Um Primeiro Curso de Equa C Oes Diferenciais: Prof. Romildo Nascimento de Lima
Um Primeiro Curso de Equa C Oes Diferenciais: Prof. Romildo Nascimento de Lima
2.7 Substituições . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 29
1
3 Aplicações das Equações Diferenciais de Primeira Ordem 34
2
6.4 Variação de Parâmetros . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 80
3
Prefácio
Em geral, uma equação diferencial envolve derivadas de uma ou mais variáveis depen-
dentes (chamadas de incógnitas), em uma ordem a uma ou mais variáveis independentes.
Existem fundamentalmente dois tipos de equações diferenciais: (i) as equações diferen-
ciais ordinárias (EDO’s), que envolvem derivadas de uma ou mais variáveis dependentes
em ordem a uma única variável independente, isto é, variam somente com relação a uma
variável, e (ii) as equações diferenciais parciais (EDP’s), que envolvem derivadas parciais
de uma ou mais variáveis dependentes em ordem a mais do que uma variável independente,
isto é, variando com relação a duas ou mais variáveis.
Desta forma, a motivação para estudar Equações Diferenciais surgi na busca por com-
preender de forma abrangente alguns fenômenos da natureza que são modelados pelas
Equações Diferenciais. Neste sentido, tornou-se necessário o estudo mais aprofundado a
respeito das EDO’s, observando suas propriedades, caracterı́sticas e posteriores aplicações
em alguns ramos cientı́ficos, principalmente relacionados à Engenharia.
4
Um Pouco de História
Ainda no século XVII, Edmond Halley (1656-1742) analisou a órbita de alguns cometas
e utilizando Equações Diferenciais previu o ano em que o cometa retornaria, o que de fato
aconteceu. Cálculos numéricos permitiram a Jean Joseph Le Verrier (1811-1877) e John
Couch Adams (1819-1892) descobrir o planeta Netuno, o qual foi observado em 18 de
setembro de 1846.
Com o passar dos anos a teoria de Equações Diferenciais foi sendo estendida a outras
áreas do conhecimento humano, e atualmente pode-se encontrar aplicações desta teoria em
engenharia, biologia, medicina, negócios, etc. Podemos citar, como exemplo, as equações
de Lorenz que tem sido aplicada na análise do mercado financeiro.
Teoria Geral
A teoria de Equações Diferenciais possui três ramos principais: os métodos exatos que
se destinam a obter todas as soluções de uma dada equação, os métodos numéricos que são
indicados para obter com razoável precisão soluções particulares de uma dada equação,
e os métodos qualitativos que são usados para investigar propriedades das soluções sem
necessariamente encontrá-las.
Uma vez que poucas classes de equações podem ser completamente resolvidas, os
métodos exatos tem um campo de aplicação bastante restrito. Com a invenção de com-
putadores cada vez mais modernos os métodos numéricos tem progredido consideravel-
mente, mas são limitados uma vez que oferecem boas aproximações localmente, mas não
são adequados para análises de problemas que envolvem prognósticos a longo prazo. Os
5
métodos qualitativos são eficientes para analisar comportamentos caóticos ou assintóticos,
e questões de estabilidade. A principal corrente dos métodos qualitativos começou a ser
desenvolvida aproximadamente no fim do século XIX. E o Brasil conta com excelentes pes-
quisadores que tem dedicado sua pesquisa à análise qualitativa de soluções de Equações
Diferenciais.
Estas notas de aula, foram escritas com o objetivo de auxiliar o roteiro de estudo dos
professores e alunos das disciplinas de Equações Diferenciais Lineares (EDL) e Equações
Diferenciais (ED), cursos introdutórios de Equações Diferenciais Ordinárias ministrados
na UFCG - Campina Grande.
Estas notas de aula, ou melhor, as disciplinas para as quais foram feitas as notas,
tem pré-requisitos que de forma alguma podem ser desprezados. Os pré-requisitos básicos
são os cursos de Cálculo Diferencial e Integral I e II, além de um curso básico de
Álgebra Linear. É válido destacar, muitas vezes, a maior dificuldade dos alunos em
Equações Diferencias, não é os conceitos das Equações Diferencias, em verdade a maior
dificuldade são conceitos de Limite, Derivada, Integral, Séries, Espaço Vetorial, Bases,
Autovalores, Autovetores,... ou seja, conceitos que são pré-requisitos. Daı́, se você irá
6
iniciar o estudo destas notas, é bom ter isso em mente.
Caros leitores, fiquem a vontade pra fazer todas as correções possı́veis destas notas e
estou disponı́vel a sugestões... Quem sabe daqui podemos produzir em livro de Equações
Diferenciais...
Bons Estudos!!!
7
Capı́tulo 1
Definição 1. Uma equação que contém as derivadas (ou diferenciais) de uma ou mais
variáveis dependentes, em relação a uma ou mais variáveis independentes, é chamada de
Equações Diferenciais (ED).
8
Classificação pelo Tipo
Se uma equação contém somente derivadas ordinárias de uma ou mais variáveis de-
pendentes, com relação a uma única variável independente, ela é chamada de Equação
Diferencial Ordinária (EDO).
Exemplos 1.
dy
a) − 5y = 1
dt
b) (y − x)dx + 4xdy = 0
du dv
c) − =x
dx dx
d2 y dy
d) 2
− 2 + 6y = 0
dx dx
são equações diferenciais ordinárias. Uma equação que envolve as derivadas parciais de
uma ou mais variáveis dependentes de duas ou mais variáveis independentes é chamada
de Equação Diferencial Parcial (EDP).
Exemplos 2.
∂u ∂v
a) =−
∂y ∂x
∂u ∂u
b) x +y =u
∂x ∂y
∂ 2u ∂ 2u ∂u
c) 2
= 2 −2
∂x ∂t ∂t
9
Classificação pela Ordem
A derivada de maior ordem em uma equação diferencial é, por definição, a ordem da
equação. Por exemplo, 3
d2 y
dy
+5 − 4y = ex
dx2 dx
é uma equação diferencial ordinária de segunda ordem (ou de ordem dois). Como a
equação diferencial (y − x)dx + 4xdy = 0 pode ser escrita na forma
dy
4x +y =x
dx
trata-se, então, de uma equação diferencial ordinária de primeira ordem. A equação
∂ 4u ∂ 2u
a2 + 2 =0
∂x4 ∂t
é uma equação diferencial parcial de quarta ordem.
Embora as equações diferenciais parciais sejam muito importantes, seu estudo depende
de um bom conhecimento da teoria de equações diferenciais ordinárias.
Uma equação diferencial ordinária é chamada de linear quando pode ser escrita na
forma
dn y dn−1 y dy
an (x) n
+ a n−1 (x) n−1
+ · · · + a1 (x) + a0 (x)y = g(x).
dx dx dx
Observe que as equações diferenciais lineares são caracterizadas por duas propriedades:
(i) A variável dependente y e todas as suas derivadas são do primeiro grau, ou seja, a
potência de cada termo envolvendo y é 1.
10
(ii) Cada coeficiente depende apenas da variável independente x.
Exemplos 3.
a) xdy + ydx = 0
b) y 00 − 2y 0 + y = 0
d3 y 2
2d y dy
c) x3 3
− x 2
+ 3x + 5y = ex
dx dx dx
são EDO’s lineares de primeira, segunda e terceira ordens, respectivamente. Por outro
lado,
d3 y
yy 00 − 2y 0 = x ou 3
+ y2 = 0
dx
são EDO’s não-lineares de segunda e terceira ordens, respectivamente.
Soluções
Como mencionamos antes, nosso objetivo é resolver ou encontrar soluções para EDO’s.
F (x, y, y 0 , · · · , y (n) ) = 0
é uma função f que possui pelo menos n derivadas e satisfaz a equação, ou seja,
para todo x ∈ I.
11
Exemplo 1. Verifique que y = x4 /16 é uma solução para a equação não-linear
dy
= xy 1/2 , no intervalo (−∞, ∞).
dx
Exemplo 2. Verifique que y = xex é uma solução para a equação linear
Nem toda equação diferencial que escrevemos possui necessariamente uma solução.
Por exemplo: 2
dy
+1=0 e (y 0 )2 + y 2 + 4 = 0
dx
não possuem soluções. Por outro lado, a equação de segunda ordem (y 00 )2 + 10y 4 = 0
possui somente uma solução real.
Uma solução para a EDO (1.2) que pode ser escrita na forma y = f (x) é chamada de
solução explı́cita. Dizemos que uma relação G(x, y) = 0 é uma solução implı́cita de
uma EDO em um intervalo I, se ela define uma ou mais soluções explı́citas em I.
Número de soluções
É muito importante se acostumar com o fato de que uma dada EDO, geralmente possui
um número infinito de soluções.
12
Exemplo 5.
Mais terminologia
Uma solução para uma EDO que não depende de parâmetros arbitrários é chamada
de solução particular. Uma maneira de obter uma solução particular é escolher valores
especı́ficos para o(s) parâmetro(s) na famı́lia de soluções. Por exemplo, é fácil ver que
y = cex é uma famı́lia a um parâmetro de soluções para a equação de primeira ordem
13
muito simples y 0 = y. Para c = 0, −2 e 5, obtemos as soluções particulares y = 0,
y = −2ex e y = 5ex , respectivamente.
Às vezes, uma equação diferencial possui uma solução que não pode ser obtida espe-
cificando os parâmetros em uma famı́lia de soluções. Tal solução é chamada de solução
singular.
14
Capı́tulo 2
dy
= f (x, y) (2.1)
dx
dy
Resolva: = f (x, y) Sujeito a: y(x0 ) = y0 (2.2)
dx
15
para y 0 = y no intervalo (−∞, ∞). Se especificarmos, digamos, y(0) = 3, então y = 3ex
é uma solução do (PVI).
Em outras palavras, a equação diferencial dy/dx = f (x, y) possui uma solução cujo
gráfico passa pelo ponto (x0 , y0 )? E será que essa solução, se existir, é única?
dy
= xy 1/2
dx
possui pelo menos duas soluções cujos gráficos passam por (0, 0). As funções
∂f x
f (x, y) = xy 1/2 e = 1/2
∂y 2y
são contı́nuas no semiplano superior definido por y > 0. Daı́, pelo Teorema 1, dado
um ponto (x0 , y0 ) com y0 > 0, existe algum intervalo em torno de x0 no qual a equação
diferencial dada possui uma única solução y(t), tal que y(x0 ) = y0 .
