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Bahia: Cultura, História e Economia

Sobre o estado da Bahia
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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Bahia

A Bahia (pronúncia em português: [baˈi.ɐ]) é Estado da Bahia


uma das 27 unidades federativas do Brasil.
Banhada pelo Oceano Atlântico na costa mais
extensa do país, está situada na Região
Nordeste,[10] onde representa a maior extensão
territorial, a maior população, o maior produto
interno bruto e o maior número de municípios.
A capital estadual é Salvador. Além dela, há Bandeira Brasão
outros municípios influentes na rede urbana
Lema: Per Ardua Surgo
baiana, como as capitais regionais Feira de
"Pela dificuldade, venço"[1][2]
Santana, Vitória da Conquista, Barreiras, o
bipolo Itabuna-Ilhéus e Juazeiro do bipolo com Hino: Hino da Bahia
o município pernambucano de Petrolina no sul
Gentílico: baiano(a)
do estado Eunápolis-Porto Seguro.[11]

Um dos primeiros núcleos de riqueza


açucareira do Brasil, a Bahia recebeu um
imenso contingente e enorme influência de
africanos escravizados, trazidos pelos
colonizadores portugueses para
comercialização, visando a suprir os engenhos
e as minas de ouro da colônia.[12] Esses
indivíduos escravizados procediam em especial
do Golfo da Guiné, das antigamente chamadas
costas "dos escravos", "da pimenta", "do
marfim" e "do ouro", no Oeste Africano, com
destaque para o Império de Oió, fundado e
habitado pelo povo iorubá, e o antigo Reino de
Daomé. Em contraposição, o Rio de Janeiro
viria a receber, posteriormente, escravos
procedentes principalmente de Angola e Localização
Moçambique.[13] Assim, a influência da - Região Nordeste
cultura africana na Bahia permaneceu alta na - Estados limítrofes Minas Gerais (S, SO, e
música, na culinária, na religião, no modo de SE), Goiás (O e SO),
vida de sua população, não só ao redor de Tocantins (O e NO),
Salvador e Recôncavo baiano, mas, Piauí (N e NO),
principalmente, em toda a costa baiana. Não à Pernambuco (N),
toa, o gentílico do estado deu nome ao ofício Alagoas (NE), Sergipe
comum a mulheres negras que preparam e
comerciam no tabuleiro de acarajé, vestidas de (NE) e Espírito Santo
turbante, colares e brincos dourados, pulseira, (SE)
saias compridas e armadas, blusa de renda e - Regiões geográficas
10
adereços de pano da costa — isto é, a baiana intermediárias
do acarajé. - Regiões geográficas
34
imediatas
A Bahia é considerada a parte mais antiga da - Municípios 417
América Portuguesa, pois foi na região de
Capital Salvador
Porto Seguro, litoral sul da Bahia, que a frota
13°58′13"S 38°30′45"O
de Pedro Álvares Cabral ancorou, em 22 de
abril de 1500,[14] marcando o descobrimento Governo
do Brasil pelos portugueses e a celebração da Jerônimo
- Governador(a)
primeira missa, na praia da Coroa Vermelha, Rodrigues (PT)
presidida pelo frei Henrique Soares de - Vice-governador(a) Geraldo Júnior (MDB)
Coimbra.[12][15] Em 1 de novembro de 1501, - Deputados federais 39
- Deputados estaduais 63
o navegador florentino Américo Vespúcio, a
serviço da Coroa portuguesa, descobriu e Angelo Coronel (PSD)
batizou a Baía de Todos-os-Santos, maior - Senadores Jaques Wagner (PT)
reentrância de mar no litoral desde a foz do Rio Otto Alencar (PSD)
Amazonas até o estuário do Rio da Prata. O Área
local foi escolhido para abrigar a sede do - Total 564 760,429 km² (5º)
[3]
governo-geral em março de 1549 com a
chegada do fidalgo Tomé de Sousa, a mando População
do rei Dom João III de Portugal para fundar a - Censo 2022 14 141 626 hab. (4º)[4]
que seria, pelos 214 anos seguintes, a cidade - Densidade 25,04 hab./km² (15º)
capital do Brasil Colônia, Salvador. É de se
Economia 2021[5]
destacar também o decreto de abertura dos
- PIB R$ 352.618
portos às nações amigas, promulgada em 28 de
bilhões (7º)
janeiro de 1808 por meio de uma Carta Régia - PIB per capita R$ 23.530,94 (18º)
pelo príncipe regente dom João VI de Portugal,
na então Capitania da Bahia, acabando com o Indicadores 2016/2017[6][7]
exclusivismo metropolitano comercial e - Esperança de vida (2017) 73,7 anos (17º)
abrindo a economia brasileira para o comércio - Mortalidade infantil (2017) 16,6‰ nasc. (8º)
exterior.[16][17][18][19] - Alfabetização (2016) 87% (19º)
- IDH (2021) 0,691 (22º) – médio [8]
O estado possui um alto potencial turístico, que Fuso horário UTC−3,
vem sendo muito explorado através de seu América/Bahia
litoral, da Chapada Diamantina, do Recôncavo
Clima equatorial
e de outras belezas naturais e patrimônios
tropical com estação
históricos e culturais. Possui a sétima maior
seca e
economia do Brasil, com produto interno bruto
superior a 290 bilhões de reais, representando semiárido[9]
Af, As, Aw, BSh
quase 20 mil reais de PIB per capita. A sua
renda, no entanto, não é bem distribuída, Cód. ISO 3166-2 BR-BA
refletindo-se num índice de desenvolvimento
humano de 0,714 em 2017. O estado também Site governamental [Link]
sofre com altas taxas de criminalidade, sendo o ([Link]
segundo com maior taxa de homicídios do país r/)
e o estado com o maior número de cidades
entre as mais violentas do Brasil
(12).[20][21][22] Na Bandeira do Brasil, o
estado da Bahia é representado pela estrela
Gamma Crucis da constelação do Cruzeiro do
Sul (Crux).[23]

Topônimo
O topônimo "Bahia" é uma referência à Baía
de Todos os Santos, a qual deu o nome,
originalmente, à Capitania da Baía de Todos os
Santos.[24] A capitania foi transformada, em
1821, em província. Em 1889, a Província da
Bahia tornou-se o atual Estado da
Bahia.[25][26][27]

"Bahia" é a grafia antiga para "baía", a qual se conservou, no Brasil, por uma questão de tradição. No
entanto, na variante europeia da língua portuguesa, escrita em Portugal, a grafia também correta e usual é
"Baía"; os dicionários portugueses como o da Porto Editora,[28][29][30] o da Texto Editores e o da
Academia de Ciências de Lisboa, que é o Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea, definem a
palavra baiano como alguém que é originário do estado brasileiro da Baía, utilizando essa grafia.

O gentílico "baiano", já supracitado, não conserva a ortografia antiga. Embora a grafia Bahia siga as regras
gerais da atual ortografia da língua portuguesa, está registrada na quinta edição do Vocabulário Ortográfico
da Língua Portuguesa. A grafia já estava consagrada como exceção no ponto 42 do Formulário Ortográfico
de 1943:[24]

"Os topônimos de tradição histórica secular não sofrem alteração alguma na sua grafia,
quando já esteja consagrada pelo consenso diuturno dos brasileiros. Sirva de exemplo o
topônimo Bahia, que conservará esta forma quando se aplicar em referência ao Estado e à
cidade que têm esse nome. Observação. — Os compostos e derivados desses topônimos
obedecerão às normas gerais do vocabulário comum".
— Formulário Ortográfico de 1943[31]
Ainda que a grafia Bahia seja universalmente adotada pela população brasileira, tal grafia suscita dúvidas a
gramáticos e lexicógrafos como o ortógrafo e lexicógrafo brasileiro Evanildo Bechara, que considera a
grafia Bahia, «um capricho imposto à nação»,[32] e Napoleão Mendes de Almeida, que qualifica tal grafia
como «espúria».[33]

História

Povos indígenas e período colonial


No início do século XVI, o território baiano era habitado por uma
diversidade de povos indígenas. O litoral e regiões próximas eram
predominantemente habitados por povos falantes de línguas tupis,
como os tupinambás e tupiniquins, mas também por povos não-
tupis, como os aimorés. Já o interior da Bahia era habitado por
povos falantes de línguas macro-jê, como os cariris.[27][34]

Desembarque de Cabral em Porto Foi na região de Porto Seguro, no litoral baiano, que a frota
Seguro (óleo sobre tela); autor: portuguesa liderada por Pedro Álvares Cabral desembarcou em 22
Oscar Pereira da Silva, 1904. Acervo de abril de 1500, "descobrindo" o Brasil. A Baía de Todos-os-
do Museu Histórico Nacional, Rio de Santos foi avistada pelos europeus pela primeira vez em 1501, pela
Janeiro. expedição de Américo Vespúcio. Ao longo das três primeiras
décadas do século XVI, Portugal não deu importância à
colonização do Brasil e o território baiano era explorado somente
por aqueles que procuravam e extraíam pau-brasil.[27][35]

O primeiro homem branco


europeu a se fixar em
território brasileiro, e a
prosperar em uma
comunidade indígena no
Pelourinho, na capital baiana, Brasil, foi o português
exemplo da arquitetura colonial
Diogo Álvares Corrêa, que
implantada no Brasil
se naufragou na costa do
recôncavo da Bahia em
1509.[36][37]

Diogo Álvares, o "Caramuru" (apelido recebido pelos indígenas


tupinambás), através da sua união com a princesa indígena Catarina
Paraguassú, deram origem a "raça brasileira", começando a Diogo Álvares Corrêa, o "Caramuru".
miscigenação racial baiana, juntos deixaram uma extensa
descendência cabocla.[38] A cabocla Madalena Caramuru (filha do
Caramuru com a Catarina), é considerada a primeira mulher brasileira alfabetizada.[39] Caramuru foi quem
construiu o primeiro templo católico mariano no Brasil, a Capela de Nossa Senhora da Graça. Caramuru
inseriu-se na história por participar de alguns fatos marcantes, dentre eles o de garantir o desembarque, em
segurança, das comitivas do donatário da Capitania da Bahia de Todos os Santos e do primeiro governador-
geral do Brasil.[40]
Em 1511, entretanto, já havia uma feitoria na Baía de Todos-os-
Santos; não somente o Caramuru, como alguns outros degredados,
náufragos e desertores se casaram com as indígenas e deram origem
às mais antigas famílias da Bahia e do Brasil. O pau-brasil também
movimentou contrabandistas franceses, que chegaram a conquistar
a credibilidade dos indígenas.[27][35]

Só em 1534, se iniciou a colonização portuguesa da Bahia, quando


o rei de Portugal D. João III dividiu a América Portuguesa em
capitanias hereditarias, acreditando que essa seria a forma mais
eficaz de povoar e garantir a conquista dessa colônia. As antigas
capitanias da Baía de Todos os Santos, de Ilhéus e de Porto Seguro,
eram equivalentes ao atual território do estado da Bahia.[27][35]

A capitania de Porto Seguro foi cedida a Pero do Campo Tourinho


e, nela, seu donatário estabeleceu em 1535 a vila de Santa Cruz, na
baía Cabrália. Um ano depois, outra vila foi criada, a de Porto
Seguro. Na capitania de Ilhéus, o povoado, que deu origem à atual A princesa indígena tupinambá
cidade homônima, foi fundado pelo donatário Jorge de Figueiredo Catarina Paraguaçu, que foi esposa
Correia. Francisco Pereira Coutinho ganhou a capitania da Bahia de do Diogo Álvares Corrêa (Caramuru),
Todos-os-Santos e criou a vila do Pereira (posteriormente Vila e convertida ao catolicismo.
Velha), no lugar do atual Porto da Barra.[27][35]

No entanto, o sistema de capitanias hereditárias fracassou, devido à falta de recursos e experiência dos
donatários e os ataques indígenas. Com isso, em 1548, o Rei D. João III determinou a criação do governo
geral, uma administração colonial centralizada, e nomeou Tomé de Sousa para o cargo de governador.
Sousa fundou, em 1549, a cidade de Salvador para ser a sede do governo colonial brasileiro.[41][42]

O cultivo de cana-de-açúcar no litoral da Bahia e regiões próximas se iniciou em meados do século XVI,
era feito em latifúndios e utilizava largamente a mão-de-obra africana escravizada.[43][44]

A pecuária foi introduzida na Bahia junto com o açúcar e inicialmente era atividade complementar à cultura
canavieira, mas, décadas mais tarde, com a multiplicação dos rebanhos bovinos e os consequentes prejuízos
aos canaviais, o gado foi empurrado para o interior, sendo a pecuária responsável por povoar grande parte
das áreas baianas de Caatinga e Cerrado.[45][46]

