EXCELENTÍSSIMA SENHORA DOUTORA JUIZA DE DIREITO DA VARA DA DIREÇÃO DO FORO DA
COMARCA DE TRAMANDAÍ - RS
Portaria nº 140/2019 – Direção do Foro
ROSÂNGELA SANTOS PEREIRA, brasileira, solteira, comerciária, inscrita
no RG nº 8038800713 SSP/RS, CPF nº 762.070.050-15, residente e
domiciliada na Rua Z 3, nº 372, Balneário Albatroz em Imbé – RS, CEP
95.625-000, vem, respeitosamente, à presença de V. Exa., por
intermédio de seus procuradores Dr. Douglas Nunes, brasileiro,
casado, Advogado inscrito na OAB/RS sob o nº 99.497 e Eloísa da Costa
Nunes, brasileira, casada, Advogada inscrita na OAB/RS sob o nº
98.210, com escritório profissional à Rua 07 de Setembro nº 385, sala
601, Ed. Manhattan no Centro de Osório/RS, endereço eletrônico
[Link]@[Link], REQUERER,
REGULARIZAÇÃO FUNDIÁRIA URBANA, nos termos da Portaria nº
140/2019 – emitida pela Direção do Foro e do Provimento
001/2020, do CGJ
Do Lote n° 12, da Quadra n° 78, Setor n° 20, matrícula n° 102.016
(página 30 da matrícula), em face de AMILTON CARLOS RIBEIRO, CPF
n° 577.306.280-15, e sua esposa ELIANE PEREIRA RIBEIRO, residentes
e domiciliados em lugar incerto e não sabido, pelos seguintes fatos e
fundamentos:
DA JUSTIÇA GRATUITA
A parte Autora não tem condições de arcar com as despesas do processo,
necessitando de gratuidade da justiça e isenção de emolumentos, razão pela qual junta
declaração de hipossuficiência econômica.
DA AUDIÊNCIA DE CONCILIAÇÃO
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A parte autora opta pela realização de audiência de conciliação e solicita a citação da
parte ré para comparecer à audiência designada para essa finalidade.
DAS INFORMAÇÕES DA PARTE RÉ
Primeiramente gostaríamos de informar que não foi possível apresentar todos os
dados pessoais da parte Ré, necessários à petição inicial.
Tendo em vista que a obtenção das informações previstas no art. 319, II, do NCPC
pode tornar impossível ou excessivamente oneroso o acesso à justiça, dado a situação em tela,
solicitamos que a presente petição inicial não seja indeferida, por inteligência do §3º do art.
319, do NCPC.
DOS FATOS
A parte Autora exerce a posse mansa, pacífica, ininterrupta e sem oposição de um
terreno urbano com benfeitorias, constituído do Lote n° 12, da Quadra n° 78, Setor n° 20,
localizado no Balneário Albatroz em Imbé – RS.
Para comprovar sua posse a parte demandante apresenta:
1- Contrato de compra e venda firmado entre o vendedor José Carlos Correa Borges e
o comprador Felipi Albino Borges, em 05/08/2019, sobre o terreno objeto da
demanda;
2- Termo de compromisso, em que Felipi Albino Borges se compromete em transferir
a requerente o contrato de compra e venda firmado com José Carlos Borges;
3- Fotografia do imóvel.
O imóvel encontra-se registrado em nome da parte Ré, AMILTON BARCELOS RIBEIRO
e sua esposa ELIANE PEREIRA RIBEIRO, conforme certidão do Registro de Imóveis da Comarca
de Tramandaí - RS, matrícula n° 102.016 (página 30 da matrícula), fato que impediu a devida
transferência da propriedade.
Diante desta situação, não restou alternativa à parte autora senão promover a
presente ação de regularização fundiária urbana.
