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Prezado aluno:

Trago as boas-vindas para você que inicia o estudo de Mé-


todos Determinı́sticos e os votos de uma feliz e produtiva cami-
nhada.
Esta disciplina tem a finalidade de colocar a Matemática
como uma ferramenta de apoio ao curso de Administração.
Neste módulo, o foco principal é uma revisão de conteúdos
básicos que fazem parte do currı́culo do Ensino Médio, mas que
aqui são introduzidos numa linguagem adequada aos propósitos
da disciplina.
Revelo duas estratégias, entre as principais, que norteiam a
proposta da disciplina: a visualização geométrica e a busca de
motivação em exemplos práticos.
A visualização geométrica é muito importante para a fixação
de conceitos e, além do fato de incorporar a visão intuitiva do
espaço, muito auxilia no aprendizado das técnicas do cálculo
e na resolução de problemas. Por outro lado, a motivação em
exemplos práticos, dentro do universo de interesse do curso de
Administração, também é relevante para a contextualização da
disciplina.
Desejo a você um bom estudo e uma feliz caminhada nesta
disciplina e no curso que se inicia.

Celso Costa

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Métodos Determinı́sticos I | Conjuntos

8 CEDERJ

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Aula 1
C ONJUNTOS

Objetivos
Ao final desta aula, você deverá ser capaz de:

1 entender o conceito de conjunto;


2 realizar operações com conjuntos.

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Métodos Determinı́sticos I | Conjuntos

Definição 1.1
Conjunto é um conceito fundamental que está na base de
construção da Matemática. Como se trata de um conceito
primitivo, conjunto é uma noção que não pode ser definida a
partir de outros conceitos da Matemática. Conjunto expressa
a idéia intuitiva de reunião de elementos (pessoas, objetos,
números, etc.) que podem ser agrupados por possuı́rem ca-
racterı́sticas comuns. São exemplos de conjuntos: o conjunto
de todas as letras do alfabeto ou o conjunto de todas as mu-
lheres brasileiras.

Para representar conjuntos, usamos as letras maiúsculas A,


B, C, · · · e para representar elementos do conjunto, usamos letras
minúsculas a, b, c, · · · . Existem várias maneiras de representar
um conjunto, sendo a mais usual escrever os elementos um a um,
separados por vı́rgulas, ou representar entre chaves um elemento
genérico do conjunto através de suas propriedades. Veja alguns
exemplos.
 
Exemplo 1.1 

O conjunto A das letras de todas as vogais do alfabeto pode
ser representado como

A = {a, e, i, o, u} ou A = {x | x é vogal do alfabeto português} .

Vamos aproveitar este exemplo para estabelecer a relação en-


tre um elemento e o conjunto que é a relação de pertinência, a
qual é representada pelos sı́mbolos ∈ e 6∈. Assim, para represen-
tar que u está no conjunto A e que um elemento d não está no
conjunto A, escrevemos:

u ∈ A “u pertence a A” e d 6∈ A “d não pertence a A” .

No estudo de conjuntos, é imprescindı́vel introduzir o con-


ceito de conjunto vazio. Denomina-se conjunto vazio aquele
que não possui nenhum elemento. Para representá-lo, usamos o
sı́mbolo 0.
/ Assim, por exemplo, se

B = {x | x é um dia da semana cuja primeira letra é f} então B = 0/ .

10 C E D E R J

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S UBCONJUNTOS

1 1 MÓDULO 1
Considere dois conjuntos A e B. Se todo elemento do con-
junto B também for um elemento do conjunto A, diremos que B
é um subconjunto do conjunto A. Por outro lado, se existir um
único elemento do conjunto B que não pertence ao conjunto A,
então B não é subconjunto de A. Veja através de um exemplo.

AULA
 
Exemplo 1.2 

Sejam os conjuntos,

A = {a, b, c, d, e, f };
B = {a, e};
C = {a, e, i}.

Então B é um subconjunto de A, uma vez que todo elemento de


B é também um elemento do conjunto A. No entanto, C não é
um subconjunto de A, já que o elemento i pertence ao conjunto
C, mas não pertence ao conjunto A.
Para representar a relação de inclusão entre conjuntos, us-
amos os sı́mbolos ⊂ e 6⊂. Em relação ao exemplo anterior, es-
crevemos que B ⊂ A “B está contido em A”e C 6⊂ A “C não está
contido em A.”

Exercı́cio 1.1
Dado o conjunto A = {x, y, z}, associar V (verdadeira) ou F
(falsa) a cada uma das sentenças a seguir:

a) y 6∈ A b) A = {y, z, x} c) {x} ∈ {x, y, z}

d) x ∈ A e) {y, x} ⊂ A

C E D E R J 11

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Métodos Determinı́sticos I | Conjuntos

U NI ÃO , INTERSEÇÃO E PRODUTO CARTE -


SIANO DE CONJUNTOS

Dados dois conjuntos A e B, podemos formar quatro novos


conjuntos:

i) O conjunto união de A e B é o conjunto formado por


todos os elementos de A ou de B. Usamos o sı́mbolo ∪
para representar o novo conjunto união e escrevemos

A ∪ B = {x | x ∈ A ou x ∈ B} .

Veja, na Figura 1.1, a representação gráfica da união de


dois conjuntos.

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0000000000000
A 000000000000
111111111111
0000000000000
1111111111111
B
000000000000
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000000000000
111111111111
Figura 1.1: União de conjuntos.

ii) O conjunto interseção de A e B é o conjunto formado


por todos os elementos que pertencem a ambos os conjun-
tos A e B. Usamos o sı́mbolo ∩ para representar o novo
conjunto interseção e escrevemos

A ∩ B = {x | x ∈ A e x ∈ B} .

Veja, na Figura 1.2, a representação gráfica da interseção


de dois conjuntos.

A B

Figura 1.2: Interseção de conjuntos.

12 C E D E R J

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iii) O conjunto produto cartesiano do conjunto A pelo con-

1 1 MÓDULO 1
junto B, o qual é representado por A × B, é o conjunto

A × B = {(x, y) | x ∈ A e y ∈ B} .

iv) O conjunto diferença entre os conjuntos A e B é for-


mado pelos elementos que pertencem a A e não pertencem

AULA
a B. Usamos a notação A − B para o conjunto diferença.
Portanto,
A − B = {x | x ∈ A e x 6∈ B}
Veja, na Figura 1.3, a representação gráfica da diferença
A − B, entre os conjuntos A e B.

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0000000000000
A B
0000000000000
1111111111111
0000000000000
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0000000000000
1111111111111
Figura 1.3: Diferença A − B entre conjuntos.

 
Exemplo 1.3 

Sejam os conjuntos,

A = {a, b, c, d, e} ,
B = {a, e, i} ;
C = { f , g} .

Então,

A ∪ B = {a, b, c, d, e, i} ;
A ∩ B = {a, e} ;
A − B = {b, c, d} ;
B ×C = {(a, f ), (a, g), (e, f ), (e, g), (i, f ), (i, g)} .

C E D E R J 13

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Métodos Determinı́sticos I | Conjuntos

 Quando estamos estudando conjuntos, podemos nos referir


ao conjunto universo representado pela letra U . Numa si-
tuação especificada, U é o conjunto que contém como sub-
conjuntos os conjuntos estudados. Para um certo conjunto
A, escrevemos A ⊂ U , isto é, o conjunto A está contido no
conjunto universo U .
Nesta situação, denominamos conjunto complementar do
conjunto A ao conjunto formado pelos elementos do con-
junto universo U que não pertencem a A. Então, na ver-
dade, este conjunto é representado pela diferença U − A.
Também é útil a notação Ac para representar o conjunto
complementar de A. Assim,

Ac = {x | x ∈ U e x 6∈ A} .

Veja, na Figura 1.4, a representação de Ac .

11111111111111111111
00000000000000000000
00000000000000000000
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00000000000000000000
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U
00000000000000000000
11111111111111111111
00000000000000000000
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00000000000000000000
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A
00000000000000000000
11111111111111111111
00000000000000000000
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00000000000000000000
11111111111111111111
00000000000000000000
11111111111111111111
Figura 1.4: Conjunto complementar de A.

Exercı́cio 1.2
No diagrama representado na Figura 1.5, assinale, entre as
alternativas a seguir, aquela que representa a parte hachurada.

a) (A ∪C) − B b) (B ∩C) − A c) (A ∩ B) −C

d) (A ∩C) ∪ B e) A − (B −C)

14 C E D E R J

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1 1 MÓDULO 1
A B

AULA
Figura 1.5: Operação entre conjuntos.

N ÚMERO DE ELEMENTOS DE UM CON -


JUNTO

Um conjunto é dito finito quando possui um número finito n


de elementos. Em caso contrário, o conjunto é chamado infinito.
Dados os conjuntos finitos A e B, representamos por

n(A) o número de elementos de A;

n(B) o número de elementos de B;

n(A ∪ B) o número de elementos da união A ∪ B;

n(A ∩ B) o número de elementos da interseção A ∩ B.

Não é difı́cil verificar que a fórmula

n(A ∪ B) = n(A) + n(B) − n(A ∩ B) (1.1)


fornece o número de elementos do conjunto união em função
do número de elementos dos conjuntos A e B e do número de
elementos da interseção A ∩ B. Verifique como isto acontece.
Em primeiro lugar, contamos o conjunto A, obtendo n(A),
contamos o conjunto B, obtendo n(B). Agora vai uma pergunta:
em que circunstância é correto escrever:
n(A ∪ B) = n(A) + n(B)?
A igualdade acima só vale no caso em que A ∩ B = 0, / isto é,
quando a interseção dos conjuntos A e B é o conjunto vazio.
No caso geral, quando A ∩ B 6= 0,
/ para encontrar o valor n(A ∪
B), devemos retirar da soma n(A) + n(B) o valor n(A ∩ B), para

C E D E R J 15

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Métodos Determinı́sticos I | Conjuntos

não contar duas vezes a contribuição de A ∩ B no valor n(A ∪


B). Com esta providência, podemos comprovar a validade da
fórmula (1.1).
 
Exemplo 1.4 

Considere os conjuntos A = {a, b, c, d, e}, B = {a, e, i}. Va-
mos verificar a validade da fórmula (1.1), para este caso particu-
lar. Acompanhe pela Figura 1.6. Note que n(A) = 5, n(B) = 3,
n(A ∪B) = 6 e n(A ∩B) = 2. Esses dados levados à fórmula (1.1)
confirmam a igualdade.

A B
b
c a
i
e
d

Figura 1.6: Número de elementos do conjunto união.

Mudando levemente de rumo, vamos encontrar agora a fór-


mula que permite calcular n(A × B) que representa o número de
elementos do produto cartesiano A × B. Não é difı́cil provar que
n(A × B) = n(A) · n(B).
Acompanhe como verificar a validade da fórmula para con-
juntos A e B, respectivamente, com 4 e 5 elementos. Represen-
tando os conjuntos explicitamente, temos que
A = {a1 , a2 , a3 , a4} e B = {b1 , b2 , b3, b4 , b5 },
então o conjunto A × B pode ser lido na tabela que aparece na
Figura 1.7, a seguir, onde na primeira linha aparecem todos os
pares do tipo (a1 , b j ), j variando de 1 até 5; na segunda linha
aparecem todos os pares do tipo (a2 , b j ), j variando de 1 até 5
e, assim, sucessivamente, até a última linha. A tabela mostra
todos os pares (ai , b j ), os quais representam todos os elementos
de A × B.

16 C E D E R J

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(a1 , b1 ) (a1 , b2 ) (a1 , b3 ) (a1 , b4 ) (a1 , b5 )

1 1 MÓDULO 1
(a2 , b1 ) (a2 , b2 ) (a2 , b3 ) (a2 , b4 ) (a2 , b5 )
(a3 , b1 ) (a3 , b2 ) (a3 , b3 ) (a3 , b4 ) (a4 , b5 )
(a4 , b1 ) (a4 , b2 ) (a1 , b3 ) (a1 , b4 ) (a1 , b5 )
Figura 1.7: Representação dos elementos de A × B.

AULA
A representação de A × B através de uma matriz retangular
permite o cálculo do número de elementos, simplesmente mul-
tiplicando o número de linhas pelo número de colunas. Veja que
no caso particular representado na Figura 1.7,

n(A × B) = n(A) · n(B) = 4 × 5 = 20

.
De modo geral, como o número de linhas é n(A) e o número
de colunas é n(B), então vale

n(A × B) = n(A) · n(B) .

 i. o sı́mbolo ∈ é usado para relacionar um elemento


e seu conjunto, enquanto o sı́mbolo ⊂ é usado para
relacionar dois conjuntos;
ii. o conjunto vazio é um subconjunto de qualquer con-
junto. Ou seja, 0/ ⊂ A, qualquer que seja o conjunto
A;
iii. todo conjunto é um subconjunto de si próprio. Ou
seja, A ⊂ A, qualquer que seja o conjunto A;
iv. se três conjuntos A, B e C são tais que A ⊂ B e B ⊂ C
então A ⊂ C.

Exercı́cio 1.3

 
1. Considere os conjuntos A = −1, 1, 23 , 13
3 e B = 0, 1, 32 , 4 .
Determine os conjuntos A − B e A × (A − B).

2. Considere os conjuntos A = {1, 2, 3} e B = {4, 5}. Deter-


mine os conjuntos B × (B − A) e A × (A − B).

C E D E R J 17

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Métodos Determinı́sticos I | Conjuntos

3. Nos exercı́cios seguintes, assinale nos diagramas que apare-


cem na Figura 1.8, os conjuntos indicados:

a) (A ∪C) − B

A B

Figura 1.8.a.

b) (B ∩C) − A

A B

Figura 1.8.b.

18 C E D E R J

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Aula 2
O S C ONJUNTOS DOS N ÚMEROS NATURAIS ,
I NTEIROS E R ACIONAIS

Objetivos
Ao final desta aula, você deverá ser capaz de:

1 rever propriedades básicas dos números naturais


e inteiros;
2 compreender a representação dos números in-
teiros sobre uma reta;
3 recordar a representação dos números racionais
na reta numérica;
4 trabalhar com propriedades operatórias do con-
junto dos números racionais.

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Métodos Determinı́sticos I | Os Conjuntos dos Números Naturais, Inteiros e Racionais

N ÚMEROS N ATURAIS
Vivemos e nos orientamos em um mundo de números. Temos
horários para ir e voltar do trabalho, nosso endereço tem um
número de CEP, nossa identidade e nosso CPF são números.
Acrescente-se ainda os números de emergência: polı́cia, bom-
beiros, hospitais. Seria exaustivo lembrar tantos números. Eles
acompanham a evolução do ser humano primitivo e hoje, com o
uso dos computadores, são ferramentas fundamentais na revolu-
ção que presenciamos na organização de nossa sociedade.
Os números estão de tal modo presentes em nossas vidas que
os usamos de modo automático, sem lembrar que são criações
abstratas da mente humana.
A mais antiga idéia de número surge da necessidade de con-
tar. No princı́pio da aventura humana, o antigo pastor, ao com-
parar seu conjunto de ovelhas ao correspondente conjunto de
pedrinhas, identificava uma caracterı́stica comum aos conjun-
tos. Essa caracterı́stica quantitativa evolui posteriormente para
a idéia abstrata de número e a expressão dessa idéia por meio
de sı́mbolos. Veja, por exemplo, o número 5; pare um pouco e
pense na imensa abstração por trás desse sı́mbolo.
Os livros didáticos
citam, com O conjunto dos números naturais, representado pela letra N,
freqüência, a
história do
é o conjunto N = {1, 2, 3, 4, 5, . . .}.
ancestral pastor
Notamos que é indiferente incluı́rmos ou não o número 0
que a cada ovelha
de seu rebanho (zero) no conjunto N. Historicamente, a idéia abstrata de um nú-
fazia corresponder mero zero surge mais tarde, associado à ausência de objetos para
uma pedrinha em contar.
seu bolso. Com
este procedimento É importante que você pare um pouco e reflita sobre o sig-
simples, o pastor nificado dos três pontinhos que aparecem na definição do con-
“contava” e
junto dos números naturais N. Os pontinhos expressam que N
controlava seu
rebanho, evitando o é um conjunto infinito e que conhecemos de antemão como escr-
desaparecimento ever indefinidamente um após outro os elementos de N.
ou comemorando o A consideração e compreensão do infinito é um grande salto de
nascimento de um abstração, possı́vel na mente humana!
novo animal.
Quais são as propriedades fundamentais do conjunto N de
números naturais? São as propriedades conhecidas como Axio-
mas de Peano. Dentre elas, destacamos duas. A primeira é a que
garante a existência de um primeiro número natural, o número 1.
A segunda garante que todo número natural tem um “sucessor”.

20 C E D E R J

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O sucessor de 4 é 5, o sucessor de 199 é 200 e, em geral, o

2 1 MÓDULO 1
sucessor de n é n + 1.
Axioma
Enunciado
N ÚMEROS I NTEIROS admitido como
verdadeiro sem
Os números naturais são úteis para resolver problemas de necessidade de
contagem e, no entanto, são insuficientes para solucionar pro- provas. Por

AULA
blemas do dia-a-dia, como perdas, prejuı́zos etc. exemplo, na Fı́sica
de Einstein, um
No fim do mês passado, dia 28, recebi uma terrı́vel notı́cia fato admitido como
ao tirar, no banco, o extrato de minha conta corrente num ter- axioma é que a
minal eletrônico. Os valores impressos em tinta vermelha (ad- velocidade da luz
vertência!) sentenciavam: no vácuo é
constante e
Saldo atual: −305, 00. independente de
qualquer
E é isto. Convencionamos para representar a perda de 2 ovel- referencial.
has, por exemplo, colocando o sinal “−” antes do número. As-
sim, −2 expressaria essa perda. Do mesmo modo, meu saldo
de −305, 00 no dia 28 expunha minha desagradável condição de Giuseppe
devedor junto ao banco. Peano

Incorporando aos números naturais, os números negativos (1858-1932)


e o número zero, chegamos ao conjunto dos números inteiros,
Z = {. . . , −5, −4, −3, −2, −1, 0, 1, 2, 3, . . .}.
Os números naturais também são chamados de inteiros po-
sitivos. Note que, como conjuntos, N ⊂ Z.

R EPRESENTAÇ ÃO DE Z SOBRE UMA R ETA


Destacado lógico e
É muito útil representar os números inteiros sobre uma reta matemático
orientada. Escolha uma reta no plano e sobre ela marque dois italiano, com
contribuições
pontos, o ponto O e o ponto I. Em seguida, associe aos pontos
importantes em
O e I, respectivamente, os números 0 (zero) e 1. Fundamentos da
Aritmética e da
Geometria. Para
saber mais sobre
Peano e seus
axiomas, consulte:
http://users.hotlink.com.br/
marielli/matematica/
geniomat/peano.html

C E D E R J 21

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Métodos Determinı́sticos I | Os Conjuntos dos Números Naturais, Inteiros e Racionais

O segmento de reta cujos extremos são os pontos O e I é


denominado “segmento unidade”. Com esse segmento como
padrão, definimos a posição de todos os números inteiros sobre
a reta.
O segmento OI estabelece dois sentidos de percurso sobre a
reta: o que vai de O para I e o que vai de I para O. Escolhemos
um desses sentidos como sendo o positivo e o outro como o
negativo. A convenção que predomina universalmente é a de
escolher como sentido positivo o que vai de O para I. Também é
uma convenção universal escolher o ponto I à direita de O, como
na Figura 2.1.
O I

0 1
Figura 2.1: O segmento unidade.

A partir do ponto 0 (zero) e seguindo no sentido positivo da


reta, vamos justapondo sucessivamente o segmento unidade de
modo a relacionar cada número natural com um único ponto da
reta. Essa construção é feita de tal modo que o segmento de reta
cujos extremos são um número natural n e seu sucessor n+1 tem
o mesmo comprimento do segmento unidade. Uma construção
análoga é feita a partir do ponto 0 (zero) no sentido negativo
de percurso sobre a reta, marcando sucessivamente pontos as-
sociados aos números inteiros negativos −1, −2, −3, . . . Veja a
Figura 2.2:
Reforçando
Quaisquer dois
pontos
consecutivos -2 -1 0 1 2 3
marcados para
representar
Figura 2.2: Os números inteiros na reta.
números inteiros na
reta definem
segmentos de
Exercı́cio 2.1
comprimento Assinale na reta da figura a seguir os pontos correspondentes
unitário. aos números −10, 3, 9, −6, −2.

1
0

22 C E D E R J

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R ELAÇÃO DE O RDEM

2 1 MÓDULO 1
A representação dos números inteiros sobre uma reta orien-
tada permite estabelecer uma relação de ordem no conjunto Z.

Definição 2.1

AULA
Dizemos que o número inteiro m é menor que o número in-
teiro n se na representação sobre uma reta orientada o ponto
que representa m aparecer antes do ponto que representa n.
Note que na
definição de ordem
Utilizamos a notação m < n para indicar que m é menor que usamos a
n. A notação n > m (n é maior que m) tem o mesmo significado expressão: m
que m < n. aparece antes de n
Usamos a notação m ≤ n (m é menor ou igual a n) para sig- na reta. Isso
nificar que m é menor ou igual a n, e a notação n ≥ m (n é maior significa que a
ou igual a m) equivale a m ≤ n. direção que aponta
de m para n
coincide com a
Definição 2.2 direção da reta.

Um número m é dito positivo se for maior do que zero, isto


é, m > 0. Um número m é dito negativo se for menor do
que zero, isto é, m < 0. O número zero não é positivo nem
negativo.

P ROPRIEDADES O PERACIONAIS PARA A S OMA E


M ULTIPLICAÇ ÃO

Veja as propriedades operacionais para a soma e multiplicação


de números inteiros, popularmente denominadas “regras de sinais”.
Para melhor acompanhar os enunciados, lembre que o valor
absoluto de um número inteiro é o próprio número no caso de
um número positivo, e o simétrico do número no caso de número
negativo. Assim, o valor absoluto de 2 é 2 e o valor absoluto de
-3 é 3.

 Para adicionar números inteiros de mesmo sinal, adicione


os números conservando o sinal no resultado.

C E D E R J 23

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Métodos Determinı́sticos I | Os Conjuntos dos Números Naturais, Inteiros e Racionais

 
Exemplo 2.1 


a) Calcule a soma −6 + (−43).


Solução: Ambas as parcelas são números negativos. Logo,
o resultado da adição é um número negativo. Ou seja, −6 +
(−43) = −6 − 43 = −(6 + 43) = −49.

 Para adicionar números inteiros de sinais diferentes, sub-


traem-se os números, dando ao resultado o sinal do inteiro
de maior valor absoluto.

b) Calcule a soma −63 + 43.


Solução: Temos a adição de um número negativo com um
número positivo. O número negativo tem maior valor abso-
luto. Portanto, a soma será um número negativo. Acompanhe a
conta: −63 + 43 = −(63 − 43) = −20.

 O produto de dois inteiros que têm sinais diferentes é um


número negativo cujo valor absoluto é obtido pelo produto
dos números.

c) Calcule (−63) · 43.


Solução: (−63) · 43 = −(63 · 43) = −2.709.

 O produto de dois inteiros de mesmo sinal é um número


positivo, cujo valor absoluto é obtido pelo produto dos va-
lores absolutos dos números.

d) Calcule (−3) · (−4).


Solução: (−3) · (−4) = +(3 · 4) = +12 = 12.
e) Calcule 9 − 2 × 3 × 9 − 2 × 3.
Solução: Antes de começar o cálculo, lembre que as multipli-
cações sempre devem ser efetuadas antes das adições ou sub-
trações, a menos que a expressão contenha parênteses, chaves,
colchetes, etc... que subvertam essa hierarquia. Expressões
numéricas que envolvam apenas adições ou subtrações podem
ser calculadas de acordo com a ordem em que as operações vão
surgindo ou em qualquer ordem. Portanto, 9 − 2 × 3 × 9 − 2 ×
3 = 9 − 54 − 6 = 9 − 60 = −51.

24 C E D E R J

i i

i i
f) Calcule (9 − 2 × 3) × (9 − 2 × 3).

2 1 MÓDULO 1
Solução: Agora, devemos efetuar primeiro as operações entre
parênteses: 9 − 2 × 3 = 9 − 6 = 3. Assim, (9 − 2 × 3) × (9 − 2 ×
3) = 3 × 3 = 9.

Note que os exemplos e e f contêm os mesmos números e

AULA
as mesmas operações. Todavia, as respostas são completamente
diferentes, devido à presença de parênteses. Mais tarde, no cál-
culo de expressões numéricas, vamos usar, além de parênteses,
colchetes e chaves.

Exercı́cio 2.2
Calcule:

1. 5 − 2 × 4 + 3 − 1

2. 5 − 2 × (4 + 3 − 1)

3. Você obteve o mesmo resultado nos dois itens?

N ÚMEROS R ACIONAIS
Você está numa festa de aniversário e o dono da casa oferece
um saboroso pedaço de bolo. Em virtude do regime que você
começou ontem, o pedaço parece exagerado. Você exclama, a
duras penas, que é muito grande, e que quer apenas um terço
desse pedaço de bolo.
O que aconteceu? O pedaço de bolo representava uma unidade
que lhe era oferecida, e você solicita que esta seja dividida em
três partes iguais, das quais apenas uma será sua. Você deseja
uma exata parte, ou uma fração da unidade oferecida. A maneira
abstrata de representar essa idéia é escrever 13 .
Os números racionais surgem para expressar ou medir quan-
tidades nas quais aparecem envolvidas partes da unidade.
Veja, na figura a seguir, um bolo de forma retangular divi-
dido em partes iguais de dois modos diferentes. Em 3 partes e
em 9 partes, respectivamente.

C E D E R J 25

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i i
Métodos Determinı́sticos I | Os Conjuntos dos Números Naturais, Inteiros e Racionais

Figura 2.3: Divisão da unidade.

Do ponto de vista da quantidade, uma das partes do bolo


dividido na Figura 2.3, à esquerda, representa 13 , enquanto que
uma das partes à direita representa 19 . Agora é evidente que um
pedaço de bolo representado na Figura 2.3, à esquerda, é igual
a 3 pedaços de bolo representado à direita. Isso sugere que vale
a igualdade 31 = 39 , e fica evidente que podemos representar de
vários modos uma mesma porção da unidade.
Expressões do tipo mn , onde m e n são números inteiros e n 6=
0, são chamadas frações. Note que 13 é igual a 93 , pelo simples
fato de que multiplicamos por 3 o número de divisões da unidade
e de que também multiplicamos por 3 o número das partes que
utilizamos para formar a nova fração.
Este exemplo permite induzirmos que, ao multiplicarmos o
numerador e o denominador de uma fração pelo mesmo número
inteiro não-nulo, não alteramos o valor da fração. Ou seja, mn =
p
q se existe um número inteiro k, não-nulo, tal que p = k · m e
q = k · n.

 O que temos visto até agora são frações positivas. No en-


tanto, é necessário considerar frações de um modo geral
do tipo mn , onde m e n são números inteiros arbitrários, in-
clusive números negativos. Assim, por exemplo, as frações
−2 5 2
3 e −7 são equivalentes, respectivamente, às frações − 3
e − 75 .

!
Igualdade ou equivalência de frações
Duas frações mn e qp são equivalentes ou iguais se e somente
se mq = pn. Em sı́mbolos, vale a regra do produto cruzado:
m p
n = q ⇐⇒ mq = pn.

26 C E D E R J

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i i
A igualdade de frações decorre do seguinte argumento: como

2 1 MÓDULO 1
n e q são números inteiros não-nulos podemos escrever mn = mq
nq
pn
e qp = qn .
Veja que os denominadores das frações transformadas agora
coincidem. Então, a igualdade entre mn e qp ocorre exatamente
e apenas quando os numeradores destas frações coincidem, ou
seja, quando mq = pn.

AULA
Exercı́cio 2.3
Use a regra do produto cruzado para assinalar V (verdadeiro)
ou F (falso) para cada uma das igualdades a seguir:
2 7 5 −10 −13 13
( ) = ( ) = ( ) =
3 11 −3 6 −2 2
Agora, podemos introduzir o conjunto Q dos números racionais.
m
Q é o conjunto de todas as frações , onde m e n são números
nn o
inteiros e n 6= 0. Em sı́mbolos: Q = mn ; m, n ∈ Z, n 6= 0 .

 Duas frações equivalentes representam o mesmo número


racional.

!
Soma e produto de números racionais
Sejam mn e pr números racionais quaisquer. Então, mn + rp =
r·m+n·p
n·r e mn · pr = m·p
n·r são, respectivamente, a soma e o pro-
duto dos números racionais.

Exercı́cio 2.4
Efetue as operações indicadas:

−2 8
1. + =?
3 5
5 −2
2. · =?
7 3
 
1 −2
3. − + 3 · =?
3 7
C E D E R J 27

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i i
Métodos Determinı́sticos I | Os Conjuntos dos Números Naturais, Inteiros e Racionais

 i) Inclusão de conjuntos:
Vale a inclusão de conjuntos Z ⊂ Q. Pois se m ∈ Z,
então m = m1 ∈ Q.
ii) Igualdade de números racionais:
Dois números racionais mn e pr são iguais se e so-
mente se mr = np. Em sı́mbolos:
m p
= ⇐⇒ m · r = n · p.
n r
Comentário: Já tivemos ocasião de falar sobre essa
igualdade antes da definição do conjunto Q. Esse re-
sultado é referido como “regra do produto cruzado”
para identificar duas frações iguais ou dois números
racionais iguais.
iii) Divisão de números racionais:
p m p
Se 6= 0, a divisão do número por é definida
r n r
por
m p m r mr
÷ = × = .
n r n p np
iv) Inverso de números racionais:
p p r
Se 6= 0, o inverso de é o número racional .
r r p
p r
Note que · = 1.
r p

 
Exemplo 2.2 


2 1 2 5 10
a) ÷ = × =
3 5 3 1 3
−12 −7 −12 2 −24 24
b) ÷ = × = =
5 2 5 −7 −35 35
c) Em um grupo de turistas, a sexta parte é de italianos, a
metade de franceses e os 10 restantes são americanos. Quan-
tos turistas há no grupo?
1 1 1 3 4 2
Solução: Temos que + = + = = correspondem a
6 2 6 6 6 3
1
italianos e franceses. Logo, dos turistas é americano. Como
3
3
são 10 os americanos, então o total de turistas é × 10 = 30.
1

28 C E D E R J

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R EPRESENTAÇÃO G EOM ÉTRICA DOS N ÚMEROS

2 1 MÓDULO 1
R ACIONAIS
Anteriormente, nesta aula, mostramos como representar os
números inteiros numa reta. Ampliaremos nossa representação
colocando sobre a reta todos os números racionais. Vamos começar
com alguns exemplos.

AULA
 
Exemplo 2.3 


a) Considere agora o problema de representar numa reta o


número racional 23 , que representa a parte do bolo que
você não comeu. Este número é uma fração da unidade.
Basta dividir a unidade em três partes iguais e avançar
duas casas a partir do ponto inicial. Veja a Figura 2.4:

2
Figura 2.4: Representação do número .
3

b) Considere o número racional 1534 . A divisão de 153 por 4


dá 38 e deixa resto 1. Assim, podemos escrever

153 4
⇒ 153 = 4 × 38 + 1 .
1 38
Então,
153 4 × 38 + 1 4 × 38 1 1
= = + = 38 + .
4 4 4 4 4

– O que fazemos agora? Bom, em primeiro lugar, vamos


ao intervalo de comprimento 1 da reta determinado pelos
pontos correspondentes aos números inteiros 38 e 39.

38 39

IR
Figura 2.5: Intervalo unitário.

C E D E R J 29

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Métodos Determinı́sticos I | Os Conjuntos dos Números Naturais, Inteiros e Racionais

Agora, dividimos o intervalo unitário destacado em qua-


tro partes iguais. Em seguida, a partir do ponto repre-
sentado pelo número 38, avançamos uma casa para en-
contrar o ponto correspondente ao número procurado. Em
destaque, na figura a seguir, está indicado o ponto que cor-
responde ao número 1534 .

38 39

IR
38+1/4
153
Figura 2.6: Representação do número .
4

−127
c) Representar na reta o número racional 5 .
Solução: Primeiramente, ignoramos o sinal negativo e efetu-
amos a divisão de 127 por 5, encontrando um dividendo 25 e
um resto 2. Ou seja,

127 5 .
2 25
Assim,
127 = 5 × 25 + 2 .
Daı́,
−127 = −5 × 25 − 2 = 5 × (−25) − 2 .
Prosseguindo,
127 5 × (−25) − 2 5 × (−25) 2 2
− = = − = −25 − .
5 5 5 5 5
2
Note que o número −25 − 5 está à esquerda de −25 e à di-
reita de −26. Portanto, no intervalo unitário cujos extremos são
os números −26 e −25, localizamos o ponto que representa o
número racional −127
5 . Veja a Figura 2.7:

-27 -26 -25


-127
5
−127
Figura 2.7: Representação do número .
5

30 C E D E R J

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Exercı́cio 2.5

2 1 MÓDULO 1
Usando a Figura 2.8, encontre uma boa representação dos
73 −3 1
números , e .
4 2 2

AULA
Figura 2.8: Representação de números.

R ELAÇÃO DE O RDEM NOS N ÚMEROS


R ACIONAIS
A representação dos números racionais sobre uma reta ori-
entada permite estabelecer uma relação de ordem no conjunto
Q. Suponha que os números racionais estão representados sobre
uma reta horizontal, estando os números negativos à esquerda e
os positivos à direita.
O número racional mn é menor que o número racional s = rp
se na representação sobre uma reta orientada o número mn estiver
à esquerda do ponto pr .
Para explorar um pouco mais a relação de ordem, suponha
que mn e pr estão escritos de modo que n > 0 e r > 0. Note que
m m·r p p·n
n = n·r e r = r·n . Olhando os segundos membros das igual-
dades, vemos que os números racionais estão expressos com o
mesmo denominador. Logo, é possı́vel concluir que

m p
< se, e somente se, m · r < p · n .
n r

!
A conclusão sobre a desigualdade das frações que acabamos
de expressar só vale com a condição de que os denomi-
nadores n e r sejam positivos.

