0% acharam este documento útil (0 voto)
448 visualizações14 páginas

Manual Do Formando - Ódulo 03

.

Enviado por

Carvalho Moreira
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
448 visualizações14 páginas

Manual Do Formando - Ódulo 03

.

Enviado por

Carvalho Moreira
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

Curso Intensivo

“Avaliação Psicológica nas Crianças e


Adolescentes”

Módulo III

Manual do Formando

Formadores

Joana Fernandes

1
Índice

Pág.

1. Objetivos 3

2. Avaliação do Desenvolvimento
3
2.1. Instrumentos mais comuns
4
3. Escala de Desenvolvimento Mental Ruth Griffiths
6
3.1. Análise das escalas e subescalas
7
3.2. Cotação e interpretação
9
4. Escala de Desenvolvimento Adaptativo de Vineland
10
5. Referências

14

2
1. Objetivos

No final deste workshop, os formandos deverão ser capazes de:

 Reconhecer os instrumentos mais comuns para a avaliação do


desenvolvimento da criança;
 Reconhecer os principais sinais de alarme;
 Conhecer as subescalas da escala de Desenvolvimento Mental Ruth Griffiths;
 Saber cotar e interpretar um protocolo de uma criança avaliada pela escala
de Desenvolvimento Mental Ruth Griffiths;
 Conhecer a Escala do Comportamento Adaptativo de Vineland;
 Saber aplicar e cotar a Escala do Comportamento Adaptativo de Vineland.

2. Avaliação do Desenvolvimento
A avaliação do desenvolvimento consiste no processo de mapear a performance da
criança comparativamente com outras crianças da mesma faixa etária. As
competências da criança numa determinada área desenvolvimental são adquiridas
sequencialmente, ou seja, competências posteriores são normalmente adquiridas
após a aquisição de algumas pré-competências.

Assim, surgem 2 conceitos fundamentais (Sege, 2013):

Idade média Idade limite


•Idade em metade •Idade em que uma
da população das determinada
crianças consegue competência
atingir um deveria ser
determinado adquirida e está
marco dois desvios-
desenvolvimental padrão além da
média
considerada.

3
Estudos têm demonstrado que a intervenção precoce junto de crianças com atrasos
de desenvolvimento é o modo mais eficaz de melhorar a sua performance,
comparativamente com intervenções posteriores, de caráter remediativo (Guralnik,
1997).

Na área da Psicologia são indicados diversos instrumentos para a avaliação do


desenvolvimento infantil. Os mais comuns incluem:

Escala de Escala de
desenvolvimento desenvolvimento
infantil de Bayley de Vineland

Escala de
desenvolvimento Guia Portage
de Ruth Griffiths

A referenciação para avaliação de desenvolvimento é normalmente efetuada pelo


médico de família ou o pediatra que acompanha a criança desde o nascimento. Os
profissionais de saúde normalmente regem-se por uma escala que estipula marcos
desenvolvimentais para cada idade. Esta escala denomina-se (DGS, 2018)

Escala de Avaliação do Desenvolvimento de Mary Sheridan

Esta escala tem igualmente uma lista de sinais de alerta para cada idade
desenvolvimental.

4
5
3. Escala de Desenvolvimento Mental Ruth Griffiths

Ruth Griffiths
- Psicóloga de formação dedicou parte da sua vida à investigação do
desenvolvimento da criança;
- Desenvolveu a escala de Desenvolvimento Mental após um período de observação
de crianças normais no período após a II Guerra Mundial.

Esta escala permite medir o desenvolvimento mental da criança dos 0 aos 8 anos de
idade. O desenvolvimento mental é definido como o processo e o tempo concreto
em que os atributos e as habilidades da criança se desenvolvem e maturam.

Vantagens:
 Permite aceder a diversos níveis de funcionamento;
 Permite determinar o Quociente Geral da criança (equivalente ao QI);

6
 Determinar os pontos fortes e fracos da criança através da média de cada
subescala;
 Permite obter uma indicação clara sobre atrasos ou avanços no
desenvolvimento da criança e assim melhor orientar a intervenção.

