©UNFPA Brasil/Fernando Ribeiro ©UNFPA Brasil/Erick Dau
E DINÂMICA DA
FECUNDIDADE
POPULAÇÃO
BRASILEIRA
A transição demográfica pela qual o Brasil tem passado faz parte de um
processo iniciado há décadas. As altas taxas de mortalidade e natalidade
vistas no passado reduziram e, em um primeiro momento, deram lugar a
uma população jovem mais numerosa. Com as mulheres brasileiras ten-
do menos filhos, a base da pirâmide populacional se reduziu e o cenário
aponta para uma população que está envelhecendo progressivamente.
A redução no número de filhos por mulher aconteceu de forma am-
pla, geral e irrestrita. Em maior ou menor escala, ela esteve associada
a indicadores de desenvolvimento econômico, ao fortalecimento das
instituições públicas e a mudanças nas relações de gênero. Mas as
desigualdades que permanecem tão marcantes na sociedade brasi-
leira também refletem no acesso a informações e a serviços. Assim, a
educação e a renda, duas das desigualdades mais relevantes no Brasil,
impactam diretamente nas taxas de fecundidade.
Em um extremo, mulheres com mais anos de estudo e com uma
progressão maior na carreira profissional têm cada vez menos filhos,
muitas vezes menos do que o número desejado, em especial por não
conseguirem conciliar trabalho e família. O mesmo acontece quando se
analisam os índices de acordo com a renda: nos 20% dos domicílios com
maiores rendimentos no país, as mulheres têm taxas de fecundidade
que não chegam às taxas de reposição delas mesmas na população (ao
redor de 1, frente à taxa de reposição de 2).
Na outra ponta, e com número significativo de pessoas, percebe-se
que as mulheres com menos anos de estudo ainda têm mais filhos do
que desejam. Isto porque, em geral, mulheres com menos escolaridade,
rendimento e oportunidades também acabam tendo filhos quando são
jovens – e, na maioria, filhos nascidos de gravidezes não planejadas.
Em 2006, quase 60% das mulheres que se tornaram mães entre
os 15 e 19 anos e 50% das que tiveram filhos entre os 20 e 24 anos de
idade não queriam ter engravidado naquele momento. Ou seja, embora
as políticas públicas tenham aumentado a oferta de informações e in-
sumos e o acesso a serviços de saúde sexual e reprodutiva, ainda estão
aquém do ideal que permita às mulheres a garantia de seus direitos.
Com os altos níveis de gravidezes não desejadas em mulheres mais
jovens, percebe-se um fenômeno importante no Brasil: a transição de-
mográfica não aconteceu com as mulheres tendo filhos em idades mais
avançadas, mas a maternidade ocorre em alta proporção no início da
juventude, seguida do controle da fecundidade ainda em idades jovens.
A taxa de fecundidade é hoje um dos fatores de maior efeito da di-
nâmica da populacão brasileira e, portanto, de grande importância na
elaboração de políticas públicas que considerem os novos perfis demo-
gráficos. E em um país de dimensões como o Brasil, grande em exten-
são e em desigualdades, é fundamental analisar as diferentes nuances
geográficas e socioeconômicas que impactam diretamente nas taxas
de fecundidade e na autonomia das decisões sobre a vida reprodutiva.
Acesse a pesquisa completa em unfpa.org.br
CAMINHOS DA
FECUNDIDADE NO BRASIL:
HISTÓRICO, TENDÊNCIAS
E POLÍTICAS PÚBLICAS
©UNFPA Brasil/Fernando Ribeiro
POPULAÇÃO E TRANSIÇÃO DEMOGRÁFICA NO BRASIL
Fonte: IBGE/Séries históricas e Estatísticas; Projeções Populacionais, Revisão 2018.
Nota: valores anuais interpolados linearmente.
