Palestra do Guia Pathwork nº 171
Palestra Não Editada
Fevereiro de 1969.
LEIS ESPIRITUAIS
Como não aconteceram palestras em fevereiro, transcrevemos excertos de algumas leis básicas
espirituais e psíquicas, como nos foram dadas pelo Guia, através deste canal no curso dos anos.
Lei da Responsabolidade Pessoal
Este é o principal elemento deste ensinamento. É o elemento fundamental que orienta o
Pathwork®. A primeira vista isto é às vezes difícil de aceitar. Parece tão mais fácil de aceitar, até
mesmo a derrota, se apenas se pudesse pôr a culpa nas circunstâncias ou na má sorte ou nas faltas de
outras pessoas. A aceitação da Lei da Responsabilidade Pessoal varre do mapa a autopiedade, a
resignação, a aceitação passiva, os ressentimentos latentes contra as injustiças da vida e o famoso
jogo masoquista de repisar a “queixa contra a vida”.
Esta Lei, porém, aparentemente tão dura, é a mais esperançosa, encorajadora, libertadora e
fortalecedora de todas as verdades. Ela torna o individuo capaz de resolver qualquer problema que
possa ter. Ela abre a vida com todas as suas ricas possibilidades. Ela o força a ver as coisas sob sua
verdadeira luz e, desconfortável como possa parecer à primeira vista, deixa-o por fim com muito
mais respeito próprio, integridade e esperança do que a resignação às circunstâncias que se espera
que a vida traga sem que o indivíduo aja. Ela torna a derrota desnecessária porque remove, entre
outras coisas, a ilusão infantil da própria onipotência, que é uma ilusão tão irreal quanto a de ser uma
vítima passiva da vida. Aceitar as suas próprias limitações e as limitações dos outros aumenta o
poder de dirigir a própria vida de forma significativa.
A Lei da Responsabilidade Pessoal é o princípio orientador na busca pela raiz das obstruções
de uma pessoa. Pela contemplação da própria vida, especialmente da realização ou sua ausência, o
individuo pode considerá-la como um plano imediato que delineia as áreas onde deve existir uma
atitude interna correspondente responsável por uma ou outra. Esta abordagem é diametralmente
oposta à usual, mas é realmente confiável e verdadeira e sempre levará a resultados, desde que se vá
fundo o bastante e que se seja verdadeiramente honesto nesse esforço.
Sempre que se chega a uma encruzilhada do caminho da qual não parece haver saída ou onde
não se pode ver como mudar, como resolver o problema inteiro, uma pessoa pode estar certa que
uma importante ferramenta para destrancar a porta ainda não foi encontrada, não importa quão
profundas tenham sido percepções anteriores. Uma percepção total sempre mostra a saída e assim
podem ser diferenciados os reconhecimentos. Eles são do tipo mencionado aqui? ou estão apenas
conduzindo àqueles? Os primeiros sempre dão uma sensação de alegria, liberação, esperança, força e
Eva Broch Pierrakos
© 1999 The Pathwork® Foundation
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luz. Eles injetam uma nova energia no sistema inteiro. Os últimos podem ter um efeito temerário e
debilitante sobre a personalidade. Aqueles permitem à pessoa reconhecer os fatos menos lisonjeiros
a respeito do self sem reduzir em nada o seu senso de valor e integridade - muito pelo contrário, eles
os aumentam. Estes tornam a percepção carregada de culpa.
Uma vez que tenha experimentado a diferença entre esses dois tipos de reconhecimento, a
pessoa pode se proteger da desesperança, ou pelo menos tomar consciência de que a desesperança é,
em si mesma, um sinal de que a saída não foi encontrada. Então pode ser um incentivo ao invés de
um fator de enfraquecimento, para que a pessoa se esforce com todo seu vigor até que o verdadeiro
caminho esteja aberto.
