PROCESSO DO TRABALHO
Recursos – Parte 1
Prof. Daniel de Brito Sousa
Recursos Trabalhistas
1. Conceito
Recurso é o meio processual idôneo colocado à disposição da parte vencida, no todo ou
em parte, do terceiro prejudicado e do Ministério Público para que a decisão judicial impugnada
seja submetida à um novo julgamento, objetivando a reforma, invalidação ou esclarecimento do
julgado.
Parte Vencida (No todo ou em parte)
Recorrente Terceiro Prejudicado
(Legitimados)
Ministério Público (MPT no caso do Processo do Trabalho)
2. Princípios
2.1. Princípio da Legalidade ou Taxatividade
Todos os recursos deverão encontrar amparo no ordenamento jurídico vigente.
Recursos Trabalhistas em Espécie: (No Processo de Conhecimento = 9*
a) Embargos de Declaração (Art. 897-A CLT e Art. 535 a 538 do CPC);
b) Recurso Ordinário (Art. 895 da CLT);
c) Agravo de Instrumento (Art. 897, “b”, §§, da CLT);
d) Agravo Regimental / Interno (Regimento Interno dos Tribunais Trabalhista e Art. 709,§1º, CLT)
e) Recurso de Revista (Art. 896 da CLT);
f) Embargos do TST – [De Divergência e Infringentes] (Art. 894 da CLT);
g) Recurso Extraordinário (Art. 102, III, CF);
h) Recurso Adesivo *Segue as regras do principal.
i) Recurso de Revisão – ou Pedido de Revisão (Art. 2º Lei 5.584/1970)
2.2.Princípio do Duplo Grau de Jurisdição
Representa a possibilidade do reexame de determinada decisão.
Obs.: Princípio do duplo grau de jurisdição obrigatória - Art. 475 CPC
Também conhecido como Reexame Necessário ou Recurso “ex officio”. O instituto em
análise existirá na hipótese de decisões condenatórias contrárias à Fazenda Pública, sendo esta
uma prerrogativa processual conferida a seu favor.
Nesses casos, a sentença somente produzirá efeitos depois de confirmada pelo Tribunal.
Por este motivo, havendo ou não recurso da decisão de primeiro grau, o processo “sobe” para a
segunda instância.
De acordo com o TST, se aplica ao Processo do Trabalho – Súmula 303 do TST.
a) Quando a condenação não superar 60 salários mínimos.
b) Quando a decisão estiver em conformidade com decisão plenária do STF ou Súmula e OJ’s do TST.
• Súmula 303 TST:
“I - Em dissídio individual, está sujeita ao duplo grau de jurisdição, mesmo na vigência da CF/1988,
decisão contrária à Fazenda Pública, salvo:
a) quando a condenação não ultrapassar o valor correspondente a 60 (sessenta) salários mínimos;
b) quando a decisão estiver em consonância com decisão plenária do Supremo Tribunal Federal ou
com súmula ou orientação jurisprudencial do Tribunal Superior do Trabalho.
II - Em ação rescisória, a decisão proferida pelo juízo de primeiro grau está sujeita ao duplo grau de
jurisdição obrigatório quando desfavorável ao ente público, exceto nas hipóteses das alíneas "a" e
"b" do inciso anterior.
III - Em mandado de segurança, somente cabe remessa "ex officio" se, na relação processual, figurar
pessoa jurídica de direito público como parte prejudicada pela concessão da ordem. Tal situação
não ocorre na hipótese de figurar no feito como impetrante e terceiro interessado pessoa de direito
privado, ressalvada a hipótese de matéria administrativa.”
3.3. Princípio da Fungibilidade ou da Conversibilidade Recursal
É a possibilidade de um recurso erroneamente interposto ser conhecido como se fosse o
recurso cabível.
Este princípio existe tanto no Processo Civil quanto no Processo do Trabalho.
Fundamento: Arts. 154 e 244 CPC (princípio da instrumentalidade das formas ou da finalidade)
• “Art. 154 do CPC: Os atos e termos processuais não dependem de forma determinada senão
quando a lei expressamente a exigir, reputando-se válidos os que, realizados de outro modo, lhe
preencham a finalidade essencial.”
