UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA
INSTITUTO DE CIÊNCIAS HUMANAS
DEPARTAMENTO DE PSICOLOGIA
AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA - PSI186
Alessandra Costa de Jesus Silva (202132001)
Anna Beatriz da Silva Rios (201832025)
Anna Marya de Oliveira Santos (201932002)
Eyshila Peixoto da Silva Modesto (202132013)
Hael Nascimento Leite (202032505)
Ícaro Siqueira de Moraes (201932043)
Jéssica Reis Rodrigues (202132047)
Maria Eduarda Franco da Silva (202132035)
Maria Eduarda Vogel Roman (201332152)
Nathalia Ferreira Netto Barbosa (201532047)
Tainara Madalena da Silva Santos (202132044)
Trabalho de Avaliação Psicológica
Apresentação do Inventário de Personalidade NEO Revisto - NEO-PI-R
Docente: Ricardo Kamizaki
Juiz de Fora
2022
Sumário
1 Introdução 2
2 Objetivos 3
3 Desenvolvimento 3
4 Conclusão 7
5 Referências 9
1 - Introdução
A personalidade de um indivíduo diz acerca do seu modo de pensar, interpretar, agir,
reagir e interagir com as pessoas. Ela se refere às características relativamente constantes e
consistentes de sentimentos, pensamentos e comportamentos que permitem diferenciar uma
pessoa da outra (Silva & Nakano, 2011). É importante entender, ainda, que além dos aspectos
biológicos, como a genética, e psicológicos, como o humor, a personalidade, mesmo sendo
definida como estável ao longo da vida, também é influenciada pelo ambiente social e pelas
experiências individuais. Desse modo, a avaliação da mesma pelo profissional de psicologia
se mostra pertinente para a compreensão ampla do sujeito para fins de psicodiagnóstico, de
recrutamento, de seleção e também para demandas de autoconhecimento, pois permitirá
predizer atitudes que serão tomadas pelos avaliandos em situações e contextos específicos.
Sendo assim, um dos modelos mais utilizados em pesquisa sobre a personalidade é o
modelo dos Cinco Grandes Fatores (CGF), o qual apresenta uma classificação taxonômica
dos traços de personalidades descobertos a partir da análise de descritores desse construto
registrados na linguagem natural (Silva et al., 2007). Há indícios de que o modelo CGF é
eficaz para predizer o desempenho no trabalho de pessoas de acordo com os seus traços de
personalidade, por exemplo (Passos & Laros, 2014). Dessa maneira, os fatores básicos
descritos neste modelo se interrelacionam e podem ser classificados em Neuroticismo,
Extroversão, Abertura à Experiência, Amabilidade e Conscienciosidade, e os mesmos ainda
apresentam facetas específicas. O neuroticismo, diz respeito à instabilidade/estabilidade
emocional, e se refere a emoções negativas, como irritabilidade e pessimismo. A extroversão,
refere-se à quantidade e intensidade das interações pessoais, ao otimismo e à energia
empregada nas atividades. O fator abertura à experiência, por sua vez, designa a proatividade
e o interesse frente às experiências, engloba a curiosidade e a flexibilidade. A amabilidade se
relaciona às atitudes pró-sociais, e a conscienciosidade se refere ao grau de organização,
persistência e motivação orientado para um objetivo.
O Inventário de Personalidade NEO Revisto (NEO-PI-R), é um instrumento
psicométrico elaborado por Costa e McCrae, no final da década de 70 e posteriormente
revisado, que tem o CGF como modelo subjacente. Dessa forma, através da descrição do
posicionamento do sujeito nos cinco fatores, busca-se obter um esquema compreensivo que
sintetize o estilo emocional, interpessoal, experiencial, atitudinal e motivacional do mesmo.
A análise das facetas dos domínios, permitem, ainda, uma análise mais pormenorizada dos
traços específicos que representam as diferenças individuais (Costa & McCrae, 1992).
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Tendo isso em vista, o NEO-PI-R teve sua versão brasileira elaborada pela editora
Vetor, aprovada em 2007 pelo Satepsi, e, portanto, é um instrumento que deve ser
compreendido pelo psicólogo, pois será útil para a atuação do mesmo, tanto no âmbito clínico
quanto no escolar, organizacional, hospitalar ou jurídico. Logo, esse trabalho busca
apresentar as particularidades do Inventário de Personalidade Neo Revisto, como medida
quantitativa para a avaliação dos traços de personalidade individual.
2 - Objetivos
O Inventário de Personalidade NEO Revisto (NEO-PI-R) tem por objetivo realizar a
avaliação da personalidade de sujeitos adultos. Sendo assim, apropriado para pessoas acima
de 18 anos de idade, com nível de instrução correspondente ao ensino médio completo, não
possuindo normas para pessoas acima dos 60 anos.