Crescimento vegetativo: Taxa bruta de mortalidade: Taxa bruta de natalidade:
Diferença entre o número de Número de óbitos por 1.000 Número de nascidos vivos
pessoas que nascem (natali- habitantes na população por 1.000 habitantes na
dade) e o número de pessoas residente em determinado população residente em
que morrem (mortalidade). espaço geográfico, no ano determinado espaço geográ-
considerado. fico, no ano considerado.
A TBM atingiu o seu nível mais
A taxa de *crescimento vegetativo*, baixo de toda a história brasileira
que estava em 1,5% ao ano antes da em 2009, quando apresentou
Proclamação da República (1889), um valor de 6 óbitos por mil
passou para quase 2% ao ano nas
três primeiras décadas do século XX
e atingiu o pico do crescimento (3% Após o fim da Segunda Guerra Mundial,
ao ano) entre 1950 e 1960 assim como na maioria dos países do
mundo, a TBM caiu rapidamente e
chegou a menos de 10 por mil em 1965
A população
brasileira supera
os 200 milhões de
habitantes em 2013
A população brasileira, que era de 10 milhões de
habitantes em 1872, passou para 17,4 milhões em
1900 e deu um salto de quase 10 vezes no século XX,
passando para cerca de 170 milhões no ano 2000
Em 2047, pela primeira vez a TBN deve ficar abaixo de 10,14.
Neste ano, as projeções são de que as duas curvas dos eventos
vitais (TBN e TBM) vão se inverter e a população brasileira
começará a reduzir. O pico populacional deve ser atingido em
2047, com o total de 233,23 milhões de habitantes
TAXA DE FECUNDIDADE TOTAL
(Brasil e grandes regiões)
Fonte: IBGE/Censos Demográfi cos,
1940-2010, Séries Estatísticas. Norte
1960 - 8,33
Nota: O Estado do Tocantins está 2010 - 2,34
considerado na região Centro-Oeste
para dados até 1980 e na região Nordeste
Norte a partir de 1991. 1950 - 7,6
2010 - 1,92
Centro-Oeste Sudeste
1950 - 6,8 1940 - 5,98
2010 - 1,82 2010 - 1,67
Sul
1960 - 6,01
2010 - 1,66
TAXA DE
FECUNDIDADE
ESPECÍFICA (Brasil) Anos de estudo
Fonte: IBGE/Pesquisa Nacional por
Fonte: IBGE/Pesquisa Nacional por
Amostra de Domicílios (2001 e 2015)
Amostra de Domicílios (2001 e 2015)
3,45
0-4
TAXA DE FECUNDIDADE é o 3,00
2,75
número médio de filhos por 2,90
5-8
mulher. Essa média varia de
acordo com características
sociais e demográficas, como
1,82
local de residência, escolaridade, 1,64
renda, idade, raça e cor. 9-11
12+
1,56
1,18
2001 2015
Idade (Nº de nascimentos por mil mulheres/2015)
Fonte: IBGE/Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (2001 e 2015)
67,0
10,0
TAXAS DE FECUNDIDADE NO MUNDO
Fonte: UN Population Prospects, 2017 review.
Europa
ocidental
1,7
Europa
oriental
América
do Norte 1,6
1,9
Oceania
Brasil
América 2,4
Latina 1,8
<=2,5
Quintil 1 3,92
2,90
Rendimento médio Quintil 2 2,51
Quintil 1: 20% mais pobres da população
Quintil 3 1,96 1,89
Quintil 5: 20% mais ricos da população
Quintil 4 1,62 1,70
Quintil 5 1,41 1,41
0,77
2001 2015
Indígenas
3,87
Preta 2,75
Devido ao tamanho 2,14
Parda 2,65
amostral da PNAD, Raça/Cor 1,96
Fonte: IBGE/Pesquisa Branca 2,10 2,11
não é possível obter 1,88
Nacional por Amostra
estimativas sobre a de Domicílios (2001 1,67 1,69
população indígena, e 2015) e Censo
Demográfi co de 2010
entretanto, ela é a
pesquisa mais atual. 2001 2010 2015
O Censo possui tais
dados, mas o último
levantamento 4,96 Indígena
rural
foi realizado em
2010. Para fins 3,5
comparativos, Rural 2,73
Indígena
apresentamos
ambos.
