KITS DIDÁTICOS
DOCUMENTOS HISTÓRICOS NO
ENSINO
A Balaiada: Entre Memória e
Narrativa
“Fabricants de Jacas (Paniers)”. Jules Joseph
Augustin Laurens, 1859-1861. Disponível em:
<[Link]
/div_iconografia/icon1113654/icon1113654_58
.jpg>. Acesso em: 8 jul. 2022.
Laboratório de Ensino e Material Didático
KITS DIDÁTICOS
DOCUMENTOS HISTÓRICOS NO ENSINO
Amanda Araújo Parente (11770289 - Vespertino)
Lais B. Guirra de Sousa (11841211 - Vespertino)
Lucas de Assis Alves da Silva (12682693 - Vespertino)
Maria Luísa Svab Valério (5003152 - Vespertino)
Disciplina de Ensino de História: Teoria e Prática
Profa. Antonia Terra de Calazans Fernandes
Departamento de História
FFLCH –USP 2022
Laboratório de Ensino e Material Didático
LISTA DE DOCUMENTOS
1. CARTA geral da provincia do Maranhão dividida em
oito comarcas. 1838. 1 mapa, col, 82 x 53. Disponível em:
<[Link]
a/cart519673/[Link]>. Acesso em: 8 jul. 2022.
a. ASSUNÇÃO, M. R. “Memórias do Balaio”:
Historiografia, memória oral e as origens da
balaiada. História Oral, vol. 1, 1998, p. 67-89.
Disponível em:
<[Link]
d-D89Q-ik4-VTT6LVC5/view>. Acesso em: 8
jul. 2022.
2. DE CASTRO, F. A. B. Distribuição espacial das
comunidades indígenas no Maranhão. Maranhão: 2020.
1 mapa, cor. Escala: 1:3700000. Disponível em:
<[Link]
content/uploads/2020/04/[Link]>. Acesso em: 8
jul. 2022.
3. DE CASTRO, F. A. B. Distribuição espacial das
comunidades quilombolas no Maranhão. Maranhão:
2020. 1 mapa, cor. Escala: 1:3700000. Disponível em:
<[Link]
content/uploads/2020/04/[Link]>
Acesso em: 8 jul. 2022.
4. VIANA, C. J. de A. Maranhão Proclamações: Habitantes
do Maranhão. O Publicador Official, Maranhão. Nº 10, p.
37, 23 nov. 1831. Disponível em:
<[Link]
0454&Pesq=&pagfis=37>. Acesso em 8 jul. 2022.
5. NOTÍCIAS extraordinárias. Chronica Maranhense. Nº 94,
p. 380, 23 dez. 1838. Disponível em:
<[Link]
990&pagfis=400>. Acesso em: 8 jul. 2022.
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LISTA DE DOCUMENTOS
6. GOMES, Raimundo. Manifesto Balaio. In: Chronica
Maranhense. Nº 102, p. 414, 17 jan 1839. Disponível em:
<[Link]
bo>. Acesso em: 8 jul. 2022.
7. RELATOS Orais sobre a memória da Balaiada. In:
ASSUNÇÃO, M. R A Guerra dos Bem-Te-Vis: a
balaiada na memória oral. São Luís: Sioge, 1988.
8. Em Caxias, memorial reconta a história da Balaiada.
G1, 2013. Disponível em:
<[Link]
[Link]>
9. MEMORIAL da Balaiada. Tour virtual. Disponível em:
<[Link] Acesso em:
12 jul. 2022.
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LEITURA DOS DOCUMENTOS
A Balaiada foi uma revolta com amplo protagonismo das classes
populares que ocorreu na província (atual estado) do Maranhão durante os
anos de 1838 a 1841. Contando com três líderes principais (Raimundo
Gomes, Negro Cosme e Manoel dos Anjos Ferreira), os agentes decisivos
do conflito eram camponeses, pobres e escravizados, mesmo no exército
dos repressores. O estopim do confronto ocorreu com a invasão da cadeia
da Villa da Manga e com as reivindicações que se seguiram, contra o atual
governador conservador da província e o recrutamento obrigatório.
