Ets Chayim
A Árvore da Vida - Décima parte
A ALMA DA ALMA - HAKADOSH BARUCH HU
Tudo aquilo que está relacionado ao interior é mais elevado que
tudo que se relaciona com o exterior. A alma que está encoberta
ou encapsulada pelo corpo é muito maior do que toda a energia
que existe no corpo. A medula é mais valiosa do que os ossos. O
DNA é mais importante do que tudo o que foi desenvolvido a
partir dele pelo fato de possuir todos os segredos de tudo o que
desenvolveu. Da mesma forma, a parte mais interna da alma é
ainda maior do que a própria alma. A ALMA DA ALMA é maior
do que a alma em si. A alma da Alma é Hakadosh Baruch Hu.
Falando de outra maneira, existem cinco níveis de alma, como já
sabemos que são: NEFESH - a alma animal ou vegetativa,
RUACH - a alma emocional, NESHAMAH - a alma intelectual, ou
Shoresh Neshamah, a raiz da alma e então um nível muito alto
chamado CHAIÁ e por fim YECHIDAH; a fusão com o Sagrado.
Ruach é mais elevada que a Nefesh. Neshamah é ainda mais
elevada que Ruach. Chaia, ainda mais elevado que Neshamah e
Yechidah maior e mais elevada que Chaiá. Quanto mais oculto,
quanto mais interiorizado em seus segredos e separado da
fisicalidade, mais luz e mais elevação. Então essa é a ideia,
quanto mais interna, mais profundo, mais elevado, mais luz,
mais próximo da Essência e raiz de todas as coisas; o Eterno,
bendito seja.
Sendo assim, a emoção é mais profunda do que o instinto animal, mas a Neshamah, um tipo de intelecto, é
ainda mais profunda que a emoção. Chaiá é uma conexão com o Mundo de Atsilut, portadora de maior elevação.
Yechidah, por sua vez, é a conexão com o próprio D’us, sendo ainda mais elevada. O profundo é maior do que o
exterior.
Vemos isso exemplificado na informática. Os primeiros telefones celulares eram muito pesados e possuíam
pouca memória. Em nossos dias celulares muito pequenos podem ter muita memória. Antes um cabo de
telefonia podia levar apenas poucas linhas. Hoje através da fibra óptica, extremamente menor do que os cabos
antigos, pode-se conectar muitas linhas. O suporte físico é muito menor, mas a capacidade de suportar dados e
conectar linhas é muitas vezes maior. Isso também é verdade na espiritualidade. Quanto menor o suporte físico,
mais informação pode conter. Estamos falando de uma fibra óptica que é tão fina como um fio de cabelo. Se é
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assim, uma onda de luz quanto mais informação pode conter? Quanta informação pode conter uma radiação
astral? Estamos falando de um nível onde já nem há mais suporte físico! Estamos falando de ondas de energia.
Não há suporte físico neste nível.
Aquilo que conhecemos como SOD, ou os Segredos dos Céus ou ainda os Segredos da Torah é muito maior que
a própria Torah, pois traz à tona sua interioridade. Daí o Zohar ou a Cabalá ser chamada de A ALMA DA TORAH.
Mas o SOD também possui um nível interior chamado O SEGREDO DOS SEGREDOS. Em aramaico se diz RAZE
DE RAZIM. Se a Torah pode ser considerada como o corpo e o Sod como sua alma ou interior, este interior pode
ainda ser a envoltura de algo mais profundo, o Segredo dos Segredos. Esse conceito segue infinitamente.
Quanto mais para “dentro”, maior o poder contido.
Todo esse poder contido na interioridade da Torah é capaz de nos trazer uma vida de equilíbrio, harmonia e
paz que de outra maneira não se pode conseguir com tanta abundância, a ponto de realmente se ver cumprido
o que está escrito no Sefer Devarim (Deuteronômio): “O Senhor te exaltará sobre todas as nações da Terra…”.
Esse texto não trata de questões físicas, mas de uma elevação tal que nos coloca em uma condição que,
infelizmente, ninguém hoje possui.
