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Psicrometria: Estudo do Ar Úmido

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Capítulo 2 – Psicrometria e Processos do Ar

CAPÍTULO 2. Psicrometria e Processos do Ar

É o estudo sistemático das relações entre o ar seco (AS) e o vapor d’água (VP)
presente, formando uma solução chamada de ar úmido (AU).

1. AR ÚMIDO
A tabela abaixo mostra a composição do ar em um país industrializado. Nota-se
que o teor de VP é baixo, mas a sua importância para a refrigeração do ar é enorme.

Composição média de uma atmosfera poluída típica


Gás Fração molar (ou volumétrica) média em [%]
N2 (nitrogênio) 78
O2 (oxigênio) 21
H2O (água) 0a4
Ar (argônio) 0,93
CO2 (dióxido de carbono) 0,035
Ne (neônio) 0,001 8
He (hélio) 0,000 5
CH4 (metano) 0,000 17
H2 (hidrogênio) 0,000 05
N2O (dióxido de nitrogênio) 0,000 03
Xe (xenônio) 0,000 009
O3 (argônio) 0,000 004
Particulado (poeira, sal, pólen, etc.) 0,000 001
CFC (refrigerantes halogenados) 0,000 000 01
Fonte: Oklahoma University (22/11/2006). http://okfirst.ocs.ou.edu/train/meteorology/Variables.html

A composição aproximada do AU é, em termos de frações molares (volumétricas):


N2  78,00 % A massa molecular média do AS
O2  20,95 % é calculada assumindo apenas a
Ar  0,93 % composição: 79% N2 + 21% O2.
CO2  0,03 % ∴ M ar = 0,79(28) + 0,21(32) ≅ 29 kg/kmol
Outros  0,09 %
O VP no ar está no estado superaquecido, mas assumir que é estado saturado não
introduz erros sensíveis na entalpia, em largas faixas de pressão, como mostrado abaixo.

Figura 6. Diagrama de Mollier da água na região vapor.


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O ar úmido obedece à lei dos gases ideais e à lei de Dalton das pressões parciais:
p atm = p AS + pVP = 101,3 kPa (em Manaus) (1)

2. DEFINIÇÕES
Temperatura de Bulbo Seco ( TBS )

É a medida usual de temperatura, obtida com um termômetro de bulbo nu.


Temperatura de Bulbo Úmido ( TBU )

Sua medida é feita com um termômetro cujo bulbo foi envolvido por uma mecha de
algodão embebido em água (Figura 7). Observa-se experimentalmente, TBS > TBU .

A temperatura TBU é obtida quando o ar alcança o equilíbrio de concentração com

aquela do vapor de água na interface com uma região molhada. Do ponto de vista
termodinâmico, TBU se define pelo dispositivo saturador adiabático, analisado no tópico

“resfriamento por umidificação adiabático-isentálpica”, da seção 4.

Figura 7. Medição da TBU

Temperatura de Ponto de Orvalho ( TPO )

É a menor temperatura que o ar atinge para que o vapor d’água condense. Ou


seja, é a temperatura onde a pressão parcial da água é igual à sua pressão de saturação,
psat.. Assim, seu valor pode ser determinado por tabelas de vapor. Ocorre em serpentinas
de resfriamento. A magnitude de TPO é da forma (Figura 8): TBS > TBU > TPO .

Figura 8. Comparação entre TBS, TBU e TPO


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Umidade Absoluta (w)


É a massa de água contida em 1 kg de AS. Ou seja:
~
w AU =
mVP
=
(=  
)
pVM R T VP  M VP  pVP  18 
= 
pVP
~
m AS ( )
pVM R T AS  M AS  p AS  29  p atm − pVP

 pVP 
∴ w AU = 0,622   [kgVP/kgAS], [lbVP/lbAS], etc. (2)
 p atm − pVP 

Umidade Relativa (φ)


É definida como a razão entre a pressão parcial do vapor contido no AU (pressão
local) e a máxima pressão parcial do VP que o AS admite (pressão de saturação), na Tsat .

local. Os valores limites de φ são 0% e 100%. Então:


 pVP 
φ = 100   [%] (3)
 p sat . 
Quando φ = 100%, TBS = Tsat . = TBU , daí porque φ dá uma indicação indireta de TBU , e

vice-versa. Na prática, φ é medida com aparelhos (higrômetros – figuras 8a e 8b).


Em (3), a pressão de saturação pode ser obtida de uma tabela de saturação da
água, ou, com boa aproximação pela seguinte correlação polinomial, em [kPa]:
p sat . = 6 ,026 339 33 ⋅ 10 −1 + 4 ,572 885 59 ⋅ 10 −2 Tsat . + 1,406 136 55 ⋅ 10 −3 Tsat
2 −5 3
. + 2 ,454 225 03 ⋅ 10 Tsat .

+ 3,493 639 38 ⋅ 10 −7 Tsat


4 −9 5 6
. + 2 ,811 772 03 ⋅ 10 Tsat . − 1,286 133 05 Tsat . (4)

Figura 8a. Higrômetro de fio-de-cabelo. Figura 8b. Higrômetro giratório

Entalpia do Ar Úmido ( h AU )

É a soma da entalpia do AS com a entalpia do VP. Então: H AU = H AS + H VP =

= m AS h AS + mVP hVP . A entalpia específica do AU pode ser obtida dividindo a equação de

H AU pela massa do AS, m AS , porque esta não varia (a massa do AU é variável); assim:

H AU m AS == m AS h AS m AS + mVP hVP m AS

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Ou seja:
hAU = hAS + w hVP [kJ/kgAS], [kcal/kgAS], [Btu/lbAS] (5)