Nesse contexto, o contingente das tropas da Balaiada logo foi
crescendo em um terreno fértil devido às tensões sociais e os protestos dos
diversos grupos subjugados do período. Assim, os números da tropa
revoltosa chegaram a ultrapassar dez mil homens e o conflito se estendendo
por quase quatro anos, destruindo a província com uma guerra civil brutal e
violenta. A rebelião foi contida com dificuldade pelas tropas regenciais
lideradas por Caxias e, no final, os líderes foram mortos e os exércitos
dispersados, massacrados ou escravizados.
Aqui esperamos agrupar um conjunto de documentos que permitam
pensar não só a Balaiada sob a perspectiva de uma Guerra Civil, mas
também dar atenção às tensões que emergiram no Brasil Império. É preciso
estudar além do fazer político das classes mais altas, que naquele período
estavam divididas entre dois partidos (Liberal e Conservadores) e que,
embora possuíssem sutis diferenças, acabavam por concordar por conta do
medo das classes populares e de uma revolta escrava, à guisa da que
ocorreu no Haiti. Nesse contexto, observamos um Maranhão de maioria
escrava e pobre, que mais e mais se agrega a um movimento que começa
inspirado por ideais liberais, mas que vai ser caracterizado pela imprensa do
partido liberal como um grupo de “faccinorosos”, “sem força nem
inteligência” e “loucos”.
É necessário, então, fazer um quadro dos diversos agentes presentes
no território, assim como as projeções feitas pelo poder central que tentava
se impor sobre ele. Para isso, apresentamos o Documento 1, um mapa com
a divisão administrativa das Comarcas da Província do Maranhão, onde é
possível ver uma projeção de Ordem a esse território. As fronteiras entre as
Comarcas eram bem delimitadas e em destaque. Porém, é preciso
questionar essas linhas, uma vez que sugeriam a imagem de um território
brasileiro como efetivamente ocupado e controlado pelo poder central.
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LEITURA DOS DOCUMENTOS
É possível confrontar essa demarcação com uma mais discreta,
presente no mapa (e também com o apoio dos Documentos 2 e 3). Na
realidade, esse era um território com forte presença indígena. Mesmo as
áreas com maior número de cidades não podem ser consideradas
completamente sob o controle do Império Brasileiro, já que apresentavam
forte presença quilombola. Por fim, a partir do uso dos jornais da época
(Documento 5), também é possível identificar que há grupos de “mal
feitores” que já “assombram” o território entre essas cidades mesmo antes
da Balaiada explodir, mostrando um território instável e com violências
constantes.
Também através dos mapas e da localização das cidades é possível
observar como ocorreu a penetração da força colonizadora, que chegava
pelo litoral e adentrava pelas regiões que ofereciam menor resistência e
mais recursos: os rios. Essas heranças históricas mostram a interferência no
território atual e é para isso que devem ser articulados os Documentos 2 e 3.
Ao evidenciar a presença indígena, grupo que resiste ainda hoje em território
maranhense e que tem sido excluído da história brasileira, torna perceptível
sua participação durante as transformações sociais e nas guerras
devastadoras do território. Por sua vez, a presença de Quilombos
atualmente, herança de uma sociedade escravista, impõe questionamentos
ao período da escravidão, perguntando quando surgiram e qual era o seu
significado para a sociedade da época.
Por sua vez, o artigo do Publicador Oficial (Documento 4) parece
responder à situação de aparente caos com um clamor pela ordem, justiça e
interferência de um governo considerado “legítimo”. Por meio de seu estudo
cuidadoso, guiado pelas perguntas formuladas, desejamos expressar o
clima de autoritarismo e repressão em que a balaiada floresceu e qual era o
discurso usado pelos seus repressores. A província do Maranhão, assim
como o resto do Brasil na instância de sua escrita, passavam por um
momento em que muitas revoltas estouravam em território nacional,
impulsionadas tanto pelas tensões sociais quanto pela tensão política de
abdicação de D. Pedro I e início do período regencial.