16
Exemplo 11. O Teorema 1 garante que existe um intervalo contendo x = 0 no qual
y = 3ex é a única solução para o problema de valor inicial do Exemplo 8:
y 0 = y, y(0) = 3.
∂f
Isso segue do fato que f (x, y) = y e = 1 são contı́nuas em todo o plano xy.
∂y
Exemplo 12. Para
dy
= x2 + y 2
dx
∂f
observamos que f (x, y) = x2 + y 2 e = 2y são contı́nuas em todo o plano xy. Logo,
∂y
por qualquer ponto (x0 , y0 ) passa uma e somente uma solução para a equação diferencial.
Exemplos 4.
dy
a) = 1 + e2x
dx
dy
b) = sen x
dx
Definição 3 (Equação Separável). Uma equação diferencial da forma
dy g(x)
=
dx h(y)
é chamada Separável (ou tem Variáveis Separáveis).
17
Observe que, uma equação separável pode ser escrita como
dy
h(y) = g(x). (2.4)
dx
logo, Z Z
0
h(f (x))f (x)dx = g(x)dx + c. (2.5)
Método de solução
dy x
=− , y(4) = 3.
dx y
18
Exemplo 19. Resolva o problema de valor inicial
dy
= y 2 − 4, y(0) = −2.
dx
dy
Exemplo 20. Resolva = e3x+2y .
dx
Exemplo 21. Resolva o problema de valor inicial
Exemplos 5.
a) f (x, y) = x2 − 3xy + 5y 2
p
3
b) f (x, y) = x2 + y 2
c) f (x, y) = x3 + y 3 + 1
x
d) f (x, y) = +4
2y
Definição 5 (Equação Homogênea). Uma equação diferencial da forma
para algum n ∈ R.
19
Método de Solução
Uma equação diferencial homogênea M (x, y)dx+N (x, y)dy = 0 pode ser resolvida por
meio de uma substituição algébrica. Especificamente, a substituição y = ux ou x = vy, em
que u e v são as novas variáveis independentes, transformará a equação em uma equação
diferencial de primeira ordem separável. Para ver isso, seja y = ux; então, sua diferencial
dy = udx + xdu. Substituindo em (2.8), temos
Desta forma,
xn M (1, u)dx + xn N (1, u)[udx + xdu] = 0
ou
[M (1, u) + uN (1, u)]dx + xN (1, u)du = 0,
assim,
dx N (1, u)du
+ = 0.
x M (1, u) + uN (1, u)
A fórmula acima não deve ser memorizada. O melhor é repetir o processo sempre que
for necessário. A prova que a substituição x = vy em (2.8) também leva a uma equação
separável é deixada como exercı́cio.
Exemplos 6. Resolva:
b) (x + y)dx + xdy = 0
e) xdx + (y − 2x)dy = 0
dy x + 3y
f) =
dx 3x + y
20
Uma equação diferencial homogênea pode sempre ser expressa na forma alternativa
dy y
=F .
dx x
dy
Para ver isso, suponha que escrevamos a equação M (x, y)dx + N (x, y)dy = 0 como =
dx
f (x, y), em que
M (x, y)
f (x, y) = − .
N (x, y)
A função f (x, y) deve ser necessariamente homogênea de grau zero quando M e N são
homogêneas de grau n. Desta forma,
xn M 1, xy M 1, xy
f (x, y) = − n =− .
x N 1, xy N 1, xy
y
A última razão é uma função da forma F . Deixamos como exercı́cio a demonstração
x
dy x
de que uma equação diferencial homogênea pode também ser escrita como =G .
dx y
Exemplo 22. Resolva o problema de valor inicial
dy
x = y + xey/x , y(1) = 1.
dx
dy y y
a) = ln
dx x x
dy y x
b) = +
dx x y
2x + y 2 + 2xyy 0 = 0. (2.9)
A equação acima não é separável e nem homogênea, de modo que não podemos aplicar
aqui os métodos já estudados para esses tipos de equações. Entretanto, note que a função
21
ψ(x, y) = x2 + xy 2 tem a propriedade
∂ψ ∂ψ
2x + y 2 = , 2xy = . (2.10)
∂x ∂y
Portanto, a equação diferencial pode ser escrita como
∂ψ ∂ψ dy
+ = 0. (2.11)
∂x ∂y dx
Supondo que y é uma função de x e usando a regra da cadeia, podemos escrever a expressão
à esquerda do sinal de igualdade (2.11) como ∂ψ(x, y)/∂x. Então, a equação (2.11) fica
na forma
∂ψ d 2
(x, y) = (x + xy 2 ) = 0. (2.12)
∂x dx
Integrando a equação (2.12), obtemos
ψ(x, y) = x2 + xy 2 = c, (2.13)
ψ(x, y) = c. (2.17)
22
Teorema 2 (Critério para uma Equação Diferencial Exata). Sejam M (x, y) e
N (x, y) funções contı́nuas com derivadas parciais contı́nuas em uma região retangular R
definida por a < x < b, c < y < d. Então, uma condição necessária e suficiente para que
∂M ∂N
(x, y) = (x, y), (2.18)
∂y ∂x
∂ψ ∂ψ
(x, y) = M (x, y) e (x, y) = N (x, y).
∂x ∂y
Método de Solução
em que a função arbitrária g(y) é a constante de integração. Agora, derivando (2.20) com
∂f
relação a y e supondo = N (x, y):
∂y
Z
∂f ∂
= M (x, y)dx + g 0 (y) = N (x, y).
∂y ∂y
23
Assim, Z
0 ∂
g (y) = N (x, y) − M (x, y)dx. (2.21)
∂y
Finalmente, integre (2.21) com relação a y e substitua o resultado em (2.20). A solução
para a equação é f (x, y) = c.
Exemplos 7. Resolva:
Dividindo pelo coeficiente a1 (x), obtemos uma forma mais útil de uma equação linear:
dy
+ P (x)y = f (x). (2.22)
dx
Procuramos uma solução para (2.22) em um intervalo I no qual as funções P (x) e f (x)
são contı́nuas. A seguir, estaremos supondo que (2.22) possui solução.
24
Fator de Integração
ou Z
R R R
−
y=e P (x)dx
e P (x)dx
f (x)dx + ce− P (x)dx
. (2.29)
Em outras palavras, se (2.22) tiver uma solução, ela deverá ser da forma (2.29). Recipro-
camente, é imediato que (2.29) constitui uma famı́lia a um parâmetro de soluções para a
equação (2.22)
25
Resumo do Método
(i) Para resolver uma equação linear de primeira ordem, primeiro coloque-a na forma
(2.22).
P (x)dx dy
R R R
P (x)dx P (x)dx
e + P (x)e y=e f (x).
dx
d R P (x)dx R
[e y] = e P (x)dx f (x).
dx
dy 4
a) x − y = x6 e x
dx x
dy
b) − 3y = 0
dx
dy
c) (4 + x2 ) + 2xy = 4x
dx
d) y 0 − 4y = 4 − x
e) 2y 0 + y = 3x2
dy
f) + y cos t = 0
dt
dy 2t 1
g) + 2
y=
dt 1 + t 1 + t2
1 dy 2y
h) − = x cos x, x>0
x dx x2
26
Por hipótese, P (x) e f (x) são contı́nuas em um intervalo I e x0 é um ponto desse
intervalo. Então, segue-se do Teorema de Picard que existe uma única solução para o
problema de valor inicial
dy
+ P (x)y = f (x), y(x0 ) = y0 . (2.30)
dx
Exemplos 9. Resolva os PVI’s:
dy
a) + 2xy = x, y(0) = −3
dx
dy
b) x + y = 2x, y(1) = 0
dx
c) xy 0 + 2y = 4x2 , y(1) = 2
d) 2y 0 + xy = 2, y(0) = 1
dy y
e) − = xex , y(1) = e − 1
dx x
dy 4
f) + 4y − e−x = 0, y(0) =
dx 3
Exemplo 26. Encontre uma solução contı́nua satisfazendo
dy 1, 0 ≤ x ≤ 1
+ y = f (x), em que f (x) = , y(0) = 0.
dx 0, x > 1
Algumas vezes é possı́vel converter uma equação diferencial que não é exata em uma
exata multiplicando-se a equação por um fator integrante apropriado. Em um contexto
mais geral, multipliquemos a equação
27
por uma função µ(x, y) e depois tentemos escolher µ de modo que a equação resultante
seja exata. Sabemos que, a equação (2.32) será exata se, e somente se,
Como M e N são funções dadas, a equação (2.33) diz que o fator integrante µ tem que
satisfazer a equação diferencial parcial de primeira ordem
M µy − N µx + (My − Nx )µ = 0. (2.34)
Sendo possı́vel determinar uma função µ satisfazendo a equação (2.34), então a equação
(2.32) será exata. E assim, a solução da equação (2.32), pode ser obtida pelo método das
Equações Exatas. A solução encontrada desse modo, também deve satisfazer a equação
(2.31), visto que podemos dividir a equação (2.32) pelo fator integrante µ.
Uma equação diferencial parcial da forma (2.34) pode ter mais de uma solução. Nesse
caso, qualquer uma das soluções pode ser usada como um fator integrante. No entanto,
em muitos casos, determinar este fator integrante é consideravelmente complicado. As
situações mais importantes nas quais fatores integrantes podem ser encontrados, com
certa facilidade, ocorrem quando µ é uma função de só uma das variáveis x ou y, ao invés
de ambas.
28
Analogamente, se (Nx −My )/M é uma função só de y, então existe um fator integrante
µ que também só depende de y. Além disso, µ(y) pode ser encontrado resolvendo a
equação
dµ Nx − My
= µ. (2.36)
dy M
Exemplos 10. Determine um fator integrante para cada uma das equações abaixo e depois
resolva cada equação.
2.7 Substituições
A equação diferencial
dy
+ P (x)y = f (x)y n , (2.37)
dx
em que n ∈ R, é chamada de Equação de Bernoulli. Para n = 0 ou n = 1, a equação
(2.37) é linear em y. Agora, se y 6= 0, (2.37) pode ser escrita como
dy
y −n + P (x)y 1−n = f (x). (2.38)
dx
Se fizermos w = y 1−n , n 6= 0, n 6= 1, então
dw dy
= (1 − n)y −n .
dx dx
Com essa substituição, (2.38) transforma-se na equação linear
dw
+ (1 − n)P (x)w = (1 − n)f (x). (2.39)
dx
Resolvendo (2.39) e depois fazendo y 1−n = w, obtemos uma solução para (2.37).
