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Celso Costa
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Métodos Determinı́sticos I | Conjuntos
8 CEDERJ
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Aula 1
C ONJUNTOS
Objetivos
Ao final desta aula, você deverá ser capaz de:
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Métodos Determinı́sticos I | Conjuntos
Definição 1.1
Conjunto é um conceito fundamental que está na base de
construção da Matemática. Como se trata de um conceito
primitivo, conjunto é uma noção que não pode ser definida a
partir de outros conceitos da Matemática. Conjunto expressa
a idéia intuitiva de reunião de elementos (pessoas, objetos,
números, etc.) que podem ser agrupados por possuı́rem ca-
racterı́sticas comuns. São exemplos de conjuntos: o conjunto
de todas as letras do alfabeto ou o conjunto de todas as mu-
lheres brasileiras.
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S UBCONJUNTOS
1 1 MÓDULO 1
Considere dois conjuntos A e B. Se todo elemento do con-
junto B também for um elemento do conjunto A, diremos que B
é um subconjunto do conjunto A. Por outro lado, se existir um
único elemento do conjunto B que não pertence ao conjunto A,
então B não é subconjunto de A. Veja através de um exemplo.
AULA
Exemplo 1.2
Sejam os conjuntos,
A = {a, b, c, d, e, f };
B = {a, e};
C = {a, e, i}.
Exercı́cio 1.1
Dado o conjunto A = {x, y, z}, associar V (verdadeira) ou F
(falsa) a cada uma das sentenças a seguir:
d) x ∈ A e) {y, x} ⊂ A
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Métodos Determinı́sticos I | Conjuntos
A ∪ B = {x | x ∈ A ou x ∈ B} .
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A 000000000000
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B
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Figura 1.1: União de conjuntos.
A ∩ B = {x | x ∈ A e x ∈ B} .
A B
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iii) O conjunto produto cartesiano do conjunto A pelo con-
1 1 MÓDULO 1
junto B, o qual é representado por A × B, é o conjunto
A × B = {(x, y) | x ∈ A e y ∈ B} .
AULA
a B. Usamos a notação A − B para o conjunto diferença.
Portanto,
A − B = {x | x ∈ A e x 6∈ B}
Veja, na Figura 1.3, a representação gráfica da diferença
A − B, entre os conjuntos A e B.
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A B
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Figura 1.3: Diferença A − B entre conjuntos.
Exemplo 1.3
Sejam os conjuntos,
A = {a, b, c, d, e} ,
B = {a, e, i} ;
C = { f , g} .
Então,
A ∪ B = {a, b, c, d, e, i} ;
A ∩ B = {a, e} ;
A − B = {b, c, d} ;
B ×C = {(a, f ), (a, g), (e, f ), (e, g), (i, f ), (i, g)} .
C E D E R J 13
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Métodos Determinı́sticos I | Conjuntos
Ac = {x | x ∈ U e x 6∈ A} .
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U
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A
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11111111111111111111
Figura 1.4: Conjunto complementar de A.
Exercı́cio 1.2
No diagrama representado na Figura 1.5, assinale, entre as
alternativas a seguir, aquela que representa a parte hachurada.
a) (A ∪C) − B b) (B ∩C) − A c) (A ∩ B) −C
d) (A ∩C) ∪ B e) A − (B −C)
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1 1 MÓDULO 1
A B
AULA
Figura 1.5: Operação entre conjuntos.
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Métodos Determinı́sticos I | Conjuntos
A B
b
c a
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e
d
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(a1 , b1 ) (a1 , b2 ) (a1 , b3 ) (a1 , b4 ) (a1 , b5 )
1 1 MÓDULO 1
(a2 , b1 ) (a2 , b2 ) (a2 , b3 ) (a2 , b4 ) (a2 , b5 )
(a3 , b1 ) (a3 , b2 ) (a3 , b3 ) (a3 , b4 ) (a4 , b5 )
(a4 , b1 ) (a4 , b2 ) (a1 , b3 ) (a1 , b4 ) (a1 , b5 )
Figura 1.7: Representação dos elementos de A × B.
AULA
A representação de A × B através de uma matriz retangular
permite o cálculo do número de elementos, simplesmente mul-
tiplicando o número de linhas pelo número de colunas. Veja que
no caso particular representado na Figura 1.7,
.
De modo geral, como o número de linhas é n(A) e o número
de colunas é n(B), então vale
Exercı́cio 1.3
1. Considere os conjuntos A = −1, 1, 23 , 13
3 e B = 0, 1, 32 , 4 .
Determine os conjuntos A − B e A × (A − B).
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Métodos Determinı́sticos I | Conjuntos
a) (A ∪C) − B
A B
Figura 1.8.a.
b) (B ∩C) − A
A B
Figura 1.8.b.
18 C E D E R J
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Aula 2
O S C ONJUNTOS DOS N ÚMEROS NATURAIS ,
I NTEIROS E R ACIONAIS
Objetivos
Ao final desta aula, você deverá ser capaz de:
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Métodos Determinı́sticos I | Os Conjuntos dos Números Naturais, Inteiros e Racionais
N ÚMEROS N ATURAIS
Vivemos e nos orientamos em um mundo de números. Temos
horários para ir e voltar do trabalho, nosso endereço tem um
número de CEP, nossa identidade e nosso CPF são números.
Acrescente-se ainda os números de emergência: polı́cia, bom-
beiros, hospitais. Seria exaustivo lembrar tantos números. Eles
acompanham a evolução do ser humano primitivo e hoje, com o
uso dos computadores, são ferramentas fundamentais na revolu-
ção que presenciamos na organização de nossa sociedade.
Os números estão de tal modo presentes em nossas vidas que
os usamos de modo automático, sem lembrar que são criações
abstratas da mente humana.
A mais antiga idéia de número surge da necessidade de con-
tar. No princı́pio da aventura humana, o antigo pastor, ao com-
parar seu conjunto de ovelhas ao correspondente conjunto de
pedrinhas, identificava uma caracterı́stica comum aos conjun-
tos. Essa caracterı́stica quantitativa evolui posteriormente para
a idéia abstrata de número e a expressão dessa idéia por meio
de sı́mbolos. Veja, por exemplo, o número 5; pare um pouco e
pense na imensa abstração por trás desse sı́mbolo.
Os livros didáticos
citam, com O conjunto dos números naturais, representado pela letra N,
freqüência, a
história do
é o conjunto N = {1, 2, 3, 4, 5, . . .}.
ancestral pastor
Notamos que é indiferente incluı́rmos ou não o número 0
que a cada ovelha
de seu rebanho (zero) no conjunto N. Historicamente, a idéia abstrata de um nú-
fazia corresponder mero zero surge mais tarde, associado à ausência de objetos para
uma pedrinha em contar.
seu bolso. Com
este procedimento É importante que você pare um pouco e reflita sobre o sig-
simples, o pastor nificado dos três pontinhos que aparecem na definição do con-
“contava” e
junto dos números naturais N. Os pontinhos expressam que N
controlava seu
rebanho, evitando o é um conjunto infinito e que conhecemos de antemão como escr-
desaparecimento ever indefinidamente um após outro os elementos de N.
ou comemorando o A consideração e compreensão do infinito é um grande salto de
nascimento de um abstração, possı́vel na mente humana!
novo animal.
Quais são as propriedades fundamentais do conjunto N de
números naturais? São as propriedades conhecidas como Axio-
mas de Peano. Dentre elas, destacamos duas. A primeira é a que
garante a existência de um primeiro número natural, o número 1.
A segunda garante que todo número natural tem um “sucessor”.
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O sucessor de 4 é 5, o sucessor de 199 é 200 e, em geral, o
2 1 MÓDULO 1
sucessor de n é n + 1.
Axioma
Enunciado
N ÚMEROS I NTEIROS admitido como
verdadeiro sem
Os números naturais são úteis para resolver problemas de necessidade de
contagem e, no entanto, são insuficientes para solucionar pro- provas. Por
AULA
blemas do dia-a-dia, como perdas, prejuı́zos etc. exemplo, na Fı́sica
de Einstein, um
No fim do mês passado, dia 28, recebi uma terrı́vel notı́cia fato admitido como
ao tirar, no banco, o extrato de minha conta corrente num ter- axioma é que a
minal eletrônico. Os valores impressos em tinta vermelha (ad- velocidade da luz
vertência!) sentenciavam: no vácuo é
constante e
Saldo atual: −305, 00. independente de
qualquer
E é isto. Convencionamos para representar a perda de 2 ovel- referencial.
has, por exemplo, colocando o sinal “−” antes do número. As-
sim, −2 expressaria essa perda. Do mesmo modo, meu saldo
de −305, 00 no dia 28 expunha minha desagradável condição de Giuseppe
devedor junto ao banco. Peano
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Métodos Determinı́sticos I | Os Conjuntos dos Números Naturais, Inteiros e Racionais
0 1
Figura 2.1: O segmento unidade.
1
0
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R ELAÇÃO DE O RDEM
2 1 MÓDULO 1
A representação dos números inteiros sobre uma reta orien-
tada permite estabelecer uma relação de ordem no conjunto Z.
Definição 2.1
AULA
Dizemos que o número inteiro m é menor que o número in-
teiro n se na representação sobre uma reta orientada o ponto
que representa m aparecer antes do ponto que representa n.
Note que na
definição de ordem
Utilizamos a notação m < n para indicar que m é menor que usamos a
n. A notação n > m (n é maior que m) tem o mesmo significado expressão: m
que m < n. aparece antes de n
Usamos a notação m ≤ n (m é menor ou igual a n) para sig- na reta. Isso
nificar que m é menor ou igual a n, e a notação n ≥ m (n é maior significa que a
ou igual a m) equivale a m ≤ n. direção que aponta
de m para n
coincide com a
Definição 2.2 direção da reta.
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Métodos Determinı́sticos I | Os Conjuntos dos Números Naturais, Inteiros e Racionais
Exemplo 2.1
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f) Calcule (9 − 2 × 3) × (9 − 2 × 3).
2 1 MÓDULO 1
Solução: Agora, devemos efetuar primeiro as operações entre
parênteses: 9 − 2 × 3 = 9 − 6 = 3. Assim, (9 − 2 × 3) × (9 − 2 ×
3) = 3 × 3 = 9.
AULA
as mesmas operações. Todavia, as respostas são completamente
diferentes, devido à presença de parênteses. Mais tarde, no cál-
culo de expressões numéricas, vamos usar, além de parênteses,
colchetes e chaves.
Exercı́cio 2.2
Calcule:
1. 5 − 2 × 4 + 3 − 1
2. 5 − 2 × (4 + 3 − 1)
N ÚMEROS R ACIONAIS
Você está numa festa de aniversário e o dono da casa oferece
um saboroso pedaço de bolo. Em virtude do regime que você
começou ontem, o pedaço parece exagerado. Você exclama, a
duras penas, que é muito grande, e que quer apenas um terço
desse pedaço de bolo.
O que aconteceu? O pedaço de bolo representava uma unidade
que lhe era oferecida, e você solicita que esta seja dividida em
três partes iguais, das quais apenas uma será sua. Você deseja
uma exata parte, ou uma fração da unidade oferecida. A maneira
abstrata de representar essa idéia é escrever 13 .
Os números racionais surgem para expressar ou medir quan-
tidades nas quais aparecem envolvidas partes da unidade.
Veja, na figura a seguir, um bolo de forma retangular divi-
dido em partes iguais de dois modos diferentes. Em 3 partes e
em 9 partes, respectivamente.
C E D E R J 25
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Métodos Determinı́sticos I | Os Conjuntos dos Números Naturais, Inteiros e Racionais
!
Igualdade ou equivalência de frações
Duas frações mn e qp são equivalentes ou iguais se e somente
se mq = pn. Em sı́mbolos, vale a regra do produto cruzado:
m p
n = q ⇐⇒ mq = pn.
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A igualdade de frações decorre do seguinte argumento: como
2 1 MÓDULO 1
n e q são números inteiros não-nulos podemos escrever mn = mq
nq
pn
e qp = qn .
Veja que os denominadores das frações transformadas agora
coincidem. Então, a igualdade entre mn e qp ocorre exatamente
e apenas quando os numeradores destas frações coincidem, ou
seja, quando mq = pn.
AULA
Exercı́cio 2.3
Use a regra do produto cruzado para assinalar V (verdadeiro)
ou F (falso) para cada uma das igualdades a seguir:
2 7 5 −10 −13 13
( ) = ( ) = ( ) =
3 11 −3 6 −2 2
Agora, podemos introduzir o conjunto Q dos números racionais.
m
Q é o conjunto de todas as frações , onde m e n são números
nn o
inteiros e n 6= 0. Em sı́mbolos: Q = mn ; m, n ∈ Z, n 6= 0 .
!
Soma e produto de números racionais
Sejam mn e pr números racionais quaisquer. Então, mn + rp =
r·m+n·p
n·r e mn · pr = m·p
n·r são, respectivamente, a soma e o pro-
duto dos números racionais.
Exercı́cio 2.4
Efetue as operações indicadas:
−2 8
1. + =?
3 5
5 −2
2. · =?
7 3
1 −2
3. − + 3 · =?
3 7
C E D E R J 27
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Métodos Determinı́sticos I | Os Conjuntos dos Números Naturais, Inteiros e Racionais
i) Inclusão de conjuntos:
Vale a inclusão de conjuntos Z ⊂ Q. Pois se m ∈ Z,
então m = m1 ∈ Q.
ii) Igualdade de números racionais:
Dois números racionais mn e pr são iguais se e so-
mente se mr = np. Em sı́mbolos:
m p
= ⇐⇒ m · r = n · p.
n r
Comentário: Já tivemos ocasião de falar sobre essa
igualdade antes da definição do conjunto Q. Esse re-
sultado é referido como “regra do produto cruzado”
para identificar duas frações iguais ou dois números
racionais iguais.
iii) Divisão de números racionais:
p m p
Se 6= 0, a divisão do número por é definida
r n r
por
m p m r mr
÷ = × = .
n r n p np
iv) Inverso de números racionais:
p p r
Se 6= 0, o inverso de é o número racional .
r r p
p r
Note que · = 1.
r p
Exemplo 2.2
2 1 2 5 10
a) ÷ = × =
3 5 3 1 3
−12 −7 −12 2 −24 24
b) ÷ = × = =
5 2 5 −7 −35 35
c) Em um grupo de turistas, a sexta parte é de italianos, a
metade de franceses e os 10 restantes são americanos. Quan-
tos turistas há no grupo?
1 1 1 3 4 2
Solução: Temos que + = + = = correspondem a
6 2 6 6 6 3
1
italianos e franceses. Logo, dos turistas é americano. Como
3
3
são 10 os americanos, então o total de turistas é × 10 = 30.
1
28 C E D E R J
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R EPRESENTAÇÃO G EOM ÉTRICA DOS N ÚMEROS
2 1 MÓDULO 1
R ACIONAIS
Anteriormente, nesta aula, mostramos como representar os
números inteiros numa reta. Ampliaremos nossa representação
colocando sobre a reta todos os números racionais. Vamos começar
com alguns exemplos.
AULA
Exemplo 2.3
2
Figura 2.4: Representação do número .
3
153 4
⇒ 153 = 4 × 38 + 1 .
1 38
Então,
153 4 × 38 + 1 4 × 38 1 1
= = + = 38 + .
4 4 4 4 4
38 39
IR
Figura 2.5: Intervalo unitário.
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Métodos Determinı́sticos I | Os Conjuntos dos Números Naturais, Inteiros e Racionais
38 39
IR
38+1/4
153
Figura 2.6: Representação do número .
4
−127
c) Representar na reta o número racional 5 .
Solução: Primeiramente, ignoramos o sinal negativo e efetu-
amos a divisão de 127 por 5, encontrando um dividendo 25 e
um resto 2. Ou seja,
127 5 .
2 25
Assim,
127 = 5 × 25 + 2 .
Daı́,
−127 = −5 × 25 − 2 = 5 × (−25) − 2 .
Prosseguindo,
127 5 × (−25) − 2 5 × (−25) 2 2
− = = − = −25 − .
5 5 5 5 5
2
Note que o número −25 − 5 está à esquerda de −25 e à di-
reita de −26. Portanto, no intervalo unitário cujos extremos são
os números −26 e −25, localizamos o ponto que representa o
número racional −127
5 . Veja a Figura 2.7:
30 C E D E R J
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Exercı́cio 2.5
2 1 MÓDULO 1
Usando a Figura 2.8, encontre uma boa representação dos
73 −3 1
números , e .
4 2 2
AULA
Figura 2.8: Representação de números.
m p
< se, e somente se, m · r < p · n .
n r
!
A conclusão sobre a desigualdade das frações que acabamos
de expressar só vale com a condição de que os denomi-
nadores n e r sejam positivos.
C E D E R J 31
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Métodos Determinı́sticos I | Os Conjuntos dos Números Naturais, Inteiros e Racionais
Exemplo 2.4
12 3
O número − é menor que o número .
35 −11
Solução: De fato,
12 −12 3 −3
− = e = .
35 35 −11 11
Então,
−12 −3
< ⇔ (−12) × 11 < (−3) × 35 ⇔ −132 < −105 .
35 11
Como a última desigualdade é verdadeira, vale o enunciado do exem-
plo.
Exercı́cio 2.6
3 −12 9
1. Represente numa reta orientada os números , ,
6 5 13
19
e .
−5
2. Escreva os números acima em ordem crescente.
4 −13
3. Mostre que > .
−20 64
4. Escreva, se possı́vel, uma expressão mais simples e equi-
valente à expressão dada, onde a, b, m, x e y são números
racionais:
a) 13a + 5a;
b) 21x − 10x;
c) 3(5m − 14m);
d) 3(x + 2y) − 2y;
e) 4(3x + 2) + (2x + 3).
32 C E D E R J
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Aula 3
P ROPOSIÇ ÕES E C ONECTIVOS
Objetivos
Ao final desta aula, você deverá ser capaz de:
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Métodos Determinı́sticos I | Proposições e Conectivos
I NTRODUÇÃO
Algumas das principais caracterı́sticas da Matemática são a
abstração, a precisão, o rigor lógico e a diversidade de aplicações.