C E D E R J 31

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Métodos Determinı́sticos I | Os Conjuntos dos Números Naturais, Inteiros e Racionais

 
Exemplo 2.4 

12 3
O número − é menor que o número .
35 −11
Solução: De fato,

12 −12 3 −3
− = e = .
35 35 −11 11
Então,
−12 −3
< ⇔ (−12) × 11 < (−3) × 35 ⇔ −132 < −105 .
35 11
Como a última desigualdade é verdadeira, vale o enunciado do exem-
plo.

Exercı́cio 2.6

3 −12 9
1. Represente numa reta orientada os números , ,
6 5 13
19
e .
−5
2. Escreva os números acima em ordem crescente.
4 −13
3. Mostre que > .
−20 64
4. Escreva, se possı́vel, uma expressão mais simples e equi-
valente à expressão dada, onde a, b, m, x e y são números
racionais:

a) 13a + 5a;
b) 21x − 10x;
c) 3(5m − 14m);
d) 3(x + 2y) − 2y;
e) 4(3x + 2) + (2x + 3).

5. Dois números racionais a e b são tais que 5ab2 + 2a2 b +


a2 b2 = 99 e 5b +2a +ab = 3. Calcule o produto ab desses
números.

32 C E D E R J

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Aula 3
P ROPOSIÇ ÕES E C ONECTIVOS

Objetivos
Ao final desta aula, você deverá ser capaz de:

1 compreender os enunciados dos teoremas e co-


nhecer as principais estratégias usadas em suas
demonstrações;
2 raciocinar com algum rigor lógico e escrever me-
lhor os seus próprios textos matemáticos.

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Métodos Determinı́sticos I | Proposições e Conectivos

O todo é maior do que a soma de suas partes.


Aristóteles
Aristóteles
(384 – 322 a.C.) Neste módulo, você ganhará familiaridade com a terminolo-
gia usada na Matemática. Parece pouco, mas é um grande passo.
Depois de estudar o conteúdo apresentado nas próximas aulas,
você estará bem preparado para compreender e usar o discurso
matemático.

I NTRODUÇÃO
Algumas das principais caracterı́sticas da Matemática são a
abstração, a precisão, o rigor lógico e a diversidade de aplicações.
Natural de
Estagira, aparece A lógica é o assunto que será abordado nesta unidade.
aqui à esquerda de É importante conhecer os conceitos básicos da lógica, não só
Platão, outro para estudar, compreender e produzir Matemática, mas também
grande filósofo que para utilizá-los em muitas outras situações.
teve muita
influência na Os fundamentos da lógica foram introduzidos na Grécia por
Matemática. Aristóteles, um dos filósofos mais importantes da Antigüidade.
Aristóteles As obras de Aristóteles que versam sobre lógica foram reu-
formulou o nidas em um livro que recebeu o nome de Organon, que significa
chamado método instrumento.
dedutivo. Este foi
adotado por
Euclides, ao P ROPOSIÇÕES
escrever os seus
Elementos, por A Lı́ngua Portuguesa, assim como as outras lı́nguas, é for-
volta de 300 a.C. mada por palavras, sentenças, numa teia sutil e complexa. Ex-
Desde então, tem pressar-se com clareza e precisão não é tarefa fácil. De maneira
sido uma geral, podemos classificar as sentenças de uma lı́ngua da seguinte
ferramenta forma:
essencial na
Matemática. Para
Declarativas: Hoje é domingo.
obter um pouco
Eu não saı́ de casa o dia todo.
mais de informação
Interrogativas: Quem vem lá?
sobre eles, veja a
Qual é o seu nome?
coleção Os
Exclamativas: Lógico!
Pensadores. Você
Viva!
pode ver, também,
Imperativas: Não matarás!
o capı́tulo sobre
Fecha a porta!
Aristóteles do livro
de Will Durant.

34 C E D E R J

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S ENTENÇAS M ATEM ÁTICAS

3 1 MÓDULO 1
A Matemática também é expressa por sentenças. Por As sentenças
exemplo, declarativas podem
√ ser afirmativas ou
π 3
π >3 e sen = negativas.
3 2

AULA
são sentenças matemáticas.

 Sob o ponto de vista da lógica, devemos lidar com as


sentenças declarativas, às quais podemos atribuir um valor-
verdade, isto é, cada sentença será verdadeira ou falsa.


As duas sentenças matemáticas “π > 3” e “sen π3 = 3
2 ”são
verdadeiras.
 
Exemplo 3.1 

Leia as seguintes sentenças. Algumas são verdadeiras e ou-
tras são falsas:

1. A grama é verde.

2. Dezembro tem 31 dias.

3. Uma semana tem 8 dias.

4. O Sol é uma estrela.

5. O verão é a estação mais fria do ano.

Alguns exemplos de sentenças às quais não podemos atribuir


valor-verdade:

1. Vá mais devagar!

2. Quanto custa este livro?

3. Fulana é carioca.

C E D E R J 35

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i i
Métodos Determinı́sticos I | Proposições e Conectivos

Homero foi o autor A primeira delas é uma ordem (ou um pedido) e a segunda
da Odisséia, que é uma pergunta. A terceira é um caso interessante. Quando usa-
narra o retorno de mos a palavra “fulano” ou “fulana”, em geral não estamos con-
Ulisses (ou siderando uma pessoa especı́fica. Para decidirmos se a sentença
Odisseu) da guerra é verdadeira ou falsa, precisamos personalizar a fulana. Depen-
de Tróia. Argos é o dendo de quem for “fulana”, a sentença terá seu valor-verdade
cão de Ulisses, e é definido. Uma situação parecida pode surgir no contexto mate-
um modelo de mático. A frase
fidelidade pois é o x + 3 = 11
primeiro a pode ser verdadeira (caso o valor de x seja 8) ou falsa (caso x
reconhecê-lo após seja diferente de 8).
uma ausência de
vinte anos.
F UNÇ ÕES P ROPOSICIONAIS
Sócrates

 Expressões que contêm uma ou mais variáveis são cha-


madas de funções proposicionais. Quando as variáveis
são substituı́das por constantes, a expressão torna-se uma
proposição (verdadeira ou falsa, conforme as constantes
atribuı́das).

Por exemplo, “x é homem”. Essa função proposicional torna-se


uma proposição verdadeira se x = Sócrates e falsa se x = Argos.
Foi professor de Essas expressões também podem ser chamadas de sentenças
Platão. Mesmo sem abertas.
deixar nenhum
texto, é uma das
A XIOMAS E T EOREMAS
figuras mais
conhecidas da
Distinguir o falso do verdadeiro é o objetivo fundamental na
Filosofia. Suas
Matemática. A lógica aqui tem um papel central. Dito de outro
idéias chegaram até
modo, usando as regras da lógica, provamos quando uma deter-
nós pelas obras de
minada sentença é verdadeira ou falsa. Nesse esquema, parti-
seus discı́pulos.
mos de um conjunto inicial de sentenças básicas que conside-
Autor de
ramos verdadeiras (as quais chamamos axiomas) e, usando as
pensamentos como:
regras definidas pela lógica (que são as regras do jogo), prova-
“Só sei que nada
mos a veracidade de novas sentenças. Essas novas sentenças
sei” e “Conhece-te
verdadeiras são chamadas teoremas, e podem também ser usa-
a ti mesmo”,
das na demonstração de novos teoremas. É dessa maneira que
marcou as gerações
engendramos a teia que forma a Matemática.
futuras por sua
modéstia e seu Em lógica, consideramos apenas as sentenças que podem ser
amor pelo qualificadas como falsas ou verdadeiras. Tais sentenças serão
conhecimento.
36 C E D E R J

i i

i i
chamadas de proposições. Usamos letras minúsculas, como p

3 1 MÓDULO 1
ou q, para representar proposições.

Resumo
Proposições são sentenças declarativas. Cada uma delas Proposição
possui valor-verdade bem estabelecido, qualificando-a como

AULA
A palavra
verdadeira ou falsa. Cada proposição determina, de maneira
proposição
única, uma outra proposição que é a sua negação e que tem
também é usada em
valor-verdade oposto ao seu.
Matemática, fora
do contexto estrito
Lembre-se de que atribuir um valor-verdade a uma sentença, da lógica, como
ou ainda, determinar a veracidade de uma proposição, pode ser sinônimo de
uma questão delicada e difı́cil. teorema.

C ONECTIVOS E P ROPOSIÇÕES C OMPOSTAS


Algumas palavras e certas expressões são usadas insisten-
temente nos textos matemáticos. Você já encontrou algumas
delas nas unidades anteriores. Bons exemplos são os conec-
tivos e e ou. Usando esses dois conectivos e fazendo também
a negação, podemos construir novas proposições a partir de ou-
tras proposições dadas inicialmente. Essas novas proposições
são chamadas de proposições compostas.

 Usando duas proposições p e q, podemos construir uma


nova proposição p e q, chamada de conjunção de p e q.
Usamos o sı́mbolo
p∧q
“Lê-se “p e q”
para denotá-la. A sentença p ∧ q é verdadeira caso ambas,
p e q, sejam verdadeiras. Em qualquer outra situação, ela
será falsa.

 
Exemplo 3.2 

Apenas uma das sentenças a seguir é falsa. Qual é?

a) A noite é escura e o dia é claro.

C E D E R J 37

i i

i i
Métodos Determinı́sticos I | Proposições e Conectivos

b) A rosa é vermelha e o cravo é branco.



c) 16 é igual a 4 e 187 é um número primo.

Uma vez que 187 = 11 ×17, √ a proposição “187 é um número


de “ 16 é igual a 4” ser verdadeira,
primo” é falsa e, apesar √
a proposição composta “ 16 é igual a 4 e 187 é um número
primo” é falsa.

 A partir de duas proposições p e q, também podemos


construir a proposição composta p ou q, chamada de dis-
junção de p e q. Usamos o sı́mbolo
Lê-se “p ou q”
p∨q
para representá-la. A proposição p ∨ q é verdadeira caso
alguma das proposições p ou q seja verdadeira. Ela será
falsa apenas quando ambas as proposições p e q forem
falsas.

 
Exemplo 3.3 



a) A proposição composta “ 16 é igual a 4 ou 187 é um
número primo” é verdadeira.
b) Podemos afirmar que a proposição:
π é um número irracional ou 1
3 > 1
2
é verdadeira, baseando-nos apenas no fato de que π é um
número irracional.
Finalmente, podemos gerar uma nova proposição a partir
de uma inicial, simplesmente negando-a.

 Usamos a notação ∼ p para indicar a negação da proposi-


ção p. As proposições p e ∼ p têm valores-verdade opos-
Lê-se “não p”
tos. Este fato é conhecido como o Princı́pio da Contradição.

Quando Aristóteles criou a lógica, ele estabeleceu uma série


de princı́pios, isto é, as regras básicas sobre as quais toda a
lógica seria desenvolvida. Esses princı́pios são:

38 C E D E R J

i i

i i
• Princı́pio da Identidade: Todo objeto é idêntico a si mesmo.

3 1 MÓDULO 1
Aristóteles
• Princı́pio da Contradição: O contrário do verdadeiro é ( 384 - 322 a.C.)
falso.

• Princı́pio do Terceiro Excluı́do: De duas proposições


contraditórias uma é verdadeira e a outra é falsa.

AULA
Duas proposições são contraditórias quando uma é a negação
da outra.
Os princı́pios de

 A palavra princı́pio provém do grego αρ χη (arqué, como


Identidade, da
Contradição e do
em “arquétipo”) e do latim principium, e quer dizer ponto Terceiro Excluı́do,
de partida e fundamento de um processo qualquer. Ela é apesar de sua
muito usada na Filosofia e na linguagem cientı́fica. Em simplicidade, são
Matemática, pode ser usada como sinônimo de axioma fundamentais.
e, nesse caso, é uma proposição cuja veracidade não re- Aristóteles
quer demonstração, como nos Princı́pios da Identidade, formulou o
da Contradição e do Terceiro Excluı́do, enunciados ante- Princı́pio da
riormente. Contradição de,
pelo menos, duas
maneiras: “Nada
A Fı́sica também usa essa palavra nesse sentido, como em pode ser e não ser
“Princı́pio da Indeterminação de Heisenberg”, proposto em 1927 simultaneamente” e
por Werner Heisenberg e que faz parte da teoria quântica. Essa “É necessário que
teoria é bastante complicada, mas ela explica o comportamento toda asserção seja
dos átomos. O Princı́pio da Indeterminação diz que a posição e afirmativa ou
a velocidade das partı́culas atômicas não podem ser conhecidas negativa”.
ao mesmo tempo e com precisão. O Princı́pio do
Terceiro Excluı́do
A palavra “princı́pio” também pode ser usada como sinônimo
foi derivado do
de teorema, como no Princı́pio da Inclusão-Exclusão, enunciado
Princı́pio da
no Módulo 1, Aula 4. Neste caso, trata-se de uma afirmação que
Contradição muito
deve ser demonstrada.
mais tarde, no
século XVIII. Eles
Q UANTIFICADORES se completam para
determinar que as
Vamos aprender agora mais um pouco do jargão matemático. proposições
Falaremos sobre quantificadores. Os quantificadores são expres- simples são ou
sões que aparecem, em geral, no inı́cio das frases matemáticas, verdadeiras ou
cuja função é indicar o universo sobre o qual será feita a afirma- falsas. Por essa
ção. Exemplos: “para todo”, “cada”, “existe um”, “existe uma”, razão, diz-se que a
“não existe algum”, “não existe alguma”, “nenhum”, “nenhuma”, lógica clássica é
“qualquer um”, “qualquer uma...” bivalente.
C E D E R J 39

i i

i i
Métodos Determinı́sticos I | Proposições e Conectivos

 
Exemplo 3.4 

Werner Karl
Heisenberg As seguintes proposições têm o mesmo significado:
(1901 - 1976)
Fı́sico alemão, • Todo mundo é racional.
formulou a nova
teoria da Mecânica • Todas as pessoas são racionais.
Quântica
• Cada pessoa é racional.
juntamente com
Ernest Jordan, • Qualquer pessoa é racional.
Erwin Schrödinger,
Niels Bohr e Paul
Dirac. Essa teoria
depende muito de
 O quantificador usado nesses exemplos é chamado de quan-
tificador universal. Nós o representamos pelo sı́mbolo ∀.
Matemática e valeu
o prêmio Nobel de
Fı́sica de 1932.  
Exemplo 3.5 

∀α ∈ R, sen2 α + cos2 α = 1.
Esta proposição é verdadeira.

 O exemplo seguinte apresenta o quantificador existencial.


Mais uma vez, todas as proposições abaixo têm o mesmo
significado.

• Alguma pessoa é bonita.


• Existe pessoa bonita.
• Pelo menos uma pessoa é bonita.

Nós representamos esse quantificador pelo sı́mbolo ∃.


 
Exemplo 3.6 


∃α ∈ R , sen α = 1.

Esta afirmação é verdadeira?


A resposta é sim. O seno do ângulo reto, por exemplo, é 1.
Isso pode ser expresso da seguinte maneira: sen π2 = 1.

40 C E D E R J

i i

i i
Os quantificadores universal e existencial são trocados um

3 1 MÓDULO 1
pelo outro quando fazemos a negação de uma proposição ini-
ciada por um deles. Veja como funciona num exemplo:
 
Exemplo 3.7 

A negação da proposição: p: Todo aluno é estudioso; é ∼ p:
Existe aluno não-estudioso.

AULA
Uma outra maneira de enunciar a proposição ∼ p é: Há
aluno que não é estudioso. Numa maneira tipicamente matemá-
tica, seria: Existe pelo menos um aluno não-estudioso.

!
A proposição q: “Nenhum aluno é estudioso” não é a nega-
ção de p.

Note a importância do quantificador usado na formação da


proposição. As proposições:
∀x ∈ R, x2 = 2 (Para todo x em R, x2 = 2) e ∃x ∈ R, x2 = 2
(Existe x em R, tal que x2 = 2) são diferentes.

!
Quantificadores: O quantificador universal é representado
pelo sı́mbolo ∀, que se lê: “Para todo”; o quantificador exis-
tencial é representado pelo sı́mbolo ∃, que se lê: “Existe...”
Esses quantificadores são trocados um pelo outro quando
fazemos a negação de uma proposição.

Resumo
Estamos chegando ao fim da aula. Bem, você está come-
çando a perceber como a linguagem é importante. Mate-
mática é muito sutil, pois um pequeno detalhe pode mudar
completamente o sentido da proposição. Por exemplo, uma
proposição do tipo p∨q pode ser verdadeira ao mesmo tempo
que p ∧ q é falsa. Isto significa uma simples troca de um “ou”
por um “e”. Precisamos estar atentos ao que dizemos, ao que
o texto diz e, principalmente, a como devemos nos expressar.

C E D E R J 41

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Métodos Determinı́sticos I | Proposições e Conectivos

Agora é hora de relaxar um pouco antes de seguir para a lista


de exercı́cios. Você conhece aquela do engenheiro, do fı́sico e
do matemático? Três amigos, um engenheiro, um fı́sico e um
matemático, estavam viajando de trem para o interior de São
Paulo. Depois que o trem passou por Rio Claro, eles avistaram
uma colina verdejante com uma linda vaca preta pastando. O en-
genheiro, que estava um pouco aborrecido com o papo um tanto
abstrato de seus dois amigos, aproveitou para fazer o seguinte
comentário: “Vejam, as vacas aqui são pretas!” O fı́sico olhou
pela janela e retrucou: “Calma, aı́! As vacas deste morro são
pretas...” O matemático lançou um olhar de censura sobre seus
dois amigos e disse, balançando a cabeça, para enfatizar: “Nada
disso, carı́ssimos! O que realmente podemos afirmar é que neste
morro há uma vaca com o lado direito preto...”

Exercı́cio 3.1

1. Determine quais das frases a seguir são proposições:

a) Cenouras são saudáveis.


b) O Brasil é um paı́s tropical.
c) Todos os homens são astutos.
d) Faça as malas.
e) A paciência é uma virtude.
f) Debussy compôs duas sinfonias.
g) A paciência é um jogo.
h) Para todo mal há cura.
i) Todo mundo tem um segredo.
j) Não fume!
l) Todo amor é forte.
m) Quantos anos você tem?
n) O quadrado de cada número é não-negativo.
o) Que calor!
p) Antonio Carlos Jobim, o Tom Jobim, é um composi-
tor brasileiro.
q) Quanto custa esta mesa?

42 C E D E R J

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2. Construa a negação de cada uma das seguintes proposições:

3 1 MÓDULO 1
a) A pêra é uma fruta.
b) Algumas óperas são longas.
c) Todos gostam de dançar.
d) Algumas pessoas não têm carro.

AULA
e) Todos têm televisores e aparelhos de vı́deo.
f) O dinheiro não traz a felicidade.
g) Todo desfile de escola de samba tem mestre-sala e
porta-bandeira.
h) Dom Quixote é um personagem criado por Miguel
de Cervantes.
i) Todo amor é forte.
j) Nenhum amor é fraco.

3. Escreva literalmente as seguintes proposições matemáticas:

a) ∀ x ∈ Z, x2 ≤ 0
Solução: Qualquer que seja o número inteiro x, x2 ≤ 0.
Esta proposição é falsa.
b) ∀ α ∈ R, tg2 α = sec2 α − 1

c) ∃ x ∈ R , x = 4
d) ∃ x ∈ N , | 2|x ∨ 3|x
Solução: Existe um número natural x tal que 2 divide x A notação a|b é
ou 3 divide x. lida da seguinte
maneira: a divide
Solução alternativa: Existe um número natural x di-
b, isto é, b é um
visı́vel por 2 ou divisı́vel por 3.
√ múltiplo de a.
3
e) ∃ x ∈ R , sen x = 2 .
f) ∀ x ∈ Q, ∃ p, q ∈ Z , x = qp .
9
g) ∃ x ∈ Q , x2 = 25 .
1
h) ∀ r ∈ R, r > 0, ∃ K ∈ N , n > K =⇒ n < r.

C E D E R J 43

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Métodos Determinı́sticos I | Proposições e Conectivos

Resumo
Nesta aula, você aprendeu que:

1. Em lógica, lidamos com proposições que são sentenças


declarativas, cada uma delas possuindo um valor-
verdade, verdadeiro ou falso. A representação das pro-
posições se faz por letras minúsculas como p, q etc.

2. Para cada proposição p corresponde a sua negação: ∼


p. As proposições p e ∼ p têm valores-verdade opos-
tos.

3. Dadas duas proposições p e q, podemos construir duas


outras proposições:

p∧q (conjunção, p e q )
p∨q (disjunção, p ou q)

4. Em Matemática, usamos dois quantificadores:

∀ (universal, qualquer que seja . . . )


∃ (existencial, existe um . . . )

Esses quantificadores trocam de papéis quando faze-


mos a negação de uma proposição.

 
Auto-avaliação
É muito bom que você tenha chegado até aqui. Esta primeira
aula sobre lógica contém informações novas, e é natural que
você tenha dúvidas. Lembre-se, só não tem dúvidas quem
não estuda. Uma boa maneira de avaliar o trabalho é medir
relativamente os progressos e as dificuldades. Você pode co-
meçar a sua avaliação da seguinte maneira: Releia os obje-
tivos desta aula. Foram alcançados? Comente-os. Releia
especialmente os exemplos e tente relacioná-los com os
exercı́cios propostos.
Na próxima aula, você aprenderá mais sobre as regras da
lógica e como podemos estabelecer se uma proposição é ver-
dadeira ou não construindo as tabelas-verdade.
Até lá!
 

44 C E D E R J

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Aula 4
TABELAS - VERDADE E L EIS DA L ÓGICA

Objetivos
Ao final desta aula, você deverá ser capaz de:

1 construir as tabelas-verdade para proposições


compostas;
2 explicar as principais leis da Lógica e as implicações
ou proposições condicionais.

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Métodos Determinı́sticos I | Tabelas-verdade e Leis da Lógica

TABELAS - VERDADE
Na aula anterior, você deve ter percebido a importância da
familiaridade com a terminologia matemática. Dando continuida-
de a este processo, descubra agora o que é e como é construı́da
uma tabela-verdade.
O valor-verdade de cada proposição é sempre verdadeiro (V)
ou falso (F). O valor-verdade de uma proposição composta é de-
terminado pelos valores-verdade de cada uma das proposições
que a compõem. Na tabela-verdade, apresentamos todas as pos-
sibilidades. Por exemplo, considere a conjunção das proposi-
ções p e q, que denotamos por p ∧ q. Lembre-se de que p ∧ q
é verdadeira apenas quando ambas as proposições, p e q, são
verdadeiras. Há quatro possibilidades:

• p é verdadeira e q é verdadeira;

• p é verdadeira e q é falsa;

• p é falsa e q é verdadeira;

• p é falsa e q é falsa.

A tabela-verdade correspondente é:

p q p∧q
V V V
V F F
F V F
F F F

As tabelas-verdade correspondentes às proposições ∼ p (não


p) e p ∨ q (p ou q) são:

p q p∨q
p ∼p V V V
V F V F V
F V F V V
F F F

46 C E D E R J

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E QUIVAL ÊNCIA L ÓGICA E LEIS DA L ÓGICA

4 1 MÓDULO 1
É possı́vel expressar uma proposição de diferentes maneiras.
Por exemplo, podemos negar a proposição “Marcos é pintor e
gosta de pescar” dizendo “Não é verdade que Marcos é pintor
e gosta de pescar”. Uma outra maneira seria “Marcos não é
pintor ou não gosta de pescar”. Estas duas últimas afirmações

AULA
são ditas logicamente equivalentes.
A importância

 Logicamente equivalentes: duas proposições são ditas prática deste


conceito é a
logicamente equivalentes quando têm os mesmos valores- seguinte – duas
verdade em todos os casos possı́veis. Quando duas propo- proposições
sições, p e q, são equivalentes, usamos a seguinte notação: logicamente
p ≡ q. equivalentes são,
sob o ponto de
vista da Lógica, a
As tabelas-verdade são úteis para detectar quando duas pro- mesma coisa. No
posições são logicamente equivalentes. O exemplo “Não é ver- entanto, podem
dade que Marcos é pintor e gosta de pescar” é um caso particular apresentar pontos
da situação ∼ (p ∧q) equivalente a ∼ p ∨ ∼ q, em que p é “Mar- de vista diferentes,
cos é pintor” e q é “Marcos gosta de pescar”. facilitando a nossa
compreensão,
 
Exemplo 4.1  aprofundando o

nosso
Vamos mostrar, usando uma tabela-verdade, que as proposi- entendimento do
ções ∼ (p ∧ q) e ∼ p ∨ ∼ q são logicamente equivalentes. Aqui, conteúdo que
veja como é fácil preencher as tabelas, contanto que o trabalho ela reveste.
seja feito por etapas. Antes de mais nada, iniciamos construindo
uma tabela que tenha cinco linhas: na primeira delas, alinha-
remos as diferentes etapas e, nas outras quatro, consideraremos
todas as possibilidades, já que contamos com duas proposições
básicas, p e q.

p q p∧q ∼ (p ∧ q) ∼p ∼q ∼ p∨∼q
V V
V F
F V
F F

Agora, para se chegar ao valor-verdade de ∼ (p ∧ q), é


simples. Primeiro, obtenha o valor-verdade de p ∧ q e depois,
num segundo passo, obtenha o valor-verdade de sua negação.

C E D E R J 47

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Métodos Determinı́sticos I | Tabelas-verdade e Leis da Lógica

Comece preenchendo, na tabela, os valores-verdade das pro-


posições p ∧ q, ∼ p e ∼ q.

p q p∧q ∼ (p ∧ q) ∼p ∼q ∼ p∨∼q
V V V F F
V F F F V
F V F V F
F F F V V

Agora, num segundo passo, complete a tabela preenchendo


as colunas correspondentes às proposições ∼ (p ∧ q) e ∼ p ∨
∼ q.

p q p∧q ∼ (p ∧ q) ∼p ∼q ∼ p∨∼q
V V V F F F F
V F F V F V V
F V F V V F V
F F F V V V V

Veja que na tabela completa podemos comparar as duas co-


lunas correspondentes às proposições ∼ (p ∧ q) e ∼ p ∨ ∼ q.
Como as duas colunas são iguais, as proposições são logica-
mente equivalentes.
Resumindo, ∼ (p ∧ q) ≡ ∼ p ∨ ∼ q.
Antes de prosseguirmos, tente você construir a tabela-verdade
Lembre-se do de p ∧ (q ∨ r).
Princı́pio
Fundamental de A proposição p ∧ (q ∨ r) é composta por três proposições:
Contagem. p, q e r. Sua tabela terá, além da primeira linha, mais 8 = 23 li-
Quantas linhas nhas. Preencha primeiro a quarta coluna, usando as colunas dois
seriam necessárias e três. Depois, usando a primeira e a quarta, preencha a última
para quatro coluna. Por exemplo, na terceira linha em branco, q é falso e r
proposições é verdadeiro. Portanto, o valor-verdade de q ∨ r é verdadeiro e
conectadas? marcamos um V na quarta coluna. Agora, na primeira coluna,
Quantas para n vemos que p é verdadeiro e, na quarta coluna, q ∨ r verdadeiro.
proposições Portanto, p∧(q ∨ r) é verdadeiro, e marcamos outro V na última
conectadas? coluna.

48 C E D E R J

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p q r q∨r p ∧ (q ∨ r)

4 1 MÓDULO 1
V V V
V V F
V F V V V
V F F
F V V
F V F

AULA
F F V
F F F

L EIS DA L ÓGICA Lembre-se das


tabelas-verdade das
proposições p ∨ q e
Usaremos, agora, o conceito de equivalência lógica para p ∧ q:
expressar algumas das leis da Lógica. Elas são usadas para p q p∨q
reescrevermos algumas proposições de maneiras diferentes, porém V V V
equivalentes do ponto de vista lógico. V F V
F V V
A mais simples é a Lei de Idempotência. F F F
p q p∧q

 i. Lei de Idempotência: para qualquer proposição p,


V V
V F
V
F
p∧ p ≡ p p ∨ p ≡ p. F V F
F F F
Além disso, os conectivos ∧ e ∨ são comutativos e
associativos.
ii. Leis de Comutatividade: dadas duas proposições
Expressando as leis
quaisquer, p e q,
da Lógica...
p ∧ q ≡ q ∧ p; p ∨ q ≡ q ∨ p.
iii. Leis de Associatividade: dadas três proposições quais-
quer, p, q e r,
(p ∧q) ∧r ≡ p ∧(q ∧r); (p ∨q) ∨r ≡ p ∨(q ∨r).

As Leis de Associatividade permitem que escrevamos sim-


plesmente p ∨ q ∨ r em vez de (p ∨ q) ∨ r ou p ∨ (q ∨ r).
As leis que veremos a seguir relacionam os dois conectivos
∨ e ∧. Vejamos como elas são aplicadas, num exemplo, antes
de enunciá-las.

C E D E R J 49

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Métodos Determinı́sticos I | Tabelas-verdade e Leis da Lógica

 
Exemplo 4.2 

Consideremos as seguintes proposições:
p: 2 é um número inteiro;
q: 2 é maior do que 3;
r: 2 é um número primo.
Conectando-as, podemos montar as seguintes proposições:
a: 2 é um número inteiro, ou 2 é maior do que 3 e primo.
b: 2 é um número inteiro ou maior do que 3, e 2 é um número
inteiro ou primo.
As proposições a ≡ p ∨ (q ∧ r) e b ≡ (p ∨ q) ∧ (p ∨ r) são
logicamente equivalentes. Este é um caso particular da Lei de
Distributividade. Para completar o exemplo, vamos determinar
o valor-verdade das proposições. A proposição a é a proposição
p ∨ (q ∧ r). É claro que p é verdadeira, q é falsa e r é ver-
dadeira. Como q é falsa, q ∧ r é falsa. Mas, sendo p verda-
deira, a proposição final p ∨ (q ∧ r) é verdadeira. Por sua vez,
a proposição b é a proposição (p ∨ q) ∧ (p ∨ r). Então, p ∨ q
e p ∨ r são ambas verdadeiras. Portanto, b é uma proposição
verdadeira.

 Leis de Distributividade: dadas três proposições quais-


quer, p, q e r,
p ∨ (q ∧ r) ≡ (p ∨ q) ∧ (p ∨ r)

p ∧ (q ∨ r) ≡ (p ∧ q) ∨ (p ∧ r) .

Faça uma nova leitura e uma análise do exemplo 4.2.


A lei que você conhecerá já foi considerada nesse exemplo.
Ela é uma das Leis de De Morgan.
Na última aula, você aprendeu que a palavra “princı́pio”
pode ser usada como sinônimo de axioma ou de teorema.
A mesma coisa acontece com a palavra “lei”.
Nesta aula, a palavra “lei” está sendo usada como sinônimo
de teorema. Isto é, ela está sendo usada para indicar quando

50 C E D E R J

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determinadas proposições são logicamente equivalentes e, para

4 1 MÓDULO 1
que essas leis possam “valer”, devemos constatar a equivalência
usando tabelas-verdade.

 Leis de De Morgan: para quaisquer proposições, p e q,

AULA
∼ (p ∨ q) ≡ ∼ p ∧ ∼ q; ∼ (p ∧ q) ≡ ∼ p ∨ ∼ q.

Lembre-se de que no exemplo 4.1 a construção da tabela-


verdade mostrou que as proposições ∼ (p ∧ q) e ∼ p ∨ ∼ q são
equivalentes. A tabela-verdade abaixo mostrará que as proposi-
ções ∼ (p ∨ q) e ∼ p ∧ ∼ q também são equivalentes:

p q p∨q ∼ (p ∨ q) ∼p ∼q ∼ p∧∼q
V V V F F F F
V F V F F V F
F V V F V F F
F F F V V V V

Vejamos agora o enunciado das Leis de De Morgan na versão


da Teoria de Conjuntos:
Sejam A e B conjuntos. Então:

(A ∪ B)c = Ac ∩ Bc ,
(A ∩ B)c = Ac ∪ Bc .

Vamos mostrar que (A ∪ B)c = Ac ∩ Bc .


Neste caso, o conjunto A ∪ B é caracterizado pela afirmação
x ∈ A ou x ∈ B. O seu complementar é caracterizado pela negação
dessa afirmação: ∼ (x ∈ A ∨ x ∈ B). Pela Lei de De Mor-
gan (que acabamos de mostrar) essa afirmação é equivalente a
x∈/ A ∧x ∈ / B, que caracteriza o conjunto Ac ∩ Bc . Logo, os
conjuntos são iguais.
Agora, a demonstração do segundo caso. Para provar que
(A ∩ B)c = Ac ∪ Bc vamos usar a igualdade (A ∪ B)c = Ac ∩ Bc ,

C E D E R J 51

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Métodos Determinı́sticos I | Tabelas-verdade e Leis da Lógica

que acabamos de provar, mais o fato de que o complementar


do complementar
c de qualquer conjunto, é o próprio conjunto:
Xc = X.
Realmente,
 c  c  c c c c
Ac ∪ Bc = Ac ∪ Bc = A ∩ Bc = (A ∩ B)c .

Isto completa a prova das Leis de De Morgan da Teoria de


Conjuntos.
 
Exemplo 4.3 

As Leis de De Morgan são usadas para reescrevermos as
negações de proposições. Considere a seguinte proposição:
“Todo número par é divisı́vel por 2, e existe um número inteiro
n tal que 2n = 3.”
Sua negação é:
“Existe um número par que não é divisı́vel por 2 ou todo número
inteiro n é tal que 2n 6= 3.”
Finalmente veremos como, em certas situações, podemos
compactar uma proposição.

 Leis de Absorção: para quaisquer duas proposições, p e


q,

p ∨ (p ∧ q) ≡ p; p ∧ (p ∨ q) ≡ p.

Vamos construir a tabela de p ∨ (p ∧ q). Começamos com a


tabela de p ∧ q e, depois, usamos as colunas correspondentes às
proposições p e p ∧ q para completar a última coluna, que é a
correspondente a p ∨ (p ∧ q).

p q p∧q p ∨ (p ∧ q)
V V V V
V F F V
F V F F
F F F F

As colunas de p e de p ∨ (p ∧ q) são iguais, provando que as


proposições são logicamente equivalentes: p ∨ (p ∧ q) ≡ p.

