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Legislação sobre Drogas e Polícia Militar

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ACADEMIA DE POLÍCIA MILITAR

ESCOLA DE FORMAÇÃO E APERFEIÇOAMENTO DE


SARGENTOS

LEGISLAÇÃO APLICADA À ATIVIDADE POLICIAL


Coordenação: 1º Ten Augusto
Colaboração: 1º Ten Rocha Júnior
Colaboração: 1º Ten Queiroga
LEGISLAÇÃO APLICADA
À ATIVIDADE POLICIAL
LEI D E DR O G A S
L E I Nº 11.343, D E 2 0 0 6
A NOVA LEI DE DROGAS
Institui o Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas -
Sisnad; prescreve medidas para prevenção do uso indevido, atenção e
reinserção social de usuários e dependentes de drogas; estabelece
normas para repressão à produção não autorizada e ao tráfico ilícito de
drogas; define crimes e dá outras providências.

Outros destaques dessa lei: 1) previsão de crime específico para a


cessão de pequena quantia de droga para consumo conjunto (art. 33,
§3º, da Lei 11343/06); 2) criação da figura do tráfico privilegiado (art.33,
§4º, da Lei 11343/06); 3) tipificação do delito de financiamento ao tráfico
(art. 36 da Lei 11343/06); 4) regulamentação do novo rito processual.
Podemos notar que a lei de drogas 11.434 de 2006 pode ser
dividida em duas partes, sendo elas:

1) Assuntos de política criminal (art.1º/27 da Lei 11.343/06);

2) temas criminal e processual penal (art. 28 e seguintes da Lei 11343/06).


Nessa nova legislação, a expressão “entorpecente” da antiga Lei
6368/76 passa a ter o nome de “droga” (Lei 11343/06).

Consideram-se como drogas as substâncias ou os produtos capazes de


causar dependência, assim especificados em lei ou relacionados em listas
atualizadas periodicamente pelo Poder Executivo da União (art. 1º,
parágrafo único, da Lei 11343/06).

Conforme a Portaria de nº344/98 da ANVISA, drogas são substâncias que


contém dois requisitos cumulativos, sendo eles:
1) Capazes de causar dependência;
2) listados como drogas em lei ou em lista atualizada
periodicamente pelo Poder Executivo da União.
É importante ressaltar que o art. 2º, caput, da Lei 11343/06 não autoriza, por si só,
o cultivo de plantio de uso ritualístico. O plantio dessas plantas necessitará de
autorização legal ou regulamentar, conforme o art. 31 da Lei 11343/06.

Compete à União Federal, por meio da ANVISA, autorizar o plantio, a cultura e a


colheita dos vegetais para fins medicinais e científicos. Caso seja constatado desvio
de finalidade, estará sujeito a responsabilização na esfera penal.
DOS CRIMES E DAS PENAS

Art. 27. As penas previstas neste Capítulo poderão ser aplicadas isolada ou
cumulativamente, bem como substituídas a qualquer tempo, ouvidos o Ministério
Público e o defensor.

A grande diferença dos delitos descritos neste capítulo para os demais previstos
em nossa legislação penal é que não há cominação de pena privativa de liberdade,
vedada, aliás, qualquer forma de prisão, seja provisória ou definitiva. Entendeu o
legislador que ao usuário de drogas deve ser imposta outra modalidade de pena
que substitua a privação de liberdade.
DOS CRIMES E DAS PENAS

Art. 27. As penas previstas neste Capítulo poderão ser aplicadas isolada ou
cumulativamente, bem como substituídas a qualquer tempo, ouvidos o Ministério
Público e o defensor.

Art. 28. Quem adquirir, guardar, tiver em depósito, transportar ou trouxer consigo, para
consumo pessoal, drogas sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou
regulamentar será submetido às seguintes penas:

I.- advertência sobre os efeitos das drogas;