Agora, voltamo-nos para o evento inicial da revolta, que é narrado no
jornal presente no Documento 5. Esta é uma folha que proporciona um
recorte muito rico acerca das tensões e da sociedade da época, entre elas:
a caracterização negativa dos revoltosos, o recrutamento forçado e
atrocidades do exército, o clamor pelo governo como força pacificadora e o
caráter exponencial do contingente revoltoso. Outro elemento que merece
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LEITURA DOS DOCUMENTOS
destaque é a menção dos quilombos como fonte dessa inquietação social, o
que se relaciona com os mapas anteriores. Mais que isso, o comentário do
jornal acerca do governo não noticiar essas inquietações instiga a questionar
essa narrativa de um império brasileiro consolidado.
Logo após os fatos narrados no Documento 5, encontramos o
manifesto escrito pelo líder do movimento, Raimundo Gomes (Documento
6), na ocasião da invasão da cadeia da Villa da Manga. Era um pequeno
bilhete endereçado às forças oficiais, com suas reivindicações e
demonstrando seu caráter. Esse documento foi incluído nesse Kit para
apresentar a visão dos revoltosos, a partir deles mesmos. Ou seja, sem
intermediações da mídia, do Governo ou da historiografia. A proposta foi
possibilitar que cada um possa formar suas próprias interpretações a
respeito dos protagonistas do lado revoltoso, além de apontar a agência
política das classes populares. A organização por trás da existência desse
documento mostra o caráter formal da revolta, embora as reivindicações só
tragam uma parte do que, naquele momento, queriam os que seguiam
Raimundo Gomes, por ter sido um grupo bastante heterogêneo e de
interesses diversos.
Na mesma perspectiva de trazer a outra versão do conflito e a
agência das personagens, o Documento 7, é um compilado de relatos orais
que mostram como a guerra é lembrada na memória da população. Aqui,
esperamos destacar tanto as incongruências desses relatos, que confundem
a Balaiada com a Guerra do Paraguai, quanto suas verdades. Parece
indubitável que esse foi um evento que deixou cicatrizes e marcas na
população e no território, mesmo depois de mais de um século, como fica
evidente na memória oral.
Combinada com a notícia do G1 (Documento 8), também é colocada
a questão da disputa da narrativa, além de apontar como a Balaiada é
encarada na atualidade. Detectar as ferramentas utilizadas pelo escritor do
artigo para mostrar uma visão crítica da balaiada também é importante para
analisar como se produz uma narrativa. Sendo este documento a ponte de
transição para o Documento 9, ele também fornece algumas mais
informações sobre a Balaiada que talvez elucidem os relatos anteriores,
como a menção ao Duque de Caxias.
Seguidamente, os conjuntos de Documentos 9, podem fornecer um
entendimento de como a memória que foi produzida a partir dos eventos
ocorridos pode ser selecionada e recontada a fim de criar uma versão que
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LEITURA DOS DOCUMENTOS
beneficie certos grupos. Através da discrepância entre o foco dado à
recriação de uma sala de jantar colonial e os verdadeiros instrumentos de
tortura de escravizados, é possível afirmar que as motivações que levaram à
revolta popular são um assunto pouco discutido, ou ao menos, considerado
menos relevante do que uma espiada na vida privada da Elite, que não
representava a maior parte dos que participaram na rebelião.
Sob este prisma, é possível analisar como a versão
historiográfica dos fatos se faz relevante em uma criação de uma memória
nacional. Ao retratar os atores da Balaiada como criadores do caos, de
maneira muito semelhante ao que é visto em outros documentos
contemporâneos à revolta, as lutas sociais são colocadas em uma posição
de crescente marginalização e qualquer que seja a repressão em resposta
pode ser enxergada como justa, sob a justificativa dos moldes da história.
Por fim, ao chamar atenção para a disposição dos objetos no museu,
é possível debater o museu como um espaço construído e influenciado por
uma narrativa. Assim como os relatos orais são alterados na memória
coletiva, outras narrativas que parecem ter mais embasamento também
podem ser desviadas para representar um olhar específico. Pedir para o
aluno idealizar a sua própria exposição, a partir do que ele aprendeu, é um
exercício que serve como retomada dos conhecimentos adquiridos neste Kit
Didático, e como entendimento dos processos por trás da construção da
memória histórica.