29
Exemplos 11. Resolva:
dy 1
a) + y = xy 2
dx x
b) x2 y 0 + 2xy − y 3 = 0
dy
c) = y(xy 3 − 1)
dx
dy
= P (x) + Q(x)y + R(x)y 2 (2.40)
dx
du
− (Q + 2y1 R)u = Ru2 . (2.41)
dx
Como a equação (2.41) é uma equação de Bernoulli com n = 2, ela pode, por sua vez, ser
reduzida à equação linear
dw
+ (Q + 2y1 R)w = −R (2.42)
dx
através da substituição w = u−1 .
dy
a) = 2 − 2xy + y 2 , y1 = 2x
dx
dy
b) = −2 − y + y 2 , y1 = 2
dx
dy
c) = e2x + (1 + 2ex )y + y 2 , y1 = −ex
dx
30
2.7.3 Outras Substituições
Uma equação pode parecer diferente de todas as que vimos e estudamos até o momento,
porém fazendo uma mudança apropriada de variável, talvez possamos resolvê-la com as
ferramentas que temos disponı́veis.
considerado no inı́cio do capı́tulo, pode ser escrito de outra maneira. Vejamos, se f uma
função contı́nua em uma região que contém o ponto (x0 , y0 ). Integrando ambos os lados
da equação diferencial em relação a x, obtemos
Z x
y(x) = c + f (t, y(t))dt.
x0
Observando que, Z x0
y(x0 ) = c + f (t, y(t))dt = c
x0
temos c = y0 . Logo, Z x
y(x) = y0 + f (t, y(t))dt, (2.44)
x0
31
Reciprocamente, se começarmos com (2.44), podemos obter (2.43). Em outras pa-
lavras, a equação integral (2.44) e o problema de valor inicial (2.43) são equivalentes.
Tentaremos agora resolver (2.44) por um método conhecido por Método de Aproximações
Sucessivas ou Método de Picard.
Seja y0 (x) uma função contı́nua arbitrária. Como f (x, y0 (x)) é uma função conhecida,
dependendo apenas de x, ela pode ser integrada. Com y0 (t) substituindo y(t), o lado
direito de (2.44) define uma outra função, que escrevemos como
Z x
y1 (x) = y0 + f (t, y0 (t))dt.
x0
Espera-se que esta nova função esteja mais próxima da solução. Quando repetimos o
procedimento, uma outra função é definida por
Z x
y2 (x) = y0 + f (t, y1 (t))dt.
x0
Dessa maneira, obtemos uma sequência de funções (yn ), cujo n−ésimo termo é definido
pela relação Z x
yn (x) = y0 + f (t, yn−1 (t))dt, n ∈ N. (2.45)
x0
É possı́vel provar que, sob hipóteses adequadas para o problema (2.43), temos que existe
o limite lim yn e, além disso,
n→∞
Z x
y(x) := lim yn (x) = lim y0 + f (t, yn−1 (t))dt (2.46)
n→∞ n→∞ x0
é a solução de (2.43).
Na aplicação de (2.45), é uma prática comum escolher y0 (x) = y0 como função inicial.
a) y 0 = y − 1, y(0) = 2
32
b) y 0 = −y, y(0) = 1
c) y 0 = 2xy, y(0) = 1
33
Capı́tulo 3
34
Curvas Ortogonais
Em Geometria Analı́tica, duas retas r1 e r2 não paralelas aos eixos coordenados são per-
pendiculares se, e somente se, seus respectivos coeficientes angulares satisfazem a relação
m1 m2 = −1. Por essa razão, os gráficos de y = (−1/2)x + 1 e y = 2x + 4 são perpen-
diculares. Duas curvas C1 e C2 são ortogonais em um ponto se, e somente se, suas retas
tangentes T1 e T2 forem perpendiculares no ponto de intersecção. Exceto no caso em que
T1 e T2 são paralelas aos eixos coordenados, isso significa que os coeficientes angulares das
tangentes são negativos inversos um do outro.
Em outras palavras, uma trajetória ortogonal é uma curva que intercepta toda a curva
de uma famı́lia em ângulos reto.
Exemplos 15.
35
Método Geral
Crescimento e Decrescimento
Exemplo 32. Em uma cultura, há inicialmente N0 bactérias. Uma hora depois, t = 1,
o número de bactérias passa a ser (3/2)N0 . Se a taxa de crescimento é proporcional
ao número de bactérias presentes, determine o tempo necessário para que o número de
bactérias triplique.
36
Exemplo 33. Sabe-se que a população de uma certa comunidade cresce a uma taxa pro-
porcional ao número de pessoas presentes em qualquer instante. Se a população duplicou
em 5 anos, quando ela triplicará? Quando quadruplicará?
Exemplo 34. Suponha que a população da comunidade do Problema 1 seja 10.000 após
3 anos. Qual era a população inicial? Qual será a população em 10 anos?
Exemplo 35. A população de bactérias em uma cultura cresce a uma taxa proporcional
ao número de bactérias presentes em qualquer tempo. Após 3 horas, observa-se que há 400
bactérias presentes. Após 10 horas, existem 2000 bactérias presentes. qual era o número
inicial de bactérias?
Meia-vida
Exemplo 36. Um reator converte urânio 238 em isótopo de plutônio 239. Após 15 anos,
foi detectado que 0,043% da quantidade inicial A0 de plutônio se desintegrou. Encon-
tre a meia-vida desse isótopo, se a taxa de desintegração é proporcional à quantidade
remanescente.
Exemplo 37. O isótopo radioativo de chumbo, Pb-209, decresce a uma taxa proporcional
à quantidade presente em qualquer tempo. Sua meia-vida é 3,3 horas. Se 1 grama de
chumbo está presente inicialmente, quanto tempo levará para 90% de chumbo desaparecer.
37
Exemplo 38. Inicialmente, havia 100 miligramas de uma substância radioativa presente.
Após 6 horas, a massa diminuiu 3%. Se a taxa de decrescimento é proporcional à quan-
tidade de substância presente em qualquer tempo, encontre a quantidade remanescence
após 24 horas. Determine a meia-vida desta substância radioativa.
dT
= k(T − Tm ), (3.2)
dt
Exemplo 39. Quando um bolo é retirado do forno, sua temperatura é de 300◦ F . Três
minutos depois, sua temperatura passa para 200◦ F . Quanto tempo levará para sua tem-
peratuda chegar a 70◦ F , se a temperatura do meio ambiente em que ele foi colocado for
exatamente 70◦ F ?
Exemplo 41. A fórmula (3.2) também é válida quando o corpo absorve calor do meio
ambiente. Se uma pequena barra de metal, cuja temperatura inicial é de 20◦ C, é colocada
em um vasilhame de água em ebulição, quanto tempo levará para a temperatura da barra
atingir 90◦ C se é fato conhecido que sua temperatura aumenta 2◦ C em 1 segundo? Quanto
tempo levará para a temperatura da barra chegar a 98◦ C?
38
Problemas de Misturas
Na mistura de dois fluidos, muitas vezes temos de lidar com equações diferenciais
lineares de primeira ordem.
Exemplo 42. Inicialmente, 50 gramas de sal são dissolvidos em um tanque contendo 300
litros de água. Uma solução salina é bombeada para dentro do tanque a uma taxa de 3
litros por minuto, e a solução bem misturada é então drenada na mesma taxa. Veja a
figura abaixo: Se a concentração da solução que entra é 2 gramas por litro, determine a
quantidade de sal no tanque em qualquer instante. Quantos gramas de sal estão presentes
após 50 minutos? E depois de um longo tempo?
Exemplo 43. Um tanque contém 200 litros de fluido no qual são dissolvidos 30 g de
sal. Uma solução salina contendo 1 g de sal por litro é então bombeada para dentro do
tanque a uma taxa de 4 litros por minuto; a mistura é drenada à mesma taxa. Encontre
a quantidade de gramas de sal A(t) no tanque em qualquer instante.
Exemplo 44. Um tanque está parcialmente cheio com 100 litros de fluido nos quais 10
g de sal são dissolvidos. Uma solução salina contendo 0,5 g de sal por litro é bombeada
para dentro do tanque a uma taxa de 6 litros por minuto. A mistura é então drenada a
uma taxa de 4 litros por minuto. Descubra quantos gramas de sal haverá no tanque após
30 minutos.
39
onde k é a taxa de crescimento ou declı́nio. No entanto, numa situação mais realista,
a taxa de crescimento ou declı́nio depende, de fato, da população, deve-se substituir a
constante k em (3.3) por uma função h(y) e obtemos, então, a equação modificada
dy
= h(y)y. (3.4)
dt
Agora, queremos escolher h(y) tal que h(y) ≈ k > 0 quando y é pequeno, h(y) diminui
quando y aumenta e h(y) < 0 quando y é suficientemente grande. A função mais simples
que tem essa propriedade é h(y) = k − ay, em que a também é uma constante positiva.
Análise Qualitativa
Iniciemos procurando soluções de (3.6) do tipo mais simples possı́vel, ou seja, funções
dy
constantes. Para tal solução, = 0 para todo t, de modo que qualquer solução constante
dt
de (3.6) tem de satisfazer a equação algébrica
y
k 1− y = 0.
R
Logo, as soluções constantes são φ1 (t) = 0 e φ2 (t) = R. São chamadas Soluções de
Equilı́brio de (3.6), já que não há variação ou mudança no valor de y quando t aumenta.
Para visualizar outras soluções de (3.6) e esboçar seus gráficos rapidamente, podemos
começar desenhando o gráfico de f (y) em função de y. No caso da equação (3.6), f (y) =
y
k 1− y, logo o gráfico é a parábola:
R
40
dy
Note que, > 0 para 0 < y < R, portanto, y é uma função crescente de t quando y
dt
dy
está nesse intervalo. Analogamente, se y > R, então < 0, logo y é decrescente.
dt
Nesse contexto, o eixo dos y é chamado de Reta de Fase e está reproduzida em sua
orientação vertical ususal.