Natural de
Estagira, aparece A lógica é o assunto que será abordado nesta unidade.
aqui à esquerda de É importante conhecer os conceitos básicos da lógica, não só
Platão, outro para estudar, compreender e produzir Matemática, mas também
grande filósofo que para utilizá-los em muitas outras situações.
teve muita
influência na Os fundamentos da lógica foram introduzidos na Grécia por
Matemática. Aristóteles, um dos filósofos mais importantes da Antigüidade.
Aristóteles As obras de Aristóteles que versam sobre lógica foram reu-
formulou o nidas em um livro que recebeu o nome de Organon, que significa
chamado método instrumento.
dedutivo. Este foi
adotado por
Euclides, ao P ROPOSIÇÕES
escrever os seus
Elementos, por A Lı́ngua Portuguesa, assim como as outras lı́nguas, é for-
volta de 300 a.C. mada por palavras, sentenças, numa teia sutil e complexa. Ex-
Desde então, tem pressar-se com clareza e precisão não é tarefa fácil. De maneira
sido uma geral, podemos classificar as sentenças de uma lı́ngua da seguinte
ferramenta forma:
essencial na
Matemática. Para
Declarativas: Hoje é domingo.
obter um pouco
Eu não saı́ de casa o dia todo.
mais de informação
Interrogativas: Quem vem lá?
sobre eles, veja a
Qual é o seu nome?
coleção Os
Exclamativas: Lógico!
Pensadores. Você
Viva!
pode ver, também,
Imperativas: Não matarás!
o capı́tulo sobre
Fecha a porta!
Aristóteles do livro
de Will Durant.
34 C E D E R J
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S ENTENÇAS M ATEM ÁTICAS
3 1 MÓDULO 1
A Matemática também é expressa por sentenças. Por As sentenças
exemplo, declarativas podem
√ ser afirmativas ou
π 3
π >3 e sen = negativas.
3 2
AULA
são sentenças matemáticas.
√
As duas sentenças matemáticas “π > 3” e “sen π3 = 3
2 ”são
verdadeiras.
Exemplo 3.1
Leia as seguintes sentenças. Algumas são verdadeiras e ou-
tras são falsas:
1. A grama é verde.
3. Fulana é carioca.
C E D E R J 35
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Métodos Determinı́sticos I | Proposições e Conectivos
Homero foi o autor A primeira delas é uma ordem (ou um pedido) e a segunda
da Odisséia, que é uma pergunta. A terceira é um caso interessante. Quando usa-
narra o retorno de mos a palavra “fulano” ou “fulana”, em geral não estamos con-
Ulisses (ou siderando uma pessoa especı́fica. Para decidirmos se a sentença
Odisseu) da guerra é verdadeira ou falsa, precisamos personalizar a fulana. Depen-
de Tróia. Argos é o dendo de quem for “fulana”, a sentença terá seu valor-verdade
cão de Ulisses, e é definido. Uma situação parecida pode surgir no contexto mate-
um modelo de mático. A frase
fidelidade pois é o x + 3 = 11
primeiro a pode ser verdadeira (caso o valor de x seja 8) ou falsa (caso x
reconhecê-lo após seja diferente de 8).
uma ausência de
vinte anos.
F UNÇ ÕES P ROPOSICIONAIS
Sócrates
i i
i i
chamadas de proposições. Usamos letras minúsculas, como p
3 1 MÓDULO 1
ou q, para representar proposições.
Resumo
Proposições são sentenças declarativas. Cada uma delas Proposição
possui valor-verdade bem estabelecido, qualificando-a como
AULA
A palavra
verdadeira ou falsa. Cada proposição determina, de maneira
proposição
única, uma outra proposição que é a sua negação e que tem
também é usada em
valor-verdade oposto ao seu.
Matemática, fora
do contexto estrito
Lembre-se de que atribuir um valor-verdade a uma sentença, da lógica, como
ou ainda, determinar a veracidade de uma proposição, pode ser sinônimo de
uma questão delicada e difı́cil. teorema.
Exemplo 3.2
Apenas uma das sentenças a seguir é falsa. Qual é?
C E D E R J 37
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Métodos Determinı́sticos I | Proposições e Conectivos
Exemplo 3.3
√
a) A proposição composta “ 16 é igual a 4 ou 187 é um
número primo” é verdadeira.
b) Podemos afirmar que a proposição:
π é um número irracional ou 1
3 > 1
2
é verdadeira, baseando-nos apenas no fato de que π é um
número irracional.
Finalmente, podemos gerar uma nova proposição a partir
de uma inicial, simplesmente negando-a.
38 C E D E R J
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• Princı́pio da Identidade: Todo objeto é idêntico a si mesmo.
3 1 MÓDULO 1
Aristóteles
• Princı́pio da Contradição: O contrário do verdadeiro é ( 384 - 322 a.C.)
falso.
AULA
Duas proposições são contraditórias quando uma é a negação
da outra.
Os princı́pios de
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Métodos Determinı́sticos I | Proposições e Conectivos
Exemplo 3.4
Werner Karl
Heisenberg As seguintes proposições têm o mesmo significado:
(1901 - 1976)
Fı́sico alemão, • Todo mundo é racional.
formulou a nova
teoria da Mecânica • Todas as pessoas são racionais.
Quântica
• Cada pessoa é racional.
juntamente com
Ernest Jordan, • Qualquer pessoa é racional.
Erwin Schrödinger,
Niels Bohr e Paul
Dirac. Essa teoria
depende muito de
O quantificador usado nesses exemplos é chamado de quan-
tificador universal. Nós o representamos pelo sı́mbolo ∀.
Matemática e valeu
o prêmio Nobel de
Fı́sica de 1932.
Exemplo 3.5
∀α ∈ R, sen2 α + cos2 α = 1.
Esta proposição é verdadeira.
∃α ∈ R , sen α = 1.
40 C E D E R J
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Os quantificadores universal e existencial são trocados um
3 1 MÓDULO 1
pelo outro quando fazemos a negação de uma proposição ini-
ciada por um deles. Veja como funciona num exemplo:
Exemplo 3.7
A negação da proposição: p: Todo aluno é estudioso; é ∼ p:
Existe aluno não-estudioso.
AULA
Uma outra maneira de enunciar a proposição ∼ p é: Há
aluno que não é estudioso. Numa maneira tipicamente matemá-
tica, seria: Existe pelo menos um aluno não-estudioso.
!
A proposição q: “Nenhum aluno é estudioso” não é a nega-
ção de p.
!
Quantificadores: O quantificador universal é representado
pelo sı́mbolo ∀, que se lê: “Para todo”; o quantificador exis-
tencial é representado pelo sı́mbolo ∃, que se lê: “Existe...”
Esses quantificadores são trocados um pelo outro quando
fazemos a negação de uma proposição.
Resumo
Estamos chegando ao fim da aula. Bem, você está come-
çando a perceber como a linguagem é importante. Mate-
mática é muito sutil, pois um pequeno detalhe pode mudar
completamente o sentido da proposição. Por exemplo, uma
proposição do tipo p∨q pode ser verdadeira ao mesmo tempo
que p ∧ q é falsa. Isto significa uma simples troca de um “ou”
por um “e”. Precisamos estar atentos ao que dizemos, ao que
o texto diz e, principalmente, a como devemos nos expressar.
C E D E R J 41
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Métodos Determinı́sticos I | Proposições e Conectivos
Exercı́cio 3.1
42 C E D E R J
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2. Construa a negação de cada uma das seguintes proposições:
3 1 MÓDULO 1
a) A pêra é uma fruta.
b) Algumas óperas são longas.
c) Todos gostam de dançar.
d) Algumas pessoas não têm carro.
AULA
e) Todos têm televisores e aparelhos de vı́deo.
f) O dinheiro não traz a felicidade.
g) Todo desfile de escola de samba tem mestre-sala e
porta-bandeira.
h) Dom Quixote é um personagem criado por Miguel
de Cervantes.
i) Todo amor é forte.
j) Nenhum amor é fraco.
a) ∀ x ∈ Z, x2 ≤ 0
Solução: Qualquer que seja o número inteiro x, x2 ≤ 0.
Esta proposição é falsa.
b) ∀ α ∈ R, tg2 α = sec2 α − 1
√
c) ∃ x ∈ R , x = 4
d) ∃ x ∈ N , | 2|x ∨ 3|x
Solução: Existe um número natural x tal que 2 divide x A notação a|b é
ou 3 divide x. lida da seguinte
maneira: a divide
Solução alternativa: Existe um número natural x di-
b, isto é, b é um
visı́vel por 2 ou divisı́vel por 3.
√ múltiplo de a.
3
e) ∃ x ∈ R , sen x = 2 .
f) ∀ x ∈ Q, ∃ p, q ∈ Z , x = qp .
9
g) ∃ x ∈ Q , x2 = 25 .
1
h) ∀ r ∈ R, r > 0, ∃ K ∈ N , n > K =⇒ n < r.
C E D E R J 43
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Métodos Determinı́sticos I | Proposições e Conectivos
Resumo
Nesta aula, você aprendeu que:
p∧q (conjunção, p e q )
p∨q (disjunção, p ou q)
Auto-avaliação
É muito bom que você tenha chegado até aqui. Esta primeira
aula sobre lógica contém informações novas, e é natural que
você tenha dúvidas. Lembre-se, só não tem dúvidas quem
não estuda. Uma boa maneira de avaliar o trabalho é medir
relativamente os progressos e as dificuldades. Você pode co-
meçar a sua avaliação da seguinte maneira: Releia os obje-
tivos desta aula. Foram alcançados? Comente-os. Releia
especialmente os exemplos e tente relacioná-los com os
exercı́cios propostos.
Na próxima aula, você aprenderá mais sobre as regras da
lógica e como podemos estabelecer se uma proposição é ver-
dadeira ou não construindo as tabelas-verdade.
Até lá!
44 C E D E R J
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Aula 4
TABELAS - VERDADE E L EIS DA L ÓGICA
Objetivos
Ao final desta aula, você deverá ser capaz de:
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Métodos Determinı́sticos I | Tabelas-verdade e Leis da Lógica
TABELAS - VERDADE
Na aula anterior, você deve ter percebido a importância da
familiaridade com a terminologia matemática. Dando continuida-
de a este processo, descubra agora o que é e como é construı́da
uma tabela-verdade.
O valor-verdade de cada proposição é sempre verdadeiro (V)
ou falso (F). O valor-verdade de uma proposição composta é de-
terminado pelos valores-verdade de cada uma das proposições
que a compõem. Na tabela-verdade, apresentamos todas as pos-
sibilidades. Por exemplo, considere a conjunção das proposi-
ções p e q, que denotamos por p ∧ q. Lembre-se de que p ∧ q
é verdadeira apenas quando ambas as proposições, p e q, são
verdadeiras. Há quatro possibilidades:
• p é verdadeira e q é verdadeira;
• p é verdadeira e q é falsa;
• p é falsa e q é verdadeira;
• p é falsa e q é falsa.
p q p∧q
V V V
V F F
F V F
F F F
p q p∨q
p ∼p V V V
V F V F V
F V F V V
F F F
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E QUIVAL ÊNCIA L ÓGICA E LEIS DA L ÓGICA
4 1 MÓDULO 1
É possı́vel expressar uma proposição de diferentes maneiras.
Por exemplo, podemos negar a proposição “Marcos é pintor e
gosta de pescar” dizendo “Não é verdade que Marcos é pintor
e gosta de pescar”. Uma outra maneira seria “Marcos não é
pintor ou não gosta de pescar”. Estas duas últimas afirmações
AULA
são ditas logicamente equivalentes.
A importância
p q p∧q ∼ (p ∧ q) ∼p ∼q ∼ p∨∼q
V V
V F
F V
F F
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Métodos Determinı́sticos I | Tabelas-verdade e Leis da Lógica
p q p∧q ∼ (p ∧ q) ∼p ∼q ∼ p∨∼q
V V V F F
V F F F V
F V F V F
F F F V V
p q p∧q ∼ (p ∧ q) ∼p ∼q ∼ p∨∼q
V V V F F F F
V F F V F V V
F V F V V F V
F F F V V V V
48 C E D E R J
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p q r q∨r p ∧ (q ∨ r)
4 1 MÓDULO 1
V V V
V V F
V F V V V
V F F
F V V
F V F
AULA
F F V
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Métodos Determinı́sticos I | Tabelas-verdade e Leis da Lógica
Exemplo 4.2
Consideremos as seguintes proposições:
p: 2 é um número inteiro;
q: 2 é maior do que 3;
r: 2 é um número primo.
Conectando-as, podemos montar as seguintes proposições:
a: 2 é um número inteiro, ou 2 é maior do que 3 e primo.
b: 2 é um número inteiro ou maior do que 3, e 2 é um número
inteiro ou primo.
As proposições a ≡ p ∨ (q ∧ r) e b ≡ (p ∨ q) ∧ (p ∨ r) são
logicamente equivalentes. Este é um caso particular da Lei de
Distributividade. Para completar o exemplo, vamos determinar
o valor-verdade das proposições. A proposição a é a proposição
p ∨ (q ∧ r). É claro que p é verdadeira, q é falsa e r é ver-
dadeira. Como q é falsa, q ∧ r é falsa. Mas, sendo p verda-
deira, a proposição final p ∨ (q ∧ r) é verdadeira. Por sua vez,
a proposição b é a proposição (p ∨ q) ∧ (p ∨ r). Então, p ∨ q
e p ∨ r são ambas verdadeiras. Portanto, b é uma proposição
verdadeira.
p ∧ (q ∨ r) ≡ (p ∧ q) ∨ (p ∧ r) .
50 C E D E R J
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determinadas proposições são logicamente equivalentes e, para
4 1 MÓDULO 1
que essas leis possam “valer”, devemos constatar a equivalência
usando tabelas-verdade.
AULA
∼ (p ∨ q) ≡ ∼ p ∧ ∼ q; ∼ (p ∧ q) ≡ ∼ p ∨ ∼ q.
p q p∨q ∼ (p ∨ q) ∼p ∼q ∼ p∧∼q
V V V F F F F
V F V F F V F
F V V F V F F
F F F V V V V
(A ∪ B)c = Ac ∩ Bc ,
(A ∩ B)c = Ac ∪ Bc .
C E D E R J 51
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Métodos Determinı́sticos I | Tabelas-verdade e Leis da Lógica
p ∨ (p ∧ q) ≡ p; p ∧ (p ∨ q) ≡ p.
p q p∧q p ∨ (p ∧ q)
V V V V
V F F V
F V F F
F F F F
52 C E D E R J
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Quadro-Resumo
4 1 MÓDULO 1
Para finalizarmos esta parte, vamos montar um quadro com
o resumo das principais leis da Lógica.
Leis de Distributividade
p ∨ (q ∧ r) ≡ (p ∨ q) ∧ (p ∨ r) p ∧ (q ∨ r) ≡ (p ∧ q) ∨ (p ∧ r)
Leis de De Morgan
AULA
∼ (p ∨ q) ≡ ∼ p ∧ ∼ q ∼ (p ∧ q) ≡ ∼ p ∨ ∼ q
Leis de Absorção
p ∨ (p ∧ q) ≡ p p ∧ (p ∨ q) ≡ p
Exercı́cio 4.1
(a) p ∨ ∼ q (e) ( p ∨ ∼ q) ∧ ∼ p
(b) (∼ p) ∨ (∼ q) (f) p ∧ (q ∨ ∼ q)
(c) ∼ p ∧ ∼ q (g) ( p ∧ ∼ q) ∨ r
(d) ∼ (∼ p ∧ q) (h) (∼ p ∨ q) ∧ ∼ r
p ∨ (p ∧ q) ≡ p
e
p ∧ (p ∨ q) ≡ p.
C E D E R J 53
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Métodos Determinı́sticos I | Tabelas-verdade e Leis da Lógica
I MPLICAÇÕES OU PROPOSIÇÕES
C ONDICIONAIS
Há frases que se compõem de uma condição e uma con-
seqüência, como se dá no seguinte exemplo:
Se não chover, irei à sua festa.
Frases deste tipo interessam particularmente aos matemáticos.
Aqui estão alguns exemplos:
Se n é um inteiro ı́mpar, então n2 é ı́mpar.
Se r é um número real tal que r2 = 2, então r é irracional.
Um triângulo é dito
isósceles se tem Se ABC é um triângulo tal que A está no centro de um cı́rculo
dois lados de e B e C pertencem à circunferência do cı́rculo, então o triângulo
medidas iguais, ou ABC é isósceles.
p =⇒ q
.
A proposição p é chamada de hipótese e a proposição q de
conclusão ou tese. O valor-verdade da proposição p =⇒ q
depende dos valores-verdade da hipótese e da conclusão.
Ela é falsa apenas quando p é verdade e q é falsa.
p q ∼p ∼ p∨q p =⇒ q
V V F V V
V F F F F
F V V V V
F F V V V
54 C E D E R J
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Exemplo 4.4
4 1 MÓDULO 1
Vamos considerar o seguinte:
Se eu ganhar na loteria, então nós viajaremos para Fortaleza.
Lembre-se da
A primeira possibilidade corresponde à situação (ideal) p e tabela-verdade da
proposição p ⇒ q:
q verdadeiras. Eu ganho na loteria, viajamos para Fortaleza, a
promessa é cumprida e p =⇒ q é verdadeira.
AULA
p q p⇒q
No caso de ganhar na loteria, e não viajarmos para Fortaleza, V V V
V F F
a promessa estará quebrada. Isto corresponde ao caso p ver- F V V
dadeira e q falsa. Portanto, p =⇒ q é falsa. F F V
Agora, apesar de eu não ter ganho na loteria, viajamos para
Fortaleza. Ótimo! A afirmação p =⇒ q não pode ser contes-
tada. Isto corresponde ao caso p falsa, q verdadeira e p =⇒ q
verdadeira.
A última possibilidade – nada de loteria, nada de viagem a
Fortaleza, nada de promessa quebrada – corresponde ao caso p
e q falsas e p =⇒ q verdadeira.
Note que, quando a hipótese p é falsa, independente do valor-
verdade da conseqüência q, a implicação p =⇒ q é verdadeira.