Quando um anseio não realizado, um conflito doloroso de longa duração é finalmente visto
como resultado de uma atitude interna com padrões de comportamento concomitantes, a pessoa
deixa de ser um instrumento indefeso do destino. Caso uma tal atitude seja inteiramente divisada,
observada em ação e aceita do jeito que é, a pessoa ainda pode não estar disposta a abrir mão dela –
por quaisquer razões ou concepções errôneas – mas ela pelo menos pode fazer uma conexão de vital
importância entre a sua vida interior e as manifestações externas que ela provoca. É então possível
embarcar em uma busca especial para encontrar o porque de um apego tão obstinado a uma
negatividade, a uma atitude destrutiva.
A Lei da Gangorra ou Lei da Compensação
Onde quer que exista uma “concepção errônea”, uma estrutura de equilíbrio é perturbada e
uma “concepção errônea” oposta deve também existir. Cada atitude tem um oposto, o qual pode ser
um complemento saudável ou uma distorção. Portanto, uma distorção em um aspecto também cria
uma distorção em seu oposto. Quando o Pathwork® torna a pessoa consciente de um lado apenas da
“gangorra” é impossível resolvê-lo, não importa o quão arduamente ela tente.
Exemplos:
1. A pessoa tem uma tendência a assumir responsabilidade excessiva pelos outros. Ela pode vir
a entender claramente e com muitos detalhes que o faz, porque o faz, quais são as ramificações, de
onde isso provém, que outras atitudes suas contribuem para isso e são, por sua vez, afetadas por ela,
etc. Ainda assim ela se descobre incapaz de atribuir aos outros as responsabilidades que lhes cabem.
Ela ou é incapaz de reconhecer uma situação assim quando ocorre (porque isso frequentemente se
aplica a questões muito sutis, porém não menos importantes) ou se sente extremamente
desconfortável e fortemente compelida quando se recusa a assumir essa falsa responsabilidade. Tal
ato forçado seria antinatural e não estaria em sintonia com o desenvolvimento orgânico. Assim os
efeitos podem ser piores que ceder à compulsão.
O crescimento verdadeiro conduz a uma mudança sem esforço, orgânica, espontânea que
chega tão naturalmente que pode a princípio até passar despercebida. Essa facilidade virá uma vez
que a pessoa veja a gangorra por inteiro, especificamente a área na qual ela não quer assumir a
responsabilidade por si mesma e usa os outros como substitutos para a sua própria consciência ou
autoridade. Isso pode acontecer em uma área muito diferente e pode se manifestar de maneira tão
sutil que a princípio é quase imperceptível. Pode ser uma manifestação puramente emocional. Por
exemplo, o indivíduo pode assumir o fardo da responsabilidade por outros, no sentido de sentir-se
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culpado em ocasiões em que a sua própria razão lhe diz que não precisa sentir-se assim. Ao mesmo
tempo ele pode vender a sua integridade para obter a afeição e aprovação dos outros. Ele torna-os
responsáveis por aquilo que ele deve dar em primeiro lugar a si mesmo. Culpar a vida pela própria
infelicidade é outra maneira de negar a autorresponsabiliade, como já foi mencionado. Isso sempre
suscita uma atividade oposta e compensatória de aceitar fardos que não lhe pertencem. A
interligação entre essas duas atitudes tem que ser reconhecida para resolver a ambas.
A versão sadia desse oposto é um equilíbrio harmonioso de uma autorresponsabilidade
adequada e uma liberdade de não assumir os fardos dos outros. (Isso não tem nada a ver com uma
atitude livre e amorosa de querer ajudar).
2. A pessoa que se esquece demais de si mesma e é incapaz de se modificar sem deslocar-se
para um extremo oposto igualmente destrutivo (um desafio rebelde e hostil) vai se achar capaz de
mudar sem esforço quando descobrir que, talvez de modo oculto, ela é por demais exigente. Ela
talvez nunca expresse abertamente exigências silenciosas; ela pode nem mesmo estar claramente
consciente delas, nem do seu ressentimento fervente quando elas não são preenchidas. Uma
autoafirmação que pode ser expressa abertamente e uma disposição flexível para ceder constitui um
equilíbrio. Este é perturbado por um autocentramento imaturo. O equilíbrio será alcançado quando
essa gangorra for profundamente experimentada.
