LIÇÃO 12
TEXTO BASE: Rute 1 e 2
FORÇA PARA NÃO TRASIGIR
Dentro do período de Juízes (Rt 1.1) temos a historia de Rute, uma jovem moabita, cujo nome significa “amizade”. Ao moabitas
eram um povo pagão, descendentes de Ló, e será através dessa linhagem que nascerá Jesus, cerca de mil anos após essa história.
Ao contrario dos outros livros do AT este livro seu foco na historia de uma família, não de um povo. “É uma das narrativas mais
encantadoras da história hebraica. Foi escrita em um estilo literário cheio de interesse humano, tragédia, humor”.
Ao lado de Ester, é outro livro da Bíblia que tem uma protagonista feminina. Rute tem sua história no início da história de Israel
em Canaã, Ester tem a sua no final da trajetória dos israelitas no Antigo Testamento. Ambas se destacam pela coragem,
resiliência e lealdade. Em ambas as obras se observa a providencia de Deus na vida dos que lhes são fieis.
Força para superar tempos desafiadores (Rt 1.1-6)
O início do livro de Rute é intenso e revela ao menos três circunstâncias desafiadoras na vida de todos nós.
A primeira situação é a da escassez (1.1). Belém significa “Casa do Pão” e houve um dia que falhou pão lá, e foi necessário a
implementação de mudanças para superar os tempos de necessidade. A fome é, provavelmente ,a experiência mais negativa na
vida de uma pessoa. Suas conseqüências podem ser irreparáveis. Se a falta do pão físico é nociva à vida do homem, a falta do
espiritual é ainda mais. A advertência bíblica em Amós 8.11 é pertinente, e fala de algo que ainda não vislumbramos na
atualidade. Ter fome (sede) de Deus equivale a não se contentar farelo ou palha, mas buscar a porção dobrada do Espírito Santo
para a vida e fé resilientes.
A segunda situação, desafiadora é a da necessidade de mudança de caminho (1.1-2). Na busca pela manutenção da vida,
Elimeleque optou rapidamente por conduzir sua família para outro lugar. Aprendemos que há decisões na vida que precisam ser
tomadas imediatamente, sem postergações. Os passos para implementação de mudanças significativas, sobretudo na vida
espiritual e familiar, devem ser dados prontamente, sem desculpas ou escusas. Se estamos num caminho que leva à morte, é
imperativo que haja intrepidez e firmeza para seguir pelo caminho que leva a vida.
A terceira e ultima situação na introdução do livro de Rute é a morte (1.3-6). Se não bastasse a escassez e a mudança, Noemi
padeceu de uma dor terrível: morreram seu marido e filhos. “A fome enviada por Yahweh como disciplina contra Seu povo, é o
elemento de tragédia que Ele utiliza par abrir as comportas de Sua graça. Igualmente , as mortes do marido e filhos são
instrumentos para que Noemi venha a conhecer o verdadeiro significado da plenitude (1.20,21)”. Nos momentos desafiadores é
imperativo manter a resistência cultivando uma fé firme e segura. A foca vinda do Senhor nos torna capaz de experimentar que
nele “tudo podemos” (Fp4.13).
O paralelo com a pessoa de Cristo é notório e pertinente:aos desafios de escassez, mudança de caminho e morte, temos que
Jesus é o pão da vida, o caminho, a vida e a ressurreição. Encorajados pelo testemunho dessa família, os servos de Deus neste
tempo também podem se sobrepor às adversidades, olhando eficazmente para Cristo e usufruindo de uma fé resoluta.
Força para demonstrar compaixão (Rt 1.7-22)
Noemi precisava voltar a Belém, pois havia perdido sua segurança e conforto. Com o casamento era única fonte de estabilidade
para uma mulher, retornar às origens viúva e sem filhos era solitário e desesperador. Ela sabia que seria um grande sacrifício para
suas noras moabitas viverem em Belém sem maridos. Sua atitude em tentar persuadia-las a que ficassem onde estavam é
plausível (1.11-13), porém Rute permaneceu.
“O amor insuperável de Rute e seu comprometimento com Noemi a levaram a recusar. Até mesmo na morte, ela jamais
abandonaria Noemi”. Rute opta pelo árduo caminho da pobreza, da viuvez e da solidão (1.8-9) que a sogra lhe apresenta. Seu
“compromisso para com Noemi revela a profundidade de seu compromisso para com Deus de Noemi (1.16-18).”
Sua declaração de fé e, provavelmente, uma das mais importantes e significativas das Escrituras (1.16) “Embora não seja a
primeira conversão de gentios registrada no Antigo Testamento, a conversão de Rute é a mais detalhada e famosa. Apresenta
também um contraste interessante com a conversão de sua segunda sogra, Raabe. Enquanto a de Raabe é apresentada como
uma reação ao medo do julgamento que viria, a de Rute é uma reação ao amor. (Js 2.9-13) (Rt 1.16).