II.- prestação de serviços à comunidade;
III.- medida educativa de comparecimento a programa ou curso educativo.
§ 1º Às mesmas medidas submete-se quem, para seu consumo pessoal, semeia,
cultiva ou colhe plantas destinadas à preparação de pequena quantidade de
substância ou produto capaz de causar dependência física ou psíquica.
§ 2º Para determinar se a droga destinava-se a consumo pessoal, o juiz atenderá à
natureza e à quantidade da substância apreendida, ao local e às condições em
que se desenvolveu a ação, às circunstâncias sociais e pessoais, bem como à
conduta e aos antecedentes do agente.
§ 3º As penas previstas nos incisos II e III do caput deste artigo serão aplicadas
pelo prazo máximo de 5 (cinco) meses.
§ 4º Em caso de reincidência, as penas previstas nos incisos II e III do caput
deste artigo serão aplicadas pelo prazo máximo de 10 (dez) meses.
§ 5º A prestação de serviços à comunidade será cumprida em programas comunitários,
entidades educacionais ou assistenciais, hospitais, estabelecimentos congêneres, públicos ou
privados sem fins lucrativos, que se ocupem, preferencialmente, da prevenção do consumo ou
da recuperação de usuários e dependentes de drogas.
§ 6º Para garantia do cumprimento das medidas educativas a que se refere o caput,
nos incisos I, II e III, a que injustificadamente se recuse o agente, poderá o juiz
submetê-lo, sucessivamente a:
I.- admoestação verbal;
II.- multa.
§ 7º O juiz determinará ao Poder Público que coloque à disposição do infrator, gratuitamente,
estabelecimento de saúde, preferencialmente ambulatorial, para tratamento especializado.
Qual a diferença entre despenalização, descriminalização e legalização?

Na despenalização o fato continua sendo infração penal, porém com penas


diversas da privativa de liberdade, o fato permanece como sanção penal, porém
não há previsão de pena privativa de liberdade. Alguns autores entendem que o
nome mais adequado seria descarcerização, tendo em vista que o objetivo é não
recolher a prisão quem tal delito pratica. Na descriminalização o fato deixa de ser
criminal. Observe que tanto na despenalização como na descarcerização a
conduta continua sendo uma infração, ou seja, uma violação à ordem jurídica. Na
legalização o fato passa a ser considerado lícito, em consonância com a ordem
jurídica. Vale dizer, na legalização a conduta não encontra correspondência com
qualquer infração (penal ou civil), ou melhor, a conduta está em conformidade
com o ordenamento jurídico.
Recurso Extraordinário nº 635.659 (tema 506)
Link do Julgado: [Link]

“Por maioria (6X5), o STF definiu que o porte de maconha para consumo pessoal
não é crime e deve ser considerado uma infração administrativa, sem
consequências penais, como registro na ficha criminal, por exemplo. As sanções,
nesse caso, seriam advertência sobre os efeitos das drogas e comparecimento a
programa ou curso educativo.” (STF. Plenário, RE635.659 de 26/06/2024,
[Link]. Gilmar Mendes- Repercussão geral).

Ressalta-se que não houve alteração no texto da lei, mas pelo entendimento dos
ministros, se tratando de maconha, houve o afastamento do caráter criminal da
norma, o que não ocorreu para o consumo de outras substância ilícita.
Se uma pessoa for flagrada usando maconha, a droga será apreendida. As medidas
de advertência e comparecimento a programa ou curso educativo, previstas no art. 28
da Lei de Drogas, continuarão a ser aplicadas como sanções administrativas, sem
produzir efeitos penais. Por exemplo: a pessoa que for pega usando maconha não
terá registro na ficha criminal.

Como a Lei de Drogas não definiu a quantidade de maconha que caracteriza


consumo pessoal, atualmente, a Polícia, o Ministério Público e o Poder Judiciário
avaliam em cada caso se os acusados devem ser considerados usuários ou
traficantes.

o STF definiu um critério claro e objetivo: como regra geral, quem estiver com até 40
gramas de cannabis sativa e de seis plantas fêmeas deve ser considerado usuário.
Essa regra valerá até que o Congresso Nacional crie uma nova lei sobre o assunto.
Esse critério não é absoluto, mas uma presunção relativa que pode ser afastada se
ficar provado que a droga não seria usada para consumo próprio. Por exemplo: se
uma pessoa for encontrada pela polícia com menos de 40 gramas de maconha, mas
estiver com embalagens, balanças ou registros de venda, poderá ser presa em
flagrante por tráfico.

Tese de julgamento:

1. Não comete infração penal quem adquirir, guardar, tiver em depósito, transportar ou
trouxer consigo, para consumo pessoal, a substância cannabis sativa, sem prejuízo do
reconhecimento da ilicitude extrapenal da conduta, com apreensão da droga e
aplicação de sanções de advertência sobre os efeitos dela (art. 28, I) e medida
educativa de comparecimento a programa ou curso educativo (art. 28, III).
2. As sanções estabelecidas nos incisos I e III do art. 28 da Lei 11.343/06 serão
aplicadas pelo juiz em procedimento de natureza não penal, sem nenhuma
repercussão criminal para a conduta.