Para esboçar os gráficos das soluções de (3.6) no plano, começamos com as soluções
de equilı́brio y = 0 e y = R, depois desenhamos outras curvas que são crescentes quando
0 < y < R, decrescentes quando y > R e cujas tangentes se aproximam da horizontal
quando y se aproximam da horizontal quando y se aproxima de 0 ou de R. Logo, os
gráficos das soluções da equação (3.6) devem ter a forma geral ilustrada abaixo:
Sendo um pouco mais detalhista, utilizando a regra da cadeia, temos que as soluções
são convexas quando 0 < y < R/2 ou y > R, e côncavas quando R/2 < y < R. Desta
maneira, temos que toda vez que o gráfico de y em função de t cruza a reta y = R/2
existe aı́ um ponto de inflexão.
Finalmente, note que R é a cota superior que é aproximada, mas nunca excedida,
por populações crescente começando abaixo deste valor. Assim, torna-se natural nos
referirmos a R como o nı́vel de saturação ou a capacidade de sustentação ambiental para
a espécie em questão.
Em muitas situações, basta obter a informação qualitativa ilustrada em (*) sobre uma
solução y = φ(t) de (3.6). Essa informação foi inteiramente obtida a partit do gráfico de
f (y) como função de y, sem resolver a equação diferencial (3.6). Entretanto, se quisermos
ter uma descrição mais detalhada do crescimento logı́stico, por exemplo, se quisermos
saber o número de elementos na população em um instante particular, então precisamos
resolver a equação (3.6) sujeita à condição inicial y(0) = y0 . Se y 6= 0 e y 6= R, podemos
41
escrever (3.6) na forma
dy
= kdt.
(1 − y/R) y
Usando uma expressão em frações parciais na expressão à esquerda do sinal de igualdade,
obtemos
1 1/R
+ dy = kdt.
y 1 − y/R
Integrando, temos
y
ln |y| + ln 1 − = kt + c. (3.7)
R
Sabemos que, se 0 < y0 < R, então y permanece nesse intervalo para todo o tempo.
Portanto, nesse caso, podemos remover as barras de módulo em (3.7) e, calculando a
exponencial de todos os termos em (3.7), obtemos
y
= cekt . (3.8)
1 − y/R
y0
c= .
1 − yR0
Desta forma,
y0 R
y= . (3.9)
y0 + (R − y0 )e−kt
Analogamente, se y0 > R. Note que, (3.9) contém as soluções de equilı́brio y = φ1 (t) = 0
e y = φ2 (t) = R que correspondem às condições iniciais y0 = 0 e y0 = R, respectivamente.
Exemplo 45. O modelo logı́stico tem sido aplicado ao crescimento natural da população
de linguado gigante em determinadas áreas do Oceano Pacı́fico. Seja y, medido em qui-
logramas, a massa total, ou biomassa, da população de linguado gigante no instante t.
Estima-se que os parâmetros na equação logı́stica tenham os valores k = 0, 71 por ano
e R = 80, 5 × 106 kg. Se a biomassa inicial é y0 = 0, 25R, encontre a biomassa 2 anos
depois. Encontre também, o instante τ para o qual y(τ ) = 0, 75R.
42
Capı́tulo 4
43
Porém, se P (x) 6= 0, podemos dividir a equação (4.4) por P (x), obtendo assim a equação
(4.3), com
Q(x) R(x) G(x)
p(x) = , q(x) = e g(x) = . (4.5)
P (x) P (x) P (x)
Em nosso estudo, estaremos restringindo as funções p, q e g onde elas são contı́nuas.
Se a equação (4.1) não puder ser escrita da forma (4.3) ou (4.4), então ela é dita
Não-Linear.
em que y0 e y00 são números dados que descrevem os valores de y e y 0 no ponto inicial x0 .
Uma equação linear de segunda ordem é dita Homogênea se a função g(x) na equação
(4.3), ou G(x) na equação (4.4), for igual a zero para todo x. Caso contrário, a equação
é dita Não-Homogênea. Em consequência, a função g(x), ou G(x), é chamada de
termo não-homogêneo. Vamos começar nossa discussão com equações homogêneas, que
escrevemos na forma
P (x)y 00 + Q(x)y 0 + R(x)y = 0 (4.7)
Vamos concentrar nossa atenção, na maioria das vezes, a equações nas quais as funções
P , Q e R são constantes. Ou seja, nos casos
ay 00 + by 0 + cy = 0 (4.8)
44
e encontre, também, a solução que satisfaz as condições iniciais
Explorando as ideias do exemplo acima, podemos resolver a equação (4.8) para quais-
quer valores de seus coeficientes e satisfazer, também, qualquer conjunto de condições
iniciais dado para y e y 0 . Começamos procurando soluções exponenciais da forma y = ert ,
em que r é um parâmetro a ser determinado. Segue que y 0 = rert e y 00 = r2 ert . Substi-
tuindo tais expressões na equação (4.8), obtemos
(ar2 + br + c)ert = 0,
Supondo que as raı́zes da equação caracterı́stica são reais e distintas, vamos denotá-
las por r1 e r2 em que r1 6= r2 . Então, y1 (x) = er1 x e y2 (x) = er2 x são duas soluções da
equação (4.8). Como no exemplo anterior, segue que
45
ser satisfeitas pela escolha adequada das constantes na equação (4.12) torna plausı́vel a
ideia de que essa expressão inclui, de fato, todas as soluções da equação (4.8).
y 00 + 5y 0 + 6y = 0.
y 00 + 5y 0 + 6y = 0, y(0) = 2, y 0 (0) = 3.
46
em que x0 ∈ I e y0 , y00 ∈ R.
Perguntas Fundamentais:
• Pergunta 3: É possı́vel dizer alguma coisa sobre a forma e a estrutura das soluções
gerais que possam ajudar a encontrar soluções de problemas particulares?
As respostas a essas, e outras, perguntas estão contidas nos resultados que se seguem.
Observação 2. O problema de valor inicial tem uma solução, ou seja, existe uma solução.
Observação 3. O problema de valor inicial tem apenas uma solução, ou seja, a solução
é única.
Exemplo 50. Encontre o maior intervalo no qual a solução do problema de valor inicial
47
Teorema 4 (Princı́pio da Superposição). Se y1 e y2 são soluções da equação diferencial
(4.14),
L[y] = y 00 + p(x)y 0 + q(x)y = 0,
O Teorema 4 diz que, começando com apenas duas soluções da equação (4.14), pode-
mos construir uma famı́lia infinita de soluções através das combinações lineares c1 y1 +c2 y2 .
A próxima pergunta é se todas as soluções da equação (4.14) estão incluı́das nas com-
binações lineares ou se podem existir soluções com formas diferentes. Começamos a
estudar essa questão examinando se as constantes c1 e c2 na combinação linear podem ser
escolhidas de modo que a solução satisfaça as condições iniciais (4.15). Essas condições
iniciais obrigam c1 e c2 a satisfazerem as equações
c y (x ) + c y (x ) = y
1 1 0 2 2 0 0
(4.17)
c y 0 (x ) + c y 0 (x ) = y 0
1 1 0 2 2 0 0
y1 (x0 ) y2 (x0 )
W = = y1 (x0 )y20 (x0 ) − y10 (x0 )y2 (x0 ). (4.18)
y10 (x0 ) y20 (x0 )
Se W 6= 0, o sistema (4.17) tem uma única solução (c1 , c2 ), não importa quais sejam os
valores de y0 , y00 ∈ R. Esta solução é dada por
y0 y2 (x0 ) y1 (x0 ) y0
y00 y20 (x0 ) y10 (x0 ) y00
c1 = e c2 = . (4.19)
y1 (x0 ) y2 (x0 ) y1 (x0 ) y2 (x0 )
y10 (x0 ) y20 (x0 ) y10 (x0 ) y20 (x0 )
48
para denotar a expressão mais à direita na equação (4.18) enfatizando o fato de que o
Wronskiano depende das funções y1 e y2 e que é calculado no ponto x0 . Assim, temos o
resultado:
W = y1 y20 − y10 y2
não se anula em x0 .
Exemplo 52. Sabemos que y1 (x) = e−2x e y2 (x) = e−3x são soluções da equação diferen-
cial y 00 + 5y 0 + 6y = 0. Encontre o Wronskiano de y1 e y2 .
49
Demonstração.
Suponha que, W = 0 para todo x ∈ I. Logo, pelo teorema anterior, existem y0 , y00 ∈ R,
tais que o PVI
L[y] = 0, y(x0 ) = y0 , y 0 (x0 ) = y00 , ∀x0 ∈ I
Por outro lado, sendo W (y1 , y2 )(x0 ) 6= 0, temos a existência de φ, solução do PVI
y = c1 y2 (x) + c2 y2 (x)
c1 f1 (x) + · · · + cn fn (x) = 0
para todo x ∈ I.
50
Definição 9 (Independência Linear). Dizemos que um conjunto de funções f1 (x), · · · , fn (x)
é Linearmente Independente (LI) em I se ele não é linearmente dependente em I.
Teorema 7 (Critério para Independência Linear de Funções). Suponha que f1 (x), · · · , fn (x)
sejam diferenciáveis pelo menos n − 1 vezes. Se o determinante
f1 f2 ··· fn
f10 f20 ··· fn0
.. .. .. ..
. . . .
(n−1) (n−1)
f1 f2 ··· fn(n−1)
for diferente de zero em pelo menos um ponto do intervalo I, então as funções f1 (x), · · · , fn (x)
são linearmente independentes no intervalo.
Observando estes fatos da Álgebra Linear, podemos concluir que o Conjunto Funda-
mental de Soluções é, na verdade, um Espaço Vetorial formado pelas Soluções da Equação
Diferencial (4.14). E mais, tal espaço tem dimensão 2, desde que dadas duas soluções co-
nhecidas y1 e y2 tenhamos o W (y1 , y2 ) não nulo em algum x0 . O conjunto {y1 , y2 } é a
base pra tal Espaço Vetorial de Soluções.
Exemplo 53. Suponha que, y1 (x) = er1 x e y2 (x) = er2 x são duas soluções de uma
equação diferencial da forma (4.14). Mostre que, elas formam um conjunto fundamental
de soluções, se r1 6= r2 .