Portanto, a única chance de p =⇒ q ser falsa é quando temos
uma situação em que a hipótese é verdadeira, e a conseqüência
é falsa.
Faça uma análise semelhante considerando a proposição:
Se o tempo estiver bom, irei à praia.
Observe que, no discurso mais coloquial, a palavra “então”
pode ser dispensada.
Há maneiras ligeiramente diferentes de enunciar a proposição
p =⇒ q. Algumas são:
• Se p, então q.
• p implica q.
• Para que p seja verdadeira, é necessário que q seja ver-
dadeira.
• Para que q seja verdadeira, é suficiente que p seja ver-
dadeira.
C E D E R J 55
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Métodos Determinı́sticos I | Tabelas-verdade e Leis da Lógica
!
Não cometa o erro de pensar que p =⇒ q e sua conversão
q =⇒ p são logicamente equivalentes. Veja numa tabela-
verdade a comparação das duas proposições:
p q p⇒q q⇒p
V V V V
V F F V
F V V F
F F V V
Vamos a um exemplo.
Exemplo 4.5
Tomemos a proposição do tipo p =⇒ q:
Se Linda é brasileira, então ela gosta de samba.
A conversão desta proposição é outra proposição:
Se Linda gosta de samba, então ela é brasileira.
Considere as diferentes possibilidades. Especialmente a situa-
ção em que Linda, caindo numa roda de samba, fazendo inveja
às melhores passistas do lugar, acaba confessando ser uma ame-
ricana de Miami. Isto é, p é falsa mas q é verdadeira.
A proposição “Se Linda é brasileira, então ela gosta de samba” é
verdadeira (pois não é falsa, coisa de lógica aristotélica), mas a
sua conversão “Se Linda gosta de samba, então ela é brasileira”
é falsa pois, exatamente como no caso acima, gostar de samba
não é coisa apenas de brasileiros ou brasileiras.
56 C E D E R J
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Vamos continuar com este exemplo um pouco mais. Tomemos
4 1 MÓDULO 1
a seguinte proposição:
Se Linda não gosta de samba, então ela não é brasileira.
Essa proposição é da forma ∼ q =⇒∼ p. Vamos calcular a
sua tabela-verdade e compará-la com p =⇒ q.
AULA
p q ∼q ∼p ∼ q ⇒∼ p p⇒q
V V F F V V
V F V F F F
F V F V V V
F F V V V V
p ⇐⇒ q
é equivalente à proposição (p ⇒ q)∧(q ⇒ p). A proposição
p ⇔ q também pode ser lida como “p é necessário e su-
ficiente para q” e é verdadeira, quando ambas as proposi-
ções têm o mesmo valor-verdade.
C E D E R J 57
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Métodos Determinı́sticos I | Tabelas-verdade e Leis da Lógica
p q p⇒q q⇒ p (p ⇒ q) ∧ (q ⇒ p) p⇔q
V V V V V V
V F F V F F
F V V F F F
F F V V V V
TAUTOLOGIAS
Uma tautologia é uma proposição composta que é verdadeira
qualquer que seja o valor-verdade das proposições que a com-
põem. Para averiguarmos se uma proposição composta é uma
tautologia, é necessário fazer sua tabela-verdade. Um exemplo
bem simples é a proposição
p∨ ∼p
Sua tabela-verdade é
p ∼ p p∨∼p
V F V
F V V
(p ∧ q) =⇒ p
p q p∧q p∧q ⇒ p
V V V V
V F F V
F V F V
F F F V
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Exercı́cio 4.2
4 1 MÓDULO 1
Construa as respectivas tabelas-verdade para constatar que
as seguintes proposições são tautologias:
a) ∼ (p ∧ ∼ p) c) p ⇒ (p ∨ q)
b) ((p ⇒ q) ∧ p) ⇒ q d) ∼ (p ∨ q) ⇔ ∼ p ∧ ∼ q
AULA
Auto-avaliação
Esta aula contém bastante informação e, para que você possa
familiarizar-se com estas novidades, é muito importante que
resolva os exercı́cios. Ao fazê-lo, anote os que achou mais
difı́ceis. Escolha também aqueles de que você gostou mais.
Bom trabalho!
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Métodos Determinı́sticos I | Argumentos e Provas
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Aula 5
A RGUMENTOS E P ROVAS
Objetivo
Ao final desta aula, você deverá ser capaz de:
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Métodos Determinı́sticos I | Argumentos e Provas
D EFININDO A RGUMENTAÇÃO
Uma argumentação constitui-se de uma coleção de proposi-
ções (premissas) e uma proposição final (conclusão). Do ponto
de vista da lógica, para que uma argumentação seja válida, é
necessário que a conclusão seja uma conseqüência das premis-
sas. Isto é, no caso de as premissas serem verdadeiras, sabemos
Este exemplo tem que a conclusão é verdadeira.
uma importância Premissas: Todo homem é mortal.
histórica e aparece Sócrates é homem.
em quase todo
texto sobre lógica. Conclusão: Sócrates é mortal.
Ele é um silogismo, Consideremos também um exemplo mais prosaico:
que se constitui de
duas premissas e Premissas: Todos os brasileiros gostam de feijoada.
uma conclusão, foi Todos os cariocas são brasileiros.
formulado por
Conclusão: Todos os cariocas gostam de feijoada.
Aristóteles, em seu
tratado Primeiros Vamos à definição do que é um argumento válido.
analı́ticos, sobre
Exemplo 5.1
Vamos considerar o seguinte argumento:
Premissas:
p1 : Se você estudar, você passará no teste.
p2 : Você estuda.
62 C E D E R J
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Conclusão:
5 1 MÓDULO 1
c: Você passará no teste.
Suponhamos que uma condição suficiente para passar no
teste é estudar. Isto é, vamos considerar que caso você estude,
então você passará no teste. Você estuda! A conclusão é: você
passará no teste.
AULA
Vamos analisar mais detalhadamente a situação. Temos ape-
nas duas proposições básicas:
p: Você estuda.
q: Você passa no teste.
Devemos verificar que, quando p ⇒ q e q são verdadeiras, a
implicação
((p ⇒ q) ∧ p) ⇒ q
será verdadeira.
Vamos usar uma tabela-verdade.
p q p⇒q (p ⇒ q) ∧ p ((p ⇒ q) ∧ p) ⇒ q
V V V V V
V F F F V
F V V F V
F F V F V
C E D E R J 63
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Métodos Determinı́sticos I | Argumentos e Provas
Premissas:
p1 : Se não chover, Mateus irá ao parque.
p2 : Se Mateus for ao parque, ele brincará com seus amigos.
Conclusão:
c: Se não chover, Mateus brincará com seus amigos.
Para analisá-lo, vamos considerar as seguintes proposições
básicas:
p: Não chover.
q: Mateus vai ao parque.
r: Mateus brinca com seus amigos.
A estrutura deste argumento é
Premissas: p⇒q
q⇒r
Conclusão: p⇒r
Premissas: p⇒q
q⇒r
Conclusão: p⇒r
são válidos.
64 C E D E R J
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Exemplo 5.3
5 1 MÓDULO 1
Vamos agora considerar a seguinte situação:
Premissas:
p1 : Se eu ganhar o prêmio de fim de ano da companhia, nós passaremos
um fim de semana em Búzios.
p2 : Passamos um (ótimo) fim de semana em Búzios.
AULA
Conclusão:
c: Ganhei o (cobiçado) prêmio da companhia.
Este argumento é formado por apenas duas proposições sim-
ples:
p: “Eu ganho o prêmio da companhia”
e
q: “Nós passamos um fim de semana em Búzios”.
A estrutura deste argumento é
Premissas: p⇒q
q
Conclusão: p
p q p⇒q (p ⇒ q) ∧ q ((p ⇒ q) ∧ q) ⇒ p
V V V V V
V F F F V
F V V V F
F F V F V
C E D E R J 65
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Métodos Determinı́sticos I | Argumentos e Provas
Premissas: p⇒q
p
Conclusão: q
Premissas: p⇒q
q⇒r
Conclusão: p⇒r
Exercı́cio 5.1
Em cada um dos argumentos abaixo, destaque as proposições
simples que compõem as premissas e as conclusões. Construa
uma tabela-verdade com base nas proposições simples e nas pre-
missas, concluindo com a coluna (p1 ∧ p2 ∧· · ·∧ pn ) ⇒ c. Deter-
mine, então, a validade ou não do argumento. Os três primeiros
exercı́cios da lista estão com a solução. Dê a sua própria solução
e então compare com a solução dada. Vá em frente!
66 C E D E R J
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2. Todas as pessoas inteligentes gostam de Matemática. Romeu
5 1 MÓDULO 1
é uma pessoa. Romeu não gosta de Matemática. Portanto,
Romeu não é inteligente.
Solução: Note que podemos reescrever o argumento da seguinte
maneira: Se uma pessoa é inteligente, então esta pessoa gosta de
Matemática. Romeu é uma pessoa e não gosta de Matemática.
Portanto, Romeu não é inteligente.
AULA
Dessa forma, podemos usar as seguintes proposições básicas
para analisar o argumento:
p: Uma pessoa é inteligente.
q: Uma pessoa gosta de Matemática.
r: Romeu é uma pessoa.
O argumento está estruturado da seguinte maneira:
Premissas:
p1 = p ⇒ q: Se uma pessoa é inteligente, então esta pessoa gosta
de Matemática.
p2 =∼ q ∧ r: Uma pessoa não gosta de Matemática e esta pessoa
é Romeu.
Conclusão:
p3 =∼ p ∧ r: Uma pessoa não é inteligente e esta pessoa é Romeu.
Para analisarmos a validade do argumento temos que saber se,
sempre que as premissas forem verdadeiras, a conclusão será
verdadeira ou, equivalentemente, se a implicação (p1 ∧ p2 ) ⇒ p3
é verdadeira. Ou seja, vamos fazer a tabela-verdade da proposição
((p ⇒ q) ∧ (∼ q ∧ r)) ⇒ (∼ p ∧ r). Vamos chamar de p1 a
proposição p ⇒ q e de p2 a proposiçao ∼ q ∧ r.
C E D E R J 67
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Métodos Determinı́sticos I | Argumentos e Provas
Auto-avaliação
Você deve ter notado que esta aula foi diferente da aula ante-
rior. Ela contém menos informações, mas estas requerem um
tipo diferente de atenção. É necessário um tempo maior de
reflexão. Leia os exemplos vagarosamente. Dedique atenção
aos exercı́cios propostos.
Aproveite!
68 C E D E R J
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Aula 6
R EPRESENTAÇ ÃO D ECIMAL DE N ÚMEROS R ACIONAIS ,
P ORCENTAGENS E N ÚMEROS I RRACIONAIS
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Métodos Determinı́sticos I | Representação Decimal de Números Racionais, Porcentagens e Números Irracionais
70 C E D E R J
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Partindo das frações e efetuando a divisão, encontramos
6 1 MÓDULO 1
312 25 267 1.000 88 25
- 25 12,48 - 2.000 0, 267 - 75 3,52
62 6.700 130
- 50 - 6.000 - 125
120 7.000 50
AULA
- 100 - 7.000 - 50
200 0 0
- 200
0
10 3 80 33
-9 0,33 . . . - 66 0,2424 . . .
10 140
-9 - 132
10 80
..
. - 66
140
- 132
80
..
.
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Métodos Determinı́sticos I | Representação Decimal de Números Racionais, Porcentagens e Números Irracionais
72 C E D E R J
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Exercı́cio 6.1
6 1 MÓDULO 1
1
1. Mostre que < 0, 334.
3
1 1
2. Mostre que 0, 334 − < .
3 1.000
AULA
1
3. Conclua que ≃ 0, 334, com erro inferior a um milésimo.
3
Exemplo 6.1
29
Expressar o número na forma decimal com erro inferior
17
a um décimo de milésimo.
Solução: Usando o algoritmo da divisão, encontramos
29 17
-17 1,7058
120
-119
100
-85
150
-136
14
29 ∼
Então, = 1, 7058 com erro inferior a um décimo de milésimo. Para
17
conseguir a aproximação desejada, avançamos até a quarta casa à di-
reita da vı́rgula: a casa dos décimos de milésimo. De fato, veja as
contas que comprovam isto:
7 0 5 8 17058
1, 7058 = 1 + + + + = .
10 100 1.000 10.000 10.000
29 17.058 290.000 − 289.986 14 17
Logo, − = = < =
17 10.000 170.000 170.000 170.000
1 1
= .
10.000 104
Exercı́cio 6.2
187
1. Encontre um número inteiro q tal que q < − < q + 1.
13
C E D E R J 73
i i
i i
Métodos Determinı́sticos I | Representação Decimal de Números Racionais, Porcentagens e Números Irracionais
74 C E D E R J
i i
i i
vezes maior), deveria comprar 5 × 8 = 40 tangerinas e 5 × 12 =
6 1 MÓDULO 1
60 laranjas para ter a mesma proporção de cada uma das frutas
em relação ao total. Observe que a maneira de expressar mate-
maticamente estas relações é:
8 40 12 60
= = 40% eram tangerinas e = = 60% eram
20 100 20 100
laranjas.
AULA
O exemplo mostra que as frações porcentuais podem se apre-
sentar com um denominador diferente de 100.
Veja outro caso:
3 30
3 em cada 10 −→ = −→ 30 em cada 100 −→ 30%.
10 100
Exercı́cio 6.3
31
Expresse, em porcentagem, a fração .
125
p
A= × B ou equivalentemente A = p% × B.
100
C E D E R J 75
i i
i i
Métodos Determinı́sticos I | Representação Decimal de Números Racionais, Porcentagens e Números Irracionais
Exemplo 6.2
76 C E D E R J
i i
i i
Exercı́cio 6.4
6 1 MÓDULO 1
Em uma pequena agência bancária, 32% dos clientes são
pessoas jurı́dicas e os outros 2.040 são pessoas fı́sicas. Quan-
tos clientes, ao todo, tem essa agência?
AULA
Em um dos exemplos, calculamos o aumento percentual da
produção de alumı́nio de uma indústria. Esse tipo de problema é
freqüente em nosso cotidiano. Por exemplo, uma conta análoga
é realizada quando calculamos o aumento do custo dos produtos
da cesta básica de um ano para o outro.
A situação inversa também pode ocorrer, quando precisamos
estimar o decréscimo porcentual de um bem móvel ou imóvel:
Como estimar, em relação ao preço de seu carro, o percentual de
desvalorização ocorrida em um ano?
Para calcular acréscimo ou decréscimo porcentual de uma
quantidade, fica mais simples se dividirmos o problema em duas
partes.
Por exemplo, para encontrar a quantidade final atingida M,
obtida como resultado de um aumento de p% de uma certa quan-
tidade C, desenvolvemos as seguintes etapas:
C E D E R J 77
i i
i i
Métodos Determinı́sticos I | Representação Decimal de Números Racionais, Porcentagens e Números Irracionais
Exemplo 6.3
Aumentar o valor 230 em 30%.
Solução: O valor M obtido pelo aumento de 30% de 230 pode ser
obtido diretamente pela equação M = (30 + 100)% × 230.
Observe que
130
(30 + 100)% = 130% = = 1, 30 ⇒ M = 1, 3 × 230 = 299.
100
Exercı́cio 6.5
78 C E D E R J
i i
i i
70
(100 − 30)% × 300 = × 300 = 210.
6 1 MÓDULO 1
100
AULA
duto) incidem sucessivos aumentos, sucessivas reduções ou uma
combinação sucessiva de aumentos e de reduções. Para fazer os
cálculos e encontrar a quantidade no fim do processo, basta efe-
tuar os produtos dos fatores de modo conveniente.
Por exemplo, se aumentarmos um valor C, sucessivamente,
em p1 %, p2 %, · · · , pn %, de tal forma que cada um dos aumen-
tos, a partir do segundo, incida sobre o resultado do aumento an-
terior, é suficiente multiplicar o valor C pelo produto dos fatores
(100+ p1 )%, (100+ p2)%, · · · , (100+ pn )%. Analogamente, se
reduzirmos um valor C, sucessivamente, em p1 %, p2 %, · · · , pn %,
de tal forma que cada uma das reduções, a partir da segunda,
incida sobre o resultado da redução anterior, basta multiplicar o
valor C pelo produto dos fatores (100− p1 )%, (100− p2 )%, · · · ,
(100 − pn )%.
Veja o exemplo seguinte.
Exemplo 6.5
Calcule o resultado obtido pelos aumentos sucessivos de 10%,
20% e 30% sobre o valor de R$ 2.000,00.
Solução: Seja M o valor final obtido após os aumentos sucessivos.
Assim,
M = (1 + 0, 1) × (1 + 0, 2) × (1 + 0, 3) × 2.000 = 3.432.
Exercı́cio 6.6
C E D E R J 79
i i
i i
Métodos Determinı́sticos I | Representação Decimal de Números Racionais, Porcentagens e Números Irracionais
Exercı́cio 6.7
80 C E D E R J
i i
i i
3% sobre o total de vendas que exceder a R$ 10.000,00.
6 1 MÓDULO 1
Estima-se em 10% o porcentual de descontos diversos que
incidem sobre o salário bruto. Em determinado mês, o
vendedor recebeu, lı́quido, o valor de R$ 4.500,00. Quanto
ele vendeu nesse mês?
AULA
N ÚMEROS I RRACIONAIS
Estamos em plena viagem exploratória pelo mundo dos nú-
meros!
Temos motivação suficiente vendo a importância que os nú-
meros representam na organização de nossa sociedade. Pitágo-
ras, no século V a.C., um dos maiores matemáticos que o mundo
conheceu, apregoava: “Os números governam o mundo.”
Na concepção de Pitágoras, o conjunto de números que deve-
riam “governar o mundo” eram os números racionais. E já na-
quele tempo percebeu-se que isto não era suficiente. Vamos aos
fatos.
Para Pitágoras, a beleza da estrutura dos números era que
a unidade e suas frações eram suficientes para expressar toda a
beleza do Universo. Naquela época tão remota, a Matemática
confundia-se com a religião. Pitágoras e seus seguidores for-
maram o que hoje denominamos irmandade. O fato surpreen-
dente ocorreu quando um discı́pulo de Pitágoras de nome Hipaso
percebeu que a medida da hipotenusa de um triângulo retângulo
cujos catetos medem uma unidade não podia ser expressa por
um número racional.