3. Se tratando da posse de cannabis para consumo pessoal, a autoridade policial


apreenderá a substância e notificará o autor do fato para comparecer em Juízo, na
forma do regulamento a ser aprovado pelo CNJ. Até que o CNJ delibere a respeito, a
competência para julgar as condutas do art. 28 da Lei 11.343/06 será dos Juizados
Especiais Criminais, segundo a sistemática atual, vedada a atribuição de quaisquer
efeitos penais para a sentença.
4. Nos termos do §2º do artigo 28 da Lei 11.343/06, será presumido usuário quem,
para consumo próprio, adquirir, guardar, tiver em depósito, transportar ou trouxer
consigo, até 40 gramas de cannabis sativa ou seis plantas- fêmeas, até que o
Congresso Nacional venha a legislar a respeito.

5. A presunção do item anterior é relativa, não estando a autoridade policial e seus


agentes impedidos de realizar a prisão em flagrante por tráfico de drogas, mesmo para
quantidades inferiores
Memorando nº 30.070.2/2024-EMPM

A Polícia Militar de Minas Gerais buscando padronizar a atuação de seus militares, no


dia 12 de julho de 2024 publicou o referindo memorando, o qual aduz sobre os
procedimentos policiais decorrentes da descriminalização do porte de Cannabis sativa
(maconha) para consumo pessoal decorrente de decisão do STF.

Além disso, anexo ao memorando está previsto o POP n° [Link] - Procedimentos


policiais decorrentes da descriminalização do porte de Cannabis sativa (maconha)
para consumo pessoal, o qual iremos tratar a seguir.
Memorando nº 30.070.2/2024-EMPM – Informações Gerais

5.1 O STF, por meio da decisão exarada no Recurso Extraordinário (RE) nº 635659, deliberou
pela descriminalização do porte de Cannabis sativa (maconha) para consumo pessoal.

5.2 O porte para consumo pessoal passou a ser presumido quando a quantidade de maconha
encontrada não superar 40 gramas ou 6 plantas fêmeas de Cannabis sativa (maconha), bem
como deixou de ser crime e passou a constituir um ilícito administrativo. Assim, em todas as
hipóteses, a substância identificada deverá ser apreendida.

5.3 Mantém-se a possibilidade de prisão em flagrante pelo crime de tráfico de drogas, mesmo
para quantidades inferiores ao limite de 40 gramas ou 6 plantas fêmeas de Cannabis sativa
(maconha), bastando a presença de elementos indicativos de traficância e ressalta-se que os
procedimentos operacionais permanecem os mesmos.
Memorando nº 30.070.2/2024-EMPM – Informações Gerais

5.4 São exemplos de condutas que podem indicar o cometimento do delito de tráfico de drogas:
variedade das substâncias apreendidas, presença de instrumentos como balança de precisão,
registros documentados de operações comerciais (cadernos de anotações do tráfico), filmagens
de venda para usuários, circunstâncias da apreensão, forma de acondicionamento da droga,
dentre outros. Todas as circunstâncias devem ser justificadas e descritas no histórico do Boletim
de Ocorrência (BO).

5.5 A pesagem da droga e a diferenciação entre plantas fêmeas e/ou macho de Cannabis sativa
(maconha) não é imprescindível para o cumprimento da decisão do STF, na medida em que a
presença ou não dos elementos configuradores do delito de tráfico de drogas é que definirá a
natureza da ocorrência.
Memorando nº 30.070.2/2024-EMPM – Informações Gerais

5.6 Caso sejam apreendidas 7 ou mais plantas de Cannabis sativa (maconha), o encerramento
do registro policial ocorrerá na Delegacia de Polícia Civil com atribuições para recebimento,
adotando-se, em regra, as providências previstas na Diretriz Integrada de Ações e Operações
(DIAO) para o delito de tráfico de drogas.

