientes principalmente de censos populacionais.
As tábuas de mortalidade são elaboradas com base em um grupo inicial de indivíduos, conhecidos por coorte, com uma mesma
idade inicial, chamada de raiz da tábua, até a morte do mais longevo, causando a extinção total do grupo em uma idade final, omega (ω
), que é a última idade atingível nesta tábua.
Como as tábuas analisam as probabilidades de sobrevivência e morte em relação à idade, é preciso que uma tábua analise um
coorte com indivíduos de mesmas chances de sobrevivência. Para que isso ocorra e, uma tábua apresente dados confiáveis, os
indivíduos estudados nascidos em um mesmo espaço de tempo, que convivam em uma mesma região geográfica, fechada a migração,
sob as mesmas condições de vida.
Como não são considerados novos nascimentos ou outras formas de entrada de pessoas, diz-se que o cenário proposto por uma
tábua é estacionário, sendo registrados apenas os óbitos dos membros do coorte. Assim, o número de indivíduos que atingem uma
determinada idade é obrigatoriamente igual ou menor do que os indivíduos que estavam vivos no início da idade anterior.
A elaboração das tábuas depende do método. O ideal é a situação entre dois censos.
Os métodos podem ser:
pelos óbitos;
pelos sobreviventes;
nascimentos em relação aos óbitos;
óbitos em relação aos nascimentos.
MODELO DE TÁBUA DE SOBREVIVÊNCIA:
IDADE SOBREVIVENTE FALECIMENTO
TOTAL DE ÓBITOS
x lx dx = lx - lx + 1
x 0 l0 1.000 d0 100 d0 = l0 - l1 T0 100
x 1 l1 900 d1 100 d1 = l1 - l2 T1 200
x 2 l2 800 d2 100 d2 = l2 - l3 T2 300
x 3 l3 700 d3 100 d3 = l3 - l4 T3 400
x 4 l4 600 d4 100 d4 = l4 - l5 T4 500
x 5 l5 500 d5 100 d5 = l5 - l6 T5 600
x 6 l6 400 d6 100 d6 = l6 - l7 T6 700
x 7 l7 300 d7 100 d7 = l7 - l8 T7 800
x 8 l8 200 d8 100 d8 = l8 - l9 T8 900
w-1 9 l9 100 d9 100 d9 = l9 - l10 T9 1.000
w 10 l10 = lw 0 d10 0 d10 = l10 - l11 T10 0
Fórmula: Lo * ( W – Lx)
W