O nível chamado ADAM KADMON é maior que ATIK YOMIN e ainda maior que Atsilut e que Zeir Anpin e muito
maior do que Mundo de Assiá onde está a fisicalidade. Então temos Assiah onde se encontra o Mundo da
fisicalidade, depois temos Yetsirá (Zeir Anpin) que abriga o Mundo Astral. Beriá é o Mundo da Criação e então
Atsilut, o Mundo da Emanação. Na sequência temos ainda o Ein Sof e depois o Atik Yomin. Mais alto ainda temos
uma dimensão chamada TELI. Quando falamos mais alto estamos nos referindo ao mais profundo, mais
próximo da Essência Criadora e mais distante da fisicalidade.
Figurativamente falamos em alturas, como sendo o céu mais alto
que nossas cabeças, mas este céu que vemos é ainda parte do
mundo físico, estamos falando na verdade daquilo que está em
níveis cada vez mais “para dentro”. D’us não está distante nos céus
e sim no mais profundo das pessoas. Em todas elas!
Acessar as alturas é na verdade, acessar o que existe dentro de
nós mesmos, no mais profundo de nossa essência, pois nosso real
princípio é o próprio Criador; a Alma da Alma.
Porém Malchut, a sefirá mais baixa em nível de luz, hospeda a
totalidade da Shechinah! A semente hospeda tudo! Dentro da
semente existe uma energia chamada RAZE DE RAZIM, o Segredo
de todos os segredos. Este tão pequeno nível pode hospedar todos
os demais dentro dele mesmo. O grande segredo está na verdade
dentro de cada ser humano. Em nossa busca desorientada
procuramos em coisas distantes e caras, quando tudo e o mais
precioso está dentro de nós. Essa informação é muito importante
para o momento de oração em que estamos direcionando nossa
kavanah (intenção).
Kether, Chochmah e Binah são os que amamentam Zeir Anpin - o
Mundo Astral, de onde procedem as vibrações dos planetas e
estrelas que influenciam o Mundo Físico de forma direta. Essas são
as vibrações provenientes de Júpiter, Marte, Sol, Vênus, Mercúrio e
da Lua. Estes são seis canais de vibrações que vem de Saturno que
é habitado por uma alma chamada Shabat, onde está Biná. Sendo assim Biná é a que Amamenta todo o Sistema
Astral, cujas radiações chegam à Terra gerando circunstâncias.
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Se este nível chamado Shabat que é Biná não estiver reparado, ou seja, se existem fissuras neste nível (que o
Sagrado não o permita), e isto ocorre pelo fato de a maioria das pessoas não cumprir o Shabat e na verdade,
nem possuem noção de sua existência. Não estamos tratando dos ritos que são realizados ou dos costumes
judaicos que são praticados com base nos mandamentos da Torah. O Shabat é acima de tudo uma conexão que
ocorre com os níveis espirituais, uma abertura cósmica que ocorre na consciência. Essa consciência é ativada
com orações devidamente intencionadas, com estudos profundos tentando entender coisas que durante a
semana não conseguimos entender, tudo isso não é realizado apenas com os preceitos judaicos. E essa
possibilidade não foi destinada apenas ao povo judeu como muita gente apregoa, mas foi dada a toda a
humanidade.
Portanto se esta fonte (Binah) estiver obstruída ou avariada, Zeir Anpin não será amamentada e
consequentemente esse “Leite” não chegará a Malchut, onde está nosso mundo e só teremos caos.
Toda a reparação deste mundo (Tikun Olam), depende da reparação desta avaria que está no nível que
conhecemos como Shabat, ou Shabtai, ou Saturno, a inteligência espiritual que transita por Saturno. Segundo
os cabalistas, na verdade não deveríamos dizer “Tikun Olam” עולם תיקון- a reparação do mundo, mas “Tikun
Elem” - תיקון עלםa reparação do oculto! Isso é feito através da divulgação dos Segredos dos Céus. A
divulgação dos Segredos dos Céus é a reparação da Sefirá Binah, a fonte que jorra sobre Zeir Anpin que por
sua vez derrama sobre Malchut e desta forma se erradica o caos. Até que as fissuras nos mundos superiores não
sejam reparadas não podemos esperar felicidade em nosso mundo, portanto, se o meio para esta reparação é a
divulgação dos Segredos dos Céus, é isso que precisamos fazer.