5.7 Os procedimentos policiais previstos para a natureza “I 04.028” (uso e consumo de drogas)
decorrentes do art. 28 da Lei nº 11.343/06 permanecerão em uso para as demais drogas ilícitas,
uma vez que o dispositivo legal continua vigente no Brasil. Nesse caso, a PMMG continuará
lavrando o Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO).
Memorando nº 30.070.2/2024-EMPM – Informações Gerais

5.8 A busca pessoal deverá observar o art. 244 do Código de Processo Penal (CPP), justificando-
se com base em circunstâncias prévias e objetivas do caso concreto, que indiquem a fundada
suspeita de posse de arma proibida, objetos ou papéis que constituam corpo de delito, já
previstos no POP nº [Link]/2022 – Fundada suspeita em abordagens, busca pessoal, veicular
e domiciliar.

5.9 O abordado deverá ser notificado a comparecer em juízo. Esta medida deverá ser constada
expressamente no histórico do BO.

5.10 A operacionalização da rotina da agenda do Juizado Especial Criminal (JECrim) seguirá a


tratativa definida entre o Comando das Unidades/Frações e o Juiz de Direito da respectiva
comarca, nos termos do artigo 22 da Resolução nº 4.745/18.
Memorando nº 30.070.2/2024-EMPM – Procedimentos Específicos

6.1 Porte de Cannabis sativa (maconha) para consumo pessoal (40 gramas ou até 6
plantas) com autores adultos

6.1.1 Identificar se o material se trata de substância análoga à maconha;


6.1.2 Apreender a substância;
6.1.3 Lavrar o BO com a natureza I 99.000 (outros tipos de infrações referentes a substâncias
entorpecentes ou que determinem dependência) até que seja criada natureza específica para
essa finalidade. É vedada a lavratura de TCO.
6.1.4 Destinar o BO ao JECrim;
6.1.5 Notificar o abordado para comparecimento em juízo, conforme procedimento de
agendamento estabelecido em tratativas com as comarcas locais;
Memorando nº 30.070.2/2024-EMPM – Procedimentos Específicos

6.1.6 Liberar o abordado;


6.1.7 Encaminhar a substância juntamente com demais materiais apreendidos e BO à Central de
Registro de Eventos de Defesa Social -Termo Circunstanciado (CREDS-TC), conforme prática
prevista na Resolução nº 4.745/18.

6.2 Porte de Cannabis sativa (maconha) para consumo pessoal (40 gramas ou até 6
plantas) com infratores adolescentes

6.2.1 Identificar se o material se trata de substância análoga à maconha;


6.2.2 Apreender a substância;
6.2.3 Envidar esforços para localização dos pais/responsáveis legais, qualificando-os no campo
“envolvidos” do BO;
Memorando nº 30.070.2/2024-EMPM – Procedimentos Específicos

6.2.4 Lavrar o BO com a natureza I 99.000, (outros tipos de infrações referentes a substâncias
entorpecentes ou que determinem dependência) até que seja criada natureza específica para
essa finalidade. É vedada a lavratura de TCO;
6.2.5 Destinar o BO para o Ministério Público (MP) com atribuições para oficiar perante a Vara da
Infância e Juventude;
6.2.6 Liberar o adolescente aos pais/responsáveis legais, constando tal situação no histórico do
BO. Nos casos em que os pais/responsáveis legais não forem conhecidos ou localizados, o
adolescente deverá ser entregue ao Conselho Tutelar local para eventual aplicação da medida
protetiva pertinente;
6.2.7 Encaminhar a substância, demais materiais apreendidos e BO à CREDS-TC, conforme
prática prevista na Resolução nº 4.745/18;
6.2.8 Encaminhar, via CREDS-TC, cópia do BO ao Conselho Tutelar.
Memorando nº 30.070.2/2024-EMPM – Procedimentos Específicos

6.3 Porte de até 40 gramas ou até 6 plantas de Cannabis sativa (maconha) juntamente com
outras drogas, para consumo pessoal, com autores adultos

6.3.1 Identificar se o material se trata de substância análoga à maconha e outras drogas;


6.3.2 Apreender as substâncias e especificar em campo próprio no REDS-TC;
6.3.3 Lavrar o TCO com o registro do REDS-TC, adotando os procedimentos descritos na
Resolução nº 4.745/2018;
6.3.4 Utilizar como natureza principal I 04.028 (DIAO) em razão do porte de substância análoga à
droga (diversa da maconha) para consumo pessoal e inserir como natureza secundária I 99.000,
descrevendo todo o material apreendido;
6.3.5 Destinar o REDS-TC ao JECrim;
Memorando nº 30.070.2/2024-EMPM – Procedimentos Específicos

