Instituto Federal de Rondônia
Física - Ondulatória
Professor: Mateus Rodrigues Leal
1 Ondulatória
O que é uma onda?
Podemos dizer que onda é um "dispositivo"que transporta energia sem transportar matéria!
Se alguém pede pra você imaginar uma onda, provavelmente irá surgir diversas formas em
seu pensamento, como por exemplo as ondas do mar, ondas em uma corda, etc.
Em nosso curso, restringimos o estudo à ondas com a menor quantidade de características
específicas possível, pois estaremos interessados em estudar fenômenos gerais, que podem
ser aplicados à uma gama ampla de ondas. Sendo assim, estudaremos ondas suaves, isto é,
com simetria. Veja na figura abaixo que há uma região onde as ondas são simétricas (suave)
e outra assimétrica (onde há quebra, próximo à margem).
Figura 1: Imagem retirada da Internet.
As ondas estão presentes em diversas situações, como nas cordas de um violão, no som
que ouvimos, na luz que ilumina o ambiente, etc. Para que determinado movimento seja
caracterizado como ondulatório, é necessário que haja periodicidade, ou seja, repetição. Com
a repetição, ficará caracterizado a frequência (f) da onda, que o número de oscilação em
um determinado intervalo de tempo. A unidade de frequência no Sistema Internacional de
Medidas (S.I) é o Hertz (Hz), que refere ao número de oscilação a cada segundo. Por exemplo:
uma onda que possui 50 Hz oscila cinquenta vezes a casa segundo!
1
1
Heinrich Rudolf Hertz foi um físico alemão que demonstrou a existência da radiação eletromagnética,
1
Atrelado à frequência, temos o Período (T), que é o tempo necessário para que haja uma
oscilação da onda. É fácil mostrar que o período é exatamente o inverso da frequência, isto é
1
T = (1)
f
No S.I, o período é medido em segundos. Observe, abaixo, a imagem esquemática de uma
onda:
Figura 2: Imagem retirada da Internet.
O ponto mais elevado de uma onda, chama-se Crista;
A parte inferior, chama-se Vale;
A distância entre dois pontos equivalentes consecutivos, por exemplo, Crista-Crista, Vale-
Vale, é o Comprimento de Onda (λ);
A distância da linha central (pontilhada) até a Crista ou até o Vale, é a Amplitude da onda.
Cuidado para não confundir a distância do Vale até a Crista com a Amplitude!
Suponhamos que a onda propaga em linha reta com velocidade constante, então o movi-
mento será retilíneo e uniforme. Sabemos que no Movimento Retilíneo Uniforme, a distância
percorrida (D) será o produto da Velocidade (v) pelo Tempo (t), isto é:
D = v.t (2)
O tempo gasto para que a onda desloque uma quantidade igual a um comprimento de onda
(λ) é um Período (T). Logo, se D = λ, t = T , temos:
λ = v.T (3)
criando aparelhos emissores e detectores de ondas de rádio. A unidade de frequência Hz foi adotada no S.I em
sua homenagem.
2
mas como vimos anteriormente, T = f1 . Então
1
λ = v. −→ v = λ.f (4)
f
Para estudar as ondas do ponto de vista matemático, gostaríamos de representá-las por uma
função (chamaremos de y). Essa função atribui a cada ponto da onda um valor, que irá de-
pender do instante de tempo analisado e da posição ao longo do eixo de propagação (aqui
estudaremos o caso unidimensional com propagação ao longo do eixo x). Isso significa que a
função y depende de duas variáveis: x e t −→ y = y(x, t). A pergunta natural nesse momento
é: qual(is) classe de funções são adequadas para descrever uma onda? Para responder essa
pergunta, temos dois caminhos: o primeiro é resolver uma equação que representa as ondas,
mas isso exige conhecimento avançado de matemática e não o temos em nível de Ensino Mé-
dio. O outro caminho é "chutar"uma função que satisfaça alguns critérios físicos. Vejamos
esses requisitos:
1) A função deve ser periódica, isto é, repetir ao longo do eixo x e também com o passar do
tempo;
2) O gráfico da função precisa ter Amplitude (A);
3) Se fixarmos o tempo ("tirarmos uma foto da onda"), ao longo do eixo x a função terá valo-
res dentro do intervalo [+A, −A] que repetirão em determinados intervalos, portanto teremos
um comprimento de onda (λ);
3) Se fixarmos a posição x, a função precisa aumentar e diminuir seu valor com o passar do
tempo, logo terá uma frequência (f ).