51
Exemplo 54. Mostre que, y1 (x) = x1/2 e y2 (x) = x−1 formam um conjunto fundamental
de soluções da equação diferencial
cujos coeficientes p e q são contı́nuos em algum intervalo aberto I. Escolha algum ponto
x0 em I. Seja y1 uma solução da equação diferencial, satisfazendo as condições iniciais
y(x0 ) = 1 e y 0 (x0 ) = 0
y(x0 ) = 0 e y 0 (x0 ) = 1.
em que p e q são funções reais contı́nuas. Se y = u(x) + iv(x) é uma solução complexa
da equação diferencial (4.14), então suas partes real e imaginária, u e v, também, são
soluções desta equação.
52
Agora, vamos examinar melhor as propriedades do Wronskiano de duas soluções de
uma equação diferencial linear homogênea de segunda ordem.
em que c é uma certa constante que só depende de y1 e y2 , mas não de x. Além disso,
W (y1 , y2 )(x) ou é nulo para todo x ∈ I (se c = 0) ou nunca se anula em I (se c 6= 0).
e
y200 + p(x)y20 + q(x)y2 = 0. (4.21)
Multiplicando (4.20) por (−y2 ) e (4.21) por (y1 ), e somando as equações resultantes,
obtemos
(y1 y200 − y2 y100 ) + p(x)(y1 y20 − y10 y2 ) = 0 (4.22)
W 0 + p(x)W = 0.
53
Exemplo 56. Verifique o Teorema de Abel: Verificamos que y1 (x) = x1/2 e y2 (x) =
x−1 são soluções da equação
ay 00 + by 0 + cy = 0, (4.23)
em que a, b, c ∈ R. Sabemos que, procuramos soluções da forma y = erx , então r tem que
ser raiz da equação caracterı́stica
ax2 + bx + c = 0. (4.24)
Mostramos que, se as raı́zes r1 e r2 forem reais e distintas, o que ocorre sempre que o
discriminante for positivo, então a solução geral da equação (4.23) será
Supondo, agora, que o discriminante seja negativo. Então, as raı́zes da equação (4.24)
são números complexos conjugados, denotemo-los por
r1 = λ + iµ e r2 = λ − iµ, (4.26)
e(λ±iµ)x = eλx e±iµx = eλx (cos(µx) ± i sen(µx)) = eλx cos(µx) ± ieλx sen(µx) (4.28)
54
Como estaremos sempre interessados em soluções reais, devido as aplicações, usando
o Teorema 9 e observando que W (eλx cos(µx), eλx sen(µx)) 6= 0, podemos considerar
em que c1 , c2 ∈ R.
y 00 + y 0 + 9, 25y = 0.
y(0) = 2 e y 0 (0) = 8.
ay 00 + by 0 + cy = 0, (4.31)
ar2 + br + c = 0, (4.32)
55
são reais e distintas ou complexas e conjugadas. Agora, vamos considerar a terceira
possibilidade, quando as duas raı́zes r1 e r2 são iguais. Neste caso, o discriminante é nulo.
Sendo assim,
r1 = r2 = −b/2a. (4.33)
O procedimento usado no exemplo acima pode ser estendido a uma equação geral cuja
equação caracterı́stica tenha raı́zes repetidas. Ou seja, supomos que os coeficientes da
equação caracterı́stica satisfazem b2 − 4ac = 0, neste caso
b
y 0 (x) = v 0 (x)e−bx/2a − v(x)e−bx/2a (4.37)
2a
e
b b2
y 00 (x) = v 00 (x)e−bx/2a − v 0 (x)e−bx/2a + 2 v(x)e−bx/2a . (4.38)
a 4a
Então, substituindo na equação (4.31), obtemos
b2
b 0 b
a v (x) − v (x) + 2 v(x) + b v (x) − v(x) + cv(x) e−bx/2a = 0.
00 0
(4.39)
a 4a 2a
b2 b2
00 0
av (x) + (−b + b)v (x) + − + c v(x) = 0. (4.40)
4a 2a
56
Sendo assim, como a parcela envolvendo v 0 (x) é, claramente, nula e a parcela envolvendo
v(x) é, em virtude do discriminante ser zero, nula, temos
v 00 (x) = 0, (4.41)
logo,
v(x) = c1 + c2 x. (4.42)
Portanto,
y(x) = c1 e−bx/2a + c2 xe−bx/2a . (4.43)
e−bx/2a xe−bx/2a
W (y1 , y2 )(x) = = e−bx/2a . (4.45)
b −bx/2a bx −bx/2a
− e 1− e
2a 2a
Como W (y1 , y2 )(x) nunca se anula, as soluções y1 e y2 dadas pela equação (4.44) formam
um conjunto fundamental de soluções. Além disso, a equação (4.43) é a solução geral da
equação (4.31) quando as raı́zes da equação caracterı́stica são iguais.
Redução de Ordem
Vale a pena observar que o procedimento usando nesta seção para equações com co-
eficientes constantes é aplicável mais geralmente. Suponha que conhecemos uma solução
y1 (x), não identicamente nula, de
57
Para encontrar uma segunda solução, seja
Então,
y 0 = v 0 (x)y1 (x) + v(x)y10 (x) (4.50)
e
y 00 = v 00 (x)y1 (x) + 2v 0 (x)y10 (x) + v(x)y100 (x). (4.51)
Por meio do método das variáveis separáveis é possı́vel obter v 0 e, consequentemente, por
integração obtemos v. Esse procedimento é chamado de Redução de Ordem.
Exemplo 64. Sabendo-se que y1 (x) = x3 é uma solução para x2 y 00 − 6y = 0, use redução
de ordem para encontrar uma segunda solução no intervalo (0, ∞).
58
onde p, q e g são funções contı́nuas dadas em um intervalo aberto I. A equação
Teorema 11. Se Y1 e Y2 são duas soluções da equação não-homogênea (4.54), então sua
diferença Y1 − Y2 é uma solução da equação homogênea associada (4.55). Se, além disso,
y1 e y2 formarem um conjunto fundamental de soluções para a equação (4.55), então
Teorema 12. A solução geral da equação não-homogênea (4.54) pode ser escrita na forma
O teorema acima, afirma que para resolver a equação não-homogênea (4.54), precisa-
mos fazer três coisas:
Discutiremos dois métodos para obtenção de uma solução particular: Método dos
Coeficientes Indeterminados e o Método da Variação de Parâmetros.
59
O Método dos Coeficientes Indeterminados
O método dos coeficientes indeterminados (ou a determinar) requer uma hipótese ini-
cial sobre a forma da solução particular Y (x), mas com os coeficientes não especificados.
Substituı́mos, então a expressão hipotética na equação (4.54) e tentamos determinar os co-
eficientes de modo que a equação seja satisfeita. Se tivermos sucesso, teremos encontrado
uma solução da equação diferencial (4.54) e podemos usá-la como a solução particular
Y (x). Se não pudermos determinar os coeficientes, isso significa que não existe solução
da forma que supusemos. Nesse caso, temos que modificar a hipótese inicial e tentar
novamente.
y 00 − 3y 0 − 4y = 3e2x .
4y 00 + y 0 = 2 sen x.
O método utilizado nos exemplos acima pode ser usado quando a expressão à direita
do sinal de igualdade é um polinômio. Assim, para encontrar uma solução particular de
60
supomos, inicialmente, que Y (x) é um polinômio de mesmo grau que o termo não-
homogêneo, ou seja, Y (x) = Ax2 + Bx + C.
Resumindo: se o termo não-homogêneo g(x) na equação (4.54) for uma função expo-
nencial eαx , suponha que Y (x) é proporcional a essa mesma função exponencial; se g(x)
for igual a sen(βx) ou cos(βx), suponha que Y é uma combinação linear de sen(βx) e
cos(βx); se g(x) for um polinômio, suponha que Y (x) é um polinômio de mesmo grau. O
mesmo princı́pio se estende ao caso em que g(x) é um produto de quaisquer dois ou três
desses tipos de funções, como mostra o próximo exemplo.
y 00 − 4y = ex cos x.
Suponha, agora, que g(x) é uma soma de dois termos, g(x) = g1 (x) + g2 (x), e suponha
que Y1 (x) e Y2 (x) são soluções das equações
ay 00 + by 0 + cy = g1 (x) e ay 00 + by 0 + cy = g2 (x),
ay 00 + by 0 + cy = g(x).
y 00 − 2y 0 − 3y = 4x − 5 + xex .
O procedimento realizado acima nos permite resolver uma classe grande de problemas
de um modo razoavelmente eficiente. No entanto, existe uma dificuldade que ocorre às
vezes. O próximo exemplo mostra como isso acontece.
y 00 − 3y 0 − 4y = 2e−x .
61
Sumário. Vamos resumir as etapas envolvidas em encontrar a solução de um problema
de valor inicial consistindo em uma equação não-homogênea da forma
ay 00 + by 0 + cy = g(x),
3. Se g(x) = g1 (x)+· · ·+gn (x), ou seja, se g(x) é uma soma de n parcelas, então forme n
subproblemas, cada um dos quais contendo apenas uma das parcelas g1 (x), · · · , gn (x).
O i−ésimo subproblema consiste na equação
ay 00 + by 0 + cy = gi (x),
em que i varia de 1 a n.
5. Encontre uma solução particular Yi (x) para cada um dos subproblemas. Então a
soma Y1 (x) + · · · + Yn (x) será uma solução particular da equação não-homogênea.
62
Exemplo 70. Encontre a solução geral para cada equação abaixo:
1. y 00 − 2y 0 − 3y = x − 1 + 6xe2x
2. y 00 + y = 3 sen x + x cos x
3. y 00 − 5y 0 + 4y = 8ex
4. y 00 + 4y = (x2 − 3) sen(2x)
63
onde p, q e g são funções contı́nuas dadas. Como ponto de partida, vamos supor que
conhecemos a solução geral
Lembre que, até o momento, só mostramos como resolver tal equação nos casos de coefi-
cientes constantes.
Podemos então, tentar determinar u1 (x) e u2 (x) de modo que a expressão na equação
(4.63) seja solução da equação não-homogênea (4.60), ao invés da equação homogênea
(4.62). Diferenciando a equação (4.63), obtemos
y 0 = u01 (x)y1 (x) + u1 (x)y10 (x) + u02 (x)y2 (x) + u2 (x)y20 (x). (4.64)
Como no exemplo visto, vamos igualar a zero a soma das parcelas envolvendo u01 (x) e
u02 (x) na equação (4.64), ou seja, vamos exigir que
y 00 = u01 (x)y10 (x) + u1 (x)y100 (x) + u02 (x)y20 (x) + u2 (x)y200 (x). (4.67)
u1 (x)[y100 (x)+p(x)y10 (x)+q(x)y1 (x)]+u2 (x)[y200 (x)+p(x)y20 (x)+q(x)y2 (x)]+u01 (x)y10 (x)+u02 (x)y20 (x) = g(x).
