REINO DA PRAÇA
O Reino da Praça é um sub-reino da Kimbanda que interliga outros grandes
Reinos: o das Encruzilhadas, dos Cruzeiros, da Lira, das Matas, das Almas e dos
Cemitérios.
Ele é uma espécie de ponto central na Kimbanda, uma encruzilhada de
energias onde Entidades de todos os Reinos acessam umas às outras através do
intercâmbio energético e do movimento gerado por essa egrégora.
Na Kimbanda, quando se vai à alguma praça fazer um trabalho praticamente
joga-se aquela energia para o mundo, pois ali é o espaço mais público que existe
em uma cidade, ali é onde passa todo mundo por algum motivo. Ali é onde as coisas
acontecem. A Praça é o coração pulsante das cidades.
Os trabalhos feitos nesse campo de atuação costumam remeter à sorte,
alegria, bem-estar, inspiração, abertura de caminhos, movimento na vida em todos
os seus âmbitos, prosperidade, progresso, sabedoria, bons negócios, alianças,
trocas, paz e proteção.
O conceito de praça é basicamente o de um espaço comum ao ar livre
utilizado por várias pessoas.
Historicamente falando, o conceito que conhecemos como praça vem dos
gregos que nas suas cidades-estados como Atenascriaram esse método de ter um
centro pensante na cidade. Todas as cidades hoje em dia têm um centro com uma
praça porque a cultura grega decidiu que assim fosse e as culturas que vieram na
sequência disso foram adquirindo essa mesma ideia de ter um centro pensante,
religioso, político, etc.
O primeiro espaço comum foi uma ágora feita na Grécia para que o povo
convivesse e inclusive os filósofos debatessem em praça pública seus assuntos,
além de comércios e todo tipo de interação civil.
Na história do Brasil, as praças surgem com o início das instalações dos
povoados e das vilas, o centro era, em sua maioria, composto por uma capela com
um espaço aberto em frente, que hoje denominamos de praça.
O centro pensante da sociedade era a Igreja, isso é algo ibérico fruto da
colonização. As praças tinham início por causa das igrejas, da construção delas, o
povo começava a ir à igreja, quando saíam das missas, iam para a frente dela, no
espaço aberto que existia; ali as crianças brincavam, casais marcavam encontros,
comerciantes faziam seu dinheiro vendendo as coisas que a cidade demandava,
enfim, apraça tornou-se um lugar de encontro.
A partir do século XVII, a praça pública costumava ser a primeira coisa a ser
projetada em um espaço urbano. Partindo dela, onde havia a Igreja, em seu
entorno fixavam-se todas as coisas importantes para aquela população: mercado,
comércio em geral, farmácia, banco, escola, etc.
Juntando historicidade com Kimbanda, é a partir desse movimento em que
volta das praças começam a ser construídas as ruas, os comércios e o
ajardinamento desses espaços.
Dentro desse sub-reino que é a Praça, podemos encontrar vários povos
interagindo entre si:
1. Povo dos Parques;
2. Povo das Flores;
3. Povo das Encruzilhadas da Praça;
4. Povo dos Cruzeiros da Praça;
5. Povo dos Comércios;
6. Povo das Almas das Igrejas:
7. Povo das Tumbas.
POVO DOS PARQUES
É o Povo que atua com a vegetação das praças, com as árvores e diversas
plantas; junto ao Povo das Flores faz ligação com o Reino das Matas dentro da
praça.
Trabalham paraestruturação e solidificação de situações, para cura de
determinadas enfermidades, para trazer sabedoria, proteção, equilíbrio e ânimo.
Alguns dos trabalhadores desse povo:
Exú Cigano da Praça;
Exú Cigano do Circo;
Exú Cigano do Jarro;
Exú Coruja;
Exú das Sete Sombras;
Exú das Sombras;
Exú Formiga;
Pombagira Cigana da Praça;
Pombagira Cigana do Circo;
Pombagira Cigana do Jarro;
Pombagira das Sete Folhas;
Pombagira das Sete Sombras;
Pombagira das Sombras;
POVO DAS FLORES
É o povo que atua nos canteiros das praças e parques junto às flores e em
conjunto ao Povo dos Parques faz a ligação do Reino das Matas e da Praça.