52 C E D E R J

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Quadro-Resumo

4 1 MÓDULO 1
Para finalizarmos esta parte, vamos montar um quadro com
o resumo das principais leis da Lógica.
Leis de Distributividade
p ∨ (q ∧ r) ≡ (p ∨ q) ∧ (p ∨ r) p ∧ (q ∨ r) ≡ (p ∧ q) ∨ (p ∧ r)
Leis de De Morgan

AULA
∼ (p ∨ q) ≡ ∼ p ∧ ∼ q ∼ (p ∧ q) ≡ ∼ p ∨ ∼ q
Leis de Absorção
p ∨ (p ∧ q) ≡ p p ∧ (p ∨ q) ≡ p

Exercı́cio 4.1

1. Construa a tabela-verdade para cada uma das seguintes


proposições compostas:

(a) p ∨ ∼ q (e) ( p ∨ ∼ q) ∧ ∼ p
(b) (∼ p) ∨ (∼ q) (f) p ∧ (q ∨ ∼ q)
(c) ∼ p ∧ ∼ q (g) ( p ∧ ∼ q) ∨ r
(d) ∼ (∼ p ∧ q) (h) (∼ p ∨ q) ∧ ∼ r

2. Use a tabela-verdade para provar a seguinte lei de distribu-


tividade: p∨(q∧r) ≡ (p∨q)∧(p∨r). Para isto, preencha
a tabela a seguir por etapas.

p q r q∧r p∨q p∨r p ∨ (q ∧ r) (p ∨ q) ∧ (p ∨ r)


V V V
V V F
V F V
V F F
F V V
F V F
F F V
F F F

3. Faça o mesmo para as Leis de Absorção:

p ∨ (p ∧ q) ≡ p
e
p ∧ (p ∨ q) ≡ p.

C E D E R J 53

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Métodos Determinı́sticos I | Tabelas-verdade e Leis da Lógica

I MPLICAÇÕES OU PROPOSIÇÕES
C ONDICIONAIS
Há frases que se compõem de uma condição e uma con-
seqüência, como se dá no seguinte exemplo:
Se não chover, irei à sua festa.
Frases deste tipo interessam particularmente aos matemáticos.
Aqui estão alguns exemplos:
Se n é um inteiro ı́mpar, então n2 é ı́mpar.
Se r é um número real tal que r2 = 2, então r é irracional.
Um triângulo é dito
isósceles se tem Se ABC é um triângulo tal que A está no centro de um cı́rculo
dois lados de e B e C pertencem à circunferência do cı́rculo, então o triângulo
medidas iguais, ou ABC é isósceles.

 Sejam p e q duas proposições. Chamamos a proposição


dois ângulos
internos de
medidas iguais.
Se p, então q
de uma implicação. O conectivo Se . . . , então . . . carac-
teriza uma condição. A notação desta proposição é

p =⇒ q
.
A proposição p é chamada de hipótese e a proposição q de
conclusão ou tese. O valor-verdade da proposição p =⇒ q
depende dos valores-verdade da hipótese e da conclusão.
Ela é falsa apenas quando p é verdade e q é falsa.

Na verdade, a proposição p =⇒ q é logicamente equivalente


à proposição ∼ p ∨ q. Aqui está a tabela-verdade de ∼ p ∨ q.

p q ∼p ∼ p∨q p =⇒ q
V V F V V
V F F F F
F V V V V
F F V V V

Observemos, num exemplo, as diferentes possibilidades de


valor-verdade de uma proposição do tipo p =⇒ q.

54 C E D E R J

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Exemplo 4.4 


4 1 MÓDULO 1
Vamos considerar o seguinte:
Se eu ganhar na loteria, então nós viajaremos para Fortaleza.
Lembre-se da
A primeira possibilidade corresponde à situação (ideal) p e tabela-verdade da
proposição p ⇒ q:
q verdadeiras. Eu ganho na loteria, viajamos para Fortaleza, a
promessa é cumprida e p =⇒ q é verdadeira.

AULA
p q p⇒q
No caso de ganhar na loteria, e não viajarmos para Fortaleza, V V V
V F F
a promessa estará quebrada. Isto corresponde ao caso p ver- F V V
dadeira e q falsa. Portanto, p =⇒ q é falsa. F F V
Agora, apesar de eu não ter ganho na loteria, viajamos para
Fortaleza. Ótimo! A afirmação p =⇒ q não pode ser contes-
tada. Isto corresponde ao caso p falsa, q verdadeira e p =⇒ q
verdadeira.
A última possibilidade – nada de loteria, nada de viagem a
Fortaleza, nada de promessa quebrada – corresponde ao caso p
e q falsas e p =⇒ q verdadeira.
Note que, quando a hipótese p é falsa, independente do valor-
verdade da conseqüência q, a implicação p =⇒ q é verdadeira.
Portanto, a única chance de p =⇒ q ser falsa é quando temos
uma situação em que a hipótese é verdadeira, e a conseqüência
é falsa.
Faça uma análise semelhante considerando a proposição:
Se o tempo estiver bom, irei à praia.
Observe que, no discurso mais coloquial, a palavra “então”
pode ser dispensada.
Há maneiras ligeiramente diferentes de enunciar a proposição
p =⇒ q. Algumas são:

• Se p, então q.
• p implica q.
• Para que p seja verdadeira, é necessário que q seja ver-
dadeira.
• Para que q seja verdadeira, é suficiente que p seja ver-
dadeira.

C E D E R J 55

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Métodos Determinı́sticos I | Tabelas-verdade e Leis da Lógica

Reescreva a proposição abaixo de diferentes maneiras.


Se recebermos uma boa oferta, venderemos o terreno.

 Quando trocamos a hipótese pela conseqüência de uma


proposição p =⇒ q, estamos criando uma nova proposição:
q =⇒ p chamada de conversão de p =⇒ q.

!
Não cometa o erro de pensar que p =⇒ q e sua conversão
q =⇒ p são logicamente equivalentes. Veja numa tabela-
verdade a comparação das duas proposições:

p q p⇒q q⇒p
V V V V
V F F V
F V V F
F F V V

Vamos a um exemplo.
 
Exemplo 4.5 

Tomemos a proposição do tipo p =⇒ q:
Se Linda é brasileira, então ela gosta de samba.
A conversão desta proposição é outra proposição:
Se Linda gosta de samba, então ela é brasileira.
Considere as diferentes possibilidades. Especialmente a situa-
ção em que Linda, caindo numa roda de samba, fazendo inveja
às melhores passistas do lugar, acaba confessando ser uma ame-
ricana de Miami. Isto é, p é falsa mas q é verdadeira.
A proposição “Se Linda é brasileira, então ela gosta de samba” é
verdadeira (pois não é falsa, coisa de lógica aristotélica), mas a
sua conversão “Se Linda gosta de samba, então ela é brasileira”
é falsa pois, exatamente como no caso acima, gostar de samba
não é coisa apenas de brasileiros ou brasileiras.

56 C E D E R J

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Vamos continuar com este exemplo um pouco mais. Tomemos

4 1 MÓDULO 1
a seguinte proposição:
Se Linda não gosta de samba, então ela não é brasileira.
Essa proposição é da forma ∼ q =⇒∼ p. Vamos calcular a
sua tabela-verdade e compará-la com p =⇒ q.

AULA
p q ∼q ∼p ∼ q ⇒∼ p p⇒q
V V F F V V
V F V F F F
F V F V V V
F F V V V V

As proposições p =⇒ q e ∼ q =⇒∼ p são logicamente equi-


valentes.

 Contrapositiva: dada a proposição p =⇒ q, chamamos


de contrapositiva a proposição ∼ q =⇒∼ p. Elas são logi-
camente equivalentes.

É útil olhar para a contrapositiva, pois permite um diferente


ponto de vista da mesma proposição, uma vez que elas são logi-
camente equivalentes.
Há um tipo de proposição composta por duas proposições
iniciais p e q que ocorre com certa freqüência: (p ⇒ q) ∧ (q ⇒
p). Isto é, p implica q e q implica p. Damos um nome especial
a essa proposição.

 O conectivo se, e somente se é dito conectivo bicondi-


cional e é denotado pelo sı́mbolo ⇐⇒. A proposição

p ⇐⇒ q
é equivalente à proposição (p ⇒ q)∧(q ⇒ p). A proposição
p ⇔ q também pode ser lida como “p é necessário e su-
ficiente para q” e é verdadeira, quando ambas as proposi-
ções têm o mesmo valor-verdade.

Usando a versão (p ⇒ q) ∧(q ⇒ p) de p ⇐⇒ q, vamos mon-


tar a sua tabela-verdade.

C E D E R J 57

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Métodos Determinı́sticos I | Tabelas-verdade e Leis da Lógica

p q p⇒q q⇒ p (p ⇒ q) ∧ (q ⇒ p) p⇔q
V V V V V V
V F F V F F
F V V F F F
F F V V V V

TAUTOLOGIAS
Uma tautologia é uma proposição composta que é verdadeira
qualquer que seja o valor-verdade das proposições que a com-
põem. Para averiguarmos se uma proposição composta é uma
tautologia, é necessário fazer sua tabela-verdade. Um exemplo
bem simples é a proposição

p∨ ∼p

Sua tabela-verdade é

p ∼ p p∨∼p
V F V
F V V

Um outro exemplo de tautologia envolve o conectivo condi-


cional:

(p ∧ q) =⇒ p

cuja tabela-verdade é:

p q p∧q p∧q ⇒ p
V V V V
V F F V
F V F V
F F F V

58 C E D E R J

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Exercı́cio 4.2

4 1 MÓDULO 1
Construa as respectivas tabelas-verdade para constatar que
as seguintes proposições são tautologias:

a) ∼ (p ∧ ∼ p) c) p ⇒ (p ∨ q)

b) ((p ⇒ q) ∧ p) ⇒ q d) ∼ (p ∨ q) ⇔ ∼ p ∧ ∼ q

AULA
 
Auto-avaliação
Esta aula contém bastante informação e, para que você possa
familiarizar-se com estas novidades, é muito importante que
resolva os exercı́cios. Ao fazê-lo, anote os que achou mais
difı́ceis. Escolha também aqueles de que você gostou mais.
Bom trabalho! 

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Métodos Determinı́sticos I | Argumentos e Provas

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Aula 5
A RGUMENTOS E P ROVAS

Objetivo
Ao final desta aula, você deverá ser capaz de:

1 compreender as estratégias básicas de argumentação


e de demonstração.

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Métodos Determinı́sticos I | Argumentos e Provas

D EFININDO A RGUMENTAÇÃO
Uma argumentação constitui-se de uma coleção de proposi-
ções (premissas) e uma proposição final (conclusão). Do ponto
de vista da lógica, para que uma argumentação seja válida, é
necessário que a conclusão seja uma conseqüência das premis-
sas. Isto é, no caso de as premissas serem verdadeiras, sabemos
Este exemplo tem que a conclusão é verdadeira.
uma importância Premissas: Todo homem é mortal.
histórica e aparece Sócrates é homem.
em quase todo
texto sobre lógica. Conclusão: Sócrates é mortal.
Ele é um silogismo, Consideremos também um exemplo mais prosaico:
que se constitui de
duas premissas e Premissas: Todos os brasileiros gostam de feijoada.
uma conclusão, foi Todos os cariocas são brasileiros.
formulado por
Conclusão: Todos os cariocas gostam de feijoada.
Aristóteles, em seu
tratado Primeiros Vamos à definição do que é um argumento válido.
analı́ticos, sobre

 Um argumento consiste de uma série de proposições cha-


lógica.

madas premissas e uma proposição chamada conclusão.


Dizemos que o argumento é válido se, sempre que todas as
premissas forem verdadeiras, isto é, se a conjunção delas
for verdadeira, então, a conclusão será verdadeira. Em
outras palavras, um argumento com premissas p1 , p2 , . . . ,
pn e conclusão c é valido se:
sempre que p1 ∧ p2 ∧· · ·∧ pn for verdadeira, então a impli-
cação p1 ∧ p2 ∧ · · · ∧ pn ⇒ c será verdadeira.
Um argumento é inválido se a conclusão não é conseqüên-
cia das premissas. Isto é, mesmo no caso em que as pre-
missas sejam verdadeiras, a conclusão pode ser falsa. Um
argumento inválido também é chamado de falácia.

 
Exemplo 5.1 

Vamos considerar o seguinte argumento:
Premissas:
p1 : Se você estudar, você passará no teste.
p2 : Você estuda.

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Conclusão:

5 1 MÓDULO 1
c: Você passará no teste.
Suponhamos que uma condição suficiente para passar no
teste é estudar. Isto é, vamos considerar que caso você estude,
então você passará no teste. Você estuda! A conclusão é: você
passará no teste.

AULA
Vamos analisar mais detalhadamente a situação. Temos ape-
nas duas proposições básicas:
p: Você estuda.
q: Você passa no teste.
Devemos verificar que, quando p ⇒ q e q são verdadeiras, a
implicação
((p ⇒ q) ∧ p) ⇒ q
será verdadeira.
Vamos usar uma tabela-verdade.

p q p⇒q (p ⇒ q) ∧ p ((p ⇒ q) ∧ p) ⇒ q
V V V V V
V F F F V
F V V F V
F F V F V

A primeira linha da tabela mostra que, quando p1 = (p ⇒ q)


e p2 = p são ambas verdadeiras, temos que a conclusão c = q é Esta tabela
verdadeira. Isso significa que os argumentos da forma apresenta uma
situação
Premissas: p⇒q interessante. Note
p que, independente
de qual seja o
Conclusão: q valor-verdade das
proposições p e q,
a proposição
são válidos.
((p ⇒ q) ∧ p) ⇒ q
O argumento que acabamos de exemplificar é chamado de será verdadeira.
método direto ou modus ponens. Ela é um exemplo
  de uma tautologia.
Exemplo 5.2 

Este exemplo ilustrará um outro tipo de argumento muito
usado.

C E D E R J 63

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Métodos Determinı́sticos I | Argumentos e Provas

Premissas:
p1 : Se não chover, Mateus irá ao parque.
p2 : Se Mateus for ao parque, ele brincará com seus amigos.
Conclusão:
c: Se não chover, Mateus brincará com seus amigos.
Para analisá-lo, vamos considerar as seguintes proposições
básicas:
p: Não chover.
q: Mateus vai ao parque.
r: Mateus brinca com seus amigos.
A estrutura deste argumento é

Premissas: p⇒q
q⇒r

Conclusão: p⇒r

Este argumento é válido. Veja a tabela-verdade:

p q r p⇒q q⇒r p⇒r ((p ⇒ q) ∧ (q ⇒ r)) ⇒ (p ⇒ r)


V V V V V V V
V V F V F F V
V F V F V V V
V F F F V F V
F V V V V V V
F V F V F V V
F F V V V V V
F F F V V V V

As linhas 1, 5, 7 e 8 indicam que sempre que as premissas


são verdadeiras, a conclusão é verdadeira.
A Lei do Silogismo afirma que os argumentos do tipo

Premissas: p⇒q
q⇒r

Conclusão: p⇒r

são válidos.

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Exemplo 5.3 


5 1 MÓDULO 1
Vamos agora considerar a seguinte situação:
Premissas:
p1 : Se eu ganhar o prêmio de fim de ano da companhia, nós passaremos
um fim de semana em Búzios.
p2 : Passamos um (ótimo) fim de semana em Búzios.

AULA
Conclusão:
c: Ganhei o (cobiçado) prêmio da companhia.
Este argumento é formado por apenas duas proposições sim-
ples:
p: “Eu ganho o prêmio da companhia”
e
q: “Nós passamos um fim de semana em Búzios”.
A estrutura deste argumento é

Premissas: p⇒q
q

Conclusão: p

Você já deve estar desconfiado de alguma coisa errada nesta


história... Realmente, este argumento não é válido!
Vejamos a tabela-verdade de ((p ⇒ q) ∧ q) ⇒ p.

p q p⇒q (p ⇒ q) ∧ q ((p ⇒ q) ∧ q) ⇒ p
V V V V V
V F F F V
F V V V F
F F V F V

A terceira linha mostra uma situação onde p1 = (p ⇒ q) e


p2 = q são verdadeiras mas c = p é falsa. Compare este exemplo
com o Exemplo 5.1, o chamado método direto. Estes argumen-
tos são parecidos. Cuidado para não os confundir.
Para finalizar, vamos resumir os argumentos válidos que exem-
plificamos nesta aula:

C E D E R J 65

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Métodos Determinı́sticos I | Argumentos e Provas

• Método direto: Se você estudar, então você passará no


teste. Você estuda. Então você passará no teste.

Premissas: p⇒q
p
Conclusão: q

• Lei do Silogismo: Se não chover, Mateus irá ao parque e,


indo ao parque, ele brincará com seus amigos. Portanto,
se não chover, Mateus brincará com seus amigos.

Premissas: p⇒q
q⇒r
Conclusão: p⇒r

Exercı́cio 5.1
Em cada um dos argumentos abaixo, destaque as proposições
simples que compõem as premissas e as conclusões. Construa
uma tabela-verdade com base nas proposições simples e nas pre-
missas, concluindo com a coluna (p1 ∧ p2 ∧· · ·∧ pn ) ⇒ c. Deter-
mine, então, a validade ou não do argumento. Os três primeiros
exercı́cios da lista estão com a solução. Dê a sua própria solução
e então compare com a solução dada. Vá em frente!

1. Se o cachorro escapar, ele pegará o gato. Se o gato for


pego, eu estarei em apuros. Portanto, se o cachorro es-
capar, eu estarei em apuros.
Solução: Este argumento têm as proposições básicas:
p: O cachorro escapa.
q: O cachorro pega o gato.
r: Eu estou em apuros.
O argumento está estruturado da seguinte forma:
p1 = p ⇒ q: Se o cachorro escapa, ele pegará o gato.
p2 = q ⇒ r: Se o gato for pego (pelo cachorro), eu estarei em apuros.
c = p ⇒ r: Se o cachorro escapar, eu estarei em apuros.
Este tipo de argumento é válido. A construção da tabela-verdade
está feita no Exemplo 5.2. Este é um argumento validado pela
Lei dos Silogismos.

66 C E D E R J

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2. Todas as pessoas inteligentes gostam de Matemática. Romeu

5 1 MÓDULO 1
é uma pessoa. Romeu não gosta de Matemática. Portanto,
Romeu não é inteligente.
Solução: Note que podemos reescrever o argumento da seguinte
maneira: Se uma pessoa é inteligente, então esta pessoa gosta de
Matemática. Romeu é uma pessoa e não gosta de Matemática.
Portanto, Romeu não é inteligente.

AULA
Dessa forma, podemos usar as seguintes proposições básicas
para analisar o argumento:
p: Uma pessoa é inteligente.
q: Uma pessoa gosta de Matemática.
r: Romeu é uma pessoa.
O argumento está estruturado da seguinte maneira:
Premissas:
p1 = p ⇒ q: Se uma pessoa é inteligente, então esta pessoa gosta
de Matemática.
p2 =∼ q ∧ r: Uma pessoa não gosta de Matemática e esta pessoa
é Romeu.
Conclusão:
p3 =∼ p ∧ r: Uma pessoa não é inteligente e esta pessoa é Romeu.
Para analisarmos a validade do argumento temos que saber se,
sempre que as premissas forem verdadeiras, a conclusão será
verdadeira ou, equivalentemente, se a implicação (p1 ∧ p2 ) ⇒ p3
é verdadeira. Ou seja, vamos fazer a tabela-verdade da proposição
((p ⇒ q) ∧ (∼ q ∧ r)) ⇒ (∼ p ∧ r). Vamos chamar de p1 a
proposição p ⇒ q e de p2 a proposiçao ∼ q ∧ r.

p q r p⇒q ∼ q∧r p1 ∧ p2 ∼ p∧r (p1 ∧ p2 ) ⇒ p3


V V V V F F F V
V V F V F F F V
V F V F V F F V
V F F F F F F V
F V V V F F V V
F V F V F F F V
F F V V V V V V
F F F V F F F V

A linha sete é a única onde as premissas, p1 = p ⇒ q e p2 =


∼ q ∧ r, são ambas verdadeiras. A conclusão p3 , bem como a
proposição (p1 ∧ p2 ) ⇒ p3 , são verdadeiras. Isso quer dizer que
o argumento é válido.

C E D E R J 67

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Métodos Determinı́sticos I | Argumentos e Provas

3. Se Alfredo comer lagosta, ele ficará feliz. Alfredo come


lagosta. Podemos concluir que ele está feliz.

4. Se eu trabalhar com afinco, terminarei de pintar minha


cerca. Se eu não ficar batendo papo com os amigos, eu
trabalharei com afinco. Eu não terminei de pintar minha
cerca. Podemos concluir que fiquei batendo papo com
meus amigos.

5. Se eu comer agrião todos os dias, eu viverei mais do que


80 anos. Eu não como agrião todos os dias. Lamentavel-
mente eu não chegarei à veneranda idade de 80 anos.

6. Se, ao dirigir meu carro, eu não ultrapassar os 80 km por


hora, eu não provocarei acidentes. Eu dirijo meu carro a
100 km por hora. Portanto, eu provocarei acidentes.

7. Se fizer bom tempo, dará praia. Se eu levar minha bola de


vôlei, Mariana ficará superfeliz. Deu praia, mas Mariana
não ficou superfeliz. Podemos concluir que, eu, cabeça de
bagre, esqueci minha bola de vôlei.

8. Se Maria vier, Joana virá. Se Carla não vier, Joana não


virá. Podemos concluir que, se Maria vier, Carla virá.

9. Se Luiz souber poupar seu dinheiro, ele ficará rico. Se


Luiz ficar rico, ele comprará um carro novo. Luiz com-
prou um carro novo. Podemos, então, concluir que ele
soube poupar seu dinheiro.


Auto-avaliação
Você deve ter notado que esta aula foi diferente da aula ante-
rior. Ela contém menos informações, mas estas requerem um
tipo diferente de atenção. É necessário um tempo maior de
reflexão. Leia os exemplos vagarosamente. Dedique atenção
aos exercı́cios propostos.
Aproveite!

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Aula 6
R EPRESENTAÇ ÃO D ECIMAL DE N ÚMEROS R ACIONAIS ,
P ORCENTAGENS E N ÚMEROS I RRACIONAIS

ObjetivosAo final desta aula, você deverá ser capaz de:

1 compreender a representação decimal de números


racionais;
2 entender as frações porcentuais;
3 resolver problemas de porcentagens;
4 caracterizar os números irracionais.

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Métodos Determinı́sticos I | Representação Decimal de Números Racionais, Porcentagens e Números Irracionais

Os números racionais expressos em forma de fração apresen-


tam dificuldades de uso na linguagem mais coloquial. Na prática
do comércio, principalmente no cálculo de porcentagens, nas
medidas de temperatura em medidas cientı́ficas, muitas vezes
aparecem números como 12,48 ou 0,267 ou −3, 51 e para repre-
sentar as medidas de certas grandezas. A notação decimal para
os números racionais é uma convenção.
A convenção é a seguinte: o número antes da vı́rgula é um
número inteiro, o primeiro algarismo depois da vı́rgula expressa
os décimos, o segundo algarismo, os centésimos, o terceiro al-
garismo, os milésimos e assim por diante. O número represen-
tado na notação decimal é a soma dessas quantidades. Assim,
4 8 1.200 + 40 + 8 1.248 312
12, 48 = 12 + + = = = .
10 100 100 100 25
Portanto, temos duas maneiras de expressar o mesmo número:
312
12, 48 = .
25
Veja outros exemplos:
2 6 7 200 + 60 + 7
0, 267 = 0 + 10 + + = .
100 1.000 1.000
267
Assim, 0, 267 = .
1.000
 
5 2 300 + 50 + 2 352
Também, −3, 52 = − 3+ + =− =− =
10 100 100 100
88
− .
25
88
Logo, −3, 52 = − .
25
Então, 0, 267 e −3, 52 são outras maneiras de escrever os
267 88
números racionais 1.000 e − 25 , respectivamente.
Neste momento é importante formular uma pergunta: “Todo
número racional pode ser expresso em notação decimal?”
Ou, perguntando de outro modo: “Partindo de um número racional
m m
n , podemos escrevê-lo na forma n = a0 , a1 a2 . . . a p ?”

Para encontrar uma resposta, voltemos aos três exemplos tra-


balhados 312
25 = 12, 48,
267 88
1.000 = 0, 267 e − 25 = −3, 52.

70 C E D E R J

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Partindo das frações e efetuando a divisão, encontramos

6 1 MÓDULO 1
312 25 267 1.000 88 25
- 25 12,48 - 2.000 0, 267 - 75 3,52
62 6.700 130
- 50 - 6.000 - 125
120 7.000 50

AULA
- 100 - 7.000 - 50
200 0 0
- 200
0

As contas acima são auto-explicativas e mostram que, partindo


de frações, o algoritmo da divisão é a ferramenta para chegar
à representação decimal dos números racionais considerados.
m
Mas será que funciona para qualquer número racional ?
n
A pergunta é importante. Calma lá, não vivemos no melhor
1 8
dos mundos! E os números e ? Vamos efetuar a divisão
3 33
para nos surpreender!

10 3 80 33
-9 0,33 . . . - 66 0,2424 . . .
10 140
-9 - 132
10 80
..
. - 66
140
- 132
80
..
.

Se continuarmos o processo de divisão, no dividendo da primeira


conta o algarismo 3 se repete indefinidamente, enquanto que na
segunda conta ocorre o mesmo com os algarismos 2 e 4. Temos
representações decimais periódicas e infinitas, também denomi-
nadas dı́zimas. Assim, 31 = 0, 333 . . . e 33
8
= 0, 2424 . . ..
As expressões à direita das igualdades são chamadas repre-
sentações ou expansões decimais infinitas e periódicas, ou sim-
plesmente dı́zimas periódicas. A palavra “periódica” refere-se à

C E D E R J 71

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Métodos Determinı́sticos I | Representação Decimal de Números Racionais, Porcentagens e Números Irracionais

repetição indeterminada do número 3 e do número 24, respecti-


vamente, na representação de 13 e 33
8
.
Agora, podemos responder à pergunta: “Todo número racional
m
n pode ser expresso na forma decimal?”
Foge ao objetivo aprofundarno-nos no tema. Mas o fato de
que no algoritmo da divisão o resto é sempre inferior ao divisor
implica que, após um certo número de aplicações do algoritmo,
o resto se repete e provoca a periodicidade. Veja a seguir o re-
sultado que responde à pergunta.

 Todo número racional pode ser representado sob forma


de uma expressão decimal (finita) ou sob forma de uma
expressão decimal infinita e periódica.

Mas lembra de como motivamos a notação decimal? Argu-


mentamos com as necessidades práticas do comércio, da indús-
tria, etc. Pois bem, para estas necessidades são suficientes valo-
res que aproximam o valor real. A aproximação com maior ou
menor erro depende da natureza da operação realizada.
1
Por exemplo, pode ser aproximado por 0,333. Neste caso,
3
usamos 3 algarismos após a vı́rgula. O que significa esta es-
colha?
3 3 3 300 + 30 + 3 333
0, 333 = + + = = . Note
10 100 1.000 1.000 1.000
que
1 333 1.000 − 999 1 1
− = = < . Isso mostra
3 1.000 3.000 3.000 1.000
1
que, ao usar o valor 0,333 em lugar de , o erro é pequeno, ou
3
seja, 13 ≃ 0, 333, com erro de um milésimo.
1
O sı́mbolo ≃ lê-se “aproximadamente”. Então, repetindo, 3
é aproximadamente 0, 333, e o erro é inferior a um milésimo.
Em uma máquina de calcular, quando dividimos 1 por 3
aparece no visor o número zero, seguido de um ponto (substi-
tuindo a vı́rgula) e uma quantidade finita de algarismos 3. Quanto
maior for a capacidade da máquina, maior o número de dı́gitos 3
após o ponto (ou a vı́rgula), e tanto mais próximo do valor exato
1
é o valor fornecido pela máquina.
3

72 C E D E R J

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Exercı́cio 6.1

6 1 MÓDULO 1
1
1. Mostre que < 0, 334.
3
1 1
2. Mostre que 0, 334 − < .
3 1.000

AULA
1
3. Conclua que ≃ 0, 334, com erro inferior a um milésimo.
3

 
Exemplo 6.1 

29
Expressar o número na forma decimal com erro inferior
17
a um décimo de milésimo.
Solução: Usando o algoritmo da divisão, encontramos

29 17
-17 1,7058
120
-119
100
-85
150
-136
14

29 ∼
Então, = 1, 7058 com erro inferior a um décimo de milésimo. Para
17
conseguir a aproximação desejada, avançamos até a quarta casa à di-
reita da vı́rgula: a casa dos décimos de milésimo. De fato, veja as
contas que comprovam isto:
7 0 5 8 17058
1, 7058 = 1 + + + + = .
10 100 1.000 10.000 10.000
29 17.058 290.000 − 289.986 14 17
Logo, − = = < =
17 10.000 170.000 170.000 170.000
1 1
= .
10.000 104

Exercı́cio 6.2

187
1. Encontre um número inteiro q tal que q < − < q + 1.
13

C E D E R J 73

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Métodos Determinı́sticos I | Representação Decimal de Números Racionais, Porcentagens e Números Irracionais

2. Desenhe a parte da reta em que estão localizados os números


187
q e q + 1 e identifique a posição do número − .
13

P ORCENTAGEM OU F RAÇÃO D ECIMAL


No cotidiano, é comum aparecer, na TV, no rádio, nos jornais
ou em anúncios comerciais, expressões do tipo: “Aproveitem os
descontos de 30% nas roupas de inverno”; “O IBGE divulgou
em seu anuário que 18% dos brasileiros são analfabetos fun-
cionais” ou que “A bolsa de São Paulo caiu 1, 5%”.
As expressões numéricas 30%, 18% e 1, 5% caracterizam um
modo especial de expressar um número racional e são denomi-
nadas porcentagens. Trata-se de um conceito que está na base
da Matemática Financeira.
Chamamos de fração centesimal a toda fração que expressa
um número racional e cujo o denominador é igual a 100. Veja
dois exemplos de fração centesimal:
13 42
e .
100 100

Em Matemática Financeira, toda fração centesimal é repre-


sentada escrevendo-se o numerador da fração seguido do sı́mbolo
%. Assim, os exemplos anteriores são denotados como porcen-
tagens, respectivamente:
13% (treze por cento) ;
42% (quarenta e dois por cento) .
Porcentagem constitui uma forma abreviada de escrever fra-
ções centesimais. Veja mais um exemplo, partindo de uma situa-
ção rotineira.
Ontem pela manhã fui ao mercado comprar frutas. Comprei
no total 20 unidades, sendo 8 tangerinas e 12 laranjas. Então, das
frutas que comprei, 40% eram tangerinas e 60% eram laranjas.
Veja por que essas porcentagens são corretas.
Do ponto de vista da quantidade relativa de tangerinas ou
de laranjas no total de frutas, podemos estabelecer o seguinte
raciocı́nio: se tivesse comprado 100 frutas (uma quantidade cinco

74 C E D E R J

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vezes maior), deveria comprar 5 × 8 = 40 tangerinas e 5 × 12 =

6 1 MÓDULO 1
60 laranjas para ter a mesma proporção de cada uma das frutas
em relação ao total. Observe que a maneira de expressar mate-
maticamente estas relações é:
8 40 12 60
= = 40% eram tangerinas e = = 60% eram
20 100 20 100
laranjas.

AULA
O exemplo mostra que as frações porcentuais podem se apre-
sentar com um denominador diferente de 100.
Veja outro caso:

3 30
3 em cada 10 −→ = −→ 30 em cada 100 −→ 30%.
10 100

Note que outras denominações, como ı́ndice ou taxa por-


centual, são usadas como sinônimos de porcentagem.

Exercı́cio 6.3
31
Expresse, em porcentagem, a fração .
125

R ELAÇÃO P ORCENTUAL ENTRE D UAS


Q UANTIDADES
Vamos transformar a experiência de ir à feira comprar laran-
jas e tangerinas em uma situação numérica universal. Dados
dois números quaisquer, A e B, então A é igual a p% de B A é
igual a p/100 do valor B se a seguinte igualdade for verificada:

p
A= × B ou equivalentemente A = p% × B.
100

Na igualdade anterior, B é a referência para o cálculo por-


centual, enquanto A é uma porcentagem do número B. Essa
igualdade envolve três variáveis – A, B e p – e, no fundo, todo
problema de porcentagem depende, basicamente, de determinar-
mos uma das variáveis dessa equação, quando as duas outras são
conhecidas. Observe ainda que, ao efetuar um cálculo com essa
equação, B é o valor de referência e, assim, corresponde a 100%.
Veja os próximos três exemplos.

C E D E R J 75

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Métodos Determinı́sticos I | Representação Decimal de Números Racionais, Porcentagens e Números Irracionais

 
Exemplo 6.2 


a) Em minha biblioteca particular, 32% dos livros são sobre


Administração. Que quantidade possuo desses livros, se
tenho no total 250 unidades?
Solução: A porcentagem 32% diz que, a cada cem livros de
minha biblioteca, 32 são de Administração. Então, como tenho
250 livros (2, 5×100), tenho 80 livros (2, 5×32) de Administração.
Veja os cálculos:
32
32% × 250 = × 250 = 80. Mais precisamente, 32% de 250
100
são 80.

b) Ontem saquei R$ 30,00 de minha conta corrente, o que


correspondia a 20% do que possuı́a. Qual o saldo restante
no banco?
Solução: Denominando de C o valor que eu tinha ontem na
conta, então
20
20% ×C = 30, 00 ⇔ ×C = 30, 00 ⇔ C = 150, 00.
100
Portanto, ontem, antes do saque, eu tinha R$ 150,00. Como
retirei 20%, o que correspondeu a R$ 30,00, o saldo restante no
banco é de R$ 120,00.

c) A produção de uma indústria de alumı́nio alcançou 15


toneladas em 2004 e 21 em 2005. Qual foi o porcentual
de crescimento dessa produção?
Solução: Veja que o crescimento de um ano para outro foi
de seis toneladas de alumı́nio. Como a produção era de 15
toneladas e houve um acréscimo de seis toneladas, observe,
pelas contas a seguir, como calcular o porcentual p de cresci-
mento.
Da definição de porcentagem e dos dados do problema, temos
que
p
p% de 15 resulta 6 ⇔ p% × 15 = 6 ⇔ × 15 = 6 ⇔ p = 40.
100
Logo,
p 40
p% = = ⇔ p% = 40%.
100 100
O percentual de crescimento da produção de alumı́nio foi de
40%.

76 C E D E R J

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Exercı́cio 6.4

6 1 MÓDULO 1
Em uma pequena agência bancária, 32% dos clientes são
pessoas jurı́dicas e os outros 2.040 são pessoas fı́sicas. Quan-
tos clientes, ao todo, tem essa agência?