3. Uma mostra de ego excessivo na superfície é com frequência uma indicação de uma
fraqueza do ego, no interior. Ao contrário, um ego fraco na superfície sempre significa que sob a
superfície a pessoa se apega muito rigidamente a ele.
4. (Veja palestra nº 169 - Os Princípios Criativos Masculino e Feminino).
A Lei da Alavanca
Esta Lei está às vezes relacionada de certo modo com a Lei da Gangorra. A diferença é que
esta última lida com atitudes opostas do mesmo princípio ou atitude básica. A Lei da Alavanca pode
levar uma pessoa até um certo ponto do seu caminho no qual uma certa distorção só pode ser
abandonada, quando um aparente princípio ou atitude, completamente diferente, for localizado e
modificado. Essa é então a “alavanca” que ela precisa para abrir o portão que está trancado.
Exemplo : Uma pessoa sofre de solidão e falta de amor. A revelação de tais sentimentos, que
podiam estar sendo negados e encobertos por uma máscara de certeza, contentamento e
sociabilidade aparentes, pode ter-lhe custado considerável esforço. Portanto tal revelação pode
facilmente aparecer como um reconhecimento da maior importância pois ele só veio depois de uma
batalha contra muita resistência para finalmente deixar cair a máscara. Não é esse, porém, o
reconhecimento fundamental necessário. A Lei da Gangorra pode não ser aplicável pois pode existir
uma disposição para amar – pelo menos na medida em que isso é possível com as distorções
existentes, as quais bloqueiam a Energia Vital. A “barra de direção” pode ser encontrada em outro
departamento. Uma violação da integridade, por exemplo, pode existir de infinitas maneiras que
parecem ter pouco a ver com o problema da solidão. Mas tal violação da integridade traz à pessoa
uma sensação de não merecer felicidade e amor. O vago sentimento de não ser merecedor, que
emerge apenas quando o self é confrontado profundamente a esse respeito, não deveria ser
minimizado levianamente como irracional. Antes, a pessoa deveria procurar saber onde, e em qual
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aspecto, pode realmente existir uma tal violação da integridade – não necessariamente repita-se, em
uma ação aberta, mas em atitudes emocionais, por exemplo em uma expectativa de receber mais do
que se está disposto a dar, etc. Quando isto for plenamente reconhecido e quando a pessoa for
capaz de abandonar a atitude que remove o respeito próprio, um novo senso de self, um senso de
merecimento deve finalmente também remover a falta de preenchimento.
Concepção errônea; Conflito, Divisão; Círculo Vicioso
Toda concepção errônea cria dualidade, conflito interno, problemas aparentemente insolúveis,
dor. Mais, ela cria um círculo vicioso. Todo problema e conflito interno, deve revelar essa sequência
e ela deve ser trabalhada e assimilada, na compreensão intelectual e na experiência emocional, antes
que o processo possa ser revertido: conceito verdadeiro, unidade, círculo benigno, para criar prazer e
felicidade.
Exemplo: Um homem jovem percebe uma insegurança à respeito da sua masculinidade, da
qual ele não estava antes consciente. Foi necessário superar uma considerável resistência da sua parte
para penetrar a máscara de falsa segurança que ele vinha assumindo. Ele agora descobre que tinha a
concepção errônea comum de que o sexo era uma coisa suja (e não absolutamente em sua mente
consciente). A divisão daí resultante era que, ou ele cedia à sua sexualidade masculina e se sentia
adequado enquanto homem – atitude cujo preço era a culpa e uma sensação de ser pecaminoso e
sujo – ou ele tinha que ser limpo e decente de acordo com esses padrões inconscientes, mas então
ele teria que abrir mão de ser um homem. Ele constantemente tentava chegar a um acordo entre
essas duas alternativas indesejáveis. Havia um cabo-de-guerra no seu íntimo. Ele não podia se
dedicar de todo o coração nem a ser um homem nem a ser um ser humano bom, aceitável e decente.
Essa divisão desnecessária resultou de uma simples concepção errônea, abrigada no inconsciente.
