AULA 1
PROCESSO DE MODELAGEM
DIGITAL BIM
Prof. Norimar Ferraro
CONVERSA INICIAL
A mudança é a lei da vida.
Aqueles que olham apenas para o passado ou para o presente
serão esquecidos no futuro.
John F. Kennedy
A tecnologia BIM transformou consideravelmente o a arte de se construir.
Trata-se de uma nova metodologia, aplicada ao ciclo de vida de uma edificação,
de sua concepção até seu eventual fim. Nesta aula, trataremos, de forma
introdutória, de conceitos BIM, seus benefícios e dificuldades de implantação no
cenário brasileiro.
TEMA 1 – O QUE É BIM
Se tentarmos nos utilizar das definições mais comuns para se descrever a
tecnologia BIM, com certeza precisaremos de mais informações para uma real
compreensão. Temos a seguinte definição (Maritan, 2016, grifos nossos):
BIM é um processo progressivo que possibilita a modelagem, o
armazenamento, a troca, a consolidação e o fácil acesso aos vários
grupos de informações sobre uma edificação ou instalação que se
deseja construir, usar e manter. Uma única plataforma de informações
que pode atender todo o ciclo de vida de um objeto construído.
Alguns termos foram sublinhados porque fazem diferença quanto às
metodologias anteriores. A primeira se refere ao “processo”, o que nos diz que
não é um simples software capaz de facilitar o trabalho de projeto. É uma profunda
mudança de paradigma. É certo que a tecnologia BIM se apoia no uso de uma
ferramenta digital, uma “única plataforma” capaz de integrar diversas disciplinas,
mas vai muito além. O segundo termo foi informações: as metodologias anteriores
também trabalhavam com a informação, porém agora ela se integra aos
elementos geométricos de um modelo virtual, uma espécie de protótipo, com base
no qual se pode integrar com bancos de dados, proceder análises e avaliações.
Por último, “todo o ciclo de vida” quer nos comunicar que não se trata meramente
de uma ferramenta de concepção de projeto. Compreende desde a fase citada
até o uso de uma edificação.
O ciclo de vida de uma edificação pode ser resumido simplificadamente em
etapas, conforme o quadro a seguir.
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Quadro 1 – Etapas
CONCEPÇÃO E VIABILIDADE
PRÉ-OBRA PROJETO
LICITAÇÃO E CONTRATAÇÃO
OBRA CONSTRUÇÃO
COMISSIONAMENTO
USO E OPERAÇÃO
PÓS-OBRA MANUTENÇÃO E MONITORAMENTO
DESCOMISSIONAMENTO
Os sistemas BIM devem permitir que seu uso se integre necessariamente
em todas essas fases, senão não pode ser considerado BIM. Um modelo BIM
específico para cada uma dessas fases pode ser criado com as seguintes
denominações:
• Modelo BIM de projeto ou modelos autorais – referem-se à cada uma
das disciplinas de projetos, sejam de arquitetura ou complementares.
• Modelo BIM de planejamento ou de construção – são específicos para
a fase de construção, sendo mais propriamente utilizados para o
planejamento das etapas construtivas e controle do cronograma da obra.
• Modelo BIM de produção ou de construção para canteiro – utilizado
para o planejamento do canteiro de obras e os recursos que sejam
necessários para a execução.
• Modelo BIM de operação e manutenção – tem a finalidade específica na
gestão das informações da obra já edificada, contendo especificações e
quantificações do projeto já construído (as built).
Com base no entendimento do ciclo de vida da obra e dos modelos relativos
ao uso da tecnologia BIM nessas etapas, surgiu a convenção do que se chama
“dimensões BIM”. Elas definem uma nomenclatura de fases e aplicações, para um
rápido entendimento da utilização BIM em cada etapa. O quadro a seguir nos
mostra esse panorama resumidamente. Essas denominações surgiram com base
nos termos 2D e 3D (bi- e tridimensional), porém os significados são mais amplos.