(4.68)
64
Cada uma das expressões acima entre colchetes é nula, pois ambas as funções y1 e y2 são
soluções da equação homogênea. Portanto, a equação acima, se reduz a
As equações (4.65) e (4.69) formam um sistema de duas equações lineares algébricas para
as derivadas u01 (x) e u02 (x) das funções desconhecidas.
y2 (x)g(x) y1 (x)g(x)
u01 (x) = − e u02 (x) = . (4.70)
W (y1 , y2 )(x) W (y1 , y2 )(x)
Note que a divisão por W é permitida, visto que y1 e y2 formam um conjunto fundamental
de soluções e, portanto, seu Wronskiano não se anula. Integrando as equações (4.70),
encontramos as funções desejadas u1 (x) e u2 (x), a saber,
Z Z
y2 (x)g(x) y1 (x)g(x)
u1 (x) = − + c1 e u2 (x) = dx + c2 . (4.71)
W (y1 , y2 )(x) W (y1 , y2 )(x)
Exemplos 17. Encontre a solução geral das equações abaixo, utilizando o método da
variação de parâmetros e o método dos coeficientes indeterminados.
65
1. y 00 − 5y 0 + 6y = 2ex
2. y 00 + 2y 0 + y = 3e−x
3. y 00 + 2y 0 + 5y = 3 sen(2x)
4. y 00 − y 0 − 2y = 4x2 − 2x
2. y 00 − 2y 0 + y = ex ln x
3. y 00 + y = sec x tg x
Equação de Euler
Note que, supondo que a equação de Euler tem uma solução da forma
y = xr , (4.75)
obtemos
L[xr ] = xr [r(r − 1) + αr + β] = 0. (4.76)
66
Assim como no caso de equações diferenciais lineares de segunda ordem com coeficientes
constantes, é necessário considerar separadamente os casos nos quais as raı́zes são reais
e diferentes, reais e iguais, ou complexas conjugadas. De fato, o estudo sobre equações
de Euler é semelhante ao estudo que fizemos de equações diferenciais lineares de segunda
ordem com coeficientes constantes, com erx substituı́do por xr .
Se F (r) = 0 tem raı́zes r1 e r2 com r1 6= r2 , então y1 (x) = xr1 e y2 (x) = xr2 são
soluções da equação de Euler. Como
W (xr1 , xr2 ) 6= 0
y = c1 x r 1 + c2 x r 2 , x > 0. (4.78)
Raı́zes Iguais
Se F (r) = 0 tem duas raı́zes iguais r = r1 = r2 , obtemos apenas uma solução y1 (x) =
xr . Usando o método de redução de ordem, temos que a segunda solução é dada por
y2 (x) = xr ln x. Como
W (xr , xr ln x) 6= 0
x2 y 00 + 5xy 0 + 4y = 0, x > 0.
67
Raı́zes Complexas
x2 y 00 + xy 0 + y = 0, x > 0.
x2 y 00 − 3xy 0 + 3y = 2x4 ex .
68
Capı́tulo 5
Lei de Hooke
Suponha que, um bloco de massa m1 está atada a uma mola flexı́vel suspensa por um
suporte rı́gido. Quando m1 é substituı́da por uma massa diferente m2 , o alongamento da
mola será obviamente diferente.
Pela Lei de Hooke, a mola exerce uma força restauradora F oposta à direção do
alongamento e proporcional à distensão s. Simplesmente enunciada F = ks, onde k é
69
uma constante de proporcionalidade. Embora massas diferentes distendem uma mesma
mola com alongamento diferentes, a mola é caracterizada pelo número k.
Após um bloco de massa m ser atado a uma mola, ele provoca uma distensão s na
mola e atinge sua posição de equilı́brio na qual o peso W = mg é igual à força restau-
radora F = ks. Estaremos sempre supondo g = 10m/s2 e a massa sendo medida em
quilogramas.
O sinal de subtração em (5.1) indica que a força restauradora da mola age em direção
oposta ao movimento. Adotaremos, como convenção, que deslocamentos medidos abaixo
da posição de equilı́brio são positivos.
70
Equação Diferencial do Movimento Livre Sem Amortecimento
Para resolver a equação (5.3), notamos que as soluções para a equação auxiliar r2 +
w2 = 0 são os números complexos r1 = wi e r2 = −wi. Então, temos que a solução geral
da equação (5.3), é dada por
71
3/2π. O primeiro número significa que o gráfico de x(t) se repete a cada 2π/3 unidades;
o último número significa que existem 3 ciclos de gráfico em cada 2π unidades, ou de
maneira equivalente, o bloco está sujeita a 3/2π vibrações completas por unidade de
tempo.
Exemplo 77. Um bloco de massa 2Kg distende uma mola em 10m. No instante t = 0,
o bloco é solto, a partir do repouso, de um ponto a 8m abaixo da posição de equilı́brio.
Determine a função x(t) que descreve o movimento livre subsequente.
5
Exemplo 78. Um bloco de massa 1Kg distende uma mola em m. No instante t = 0,
8
o bloco é solto de um ponto a 10m abaixo da posição de equilı́brio com uma velocidade
1
inicial de m/s. Determine a função x(t) que descreve o movimento livre subsequente.
4
Determine também o perı́odo e a frequência do movimento.
72
Equação Diferencial de Movimento com Amortecimento
d2 x dx
m = −kx − β , (5.6)
dt2 dt
73
Caso 2: λ2 − w2 = 0. Nessa situação, dizemos que o sistema é criticamente amor-
tecido, pois qualquer decréscimo na força de amortecimento resulta em um movimento
oscilatório.
Exemplo 79. Um bloco de massa 1Kg é atado a uma mola cuja constante de elasticidade
é de 16N/m e o sistema inteiro é então submerso em um lı́quido que oferece uma força
de amortecimento numericamente igual a 10 vezes a velocidade instantânea. Determine
as equações do movimento se:
Exemplo 80. Um bloco de 0, 25Kg é atado a uma mola com constante de elasticidade
igual a 4N/m. Supondo que uma força de amortecimento igual ao dobro da velocidade
instantânea atua no sistema, determine a equação de movimento se o bloco parte da
posição de equilı́brio com velocidade de 3m/s para cima.
74
Capı́tulo 6
dn y dn−1 y dy
P0 (x) n
+ P 1 (x) n−1
+ · · · + Pn−1 (x) + Pn (x)y = G(x). (6.1)
dx dx dx
dn y dn−1 y dy
L[y] = + p 1 (x) + · · · + p n−1 (x) + pn (x)y = g(x). (6.2)
dxn dxn−1 dx
75
uma única solução, será preciso especificar n condições iniciais,
(n−1)
y(x0 ) = y0 , y 0 (x0 ) = y00 , ··· , y (n−1) (x0 ) = y0 , (6.3)
(n−1)
em que x0 ∈ I e y0 , y00 , · · · , y0 ∈ R.
Equações Homogêneas
Equações Não-Homogêneas
76
Portanto, a diferença entre duas soluções quaisquer da equação não-homogênea é uma
solução da equação homogênea. Como qualquer solução da equação homogênea pode ser
expressa como uma combinação linear de um conjunto fundamental de soluções y1 , · · · , yn ,
segue que qualquer solução de (6.2), pode ser expressa na forma
Para valores de r tais que Z(r) = 0, segue que L[erx ] = 0 e y = erx é uma solução da
equação (6.7). O polinômio Z(r) é chamado de polinômio caracterı́stico, e a equação
Z(r) = 0 é a equação caracterı́stica da equação diferencial (6.7). Como Z(r) tem grau
n, logo, tem n raı́zes, digamos r1 , · · · , rn , algumas das quais podem ser iguais. Podemos,
portanto, escrever o polinômio caracterı́stico na forma
77
Raı́zes Reais e Distintas
Se as raı́zes da equação caracterı́stica são reais e distintas entre si, então temos n
soluções distintas er1 x , · · · , ern x da equação (6.7). Sendo as funções LI, temos que a
solução geral de (6.7) será
y = c1 er1 x + · · · + cn ern x . (6.11)
y (4) + y 000 − 7y 00 − y 0 + 6y = 0.
Raı́zes Complexas
Se a equação caracterı́stica tiver raı́zes complexas, elas têm que aparecer em pares
conjugados, λ±iµ, já que os coeficientes a0 , · · · , an são números reais. Desde que nenhuma
raiz seja repetida, a solução geral da equação diferencial (6.7) ainda tem a forma (6.11).
No entanto, podemos substituir as soluções complexas e(λ+iµ)x e e(λ−iµ)x pelas soluções
reais
eλx cos(µx) e eλx sen(µx). (6.12)
y (4) − y = 0.
78
Raı́zes Repetidas
Se as raı́zes da equação caracterı́stica não forem distintas, ou seja, se algumas das raı́zes
forem repetidas, então é claro que a solução (6.11) não será a solução geral da equação
diferencial (6.7). Lembre-se de que, se r1 for uma raiz repetida para a equação linear de
2a ordem a0 y 00 + a1 y 0 + a0 y = 0, então as duas soluções linearmente independentes serão
er1 x e xer1 x . Para uma equação de ordem n, se uma raiz de Z(r) = 0, digamos r = r1 ,
tem multiplicidade s (em que s ≤ n), então
1. y (4) + 2y 00 + y = 0.
2. y (4) + y = 0.
pode ser obtida pelo método dos coeficientes indeterminados, desde que g(x) tenha uma
forma apropriada.