• “Art. 244 do CPC: Quando a lei prescrever determinada forma, sem cominação de nulidade, o juiz
considerará válido o ato se, realizado de outro modo, lhe alcançar a finalidade.”
Por esse princípio, havendo um conflito entre a finalidade do ato e a forma do ato, o
direito dá preferência à sua finalidade.
Porém, é necessário 3 (três) requisitos cumulativos:
a) Inexistência de erro grosseiro ou de má-fé;
b) Existência de dúvida objetiva (dúvida na doutrina e na jurisprudência);
c) Respeito ao prazo do recurso correto.
I. Erro Grosseiro para o TST:
a) OJ 412 da SDI-1 do TST: “É incabível agravo inominado (art. 557, §1º, do CPC) ou agravo
regimental (art. 235 do RITST) contra decisão proferida por Órgão colegiado. Tais recursos
destinam-se, exclusivamente, a impugnar decisão monocrática nas hipóteses expressamente
previstas. Inaplicável, no caso, o princípio da fungibilidade ante a configuração de erro
grosseiro.”
VT Sentença TRT Acórdão TST (Turma) Acórdão TST (Órgão Especial)
(ED, AI, RO)/(AR, ED) (ED, AI,RR)/(AR,ED) (ED, AR., E.TST)(AR,ED)
- Agravo Inominado ou AR contra decisão colegiada constitui erro grosseiro.
b) OJ 152 SDI-2 do TST: “A interposição de recurso de revista de decisão definitiva de Tribunal
Regional do Trabalho em ação rescisória ou em mandado de segurança, com fundamento em
violação legal e divergência jurisprudencial e remissão expressa ao art. 896 da CLT, configura
erro grosseiro, insuscetível de autorizar o seu recebimento como recurso ordinário, em face do
disposto no art. 895, “b”, da CLT.”
Processo Especiais (Competência dos TRT’s):
- Ações Rescisórias, Cautelares, Mandados de Segurança e Dissídios Coletivos.
TRT Acórdão TST (Turma)
(ED,AI, RO)/(AR,ED)
- RR no lugar do RO constitui erro grosseiro.
II. Aplicação do Princípio da Fungibilidade Recursal:
a) OJ 69 da SDI-2 do TST: “Recurso ordinário interposto contra despacho monocrático
indeferitório da petição inicial de ação rescisória ou de mandado de segurança pode, pelo
princípio de fungibilidade recursal, ser recebido como agravo regimental. Hipótese de não
conhecimento do recurso pelo TST e devolução dos autos ao TRT, para que aprecie o apelo
como agravo regimental.”
Processo Especiais (Competência dos TRT’s): Ações Rescisórias, Cautelares, MS e Dissídios Coletivos.
TRT Despacho Monocrático Indeferitório da Petição Inicial Extinção sem resolução de mérito.
- RO contra “Despacho Monocrático Indeferitório da Petição Inicial” será conhecido como AR.
b) Súmula 421 do TST:
“I - Tendo a decisão monocrática de provimento ou denegação de recurso, prevista no art. 557
do CPC, conteúdo decisório definitivo e conclusivo da lide, comporta ser esclarecida pela via
dos embargos de declaração, em decisão aclaratória, também monocrática, quando se
pretende tão-somente suprir omissão e não, modificação do julgado.
Omissão ED (Embargos de Declaração) Decisão Aclaratória
- Manifesto equívoco no exame dos pressupostos extrínsecos do recurso.
II - Postulando o embargante efeito modificativo, os embargos declaratórios deverão ser
submetidos ao pronunciamento do Colegiado, convertidos em agravo, em face dos princípios
da fungibilidade e celeridade processual.”
- Omissão ED com Efeito Modificativo ou Infringentes Será recebido como Agravo Inominado.
3.4.Princípio da Proibição da “reformatio in pejus”/ ou Princípio da “non reformatio in pejus”
No julgamento de um recurso o tribunal, não poderá agravar a situação do recorrente. O
julgamento do tribunal está adstrito a matéria do recurso – “tantum devolutum quantum
appellatum”.