AUMENTOS E R EDUÇÕES P ORCENTUAIS

AULA
Em um dos exemplos, calculamos o aumento percentual da
produção de alumı́nio de uma indústria. Esse tipo de problema é
freqüente em nosso cotidiano. Por exemplo, uma conta análoga
é realizada quando calculamos o aumento do custo dos produtos
da cesta básica de um ano para o outro.
A situação inversa também pode ocorrer, quando precisamos
estimar o decréscimo porcentual de um bem móvel ou imóvel:
Como estimar, em relação ao preço de seu carro, o percentual de
desvalorização ocorrida em um ano?
Para calcular acréscimo ou decréscimo porcentual de uma
quantidade, fica mais simples se dividirmos o problema em duas
partes.
Por exemplo, para encontrar a quantidade final atingida M,
obtida como resultado de um aumento de p% de uma certa quan-
tidade C, desenvolvemos as seguintes etapas:

1a¯ etapa: um aumento de p% do valor C resulta em p% ×C =


p
×C.
100
p
2a¯ etapa: o valor final M é obtido pela soma M = ×C +
  100
p
C= + 1 ×C.
100

Note que o primeiro fator do último membro da equação


pode ser expresso como porcentagem e, assim, a equação tem
um novo formato:
p p + 100
+1 = = (p + 100)% ⇒ M = (p + 100)% ×C.
100 100
que fornece o valor final M.
Acompanhe, agora, um exemplo numérico.

C E D E R J 77

i i

i i
Métodos Determinı́sticos I | Representação Decimal de Números Racionais, Porcentagens e Números Irracionais

 
Exemplo 6.3 

Aumentar o valor 230 em 30%.
Solução: O valor M obtido pelo aumento de 30% de 230 pode ser
obtido diretamente pela equação M = (30 + 100)% × 230.

Observe que
130
(30 + 100)% = 130% = = 1, 30 ⇒ M = 1, 3 × 230 = 299.
100

 Na solução apresentada no exemplo anterior, o fator 1,3


muitas vezes é referido como fator de correção.

Exercı́cio 6.5

1. Aumentar o valor 400 em 3,4%.


2. A conta de um restaurante indicava uma despesa de
R$ 26,00 e trazia a seguinte observação: “Não incluı́mos
os 10% de serviço.” Quanto representam, em dinheiro, os
10% de serviço e quanto fica o total da despesa se nela
incluirmos a porcentagem referente ao serviço?

Seguindo o mesmo tipo de argumentação desenvolvido ante-


riormente para aumentos porcentuais, chegamos, igualmente, à
equação que expressa o valor final M de uma quantidade obtida
pela redução de p% de uma quantidade inicial C. Basta multi-
plicar o valor inicial C pela porcentagem (100 − p)% para obter-
mos o resultado final M desejado. Ou seja, em caso de redução
porcentual, M = (100 − p)% ×C. Veja um exemplo prático que
ocorre no comércio.
 
Exemplo 6.4 

Na última promoção de Natal, comprei um celular cujo preço
normal era R$ 300,00, com uma redução de 30%. Acompanhe
os cálculos para descobrir o preço que paguei pelo celular.
Solução: Em primeiro lugar, 30% de 300 é igual a 30% × 300 =
30
× 300 = 90. Este valor representa a redução. Portanto, o preço
100
que paguei pelo celular foi de R$ 210,00. Note que o valor pago
também poderia ser calculado diretamente por

78 C E D E R J

i i

i i
70
(100 − 30)% × 300 = × 300 = 210.

6 1 MÓDULO 1
100

AUMENTOS OU D ECR ÉSCIMOS P ORCEN -


TUAIS S UCESSIVOS

Às vezes, sobre uma quantidade (ou valor de um certo pro-

AULA
duto) incidem sucessivos aumentos, sucessivas reduções ou uma
combinação sucessiva de aumentos e de reduções. Para fazer os
cálculos e encontrar a quantidade no fim do processo, basta efe-
tuar os produtos dos fatores de modo conveniente.
Por exemplo, se aumentarmos um valor C, sucessivamente,
em p1 %, p2 %, · · · , pn %, de tal forma que cada um dos aumen-
tos, a partir do segundo, incida sobre o resultado do aumento an-
terior, é suficiente multiplicar o valor C pelo produto dos fatores
(100+ p1 )%, (100+ p2)%, · · · , (100+ pn )%. Analogamente, se
reduzirmos um valor C, sucessivamente, em p1 %, p2 %, · · · , pn %,
de tal forma que cada uma das reduções, a partir da segunda,
incida sobre o resultado da redução anterior, basta multiplicar o
valor C pelo produto dos fatores (100− p1 )%, (100− p2 )%, · · · ,
(100 − pn )%.
Veja o exemplo seguinte.
 
Exemplo 6.5 

Calcule o resultado obtido pelos aumentos sucessivos de 10%,
20% e 30% sobre o valor de R$ 2.000,00.
Solução: Seja M o valor final obtido após os aumentos sucessivos.
Assim,

M = (1 + 0, 1) × (1 + 0, 2) × (1 + 0, 3) × 2.000 = 3.432.

Portanto, o resultado final é M = R$ 3.432,00.

Exercı́cio 6.6

1. Qual é o resultado obtido após a redução sucessiva de


10%, 20% e 30% sobre o valor R$ 2.000,00?

2. O preço de um produto A é 30% maior que o de um outro


produto B, e o preço deste é 20% menor que o de outro
produto C. Sabe-se que A, B e C juntos custam R$ 28,40.

C E D E R J 79

i i

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Métodos Determinı́sticos I | Representação Decimal de Números Racionais, Porcentagens e Números Irracionais

Qual o preço de cada um deles?

Antes de encerrar este texto, vejamos mais um exemplo de


composição de porcentuais.
 
Exemplo 6.6 

Visando obter máximo lucro, um investidor, em um deter-
minado mês, diversificou e aplicou 40% do seu capital em um
fundo de ações e o restante em um fundo de renda fixa. Após
um mês, as quotas dos fundos de ações e de renda fixa haviam
se valorizado em 8% e 2%, respectivamente. Qual foi a rentabi-
lidade porcentual do investidor naquele mês?
Solução: Supondo que C é o capital inicial do investidor, que aplicou
40% em ações e 60% em renda fixa. Então, se C1 e C2 são, respectiva-
mente, esses capitais, temos que C = C1 +C2 , onde
40
C1 = 40% ×C = ×C = 0, 4 ×C ;
100
60
C2 = 60% ×C = ×C = 0, 6 ×C .
100
Logo, denominando de M1 e M2 , respectivamente, os capitais finais
obtidos com a valorização no fundo de ações e na renda fixa, encon-
tramos
M1 = (100 + 8)% ×C1 = 1, 08 ×C1 = 1, 08 × 0, 4 ×C = 0, 432 ×C ;
M2 = (100 + 2)% ×C2 = 1, 02 ×C2 = 1, 02 × 0, 6 ×C = 0, 612 ×C .
Portanto, o montante final será

M = M1 +M2 = (0, 432+0, 612)×C = 1, 044×C = (100 + 4, 4)% ×C.

Assim, a rentabilidade percentual do investidor foi de 4,4% sobre o


capital investido.

Exercı́cio 6.7

1. Num fim de semana, um comerciante anunciou a venda de


seu carro por R$ 40.000,00. Como o preço era excessivo,
não vendeu e foi preciso que reduzisse o preço em 5%
e, depois, em mais 10%. Somente então encontrou um
comprador. Qual foi o preço de venda do carro?
2. O salário bruto de um vendedor é constituı́do de uma parte
fixa, igual a R$ 2.300,00, e de mais uma comissão de

80 C E D E R J

i i

i i
3% sobre o total de vendas que exceder a R$ 10.000,00.

6 1 MÓDULO 1
Estima-se em 10% o porcentual de descontos diversos que
incidem sobre o salário bruto. Em determinado mês, o
vendedor recebeu, lı́quido, o valor de R$ 4.500,00. Quanto
ele vendeu nesse mês?

AULA
N ÚMEROS I RRACIONAIS
Estamos em plena viagem exploratória pelo mundo dos nú-
meros!
Temos motivação suficiente vendo a importância que os nú-
meros representam na organização de nossa sociedade. Pitágo-
ras, no século V a.C., um dos maiores matemáticos que o mundo
conheceu, apregoava: “Os números governam o mundo.”
Na concepção de Pitágoras, o conjunto de números que deve-
riam “governar o mundo” eram os números racionais. E já na-
quele tempo percebeu-se que isto não era suficiente. Vamos aos
fatos.
Para Pitágoras, a beleza da estrutura dos números era que
a unidade e suas frações eram suficientes para expressar toda a
beleza do Universo. Naquela época tão remota, a Matemática
confundia-se com a religião. Pitágoras e seus seguidores for-
maram o que hoje denominamos irmandade. O fato surpreen-
dente ocorreu quando um discı́pulo de Pitágoras de nome Hipaso
percebeu que a medida da hipotenusa de um triângulo retângulo
cujos catetos medem uma unidade não podia ser expressa por
um número racional.
Acompanhe pela Figura 6.1, em que representamos um
triângulo retângulo ABC cujos catetos AB e AC medem 1, a ca-
racterização da medida do hipotenusa BC.

C E D E R J 81
Figura 6.1: Triângulo retângulo de Hipaso.

i i

i i
Métodos Determinı́sticos I | Representação Decimal de Números Racionais, Porcentagens e Números Irracionais

Segundo o Teorema de Pitágoras, temos que BC2 = 12 + 12 = 2.


Hipaso chamou a atenção para o fato de que não existe um
número racional cujo quadrado é 2. Isso é, para todo número
 2
racional n , sempre ocorre que mn
m
6= 2.

Não iremos provar esse resultado pois foge ao nosso obje-


tivo, apesar de a demonstração ser muito simples. O estudante
interessado pode consultar o livro de Pré-Cálculo, Aula 3, do
curso de Matemática.
A História (ou a lenda) relata que a descoberta de Hipaso
provocou um grande choque em Pitágoras, que não aceitou sua
idéia de Universo ser contrariada. Incapaz de refutar Hipaso,
Pitágoras usou seu poder na irmandade para condenar Hipaso à
morte por afogamento.

Conclusões

1) Existem medidas que não podem ser expressas por um


número racional. Veja a Figura 6.2, que localiza sobre
a reta orientada o número a, tal que a2 = 2.

Denotamos, simbolicamente, este número por a = 2 e o
denominamos a raiz quadrada de 2.

1
a

-2 -1 0 1 2 2

Figura 6.2: O número irracional 2.

82 C E D E R J

i i

i i

2) Se a = 2 é um número irracional, veja as conseqüências.

6 1 MÓDULO 1
Para todo número inteiro não-nulo p ∈ Z, p 2 é também
irracional.
√ Vamos provar isso. Suponha, por absurdo, que
p 2 é racional. Então, para algum m e n inteiros, com
√ m √ m
n 6= 0 p 2 = implica que 2 = .
n n· p

O argumento anterior mostra que, se p 2 é racional,
√ √ então

AULA
2 é racional. Isso não é possı́vel. Portanto, p 2 é irra-
cional. Logo, temos um número infinito de números irra-
cionais
√ √ √ √ √ √ √
. . . − 3 2, −2 2, − 2, 2, 2 2, 3 2, 4 2, . . .

Em toda a generalidade, um número é irracional quando é


o valor da medida de um segmento de reta e que não pode ser
m
escrito na forma , onde m e n são números inteiros.
n

 Na verdade, definimos os números irracionais positivos


(uma vez que a medida de um segmento é positivo). Para
acrescentar os números irracionais negativos, basta tomar
os simétricos (negativos) dos números irracionais posi-
tivos.

Se denotarmos por I o conjunto dos números irracionais,


então R R = I ∪ Q é o conjunto dos números reais.

O N ÚMERO π

Além do número irracional 2 , outra medida importante
detectada na Antigüidade e que não pode ser expressa por um
número racional é o número π .
Para entender, tome um cı́rculo de diâmetro igual a 1 e force-
o a rolar sem deslizamento ao longo de uma reta, como na Figura 6.3.

C E D E R J 83

i i

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Métodos Determinı́sticos I | Representação Decimal de Números Racionais, Porcentagens e Números Irracionais

A A

Figura 6.3: O perı́metro do cı́rculo.

O segmento de reta, compreendido entre duas posições con-


secutivas em que um ponto escolhido A toca a reta de rolagem,
tem comprimento que denominamos π .
O número π é portanto o comprimento ou perı́metro de um
cı́rculo cujo diâmetro mede 1.
O número π já era estudado à época do Oriente antigo e lhe
era atribuı́do o valor aproximado de 256 81 ≃ 3, 16 . . .. Este dado
histórico está registrado no Papiro de Rhind (1650 a.C.).
O grande geômetra grego, Arquimedes de Siracusa (século
IV a.C.), desenvolveu métodos geométricos eficientes para cal-
cular valores numéricos ainda mais próximos para π . Usando
um polı́gono de 96 lados inscrito numa circunferência, encon-
trou π ∼ 3, 1428.
No entanto, foram precisos mais de 2.200 anos após Arqui-
medes para que, em 1882, o matemático inglês Ferdinand Lin-
deman pudesse provar que o número π é irracional.

Exercı́cio 6.8

1. Encontre a representação decimal dos seguintes números:


−27
a)
12
−135
b)
21
67
c)
15
329
d)
5
7
e)
10
2. Coloque em ordem crescente os números racionais:

a) −3, 217

84 C E D E R J

i i

i i
b) 0, 272

6 1 MÓDULO 1
13
c)
29
d) −3, 22

3. Calcule o número resultante das seguintes operações e o


1
1, 3 −
5 − 0, 35 .

AULA
expresse na representação decimal.
5 1, 4

C E D E R J 85

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Métodos Determinı́sticos I | Potências, Radicais e Expressões Numéricas

86 C E D E R J

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i i
Aula 7
P OT ÊNCIAS , R ADICAIS E
E XPRESS ÕES N UM ÉRICAS

Objetivos
Ao final desta aula, você deverá ser capaz de:

1 compreender os conceitos de potenciação e radiciação


de números reais;
2 resolver ou simplificar expressões numéricas.

i i

i i
Métodos Determinı́sticos I | Potências, Radicais e Expressões Numéricas

Você já deve ter experiência desde o Ensino Fundamental e


Médio de lidar com o assunto que iniciamos nesta aula: poten-
ciação.
O ponto de partida é uma questão de notação. Quando es-
crevemos, por exemplo 34 , estamos expressando em sı́mbolos e
abreviadamente o produto 3 · 3 · 3 · 3. Notamos vantagem nesta
convenção. Imagine se tivermos que expressar através de pro-
duto de fatores 3500 . É muito fatigante! Daı́, o poder da notação.
É preciso ressaltar que o assunto potenciação não é ape-
nas uma questão de notação. O estudo de potências leva, por
exemplo, às importantes funções exponencial e logarı́tmica. Mas,
vamos devagar e passo a passo, começando com a definição de
potências.

P OT ÊNCIAS DE UM N ÚMERO R EAL


Antes de tudo, é bom você recordar nossa escolha. O con-
junto dos números naturais não contém o zero. Isto é, N =
{1, 2, 3, . . .}.

Definição 7.1
Seja b um número real.

a) Se n é um número natural, então bn = b · b · . . . ·


b(n fatores iguais a b).

b) Se b 6= 0 em é um número inteiro negativo, bm =


−m
(b−1 )−m = b1 = b1 · 1b · . . . · 1b . Acima temos um
produto com −m fatores. Note que −m > 0.

c) Se b 6= 0, então b0 = 1.

 i. Na definição anterior b é chamado a base e n, m e 0


(zero) são os expoentes.
ii. Observe, na definição anterior, a questão da abran-
gência dos números reais que servem de base. No
item a) b é qualquer número real; nos itens b) e c) é
necessária à condição b 6= 0.

88 C E D E R J

i i

i i
Vamos a alguns exemplos!

7 1 MÓDULO 1
 
Exemplo 7.1 


1 3 1 1 1 1 1 1
a) − = − · − · − = − =− .
3 3 3 3 9 3 27

AULA

2 −4 5 4 5  5  5 
b) − = −√ = −√ · −√ · −√ ·
5 2 2 2 2
5  25 25 625
−√ = · = .
2 2 2 4
312 0
c) (3, 12)0 = = 1.
100

 i. Atenção! Não tem sentido matemático a expressão


00 .
ii. Aproveito a ocasião para lembrar que, você já deve
ter topado com outras expressões matemáticas sem
sentido, ou indeterminadas. Recordo mais um exem-
0
plo: não tem sentido ou é indeterminado.
0

P ROPRIEDADES DA P OTENCIAÇ ÃO

As propriedades da potenciação que enunciamos a seguir


são conseqüências diretas das propriedades fundamentais das
operações de adição e multiplicação de números reais.
Suponha que os números reais b e c e os números inteiros
m e n permitem definir todas as potências explicitadas a seguir.
Então, valem as propriedades:

I. bm · bn = bm+n

 Para efetuar o produto de potências de mesma base, con-


servamos a base e somamos o expoente.

C E D E R J 89

i i

i i
Métodos Determinı́sticos I | Potências, Radicais e Expressões Numéricas

 
Exemplo 7.2 


32 · 35 = 32+5 = 37 .

II. (bm )n = bmn

 Para efetuar a potência de uma potência, multiplicamos os


expoentes.

 
Exemplo 7.3 

5
23 = 23·5 = 215 .

1
III. bm ÷ bn = bm · = bm · b−n = bm−n
bn

 Para efetuar a divisão de potências de mesma base, con-


servamos a base e subtraı́mos os expoentes.

 
Exemplo 7.4 

 2
1 12
(−2)3 ÷(−2)5 = −2)3−5 = (−2)−2 = = =
−2 (−2)2
1
.
4

IV. (b · c)m = bm · cm

 O produto de dois números elevado a uma potência é igual


ao produto da potência de cada um dos números.

 
Exemplo 7.5 

(4 · 2)3 = 43 · 23 .

90 C E D E R J

i i

i i
Exercı́cio 7.1

7 1 MÓDULO 1
1. Escreva sob a forma de produto e calcule:

a) 53
b) 252
c) 103

AULA
d) 111

2. Usando as propriedades de potenciação, expresse cada item


como uma base elevada a uma única potência.

a) 35 · 32 · 33
211
b)
29
c) 34 · 3 · 3−1
 7 3
6
d)
63

R A ÍZES n- ÉSIMAS DE N ÚMEROS R EAIS


Freqüentemente, ficamos diante da necessidade de definir
que número real x verifica uma equação como xn = b, onde n é
um número natural e b, um número real. Explicando melhor: na
equação, b é um número real conhecido e precisamos encontrar
um ou mais números reais x, tais que b = x· x· x . . .x(n fatores x).
– Você se lembra do surgimento do primeiro número irra-
cional, na Aula 3?
Naquela ocasião, o número real x, que fornecia a medida da
hipotenusa de um triângulo retângulo cujos catetos medem
√ 1,
2
verificava x = 2. Na ocasião, √ usamos a notação x = 2 √ para
expressar
√ o número. Portanto, 2 tem a propriedade que 2·
2 = 2.
Veja outros exemplos.
 
Exemplo 7.6 

Encontre números reais x, tais que x3 = −8.

C E D E R J 91

i i

i i
Métodos Determinı́sticos I | Potências, Radicais e Expressões Numéricas

Solução: A equação proposta tem como única solução x = −2. De


fato, (−2) · (−2) · (−2) = −8.
 
Exemplo 7.7 

Encontre números reais x, tais que x6 = 8.

√ caso, as duas soluções possı́veis são os números x1 =


Solução: Nesse

2 e x2 = − 2. De fato,
√ √ √ √ √ √ √
( 2)6 = 2 · 2 · 2 · 2 · 2 ·√ 2 = 2 · 2 · 2 = 8. O mesmo
desenvolvimento valendo para x2 = − 2.

Estamos em condições de definir o conceito de raiz enésima


de um número real.
Definição 7.2
(Raı́zes n-ésimas)
Seja b um número real. Então,

a) Se b > 0 e n um número natural, a raiz n-ésima de b é


o número real positivo que elevado à potência n resulta
b.
√ 1
Usamos a notação n b ou √ b n√para √representar a raiz
n-ésima de b. Isto é, b = b · b . . . n b (n fatores).
n n

b) Se b < 0 e n é um número natural ı́mpar, a raiz


enésima de b é o número real negativo que elevado
a potência n resulta b.
√ 1
Permanecemos com a notação n b ou b n para√re-
presentar
√ √ a n-ésima raiz de b. Então b = n b ·
n n
b . . . b (n fatores).

c) Se b = 0 e n é um número natural, então √ a raiz


n
enésima de b = 0 é o número zero. Isto é, 0 = 0.

 √
i. Não definimos m b, qualquer que seja o número real
√ inteiro e m ≤ 0. Por exemplo,
b, se m é um número
não tem sentido −3 5.

ii. Não está definido n b, onde n é par e b < 0. Por
exemplo, não existe
√ nenhum número real que possa
ser associado a 4 −2.

92 C E D E R J

i i

i i

iii. Na expressão n b, o número b é o radicando, o sı́mbolo

7 1 MÓDULO 1
é a raiz e n é o ı́ndice da raiz.
√ √
iv. No caso n = 2, em vez de 2 escrevemos e
lemos:
√ “raiz quadrada”. Por exemplo, a igualdade
49 = 7, lê-se “raiz quadrada de 49 é igual a 7”.

v. No caso n = 3, o sı́mbolo 3 lê-se raiz cúbica. Por

exemplo, a igualdade 3 −125 = −5, lê-se: “raiz cúbica

AULA
de −125 é igual a −5”.

P ROPRIEDADES DA R ADICIAÇ ÃO

a) Se a e b são √números √
reais√positivos e n é um número
natural, então a · b = n a · n b.
n

b) Se a é um número real negativo, b um número


√ real
√ positivo

e n é um número natural ı́mpar, então n a · b = n a · n b.

 
Exemplo 7.8 


√ 1
a) 3
27 = 27 3 = 3. Pois, 3 · 3 · 3 = 33 = 27.

b) Não tem sentido −4 quando trabalhamos com números
reais, uma vez que não existe um número real x, tal que
x2 = −4.

c) 5
−32 = −2. Pois (−2)5 = (−2) · (−2) · (−2) · (−2) ·
(−2) = −32.
√ √ √ √ √
d) 8 = 22 · 2 = 22 · 2 = 2 2.
√ p p √ √
e) 3
−81 = 3 (−3)3 · 3 = 3 (−3)3 · 3 3 = −3 3.

 i. Observe que (−3)2 =√9 e 32 = 9. No entanto 9 =


3. É errado escrever 9 = −3!! Pois para todo √ nú-


n
mero real positivo b e todo número natural n, b é,
por definição, um número positivo.

ii. Sendo 9 = 3 então tomando os números√ simétricos
(ou multiplicando por −1) escrevemos − 9 = −3.

C E D E R J 93

i i

i i
Métodos Determinı́sticos I | Potências, Radicais e Expressões Numéricas

Exercı́cio 7.2

1. Calcule:
√ √
a) ( 2 ÷ 3)−4
√ −3
b) [( 2)−2 ]

c) ( 2 − 5)2

2. Verifique as seguintes igualdades:


√ √
a) −250 = −5 3 2
3

√ √
b) 4 48 = 2 4 3
√ √
c) 5 −512 = −2 5 16

P OT ÊNCIAS R ACIONAIS DE N ÚMEROS R EAIS


Dado um número racional r, podemos sempre supor que a
fração que o representa não pode ser simplificada e o denomi-
nador é positivo. Isto é, podemos escrever r na forma,
m
r= ,
n
onde m e n são números inteiros que não possuem divisor em
comum e n > 0.
Dentro destas condições estabelecidas, introduzimos a próxima
definição.

Definição 7.3
m
Sejam b um número real e r = tais que uma das condições
n
é satisfeita:

a) bm < 0 e n é um número natural ı́mpar. Ou

b) bm > 0
m

então, br = b n = n bm .

94 C E D E R J

i i

i i
 Veja que as condições a) e b) impostas na definição são

7 1 MÓDULO 1
necessárias para que as operações de radiciação e potência
fiquem bem definidas. Observe, também, que em virtude
das propriedades da radiciação vale
m
√ √
b n = n bm = ( n b)m .

AULA
 
Exemplo 7.9 


2 √
4
q
2

4
4
a) 16 4 = 162 = 4
(42 ) = 44 = 4 4 = 41 = 4.
5 p p p p
b) (−8) 3 = 3 (−8)5 = 3 (−8)3 · (−8)2 = 3 (−8)3 · 3 (−8)2 =

−8 3 64 = −8 × 4 = −32.
r r
− 32 √3 3 1 2  3 1 2 1 2 1
c) (27) = 27−2 = = = = .
27 27 3 9

Exercı́cio 7.3
Mostre que valem as seguintes igualdades:

1 √ −1 1
a) (−500) 3 = −5 3 4 b) (−32) 5
=−
2

E XPRESS ÕES N UM ÉRICAS E S IMPLIFI -


CAÇ ÕES

Uma expressão onde aparecem números reais, operações en-


tre os números e sinais convencionais de organização da ordem
das operações é o que chamamos de uma expressão numérica
real ou simplesmente expressão numérica.
Por exemplo,
    
√3 1 √3 1 2
E = −2 5+ + 5− ×3+5 ÷2 ×5
2 6
é uma expressão numérica. Na expressão destacada anterior-
mente, aparecem as operações fundamentais, a potenciação, a

C E D E R J 95

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i i
Métodos Determinı́sticos I | Potências, Radicais e Expressões Numéricas

radiciação e os sı́mbolos organizadores, chaves {,}, colchetes [,]


e os mais populares parênteses (,).
A expressão numérica é, geralmente, a tradução (equaciona-
mento) da solução de um problema qualquer que porventura es-
tejamos resolvendo. Portanto, diante de expressão algébrica, o
objetivo maior é resolvê-la, achando o número real que a repre-
senta ou, na impossibilidade, realizar operações para simpli-
ficá-la.
Uma expressão numérica, portanto, é uma coisa do tipo deci-
fra-me ou te devoro! Vamos resolver, ou decifrar, a expressão
anterior.
Mas, antes de realizar essa tarefa, vamos recordar as re-
gras que devem ser usadas quando queremos simplificar uma
expressão algébrica ou calcular seu valor. Eis a hierarquia das
operações e a convenção quanto aos sı́mbolos.

 i. Antes de qualquer coisa, devemos efetuar primeiro


as operações entre parênteses, depois entre colchetes
e, finalmente, realizar as operações entre chaves.
ii. Quanto às operações, devem ser resolvidas na se-
guinte ordem:
1. em primeiro lugar, as potenciações e as radicia-
ções (esta quando possı́vel);
2. em segundo lugar, as multiplicações e as divisões;
3. em terceiro lugar, finalmente as adições e as sub-
trações.
Mais algumas recordações são importantes para o
trato com expressões algébricas:
iii. Um sinal negativo na frente de um parênteses, col-
chetes ou chave muda o sinal de todos os termos in-
teriores ao sinal ou muda o resultado obtido quando
se efetua as operações internas ao sinal. Por exem-
plo:
−(3 × 2 + 6) = −3 × 2 − 6 = −6 − 6 = −12
ou
−(3 × 2 + 6) = −(6 + 6) = −(12) = −12 .
Agora acompanhe o cálculo do valor da expressão
E.

96 C E D E R J

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i i
    

3 3−1 √
3
E = −2· 5+ + 5 · 3 + 25 ÷ 2 × 5 =

7 1 MÓDULO 1
6
    

3 1 √3
= −2· 5+ + 5 · 3 + 25 ÷ 2 × 5 =
3
   

3

3
= − 2 · 5 + 1 + 3 · 5 + 25 ÷ 2 × 5 =

AULA
   

3

3
= − 2 · 5 + 26 + 3 · 5 ÷ 2 × 5 =

 

3 3 √
3
= − 2 5 + 13 + · 5 × 5 =
2
 

3 3 √
3
= − 2 5 + 13 + · 5 × 5 =
2
   
−4 + 3 √
3 1√3
= 5 + 13 × 5 = − 5 + 13 × 5 =
2 2

−5 √
3
= 5 + 65.
2

Compare o resultado encontrado com a expressão original.


Convenhamos, o resultado que encontramos é um valor numérico
muito mais palatável para E.

Exercı́cio 7.4
Resolva as seguintes expressões:

a) 14 − (−2)4 − (−2)3 + 07 + 320 + 8 · 22


3
b) −(−3)3 − 22

c) −(1)0 + 23

d) −2 + {−1 − [5 − 3 · (10 + 1) ÷ 3] − 5 · 7}

e) −5 + [3 − (7 − 5 − 3) · 22 ÷ 11]

C E D E R J 97

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Métodos Determinı́sticos I | Potências, Radicais e Expressões Numéricas

P RODUTOS N OT ÁVEIS
Os produtos notáveis são equivalências entre expressões algé-
bricas, úteis para simplificar a rotina de cálculos. Veja, em se-
guida, os casos mais simples de produtos notáveis:

Quadrado da soma de dois termos algébricos

Se a e b são números reais, então


(a + b)2 = a2 + 2ab + b2 .
Para mostrar que o primeiro membro coincide algebricamente
com o segundo membro, basta efetuar o desenvolvimento,
(a + b)2 = (a + b) · (a + b) = a · a + a · b + b · a + b · b = a2 +
2ab + b2.

Quadrado da diferença de dois termos algébricos

Se a e b são números reais, então


(a − b)2 = a2 − 2ab + b2 .
Para mostrar que o primeiro membro coincide algebricamente
com o segundo membro, basta efetuar o desenvolvimento,
(a−b)2 = (a−b)·(a−b) = a·a+a·(−b)+(−b)·a+(−b)·
(−b) = a2 − 2ab + b2 .

Produto da soma pela diferença

Se a e b são números reais, então


(a + b)(a − b) = a2 − b2 .
Basta efetuar o desenvolvimento para verificar que o primeiro
membro coincide algebricamente com o segundo membro (a −
b)(a + b) = a · a + a · b + (−b) · a + (−b) · (b) = a2 − b2 .
Com uma aplicação dos produtos notáveis e com o objetivo
de resolver expressões numéricas, vamos abrir nossa caixa de
truques e retirar dali a ferramenta chamada racionalização. Veja
os exemplos tı́picos:

98 C E D E R J

i i

i i
 
Exemplo 7.10 


7 1 MÓDULO 1
Racionalize ou simplifique expressões do tipo:

1
a) √ √
a+ b
1
b) √ √

AULA
a− b

onde a e b são números reais positivos e a 6= b.


Solução: Para efetuar a racionalizaç ão, vamos usar o produto notável
onde, para números reais x e y, (x − y)(x + y) = x2 − y2 . Então,

√ √ √ √
1 a− b a− b
a) √ √ = √ √ √ √ = ,
a + b ( a + b)( a − b) a−b
√ √ √ √
1 a+ b a+ b
b) √ √ = √ √ √ √ =
a − b ( a − b)( a + b) a−b

Veja alguns exemplos numéricos.

c) Simplifique (racionalize) as expressões numéricas:



1− 5
1. E1 = √
5

6
2. E2 = √ √
2− 3
1 1
3. E3 = √ √ −√
5+ 3 3
√ √
2− 3
4. E4 = √4

2+ 4 3
Solução:
√ √ √ √ √
1 − 5 (1 − 5) · 5 5−5 5
1. E1 = √ = √ √ = = − 1.
5 5· 5 5 5
√ √ √ √ √ √
6 6 2+ 3 12 + 18
E2 = √ √ =√ √ ·√ √ = √ √
2− 3 2− 3 2 + 3 ( 2)2 − ( 3)2
2.
√ √ √ √
3·4+ 2·9 2 3+3 2 √ √
= = = −2 3 − 3 2.
2−3 −1

C E D E R J 99

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Métodos Determinı́sticos I | Potências, Radicais e Expressões Numéricas

√ √ √
1 1 5− 3 3
E3 = √ √ −√ = √ √ √ √ −√ √ =
5+ 3 3 ( 5 + 3)( 5 − 3) 3· 3
3.
√ √ √ √ √ √ √ √
5− 3 3 5− 3 3 5 5 3
= − = − = − .
5−3 3 2 3 2 6
√ √ √ √ √ √ p√ p√
2− 3 2− 3 2− 3 2− 3
E4 = √4
√4
= p√ p√ = p√ p√ · p√ p√ =
2+ 3 2+ 3 2+ 3 2− 3
4.
√ √ √ √
( 2 − 3)( 4 2 − 4 3) √4
√4
= √ √ = 2 − 3.
2− 3

2
d) Racionalize ou simplifique a expressão E = √ √ −
7− 2
1
√3
.
5
Solução:
√ √ √3 2
2 1 2( 7 + 2) 5
E = √ √ −√
3
= √ √ √ √ − √
3
√3
=
7− 2 5 ( 7 − 2)( 7 + 2) 5 · 52
√ √ √
3
√ √ √
3
2( 7 + 2) 25 2( 7 + 2) 25
= √ √ −√ = − =
2
( 7) − ( 2)2 3 3
5 7−2 5
√ √ √
2 7 + 2 2 − 3 25
= .
5

Para finalizar a aula, resolva os exercı́cios.