Rural e urbana urbana
(incluindo indígenas) 2,20 2,41
Fonte: IBGE/Pesquisa Urbana
Nacional por Amostra
de Domicílios (2001
e 2015) e Censo 1,75
Demográfi co de 2010
2001 2010 2015
TAXA DE FECUNDIDADE DESEJADA E OBSERVADA
Fonte: PNDS-2006 (Brasil/MS, 2008)
Desejada1 Observada2
Norte
Nordeste
REGIÃO
Sudeste
Sul
Centro-Oeste
ANOS DE ESTUDO
Nenhum
1-3 anos
4 anos
5-8 anos
9-11 anos
12 ou mais
Branca
COR
Negra
Outra
0 0,5 1 1,5 2 2,5 3 3,5 4 4,5
1
Calculada considerando o número de fi lhos nascidos vivos sobreviventes nos 36 meses prévios à data da entrevista
2
Compreende os fi lhos nascidos nos meses 1 a 36 prévios à data da entrevista
PREVALÊNCIA DE MÉTODOS CONTRACEPTIVOS
MODERNOS E TRADICIONAIS POR TIPO DE MÉTODO
Fonte: Bemfam, Pesquisa Nacional de Demografi a Saúde, 1986 e 1996. Ministério da Saúde, Pesquisa
Nacional de Demografi a e Saúde (PNDS), 2006. IBGE, Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), 2013
Esterilização Feminina DIU Camisinha feminina Métodos tradicionais
Pílula Camisinha masculina Métodos de barreira Não usava*
femininos
Injetável + implante Esterilização masculina
1986 1996
0% 0% 0,1%
2006 2013
0% 0,1%
RECOMENDAÇÕES
Os países como o Brasil, que atingiram a baixa fecundidade em um pe-
ríodo muito curto de tempo e que ainda mantêm grandes desigualda-
des sociais e econômicas, apresentam maiores desafios para alcançar o
acesso universal à saúde e a garantia dos direitos sexuais reprodutivos.
Algumas recomendações são sugeridas neste sentido:
EMPODERAR jovens e mulheres para que consigam tomar decisões
informadas e autônomas sobre sua via sexual e reprodutiva.
IMPLEMENTAR a educação integral para a sexualidade que garanta
que adolescentes e jovens tenham informação adequada para a idade,
com enfoque participativo, intercultural, de gênero e de direitos huma-
nos. E assegurar que essa educação seja oferecida com qualidade, por
profissionais capacitados, e de forma integrada com a saúde.
GARANTIR E AMPLIAR o acesso a contraceptivos modernos em
todo o território nacional, incluindo contracepção de emergência e de
longo prazo, para mulheres e homens de toda as faixas etárias e dos
mais variados grupos populacionais, com atenção especial a territórios
de difícil acesso.
GARANTIR serviços, atendimentos e cuidados adequados nos casos de
aborto legal, assim como a atenção humanizada às mulheres em situação
de abortamento, ampliando o debate sobre o tema da saúde pública.
ASSEGURAR serviços de saúde sexual e reprodutiva prestados por
profissionais qualificados e que sejam serviços acessíveis em aspectos
físicos, financeiros e culturais. Também investir na qualificação de pro-
fissionais que trabalham nos sistemas de saúde, eliminando barreiras de
informação, com atenção especial à população jovem atendida
MELHORAR a qualidade dos serviços de saúde reprodutiva em geral
e oferecer um acesso universal, para homens, mulheres, adolescentes,
jovens, idosos e pessoas com deficiência, sem discriminação.
IMPLEMENTAR políticas de conciliação entre trabalho e família e de
redução das desigualdades de gênero, pois a realização da maternidade
não deve concorrer com uma vida produtiva no mercado de trabalho e a
plena realização profissional
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