* Também conhecido como Efeito Devolutivo em Extensão ou Horizontal. – Art. 512 do CPC.
Art. 512 CPC: “O julgamento de um recurso pelo tribunal substituirá a decisão recorrida apenas
naquilo que foi objeto do apelo.”
Exceções:
a) Não se aplica quando ambos recorrem;
b) Matérias de Ordem Pública (Objeções Processuais) – São aquelas que deverão ser conhecidas de
ofício pelo magistrado, que poderão ser alegadas a qualquer momento (tempo e grau de
jurisdição) do processo;
exemplo: Ausência de Condições da Ação ou de Pressupostos Processuais.
*Também conhecido como Efeito Translativo do Recurso.
4. Juízos de Admissibilidade Recursal e Pressupostos Recursais
Os Juízos de Admissibilidades têm por foco a análise dos pressupostos recursais, também
chamados de requisitos de admissibilidade recursal.
Os pressupostos recursais são requisitos que deverão ser preenchidos pelo recorrente para que o
recurso tenha o seu mérito apreciado.
Em regra, temos dois juízos de admissibilidade:
I) Juízo “a quo”: 1º → pelo próprio juízo que proferiu a decisão recorrida;
II) Juízo “ad quem”: 2º → pelo juízo competente para o julgamento do recurso.
• Excepcionalmente, temos um recurso trabalhista que passa por um único juízo de
admissibilidade: Embargos de Declaração.
4.1. Análise dos Pressupostos Recursais
Na análise desses pressupostos recursais, a decisão proferida pelo juízo “a quo” não
vincula o juízo “ad quem”.
Fundamento: os pressupostos recursais são matérias de ordem pública.
4.2. Classificação dos Pressupostos Processuais
A doutrina e a jurisprudência classificam os pressupostos processuais: Extrínsecos e
Intrínsecos.
I. Extrínsecos (objetivos)
Os pressupostos recursais extrínsecos ou objetivos são aqueles que dizem respeito aos
aspectos externos da decisão recorrida e do próprio recurso:
a) Previsão legal ou cabimento; - Princípio da Taxatividade.
b) Adequação; - Princípio da Fungibilidade
c) Tempestividade.
d) Preparo;
e) Regularidade de representação. – “Jus Postulandi”
II. Intrínsecos (subjetivos)
São aqueles que dizem respeito aos aspectos internos da decisão recorrida ou do próprio
recurso.
a) Legitimidade;
b) Interesse;
c) Capacidade.
4.2.1. Tempestividade
O Recurso tem que ser interposto no prazo correto. Caso o prazo não seja respeitado, isso
levará ao não conhecimento do recurso – Recurso Intempestivo.
Obs.: É tempestivo o recurso interposto antes da publicação da decisão recorrida?
• Súmula 434 do TST:
“I - É extemporâneo recurso interposto antes de publicado o acórdão impugnado.
(...)”
4.2.2. Preparo
O preparo no processo do trabalho é composto de:
Custas (Art. 789, CLT) + Depósito Recursal (Art. 899, CLT).
A ausência de preparo recebe o nome de deserção, que leva também ao não
conhecimento do recurso.
a) Custas - Arts. 789 e ss. CLT.:
As custas possuem natureza jurídica de taxas, tendo em vista a movimentação da máquina
judiciária.
Alíquota fixa: 2% do Valor do Acordo ou da Condenação.
Valor mínimo: R$ 10,64.
Outras regras de Custas:
1ª) Na fase de conhecimento: as custas deverão ser pagas pelo vencido após o trânsito em julgado;
2ª) Na fase de execução: as custas serão sempre de responsabilidade do executado e pagas ao final
-Princípio da responsabilidade das custas pelo executado.
3ª) Nos recursos: As custas deverão ser pagas e comprovado o recolhimento dentro do prazo
recursal. Ainda que seja feita a interposição antecipada, a parte terá todo o prazo restante do
recurso para pagar as custas.
Essa regra é diferente do art. 511, CPC, que faz alusão ao pagamento de custas no ato de
interposição de recurso.