Pode-se obter boas aproximações para h AU assumindo a hipótese, já justificada,

de que o VP está no ar no estado saturado, como seja, hVP ≈ hsat . = hsens . + hlat . . Então:

h AU = h AS + w AU (hsens . + hlat . ) [kJ/kgAS], [kcal/kgAS] , [Btu/lbAS] (6)

A fórmula acima exige usar tabelas de vapor. Uma maneira de estimar as entalpias
é através dos calores específicos; igualmente, para estimar a entalpia de vaporização da
água usa-se seu valor a 1 atm. Então, no SI, com uma temperatura de referência de 0 C:
1,01 kJ/kg.C 1,805 kJ/kg.C 2 491 kJ/kg

[
h AU = c p ,AS (TBS − 0 C) + w AU c p ,VP (TBS − 0 C) + hlat . ]
∴ h AU = 2 491 w AU + TBS (1,01 + 1,805 w AU ) [kJ/kgAS] (7)

Em unidades métricas:
∴ h AU = 59 5 w AU + TBS (0,24 + 0 ,431 w AU ) [kcal/kgAS] (8)

E em unidades inglesas:
∴ h AU = 2 361 w AU + TBS (0,24 + 0,431 w AU ) [Btu/lbAS] (9)

Volume Específico do Ar Úmido ( v AU )

É o volume de AU ocupado por cada 1 kg de AS. Numericamente, é igual ao


volume de AS por cada 1 kg de AS, conseqüência da lei de Dalton das pressões parciais,
porque, para que p = pAS + pVP, implica V = VAS = VVP (os componentes ocupam o mesmo
~ ~
R TBS R TBS
volume). Então, da equação dos gases: v AU = v AS = =
p AS M AS ( p − pVP ) M AS

0,287 ⋅ TBS
∴ v AU = [m³/kgAS] (10)
p − pVP

2.1 Diagrama Psicrométrico


As propriedades do AU são dispostas no chamado diagrama psicrométrico (DP),
ou carta psicrométrica, obtido como se explica a seguir. Observe-se na Figura 9 as linhas
de TBS , TBU , TPO , φ , w AU e v AU constantes, todas passando no ponto A qualquer.

Para a construção do DP a uma dada p atm local, as TBS são dados independentes:

1. A curva φ1 = 100% é o lugar geométrico de p sat . (TBS ) (polinômio (4)); a curva

φ 2 = 90%, é o lugar geométrico de 0,9 p sat . (TBS ) ; e assim sucessivamente, até φ10 = 10%.

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2. Cada valor da escala vertical de w AU é obtido combinando as equações (2) e (3)

com os dados de p sat . , resultando: w AU = 0 ,622 [φi p sat . (1 − φi p sat . )] (i = 1, 2, ..., 10).

3. Cada valor da escala de TPO , marcada sobre a curva φ1 , é igual ao valor de TBS

correspondente a cada valor de φ1 . Uma horizontal liga uma TPO a uma w AU .

4. Para obter as retas h AU , primeiro se definem os extremos da escala de h AU .

Então, toma-se um valor h AU = const . ; e deste, uma reta é traçada variando-se livremente

TBS e, por (8) ou (9), obtendo as w AU correspondentes.

5. As retas TBU = cont . coincidem com as retas h AU = const . (a rigor, sob erro

desprezível), desde que o ar alcança a TBU por um processo isentálpico. Isso é justificado

na seção 4, tópico “resfriamento por umidificação adiabática”.


6. As retas v AU = const . são traçadas procedendo como às retas h AU = const . :

varia-se livremente TBS e, pela equação (10), se obtêm as pVP correspondentes.

7. O DP pode disponibiliza ainda mais informação. Em alguns, o eixo vertical em


uma dos lados fornece dados de p sat . . Mas, em geral, todos os DP fornecem dados do
fator de calor sensível (FCS – vide a seção 4, tópico “insuflamento com mistura”), ora por
uma escala também vertical, ora por uma escala tipo “meia-lua”.

Figura 9. Detalhes construtivos do diagrama psicrométrico

Nas subseções seguintes, são mostrados dois DP, ambos para a pressão
atmosférica local (barométrica) de 101,3 kPa. O primeiro, da companhia Carrier, tem sua
escala de FCS locada no eixo vertical direito, com ponto-pivô em TBS = 24 C e φ = 50%;

enquanto o segundo não dispõe de escala FCS. A limitação do DP Carrier é seu pequeno
alcance das condições típicas da Amazônia.

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2.1.1 Diagrama Psicrométrico Para 1 atm (nível do mar)


Se tem a seguir um DP da Companhia Carrier (EUA) em unidades do SI, na pressão de 1 atm (101,3 kPa) e próprio para
pequenas faixas de combinações de T BS , TBU , φ , w AU e v AU (típicas de climas temperados). Observe-se as linhas de desvio hAU TBU .

Figura 10. Diagrama


psicrométrico para climas
temperados

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2.1.2. Diagrama Psicrométrico Para 1 atm (nível do mar) − Ampliado


O diagrama seguinte permite trabalhar com combinações de TBS , TBU , φ , w AU e v AU

maiores do que com os do gráfico da Carrier (típicas de climas quentes).

Figura 11. Diagrama psicrométrico para


climas quentes e úmidos

3. LEI DA LINHA RETA


Adaptando o enunciado de Stocker e Jones (1985):
Quando o ar transfere calor e massa de água a uma superfície molhada o processo no DP segue uma
reta, traçada pelos pontos das condições iniciais até a temperatura dessa superfície ( TBU ).

A figura abaixo mostra o caso geral, em que tudo varia, mas o processo pode seguir
ou uma linha TBU = const . ou uma linha wAU = const . (vide os processos a seguir).

Figura 12. Lei da linha reta

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4. PROCESSOS PSICROMÉTRICOS DE VERÃO


Em Manaus e na região amazônica, quente e úmida, só interessam os processos que
promovem o resfriamento e baixam a umidade do ar.
4.1. Resfriamento Sem Desumidificação
Processo obtido em uma serpentina de resfriamento (figura 13a), em que só se altera
a TBS , resultando na variação de φ, sem variação da umidade absoluta.