Acompanhe pela Figura 6.1, em que representamos um
triângulo retângulo ABC cujos catetos AB e AC medem 1, a ca-
racterização da medida do hipotenusa BC.
C E D E R J 81
Figura 6.1: Triângulo retângulo de Hipaso.
i i
i i
Métodos Determinı́sticos I | Representação Decimal de Números Racionais, Porcentagens e Números Irracionais
Conclusões
1
a
-2 -1 0 1 2 2
√
Figura 6.2: O número irracional 2.
82 C E D E R J
i i
i i
√
2) Se a = 2 é um número irracional, veja as conseqüências.
√
6 1 MÓDULO 1
Para todo número inteiro não-nulo p ∈ Z, p 2 é também
irracional.
√ Vamos provar isso. Suponha, por absurdo, que
p 2 é racional. Então, para algum m e n inteiros, com
√ m √ m
n 6= 0 p 2 = implica que 2 = .
n n· p
√
O argumento anterior mostra que, se p 2 é racional,
√ √ então
AULA
2 é racional. Isso não é possı́vel. Portanto, p 2 é irra-
cional. Logo, temos um número infinito de números irra-
cionais
√ √ √ √ √ √ √
. . . − 3 2, −2 2, − 2, 2, 2 2, 3 2, 4 2, . . .
O N ÚMERO π
√
Além do número irracional 2 , outra medida importante
detectada na Antigüidade e que não pode ser expressa por um
número racional é o número π .
Para entender, tome um cı́rculo de diâmetro igual a 1 e force-
o a rolar sem deslizamento ao longo de uma reta, como na Figura 6.3.
C E D E R J 83
i i
i i
Métodos Determinı́sticos I | Representação Decimal de Números Racionais, Porcentagens e Números Irracionais
A A
Exercı́cio 6.8
a) −3, 217
84 C E D E R J
i i
i i
b) 0, 272
6 1 MÓDULO 1
13
c)
29
d) −3, 22
AULA
expresse na representação decimal.
5 1, 4
C E D E R J 85
i i
i i
Métodos Determinı́sticos I | Potências, Radicais e Expressões Numéricas
86 C E D E R J
i i
i i
Aula 7
P OT ÊNCIAS , R ADICAIS E
E XPRESS ÕES N UM ÉRICAS
Objetivos
Ao final desta aula, você deverá ser capaz de:
i i
i i
Métodos Determinı́sticos I | Potências, Radicais e Expressões Numéricas
Definição 7.1
Seja b um número real.
c) Se b 6= 0, então b0 = 1.
88 C E D E R J
i i
i i
Vamos a alguns exemplos!
7 1 MÓDULO 1
Exemplo 7.1
1 3 1 1 1 1 1 1
a) − = − · − · − = − =− .
3 3 3 3 9 3 27
AULA
√
2 −4 5 4 5 5 5
b) − = −√ = −√ · −√ · −√ ·
5 2 2 2 2
5 25 25 625
−√ = · = .
2 2 2 4
312 0
c) (3, 12)0 = = 1.
100
I. bm · bn = bm+n
C E D E R J 89
i i
i i
Métodos Determinı́sticos I | Potências, Radicais e Expressões Numéricas
Exemplo 7.2
32 · 35 = 32+5 = 37 .
Exemplo 7.3
5
23 = 23·5 = 215 .
1
III. bm ÷ bn = bm · = bm · b−n = bm−n
bn
Exemplo 7.4
2
1 12
(−2)3 ÷(−2)5 = −2)3−5 = (−2)−2 = = =
−2 (−2)2
1
.
4
IV. (b · c)m = bm · cm
Exemplo 7.5
(4 · 2)3 = 43 · 23 .
90 C E D E R J
i i
i i
Exercı́cio 7.1
7 1 MÓDULO 1
1. Escreva sob a forma de produto e calcule:
a) 53
b) 252
c) 103
AULA
d) 111
a) 35 · 32 · 33
211
b)
29
c) 34 · 3 · 3−1
7 3
6
d)
63
C E D E R J 91
i i
i i
Métodos Determinı́sticos I | Potências, Radicais e Expressões Numéricas
√
i. Não definimos m b, qualquer que seja o número real
√ inteiro e m ≤ 0. Por exemplo,
b, se m é um número
não tem sentido −3 5.
√
ii. Não está definido n b, onde n é par e b < 0. Por
exemplo, não existe
√ nenhum número real que possa
ser associado a 4 −2.
92 C E D E R J
i i
i i
√
iii. Na expressão n b, o número b é o radicando, o sı́mbolo
√
7 1 MÓDULO 1
é a raiz e n é o ı́ndice da raiz.
√ √
iv. No caso n = 2, em vez de 2 escrevemos e
lemos:
√ “raiz quadrada”. Por exemplo, a igualdade
49 = 7, lê-se “raiz quadrada de 49 é igual a 7”.
√
v. No caso n = 3, o sı́mbolo 3 lê-se raiz cúbica. Por
√
exemplo, a igualdade 3 −125 = −5, lê-se: “raiz cúbica
AULA
de −125 é igual a −5”.
a) Se a e b são √números √
reais√positivos e n é um número
natural, então a · b = n a · n b.
n
Exemplo 7.8
√ 1
a) 3
27 = 27 3 = 3. Pois, 3 · 3 · 3 = 33 = 27.
√
b) Não tem sentido −4 quando trabalhamos com números
reais, uma vez que não existe um número real x, tal que
x2 = −4.
√
c) 5
−32 = −2. Pois (−2)5 = (−2) · (−2) · (−2) · (−2) ·
(−2) = −32.
√ √ √ √ √
d) 8 = 22 · 2 = 22 · 2 = 2 2.
√ p p √ √
e) 3
−81 = 3 (−3)3 · 3 = 3 (−3)3 · 3 3 = −3 3.
C E D E R J 93
i i
i i
Métodos Determinı́sticos I | Potências, Radicais e Expressões Numéricas
Exercı́cio 7.2
1. Calcule:
√ √
a) ( 2 ÷ 3)−4
√ −3
b) [( 2)−2 ]
√
c) ( 2 − 5)2
√ √
b) 4 48 = 2 4 3
√ √
c) 5 −512 = −2 5 16
Definição 7.3
m
Sejam b um número real e r = tais que uma das condições
n
é satisfeita:
b) bm > 0
m
√
então, br = b n = n bm .
94 C E D E R J
i i
i i
Veja que as condições a) e b) impostas na definição são
7 1 MÓDULO 1
necessárias para que as operações de radiciação e potência
fiquem bem definidas. Observe, também, que em virtude
das propriedades da radiciação vale
m
√ √
b n = n bm = ( n b)m .
AULA
Exemplo 7.9
2 √
4
q
2
√
4
4
a) 16 4 = 162 = 4
(42 ) = 44 = 4 4 = 41 = 4.
5 p p p p
b) (−8) 3 = 3 (−8)5 = 3 (−8)3 · (−8)2 = 3 (−8)3 · 3 (−8)2 =
√
−8 3 64 = −8 × 4 = −32.
r r
− 32 √3 3 1 2 3 1 2 1 2 1
c) (27) = 27−2 = = = = .
27 27 3 9
Exercı́cio 7.3
Mostre que valem as seguintes igualdades:
1 √ −1 1
a) (−500) 3 = −5 3 4 b) (−32) 5
=−
2
C E D E R J 95
i i
i i
Métodos Determinı́sticos I | Potências, Radicais e Expressões Numéricas
96 C E D E R J
i i
i i
√
3 3−1 √
3
E = −2· 5+ + 5 · 3 + 25 ÷ 2 × 5 =
7 1 MÓDULO 1
6
√
3 1 √3
= −2· 5+ + 5 · 3 + 25 ÷ 2 × 5 =
3
√
3
√
3
= − 2 · 5 + 1 + 3 · 5 + 25 ÷ 2 × 5 =
AULA
√
3
√
3
= − 2 · 5 + 26 + 3 · 5 ÷ 2 × 5 =
√
3 3 √
3
= − 2 5 + 13 + · 5 × 5 =
2
√
3 3 √
3
= − 2 5 + 13 + · 5 × 5 =
2
−4 + 3 √
3 1√3
= 5 + 13 × 5 = − 5 + 13 × 5 =
2 2
−5 √
3
= 5 + 65.
2
Exercı́cio 7.4
Resolva as seguintes expressões:
c) −(1)0 + 23
d) −2 + {−1 − [5 − 3 · (10 + 1) ÷ 3] − 5 · 7}
e) −5 + [3 − (7 − 5 − 3) · 22 ÷ 11]
C E D E R J 97
i i
i i
Métodos Determinı́sticos I | Potências, Radicais e Expressões Numéricas
P RODUTOS N OT ÁVEIS
Os produtos notáveis são equivalências entre expressões algé-
bricas, úteis para simplificar a rotina de cálculos. Veja, em se-
guida, os casos mais simples de produtos notáveis:
98 C E D E R J
i i
i i
Exemplo 7.10
7 1 MÓDULO 1
Racionalize ou simplifique expressões do tipo:
1
a) √ √
a+ b
1
b) √ √
AULA
a− b
√ √ √ √
1 a− b a− b
a) √ √ = √ √ √ √ = ,
a + b ( a + b)( a − b) a−b
√ √ √ √
1 a+ b a+ b
b) √ √ = √ √ √ √ =
a − b ( a − b)( a + b) a−b
C E D E R J 99
i i
i i
Métodos Determinı́sticos I | Potências, Radicais e Expressões Numéricas
√ √ √
1 1 5− 3 3
E3 = √ √ −√ = √ √ √ √ −√ √ =
5+ 3 3 ( 5 + 3)( 5 − 3) 3· 3
3.
√ √ √ √ √ √ √ √
5− 3 3 5− 3 3 5 5 3
= − = − = − .
5−3 3 2 3 2 6
√ √ √ √ √ √ p√ p√
2− 3 2− 3 2− 3 2− 3
E4 = √4
√4
= p√ p√ = p√ p√ · p√ p√ =
2+ 3 2+ 3 2+ 3 2− 3
4.
√ √ √ √
( 2 − 3)( 4 2 − 4 3) √4
√4
= √ √ = 2 − 3.
2− 3
2
d) Racionalize ou simplifique a expressão E = √ √ −
7− 2
1
√3
.
5
Solução:
√ √ √3 2
2 1 2( 7 + 2) 5
E = √ √ −√
3
= √ √ √ √ − √
3
√3
=
7− 2 5 ( 7 − 2)( 7 + 2) 5 · 52
√ √ √
3
√ √ √
3
2( 7 + 2) 25 2( 7 + 2) 25
= √ √ −√ = − =
2
( 7) − ( 2)2 3 3
5 7−2 5
√ √ √
2 7 + 2 2 − 3 25
= .
5
Exercı́cio 7.5
1 1 √
1. A expressão numérica E = √ √ √ −3 ÷ 3−
3 2− 3
√ 1
2 3− √ é igual a:
6
√
3−3
a)
3
√
− 3+9
b)
3
√
3−9
c)
3
100 C E D E R J
i i
i i
2. Mostre que são verdadeiras as igualdades:
7 1 MÓDULO 1
√ √
a) ( 2 − 1)3 = 5 2 − 7
√ √
1 2−2 3+ 2
b) √ −1 ÷ =
2 2 2 2
3. Determine o valor de x em cada uma das equações abaixo:
AULA
a) 53x−2 = 1
b) 16x+2 = 23x−1
2 −x
c) (x2 + 3)x =1
1 3
4. O número √ √ −√3
é igual a:
3− 2 −3
√ √ √
3− 2− 3 9
a)
3
√ √ √
3 3+3 2+ 3 9
b)
3
√ √ √
3 3−3 2+ 3 9
c)
3
√ √ √
d) 3+ 2+ 3 9
C E D E R J 101
i i
i i
Métodos Determinı́sticos I | Números Reais: Relação de Ordem, Intervalos e Inequações
102 C E D E R J
i i
i i
Aula 8
N ÚMEROS R EAIS : R ELAÇ ÃO DE O RDEM ,
I NTERVALOS E I NEQUAÇ ÕES
Objetivos
Ao final desta aula, você deverá ser capaz de:
i i
i i
Métodos Determinı́sticos I | Números Reais: Relação de Ordem, Intervalos e Inequações
Exercı́cio 8.1
Após tomar um banho, coloque uma roupa legal, pra cima,
borrifadas de um agradável perfume ajudam. Pronto. Saia à rua.
Você vai a uma loja comprar uma televisão nova, de tela grande,
a Copa do Mundo se aproxima, e estão oferecendo garantia de
10 anos, controle remoto e o escambau. Só falta garantir a
vitória do seu time.
De volta a casa, televisão instalada. Você liga. O canal
10 é automaticamente sintonizado, e o som está muito baixo.
O jogo da seleção já começou, está passando no canal 12, e você
precisa também entrar em campo! Você está com o controle na
mão, aconchegado no sofá e o manual de instruções longe. Ob-
servando o controle remoto, você identifica o ı́cone de volume
(VOL) e o ı́cone dos canais (CH). Veja o controle na Figura 8.1
a seguir.
104 C E D E R J
i i
i i
– Que tecla comprimir para aumentar o volume? Aquela à
8 1 MÓDULO 1
direita ou aquela à esquerda do ı́cone volume?
Pense um pouco e responda! Acredite, sua resposta definirá
sua condição de pessoa bem ou mal-orientada em relação às
convenções de comunicação gráfica adotadas.
Se você já se decidiu, consulte a resposta ao Exercı́cio 8.1
AULA
no fim deste módulo.
E aı́? Acertou a resposta? Pois é, são convenções que têm o
seu fundamento.
Veja por quê! Ao representarmos os números reais sobre
uma reta horizontal eles crescem, da esquerda para a direita
e, evidentemente, decrescem da direita para a esquerda. Se a
reta, representando os números reais, fosse posicionada vertical-
mente, a representação dos números seria crescente para cima e
decrescente para baixo!
Para tornar um pouco mais rigorosa esta idéia, vamos intro-
duzir a relação de ordem nos números reais.
Considere os números reais representados sobre uma reta
real orientada, como na Figura 8.2.
C E D E R J 105
i i
i i
Métodos Determinı́sticos I | Números Reais: Relação de Ordem, Intervalos e Inequações
106 C E D E R J
i i
i i
Propriedade 4. Se a < b e c < 0 então a · c > b · c.
8 1 MÓDULO 1
Esta propriedade é enunciada ressaltando que multiplicando
ambos os membros de uma desigualdade por um número nega-
tivo a desigualdade inverte de sentido.
Veja um exemplo em que o fator de multiplicação é o número
AULA
(−2):
−250 < −32 ⇒ 500 > 64
Definição 8.1
Dados os números reais a e b, com a < b, definimos os
seguintes conjuntos de números reais:
d) [a, b] = {x ∈ R; a ≤ x ≤ b}.
C E D E R J 107
i i
i i
Métodos Determinı́sticos I | Números Reais: Relação de Ordem, Intervalos e Inequações
Exemplo 8.1
Representação gráfica dos intervalos (−3, −2), [−1, 0), (1, 2]
7
e 3, . Veja a Figura 8.3.
2
Definição 8.2
Os subconjuntos de números reais
b) [a, ∞) = {x ∈ R; x ≥ a},
d) (−∞, a] = {x ∈ R; x ≤ a}.
Exemplo 8.2
Representação gráfica dos intervalos I = (2, ∞) e J = (−∞, 0].
Veja a Figura 8.4.
J I
i i
i i
i. Na definição de um intervalo, o número que fica no
8 1 MÓDULO 1
extremo esquerdo é menor que√o número que fica
no extremo direito. Assim (−1, 2) é um intervalo,
mas (3, 0) não tem sentido.
ii. Usando o recurso de representar subconjuntos da reta
por intervalos, podemos escrever (−∞, ∞) = R.
AULA
Exemplo 8.3
Logo, todo x tal que 0 < x < 2 pertence a ambos os conjuntos. Provando
a igualdade b).
C E D E R J 109
i i
i i
Métodos Determinı́sticos I | Números Reais: Relação de Ordem, Intervalos e Inequações
Exercı́cio 8.2
Prove que
√
a) (−1, 2) ⊂ (−∞, 3)
√ √
b) (− 3, 10) ∩ [0, 10 2) = [0, 10)
Exercı́cio 8.3
110 C E D E R J
i i
i i
3. Coloque em ordem crescente os seguintes números reais:
8 1 MÓDULO 1
−13 −18 13 18
, , , .
12 17 12 17
√
1 3 √ 7
4. Coloque em ordem crescente os números − , − , 2,
2 3 5
√
5. Verifique que 3 < 10 < 3, 2
AULA
√
5 1
6. Descreva todos os números naturais n para os quais >√ .
n 5
7. Represente na reta real os seguintes intervalos:
√
a) (− 2, 2]
7 10
b) ,
8 4
c) [π , ∞)
a) [−6, 0) ∩ [−2, 5]
b) (−∞, 1) ∩ (−1, ∞)
c) R − (1, ∞)
√
2 1
d) − , ∪ (0, ∞)
2 3
C E D E R J 111
i i
i i
Métodos Determinı́sticos I | Números Reais: Relação de Ordem, Intervalos e Inequações
1
11. Encontre o maior número natural n para o qual − √ +
5
5
n< √
2
12. Prove que são verdadeiras as desigualdades:
1 √
a) √ √ <2 2
5+ 3
p √ 7
b) 3 3 <
3
13. Considere dois números reais a e b. Responda falso (F)
ou verdadeiro (V) às afirmações justificando brevemente
a resposta.
a+b √
a) Se a, b ≥ 0 então ≥ a·b
2
b) Se a ≤ b então a2 − b2 ≤ 0
c) Se a ≥ 2 então a3 − 1 ≥ a2 + a + 1
112 C E D E R J
i i
i i
Aula 9
M ÓDULO DE UM N ÚMERO R EAL E
I NEQUAÇ ÕES M ODULARES
Objetivos
Ao final desta aula, você deverá ser capaz de:
i i
i i
Métodos Determinı́sticos I | Módulo de um Número Real e Inequações Modulares
Propriedades
|x| ≥ 0 e |x| ≥ x .
|x · y| = |x| · |y| .
x |x|
= .
y |y|
114 C E D E R J
i i
i i
um número real e veja que na coluna após a chave estão escritos
9 1 MÓDULO 1
números positivos nas duas primeiras linhas e o número zero na
terceira linha. Isto mostra que o módulo é sempre positivo ou
nulo. Isto é |x| ≥ 0 para qualquer x. Também se x for positivo,
então |x| = x e no caso de x negativo ou nulo então −x ≥ x. Isto
mostra que a propriedade 1 é verdadeira.