6.3.6 Liberar o abordado;


6.3.7 Encaminhar as substâncias, demais materiais apreendidos e o REDS-TC à CREDS-TC,
conforme prática prevista na Resolução nº 4.745/18.
6.4 Porte de até 40 gramas ou até 6 plantas de Cannabis sativa (maconha) juntamente com
outras drogas, para consumo pessoal, com infratores adolescentes

6.4.1 Identificar se o material se trata de substância análoga à maconha e outras drogas;


6.4.2 Apreender as substâncias e especificar em campo próprio no REDS-TC;
6.4.3 Envidar esforços para localização dos pais/responsáveis legais, qualificando-os no campo
“envolvidos” do BO;
Memorando nº 30.070.2/2024-EMPM – Procedimentos Específicos

6.4.4 Registrar o BO e utilizar como natureza principal I 04.028 (DIAO), em razão do porte de
substância análoga à droga (diversa da maconha) para consumo pessoal. Inserir como natureza
secundária I 99.000, descrevendo todo o material apreendido;
6.4.5 Destinar o BO para a Delegacia de Polícia Civil com atribuições para recebimento;
6.4.6 Apresentar o adolescente e as substâncias apreendidas, encerrando a ocorrência na
Delegacia de Polícia Civil com atribuições para recebimento.

6.5 Porte de substância análoga a drogas para consumo pessoal envolvendo crianças (até
12 anos incompletos)

6.5.1 Identificar se o material se trata de substância análoga à maconha ou outras drogas;


6.5.2 Apreender a substância;
Memorando nº 30.070.2/2024-EMPM – Procedimentos Específicos

6.5.3 Envidar esforços para localização dos pais/responsáveis legais, qualificando-os no campo
“envolvidos” do BO;
6.5.4 Lavrar o BO com a natureza correspondente ao fato. É vedada a lavratura de TCO;
6.5.5 Destinar o BO para o MP com atribuições para oficiar perante a Vara da Infância e
Juventude;
6.5.6 Liberar a criança aos pais/responsáveis legais, constando tal situação no histórico do BO.
Nos casos em que os pais/responsáveis legais não forem conhecidos ou localizados, a criança
deverá ser entregue ao Conselho Tutelar local para eventual aplicação da medida protetiva
pertinente;
6.5.7 Encaminhar a substância, demais materiais apreendidos e BO à CREDS-TC, conforme
prática prevista na Resolução nº 4.745/18;
6.5.8 Encaminhar, via CREDS-TC, cópia do BO ao Conselho Tutelar.
Memorando nº 30.070.2/2024-EMPM – Procedimentos Específicos

6.6 Porte de substância análoga a drogas para consumo pessoal envolvendo crianças,
adolescentes e adultos no mesmo contexto fático