Define-se a demanda por refrigeração do AU, e propiciada por uma serpentina


necessária para resfriar uma vazão de AU, m& AU , cujo processo se define pela variação do

estado na condição 1 até a condição 2 (figura 13b), como:


Q& refr . = m& AU (h AU .1 − h AU .2 ) [kW], [kcal/h], [Btu/h] (11)

Figura 13a. Resfriamento por serpentina (SR) do AU. Figura 13b. Processo de resfriamento do AU

4.2. Resfriamento por Umidificação Adiabático-Isentálpica


É feita com aspersão de água no ar. Grandes palácios no Saara o usam até hoje para
obter conforto ambiental.
Na Figura 14 se tem um dispositivo para essa finalidade, o saturador adiabático – ou
seja, sem troca de calor com o exterior – mas que pode trocar calor e massa com a água; e
assim, T AU → TBU , pela lei da linha reta.

O balanço de energia deste dispositivo, entre os pontos (1) e (2), é:


h AU .1 + hsat . (TBU ) ⋅ (w AU .2 − w AU .1 ) = h AU .2 (TBU ) (12)

Se hsat . (w AU .2 − w AU .1 ) = dpz , resta h1 ≅ h2 . Então, o processo segue uma linha h AU = const . ,

ou seja, além de adiabático, o processo também é isentálpico.

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Figura 14. Saturador adiabático

Em refrigeração de ar, a umidificação adiabática é parcial, aparecendo no DP como se


vê abaixo, ou seja, ao fim do processo o ar não atinge φ = 100%.
Se a umidificação porventura aquecer o ar, o processo é chamado de umidificação
diabática, como também se mostra na figura abaixo, em que h AU .1 ≠ h AU .2 .

Figura 15. Processo de umidificação adiabática do AU

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4.3. Resfriamento com Desumidificação


É obtido em uma serpentina (Figura 16a) de uma sala individual, variando TBS , φ e

w AU . A capacidade de refrigeração da serpentina para resfriar o AU, Q& SRD , é dada pela

mesma expressão (11). Este processo aparece no DP como se vê na Figura 16b.

Figura 16a. Resfriamento e desumidificação do AU. Figura 16b. Resfriamento e desumidificação no DP

Na figura do processo no DP, o ponto 1 possui uma temperatura de orvalho, TPO .1 ,

que é a mínima na qual o AU iniciaria a condensação nas condições deste ponto. Mas o AU
sai não saturado nas condições do ponto 2, porque nem toda a corrente aérea toca na
serpentina, cujas condições são dadas pelo ponto X, com uma temperatura de orvalho TPO . X .

O processo real entre os pontos 1 e 2 não segue uma linha reta em si, mas essa linha
imaginária atende à lei da linha reta entre 1, 2 e X (vide o Cap. 4, seção “serpentinas de
evaporação”).
A eficiência de uma serpentina de evaporação em promover o máximo de contato do
AU com seus tubos e aletas (figura abaixo) é determinado pelo seu fator de contato, ou pelo
seu complementar, o fator de passagem (fator de by-pass), definidos:
w AU .1 − w AU .2 h − h AU .2 T − TBS .2
FC ≡ = AU .1 ≅ BS .1 (13)
w AU .1 − w AU . X h AU .1 − h AU .X TBS .1 − TPO . X

w AU .2 − w AU . X h − h AU .X TBS .2 − TBS .X
FP ≡ 1 − FC = = AU .2 ≅ (14)
w AU .1 − w AU .X h AU .1 − h AU . X TBS .1 − TPO . X

Nestas relações, a substituição das w AU pelas h AU decorre da equação (5); e a

substituição pelas TBS de h = c p T , mas é aproximada, porque se assume que c p ≅ const . nas

várias temperaturas. Os valores de FC se encontram entre 0,8 e 0,9 (Jones, 1983)

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A figura abaixo ilustra o porquê do AU que atravessa uma SRD não emergir com a
TPO desta. Observa-se ali que nem todo o AU que atravessa a SRD toca seus tubos,

emergindo assim como uma mistura na qual TBS .2 < TPO . X .

Figura 17. Corte transversal de um SRD sob um fluxo de AU

4.4. Desumidificação por Adsorção


Este processo reduz a umidade do ar utilizando o dessecante sílica gel (vide o Cap.
3), sem troca de calor. A imagem da desumidificação por adsorção no DP é semelhante à da
umidificação adiabático-isentálpica (porém invertida). É usado para reduzir o trabalho que
uma máquina de refrigeração teria para desumidificar o AU. No sistema da figura abaixo, se
tem a sílica gel aplicada em um disco giratório, no qual o AU penetra diametralmente oposto
à área de regeneração da sílica. O calor para a regeneração em grandes sistemas aproveita
resíduos térmicos, por exemplo, de motores de combustão interna. Em sistemas pequenos, a
fonte de calor para a regeneração da sílica gel é uma resistência elétrica.

Figura 18. Dispositivo desumidificador de AU por dessecagem com sílica gel

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4.5. Insuflamento com Mistura


A Figura 19a mostra o chamado sistema de zona simples (SZS), cuja máquina de
refrigeração só atende a um ambiente: a máquina filtra, resfria e desidrata uma mistura de ar
externo (higienização), m& e , e ar de retorno do ambiente atendido, m& R ; e insufla essa mistura

tratada no ambiente. Se a máquina atende a mais de um ambiente, cada um com requisitos


próprios, o sistema é chamado de zonas múltiplas (SZM).
Na Figura 19b se mostra o processo de um SZS no DP, onde “ext.” (e) e “int.” (i)
denotam os estados do ar externo e interno do ambiente, respectivamente. O ar de retorno
(R) tem as mesmas condições de “int.” O ponto M denota as condições do ar de mistura; o
ponto I está nas condições do ar insuflado no ambiente (saída da serpentina de resfriamento
e desumidificação – SRD); e o ponto X denota as condições da superfície da SRD (ponto de
orvalho da máquina). As setas explicam o ciclo do ar. No DP, também se mostra uma escala
de fator de calor sensível (FCS), que serve de apoio para o traço das retas I-“int.” e X-M.