3 - Desenvolvimento
Esse é um teste composto por 240 itens organizados em questões afirmativas, as quais
o sujeito responde utilizando uma das cinco alternativas descritas em escala de “discordo
fortemente” a “concordo fortemente”. O inventário pode ser administrado de forma
individual ou coletiva a indivíduos a partir dos 17/18 anos aos 60 anos e ele possui uma
duração variável de 40 a 50 minutos.
Dessa forma, Costa e McCrae afirmam que o NEO-PI-R pode ser utilizado em
sujeitos de 17 ou mais anos de idade, mas com a restrição de que não sofram de patologias
como psicose e demência, e que estejam aptos a completar medidas de auto-avaliação, de
forma fiel e válida. O modelo tem como objetivo agrupar traços de personalidade em um
único instrumento, que o torna útil para utilização em interesses vocacionais, à doenças,
saúde, bem-estar psicológico e aos estilos característicos de copíng. Ademais, o modelo
finalizou apresentando cinco domínios gerais e trinta facetas específicas, sendo elas
neuroticismo - com as facetas correspondentes, sendo ansiedade, depressão, hostilidade,
impulsividade, vulnerabilidade e autoconsciência -, extroversão - avaliando acolhimento
caloroso, gregariedade, assertividade, atividade, procura por excitação e emoções positivas -,
abertura à experiência - com as facetas de fantasia, estética, sentimentos, ações, ideias e
valores -, amabilidade - confiança, retidão, autruismo, complacência, modéstia e
sensibilidade - e conscienciosidade - trazendo competência, ordem, autodisciplina,
deliberação, esforço de realização e obediência ao dever.
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3.1 - Validade
Para construir o NEO-PI, foram utilizadas principalmente duas amostras de
voluntários que participavam de estudos longitudinais sobre o envelhecimento. Dessa forma,
foi possível examinar a relação de diversos testes e medidas de personalidade, inteligência,
bem-estar e saúde, facilitando a formulação de dados empíricos. Os voluntários tinham entre
os 25 e os 95 anos. Foram coletados dados de diversas maneiras, sendo as principais os
voluntários do Estudo Normativo sobre o Envelhecimento (The Normafíve Agíng Sfudy -
NAS) - mais de 2000 veteranos do sexo masculino -, Estudo longitudinal Ampliado sobre o
Envelhecimento (The Augmented Baltimore Longitudinal study of Aging - ABLSA) - cerca
de 400 homens e 300 mulheres -, Amostra dos Colegas - e cerca de 300 sujeitos - indicados
pelo grupo anterior, e Amostra de Empregados de uma organização nacional americana não
especificada - mais de 1800 homens e mulheres. Já para o NEO-PI-R, foram recolhidos
dados de cerca de 300 sujeitos para essa atualização. Costa e McCrae mencionam que os
voluntários foram escolhidos, tendo em atenção a sua saúde mental e física e a estabilidade de
residência, para assegurar que eles voltariam para os exames periódicos. A seguir, a figura
representa o esquema geral do processo de seleção da amostra.
Figura 1 - Esquema geral do processo de seleção da amostra, retirado de Costa e McCrae,
1992.
O instrumento não apresenta nenhuma escala elaborada especificamente para
detecção da fraude ou mentira (validity scales), porém tem um modo próprio de controlar as
não respostas, da aquiescência, da tendência a dizer não, e as respostas aleatórias, como
explicitado mais abaixo. O modelo original apresenta para as escalas dos domínios, uma
consistência interna superior, oscilando os coeficientes alfa entre .86 e .95, enquanto as
correlações, obtidas nos domínios e nas facetas, apresentam coeficientes superiores a .56.
Mais recentemente, para o NEO-PI-R, ocorreram vários outros estudos de validação. Um
estudo longitudinal de 7 anos, utilizando avaliações pelos colegas, encontrou coeficientes
entre os .51 e .82, para as escalas de facetas, e .63 a .81 , para os cinco domínios. No geral,
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escalas são bem sucedidas na mensuração dos constructos pretendidos, o que não invalida a
possibilidade de alguns sujeitos que não compreendem a sua personalidade, podem,
deliberadamente, representar-se de uma forma inadequada, ou ser pouco cuidadosos nas
respostas, tornando o teste impreciso. A segurança da validade dos questionários se dá pela
correta administração do instrumento e sua interpretação cuidadosa.