A falsa concepção de que sexo é sujo o levou ao conflito mencionado acima. O conflito levou
ao círculo vicioso. Quanto mais ele tentava ser masculino com o sentimento culpado de estar errado,
menos sentimentos de amor podia ter em sua sexualidade. Portanto a sexualidade produzia, em
parte, culpa real, como acontece com qualquer ação sem amor e em parte falsa culpa, por ser “sujo”.
A sexualidade dividida, por conseguinte, torna-se cada vez mais permeada de hostilidade, raiva e
fúria. Quando uma personalidade é sutilmente infundida de tais emoções e pode encará-las, todos os
sentimentos são por ela afetados. A frustração que resulta de tais conflitos e de sua desesperança
aumenta a hostilidade, que compõe os justificados sentimentos de culpa. O sexo hostil e desprovido
de amor faz parecer justificado o tabu contra ele – e esta é a pior parte do problema, porque faz com
que a pessoa fique andando em círculos. Quanto mais ele está nesse conflito aparentemente
insolúvel, mais ele refreia os seus sentimentos naturais e espontâneos. Quanto mais ele refreia,
menos pode amar. Quanto menos ama, menos masculinidade verdadeira tem e, consequentemente,
menos adequado e mais inseguro e inferior se sente. Isto, por sua vez, tem que ser escondido do
mundo e dele mesmo, o que aumenta a repressão e a dissimulação. E o processo segue em frente...
A Falsa Culpa Produz Culpa Verdadeira e Vice Versa
A história do caso que demonstra a lei da concepção errônea, divisão, círculo vicioso é
também um caso que aponta a interdependência entre a culpa falsa e a verdadeira. Um mal-
entendido pueril comumente produz uma falsa culpa. Esta produz, atitude e emoções, defesa e
simulações que conduzem à culpa justificada, pois uma lei espiritual foi violada por essas atitudes,
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emoções, defeses e simulações. Uma vez que a concepção errônea equivale a irrealidade, não pode
evitar produzir emoções negativas, tais como raiva, culpa, ódio, desesperança, desconfiança, é fácil
ver como se conclui que a falsa culpa gera a culpa real. Além do mais, a concepção errônea leva à
não-realização e, portanto, à frustração e à decepção que, por sua vez, produz ressentimentos,
amargura, raiva. Concepções errôneas, isto é, ilusão, estão ligadas à infelicidade. Elas também tem
relação com o sentimento de impotência e à passividade doentia, os quais impedem o indivíduo de
fazer o que é necessário para alcançar aquilo que ele precisa e deseja. Tal passividade provém do
senso de futilidade que é inerente a todos os conflitos que surgem de uma concepção errônea. A
desesperança e o sentimento de ser vitimizado pela ausência de sentido que gera tais situações, são
ambas, em si mesmas, concepções errôneas. A falsa acusação lançada contra o mundo o faz
responsável pelo estado de infelicidade.
Assim o Self Verdadeiro envia a seguinte mensagem para a consciência “você está errado em
ser tão cheio de ressentimento”. A consciência da pessoa é geralmente incapaz de interpretar essas
mensagens corretamente e apenas sente vagamente que alguma coisa está errada com a sua
autopiedade, suas acusações, sua amargura, sua raiva.
Sempre que a falsa culpa surge no horizonte, no curso da autoconfrontação, nunca se deve
deixá-la ir sem mais nem menos. Em algum lugar uma culpa real está escondida por trás dela. É
como se a personalidade, não querendo encarar a culpa verdadeira, mais pressionada pela sua
consciência, produzisse uma culpa injustificada. Esta também pode, a princípio, estar escondida mas
quando for descoberta, pode-se dizer a si mesmo: “veja, eu a descobri. Eu não tenho que continuar
procurando o que faz com que eu me sinta tão mal comigo mesmo. Veja que eu sou tão honesto e
consciencioso que me sinto culpado até com questões irreais”. Quando a descoberta não leva a um
alívio duradouro, à mudança e maior liberdade interna e externa, pode-se concluir com segurança
que algumas culpas não foram encaradas.