Figura 19a. Insuflamento com mistura. Figura 19b. Processo de insuflamento com mistura no DP

Definem-se dois FCS: um devido à soma das cargas térmicas sensível interna, Q& S .i , e

latente interna, Q& L.i ; e outro devido à soma destas cargas (ou seja, do retorno) com as

cargas sensível e latente que o ar externo para higienização acrescenta à mistura:


Q& S .i
FCS i = (15)
Q& S .i + Q& L .i

Q& S .i + Q& S .hig .


FCS e = (16)
(Q& S .i + Q&S .hig . ) (
+ Q& + Q&
L .i L .hig . )

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Nestas equações, carga térmica é a refrigeração requerida por certa massa de ar para
que a sua TBS .i (relativa ao calor sensível) e a sua φi (ou a TBU .i , relativas ao calor latente)

reduzam (vide o Cap. 5). No DP, as cargas sensível, latente e total são expressas assim:
Q& S .i = m& I c p . AU (TBS .i − TBS .I ) = m& I (hY − hI ) (17)

Q& L .i = m& I (hi − hY ) (18)

Q& tot .i = Q& S .i + Q& L .i = m& I (hi − hI ) (19)

A entalpia hY acima, é dada pelo vértice Y do triângulo retângulo formado pelos pontos I,
“int.” e Y (Figura 19b). Disso, com (17) e (18), a equação (15) também pode ser escrita:
Q& S .i c p . AU (TBS .i − TBS .I ) hY − hI
FCS i = = = (20)
Q& S .i + Q& L .i hi − hI hi − hI
Também, de (17) a (19), se pode obter a vazão de ar de insuflamento (AU) no ambiente:
Q& S .i Q& S .i Q& L .i Q&
m& Ι ≡ m& M = = = = tot .i (21)
c p .AU (TBS .i − TBS .I ) hY − hI hi − hY hi − hI

O ponto de mistura M fica na entrada da SRD, mistura essa de ar nas condições do


ambiente (“int.”), com ar nas condições externas (“ext.”). As propriedades em M são obtidas
por balanços de massa de ar seco,1 umidade e energia neste ponto (figura A acima):
desprezível
m& Ι + m& ág . ≅ m& R + m& e = m& M (22)

m& M wM = m& R wR + m& e we (23)

m& M hM = m& R hR + m& e he (24)

A determinação da vazão m& e é feita no Cap. 5, no contexto do cálculo das cargas térmicas.

Observe-se, na Figura 19a acima, que m& e vaza por frestas de portas e janelas. Controlando-

a, pode-se obter no ambiente pressão alta (mínimo risco de entrada de incêndios, e. g. em


salas de teatros); ou atmosférica (uso geral). O Cap. 5 detalha isso melhor.
São também possíveis balanços do ar ambiente, que consideram a carga total Q& tot .i :
m& Ι = m& R + m& e (25)

m& I wI = m& R wR + m& e we (26)

m& I hI + Q& tot .i = m& R hR + m& e he (27)

1
As vazões na equação (21) são dadas em [kg/s] de ar úmido. Como a massa de vapor é pequena
relativamente à massa de ar seco, o erro é desprezível (vide o DP Carrier, onde o máximo é wAU = 33 g/kgAU).
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Um balanço de energia do ar na SRD (ponto X da Figura 19a) permite obter a sua


capacidade de resfriamento e desumidificação (ou seja, da máquina de refrigeração), Q& SRD :

m& M hM = Q& SRD + mM hΙ (28)

Há três maneiras de se localizar os pontos M e I no DP:


(i) Com as equações (22) a (24), determinam-se hM e wM para locar o ponto M na reta “ext.”-
“int.” Traça-se uma reta desde “int.” até a curva φ = 90%, pelo fator FCSi, ou por cálculo.
Onde essa reta cortar a curva φ = 90% se tem o ponto I (saída da SRD). E traça-se uma

reta do ponto M passando pelo ponto I até a curva φ = 100%, onde se tem o ponto X;
(ii) Pelas retas definidas pelo fatores FCS i e FCS e com apoio da escala auxiliar do DP.

(iii) Pela regra geométrica sobre o eixo de TBS na figura B acima (apud Silva, 1968).

4.5.1. Pivotamento da Linha de Processo do Ar de Mistura


A linha de processo do ambiente (I-“int.”) é fixa, porque é o próprio FCS i . Então, o

ponto I funciona como pivô para a linha de processo do ar de mistura (X-M). Na Amazônia,
três situações podem ocorrer, aquelas ilustradas nas Figuras 20a, 20b e 20c.

Figura 20a. Caso extremo em que não há introdução de ar para


higienização ( m
& e = 0). A linha X-M coincide com a linha fixa
I-“int.”

Figura 20b. Caso normal, em que é admitido ar para higienização

Figura 20c. Caso extremo em que o ar insuflado é todo derivado do


exterior; não há recirculação ( m
& R = 0). A linha X-M coincide
com a linha I-“ext.”, mas só alcança a linha de saturação se
φe < 50%. Por isso, não ocorre na Amazônia; exceto nas suas
áreas de cerrado, no segundo semestre.