Exercı́cio 7.5

 
1 1 √
1. A expressão numérica E = √ √ √ −3 ÷ 3−
  3 2− 3
√ 1
2 3− √ é igual a:
6

3−3
a)
3

− 3+9
b)
3

3−9
c)
3

100 C E D E R J

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i i
2. Mostre que são verdadeiras as igualdades:

7 1 MÓDULO 1
√ √
a) ( 2 − 1)3 = 5 2 − 7
  √ √
1 2−2 3+ 2
b) √ −1 ÷ =
2 2 2 2
3. Determine o valor de x em cada uma das equações abaixo:

AULA
a) 53x−2 = 1
b) 16x+2 = 23x−1
2 −x
c) (x2 + 3)x =1
1 3
4. O número √ √ −√3
é igual a:
3− 2 −3
√ √ √
3− 2− 3 9
a)
3
√ √ √
3 3+3 2+ 3 9
b)
3
√ √ √
3 3−3 2+ 3 9
c)
3
√ √ √
d) 3+ 2+ 3 9

5. Verifique que as seguintes igualdades são verdadeiras:


5 √
a) √ = 5
5
3 √4
b) √4
= 33
3
√ √ √
3 2 5 17 + 10
c) √ √ −√ √ =
8− 5 8+ 5 3
p √ 6
6. (Desafio)
√ √ Prove que se a < 0 então 1 − 3
a = 1+
3 a( a − 1) − a.
3 3

7. (Desafio) Mostre que são negativos os números:



a) 3 − 2 3
p √ p √
b) 3 + 3 − 3 3

C E D E R J 101

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Métodos Determinı́sticos I | Números Reais: Relação de Ordem, Intervalos e Inequações

102 C E D E R J

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Aula 8
N ÚMEROS R EAIS : R ELAÇ ÃO DE O RDEM ,
I NTERVALOS E I NEQUAÇ ÕES

Objetivos
Ao final desta aula, você deverá ser capaz de:

1 compreender a estrutura de ordem dos números


reais e suas principais propriedades;
2 compreender o conceito de intervalo de números
reais, realizar operações com intervalos e repre-
sentá-los graficamente na reta;
3 resolver inequações e usar os intervalos para ex-
pressar os conjuntos soluções.

i i

i i
Métodos Determinı́sticos I | Números Reais: Relação de Ordem, Intervalos e Inequações

A representação dos números reais sobre uma reta é uma


poderosa ferramenta. É como se construı́ssemos uma ponte li-
gando a aritmética e a álgebra à geometria.
Outro aspecto importante da representação dos números reais
sobre uma reta é o fato de que os números aparecem de maneira
organizada, possibilitando comparar as ordens de grandeza de
dois números por suas posições. Para motivar esta última obser-
vação, proponho uma atividade para começar.

Exercı́cio 8.1
Após tomar um banho, coloque uma roupa legal, pra cima,
borrifadas de um agradável perfume ajudam. Pronto. Saia à rua.
Você vai a uma loja comprar uma televisão nova, de tela grande,
a Copa do Mundo se aproxima, e estão oferecendo garantia de
10 anos, controle remoto e o escambau. Só falta garantir a
vitória do seu time.
De volta a casa, televisão instalada. Você liga. O canal
10 é automaticamente sintonizado, e o som está muito baixo.
O jogo da seleção já começou, está passando no canal 12, e você
precisa também entrar em campo! Você está com o controle na
mão, aconchegado no sofá e o manual de instruções longe. Ob-
servando o controle remoto, você identifica o ı́cone de volume
(VOL) e o ı́cone dos canais (CH). Veja o controle na Figura 8.1
a seguir.

Figura 8.1: Controle remoto.

– Que tecla apertar para passar do canal 10 ao canal 12?


Duas vezes a tecla acima do ı́cone canal (CH) ou duas vezes
aquela abaixo?

104 C E D E R J

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i i
– Que tecla comprimir para aumentar o volume? Aquela à

8 1 MÓDULO 1
direita ou aquela à esquerda do ı́cone volume?
Pense um pouco e responda! Acredite, sua resposta definirá
sua condição de pessoa bem ou mal-orientada em relação às
convenções de comunicação gráfica adotadas.
Se você já se decidiu, consulte a resposta ao Exercı́cio 8.1

AULA
no fim deste módulo.
E aı́? Acertou a resposta? Pois é, são convenções que têm o
seu fundamento.
Veja por quê! Ao representarmos os números reais sobre
uma reta horizontal eles crescem, da esquerda para a direita
e, evidentemente, decrescem da direita para a esquerda. Se a
reta, representando os números reais, fosse posicionada vertical-
mente, a representação dos números seria crescente para cima e
decrescente para baixo!
Para tornar um pouco mais rigorosa esta idéia, vamos intro-
duzir a relação de ordem nos números reais.
Considere os números reais representados sobre uma reta
real orientada, como na Figura 8.2.

Figura 8.2: Números reais sobre a reta.

Dados dois números reais a e b representados sobre a reta,


escrevemos que a < b para significar que o sentido que vai de a
para b coincide com a orientação da reta.
A expressão a < b é uma desigualdade “a é menor do que
b”.
Observando a Figura 8.2, concluı́mos que
11 7
− < −2 , 0< , −2 < −1.
3 4
Se a < b, equivalentemente, podemos escrever que b > a, b
é maior que a.

C E D E R J 105

i i

i i
Métodos Determinı́sticos I | Números Reais: Relação de Ordem, Intervalos e Inequações

Também as notações x ≤ y e z ≥ w são permitidas entre


números reais x, y, z e w. A primeira expressão x ≤ y traduz que
o número x é menor ou igual ao número y. A segunda expressão
z ≥ w traduz que o número z é maior ou igual a w.
A relação de ordem introduzida nos números reais tem pro-
priedades muito interessantes. Veja duas delas muito importantes:
Para o enunciado das propriedades considere que, a, b e c
são números reais arbitrários.

 Propriedade 1. Se a < b e b < c então a < c.


Veja um exemplo: −3 < 5 e 5 < 25 ⇒ −3 < 25.

 Propriedade 2. Se a < b então a + c < b + c.


Somar um mesmo número a em ambos os membros de uma
igualdade não altera a igualdade. Veja um exemplo.
−3 < 2 ⇒ −3 + 3 < 2 + 3 ⇔ 0 < 5.
A Propriedade 2 é muito útil para resolver inequações,
assunto que trataremos adiante. No entanto, adiantando ao as-
sunto, veja um exemplo! Queremos determinar todos os valores
inteiros x que satisfazem a desigualdade, x − 12 < −9. Usando
a Propriedade 2, temos que
x − 12 < −9 ⇒ x − 12 + 12 < −9 + 12 ⇔ x < 3.
Logo, os valores são x = 2, 1, 0, −1, −2, . . ..

 Propriedade 3. Se a < b e c > 0 então a · c < b · c.


Esta propriedade é enunciada ressaltando que multiplicando
ambos os membros de uma desigualdade por um número pos-
itivo a desigualdade permanece. Veja um exemplo em que o
fator de multiplicação é o número 2:
−250 < −32 ⇒ −500 < −64.

106 C E D E R J

i i

i i
 Propriedade 4. Se a < b e c < 0 então a · c > b · c.

8 1 MÓDULO 1
Esta propriedade é enunciada ressaltando que multiplicando
ambos os membros de uma desigualdade por um número nega-
tivo a desigualdade inverte de sentido.
Veja um exemplo em que o fator de multiplicação é o número

AULA
(−2):
−250 < −32 ⇒ 500 > 64

I NTERVALOS DE N ÚMEROS R EAIS


Intervalos são subconjuntos de números reais que expres-
sam um continuum dos números reais. Esta caracterização im-
plica que se dois números a e b estão num intervalo I e a < b,
então qualquer número entre a e b está em I. Mais tarde, quando
você estudar limite e derivada, poderá apreciar melhor esta ca-
racterização de intervalos. Mas falamos do bicho intervalo, sem
apresentá-lo. Vamos às definições.

Definição 8.1
Dados os números reais a e b, com a < b, definimos os
seguintes conjuntos de números reais:

a) (a, b) = {x ∈ R; a < x < b},

b) [a, b) = {x ∈ R; a ≤ x < b},

c) (a, b] = {x ∈ R; a < x ≤ b},

d) [a, b] = {x ∈ R; a ≤ x ≤ b}.

Os intervalos definidos são referidos como intervalos aberto


(a), fechado à esquerda e aberto à direita (b), aberto à esquerda
e fechado à direita (c), e fechado (d). Os números a e b são os
extremos do intervalo.
Localizando os números a e b sobre a reta real temos repre-
sentações gráficas dos intervalos definidos.

C E D E R J 107

i i

i i
Métodos Determinı́sticos I | Números Reais: Relação de Ordem, Intervalos e Inequações

 
Exemplo 8.1 

Representação gráfica dos intervalos (−3, −2), [−1, 0), (1, 2]
 7
e 3, . Veja a Figura 8.3.
2

Figura 8.3: Representação de intervalos.

Examine novamente a Figura 8.3 e note que na representação


dos intervalos estamos usando duas convenções. Quando o núme-
ro extremo do intervalo é representado por um ponto cheio, o
número pertence ao intervalo. Quando o número extremo do
intervalo é representado por um ponto vazado, o número não
pertence ao intervalo.
Se a é um número real podemos usar o sı́mbolo +∞ e −∞
para expressar intervalos infinitos.

Definição 8.2
Os subconjuntos de números reais

a) (a, ∞) = {x ∈ R; x > a},

b) [a, ∞) = {x ∈ R; x ≥ a},

c) (−∞, a) = {x ∈ R; x < a},

d) (−∞, a] = {x ∈ R; x ≤ a}.

são intervalos infinitos.

 
Exemplo 8.2 

Representação gráfica dos intervalos I = (2, ∞) e J = (−∞, 0].
Veja a Figura 8.4.

J I

108 C E D E R J Figura 8.4: Representação de intervalos infinitos.

i i

i i
 i. Na definição de um intervalo, o número que fica no

8 1 MÓDULO 1
extremo esquerdo é menor que√o número que fica
no extremo direito. Assim (−1, 2) é um intervalo,
mas (3, 0) não tem sentido.
ii. Usando o recurso de representar subconjuntos da reta
por intervalos, podemos escrever (−∞, ∞) = R.

AULA
 
Exemplo 8.3 


a) [2, 3] ∩ [3, 7) = {3}

b) (−1, 2) ∩ (0, 5) = (0, 2).

Solução: Vamos resolver o item a). Note que


[2, 3] = {x ∈ R; 2 ≤ x ≤ 3} e [3, 7) = {x ∈ R; 3 ≤ x < 7}.

Como se trata de uma interseção de conjuntos, as desigualdades mos-


tram que x = 3 é o único número que aparece em ambos conjuntos.
Logo, é válida a igualdade a).

Note que a validade da igualdade de conjuntos expressa no item b)


pode ser observada graficamente na Figura 8.5. Nas cópias da reta real
estão representados, respectivamente, os subconjuntos (−1, 2), (0, 5)
e (−1, 2) ∩ (0, 5).

Também (−1, 2) = {x ∈ R; −1 < x < 2} e (0, 5) = {x ∈ R; 0 < x < 5}.

Logo, todo x tal que 0 < x < 2 pertence a ambos os conjuntos. Provando
a igualdade b).

Figura 8.5: Interseção de intervalos.

C E D E R J 109

i i

i i
Métodos Determinı́sticos I | Números Reais: Relação de Ordem, Intervalos e Inequações

Exercı́cio 8.2
Prove que

a) (−1, 2) ⊂ (−∞, 3)
√ √
b) (− 3, 10) ∩ [0, 10 2) = [0, 10)

e represente geometricamente as operações entre os intervalos.

I NEQUAÇÕES DO P RIMEIRO G RAU DE UMA


VARI ÁVEL R EAL
Inequações são expressões em que aparecem números, de-
sigualdades e uma variável freqüentemente representada por x.
A inequação define todos os valores reais que podem ser assu-
midos pela variável.
Resolver a inequação é explicitar o subconjunto de números
reais em que a variável pode assumir valores, de modo que a
inequação seja satisfeita. A linguagem dos intervalos é muito
útil para expressar o conjunto solução de uma inequação.
 
Exemplo 8.4 

Encontre o conjunto solução da inequação 6 − 2x ≤ 8x.
Solução:
6 − 2x ≤ 8x ⇒ 6 ≤ 8x + 2x ⇒ 6 ≤ 10x.
6 3
Então, ≤x⇒x≥ .
10 5
Logo, o conjunto solução S da inequação é
   
3 3
S = x ∈ R; x ≥ = ,∞ .
5 5

Exercı́cio 8.3

1. Use a Propriedade 3 para descrever todos os números reais


tais que: 2x < −7.
2. Use a Propriedade 4 para descrever os números reais x tais
que −13x < −5.

110 C E D E R J

i i

i i
3. Coloque em ordem crescente os seguintes números reais:

8 1 MÓDULO 1
−13 −18 13 18
, , , .
12 17 12 17

1 3 √ 7
4. Coloque em ordem crescente os números − , − , 2,
2 3 5

5. Verifique que 3 < 10 < 3, 2

AULA

5 1
6. Descreva todos os números naturais n para os quais >√ .
n 5
7. Represente na reta real os seguintes intervalos:

a) (− 2, 2]
 
7 10
b) ,
8 4
c) [π , ∞)

8. Efetue as seguintes operações com intervalos:

a) [−6, 0) ∩ [−2, 5]
b) (−∞, 1) ∩ (−1, ∞)
c) R − (1, ∞)
 √ 
2 1
d) − , ∪ (0, ∞)
2 3

9. Apresente na forma de intervalo de números reais o con-


junto solução das inequações:
x √
a) √ − 1 < 2x − 1
2
1
b) − 1 > 0
x
10. Responda falso (F) ou verdadeiro (V) para as sentenças
abaixo. Justifique a resposta.

a) (−2, ∞) ∪ (−∞, −2) = R


b) N = [1, ∞)
 √   
3 √ 1
c) 1 ∈ − , 3 ∩ ,∞
2 2

C E D E R J 111

i i

i i
Métodos Determinı́sticos I | Números Reais: Relação de Ordem, Intervalos e Inequações

1
11. Encontre o maior número natural n para o qual − √ +
5
5
n< √
2
12. Prove que são verdadeiras as desigualdades:
1 √
a) √ √ <2 2
5+ 3
p √ 7
b) 3 3 <
3
13. Considere dois números reais a e b. Responda falso (F)
ou verdadeiro (V) às afirmações justificando brevemente
a resposta.
a+b √
a) Se a, b ≥ 0 então ≥ a·b
2
b) Se a ≤ b então a2 − b2 ≤ 0
c) Se a ≥ 2 então a3 − 1 ≥ a2 + a + 1

112 C E D E R J

i i

i i
Aula 9
M ÓDULO DE UM N ÚMERO R EAL E
I NEQUAÇ ÕES M ODULARES

Objetivos
Ao final desta aula, você deverá ser capaz de:

1 compreender o conceito de módulo de um número


real e relacionar este conceito com a distância
entre dois pontos da reta;
2 distinguir entre os conjuntos de números reais
aqueles que são intervalos;
3 resolver inequações em que aparecem módulos.

i i

i i
Métodos Determinı́sticos I | Módulo de um Número Real e Inequações Modulares

Nesta aula, continuamos a aumentar nosso conhecimento


acerca dos números reais com dois tópicos a mais explicitados
no tı́tulo da aula. Vamos ao primeiro tópico.

M ÓDULO DE UM N ÚMERO R EAL


Definição 9.1
Dado um número real x, o módulo de x, representado por |x|,
é definido por

 x se x > 0
|x| = −x se x < 0

0 se x = 0

Veja os seguintes exemplos de módulos de números:


 
√ √ 1 1 1
| 2| = 2, − = − − = e |0| = 0 .
2 2 2

Observe algumas propriedades básicas do módulo que decor-


rem diretamente da definição:

Propriedades

• Para qualquer número real x,

|x| ≥ 0 e |x| ≥ x .

• Se x, y são números reais então

|x · y| = |x| · |y| .

• Se x, y são números reais e y 6= 0, então

x |x|
= .
y |y|

Vamos fazer um breve comentário sobre a propriedade 1.


Para acompanhar, retorne com atenção à definição de módulo de

114 C E D E R J

i i

i i
um número real e veja que na coluna após a chave estão escritos

9 1 MÓDULO 1
números positivos nas duas primeiras linhas e o número zero na
terceira linha. Isto mostra que o módulo é sempre positivo ou
nulo. Isto é |x| ≥ 0 para qualquer x. Também se x for positivo,
então |x| = x e no caso de x negativo ou nulo então −x ≥ x. Isto
mostra que a propriedade 1 é verdadeira.
As outras duas propriedades do módulo são auto-evidentes.

AULA
C ARACTERIZAÇ ÃO G EOM ÉTRICA DO M ÓDULO

Vamos usar a representação dos números reais sobre uma


reta para caracterizar geometricamente o módulo de um número.
Veja na Figura 9.1, sobre a reta real, dois números reais x e y,
onde x > 0 e y < 0.

Figura 9.1: Módulo como distância à origem.

Como x > 0, então |x| = x. Por outro lado, como y < 0, então
|y| = −y.
Em um ou outro caso |x| e |y| representam, respectivamente,
a medida da distância de x até a origem O ou de y até a origem O.
Com esta interpretação geométrica em mente, enunciamos a
propriedade fundamental que relaciona o módulo de um número
com a distância entre dois pontos da reta.
Propriedade: Sejam x e y números reais representados geome-
tricamente na reta real. Então

|x − y| = d(x, y) , (9.1)
onde d(x, y) significa a distância do ponto x ao ponto y ou, o que
é a mesma coisa, d(x, y) é o comprimento do segmento cujos
extremos são os pontos x e y.

C E D E R J 115

i i

i i
Métodos Determinı́sticos I | Módulo de um Número Real e Inequações Modulares

D ESIGUALDADE T RIANGULAR
A desigualdade triangular é outra propriedade fundamental
sobre números reais. Veja o enunciado:
Se a e b são números reais quaisquer. Então

|a + b| ≤ |a| + |b| .

Veja por que vale a desigualdade triangular.

1) Se a + b ≥ 0 então

|a + b| = a + b ≤ |a| + |b| .

Nesta última passagem, usamos a propriedade 1, vista an-


teriormente.

2) Se a + b < 0 então

|a + b| = −(a + b) = −a − b ≤ |a| + |b| .

De novo fizemos uso da propriedade 1.

A desigualdade triangular que acabamos de provar pode apare-


cer expressa de outras maneiras. Veja um exemplo:
 
Exemplo 9.1 

Para quaisquer dois números reais a e b

|a| − |b| ≤ |a − b|.

Veja como esta desigualdade é conseqüência direta da de-


sigualdade triangular. De fato

|a| = |a − b + b| ≤ |a − b| + |b| .

Logo
|a| − |b| ≤ |a − b| ,
provando a desigualdade.

116 C E D E R J

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i i
Definição 9.2

9 1 MÓDULO 1
Dados os números reais a e r, onde r > 0, os intervalos

(a − r, a + r) e [a − r, a + r]

são ditos, respectivamente, o intervalo aberto de centro em a


e raio r e o intervalo fechado de centro em a e raio r.

AULA
√Na Figura 9.2, representamos os intervalos centrados em −2
e 2 de raios iguais a 1, o primeiro fechado e o segundo aberto.

Figura 9.2: Intervalos aberto e fechado.

 i. O intervalo (a − r, a + r) é constituı́do por todos os


números reais que estão a uma distância inferior a r
do número a. Veja por que

(a − r, a + r) = {x ∈ R; a − r < x < a + r} .

Vamos separar a dupla desigualdade que aparece na


definição do intervalo em

a−r < x e x < a+r.

Estas desigualdades são equivalentes por sua vez a

−(x − a) < r e x−a < r.

Logo, o número x − a e seu simétrico −(x − a) são


inferiores a r. Então

|x − a| < r .

Portanto, podemos escrever o intervalo aberto de cen-


tro a e raio r, como

(a−r, a+r) = {x ∈ R; |x−a| < r} = {x ∈ R; d(x, a) < r} .

Esta maneira de representar o intervalo é geometri-


camente relevante. Podemos dizer que (a − r, a + r)

C E D E R J 117

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i i
Métodos Determinı́sticos I | Módulo de um Número Real e Inequações Modulares

é o conjunto dos números (pontos) da reta que estão


a uma distância inferior a r do número (ponto) que é
o centro do intervalo.
ii. Se I = (a, b) é um intervalo aberto, então a < b e d =
b − a é o diâmetro do intervalo I. Veja a Figura 9.3,
onde o diâmetro d é representado.

Figura 9.3: Diâmetro de um intervalo.

Exercı́cio 9.1

1. Sejam I = (a, b) um intervalo aberto e d = b−a o diâmetro


a+b d b−a
do intervalo, prove que c = er= = são,
2 2 2
respectivamente, o centro e o raio do intervalo I.
√ 36
2. Considere o intervalo I = (a, b), a = 2eb= . Calcule
25
o raio r de I.

I NEQUAÇÕES DO P RIMEIRO G RAU COM


M ÓDULO
Para encerrar esta aula vamos praticar, em alguns exemplos,
a solução de inequações onde aparecem módulos.
 
Exemplo 9.2 


a) Determine o conjunto de números reais, tais que |x + 1| < 5.


Solução: Usando a definição de módulo, a desigualdade pro-
posta corresponde a duas desigualdades

x + 1 < 5 e − (x + 1) < 5 .

Ou seja, x < 4 e −6 < x. Portanto, S = (−6, 4) é o conjunto


solução.

118 C E D E R J

i i

i i
b) Determine o conjunto solução da inequação |x − 1| > 6.

9 1 MÓDULO 1
Solução: A desigualdade é equivalente a

x − 1 > 6 e − (x − 1) > 6 .

Ou seja, x > 7 e −5 > x. Logo, o conjunto solução S é dado


pela união de dois intervalos abertos infinitos: S = (−∞, −5) ∪
(7, ∞).

AULA
c) Determine o conjunto solução da inequação |x + 1| < |x −
1|.
Solução: O problema consiste em identificar todos os números
reais x tais que a distância até −1 é inferior à distância até 1.
Temos três casos a examinar.
1o¯ caso: x > 1.
Neste caso, x + 1 > 0 e x − 1 > 0 e a equação se torna x + 1 <
x − 1 ⇔ 1 < −1, o que é absurdo.
2o¯ caso: −1 ≤ x ≤ 1.
Neste caso, x + 1 ≥ 0 e x − 1 ≤ 0. Então a desigualdade se
expressa como

x + 1 < −(x − 1) ⇔ 2x < 0 ⇔ x < 0 .

Logo, juntando que −1 < x < 1 e x < 0 encontramos que −1 ≤


x < 0 é solução neste caso.
3o¯ caso: x < −1.
Neste caso, x + 1 < 0 e x − 1 < 0 e a desigualdade se expressa
como −(x + 1) < −(x − 1). Ou seja, −1 < 1. Portanto, todo
x < −1 é solução da inequação.
Juntando as possibilidades representadas pelo 2o¯ e 3o¯ casos
temos que

S = [−1, 0) ∪ (−∞, −1) = (−∞, 0)

é o conjunto solução procurado.

Exercı́cio 9.2

1. Existe algum número real a tal que |a − 2| = |a + 1|? In-


terprete sua solução em termos de distância.

C E D E R J 119

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i i
Métodos Determinı́sticos I | Módulo de um Número Real e Inequações Modulares

2. Determine os números x ∈ R que estão à distância 3 do


número −3.

3. Dado intervalo aberto I, determine o centro c e o raio r.


Isto é, escreva I na forma I = (c − r, c + r), onde

a) I = (−3, 2)

b) I = −5 8
2 , 3
√ √
c) I = (2 − 2 , 3 + 2)

4. Calcule o diâmetro de cada um dos intervalos do exemplo


9.2.

5. Determine e represente na reta real o conjunto solução de

1
a) x + =2
5
b) |x − 3| = −1
c) |x + 6| < 3

120 C E D E R J

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Aula 10
S ISTEMAS DE C OORDENADAS
EM UM P LANO

Objetivos
Ao final desta aula, você deverá ser capaz de:

1 identificar que coordenadas em uma reta ou em


um plano são ferramentas que permitem repre-
sentar graficamente subconjuntos da reta e do
plano;
2 compreender que numa reta com coordenadas a
noção de módulo de um número real conduz à
noção de distância entre pontos de uma reta.

i i

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Métodos Determinı́sticos I | Sistemas de Coordenadas em um Plano

Veja a inscrição encontrada num pergaminho de uma biblio-


teca na Antigüidade, dando referências para encontrar um tesou-
ro enterrado.

Na ilha de Samos, partindo das árvores baobás gêmeas,


andar 3.200 pés na direção do sol poente e aguardar a
meia noite de uma lua nova de março. Caminhar mais
7.280 pés na direção da estrela Sirius, e o tesouro estará
em seus pés.

Considerando o espaço descrito pelo “mapa do tesouro” como


um plano, as indicações referem-se a pontos com localizações
precisas e as direções que ligam esses pontos.
A Figura 10.1 a seguir, poderia ser uma representação es-
quemática do “mapa do tesouro”. Os pontos A, B e C seriam,
respectivamente, o ponto de partida, a primeira parada para aguar-
dar a lua nova de março e finalmente o tesouro no ponto C.
As direções indicadas de A para B e de B para C representam
as direções do sol poente e da estrela Sirius num céu de lua nova
de março.

B
s

0
20
3.

7.
28
0

s

C
Figura 10.1: O mapa do tesouro.

Nesta aula, vamos introduzir um sistema de coordenadas no


plano para resolver problemas ligados à localização de pontos,
à descrição de lugares geométricos (regiões do plano) e ofere-
cer uma ferramenta para resolver problemas que permitam uma
expressão geométrica.

122 C E D E R J

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i i
C OORDENADAS EM UMA R ETA

10 1 MÓDULO 1
Dada uma reta r indicamos os pontos sobre a reta por letras
maiúsculas A, B, C etc.
A idéia de introduzir coordenadas em uma reta é a de asso-
ciar a cada ponto da reta um número real, de maneira tão orga-
nizada, que possam ser conseguidas as seguintes propriedades:

AULA
• fica definido uma unidade de medida;
• todo ponto representa um e apenas um número real e, to-
dos os números reais são representados;
• a distância entre dois pontos é dada pelo módulo da diferença
dos números inscritos sobre o ponto.

Uma vez introduzido o sistema de coordenadas sobre a reta,


está estabelelecido uma representação geométrica dos números
reais. A partir daı́, pontos da reta e números reais são a mesma
coisa. Problemas envolvendo números reais podem ser resolvi-
dos geometricamente e propriedades de números reais podem
ser interpretadas geometricamente.
Este assunto coincide com a representação geométrica dos
números reais sobre uma reta, assunto visto nas aulas anteriores.
Não é demais repetir a construção, agora com foco no sistema
de coordenadas.
Dada uma reta r, escolha um ponto origem O e o represente
pelo número 0 (zero). Escolha outro ponto diferente para loca-
lizar o número 1. Neste ponto estamos aptos a representar sobre
a reta todos os números reais. Veja a Figura 10.2.

Figura 10.2: A reta real.

O segmento OA cujas extremidades são os pontos 0 (zero) e


1 (um), indicado como segmento U , define a unidade de medida
que permite localizar todos os números reais sobre a reta.

C E D E R J 123

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i i
Métodos Determinı́sticos I | Sistemas de Coordenadas em um Plano

Reforçando a idéia. A todo ponto A da reta r está associ-


Uma identificação
ado um único número real digamos, a, que é a coordenada do
biunı́voca entre
ponto. Na Figura 10.2, os pontos√A e B têm como coordenadas,
dois conjuntos X e
respectivamente, os números 1 e 2.
Y é uma relação
que associa a cada Uma reta com estrutura de coordenadas é dita uma reta numé-
elemento de X um rica ou a reta real. Estamos autorizados a representar esta reta
único elemento de por R. Veja esta notação na Figura 10.2.
Y , e de modo que a
relação pode ser
invertida D IST ÂNCIA ENTRE DOIS P ONTOS DA R ETA
associando a cada
elemento de Y , Numa reta com coordenadas é muito fácil calcular a distância
igualmente, um entre dois pontos A e B. Se a e b são respectivamente os números
único elemento que representam as coordenadas dos pontos A e B, então o com-
de X. primento do segmento de reta AB é a distância entre os pontos,
a qual pode ser calculada por

A notação AB d(A, B) = AB = |b − a| .
representa tanto o
segmento de reta
como a medida de Vamos entender bem o que está escrito na fórmula acima.
seu comprimento. A distância entre A e B é o comprimento do segmento cujos
O contexto no qual extremos são esses pontos. Esse comprimento está indicado por
é escrito AB deve
indicar claramente
AB e pode ser calculado pelo módulo do número b − a.
do que se
está falando.
Alguns autores C OORDENADAS DO P ONTO M ÉDIO
preferem escrever
m(AB) ou AB para Considere na reta os pontos A e B cujas coordenadas são os
a medida do números a e b, respectivamente. Então
comprimento do
a+b
segmento AB. m=
Cremos que esta
2
opção sobrecarrega é a coordenada do ponto M, isto é, o ponto médio do segmento
os textos com AB. Veja porque isto é verdadeiro.
quase nenhuma
vantagem. Vamos trabalhar a situação em que b < a. O caso em que
b > a é totalmente equivalente.
No caso então em que b < a, o ponto B está à esquerda do
ponto A na representação na reta. Veja a Figura 10.3:

124 C E D E R J

i i

i i
b m a

10 1 MÓDULO 1
B M A R
Figura 10.3: Coordenadas do ponto médio.

a+b
Nestas condições temos que mostrar que m = é a co-

AULA
2
ordenada do ponto médio M. Veja que

b < m < a.

De fato,
a+b
b<m⇔b< ⇔ 2b < a + b ⇔ b < a .
2
Como b < a, a equivalência anterior prova que b < m. Também,
a+b
m<a⇔ < a ⇔ a + b < 2a ⇔ b < a .
2

Do mesmo modo, como b < a, a desigualdade anterior mostra


que m < a.
As desigualdades anteriores confirmam que b < m < a. Ou
seja, o ponto M está entre A e B.
Para concluir que M é o ponto médio, basta verificar que

d(A, M) = d(M, B) ⇔ AM = MB .

Esta última igualdade é equivalente a


a+b
|m − a| = |b − m| ⇔ m − a = b − m ⇔ m = .
2

Isto confirma a coordenada m do ponto médio.

C OORDENADAS EM UM P LANO
Mas, pretendemos ir além, introduzindo coordenadas em um
plano. De que modo? Considere um plano α e um par de retas
t e s perpendiculares, cuja interseção ocorre no ponto O. Veja a
Figura 10.4.

C E D E R J 125

i i

i i
Métodos Determinı́sticos I | Sistemas de Coordenadas em um Plano

Considere em cada uma dessas retas sistemas de coorde-


nadas de modo que t e s se tornem retas numéricas, com a
mesma unidade U de medida.

s
a

2
P y

-2 x -1 0 1 t

-1

Figura 10.4: Eixos ortogonais no plano.

Afirmamos que, com a ajuda deste par de retas (ou eixos),


existe uma identificação biunı́voca entre os pontos P do plano
Identificação
α e os pares (x, y), onde x, y são números reais.
biunı́vica
Uma identificação Como funciona? Tome um ponto P arbitrário e trace perpen-
biunı́voca entre diculares às retas t e s obtendo, respectivamente, os pontos x e
dois conjuntos X e y. Assim, legitimamente, podemos denotar
Y é uma relação
que associa a cada
P = (x, y) .
elemento de X um
Os números x e y são chamados, respectivamente, a abscissa e a
único elemento de
ordenada do ponto P. As retas t e s são ditas, respectivamente,
Y , de modo que a
o eixo horizontal ou das abcissas e o eixo vertical ou das orde-
relação pode ser
nadas.
invertida
associando a cada Retorne a Figura 10.4, para visualizar a representação do
elemento de Y , ponto P.
igualmente, um
único elemento
de X. O P LANO E UCLIDIANO
Veja o passo fundamental que demos! Ao introduzir adequa-
damente um par de eixos (retas) no plano α , provocamos uma
identificação biunı́voca entre os pontos P de α , e os pares orde-

126 C E D E R J

i i

i i
nados (x, y) de números reais. Essa identificação é escrita como

10 1 MÓDULO 1
P = (x, y) e permite expressar o plano α como o conjunto

R2 = {(x, y); x e y são números reais} ,

que é o produto cartesiano de duas cópias do conjunto dos números


reais R.

AULA
Portanto, é útil ao invés de dizer que α tem um sistema de
coordenadas, escrevermos simplesmente R2 para o plano α .
Então, está estabelecida nossa convenção. Quando escrever-
mos,
R2 = {(x, y); x, y ∈ R} ,
estamos nos referindo a um plano com um sistema de coorde-
nadas retangulares. O plano R2 com esta estrutura recebe o
nome de plano Euclidiano, em homenagem ao geômetra grego
Euclides.

 A identificação biunı́voca entre pontos P do plano e pares


de números reais significa que dois pontos P1 = (x1 , y1 ) e
P2 = (x2 , y2 ) são iguais se e somente se x1 = x2 e y1 = y2 .

R EPRESENTAÇÃO G R ÁFICA
No plano Euclidiano R2 temos o local ideal para represen-
tar graficamente objetos geométricos, como pontos, segmentos,
retas e figuras planas em geral. A partir da Aula 10, a idéia
de representar geometricamente objetos no plano R2 atinge um
ponto importante com a representação gráfica de funções.
Vamos começar mostrando casos bem simples.
 
Exemplo 10.1 


a. Descreva algebricamente e represente no plano o segmento


de reta cujos extremos são os pontos A = (2, 1), B = (−1, 1).
Solução: Na Figura 10.5 temos a representação gráfica do
segmento AB.

C E D E R J 127

i i

i i
Métodos Determinı́sticos I | Sistemas de Coordenadas em um Plano

Figura 10.5: Um segmento em R2 .

Em termos algébricos,

AB = {(x, y) ∈ R2 ; −1 ≤ x ≤ 2, y = 1} .

b. Represente graficamente os conjuntos

U = {(x, y) ∈ R2 ; 0 ≤ x ≤ 1} e
V = {(x, y) ∈ R2 ; −1 ≤ y ≤ 1}

Solução: Para representar graficamente U , levamos em conta


a variação da abcissa x e o fato que não há restrição à variação
da ordenada y. Para a representação gráfica de V , levamos em
conta a variação da ordenada y e o fato que não há restrição à
variação da abcissa x. Veja a Figura 10.6.

y y

1
U
Q
V

0 1 x 0 x

P
-1

Figura 10.6: Faixas vertical e horizontal.

c. Represente graficamente o conjunto

Z = {(x, y) ∈ R2 ; 0 ≤ x ≤ 1 e − 1 ≤ y ≤ 1} .

Solução: Para construir o gráfico de Z, levamos em conta as


variações da abcissa x e da ordenada y. Mas antes de tudo, veja

128 C E D E R J

i i

i i
que Z = U ∩ V . Isto facilita tudo para a representação pois, do

10 1 MÓDULO 1
exemplo anterior, conhecemos os gráficos de U e V . A Figura
10.7 representa Z através dessa interseção.

AULA
Z
0 1 x

-1

Figura 10.7: Um retângulo em R2 .

