0% acharam este documento útil (0 voto)
23 visualizações7 páginas

Fases do Procedimento Comum no CPC

Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato DOCX, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
23 visualizações7 páginas

Fases do Procedimento Comum no CPC

Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato DOCX, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

O procedimento comum é o que deve ser observado quando não houver rito especial.

É dividido em quatro fases (também denominados de estágios): postulatória,


ordinatória, instrutória e decisória.
O procedimento comum, basicamente, deve observar a seguinte ordem:
• Petição inicial;
• Deferimento da petição inicial e a consequente determinação de citação do réu;
• Audiência, em tese obrigatória, de conciliação ou mediação;
• Possibilidade de o réu apresentar defesa, que pode se materializar em contestação
ou reconvenção (ou em ambas);
• Possibilidade de intimação para apresentação de réplica à contestação ou resposta à
reconvenção;
• Providências preliminares;
• Possibilidade de julgamento antecipado do mérito, seja parcial (decisão
interlocutória) ou total (sentença);
O CPC prevê em seu art. 318, parágrafo único, a aplicação subsidiária do procedimento
comum aos procedimentos especiais (arts. 539 e seguintes) e ao processo de execução
(arts. 771 e seguintes).
O art. 319 do CPC traz os seguintes requisitos da petição inicial:
• Indicação do juízo ou Tribunal;
• Identificação e qualificação das partes;
• Fato e fundamentos jurídicos do pedido;
• Pedido com as suas especificações;
• Valor da causa;
• Provas com que o autor pretende demonstrar a verdade dos fatos alegados;
• Opção do autor pela realização ou não de audiência de conciliação ou de mediação.
Petição inicial não preenche tais requisitos ou que apresenta defeitos e irregularidades
capazes de dificultar o julgamento de mérito, determinará que o autor, no prazo de 15
(quinze) dias, a emende ou a complete, indicando com precisão o que deve ser
corrigido ou completado.
Caso o autor não cumpra essa diligência, o juiz indeferirá a petição inicial.
Art. 106, I, o advogado quando postular em causa própria, deverá declarar, na inicial
ou na contestação, o endereço, seu número de inscrição na Ordem dos Advogados do
Brasil e o nome da sociedade de advogados da qual participa. Caso haja o
descumprimento, o juiz ordenará que se supra a omissão, no prazo de 5 (cinco) dias,
antes de determinar a citação do réu, sob pena de indeferimento da petição (art. 106,
§ 1º, CPC).
PI registrada: se for num juízo único.
Distribuída: quando houver mais de um órgão jurisdicional competente.
Emenda da petição inicial: prazo de 15 (quinze) dias, quando constatar que ela não
observa os requisitos do art. 319, ou que apresenta defeitos e irregularidades capazes
de dificultar o julgamento de mérito. Na sua decisão para que seja emendada a petição
inicial, já deve indicar o ponto que deve ser corrigido.

Indeferimento da petição inicial: Se for vício extremamente grave, devendo, neste