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4.5.2. Necessidade de Reaquecimento do Insuflamento


Na Figura 19b, a posição do ponto I é restringida pelo intervalo de temperatura de
difusão D = Ti − TΙ . A ASHRAE recomenda, para o verão (Silva, 1968): 7 C ≤ D ≤ 20 C.

Se T X restar muito próximo de 0 C, ou se a reta X-M não alcançar φ = 90%, é preciso

reaquecer o ar (Figura 21a), do ponto I’ até o ponto I (Figura 21b), após a SRD, noutra
serpentina de ar quente, vapor, água quente, ou usando resistência elétrica. Daí, arbitra-se
um valor para o diferencial ∆TI = TI − TI ' , e a carga de reaquecimento é dada por:

Q& SRA = m& I (hI − hI ' ) (29)

Reaquecer o ar implica desperdício de capacidade de resfriamento da SRD.

Figura 21a. Resfriamento (SRD) e reaquecimento (SRA) do ar. Figura 21b. Processo de reaquecimento

4.5.3. Reaquecimento Devido ao Ventilador


Em sistemas com ventiladores de baixas potências é desprezível (SZS). Mas
geralmente em sistemas centralizados (SZM), não o é. Pode-se estimar a elevação de
temperatura do ar que sai da SRD e passa pelo ventilador, ∆TVT , igualando a sua potência

de compressão de ar ao ganho de calor sensível pelo ar nesse processo. A potência de


compressão é menor do que a potência elétrica do ventilador, W& el .VT , por um fator de

rendimento ηVT , em geral, superior a 0,7. Ou seja, então:

ηVT W& el .VT ηVT W& el .VT


ηVT W& el .VT = ρ AU V&AU c p . AU ∆TVT → ∆TVT = = (30)
ρ AU V&AU c p . AU m& AU c p . AU

Se podem assumir: ρ AU ≅ 1,2 kg/m³ e c p . AU = 1,03 kJ/kgAS.C. A título de orientação, o ar

se aquece de ∆TVT = 1 C por cada m& AU = 1 kg/s e cada W& el .VT = 1,471 kW (ηVT = 0,7).

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5. EXEMPLOS
5.1. O Problema da Refrigeração de Ar na Amazônia
Certo fabricante de um chiller (máquina de refrigeração geladora de água para uso em
serpentinas nos ambientes) fornece a curva de desempenho de seu equipamento segundo
os dados discretos da tabela abaixo.
Deseja-se usar este chiller na refrigeração de ar para uso em um SZS, para o qual são
conhecidas as cargas sensível e latente, respectivamente de 65 kW e 8 kW. Para tanto, o
ambiente será mantido sob TBS .i = 25 C e φi = 50%. O ar externo tem as condições: TBS .e =

40 C e φ e = 85%. E a mistura deverá se dar na proporção de 1 parte de ar externo para 6

partes de ar retornado. Despreza-se o reaquecimento do ar pelo ventilador.

Tabela de dados do chiller


Temperatura de entrada Temperatura do ar na saída da SRD, [C]
da água fria na SRD, [C] Bulbo seco Bulbo úmido
4 10,7 10,5
5 11,6 11,5
6 12,5 12,4
7 13,3 13,2
8 14,1 13,9
9 14,8 14,5

(A) Determine as condições do ar que entra na SRD do chiller (ponto M no DP)


Na figura abaixo:
▪ Propriedades no DP, do ponto “ext.”: he ≅ 147 kJ/kgAS e we ≅ 41 g/kgAS

▪ Propriedades no DP, do ponto “int.”: hi = hR ≅ 47 kJ/kgAS e wi = wR ≅ 9,7 g/kgAS

Das equações (22), (23) e (24), do ponto M:


▪ m& R + m& e = m& M , e tendo que m& e m& R = 1 6 ∴ m& R = 6 m& e e m& M = 7 m& e (eq.s A)

m& R m&  6 m& e   m& 


▪ m& R wR + m& e we = m& M wM ∴ wM = wR + e we =   wR +  e  we =
m& M m& M  7 m& e   7 m& e 
= 0,857 wR + 0,143 we = 0,857(9,7 g/kg AS ) + 0,143(41 g/kg AS ) = 14,2 g/kgAS

m& R m&
▪ m& R hR + m& e he = m& M hM ∴ hM = hR + e he =
m& M m& M
= 0,857 hR + 0,143 he = 0,857(47 kJ/kg AS ) + 0,143(147 kJ/kg AS ) = 61,3 kJ/kgAS

▪ Propriedades no DP, do ponto M: TBS .M ≅ 27,1 C e TBU .M ≅ 22 C

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(B) Determine as condições do ar que sai na SRD do chiller (ponto I no DP)


O DP aqui usado não tem escala de FCS . Mas já que o ponto M está definido, pode-se
arbitrar o local do ponto I puxando uma reta desde M até a curva φ = 100% (onde está o

ponto X). Onde esta reta cortar a curva φ = 95% marca-se o ponto I. Então, da figura abaixo:
▪ TBS .I ≅ 14 C , TBU .I ≅ 13 C , hI ≅ 37 kJ/kgAS e TPO .X ≅ 5 C.

TBS .i − TBS .I (25 − 14 ) C


▪ Para a SRD, da equação (13): FC ≅ = = 0,55.
TBS .i − TPO . X (25 − 5 ) C
É um valor baixo. Apenas 55% da massa de ar que passa pela SRD toca em seus tubos.