4) Precisa ser contínua, já que a onda é um objeto contínuo (sem "buracos").
Das funções que estudamos ao longo do Ensino Médio, as que satisfazem esses requisitos
são os Senos e Cossenos. Então as ondas periódicas unidimensionais poderão ser represen-
tadas por qualquer uma das seguintes funções:
y(x, t) = A sin(k.x ± ω.t + δ) (5)
y(x, t) = A cos(k.x ± ω.t + δ) (6)
Nessas funções, temos:
i) A = amplitude; ii) k = Número de onda;
iii) ω = frequência angular; iiii) δ = fase.
3
Vejamos o significado dessas grandezas: Suponha que queremos analisar o movimento da
crista da onda, ou seja, o movimento dos pontos onde y(x, t) = A.
Nesse caso, o valor de k.x ± ω.t + δ deve ser constante (vamos chamar de c), já que a função
valerá sempre A. Então, k.x ± ω.t + δ = c. Isolando x na equação, temos:
c−δ ω
x= ∓ .t (7)
k k
Como a onda propaga em movimento retilíneo uniforme, podemos comparar a equação (7)
com x(t) = x0 ± v.t, que é a função que fornece a posição de um objeto pontual em função
do tempo.
x(t) = x0 ± v.t (8)
c−δ ω
x(t) = ∓ .t (9)
k k
O termo que multiplica o tempo na equação (8) é a velocidade, já na equação (9) é ωk . Logo,
o módulo da velocidade é
ω
v= . (10)
k
4
Observação importante: Na equação (8), quando o sinal da velocidade é positivo, indica
que o movimento se dá no sentido positivo do eixo x. Então a velocidade será positiva na
ω
equação (9) quando k
tiverem sinal positivo. Isso significa que na função y(x, t), o sinal era
negativo, ou seja, se y(x, t) = A sin(k.x − ω.t + δ), o movimento será no sentido positivo de
x, já se y(x, t) = A sin(k.x + ω.t + δ), a onda estará propagando no sentido negativo de x.
Idem para o cosseno.
Da equação (4), temos v = λ.f . Do Movimento circular Uniforme, temos ω = 2.π.f .
Substituindo na equação (10), obtemos:
ω
v =
k
2π.f 2π
λ.f = −→ k = (11)
k λ
Por último, temos que analisar a fase δ. Para facilitar, tome a posição inicial (x = 0)
e o instante inicial (t = 0). Então y(x, t) = y(0, 0) = A sin(k.0 ± ω.0 + δ), ou seja;
y(0, 0) = A sin(δ). Repare que o valor de y(0, 0) depende do valor de δ. Veja, na figura , o
"efeito"que δ” causa na função de onda.
A curva na cor preta é y(x, 0) = 2 sin(x)
A curva na cor azul é y(x, 0) = 2 sin(x + π2 )
A curva na cor verde é y(x, 0) = 2 sin(x − π2 )
Repare que δ desloca a função para a direita (se for negativo) ou para a esquerda (se for posi-
tivo)!
5
Resumindo as equações, temos:
1) Equação fundamental das ondas (4): v = λ.f ;
2) Módulo da velocidade de propagação de uma onda (10): v = ωk ;
3) Função de uma onda unidimensional (5) e (6):
y(x, t) = A sin(k.x ± ω.t + δ) e
y(x, t) = A cos(k.x ± ω.t + δ);
2π
4) Número de onda (11): k = λ
;
Exercícios 1
1) Uma onda possui comprimento de onda λ = 5 m e frequência f = 10 Hz. Qual é a
velocidade de propagação da onda?
2) Uma onda possui comprimento de onda λ = 12 m e frequência f = 2 Hz. Qual é a
velocidade de propagação da onda?
3) Uma onda possui comprimento de onda λ = 15 m e velocidade de propagação v = 60
m/s. Qual é a frequência da onda?
4) Uma onda possui amplitude A = 4 m. Qual é o desnível entre uma crista e um vale?