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Quadro 2 – 3 D a 7D
• 3D – é a dimensão das informações referentes ao modelo virtual
(tridimensional) do projeto, com informações gráficas e não gráficas.
• 4D – é a dimensão referente às etapas de projeto e construção e seu
cronograma de desenvolvimento e execução.
• 5D – quando se acresce a dimensão do custo, associada às dimensões
anteriores, possibilita-se visualizar a progressão das atividades de projeto
e construção em relação a seu custo ao longo do tempo de execução.
• 6D – a dimensão 6D do BIM refere-se à questão da sustentabilidade, ou
seja, à análise da performance energética da edificação.
• 7D – relaciona-se à gestão do empreendimento; é a etapa do ciclo de vida
pós-obra. É o modelo como construído (as built), e não traz consigo apenas
as informações do que foi projetado, mas também o que foi efetivamente
construído.
TEMA 2 – BENEFÍCIOS DO USO DO BIM
Ao falar em sistemas BIM, ou ferramentas BIM, é inevitável a comparação
com os sistemas CAD (Computer Aided Design). Porém, os benefícios vão muito
além da mera substituição ou evolução do desenho, como ocorreu com o
surgimento do CAD em relação ao desenho à mão. Tratando-se de um sistema
que envolve todo o ciclo de vida da edificação, como visto no tema anterior, é uma
mudança drástica de paradigma de todo o processo de construção.
Talvez um dos maiores benefícios na etapa projetual é a visualização
tridimensional (3D) do que está sendo projetado. Nos sistemas CAD, na
maioria das vezes bidimensional, havia um tempo entre o desenvolvimento do
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projeto e a primeira visualização tridimensional em algum software, geralmente
não o mesmo. Nos sistemas BIM, a visualização é imediata, podendo-se
identificar visualmente, ou pelo software, possíveis interferências entre os
elementos construtivos. Todas os desenhos ou vistas do objeto, mesmo as
perspectivas e tabelas de dados, são atualizadas automaticamente, garantindo
um melhor entendimento do objeto construído, mesmo para aqueles que não
estão acostumados com a leitura de desenhos técnicos construtivos. As
atualizações automáticas também permitem uma maior consistência dos
desenhos técnicos bidimensionais gerados com base no modelo virtual.
Figura 1 – Modelo virtual
Crédito: Krauchanka Henadz / Shutterstock
A visualização automática nos softwares BIM permite a identificação de
interferências e problemas construtivos, mesmo nas fases iniciais. Em obras
complexas, cujas conexões entre os elementos são complexas, o modelo 3D
permite visualização e avaliação.
A extração automática das informações de um projeto é uma vantagem
considerável em relações às metodologias de projeto anteriores. Garantem maior
agilidade e precisão em relação aos quantitativos e custos, inclusive nas fases
iniciais de projeto. Nessas fases, os sistemas BIM podem favorecer tomadas de
decisões mais acertadas. As informações extraídas podem ser divididas e
agrupadas conforme a necessidade, conferindo grande flexibilidade e avaliações
diferenciadas.
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Nenhuma obra é igual à outra; suas condições variam em termos de
espaço, necessidade de equipamentos, acessos, entre outros. O planejamento do
canteiro de obras é um projeto em si e deve ser feito com extrema atenção.
Materiais são fornecidos, equipamentos são locados, em etapas e tempos
diferentes no período de execução da obra. Dentro da dimensão 4D, vista no tema
anterior, é possível realizar o ensaio da obra no computador, no planejamento
da obra. Mesmo análises sequenciais das etapas de construção são possíveis de
serem visualizadas por meio de animações virtuais. Isto pode reduzir
determinadas “surpresas” no decorrer da construção, reduzindo custos extras,
quando não há mais flexibilidade para se tomar decisões.
Figura 2 – Modelo virtual 2
Crédito: Beer5020 / Shutterstock.