(C) Selecione a temperatura da água de entrada no chiller


A tabela do fabricante fornece várias temperaturas de entrada ( TE .água ) e respectivas

temperaturas do ar de saída, TBS .tab . e TBU .tab . . Então, a estratégia é fazer uma interpolação

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para a temperatura de bulbo seco TBS .I = 14 C, e uma para a temperatura de bulbo úmido

TBU .I = 13 C, obtendo uma TE .água de cada; e dessas, obtém-se a temperatura definitiva por

uma média entre as duas anteriores. Como sejam:

Interpolação Para TBS.I Para TBU.I Média


TE .água 7,87 6,75 7,31

(C) Determine a capacidade de refrigeração da SRD do chiller


Da equação (21), para os dados obtidos:
Q& tot .i (65 + 8 ) kW
▪ m& I ≡ m& M = = = 7,3 kg/s
hi − hI (47 − 37 ) kJ/kg AS

E da equação (28), para os demais dados:


▪ Q& SRD = m M (hM − hI ) = 7,3(61,3 − 37 ) = 177,39 kW

Conclusões
▪ O FC convencional de chillers comerciais (0,8 a 0,9) é maior do que o necessário acima
(0,55). Por isso, o ar na saída da SRD terá condições off-point, ou seja, deslocadas dos
valores calculados.
▪ A diferença Q& SRD − (Q& S + Q& L ) = 177,39 kW – (65 + 8) kW = 104,39 kW é atribuída aos processos
de resfriamento e desumidificação do ar externo (higiene), apesar de sua vazão ser menor
do que a do ar recirculado. Ou seja, a vazão do ar externo que é, das eq.s A,
m& e = m& M 7 = 7,3 kg/s 7 = 1,04 kg/s, tem condições de estado muito superiores do que as

condições do ar de recirculação (interna).

5.2. Balanceamento de Cargas


Uma instalação de ar refrigerado SZS, que consiste de (figura abaixo) tomada de ar
externo, duto para recirculação de ar, câmara de mistura, SRD, ventilador e duto de
alimentação, movimenta 1,3 kg/s de ar, fruto da mistura de 15% de ar fresco, no estado de
TBE .e = 35 C e φ e = 75%; com 85% de ar recirculado, nas condições TBE .i = 25 C e φi =

50%. A passagem do ar pelo ventilador eleva a sua temperatura em 1 C; e a passagem pelo


duto de insuflação o aquece em 2 C. Nestes termos, determine o que a seguir se pede.

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(A) A carga térmica total na SRD


Pode ser obtida pelo balanço (27), notando que, aqui, a notação para a saída da SRD é “S”:
Q& tot .i = m& R hR + m& e he − m& S hS = 0 ,85m& S hR + 0 ,15m& S he − m& S hS = m& S [(0 ,85hR + 0,15he ) − hS ] =

= m& S (hM − hS ) = 1,3 kg/s⋅(61 – 31) kJ/kgAS = 39 kW, ou 11,1 TR

(B) Desagregue a carga térmica total na SRD em seus componentes


Metodizando em forma tabular:
Componente Formulação Cálculo (%)
0 ,15m& S (he − hi ) 0,15⋅1,3(106 – 53) = 10,34 kW
(1) Carga do ar
ou ou 26,55
fresco
m& S (hM − hi ) 1,3(61 – 53) = 10,4 kW
(2) Carga latente m& S (hi − hY ) 1,3(53 – 45) = 10,4 kW 26,71
(3) Carga sensível m& S (hY − hId ) 1,3(45 – 34) = 14,3 kW 36,72
m& S (hIvt − hS ) 1,3(32,5 – 31) = 1,95 kW
(4) Ganho no ou, aproximadamente ou, aproximadamente 5,01
ventilador
m& S c p ,AU ∆Tvt 1,3 kg/s ⋅ 1,03 kJ/kg.C ⋅ 1 C = 1,34 kW
m& S (hId − hIvt ) 1,3(34 – 32,5) = 1,95 kW
(5) Ganho no duto ou, aproximadamente ou, aproximadamente 5,01
m& S c p ,AU ∆Td 1,3 kg/s ⋅ 1,03 kJ/kg.C ⋅ 2 C = 2,68 kW
Total  38,94 kW ou 39,12 kW 100,00

Observe-se que (1) + (2) + (3) + (4) + (5) = 0 ,15m& S (he − hi ) +

m& S (hi − hY ) +

m& S (hY − hId ) +

m& S (hIvt − hS ) +

m& S (hId − hIvt ) =

= m& S [(0 ,15he + 0,85hi ) − hS ]

é substancialmente o mesmo que m& S (hM − hS ) do item (A).

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5.3. Atendimento de Ambientes Diferentes


Uma central refrigeradora de ar deve atender um SZM constituído de três diferentes
ambientes, em um hospital-escola (figura abaixo), a saber:
▪ Sala 1 (aulas) − TBS .1 = 25 C, φ1 = 50%, Q& S .1 = 40 kW e Q& L .1 = 10 kW;

▪ Sala 2 (descanso de médicos) − TBS .2 = 25 C, φ 2 = 50%, Q& S .2 = 11 kW e Q& L .2 = 4 kW; e

▪ Sala 3 (cirurgia) − TBS .3 = 18 C, φ 4 = 35%, Q& S .3 = 20 kW e Q& L .3 = 6 kW.

Admite-se que os três ambientes são insuflados com 15% de ar fresco e 85% de
retorno. As condições do ar externo são TBS .e = 35 C e φ e = 80%.

Considere que a passagem do ar pelo ventilador e o duto de insuflação (adiabático),


até o ponto Id, situado a montante da primeira sala, aquece o ar em 1 C; e que o duto de
retorno, desde o ponto de mistura Mb, situado a jusante da primeira sala (figura abaixo),
aquece o ar em 1 C.
Deseja-se determinar o processo psicrométrico do ar e a capacidade da máquina
necessária para a instalação.