S EMIPLANOS E Q UADRANTES
Vamos continuar explorando coordenadas para descrever im-
portantes subconjuntos de R2 . Considere, como na Figura 10.8,
R2 com seu sistema de coordenadas,

P2
y2

y1 P1

x3 x2 x1 x4 x

y3
P3
y4
P4

Figura 10.8: Pontos no plano R2 .

onde estão representados os pontos P1 = (x1 , y1 ), P2 = (x2 , y2 ),


P3 = (x3 , y3 ) e P4 = (x4 , y4 ).
O eixo x das abcissas divide o plano em dois semiplanos,
um deles posicionado acima do eixo e outro abaixo do eixo. Por

C E D E R J 129

i i

i i
Métodos Determinı́sticos I | Sistemas de Coordenadas em um Plano

exemplo, poderı́amos nos referir a estes semiplanos, respectiva-


mente pelos sı́mbolos H+ e H−.
Veja como se expressam esses semiplanos em termos de con-
juntos,

H+ = {(x, y) ∈ R2 ; y ≥ 0} e
H− = {(x, y) ∈ R2 ; y ≤ 0} .

Veja na Figura 10.9 a representação gráfica de H+ .

H+

Figura 10.9: Semiplanos em R2 .

Se você comparar a Figura 10.9 com a Figura 10.8 verá


que os pontos P1 e P2 pertencem a H+ , e os pontos P3 e P4 não
pertencem a H+ .
Veja diretamente na definição de H+ para concluir que todos
os pontos sobre o eixo x pertencem a H+ . Isto é, (x, 0) ∈ H+ ,
qualquer que seja x ∈ R.
O conjunto H− teria uma representação gráfica análoga. Isto
faz parte da atividade que propomos:

Exercı́cio 10.1

1. Construa um sistema ortogonal de coordenadas num plano


e represente os pontos A = (0, −2), B = (5, 3),C = (−1, 2),
D = (−3, 0).

2. Responda falso (F) ou verdadeiro (V) para cada uma das


perguntas:

a. (0, −2) ∈ H+ b. (5, 3) ∈ H−

130 C E D E R J

i i

i i
c. (−7, 2) ∈ H− d. (−3, 0) ∈ H−

10 1 MÓDULO 1
e. (−3, 0) ∈ H+

3. Descreva o conjunto H+ ∩ H− .

Você realizou a atividade? Então podemos continuar nosso


caminho explorativo na identificação de novos conjuntos de R2 ,

AULA
expressos através de desigualdades. Veja os dois próximos exem-
plos.
 
Exemplo 10.2 


L+ = {(x, y) ∈ R2 ; x ≥ 0} e L− = {(x, y) ∈ R2 ; x ≤ 0} ,

são semiplanos de R2 , obtidos quando o plano todo é repartido


pelo eixo das ordenadas y. O primeiro ficando à direita do eixo
y e o segundo, à esquerda do eixo y. Veja na Figura 10.10, a
representação gráfica de L− .

L-

Figura 10.10: Representação de semiplano.

Observe que vale a seguinte propriedade:

L+ ∩ L− = {(0, y); y ∈ R} = eixo y .

C E D E R J 131

i i

i i
Métodos Determinı́sticos I | Sistemas de Coordenadas em um Plano

Q UADRANTES DE R2

É muito útil considerar a divisão do plano em quadrantes.


Veja como fica simples a representação dos quadrantes através
do uso de coordenadas!
Vamos representar os quadrantes pelos sı́mbolos Q1 , Q2 , Q3
e Q4 , respectivamente, primeiro, segundo, terceiro e quarto qua-
drantes do plano.
Temos que

Q1 = {(x, y); x ≥ 0 e y ≥ 0} ,
Q2 = {(x, y); x ≤ 0 e y ≥ 0} ,
Q3 = {(x, y); x ≤ 0 e y ≤ 0} ;
Q4 = {(x, y); x ≥ 0 e y ≤ 0} .

Veja na Figura 10.11 a representação gráfica de Q2 , o se-


gundo quadrante.

Q2

Figura 10.11: O segundo quadrante de R2 .

 i. A origem O = (0, 0) é comum a todos os quadrantes,

O ∈ Q1 ∩ Q2 ∩ Q3 ∩ Q4 .

ii. Q1 ∩ Q2 = {(0, y); y ≥ 0}, é a parte não negativa do


eixo y.

132 C E D E R J

i i

i i
Exercı́cio 10.2

10 1 MÓDULO 1
1. Identifique graficamente, num plano com coordenadas, os
quadrantes Q1 , Q2 , Q3 e Q4 .

2. Represente graficamente os conjuntos

AULA
i) Q2 ∩ Q3 , ii) Q3 ∩ Q4 e iii) Q4 ∩ Q1 .

3. Os pontos (−2, 3), (3, 3) são vértices consecutivos de um


quadrado que não intercepta o eixo OX . Quais são as co-
ordenadas dos outros vértices?

4. Os pontos A = (2, 3), B = (−2, 7) são vértices opostos de


um quadrado. Determine os outros vértices.

5. Um sistema de coordenadas no plano está orientado de


modo que o eixo x aponta para o leste e o eixo y para
o norte. A unidade de comprimento é o km. Um cami-
nhante sai do ponto (−1, 2) caminha 5km na direção sul,
em seguida 13km na direção leste, 2km na direção norte e
finalmente 11km na direção oeste. Quais as coordenadas
do ponto P de chegada do caminhante?

6. Considere numa reta numérica os pontos A e B, cujas


√co-
ordenadas são representadas pelos números −2 + 2 2 e
2, respectivamente. Encontre o número m que representa
a coordenada de M, o ponto médio de AB. Represente os
pontos sobre a reta.

7. Represente graficamente em R2 o conjunto

A = {(x, y) ∈ R2 ; 0 ≤ x ≤ 2 e y ≤ x} .

8. Os pontos A = (1, 0), B = (0, 1) e C = (2, a) são vértices


consecutivos de um retângulo. Encontre a ordenada do
terceiro vértice e escreva as coordenadas do quarto vértice
D.

9. Represente em R2 o conjunto

F = {(x, y) ∈ R2 ; x ≥ 0, y ≥ 0 e x + y ≤ 1} .

C E D E R J 133

i i

i i
Métodos Determinı́sticos I | Distância entre Pontos do Plano Euclidiano

134 C E D E R J

i i

i i
Aula 11
D IST ÂNCIA ENTRE P ONTOS DO
P LANO E UCLIDIANO

Objetivos
Ao final desta aula, você deverá ser capaz de:

1 usar o sistema de coordenadas para calcular a


distância entre dois pontos;
2 descrever lugares geométricos mais simples com
o uso de coordenadas e distância.

i i

i i
Métodos Determinı́sticos I | Distância entre Pontos do Plano Euclidiano

Um sistema de coordenadas permite representar graficamente


objetos geométricos no plano, mas também permite a realização
de medidas. Essas medidas podem ser as mais simples como a
distância entre dois pontos, áreas de polı́gonos regulares, até
áreas de regiões mais complicadas do plano como interseções de
figuras. Tudo até onde o limite do método não cause sofrimento!
Para situações mais complexas, temos de recorrer a ferramentas
mais sofisticadas. A mais importante dessas sendo as técnicas do
Cálculo Diferencial e Integral que será assunto de Métodos De-
terminı́sticos II.

D IST ÂNCIA ENTRE D OIS P ONTOS DA R ETA


Recorde da aula anterior que a distância entre dois pontos A
e B sobre a reta real é dada pelo valor absoluto da diferença entre
as coordenadas dos pontos. Assim, se A tem coordenada a e B
tem coordenada b, então a distância entre A e B, que escrevemos
como d(A, B) é
q
d(A, B) = AB = |b − a| = (a − b)2 .

a-b
A B
a 0 1 b IR

Figura 11.1: Distância na reta.

D IST ÂNCIA ENTRE D OIS P ONTOS DO P LANO


Considere dois pontos P = (x1 , y1 ) e Q = (x2 , y2 ). A distância
entre P e Q é o comprimento do segmento PQ. Em termos das
coordenadas dos pontos, a distância d(P, Q) é dada pela equação
q
d(P, Q) = PQ = (x1 − x2 )2 + (y1 − y2 )2 . (11.1)

136 C E D E R J

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i i
Vamos ver por que esta fórmula funciona. Considere quatro

11 1 MÓDULO 1
casos:

a) Os pontos P e Q coincidem. Isto é, x1 = x2 e y1 = y2 .


Neste caso, a distância é zero. Este resultado é compatı́vel
com a fórmula (11.1) da distância.

AULA
b) Os pontos P e Q são distintos e situados numa reta paralela
ao eixo x. Isto é, x1 6= x2 e y1 = y2 . Veja a Figura 11.2,
à esquerda, onde os pontos P e Q definem um segmento
paralelo ao eixo x. Como P, Q, x1 e x2 são vértices de um
retângulo então
q
PQ = |x1 − x2 | = (x1 − x2 )2 .

Portanto, a fórmula (11.1) é válida, neste caso.

y
y
y2 Q

P y1 = y2 Q

y1 P

x1 x2 x x1= x 2 x

Figura 11.2: Distância no plano I.

c) Os pontos P e Q são distintos e situados numa reta paralela


ao eixo y. Isto é, x1 = x2 e y1 6= y2 . Este caso é similar ao
anterior e aparece representado na Figura 11.2 à direita.
Temos que
q
PQ = |y1 − y2 | = (y1 − y2 )2 .

De novo a fórmula (11.1) continua válida.

d) Os pontos P e Q são distintos, x1 6= x2 e y1 6= y2 . Este é o


caso geral e está representado na Figura 11.3.

C E D E R J 137

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Métodos Determinı́sticos I | Distância entre Pontos do Plano Euclidiano

P y1 A

x1 x2
0 x

B y2 Q

Figura 11.3: Distância no plano II.

Note que P e Q são vértices opostos de um retângulo cu-


jos lados medem |x1 − x2 | e |y1 − y2 |. Aplicando o Teorema de
Pitágoras ao triângulo retângulo APQ, encontramos que

PQ2 = |x1 − x2 |2 + |y1 − y2 |2 = (x1 − x2 )2 + (y1 − y2 )2

ou q
d(P, Q) = PQ = (x1 − x2 )2 + (y1 − y2 )2 ,
que é a fórmula (11.1).
 
Exemplo 11.1 


a) A distância entre os pontos P = (3, 2) e Q = (1, 6) é,


p p
d(P, Q) = √ (3 − 1)2 +√ (2 − 6)2 √= 22 + (−4)√
2

= 4 + 16 = 20 = 4 · 5 = 2 5 .

b) A distância entre os pontos P = (−1, 3) e Q = (−7, −7) é


p p √
d(P, Q) = √ [−1 − (−7)]√ 2 + [3 − (−7)]2 = 62 + 102 = 136
= 4 × 34 = 2 34 .

 
Exemplo 11.2 

Quais são os pontos do plano equidistantes dos pontos A =
(−1, 0) e B = (−1, 3).

138 C E D E R J

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i i
Solução: Se P = (x, y) é um ponto arbitrário e equidistante de A e B,

11 1 MÓDULO 1
então
q q
d(P, A) = d(P, B) ⇔ (x + 1)2 + y2 = (x + 1)2 + (y − 3)2 .

Desenvolvendo ambos os membros da última igualdade, vem que

(x + 1)2 + y2 = (x + 1)2 + (y − 3)2 ⇔ y2 = (y − 3)2 ⇔ 0 = −6y + 9

AULA
Logo,
9 3
d(P, A) = d(P, B) ⇔ y =
= .
6 2
Portanto, o conjunto S dos pontos equidistantes de A e B verificam
 
2 3
S = (x, y) ∈ R ; y = .
2

3
Ora, este conjunto S é uma reta paralela ao eixo x a uma altura y = .
2
Veja a Figura 11.4.

y
3/2 s

Figura 11.4: Reta y = 3/2 .

Exercı́cio 11.1

1. Calcule a distância do ponto A = (−2, 3) até o eixo x.


2. Encontre os pontos do eixo y que estão à distância 1 do
ponto (− 21 , 1).

 
Exemplo 11.3 


a) Quais são os pontos do plano equidistantes dos pontos


A = (−1, 0) e B = (0, −1)?
Solução: Se P = (x, y) é um ponto arbitrário equidistante de A
e B, então
q q
d(P, A) = d(P, B) ⇔ (x + 1)2 + y2 = x2 + (y + 1)2 .

C E D E R J 139

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Métodos Determinı́sticos I | Distância entre Pontos do Plano Euclidiano

Isto é,
(x + 1)2 + y2 = x2 + (y + 1)2 .
Logo,

x2 + 2x + 1 + y2 = x2 + y2 + 2y + 1 ⇔ x = y .

Então, o conjunto S,

S = {(x, y) ∈ R2 ; x = y}

são todos os pontos equidistantes dos pontos A = (−1, 0) e B =


(0, −1).
Confira na Figura 11.5 que S é no exercı́cio 11.1 a reta bissetriz
comum ao ângulo formado pelos eixos positivos do sistema de
coordenadas.

y s

q= p
4

B q
-1 x

A -1

Figura 11.5: Bissetriz dos eixos coordenados.

b) Um cı́rculo Sr no plano de raio r > 0 e com centro no


ponto C = (a, b) é descrito pela equação,

Sr = {(x, y); x2 + y2 − 2ax − 2by = r2 − a2 − b2 } .

Veja como encontrar este resultado, acompanhando pela


Figura 11.6.

140 C E D E R J

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y
Sr

11 1 MÓDULO 1
b C
y P

a x x

AULA
Figura 11.6: Um cı́rculo no plano.

A distância de um ponto P = (x, y) até o centro C = (a, b)


é constante e igual a r. Então
q
d(P,C) = r ⇒ (x − a)2 + (y − b)2 = r .

Agora, elevando ao quadrado ambos os membros da igual-


dade e isolando os termos independentes no segundo mem-
bro, encontramos

x2 + y2 − 2ax − 2by = r2 − a2 − b2 .

Exercı́cio 11.2

1. Encontre a equação do cı́rculo de raio 2 com centro no


ponto C = (−2, 1).

2. Numa reta com coordenadas,

a) determine todos os números reais x tais que d(x, −2) =


3x.
b) existe algum número real x tal que d(x, −2) = d(x, 5)?
c) determine todos os números reais x tais que d(x, −1) ≥
d(x, 8).
d) determine o conjunto de números reais x para os quais
vale a igualdade
1 1
= .
d(x, 2) d(x, −4)

3. Os pontos A = (−1, 0) e C = (2, −3) são vértices opostos


de um quadrado ABCD.

C E D E R J 141

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Métodos Determinı́sticos I | Distância entre Pontos do Plano Euclidiano

a) Calcule o comprimento da diagonal do quadrado.


b) Encontre as coordenadas dos outros vértices B e D.

4. Encontre um ponto P = (0, a) sobre o eixo y e equidistante


dos pontos A = (−2, 3) e B = (3, 0).

5. Encontre a equação de um cı́rculo situado no terceiro qua-


drante, de raio r = 2 e que tangencia o eixo y no ponto
A = (0, −3).

6. Determine o centro C e o raio r do cı́rculo x2 + 2x + y2 −


3 = 0.

7. Considere o cı́rculo x2 + y2 − 4y − 12 = 0.

a) Determine o centro C e o raio r do cı́rculo.


b) Encontre as coordenadas dos pontos A e B, onde o
cı́rculo encontra o eixo x.

142 C E D E R J

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Aula 12
E QUAÇ ÕES , I NEQUAÇ ÕES E S ISTEMAS DE
P RIMEIRO E S EGUNDO G RAUS

Objetivos
Ao final desta aula, você deverá ser capaz de:

1 recordar os conceitos e método de solução de


equações e sistemas de equações do primeiro e
segundo graus;
2 resolver equações e sistemas de equações do primeiro
e segundo graus;
3 resolver inequações do segundo grau.

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Métodos Determinı́sticos I | Equações, Inequações e Sistemas de Primeiro e Segundo Graus

Nesta aula, vamos revisar o conteúdo sobre equações e sis-


temas de primeiro e segundo graus. São assuntos essenciais de
grande aplicação prática e que, certamente, será muito útil em
várias disciplinas do curso de Administração.

A E QUAÇÃO DO P RIMEIRO G RAU


Toda equação que pode ser escrita na forma

ax + b = 0 ,

onde a e b são números reais e a 6= 0 é uma equação do primeiro


grau.
Resolver uma equação é usar várias operações para trans-
formá-la em equações equivalentes, mais simples, que permitam
determinar os valores da variável x que torna verdadeira a igual-
dade expressa pela equação. Sempre existe uma única solução
numa equação do primeiro grau. Veja as transformações que
permitem encontrar a solução.
b
ax + b = 0 ⇒ ax = −b ⇒ x = − .
a
b
O valor − , que é único, é a solução, também chamado de raiz
a
da equação. Veja a seguir três exemplos. Note que o terceiro
exemplo é uma equação que precisa ser trabalhada para ser es-
crita como equação do primeiro grau e apresenta uma restrição
para a solução.
 
Exemplo 12.1 

Acompanhe as soluções das equações do primeiro grau, a
seguir:

a) 3x + 5 = 7
3
Solução: 3x + 5 = 7 ⇒ 3x = 7 − 5 ⇒ 3x = 2 ⇒ x = .
2

2x 3 x 5
b) + = + .
3 2 2 3
Solução: Note que 6 é o mı́nimo múltiplo comum dos números

144 C E D E R J

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i i
que compõem os denominadores da equação. Assim,

12 1 MÓDULO 1
2x 3 x 5 4x 9 3x 10
+ = + ⇒ + = + ⇒ 4x − 3x = 10 − 9 .
3 2 2 3 6 6 6 6
Logo, x = 1 é a solução.
2 3
c) + = 0.
3−x 2

AULA
Solução: Note em primeiro lugar que devemos procurar uma
solução da equação com a condição que x 6= 3, uma vez que o
valor x = 3 anula o denominador da primeira parcela da equação,
tornando sem sentido a fração. Feito essa ressalva, veja que
2·(3−x) é um múltiplo comum dos denominadores da equação.
Esse resultado permite transformar a equação numa equação do
primeiro grau. Assim,

2 3 2·2 3 · (3 − x) 0 · 2 · (3 − x)
+ =0⇒ + = = 0.
3−x 2 2 · (3 − x) 2 · (3 − x) 2 · (3 − x)

Logo,
13
4+3(3−x) = 0 ⇒ 4+9−3x = 0 ⇒ −3x = −13 ⇒ 3x = 13 ⇒ x = .
3

Exercı́cio 12.1
Resolva as equações a seguir:

1. 5(x − 2) − 2(3x − 7) = −45


x  2
2. 5 − 2 − (3x − 7) = −1
3 3
 
x−1 1
3. 5 − 1 = (3x − 7)
3 2
x+1
4. −1 = 0
3 − 2x

C E D E R J 145

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Métodos Determinı́sticos I | Equações, Inequações e Sistemas de Primeiro e Segundo Graus

S ISTEMAS DE E QUAÇÕES DO P RIMEIRO


G RAU
Muitas vezes aparece no nosso cotidiano problemas que po-
dem ser equacionados através de equações do primeiro grau com
duas variáveis x e y. Veja um exemplo:
 
Exemplo 12.2 

O triplo da idade de Pedro somada ao dobro da idade de seu
pai totalizam 135 anos.
Solução: Ora, se representarmos por x a idade de Pedro e por y a
idade de seu pai, então,

3x + 2y = 135 .

Se quisermos conhecer as idades de Pedro e seu pai, teremos de re-


solver a equação apresentada. No entanto, vejam que a equação possui
mais de uma solução. Por exemplo, x = 5 e y = 60 ou x = 15 e y = 45
são soluções. A abundância de soluções é caracterı́stica de equações
que possuem mais de uma variável. Na verdade, a equação olhada de
maneira independente possui infinitas soluções. Para ver isto, basta
observar que para cada valor de x fixado corresponde um valor de y
1
que resolve o problema. Por exemplo, se x = − , então
2
 
1 −3 273
x + 2y = 135 ⇒ 3 − + 2y = 135 ⇒ + 2y = 135 ⇒ y = .
2 2 4

Evidentemente que os valores de x e y que acabamos de encontrar


não servem como idade para Pedro e seu pai, mas são soluções da
equação do ponto de vista puro. No entanto, uma nova informação
sobre as idades de Pedro e seu pai pode tornar o problema solúvel.
Por exemplo, o dado novo, que há cinco anos a idade de Pedro era um
quarto da idade do pai. Essa informação fornece mais uma equação
envolvendo as idades procuradas. Veja que há cinco anos, a idade de
Pedro era (x − 5), enquanto a de seu pai era (y − 5). Esse dado permite
escrever uma outra equação, a saber que
1
(x − 5) = (y − 5) .
4
Portanto, para encontrar as idades precisamos encontrar valores x e
y das variáveis que tornam verdadeiras, simultaneamente, ambas as
equações:

146 C E D E R J

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i i

12 1 MÓDULO 1
 3x + 2y = 135
(12.1)
 (x − 5) = 1 (y − 5)
4
O conjunto formado pelas duas equações anteriores é denominado um
sistema linear de duas equações com duas variáveis. O nome linear é
dado em função que as variáveis das equações serem do primeiro grau.
Vamos resolver o sistema de equações. Veja que a segunda equação

AULA
pode ser transformada resultando numa equação equivalente:
1
(x−5) = (y−5) ⇔ 4(x−5) = y−5 ⇔ 4x−20 = y−5 ⇔ 4x−y = 15 .
4
Então o sistema de equações (12.1) é equivalente a um sistema mais
simples

(
3x + 2y = 135
(12.2)
4x − y = 15

Existem vários métodos para resolver um sistema de duas equações


com duas variáveis. Vamos apresentar, em seguida, os métodos de
substituição e de adição.

M ÉTODO DA S UBSTITUIÇ ÃO

Para resolver um sistema pelo método da substituição, o pri-


meiro passo é expressar uma variável em função da outra (isolar
uma variável). Acompanhe a aplicação desse primeiro passo à
segunda das equações em (12.2). Temos que

4x − y = 15 ⇒ −y = 15 − 4x ⇒ y = −15 + 4x .

O segundo passo consiste em focalizar, agora, a primeira equação


e substituir nesta o valor da variável isolada anteriormente na se-
gunda equação. Esse procedimento permite escrever que

3x+2y = 135 ⇒ 3x+2(−15+4x) = 135 ⇒ 11x = 165 ⇒ x = 15 .

Uma vez determinado x = 15, este valor é levado na equação


anterior y = −15 + 4x, com o objetivo de determinar o valor da
variável y. Portanto,

y = −15 + 4x e x = 15 ⇒ y = −15 + 60 ⇒ y = 45 .

C E D E R J 147

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i i
Métodos Determinı́sticos I | Equações, Inequações e Sistemas de Primeiro e Segundo Graus

A resposta do problema é, portanto, que Pedro tem 15 anos


e seu pai 45 anos.

Exercı́cio 12.2
Resolva, a seguir, pelo método da substituição o sistema do
primeiro grau:
 x
 3 − 2y = −1

 2x + y = −6.

3

M ÉTODO DA A DIÇ ÃO

O método da adição para a solução de um sistema de duas


equações com duas variáveis (também denominadas incógnitas)
é muito útil e mesmo preferı́vel ao método de substituição, pois,
em alguns casos, oferece solução direta e mais simples. Vamos
mostrar como funciona o método com um exemplo.
 
Exemplo 12.3 

Resolver o sistema do primeiro grau:


3x − 2y = 1
−x + y = −2

Solução: O método da adição consiste em multiplicar uma ou as


duas equações por números reais não-nulos, de modo que a soma das
equações “elimine uma variável”. Assim, tendo como objetivo elimi-
nar a variável x, multiplicamos a segunda equação por 3 e somamos
com a primeira

+ 3x − 2y = 1
−3x + 3y = −6
0x + y = −5

Após a operação de adição encontramos que

0x + y = −5 ⇒ y = −5 .

Este valor de y substituı́do na primeira equação (poderia também ser

148 C E D E R J

i i

i i
na segunda) resulta que

12 1 MÓDULO 1
−9
3x − 2(−5) = 1 ⇒ 3x + 10 = 1 ⇒ 3x = −9 ⇒ x = ⇒ x = −3 .
3
Portanto,
x = −3 e y = −5 ,
são as soluções da equação.

AULA
Exercı́cio 12.3
Resolva pelo método da adição o sistema do primeiro grau:
 x
 − 2y = 3
3

2x + y = 5.

E QUAÇÃO DO S EGUNDO G RAU


Toda equação que pode ser colocada na forma

ax2 + bx + c = 0

onde a, b e c são números reais e a 6= 0 é uma equação do se-


gundo grau com uma variável.
As constantes reais a, b e c são chamadas de coeficientes da
equação. Note a obrigatoriedade de o coeficiente a ser não-nulo.
Essa exigência é para garantir o grau dois para a equação.
Uma solução da equação do segundo grau é todo valor par-
ticular da variável x que torna verdadeira a igualdade expressa
pela equação. Por exemplo, a equação

2x2 + 3x − 2 = 0 ,
1
tem como raı́zes os números reais x = e x = −2.
2

M ÉTODO G ERAL DE S OLUÇ ÃO DA E QUAÇ ÃO DO


S EGUNDO G RAU

As soluções para a equação do segundo grau podem ser en-


contradas pelo método denominado de completar quadrado, o

C E D E R J 149

i i

i i
Métodos Determinı́sticos I | Equações, Inequações e Sistemas de Primeiro e Segundo Graus

que vem também a ser uma aplicação de um produto notável


que já vimos na Aula 6. Veja como funciona.
Como a 6= 0, então podemos dividir todos os membros da
equação por a para encontrar
 
2 b c 2 b b2 c b2 b 2 b2 − 4ac
x + x+ = 0 ⇒ x + x+ 2 + = 2 = 0 ⇒ x+ = .
a a a 4a a 4a 2a 4a2

Na última passagem na seqüência de implicações anteriores,


usamos propriedade de produto notável.
Desenvolvendo mais a equação, encontramos que
 2  
b b2 − 4ac b 2 ∆
x+ = ⇒ x + = ,
2a 4a2 2a 4a2

onde,
∆ = b2 − 4ac
é denominado o discriminante da equação. Assim,
 √
 −b + ∆
√ √ 
 x1 =
b ± ∆ −b ± ∆  2a
x+ = ⇒x= ⇒ √
2a 2a 2a 
 −b − ∆

 x2 = .
2a

A última equação fornece as duas raı́zes da equação. Esta


fórmula resolutiva da equação do segundo grau, foi
√ obtida em
termos dos coeficientes a, b e c, onde aparece ∆ , (a raiz
quadrada de delta) e é conhecida como Fórmula de Bhaskara.
Note que só tem sentido falar em soluções (raı́zes) x1 e x2 se
o discriminante ∆ é um número positivo ou nulo. Acompanhe,
logo a seguir, a discussão sobre a existência de soluções a partir
do sinal de ∆.

 i. No desenvolvimento da Fórmula de Bhaskara que


fornece as raı́zes da equação do segundo grau, aparece
a constante
∆ = b2 − 4ac
determinada pelos coeficientes da equação. ∆ é de-
nominado o discriminante da equação. Temos três
situações a considerar decorrente dos possı́veis sinais
de ∆.
150 C E D E R J

i i

i i

ii. Se ∆ > 0, então existe ∆, um número positivo, e a

12 1 MÓDULO 1
equação possui duas soluções distintas x1 e x2 .

iii. Se ∆ = 0, então ∆ = 0. Neste caso, a equação
possui apenas uma solução. Como se trata de uma
equação do segundo grau, é conveniente, nesta situa-
ção, dizer que as duas soluções são coincidentes, isto
é, x1 = x2 .

AULA

iv. Se ∆ < 0, então não existe ∆. Neste caso, a equação
não possui solução.

 
Exemplo 12.4 

Resolva a equação x2 + 3x − 10 = 0.
Solução: Para a equação em foco, temos que a = 1, b = 3, c = −10.
Portanto,

∆ = b2 − 4ac = 32 − 4 × 1 × (−10) = 49 ⇒ ∆ = 7.

Usando, agora, a fórmula de Bhaskara, encontramos que,



√  −3 + 7
 x1 = =2
−b ± ∆ 
2
x= ⇒
2a
 x2 = −3 − 7 = −5


2
são as duas raı́zes distintas da equação.

E QUAÇ ÕES I NCOMPLETAS

Lembre que a única restrição imposta sobre os coeficientes


da equação geral do segundo grau ax2 + bx + c = 0 é que a 6=
0. Por isso, em muitas situações particulares, as equações têm
um dos coeficientes b ou c nulos, ou mesmo ambos os coefi-
cientes nulos. Tais equações são ditas incompletas. Quando es-
tas ocasiões especiais ocorrem, é conveniente determinar dire-
tamente as soluções da equação, sem o uso da fórmula geral
de Bhaskara. Pois como você verá, comparativamente, uma so-
lução direta reduz a quantidade de cálculos. Acompanhe a solução
direta em dois exemplos apresentados na seqüência.

C E D E R J 151

i i

i i
Métodos Determinı́sticos I | Equações, Inequações e Sistemas de Primeiro e Segundo Graus

 
Exemplo 12.5 


a) Determine as raı́zes da equação x2 − 3x = 0.


Solução: Esta é uma equação incompleta do tipo ax2 + bx =
0, onde a = 1, b = −3 e c = 0. Colocando a variável x em
evidência (fatorando a equação), encontramos

x(x − 3) = 0 .

Ora, para que um produto de dois fatores resulte nulo, é necessário,


e suficiente que um dos fatores seja nulo. Assim,

x(x − 3) = 0 ⇔ x = 0 ou x − 3 = 0 ⇔ x = 0 ou x = 3.

Obtemos, portanto, através de uma manipulação algébrica di-


reta da equação, as duas raı́zes x1 = 0 e x2 = 3 da equação.

b) Determine as raı́zes da equação 3x2 − 48 = 0.


Solução: Esta é uma equação incompleta do tipo ax2 + c = 0,
onde a = 3 e c = −48. Trabalhando diretamente a equação en-
contramos que

3x2 − 48 = 0 ⇔ 3x2 = 48 ⇔ x2 = 16 ⇔ x = ± 16 = ±4 .

Portanto, x1 = 4 e x2 = −4, são as soluções da equação.

c) Determine as raı́zes da equação x2 + 9 = 0.


Solução: Também essa equação incompleta é do tipo ax2 +c =
0, onde a = 1 e c = 9. Trabalhando diretamente a equação,
encontramos que

x2 + 9 = 0 ⇔ x2 = −9 ⇔ x = ± −9 .

Observe que a última igualdade expressa as soluções em ter-


mos da raiz quadrada de um número negativo. Mas, não existe
raiz quadrada de um número negativo. Ou dito de outro modo,
não existe nenhum número real que possa ser igualado à raiz
quadrada de um número negativo.
Conclusão: a equação x2 + 9 = 0 não possui solução no con-
junto dos números reais.

152 C E D E R J

i i

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Exercı́cio 12.4

12 1 MÓDULO 1
Resolva as equações:

1. −3x2 + 9 = 0
2. (x − 2)2 + 4x = 4
x2 2x
3. + =0

AULA
4 3
1 1
4. − =1
x−3 x+3
5. (x + 3)2 = 2x(x + 7)
x−3 1
6. + = −3
2 x

I NEQUAÇÕES DO S EGUNDO G RAU


Usando a fórmula geral que fornece as soluções da equação
do segundo grau e a linguagem dos intervalos de números reais,
podemos expressar as soluções de inequações do segundo grau.
Acompanhe os exemplos a seguir.
 
Exemplo 12.6 


a) Encontre o conjunto solução da inequação −x2 + x > −6.


Solução: Multiplicando ambos os membros da inequação por
−1 e invertendo o sinal da desigualdade, a inequação é equiva-
lente a
x2 − x < 6 ⇒ x2 − x − 6 < 0 .
Olhando para a equação do segundo grau x2 − x − 6 = 0, encon-
tramos

∆ = b2 − 4ac = (−1)2 − 4 · 1 · (−6) ⇒ ∆ = 25 .

Logo, √ √
−b ± ∆ 1 ± 25 1 ± 5
x= = = ,
2a 2 2
definem as raı́zes, como sendo

x1 = 3 e x2 = −2 .

Logo,
x2 − x − 6 = (x − 3)(x + 2) .

C E D E R J 153

i i

i i
Métodos Determinı́sticos I | Equações, Inequações e Sistemas de Primeiro e Segundo Graus

Assim, a inequação que precisamos resolver é

(x − 3)(x + 2) < 0 .

Ora, as soluções possı́veis ocorrem apenas quando os fatores


do primeiro membro da inequação possuem sinais contrários.
Então

x − 3 > 0 e x + 2 < 0 ou x − 3 < 0 e x + 2 > 0

são as soluções. Desenvolvendo, encontramos

x > 3 e x < −2 ou x < 3 e x > −2 .

Como não existe número x tal que x > 3 e x < −2, ficamos
somente com a segunda possibilidade x < 3 e x > −2. Portanto,
o conjunto solução é representado pela interseção de intervalos,

S = (−∞, 3) ∩ (−2, ∞) = (−2, 3) .

b) Para que valores reais de x a desigualdade abaixo faz sen-


tido e é verdadeira.
1 1
− > 0.
x−1 x+1

Solução: Primeiramente é preciso que

x 6= 1 e x 6= −1 ,

para que faça sentido as frações que aparecem na desigualdade.


Podemos escrever
1 1 x + 1 − (x − 1) 2
− = = > 0.
x−1 x+1 (x − 1)(x + 1) (x − 1)(x + 1)

Ora, para que a desigualdade seja verdadeira é suficiente que

(x − 1)(x + 1) > 0 .

Vamos fazer uma tabela para identificar os sinais de x − 1 e


x + 1. Veja a Figura 12.1.

154 C E D E R J

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i i
12 1 MÓDULO 1
AULA
Figura 12.1: Os sinais de x − 1 e x + 1.

Note que

x + 1 > 0 ⇔ x > −1 e (x − 1) > 0 ⇔ x > 1 .

Também,

x + 1 < 0 ⇔ x < −1 e (x − 1) < 0 ⇔ x < 1 .

Com isto, concluı́mos, a partir da Figura 12.1 que

(x + 1)(x − 1) > 0 ⇔ x < −1 ou x > 1 .