5) Considere uma onda que possui a seguinte função: y(x, t) = 4 sin(3.x − 12.t + π2 ). Res-
ponda:
a) Quais os valores da Amplitude (A), do Número de Onda (k), da Fase (δ), do Comprimento
de Onda (λ), da velocidade de propagação (v), da frequência (f ) e do período (T ).
b) A onda propaga no sentido positivo ou negativo da direção x?
6) Considere uma onda que possui a seguinte função: y(x, t) = 3 sin(2.x + 8.t + π). Res-
ponda:
a) Quais os valores de A, k, δ, λ, v, f e de T .
b) A onda propaga no sentido positivo ou negativo da direção x?
6
√
7) Considere uma onda que possui a seguinte função: y(x, t) = 2 cos(x + 5.t). Responda:
a) Quais os valores de A, k, δ, λ, v, f e de T .
b) A onda propaga no sentido positivo ou negativo da direção x?
8) Considere uma onda que possui a seguinte função: y(x, t) = 6 cos(2.x + 6.t + δ). Res-
ponda:
a) Quais os valores de A, k, λ, v, f e de T .
b) A onda propaga no sentido positivo ou negativo da direção x?
c) Qual o valor de δ para que y(0, 0) seja igual a zero?
d) Qual o valor de δ para que y(0, 0) seja igual a 6?
8) Considere uma onda que possui a seguinte função: y(x, t) = 3. cos(2x + π2 .t + π2 ). Res-
ponda:
a) Quais os valores de A, k, λ, v, f e de T .
b) Qual o valor de y( λ4 , t)?
c) Qual o valor de y( λ4 , 2)?
7
1.1 Classificação das Ondas
As ondas são classificada segundo dois critérios. São eles:
1) Natureza da Onda: Ondas Mecânicas e Ondas Eletromagnéticas.
As ondas Eletromagnéticas são aquelas formadas por Campo Elétrico e Campo Magnético.
São exemplo de Onda Eletromagnética: A luz visível, Raios-X, infravermelho, Raios Gama,
etc. Esse tipo de onda propaga na matéria e no vácuo. Isso pode ser verificado facilmente,
basta notar que a radiação solar percorre um trecho de vácuo e um trecho dentro da atmosfera
(matéria) no percurso até a superfície do planeta.
As Ondas Mecânicas são todas as outras (que não são eletromagnéticas). São exemplos de
Ondas Mecânicas: o Som, ondas em uma corda, ondas do mar, etc. Esse tipo de onda somente
propaga na matéria!
2) Direção de Propagação e de Oscilação: Quando a direção de oscilação (vibração) é
perpendicular à direção de propagação, dizemos que a onda é Transversal. Já quando a onda
oscila e propaga na mesma direção, a onda é classificada como Longitudinal!
Figura 3: Imagem retirada da Internet. Onda Transversal e onda Longitudinal.
São exemplos de ondas Transversais: as Ondas Eletromagnéticas, onda em uma corda de
violão, ondas do mar.
São exemplos de ondas Longitudinais: O som, vibração em uma mola, etc.
Exercícios 2
01) (UFSM-RS) Não é exemplo de onda eletromagnética:
a) ultra-som.
b) radiação infravermelha.
c) raios X.
d) microondas.
8
02) Considere uma onda que se propaga em uma corda. Qual característica da onda está
descrita em cada item a seguir?
a) Parte mais alta de uma onda.
b) Parte mais baixa de uma onda.
c) Distância entre o ponto de equilíbrio e uma crista.
d) Distância entre duas cristas.
e) Número de oscilações em uma unidade de tempo.
f) Tempo de uma oscilação.
03) Analise as seguintes afirmativas:
I. O som é onda mecânica.
II. A luz é onda eletromagnética.
III. A luz pode ser onda mecânica.
IV. O som pode propagar-se no vácuo.
V. A luz pode propagar-se no vácuo.
São verdadeiras:
a) I, II e III.
b) I, III e IV.
c) II, III e V.
d) I, II e V.
e) todas as afirmativas.
04) Quais das ondas a seguir não se propagam no vácuo?
a) Raios laser (light amplification by stimulated emission of radiation).
b) Ondas de rádio.
c) Micro-ondas.
d) Ondas de sonar (sound navegation and ranging).
e) Ondas de calor (raios infravermelhos).