Em 1624, no contexto da Guerra dos Oitenta Anos e União Ibérica,


Salvador foi invadida pelos neerlandeses e reconquistada por tropas
luso-espanholas no ano seguinte. Em 1627, corsários neerlandeses
atacaram Salvador.[47]

Em meados do século XVII, o ciclo do açúcar no Brasil entrou em


declínio, por causa da concorrência com a produção das Antilhas,
para onde os holandeses levaram a cana-de-açúcar depois de
Planta da restituição da Bahia (de
expulsos do Brasil.[48]
1631 por João Teixeira Albernaz, o
Velho): em primeiro plano, a Armada
Espanhola
No final do século XVII e início do século XVIII, foram descobertas jazidas de ouro em Jacobina e nas
nascentes dos rios Paramirim, de Contas e Brumado, o que fez com que essas regiões fossem colonizadas.
Na década de 1840, foram descobertas jazidas de diamantes em Mucugê e Lençóis, povoando essa
zona.[49][50][51]

No século XVIII, a economia da Bahia voltou a prosperar, como resultado do preço elevado totalizado pelo
açúcar e das enormes safras de tabaco que exportava.[27][35]

Em 1763, a capital brasileira foi transferida de Salvador para o Rio de Janeiro, pois o eixo econômico do
Brasil havia sido transferido décadas antes para o Sudeste, devido às jazidas de ouro em Minas Gerais. Essa
medida adotada pela Coroa Portuguesa um forte impacto na economia baiana.[52][53]

Em 1798, com inspiração no Iluminismo, Revolução Francesa e Inconfidência Mineira, eclodiu em


Salvador a Conjuração Baiana, a qual lutava pela independência da Bahia e o fim da escravidão e da
colonização, contando com forte apoio e participação popular. A repressão por parte da Coroa Portuguesa
foi muito dura.[53][54]

Independência e Império
Em janeiro de 1808, fugindo das Guerras Napoleônicas, a Corte
Portuguesa se transferiu para o Brasil, inicialmente se fixando em
Salvador, onde decretou a abertura dos portos às nações amigas.
Em março, a corte se dirigiu para o Rio de Janeiro.[55]

Em fevereiro de 1822, as cortes portuguesas trocaram o baiano


Freitas Guimarães, governador das Armas da Bahia, pelo português O Primeiro Passo para a
Madeira de Melo. Com isso, os baianos se insurgiram, iniciando as Independência da Bahia, de autoria
lutas pela independência da Bahia, que envolveram Salvador, de Antônio Parreiras
Recôncavo e o interior e foram concluídas em 2 de julho de 1823,
quando as tropas portuguesas se renderam e, assim, a Bahia se
integrou ao Brasil.[27][35][56][57][58]

Durante as primeiras décadas do Império, a Bahia sofreu uma situação social e politicamente agitada.
Aconteceram muitas rebeliões contra a participação contínua dos portugueses que haviam guerreado contra
os baianos na guerra da Independência. Durante o período regencial, a Bahia foi palco de várias revoltas:
duas separatistas - a Federação do Guanais (1832) e a Sabinada (1837-8) - e uma revolta de escravizados e
libertos muçulmanos - a Revolta dos Malês (1835).[27][35][59]

Durante o Segundo Reinado (1840-89), o cultivo da cana-de-açúcar na Bahia estava em crise. Ao mesmo
tempo, foram construídas na província, durante esse período, as primeiras ferrovias, como a Estrada de
Ferro da Bahia ao São Francisco.[27][35][60]

República
Ao receber a notícia do Rio de Janeiro, o coronel Frederico Buys, comandante do forte de São Pedro,
declarou a república na Bahia no dia 16 de novembro de 1889. Uma situação politicamente instável e
agitada no Estado também caracterizou os primeiros anos do período republicano. O primeiro governador,
Virgílio Clímaco Damásio, só administrou cinco dias.[27][35]
O primeiro governador eleito da Bahia foi Rodrigues Lima (1892-6), o qual foi sucedido por Luís Viana
(1896-1900), em cujo governo ocorreu a Guerra de Canudos (1896-7), no nordeste do Estado, entre as
tropas federais e estaduais e seguidores do líder messiânico Antônio Conselheiro.[60][61]

O ciclo do cacau, no final do século XIX e início do XX, trouxe prosperidade para a Região Cacaueira, no
sul da Bahia e, para trabalhar nas lavouras, migraram pessoas flageladas pelas secas oriundas do interior da
Bahia e de Sergipe.[27][35][62]

Na República Velha, a Bahia esteve à margem do poder. Em 1912,


como resultado da resistência do governo baiano à política das
salvações do governo Hermes da Fonseca (1910-14), Salvador foi
bombardeada.[53] Nesse mesmo ano, ascendeu ao poder J. J.
Seabra, que governou a Bahia pela primeira vez entre 1912 e 1916,
sendo sucedido por seu aliado, Antônio Moniz de Aragão (1916-
20). Entre 1920 e 1924, Seabra exerceu um segundo mandato. Os
12 anos de seabrismo (1912-24) foram caracterizados pelas
Palácio do Governo, destruído após
reformas urbanas em Salvador e obras de infraestrutura. Durante o o bombardeio de Salvador em 1912
governo dos seus sucessores, Góis Calmon (1924-8) e Vital Soares
(1928-30), o seabrismo entrou em decadência.[63][64]

Com a Revolução de 1930, a Bahia — cuja administração se encontrava envolvida com o plano político-
administrativo do presidente Washington Luís — permaneceu sob intervenção federal. Juracy Magalhães
foi promovido a interventor federal (1931) e, em 1935, foi eleito governador, entretanto, foi exonerado
quando do estabelecimento do Estado Novo (1937).[27][35]

A economia baiana começou a ganhar impulso na década de 1950, com a descoberta de petróleo e a
construção da Usina Hidrelétrica de Paulo Afonso e da Rodovia Rio-Bahia. Nas décadas de 1960 e 1970,
no contexto das administrações federais desenvolvimentistas do final da República Populista e da Ditadura
Militar, houve um desenvolvimento da agropecuária na região do Vale do São Francisco e a criação de
parques industriais em Aratu (1967) e Camaçari (1978), nos arredores de Salvador, cuja área metropolitana
se consolidou como o principal centro industrial do Nordeste Brasileiro.[53][65][66]

Em 1971, Antônio Carlos Magalhães (ACM) assumiu o governo da Bahia pela primeira vez e, a partir daí,
sua figura passou a dominar o cenário político estadual, no que ficou conhecido como “carlismo”. Durante
mais de três décadas, a partir de 1971, a Bahia foi governada por ACM e aliados, com breve derrota no
governo de Waldir Pires (1987-9).[27][35][67]

Na década de 1990, o governo estadual deu incentivos à indústria, em setores como o plástico, automotiva e
de calçados.[53] Nessa época, o fungo vassoura-de-bruxa foi introduzido nas lavouras de cacau, causando
enormes prejuízos à cacauicultura da região, como uma grande redução na safra.[68][69]

Em 2006, Jaques Wagner (PT) foi eleito governador e tomou posse em 2007, pondo fim a mais de 30 anos
de carlismo.[70] Desde então, o petismo é a maior força política da Bahia, tendo como governadores, além
de Wagner (2007-15), Rui Costa (2015-23) e Jerônimo Rodrigues (2023-).[71][72][73][74]

Geografia
O relevo do estado se individualiza pela existência de planícies e mangues, na costa (Planícies e Tabuleiros
Costeiros); depressão, nas partes norte e oeste (Depressão Sertaneja e do São Francisco); chapadas (como a
Diamantina) e planaltos, no centro; e serras, a sul e a oeste (Planaltos e Serras de Leste-Sudeste).[75]

A Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco compreende o oeste baiano e nela se encontra implantada a
enorme represa de Sobradinho. Os rios da porção leste do estado correm diretamente para o mar,
pertencendo às Bacias Costeiras do Nordeste Oriental. Além do São Francisco, os rios das Contas,
Capivari, Paraguaçu, Itapicuru e Jequitinhonha incluem entre os mais importantes da Bahia.[75]

O clima baiano oscila conforme a região do estado, sendo majoritariamente tropical, com inverno seco e
verão úmido. Na costa, predomina o clima tropical litorâneo úmido, cujas chuvas estão concentradas no
inverno. No norte, tem um clima tropical semi-árido, tendo propensão a seco pela má distribuição da ação
das massas de ar. O índice pluviométrico oscila muito em toda a Bahia. No cinturão costeiro e no oeste, se
encontra de 1 500 mm a 2 000 mm ao ano. Em boa parte do interior, varia entre 750 mm e 1 500 mm
anuais. No norte, a precipitação média não ultrapassa 750 mm anuais. A temperatura média anual também
se modifica muito, sendo mais cálido no norte e na costa. Nessas regiões, a média anual varia de 24ºC a
28ºC; no resto do estado, prevalecem temperaturas de 18ºC a 24ºC.[75]

Na Zona da Mata, prevalece a Mata Atlântica; no decorrer do vale do rio São Francisco e no norte do
estado, a caatinga; no oeste baiano, o cerrado.[75]

Localização, limites, área territorial e pontos extremos


Situada no sul da Região Nordeste, a Bahia limita-se com outros
oito estados brasileiros — é o estado brasileiro que mais faz divisas:
com Minas Gerais a sul, sudoeste e sudeste; com o Espírito Santo a
sul; com Goiás a oeste e sudoeste; com Tocantins a oeste e
noroeste; com o Piauí a norte e noroeste; com Pernambuco a norte;
e com Alagoas e Sergipe a nordeste.[76] A leste, é banhada pelo
Oceano Atlântico por 1 183 quilômetros, o que torna seu litoral o
mais extenso de todos os estados do Brasil.[77]
Vista do morro Pai Inácio, na
Ocupa uma área de 564 760,429 km²,[78] sendo pouco maior que a Chapada Diamantina
França e o quinto estado brasileiro em extensão territorial. Com tal
dimensão, possui 36,334% da área total da Região Nordeste do
Brasil e 6,632% do território nacional. E de sua área total, cerca de 70 por cento situam-se na região do
semiárido[77] e 57,19% de seu território, dentro do polígono das secas, segundo dados da Organização das
Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO).[79]

Ao norte, o limite é o Rio São Francisco, no município de Curaçá, divisa com Pernambuco, sendo a latitude
de 8 graus 32 minutos e 00 segundo e a longitude de 39 graus 22 minutos e 49 segundos. Ao sul, o limite
extremo é a barra do Riacho Doce, no município de Mucuri, na divisa com o Espírito Santo, sendo a
latitude de 18 graus 20 minutos e 07 segundos e a longitude de 39 graus 39 minutos e 48 segundos. No
leste, o ponto extremo é a barra do Rio Real, no município de Jandaíra, na divisa com o Oceano Atlântico,
sendo a latitude de 11 graus 27 minutos e 07 segundos e a longitude de 37 graus 20 minutos e 37 segundos.
O ponto extremo do oeste é o divisor de águas, no município de Formosa do Rio Preto, divisa com o
Tocantins, sendo a latitude de 11 graus 17 minutos e 21 segundos e a longitude de 46 graus 36 minutos e 59
segundos. O centro geográfico do estado fica na cidade de Seabra, na Praça Luiz Acosta, defronte ao prédio
dos Correios, nas coordenadas 12 graus e 25,098 minutos na latitude sul e 41 graus e 48,105 na longitude
oeste (informação Google Earth).[80]

Geomorfologia
Cerca de setenta por cento do território do estado se localizam de
300 a 900 m e 23% inferiores a 300 m. O quadro morfológico
abrange três unidades: a baixada litorânea, o rebordo do planalto e o
planalto.[81][82][83]

A baixada litorânea é um bloco de terras localizadas aquém de 200


m de altitude. Elevam-se aí, predominando as praias e os areões da
orla litorânea, solos de aspecto tabular, os denominados tabuleiros
areníticos. Para o interior, esses terrenos dão lugar a um cinturão de
colinas e morros argiláceos, de terreno maciço, razoavelmente
produtivo, principalmente no Recôncavo, onde se localiza o
Imagem de satélite do relevo baiano conhecido massapê baiano. Tanto o cinturão dos morros e colinas
com escala altimétrica. como a dos tabuleiros são atravessadas diagonalmente pelos rios
que correm do planalto; no decorrer deles prolongam-se grandes
planícies aluviais (várzeas) vulneráveis a cheias que lhes revitalizam
diariamente os terrenos com o assentamento de novos aluviões.[81][82][83]