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PROPOSTA DIDÁTICA COM USO DE
DOCUMENTOS
1- Observe o Documento 1 e as informações que ele oferece acerca do
território maranhense em 1838.
a) Quais as principais informações oferecidas pelo mapa?
b) Considerando essas informações, quem poderia tê-lo feito? E
por quê?
c) Onde há a maior concentração de cidades? Circule.
d) Agora, observe a área que a legenda do mapa diz ser
“infestada por gentios” (se precisar, use o Documento 1.a como
apoio). Circule essa área de outra cor.
2- Considerando que o governo do Brasil, naquela época, estava
centralizado no Rio de Janeiro, pense como a administração desta província
de fato ocorria:
a) É possível governar as cidades do litoral? Como chegavam as ordens
e as informações nessa parte?
b) E nas cidades no interior? Como a autoridade do governo chegava
até elas?
c) O que o termo “infestado” na legenda diz sobre a visão que o Estado
tinha sobre os indígenas que ocupam o meio da Província? Como
eles eram governados?
d) Por que eram colocadas fronteiras administrativas cortando um
território que ainda não tinha sido completamente submetido ao poder
central?
3- Agora, observe os Documentos 2 e 3.
a) Há grandes diferenças entre os territórios indígenas do Documento 2
(2019) e os do Documento 1 (1838)?
b) Considerando que as comunidades quilombolas são uma herança da
época escravista, o que o Documento 3 pode dizer sobre o Maranhão
do Século XIX?
c) Com base no que você analisou, no contexto do início do século XIX
quem compunha o povo brasileiro?
4- Veja o Documento 4.
a) Qual o partido do jornal?
b) Que acontecimento de 1831 poderia ter influenciado essa
proclamação do Presidente da Província?
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PROPOSTA DIDÁTICA COM USO DE
DOCUMENTOS
c) Por qual motivo a proclamação não menciona a abdicação de D.
Pedro I diretamente?
d) Alguns valores são citados ao longo do primeiro parágrafo. Quais
deles são colocados sob uma luz positiva pelo redator?
e) Ao longo do trecho, é possível observar que um chamado é feito ao
povo do Maranhão, que chamado seria este? Contra o quê ele se
coloca?
f) O que seria a “ordem” que precisaria ser protegida?
g) Quais elementos são elencados no documento em defesa do
“governo legítimo”?
h) O documento apresenta a chegada de tropas na região para efetivar a
presença do governo. Por que se fez uso da violência para legitimar o
“governo lagítimo”?
i) Quem são esses “Habitantes do Maranhão” a quem se chama para
proteger a Ordem? Será que os grupos apontados pelos Documentos
2 e 3 fazem parte dos “Habitantes do Maranhão” para o presidente da
província? E para quem trabalha no jornal?
5) O Documento 5 é uma página do jornal “Chronica Maranhense”. Quais os
gêneros literários podem ser identificados nesta página?
6) Agora, focando na parte da página intitulada “Notícias extraordinárias”,
responda.
a) Qual “notícia extraordinária” está sendo narrada?
b) O jornal fornece duas possíveis motivações para que os
revoltosos tenham escolhido se rebelar. Quais são elas? Qual
das duas parece mais provável para você?
c) O jornal trata as ações ocorridas na Vila da Manga com
seriedade? Quais expressões usadas podem fazer supor isso?
d) Quais são os números atribuídos ao grupo no artigo? Eles
aumentam ou diminuem?
e) Quem seriam essas pessoas que continuam a se juntar ao
grupo de Raimundo Gomes. Por quê?
f) O artigo faz menção ao “recrutamento” de soldados. Segundo
o texto, qual grupo é recrutado? Como eles eram tratados
durante e depois desse recrutamento?