As outras duas propriedades do módulo são auto-evidentes.
AULA
C ARACTERIZAÇ ÃO G EOM ÉTRICA DO M ÓDULO
Como x > 0, então |x| = x. Por outro lado, como y < 0, então
|y| = −y.
Em um ou outro caso |x| e |y| representam, respectivamente,
a medida da distância de x até a origem O ou de y até a origem O.
Com esta interpretação geométrica em mente, enunciamos a
propriedade fundamental que relaciona o módulo de um número
com a distância entre dois pontos da reta.
Propriedade: Sejam x e y números reais representados geome-
tricamente na reta real. Então
|x − y| = d(x, y) , (9.1)
onde d(x, y) significa a distância do ponto x ao ponto y ou, o que
é a mesma coisa, d(x, y) é o comprimento do segmento cujos
extremos são os pontos x e y.
C E D E R J 115
i i
i i
Métodos Determinı́sticos I | Módulo de um Número Real e Inequações Modulares
D ESIGUALDADE T RIANGULAR
A desigualdade triangular é outra propriedade fundamental
sobre números reais. Veja o enunciado:
Se a e b são números reais quaisquer. Então
|a + b| ≤ |a| + |b| .
1) Se a + b ≥ 0 então
|a + b| = a + b ≤ |a| + |b| .
2) Se a + b < 0 então
|a| = |a − b + b| ≤ |a − b| + |b| .
Logo
|a| − |b| ≤ |a − b| ,
provando a desigualdade.
116 C E D E R J
i i
i i
Definição 9.2
9 1 MÓDULO 1
Dados os números reais a e r, onde r > 0, os intervalos
(a − r, a + r) e [a − r, a + r]
AULA
√Na Figura 9.2, representamos os intervalos centrados em −2
e 2 de raios iguais a 1, o primeiro fechado e o segundo aberto.
(a − r, a + r) = {x ∈ R; a − r < x < a + r} .
|x − a| < r .
C E D E R J 117
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Métodos Determinı́sticos I | Módulo de um Número Real e Inequações Modulares
Exercı́cio 9.1
x + 1 < 5 e − (x + 1) < 5 .
118 C E D E R J
i i
i i
b) Determine o conjunto solução da inequação |x − 1| > 6.
9 1 MÓDULO 1
Solução: A desigualdade é equivalente a
x − 1 > 6 e − (x − 1) > 6 .
AULA
c) Determine o conjunto solução da inequação |x + 1| < |x −
1|.
Solução: O problema consiste em identificar todos os números
reais x tais que a distância até −1 é inferior à distância até 1.
Temos três casos a examinar.
1o¯ caso: x > 1.
Neste caso, x + 1 > 0 e x − 1 > 0 e a equação se torna x + 1 <
x − 1 ⇔ 1 < −1, o que é absurdo.
2o¯ caso: −1 ≤ x ≤ 1.
Neste caso, x + 1 ≥ 0 e x − 1 ≤ 0. Então a desigualdade se
expressa como
Exercı́cio 9.2
C E D E R J 119
i i
i i
Métodos Determinı́sticos I | Módulo de um Número Real e Inequações Modulares
a) I = (−3, 2)
b) I = −5 8
2 , 3
√ √
c) I = (2 − 2 , 3 + 2)
1
a) x + =2
5
b) |x − 3| = −1
c) |x + 6| < 3
120 C E D E R J
i i
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Aula 10
S ISTEMAS DE C OORDENADAS
EM UM P LANO
Objetivos
Ao final desta aula, você deverá ser capaz de:
i i
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Métodos Determinı́sticos I | Sistemas de Coordenadas em um Plano
B
s
pé
0
20
3.
7.
28
0
pé
s
C
Figura 10.1: O mapa do tesouro.
122 C E D E R J
i i
i i
C OORDENADAS EM UMA R ETA
10 1 MÓDULO 1
Dada uma reta r indicamos os pontos sobre a reta por letras
maiúsculas A, B, C etc.
A idéia de introduzir coordenadas em uma reta é a de asso-
ciar a cada ponto da reta um número real, de maneira tão orga-
nizada, que possam ser conseguidas as seguintes propriedades:
AULA
• fica definido uma unidade de medida;
• todo ponto representa um e apenas um número real e, to-
dos os números reais são representados;
• a distância entre dois pontos é dada pelo módulo da diferença
dos números inscritos sobre o ponto.
C E D E R J 123
i i
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Métodos Determinı́sticos I | Sistemas de Coordenadas em um Plano
A notação AB d(A, B) = AB = |b − a| .
representa tanto o
segmento de reta
como a medida de Vamos entender bem o que está escrito na fórmula acima.
seu comprimento. A distância entre A e B é o comprimento do segmento cujos
O contexto no qual extremos são esses pontos. Esse comprimento está indicado por
é escrito AB deve
indicar claramente
AB e pode ser calculado pelo módulo do número b − a.
do que se
está falando.
Alguns autores C OORDENADAS DO P ONTO M ÉDIO
preferem escrever
m(AB) ou AB para Considere na reta os pontos A e B cujas coordenadas são os
a medida do números a e b, respectivamente. Então
comprimento do
a+b
segmento AB. m=
Cremos que esta
2
opção sobrecarrega é a coordenada do ponto M, isto é, o ponto médio do segmento
os textos com AB. Veja porque isto é verdadeiro.
quase nenhuma
vantagem. Vamos trabalhar a situação em que b < a. O caso em que
b > a é totalmente equivalente.
No caso então em que b < a, o ponto B está à esquerda do
ponto A na representação na reta. Veja a Figura 10.3:
124 C E D E R J
i i
i i
b m a
10 1 MÓDULO 1
B M A R
Figura 10.3: Coordenadas do ponto médio.
a+b
Nestas condições temos que mostrar que m = é a co-
AULA
2
ordenada do ponto médio M. Veja que
b < m < a.
De fato,
a+b
b<m⇔b< ⇔ 2b < a + b ⇔ b < a .
2
Como b < a, a equivalência anterior prova que b < m. Também,
a+b
m<a⇔ < a ⇔ a + b < 2a ⇔ b < a .
2
d(A, M) = d(M, B) ⇔ AM = MB .
C OORDENADAS EM UM P LANO
Mas, pretendemos ir além, introduzindo coordenadas em um
plano. De que modo? Considere um plano α e um par de retas
t e s perpendiculares, cuja interseção ocorre no ponto O. Veja a
Figura 10.4.
C E D E R J 125
i i
i i
Métodos Determinı́sticos I | Sistemas de Coordenadas em um Plano
s
a
2
P y
-2 x -1 0 1 t
-1
126 C E D E R J
i i
i i
nados (x, y) de números reais. Essa identificação é escrita como
10 1 MÓDULO 1
P = (x, y) e permite expressar o plano α como o conjunto
AULA
Portanto, é útil ao invés de dizer que α tem um sistema de
coordenadas, escrevermos simplesmente R2 para o plano α .
Então, está estabelecida nossa convenção. Quando escrever-
mos,
R2 = {(x, y); x, y ∈ R} ,
estamos nos referindo a um plano com um sistema de coorde-
nadas retangulares. O plano R2 com esta estrutura recebe o
nome de plano Euclidiano, em homenagem ao geômetra grego
Euclides.
R EPRESENTAÇÃO G R ÁFICA
No plano Euclidiano R2 temos o local ideal para represen-
tar graficamente objetos geométricos, como pontos, segmentos,
retas e figuras planas em geral. A partir da Aula 10, a idéia
de representar geometricamente objetos no plano R2 atinge um
ponto importante com a representação gráfica de funções.
Vamos começar mostrando casos bem simples.
Exemplo 10.1
C E D E R J 127
i i
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Métodos Determinı́sticos I | Sistemas de Coordenadas em um Plano
Em termos algébricos,
AB = {(x, y) ∈ R2 ; −1 ≤ x ≤ 2, y = 1} .
U = {(x, y) ∈ R2 ; 0 ≤ x ≤ 1} e
V = {(x, y) ∈ R2 ; −1 ≤ y ≤ 1}
y y
1
U
Q
V
0 1 x 0 x
P
-1
Z = {(x, y) ∈ R2 ; 0 ≤ x ≤ 1 e − 1 ≤ y ≤ 1} .
128 C E D E R J
i i
i i
que Z = U ∩ V . Isto facilita tudo para a representação pois, do
10 1 MÓDULO 1
exemplo anterior, conhecemos os gráficos de U e V . A Figura
10.7 representa Z através dessa interseção.
AULA
Z
0 1 x
-1
S EMIPLANOS E Q UADRANTES
Vamos continuar explorando coordenadas para descrever im-
portantes subconjuntos de R2 . Considere, como na Figura 10.8,
R2 com seu sistema de coordenadas,
P2
y2
y1 P1
x3 x2 x1 x4 x
y3
P3
y4
P4
C E D E R J 129
i i
i i
Métodos Determinı́sticos I | Sistemas de Coordenadas em um Plano
H+ = {(x, y) ∈ R2 ; y ≥ 0} e
H− = {(x, y) ∈ R2 ; y ≤ 0} .
H+
Exercı́cio 10.1
130 C E D E R J
i i
i i
c. (−7, 2) ∈ H− d. (−3, 0) ∈ H−
10 1 MÓDULO 1
e. (−3, 0) ∈ H+
3. Descreva o conjunto H+ ∩ H− .
AULA
expressos através de desigualdades. Veja os dois próximos exem-
plos.
Exemplo 10.2
L+ = {(x, y) ∈ R2 ; x ≥ 0} e L− = {(x, y) ∈ R2 ; x ≤ 0} ,
L-
C E D E R J 131
i i
i i
Métodos Determinı́sticos I | Sistemas de Coordenadas em um Plano
Q UADRANTES DE R2
Q1 = {(x, y); x ≥ 0 e y ≥ 0} ,
Q2 = {(x, y); x ≤ 0 e y ≥ 0} ,
Q3 = {(x, y); x ≤ 0 e y ≤ 0} ;
Q4 = {(x, y); x ≥ 0 e y ≤ 0} .
Q2
O ∈ Q1 ∩ Q2 ∩ Q3 ∩ Q4 .
132 C E D E R J
i i
i i
Exercı́cio 10.2
10 1 MÓDULO 1
1. Identifique graficamente, num plano com coordenadas, os
quadrantes Q1 , Q2 , Q3 e Q4 .
AULA
i) Q2 ∩ Q3 , ii) Q3 ∩ Q4 e iii) Q4 ∩ Q1 .
A = {(x, y) ∈ R2 ; 0 ≤ x ≤ 2 e y ≤ x} .
9. Represente em R2 o conjunto
F = {(x, y) ∈ R2 ; x ≥ 0, y ≥ 0 e x + y ≤ 1} .
C E D E R J 133
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i i
Métodos Determinı́sticos I | Distância entre Pontos do Plano Euclidiano
134 C E D E R J
i i
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Aula 11
D IST ÂNCIA ENTRE P ONTOS DO
P LANO E UCLIDIANO
Objetivos
Ao final desta aula, você deverá ser capaz de:
i i
i i
Métodos Determinı́sticos I | Distância entre Pontos do Plano Euclidiano
a-b
A B
a 0 1 b IR
136 C E D E R J
i i
i i
Vamos ver por que esta fórmula funciona. Considere quatro
11 1 MÓDULO 1
casos:
AULA
b) Os pontos P e Q são distintos e situados numa reta paralela
ao eixo x. Isto é, x1 6= x2 e y1 = y2 . Veja a Figura 11.2,
à esquerda, onde os pontos P e Q definem um segmento
paralelo ao eixo x. Como P, Q, x1 e x2 são vértices de um
retângulo então
q
PQ = |x1 − x2 | = (x1 − x2 )2 .
y
y
y2 Q
P y1 = y2 Q
y1 P
x1 x2 x x1= x 2 x
C E D E R J 137
i i
i i
Métodos Determinı́sticos I | Distância entre Pontos do Plano Euclidiano
P y1 A
x1 x2
0 x
B y2 Q
ou q
d(P, Q) = PQ = (x1 − x2 )2 + (y1 − y2 )2 ,
que é a fórmula (11.1).
Exemplo 11.1
= 4 + 16 = 20 = 4 · 5 = 2 5 .
Exemplo 11.2
Quais são os pontos do plano equidistantes dos pontos A =
(−1, 0) e B = (−1, 3).
138 C E D E R J
i i
i i
Solução: Se P = (x, y) é um ponto arbitrário e equidistante de A e B,
11 1 MÓDULO 1
então
q q
d(P, A) = d(P, B) ⇔ (x + 1)2 + y2 = (x + 1)2 + (y − 3)2 .
AULA
Logo,
9 3
d(P, A) = d(P, B) ⇔ y =
= .
6 2
Portanto, o conjunto S dos pontos equidistantes de A e B verificam
2 3
S = (x, y) ∈ R ; y = .
2
3
Ora, este conjunto S é uma reta paralela ao eixo x a uma altura y = .
2
Veja a Figura 11.4.
y
3/2 s
Exercı́cio 11.1
Exemplo 11.3
C E D E R J 139
i i
i i
Métodos Determinı́sticos I | Distância entre Pontos do Plano Euclidiano
Isto é,
(x + 1)2 + y2 = x2 + (y + 1)2 .
Logo,
x2 + 2x + 1 + y2 = x2 + y2 + 2y + 1 ⇔ x = y .
Então, o conjunto S,
S = {(x, y) ∈ R2 ; x = y}
y s
q= p
4
B q
-1 x
A -1
140 C E D E R J
i i
i i
y
Sr
11 1 MÓDULO 1
b C
y P
a x x
AULA
Figura 11.6: Um cı́rculo no plano.
x2 + y2 − 2ax − 2by = r2 − a2 − b2 .
Exercı́cio 11.2
C E D E R J 141
i i
i i
Métodos Determinı́sticos I | Distância entre Pontos do Plano Euclidiano
7. Considere o cı́rculo x2 + y2 − 4y − 12 = 0.
142 C E D E R J
i i
i i
Aula 12
E QUAÇ ÕES , I NEQUAÇ ÕES E S ISTEMAS DE
P RIMEIRO E S EGUNDO G RAUS
Objetivos
Ao final desta aula, você deverá ser capaz de:
i i
i i
Métodos Determinı́sticos I | Equações, Inequações e Sistemas de Primeiro e Segundo Graus
ax + b = 0 ,
a) 3x + 5 = 7
3
Solução: 3x + 5 = 7 ⇒ 3x = 7 − 5 ⇒ 3x = 2 ⇒ x = .
2
2x 3 x 5
b) + = + .
3 2 2 3
Solução: Note que 6 é o mı́nimo múltiplo comum dos números
144 C E D E R J
i i
i i
que compõem os denominadores da equação. Assim,
12 1 MÓDULO 1
2x 3 x 5 4x 9 3x 10
+ = + ⇒ + = + ⇒ 4x − 3x = 10 − 9 .
3 2 2 3 6 6 6 6
Logo, x = 1 é a solução.
2 3
c) + = 0.
3−x 2
AULA
Solução: Note em primeiro lugar que devemos procurar uma
solução da equação com a condição que x 6= 3, uma vez que o
valor x = 3 anula o denominador da primeira parcela da equação,
tornando sem sentido a fração. Feito essa ressalva, veja que
2·(3−x) é um múltiplo comum dos denominadores da equação.
Esse resultado permite transformar a equação numa equação do
primeiro grau. Assim,
2 3 2·2 3 · (3 − x) 0 · 2 · (3 − x)
+ =0⇒ + = = 0.
3−x 2 2 · (3 − x) 2 · (3 − x) 2 · (3 − x)
Logo,
13
4+3(3−x) = 0 ⇒ 4+9−3x = 0 ⇒ −3x = −13 ⇒ 3x = 13 ⇒ x = .
3
Exercı́cio 12.1
Resolva as equações a seguir:
C E D E R J 145
i i
i i
Métodos Determinı́sticos I | Equações, Inequações e Sistemas de Primeiro e Segundo Graus
3x + 2y = 135 .
146 C E D E R J
i i
i i
12 1 MÓDULO 1
3x + 2y = 135
(12.1)
(x − 5) = 1 (y − 5)
4
O conjunto formado pelas duas equações anteriores é denominado um
sistema linear de duas equações com duas variáveis. O nome linear é
dado em função que as variáveis das equações serem do primeiro grau.
Vamos resolver o sistema de equações. Veja que a segunda equação
AULA
pode ser transformada resultando numa equação equivalente:
1
(x−5) = (y−5) ⇔ 4(x−5) = y−5 ⇔ 4x−20 = y−5 ⇔ 4x−y = 15 .
4
Então o sistema de equações (12.1) é equivalente a um sistema mais
simples
(
3x + 2y = 135
(12.2)
4x − y = 15
4x − y = 15 ⇒ −y = 15 − 4x ⇒ y = −15 + 4x .
y = −15 + 4x e x = 15 ⇒ y = −15 + 60 ⇒ y = 45 .
C E D E R J 147
i i
i i
Métodos Determinı́sticos I | Equações, Inequações e Sistemas de Primeiro e Segundo Graus
Exercı́cio 12.2
Resolva, a seguir, pelo método da substituição o sistema do
primeiro grau:
x
3 − 2y = −1
2x + y = −6.
3
3x − 2y = 1
−x + y = −2
+ 3x − 2y = 1
−3x + 3y = −6
0x + y = −5
0x + y = −5 ⇒ y = −5 .
148 C E D E R J
i i
i i
na segunda) resulta que
12 1 MÓDULO 1
−9
3x − 2(−5) = 1 ⇒ 3x + 10 = 1 ⇒ 3x = −9 ⇒ x = ⇒ x = −3 .