Portanto, o conjunto solução S da inequação é

S = (−∞, −1) ∪ (1, ∞) = R − [−1, 1] .

Exercı́cio 12.5

1 1
1. Resolva a inequação − > 20 .
x+1 x−1
2. Resolva a inequação x2 − 3x > 10.

S ISTEMAS DE E QUAÇÕES DO S EGUNDO


G RAU
Neste ponto de nosso estudo, é conveniente também a con-
sideração de sistemas de equações, onde uma equação é do pri-
meiro grau e a outra de segundo grau. Os métodos de solução
(substituição, adição, etc...) seguem a mesma dinâmica de solu-
ção do caso de sistemas de primeiro grau.
Acompanhe a solução do exemplo a seguir.

C E D E R J 155

i i

i i
Métodos Determinı́sticos I | Equações, Inequações e Sistemas de Primeiro e Segundo Graus

 
Exemplo 12.7 

Resolva o sistema de equações,
(
x2 + y = 3
3x − y = 1.

Solução: Usando o método de substituição, encontramos a partir da


segunda equação que

3x − y = 1 ⇒ −y = −3x ⇒ y = 3x − 1 .

Substituindo este valor de y na primeira equação, obtemos

x2 + y = 3 ⇒ x2 + 3x − 1 = 3 ⇒ x2 + 3x − 4 = 0 .

Resolvendo esta última equação, onde a = 1, b = 3 e c = −4, encon-


tramos

∆ = b2 − 4ac = 32 − 4 × 1 × (−4) = 25 ⇒ ∆ = 5 .

Portanto, 
−3 + 5
√ 
 x1 = =1
−b ± ∆  2
x= ⇒
2a
 x2 = −3 − 5 = −4


2
são as soluções da equação x2 + 3x − 4 = 0.

Agora devemos voltar à primeira equação que expressa a variável y em


função da variável x. Ou seja, y = 3x − 1. Lembre que esta equação
foi obtida a partir da segunda equação do sistema. Usando os valores
x1 = 4 e x2 = −1 nesta equação encontramos que

y = 3x − 1 e x = x1 = 1 ⇒ y1 = 3 × 1 − 1 ⇒ y1 = 2 .

y = 3x − 1 e x = x2 = −4 ⇒ y2 = 3(−4) − 1 ⇒ y2 = −13 .

Portanto, os valores são:

x1 = 1 e y1 = 2 ou x2 = −4 e y2 = −13 .

A substituição destes valores no sistema confirma que realmente se


trata das soluções procuradas.

156 C E D E R J

i i

i i
Exercı́cio 12.6

12 1 MÓDULO 1
1. Resolva os sistemas de equações:

3x + 4y = −5
a)
x + 3y = −5
 x y

AULA
 =
b) 6 4

5x − 3y = 36

x+y = 3
c)
(x + y)2 − 2xy = 5

2 2
 x + y = 25

d) x−y 1

 =
x+y 7

2. Resolva as equações a seguir:

1 6−x 3
a) − =
4 3x − 3 x − 1
 
3
b) x+ (x + 1) = 2x2 − 11
2
2 9x − 8 5x − 6
c) + = 2
x 5x x − 9x
4 1 5
d) + = 2
x−3 x+3 x −9
x−3 1
e) + = −3
2 x

C E D E R J 157

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Métodos Determinı́sticos I | Introdução às Funções

158 C E D E R J

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Aula 13
I NTRODUÇ ÃO ÀS F UNÇ ÕES

Objetivos
Ao final desta aula, você deverá ser capaz de:

1 reconhecer os atributos de uma função;


2 conceituar domı́nio, contradomı́nio, imagem
de uma função;
3 identificar domı́nios de funções reais.

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i i
Métodos Determinı́sticos I | Introdução às Funções

I NTRODUÇÃO
O conceito de função é fundamental em qualquer área da
Matemática, seja teórica ou aplicada, oferecendo suporte para
modelar aplicações nas diferentes áreas da atividade humana.
No curso de Administração, nosso foco principal no momento,
a ferramenta função auxilia na formulação de conceitos e na
resolução de problemas; e isto você irá constatar no desenvolvi-
mento desta disciplina.
A idéia de função é a de relacionar elementos entre dois con-
juntos através de uma regra com propriedades especiais. Essa
regra deve associar a cada elemento do primeiro conjunto um
único elemento do segundo conjunto. No entanto, antes de en-
trar em detalhes, vamos levantar algumas situações para que
você possa ter a primeira percepção da presença das funções no
dia-a-dia.
 
Exemplo 13.1 

O caso da inflação.
Depois de todas as dificuldades econômicas vividas recente-
mente pelo Brasil, mesmo sem grandes conhecimentos de econo-
mia, eu e você, temos uma noção intuitiva do que é a inflação.
Em sua generalidade, o fenômeno inflação pode ser visto por
dois ângulos equivalentes. Por um lado, inflação é um aumento
generalizado, continuado e persistente dos preços. Por outro ân-
gulo, constitui uma diminuição persistente e continuada do poder
aquisitivo do dinheiro.
Veja a Tabela 13.1, que relaciona as taxas de inflação no
Brasil, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC) do
IBGE, na primeira metade da década de 1990 do século passado.

Ano Taxa de inflação (%)


1990 1585,18
1991 475,10
1992 1149,06
1993 2489,11
1994 929,32
1995 21,98
Tabela 13.1: A inflação nos anos 1990-1995.

160 C E D E R J

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i i
Essa tabela configura uma função. Veja os atributos princi-

13 1 MÓDULO 1
pais. Cada coluna da tabela representa um conjunto, em que os
elementos são listados um a um. Existe uma regra que associa
exatamente a cada elemento do primeiro conjunto (primeira co-
luna) o elemento correspondente do segundo conjunto (segunda
coluna) situado na mesma linha. Neste exemplo, se denominar-
mos por

AULA
A = {x | x é um ano da década 1990-1995}

e
B = {y | y é uma taxa porcentual} ,
então a Tabela 13.1, representa uma função do conjunto A no
conjunto B.
Além da apresentação em tabelas, como feito no exemplo
anterior, no dia-a-dia dos meios de comunicação, as informações
sobre as funções aparecem através de gráficos. Mais à frente
trataremos especificamente de gráficos, no momento vamos tratar
ligeiramente deste tema, mostrando outros modos como podem
ser organizados os dados da função taxa de inflação da década
1990-1995, para a comunicação entre as pessoas. Por exemplo,
o gráfico da Figura 13.1 é auto-explicativo e mostra, de uma
maneira alternativa à Tabela 13.1, o comportamento da inflação
na década 1990-1995. Esse é um gráfico que usa colunas.

Figura 13.1: As barras representando a inflação.

C E D E R J 161

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Métodos Determinı́sticos I | Introdução às Funções

O exemplo anterior retrata a época do pesadelo da inflação


brasileira. No presente ano de 2005, apesar da economia apre-
sentar fraco crescimento, os juros estarem na estratosfera, temos
estabilidade na inflação. Os dois últimos ı́ndices de 2004 e 2005
registrados pelo IBGE, foram, respectivamente, de 5% e 6%,
respectivamente.
 
Exemplo 13.2 

O vôo Rio-São Paulo.
Um cronômetro assinala 50 minutos desde o momento em
que um avião decola do Rio de Janeiro até o momento em que
toca o solo em São Paulo, em sua chegada. A altura do avião
do vôo 3224 em relação ao solo, durante a duração da viagem é
uma função do tempo de vôo. Mais precisamente, para qualquer
tempo t entre 0 e 50 minutos corresponde um número real que
representa a altura do avião. Examine a seguir, na Figura 13.2,
um possı́vel gráfico para representar essa função. Note que para
os tempos t = 0 e t = 50 (avião no solo) a altura é nula. Para
t = 25 a altura é 10km e para t = 5 a altura é 1km.

h=10km
h=1km
1111111111111111111111111111111111111111111111111
0000000000000000000000000000000000000000000000000
0 5 25 50 tempo

Figura 13.2: A altura do avião em função do tempo.

Essa função tem como conjunto de partida os números do in-


tervalo fechado [0, 50] e como conjunto de chegada os números
reais positivos ou nulo [0, ∞].

O C ONCEITO DE F UNÇÃO
Para definir uma função, precisamos de dois conjuntos e uma
regra que estabeleça uma associação entre os elementos dos con-
juntos, com propriedades especiais. Acompanhe os detalhes.

162 C E D E R J

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i i
Definição 13.1

13 1 MÓDULO 1
Uma função entre dois conjuntos A e B fica definida a partir
de uma regra que associa a cada elemento do conjunto A à
um e apenas um elemento do conjunto B. A notação usada é

f : A −→ B
x 7−→ y = f (x)

AULA
para representar uma função entre os conjuntos A e B. O con-
juntos A e B são denominados, respectivamente, o domı́nio e
o contradomı́nio da função.

A definição que acabamos de estabelecer envolve muitos de-


talhes, precisamente definidos, que podem escapar numa primeira
leitura. Por prevenção, vamos fazer uma radiografia completa
desse conceito.
Na notação usada para representar a função, a primeira seta
significa que elementos x do conjunto A são levados pela função
a elementos y do conjunto B. A segunda seta especifica, por de-
terminação da regra, qual é o elemento y que corresponde a um
elemento x.
Para aprofundar a radiografia do conceito de função, volte a
ler a definição anteriormente destacada em box e veja que

 i. Todo elemento do conjunto A está envolvido na defi-


nição. Ou seja, para todo x ∈ A existe um único ele-
mento y ∈ B tal que y = f (x). O elemento y é dito a
imagem de x pela função f . Também x é chamado a
variável independente e y a variável dependente.
ii. Não existe nenhuma obrigatoriedade de que todo ele-
mento de B seja imagem de um elemento de A. Veja
no exemplo de função apresentado a seguir, verifi-
cando especialmente no gráfico da função na Figura
13.3, que o elemento 4 não é imagem de nenhum
elemento do conjunto A.

 
Exemplo 13.3 

Considere os conjuntos A = {1, 2, 3} e B = {0, 1, 2, 3, 4, 5} e
a função

C E D E R J 163

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Métodos Determinı́sticos I | Introdução às Funções

f : A −→ B
x 7−→ y = f (x) = 2x − 1 .
Veja na Tabela 13.2, relacionando os valores da variável inde-
pendente x da função, com aqueles da variável dependente y.

x y = f(x)
1 1
2 3
3 5
Tabela 13.2: Correspondência entre elementos da função.

Em contrapartida, é possı́vel construir uma outra imagem vi-


sual da função. Acompanhe a Figura 13.3, a seguir.

A B
0
1
1
2 2
3
3 4
5

Figura 13.3: Representação diagramática da função.

Este modo de representar deixa evidente que a regra x 7→ y =


2x − 1, que relaciona elementos de A a elementos de B, define
uma função. Veja que a cada elemento de A corresponde um e
apenas um elemento de B. Observe que de cada elemento de A
parte uma única seta que atinge um único elemento de B.
Note na Figura 13.3, que nem todo elemento de B faz parte
da imagem da função. Por exemplo, os elementos 0, 2 e 4. Aqui
fica em evidência mais uma propriedade que você deve ter em
mente acerca de funções: todo elemento do domı́nio participa da
função, no entanto podem existir elementos do contradomı́nio
que ficam fora da imagem da função.

164 C E D E R J

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 Ao examinarmos os detalhes do exemplo anterior, cons-

13 1 MÓDULO 1
tatamos in locus, a partir da Figura 13.3, a propriedade
fundamental da regra que define a função: de cada ele-
mento de A parte uma única seta que atinge um único el-
emento de B. E não poderia ser diferente senão a regra
não definiria uma função. Por exemplo, uma regra que
produzisse um esquema diagramático do tipo como repro-

AULA
duzido na Figura 13.4 a seguir, não definiria uma função,
pois do elemento 1 ∈ A partem duas flechas.

A B
0
1
1
2 2
3
3 4
5

Figura 13.4: Regra que não define função.

 
Exemplo 13.4 

Considere agora a função

g : A −→ B
x 7−→ y = g(x) = x2 + 1 ,
sobre os conjuntos A = {−1, 0, 1} e B = {0, 1, 2, 3, 4, 5}.
Constate que temos uma nova regra definindo uma nova função.
Examine na Figura 13.5, a representação diagramática da função
g.

Note uma situação nova neste exemplo. Para dois valores


distintos x = −1 e x = 1, corresponde como imagem o mesmo
valor para y = 2. Isto não aconteceu no exemplo anterior.

C E D E R J 165

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Métodos Determinı́sticos I | Introdução às Funções

A B
0
−1
1
2
0
3
1 4
5

Figura 13.5: Representação da função g.

F UNÇÕES R EAIS DE VARI ÁVEL R EAL


A partir de agora, passamos ao estudo de funções que fazem
parte de nosso objetivo principal: funções reais de variável real.
Ou seja, estudaremos apenas funções para quais o domı́nio D
é um subconjunto de números reais, e o contradomı́nio B é a
totalidade dos números reais, isto é B = R. Então, podemos re-
presentar a função como

f : D −→ R , onde D ⊂ B .

Portanto, tanto a variável dependente x quanto a independente


y = f (x) são números reais.

Igualdade de funções

Duas funções f e g são iguais quando possuem o mesmo


domı́nio D e f (x) = g(x) para todo x ∈ D.

Operações entre funções

A vantagem de trabalhar com funções é o fato que, como no


caso de números reais, podemos somar, subtrair, multiplicar e
dividir funções que possuem o mesmo domı́nio. Veja as definições
a seguir, nas quais estamos supondo que f , g são funções definidas
num mesmo domı́nio D ⊂ R.

166 C E D E R J

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Soma de funções

13 1 MÓDULO 1
A soma de duas funções f e g é uma nova função s definida
no mesmo domı́nio D, tal que

s(x) = f (x) + g(x), para todo x ∈ D .

AULA
Produto de funções

O produto de duas funções f e g é uma nova função p definida


no mesmo domı́nio D, tal que

p(x) = f (x) · g(x), para todo x ∈ D .

 
Exemplo 13.5 

Considere as funções f : R → R e g : R → R definidas por
f (x) = −2x e g(x) = x2 + 1. Então as funções s(x) e p(x), res-
pectivamente, a soma e o produto das funções são definidas por

s(x) = −2x + x2 + 1 = x2 + 1 − 2x = (x − 1)2 ;



p(x) = (−2x) · x2 + 1 = −2x3 − 2x .

Quociente de funções

Dadas duas funções f e g definida no mesmo domı́nio D e


onde g(x) 6= 0, para todo x, fica definida a função quociente q,
tal que
f (x)
q(x) = , para todo x ∈ D .
g(x)

 
Exemplo 13.6 

Usando as mesmas funções f e g do exemplo anterior e ob-
servando que g(x) 6= 0 para todo número real x então, a função
quociente q(x) é expressa pela equação

−2x 2x
q(x) = 2
=− 2 .
x +1 x +1

C E D E R J 167

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i i
Métodos Determinı́sticos I | Introdução às Funções

 i. As operações entre funções estabelecidas, permitem


realizar soma e produtos de um número finito qual-
quer de funções. Assim, dadas as funções f1 (x), f2 (x),
. . . , fn−1 (x), fn (x), todas com o mesmo domı́nio de
definição D, as funções soma s e produto p, ficam
definidas, respectivamente, pelas fórmulas:

s(x) = f1 (x) + f2 (x) + · · · + fn−1 (x) + fn (x) ;


p(x) = f1 (x) · f2(x) · ... · fn−1(x) · fn(x) .

ii. Às vezes é vantajoso representar o produto de uma


função por ela mesma pelo sı́mbolo f 2 . Ou seja, a
função f 2 é a função que para cada valor da variável
x, fornece
f 2 (x) = f (x) · f (x) .
A mesma situação se aplicaria à potência enésima,
onde o sı́mbolo f n representa a função produto de n
fatores iguais a f (x).

D OM ÍNIO DE E XIST ÊNCIA DE UMA F UNÇ ÃO

As funções que estamos estudando, funções reais de variável


real, necessitam de dois ingredientes para sua definição:

• O domı́nio D da função.

• A regra que associa a cada elemento x ∈ D um único número


real y = f (x).

A partir desta dupla necessidade constatamos, por um lado,


que, sobre o domı́nio D ⊂ R, podemos construir uma infinidade
de funções, basta variar a regra.
Por outro lado, se uma regra é especificada, em geral, pode-
mos considerar uma infinidade de domı́nios diferentes para a
mesma regra, obtendo infinitas funções distintas.
Então, não esqueça! É preciso o domı́nio D e a regra y =
f (x), para termos a função.

168 C E D E R J

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i i
No entanto, por economia de meios e sem prejuı́zo do en-

13 1 MÓDULO 1
tendimento, nos livros didáticos freqüentemente uma função apa-
rece definida apenas por uma regra. Nesta situação, a convenção
é que o domı́nio D da função é o maior subconjunto de números
reais para o qual a regra se aplica, ou faz sentido. Vamos nesta
disciplina seguir esta convenção. Veja esta situação no próximo
exemplo.

AULA
 
Exemplo 13.7 

Se uma √função f é definida simplesmente pela regra (fórmula)
y = f (x) = x − 3 , então seu domı́nio D de definição está suben-
tendido.
Neste caso, para que a função tenha√sentido, é preciso que
dado um particular número real x exista x − 3 . Para isto, basta
que x − 3 ≥ 0. Portanto, se x ≥ 3, a regra está bem definida.
Logo D = [3, +∞) é o domı́nio da função.

 
Exemplo 13.8 


1 − 2x
Considere a função definida pela fórmula y = f (x) =
x+6
e vamos determinar seu domı́nio D de definição.
Note que precisamos ter 1 − 2x ≥ 0 e x + 6 6= 0, para que
estejam bem definidos, respectivamente, o numerador e o de-
nominador da fórmula (regra) pela qual a função se expressa.
Faça então as contas para concluir que é suficiente que x ≤
1
2
e x 6= −6.
Portanto, o domı́nio D da
 função é obtido como interseção
do intervalo I = − ∞, 1/2 com o conjunto B = {x ∈ R | x 6=
−6}. Logo, 
D = (−∞, −6) ∪ − 6, 1/2
é o domı́nio da função.

C E D E R J 169

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Métodos Determinı́sticos I | Introdução às Funções

Exercı́cio 13.1
Encontre os domı́nios das funções:

x √
3
a. y = f (x) = 2 b. y = g(x) = x2 − 6
x −6
r
2−x x−3
c. y = h(x) = √ d. y = q(x) =
2
x − 2x − 3 2 − 3x

170 C E D E R J

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Aula 14
G R ÁFICOS DE F UNÇ ÕES :
AS F UNÇ ÕES L INEAR E Q UADR ÁTICA

ObjetivoAo final desta aula, você deverá ser capaz de:

1 compreender o conceito de gráfico de uma função.

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i i
Métodos Determinı́sticos I | Gráficos de Funções: as Funções Linear e Quadrática

A visualização geométrica de funções é muito importante,


principalmente para resolver problemas e entender os conceitos.
Também porque, ao representar as funções através de gráficos,
estamos introduzindo um sistema de coordenadas como ferra-
menta que certamente auxilia na solução de problemas.
Considere a função y = f (x), x ∈ D, onde D ⊂ R é um con-
junto de números reais. Ora, a fórmula da função expressa que
para cada x ∈ D existe um único y ∈ R tal que y = f (x). Esse
par (x, y) define um ponto do plano com coordenadas. O con-
junto desses pontos quando x varia em todo o domı́nio D forma
o gráfico da função. Portanto, o gráfico da função f (x) é um sub-
conjunto de R2 , o qual é representado simbolicamente por G( f )
e como conjunto se expressa como

G( f ) = {(x, y) | y = f (x)} .

C ONSTRUÇÃO DO G R ÁFICO
Dada a função y = f (x), o desafio é fazer uma representação
a mais correta possı́vel de seu gráfico. A técnica consiste em
dois passos principais que vamos destacar:

• usar uma quantidade suficiente de valores numéricos para


a variável x e definir, através da fórmula da função, os pon-
tos (x, y) correspondentes do plano que estão no gráfico da
função;
• usar, possivelmente, outros conhecimentos geométricos
da função para completar um esboço do gráfico.

Uma pausa para comentar os dois passos anteriormente de-


lineados. Veja que o primeiro passo encerra com o desenho de
uma quantidade finita de pontos (x, y) no plano, enquanto o se-
gundo passo corresponde a intuir a forma do gráfico. Nesse se-
gundo passo é muito importante informações gerais conhecidas
sobre gráfico de funções. Por exemplo, com o estudo é possı́-
vel identificar funções cujos gráficos são representados por pará-
bolas, cı́rculos, retas e outras figuras geométricas. Portanto, es-
ses conhecimentos gerais permitem intuir, a partir de um número
finito de pontos conhecidos, a forma do gráfico. Acompanhe um
exemplo.

172 C E D E R J

i i

i i
 
Exemplo 14.1 


14 1 MÓDULO 1
Construa aproximadamente o gráfico da função y = x + 2.
Solução: Começamos construindo uma tabela de valores (x, y), onde
y = x + 2 e localizando esses pontos no plano. Na Figura 14.1, temos
à esquerda três colunas onde os pontos A = (−1, 1), B = (0, 2), C =
(1, 3) e D = (2, 4) foram definidos através da fórmula da função.

AULA
y
x y = f (x) D
A -1 1 4
B 0 2
C 1 3 C
3
D 2 4

B
2
A
1

−1 1 2 x

Figura 14.1: Gráfico da função y = x + 2.

Assim, por exemplo, para a determinação do ponto A = (−1, 1),


usamos que

x = −1 em y = x + 2 ⇒ y = −1 + 2 ⇒ y = 1 .

Para o ponto B = (0, 2), usamos que

x = 0 em y = x + 2 ⇒ y = 0 + 2 ⇒ y = 2

e assim igualmente para os outros pontos.

Na direita da Figura 14.1, os pontos A, B, C e D estão localizados


no plano R2 com sistema de coordenadas. A partir das posições dos
pontos é possı́vel deduzir que o gráfico é uma reta. Na verdade, um
pouco mais adiante estabeleceremos que toda função do tipo y = ax +
b, onde a, b ∈ R e a 6= 0 tem como gráfico uma  reta. Veja a Figura
14.2, onde temos que A = (0, b) e B = − ba , 0 e a 6= 0.

C E D E R J 173

i i

i i
Métodos Determinı́sticos I | Gráficos de Funções: as Funções Linear e Quadrática

A
b y = ax + b

B
b
− x
a

Figura 14.2: Gráfico de uma reta.

Exercı́cio 14.1
Observe que o gráfico da função y = x + 2 intersecta o eixo
Oy no ponto B = (0, 2). Quais são as coordenadas do ponto E
de interseção do gráfico com o eixo Ox?
 
Exemplo 14.2 


4
a) Construir a representação gráfica da função y = ,x∈
5−x
D = [1, 4].
Solução: Inicialmente construı́mos uma tabela de pontos, veja
a Figura 14.3.

y
4 4 D
x y=
5−x
A 1 1
4
B 2
3
C 3 2
D 4 4 2 C
4
3 B
1
A

1 2 3 4 x

4
Figura 14.3: Gráfico da função y = .
5−x
174 C E D E R J

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Unindo um a um os pontos do gráfico e sabendo que a função

14 1 MÓDULO 1
representa uma hipérbole, chegamos a um esboço do gráfico da
função, que está representado à direita da Figura 14.3.

b) Construa o gráfico da função f tal que



 −1 se x ≤ −1
y= x se −1 < x < 1 .

AULA

1 se x ≥ 1

Solução: O domı́nio D da função é todo o conjunto dos núme-


ros reais, isto é, D = R. A definição da função explicita que para
qualquer valor x ∈ (−∞, −1], o valor y = f (x) assinalado é o
mesmo e constante y = −1. Portanto, a função é constante nes-
se intervalo. Também a função é constante y = 1 para todo
x ∈ (1, +∞). Agora precisamos trabalhar os valores y quando
x está no intervalo aberto (−1, 1). Paraesses casos, veja  que
1 1 1 1
y = x. Por exemplo, os pontos − 2 , − 2 , (0, 0) e 2 , 2 estão
no gráfico. Veja a Figura 14.4 a seguir.

−1
1 x

−1

Figura 14.4: Gráfico da função f .

Exercı́cio 14.2
Construa uma representação aproximada dos gráficos das
funções:

a) y = 10 − x

 x se x ≤ 1
b) y =
 2 se x > 1
x+1

C E D E R J 175

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Métodos Determinı́sticos I | Gráficos de Funções: as Funções Linear e Quadrática

Nosso próximo objetivo de estudo é destacar algumas fun-


ções especiais. Começamos com a mais simples delas: a função
constante.

F UNÇÕES C ONSTANTES
Dado o número real c, a função y = c é uma função cons-
tante. Como para todo x ∈ R o valor y correspondente da função
permanece constante, então o gráfico da função é uma reta para-
lela ao eixo Ox e passando pelo ponto (0, c). Examine o gráfico
da função na Figura 14.5, onde é representada uma função cons-
tante donde c < 0.

c
Figura 14.5: Gráfico de função constante.

A F UNÇ ÃO L INEAR A FIM

Nesse ponto, avançamos mais um degrau na escala de com-


plexidade. Vamos considerar uma função ainda muito simples,
que, no entanto, serve para modelar muitos fenômenos que ocor-
rem na prática. Trata-se da função linear afim.
A função
y = ax + b , a, b ∈ R a 6= 0 ,
é dita uma função linear afim.
O gráfico de qualquer função linear afim é uma reta. No ca-
so especial em que o coeficiente b = 0, a função é comumente
denominada função linear.
Considere então a função linear afim

y = ax + b , a, b ∈ R a 6= 0 .

176 C E D E R J

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Veja a construção do gráfico para o caso em que a > 0 e b < 0

14 1 MÓDULO 1
como representado na Figura 14.6.

AULA
b x

a
b

Figura 14.6: Gráfico da função linear.


Note que os pontos (0, b) e − ab , 0 estão no gráfico da
função linear afim. Como dois pontos determinam uma reta, o
gráfico pode ser construı́do.

I NTERPRETAÇ ÃO DO C OEFICIENTE a

Considere uma função linear y = ax + b, a > 0 e dois pontos


(x1 , y1 ) e (x2 , y2 ) no gráfico da função.

y2

∆y

y1

x1 x2 x

∆x

Figura 14.7: Acréscimo nas variáveis.

C E D E R J 177

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Métodos Determinı́sticos I | Gráficos de Funções: as Funções Linear e Quadrática

Veja que ∆x = x2 − x1 corresponde ao acréscimo que deve-


mos dar ao valor x1 para chegar ao valor x2 . De fato, veja que

x2 = x2 + x1 − x1 = x1 + x2 − x1 = x1 + ∆x .

Assim, o acréscimo ∆x à variável x1 resulta no valor x2 . Por ou-


tro lado, para passar de y1 para y2 a variável dependente sofre
um acréscimo de ∆y = y2 − y1 . Ou seja,

y2 = y2 + y1 − y1 = y1 + y2 − y1 = y1 + ∆y .

Veja que

∆y y2 − y1 ax2 + b − (ax1 + b) a(x2 − x1 )


= = = = a.
∆x x2 − x1 x2 − x1 x2 − x1
Portanto, o coeficiente a representa o quociente entre as varia-
ções, ou ainda define que a variação ∆y é proporcional à variação
∆x com fator de proporcionalidade a. Em função disto, a é
chamado o coeficiente angular da reta.
Note que, em particular, quando ∆x = 1 então ∆y = a. Ou
seja, quando a variável independente passa de x1 para x1 + 1, a
variável dependente oscila de y1 para y1 + a.
Finalmente, veja que quando x = 0 na equação y = ax + b
resulta que y = b. Isto identifica (0, b) como o ponto onde o grá-
fico da função corta o eixo y. Portanto o coeficiente b identifica
o ponto de interseção da reta com o eixo y.
 
Exemplo 14.3 


a) Equação da reta por dois pontos.


Considere no plano a reta que passa pelos pontos A =
(−1, 2) e B = (0, 5) e encontre a função linear afim cujo
gráfico é a reta.
Solução: Veja o gráfico da reta representado na Figura 14.8.
Uma função linear afim se expressa como y = ax + b e pre-
cisamos usar os dados do exemplo para definir os coeficientes
a e b e encontrar a equação particular que expressa a função
procurada.

178 C E D E R J

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y

14 1 MÓDULO 1
B 5

A 2

AULA
−1 x

Figura 14.8: Reta por dois pontos.

Portanto, usando os dados encontramos que

A = (−1, 2) em y = ax + b ⇒ 2 = −a + b
B = (0, 5) em y = ax + b ⇒ b = 5 .

Basta então resolver o sistema de equações nas variáveis a e b.


Como b = 5, então

2 = −a + b ⇒ a = 3 .

Logo, a função linear afim procurada é

y = 3x + 5 .

b) Sabendo que numa função linear afim, toda vez que a va-
riável independente x sofre um acréscimo ∆x = 1, a variá-
vel dependente y sofre um acréscimo correspondente de
∆y = −2. Além disso, para x = 3, y = −1, encontre a
fórmula que expressa a função linear afim e represente o
gráfico correspondente.
Solução: Seja y = ax+b a função linear afim procurada. Como
para ∆x = 1 corresponde ∆y = −2, encontramos que
∆y −2
=a⇒ = a ⇒ a = −2 .
∆x 1

Por outro lado, o ponto A = (3, −1) pertence ao gráfico da


função.

C E D E R J 179

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Métodos Determinı́sticos I | Gráficos de Funções: as Funções Linear e Quadrática

Substituindo todos esses dados na equação vem que

y = ax + b ⇒ y = −2x + b ⇒ −1 = −2(3) + b ⇒ b = 5 .

Com os valores a = −2 e b = 5 definidos, chegamos à expressão


da função:
y = −2x + 5 .

Como o gráfico da função é uma reta, dois pontos são sufi-


cientes para determiná-lo. Já temos o ponto A = (3, −1) e pre-
cisamos de mais um ponto B. Fazendo x = 0 na equação, vem
que

y = −2x + 5 e x = 0 ⇒ y = −2(0) + 5 ⇒ y = 5 .

Portanto B = (0, 5) é o outro ponto procurado e o gráfico pode


ser construı́do. Veja a Figura 14.9.

3 5
−1 B x
A

Figura 14.9: Gráfico de função linear afim.

A F UNÇÃO Q UADR ÁTICA


Toda função
y = ax2 + bx + c ,
onde os coeficientes a, b e c são números reais e a 6= 0 é uma
função quadrática.
Com um pouco de esforço matemático, envolvendo estudo
do lugar geométrico num plano eqüidistante de uma reta e de um
ponto, pode ser provado que a parábola é a curva que num plano
com coordenadas é representada por uma equação quadrática.
E pode se ir mais além, mostrando que o eixo de simetria da

180 C E D E R J

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parábola é uma reta paralela ao eixo Oy. Observamos de pas-

14 1 MÓDULO 1
sagem que esse eixo de simetria contém o vértice da parábola.
Vamos destacar os elementos principais que ajudam a elaborar
gráficos de funções quadráticas.
1. É importante calcular, caso existam, as raı́zes da equação

ax2 + bx + c = 0 .

AULA
Pois, se x0 é uma raiz, então o ponto (x0 , 0) pertence à parábola
e representa no plano o ponto onde a parábola cruza o eixo Ox.

2. Se a > 0, a concavidade da parábola é voltada para cima


(direção positiva do eixo Oy) e no caso de a < 0, a concavidade
da parábola é voltada para baixo (direção negativa do eixo Oy).

3. O vértice V da parábola tem como coordenadas,


 
b ∆
V = − ,− , onde ∆ = b2 − 4ac.
2a 4a

Note que no caso em que a parábola corta o eixo Ox, isto é,
quando a equação quadrática possui raı́zes x1 e x2 , então as co-
ordenadas do vértice podem ser expressas como
 
x1 + x2 ∆
V= ,− .
2 4a

4. O ponto (0, c) é a interseção da parábola com o eixo y.


Veja dois exemplos.
 
Exemplo 14.4 


a) Construir o gráfico da função quadrática y = x2 − x − 2.


Solução: Em primeiro lugar é preciso determinar as raı́zes da
equação x2 − x − 2 = 0. Temos que:

a = 1, b = −1 e c = −2 ⇒ ∆ = b2 − 4ac = 9 .

Logo,
√ √ 
−b ± ∆ 1 ± 9 x1 = 2
x= = ⇒
2a 2 x2 = −1

C E D E R J 181

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Métodos Determinı́sticos I | Gráficos de Funções: as Funções Linear e Quadrática

Portanto, os pontos A = (2, 0) e B = (−1, 0) definem a interseção


da parábola com o eixo Ox. Calculando as coordenadas do vér-
tice V = (xv , yv ) encontramos

x1 + x2 2 − 1 1
xv = = = .
2 2 2

1
Para xv = , encontramos
2
 2
2 1 1 9
y = x − x − 2 ⇒ yv = − − 2 ⇒ yv = − .
2 2 4

Então, as coordenadas do vértice V = (xv , yv ) fornecem


 
1 9
V= ,− .
2 4

Por outro lado, se x = 0, então a função quadrática y = x2 −x−2


fornece y = −2. Isto mostra que C = (0, −2) é o ponto de en-
contro da parábola com o eixo Oy.
Finalmente, com a = 1 > 0, a parábola possui concavidade para
cima.
Esses dados permitem traçar o esboço do gráfico da parábola,
como mostrado na Figura 14.10.

y
Eixo de simetria

1
2

−1 1 2 x
−1
−2 C
9

4 V

Figura 14.10: Parábola y = x2 − x − 2.

182 C E D E R J

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b) Construir, aproximadamente, o gráfico da função quadrática

14 1 MÓDULO 1
y = −x2 + 2x.
Solução: Em primeiro lugar, a equação −x2 + 2x = 0 pode ser
resolvida definindo suas raı́zes

2 x1 = 0
−x − 2x = 0 ⇒ −x(x − 2) = 0 ⇒
x2 = 2

AULA
Também
x1 + x2 0 + 2
xv = = =1
2 2
e
yv = −x2v + 2xv ⇒ yv = −12 + 2(1) ⇒ yv = 1 .
Então, o vértice V = (xv , yv ) está definido:

V = (1, 1) .

Para encontrar o ponto C onde a parábola corta o eixo Oy, colo-


camos x = 0 na equação quadrática. Assim,

x = 0 e y = −x2 + 2x ⇒ y = −02 + 2(0) ⇒ y = 0 .