É claro que não estamos falando aqui de bater de porta em porta, mas sobre deixar disponível para todos os que
estão buscando respostas, pois desta forma as fileiras irão se engrossando e o que precisa acontecer acontecerá.
Lembre-se que a consciência viaja!
O Trabalho do Rei Mashiach começa nos mundos espirituais antes de descer até nosso mundo, porque ele
mesmo precisa ser aquele que divulga o Segredo dos Segredos.
O Mundo de Atsilut é o Mundo da Kavanah nas orações, esse é o mundo das meditações com ichudim, com os
Nomes Sagrados e suas combinações. É o mundo dos estudos dos Segredos dos Céus, da Kedusha da Shechinah
ou seja, a forma como deve ser tratada a semente que cada um de nós carrega. Essa é a primeira providência
que deve ser tomada quando se trata de curar o mundo, antes de se pensar em qualquer outra coisa. Tudo o
mais é meramente complementar ou até mesmo perde o sentido.
Pense comigo: uma vez que as fissuras que geram as enfermidades estiverem retificadas, a energia distorcida
que gera enfermidades neste mundo já não existirá. Isso fará com que todo o aparato médico hospitalar e os
remédios e drogas existentes percam sua função e razão de existir. Se não existirem mais enfermidades, para
que existirão hospitais como os que temos hoje? A ideia sempre será curar a causa para que os efeitos sejam
sanados. Enquanto a humanidade efetivamente não aprender a orar com a intenção correta, meditar
cabalisticamente e entender os conceitos que constroem essas meditações, como se propaga estes
ensinamentos e como se trata a semente, não existe possibilidade de que este mundo seja realmente feliz.
Temos ainda a necessidade de purificar as sefirot que estão na “Árvore da Morte”. Mas como se faz isso? Esta
seria o oposto da Árvore da Vida. Assim como a Árvore da Vida refere-se a alma que não morre, a Árvore da
Morte se refere ao corpo físico, pois este sim experimenta a morte. Assim também percebemos que as más
midot, ou seja, as qualidades ou atributos negativos habitam justamente o corpo e não a alma. É por isso que
nas orações de Shacharit (manhã) temos a expressão: “a alma que me deste e em mim a insuflaste, pura a
criaste”. A inveja, a ira, a soberba e todas as más qualidades e sentimentos se hospedam no corpo físico, não são
atributos da alma. O próprio Tikun ou carma é cumprido no corpo e não na alma. Todas estas negatividades se
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hospedam na Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal, chamada também Árvore da Morte. Mas o que nos
interessa nesta questão é: como devemos lidar com isto?
A verdade é que todas estas coisas encontram espaço para se manifestar quando a Árvore da Vida não está
ativada em nós. Portanto, o que fará com que estas negatividades sejam apagadas dentro de uma pessoa é a
ativação da Árvore da Vida. Falando de outra forma, se a alma não consegue espaço para se manifestar através
do corpo, o corpo assumirá o protagonismo em todos os momentos.
O corpo humano possui uma inteligência animalesca e selvagem como um animal que normalmente
encontramos na natureza e se não estiver devidamente adestrado pela alma que se hospeda exatamente nele, o
resultado será catastrófico. Basta olhar o mundo que nos cerca. O corpo físico sem controle é um depredador
sem nenhuma piedade. Uma forma de visualizar isso é observar quando um gato, animal de estimação é
considerado tão bonito e carinhoso. Quando o mesmo gato está atacando um rato, será que existe alguma
emoção ou sentimento enquanto mata o rato para comê-lo? E quanto a um crocodilo? Será que existe alguma
piedade nele ou sentimento pela vítima que está destroçando? Da mesma forma, o corpo humano se comporta
quando a alma não tem controle sobre o mesmo. Ao contrário, quando um domador sobe em um cavalo
domado, o que vemos é integração e mesmo beleza no cavalgar.