Trabalha para harmonização de pessoas e ambientes, amor em todos os
sentidos, saúde emocional, esperança e positividade.
Alguns dos trabalhadores desse povo:
Exú do Cheiro;
Pombagira da Roseira;
Pombagira das Flores;
Pombagira das Sete Rosas;
Pombagira Margarida;
Pombagira Rosa Amarela;
Pombagira Rosa Cigana;
Pombagira Rosa de Maio;
Pombagira Rosa Menina (Rosinha);
Pombagira Rosa Vermelha;
POVO DO CRUZEIRO DA PRAÇA
É o Povo queatua nos caminhos ao redor e dentro das praças.
É o Povo que faz ligação com o Reino dos Cruzeiros dentro da praça.
Trabalham para propiciar intercâmbios energéticos, sentimentais,
profissionais, abrir novos caminhos comerciais, amorosos e em todos os setores da
vida.
Alguns dos trabalhadores desse povo:
Exú Cigano do Cruzeiro;
Exú das Sete Liras;
Exú dos Sete Cruzeiros da Lira;
Exú Gato-Preto;
Exú Gira-Mundo;
Exú Kirombô;
ExúTirirí Cigano;
Pombagira Cigana das Cartas;
Pombagira Cigana do Cruzeiro;
Pombagira Dama da Noite do Cruzeiro;
Pombagira dos Sete Caminhos;
Pombagira dos Sete Cruzeiros da Lira;
Pombagira dos Sete Maridos;
PombagiraKirombô.
POVO DA ENCRUZILHADA DA PRAÇA
É o povo quea tua nas encruzilhadas ao redor e dentro das praças.
É o Povo que faz ligação com o Reino das Encruzilhadas dentro da praça.
Trabalham para dar direcionamento em projetos, caminhos, sentimentos,
pensamentos e tudo que necessite de direção somada à ação, trazer progresso,
movimento, mudanças e resolução.
Alguns dos trabalhadores desse povo:
Exú Cigano da Encruzilhada;
Exú Cigano do Violino;
Exú das Sete Encruzilhadas da Lira (Sete da Lira);
Exú Formoso;
Exú Mirim da Praça;
Exú Morcego da Praça;
ExúTirirí Menino;
Exú Zé Pelintra da Encruzilhada;
Pombagira Cigana da Encruzilhada;
Pombagira Cigana do Pandeiro (Puerê);
Pombagira Cigana Menina (Ciganinha);
Pombagira das Sete Encruzilhadas da Lira;
Pombagira das Sete Esquinas;
Pombagira do Coreto;
Pombagira Maria Candelária;
Pombagira Menina da Praça;
Pombagira Morcego.
POVO DO COMÉRCIO
Atua nos mercados, feiras, bancos e todo tipo de comércio que rodeiam as
praças.
É o Povo que faz ligação com o Reino da Lira dentro da praça.
Trabalham abrindo caminhos para os comerciantes e trabalhadores,
trazendo energias de prosperidade, crescimento, movimento, trocas justas que
trazem benefícios e manipulam como ninguém as energias do dinheiro. Também
atuam na construção e incentivos materiais de inspiração às forças produtivas.
Alguns dos trabalhadores desse povo:
Exú Chama-Dinheiro;
Exú Cigano do Garito;
Exú das Sete Pedras;
Pombagira Cigana do Garito;
Pombagira Cigana do Ouro;
Pombagira das Sete Pedras;
Pombagira Rosária.
A KALUNGA DA PRAÇA
Até o século XVIII no Brasil, não existiam cemitérios como os conhecemos
hoje, os cemitérios eram as igrejas. Se a pessoa era membra ativa da Igreja, a
ajudava financeiramente, a família era nobre, abastada, ela era enterrada dentro da
Igreja. Com o passar do tempo e a lotação dos assoalhos, os cristãos atuantes e
pessoas de posse, passaram a ser enterradas ao lado da igreja.