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PROPOSTA DIDÁTICA COM USO DE
DOCUMENTOS
7) No quarto parágrafo, há uma menção a quilombos. A partir dela,
explique:
a) O que são Quilombos? Por que surgiram? Quem mora neles?
b) Os quilombos estão sob o controle do Estado brasileiro? Como
o Estado pensa em fazer esse controle?
c) Como você acha que estavam as coisas, considerando o jornal
do Documento 4 e a legenda do mapa no Documento 1?
7) Seria, então, a notícia narrada pelo jornal do Documento 5 tão
“extraordinária” assim?
7) Por fim, ainda no Documento 5, pense:
a) Como o autor caracteriza o Governo? Qual seria a função
desse governo diante do acontecimento aqui noticiado?
b) No final do texto, há uma crítica a esse mesmo governo. Que
crítica é essa? Qual seria a intenção do Governo em fazer isso
que o autor critica?
7) Analise o Documento 6.
a) Do que o documento em questão trata? Quem é o autor do
documento?
b) Quais são as reivindicações feitas? De qual natureza estas
são?
c) Ainda existiam portugueses no Brasil de 1838? Por que o autor
pediu para que eles fossem expulsos?
d) No manifesto, há diversos desvios da norma padrão na
ortografia. O que isso pode dizer acerca da pessoa que o
produziu?
e) O que poderia significar a última frase do documento “Fora
feitores e escravos”?
f) Mesmo escrito pelo grupo de revoltosos, será que esse
manifesto representa todas as reivindicações que os que
seguiam Raimundo Gomes possuíam? Quais possíveis
insatisfações ficaram de fora, considerando a natureza popular
e quilombola dessa revolta?
Laboratório de Ensino e Material Didático
PROPOSTA DIDÁTICA COM USO DE
DOCUMENTOS
11) No Documento 7, temos relatos orais feitos no final do Século XX
acerca da memória que os moradores da zona rural do Maranhão têm
sobre a guerra. Responda:
a) Como a Revolta dos Balaios é descrita pela memória oral das
populações que descendem dos seus participantes? O que
ganha mais foco?
b) Quais as principais consequências para a região que se pode
inferir através desses relatos?
c) Como essa memória difere do que é apresentado
anteriormente?
d) Muitos dos descendentes chamam a “Revolta” de “Guerra”.
Para você esses termos levam a visões distintas do que
ocorreu? Quais as semelhanças e diferenças? Que termo você
usaria?
e) O que seria a “pegação” a que Lázaro se refere? Segundo ele,
como ela funcionava?
f) Muitos dos relatos chamam o evento de “Guerra do Paraguai”,
“Guerra do Bem-Te-Vi” ou “Guerra do Balaio”. Levante
hipóteses do por quê eles usaram esses outros nomes.
12) Analise o Documento 8.
a) Qual o gênero literário do documento?
b) Qual a data da sua produção?
c) Segundo o autor, quais foram os atores da Balaiada?
d) Como o Estado lidou com a rebelião?
e) Como ela caracteriza o conflito? Ao que ela dá foco?
f) As principais lideranças dos revoltosos do Balaio foram
Raimundo Gomes (Aqui já citado), Cosme Bento (Líder
Quilombola) e Manuel Francisco dos Anjos (O Balaio). Quem
deles é indicado como líder segundo a reportagem? Por que
ele foi escolhido?
13) Usando o Documento 8, agora em relação com o relato de Ernesto do
Documento 7, responda:
a) O trecho “O chefe que está na estátua lá de São Luís” se
refere ao Duque de Caxias. Segundo a reportagem, quem foi
ele? Que lado ele representava no conflito?
Laboratório de Ensino e Material Didático
PROPOSTA DIDÁTICA COM USO DE
DOCUMENTOS
b) O que suas estátuas, presentes tanto na Capital do Maranhão
(São Luís) quanto na frente do Memorial da Balaiada (Caxias)
representam?