A borda do planalto eleva-se instantaneamente a oeste das colinas e morros, compondo um cinturão de
solos muito montanhosos, através da qual sobe da baixada para o planalto. Ao norte de Salvador, a borda do
planalto some, porque a passagem entre planalto e baixada se faz levemente.[81][82][83]

O planalto compreende boa parte do estado e se encontra subdividido em cinco divisões bastante distintas:
planalto sul-baiano, do Espinhaço, depressão são-franciscana, planalto ocidental e pediplano.[81][82][83]

O planalto sul-baiano, cortado em rochas cristalinas antigas, localiza-se no sudeste do estado. Sua área,
entre 800 e 900 m de altitude média, aparece suavemente ondulada, com grandes vales de profundidade
achatada. No entanto, os rios de Contas e Paraguaçu cavaram em seu centro profundos vales, subdividindo-
o em três divisões: o planalto de Conquista, no sul; o de Itiruçu, no centro; e o de Cruz das Almas, no
norte.[81][82][83]

O Espinhaço é formado por um cinturão de terrenos altos (1.300 m de média e 1.850 m no pico das Almas,
seu ponto mais alto) que atravessa o estado de norte a sul pelo centro. Sua área ora ocorre como
enfileiramentos acidentados (cristas de quartzo), ora como altitudes tabulares ou cuestas. Estas últimas
dominam na parte leste e norte, compondo um grande bloco de formas suaves, chamado chapada
Diamantina.[81][82][83]

A depressão são-franciscana prolonga-se a oeste do Espinhaço, com inclinação similar, ou seja, compondo
cinturão de direção norte-sul. Formam-na terrenos de pequena elevação (400 m em média) e razoavelmente
aplainadas, que com leve inclinação descem para o rio São Francisco. No decorrer dos vales de certos
tributários do curso médio desse rio, principalmente os rios Corrente e Grande, a depressão se dirige para
oeste, extensões em formato de dedos. No fundo da depressão se encontra a planície aluvial do São
Francisco, diariamente transbordada por suas cheias.[81][82][83]
O planalto ocidental, formado por rochas sedimentares, eleva-se a oeste da depressão são-franciscana, com
uma altitude superior a 850 m. Seu topo regular apresenta-lhe aspecto tabular e a caracterização de grande
chapadão, a que é aplicada a designação geral de Espigão Mestre.[81][82][83]

O pediplano abarca toda a parte nordeste do planalto baiano. Aí se estendem grandes áreas que se dispõem
levemente para a costa, a leste, e para o canal do São Francisco, ao norte, com 200 e 500 m de altitude.
Esses terrenos apresentam o exemplar característico de clima semi-árido, visto em todo o interior da região
Nordeste: imensos planaltos nas quais aparecem, aqui e ali, picos e maciços ermos (inselbergs). Compõem o
subsolo dessa região rochas cristalinas antigas, exceto um cinturão de formações sedimentares, que do
Recôncavo lança para o norte, cedendo lugar a várias chapadas areníticas também designadas
tabuleiros.[81][82][83]

O território baiano compreende três importantes gêneros de solos. O primeiro gênero, paupérrimo, abrange
boa parte do estado, especialmente a chapada Diamantina, a bacia hidrográfica do São Francisco, as partes
meridional e oeste, e porção do Recôncavo. Não é propício para o plantio da maior parte dos produtos
agrários, sendo mais apropriado para a pecuária. O massapê, terreno argiloso, usualmente preto ― o melhor
solo da Bahia ― é ótimo para a cacauicultura. Encontram-se, principalmente, no Recôncavo, na região
cacaueira e ao norte, nos vales dos rios Real, Vaza-Barris e Itapicuru. Enfim, os solos de calcário. Abarcam
somente dez por cento do território da Bahia e se encontram na porção central do estado.[84]

Clima, hidrografia, flora e fauna


Três tipos climáticos aparecem na Bahia: o clima cálido e chuvoso
sem estação seca, o clima tórrido e orvalhado com estação seca de
inverno e o clima semi-árido quente, reconhecidos no sistema de
Köppen pelos símbolos Af, Aw e BSh, nesta ordem. O primeiro
predomina no decorrer do litoral, com temperaturas médias anuais
de mais de 23 °C e totais pluviométricos acima de 1.500 mm. O
segundo identifica todo o interior, exceto a porção norte e do vale
do São Francisco. Possui temperaturas médias anuais que oscilam
entre 18 °C nas regiões mais altas e 22 °C nas zonas mais
rebaixadas, e totais pluviométricos similares a mil milímetros. O
terceiro tipo climático se encontra no norte do estado e no vale do
São Francisco. As temperaturas médias anuais ultrapassam 24 °C e
mesmo 26 °C, no entanto, a pluviosidade está abaixo de 700
mm.[85]

Cerca de 64% do território baiano é coberto por caatingas, 16% por Clima da Bahia a partir da
cerrados, 18% por florestas e dois por cento por campos. As Classificação Climática de Köppen-
florestas aparecem na área litorânea e abrangem uma faixa de terra Geiger
cujo comprimento oscila entre cem quilômetros (no Recôncavo) e
250 km (no vale do rio Pardo). No lado oeste aparecem como matas
perenes, no centro como semidecíduas e no lado oeste como decíduas agrestes. A mais importante área de
ocorrência de cerrados constitui o planalto ocidental. Outras manchas, menores, ocorrem em meio às
regiões de caatinga. Os campos ocorrem ainda no planalto ocidental, compondo uma curta mancha
inclinada na direção norte-sul. As caatingas cobrem o restante do estado, ou seja, boa parte de seu interior.
Todos esses gêneros de vegetação acham-se atualmente bem alterados por intervenção do homem.[85]
Os rios da Bahia fazem parte de dois grupos: o primeiro pertence ao
São Francisco e seus tributários. Dentre esses últimos merecem
destaque os tributários da margem esquerda, que tem suas nascentes
no planalto ocidental (Carinhanha, Correntes, Grande e seu
afluente, o Preto). O segundo grupo abrange os rios que descem
diretamente ao Atlântico (Mucuri, Jequitinhonha, Pardo, Contas,
Paraguaçu, Itapicuru e Vaza Barris). Os dois grupos compreendem,
na região semi-árida, rios de regime temporário.[85]
Poço Encantado, um lago
subterrâneo no Parque Nacional da
A fauna baiana é abundante e variada. Nas regiões de floresta
Chapada Diamantina.
úmida, especialmente no Parque Nacional do Descobrimento,
podem ser encontradas espécies ameaçadas de extinção, como o
macuco, que constitui uma ave da família das codornas. Dentre os mamíferos existem preguiças-de-coleira e
onças-pintadas. Já no Parque Nacional da Chapada Diamantina podem ser encontradas muitas espécies de
anfíbios, répteis e aves que somente tem na região.[85]

Conservação ambiental
Segundo dados de 2002, existiam 128 unidades de conservação
(UC) cadastradas no estado, que são instituídas por legislações
federais, estaduais ou municipais. Dessas, destaca-se a quantidade
de áreas de proteção ambiental (APA), 36 ao todo, por ser uma
categoria de UC em que a adequação e orientação às atividades
humanas são mais flexíveis. Há, ainda, a categoria de reserva
particular do patrimônio natural (RPPN), que aparece como opção
de preservação em propriedade privada e totaliza 46 unidades. As
A Ilha de Itaparica, que está inserida áreas preservadas baianas cobrem os diferentes biomas presentes no
na APA Baía de Todos os Santos. estado: cerrado, caatinga e floresta (Mata Atlântica). Esta última
conta com maior percentual de unidades de conservação, devido ao
divulgado estado de fragmentação e degradação.[86]

Além dessas formas de estabelecer áreas protegidas, há os parques estaduais e nacionais, também protegidas
por lei. São sete nacionais (Marinho dos Abrolhos, Chapada Diamantina, Descobrimento, Grande Sertão
Veredas — também localizado em Minas Gerais -, Monte Pascoal e Nascentes do Rio Parnaíba — também
localizado no Piauí, Maranhão e Tocantins — e Pau Brasil) e três estaduais (Serra do Conduru, Morro do
Chapéu e Sete Passagens).[87]

Entretanto, nem sempre o meio ambiente está livre de poluição na Bahia. Acidentes e crimes ambientais
como queimadas, contaminação por metais pesados e derramamento de petróleo e de outros derivados de
combustíveis fósseis são alguns dos principais problemas ambientais baianos. O caso mais recente ocorreu
na Praia de Caípe, no município de São Francisco do Conde, onde cerca de 2,5 metros cúbicos de óleo
provenientes da Refinaria Landulpho Alves vazaram, provocando não só impactos ambientais como
econômicos.[88]

Demografia
No censo demográfico de 2022, a população do estado da Bahia era Crescimento populacional
de 14.141.626 habitantes, o que lhe confere uma densidade Censo Pop. %±
demográfica de 25,04 hab./km², sendo a Unidade Federativa mais 1872 1 379 616
populosa da Região Nordeste do Brasil e a quarta mais populosa do 1890 1 919 802 39,2%
Brasil, abrigando 6,96% da população brasileira. Ainda segundo o 1900 2 117 956 10,3%
censo 2022, a população baiana é composta por 51,66% de 1920 3 334 465 57,4%
mulheres e 48,34% de homens.[91][92] 1940 3 918 112 17,5%
1950 4 834 575 23,4%
A população do estado da Bahia no censo demográfico de 2010 era 1960 5 990 605 23,9%
de 14 016 906 habitantes, sendo a 4.ª unidade da federação mais 1970 7 583 140 26,6%
populosa do país, concentrando cerca de 7,3% da população 1980 9 597 393 26,6%
1991 11 855 157 23,5%
brasileira[93] e apresentando uma densidade demográfica de 24,82
2000 13 066 910 10,2%
moradores por quilômetro quadrado (a 15.ª maior do Brasil).[94] De
2010 14 016 906 7,3%
acordo com este mesmo censo demográfico, 72,07% dos habitantes
2022 14 141 626 0,9%
viviam na zona urbana e os 27,93% restantes na rural.[95]
Fonte: IBGE[89][90]

O Índice de Desenvolvimento Humano da Bahia é considerado


médio conforme o PNUD. Segundo o último Atlas do Desenvolvimento Humano do Brasil, divulgado em
2013, com dados relativos a 2010, o seu valor era de 0,660, estando na 22.ª colocação ao nível nacional e
na quinta ao regional. Considerando-se o índice de longevidade, seu valor é de 0,663 (4.º), o do valor de
renda é 0,663 (22.º) e o de educação é de 0,555 (25.º).[96] O coeficiente de Gini, que mede a desigualdade
social, é de 0,49 e a incidência da pobreza de 43,47%.[97] A taxa de fecundidade da Bahia é de 2,05 filho
por mulher, uma das mais baixas do Brasil.[98]

Dos 417 municípios (considerando a divisão municipal na época), apenas dois tinham população acima dos
quinhentos mil: Salvador e Feira de Santana, no nordeste do estado. Outros 14 tinham entre 100 001 e 500
000, 27 de 50 001 a 100 000, 126 de 20 001 a 50 000, 179 de 10 001 a 20 000, 60 de 5 001 a 10 000 e
nove de 2 001 a 5 000.[99] Sua capital, Salvador, com seus 2 675 656 habitantes, concentrava 19,09% da
população estadual,[100] além de possuir a maior densidade demográfica entre os municípios do Estado
(3859,35 hab./km²), quase cinco vezes maior que Feira de Santana (o município com a 6.ª maior densidade,
416,03 hab./km²), enquanto Jaborandi, no oeste, tinha a menor densidade (0,94 hab./km²).[101]

A distribuição populacional possui fortes diferenças regionais. No Recôncavo Baiano e na região cacaueira,
são registradas densidades maiores do que 100 hab./km². Já em extensas áreas do interior, a colonização se
torna reduzida, despencando esses índices para mais de 15 hab./km² (chapadões, Chapada Diamantina e
sertão semi-árido).[102]

Religião
O catolicismo é a religião dominante no estado. Em Salvador, foi erguida a primeira igreja católica em solo
brasileiro, graças a Catarina Paraguaçu, onde hoje é o bairro da Graça. A capital baiana possui centenas de
templos católicos, sendo, a cidade, a sede do governo católico no país, morada do Arcebispo Primaz. A
padroeira do estado é Nossa Senhora da Conceição da Praia, cujo templo é alvo de culto. Apesar disso, o
mais famoso culto no estado é o culto ao Senhor do Bonfim, que é considerado popularmente como
padroeiro.[105] Possui, ainda, o centro de peregrinação de Bom Jesus da Lapa, alvo de romarias anuais,
além das igrejas seculares do Recôncavo, com suas novenas. Possui a Arquidiocese de São Salvador da
Bahia,[106][107][108] a Arquidiocese de Vitória da Conquista,
Arquidiocese de Feira de Santana.[109] Dentro do catolicismo baiano,
as figuras das freiras Joana Angélica,[110] Irmã Dulce,[111][112] e Irmã
Lindalva.[113]