6.6.1 Em se tratando de porte de Cannabis sativa (maconha) para consumo pessoal, envolvendo
adolescentes e adultos no mesmo contexto fático, deverão ser adotados os procedimentos
previstos no item 6.1 para adultos e 6.2 para adolescentes.
6.6.2 Caso, além da Cannabis sativa (maconha), existam outras drogas em situação de porte
para consumo pessoal, envolvendo crianças, adolescentes e adultos, a ocorrência será
encerrada na Delegacia de Polícia Civil com atribuições para o recebimento, considerando a
existência do crime do art. 244-B (Corrupção de menor) do Estatuto da criança e adolescente
(ECA), observando-se as disposições contidas na DIAO.
DA REPRESSÃO À PRODUÇÃO NÃO AUTORIZADA E AO TRÁFICO ILÍCITO DE DROGAS
Art. 31. É indispensável a licença prévia da autoridade competente para produzir, extrair, fabricar,
transformar, preparar, possuir, manter em depósito, importar, exportar, reexportar, remeter,
transportar, expor, oferecer, vender, comprar, trocar, ceder ou adquirir, para qualquer fim, drogas
ou matéria-prima destinada à sua preparação, observadas as demais exigências legais.
Art. 32. As plantações ilícitas serão imediatamente destruídas pelo delegado de polícia na forma
do art. 50-A, que recolherá quantidade suficiente para exame pericial, de tudo lavrando auto de
levantamento das condições encontradas, com a delimitação do local, asseguradas as medidas
necessárias para a preservação da prova.
§§ 1º e 2º revogados
§ 3º Em caso de ser utilizada a queimada para destruir a plantação, observar-se-á, além das cautelas
necessárias à proteção ao meio ambiente, o disposto no Decreto nº 2.661, de 8 de julho de 1998, no
que couber, dispensada a autorização prévia do órgão próprio do Sistema Nacional do Meio Ambiente
- Sisnama.
§ 4º As glebas cultivadas com plantações ilícitas serão expropriadas, conforme o disposto no art. 243
da Constituição Federal, de acordo com a legislação em vigor.
Art. 33. Importar, exportar, remeter, preparar, produzir, fabricar, adquirir, vender,
expor à venda, oferecer, ter em depósito, transportar, trazer consigo, guardar,
prescrever, ministrar, entregar a consumo ou fornecer drogas, ainda que
gratuitamente, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou
regulamentar:
Pena - reclusão de 5 (cinco) a 15 (quinze) anos e pagamento de 500 (quinhentos) a
1.500 (mil e quinhentos) dias-multa.
§ 1º Nas mesmas penas incorre quem:
I. - importa, exporta, remete, produz, fabrica, adquire, vende, expõe à venda, oferece, fornece, tem
em depósito, transporta, traz consigo ou guarda, ainda que gratuitamente, sem autorização ou em
desacordo com determinação legal ou regulamentar, matéria-prima, insumo ou produto químico
destinado à preparação de drogas;
II. - semeia, cultiva ou faz a colheita, sem autorização ou em desacordo com determinação legal
ou regulamentar, de plantas que se constituam em matéria-prima para a preparação de drogas;
III.- utiliza local ou bem de qualquer natureza de que tem a propriedade, posse, administração, guarda
ou vigilância, ou consente que outrem dele se utilize, ainda que gratuitamente, sem autorização ou
em desacordo com determinação legal ou regulamentar, para o tráfico ilícito de drogas.
IV. - vende ou entrega drogas ou matéria-prima, insumo ou produto químico destinado à preparação
de drogas, sem autorização ou em desacordo com a determinação legal ou regulamentar, a agente
policial disfarçado, quando presentes elementos probatórios razoáveis de conduta criminal
preexistente. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
§ 2º Induzir, instigar ou auxiliar alguém ao uso indevido de droga:
Pena - detenção, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa de 100 (cem) a 300 (trezentos) dias-multa.
§ 3º Oferecer droga, eventualmente e sem objetivo de lucro, a pessoa de seu relacionamento, para
juntos a consumirem:
Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 1 (um) ano, e pagamento de 700 (setecentos) a 1.500 (mil
e quinhentos) dias-multa, sem prejuízo das penas previstas no art. 28.

OBS: Esse crime não é equiparado a hediondo. Portanto, não sofre as restrições do art. 44 da Lei de
Drogas. Segundo o Professor Ivan Luís Marques da Silva e Vitor De Luca (2022), a finalidade desse
tipo penal é incriminar quem tem uma pequena quantidade de substância entorpecente e a oferece
para pessoa de seu relacionamento (irmão, namorada, amigo, etc.) para consumo conjunto. A
pessoa a quem é oferecida a substância entorpecente não responde pelo delito do art. 33, §3º, da
Lei de Drogas, porém poderá ser punida pela prática delitiva de porte de entorpecente (art. 28 da Lei
de Drogas).

§ 4º Nos delitos definidos no caput e no § 1º deste artigo, as penas poderão ser reduzidas de um
sexto a dois terços, desde que o agente seja primário, de bons antecedentes, não se dedique às
atividades criminosas nem integre organização criminosa.

OBS: Trata-se de Tráfico Privilegiado, essa redução da pena é destinada ao traficante eventual,
que praticou tráfico de drogas de maneira isolada, sendo ainda primário e de bons antecedentes.
Art. 34. Fabricar, adquirir, utilizar, transportar, oferecer, vender, distribuir, entregar a qualquer título,
possuir, guardar ou fornecer, ainda que gratuitamente, maquinário, aparelho, instrumento ou qualquer
objeto destinado à fabricação, preparação, produção ou transformação de drogas, sem autorização ou
em desacordo com determinação legal ou regulamentar:
Pena - reclusão, de 3 (três) a 10 (dez) anos, e pagamento de 1.200 (mil e duzentos) a 2.000 (dois mil)
dias-multa.
Art. 35. Associarem-se duas ou mais pessoas para o fim de praticar, reiteradamente ou não,
qualquer dos crimes previstos nos arts. 33, caput e § 1º , e 34 desta Lei:
Pena - reclusão, de 3 (três) a 10 (dez) anos, e pagamento de 700 (setecentos) a 1.200 (mil e duzentos)
dias-multa.
Parágrafo único.
Nas mesmas penas do caput deste artigo incorre quem se associa para a prática reiterada do
crime definido no art. 36 desta Lei.