14) Em 2004 foi inaugurado um museu para contar a história do
movimento dos balaios, a instituição está localizada no atual
município de Caxias (MA). Algumas fotos da sua exposição e textos
do seu site estão presentes no Documento 9 (9a, 9b, 9c e 9d).
a) Leia o trecho que fala a respeito do acervo do museu. O acervo
é composto somente de objetos históricos?
b) Observe agora, as duas imagens feitas dentro do memorial. O
que cada uma delas retrata? Qual dos materiais retratados é
mais amplamente discutido na apresentação do site?
c) Que tipo de pessoas formavam grande parte ativa do
contingente da Revolta dos Balaios? Em qual dos objetos elas
estão mais representadas?
d) Por que você acha que maior ênfase foi dado a uma parte da
exposição?
15) Agora, compare o que podemos ver no museu do Documento 9 e nos
relatos do Documento 7.
a) Há diferença na memória apresentada pelos relatos e pelo
museu? Quais?
15) Considerando todos os documentos e questões aqui colocados,
responda:
a) Você considera que o museu cumpre bem a proposta de contar
a história da Balaiada?
b) Imagine que foi dado a você o trabalho de montar o museu.
Através de quais objetos você escolheria contar a história dos
balaios? Como você organizaria eles? A quê daria mais
destaque?
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PROPOSTA DIDÁTICA COM USO DE
DOCUMENTOS
(sugestões de orientações que podem ser oferecidas pelo(a) professor(a) aos estudantes)
17) EXTRA: Se possível, realize o tour virtual disponível no site do
memorial da Balaiada ([Link]
a) Qual parte da exposição mais chamou a sua atenção? Você
gostaria de visitar o museu presencialmente?
b) Observe a disposição dos objetos. Onde você pode encontrar
cada um dos objetos retratados nas fotos?
c) Você incluiria a foto de mais algum lugar do museu além das
representadas neste material? Qual? Por quê?
d) De acordo com a notícia do G1, você acredita que o memorial
foque na visão dos vencidos, como falado, ou dos vencedores?
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DOCUMENTO 1
CARTA geral da provincia do Maranhão dividida em oito comarcas.
1838. 1 mapa, col, 82 x 53. Disponível em:
<[Link]
[Link]>. Acesso em: 8 jul. 2022.
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DOCUMENTO 1
(Detalhe)
Transcrição:
“O termo comprehendido pela linha amarela, he
infestado por Gentios; e o comprehendido pela
encarnada, he das melhores mattas.”
CARTA geral da provincia do Maranhão dividida em oito comarcas.
1838. 1 mapa, col, 82 x 53. Disponível em:
<[Link]
[Link]>. Acesso em: 8 jul. 2022.
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DOCUMENTO 1a
ASSUNÇÃO, M. R. “Memórias do Balaio”: Historiografia, memória
oral e as origens da balaiada. História Oral, vol. 1, 1998, p. 67-89.
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DOCUMENTO 2
DE CASTRO, F. A. B. Distribuição espacial das comunidades indígenas no
Maranhão. Maranhão: 2020. 1 mapa, cor. Escala: 1:3700000. Disponível em:
<[Link]
Acesso em: 8 jul. 2022.
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DOCUMENTO 3
DE CASTRO, F. A. B. Distribuição espacial das comunidades quilombolas no
Maranhão. Maranhão: 2020. 1 mapa, cor. Escala: 1:3700000. Disponível em:
<[Link]
[Link]> Acesso em: 8 jul. 2022.
Laboratório de Ensino e Material Didático
DOCUMENTO 4
VIANA, C. J. de A. Maranhão Proclamações: Habitantes do Maranhão. O
Publicador Official, Maranhão. Nº 10, p. 37, 23 nov. 1831. Disponível em:
<[Link]
gfis=37>. Acesso em 8 jul. 2022.
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DOCUMENTO 5
NOTÍCIAS extraordinárias. Chronica Maranhense. Nº 94, p. 380, 23 dez.
1838. Disponível em:
<[Link]
. Acesso em: 8 jul. 2022.
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DOCUMENTO 6
GOMES, Raimundo. Manifesto Balaio. In: Chronica Maranhense. Nº 102, p.
414, 17 jan 1839. Disponível em:
<[Link] Acesso em: 8
jul. 2022.