O sincretismo com as religiões de origem africana, que na Bahia mais


que em qualquer outra parte do país se mantiveram vivas, veio a
misturar o candomblé com o catolicismo (como nos casos da
Irmandade da Boa Morte e da Irmandade dos Homens Pretos) e outras
variantes cristãs. Surgiram, então, religiões mistas, como a cabula e a
umbanda. Sobressaem, neste campo, a figura cultuada de Mãe
Religião na Bahia (2010)
Menininha do Gantois, e terreiros como o Ilê Axé Opô Afonjá, além de
toda uma cultura que permeia as crenças do povo baiano.[114] Catolicismo (65.2%)
Protestantismo (17.4%)
Desde o início do século XX, a Bahia é palco de missões evangélicas
Espiritismo (1.1%)
protestantes, que redundaram na capital na fundação do Colégio Dois Religiões afro-brasileiras
de Julho[115] e na presença de missionários como Henry John McCall (0.3%)
(especificamente em Cachoeira).[116] Outras (4%)
Sem Religião (12.0%)

Composição étnica, migração e povos


indígenas
Segundo o censo 2022, a população baiana assim declarou sua cor ou raça: 57,31% pardos, 22,38% pretos,
19,61% brancos, 0,59% indígenas e 0,11% amarelos.[91]

Segundo o censo de 2010, da população baiana, 99,93% eram brasileiros (99,91% natos e 0,02%
naturalizados) e 0,07% estrangeiros.[117] Dentre os brasileiros, 0,25% naturais do Sul, 96,34% do Nordeste
(93,64% do próprio estado), 2,64% do Sudeste, 0,28% do Centro-Oeste e 0,10% do Norte.[118] Entre os
estados de origem dos imigrantes, o Distrito Federal possuía o maior percentual de residentes (5,11%),
acompanhado por Espírito Santo (4,42%), São Paulo (4,13%), Goiás (3,64%), Sergipe (3,39%) e Rondônia
(2,43%).[119]

Na Zona da Mata Baiana, a maioria da população é composta por mestiços entre portugueses e africanos ou
mestiços entre portugueses, indígenas e africanos, com forte presença do negro nessa parte da Bahia,
especialmente no Recôncavo Baiano. Na Bahia, o Agreste começa muito parecido com a Zona da Mata e,
quanto mais se aproxima do Sertão, mais parecido com este o Agreste fica. Na maioria do Sertão Baiano, a
população é majoritariamente fruto da mistura entre portugueses e indígenas.[120][121][122] Já na região do
Alto Sertão Baiano e grande parte da Chapada Diamantina, a população é majoritariamente fruto da mistura
entre portugueses, africanos e indígenas.[123][124]

A população da Bahia é composta basicamente por caucasianos, mestiços, afro-brasileiros e povos


indígenas.[125] O estado foi povoado por portugueses e demais imigrantes latino-americanos (uruguaios,
venezuelanos, cubanos e haitianos),[126][127] norte-americanos (estadunidenses),[128] europeus (espanhóis,
alemães e franceses),[129] africanos[130][131] e asiáticos (árabes e japoneses).[132][127]

Hoje residem no estado da Bahia pouco mais de 37 mil indígenas, que se distribuem em 17 grupos, que
abrangem área de 325 643 hectares de extensão. Um total de trinta áreas já está demarcado em definitivo
pela Fundação Nacional do Índio (FUNAI). Dessas, merece destaque a mais extensa, a reserva indígena
Caramuru-Paraguassu, localizada entre os municípios de Pau Brasil,
[133]
Cor/Raça Porcentagem Camacan e Itaju do Colônia.[134]
Pardos 59.8%
Brancos 23.0% Composição genética
Negros 16.8% Um estudo genético realizado no Recôncavo baiano confirmou o alto
Asiáticos ou grau de ancestralidade africana na região. Foram analisadas pessoas da
0,3%
indígenas área urbana dos municípios de Cachoeira e Maragojipe, além de
quilombolas da área rural de Cachoeira. A ancestralidade africana foi de
80,4%, a europeia 10,8% e a indígena 8,8%.[135] Segundo dados da Funasa, 25,8 mil indígenas viviam no
estado em 2006.[136]

Um estudo genético realizado na população de Salvador confirmou que a maior contribuição genética da
cidade é a africana (49,2%), seguida pela europeia (36,3%) e indígena (14,5%).[137] Outro estudo ainda
revela que, em relação aos ciganos, a Bahia é o estado brasileiro onde há a maior quantidade de grupos
vivendo, segundo pesquisa inédita do IBGE.[138]

Um estudo genético autossômico de 2015 encontrou a seguinte composição para Salvador: 50,5% de
ancestralidade africana, 42,4% de ancestralidade europeia e 5,8% de ancestralidade indígena.[139][140] Os
pesquisadores explicaram que eles coletaram mais amostras de indivíduos que vivem em ambientes mais
pobres.[139]

Outro estudo do mesmo ano (2015) encontrou níveis semelhantes em Salvador: 50,8% de ancestralidade
africana, 42,9% de ancestralidade europeia e 6,4% de ancestralidade indígena.[141] Um outro estudo
genético, também de 2015, encontrou a seguinte composição em Salvador: 50,8% de contribuição europeia,
40,5% de contribuição africana e 8,7% de contribuição indígena.[142]

Em Ilhéus, um estudo genético de 2011 encontrou a seguinte composição: 60,6% de contribuição europeia,
30,3% de contribuição africana e 9,1% de contribuição indígena.[143] Outro estudo recente demostra a
crescente importância de conceitos de herança Africana, do reconhecimento de ligações genealógicas e a
ancestralidade, da memória coletiva, e do patrimônio cultural às políticas raciais baianas.[144]

Hierarquia urbana e regiões metropolitanas


Além de suas funções de capital político-administrativa porto e pólo industrial a cidade de Salvador também
atua como megalópole regional de um grande território abrangendo quase todo o território baiano e também
todo o estado de Sergipe e o extremo sul do Piauí. Somente as regiões norte e sul ligadas a Recife, Rio de
Janeiro e Belo Horizonte, nessa ordem, ficam fora do domínio da influência econômica de Salvador. No
entanto, sob sua influência direta está somente o Recôncavo.[145][102]

As cidades mais importantes do estado atuam como outros vários pólos econômicos, principalmente no
sertão. Constituem elas: Feira de Santana, nos arredores do Recôncavo; Itabuna e Ilhéus, na região
cacaueira; Jequié e Vitória da Conquista, no altiplano; e Juazeiro, à beira meridional do São Francisco.
Demais cidades principais constituem Alagoinhas, Paulo Afonso, Itamaraju, Camaçari, Bom Jesus da Lapa,
Jacobina e Valença.[145][102]

A Região Metropolitana de Salvador, também conhecida como Grande Salvador e pela sigla RMS, foi
instituída pela lei complementar federal número 14, de 8 de junho de 1973.[146]
A Região Metropolitana de Feira de Santana (RMFS) foi
sancionada pelo governador Jaques Wagner em 6 de julho de 2011
pela Lei Complementar Estadual nº 35 (LCE 35/2011), e entrou em
vigor a partir do dia 7 de julho de 2011, dia em que a lei foi
publicada no Diário Oficial.[147][148]

A Região Administrativa Integrada de Desenvolvimento do Polo


Petrolina e Juazeiro é uma região integrada de desenvolvimento
econômico, criada pela lei complementar n.º 113, de 19 de setembro
de 2001, e regulamentada pelo decreto n.º 4 366, de 9 de setembro
de 2002.[149]

Municípios baianos inseridos em


algum nível da hierarquia urbana
Governo e política brasileira

Integrante da federação brasileira, é uma unidade federativa


autônoma, sob os limites da constituição federal, com os três poderes próprios (executivo, judiciário e
legislativo), além do Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA), eleições diretas periódicas para
cargos do executivo e legislativo, símbolos oficiais e data magna estabelecidas na Constituição estadual de
1989.[152] A capital estadual é o município de Salvador,[152] e Cachoeira é a segunda capital do estado, de
acordo com a Lei Estadual 10.695 de 2007, que estabeleceu que todos os anos, no dia 25 de junho, o
governo estadual é transferido para a cidade, em reconhecimento histórico pelas lutas na Independência da
Bahia.[153][154]

A história da política no estado brasileiro da Bahia confunde-se, muitas vezes, com a política do país — e
boa parte dela equivale à mesma, uma vez que Salvador, por muitos anos, foi a capital da Colônia.
Contando sempre com expoentes no cenário político nacional, a Bahia é um dos mais representativos
estados da federação. Durante o período imperial, contou com diversos primeiros-ministros; na fase
republicana, estiveram à frente de vários movimentos nacionais baianos como Rui Barbosa, Cezar Zama,
Aristides Spínola e outros.[27][35][67]

Na República Velha, dominou o cenário estadual José Joaquim Seabra; durante a Era Vargas surgiu a figura
de Juracy Magalhães e em contraposição, com a redemocratização do pós-guerra, o socialista Octávio
Mangabeira. Durante o regime militar, surgiu a figura de Antônio Carlos Magalhães, que dominou o cenário
político estadual por três décadas, com breve derrota para Waldir Pires, na década de 1980, ocupando o
cargo de senador, quando de sua morte. Tal fenômeno político ganhou a denominação de
"Carlismo".[27][35][67]

Governo
O Poder Executivo baiano é exercido pelo governador do estado, que é eleito em sufrágio universal e voto
direto e secreto pela população para mandatos de até quatro anos de duração, podendo ser reeleito para mais
um mandato. A atual sede é o Palácio de Ondina, situado no bairro de Ondina, desde 1967.[155]
Antigamente, a sede do governo baiano era o Palácio Rio Branco, localizado na Praça Municipal, e foi
construída em 1549 (ano da fundação da cidade de Salvador, em 1549) tornando-se sede do governo e
residência oficial do primeiro governador-geral do Brasil, Tomé de Sousa.[156] Em janeiro de 1908, foi
transformada em residência oficial dos Sedes de representações dos três poderes na Bahia
governadores do estado. [157] Depois do Palácio
Rio Branco, a sede do governo baiano foi o
Palácio da Aclamação, localizado no bairro do
Campo Grande, até ser estabelecida a atual
sede.[158]

O Poder Legislativo da Bahia é unicameral, Edifício da Governadoria, de onde o


exercido pela Assembleia Legislativa da Bahia, governador despacha.
localizado no Palácio Luís Eduardo Magalhães. É
constituída pelos representantes do povo (deputados
estaduais) eleitos em votação direta para o mandato
de quatro anos. Ela possui 63 deputados estaduais.
No Congresso Nacional, a representação baiana é
de 3 senadores e 39 deputados federais. Cabe, à
Assembleia Legislativa, com a sanção (aprovação)
do governador do estado, dispor sobre todas as Palácio Luís Eduardo Magalhães,
matérias de competência do estado.[159] local do plenário da Assembleia

O Tribunal de Contas, através de seus conselheiros,


auxilia a Assembleia Legislativa na apreciação das
contas prestadas anualmente pelo governador do
estado, no julgamento das contas dos
administradores e demais responsáveis (fundações,
empresas etc.) por dinheiro, bens e valores públicos
da administração direta e indireta, incluídas as
fundações e sociedades instituídas e mantidas pelo Palácio da Justiça, sede do Tribunal
poder público estadual e as contas que derem causa de Justiça da Bahia.
a perda, extravio ou outra irregularidade de que
resulte prejuízo ao erário público. Além deste, possui o Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), que
auxilia as Câmaras municipais na apreciação das contas dos respectivos executivos.[160]

A maior corte do Poder Judiciário estadual é o Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, localizado em prédio
denominado Palácio da Justiça, situado no Centro Administrativo da Bahia. A Justiça do Trabalho está
ligada à Quinta região, que compreende todo o estado e possui sede na capital. A Justiça Federal está
vinculada à primeira região com sede em Brasília.[161]