1. y 000 − 3y 00 + 3y 0 − y = 4ex
79
6.4 Variação de Parâmetros
Como precisamos determinar n funções, teremos que especificar n condições. É claro que
uma dessas é que yp satisfaça (6.15). As outras n − 1 condições são escolhidas de modo a
tornar os cálculos o mais simples possı́vel. De (6.17), obtemos
80
Dessa forma, obtemos mais n − 2 condições semelhantes à equação (6.19), ou seja,
(m)
u01 y1 + · · · + u0n yn(m) = 0, m = 2, · · · , n − 1. (6.21)
(m)
yp(m) = u1 y1 + · · · + un yn(m) , m = 2, 3, · · · , n − 1. (6.22)
Finalmente, precisamos impor a condição de que yp tem que ser solução de (6.15). Cal-
culando yp(n) , obtemos
(n) (n−1)
yp(n) = (u1 y1 + · · · + un yn(n) ) + (u01 y1 + · · · + u0n yn(n−1) ). (6.23)
(n−1)
u01 y1 + · · · + u0n yn(n−1) = g. (6.24)
O qual é um sistema algébrico linear para as incógnitas u01 , · · · , u0n . Através de integração,
obtemos as funções u1 , · · · , un . Uma condição que garante a existência de solução para
(6.25) é que o determinante da matriz dos coeficientes seja não nulo para todo t, o que
de fato ocorre pois tal determinante é exatamente W (y1 , · · · , yn ) que nunca se anula,
visto que y1 , · · · , yn formam um conjunto fundamental de soluções da equação homogênea.
Portanto, é possı́vel determinar u01 , · · · , u0n . Usando a Regra de Cramer, podemos escrever
a solução do sistema de equações acima na forma
g(t)Wm (t)
u0m (t) = , m = 1, · · · , n. (6.26)
W (t)
81
Aqui, W (t) = W (y1 , · · · , yn )(t) e Wm é o determinante obtido de W substituindo a
m−ésima coluna pela coluna (0, · · · , 0, 1). Com essa notação, uma solução particular da
equação (6.15) é dada por
n Z t
X g(s)Wm (s)
yp (t) = ym (t) ds, (6.27)
m=1 t0 W (s)
onde t0 ∈ R.
Exemplo 84. Sabendo que y1 (t) = et , y2 (t) = tet e y3 (t) = e−t são soluções da equação
homogênea associada a equação diferencial
y 000 − y 00 − y 0 + y = g(t),
82
Capı́tulo 7
Teoria Preliminar
83
então, o sistema de equações diferenciais lineares de primeira ordem
dx1
= a11 (t)x1 + a12 (t)x2 + · · · + a1n (t)xn + f1 (t)
dt
dx2
= a21 (t)x1 + a22 (t)x2 + · · · + a2n (t)xn + f2 (t)
dt
.. ..
. .
dxn
= an1 (t)x1 + an2 (t)x2 + · · · + ann (t)xn + fn (t)
dt
1.
dx
= −2x + 5y + et − 2t
dt
dy
= 4x − 3y + 10t.
dt
2.
dx
= 2x − 3y
dt
dy
= 6x + 5y.
dt
84
Definição 10 (Vetor Solução). Um vetor solução em um intervalo I é qualquer matriz
coluna
x1 (t)
x2 (t)
X=
..
.
xn (t)
cujos elementos são funções diferenciáveis que verificam o sistema (7.1) no intervalo I.
dX = A(t)X + F (t)
dt (7.3)
X(t ) = X
0 0
85
Sistemas Homogêneos
Nas próximas definições e teoremas, estaremos interessados apenas nos sistemas ho-
mogêneos. Admitiremos sempre (sem mencionar explicitamente) que os aij e as fi sejam
funções contı́nuas de t em um intervalo I.
Princı́pio da Superposição
X = c1 X 1 + · · · + ck X k ,
Independência Linear
c1 X 1 + · · · + ck X k = 0
86
para todo t ∈ I. Se o conjunto de vetores não é linearmente dependente no intervalo,
dizemos que é linearmente independente (LI).
3 1
Exemplo 88. Verifique que X1 = et e X2 = e−t são vetores solução LI
1 1
2 −3
do sistema X 0 = X.
1 −2
Wronskiano
x x1n
11
.. ..
Teorema 18. Sejam X1 = . , · · · , Xn = . , n vetores solução do sistema
xn1 xnn
homogêneo (7.2) em I. Uma condição necessária e suficiente para que o conjunto de
soluções seja linearmente independente é que o Wronskiano
x11 · · · x1n
.. . . ..
W (X1 , · · · , Xn ) = . . . 6= 0
xn1 · · · xnn
para todo t ∈ I.
para todo t ∈ I, ou
W (X1 , · · · , Xn ) = 0
87
Conjunto Fundamental de Soluções
X = c1 X 1 + · · · + cn X n ,
onde c1 , · · · , cn ∈ R.
Observação 10. Embora não o demonstremos, pode-se provar que, para uma escolha
apropriada das constantes c1 , · · · , cn ∈ R, qualquer solução de (7.2) em I, pode ser obtida
da solução geral.
Sistemas Não-Homogêneos
88
Exemplo 91. Verifique que o vetor
3t − 4
Xp =
−5t + 6
X h = c1 X 1 + · · · + cn X n
X = Xh + X p .
89
Uma Matriz Fundamental
X = c1 X 1 + · · · + cn X n (7.5)
c x + · · · + cn x1n
x11 x 1 11
1n c x + ··· + c x
. .
1 21 n 2n
= c1 .. + · · · + cn ..
= .
.
..
xn1 xnn
c1 xn1 + · · · + cn xnn
90
formam um conjunto fundamental de soluções do sistema
1 3
X0 = X
5 3
em R. Logo,
−2t 6t
e 3e
Φ(t) = ,
−e−2t 5e6t
é uma matriz fundamental do sistema em R.
Observação 11. De (7.6), temos que a solução geral de qualquer sistema homogêneo
X 0 = A(t)X pode sempre ser escrita em termos de uma matriz fundamental do sistema:
X = Φ(t)C, onde C é um vetor coluna n × 1 de constantes arbitrárias. Além disso, dizer
que X = Φ(t)C é uma solução de X 0 = A(t)X significa que
Φ0 (t)C = A(t)Φ(t)C
ou
(Φ0 (t) − A(t)Φ(t))C = 0,
Φ0 (t) − A(t)Φ(t) = 0
ou
Φ0 (t) = A(t)Φ(t). (7.7)
Agora, podemos observar que o detΦ(t) = W (X1 , · · · , Xn ). Por esta razão, a inde-
pendência linear das colunas de Φ(t) em um intervalo I garante que detΦ(t) 6= 0, para
todo t ∈ I,ou seja, Φ(t) é não-singular em I.
Teorema 21. Seja Φ(t) uma matriz fundamental do sistema homogêneo (7.2) em I.
Então, Φ−1 (t) existe para todo t ∈ I.
91
7.2 Sistemas Lineares Homogêneos
onde k1 , k2 ∈ R. Desta maneira, somos levados a indagar se é sempre possı́vel achar uma
solução da forma
k1
.. λt
X = . e = Keλt (7.8)
kn
para o sistema linear homogêneo de primeira ordem
X 0 = AX (7.9)
Autovalores e Autovetores
Se (7.8) deve ser um vetor solução de (7.9), então X 0 = Kλeλt de modo que o sistema
se torna
Kλeλt = AKeλt .
92
Dividindo por eλt , obtemos
AK = λK
ou
(A − λI)K = 0, (7.10)
onde I é a matriz identidade n×n. Assim, para resolver o sistema de equações diferenciais
(7.9), precisamos resolver (7.10). Esse último problema é precisamente o que determine os
autovalores e autovetores da matriz de coeficientes A. Portanto, X = Keλt é solução do
sistema se, e somente se, λ é autovalor de A, ou seja, det(A − λI) = 0 e K seja autovetor
associado a λ.
X1 = K1 eλ1 t , · · · , Xn = Kn eλn t
X = c1 K1 eλ1 t + · · · + cn Kn eλn t .
93
7.2.2 Autovalores Complexos
Considerando o sistema
dx = 6x − y
dt (7.13)
dy
= 5x + 4y,
dt
determinemos o conjunto fundamental de soluções.
e
K 1 eλ1 t = K 1 eαt e−iβt = K 1 eαt [cos(βt) − i sen(βt)].
1 1 i
(K1 eλ1 t + K 1 eλ1 t ) = (K1 + K 1 )eαt cos(βt) − (−K1 + K 1 )eαt sen(βt)
2 2 2
e
i i 1
(−K1 eλ1 t + K 1 eλ1 t ) = (K1 + K 1 )eαt cos(βt) + (K1 + K 1 )eαt sen(βt).
2 2 2
94
1 i
Para qualquer número complexo z = a + ib, notamos que (z + z) = a e (−z + z) = b
2 2
1 i
são números reais. Portanto, os elementos dos vetores coluna (K1 + K 1 ) e (−K1 + K 1 )
2 2
são números reais. Desta forma, definindo,
1 i
B1 = (K1 + K 1 ) e B2 = (−K1 + K 1 ) (7.15)
2 2
temos o seguinte teorema:
visto que, tais vetores são, respectivamente, as partes real e imaginária do autovetor K1 .
95
da matriz de coeficientes em
3 −18
X0 = X (7.21)
2 −9
é (λ + 3)2 = 0 e, assim, que λ1 = λ2 = −3 é uma raiz de multiplicidade dois. Para esse
valor, obtemos o único autovetor
3
K1 = (7.22)
1
e, assim um solução do sistema é
3
X1 = e−3t . (7.23)
1
Mas, como estamos interessados em formar a solução geral do sistema, devemos pros-
seguir na busca de uma segunda solução.
96
K1 , · · · , Km autovetores LI de A associados à λ, obtemos as seguintes soluções LI para
o sistema X 0 = AX:
X1 (t) = K1 eλt , · · · , Xm (t) = Km eλt . (7.25)
Wλ = {K ∈ Rn ; (A − λI)γ K = 0} (7.26)
t2 tγ−1
λt 2 γ−1
Xs (t) = e Ks + t(A − λI)Ks + (A − λI) Ks + · · · + (A − λI) Ks .
2! (γ − 1)!
(7.28)
97
Exemplo 102. Determine a solução geral do sistema
2 1 6
0
X = 0 2 5 X.
0 0 2
98
7.4 Variação dos Parâmetros
Já sabemos que a solução geral de um sistema homogêneo X 0 = AX pode ser escrita
como o produto
X = Φ(t)C
onde Φ(t) é uma matriz fundamental do sistema e C é um vetor coluna n×1 de constantes.
Análogo ao processo das EDL’s de 2a ordem, nos perguntamos se é possı́vel substituir C
por uma matriz coluna de funções
u1 (t)
..