Ex.: interposição do RO no 3º dia do prazo, porém com o pagamento das custas no 8º dia, o recurso
será tempestivo e reconhecido.
Obs.: o TST entende que a diferença ínfima referente à centavos implicará na deserção do
recurso.
- OJ 140 SDI-1 do TST: “Ocorre deserção quando a diferença a menor do depósito recursal ou das
custas, embora ínfima, tinha expressão monetária, à época da efetivação do depósito.”
4ª) No acordo: as custas deverão ser pagas em partes iguais se de outra forma não for
convencionado.
5ª) Nos dissídios coletivos: as partes vencidas responderão solidariamente pelas custas.
6ª) Isenções Subjetivas: sujeitos processuais que não recolhem custas:
a) Beneficiários da Justiça Gratuita;
b) Fazenda Pública (Administração Pública direta, autárquica e fundacional);
c) MPT;
d) Massa Falida – Súmula 86 TST - Esse benefício não alcança as empresas em liquidação
extrajudicial.
Obs.: Essa isenção não alcança as entidades fiscalizadoras do exercício profissional e nem exime a
Fazenda Pública de reembolsar o vencedor das despesas que efetuou (ex.: OAB, CREA, etc.).
b) Depósito Recursal - Art. 899, CLT
O depósito recursal possui natureza jurídica híbrida ou mista.
É um pressuposto recursal de natureza extrínseca, mas possui um grande objetivo, ou seja,
a garantia do juízo em favor do empregado para futura execução por quantia.
O depósito recursal somente será exigido do empregador havendo condenação em pecúnia
- Súmula 161, TST: “Não havendo condenação em pecúnia, descabe o depósito prévio de que
tratam os parágrafos 1º e 2º do Art. 899 da Consolidação das Leis do Trabalho.”
O depósito recursal é um benefício para o empregado, sendo uma das manifestações do
protecionismo processual, também chamado de proteção temperada, mitigada ou relativizada no
processo do trabalho.
É uma garantia em favor do empregado, portanto, não faz sentido o empregado fazer este
depósito.
O depósito é feito na conta vinculada do FGTS
- Súmula 426 TST.: “Nos dissídios individuais o depósito recursal será efetivado mediante a
utilização da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, nos termos
dos §§ 4º e 5º do art. 899 da CLT, admitido o depósito judicial, realizado na sede do juízo e à
disposição deste, na hipótese de relação de trabalho não submetida ao regime do FGTS.”
• Súmula 128 TST
“I - cada novo recurso a parte deverá efetuar o depósito integral, atingido o valor da condenação,
nenhum depósito mais será exigido. Desta análise, chaga-se à ideia de que o depósito recursal
possui dois limites (atualização do valor no mês de julho de todo ano):
Condenação Depósito Recursal
Até R$ 7.058,11 Valor da Condenação
Maior que R$ 7.058,11 até R$ 21.172,33 R$ 7.058,11 – RO
Restante do Valor da Condenação – RR, E.TST, RE
Maior que R$ 21.172,33 R$ 7.058,11 – RO
R$ 14.116,22 – RR, E.TST, RE
II - trata do depósito recursal na execução – em tese, na fase de execução, não haverá necessidade
do depósito recursal pois o juízo já se encontra garantido. Todavia, se houver aumento no valor da
condenação, a respectiva complementação deverá ser efetuada.”
5. Principais Características dos Recursos Trabalhistas
5.1. Uniformidade dos prazos recursais trabalhistas
- Regra: prazo de 8 dias (razões e contrarrazões) – art. 6º Lei 5.584/1970:
a) Recurso Ordinário;
b) Agravo de Instrumento;
c) Recurso de Revista;
d) Embargos no TST;
e) Agravo de Petição.