05) (PUC-SP) As estações de rádio têm, cada uma delas, uma frequência fixa e própria na
qual a transmissão é feita. A radiação eletromagnética transmitida por suas antenas é uma
onda de rádio. Quando escutamos uma música, nossos ouvidos são sensibilizados por ondas
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sonoras. Sobre ondas sonoras e ondas de rádio, são feitas as seguintes afirmações:
I. Qualquer onda de rádio tem velocidade de propagação maior do que qualquer onda sonora.
II. Ondas de rádio e ondas sonoras propagam-se em qualquer meio, tanto material quanto no
vácuo.
III. Independentemente de a estação de rádio transmissora ser AM ou FM, a velocidade de
propagação das ondas de rádio no ar é a mesma e vale aproximadamente 3, 0.108 m/s.
Está correto o que se afirma apenas em:
a) I.
b) III.
c) I e II.
d) I e III.
e) II e III.
06) (Fatec-SP) Uma onda se propaga numa corda, da esquerda para a direita, com frequência
de 2,0 hertz, como é mostrado na figura. De acordo com a figura e a escala anexa, é correto
afirmar que:
a) o período da onda é de 2,0 s.
b) a amplitude da onda é de 20 cm.
c) o comprimento da onda é de 20 cm.
d) a velocidade de propagação da onda é de 80 cm/s.
e) todos os pontos da corda se movem para a direita.
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2 Interferência de ondas
Interferência é a interação de uma onda com outras, portanto é necessário que haja pelo menos
duas ondas. No campo da interferência, temos duas situações que se destacam:
1) Interferência Construtiva: Ocorre quando duas ou mais ondas passam por um determinado
ponto do espaço coincidindo vale com vale e/ou crista com crista.
Figura 4: Interferência construtiva. Imagem retirada da Internet.
2) Interferência Destrutiva: Ocorre quando duas ou mais ondas passam por um determi-
nado ponto do espaço coincidindo vale com crista.
Figura 5: Interferência destrutiva. Imagem retirada da Internet.
Como vimos, cada onda unidimensional é descrita por uma das equações abaixo:
y(x, t) = A sin(k.x ± ω.t + δ) (12)
y(x, t) = A cos(k.x ± ω.t + δ) (13)
Vamos trabalhar como o caso de interferência entre apenas duas ondas. Do ponto de vista
matemático, a interferência entre ondas é obtida pela soma das funções de cada onda, ou
11
seja, se a onda 1 possui equação y1 (x, t) e a onda 2 possui equação y2 (x, t), a interferência
entre elas resultará em uma onda, que chamaremos de y(x, t), obtida por y(x, t) = y1 (x, t) +
y2 (x, t). Evidentemente, cada onda possui suas próprias grandezas A, k, ω e δ. Então
y1 (x, t) = A1 sin(k1 .x ± ω1 .t + δ1 ) (14)
y2 (x, t) = A2 sin(k2 .x ± ω2 .t + δ2 ) (15)
Vamos lançar mão de uma simplificação: suponhamos o caso onde as duas ondas pos-
suem a mesma amplitude A, o mesmo número de ondas k e a mesma frequência angular ω.