3.1. Análise das subescalas

A Griffiths encontra-se dividida em várias subescalas:

Subescala C
Subescala A - Subescala E
– Audição e
Locomoção – Realização
Linguagem

Subescala D
Subescala B Subescala F

– Pessoal- – Raciocínio
Coordenação
Social Prático
olho-mão

E também em 3 secções de acordo com cada idade:

7
Secção III
Secção I Secção II
– 3 aos 8
– 1 ano – 2 anos
anos

• Subescalas A • Subescalas de • Subescalas de


aE AaE AaF

Os itens presentes em cada subescala são variados e pretendem ser naturais para a
criança. A medida é desenhada de forma a facilitar a observação estruturada das
crianças enquanto brincam e inclui atividades do dia a dia (ex. correr, falar, andar,
desenhar). Os itens são ordenados aumentando gradualmente o grau de dificuldade
e de acordo com as competências adequadas à idade de criança.

Subescala A - Locomoção
• Permite aceder às competências inerentes à motricidade grossa,
nomeadamente o equilíbrio, coordenação e controlo dos movimentos;
• Permite assim identificar ´dificuldades ao nível da motricidade grossa e
disfunções físicas.

Subescala B – Pessoal / Social


• Permite aceder às competências inerentes à motricidade grossa,
nomeadamente o equilíbrio, coordenação e controlo dos movimentos;
• Permite assim identificar ´dificuldades ao nível da motricidade grossa e
disfunções físicas.

Subescala C – Audição e Linguagem

8
• Permite aceder às competências de linguagem recetiva e expressiva;
• Permite compreender a capacidade em usar conceitos e conhecimentos, o
recurso à memória auditiva e sequencial a longo prazo, raciocínio (verbal e
semântico) e o uso da linguagem expressiva.

Subescala D – Coordenação olho-mão


• Permite aceder às competências de motricidade fina, destreza manual e
monitorização visual;
• Permite aceder a padrões de funcionamento ao nível da perceção,
criatividade e coordenação bliateral, conceções de espaço e forma e a
capacidade de persistência na tarefa.

Subescala E – Realização
• Permite aceder às competências visuo-percetivas e à velocidade de
processamento;
• Permite identificar padrões sobre a discriminação por tamanho, perceção da
forma, destreza manual (cronometrada e não cronometrada;
• Permite aceder à capacidade da criança em efetuar tarefas práticas e de
manipulação de materiais.

Subescala F – Raciocínio prático


• Permite aceder à capacidade de resolução prática de problemas, a
compreensão de conhecimentos matemáticos básicos, sequências e
raciocínio moral;
• Permite aceder à capacidade de memória, atenção e conhecimentos
aprendidos

3.2. Cotação e interpretação

A Griffiths permite-nos obter vários resultados:


• Total dos resultados brutos de cada subescala – através da soma dos
itens alcançados corretamente pela criança;
9
• Total dos resultados brutos de cada subescala –cada resultado bruto
é depois convertido num percentil tendo em conta a idade da criança
em meses.
• Total dos resultados brutos de cada subescala.
• Quociente Geral (QG) – média dos resultados brutos das 6
subescalas.

Os resultados brutos de cada subescala e o QG devem ser comparados com a média


da amostra de crianças da mesma faixa etária da criança avaliada, gerando assim
uma qualificação qualitativa do seu desempenho em cada área de desenvolvimento.

4. Escala do Comportamento Adaptativo de Vineland

A Escala do Comportamento Adaptativo de Vineland (ECAV) trata-se de uma


revisão da escala de Maturidade Social de Vineland (Sparrow et al., 2005). Estas
escalas foram desenvolvidas por Edgar Doll para avaliar indivíduos com atraso
mental.