Exceções:
a) Embargos Declaratórios: 5 dias (art. 897-A CLT);
b) Recurso Extraordinário: 15 dias (art. 508 CPC);
c) Recurso de Revisão: 48 horas (art. 2º, Lei 5.5584/1970);
d) Agravo Regimental ou Interno: prazo depende do que diz o regimento interno dos TRTs;
TRT = Maioria 5 dias / TST = 8 dias
e) Fazenda Pública: prazo em dobro para recorrer.
e) Fazenda Pública: prazo em dobro para recorrer
Art. 1º, III, DL 779/1969: este decreto lei traz diversas prerrogativas processuais conferidas
à Fazenda Pública na Justiça do Trabalho (importante a sua leitura).
Obs.: prevalece o entendimento de que o prazo é simples para contrarrazões da Fazenda Pública.
f) Ministério Público do Trabalho: prazo em dobro para recorrer.
Art. 188 CPC: “Computar-se-á em quádruplo o prazo para contestar e em dobro para
recorrer quando a parte for a Fazenda Pública ou o Ministério Público.
Obs.: posição majoritária – prazo singelo para contrarrazões.
Obs.: o TST entende que o art. 191 do CPC é inaplicável ao Processo do Trabalho, por
incompatibilidade com o princípio da celeridade trabalhista.
Litisconsortes:
- OJ 310 SDI-1/TST: “A regra contida no art. 191 do CPC é inaplicável ao processo do trabalho.”
• Art. 191, CPC: “Quando os litisconsortes tiverem diferentes procuradores ser-lhes-ão contados
em dobro os prazos para contestar, para recorrer e, de modo geral, para falar nos autos.”
- Incompatível com o Princípios da Celeridade (Art. 769, CLT)
5.2. Irrecorribilidade Imediata ou Direta das Decisões Interlocutórias.
• Súmula 214 TST: “Na Justiça do Trabalho, nos termos do art. 893, § 1º, da CLT, as decisões
interlocutórias não ensejam recurso imediato, salvo nas hipóteses de decisão:
a) de Tribunal Regional do Trabalho contrária à Súmula ou Orientação Jurisprudencial do Tribunal
Superior do Trabalho;
b) suscetível de impugnação mediante recurso para o mesmo Tribunal;
c) que acolhe exceção de incompetência territorial, com a remessa dos autos para Tribunal Regional
distinto daquele a que se vincula o juízo excepcionado, consoante o disposto no art. 799, § 2º, da
CLT.”
• Art. 799, § 2º Das decisões sobre exceções de suspeição e incompetência, salvo, quanto a estas, se
terminativas do feito, não caberá recurso, podendo, no entanto, as partes alegá-las novamente no
recurso que couber da decisão final.
• Art. 893, § 1º Os incidentes do processo são resolvido pelo próprio Juízo ou Tribunal, admitindo-se
a apreciação do merecimento das decisões interlocutórias somente em recurso da decisão
definitiva.
Obs.: dessa forma, no processo do trabalho, não existe agravo retido, e o agravo de instrumento
tem outra função, a de destrancar recurso no juízo “a quo”.
Obs.: tendo em vista a irrecorribilidade imediata das decisões interlocutórias, surgiu a figura do
protesto nos autos na praxe forense.
Protesto nos autos/protesto anti-preclusivo.
• Art. 795, CLT: “As nulidades não serão declaradas senão mediante provocação das partes, as quais
deverão argüi-las à primeira vez em que tiverem de falar em audiência ou nos autos.
§ 1º - Deverá, entretanto, ser declarada ex officio a nulidade fundada em incompetência de foro.
Nesse caso, serão considerados nulos os atos decisórios.
§ 2º - O juiz ou Tribunal que se julgar incompetente determinará, na mesma ocasião, que se faça
remessa do processo, com urgência, à autoridade competente, fundamentando sua decisão”
A CLT exige que a parte se manifeste de uma nulidade na primeira oportunidade
processual sob pena de preclusão.
A praxe forense criou o protesto nos autos, para evitar a preclusão. Portanto, durante a
audiência, havendo prejuízo para a parte, ela poderá pedir o protetso nos autos como meio de
defesa.
6. Recursos em Espécie
6.1. Embargos de Declaração (ED)
6.1.1. Amparo legal
• Art. 897-A, CLT: “Caberão embargos de declaração da sentença ou acórdão, no prazo de cinco
dias, devendo seu julgamento ocorrer na primeira audiência ou sessão subseqüente a sua
apresentação, registrado na certidão, admitido efeito modificativo da decisão nos casos de
omissão e contradição no julgado e manifesto equívoco no exame dos pressupostos extrínsecos
do recurso.”