caso, ouvir o autor previamente (art. 330 do CPC). Se, mesmo após dar ao autor a
oportunidade de emendar a petição inicial, persistir vício que determinou a emenda, o
juiz indeferirá a petição inicial sem determinar a citação do réu.
Indeferimento total, hipótese em que a parte poderá interpor o recurso de apelação
no prazo de 15 dias (art. 331 do CPC);
Indeferimento parcial, sendo cabível o recurso de agravo de instrumento (art. 354 do
CPC).
São hipóteses de indeferimento da petição inicial enumeradas exemplificativamente
no art. 330:
 Petição inicial inepta: por exemplo, quando não tiver pedido; não tiver causa de
pedir; contiver pedido indeterminado fora das hipóteses admitidas; quando dos
fatos narrados não decorrer da conclusão; pedido juridicamente impossível ou
incompatíveis entre si; quando o autor não discriminar as obrigações
contratuais que pretende controverter.
Inépcia estão relacionadas a defeitos estruturais da petição inicial (art. 330, §
1º, do CPC), o que pode resultar no indeferimento da peça exordial (art. 330,
caput, do CPC).
 Ilegitimidade das partes;
 Ausência de interesse processual;
 Não atendidas as prescrições dos arts. 106 e 321 do CPC.
Improcedência liminar: O art. 332 do CPC autoriza que o magistrado sentencie
liminarmente o processo, resolvendo o mérito antes mesmo de citar o requerido, mas
desde que se trate de uma sentença de improcedência e que se dispense a etapa
instrutória (produção de provas).
Essa improcedência liminar é um caso de tutela de evidência, prestada em caráter
definitivo, fazendo coisa julgada material, visto que é evidente a falta do direito
alegado pelo demandante.
A improcedência liminar se dará por sentença definitiva e poderá ocorrer nos
seguintes casos:
• Quando o pedido contrariar enunciado de Súmula do Supremo Tribunal Federal ou
Súmula do Superior Tribunal de Justiça;
• Quando o pedido contrariar acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal ou
pelo Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recursos repetitivos;
• Quando o pedido contrariar entendimento firmado em incidente de resolução de
demandas repetitivas ou de assunção de competência;
• Quando o pedido contrariar enunciado de súmula de Tribunal de Justiça sobre direito
local;
• Quando o pedido estiver prescrito ou já estiver operado a decadência do direito do
autor;
2) se tudo estiver OK:
Despacho liminar de conteúdo positivo: determinará a citação do demandado.
No entanto, pode ser que este despacho liminar de conteúdo positivo tenha natureza
de decisão interlocutória.
Caso, no momento em que o juiz defere a inicial, também analise um requerimento,
como, por exemplo, a concessão da antecipação dos efeitos da tutela em caráter
provisório, haverá uma decisão interlocutória, passível de agravo de instrumento.
O art. 240, § 1º, do CPC, em conjunto com o art. 208, I, do CC, estabelece que este ato
proferido pelo magistrado (despacho liminar de conteúdo positivo) tem o condão de
interromper a prescrição.
Novidade é o art. 699- A do CPC: Art. 699-A. Nas ações de guarda, antes de iniciada a
audiência de mediação e conciliação de que trata o art. 695 deste Código, o juiz
indagará às partes e ao Ministério Público se há risco de violência doméstica ou
familiar, fixando o prazo de 5 (cinco) dias para a apresentação de prova ou de indícios
pertinentes. (Incluído pela Lei n. 14.713, de 2023)
Citação: O réu citando deverá, em até 3 (três) dias úteis, confirmar que recebeu a
citação eletrônica. Se transcorrer o prazo e a secretaria da vara não receber essa
confirmação, irá se entender que o réu, por algum motivo, não recebeu a citação
eletrônica, citação pelos meios tradicionais: a) correio; b) oficial de justiça; c) escrivão
ou chefe de secretaria, se o citando comparecer em cartório; d) edital (art. 246, § 1º-
A do CPC).
NÃO TEM AUDIÊNCIA DE CONCILIAÇÃO OU MEDIAÇÃO: Ações como negatória de
paternidade, de curatela, de interdição, de improbidade administrativa (art. 17, § 1º,
da Lei 8.429/1992) são exemplos de demandas nas quais não se admite
autocomposição, não havendo motivo para se designar tal audiência.
Prazo CONTESTAÇÃO: tramitando a demanda pelo rito comum o prazo de resposta
será de 15 dias (art. 335), contudo, nada obsta que em procedimentos específicos haja
prazos de resposta específicos, como na ação de alimentos gravídicos no qual o prazo
é de cinco dias (art. 7º da Lei 11.804/2008).
Contestação: Reconvenção (natureza jurídica de nova ação) e de incompetência
(preliminar de mérito).
A revelia, ou seja, o não comparecimento do réu ao processo, para praticar uma das
modalidades de resposta, de regra, acarreta duas consequências processuais:
• gera a presunção de veracidade dos fatos afirmados pelo autor (efeito material da
revelia);
• possibilita a divulgação dos atos decisórios apenas por meio do órgão oficial (art.
346).
Art. 344. Se o réu não contestar a ação, será considerado revel e presumir-se-ão
verdadeiras as alegações de fato formuladas pelo autor
Art. 346. Os prazos contra o revel que não tenha patrono nos autos fluirão da data de
publicação do ato decisório no órgão oficial.
Parágrafo único. O revel poderá intervir no processo em qualquer fase, recebendo-o
no estado em que se encontrar.
Súmula n. 231 do STF, “o revel, em processo cível, pode produzir provas desde que
compareça em tempo oportuno”.
Nem sempre a revelia induz presunção de veracidade dos fatos afirmados na inicial.
O art. 345 prevê as hipóteses nas quais, não obstante a revelia, não ocorre presunção
de veracidade:
a) se, havendo pluralidade de réus, algum deles contestar a ação;
b) se o litígio versar sobre direitos indisponíveis (direito não patrimonial, ou
patrimonial com titularidade atribuída a incapaz, por exemplo);
c) se a petição inicial não estiver acompanhada do instrumento público que a lei
considere indispensável à prova do ato (quando o documento público for da
substância do ato);
d) se as alegações de fato formuladas pelo autor forem inverossímeis ou estiverem em
contradição com a prova constante dos autos.
FASE SANEADORA DO PROCEDIMENTO COMUM E JULGAMENTO CONFORME O
ESTADO DO PROCESSO Findo o prazo para a contestação, o juiz tomará, conforme o
caso, as providências preliminares (347, CPC), determinando a abertura de prazo para
réplica se:

TUTELAS PROVISÓRIAS:
Exemplo 1: Autor compra um imóvel de uma construtora porem no ato da entrega das
chaves parece que o prédio irá cair literalmente devido a rachaduras e falhas
estruturais. Aciona-se na justiça a construtora solicitando o ressarcimento dos valores
pagos. O pedido (mérito) do autor é o ressarcimento dos valores pagos. O processo
pode ser muito longo (anos) e até o perito da justiça ir ao prédio, o prédio já pode ter
caído destruindo assim as provas. Precisa-se de uma perícia, portanto no caráter de
urgência. Após a perícia, se comprovara o fato e terá o autor direito ao ressarcimento
dos valores pagos. tutela provisória de urgência DE NATUREZA CAUTELAR
Exemplo 2: Autora uma mãe desempregada que depende financeiramente 100% do
marido e possui 3 filhos menores. O marido sai de casa “abandonando” a família. Se
esperar os anos do processo – corre-se o risco de ter sido despejada do imóvel e
passar fome e frio na rua com os filhos. O direito é líquido e certo: PENSÃO DE FILHOS
MENORES. TUTELA PROVISORIA DE URGÊNCIA DE NATUREZA ANTECIPADA .
Exemplo 3: Ex: nome da parte inscrito erroneamente no SPC. A parte irá comprar um
imóvel financiando, portanto não pode ter o nome negativo. Para agravar a parte já
deu R$50.000,00 de sinal . A parte corre o risco de perder o sinal. TUTELA PROVISORIA
DE EVIDENCIA
Exemplo 4: Autora é uma idosa com problemas de saúde, no qual necessita de uma
medicação para continuar sobrevivendo. Não possui condições financeiras para
adquirir mensalmente os remédios e o SUS (Sistema Único de Saúde) negou o
fornecimento. Se a Sra. não tomar o medicamento o quanto antes é certo que falecerá
dentro de alguns dias. PROVISORIA DE URGÊNCIA DE NATUREZA ANTECIPADA .

Fase Postulatória
A Fase Postulatória é a fase inicial, onde a ação das partes
é predominante. É o momento em que o Autor expõe sua causa de
pedir. Com o ingresso da petição inicial em juízo, considera-
se proposta a ação e instaurado o processo (ART.312, NCPC).

Também é nessa fase que, após a citação, o réu peticiona sua


contestação. Essa fase inicial vai do ingresso da petição
inicial em juízo até a apresentação de contestação.

Fase Saneatória
É a segunda fase do procedimento comum. É o momento em que o
juiz cumpre providências preliminares para proferir o
julgamento. Apresentada a resposta do réu ou findo o prazo,
os autos são conclusos e o juiz poderá determinar algumas
providências preliminares, como por exemplo, especificação de
provas e réplica ao autor. Ao final da Fase Saneatória, o
juiz pode: Declarar extinto o processo sem resolução de
mérito (art.

485) ou com resolução de mérito (art.487). Fazer o julgamento


antecipado da lide e promover o saneamento do feito.

Fase Instrutória
Proferida a decisão de saneamento, abre-se a fase
instrutória. Nesta fase temos a produção de prova pericial,
prova oral e até a complementação da prova documental. A
prova oral concentra-se, normalmente, na audiência de
instrução e julgamento (v. artigos 358 a 368 do CPC de 2015).
Esclarecimentos em audiência do perito judicial e dos
assistentes técnicos, no depoimento pessoal das partes e na
inquirição (oitiva) de testemunhas. Os debates orais podem
ser substituídos por razões finais escritas (memoriais) (art.
364, NCPC). Encerrada a instrução, temos os debates orais, ou
seja, manifestação dos advogados, apresentando suas alegações
finais. Os debates orais podem ser substituídos por razões
finais escritas (memoriais) (art. 364, NCPC). Com as razões
finais das partes, encerra-se a fase instrutória.
Fase Decisória
É na fase decisória do procedimento comum que a sentença é
proferida pelo juiz. A sentença pode ser proferida em
audiência e: Após o encerramento da fase de Instrução ou no
prazo de 30 dias (art.366 CPC) Esse prazo é impróprio, sem
preclusão. O art. 231 do CPC mostra como começa a contagem
desse prazo.

Desse modo, conforme exposto, notou-se que o procedimento


comum é composto por quatro fases, consideradas essenciais,
para que um processo possa promover a solução de uma lide no
ordenamento jurídico brasileiro.

Você também pode gostar