Eleições e partidos
O sistema eleitoral na Bahia repete o nacional. Os mandatos eletivos duram quatro anos, e as eleições
estaduais e federais alternam com as municipais a cada dois anos. O eleitorado baiano é composto por
10 110 100 votantes, segundo dados referentes às eleições de 2012, o que representa o quarto maior colégio
eleitoral do país. Sua capital, Salvador, é o município com maior número de eleitores (1 881 544), seguido
de Feira de Santana (373 753) e Vitória da Conquista (215 299). O município com menor número de
eleitores é Lajedinho, com 3 027.[162]
Tratando-se sobre partidos políticos, todos os partidos políticos brasileiros possuem representação no estado.
Conforme informações divulgadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com base em dados de abril de
2016, o partido político com maior número de filiados na Bahia é o Partido do Movimento Democrático
Brasileiro (PMDB), com 94 518 membros, seguido do Democratas (DEM), com 90 106 membros e do
Partido dos Trabalhadores (PT), com 84 525 filiados. Completando a lista dos cinco maiores partidos
políticos no estado, por número de membros, estão o Partido Progressista (PP), com 73 386 membros; e o
Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), com 64 477 membros. Ainda de acordo com o Tribunal Superior
Eleitoral, o Partido Novo (NOVO) e o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) são os
partidos políticos com menor representatividade na unidade federativa, com 24 e 275 filiados,
respectivamente.[163]

Subdivisões
A Bahia, assim como todos os outros estados brasileiros, está politicamente dividida em municípios. Ao
total, existem 417 municípios baianos, o que torna a Bahia o quarto maior estado segundo a quantidade de
municípios.[164]

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divide as unidades federativas do Brasil em regiões
geográficas intermediárias e regiões geográficas imediatas para fins estatísticos de estudo, agrupando os
municípios conforme aspectos socioeconômicos. As regiões geográficas intermediárias foram apresentadas
em 2017, com a atualização da divisão regional do Brasil, e correspondem a uma revisão das antigas
mesorregiões, que estavam em vigor desde a divisão de 1989. As regiões geográficas imediatas, por sua
vez, substituíram as microrregiões. A divisão de 2017 teve o objetivo de abranger as transformações
relativas à rede urbana e sua hierarquia ocorridas desde as divisões passadas, devendo ser usada para ações
de planejamento e gestão de políticas públicas e para a divulgação de estatísticas e estudos do IBGE. Deste
modo, há 10 regiões geográficas intermediárias e 35 regiões geográficas imediatas no estado.[165]

Uma outra divisão, desta vez para fins de coordenação de ações de promoção turística, o Programa de
Desenvolvimento do Turismo (PRODETUR) subdividiu o território baiano em zonas turísticas, as quais são
Baía de Todos os Santos, Costa dos Coqueiros, Costa do Dendê, Costa do Cacau, Costa das Baleias, Costa
do Descobrimento, Caminhos do Oeste, Caminhos do Sertão, Caminhos do Sudoeste, Chapada
Diamantina, Lagos e cânions do São Francisco, Vale do Jiquiriçá e Vale do São Francisco.[166]

Até meados da década de 2000, o Governo da Bahia agrupava os municípios baianos segundo
características econômicas, formando as regiões Metropolitana de Salvador, Extremo Sul, Oeste, Serra
Geral, Litoral Norte, Sudoeste, Litoral Sul, Médio São Francisco, Baixo-médio São Francisco, Irecê,
Chapada Diamantina, Recôncavo Sul, Piemonte da Diamantina, Paraguaçu e Nordeste. Atualmente, essa
divisão foi substituída pelos 26 Territórios de Identidade, a saber: Irecê, Velho Chico, Chapada Diamantina,
Sisal, Litoral Sul, Baixo Sul, Extremo Sul, Itapetinga, Vale do Jiquiriçá, Sertão do São Francisco, Oeste
Baiano, Bacia do Paramirim, Sertão Produtivo, Piemonte do Paraguaçu, Bacia do Jacuípe, Piemonte da
Diamantina, Semiárido Nordeste II, Agreste de Alagoinhas/Litoral Norte, Portal do Sertão, Vitória da
Conquista, Recôncavo, Médio Rio de Contas, Bacia do Rio Corrente, Itaparica, Piemonte Norte do
Itapicuru, Metropolitana de Salvador.[167] Porém a partir de 2007, o governo da Bahia passou a utilizar de
critérios ambientais e culturais além dos critérios econômicos, para agrupar regiões em que fosse possível
uma maior atenção às questões de manifestações culturais, com a política de Territorialização da cultura,
chamados de Territórios de Identidade da Bahia. Sendo atualmente reconhecidos 27 TI no estado da Bahia,
indicados na Lista de abaixo.[168]

Territórios de Identidade da Bahia

Lista de Territórios de Identidade na Bahia


Nº Nome do TI Nº de Municípios

1 Irecê 20

2 Velho Chico 16
3 Chapada Diamantina 24

4 Sisal 20

5 Litoral Sul 26
6 Baixo Sul 15

7 Extremo Sul 13

8 Médio Sudoeste da Bahia 13


9 Vale do jiquiriçá 20

10 Sertão do São Francisco 10

11 Bacia do Rio Grande 14


12 Bacia do Paramirim 9

13 Sertão Produtivo 19

14 Piemonte do Paraguaçu 13
15 Bacia do Jacuípe 15

16 Piemonte da Diamantina 10
17 Semiárido Nordeste II 18

18 Litoral Norte e Agreste Baiano 20

19 Portal do Sertão 17
20 Sudoeste baiano 24

21 Recôncavo 19

22 Médio Rio de Contas 16


23 Bacia do Rio Corrente 11

24 Itaparica 6

25 Piemonte Norte do Itapicuru 9


26 Metropolitano de Salvador 13

27 Costa do Descobrimento 8

A Bahia também é repartida em 26 partes pelo Conselho Estadual de Recursos Hídricos (Conerh), que, para
gestão das bacias hidrográficas e dos recursos hídricos, criou as 26 regiões hidrográficas, chamadas de
Regiões de Planejamento e Gestão das Águas (RPGA).[169]
Regiões econômicas Zonas turísticas Regiões geográficas

Municípios

Economia
A Bahia responde por quase trinta por cento do produto interno
bruto do Nordeste brasileiro e por mais da metade das exportações
da região. É o sétimo estado brasileiro que mais produz
riqueza.[172] A economia do estado baseia-se na indústria (química,
petroquímica, informática, automobilística e suas peças),
agropecuária (mandioca, grãos, algodão, cacau e coco), mineração, Exportações da Bahia em 2012[170]
turismo e nos serviços.[173] Existe o importante Polo petroquímico
de Camaçari, onde funciona, entre outros empreendimentos, a
montadora Ford, estando o complexo industrial localizado na
cidade de Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador, e que
foi a primeira indústria automobilística a se instalar na região, em Exportações do Brasil por estado em
2001.[174] As atividades agropecuárias ocupam cerca de setenta 2012, a Bahia contribui com 4,47%
por cento da população ativa do estado. Um bom indicador de suas do total[171]
atividades econômicas é sua pauta de exportação, composta, no
ano de 2012, principalmente por petróleo refinado (18,77%), pastas
químicas de madeira à soda ou sulfato (10,82%), soja (8,33%), algodão cru (6,32%) e farelo de soja
(4,36%).[170]

Setor primário
No setor primário, a agricultura está dividida em grande lavoura comercial, a pequena lavoura comercial e a
agricultura de subsistência. O estado se destaca na produção de algodão, cacau, soja e frutas tropicais como
coco, mamão, manga, banana e guaraná, além de também produzir cana-de-açúcar, laranja, feijão e
mandioca, entre outros.[175]

A grande lavoura está baseada há décadas nas culturas da cana-de-açúcar (onde é integrada com modernas
usinas) e cacau, e mais atualmente, na soja e no algodão. Entre as pequenas culturas comerciais, a
mandioca, o coco-da-baía, o fumo, o café, o agave, a cebola, dendê (e consequente azeite de dendê) são as
produções em destaque. As culturas de subsistência estão em todo o território, sendo que a cultura da
mandioca é a mais importante, seguida pelo feijão, o milho, o café e a banana. O estado é conhecido por ter
uma baixa qualidade nas condições de trabalho, por usar sistemas arcaicos de produção (extrativistas e
semiextrativistas) e por explorar excessivamente a mão de obra.[176]

A Bahia é o primeiro produtor nacional de coco,[177] manga,[178]


guaraná,[179] sisal e mamona. Também é o segundo maior produtor
de cacau,[180] algodão,[181] banana[182] e mamão,[183] o 4º maior
produtor de café[184] e laranja,[185] o 6º maior produtor de soja[186]
e tem produções relevantes de feijão e mandioca, mais voltados
para a subsistência do que para a comercialização. A região de
Ilhéus-Itabuna é uma das mais propícias áreas para o cultivo do
cacau em toda a Bahia. Além de ser um dos principais produtores
Cultivo de cacau em Ilhéus
de cacau, junto com o Pará, é também o principal exportador de
cacau no Brasil, porém a produção declinou nos últimos anos
vítima de pragas como a vassoura-de-bruxa.[187][188] Tem bons índices também na produção de milho e
cana-de-açúcar. Outra região do estado que merece a devida atenção é aquela compreendida pelo Rio São
Francisco, conhecida também como Vale do São Francisco, compreendendo as cidades de Juazeiro,
Curaçá, Casa Nova, Sobradinho, dentre outras. A região é a maior produtora de frutas tropicais do país: essa
fruticultura é irrigada, tem crescido e exporta para os mercados europeu, asiático e estadunidense.
Recentemente, o cultivo da soja, milho, arroz, café e algodão aumentou substancialmente no oeste do
estado, principalmente na área do cerrado, que apresenta terreno plano e propício à mecanização, com perfil
produtivo intensivo.[189][190]

Também importante elemento da economia baiana, a pecuária bovina ocupa, hoje, o sexto lugar nacional,
enquanto a caprina registra, atualmente, os maiores números do setor em todo o Brasil, mas também se
destacando os rebanhos de ovinos. Já as atividades extrativas vegetais têm pequena participação na
economia baiana. Entretanto, tem reservas consideráveis de minérios e de petróleo. A mineração baseia-se
essencialmente na produção de ouro, cobre, magnesita, cromita, sal-gema, barita, manganês, chumbo,
urânio, ferro, talco, columbita, prata, cristal de rocha e zinco.[175] As minas de magnesita a céu aberto em
Brumado são a terceira maior do mundo e dão condição para ser a maior produção deste minério no Brasil.
O mesmo município é, também, o segundo produtor de talco no país.[191][192][193]

Setor secundário
A Bahia tinha em 2018 um PIB industrial de R$ 54,0 bilhões, equivalente a 4,1% da indústria nacional e
empregando 364.603 trabalhadores na indústria. Os principais setores industriais são: Construção (23,3%),
Serviços Industriais de Utilidade Pública, como Energia Elétrica e Água (17,5%), Derivados de Petróleo e
Biocombustíveis (16,2%), Químicos (10%) e Alimentos (4,5%).
Estes 5 setores concentram 71,8% da indústria do estado.[196]

A indústria é relativamente bem distribuída, abrigando os mais mais


variados segmentos desse setor. Representa uma grande força
econômica no estado. Está voltado para os setores da química e
petroquímica, agroindústria, informática, automobilística e suas
peças, alimentos, mineração, borracha e plástico, metalurgia, couro
e calçados, higiene pessoal, perfumaria e cosméticos, energia eólica, Fábrica de aerogeradores da cadeia
eólica situada no Polo Industrial de
celulose e papel e bebidas.[197][198][199] Na região Metropolitana
Camaçari, o maior complexo
de Salvador, estão concentradas a maioria das indústrias no Polo industrial integrado do Hemisfério
Industrial de Camaçari, maior complexo industrial integrado do Sul.[194] O município de Camaçari,
Hemisfério Sul e que já nasceu planejado na década de 1970, cujo sozinho, é responsável por 20% do
foco inicial era o setor petroquímico e com o passar dos anos PIB do estado.[195]
diversificou sua produção. [200] Em relação ao valor de
transformação industrial, a Bahia saltou da nona para a sexta
posição no ranqueamento nacional em 2005.[201] Há municípios do interior que se destacam por ser um
grande polo produtivo, como de bebidas em Alagoinhas; papel e celulose em Eunápolis e Mucuri; calçados
em Itapetinga, Serrinha e Amargosa; agroindústria em Juazeiro etc.[175]