3.2 - Interpretação
A interpretação do NEO-PI-R se dá a partir da soma das seis facetas de cada um dos
cinco fatores. Porém, é importante lembrar que em si mesmas, as pontuações brutas dos
inventários de personalidade não têm significado, e nem mesmo foram feitas pensando em
grupos clínicos, sendo utilizadas em comparativo com pontuações de uma amostra (Costa &
McCrae, 1992). Isso se dá, pois sujeitos submetidos à psicoterapia são, de diversas formas,
semelhantes a voluntários normais. Existem algumas estratégias comuns de interpretação,
uma delas é considerar pares de domínios e compará-los em termos de planos de duas
dimensões para analisar alguma área particular da vida do indivíduo. Há também a seção
“Base para a interpretação”, que consiste em três seções "Descrição Global da Personalidade:
Os cinco fatores" - pega a maior nota entre os fatores e avalia o sujeito em média, acima da
média, muito acima da média, abaixo da média e muito abaixo da média. A segunda seção -
"Interpretação Pormenorizada: Facetas de Neuroticismo, Extroversão, Abertura à
Experiência, Amabilidade e Conscienciosidade" - contém uma descrição baseada nas
pontuações das facetas, a última secção principal, "Correlação com outros Constructos:
Algumas Possíveis Implicações", amplia a interpretação da seção anterior com base em
empirismo sobre as relações do inventário com outros constructos, copíng e mecanismos de
defesa, queixas somáticas, bem-estar psicológico, processos cognitivos, características
interpessoais, necessidades e motivos.
3.2.1 - O que pode invalidar o teste?
Existem algumas respostas que podem invalidar NEO-PI-R. Respostas de discordo
fortemente a mais de 6 itens seguidos, discordo a mais de 9 itens seguidos, neutro a mais de
10 itens consecutivos , concordo a mais de 14 itens e concordo fortemente a mais de 9 itens
consecutivos invalidam a interpretação formal do teste.
Há também os itens A, B e C (validity checks), presentes na folha de resposta, que
servem para ver se o indivíduo respondeu todas as questões e com veracidade.
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Importante salientar que os inventários de personalidade têm tido um papel relevante
no aconselhamento e na psicoterapia. No entanto, os conselheiros e os psicoterapeutas
diferem, enormemente, nas suas atitudes, em relação à avaliação psicológica, em função da
sua formação teórica, concepções filosóficas e prática profissional.
Além disso, alguns teóricos e pesquisadores destacam que, a ênfase nas
potencialidades dos sujeitos permite ao terapeuta ter uma visão mais ampla do cliente,
incluindo, para além dos seus problemas, as suas preferências, aptidões, etc. Os resultados do
NEO-PI-R permitem ao conselheiro - geralmente, mais centrado nas características
suscetíveis de mudar - uma compreensão rápida das disposições duradouras do sujeito,
facilitando o processo de aconselhamento. O ato de compartilhar os resultados dos testes com
os clientes pode ser, por conseguinte, uma forma apropriada de desenvolver a auto-
compreensão.
Nesse mesmo sentido, o teste abordado aqui possui diversas aplicações no âmbito da
psicoterapia e outras áreas, apesar do NEO-PI-R não ter sido concebido especificamente para
fazer diagnósticos psicopatológicos, a DSM-III-R torna claro que os traços da personalidade
são relevantes na compreensão de muitas desordens" (Costa e McCrae. 1992, p,32), já que
estas implicam características inflexíveis e inadequadas, Widiger e Trull (1992) salientam
que as desordens do Eixo-poo (como a distimia) são, de fato, disposições para experienciar
humores, e que o Neuroticismo parece estar relacionado com muitas destas desordens, as
perturbações mentais, que estão mais claramente relacionadas com a personalidade, são, sem
dúvida, os distúrbios da personalidade.
Dentre as aplicações do NEO-PI-R podemos destacar que, além de auxiliar no
processo de compreensão do cliente e na etapa do diagnóstico, conforme já destacado, esse
teste pode ser utilizado também para: favorecer o desenvolvimento mais rápido da empatia,
uma vez que, o cliente, ao sentir-se compreendido, estabelece, mais fácil e rapidamente, a
relação, e contribuir para pautar o tipo de aliança terapêutica que é possível estabelecer; é
utilizado também para “feedbacks e insight” na psicoterapia; na antecipação do processo
terapêutico, considerando que o NEO-PI-R pode dar informações valiosas sobre o
prognóstico do paciente e a sua resposta provável à psicoterapia. Miller (1991) mostrou o
interesse clínico de cada uma das cinco dimensões, no que diz respeito às indicações
psicoterapêuticas e à predição da atitude dos pacientes, relativamente à psicoterapia e ao
psicoterapeuta. As pontuações associadas a melhores prognósticos terapêuticos são o baixo
Neuroticismo e a elevada Conscienciosidade; na seleção do tratamento adequado, visto que a
conveniência em utilizar as dimensões da personalidade, avaliadas através do NEO-PI-R,
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para selecionar as melhores formas de tratamento, foi referida por Costa (1991), Stein e
Hackerman (1991) e Mutén (1991). Preconizam eles que o NEO-PI-R seja aplicado, em
conjunto com outro(s) instrumento(s), como o MMPI-2, de forma a optimizar a escolha do
tratamento e a predição dos resultados. O clínico pode, assim, examinar sistematicamente as
relações entre a personalidade e as variáveis implicadas no tratamento.