(Observação: Possuir o mesmo valor para k implica que os comprimentos de onda também
2π
são iguais, pois k = λ
. Já o fato das frequências angulares serem iguais, implica que as
frequências de oscilação f também são equivalentes, pois ω = 2πf . Além disso, a veloci-
ω
dade de propagação também será a mesma, pois v = k
). Em termos das equações das duas
ondas, temos:
y1 (x, t) = A sin(k.x ± ω.t + δ1 ) (16)
y2 (x, t) = A sin(k.x ± ω.t + δ2 ) (17)
O primeiro caso que estudaremos é quando as duas ondas estão movimentando no mesmo
sentido de propagação, isto é, o sinal de ω é o mesmo para as duas ondas. Vamos supor que a
onda esteja propagando no sentido positivo do eixo x (então o sinal de ω será negativo!). Por
último, suponhamos que δ2 = 0. logo as equações serão:
y1 (x, t) = A sin(k.x − ω.t + δ1 ) (18)
y2 (x, t) = A sin(k.x − ω.t) (19)
A onda resultante da interação entre as duas ondas terá equação
y(x, t) = A sin(k.x − ω.t + δ1 ) + A sin(k.x − ω.t) (20)
y(x, t) = A [sin(k.x − ω.t + δ1 ) + sin(k.x − ω.t)] (21)
Note que o termo k.x − ω.t repete no argumento dos dois senos! Vamos renomear esse termo
12
por α = k.x − ω.t, pois assim teremos
y(x, t) = A [sin(α + δ1 ) + sin(α)] (22)
Nesse ponto, faremos uso da seguinte identidade trigonométrica:
sin(α + β) = sin(α). cos(β) + sin(β). cos(α). Se identificarmos δ1 = β, teremos:
sin(α + δ1 ) = sin(α). cos(δ1 ) + sin(δ1 ). cos(α) (23)
Substituindo esses dois resultados na equação (22), obtemos:
y(x, t) = A [sin(α). cos(δ1 ) + sin(δ1 ). cos(α) + sin(α)] (24)
Colocando os termos comuns em evidência, obtemos
y(x, t) = A {sin(α) [cos(δ1 ) + 1] + sin(δ1 ). cos(α)} (25)
Vamos analisar o que acontece com y(x, t) quando δ assume valores específicos:
• Se δ1 = 0, então sin(δ1 ) = sin(0) = 0 e cos(δ1 ) = cos(0) = 1. Logo,
y(x, t) = A {sin(α) [cos(0) + 1] + sin(0). cos(α)}
y(x, t) = A {sin(α) [1 + 1] + 0. cos(α)}
y(x, t) = 2.A. sin(α) −→ y(x, t) = 2.A. sin(k.x − ω.t) (26)
Note que a onda y(x, t) = 2.A. sin(k.x − ω.t) é resultado de interferência construtiva, cuja
a nova amplitude é 2.A, ou seja, somou as amplitudes das ondas 1 e 2.
• Se δ1 = π, então sin(δ1 ) = sin(π) = 0 e cos(δ1 ) = cos(π) = −1. Logo,
y(x, t) = A {sin(α) [cos(π) + 1] + sin(π). cos(α)}
y(x, t) = A {sin(α) [−1 + 1] + 0. cos(α)}
y(x, t) = A {sin(α).[0] + 0. cos(α)} −→ y(x, t) = 0 (27)
Esse resultado mostra que independente do valor de α = k.x − ω.t, o valor de y(x, t) será
sempre nulo em qualquer posição x, ou seja, temos um caso de interferência destrutiva!
Vamos agora analisar o segundo caso de duas ondas interagindo: suponhamos que as
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ondas estão propagando na mesma direção e em sentidos contrários. Tomemos δ1 = δ2 = 0
para simplificar os cálculos. Nesse caso, temos:
y1 (x, t) = A sin(k.x − ω.t) −→ (Propagação no sentido positivo.)
y2 (x, t) = A sin(k.x + ω.t) −→ (Propagação no sentido negativo.)
Logo, a onda resultante da interação será:
y(x, t) = A[sin(k.x − ω.t) + sin(k.x + ω.t)] (28)
Nesse ponto, faremos novamente o uso da identidade trigonométrica
sin(α + β) = sin(α). cos(β) + sin(β). cos(α). Se identificarmos α = kx e β = ωt, teremos:
sin(kx − ωt) = sin(kx). cos(ωt) − sin(ωt). cos(kx) (29)
sin(kx + ωt) = sin(kx). cos(ωt) + sin(ωt). cos(kx) (30)
Substituindo os dois resultados anteriores na equação (28), obtemos:
(( ((
y(x, t) = A[sin(kx). cos(ωt) − (
sin(ωt).
(((( cos(kx)
( sin(ωt).
+ sin(kx). cos(ωt) + ( (((( cos(kx)]
(
Obtemos:
y(x, t) = 2A sin(kx). cos(ωt) (31)
2π
Sabemos que k = λ
. Se substituirmos na equação (31), obtemos:
2π
y(x, t) = 2A sin x . cos(ωt) (32)
λ
Essa equação possui um resultado interessante. Vamos analisar a próxima figura e associá-la
com a equação (32).