O Trauma Infantil Não É Diretamente Responsável Pela Neurose
O trauma de infância apenas indiretamente produz carência, infelicidade, frustração,
negatividade, sentimentos e padrões de comportamento destrutivos enfim, neurose. Ele não é, por si
mesmo, responsável por tudo isso. A alma sadia também experimenta as infelicidades do começo da
vida com dor e angústia, mas vai se livrar dos efeitos sem formar forças profundas impregnadas de
padrões negativos. Tais padrões negativos são diretamente responsáveis pela experiência infeliz no
presente. É isto que deve ser claramente compreendido e trabalhado para superar aquilo que separa
a pessoa da vida. À luz dessa verdade os pais de uma pessoa não são em última análise responsáveis
pelas suas concepções errôneas. O ressentimento contra eles viola a Lei da Responsabilidade
Pessoal. Semelhantemente, ninguém é responsável pelos padrões neuróticos do seu filho. A culpa
excessiva por isso é baseada em uma concepção errônea. Contudo, cada um é responsável por suas
próprias distorções, que podem afetar a criança. Qualquer exemplo da história pessoal de alguém ou
daquelas de outros cuja vida interna ele conheça bem é uma vívida amostra dessa verdade. Eis
porque o interesse exclusivo na experiência da infância pode apenas, na melhor das hipóteses, dar
uma compreensão parcial; ele não pode produzir mudanças vitais significativas.
As mudanças só são possíveis quando a personalidade entende profundamente os seus
padrões destrutivos e os combate drasticamente. Isso confirma, novamente, a verdade a respeito da
responsabilidade pessoal.
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Ponto De Apoio Ou Bloqueio
A liberdade pessoal é a um só tempo, relativa, limitada e total. Uma vez que devemos
experimentar o produto das nossas atitudes e ações passadas, não podemos evitar a experiência das
dificuldades como resultado das nossas atitudes a ações passadas que foram baseadas na ilusão e
eram destrutivas. Isso nos prende enquanto o ignoramos. Mas nós possuímos a total liberdade para
escolher nossas atitudes diante do destino produzido por nós mesmos que vem como resultado do
passado. Nós podemos nos demorar em autopiedade, ressentimentos, impotência e assim aumentar
a fraqueza, a paralisia, a dependência e a destrutividade. Ou podemos nos decidir a querer tirar o
máximo dessa experiência, aprender dela o mais possível, crescer através dela em consciência e
percepção própria. Por meio de uma atitude assim o aparente bloqueio assume um novo significado,
cujo efeito sobre a personalidade pode ser vital, fortalecedor e libertador. Então vemos que o
bloqueio na nossa estrada era uma consequência direta das nossas distorções. Assim evitamos
experiências semelhantes – talvez até piores – no futuro, porque transformamos o resultado do
passado em um ponto de apoio.
A Situação Exterior Revela A Realidade Interna
Não importa o que acreditamos querer em nossa mente consciente, a situação da nossa vida
revela um desejo inconsciente, contraditório. A vida não pode ser enganada e gostemos ou não, ela
produz exatamente o resultado da soma total das nossas personalidades consciente e inconsciente.
Indesejável quanto possa ser esse resultado ele é, não obstante, o que nós infantil, cega ou
temerosamente, expressamos na vida. Não sabê-lo, ou não querer sabê-lo, produzirá amargura e uma
sensação de ser injustamente vitimizado. Escolher tal atitude só pode aumentar a cegueira e nos faz
manter a atitude destrutiva que a produziu em primeiro lugar. Podemos, por outro lado, escolher
outra atitude que é, à primeira vista, mais difícil. Mesmo que não se veja a situação indesejável como
autoproduzida – de fato, isto pode até parecer absurdo – a pessoa pode fazer uma experiência nesse
sentido em um espírito de abertura, humildade, honestidade e com o conhecimento de que a alma é
complicada e multifacetada. Este procedimento trará novas vistas espantosas e uma nova liberdade.
Representa, portanto, um tremendo atalho a utilização da situação externa como uma medida
para determinar o que pode estar errado no interior da personalidade. Caso a infelicidade, os
problemas e as dificuldades sejam usados como um indicador para procurar medos, erros e desejos
negativos ocultos, pode ser até descoberto que existem menos atitudes negativas ocultas que atitudes
sadias às claras. Porém, em virtude de ser inconscientes, elas tem um poder muito maior do que as
conscientes, que podem talvez ser atitudes mais fortes e positivas.