Para fomentar a pesquisa e desenvolvimento tecnológico, foi


lançado o projeto de um grande parque tecnológico em
Salvador.[202] Chamado de Parque Tecnológico da Bahia, tem,
como prioridades, a tecnologia da informação e comunicação
(TIC), a robótica e a energia.[203] A primeira área do complexo foi
inaugurada em 2012.[204] Outro ponto de desenvolvimento
tecnológico, a primeira biofábrica do país se encontra na cidade
sertaneja de Juazeiro, no vale do Rio São Francisco.[205][206]
O Complexo Hidrelétrico de Paulo
A indústria, o comércio e os domicílios baianos contam com Afonso, no rio São Francisco, é um
conjunto das usinas Paulo Afonso I,
abundante suprimento de energia elétrica, fornecido principalmente
II, III, IV e Apolônio Sales, as quais
pelo Complexo Hidrelétrico de Paulo Afonso e pelas hidrelétricas
são operadas pela Eletrobras Chesf
de Sobradinho e Itapebi, que, juntas, produzem quase seis mil
megawatts de energia. No campo da energia a partir dos
hidrocarbonetos, o estado é dos maiores produtores nacionais de petróleo e gás natural. Há um importante
polo de refino de petróleo e biocombustíveis em São Francisco do Conde, na região metropolitana de
Salvador, onde está localizada a Refinaria Landulpho Alves, a primeira construída no Brasil e que foi
responsável por manter a Bahia como o maior produtor de petróleo por décadas,[207] e vários oleodutos e
terminais em seu entorno para a chegada e escoamento da produção.[175]

Setor terciário
O turismo é uma destacada atividade econômica baiana, uma vez que o setor é responsável por 7,5% do
produto interno bruto (PIB) estadual e emprega uma cadeia gigantesca que engloba os estabelecimentos do
setor do turismo, como hotéis, bares, restaurantes e agências de viagem.[208] No cenário nacional, o turismo
baiano tem a fatia de 13,2% do PIB turístico nacional, a segunda maior porcentagem.[208][209] Foram 5,29
milhões de turistas brasileiros e 558 mil turistas estrangeiros que visitaram o estado em 2011.[208]
O estado é um dos principais destinos turísticos do Brasil, sendo o
estado que mais recebe turistas na região Nordeste, com um fluxo
de 11 milhões de visitantes em 2011, segundo estudo realizado pela
Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).[210][211][212]
Além da ilha de Itaparica e Morro de São Paulo, há um grande
número de praias entre Ilhéus e Porto Seguro, na costa sul. O litoral
norte, na área de Salvador, esticando para a beira com Sergipe,
Morro de São Paulo, atração da
Costa do Dendê transformou-se num destino turístico importante, o qual ficou
conhecido como Linha Verde. A Costa do Sauípe se destaca como
o maior complexo de hotéis-resorts do Brasil.[213] No ecoturismo,
se destaca a Chapada Diamantina.[214] Na região, está o melhor
roteiro turístico do país, localizado no Vale do Pati (Lençóis),
segundo apontou o Ministério do Turismo em 2010.[214] Nele,
cerca de 500 mil turistas, brasileiros e estrangeiros, passam
anualmente.

Segundo a pesquisa Hábitos de Consumo do Turismo Brasileiro


Elevador Lacerda, em Salvador 2009, realizada pelo Vox Populi em novembro de 2009, a Bahia é o
destino turístico preferido dos brasileiros,[215] já que 21,4% dos
turistas que pretendiam viajar nos dois anos seguintes optariam pelo
estado. A vantagem é grande em relação aos concorrentes: Pernambuco, com 11,9%, e São Paulo, com
10,9%, estavam, respectivamente, em segundo e terceiro lugares nas categorias pesquisadas. Já em 2010,
foi escolhida pelo jornal americano The New York Times como um dos 31 destinos que mereciam ser
visitados em 2010.[216][217] O estado foi o único do Brasil a integrar o ranking.

A diversidade de atrativos no estado incitou o planejamento governamental, que estabeleceu zonas turísticas
para definições necessárias ao desenvolvimento do ramo turístico e para identificação das potencialidades
por meio do Programa de Desenvolvimento do Turismo (PRODETUR). Em 2002, eram sete zonas: Costa
dos Coqueiros, Baía de Todos-os-Santos, Costa do Dendê, Costa do Cacau, Costa do Descobrimento,
Costa das Baleias e Chapada Diamantina.[77] Isso mostra o destaque para o turismo no litoral, mas também
aponta um importante polo no interior, a Chapada Diamantina. Formação geográfica em que chegam
anualmente 500 mil visitantes, que gastam meio bilhão de reais ao conhecer as cidades de Lençóis, Andaraí,
Rio de Contas, Mucugê e Palmeiras.[214] Mais tarde, foram criadas novas zonas, interiorizando o
planejamento turístico, a saber: Caminhos do Oeste, Caminhos do Sertão, Caminhos do Sudoeste, Lagos e
cânions do São Francisco, Vale do Jiquiriçá e Vale do São Francisco.[166]

Infraestrutura

Saúde
A saúde na Bahia não é das melhores do país: problemas típicos da saúde brasileira ocorrem no estado.
Algumas doenças têm altos índices de doentes, como o câncer de mama,[218] que, de acordo com a
Sociedade Brasileira de Mastologia, atinge cerca de dois mil novos casos anualmente.[219] Apesar disso,
certas práticas que poderiam salvar muitas vidas não são comuns no estado, a exemplo da doação de
órgãos. 60% das famílias baianas se recusam a doar órgãos de parentes, índice bem maior do que a média
nacional, que é de 25%.[220]

Entre as doenças mais comuns, estão a dengue e a meningite, as


quais estão alastrando-se por todo o território baiano e não apenas
infectam os baianos, mas também provocam a morte.[221][222]

Na parte da estrutura, destacam-se, na capital: o Hospital Geral do


Estado (HGE);[223] Hospital Geral Roberto Santos (HGRS);[224]
Hospital do Subúrbio, que funciona sob gestão de parceria público-
privada, conceito inédito no Brasil;[225] Hospital Santo Antônio
Hospital da Bahia, hospital particular
(fundado por Irmã Dulce); Hospital Sarah Kubitschek; Hospital
localizado na capital
Manoel Victorino; Hospital Santa Izabel; Hospital Ana Nery,
referência nas áreas de cardiologia, cirurgia vascular, hemodiálise e
transplante de órgãos;[226] Hospital Couto Maia, referência em doenças infecciosas e parasitárias,[227]
Hospital São Rafael;[228][229] Hospital da Bahia;[230] Hospital Especializado Octávio Mangabeira
(HEOM);[231][232] Hospital Martagão Gesteira, referência no atendimento às mais diversas especialidades
pediátricas;[233] Complexo Hospitalar Universitário Professor Edgard Santos (COMHUPES, mantido pela
Universidade Federal da Bahia através do Sistema Universitário de Saúde);[234] Hospital Aristides Maltez,
instituição referência no diagnóstico e tratamento do câncer no Brasil e que atende, prioritariamente,
pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS);[235] entre outros. O Hospital Geral Clériston Andrade
(HGCA), em Feira de Santana, destaca-se por ser o maior hospital público, porta aberta, do interior do
estado no atendimento de média e alta complexidade.[236][237][238]

As sociedades científicas Academia de Medicina da Bahia e Academia de Medicina de Feira de Santana


desenvolvem e publicam as pesquisas médicas dos especialistas baianos.[239][240]

Educação
A Bahia possui um longo histórico na área de educação, desde os
primeiros jesuítas que já no século XVI instalaram escolas em
Salvador, então a capital da Colônia. Educadores de renome como
Abílio Cezar Borges, Ernesto Carneiro Ribeiro e Anísio Teixeira
capitanearam o proscênio educacional do país. A escola pública na
Bahia é basicamente estadual e municipal, sendo que o município
tem uma preocupação maior com a ensino fundamental (primeira à
A UFBA teve início com a fundação quarta série) e o governo estadual com a educação fundamental
da Faculdade de Medicina da Bahia também, mas só da quinta à oitava série, além do ensino médio. O
em 1808, a escola de medicina mais governo federal tem pouca participação na formação direta da
[241]
antiga do Brasil. população, porém, muitos recursos utilizados por estas instituições
escolares são provenientes dos fundos federais. Atualmente, a Bahia
conta com doze universidades, sendo quatro públicas estaduais
(UNEB, UEFS, UESB e UESC), seis públicas federais (UFBA, UFRB, UNIVASF, UNILAB, UFSB e
UFOB) e duas privadas (UCSal e UNIFACS), além dos institutos federais, o IFBA e o IF-
BAIANO.[242][243]
De acordo com um ranking realizado e divulgado pela Folha de [Link], em 2012, a Universidade Federal
da Bahia aparece como a segunda melhor pontuação entre as universidades públicas do norte e nordeste,
atrás da federal pernambucana, e em 12.º lugar no país inteiro,[244] e na frente da Universidade Estadual do
Maranhão. Em outro ranqueamento publicado no mesmo ano, feito pelo Ministério da Educação (MEC) a
partir do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (ENADE), a Universidade Estadual de Feira de
Santana foi classificada como a melhor universidade das regiões norte e nordeste e a 15.º do país em cursos
com a nota cinco.[245][246]

Energia
A cachoeira de Paulo Afonso, no limite com Alagoas, cuja descarga
média é de 5 000 metros cúbicos por segundo, abastece as quatro
usinas da CHESF (Companhia Hidrelétrica do São Francisco),
Paulo Afonso I, II, III e IV. Com um potencial somado de
3.501.800kW, vendem energia para todo o Nordeste.[175]

A Usina Hidrelétrica Pedra do Cavalo (1983) está localizada no


trecho superior das cidades gêmeas de São Félix e Cachoeira, a 110
quilômetros da capital, e foi erguida com dinheiro do Programa de
Barragem da Pedra do Cavalo.
Valorização da Água do Rio Paraguaçu. Além de produzir energia,
assegura: água potável para Salvador e Feira de Santana; água bruta
para complexos industriais, como Aratu e Camaçari; términos das cheias diárias em cidades ao longo dos
rios; e soluções para a questão do assoreamento ― o rio antes novamente navegável. A barragem (143m)
constitui uma das mais elevadas da América do Sul.[175]

A hidrelétrica de Itaparica está localizada no limite com Pernambuco, a mais de cinquenta quilômetros do
complexo Paulo Afonso, e iniciou suas operações em 1988. Sua potência final era de 2 500 MW e, na
década de 1990, a usina de Xingó, também localizada no rio São Francisco, estava em construção com
capacidade de 3 000 MW.[175]

Transportes
Feira de Santana é o eixo polarizador do sistema rodoviário estadual
e é por onde passam as vias principais: a BR-242, que liga Salvador
ao oeste baiano e à capital federal; a BR-101, de sentido norte/sul,
com traçado paralelo ao litoral; a BR-116, que liga a metrópole ao
sudoeste; além da BR-324, que liga Feira de Santana a Salvador.
Outras rodovias estaduais e federais atendem ao tráfego de longa
distância ou atendem às sedes dos municípios, fazendo parte de um
sistema combinado que se complementa a exemplo da BR-110,
BR-324, a principal ligação entre BR-415, BR-407, BA-052, BA-099 e BA-001 (essas duas últimas
Feira e Salvador são rodovias estaduais litorâneas).[77]

A Bahia conta com quatro portos, sendo o de Aratu, o de Ilhéus e o


de Salvador marítimos e o de Juazeiro fluvial. O de Ilhéus é o maior exportador de cacau do Brasil e
também grande importador. Na cidade, também está em processo de construção o Porto Sul, com a
expectativa de ser um dos maiores portos do Brasil em movimentação de cargas.[247]
A Bahia conta com dez aeroportos operando com voos regulares,
sendo o Internacional Dois de Julho, também conhecido como
Internacional de Salvador Deputado Luís Eduardo Magalhães, o
oitavo aeroporto mais movimentado do Brasil, o primeiro do
Nordeste e estando entre os 20 maiores da América Latina,
respondendo por mais de trinta por cento do movimento de
passageiros dessa região do país em 2011.[248] Os outros são
Aeroporto de Barreiras, em Barreiras; Aeroporto João Durval
Porto de Ilhéus
Carneiro, em Feira de Santana; Aeroporto Jorge Amado, em Ilhéus;
Aeroporto Horácio de Mattos, em Lençóis; Aeroporto de Paulo
Afonso, em Paulo Afonso; Aeroporto de Porto Seguro, em Porto
Seguro; Aeroporto Pedro Otacílio Figueiredo, em Vitória da
Conquista; Aeroporto de Valença, em Valença; e Aeroporto de
Teixeira de Freitas, em Teixeira de Freitas. O Aeroporto de Una-
Comandatuba recebe muitos voos fretados.[249]

A Bahia é cortada por várias ferrovias.[250] Entre elas, estão: a


Estrada de Ferro Bahia-Minas, que vai de Caravelas, na Bahia, ao
Aeroporto Internacional de Salvador
norte de Minas Gerais;[251] e a Viação Férrea Federal do Leste
Brasileiro, que integrava a Bahia com os estados de Minas Gerais,
Sergipe, Pernambuco e Piauí. [252] Além dessas duas interestaduais, existem a Estrada de Ferro de Nazaré e
a de Ilhéus. Esta última possuía projetos de expansão para chegar a Vitória da Conquista e para se ligar a
outras ferrovias do estado e à E. F. Bahia-Minas.[253] Todas essas linhas férreas já não estão mais em
atividade.[251][252][253]