• Art. 535 a 538 CPC por força do art. 769 CLT.
6.1.2. Prazo
5 dias.
6.1.3. Natureza Jurídica
Atualmente prevalece o entendimento de que os embargos gozam de natureza recursal,
tendo em vista os seguintes argumentos:
1º) Previsão legal: a lei indica que os embragos declaratórios são recurso (arts. 893 CLT e 496 CPC);
2º) Possibilidade de efeito modificativo ou infringente: irá promover a reforma do julgado.
6.1.4. Preparo
Isenção objetiva (custas/depósito recursal)
6.1.5. Hipóteses de cabimento
A) Aclarar a decisão – suprir omissão, contradição ou obscuridade no julgado.
Obs.: Obscuridade por aplicação subsidiária do CPC.
B) Obter efeito modificativo ou infringente – cabimento:
- Omissão;
- Contradição;
- Manifesto equívoco no exame dos pressupostos extrínsecos do recurso.
• OJ 142 SDI-1/TST:
“I - É passível de nulidade decisão que acolhe embargos de declaração com efeito modificativo sem
que seja concedida oportunidade de manifestação prévia à parte contrária.
II - Em decorrência do efeito devolutivo amplo conferido ao recurso ordinário, o item I não se aplica
às hipóteses em que não se concede vista à parte contrária para se manifestar sobre os embargos
de declaração opostos contra sentença.”
Se houver pedido de efeito modificativo ou infringente, a parte contrária deverá ser
intimada para se manifestar sob pena de nulidade do julgado.
Item I: necessidade da manifestação prévia.
Todavia, o item I não é aplicável na hipótese de sentença, tendo em vista o efeito
devolutivo amplo do recurso ordinário.
Item II: inaplicabilidade na hipótese de sentença.
C) Prequestionamento para futura interposição de recursos de natureza extraordinária
• Súmula 297 TST:
“I - Diz-se prequestionada a matéria ou questão quando na decisão impugnada haja sido adotada,
explicitamente, tese a respeito.
II - Incumbe à parte interessada, desde que a matéria haja sido invocada no recurso principal, opor
embargos declaratórios objetivando o pronunciamento sobre o tema, sob pena de preclusão.
III - Considera-se prequestionada a questão jurídica invocada no recurso principal sobre a qual se
omite o Tribunal de pronunciar tese, não obstante opostos embargos de declaração.”
Conceito de prequestionamento: considera-se prequestionada a matéria ou a questão
quando houver pronúncia explícita do tribunal sobre a questão.
Se o tribunal for omisso, os embargos declaratórios poderão ser opostos para fins de
prequestionamento (item II).
• Súmula 98 STJ:
“Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm
caráter protelatório.”
Os embargos declaratórios para fins de prequestionamento não tem caráter protelatório
6.2. Recurso Ordinário (R.O.)
6.2.1. Amparo Legal
“Art. 895 - Cabe recurso ordinário para a instância superior:
I - das decisões definitivas ou terminativas das Varas e Juízos, no prazo de 8 (oito) dias; e
II - das decisões definitivas ou terminativas dos Tribunais Regionais, em processos de sua competência
originária, no prazo de 8 (oito) dias, quer nos dissídios individuais, quer nos dissídios coletivos.
§ 1º - Nas reclamações sujeitas ao procedimento sumaríssimo, o recurso ordinário:
II - será imediatamente distribuído, uma vez recebido no Tribunal, devendo o relator liberá-lo no prazo
máximo de dez dias, e a Secretaria do Tribunal ou Turma colocá-lo imediatamente em pauta para
julgamento, sem revisor;
III - terá parecer oral do representante do Ministério Público presente à sessão de julgamento, se este
entender necessário o parecer, com registro na certidão;
IV - terá acórdão consistente unicamente na certidão de julgamento, com a indicação suficiente do
processo e parte dispositiva, e das razões de decidir do voto prevalente. Se a sentença for confirmada
pelos próprios fundamentos, a certidão de julgamento, registrando tal circunstância, servirá de
acórdão.