Os pontos de nós são aqueles onde o valor de y(x, t0 ) = 0. Vamos ver o que acontece
quando substituímos:
14
• x = 0 na equação (32);
2π
y(0, t) = 2A sin 0 . cos(ωt) = 0
λ
λ
•x= 2
na equação (32);
=0
λ 2 π
λ z }| {
y , t = 2A sin . cos(ωt) = 2A sin(π) . cos(ωt) = 0
2 λ 2
Exercícios 3
2π
1) Use a função y(x, t) = 2A sin λ
x . cos(ωt) e calcule:
a) y (λ, t);
b) y 3λ
2
,t ;
c) y nλ
2
, t , onde n = 0, 1, 2, 3, ...
d) y 3λ
4
,t ;
e) y 5λ
4
,t ;
f) y nλ
4
, t , onde n = 1, 3, 5, ...
15
2) Use a função y(x, t) = 20 sin (πx) . cos(8πt) e calcule:
a) Encontre os valores de: k, ω, v, λ, f , T .
Utilize o valor de λ encontrado no item (a) e calcule:
b) y (λ, t);
c) y 3λ
2
,t ;
d) y nλ
2
, t , onde n = 0, 1, 2, 3, ...
e) y λ4 , t ;
f) y 3λ
4
, t ;
nλ
g) y 4 , t , onde n = 1, 3, 5, ...
h) Calcule a amplitude no ponto x = 16 .
√
i) Qual é o menor valor da posição x para que a amplitude seja 10 2 ?
j) Represente y(x, 0) em um gráfico, cujo eixo x abranja o intervalo 0 ≤ x ≤ 5.
k) Use o valor do período (T ) encontrado no item (a) represente y(x, T2 ) em um gráfico, cujo
eixo x abranja o intervalo 0 ≤ x ≤ 5.
l) Use o valor do período (T ) encontrado no item (a) represente y(x, T ) em um gráfico, cujo
eixo x abranja o intervalo 0 ≤ x ≤ 5. Compare com o resultado do item (j). Por que a relação
entre as respostas dos itens (j) e (l) são esperadas?
3) Use as funções abaixo pra responder os itens a seguir:
π
y(x, t) = 20 sin (0, 50x) . cos t
220
π
y(x, t) = 10 sin (0, 45x) . cos t
196
a) Encontre, para cada equação, os valores de: k, ω, v, λ, f , T .
b) Se essas duas funções representarem ondas em uma corda de violão, qual equação repre-
sentará:
i) um som mais alto (agudo/maior frequência)?
ii) um som mais intenso (volume forte).
16
2.1 Cordas vibrantes
Suponha que uma corda esticada de comprimento L esteja presa pelas duas extremidades
(por exemplo, como ocorre em um violão.). Sabe-se que a frequência com que ela vibra
depende da quantidade que ela está tensionada (esticada). Observe a figura abaixo: Veja
Figura 6: Imagem retirada da Internet.
que o número de nós pode variar. O caso n = 1 é chamado primeiro harmônico, n = 2
segundo harmônico, e assim por diante. No caso n = 1, temos um comprimento de onda
2L
λ = 2L, se n = 2, temos λ = L, se n = 3 temos λ = 3
, e a assim por diante. Como fica a
frequência? Para responder a essa pergunta, basta usarmos a equação fundamental das ondas:
v = λf −→ f = λv .
v
n = 1 (λ = 2L) −→ f1 =
2L
v
n = 2 (λ = L) −→ f2 = −→ f2 = 2f1
L
2L 3v
n = 3 (λ = ) −→ f3 = −→ f3 = 3f1
3 2L
..
.
2L nv
n = n (λ = ) −→ fn = −→ fn = nf1
n 2L
Note que quanto mais nós, maior será a frequência!
Por que o som de uma corda de violão se torna mais agudo à medida em que tensionamos
mais a corda? Para responder essa pergunta, precisamos lançar mão da seguinte equação:
s
F
v= (33)
µ
Não temos condições de deduzir a equação (33) devido as limitações dos recursos matemáti-
cos que estamos utilizando em nosso curso.
2
Na equação (33), F representa a força com que a corda está tensionada e µ representa
2
Para deduzir a equação (33) é necessário calculo diferencial, que não é conteúdo abordado do ensino médio.
Todavia, essa equação é conteúdo presente nos livros didáticos referência do ensino médio!