Atualmente, está sendo construída a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL), com extensão de 1 527
quilômetros, que servirá de importante ponto de escoamento da produção de minérios e grãos do estado
através do Porto Sul, no sul do estado. Ela também se conectará com a Ferrovia Norte-Sul em Tocantins,
formando um grande corredor logístico.[254] Durante a primeira gestão de Dilma Rousseff, foram
planejadas mais duas ferrovias cortando a Bahia: a Ferrovia Salvador-Recife, com extensão de 893
quilômetros e que atravessa municípios dos estados de Sergipe, Alagoas e Pernambuco, onde fazia conexão
com a Ferrovia Transnordestina;[255] e a Ferrovia Belo Horizonte-Salvador, com extensão de 1 350
quilômetros e que atravessa 52 municípios da Bahia e Minas Gerais, estabelecendo uma conexão com o
Porto de Aratu, na Região Metropolitana de Salvador.[256]

O transporte de alta capacidade de passageiros por trilhos foi implantado no estado com o Metrô de
Salvador, após 14 anos de construção e indícios de superfaturamento.[257] O funcionamento foi iniciado em
junho de 2014 e a conclusão das duas linhas licitadas está determinada pelo edital para acontecer em
2017.[258][259]

Serviços e comunicações
A empresa de energia elétrica, que compreende o estado da Bahia, constitui a Neoenergia Coelba e os
serviços de abastecimento e venda de gás canalizado no estado da Bahia são realizados pela Companhia de
Gás da Bahia.[260][261]
O estado conta com outros serviços básicos. Na Bahia, existem
várias empresas responsáveis pelo abastecimento de água. Em boa
parte dos municípios baianos, a empresa responsável por água e
saneamento básico (esgoto) é a Empresa Baiana de Águas e
Saneamento (Embasa).[262]

Outros municípios são abastecidos por outras empresas ou por


empresas do próprio município — um exemplo ocorre em Juazeiro,
na região norte do estado, cuja empresa responsável pelo Governador Jaques Wagner na
comemoração de 50 anos da
abastecimento de água é o Serviço de Água e Saneamento
COELBA, em 16 de abril de 2010.
Ambiental (SAAE).[263]

O estado da Bahia é o quarto do Brasil em quantidade de


dispositivos móveis ativos (17 033 298), após São Paulo, Minas
Gerais e Rio de Janeiro. A cidade de Salvador tem a maior
teledensidade (número de acessos por 100 habitantes), com 198,44
acessos para cada 100 pessoas.[264] Os códigos de discagem direta
a distância, DDD, para realizações para números do estado são 71,
73, 74, 75 e 77.[265]
A torre da TV Itapoan, vista da
Os principais veículos da imprensa baiana são: o tradicional jornal
Escola Politécnica da UFBA, em
A Tarde, que também possui uma emissora de rádio (A Tarde FM);
2011
jornal Correio, TV Bahia e outras emissoras que retransmitem a
Rede Globo no interior do estado, todas elas empresas da Rede
Bahia; o jornal Tribuna da Bahia; a emissora de TV Band Bahia, e a emissora de rádio BandNews FM em
Salvador; e as emissoras de televisão TV Aratu (afiliada do SBT), TV Educativa da Bahia (esta mantida
pelo governo estadual através da IRDEB), TV Itapoan e a TV Cabrália (ambas filiadas da Rede Record).
Destacam-se os grupos de mídia baianos: a Rede Bahia, o Grupo Aratu, o Grupo A Tarde e o Grupo
Metrópole, que mantém o Jornal da Metrópole e a emissora de rádio.[266][267][268]

Segurança pública e criminalidade


As mais importantes unidades militares sediadas na Bahia são: no
Exército Brasileiro, a Bahia pertence ao Comando Militar do
Nordeste,[269] se encontrando localizada em Salvador a matriz da
6.ª Região Militar,[270] assim como o 19.° Batalhão de
Caçadores;[271] na Marinha do Brasil, em Salvador se encontra a
matriz do 2.° Distrito Naval,[272] bem como a Base Naval de
Aratu,[273] a Escola de Aprendizes de Marinheiros, dissolvida em
Viaturas da PMBA. 1973,[274] e o Hospital Naval;[275] Na Força Aérea Brasileira, a
Bahia faz parte do Cindacta III,[276] merecendo destaque no estado
a Base Aérea de Salvador e o 1.º Esquadrão do 7.° Grupo de
Aviação (São Cristóvão), em Salvador.[277][278][279]

Segundo a Constituição Federal de 1988 e a Estadual de 1989, os órgãos reguladores da segurança pública
no estado da Bahia são a Polícia Militar, o Corpo de Bombeiros e a Pol. Civil.[280]
De acordo com dados do “Mapa da Violência 2012”, publicado
pelo Instituto Sangari e pelo Ministério da Justiça, a taxa de
homicídios por 100 mil habitantes, que era de 3,3 em 1980, subiu
para 37,7 em 2009 (ficando acima da média nacional, que era de
27,0). Entre 2000 e 2010, o número de homicídios subiu de 1223
para 5287. Em geral, a Bahia subiu dezesseis posições na
classificação nacional das unidades federativas por taxa de
homicídios, passando da 23.ª em 2000 para a 7.ª em 2010. A
Renovação da frota de 2010
Região Metropolitana de Salvador possuía taxas mais de quatro mil
vezes maiores que a do estado (-/+739,4), enquanto, no interior, o
mesmo era mais de 21,3 maior que a média estadual (-/+346,1).[281][282]

Em 2000, 25 municípios, de cinco a dez mil habitantes, registravam uma taxa de homicídios de 5,0, mas ela
subiu para 15,6 em sessenta cidades em 2010. Considerando-se todos esses municípios, totalizam-se 37,7.
Desde a época em que o estado era razoavelmente tranquilo em 2000 a violência aumentou ligeiramente em
todo o território do estado, com vários polos elevadamente conurbados.[281]

Conforme o “Mapa da Violência dos Municípios Brasileiros 2008”, também publicado pelo Instituto
Sangari, as cidades baianas que apresentavam as maiores taxas de homicídios por grupo de cem mil
habitantes eram: Porto Seguro (85,8), Simões Filho (69,7), Itabuna (68,6), Juazeiro (56,4,), Lauro de Freitas
(53,8), Camaçari (44,6), Candeias (44,5), Ilhéus (40,1), Vitória da Conquista (37,4), Itabela (36,8), Itororó
(36,4), Salvador (36,1), Remanso (35,4), Curaçá (34,2), Uruçuca (33,5), Dias d’Ávila (33,2), Camacan
(33,1), Santa Luzia (32,8), Casa Nova (32,6), Ipiaú (32,1), Belmonte (30,9), Entre Rios (30,8), Arataca
(30,6) e Pau Brasil (30,1).[283]

O estado é o segundo com maior taxa de homicídios e o com maior número de cidades entre as mais
violentas do Brasil (12), algumas das quais estão entre as mais violentas do mundo.[21][22][284]

Cultura
Diferentemente da satirização feita pelos grandes meios de
comunicação, o dialeto falado na Bahia, segundo alguns linguistas,
seria parte integrante do grupo sulista, sendo, portanto, um dialeto
próprio, não fazendo parte dos dialetos do nordeste. Algumas de
suas gírias soam estranhas para outras regiões do país, como os
famosos oxente, massa (no sentido de coisa boa) e aonde (utilizado
para negar uma frase).[285]

No campo do artesanato da Bahia, destacam-se a cerâmica Baiana do acarajé e seu tabuleiro


decorativa, marca da influência indígena, a renda de bilros e outros
tipos de bordados, bonecas de pano, os santeiros e carrancas,
objetos feitos de couro, metal, pedras e os destinados à cozinha, como o pilão e gamela.[286]

Alguns museus da Bahia são: Museu Afro-Brasileiro, Museu de Arte da Bahia, Museu de Arte Moderna da
Bahia, Memorial dos Governadores Bahia, Museu Carlos Costa Pinto, Museu Henriqueta Catharino,
Fundação Casa de Jorge Amado e Museu Geológico da Bahia. No interior do estado, destacam-se: o
Museu Histórico de Jequié, com um importante acervo sobre a história e cultura da região sudoeste; o
Museu do Recolhimento dos Humildes em Santo Amaro, de arte sacra; a Fundação Hansen Bahia, em
Cachoeira; e o centro cultural Dannemann, em São Félix, com sua Bienal do livro do Recôncavo.[287]

Do candomblé ou do tabuleiro da baiana do acarajé, da culinária afro-baiana brotam o acarajé, o abará, o


vatapá e tantos pratos temperados pelo azeite de dendê, festejando os santos, como o caruru, ou festejando a
vida, como a moqueca e o mingau.[288]

Já o interior do estado, é marcado pela sua cultura do couro, pela sua culinária sertaneja, pelas suas festas e
manifestações e pelo vaqueiro, onde surgiu no interior do estado a partir de 1550, sendo a primeira fixação
do homem no interior da Bahia e de todo Nordeste Brasileiro. O vaqueiro foi o responsável por formar a
cultura sertaneja.[289][290]

Culinária
A culinária da Bahia é uma das mais diversificadas do Brasil, com
muitas variações, desde a culinária sertaneja, até a mais conhecida,
que é aquela produzida no Recôncavo e em todo o litoral da Bahia
— praticamente composta de pratos de origem africana,
diferenciados pelo tempero mais forte, à base de azeite de dendê,
leite de coco, gengibre, frutos do mar, pimenta de várias qualidades
e muitos outros que não são utilizados em outros estados do
Brasil.[291] Essa culinária, porém, não chega a representar 30% do
que seus habitantes consomem diariamente. As iguarias dessa
vertente africana da culinária estão reservadas, pela tradição e Cozinha sertaneja da Bahia, iguarias
hábitos locais, às sextas-feiras (como por exemplo a moqueca, típicas e originárias do interior do
vatapá, caruru, xinxim de galinha) e às comemorações de datas estado
institucionais, religiosas ou familiares. No dia a dia, o baiano
alimenta-se de pratos herdados da vertente portuguesa, ou então de
pratos no que se costuma chamar de "culinária sertaneja". São receitas que não levam o dendê e
ingredientes como frutos do mar por exemplo, que é muito presente na culinária afro-baiana.[292][293][294]

Entidades culturais, museus e bibliotecas


Entre as diversas instituições culturais presentes no estado estão a o
Gabinete Português de Leitura, o Instituto Geográfico e Histórico
da Bahia, a Associação Baiana de Medicina, a Associação Baiana
de Imprensa, as seções baianas da Associação Brasileira de
Escritores e da Ordem dos Advogados.[295]

Dentre as bibliotecas da capital merecem destaque a Universidade


Federal da Bahia, a Biblioteca Pública do Estado, o Mosteiro de
Biblioteca Pública do Estado da
Bahia, o maior acervo da região.
São Bento, a Biblioteca Infantil Monteiro Lobato, a Biblioteca
Teixeira de Freitas e a Biblioteca do Departamento Estadual de
Estatística, da Petrobras e das entidades culturais
supramencionadas. Muitas cidades do interior possuem pequenas bibliotecas públicas. [295]
Entre os muitos museus, os seguintes museus de Salvador se destacam em Salvador pela importância e
vantagem de suas coleções: Museu Afro-Brasileiro e Museu de Arqueologia e Etnologia, ambos localizados
na tradicional faculdade de Medicina; Museu de Arte da Bahia; Museu de Arte Sacra, localizado no
tradicional convento das Carmelitas Descalças; Museu de Arte Sacra Monsenhor Aquino Barbosa, na
basílica de Nossa Senhora da Conceição da Praia; Museu Abelardo Rodrigues (Solar do Ferrão), com
exposição de arte sacra e popular; Museu Carlo Costa Pinto, de talheres e mobiliário; e o Museu do Carmo,
a igreja e convento da Ordem Primeira do Carmo. Outro museu muito interessante no estado é o Vanderlei
de Pinho no Recôncavo.[295]