3
Portanto,
x = −3 e y = −5 ,
são as soluções da equação.
AULA
Exercı́cio 12.3
Resolva pelo método da adição o sistema do primeiro grau:
x
− 2y = 3
3
2x + y = 5.
ax2 + bx + c = 0
2x2 + 3x − 2 = 0 ,
1
tem como raı́zes os números reais x = e x = −2.
2
C E D E R J 149
i i
i i
Métodos Determinı́sticos I | Equações, Inequações e Sistemas de Primeiro e Segundo Graus
onde,
∆ = b2 − 4ac
é denominado o discriminante da equação. Assim,
√
−b + ∆
√ √
x1 =
b ± ∆ −b ± ∆ 2a
x+ = ⇒x= ⇒ √
2a 2a 2a
−b − ∆
x2 = .
2a
i i
i i
√
ii. Se ∆ > 0, então existe ∆, um número positivo, e a
12 1 MÓDULO 1
equação possui duas soluções distintas x1 e x2 .
√
iii. Se ∆ = 0, então ∆ = 0. Neste caso, a equação
possui apenas uma solução. Como se trata de uma
equação do segundo grau, é conveniente, nesta situa-
ção, dizer que as duas soluções são coincidentes, isto
é, x1 = x2 .
AULA
√
iv. Se ∆ < 0, então não existe ∆. Neste caso, a equação
não possui solução.
Exemplo 12.4
Resolva a equação x2 + 3x − 10 = 0.
Solução: Para a equação em foco, temos que a = 1, b = 3, c = −10.
Portanto,
√
∆ = b2 − 4ac = 32 − 4 × 1 × (−10) = 49 ⇒ ∆ = 7.
C E D E R J 151
i i
i i
Métodos Determinı́sticos I | Equações, Inequações e Sistemas de Primeiro e Segundo Graus
Exemplo 12.5
x(x − 3) = 0 .
x(x − 3) = 0 ⇔ x = 0 ou x − 3 = 0 ⇔ x = 0 ou x = 3.
152 C E D E R J
i i
i i
Exercı́cio 12.4
12 1 MÓDULO 1
Resolva as equações:
1. −3x2 + 9 = 0
2. (x − 2)2 + 4x = 4
x2 2x
3. + =0
AULA
4 3
1 1
4. − =1
x−3 x+3
5. (x + 3)2 = 2x(x + 7)
x−3 1
6. + = −3
2 x
Logo, √ √
−b ± ∆ 1 ± 25 1 ± 5
x= = = ,
2a 2 2
definem as raı́zes, como sendo
x1 = 3 e x2 = −2 .
Logo,
x2 − x − 6 = (x − 3)(x + 2) .
C E D E R J 153
i i
i i
Métodos Determinı́sticos I | Equações, Inequações e Sistemas de Primeiro e Segundo Graus
(x − 3)(x + 2) < 0 .
Como não existe número x tal que x > 3 e x < −2, ficamos
somente com a segunda possibilidade x < 3 e x > −2. Portanto,
o conjunto solução é representado pela interseção de intervalos,
x 6= 1 e x 6= −1 ,
(x − 1)(x + 1) > 0 .
154 C E D E R J
i i
i i
12 1 MÓDULO 1
AULA
Figura 12.1: Os sinais de x − 1 e x + 1.
Note que
Também,
Exercı́cio 12.5
1 1
1. Resolva a inequação − > 20 .
x+1 x−1
2. Resolva a inequação x2 − 3x > 10.
C E D E R J 155
i i
i i
Métodos Determinı́sticos I | Equações, Inequações e Sistemas de Primeiro e Segundo Graus
Exemplo 12.7
Resolva o sistema de equações,
(
x2 + y = 3
3x − y = 1.
3x − y = 1 ⇒ −y = −3x ⇒ y = 3x − 1 .
x2 + y = 3 ⇒ x2 + 3x − 1 = 3 ⇒ x2 + 3x − 4 = 0 .
Portanto,
−3 + 5
√
x1 = =1
−b ± ∆ 2
x= ⇒
2a
x2 = −3 − 5 = −4
2
são as soluções da equação x2 + 3x − 4 = 0.
y = 3x − 1 e x = x1 = 1 ⇒ y1 = 3 × 1 − 1 ⇒ y1 = 2 .
y = 3x − 1 e x = x2 = −4 ⇒ y2 = 3(−4) − 1 ⇒ y2 = −13 .
x1 = 1 e y1 = 2 ou x2 = −4 e y2 = −13 .
156 C E D E R J
i i
i i
Exercı́cio 12.6
12 1 MÓDULO 1
1. Resolva os sistemas de equações:
3x + 4y = −5
a)
x + 3y = −5
x y
AULA
=
b) 6 4
5x − 3y = 36
x+y = 3
c)
(x + y)2 − 2xy = 5
2 2
x + y = 25
d) x−y 1
=
x+y 7
1 6−x 3
a) − =
4 3x − 3 x − 1
3
b) x+ (x + 1) = 2x2 − 11
2
2 9x − 8 5x − 6
c) + = 2
x 5x x − 9x
4 1 5
d) + = 2
x−3 x+3 x −9
x−3 1
e) + = −3
2 x
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Métodos Determinı́sticos I | Introdução às Funções
158 C E D E R J
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Aula 13
I NTRODUÇ ÃO ÀS F UNÇ ÕES
Objetivos
Ao final desta aula, você deverá ser capaz de:
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Métodos Determinı́sticos I | Introdução às Funções
I NTRODUÇÃO
O conceito de função é fundamental em qualquer área da
Matemática, seja teórica ou aplicada, oferecendo suporte para
modelar aplicações nas diferentes áreas da atividade humana.
No curso de Administração, nosso foco principal no momento,
a ferramenta função auxilia na formulação de conceitos e na
resolução de problemas; e isto você irá constatar no desenvolvi-
mento desta disciplina.
A idéia de função é a de relacionar elementos entre dois con-
juntos através de uma regra com propriedades especiais. Essa
regra deve associar a cada elemento do primeiro conjunto um
único elemento do segundo conjunto. No entanto, antes de en-
trar em detalhes, vamos levantar algumas situações para que
você possa ter a primeira percepção da presença das funções no
dia-a-dia.
Exemplo 13.1
O caso da inflação.
Depois de todas as dificuldades econômicas vividas recente-
mente pelo Brasil, mesmo sem grandes conhecimentos de econo-
mia, eu e você, temos uma noção intuitiva do que é a inflação.
Em sua generalidade, o fenômeno inflação pode ser visto por
dois ângulos equivalentes. Por um lado, inflação é um aumento
generalizado, continuado e persistente dos preços. Por outro ân-
gulo, constitui uma diminuição persistente e continuada do poder
aquisitivo do dinheiro.
Veja a Tabela 13.1, que relaciona as taxas de inflação no
Brasil, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC) do
IBGE, na primeira metade da década de 1990 do século passado.
160 C E D E R J
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Essa tabela configura uma função. Veja os atributos princi-
13 1 MÓDULO 1
pais. Cada coluna da tabela representa um conjunto, em que os
elementos são listados um a um. Existe uma regra que associa
exatamente a cada elemento do primeiro conjunto (primeira co-
luna) o elemento correspondente do segundo conjunto (segunda
coluna) situado na mesma linha. Neste exemplo, se denominar-
mos por
AULA
A = {x | x é um ano da década 1990-1995}
e
B = {y | y é uma taxa porcentual} ,
então a Tabela 13.1, representa uma função do conjunto A no
conjunto B.
Além da apresentação em tabelas, como feito no exemplo
anterior, no dia-a-dia dos meios de comunicação, as informações
sobre as funções aparecem através de gráficos. Mais à frente
trataremos especificamente de gráficos, no momento vamos tratar
ligeiramente deste tema, mostrando outros modos como podem
ser organizados os dados da função taxa de inflação da década
1990-1995, para a comunicação entre as pessoas. Por exemplo,
o gráfico da Figura 13.1 é auto-explicativo e mostra, de uma
maneira alternativa à Tabela 13.1, o comportamento da inflação
na década 1990-1995. Esse é um gráfico que usa colunas.
C E D E R J 161
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Métodos Determinı́sticos I | Introdução às Funções
h=10km
h=1km
1111111111111111111111111111111111111111111111111
0000000000000000000000000000000000000000000000000
0 5 25 50 tempo
O C ONCEITO DE F UNÇÃO
Para definir uma função, precisamos de dois conjuntos e uma
regra que estabeleça uma associação entre os elementos dos con-
juntos, com propriedades especiais. Acompanhe os detalhes.
162 C E D E R J
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Definição 13.1
13 1 MÓDULO 1
Uma função entre dois conjuntos A e B fica definida a partir
de uma regra que associa a cada elemento do conjunto A à
um e apenas um elemento do conjunto B. A notação usada é
f : A −→ B
x 7−→ y = f (x)
AULA
para representar uma função entre os conjuntos A e B. O con-
juntos A e B são denominados, respectivamente, o domı́nio e
o contradomı́nio da função.
Exemplo 13.3
Considere os conjuntos A = {1, 2, 3} e B = {0, 1, 2, 3, 4, 5} e
a função
C E D E R J 163
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Métodos Determinı́sticos I | Introdução às Funções
f : A −→ B
x 7−→ y = f (x) = 2x − 1 .
Veja na Tabela 13.2, relacionando os valores da variável inde-
pendente x da função, com aqueles da variável dependente y.
x y = f(x)
1 1
2 3
3 5
Tabela 13.2: Correspondência entre elementos da função.
A B
0
1
1
2 2
3
3 4
5
164 C E D E R J
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Ao examinarmos os detalhes do exemplo anterior, cons-
13 1 MÓDULO 1
tatamos in locus, a partir da Figura 13.3, a propriedade
fundamental da regra que define a função: de cada ele-
mento de A parte uma única seta que atinge um único el-
emento de B. E não poderia ser diferente senão a regra
não definiria uma função. Por exemplo, uma regra que
produzisse um esquema diagramático do tipo como repro-
AULA
duzido na Figura 13.4 a seguir, não definiria uma função,
pois do elemento 1 ∈ A partem duas flechas.
A B
0
1
1
2 2
3
3 4
5
Exemplo 13.4
Considere agora a função
g : A −→ B
x 7−→ y = g(x) = x2 + 1 ,
sobre os conjuntos A = {−1, 0, 1} e B = {0, 1, 2, 3, 4, 5}.
Constate que temos uma nova regra definindo uma nova função.
Examine na Figura 13.5, a representação diagramática da função
g.
C E D E R J 165
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Métodos Determinı́sticos I | Introdução às Funções
A B
0
−1
1
2
0
3
1 4
5
f : D −→ R , onde D ⊂ B .
Igualdade de funções
166 C E D E R J
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Soma de funções
13 1 MÓDULO 1
A soma de duas funções f e g é uma nova função s definida
no mesmo domı́nio D, tal que
AULA
Produto de funções
Exemplo 13.5
Considere as funções f : R → R e g : R → R definidas por
f (x) = −2x e g(x) = x2 + 1. Então as funções s(x) e p(x), res-
pectivamente, a soma e o produto das funções são definidas por
Quociente de funções
Exemplo 13.6
Usando as mesmas funções f e g do exemplo anterior e ob-
servando que g(x) 6= 0 para todo número real x então, a função
quociente q(x) é expressa pela equação
−2x 2x
q(x) = 2
=− 2 .
x +1 x +1
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Métodos Determinı́sticos I | Introdução às Funções
• O domı́nio D da função.
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No entanto, por economia de meios e sem prejuı́zo do en-
13 1 MÓDULO 1
tendimento, nos livros didáticos freqüentemente uma função apa-
rece definida apenas por uma regra. Nesta situação, a convenção
é que o domı́nio D da função é o maior subconjunto de números
reais para o qual a regra se aplica, ou faz sentido. Vamos nesta
disciplina seguir esta convenção. Veja esta situação no próximo
exemplo.
AULA
Exemplo 13.7
Se uma √função f é definida simplesmente pela regra (fórmula)
y = f (x) = x − 3 , então seu domı́nio D de definição está suben-
tendido.
Neste caso, para que a função tenha√sentido, é preciso que
dado um particular número real x exista x − 3 . Para isto, basta
que x − 3 ≥ 0. Portanto, se x ≥ 3, a regra está bem definida.
Logo D = [3, +∞) é o domı́nio da função.
Exemplo 13.8
√
1 − 2x
Considere a função definida pela fórmula y = f (x) =
x+6
e vamos determinar seu domı́nio D de definição.
Note que precisamos ter 1 − 2x ≥ 0 e x + 6 6= 0, para que
estejam bem definidos, respectivamente, o numerador e o de-
nominador da fórmula (regra) pela qual a função se expressa.
Faça então as contas para concluir que é suficiente que x ≤
1
2
e x 6= −6.
Portanto, o domı́nio D da
função é obtido como interseção
do intervalo I = − ∞, 1/2 com o conjunto B = {x ∈ R | x 6=
−6}. Logo,
D = (−∞, −6) ∪ − 6, 1/2
é o domı́nio da função.
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Métodos Determinı́sticos I | Introdução às Funções
Exercı́cio 13.1
Encontre os domı́nios das funções:
√
x √
3
a. y = f (x) = 2 b. y = g(x) = x2 − 6
x −6
r
2−x x−3
c. y = h(x) = √ d. y = q(x) =
2
x − 2x − 3 2 − 3x
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Aula 14
G R ÁFICOS DE F UNÇ ÕES :
AS F UNÇ ÕES L INEAR E Q UADR ÁTICA
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Métodos Determinı́sticos I | Gráficos de Funções: as Funções Linear e Quadrática
G( f ) = {(x, y) | y = f (x)} .
C ONSTRUÇÃO DO G R ÁFICO
Dada a função y = f (x), o desafio é fazer uma representação
a mais correta possı́vel de seu gráfico. A técnica consiste em
dois passos principais que vamos destacar:
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Exemplo 14.1
14 1 MÓDULO 1
Construa aproximadamente o gráfico da função y = x + 2.
Solução: Começamos construindo uma tabela de valores (x, y), onde
y = x + 2 e localizando esses pontos no plano. Na Figura 14.1, temos
à esquerda três colunas onde os pontos A = (−1, 1), B = (0, 2), C =
(1, 3) e D = (2, 4) foram definidos através da fórmula da função.
AULA
y
x y = f (x) D
A -1 1 4
B 0 2
C 1 3 C
3
D 2 4
B
2
A
1
−1 1 2 x
x = −1 em y = x + 2 ⇒ y = −1 + 2 ⇒ y = 1 .
x = 0 em y = x + 2 ⇒ y = 0 + 2 ⇒ y = 2
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Métodos Determinı́sticos I | Gráficos de Funções: as Funções Linear e Quadrática
A
b y = ax + b
B
b
− x
a
Exercı́cio 14.1
Observe que o gráfico da função y = x + 2 intersecta o eixo
Oy no ponto B = (0, 2). Quais são as coordenadas do ponto E
de interseção do gráfico com o eixo Ox?
Exemplo 14.2
4
a) Construir a representação gráfica da função y = ,x∈
5−x
D = [1, 4].
Solução: Inicialmente construı́mos uma tabela de pontos, veja
a Figura 14.3.
y
4 4 D
x y=
5−x
A 1 1
4
B 2
3
C 3 2
D 4 4 2 C
4
3 B
1
A
1 2 3 4 x
4
Figura 14.3: Gráfico da função y = .
5−x
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Unindo um a um os pontos do gráfico e sabendo que a função
14 1 MÓDULO 1
representa uma hipérbole, chegamos a um esboço do gráfico da
função, que está representado à direita da Figura 14.3.
AULA
1 se x ≥ 1
−1
1 x
−1
Exercı́cio 14.2
Construa uma representação aproximada dos gráficos das
funções:
a) y = 10 − x
x se x ≤ 1
b) y =
2 se x > 1
x+1
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Métodos Determinı́sticos I | Gráficos de Funções: as Funções Linear e Quadrática
F UNÇÕES C ONSTANTES
Dado o número real c, a função y = c é uma função cons-
tante. Como para todo x ∈ R o valor y correspondente da função
permanece constante, então o gráfico da função é uma reta para-
lela ao eixo Ox e passando pelo ponto (0, c). Examine o gráfico
da função na Figura 14.5, onde é representada uma função cons-
tante donde c < 0.
c
Figura 14.5: Gráfico de função constante.
y = ax + b , a, b ∈ R a 6= 0 .
176 C E D E R J
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Veja a construção do gráfico para o caso em que a > 0 e b < 0
14 1 MÓDULO 1
como representado na Figura 14.6.
AULA
b x
−
a
b
Note que os pontos (0, b) e − ab , 0 estão no gráfico da
função linear afim. Como dois pontos determinam uma reta, o
gráfico pode ser construı́do.
y2
∆y
y1
x1 x2 x
∆x
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Métodos Determinı́sticos I | Gráficos de Funções: as Funções Linear e Quadrática
x2 = x2 + x1 − x1 = x1 + x2 − x1 = x1 + ∆x .
y2 = y2 + y1 − y1 = y1 + y2 − y1 = y1 + ∆y .
Veja que
178 C E D E R J
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y
14 1 MÓDULO 1
B 5
A 2
AULA
−1 x
A = (−1, 2) em y = ax + b ⇒ 2 = −a + b
B = (0, 5) em y = ax + b ⇒ b = 5 .
2 = −a + b ⇒ a = 3 .
y = 3x + 5 .
b) Sabendo que numa função linear afim, toda vez que a va-
riável independente x sofre um acréscimo ∆x = 1, a variá-
vel dependente y sofre um acréscimo correspondente de
∆y = −2. Além disso, para x = 3, y = −1, encontre a
fórmula que expressa a função linear afim e represente o
gráfico correspondente.
Solução: Seja y = ax+b a função linear afim procurada. Como
para ∆x = 1 corresponde ∆y = −2, encontramos que
∆y −2
=a⇒ = a ⇒ a = −2 .
∆x 1
C E D E R J 179
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Métodos Determinı́sticos I | Gráficos de Funções: as Funções Linear e Quadrática
y = ax + b ⇒ y = −2x + b ⇒ −1 = −2(3) + b ⇒ b = 5 .
y = −2x + 5 e x = 0 ⇒ y = −2(0) + 5 ⇒ y = 5 .