17
a densidade linear da corda, ou seja, µ = m L
, onde m é a massa da corda. Isso posto, basta
q
voltarmos às relações v = Fµ e fn = 2L nv
. Substituindo a primeira na segunda, obtemos:
s
n F
fn =
2L µ
Comentários sobre a equação anterior:
1) A frequência é inversamente proporcional ao comprimento da corda, ou seja, quanto maior
a corda, menor a frequência (no caso de um violão, seria um som mais grave).
2) Quanto mais esticada a corda tiver (maior a força F ), maior a frequência (mais agudo).
Isso acontece quando tensionamos a corda de um violão!
3) Quanto mais maior a densidade µ (mais grossa for a corda), menor será a frequência, por-
tanto mais grave será o som, no caso de um violão. Pense: na prática, qual das cordas do
violão possui o som mais grave?
Exercícios 4
1) Em um violão afinado, quando se toca a corda Lá com seu comprimento efetivo (harmô-
nico fundamental), o som produzido tem frequência de 440 Hz. Se a mesma corda do violão
é comprimida na metade do seu comprimento, a frequência do novo harmônico
a) se reduz à metade, porque o comprimento de onda dobrou.
b) dobra, porque o comprimento de onda foi reduzido à metade.
c) quadruplica, porque o comprimento de onda foi reduzido à metade.
d) quadruplica, porque o comprimento de onda foi reduzido à quarta parte.
e) não se modifica, porque é uma característica independente do comprimento da corda que
vibra.
2) Em uma corda vibrante de 50, 0 cm de comprimento com densidade igual a 2, 4.10−4
kg/m, presa em suas extremidades, e formada uma onda estacionaria apresentando um único
ventre, quando excitada por uma fonte de 1000 Hz. Assinale a alternativa correta.
a) A velocidade de propagação da onda na corda e de 1000 m/s quando a corda está sob uma
tensão de 240 N.
b) A frequência de vibração é diretamente proporcional ao comprimento de onda.
c) A frequência fundamental da corda é de 2000 Hz.
18
d) A velocidade de propagação da onda na corda é de 1000 m/s e é inversamente proporcional
a tensão na corda.
e) O segundo harmônico possui uma frequência de 500 Hz.
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2.2 Ondas dentro de tubos
Observe atentamente as figuras a seguir:
Figura 7: Imagem retirada da Internet.
Note que extremidade fechada, temos um nó, já na extremidade aberta, temos um anti-nó.
Exercício 5
1) Prove que para os tubos fechados o comprimento de onda (estacionária) dentro possui
4L
a relação λ = (2n−1)
, onde n = 1, 2, 3, ...
2) Prove que para os tubos abertos o comprimento de onda (estacionária) dentro possui a
2L
relação λ = n
, onde n = 1, 2, 3, ...
O valor de n determina o que chamamos de harmônico, ou seja, n = 1 é o primeiro harmô-
nico, n = 2 é o segundo harmônico, e assim por diante!
Exercício 6
1) Considere uma onda estacionária que se forma num tubo sonoro. A velocidade do som
no ar é de 340m/s. Determine a frequência do som emitido pelo tubo em cada caso e a
frequência que cada tubo emitiria no 5º harmônico, se:
a) O tubo for aberto e seu comprimento L = λ2 ;
3λ
b) O tubo for fechado e seu comprimento L = 4
;
2) (UFJF) - O "conduto auditivo"humano pode ser representado de forma aproximada por
um tubo cilíndrico de 2, 5cm de comprimento com uma das extremidades fechada. Qual é
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a frequência fundamental do som que forma ondas estacionárias nesse tubo? (Dado vsom =
340m/s)
3 Reflexão e Difração das ondas
3.1 Reflexão
A reflexão é um fenômeno ondulatório muito presente em nosso cotidiano. O exemplo mais
clássico é o espelho. Ao observar nossa imagem em um espelho, a luz (ondas eletromagné-
ticas) refletidas pelo espelho estão adentrando em nosso olho através da pupila e chegando
até a retina, localizada na parte posterior do mesmo ("no fundo do olho"). Como ocorre a
reflexão? A resposta para essa pergunta depende do "grau"de refinamento do que queremos
estudar. De forma geral, na medida em que uma onda em propagação passa por uma região
que há mudança de meio material há três possibilidades: a primeira é que ela passe totalmente
de um meio para outro (dizemos que houve transmissão total); a segunda é que ela seja total-
mente ou em parte absorvida pelo novo meio, e por último, que ela seja refletida (totalmente
ou em partes) pela interface do segundo meio material. Vejamos algumas situações exemplo:
ao acender uma lâmpada em um quarto todo pintado de preto (considere que a tinta real não
é perfeitamente preta) o ambiente ainda ficará bem escuro, diferente de um quarto com as pa-
redes pintadas de branco. Isso ocorre porque a tinta preta absorve grande parte da luz emitida
pela lâmpada, portanto poucos raios luminosos atingem seus olhos. Já a tinta branca (não
considere o branco perfeito/ideal) é caracterizada por não absorver grandes quantidades da
radiação luminosa incidente, portanto há reflexão da maior parte da luz emitida pela lâmpada.