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DOCUMENTO 7
“Lázaro
(Cachoeirinha - Nina Rodrigues)
"Minha Bisavó era casada com o capitão Felinto da Guarda Nacional.
Lutou na guerra e venceu, sofreu muito. Durou oito anos a guerra.
Foi no tempo da pegação. Um navio velho vinha buscar gente pra
guerra. Guerra do Balaio acabou com a gente demais. Eu ainda
alcancei um pau deste tamanho (mostra) furado de bala. Começou
com a pegação para ir para a guerra."
Raimundo Ova
(Humberto de Campos)
"Minha avó era filha de Miritiba. Ela alcançou a guerra do Balaio ou
do Bem-te-vi. Quando houve ela, as forças vinha, o pessoal vivia se
escondendo, porque o chefe levava os homens para ajudar no fogo."
Cau
(Humberto de Campos)
"Aqui foi a guerra do Paraguai. Parece que o nome da guerra foi
assim (SIC.). Detrás do cemitério, era tudo mata. Ali o povo se
escondia, para esperar passar para atacar e matar. Ali morreu muita
gente. Antes tinha muito buraco, hoje já não se vê quase nada. Hoje
já fizeram roça, queimaram. Eles cavavam para se esconder. Eu
ainda alcancei uma bala de 15 quilo. Quando entrava na trincheira
matava quatro, cinco. Depois utilizaram ela na pesca."
Zuza Freitas
(Rampa - Humberto de Campos)
"A trincheira era assim: o que passava morria. Nem ia nem vinha."
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DOCUMENTO 7
Raimundo Ova
(Humberto de Campos)
"Meu avô e meu padrasto contaram (mas eles também não
alcançaram): No tempo da revolta os Bem-te-vi que fazia as
trincheira, esperava o batalhão. Na trincheira os Bem-te-vi esperava
os cabano, que era o nome do batalhão. Teve muita morte. A maior
parte do pessoal tava tudo dentro do mato escondido. Hoje não tem
mais mato para esconder. A guerra do Bem-te-vi que davam o nome.
Os Bem-te-vi era os daqui e os cabanos eram os de fora, queriam
invadir."
Ernesto
(Rampa - Humberto de Campos)
"O chefe que está na estátua lá em São Luís veio aqui, terminou com
guerra. Houve o fogo e ele saiu vitorioso."
Cau
(Humberto de Campos)
"Então o soldado velho passou e disse aquilo. Os outros não viram.
Não fez nada porque era amigo."
Raimundo Almeida da Silva
(Vazantinha - Magalhães de Almeida)
"Na Manga foi que começou a guerra do Balaio. O povo foi se
espatifando de medo e foram se bater no rio Moçambique que vai
para Cajazeiras. Lá no Rio Mocambo era matas, era deserto,
fizeram moradia. Foi lá que começou a ponte Nova."
(ASSUNÇÃO, M. R. A. Guerra dos Bem-Te-Vis: a balaiada na
memória oral. São Luís: Sioge, 1988.)
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DOCUMENTO 8
Em Caxias, memorial reconta a história da Balaiada. G1,
2013. Disponível em:
<[Link]
[Link]>
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DOCUMENTO 9
Documento 9a
“Os objetos do acervo permanente é formado por 418 peças em
sua maioria do século XIX doados por famílias caxienses, com
destaque para a representação de uma sala de estar de uma
família portuguesa da elite caxiense. A sala montada com piso de
madeira no fundo do salão de exposição possui os seguintes
objetos: uma quadro de Gonçalves Dias de 1865 de autoria do
pintor francês Edouard Vienot, fotografias, porcelanas, pratarias,
relógios, cadeiras, mesas, oratório, piano, lavabo, jarro, bacia,
gramofone, baú, castiçal e tapetes.”
Documento 9b
Documento 9c
Laboratório de Ensino e Material Didático
DOCUMENTO 9
Documento 9d
9. MEMORIAL da Balaiada. Tour virtual. Disponível em:
<[Link] Acesso em: 12 jul.
2022.
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