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Processo psicrométrico

Capacidade da máquina necessária


▪ Propriedades no DP:
− Ponto externo: he ≅ 112 kJ/kgAS

▪ São necessárias as vazões de insuflamento. Para isso, é preciso estimar a temperatura de


saída da SRD (ponto S):
− TBS .S = 12 C e hS = 32,5 kJ/kgAS;

− Pelo aquecimento de 1 C até o ponto Id, TId = 13 C, e hId = 34 kJ/kgAS;

− Nos três ambientes: hi1 = hi 2 = 52 kJ/kgAS e hi 3 = 42,5 kJ/kgAS.

wI 1 = wI 2 = 10,4 g/kgAS e wI 3 = 7,9 g/kgAS.

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Q& tot .i1 Q& + Q& L1 40 + 10


∴ m& Ι1 = = S1 = = 2,77 kg/s
hi1 − hId hi1 − hId 52 − 34

Q& tot .i 2 Q& + Q& L 2 11 + 4


∴ m& Ι 2 = = S2 = = 0,83 kg/s
hi 2 − hId hi 2 − hId 52 − 34

Q& tot .i 3 Q& + Q& L 3 20 + 6


∴ m& Ι 3 = = S3 = = 3,06 kg/s
hi 3 − hId hi 3 − hId 42,5 − 34

▪ As propriedades do retorno no ponto Ma, mistura da sala 3 com a 2, saem por balanços:
c p . AU (m& I 3 + m& I 2 ) ⋅ (TMa − 0) = m& I 3 c p . AU (TBS .i 3 − 0 ) + m& I 2 c p . AU (TBS .i 2 − 0 )

m& I 3TBS .i 3 + m& I 2TBS .i 2 3,06(18) + 0,83(25)


∴ TMa ≅ ≅ ≅ 19,5 C [A]
m& I 3 + m& I 2 3,06 + 0,83

(m& I 3 + m& I 2 ) wMa = m& I 3 wI 3 + m& I 2 wI 2


m& I 3 wI 3 + m& I 2 wI 2 3,06(7,9 ) + 0,83(10,4 )
∴ wMa = = = 8,4 g/kgAS [B]
m& I 3 + m& I 2 3,06 + 0,83

▪ As propriedades do retorno em Mb, mistura de Ma com a sala 1, são dadas por relações
semelhantes a [A] e [B] acima:
(m& I 3 + m& I 2 )TMa + m& I 1TBS .i1 (3,06 + 0,83 ) ⋅ (19,5 ) + 2,77(25)
TMb ≅ ≅ ≅ 21,8 C
(m& I 3 + m& I 2 ) + m& I 1 (3,06 + 0,83 ) + 2,77
(m& + m& I 2 ) wI 3 + m& I1 wI 1 (3,06 + 0,83) ⋅ (7,9) + 2,77(10,4)
wMb = I 3 = = 8,9 g/kgAS
(m& I 3 + m& I 2 ) + m& I 1 (3,06 + 0,83) + 2,77
A temperatura do retorno em Mc é 1 C maior que Mb: TMc = 21,8 C + 1 C = 22,8 C

E do DP, para TMc e wMc = wMc : hR = 46 kJ/kgAS

▪ Dado a proporção de mistura do ar (15% fresco + 85% retorno), a entalpia de mistura é:


 m&   m& 
m& R hR + m& e he = m& M hM ∴ hM =  R  hR +  e  he
 m& M   m& M 
∴ ∴ hM = 0,85 hR + 0,15 he = 0,85(46 ) + 0,15(112) = 55,9 kJ/kgAS

▪ E portanto, a capacidade da máquina, que é a capacidade da SRD, vale:


Q& tot . = m& S (hM − hS ) = (m& I 1 + m& I 2 + m& I 3 ) ⋅ (hM − hS ) =

= (2,77 + 0,83 + 3,06 ) kg/s ⋅ (55,9 − 32,5 ) = 155,8 kW , ou 44,3 TR.

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6. EXERCÍCIOS
1. Uma mistura ar-vapor (AU) tem os dados: TBS = 35 C e φ = 75%. Determine no DP

todas as demais propriedades deste ar, num local onde a pressão atmosférica é 101,3 kPa.
Respostas: TBU = 30,5 C , w AU = 0,027 kg/kgAS , v AU = 0,91 m³/kgAS , h AU = 106 kJ/kgAS.

2. Um AU tem os dados: TBS = 35 C, φ = 80%, p atm = 101,3 kPa. Determine:

A) A TPO [C], pela definição e pelo DP. Resposta: TPO = 31 C.

B) w AU , e h AU , por fórmula e pelo DP. Respostas: w AU = 0,028 92 kg/kgAS e h AU = 109,2 kJ/kgAS.

3. Determine o volume específico de uma mistura ar-vapor, em [m³/kgAS], dadas as


condições: TBS = 30 C, w AU = 0,015 kg/kgAS, e p atm = 90 k.

Resposta: v AU = 0,99 m³/kg.

4. Calcule pelas fórmulas e pelo DP a entalpia de um AU cuja TBS = 40 C e φ = 90%.

Resposta: h AU = 152,30 kJ/kgAS, 36,32 kcal/kgAS e 113,4 Btu/lbAS.

5. Desenvolva um DP para a cidade de Manaus, para uso em refrigeração de ar.


Considere um intervalo de TBS entre 15 C e 45 C.

6. Desenvolva um DP para a cidade de Manaus, para uso em refrigeração para


conservação. Considere um intervalo de TBS entre −30 C e 45 C.

7. Sejam três localidades distintas, para as quais o AU é saturado (φ = 100%) na


temperatura de 30 C: a primeira, ao nível do mar, tem a pressão atmosférica padrão (101,3
kPa); a segunda está em uma altitude cuja pressão atmosférica é 75% da padrão; e a
terceira está noutra altitude, com uma pressão atmosférica de 50% da padrão. O que se
podem concluir e generalizar para w AU e φ destas localidades, relativamente às altitudes?

Resposta: Conforme a altitude aumenta wAU aumenta para uma mesma TBS, ou seja, a curva φ = 100%
no DP se desloca para cima relativamente à curva da pressão padrão.