O amor altruísta, atrelado a abnegação e resolução de Rute, deixaram sua sogra em palavras (1.18). A situação de ambas era
deprimente, a ponto de a cidade não mais”reconhecer” Noemi(1.19) . Afetada pela perda, por um retorno fracassado, por uma
autoestima debilitada e com uma visão de Deus deturpada (1.21), Noemi (que significa Agradável ) muda nome para
Mara(Amargura) (1.20).
Em meio a tanta desgraça graciosamente Rute demonstra compaixão e solidariedade com o sofrimento de sua sogra. Ela é
compassiva quando revela a vontade de ajudar Noemi a superar seus problemas, consolando e suportando em amor. “Ela
padece” junto, não porque vai receber retorno ou reconhecimento, mas porque é forte e resistente para lidar com as
adversidades que possam sugir. “Quando o crente vive e falade tal maneira que faz com que as pessoas desejam experimentar
sua religião,a influência que ele exerce está sendo muito positiva.
Força para buscar restauração (Rt 2.1-23)
Noemi tinha um cunhado chamado Boaz que era um homem de posse e respeitado na comunidade. Rute se oferece para
rebuscar espigas em seu campo, a fim de prover para ela e sua sogra (2.2-3ª). Era um trabalho pesado e humilhante, mas o relato
bíblico vai revelando os traços do caráter de Rute, sua resiliência e coragem são evidentes.
“A presença e diligência de Rute entre os respigadores no campo de Boaz é notada pelo fazendeiro (2.3b-7). Boaz encoraja Rute a
participar dos privilégios de serva enquanto ela aproveita dos benefícios da colheita fundamentada em seu amor leal por sua
sogra (2.8.11). em Rute 2.12-16 vems que atitude de Rute provoca maior gentileza em Boaz.
Boaz, cujo o nome significa “ aquele que provoca risos” beneficia Rute de muitas formas:
Ela poderia tomar água das vasilhas dos trabalhadores (2.9).
Foi ordenado que ninguém mexesse com ela (2.9)
Foi ordenado que deixasse cair espigas para ela pegar (2.16)
Ela poderia respigar com seus trabalhadores ate o fim da colheita (2.21)
A mudança de cenário na vida daquelas mulheres, como fruto da provisão do Senhor, fez com que Noemi voltasse a crer na
bondade e soberania de Deus(2.20). “A condição de Boaz, como possível resgatador , desperta em Noemi a esperança de uma
saída para sua presente situação de angustia”. Rute se junta às servas do fazendeiro, mas mantém sua palavra e lealdade
permanecendo com Noemi, mesmo que as coisas estivessem melhorando para ela (2.22-23).
Boaz era um parente (2.20) próximo (em hebraico goel). A palavra goel significa literalmente “resgatador” ou “redentor”.
Segundo a Lei, o parente próximo tinha quatro deveres: estava a resgatar o parente que havia sido vencido como escravo (Lv
25.47-48), e comprar o campo ou herança que ele perdera (Lv 25.25-28), ou vingar o sangue (Nm 35.19), e casar- se com a viúva
de seu parente a fim de lhe dar uma descendência que levaria o nome do falecido (Dt 25.5-10). “O primogênito desse novo
casamento era considerado legalmente o filho do esposo falecido e herdeiro de sua propriedade”.
Porem Boaz não age como goel desde início por que havia um parente mais próximo ao que lhe correspondia o dever de
resgatador (3.12). Assim como Rute, seu resgatador revela um caráter ilibado, integro e fiel.
Conclusão
Os capítulos 1 e 2 de Rute revelam a disposição singular de três personagens que transigem. Transigir é fazer uma transação: é
chegar a um acordo por meio de concessões: é conciliar. Noemi, Rute e Boaz revelam uma fé resoluta quando experimentam
situações adversas na vida.
Noemi não transige quando dá liberdade às suas noras de fazer suas opções (1.12-13) . Não há vitimismo, manipulação ou
imposição. A situação que experimenta com a perda de seu esposo e filhos não torna empecilho para que as coisas fluam ao seu
redor. Rute por outro lado, não transige nas situações antagônicas que vivencia. Quando as coisas vão mau, permanece fiel em
sua palavra (116): quando começa a melhorar fiel da mesma forma (2.23). Ela não é dúbia, não demonstra fraqueza ou
maleabilidade . Boaz, por fim não transige no cumprimento da Lei e costumes. Embora fosse um “resgatador” (2.20;3.9), sabia
que alguém o precedia (3.12) . Ele não ultrapassa seus limites e nem se beneficia de alguma forma. É preciso força para não
transigir , para não negociar a fé e para não renunciar a valores e princípios.