U (t) =
.
un (t)
de modo que
Xp = Φ(t)U (t) (7.29)
X 0 = AX + F (t). (7.30)
ou
Φ(t)U 0 (t) = F (t). (7.33)
99
ou Z
U (t) = Φ−1 (t)F (t)dt.
Para calcular a integral indefinida da matriz coluna Φ−1 (t)F (t) em (7.34), integramos
cada elemento. Assim, a solução geral do sistema (7.30) é X = Xh + Xp , ou seja
Z
X = Φ(t)C + Φ(t) Φ−1 (t)F (t)dt. (7.35)
onde t e t0 são pontos do intervalo. Essa última forma é útil para resolver (7.30) sujeito
a uma condição inicial X(t0 ) = X0 . Fazendo t = t0 em (7.37), obtemos
X0 = Φ(t0 )C
logo,
C = Φ−1 (t0 )X0 .
Uma maneira alternativa de formar uma matriz fundamental, consiste em escolher seus
vetores coluna Vi de tal forma que
1 0
..
0 .
V1 (t0 ) =
.. ,
··· , Vn (t0 ) =
.
(7.39)
. 0
0 1
100
Denota-se essa matriz fundamental por Ψ(t). Como consequência de (7.39), sabemos que
Ψ(t) tem a propriedade
Ψ(t0 ) = I. (7.40)
Mas, como Ψ(t) é não-singular para todos os valores de t em um intervalo, (7.40) implica
Assim, quando Ψ(t) é usada em lugar de Φ(t), decorre de (7.41) que (7.38) pode ser escrita
como Z t
X = Ψ(t)X0 + Ψ(t) Ψ−1 (s)F (s)ds. (7.42)
t0
Observe que, sendo 0n a matriz nula n × n, então e0n = I, onde I denota a matriz
identidade n × n. Claramente, se a ∈ R, temos eaI = ea I.
c) A função matricial de variável real f (t) = etA é derivável em toda a reta e f 0 (t) = AetA .
Em outras palavras,
d tA
(e ) = AetA .
dt
Sendo A ∈ Mn (R), segue do teorema anterior que etA é uma matriz fundamental
para o sistema X 0 = AX. Assim, sendo K um vetor coluna qualquer de Rn , temos que
101
X(t) = etA K é uma solução deste sistema. Ademais, se K1 , · · · , Km são vetores LI, então
etA K1 , · · · , etA Km são soluções LI do sistema.
Sendo Φ(t) uma matriz fundamental qualquer do sistema X 0 = AX, temos que existe
C ∈ Mn (R) (constante) tal que Φ(t) = etA C. Fazendo t = 0, concluı́mos que C = Φ(0) e
assim eA = Φ(1)(Φ(0))−1 .
Wλ = {K ∈ Rn ; (A − λI)m K = 0}
102
Capı́tulo 8
onde
Q(x) R(x)
p(x) = e q(x) = .
P (x) P (x)
103
Definição 16 (Pontos Singulares e Ordinários). Dizemos que um ponto x0 é um ponto
ordinário ou não-singular da equação diferencial (8.2), se p(x) e q(x) são funções
analı́ticas em x0 . Caso contrário, o ponto é chamado ponto singular da equação.
Coeficientes Polinomiais
Muitos dos problemas em Fı́sica Matemática possuem a equação (8.1) com coeficientes
polinomiais. Por essa razão, assim como forma de simplificar os cálculos, iremos consi-
derar, principalmente, os casos onde P , Q e R são polinômios. Mesmo sabendo que os
resultados são válidos de forma mais geral, quando os coeficientes são funções analı́ticas.
Sendo assim, como consequência da Definição 16, se P , Q e R são polinômios sem fatores
comuns, um ponto x0 é
104
Exemplo 113.
A série converge para uma solução em (x0 − R, x0 + R), onde R é, no mı́nimo, a distância
do ponto x0 ao ponto singular mais próximo, real ou complexo.
O procedimento usado para resolver uma equação de 2a ordem é: supor uma solução
∞
X
na forma de série de potências y = cn (x − x0 )n e então determinamos os coeficientes.
n=0
A solução geral para a equação diferencial é y = c1 y1 + c2 y2 , onde c1 , c2 ∈ R.
Observação 12. Por simplicidade, supomos que um ponto ordinário esteja sempre loca-
lizado na origem x = 0, pois, caso contrário, a substituição t = x − x0 traduz o valor
x = x0 para t = 0.
Exemplo 115. Encontre uma solução em série, para as equações e determine intervalos
de convergência:
1. y 00 + y = 0
105
2. y 00 − xy = 0 (Equação de Airy)
3. y 00 − 2xy = 0
4. (x2 + 1)y 00 + xy 0 − y = 0
5. y 00 − (1 + x)y = 0
Exemplo 117. Determine um valor mı́nimo para o raio de convergência das soluções em
série em torno de x = 0 da equação de Legendre
(1 + x2 )y 00 + 2xy 0 + 4x2 y = 0,
Coeficientes Não-Polinomiais
Exemplo 119. Encontre uma solução em série, para as equações e determine intervalos
de convergência:
1. y 00 + (cos x)y = 0
2. y 00 + (sen x)y 0 + (1 + x2 )y = 0
106
8.2 Soluções em Torno de Pontos Singulares
Q(x) R(x)
(x − x0 ) e (x − x0 )2
P (x) P (x)
Coeficientes Polinomiais
No caso em que os coeficientes de (8.1) são polinômios sem fatores comuns, como
consequência da Definição 17, um ponto x0 singular é regular se, os limites
Q(x) R(x)
lim (x − x0 ) e lim (x − x0 )2
x→x0 P (x) x→x0 P (x)
107
Exemplo 121. Determine os pontos singulares de
π 2 00
x− y + (cos x)y 0 + (sen x)y = 0
2
Como x = 0 é ponto singular regular, temos que xQ(x)/P (x) = xp(x) e x2 R(x)/P (x) =
x2 q(x) têm limites finitos quando x → 0 e são analı́ticas em x = 0. Logo, têm expansão
em séries de potências convergentes da forma
∞
X ∞
X
n 2
xp(x) = pn x e x q(x) = q n xn , (8.6)
n=0 n=0
em algum intervalo |x| < ρ, com ρ > 0. Dividindo a equação (8.1) por P (x) e multipli-
cando por x2 , temos
x2 y 00 + x[xp(x)]y 0 + [x2 q(x)]y = 0, (8.7)
ou
∞
! ∞
!
X X
x2 y 00 + x p n xn y 0 + q n xn y = 0. (8.8)
n=0 n=0
xQ(x) x2 R(x)
p0 = lim e q0 = lim , (8.9)
x→0 P (x) x→0 P (x)
108
então, (8.8) se reduzirá à equação de Euler
x2 y 00 + p0 xy 0 + q0 y = 0. (8.10)
em que r ∈ R deve ser determinado. A série convergira pelo menos em algum intervalo
0 < x − x0 < ρ ou 0 > x0 − x > ρ, para ρ > 0.
Observe que, não podemos garantir, inicialmente, duas soluções na forma indicada.
1. Os valores de r para os quais a equação (8.5) tem uma solução da forma (8.11).
109
Exemplo 122. Resolva as equações diferenciais:
a) 3xy 00 + y 0 − y = 0
b) 2x2 y 00 − xy 0 + (1 + x)y = 0
onde
∞
X ∞
X
n 2
xp(x) = pn x e x q(x) = q n xn , (8.14)
n=0 n=0
e ambas as séries convergem em |x| < ρ,para algum ρ > 0. O ponto x = 0 é um ponto
singular regular, e a equação de Euler correspondente é
x2 y 00 + p0 xy 0 + q0 y = 0. (8.15)
Procuramos uma solução da equação (8.13) para x > 0 e supomos que ela tem a forma
∞
X ∞
X
r n
y = φ(r, x) = x an x = an xr+n , (8.16)
n=0 n=0
onde
F (r) = r(r − 1) + p0 r + q0 . (8.19)
110
Para que a equação acima seja satisfeita para todo x > 0, o coeficiente de cada potência
de x tem que ser igual a zero.
Introduzimos a notação an (r1 ), para indicar que an foi determinada por (8.20) com r = r1 .
Fizemos a escolha a0 = 1, para simplificar.
As séries (8.21) e (8.22) convergem, pelo menos, em |x| < ρ, onde as séries xp(x) e
x2 q(x) convergem. Para obter as soluções quando x < 0, fazemos a substituição x = −ξ,
com ξ > 0. Desta forma, basta substituir xr1 e xr2 por |x|r1 e |x|r2 , respectivamente.
111
complexas. Daı́, soluções reais podem ser obtidas tomando as partes real e imaginária das
soluções complexas.
para |x| < ρ, em que ρ > 0 é o mı́nimo entre os raios de convergência das séries de
potências para xp(x) e x2 q(x). Sejam r1 e r2 as raı́zes da equação indicial
Se r1 −r2 não é zero nem um inteiro positivo, então, em um dos intervalos −ρ < x < 0
ou 0 < x < ρ, existe uma segunda solução da forma
" ∞
#
X
y2 (x) = |x|r2 1 + an (r2 )xn . (8.28)
n=1
112
Os an (r2 ) também são determinados pela relação de recorrência (8.20), com a0 = 1 e
r = r2 . As séries de potências nas equações (8.27) e (8.28) convergem pelo menos para
|x| < ρ.
Em todos os três casos, as duas soluções y1 (x) e y2 (x) formam um conjunto funda-
mental de soluções para a equação diferencial dada.
1. xy 00 + 2xy 0 + 6ex y = 0
3. x2 y 00 + 3(sen x)y 0 − 2y = 0
113
1. xy 00 + 2xy 0 + 6ex y = 0
3. x2 y 00 + 3(sen x)y 0 − 2y = 0
c) Encontre os três primeiros termos não nulos em cada uma das duas soluções (que não
são múltiplas uma da outra) em torno de x = 0.
114
Referências Bibliográficas
[3] GUIDORIZZI, H. L., Um Curso de Cálculo, Vol. 4, 5a ed. Rio de Janeiro: LTC -
Livros Técnicos e Cientı́ficos, 2002.
[5] ZILL, D. G. Equações Diferenciais com aplicações em modelagem, 3a ed. São Paulo:
Cengage Learning, 2016.
115