Os sistemas BIM permitem, por meio de vídeos, simulações das etapas
construtivas, planejando, por exemplo, a localização das gruas no
empreendimento. Não é apenas na fase de planejamento da obra que as análises
possíveis nos sistemas BIM são de grande valia. A realização de simulações e
ensaios virtuais, quanto ao comportamento e desempenho das edificações,
permitem avaliações que não eram possíveis de serem realizadas nos sistemas
CAD. Os ensaios variam desde as análises estruturais e energéticas do edifício,
até estudos de iluminação, insolação, ventilação, emissão de CO2, entre outros,
melhorando a eficiência energética e a sustentabilidade (dimensão 6D). Veja na
figura a seguir um ensaio dos esforços estruturais num sistema BIM.
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Figura 3 – Esforços estruturais
Crédito: Autodesk.
A integração entre os sistemas BIM e a indústria permite maior
intensificação e viabilização do uso da industrialização, principalmente nas
demandas de pré-fabricação na construção civil. A integração dos dados dos
sistemas BIM com os maquinários e robôs da indústria, e a decorrente eliminação
de possíveis erros e interferências, permite uma maior confiabilidade e
previsibilidade na produção dos elementos construtivos. Essa integração tem
levado também os arquitetos e construtores a planejarem formas e construções
mais complexas. Possibilita projetos que se utilizem de formas mais orgânicas e
curvas, bem como a execução e montagem dessas formas, dentro de custos
aceitáveis, com o cumprimento dos prazos de construção.
Outras tecnologias também podem ser integradas aos sistemas BIM,
como o escaneamento à laser (laser scans). Ele permite a geração de uma nuvem
de pontos que são importadas nos sistemas BIM, e posteriormente podem ser
manipuladas. Seus usos são variados, incluindo dede o mapeamento de um
terreno até o levantamento de uma obra de patrimônio histórico, que são difíceis
de serem consideradas pelos sistemas tradicionais. A comunicação dos dados
entre os sistemas BIM e as estações totais de topografia facilita a locação dos
componentes construtivos em uma obra.
Por fim, os modelos tridimensionais em formatos BIM, fornecidos pela
indústria da construção, facilitam o projeto e a especificação dos componentes
da edificação.
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Figura 4 – Webpage da Deca, de “famílias” de objetos BIM
TEMA 3 – BARREIRAS E DESAFIOS DO USO DE BIM NO BRASIL
Não é o mais forte que sobrevive,
nem o mais inteligente,
mas o que se adapta melhor às mudanças.
Leon C. Megginson
Apesar de todos os benefícios vistos no tema anterior, a migração dos
processos e metodologias tradicionais de projeto e construção para o sistema BIM
não é simples. Implica uma mudança metodológica de trabalho, enfrentando
barreiras nos níveis pessoal e empresarial, principalmente no cenário brasileiro.
As pessoas em geral têm dificuldades com mudanças. Aprendem por meio
da experiência, e mesmo percebendo possíveis vantagens em novas
metodologias de trabalho, apresentam enorme resistência e inércia para mudar.
Nas empresas, a dificuldade é maior, pois implica a mudança de planejamento e
gestão, com treinamento e capacitação de toda uma equipe de trabalho, o que
envolve tempo e dinheiro, muitas vezes escassos. A falta de recursos nas
empresas ocasiona, na maioria das vezes, grande frustração, e impede seu
desenvolvimento e atualização.
No Brasil, ainda há poucos lugares em que se possa fazer a capacitação
eficiente de profissionais na área de BIM. Isso pode gerar extrema ansiedade,
tendo em conta a compreensão de seus benefícios. As escolas existentes
ensinam as ferramentas de forma instrumental, ou seja, ensina-se a ferramenta e
seus comandos, porém falta o treinamento do processo metodológico de projetar,
em suas mais diferentes disciplinas. Mesmo as universidades brasileiras mostram
inércia em acrescentar o BIM às suas grades curriculares. Alguns professores,
que muitas vezes não atuam no mercado de trabalho, têm dificuldade em
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compreender uma mudança dessa natureza, pois implica conhecimentos
diferentes do que aprenderam em sua própria formação.