OBS: Para a configuração desse delito é desnecessária a comprovação da materialidade quanto ao


delito de tráfico, sendo desnecessária a apreensão da droga. É indispensável a comprovação da
associação estável e permanente, de duas ou mais pessoas, para a prática da narcotraficância (STJ,
REsp 159820, rel. Min. Maria Thereza Assis de Moura, julgado em 30/06/2016).
Art. 36. Financiar ou custear a prática de qualquer dos crimes previstos nos arts. 33, caput e § 1º , e 34 desta
Lei:
Pena - reclusão, de 8 (oito) a 20 (vinte) anos, e pagamento de 1.500 (mil e quinhentos) a 4.000 (quatro mil)
dias-multa.
Art. 37. Colaborar, como informante, com grupo, organização ou associação destinados à prática de
qualquer dos crimes previstos nos arts. 33, caput e § 1º , e 34 desta Lei:
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos, e pagamento de 300 (trezentos) a 700 (setecentos) dias-multa.
Art. 38. Prescrever ou ministrar, culposamente, drogas, sem que delas necessite o paciente, ou fazê-lo em
doses excessivas ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar:
Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e pagamento de 50 (cinqüenta) a 200 (duzentos) dias-
multa.
Parágrafo único. O juiz comunicará a condenação ao Conselho Federal da categoria profissional a que
pertença o agente.
Art. 39. Conduzir embarcação ou aeronave após o consumo de drogas, expondo a dano potencial
a incolumidade de outrem:
Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 3 (três) anos, além da apreensão do veículo, cassação da
habilitação respectiva ou proibição de obtê-la, pelo mesmo prazo da pena privativa de liberdade
aplicada, e pagamento de 200 (duzentos) a 400 (quatrocentos) dias-multa.
Parágrafo único. As penas de prisão e multa, aplicadas cumulativamente com as demais, serão de 4
(quatro) a 6 (seis) anos e de 400 (quatrocentos) a 600 (seiscentos) dias-multa, se o veículo referido
no caput deste artigo for de transporte coletivo de passageiros.
Art. 40. As penas previstas nos arts. 33 a 37 desta Lei são aumentadas de um sexto a dois terços, se:
I.- a natureza, a procedência da substância ou do produto apreendido e as circunstâncias do fato evidenciarem a
transnacionalidade do delito;
II.- o agente praticar o crime prevalecendo-se de função pública ou no desempenho de missão de educação, poder
familiar, guarda ou vigilância;
III.- a infração tiver sido cometida nas dependências ou imediações de estabelecimentos prisionais, de ensino ou
hospitalares, de sedes de entidades estudantis, sociais, culturais, recreativas, esportivas, ou beneficentes, de
locais de trabalho coletivo, de recintos onde se realizem espetáculos ou diversões de qualquer natureza, de
serviços de tratamento de dependentes de drogas ou de reinserção social, de unidades militares ou policiais ou
em transportes públicos;
IV.- o crime tiver sido praticado com violência, grave ameaça, emprego de arma de fogo, ou qualquer processo de
intimidação difusa ou coletiva;
V.- caracterizado o tráfico entre Estados da Federação ou entre estes e o Distrito Federal;
VI.- sua prática envolver ou visar a atingir criança ou adolescente ou a quem tenha, por qualquer motivo, diminuída
ou suprimida a capacidade de entendimento e determinação;
VII.- o agente financiar ou custear a prática do crime
Art. 41. O indiciado ou acusado que colaborar voluntariamente com a investigação policial e o
processo criminal na identificação dos demais co-autores ou partícipes do crime e na recuperação total
ou parcial do produto do crime, no caso de condenação, terá pena reduzida de um terço a dois terços.
Art. 42. O juiz, na fixação das penas, considerará, com preponderância sobre o previsto no art. 59 do
Código Penal, a natureza e a quantidade da substância ou do produto, a personalidade e a conduta
social do agente.
Art. 43. Na fixação da multa a que se referem os arts. 33 a 39 desta Lei, o juiz, atendendo ao que
dispõe o art. 42 desta Lei, determinará o número de dias-multa, atribuindo a cada um, segundo as
condições econômicas dos acusados, valor não inferior a um trinta avos nem superior a 5 (cinco) vezes
o maior salário-mínimo.
Parágrafo único. As multas, que em caso de concurso de crimes serão impostas sempre
cumulativamente, podem ser aumentadas até o décuplo se, em virtude da situação econômica do
acusado, considerá-las o juiz ineficazes, ainda que aplicadas no máximo.
Art. 44. Os crimes previstos nos arts. 33, caput e § 1º , e 34 a 37 desta Lei são inafiançáveis e insuscetíveis de
sursis, graça, indulto, anistia e liberdade provisória, vedada a conversão de suas penas em restritivas de
direitos. Parágrafo único. Nos crimes previstos no caput deste artigo, dar-se-á o livramento condicional após o
cumprimento de dois terços da pena, vedada sua concessão ao reincidente específico.
Art. 45. É isento de pena o agente que, em razão da dependência, ou sob o efeito, proveniente de caso fortuito
ou força maior, de droga, era, ao tempo da ação ou da omissão, qualquer que tenha sido a infração penal
praticada, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse
entendimento. Parágrafo único. Quando absolver o agente, reconhecendo, por força pericial, que este
apresentava, à época do fato previsto neste artigo, as condições referidas no caput deste artigo, poderá
determinar o juiz, na sentença, o seu encaminhamento para tratamento médico adequado.
Art. 46. As penas podem ser reduzidas de um terço a dois terços se, por força das circunstâncias previstas no art.
45 desta Lei, o agente não possuía, ao tempo da ação ou da omissão, a plena capacidade de entender o caráter
ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento.
Art. 47. Na sentença condenatória, o juiz, com base em avaliação que ateste a necessidade de encaminhamento do
agente para tratamento, realizada por profissional de saúde com competência específica na forma da lei,
determinará que a tal se proceda, observado o disposto no art. 26 desta Lei.
Da Investigação