Vantagens:
• Não requer a participação do indivíduo cujo comportamento
adaptativo está a ser avaliado, requerendo apenas uma pessoa que
esteja familiarizada com o comportamento do indivíduo;
• Permite avaliar atividades diárias que não são possíveis de avaliar pela
administração direta das tarefas

É constituída por diversos domínios:


1. Comunicação
2. Competências da vida diária
3. Socialização
4. Competências motoras

10
E subdomínios:
1. Comunicação
a. Recetiva
b. Expressiva
c. Escrita
2. Competências da vida diária
a. Pessoal
b. Doméstico
c. Comunidade
3. Socialização
a. Relações interpessoais
b. Tempo de lazer e de brincar
c. Competências de coping
4. Competências motoras
a. Motricidade global
b. Motricidade fina

E um índice:
- Comportamento maladaptativo (internalização / externalização)

Esta escala poderá ser aplicada em dois formatos possíveis de acordo com as
necessidades:
• Entrevista semi-estruturada
• Escala

Em ambos os casos, deve-se eleger cuidadosamente a pessoa que irá responder


sobre o comportamento do indivíduo a ser avaliado. Deve ser:
• Um adulto que esteja devidamente familiarizado com as atividades
diárias do indivíduo (ex. pai) a ser avaliado (aqui a opção considerada
mais válida será o formato de entrevista);

11
• Caso não exista alguém próximo do indivíduo a ser avaliado, poderá
ser o próprio a responder (aqui a opção considerada mais válida será
o formato de escala)

Na entrevista semi-estruturada deve-se ter em consideração:


• O entrevistador não deve ler os itens ao entrevistado e não deve
permitir que o mesmo leia;
• Deve-se fazer questões gerais e depois procurar exemplos práticos
que comprovem as respostas do entrevistado.

Na escala deve-se explicar ao respondente:


• Ler com calma as questões;
• Não é esperado que a pessoa avaliada apresente todos os
comportamentos descritos;
• Marcar a cotação que melhor descreve o comportamento do
indivíduo.
• O respondente deve ter em consideração as seguintes opções:

Para a correta aplicação devem-se seguir os seguintes passos:


1. Calcular a idade cronológica tendo até à data da administração da prova;
2. Calcular a base:
1. Normalmente corresponde á idade cronológica do indivíduo (não se
deve arredondar);
2. Em alguns casos, poderá ser necessário que a base seja inferior á
idade cronológica, nomeadamente em situações em que já há
suspeitas de atraso desenvolvimental
3. Calcular a base de um subdomínio:
1. É considerado o item mais elevado num conjunto de quatro itens com
a cotação mais elevada (ou seja, 2);

12
2. É assumido que todos os itens abaixo da base apresentam uma
pontuação de 2, mesmo que o entrevistado tenha cotado alguns
como 0 ou 1.
4. Calcular o teto de um subdomínio:
1. É considerado o item mais baixo num conjunto de quatro itens com a
cotação mais baixa (ou seja, 0);
2. É igualmente assumido que todos os itens acima do teto foram
cotados como 0, mesmo no caso do entrevistado ter cotado alguns
itens como 1 ou 2.

A partir dos resultados brutos obtidos em cada domínio e subdomínio, é possível


comparar estes resultados com os resultados de um grupo normativo. Permite-nos
obter seis resultados:
• Resultados standard;
• Resultados V;
• Percentis;
• Níveis adaptativos;
• Equivalentes de idade;

Para a correta interpretação e elaboração do relatório:


1. Descrever o nível geral de funcionamento adaptativo;
2. Descrever a performance nos domínios do comportamento adaptativo;
3. Descrever a performance nos subdomínios;
4. Interpretar o padrão dominante dos resultados standard de forma a
identificar pontos fortes e pontos fracos;
5. Gerar hipóteses para possíveis flutuações no perfil
6. Conclusões e recomendações

13
5. Referências bibliográficas

Bellman, M., Byrne, O., & Sege, R. (2013). Developmental assessment of children

Direção Geral de Saúde (DGS). (2018). Manual de Saúde Infantil-Juvenil.

Griffiths – III (3ªed) – Manual da Escala de Desenvolvimento Mental

Guralnick, M. (1997). An overview of the developmental systems model for early

interventions. ISEI

Paris, J., Ricardo, A., & Rymond, D. (2019). Child Growth and Development. Open

Educational Resources Publication

Shaffer, D., & Kipp, K. (2010). Developmental Psychology: Child and Adolescence.

Wadsworth

Sparrow, S., Cichetti, D., & Balla, D. (2005). Vineland Adaptive Behavior Scales –

second edition. Survey form manual. Pearson Assessments.

14

Você também pode gostar