É preciso, sobretudo, ter uma visão clara dos objetivos a serem
conquistados, e se traçar um plano de ação adequado, para se evitar falsos
inícios. A falta de entendimento da própria tecnologia BIM impede sua adoção,
visto que ainda há a falsa visão de ela ser um mero “substituto do CAD”, e não um
processo tecnológico. Com base em um entendimento mais profundo da
tecnologia BIM, com suas possibilidades de aumento de produtividade, redução
de erros e atrasos, entre outros, poderão ocorrer mudanças empresariais.
Nos países em que o sistema BIM foi adotado como iniciativa de governo,
obteve-se uma adoção e mudança mais velozes nas empresas. Recentemente,
em maio de 2018, o governo brasileiro assinou um decreto de incentivo ao BIM,
chamado “Estratégia Nacional para a Disseminação do Building Information
Modelling (BIM)”. Espera-se com isso um aumento de produtividade de 10% e
uma redução de custos em torno de 20% no setor da construção civil 1. Segundo
a ABDI, apenas 5% das empresas nacionais do setor atualmente utilizam o BIM.
O Brasil tem algumas particularidades, que criam determinadas barreiras
às mudanças, e que são de certa forma culturais, ligadas ao mercado brasileiro
de empresas. Ao contrário do que acontece em outros países, uma delas é que
não se costuma valorizar o planejamento nos empreendimentos. É comum dar-se
início aos empreendimentos ou construções, para depois ir resolvendo os
problemas à medida que surgem. Acredita-se, de maneira errônea, que essa
maneira de trabalhar seja mais rápida e econômica.
Outro problema é a baixa remuneração dos profissionais, principalmente
na área de projetos, que é desproporcional aos investimentos necessários para
se adotar a tecnologia BIM, tanto na aquisição de softwares como na sua
capacitação. Para os arquitetos, pode significar também um aumento de
responsabilidades e tarefas, que não serão acompanhadas de aumento de
remuneração. De certa forma, também não temos ainda, de maneira plena, a
cultura de adoção da tecnologia da informação nas empresas.
Ademais, a alta margem de lucro dos empreendimentos na construção civil,
que já contemplam os erros e desperdícios em suas planilhas, também cria
barreiras à adoção do BIM, que trabalha no sentido de se evitar esses problemas.
1 Segundo a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI).
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Também há a mentalidade que se pode perder os profissionais treinados na
tecnologia BIM para o mercado, após esse investimento.
Alguns aspectos menores, como ceticismo, falta de interesse no trabalho
colaborativo, e também de profissionais, que não se interessem por processos
mais transparentes, acabam por tornar a implementação BIM, nas empresas,
lenta e muitas vezes ineficaz.
Os desafios devem, porém, ser enfrentados. O uso inteligente do BIM e os
resultados de sucesso trarão a motivação necessária para a transição. Uma
mudança de postura em relação ao trabalho colaborativo, aos aspectos legais, de
a quem pertence o modelo compartilhado, e outros em relação ao uso da
tecnologia da informação, trarão, sem dúvida, um crescimento no setor da
construção civil.
As empresas deverão encarar com mais seriedade a tecnologia BIM,
estabelecendo planos de adoção do BIM, de acordo com os objetivos
empresariais. É preciso também designar equipes internas para implementar sua
adoção, por meio de capacitação adequada e projetos pilotos.
TEMA 4 –USOS MAIS COMUNS DE BIM
Alguns estudos indicam o crescente uso do BIM pelas empresas no
exterior. Nos Estados Unidos da América, um estudo de 2012 feito pela McGraw
Hill Construction indicava que pelo menos 71% das empresas do setor da
construção civil daquele país já utilizavam a tecnologia. Um estudo feito pela
Dodge Data & Analytics demonstra aumento das empresas que utilizam o BIM
acima de 30% em seus contratos, em relação à média mundial de 95%.
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Gráfico 1 – Cinco maiores regiões de crescimento de implementação BIM pelos
contratantes
136%
126%
115%
108%
95%
Alemanha China Austrália Coréia
Coreia do
do Sul
Sul Reino Unido
Fonte: Dodge Data & Analytics, 2015.