Além das aplicações no campo da Psicologia Clínica, Aconselhamento e Psiquiatria,
já mencionadas no parágrafo anterior, o NEO-PI-R pode ser utilizado também no âmbito da
psicologia da saúde, orientação escolar, Aconselhamento Vocacional e Industrial, Psicologia
Organizacional, Psicologia da Educação e Investigação.
4 - Conclusão
Portanto, o Inventário de Personalidade NEO Revisto (NEO-PI-R) é um instrumento
que apresenta utilidade para diferentes áreas inseridas no campo da psicologia, tendo em vista
a possibilidade de ser aplicado a variados contextos. Nessa perspectiva, o principal benefício
em relação ao seu uso se refere à diversidade de construtos que são considerados, o que
permite abarcar a personalidade de forma ampliada. O inventário, assim, usufrui do modelo
dos cinco fatores e compreende múltiplas vantagens, uma vez que as análises de validade e de
fidedignidade apresentam resultados positivos, além de se configurar como um dos poucos
testes de personalidade realizados para adultos, a partir dos 17 anos, de todos os níveis de
escolaridade e de distintas classes sociais. Todavia, há aspectos negativos que devem ser
avaliados criticamente, como o fato de haverem questões em aberto que necessitam de
investigações e estudos mais aprofundados, considerando as limitações apontadas por alguns
estudos empíricos, como, por exemplo, de Parker e colaboradores (1993), os quais
encontraram uma fraca adequação entre a estrutura fatorial do NEO-PI-R e as dimensões
hipotéticas do modelo dos cinco fatores.
Segundo pesquisas de validação, os índices de fidelidade foram calculados e
mostraram resultados favoráveis, porém, ainda que a maioria dos itens tenha obtido
correlações positivas, levando em conta a faceta a que pertencem, oito deles revelaram a
necessidade de revisão, o que indica que um item, inicialmente pertinente, pode se revelar
inadequado para a avaliação do construto de interesse. Entretanto, de acordo com Costa e
McCrae (1992), há diversas razões para a ocorrência dessa situação, como no que se refere às
diferentes formas de interpretação dos indivíduos, ou, ainda, é possível que a compreensão
inicial do construto esteja errada. Desse modo, em suma, apesar das críticas, o presente
trabalho buscou discorrer acerca desse teste, o qual apresenta alto rigor na avaliação e na
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construção dos resultados, sendo que é elaborado a partir de uma forte base teórica, o que o
torna um instrumento conceituado internacionalmente e pode ser aplicado em diferentes
culturas, a fim de compreender os contornos da subjetividade do indivíduo avaliado.
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5 - Referências
Sobrenome autor, Abreviação do Primeiro nome., & Sobrenome segundo autor, Abreviação
do Primeiro Nome. (ano). Título do artigo. Nome da revista, v(n), páginas inicial e
final 00-00. link ou doi do artigo
Costa, P. T. Jr., & McCrae, R. R. (1992). Inventário de personalidade NEO-Revisto. Manual
técnico. Lisboa: CEGOC-TEA.
Passos, M. F., & Laros, J. A. (2014). O modelo dos cinco grandes fatores de personalidade:
Revisão de literatura. Peritia - Revista Portuguesa de Psicologia, 21, 13-21.
[Link]
dos_cinco_grandes_fatores_de_personalidade_Revisao_de_literatura/links/
54de774a0cf2953c22aeea2c/O-modelo-dos-cinco-grandes-fatores-de-personalidade-
[Link]
Silva, I. B., & Nakano, T. de C. (2011). Modelo dos Cinco Grandes Fatores da Personalidade:
Análise de Pesquisas. Avaliação Psicológica, 10(1), 51-62.
[Link]
04712011000100006&lng=pt&tlng=pt
Silva, R. S., Schlottfeldt, C. G., Rozenberg, M. P., Santos, M. T., Lelé, A. J. (2007).
Replicabilidade do Modelo dos Cinco Grandes Fatores em medidas da personalidade.
Mosaico: estudos em psicologia, 1(1), 37-49.
[Link]