3 5
−1 B x
A
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parábola é uma reta paralela ao eixo Oy. Observamos de pas-
14 1 MÓDULO 1
sagem que esse eixo de simetria contém o vértice da parábola.
Vamos destacar os elementos principais que ajudam a elaborar
gráficos de funções quadráticas.
1. É importante calcular, caso existam, as raı́zes da equação
ax2 + bx + c = 0 .
AULA
Pois, se x0 é uma raiz, então o ponto (x0 , 0) pertence à parábola
e representa no plano o ponto onde a parábola cruza o eixo Ox.
Note que no caso em que a parábola corta o eixo Ox, isto é,
quando a equação quadrática possui raı́zes x1 e x2 , então as co-
ordenadas do vértice podem ser expressas como
x1 + x2 ∆
V= ,− .
2 4a
a = 1, b = −1 e c = −2 ⇒ ∆ = b2 − 4ac = 9 .
Logo,
√ √
−b ± ∆ 1 ± 9 x1 = 2
x= = ⇒
2a 2 x2 = −1
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Métodos Determinı́sticos I | Gráficos de Funções: as Funções Linear e Quadrática
x1 + x2 2 − 1 1
xv = = = .
2 2 2
1
Para xv = , encontramos
2
2
2 1 1 9
y = x − x − 2 ⇒ yv = − − 2 ⇒ yv = − .
2 2 4
y
Eixo de simetria
1
2
−1 1 2 x
−1
−2 C
9
−
4 V
182 C E D E R J
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b) Construir, aproximadamente, o gráfico da função quadrática
14 1 MÓDULO 1
y = −x2 + 2x.
Solução: Em primeiro lugar, a equação −x2 + 2x = 0 pode ser
resolvida definindo suas raı́zes
2 x1 = 0
−x − 2x = 0 ⇒ −x(x − 2) = 0 ⇒
x2 = 2
AULA
Também
x1 + x2 0 + 2
xv = = =1
2 2
e
yv = −x2v + 2xv ⇒ yv = −12 + 2(1) ⇒ yv = 1 .
Então, o vértice V = (xv , yv ) está definido:
V = (1, 1) .
C 1 2 x
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Métodos Determinı́sticos I | Gráficos de Funções: as Funções Linear e Quadrática
a = 1, b = 2 e c = 2 ⇒ ∆ = b2 − 4ac = −4 < 0 .
−1 x
Exercı́cio 14.3
Construa, aproximadamente, os gráficos das equações quadráticas:
a) y = −x2 + x + 6
b) y = x2 − 3x + 3
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Aula 15
F UNÇ ÕES P OLINOMIAIS : D ETERMINAÇ ÃO DE G R ÁFICOS
POR SEUS P ONTOS E G R ÁFICOS DE R EGI ÕES DO P LANO
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Métodos Determinı́sticos I | Funções Polinomiais: Determinação de Gráficos por seus Pontos e Gráficos de Regiões do Plano
Definição 15.1
Dado um número natural n ≥ 1, uma função polinomial de
grau n é uma função expressa por uma equação do tipo
an xn + an−1 xn−1 + · · · + a2 x2 + a1 x1 + a0 = 0 , x ∈ R .
an cn + an−1 cn−1 + · · · + a2 c2 + a1 c1 + a0 = 0 .
y = (x − 1) · (x + 1) · (x − 2) ⇒ y = x3 − 2x2 − x + 2 .
186 C E D E R J
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Dada uma função polinomial, está colocado o problema de
15 1 MÓDULO 1
construir no plano, mesmo aproximadamente, o gráfico da fun-
ção. A técnica que permite a construção desses gráficos é a
mesma usada nos casos anteriores de funções lineares afins e
quadráticas. É preciso determinar um número suficiente de pon-
tos do gráfico que permitam a forma geral do gráfico. Esse é um
modo de construção artesanal. Hoje, com os computadores de
AULA
que disponho, existem ferramentas que permitem a construção
de qualquer gráfico de função polinomial num piscar de olhos e
mesmos funções mais complexas. A técnica do computador não
foge muito do princı́pio artesanal que temos usado. A diferença
é que o computador pode realizar milhões de operações por se-
gundo e localizar uma quantidade muito grande de pontos. De-
pois, é só unir esses pontos que estão suficientemente próximos.
Na verdade, quando olhamos para a tela do computador para
apreciar o gráfico de uma função, temos a impressão de con-
tinuidade (não existe espaço entre um ponto e outro do gráfico).
Mas isso é resultado da nossa limitada acuidade visual, uma vez
que o computador sempre trabalha com um número finito de
pontos.
Vamos tratar, apenas a tı́tulo de ilustração e com o intuito de
esquentar os tamborins, um caso simples de função polinomial
de grau 3.
Exemplo 15.1
A função y = x3 − 2x2 − x + 2 é uma função polinomial de
grau 3. Veja que, para essa função, a3 = 1, a2 = −2, a1 = −1 e
a0 = 2. Veja que os valores x = 1, x = −1 e x = 2 anulam o valor
da função. Isso pode ser visto simplesmente fazendo as contas e
verificando que
y = x3 − 2x2 − x + 2 = (x − 1) · (x + 1) · (x − 2) ,
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Métodos Determinı́sticos I | Funções Polinomiais: Determinação de Gráficos por seus Pontos e Gráficos de Regiões do Plano
x y
D 0 2
E -2 4
F 3 8 −1 1
G -3 4 2 x
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M ÉTODO DOS M ÍNIMOS Q UADRADOS
15 1 MÓDULO 1
Considere três pontos A = (0, −1), B = 21 , 0 e C = (2, 1) e
o problema de determinar a reta que mais se ajusta a esses pon-
tos. Ou, dito de outra maneira, queremos determinar a reta que
passa o mais perto possı́vel dos pontos, do ponto de vista global.
Na Figura 15.2, a seguir, são apresentadas quatro retas. Note
AULA
que as retas r, q e t como candidatas a solução do problema pos-
suem a vantagem comum de passar por dois dentre os pontos e
a desvantagem comum de deixar um terceiro ponto muito longe
da reta.
Por outro lado, a reta s não contém nenhum dos pontos, mas
resolve o problema, tratando os três pontos de modo uniforme e
portanto possui a melhor proximidade possı́vel em relação aos
pontos.
s q
y t
r
C
B
x
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Métodos Determinı́sticos I | Funções Polinomiais: Determinação de Gráficos por seus Pontos e Gráficos de Regiões do Plano
a=
∑ xy − nxy e b = y − ax .
∑ x2 − n x
2
Pontos xi yi xi yi x2i
A1 10 27 270 100
A2 20 20 400 400
A3 30 14 420 900
A4 40 7 280 1600
∑ 100 68 1370 3000
Também
10 + 20 + 30 + 40
x= = 25
4
27 + 20 + 14 + 7
y= = 17 .
4
Então:
∑ xy − nxy = 1370 − 4 × 25 × 17 = −330
∑ x2 − n
2
x = 3000 − 4 × 625 = 500 .
190 C E D E R J
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Logo,
15 1 MÓDULO 1
−330 33 67
a= = −0, 66 e b = y − ax = 17 + × 25 =
500 50 2
e então a reta procurada é y = −0, 66x + 33, 5 .
AULA
28 A1
21 A2
14 A3
7 A4
10 20 30 40
x = 0 e y = −x − 1 ⇒ y = −1
x = 1 e y = −x − 1 ⇒ y = −2
Logo, A = (0, −1) e B = (1, −2) são pontos que definem o gráfico.
Veja a Figura 15.4.
C E D E R J 191
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Métodos Determinı́sticos I | Funções Polinomiais: Determinação de Gráficos por seus Pontos e Gráficos de Regiões do Plano
1
1
−2 −1 x
−2 B
Note que o ponto (−2, 1) não pertence ao gráfico, uma vez que
o domı́nio D = (−2, 1] é aberto à esquerda. Por isso, esse ponto é
representado vazado no gráfico. No entanto, o ponto B = (1, −2) é
representado cheio, uma vez que esse ponto pertence ao domı́nio.
Exemplo 15.4
Representar graficamente o conjunto do plano definido por
y ≤ 2x − 1 e 0 ≤ x ≤ 2.
Solução: Note que a equação linear afim y = 2x − 1 é representada
por uma reta. A condição y ≤ 2x − 1 indica os pontos que ficam abaixo
da reta.
3 1111111111
0000000000
0000000000
1111111111
1111111111
0000000000
0000000000
1111111111
0000000000
1111111111
0000000000
1111111111
0000000000
1111111111
0000000000
1111111111
0000000000
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0000000000
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0000000000
1111111111
0000000000
1111111111
0000000000
1111111111
0000000000
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0000000000
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1111111111
0000000000
1111111111
0000000000
1111111111
2 x
0000000000
1111111111
−1 1111111111
0000000000
0000000000
1111111111
0000000000
1111111111
0000000000
1111111111
0000000000
1111111111
0000000000
1111111111
0000000000
1111111111
0000000000
1111111111
0000000000
1111111111
0000000000
1111111111
0000000000
1111111111
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Exercı́cio 15.1
15 1 MÓDULO 1
Representar graficamente os conjuntos do plano definido por:
a) y ≤ −x + 3 e −1 < x < 1;
b) −2 ≤ y ≤ −x + 3.
AULA
C E D E R J 193
i i
i i
Métodos Determinı́sticos I | Aplicações
194 C E D E R J
i i
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Aula 16
A PLICAÇ ÕES
Objetivos
Ao final desta aula, você deverá ser capaz de:
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Métodos Determinı́sticos I | Aplicações
196 C E D E R J
i i
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Portanto, em linhas gerais, uma oferta menor do feijão au-
16 1 MÓDULO 1
menta os preços e provoca uma retração na demanda. No en-
tanto, isto não significa, necessariamente, um consumo menor
de proteı́na. O consumidor, pressionado pelo preço alto, procura
outras fontes proteicas cujo preço está mais em conta. Por exem-
plo, nesta situação, pode ocorrer que o preço do frango seja mais
em conta na equação da economia doméstica. Assim, ideal-
AULA
mente, a população consome mais feijão na época de mais oferta,
substituindo o feijão por outros alimentos na época de menos
oferta.
D EMANDA DE M ERCADO
Considere uma utilidade qualquer U que pode ser um bem
ou um serviço. A demanda D dessa utilidade pode ser entendida
como a soma de todas as quantidades dessa mesma utilidade que
os consumidores estarão dispostos a adquirir a um preço P, num
determinado perı́odo de tempo, que pode ser um dia, um mês ou
um ano.
A função demanda é a função que a cada preço P associa
a demanda D correspondente. A representação gráfica dessa
função é referida como a curva de demanda ou curva de procura
dessa utilidade.
Veja que a demanda (ou procura) a que nos referimos cor-
responde ao conjunto de todos os compradores da utilidade e
não a um comprador individual. Portanto, a demanda de mer-
cado é obtida pelo somatório de todas as demandas de consumi-
dores individuais. Vamos dar um exemplo que pode esclarecer
esta situação, considerando primeiramente o caso simples de de-
manda individual para depois considerar o caso geral.
D EMANDA I NDIVIDUAL
C E D E R J 197
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Métodos Determinı́sticos I | Aplicações
D
10
1 2 3 4 5 P
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Examinando o gráfico, concluı́mos que a função que traduz
16 1 MÓDULO 1
a demanda D em função do preço P é dada pela equação:
D = −2P + 12 ,
AULA
nição da função é o conjunto dos números maiores que zero.
A construção da curva de demanda, representada pelo gráfico
da função demanda, permite prever o comportamento do con-
sumidor. Por exemplo, se a oferta da carne bovina for colocada
a R$ 2,40 o quilo ou a R$ 5,80 o quilo, então o chefe de famı́lia
estaria disposto a adquirir no máximo, respectivamente, 7,2 qui-
los ou 0,40 quilos (400 gramas). Veja as contas.
i i
i i
Métodos Determinı́sticos I | Aplicações
1
P = − D+6.
2
A representação gráfica com os eixos invertidos fica
então como mostrado na Figura 16.2.
P
5
4
3
2
1
2 4 6 8 10 D
200 C E D E R J
i i
i i
16 1 MÓDULO 1
AULA
Figura 16.3: Curva de demanda de D = 16 − P2.
Exemplo 16.2
Considere a função quadrática D = −2P2 + 9P + 18, em que
P representa o preço unitário de um certo produto, e D a de-
manda de mercado correspondente num certo perı́odo de tempo.
Vamos determinar a curva de demanda e analisar seus aspectos
principais.
Em primeiro lugar, vamos encontrar as raı́zes da equação
quadrática −2P2 + 9P + 18 = 0.
Temos que a = −2, b = 9 e c = 18. Portanto,
∆ = b2 − 4ac = 225 .
Então,
√ (
−b ± ∆ −9 ± 15 P1 = 6
P= ⇒ P= ⇒ 3 .
2a −4 P2 = −
2
C E D E R J 201
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Métodos Determinı́sticos I | Aplicações
225/8
18 Demanda
−3/2 9/4 6 P
Exemplo 16.3
Uma pesquisa de mercado procura estabelecer a curva de de-
manda para um certo bem de consumo B. Veja a Tabela 16.2 que
assinala os valores da demanda D do mercado correspondentes
aos preços de oferta P.
202 C E D E R J
i i
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Dado um conjunto de 4 pontos no plano A1 = (20, 320),
16 1 MÓDULO 1
A2 = (40, 250), A3 = (60, 150) e A4 = (80, 100), a reta que me-
lhor se aproxima desses pontos é definida por y = ax + b, onde,
a=
∑ xy − nxy e b = y − ax .
∑ x2 − n x
2
AULA
Nesta fórmula os sı́mbolos significam:
Pontos xi yi xi yi x2i
A1 20 320 6400 400
A2 40 250 10000 1600
A3 60 150 9000 3600
A4 80 100 8000 6400
∑ 200 820 33400 12000
Também
200
x= = 50
40
820
y= = 205
4
Então:
Logo,
−7600 −38 38
a= = = −3, 8 e b = y−ax = 205+ ×50 = 395
2000 10 10
C E D E R J 203
i i
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Métodos Determinı́sticos I | Aplicações
y = −3, 8x + 395 .
395
A1
A2
A3
A4
100
Exemplo 16.4
O diretor de um museu em Londres observou que, aos domin-
gos, quando o preço da entrada é R$ 4,00, em média, o número
de visitantes diários é 320 e quando o preço para a entrada de
domingo aumenta para R$ 6,00, em média, o número de visi-
tantes cai para 240. Supondo que a demanda D é uma função
linear afim do preço P, encontre a função e represente a curva
de demanda.
Solução: Como se trata de uma função linear afim, então, para deter-
minados números reais a e b temos que
D = aP + b .
Assim,
D = −40P + 480 ,
204 C E D E R J
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é a função procurada, e o gráfico pode ser observado na Figura 16.6 a
16 1 MÓDULO 1
seguir.
480
AULA
12 P
O FERTA DE M ERCADO
C E D E R J 205
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Métodos Determinı́sticos I | Aplicações
P = 20 e Q = −10 + P ⇒ Q = 10 ;
P = 40 e Q = −10 + P ⇒ Q = 30 .
Logo, (P, Q) = (20, 10) e (P, Q) = (40, 30) são pontos da curva
de oferta e determinam o gráfico da função oferta. Veja a Figura
16.7.
10 40 P
Exemplo 16.6
A função quadrática Q = 2P2 + 5P − 3, representa a oferta
de mercado Q de uma certa utilidade ao preço unitário P, em que
o preço máximo que os consumidores estão dispostos a pagar é
P = R$ 2,00.
Vamos construir a curva de oferta. Acompanhe pela Figura
16.8. Inicialmente, vamos resolver a equação 2P2 + 5P − 3 = 0.
Temos que
√
∆ = 52 − 4(2)(−3) = 49 ⇒ ∆ = 7 .
Logo
P1 = 1
−5 ± 7
P= ⇒ 2
4
P2 = −3.
206 C E D E R J
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Note que o vértice V = (Pv , Qv ) tem como abcissa Pv a média
16 1 MÓDULO 1
aritmética das raı́zes P1 e P2 . Ou seja,
1
P1 + P2 −3 + 2 5
Pv = = =− .
2 2 4
Continuando o cálculo do vértice, encontramos que
AULA
5 49
Pv = − e Q = 2P2 + 5P − 3 ⇒ Qv = − .
4 8
Portanto,
5 49
V = (Pv , Qv ) = − , −
4 8
é o vértice da parábola.
Com esses dados podemos construir a parábola que repre-
senta a curva de oferta. Acompanhe pela Figura 16.8.
Q
15
Oferta
−3 1/2 2 P
−49/8
C E D E R J 207
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Métodos Determinı́sticos I | Aplicações
Exemplo 16.7
Considere a demanda de mercado D = 225 − 2P e a oferta
Q = P − 21. Vamos determinar os gráficos das curvas de de-
manda e de oferta e os valores PE e QE , respectivamente, o preço
e a quantidade de equilı́brio.
Solução: Para determinar o preço de equilı́brio PE é suficiente encon-
trar o preço P para o qual D = Q, ou seja,
225 − 2P = P − 21 ⇒ 225 + 21 = P + 2P ⇒ PE = 82 .
Q = P − 21 e PE = 82 ⇒ QE = PE − 21 ⇒ QE = 61 .
Q D
225
183/2
Oferta
DE = QE
21 PE 225/2 P
Exercı́cio 16.1
Considere a demanda de mercado D = 136 − 2P e a oferta
Q = 10P − 80. Faça os gráficos das curvas de demanda e de
oferta e determine PE e QE , respectivamente, o preço e a quan-
tidade de equilı́brio.
208 C E D E R J
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Exemplo 16.8
16 1 MÓDULO 1
Considere a demanda de mercado D = 600 − 2P e a oferta
Q = P2 − 52P. Vamos determinar os gráficos das curvas de de-
manda e de oferta e os valores PE e QE , respectivamente, o preço
e a quantidade de equilı́brio.
Solução: Para determinar o preço de equilı́brio PE é suficiente encon-
AULA
trar o preço P para o qual D = Q, ou seja,
PE = 60 .