Em outro estudo, feito pela mesma agência, pesquisou-se os 5 maiores
benefícios gerados pela utilização do BIM na China, entre arquitetos e
construtoras.
Gráfico 2 – Cinco maiores benefícios gerados pelo BIM na China
REDUÇÃO DE RETRABALHO 59%
52%
REDUÇÃO DOS PROBLEMAS DE 61%
COORDENAÇÃO DE OBRAS 55%
MAIOR ENVOLVIMENTO E ENTENDIMENTO 66%
PELO CLIENTE 61%
REDUÇÃO DE ERROS E OMISSÕES EM 74%
PROJETOS 66%
MELHORES SOLUÇÕES DE PROJETO 67%
69%
0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80%
CONSTRUTORAS ARQUITETOS
Fonte: Dodge Data & Analytics, 2015.
Percebe-se que arquitetos e construtores estão empenhados em encontrar
soluções projetuais de melhor qualidade, aliadas à redução de erros, tanto na
documentação como no canteiro de obras.
O estudo também indica a porcentagem de escritórios e construtoras, que
utilizam o BIM, em relação ao tempo de experiência.
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Gráfico 3 – Experiência em anos do uso do BIM na China
Grandes construtoras 29% 49% 22%
Pequenas construtoras 5% 85% 10%
Grandes escritórios de arquitetura 46% 46% 8%
Pequenos escritórios de arquitetura 14% 48% 38%
0% 20% 40% 60% 80% 100% 120%
+ 5 anos 3 a 5 anos 1 a 2 anos
Fonte: Dodge Data & Analytics, 2015.
O Gráfico 3 nos mostra que, em 2015, quase a metade dos escritórios e
construtoras já contava com experiência do uso em BIM entre 3 e 5 anos.
No Brasil, caminhamos a passos lentos. Não há estudos muito confiáveis
nas questões do uso do BIM, porém um caderno feito pela Câmara Brasileira da
Indústria da Construção Civil nos mostra que as empresas que utilizam a
tecnologia têm seus usos mais comuns nas seguintes tarefas:
• Visualização do projeto: principalmente vantajosa aos escritórios de
arquitetura, no resultado estético das edificações, e no convencimento do
cliente;
• Logística do canteiro de obras: particularmente feita pelas construtoras,
trazendo vantagens na redução de problemas;
• Levantamento de quantidades: tarefa que reduz consideravelmente o
trabalho em especificações, aspectos quantitativos e orçamentários;
• Estimativas de custos e orçamentos: igual ao levantamento de
quantidades, reduz o trabalho de orçamentos, que podem ser calculados
mesmo nas primeiras fases do projeto;
• Maquetes eletrônicas: de fundamental importância para as decisões da
viabilidade do edifício e vendas;
• Análise de construtibilidade: em obras complexas, pode contribuir
enormemente para a execução, compatibilização e cumprimento de
prazos;
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• Coordenação espacial: mais conhecida como compatibilização dos
elementos construtivos e instalações;
• Coordenação de contratados: com a integração com outros softwares de
planejamento (p.ex. MS-Project), pode organizar os diferentes serviços a
serem executados, minimizando problemas e reduzindo prazos;
• Rastreamento de componentes: permite a localização de elementos
construídos e equipamentos instalados, tanto na fase de obra como pós-
obra;
• Gestão de ativos: refere-se à manutenção e renovação dos edifícios
construídos.
TEMA 5 – A MODELAGEM DIGITAL EM PROJETOS
Desde a década de 60, a modelagem de geometrias 3D em computadores
foi muito estudada, dando origem ao que se denominou de “computação gráfica”.
As primeiras formas poliédricas não serviam para sólidos mais complexos. Nos
anos 70, grupos de pesquisadores das universidades de Cambridge, Stanford e
Rochester empenharam estudos no sentido de produzir ferramentas capazes de
produzir modelagem tridimensionais mais complexas, dando origem a duas linhas
de estudos matemáticos.