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8. Jones (1983) fornece a fórmula abaixo para a pressão parcial do vapor em um AU,
obtida de experimentos com higrômetros giratórios, para TBU [C] e TBS [C]:

pVP = p sat . (Tsat . ) − 6 ,67 ⋅ 10 −4 p atm. (TBS − TBU ) [kPa]

Onde psat . (Tsat . ) [kPa] é dada por tabelas, ou pelo polinômio (4), tendo que Tsat . = TBU (porque

a saturação ocorre sob φ = 100%); e p atm = 101,3 kPa, em Manaus. Nestes termos, dado um

AU em Manaus (AM), cujos parâmetros medidos são TBS = 40 C e TBU = 37 C, determine-o,

por fórmulas e pelo DP: a pVP , a w AU e o φ.

Respostas: pVP = 6,08 kPa, w AU = 0,039 68 kg/kgAS, φ = 96,8%.

9. Uma SRD resfria um AU de TBS = 35 C, até TBS = 26,5 C, sob wAU = const. Determine:
A) A potência térmica da serpentina, por [kg/s] de ar, se φ1 = 60%. Resposta: 8,81 kJ/kgar.
B) A potência térmica da serpentina, por [kg/s] de ar, se TBU .1 = 28,4 C. Resposta: 8,92 kJ/kgar.

C) φ1 para o dado do item (B). Porque este valor é diferente do valor do item (A)?
Resposta: 88,5%. A diferença entre os valores deriva de que neste item (C) se usou a equação de Jones
(1983) para pVP .1 , dada no Ex. 5, que é uma aproximação, enquanto o valor 61% do item (A) é do DP.

10. Um AU1, no estado TBS .1 = 60 C e TBU .1 = 32,1 C, se mistura com outro AU2 com

o estado TBS .2 = 60 C e TBU .2 = 32,1 C. Se as vazões de ar são, respectivamente, 3 kg/s e

2 kg/s, calcule, para a mistura de AU1 e AU2:


A) A entalpia e a umidade absoluta. Resposta: h AU = 69,12 kJ/kgAS e w AU = 0,011 86 kg/kgAS.
B) A temperatura de bulbo seco, pela entalpia e pela relação (16). Respostas: pela entalpia,
38,4 C; pela expressão (16), 38 C.

11. Um xeque árabe opta por resfriar as dependências do seu palácio pela técnica do
resfriamento adiabático-isentálpico. Deverá ser construído um lago que circundará o palácio,
tal que o ar quente e seco escoará sobre a água do lago para sofrer queda de temperatura,
antes de adentrar as dependências do palácio a 25 C. O arquiteto real estimou a demanda
de ar para o palácio em 6 000 m³/h. Sabendo que as condições do ar externo do Saara são
TBS = 50 C e φ = 10%, estime o volume d’água carregado pelo ar nesse processo, em [litro/h].
Resposta: 70,47 lito/h.

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12. Uma torre de resfriamento (figura abaixo) é um equipamento no qual ar, escoando
verticalmente de baixo para cima, resfria água borrifada de cima para baixo escoando em
contra-corrente com o ar. Se 15 m³/s de ar a TBS = 35 C e TBU = 24 C, a 101 kPa, adentram

uma torre e saem saturados a 31 C, estime:

A) Até que temperatura essa corrente de ar pode


resfriar água borrifada a 38 C e com uma vazão
de 20 litro/s?. Resposta: 31,3 C.
B) Quantos [kg/s] de água devem ser repostos no
sistema para compensar a água que evapora,
carregada pelo ar?. Resposta: 882 litro/h.

13. Uma sala é refrigerada por um aparelho tipo split, tal que as condições da sala são
TBS .i = 25 C e φi = 50%; enquanto as condições do ar externo são TBS .e = 32 C e φ e = 85%.

Sabe-se que as vazões de ar são: externo – m& e = 0,7 kg/s; retorno – m& R = 4,5 kg/s. Sabe-se

também que as cargas térmicas deste ambiente são: Q& S .i = 12 kW e Q& L .i = 2 kW. Calcule-o:
A) A temperatura de insuflamento. Resposta: 14,3 C.
B) A capacidade da serpentina SRD. Resposta: 103,4 kW.
C) A quantidade de água retirada pela SRD, em [litro/h]. Resposta: 57,17 litro/h.

14. Uma instalação de refrigeração de ar deve atender três ambientes, cujas


condições ambientais são mostrados na tabela abaixo.
Q& S [kW] Q& L [kW] TBS [C] φ [%] m& [kg/s]
Posição
S1 S2 S3 S1 S2 S3 S1 S2 S3 S1 S2 S3 S1 S2 S3
Interior 12 15 10 2 5 4         
Exterior 8 4 37 85 0,7 1,0 0,35
Retorno       25 25 20 50 50 30 4,5 5,0 3,5

Determine:
A) A temperatura de insuflamento.
B) A capacidade da serpentina SRD.
C) A quantidade de água retirada pela SRD.

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BIBLIOGRAFIA E REFERÊNCIAS
CREDER, Hélio. Instalações de Ar Condicionado. LTC Livros Técnicos e Científicos Editora.
5ª. Ed. 360 p. Rio de Janeiro. 1996.

DA SILVA, Jesué G. Introdução à Tecnologia da Refrigeração e da Climatização. Artliber


Editora. 219 p. São Paulo. 2004.

JONES, W. P. Engenharia de Ar Condicionado. Editora Campus. 506 p. Rio de Janeiro.


1983.

SILVA, Remi Benedito. Ar Condicionado. Editora da USP. 276 p. São Paulo. 1968.

STOCKER, Wilbert F., JONES, Jerold W. Refrigeração e Ar Condicionado. Editora McGraw-


Hill. 481 p. Rio de Janeiro, RJ. 1985.

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