Arquitetura
O mais importante atrativo de Salvador está em sua arquitetura,
constituída por igrejas, fortalezas, palácios e tradicionais solares. Do
total de 165 igrejas, as mais notáveis são a catedral (1656); de
Nossa Senhora da Conceição da Praia (1739-1765); a igreja (1708-
1750) e o Convento de São Francisco (1587), Possui uma riqueza
de talha dourada e azulejaria portuguesa, a igreja da Ordem Terceira
de São Francisco (1703) e a igreja do Senhor do Bonfim (1745-
1754).[295]
Igreja Nosso Senhor do Bonfim, em
Entre as muitas fortalezas, os mais importantes de Salvador são a Salvador.
fortaleza e farol de Santo Antônio da Barra (1598), a de São
Marcelo (século XVII), a do Barbalho ou de Nossa Senhora do
Monte do Carmo (1638) e a de Monte Serrat. Entre os palácios destacam-se o paço arquiepiscopal da Sé, o
do Saldanha e o solar do conde dos Arcos.[295]

Dentre outros monumentos, destacam-se os seguintes: a casa de Gregório de Matos, a casa onde faleceu
Castro Alves (Colégio Ipiranga), o Solar do Unhão, o paço municipal, Solar Marbak, do Berquó, a terra
natal de Ana Néri (Cachoeira), Castelo Garcia D’ Ávila (Mata de São João), Santa Casa, local de
nascimento de Teixeira de Freitas (Cachoeira).[295]

Feriados e festividades
Na Bahia, ocorrem várias festas durante o ano todo. As principais
são a Lavagem do Senhor de Bonfim, o Carnaval da Bahia e as
diversas micaretas que ocorrem no ano todo sendo este evento
momesco fora de época uma criação baiana. Há também a Festa
junina São João com destaque para a cidade de Cruz das Almas
(onde acontece a tradicional guerra de espadas) e Irecê que todos os
anos trazem grandes atrações da música brasileira.[296] Ainda tem a
tradicional Vaquejada de Serrinha, que acontece sempre junto ao Vaquejada de Serrinha em 2009
feriado de 7 de setembro.[297] Em Salvador, acontece sempre, no
começo do ano, o Festival de Verão de Salvador.[298] Em Vitória da
Conquista, durante o inverno, acontece o Festival de Inverno Bahia.[299]
Tendo como sua principal característica moderna o trio elétrico, o
Carnaval da Bahia teve seu incremento a partir desta invenção de
Dodô e Osmar. O negro reconquista sua identidade e ganha força
nos Filhos de Gandhi, o Olodum, e blocos como o Ilê Aiyê, que
une música ao trabalho social. O Carnaval de Salvador, considerado
o maior carnaval de rua do mundo, atrai anualmente 2 milhões de
foliões em seis dias de festa.[300] Durante o período do carnaval de
Salvador, dezenas dos cantores mais famosos do Brasil desfilam nos
Bloco da Capoeira, Circuito Campo
trios elétricos, como Ivete Sangalo, Daniela Mercury e muitos
Grande 2008
outros. Mas também há as festas de momo no interior, com destaque
para Barreiras, Canavieiras, Palmeiras e Porto Seguro.[301]

O Carnaval de Salvador constitui a principal festividade da capital, trazendo anualmente muitos turistas de
todo o Brasil e do estrangeiro. Entre as festas mais populares estão Santa Bárbara ( de dezembro),
Conceição da Praia (8 de dezembro), Santa Luzia (13 de dezembro), dos Santos Reis (de 5 a 6 de janeiro),
Iemanjá (2 de fevereiro), Divino Espírito Santo (de segunda a domingo após a Assunção), todas em
Salvador. E também as festas de Nossa Senhora de Santana (18 de janeiro a 3 de fevereiro), em Feira de
Santana, e Nossa Senhora da Vitória (15 de agosto), em Ilhéus.[295]

As mais importantes procissões são Senhor Bom Jesus dos Navegantes (1.º de janeiro), Senhor dos Passos
(segunda sexta-feira da Quaresma) e Nossa Senhora do Monte Serrat (2 de setembro). Outras festas
importantes são a lavagem do Bonfim (quinta-feira antes do segundo domingo após a Epifania), sábado e
domingo do Bonfim, segunda-feira da Ribeira (após domingo do Bonfim), quadrilha do Rio Vermelho (dois
domingos antes da festa mais popular do país), Carnaval e Dois de Julho (dia da Independência). As
expressões folclóricas do município são abundantes e diversificadas, incluindo candomblé, capoeira e
ritmos populares.[295]

No interior do estado também existem determinados pontos turísticos, como a cidade histórica de
Cachoeira, o parque nacional de Paulo Afonso com seu salto e a hidrelétrica de mesmo nome, a estância
hidromineral de Cipó e, na costa, parque nacional do Monte Pascoal. Também na costa, todas as praias da
Costa do Descobrimento se destacam.[295]

Feriados estaduais
Data Nome Observações

2 de julho Independência da Bahia Em comemoração ao fato histórico ocorrido nesta data.

Literatura
Escritores baianos possuem relevância histórica ao aparecerem como representantes maiores do Barroco no
Brasil: Gregório de Matos, Botelho de Oliveira e Frei Itaparica. Na Bahia, apareceram, também, as
primeiras academias literárias no país: a Academia dos Esquecidos (1724-1725) e a Academia Brasílica dos
Renascidos (1759). Cabe salientar que, na época, havia os cronistas-mor nomeados pelo rei de Portugal e
que as academias eram tidas como seguidoras da moda das academias em Portugal[302] mas também
representariam algum tipo de sentimento nativista do meio intelectual, já bastante desenvolvido em território
baiano.
No período mais recente, temos uma Bahia pródiga de autores
imortais, como Castro Alves, Adonias Filho, Jorge Amado, e João
Ubaldo Ribeiro. Os dois últimos são autores excepcionais, de
literatura fácil e rica de detalhes sobre a Bahia. São, ao mesmo tempo,
radiografias da vida no estado. No entanto, ao se falar em romances, a
"produção" está reduzida, restringe-se a pequenos versos e passagens
que remontam o estilo medieval e a famosos romances, como o
Gabriela, Cravo e Canela, de Jorge Amado, publicado em 1958. A
obra é um retorno ao ciclo do cacau, entrando no universo de
coronéis, jagunços e prostitutas que desenham o horizonte da
sociedade cacaueira da época.[286]

Na década de 1920, na então rica e pacata Ilhéus, ansiando por Castro Alves
progressos, com intensa vida noturna litorânea, entre bares e bordéis,
desenrola-se o drama, que acaba por tornar-se uma explosão de folia e
luz, cor, som, sexo e riso.[286] Paralelamente, a literatura de cordel persiste principalmente no sertão, onde
violeiros transmitem a tradição cordelista por meio de sua cantoria.[286]

Cinema
O cinema na Bahia é promovido e incentivado pela Diretoria de Artes Visuais e Multimeios (DIMAS), além
da Associação Baiana de Cinema e Vídeo (ABCV / ABD-BA), membro da Associação Brasileira de
Documentaristas e Curta-metragistas.

Na Bahia, ocorrem vários festivais e encontros de cinema e


cineclubismo, entre eles: Bahia Afro Film Festival, em
Salvador;[303] Encontro Baiano de Animação, em Salvador.[304]
Feira Mostra Filmes, em Feira de Santana;[305] Festival
Brasilidades, em Feira de Santana;[306] Festival Nacional de Vídeo
— A Imagem em 5 Minutos, em Salvador;[307] FIM! — Festival da
Imagem em Movimento, em Salvador;[307] Jornada Internacional
de Cinema da Bahia, em Salvador;[307] Mostra Cinema Conquista,
Anúncio da XXXIV Jornada em Vitória da Conquista;[308] Seminário Internacional de Cinema e
Internacional de Cinema da Bahia Audiovisual, em Salvador; e Vale Curtas — Festival Nacional de
Curtas-Metragens do Vale do São Francisco, em Juazeiro e
Petrolina.[309]

Também há várias produções cinematográficas nacionais que possuem como tema a Bahia ou algo a ela
relacionado, a exemplo de Cidade Baixa e Ó Paí, Ó. O estado também é berço de grandes nomes do
cinema nacional, como os atores Lázaro Ramos, Wagner Moura, Luís Miranda, Priscila Fantin, Fábio Lago,
João Miguel, Othon Bastos, Antonio Pitanga (pai dos também atores Rocco e Camila Pitanga) e Emanuelle
Araújo e os cineastas Glauber Rocha e Roberto Pires. A TVE Bahia exibe às sextas-feiras, a sessão de
filmes Sextas Baianas.[310] E a DIMAS exibe a sessão Quartas Baianas, especialmente dedicada ao
resgate e à valorização da produção local, com entrada franca, na Sala Walter da Silveira, às quartas-feiras,
às 8h da noite.[311]

Música
A considerada primeira música e álbum gravado no Brasil, Isto É
Bom é uma canção escrita por Xisto Bahia e lançada pelo cantor
Baiano em 1902, pela Casa Edison utilizando o selo
Zonophone.[312] Esta canção é considerada marco inicial das
gravações fonográficas no Brasil pela maioria dos pesquisadores da
história da música popular brasileira.[313][314] Nas últimas décadas,
a Bahia tem sido um verdadeiro celeiro musical. Surgiram muitos
artistas (músicos, instrumentistas, cantores, compositores e Integrantes do Olodum nas ruas do
intérpretes) de grande influência no cenário musical nacional e Centro Histórico de Salvador, 2010.
internacional. Tendo a maior cidade das Américas durante muitos
séculos, sua capital foi local dos nascimentos, a partir da influência
africana, do samba de roda, seu filho samba, o lundu e outros tantos ritmos, movidos por atabaques,
berimbaus, marimbas — espalhando-se pelo resto do Brasil, e ganhando o mundo.[315]

Na Bahia nasceram expoentes brasileiros do samba, do pagode, do tropicalismo, do rock brasileiro, da


bossa nova, axé e samba-reggae. Alguns dos principais nomes são Dorival Caymmi, João Gilberto, Astrud
Gilberto, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Gal Costa, Maria Bethânia, Tom Zé, Novos Baianos, Raul Seixas,
Marcelo Nova (do Camisa de Vênus), Luiz Caldas, Bira (do Sexteto do Jô), Carlinhos Brown, Daniela
Mercury, Margareth Menezes, Edson Gomes, Ivete Sangalo, Dinho (do Mamonas Assassinas, Pitty etc.[315]

Esportes
No estado nasceram os medalhistas olímpicos Robson Conceição,[316] Hebert Conceição,[317] Beatriz
Ferreira[318] e Adriana Araújo[319] no boxe; Isaquias Queiroz[320] e Erlon Silva[321] no canoísmo; Ana
Marcela Cunha[322] na maratona aquática; Edvaldo Valério[323] na natação,; Nilton Oliveira[324] no
basquete; e Ricardo no vôlei de praia.[325] Também são oriundos do estado: o campeão mundial de boxe
Acelino Popó Freitas,[326] medalhistas em Mundiais como Allan do Carmo[327] na maratona aquática;
Breno Correia[328] na natação; e o campeão da Indy Tony Kanaan no automobilismo.[329]

As competições de futebol na Bahia são regidas pela Federação


Bahiana de Futebol (FBF), fundada em 1903. A sua principal
competição profissional é o Campeonato Baiano de Futebol, o mais
antigo do Nordeste e segundo mais antigo do Brasil, disputado
desde 1905. Além disso, a Federação patrocina anualmente o
Campeonato Baiano Intermunicipal de Futebol, entre as diversas
associações de futebol dos municípios baianos. Os maiores clubes
de futebol da Bahia e reconhecidos nacionalmente são o Bahia e o
Arena Fonte Nova, em Salvador
Vitória, ambos de Salvador. O Bahia, maior vencedor da história do
Campeonato Baiano, campeão brasileiro em 1959 e 1988, um dos
fundadores do Clube dos 13, e atualmente, disputa a Série A do Campeonato Brasileiro. No cenário
nacional, há muito tempo está restrito aos dois clubes da capital. Nas séries do Campeonato Brasileiro de
Futebol, ultimamente, os outros clubes baianos só participam devido a vagas asseguradas ao estado pelo
regulamento da competição.[330]

Ver também
Lista de municípios da Bahia
Por área total
Por área urbanizada
Por população
Dialeto baiano
Capitania da Bahia
Capitania de Ilhéus
Capitania de Porto Seguro

Notas

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Dom João ao conde da Ponte, governador da capitania da Bahia, João de Saldanha da
Gama Melo Torres Guedes Brito, na qual ordena a abertura dos portos do Brasil a todas as
mercadorias transportadas por navios de seus vassalos e de estrangeiros de nações
amigas. Foi estabelecido o pagamento de direitos por entrada de 24%, com exceção dos
vinhos, aguardentes e azeites doces, que deveriam pagar o dobro dos "direitos" até então
pagos, além de liberar, aos mesmos navios, a exportação de mercadorias coloniais, a
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