A primeira, chamada de “B-rep” (boundary representation), eram utilizadas
operações booleanas para produzir geometrias, utilizando-se operações de união,
intersecção e subtração de sólidos. Essas operações matemáticas são comuns
atualmente em ferramentas 3D e BIM, e permitem se produzir formas muito
complexas de sólidos.
Figura 5 – Operações booleanas, pela ordem união, intersecção e subtração de
sólidos
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A segunda linha foi chamada de Geometria Sólida Construtiva
(Constructive Solid Geometry - CSG), que consistia numa “árvore” de operações
de sólidos, e que mais tarde se fundiu à primeira, sendo chamada também de
forma não avaliada.
Figura 6 – Geometria sólida construtiva (CSG)
Somente nos anos 80 surgiram os sistemas CAD, para modelagem
tridimensional, os quais, porém, eram muito caros no início, sendo absorvidos pela
indústria da aviação e manufaturas. A indústria da construção, por outro lado,
adotou os sistemas 2D de CADs, como os softwares Autocad e Microstation, e
que se relacionavam melhor com as metodologias que os arquitetos utilizavam.
A modelagem paramétrica surgiu com base em estudos de pesquisa
universitária e desenvolvimento industrial, principalmente pela empresa
Parametric Technologies Corporation nos anos 80. Seu conceito surge da ideia
básica de se modelar formas com base em uma hierarquia de parâmetros que
pudessem ser controlados e definidos, ou pelo usuário, ou obtidos de outras
formas.
Nos sistemas com modelagem paramétrica (BIM), ao invés de se projetar
ou modelar um objeto apenas, define-se e cria-se uma família ou classe de objetos
ou elementos, com relações, regras ou parâmetros comuns. Esses parâmetros
podem, por exemplo, envolver distâncias, ângulos, vinculações etc. As regras
podem ser definidas pelo usuário, que lhe permitem satisfazer condições,
modificar ou verificar parâmetros.
Na modelagem paramétrica, os objetos ou elementos construtivos
possuem pontos, linhas ou planos de controle, por meio dos quais eles são
manipulados, permitindo alterações, intersecções entre objetos de mesma classe
ou de outra, como exemplificado a seguir. A geometria paramétrica aparece numa
ferramenta BIM, representando uma parede, em planta, com seus pontos e linhas
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de controle. Por meio desses pontos de controle nas extremidades, pode-se fazer
a união com outras paredes, por exemplo.
Figura 7 – Exemplo da modelagem de uma geometria paramétrica numa
ferramenta BIM
Mais adiante aprofundaremos o conceito de objetos BIM, suas classes ou
famílias, com informações inerentes a elas.
REFERÊNCIAS
CAMPOS NETTO, C. Autodesk Revit Architecture 2016 conceitos e
aplicações. São Paulo: Erica, 2016
CBIC – Câmara Brasileira da Indústria da Construção Implementação. BIM:
Partes 1 a 5 – Implementação do BIM para Construtoras e Incorporadoras.
Brasília: CBIC, 2016
EASTMAN, C.; SACKS, R. A guide to building information modeling for
owners, managers, engineers and contractors. Hoboken, N.J.: John Wiley and
Sons Inc., 2011.
MANZIONE, L. Proposição de uma estrutura conceitual de gestão de
processo de projeto colaborativo com o uso de BIM. Tese (Doutorado) –
Universidade de São Paulo, São Paulo, 2013.
MARITAN, F. Conceituação: o que é BIM. BIMrevit, 29 dez. 2016. Disponível em:
<http://www.bimrevit.com/2016/12/fundamentos-bim-cbic-parte-2.html>. Acesso
em: 29 jul. 2019.
MARITAN, F. Conceituação: o que é BIM. BIMrevit, 29 dez. 2016. Disponível em:
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em: 29 jul. 2019.
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THE FUTURE of BIM Will Not Be BIM: and It's Coming Faster than You Think.
AutoDesk University, 23 nov. 2016. Disponível em:
<https://www.youtube.com/watch?v=xq6yKyauu-o>. Acesso em: 29 jul. 2019.t
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