É, portanto, imperativo tornar o inconsciente consciente. Vagas reações emocionais,
pensamentos passageiros aos quais normalmente não se presta atenção pode revelar mais a respeito
do estado inconsciente do que parece possível à primeira vista. A focalização consciente deve ser
educada nessa direção. Então as vontades contraditórias, os medos escondidos e os desejos
negativos vão emergir. Quando reconhecidos, eles podem ser reconciliados com os objetivos
conscientes de acordo com valores e metas realistas.
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Recriando A Substância Da Alma- das Marcas Negativas às Positivas.
Depois que uma pessoa se torna plenamente consciente das concepções errôneas, após
experimentar ativamente as emoções negativas (Não é suficiente conhecê-las em teoria, elas
precisam ser completamente aceitas como resultado da permissão da experiência interna, sem serem
levadas à expressão externa da negatividade), a recriação pode começar. A coragem e a honestidade
que foram necessárias para passar pelo primeiro estágio – e que terão crescido em força como
resultado da nova autoaceitação – devem agora ser utilizadas para o propósito de instituir a
mudança.
O desejo de mudar, a intenção de mudar, devem ser formulados em formas-pensamentos
claras e concisas. A visão de como funciona a personalidade sadia, produtiva, em oposição aos
padrões destrutivos do passado, tem que ser produzida. Embora o ego-personalidade exterior, com
sua vontade e inteligência, seja necessário para iniciar esses passos, o mesmo ego tem também que
reconhecer o seu poder limitado e solicitar a inspiração e a ajuda do Self Superior a cada passo do
caminho. Assim a função do ego-personalidade é dupla: 1º) ele deve iniciar, fortalecer a sua própria
vontade, formular pensamentos, imprimir na substância da alma a verdade, a imagem dos círculos
benignos em comparação com os viciosos; 2º) ele deve ativamente apelar ao Poder Interno Maior e
tornar-se mais passivo, receptivo e pronto a escutar. Ele deve sair do caminho por um tempo, de
forma a permitir que o Poder Interno se revele – o que normalmente ocorre quando menos se
espera, pois é necessário uma atitude relaxada. ( Veja Palestra nº 169 ).
Procurando O Equilíbrio Entre As Funções Do Ego E As Manifestações Involuntarias de
Orientação e Auxílio Universal
Nem sempre é fácil achar o equilíbrio, em constante flutuação, entre a ação interior e o ego-
mente consciente. Deve-se sentir quando é necessário ser ativo na formulação de pensamentos para
gerar novas impressões e quando sair do caminho e manter o self calmo, aberto e receptivo. A
sensibilidade para fazê-lo aumenta na proporção em que se experimenta mais frequentemente a
realidade do Self Universal. Um dos seus mais importantes atributos é que ele mesmo pode ativar-se
até para permitir que você sinta mais precisamente como percebê-lo, para uma meditação mais
efetiva, para profundidade de sentimento e inspiração adequada para meditar de maneira mais
significativa. Cada fase particular pode requerer um outro tipo de meditação, pode necessitar da
ativação de diferentes aspectos do Poder Universal. Tudo isso pode vir de dentro quando solicitado.
As limitações da mente decrescem à medida que são reconhecidas e o “cérebro maior” no plexo
solar é consultado. O ego deve aprender a alternar-se entre ser ativo e passivo, iniciador e receptivo.
Gradualmente uma integração harmoniosa e autorreguladora vai ocorrer.
Você Precisa Perder Aquilo Que Quer Ganhar
Essa afirmação foi feita pelo Guia em uma das primeiras palestras. Ela tem o mesmo
significado da afirmação de Jesus sobre a necessidade de se ter uma disposição de perder a vida para
ganhá-la eternamente. Psicologicamente quer dizer que sem a disposição de abrir mão existe uma tal
tensão, um medo tal que tudo fica retesado por dentro e a boa vida não pode chegar ao ser recebida.