DOS FUNDAMENTOS
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O reconhecimento do direito à moradia foi incorporado ao ordenamento jurídico
brasileiro a partir da Emenda Constitucional nº 26/2000, trazendo novas dimensões e
importantes modificações interpretativas quanto à implementação desse direito social. O
direito à moradia inclui no seu conceito o direito a uma moradia integral, provida de recursos
mínimos de saneamento, como água, esgoto, iluminação pública e infraestrutura social.
A existência, no Brasil, de milhares de núcleos urbanos informais é situação de
conhecimento geral, e por núcleos urbanos informais se entende ocupações ordenadas,
desordenadas, clandestinas, irregulares, bem como condomínios, loteamentos e
incorporações ilegais. Assim, várias são as situações em que as pessoas residem de maneira
irregular gerando enorme insegurança ao possuidor destes imóveis e prejudicando o Poder
Público, que muitas vezes não recebe o imposto devido.
a) Dos documentos
Quanto aos documentos acostados, deve-se observar que a Portaria nº 140/2019
considera a necessidade de preservar o espírito de flexibilização na comprovação documental
para a aquisição e regularização da propriedade, com a devida observância às normas que
regulamentam os registros públicos.
Atualmente, as normas valorizam o papel do Município e do Poder Judiciário no
processo de regularização, principalmente na presunção de veracidade e de legitimidade de
seus atos, assim como na segurança jurídica trazida pelos títulos judiciais. A legislação visa,
sobretudo, regularizar o maior número de moradias possíveis, entregando dignidade e direto
de propriedade às pessoas.
b) Da legitimidade ativa
O art. 4º da portaria já referida dispõe que os agentes promotores das regularizações
fundiárias são legitimados a requerer todos os atos de registro, independentes de serem
titulares de domínio ou detentores de direito real sobre a gleba objeto da regularização.
O artigo 14, II da Lei Nacional nº 13.465/2017, disciplina os legitimados para requerer
o REURB “os seus beneficiários, individual ou coletivamente, diretamente ou por meio de
cooperativas habitacionais, associações de moradores, fundações, organizações sociais,
organizações da sociedade civil de interesse público ou outras associações civis que tenham por
finalidade atividades nas áreas de desenvolvimento urbano ou regularização fundiária
urbana.”
Segundo o Provimento 001/2020, do CGJ, o procedimento do projeto More Legal será
regido pelas normas que regulam a jurisdição voluntária, aplicando-se, no que couber, os
preceitos das Leis nº 6.015/1973 e 13.465/2017.
Desta forma, a parte autora é legitima para requerer a regularização fundiária do lote
em questão, eis que há previsão legal.
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DOS PEDIDOS
Diante de todo o exposto, requer:
a) Que seja designada audiência de conciliação ou mediação na forma do previsto no artigo 334,
caput, do NCPC, razão pela qual requer a citação da parte Ré para comparecer à audiência
designada para essa finalidade;
b) Sejam concedidos os benefícios da JUSTIÇA GRATUITA e isenção de emolumentos em razão da
parte autora não ter condições financeiras de arcar com estas despesas e demais cominações
em lei sem prejuízo do seu próprio sustento e dos seus dependentes, como faz prova a
Declaração em anexo;
c) A emissão de mandado judicial reconhecendo a parte requerente ROSÂNGELA SANTOS
PEREIRA, como titular da propriedade do Lote n° 12, da Quadra n° 78, Setor n° 20, matrícula
n° 102.016 (página 30 da matrícula), junto ao Registro de imóveis pelo Juízo Competente;
d) Sejam julgados procedentes os pedidos desta ação;
e) Requer provar o alegado por todos os meios de provas admitidos em direito, especialmente a
juntada de novos documentos e prova testemunhal, na amplitude dos artigos 369 e seguintes
do NCPC.
TESTEMUNHAS:
Luan Ludwig, CPF 039.485.940-58;
Mariana Vieira da Silva, 047.213.280-60.
Dá-se à causa o valor de alçada.
Nesses Termos,
Pede Deferimento.
Osório, 24 de novembro de 2022.
DOUGLAS NUNES ELOISA DA COSTA NUNES
OAB/RS 99.497 OAB/RS 98.210