Art. 50. Ocorrendo prisão em flagrante, a autoridade de polícia judiciária fará, imediatamente, comunicação ao juiz
competente, remetendo-lhe cópia do auto lavrado, do qual será dada vista ao órgão do Ministério Público, em 24
(vinte e quatro) horas.
§ 1º Para efeito da lavratura do auto de prisão em flagrante e estabelecimento da materialidade do delito, é
suficiente o laudo de constatação da natureza e quantidade da droga, firmado por perito oficial ou, na falta deste, por
pessoa idônea.
§ 2º O perito que subscrever o laudo a que se refere o § 1º deste artigo não ficará impedido de participar
da elaboração do laudo definitivo.
§ 3º Recebida cópia do auto de prisão em flagrante, o juiz, no prazo de 10 (dez) dias, certificará a regularidade
formal do laudo de constatação e determinará a destruição das drogas apreendidas, guardando-se amostra
necessária à realização do laudo definitivo. (Incluído pela Lei nº 12.961, de 2014)
Art. 53. Em qualquer fase da persecução criminal relativa aos crimes previstos nesta Lei, são permitidos, além dos
previstos em lei, mediante autorização judicial e ouvido o Ministério Público, os seguintes procedimentos
investigatórios:
I. - a infiltração por agentes de polícia, em tarefas de investigação, constituída pelos órgãos especializados
pertinentes;
II.- a não-atuação policial sobre os portadores de drogas, seus precursores químicos ou outros produtos utilizados
em sua produção, que se encontrem no território brasileiro, com a finalidade de identificar e responsabilizar maior
número de integrantes de operações de tráfico e distribuição, sem prejuízo da ação penal cabível.
Parágrafo único. Na hipótese do inciso II deste artigo, a autorização será concedida desde que sejam conhecidos o
itinerário provável e a identificação dos agentes do delito ou de colaboradores.
§ 6º Provada a origem lícita do bem ou do valor, o juiz decidirá por sua
liberação, exceto no caso de veículo apreendido em transporte de droga
ilícita, cuja destinação observará o disposto nos arts. 61 e 62 desta Lei,
ressalvado o direito de terceiro de boa-fé. (Incluído pela Lei nº 14.322, de
2022)

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