Ganhar só é possível quando se pode perder sem terror. Ao contrário, aquele que tem o terror de
perder nunca está realmente aberto à vitória. Estes princípios são adequadamente expostos na
Palestra nº 168.
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A Lei Unitiva
Nunca é verdade que um oposto é bom e o outro ruim. Cada um pode ser uma coisa ou outra.
Em cada um deles pode existir uma alternativa saudável e produtiva, bem como uma doentia e
destrutiva. Os exemplos a seguir ajudarão a ilustrar a questão.
Uma pessoa deve ser ao mesmo tempo ativa e passiva em uma interação harmoniosa, para
viver proveitosamente. Quando se presume que uma dessas opções é errada, surge a distorção e o
desequilíbrio. Um extremo do espectro do princípio ativo-passivo será exagerado e isso
inevitavelmente também afetará o outro lado.
A introspecção pode ser produtiva e produtora de crescimento. Ou pode ser autocentrada e
causadora de separação. O seu oposto, a preocupação com os outros, pode ser uma expressão de
genuíno amor e interesse. Ou pode ser um meio de evasão do self. Se a introspecção for saudável,
automaticamente existirá a preocupação com os outros em sua versão sadia. E, ao contrário, se uma
das duas existir na forma distorcida, o seu oposto será também distorcido.
A autoafirmação pode ser uma expressão de autonomia saudável ou pode ser uma
manifestação de rebelião e revelar um espírito de oposição hostil. Da mesma forma, a adaptabilidade
flexível pode ser a manifestação de uma psique sadia ou pode ser submissão e um disfarce para a
autonegação masoquista. Novamente, caso a primeira seja saudável a última também o será e vice-
versa. Porém, com que frequência as pessoas dizem “é certo ser autoafirmativo”, por exemplo,
quando elas apenas ocultam a distorção doentia dessa atitude. De forma idêntica, é comum que uma
pessoa alegue ser de boa índole e amorosa em seu constante ceder quando ela meramente está com
medo de se autoafirmar, porque se recusa a erguer-se sobre as próprias pernas e deseja se agarrar a
outra pessoa, a qual tem que ser “comprada” através da submissão. Uma pessoa assim escraviza a si
mesma com o intuito secreto de assim, finalmente, escravizar o outro.
A extroversão se genuína é espontânea e uma expressão de uma personalidade calorosa e
amorosa que quer estar em contato com outras, que é capaz de se relacionar com outras. A sua
versão negativa, distorcida é a atitude de se impor aos outros, a manifestação da incapacidade de
estar sozinho. Contrariamente, ser contido é outra face da mesma moeda. Na personalidade sadia
isso revela uma confiança básica nos próprios recursos internos da pessoa. Isso a faz capaz de estar
só. De fato ela precisará passar algum tempo consigo mesma. Só assim é possível um genuíno
relacionamento com outros. Na distorção esses dois aspectos tornam-se mutuamente excludentes,
sendo um aceito como “bom” e o outro como “mau”, a depender das distorções e erros específicos
das pessoas envolvidas. A distorção doentia da pessoa autossuficiente é a reclusão, que não pode
conviver com outras pessoas e então escapa na solidão. Isso pode ser racionalizado com a simulação
de que é a sua versão saudável. Normalmente, nesses casos, toda extroversão é acusada de superficial
e carente de profundidade interior, quer seja a versão saudável ou a distorcida.
Esses e muitos exemplos ilustram o conceito ilusório da parceria, de julgar um lado ou um
aspecto de um todo como “certo” e o outro como “errado”. Se a distorção for muito forte é
relativamente fácil reconhecê-la. Mas ela pode com frequência ser encoberta assumindo-se a
aparência da versão sadia. É portanto notável que quanto mais profundo se estiver neste caminho,
menos se estará inclinado a tomar o oposto e colocá-lo contra o outro. Cada vez mais será visto que
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ambos formam um todo integral. Isso demonstra como a dualidade deve levar ao princípio unitivo
no curso deste Pathwork®.
Há muitos anos atrás, em uma sessão privada, o Guia fez a seguinte afirmação, a qual pode ser
útil: Se você não quiser ser mais do que é, você não temerá ser menos do que é.
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