Obviamente não há transmissão da luz através da parede, uma vez que ela é opaca! Observe
a figura esquemática (8) da reflexão da luz emitida por uma lanterna em um espelho ideal.
Por que não vemos nossa imagem quando estamos em frente a uma parede? Observe
atentamente a figura (9) :
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(a) Reflexão em um espelho plano ideal. (b) Lei fundamental da reflexão.
Figura 8: Figura esquemática evidenciando a Lei fundamental da reflexão: Os ângulos de incidência
e refletido são sempre iguais. Vale lembrar que a linha Normal é sempre perpendicular à superfície
no ponto considerado.
Figura 9: Imagem retirada da Internet.
A luz refletida é espalhada devido a irregularidade da superfície!
Exercício 7
1) (PUC – SP) O ângulo de incidência, em um espelho plano, é de 30º. Qual o valor do
ângulo formado entre o raio refletido e a superfície?
2) O ângulo entre um raio de luz que incide em uma superfície e o raio de luz refletido
por ela é igual a 80º. Qual é o ângulo entre o raio incidente e a reta normal? E qual é o ângulo
entre o raio refletido e a superfície?
3) (UFB) A propriedade óptica que afirma que o ângulo de incidência é igual ao ângulo
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de reflexão é válida somente para os espelhos planos?
3.2 Difração
A Difração é a capacidade que as ondas (de todos os tipos e natureza) possuem de contornar
obstáculos. O exemplo mais clássico é quando ouvimos outra pessoa falando atrás de um
muro alto. Evidentemente que para você ouvi-la é necessário que as ondas sonoras cheguem
aos seus ouvidos, logo o som deverá contornar o muro para alcançar você. A esse fenômeno
damos o nome de Difração.
Outro exemplo da ocorrência da Difração é quando o celular capta "sinal"mesmo em lo-
cais onde não se vê a antena da operadora. Para isso, tanto o sinal emitido pela antena quanto
pelo celular precisam chegar até os respectivos receptores. Nesse trajeto pode haver obstá-
culos, como casas, árvores, morros/serras, etc. A conexão só é possível graças ao fenômeno
Difração!
Exercícios 8
01. (UFRGS) Considere as afirmações abaixo, sobre o fenômeno da difração.
I - A difração é um fenômeno ondulatório que ocorre apenas com ondas sonoras.
II - A difração que ocorre quando uma onda atravessa uma fenda é tanto mais acentuada
quanto menor for a largura da fenda.
III- A difração que ocorre quando uma onda atravessa uma fenda é tanto mais acentuada
quanto maior for o comprimento de onda da onda.
Quais estão corretas?
a) Apenas I.
b) Apenas II.
c) Apenas I e III.
d) Apenas II e III.
e) I, II e III.
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02) (UFC) Para que ocorra difração, a onda deve encontrar
a) Um obstáculo de dimensões muito menores que seu comprimento de onda.
b) Uma fenda de dimensões muito maiores que seu comprimento de onda.
c) Uma fenda de dimensões muito menores que seu comprimento de onda.
d) Uma fenda ou obstáculo de dimensões da mesma ordem de grandeza do seu comprimento
de onda.
03) Por que a difração das ondas sonoras é mais evidente na experiência do dia-a-dia, que
a das ondas luminosas ?
04) (UFG) Uma estação de rádio emite ondas médias na faixa de 1 MHz com comprimento
de onda de 300 m. Essa radiação contorna facilmente obstáculos como casas, carros, árvores,
etc., devido ao fenômeno físico da
a) Difração.
b) Refração.
c) Reflexão.
d) Interferência.
e) Difusão.
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