§ 2º Os Tribunais Regionais, divididos em Turmas, poderão designar Turma para o julgamento dos
recursos ordinários interpostos das sentenças prolatadas nas demandas sujeitas ao procedimento
sumaríssimo.”
6.2.2. Prazo:
8 dias, tanto para razões quanto para contra-razões.
6.2.3. Preparo
Custas + Depósito Recursal.
6.2.4. Hipóteses de Cabimento do Recurso Ordinário
Inciso I: contra decisões definitivas ou terminativas proferidas pelas Varas e Juízos.
Quando o texto fala sobre juízos, isso envolve a parte da organização da Justiça do
Trabalho. Os juízos significam os juízes de direito investidos em matéria trabalhista (art. 112 CF/88).
A Constituição prevê que a lei criará Varas da Justiça do Trabalho, podendo nas comarcas
não abrangidas por sua jurisdição, atribuí-la aos juízes de direito.
A lei ordinária federal cria as Varas da Justiça do Trabalho (a CF/88 traz uma idéia de
facultatividade da lei).
Espécies de decisões que comportam o Recurso Ordinário:
A) Sentenças definitivas (de mérito)
• Art. 269 CPC.
B) Sentenças Terminativas (processuais)
• Art. 267. Extingue-se o processo, sem resolução de mérito.
As sentenças terminativas levam à extinção do processo sem resolução do mérito.
C) Decisões interlocutórias terminativas do feito
São aquelas que representam troca de TRT ou de ramo do Poder Judiciário.
• Arts. 799, § 2º e 893, § 1º CLT.
• Súmula 214, “c”, TST:
“(...) c) que acolhe exceção de incompetência territorial, com a remessa dos autos para Tribunal
Regional distinto daquele a que se vincula o juízo excepcionado, consoante o disposto no art. 799, §
2º, da CLT.”
Inciso II do art. 895, CLT:
Contra decisões terminativas ou definitivas proferidas pelos TRTs, em processos de sua
competência originária (são hipóteses de processos que iniciam nos TRTs).
Copetência Originária do TRT:
• Dissídio Coletivo;
• Ação Rescisória;
• Ação Cautelar;
• Mandado de Segurança.
Além do inciso II do art. 895, CLT.
• Súmulas n. 158 do TST:
“Da decisão do Tribunal Regional do Trabalho, em ação rescisória, cabível é o recurso ordinário para
o Tribunal Superior do Trabalho, em face da organização judiciária trabalhista.
• Súmula n. 201 do TST
“Da decisão do Tribunal Regional do Trabalho em mandado de segurança cabe recurso ordinário, no
prazo de 8 (oito) dias, para o Tribunal Superior do Trabalho, correspondendo igual dilação para o
recorrido e interessados apresentarem razões de contrariedade.”
• OJ 152, SDI-2 do TST: [Impossível o RR se o processo inicia-se no TRT (erro grosseiro)]
“A interposição de recurso de revista de decisão definitiva de Tribunal Regional do Trabalho em ação
rescisória ou em mandado de segurança, com fundamento em violação legal e divergência
jurisprudencial e remissão expressa ao art. 896 da CLT, configura erro grosseiro, insuscetível de
autorizar o seu recebimento como recurso ordinário, em face do disposto no art. 895, “b”, da CLT.”
6.2.5. Juízo “a quo”
• Inciso I: Vara do Trabalho ou o juiz de direito investido.
• Inciso II: TRT.
6.2.6. Juízo “ad quem”
• Inciso I: TRT.
• Inciso II: TST.
• Observação Final: a CLT prevê um processamento mais célere ao recurso ordinário no
procedimento sumaríssimo (§§ 1º e 2º art. 895, CLT - basicamente tratam do RO no procedimento
sumaríssimo).
• Arts. 852-A a 852-I CLT (valor da causa acima de 2 até 40 salários mínimos) - prevalece o
entendimento de que o sumaríssimo não revogou o sumário.