Q D
600
Oferta
DE = QE
Demanda
26
−676 52 PE 300 P
C E D E R J 209
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Métodos Determinı́sticos I | Aplicações
Exercı́cio 16.2
Considere a demanda de mercado D = P2 − 18P + 10 e a
oferta Q = 12P − 72. Faça os gráficos das curvas de demanda
e de oferta e determine PE e QE , respectivamente, o preço e a
quantidade de equilı́brio.
210 C E D E R J
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Respostas
Aula 1
Exercı́cio 1.1
a) F b) V c) F
d) V e) V
Exercı́cio 1.2
Resposta: item c)
1.2. B × (B − A) = (4, 4), (4, 5), (5, 4), (5, 5)
A × (A − B) = (1, 1), (1, 2), (1, 3), (2, 1), (2, 2), (2, 3), (3, 1), (3, 2), (3, 3)
1.3. a) (A ∪C) − B
A111111111
000000000 B
111111111
000000000
000000000
111111111
000000000
111111111
000000000
111111111
000000000
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000000000
111111111
000000000
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000000000
111111111
000000000
111111111
000000000
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000000000
111111111
000000000
111111111
000000000
111111111
000000000
111111111
000000000
111111111
000000000
111111111
000000000
111111111 C
C E D E R J 211
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Métodos Determinı́sticos I | Respostas
b) (B ∩C) − A
A B
Aula 2
Exercı́cio 2.1
−10 −6 −2 3 9
Exercı́cio 2.2
a) −1 b) −7 c) Não
Exercı́cio 2.3
F V V
Exercı́cio 2.4
14 10 25
a) b) − c) −
15 21 21
212 C E D E R J
i i
i i
Exercı́cio 2.5
-3 1 73
... 2 2 4
-2 -1 0 1 18 19
73 1 −3 1
= 18 + , = −2 +
4 4 2 2
Exercı́cio 2.6
3 1 −12 3 19 1
a) = , = −3 + e = −4 +
6 2 5 5 −5 5
− 19
5
3 9
6
− 12
5
13
-4 -3 -2 -1 0 1 R
19 −12 3 9
b) < < <
−5 5 6 13
4 13 1 13
c) Basta mostrar que < ⇔ < ⇔ 64 < 65
20 64 5 64
2.2. 33
Aula 3
Exercı́cio 3.1
• Proposição
• Proposição
• Proposição
• Não é proposição
C E D E R J 213
i i
i i
Métodos Determinı́sticos I | Respostas
• Proposição
• Proposição
• Proposição
• Proposição
• Proposição
• Não é proposição
• Proposição
• Não é proposição
• Proposição
• Não é proposição
• Proposição
• Não é proposição
Exercı́cio 3.2
214 C E D E R J
i i
i i
Exercı́cio 3.3
Aula 4
Exercı́cio 4.1
a) p ∨ ∼ q
p q ∼q p∨ ∼ q
V V F V
V F V V
F V F F
F F V V
C E D E R J 215
i i
i i
Métodos Determinı́sticos I | Respostas
b) (∼ p) ∨ (∼ q)
p q ∼p ∼q (∼ p) ∨ (∼ q)
V V F F F
V F F V V
F V V F V
F F V V V
c) (∼ p) ∧ (∼ q)
p q ∼p ∼q (∼ p) ∧ (∼ q)
V V F F F
V F F V F
F V V F F
F F V V V
d) ∼ (∼ p ∧ q)
p q ∼p ∼p∧q ∼ (∼ p ∧ q)
V V F F V
V F F F V
F V V V F
F F V F V
e) (p ∨ ∼ q) ∧ ∼ p
p q ∼p ∼q p∨ ∼ q (p ∨ ∼ q) ∧ (∼ p)
V V F F V F
V F F V V F
F V V F F F
F F V V V V
216 C E D E R J
i i
i i
f) p ∧ (q ∨ ∼ q)
p q ∼q (q ∨ ∼ q) p ∧ (q ∨ ∼ q)
V V F V V
V F V V V
F V F V F
F F V V F
g) (p ∧ ∼ q) ∨ r
p q r ∼q p∧ ∼ q (p ∧ ∼ q) ∨ r
V V V F F V
V V F F F F
V F V V V V
V F F V V V
F V V F F V
F V F F F F
F F V V F V
F F F V F F
h) (∼ p ∨ q) ∨ ∼ r
p q r ∼p ∼p∨q ∼r (∼ p ∨ q) ∧ ∼ r
V V V F V F F
V V F F V V V
V F V F F F F
V F F F F V F
F V V V V F F
F V F V V V V
F F V V V F F
F F F V V V V
Exercı́cio 4.2
p q r q∧r p∨q p∨r p ∨ (q ∧ r) (p ∨ q) ∧ (p ∨ r)
V V V V V V V V
V V F F V V V V
V F V F V V V V
V F F F V V V V
F V V V V V V V
F V F F V F F F
F F V F F V F F
F F F F F F F F
C E D E R J 217
i i
i i
Métodos Determinı́sticos I | Respostas
Exercı́cio 4.3
p ∧ (p ∨ q) ≡ p
p q p∨q p ∧ (p ∨ q) p
V V V V V
V F V V V
F V V F F
F F F F F
Exercı́cio 4.4
a) ∼ (p∧ ∼ p)
p ∼p p∧ ∼ p ∼ (p ∧ ∼ p)
V F F V
F V F V
b) ((p ⇒ q) ∧ p) ⇒ q
p q p⇒q (p ⇒ q) ∧ p ((p ⇒ q) ∧ p) ⇒ q
V V V V V
V F F F V
F V V F V
F F V F V
c) p ⇒ (p ∨ q)
p q p∨q p⇒ p∨q
V V V V
V F V V
F V V V
F F F V
218 C E D E R J
i i
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d) ∼ (p ∨ q) ⇔∼ p ∧ ∼ q
p q p∨q ∼ (p ∨ q) ∼p ∼q ∼ p∧ ∼ q ∼ (p ∨ q) ⇔∼ p ∧ ∼ q
V V V F F F F V
V F V F F V F V
F V V F V F F V
F F F V V V V V
Aula 5
Exercı́cio 5.1
Exercı́cio 5.2
C E D E R J 219
i i
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Métodos Determinı́sticos I | Respostas
p q r ∼q ∼r a b a∧b (a ∧ b) ∧ c a∧b∧c⇒q
V V V F F V V V F V
V V F F V F V F F V
V F V V F V V V F V
V F F V V F V F F V
F V V F F V V V F V
F V F F V V V V V V
F F V V F V F F F V
F F F V V V F F F V
O argumento é válido.
Exercı́cio 5.3
p q ∼p a a ∧ (∼ p) a ∧ (∼ p) ⇒∼ q
V V F V F V
V F F F F V
F V V V V F
F F V V V V
Exercı́cio 5.4
220 C E D E R J
i i
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Verificar: (((p ∧ ∼ q) ⇒∼ r) ∧ (p ∧ q)) ⇒ r
| {z } | {z }
a b
p q r ∼q p∧ ∼ q ∼r a b a∧b a∧b⇒r
V V V F F F V V V V
V V F F F V V V V F
V F V V V F F F F V
V F F V V V V F F V
F V V F F F V F F V
F V F F F V V F F V
F F V V F F V F F V
F F F V F V V F F V
Exercı́cio 5.5
C E D E R J 221
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Métodos Determinı́sticos I | Respostas
p q r s ∼s a b c a∧b a∧b∧c ∼r a ∧ b ∧ c ⇒∼ r
V V V V F V V F V F F V
V V V F V V F V F F F V
V V F V F V V F V F V V
V V F F V V V V V V V V
V F V V F F V F F F F V
V F V F V F F F F F F V
V F F V F F V F F F V V
V F F F V F V F F F V V
F V V V F V V F V F F V
F V V F V V F V F F F V
F V F V F V V F V F V V
F V F F V V V V V V V V
F F V V F V V F V F F V
F F V F V V F F F F F V
F F F V F V V F V F V V
F F F F V V V F V F V V
O argumento é válido.
Exercı́cio 5.6
p = Maria vem
q = Joana vem
r Carla vem
premissas: conclusão:
p⇒q p⇒q
∼ r ⇒∼ q
Verificar: ((p ⇒ q) ∧ (∼ r ⇒∼ q) ⇒ (p ⇒ r)
| {z } | {z } | {z }
a b c
p q r (p ⇒ q) ∼r ∼q ∼ r ⇒∼ q a∧b p⇒r a ∧b ⇒ c
V V V V F F V V V V
V V F V V F F F F V
V F V F F V V F V V
V F F F V V V F F V
F V V V F F V V V V
F V F V V F F F V V
F F V V F V V V V V
F F F V V V V V V V
222 C E D E R J
i i
i i
O argumento é válido.
Exercı́cio 5.7
Aula 6
Exercı́cio 6.1
334 1
a) 0, 334 = > , uma vez que 3 × 334 > 1000
1000 3
1 334 1 1002 − 1000 2 1
b) 0, 334 − = − = = <
3 1000 3 3000 3000 1000
c) Basta examinar o resultado em b).
C E D E R J 223
i i
i i
Métodos Determinı́sticos I | Respostas
Exercı́cio 6.2
−187 8
a) = −15 + ⇒ q = −15
13 13
Exercı́cio 6.3
A resposta é 24,8%.
Exercı́cio 6.4
Exercı́cio 6.5
Exercı́cio 6.6
224 C E D E R J
i i
i i
Exercı́cio 6.7
Exercı́cio 6.8
a = 1, 3b ; b = 0, 8c ⇒ a = 1, 3 × 0, 8c ⇔ a = 1, 04c .
Portanto,
28, 4
c= ⇒ c = R$ 10, 00 .
2, 84
Exercı́cio 6.9
Exercı́cio 6.10
C E D E R J 225
i i
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Métodos Determinı́sticos I | Respostas
Aula 7
Exercı́cio 7.1
Exercı́cio 7.2
a) 310 b) 22 c) 34 d) 612
Exercı́cio 7.3
√ −4 √ 4 √ √ √ √
√ √ 2 3 3· 3· 3· 3
a) ( 2÷ 3)−4 = √ = √ =√ √ √ √ =
3 2 2· 2· 2· 2
9
4
−3
√ −2 −3 1 2 −3 1
b) ( 2) = √ = = 23 = 8
226 C E D E R J 2 2
i i
i i
√ √ √
( 2 − 5)2 = ( 2)2 √
+ 2 · 2 · (−5) + (−5)
√ =
2
c)
= 2 − 10 2 + 25 = 27 − 10 2
Exercı́cio 7.4
√ √
3
p √
a) −250 = −2 · 53 = 3 2 · (−5)3 = −5 3 2
3
√ √4
√
b) 4 48 = 24 × 3 = 2 4 3
√ √
5
p √
5 √
c) 5 −512 = −29 = 5 (−2)5 · 24 = −2 24 = −2 5 16
Exercı́cio 7.5
1 1 1 1 3 √
a) (−500) 3 = (−4·53 ) 3 = [4·(−5)3] 3 = 4 3 ·(−5) 3 = −5 3 4
1
−1 −1 −1 1 1
b) (−32) = (−25 ) = [(−2)5 ] = (−2)−1 =
5 5 5
=−
−2 2
Exercı́cio 7.6
a) 26 b) -37 c) 7 d) -32 e) 0
i i
i i
Métodos Determinı́sticos I | Respostas
2
7.3. a) 53x−2 = 50 ⇒ 3x − 2 = 0 ⇒ x =
3
b) x = −9
c) x = 0 ou x = 1
7.4. d
7.5. Verificação.
√ √ √
= 3+ 3−3 3 = 3−2 3,
p √
épum número negativo (use o item a) ). Como 3 + 3+
√ p √ p √
3 3 é positivo, então 3 + 3 − 3 3 é nega-
tivo.
Aula 8
Exercı́cio 8.1
228 C E D E R J
i i
i i
Exercı́cio 8.2
√ √
a) Se x ∈ (−1, 2) ⇒ −1 < x < 2. Em particular, x < 3.
Logo, x ∈ (−∞, 3). Isto prova a).
√ √ √
b) Se x ∈ (− 3, 10),√ então − 3 < x <√10. Se x ∈ [0, 10 2),
então 0 ≤ x < 10 2. Como 10 < 10 2, um número real x,
para estar simultaneamente em ambos os conjuntos, deve
satisfazer 0 ≤ x < 10.
Exercı́cio 8.3
a) Encontramos que
1 1 7
2x < −7 ⇒ · 2x < · (−7) ⇒ x < − .
2 2 2
Logo, todos os números reais menores que −7/2 são soluções.
Deste modo, o conjunto solução S é dado por S = − ∞, − 72 .
b) Encontramos que
5
−13x < −5 ⇔ 13x > 5 ⇔ x > .
13
13 , ∞
5
Logo, S = é o conjunto solução.
−13 −18
Sendo −221 < −216, então < .
12 17
Do mesmo modo, aproveitando as contas já feitas, vem
18 13
que, 216 < 221 e, então, < . Logo,
17 12
−13 −18 18 13
< < < .
12 17 17 12
C E D E R J 229
i i
i i
Métodos Determinı́sticos I | Respostas
230 C E D E R J
i i
i i
c) A região da reta é:
IR
0 1 2 3
−√2
8.6. a) [−2, 0), b) (−1, 1), c) (−∞, 1], d) 2 ,∞
√ √ √ √
8.7. a) 2 √x − 1 < 2 2x − 1 ⇒ x − 2 < 2x −
√ 2
2 ⇒ −x < 0 ⇒ x > 0.
Conjunto solução: S = {x ∈ R; x > 0} = (0, ∞).
b) Em primeiro lugar, é obrigatório x 6= 0. Temos que
1 1−x
−1 > 0 ⇔ > 0.
x x
C E D E R J 231
i i
i i
Métodos Determinı́sticos I | Respostas
232 C E D E R J
i i
i i
Aula 9
Exercı́cio 9.1
Note que
a+b b−a a+b b−a
c−a = −a = =r e b−c = b− = =r
2 2 2 2
Exercı́cio 9.2
√
1 36 √ 36 − 25 2
r= − 2 =
2 25 50
C E D E R J 233
i i
i i
Métodos Determinı́sticos I | Respostas
1 9 1 11
9.5. a) x + = 2 ⇒ x = ou − x + =2⇒x=−
5 5 5 5
b) x − 3 = −1 ⇒ x = 2 ou −(x − 3) = −1 ⇒ x = 4
c) x + 6 < 3 ⇒ x < −3 ou −(x + 6) < 3 ⇒ x > −9.
Logo, x ∈ (−9, −3).
Aula 10
Exercı́cio 10.1
3 B
C
D
-3 -1 5
-2 A
b) 1- F, 2- F, 3- F, 4- V, 5- V
c) H+ ∩ H− = {(x, y) ∈ R2 ; y = 0} é o eixo x.
Exercı́cio 10.2
a) Observe que:
y
Q2 Q1
x
Q3 Q4
234 C E D E R J
i i
i i
b) (i)
y
Q2
x
Q3
ii)
y
x
Q3 Q4
Q1
x
Q4
C E D E R J 235
i i
i i
Métodos Determinı́sticos I | Respostas
10.6. a = 3, D = (3, 2)
F
1
Aula 11
Exercı́cio 11.1
236 C E D E R J
i i
i i
Exercı́cio 11.2
Exercı́cio 11.3
Temos que
(x + 2)2 + (y − 1)2 = 22 ⇒ x2 + y2 + 4x − 2y + 1 = 0 .
3 7
11.1. (a) x = 1; (b) x = ; (c) x ≥ ; (d) x = −1
2 2
√
11.2. (a) 3 2; (b) B = (2, 0), (c) D = (−1, −3)
2
11.3. P = 0,
3
11.4. x2 + y2 + 4x + 6y + 9 = 0
√ √
11.6. a) C = (0, 2) e r = 4 b) A = 2 3 , 0 e B = −2 3 , 0
C E D E R J 237
i i
i i
Métodos Determinı́sticos I | Respostas
Aula 12
Exercı́cio 12.1
a) x = 49
b) −13
c) x = 19
2
d)
3
Exercı́cio 12.2
x = −3 e y = 0
Exercı́cio 12.3
x = 3 e y = −1
Exercı́cio 12.4
√ √
a) x1 = 3 e x2 = − 3
b) x = 0
8
c) x1 = 0 e x2 = −
3
√ √
d) x1 = 15 e x2 = − 15
e) x1 = 1 e x2 = −9
f) x1 = −1 e x2 = −2
Exercı́cio 12.5
√ √
3 10 3 10
− <x<
10 10
238 C E D E R J
i i
i i
Exercı́cio 12.6
Exercı́cio 12.7
a) x = 1 e y = −2
b) x = 12 e y = 8
c) x = 2 e y = 1 ou x = 1 e y = 2
d) x = 4 e y = 3 ou x = −4 e y = −3
Exercı́cio 12.8
4
a) x = 9 c) x = −
5
5
b) x1 = 5 e x2 = − d) x1 = −1 e x2 = −2
2
Aula 13
Exercı́cio 13.1
√ √
a) D( f ) = 0, 6 ∪ 6, ∞
b) D(g) = R
C E D E R J 239
i i
i i
Métodos Determinı́sticos I | Respostas
Aula 14
Exercı́cio 14.1
Exercı́cio 14.2
Exercı́cio 14.3
240 C E D E R J
i i
i i
1 25 1 25
V = − ,− = , , o vértice é o ponto de
−2 −4 2 4
máximo, as raı́zes:
−1 ± 5
x= ⇔ x1 = −2, x2 = 3
−2
x y
−2 0
−1 4
0 6
1 25
2 4
1 6
3 0
C E D E R J 241
i i
i i
Métodos Determinı́sticos I | Respostas
Aula 15
Exercı́cio 15.1
a) y ≤ −x + 3 e −1 < x < 1
4
x y 3
−1 1 2
0 3
1 2 −1 1
b) −2 ≤ y ≤ −x + 3
3
x y
−1 4
0 3
1 2
−2
242 C E D E R J
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Aula 16
Exercı́cio 16.1
Exercı́cio 16.2
C E D E R J 243
i i
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