O corpo não foi criado para ser um inimigo da alma, mas a alma precisa agir como quem domina este “animal”
que entende em sua consciência, que precisa satisfazer-se de alguma forma. Para que isso funcione é preciso
saber como funciona a alma que nos foi dada. A Árvore da Vida é o esquema que nos mostra o funcionamento
de nossa alma, pois apresenta sua estrutura.
Primeiro é necessário que a alma seja despertada e liberta do jugo
das tendências animais que a aprisionam, porque o corpo intenta
aprisionar a alma. Tudo o que falamos sobre a escravidão do povo de
Israel no Egito é, na verdade, sobre a escravisdão do corpo sobre a
alma. Já quando comemoramos a festa de Pessach, a libertação do
povo de Israel do Egito, na verdade estamos falando de quando o
corpo é vencido e a alma se libera do seu jugo.
Então podemos agir para que a alma domine o corpo pelas midot ou
seja, pelos atributos que estão na Árvore da Vida e isso se consegue
com as meditações cabalísticas. Essa é a razão pela qual o estudo da
Árvore da Vida é tão importante. Desta forma estamos aprendendo a
domar nosso “cavalo selvagem”. Uma vez domado tudo o que teremos
é beleza e harmonia.
Todas as sefirot são bipolares como acontece com as leis da eletricidade. Cada sefirá possui uma luz interior e
uma luz circundante, como já vimos. A Luz Interior é sua midá ou atributo natural e a Luz Circundante é todo o
seu potencial, até onde pode chegar ao desenvolver suas propriedades em nós. Todas as pessoas possuem
ouvido para música, mas ao se dedicar aos estudos da música e com muito tempo e trabalho, pode
transformar-se num grande maestro e músico. Os mestres cabalistas afirmam que a espiritualidade pede muito
trabalho e dedicação. Tanto quanto para tornar-se um grande pianista.
Assim como nas leis da eletricidade, para que haja luz é necessário que o pólo negativo esteja combinado com o
pólo positivo e uma resistência sem a qual, teríamos um curto circuito e consequentemente escuridão. No caso
das meditações, essa resistência que precisa existir é a capacidade de sair do corpo meditando Nomes de
D’us. Para meditar em Nomes Sagrados é preciso que o corpo esteja quieto. Ao estar quieto, o corpo age
justamente como essa resistência. É preciso que o corpo esteja quieto! Quanto mais agitada é uma pessoa, mais
o seu físico está presente. Quanto mais passiva e tranquila, maior é o controle de sua alma sobre o seu corpo.
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Quando geramos essa resistência ao aquietar o corpo meditando em combinações de Nomes Sagradas,
permitimos que nossa alma deixe o invólucro do corpo e passe a habitar nas letras hebraicas e a partir delas
corrigir os defeitos da inteligência do corpo.
Podemos concluir que viemos a este mundo para a tarefa de domar esse “animal” no qual vivemos e pelo qual
nos expressamos no mundo físico. Quando concluímos nossas meditações e retornamos ao nosso corpo, nosso
próprio caráter estará controlado. Quando alcançamos este estado, começamos a manifestar consideração pelo
próximo.
O antes e o depois da chegada de Mashiach nada mais é do que a
meditação cabalística! Nada mais.- Albert Goslan - mestre cabalista.
** Há uma consideração necessária aqui. Não entenda com isso que estas palavras estão dizendo que pessoas
que vemos ao nosso redor que nunca meditaram ou que nunca tiveram contato com os Segredos dos Céus
estarão obliteradas do processo Divino. Na verdade não é assim. Estamos falando de ampliação de tudo o que
vemos no dia a dia. Se uma pessoa é pacata e tranquila por natureza, não é disso que estamos falando aqui, mas
de uma aquietação que provém de todo um trabalho e que não funcionará sem muito trabalho e intenção
correta, para um propósito real e verdadeiro para a elevação de toda a humanidade e não apenas por si mesma.