Quanto mais dinheiro a família tinha, mais perto do altar a pessoa era
enterrada na crença de que quanto mais perto do Altar, mais perto de Deus e dos
Santos ela estaria.
O chão da igreja era aberto, escavado e ali era depositado o corpo do fiel
defunto, em cima disso uma placa e a família sabia que dita pessoa estava
enterrada ali, quando ia à missa, fazia ali suas honrarias.
A Igreja fazia isso para ter controle sobre a morte.
Na primeira metade do século XIX, começaram a ser vistas as questões
sanitárias e o governo brasileiro decidiu que os cemitérios tinham que ir para os
campos santos (que são os cemitérios como os conhecemos atualmente), esses
campos santos tinham que ficar ou no alto (aí está a origem do povo da lomba,
conhecido na Kimbanda), ou distantes da cidade por conta da saúde das pessoas, a
igreja perdeu assim o monopólio sobre a morte e o sepultamento, pois quando o
monopólio era dela, existia uma lista de pessoas que poderiam ser enterradas nas
dependências dela.
Com essa mudança muitas pessoas antes excluídas (como mulheres
separadas, suicidas, ciganos, pretos, indígenas, órfãos, gays, ladrões e todo o tipo
de gente) pode ter o direito de ser enterrada nos campos santos.
Algumas praças públicas de grandes cidades de hoje em dia, como a praça
da saudade em Manaus eram os cemitérios das cidades. Esses espaços foram
reformados, reorganizados e montaram a praça ali porque já era um lugar de
prestígio para cidade,
POVO DAS ALMAS DAS IGREJAS
Que atuam dentro das igrejas e ao redor delas, mais especificamente nas
portas, na entrada, na nave central, nas torres, no cruzeiro e velários.
É o Povo que faz ligação com o Reino das Almas dentro da praça.
Trabalham para encaminhar as almas perdidas, errantes ou vagantes,
trabalham na alma dos encarnados para que através da espiritualidade evoluam
como pessoas, fazem limpeza de pessoas quando estão sendo atacadas por
espíritos trevosos.
Alguns dos trabalhadores desse povo:
Exú Capela;
Exú Capelinha;
Exú da Capa-Roxa;
Exú das Nove Luzes;
Exú das Sete Almas (Das Almas);
Exú das Sete Capelas;
Exú Rei das Almas (Omulum);
Pombagira das Sete Capelas;
Pombagira das Sete Cruzes;
Pombagira das Sete Mortalhas;
Pombagira Maria das Almas (Das Almas);
Pombagira Maria Mortalha;
Pombagira Rainha das Almas.
POVO DAS TUMBAS
Que atuam dentro das igrejas, mais especificamente perto dos altares, nas
capelas, nas naves laterais.
É o Povo que faz ligação com o Reino dos Cemitérios dentro da praça.
Trabalham para transmutação de energias negativas, curar enfermidades
que foram causadas através de feitiços, dar alento às pessoas que não tem mais
ânimo e vontade de viver, manipular energias densas que necessitam de
encaminhamento.
Muitas igrejas do Brasil colônia foram construídas por escravos, muitos
deles morriam durante as construções delas e eram sepultados embaixo delas,
como a “Igreja das Almas de Curitiba”, por exemplo, embaixo dela há um
cemitérios dos pretos que trabalharam ali.
Alguns dos trabalhadores desse povo:
Exú da Cova;
Exú das Sete Campas;
Exú das Sete Covas;
Exú das Sete Ossadas
Exú das Sete Tumbas
Exú do Ossário
Exú Rei do Cemitério
Pombagira da Cova
Pombagira das Sete Campas
Pombagira das Sete Covas
Pombagira das Sete Ossadas
Pombagira das Sete Tumbas
Pombagira do Ossário
Pombagira Rainha do Cemitério
Dia da semana na Kimbanda: quarta-feira.
Cores: amarelo-ouro, branco, preto, roxo e verde.
Ervas: ?
Oferendas: ?