Então C = (0, 0).


Veja agora a Figura 14.11 que pode ser construı́da a partir
desses dados.

C 1 2 x

Figura 14.11: Parábola y = −x2 + 2x.

c) Construir, aproximadamente, o gráfico da função quadrática


y = x2 + 2x + 2.

C E D E R J 183

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Métodos Determinı́sticos I | Gráficos de Funções: as Funções Linear e Quadrática

Solução: Veja que

a = 1, b = 2 e c = 2 ⇒ ∆ = b2 − 4ac = −4 < 0 .

Portanto, a equação x2 + 2x + 2 = 0 não tem solução. Isto evi-


dência que a parábola não corta o eixo Ox. Como a = 1 > 0,
a parábola tem concavidade para cima. Como não corta o eixo
Ox, a parábola fica toda acima do eixo Ox.
Vamos calcular as coordenadas do vértice V = (xv , yv ). Temos
que
b ∆
xv = − , yv = ⇒ xv = −1 , yv = 1 .
2a 4a
Logo, V = (−1, 1) é o vértice.
Também fazendo x = 0 na equação y = x2 +2x+2, encontramos
y = 2. Logo, (0, 2) é o ponto de encontro da parábola com o eixo
Oy. Esses dados permitem um esboço da parábola como o da
Figura 14.12:

−1 x

Figura 14.12: Parábola y = x2 + 2x + 2.

Exercı́cio 14.3
Construa, aproximadamente, os gráficos das equações quadráticas:

a) y = −x2 + x + 6
b) y = x2 − 3x + 3

184 C E D E R J

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Aula 15
F UNÇ ÕES P OLINOMIAIS : D ETERMINAÇ ÃO DE G R ÁFICOS
POR SEUS P ONTOS E G R ÁFICOS DE R EGI ÕES DO P LANO

ObjetivosAo final desta aula, você deverá ser capaz de:

1 entender o conceito de função polinomial;


2 saber construir regiões do plano definidas
por equações e inequações;
3 poder construir a reta que se ajusta a um
conjunto de pontos.

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Métodos Determinı́sticos I | Funções Polinomiais: Determinação de Gráficos por seus Pontos e Gráficos de Regiões do Plano

Nas aulas anteriores, introduzimos o conceito de função e


tratamos os primeiros exemplos que foram as funções constante,
lineares afins e as funções quadráticas. Na verdade, essas funções
são casos particulares de uma classe mais ampla: as funções po-
linomiais. Veja a definição seguinte.

Definição 15.1
Dado um número natural n ≥ 1, uma função polinomial de
grau n é uma função expressa por uma equação do tipo

y = an xn + an−1 xn−1 + · · · + a2 x2 + a1 x1 + a0 (15.1)

onde x é uma variável real, an , an−1 , · · · , a2 , a1 e a0 são


números reais e an 6= 0.

 i. Os números reais an , an−1 , · · · , a2 , a1 e a0 são os coe-


ficientes da função polinomial. Observe a obriga-
toriedade an 6= 0. A não-nulidade desse coeficiente
determina o grau da função polinomial.
ii. Associada à função polinomial (15.1), é definida a
equação polinomial de grau n

an xn + an−1 xn−1 + · · · + a2 x2 + a1 x1 + a0 = 0 , x ∈ R .

iii. O número real c é uma raiz da equação polinomial se


o valor x = c anula o primeiro membro da equação,
isto é,

an cn + an−1 cn−1 + · · · + a2 c2 + a1 c1 + a0 = 0 .

iv. As funções constantes, linear afim e quadrática são


funções polinomiais de grau zero, um e dois, respec-
tivamente. Por exemplo, a função quadrática y =
−3x2 + 2x − 1 é uma função polinomial de grau 2,
que se identifica com a forma geral y = a2 x2 + a1 x +
a0 , onde a2 = −3, a1 = 2 e a0 = −1.
v. É possı́vel definir funções polinomiais a partir de
monômios. Assim, por exemplo o produto

y = (x − 1) · (x + 1) · (x − 2) ⇒ y = x3 − 2x2 − x + 2 .

186 C E D E R J

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Dada uma função polinomial, está colocado o problema de

15 1 MÓDULO 1
construir no plano, mesmo aproximadamente, o gráfico da fun-
ção. A técnica que permite a construção desses gráficos é a
mesma usada nos casos anteriores de funções lineares afins e
quadráticas. É preciso determinar um número suficiente de pon-
tos do gráfico que permitam a forma geral do gráfico. Esse é um
modo de construção artesanal. Hoje, com os computadores de

AULA
que disponho, existem ferramentas que permitem a construção
de qualquer gráfico de função polinomial num piscar de olhos e
mesmos funções mais complexas. A técnica do computador não
foge muito do princı́pio artesanal que temos usado. A diferença
é que o computador pode realizar milhões de operações por se-
gundo e localizar uma quantidade muito grande de pontos. De-
pois, é só unir esses pontos que estão suficientemente próximos.
Na verdade, quando olhamos para a tela do computador para
apreciar o gráfico de uma função, temos a impressão de con-
tinuidade (não existe espaço entre um ponto e outro do gráfico).
Mas isso é resultado da nossa limitada acuidade visual, uma vez
que o computador sempre trabalha com um número finito de
pontos.
Vamos tratar, apenas a tı́tulo de ilustração e com o intuito de
esquentar os tamborins, um caso simples de função polinomial
de grau 3.
 
Exemplo 15.1 

A função y = x3 − 2x2 − x + 2 é uma função polinomial de
grau 3. Veja que, para essa função, a3 = 1, a2 = −2, a1 = −1 e
a0 = 2. Veja que os valores x = 1, x = −1 e x = 2 anulam o valor
da função. Isso pode ser visto simplesmente fazendo as contas e
verificando que

y = x3 − 2x2 − x + 2 = (x − 1) · (x + 1) · (x − 2) ,

conforme já trabalhado anteriormente. Esse resultado mostra


que os pontos

A = (1, 0), B = (−1, 0) e C = (2, 0)

pertencem ao gráfico da função. Além disso, podemos definir


mais alguns pontos, o que faremos na tabela que aparece na
Figura 15.1, a seguir.

C E D E R J 187

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Métodos Determinı́sticos I | Funções Polinomiais: Determinação de Gráficos por seus Pontos e Gráficos de Regiões do Plano

x y
D 0 2
E -2 4
F 3 8 −1 1
G -3 4 2 x

Figura 15.1: Função polinomial y = x3 − 2x − x + 2.

C URVAS QUE SE A JUSTAM A UM C ON -


JUNTO DE P ONTOS

As funções com as quais estamos trabalhando, funções linea-


res afins, quadráticas e mais geralmente polinomiais, são mode-
los matemáticos que se ajustam a problemas práticos nas áreas
de Economia e Administração. Mas, como são modelos, preci-
sam ser ajustados, em maior ou menor precisão, para responder
a situações concretas.
Até agora tratamos o problema de construir gráficos de al-
guns tipos de funções. O objetivo agora é oferecer uma idéia
num caso bem simples de como atacar o problema inverso: dado
um certo número de pontos no plano, determinar a curva polino-
mial que mais se ajusta a esses pontos. Um comentário faz sen-
tido sobre a natureza do problema: dependendo da posição dos
pontos, a curva polinomial que mais se aproxima pode ser uma
reta, ou uma parábola ou o gráfico de um polinômio de grau su-
perior a dois. No entanto, por questão de simplicidade, e para
não fugir ao objetivo da disciplina, trataremos de resolver ape-
nas o caso de definir a reta que mais se aproxima de um conjunto
de pontos prefixados.

188 C E D E R J

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M ÉTODO DOS M ÍNIMOS Q UADRADOS

15 1 MÓDULO 1

Considere três pontos A = (0, −1), B = 21 , 0 e C = (2, 1) e
o problema de determinar a reta que mais se ajusta a esses pon-
tos. Ou, dito de outra maneira, queremos determinar a reta que
passa o mais perto possı́vel dos pontos, do ponto de vista global.
Na Figura 15.2, a seguir, são apresentadas quatro retas. Note

AULA
que as retas r, q e t como candidatas a solução do problema pos-
suem a vantagem comum de passar por dois dentre os pontos e
a desvantagem comum de deixar um terceiro ponto muito longe
da reta.
Por outro lado, a reta s não contém nenhum dos pontos, mas
resolve o problema, tratando os três pontos de modo uniforme e
portanto possui a melhor proximidade possı́vel em relação aos
pontos.

s q
y t
r
C

B
x

Figura 15.2: Curva ajustando pontos.

O método que permite encontrar a reta s que resolve o pro-


blema é denominado método dos mı́nimos quadrados, cujo enun-
ciado agora apresentamos.

C E D E R J 189

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Métodos Determinı́sticos I | Funções Polinomiais: Determinação de Gráficos por seus Pontos e Gráficos de Regiões do Plano

Dado um conjunto de n pontos no plano A1 (x1 , y1 ), A2 (x2 , y2 ),


· · · , An (xn , yn ), a reta que melhor se aproxima desses pontos é
definida por y = ax + b, onde

a=
∑ xy − nxy e b = y − ax .
∑ x2 − n x
2

Nesta fórmula, os sı́mbolos significam:

∑ xy = é a soma dos n produtos xiyi


∑ x2 = é a soma dos n quadrados x2i
x1 + x2 + · · · + xn y1 + y2 + · · · + yn
x= ,y= são médias
n n
aritméticas.

Acompanhe pelo exemplo a seguir a aplicação do método


para encontrar a reta que melhor aproxima 4 pontos.
 
Exemplo 15.2 

Vamos encontrar pelo método dos mı́nimos quadrados a reta
que melhor aproxima os pontos A1 = (10, 27), A2 = (20, 20), A3 =
(30, 14) e A4 = (40, 7).
Solução: Para melhor organizar os cálculos, tendo em vista calcular
os somatórios, lançamos mão de uma tabela. Veja a tabela a seguir.

Pontos xi yi xi yi x2i
A1 10 27 270 100
A2 20 20 400 400
A3 30 14 420 900
A4 40 7 280 1600
∑ 100 68 1370 3000

Também
10 + 20 + 30 + 40
x= = 25
4
27 + 20 + 14 + 7
y= = 17 .
4
Então:
∑ xy − nxy = 1370 − 4 × 25 × 17 = −330
∑ x2 − n
2
x = 3000 − 4 × 625 = 500 .

190 C E D E R J

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Logo,

15 1 MÓDULO 1
−330 33 67
a= = −0, 66 e b = y − ax = 17 + × 25 =
500 50 2
e então a reta procurada é y = −0, 66x + 33, 5 .

Veja a representação da solução do problema na figura a seguir.

AULA
28 A1
21 A2
14 A3

7 A4

10 20 30 40

Figura 15.3: Reta que aproxima 4 pontos.

G R ÁFICOS DE S EGMENTOS DE R ETAS E R EGI ÕES


DO P LANO

Muitas vezes, os dados de um problema exigem a consideração


de funções lineares afins ou funções quadráticas definidas em
domı́nios D que são apenas parte dos números reais. Os gráficos
das funções, nesses casos, podem ser segmentos de reta, partes
de parábolas. Vejam um exemplo.
 
Exemplo 15.3 

Representar graficamente y = −x − 1, x ∈ (−2, 1].
Solução: O gráfico será parte de uma reta, uma vez que y = −x − 1
é uma função linear afim. Veja que x = 0 e x = 1 estão no domı́nio da
função. Então:

x = 0 e y = −x − 1 ⇒ y = −1
x = 1 e y = −x − 1 ⇒ y = −2
Logo, A = (0, −1) e B = (1, −2) são pontos que definem o gráfico.
Veja a Figura 15.4.

C E D E R J 191

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Métodos Determinı́sticos I | Funções Polinomiais: Determinação de Gráficos por seus Pontos e Gráficos de Regiões do Plano

1
1
−2 −1 x

−2 B

Figura 15.4: Segmento de reta.

Note que o ponto (−2, 1) não pertence ao gráfico, uma vez que
o domı́nio D = (−2, 1] é aberto à esquerda. Por isso, esse ponto é
representado vazado no gráfico. No entanto, o ponto B = (1, −2) é
representado cheio, uma vez que esse ponto pertence ao domı́nio.
 
Exemplo 15.4 

Representar graficamente o conjunto do plano definido por
y ≤ 2x − 1 e 0 ≤ x ≤ 2.
Solução: Note que a equação linear afim y = 2x − 1 é representada
por uma reta. A condição y ≤ 2x − 1 indica os pontos que ficam abaixo
da reta.

Por outro lado, todos os pontos (x, y) do plano que verificam 0 ≤


x ≤ 2 são uma faixa vertical. Juntando essas duas condições, chegamos
à região hachurada da Figura 15.5, que representa o gráfico procurado.

3 1111111111
0000000000
0000000000
1111111111
1111111111
0000000000
0000000000
1111111111
0000000000
1111111111
0000000000
1111111111
0000000000
1111111111
0000000000
1111111111
0000000000
1111111111
0000000000
1111111111
0000000000
1111111111
0000000000
1111111111
0000000000
1111111111
0000000000
1111111111
0000000000
1111111111
0000000000
1111111111
0000000000
1111111111
0000000000
1111111111
0000000000
1111111111
2 x
0000000000
1111111111
−1 1111111111
0000000000
0000000000
1111111111
0000000000
1111111111
0000000000
1111111111
0000000000
1111111111
0000000000
1111111111
0000000000
1111111111
0000000000
1111111111
0000000000
1111111111
0000000000
1111111111
0000000000
1111111111

Figura 15.5: Gráfico da região procurada.


192 C E D E R J

i i

i i
Exercı́cio 15.1

15 1 MÓDULO 1
Representar graficamente os conjuntos do plano definido por:

a) y ≤ −x + 3 e −1 < x < 1;

b) −2 ≤ y ≤ −x + 3.

AULA

C E D E R J 193

i i

i i
Métodos Determinı́sticos I | Aplicações

194 C E D E R J

i i

i i
Aula 16
A PLICAÇ ÕES

Objetivos
Ao final desta aula, você deverá ser capaz de:

1 perceber a importância das funções e de seus


gráficos para resolver problemas práticos;
2 poder representar graficamente a função demanda
de mercado;
3 poder representar graficamente a função oferta
de mercado;
4 ser capaz de resolver problemas relacionados às
funções de demanda e de oferta de mercado, bem
como encontrar os preços e as quantidades de
equilı́brio do mercado.

i i

i i
Métodos Determinı́sticos I | Aplicações

Nesta aula vamos olhar, como se fosse uma caixa de fer-


ramentas, as técnicas desenvolvidas nas aulas 13 até 15. Com
essas ferramentas em mãos, vamos procurar motivar o uso de
funções e de gráficos para abordar questões relacionadas com a
Lei da Oferta e da Procura, e os assuntos relacionados: demanda
de mercado, oferta de mercado e preços.
Para um certo produto colocado no mercado, a Lei da Oferta
e da Procura busca regular a relação entre a procura (ou de-
manda) pelo produto e a quantidade de oferta desse produto. Em
linhas gerais, em perı́odos de grande oferta de um determinado
produto, o seu preço cai, provocando um aumento no consumo.
E em contrapartida, em face de uma grande demanda por um
determinado produto, os preços tendem a subir, ocorrendo uma
retração no consumo.
Mas é preciso lembrar que nesta aula trataremos a Lei da
Oferta e da Procura como um modelo ideal, para explicar fenôme-
nos complexos do mercado. Por isto, é importante ter em mente
que conclusões simplistas freqüentemente não são verdadeiras
como a que diz que quanto menor o preço de um determinado
produto, maior a quantidade procurada e vendida. Ou que quanto
maior o preço, menor a quantidade procurada. No fenômeno da
oferta e da demanda, outras variáveis influenciam a equação que
traduz a Lei da Oferta e da Procura, tornando-a muito complexa.
Entre essas variáveis destacam-se, por exemplo, os desejos e ne-
cessidades das pessoas; o poder de compra; o nı́vel de desem-
prego; a disponibilidade dos serviços; a produção regional e na-
cional; a sazonalidade da oferta e das condições climáticas, por
exemplo, para os produtos agrı́colas; fluxo de exportações e de
importações e também a intervenção reguladora dos governos,
por exemplo, liberando impostos ou incentivando a importação
do produto.
Para examinar, ainda que de modo ideal, a Lei da Oferta e da
Procura, vamos considerar como exemplo a questão do preço do
feijão, um alimento com limitadas possibilidades de armazena-
mento. O feijão uma vez colhido deve ser consumido dentro de
seis meses. A partir desse tempo há um processo de endureci-
mento do grão, caindo muito a qualidade do produto. Assim, no
pico da colheita, a oferta do produto no mercado aumenta muito
e nesta ocasião os preços são relativamente menores. Por outro
lado, no perı́odo que antecede a colheita, a escassez do produto
limita sua oferta e pressiona a procura (ou demanda).

196 C E D E R J

i i

i i
Portanto, em linhas gerais, uma oferta menor do feijão au-

16 1 MÓDULO 1
menta os preços e provoca uma retração na demanda. No en-
tanto, isto não significa, necessariamente, um consumo menor
de proteı́na. O consumidor, pressionado pelo preço alto, procura
outras fontes proteicas cujo preço está mais em conta. Por exem-
plo, nesta situação, pode ocorrer que o preço do frango seja mais
em conta na equação da economia doméstica. Assim, ideal-

AULA
mente, a população consome mais feijão na época de mais oferta,
substituindo o feijão por outros alimentos na época de menos
oferta.

D EMANDA DE M ERCADO
Considere uma utilidade qualquer U que pode ser um bem
ou um serviço. A demanda D dessa utilidade pode ser entendida
como a soma de todas as quantidades dessa mesma utilidade que
os consumidores estarão dispostos a adquirir a um preço P, num
determinado perı́odo de tempo, que pode ser um dia, um mês ou
um ano.
A função demanda é a função que a cada preço P associa
a demanda D correspondente. A representação gráfica dessa
função é referida como a curva de demanda ou curva de procura
dessa utilidade.
Veja que a demanda (ou procura) a que nos referimos cor-
responde ao conjunto de todos os compradores da utilidade e
não a um comprador individual. Portanto, a demanda de mer-
cado é obtida pelo somatório de todas as demandas de consumi-
dores individuais. Vamos dar um exemplo que pode esclarecer
esta situação, considerando primeiramente o caso simples de de-
manda individual para depois considerar o caso geral.

D EMANDA I NDIVIDUAL

Vamos tomar como exemplo a carne de boi e estudar o con-


ceito de demanda individual para este item de consumo. Vamos
nos fixar num perı́odo de consumo semanal de uma famı́lia cuja
fonte de renda é o salário do seu chefe, o Sr. Pedro. A deman-
da da famı́lia, durante uma semana, representa a quantidade de
carne bovina que Pedro estaria disposto a adquirir a vários preços
alternativos. Por exemplo, se o preço for R$ 1,00 por quilo, Pe-

C E D E R J 197

i i

i i
Métodos Determinı́sticos I | Aplicações

dro estaria disposto a adquirir no máximo 10kg. Se o preço


for aumentado para R$ 2,00 o quilo, Pedro estaria disposto a
adquirir no máximo 8 quilos por semana. E assim sucessiva-
mente, a medida que o preço de oferta sobe, o chefe de famı́lia
manifesta menor desejo de adquirir o produto. A Tabela 16.1
mostra na primeira coluna o preço de oferta do produto e na
segunda coluna a quantidade máxima por semana que Pedro es-
taria disposto a adquirir pelo preço estipulado.

Preço (R$/quilo) Quantidade (Quilo/semana)


1 10
2 8
3 6
4 4
5 2

Tabela 16.1: Demanda de uma famı́lia pela carne de boi.

A primeira coluna representa a oferta, caracterizando o preço


P do produto, enquanto que a coluna da direita representa a de-
manda D pelo produto a um preço P. Portanto, a demanda D é
uma função do preço P. A partir dos dados da tabela podemos
descrever globalmente a função demanda. A idéia é que uma
vez definida a função, ela pode predizer qual é a quantidade de
carne de boi que Pedro compraria se o preço fosse um valor não
constante na Tabela 16.1. Vamos colocar os dados da tabela em
um gráfico, obtendo o que denominamos a curva de demanda.
Veja a Figura 16.1, a seguir.

D
10

1 2 3 4 5 P

Figura 16.1: Curva de demanda para carne de boi.


198 C E D E R J

i i

i i
Examinando o gráfico, concluı́mos que a função que traduz

16 1 MÓDULO 1
a demanda D em função do preço P é dada pela equação:

D = −2P + 12 ,

onde P ∈ (0, +∞).


Note que o preço sendo sempre positivo, o domı́nio de defi-

AULA
nição da função é o conjunto dos números maiores que zero.
A construção da curva de demanda, representada pelo gráfico
da função demanda, permite prever o comportamento do con-
sumidor. Por exemplo, se a oferta da carne bovina for colocada
a R$ 2,40 o quilo ou a R$ 5,80 o quilo, então o chefe de famı́lia
estaria disposto a adquirir no máximo, respectivamente, 7,2 qui-
los ou 0,40 quilos (400 gramas). Veja as contas.

P = 2, 40 em D = −2P + 12 ⇒ D = −2(2, 40) + 12 ⇒ D = 7, 20;


P = 5, 80 em D = −2P + 12 ⇒ D = −2(5, 80) + 12 ⇒ D = 0, 40 .

Note que o preço da carne bovina não pode atingir o preço P =


R$ 6,00, sob pena da demanda D ser nula. Examine o gráfico e
faça contas com a função demanda para comprovar esse fato.
Com este exemplo que caracterizou uma demanda indivi-
dual para um certo produto num perı́odo determinado, podemos
passar ao caso geral da demanda de mercado, que é o conceito
correto trabalhado em Economia. Para encontrar a demanda de
mercado, basta somar os valores das demandas individuas. Por
isto a função demanda de mercado é a soma de todas as funções
demandas individuais.

 i. No nosso exemplo obtivemos a demanda D como


uma função linear afim, cuja variável independente
é o preço P. Evidentemente que nos casos concre-
tos esta função é muito complicada, uma vez que
é influenciada por fatores de difı́cil controle como,
por exemplo, o desejo subjetivo dos consumidores
em adquirir o produto, a renda dos consumidores, a
polı́tica global do governo, etc.
ii. Em Economia, a representação gráfica da função de-
manda é costumeiramente realizada invertendo os ei-
xos, colocando preços no eixo vertical e demanda no
eixo horizontal. Assim, trabalhando o exemplo ante-
rior, onde D = −2P + 12, podemos expressar D em
função de P e encontrar que
C E D E R J 199

i i

i i
Métodos Determinı́sticos I | Aplicações

1
P = − D+6.
2
A representação gráfica com os eixos invertidos fica
então como mostrado na Figura 16.2.

P
5
4
3
2
1

2 4 6 8 10 D

Figura 16.2: O preço como função da demanda.

Vamos ver mais um exemplo.


 
Exemplo 16.1 

A função D = 16 − P2 representa a demanda de mercado D
de um produto em função do preço P.
Note que a equação que representa a função demanda só tem
sentido econômico, quando os preços e as demandas têm valores
positivos. Essas condições determinam o domı́nio da função de-
manda. Portanto,

P > 0 e D > 0 ⇒ P > 0 e 16 − P2 > 0 ⇒ P > 0 e P < 4 .

Logo, (0, 4) é o intervalo de números reais que define o domı́nio


da função demanda D, ou seja, P ∈ (0, 4).
O gráfico da função é parte de uma parábola e representa a
curva de demanda. Veja a Figura 16.3 a seguir.

200 C E D E R J

i i

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16 1 MÓDULO 1
AULA
Figura 16.3: Curva de demanda de D = 16 − P2.

 
Exemplo 16.2 

Considere a função quadrática D = −2P2 + 9P + 18, em que
P representa o preço unitário de um certo produto, e D a de-
manda de mercado correspondente num certo perı́odo de tempo.
Vamos determinar a curva de demanda e analisar seus aspectos
principais.
Em primeiro lugar, vamos encontrar as raı́zes da equação
quadrática −2P2 + 9P + 18 = 0.
Temos que a = −2, b = 9 e c = 18. Portanto,

∆ = b2 − 4ac = 225 .

Então,
√ (
−b ± ∆ −9 ± 15 P1 = 6
P= ⇒ P= ⇒ 3 .
2a −4 P2 = −
2

O vértice V da parábola é definida por


   
b ∆ 9 225
V = − ,− ⇒V = , .
2a 4a 4 8

C E D E R J 201

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Métodos Determinı́sticos I | Aplicações

Além disso, como a equação que representa a função de-


manda só tem sentido econômico, quando os preços e as deman-
das têm valores positivos. Portanto, temos que

P > 0 e D > 0 ⇒ P ∈ (0, 6) .

Logo, (0, 6) é o intervalo de números reais que define o


domı́nio da função demanda D.
O gráfico da função é parte de uma parábola e representa a
curva de demanda. Veja a Figura 16.4 a seguir.

225/8

18 Demanda

−3/2 9/4 6 P

Figura 16.4: Curva de demanda de D = −2P2 + 9P + 18.

 
Exemplo 16.3 

Uma pesquisa de mercado procura estabelecer a curva de de-
manda para um certo bem de consumo B. Veja a Tabela 16.2 que
assinala os valores da demanda D do mercado correspondentes
aos preços de oferta P.

Preço P (R$ por unidade) Demanda D


20 320
40 250
60 150
80 100

Tabela 16.2: Pesquisa de demanda de mercado.

202 C E D E R J

i i

i i
Dado um conjunto de 4 pontos no plano A1 = (20, 320),

16 1 MÓDULO 1
A2 = (40, 250), A3 = (60, 150) e A4 = (80, 100), a reta que me-
lhor se aproxima desses pontos é definida por y = ax + b, onde,

a=
∑ xy − nxy e b = y − ax .
∑ x2 − n x
2

AULA
Nesta fórmula os sı́mbolos significam:

∑ xy = é a soma dos n produtos xiyi .


∑ x2 = é a soma dos n quadrados x2i .
x1 + x2 + · · · + xn y1 + y2 + · · · + yn
x= ,y= são médias
n n
aritméticas.

Para melhor organizar os cálculos, tendo em vista calcular os


somatórios, lançamos mão de uma tabela. Veja a tabela a seguir.

Pontos xi yi xi yi x2i
A1 20 320 6400 400
A2 40 250 10000 1600
A3 60 150 9000 3600
A4 80 100 8000 6400
∑ 200 820 33400 12000

Também
200
x= = 50
40
820
y= = 205
4

Então:

∑ xy − nxy = 33400 − 4 × 50 × 205 = 33400 − 41000 = −7600


∑ x2 − n x = 12000 − 4 × 2500 = 2000
2

Logo,
−7600 −38 38
a= = = −3, 8 e b = y−ax = 205+ ×50 = 395
2000 10 10

C E D E R J 203

i i

i i
Métodos Determinı́sticos I | Aplicações

e então a reta procurada é

y = −3, 8x + 395 .

Veja a representação da solução do problema na Figura 16.5


a seguir.

395
A1
A2
A3
A4

100

Figura 16.5: Reta que aproxima 4 pontos.

 
Exemplo 16.4 

O diretor de um museu em Londres observou que, aos domin-
gos, quando o preço da entrada é R$ 4,00, em média, o número
de visitantes diários é 320 e quando o preço para a entrada de
domingo aumenta para R$ 6,00, em média, o número de visi-
tantes cai para 240. Supondo que a demanda D é uma função
linear afim do preço P, encontre a função e represente a curva
de demanda.
Solução: Como se trata de uma função linear afim, então, para deter-
minados números reais a e b temos que

D = aP + b .

Como (P, D) = (4, 320) e (P, D) = (6, 240), então, substituindo na


função demanda encontramos que

320 = 4a + b e 240 = 6a + b ⇒ a = −40 e b = 480 .

Assim,
D = −40P + 480 ,

204 C E D E R J

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i i
é a função procurada, e o gráfico pode ser observado na Figura 16.6 a

16 1 MÓDULO 1
seguir.

480

AULA
12 P

Figura 16.6: Demanda por ingressos no museu.

O FERTA DE M ERCADO

Considere uma utilidade qualquer U que pode ser um bem ou


um serviço. A oferta Q dessa utilidade pode ser entendida como
a soma de todas as quantidades dessa mesma utilidade que os
produtores estarão dispostos a colocar à venda no mercado a um
preço P, num determinado perı́odo de tempo.
A função oferta é uma função que associa a cada preço P
fixado a oferta Q correspondente. A representação gráfica dessa
função é referida como a curva de oferta dessa utilidade.
Veja que a oferta a que nos referimos corresponde à de to-
dos os produtores da utilidade e não de um produtor individual.
Portanto, é evidente que a oferta de mercado é obtida pelo so-
matório de todas as ofertas dos produtores individuais. Vamos
dar um exemplo para esclarecer esta situação.
 
Exemplo 16.5 

A função linear afim Q = −10 + P, com 10 < P ≤ 40, repre-
senta a oferta de mercado Q de uma certa utilidade ao preço
unitário P.

C E D E R J 205

i i

i i
Métodos Determinı́sticos I | Aplicações

Vamos construir a curva de oferta. Acompanhe pela Figura


16.7. Inicialmente, encontramos que se

P = 20 e Q = −10 + P ⇒ Q = 10 ;
P = 40 e Q = −10 + P ⇒ Q = 30 .

Logo, (P, Q) = (20, 10) e (P, Q) = (40, 30) são pontos da curva
de oferta e determinam o gráfico da função oferta. Veja a Figura
16.7.

10 40 P

Figura 16.7: Gráfico da oferta Q = −10 + P.

 
Exemplo 16.6 

A função quadrática Q = 2P2 + 5P − 3, representa a oferta
de mercado Q de uma certa utilidade ao preço unitário P, em que
o preço máximo que os consumidores estão dispostos a pagar é
P = R$ 2,00.
Vamos construir a curva de oferta. Acompanhe pela Figura
16.8. Inicialmente, vamos resolver a equação 2P2 + 5P − 3 = 0.
Temos que

∆ = 52 − 4(2)(−3) = 49 ⇒ ∆ = 7 .

Logo 
 P1 = 1
−5 ± 7
P= ⇒ 2
4 
P2 = −3.

206 C E D E R J

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i i
Note que o vértice V = (Pv , Qv ) tem como abcissa Pv a média

16 1 MÓDULO 1
aritmética das raı́zes P1 e P2 . Ou seja,
1
P1 + P2 −3 + 2 5
Pv = = =− .
2 2 4
Continuando o cálculo do vértice, encontramos que

AULA
5 49
Pv = − e Q = 2P2 + 5P − 3 ⇒ Qv = − .
4 8
Portanto,  
5 49
V = (Pv , Qv ) = − , −
4 8
é o vértice da parábola.
Com esses dados podemos construir a parábola que repre-
senta a curva de oferta. Acompanhe pela Figura 16.8.

Q
15
Oferta

−3 1/2 2 P
−49/8

Figura 16.8: Gráfico da oferta Q = 2P2 + 5P − 3.

P REÇO DE E QUIL ÍBRIO E Q UANTIDADE DE E QUIL ÍBRIO

O preço de equilı́brio PE para um dado bem ou utilidade


é o preço para o qual a demanda e oferta de mercado dessa
utilidade coincidem. A quantidade correspondente ao preço de
equilı́brio é denominada quantidade de equilı́brio, representada
pelo sı́mbolo QE . Veja um exemplo.

C E D E R J 207

i i

i i
Métodos Determinı́sticos I | Aplicações

 
Exemplo 16.7 

Considere a demanda de mercado D = 225 − 2P e a oferta
Q = P − 21. Vamos determinar os gráficos das curvas de de-
manda e de oferta e os valores PE e QE , respectivamente, o preço
e a quantidade de equilı́brio.
Solução: Para determinar o preço de equilı́brio PE é suficiente encon-
trar o preço P para o qual D = Q, ou seja,

225 − 2P = P − 21 ⇒ 225 + 21 = P + 2P ⇒ PE = 82 .

Uma vez determinado o preço de equilı́brio PE , a quantidade de equilı́brio


QE pode ser calculada:

Q = P − 21 e PE = 82 ⇒ QE = PE − 21 ⇒ QE = 61 .

Veja a seguir, na Figura 16.9, a representação gráfica das curvas de de-


manda e de oferta com os valores do preço de equilı́brio e quantidade
de equilı́brio assinalados.

Q D
225

183/2
Oferta
DE = QE

21 PE 225/2 P

Figura 16.9: O preço e a quantidade de equilı́brio I.

Exercı́cio 16.1
Considere a demanda de mercado D = 136 − 2P e a oferta
Q = 10P − 80. Faça os gráficos das curvas de demanda e de
oferta e determine PE e QE , respectivamente, o preço e a quan-
tidade de equilı́brio.

208 C E D E R J

i i

i i
 
Exemplo 16.8 


16 1 MÓDULO 1
Considere a demanda de mercado D = 600 − 2P e a oferta
Q = P2 − 52P. Vamos determinar os gráficos das curvas de de-
manda e de oferta e os valores PE e QE , respectivamente, o preço
e a quantidade de equilı́brio.
Solução: Para determinar o preço de equilı́brio PE é suficiente encon-

AULA
trar o preço P para o qual D = Q, ou seja,

600 − 2P = P2 − 52P ⇒ P2 − 50P − 600 = 0 .

Resolvendo a equação, encontramos os valores P = −10 e P = 60.


Como o preço deve ser positivo, concluı́mos que

PE = 60 .

Um vez determinado o preço de equilı́brio PE , a quantidade de


equilı́brio QE pode ser calculada:

D = 600 − 2P e PE = 60 ⇒ QE = 60 − 2PE ⇒ QE = 480 .

Veja a seguir, na Figura 16.10, a representação gráfica das cur-


vas de demanda e de oferta com os valores do preço de equilı́brio e a
quantidade de equilı́brio assinalados.

Q D

600
Oferta

DE = QE
Demanda
26
−676 52 PE 300 P

Figura 16.10: O preço e a quantidade de equilı́brio II.

C E D E R J 209

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i i
Métodos Determinı́sticos I | Aplicações

Exercı́cio 16.2
Considere a demanda de mercado D = P2 − 18P + 10 e a
oferta Q = 12P − 72. Faça os gráficos das curvas de demanda
e de oferta e determine PE e QE , respectivamente, o preço e a
quantidade de equilı́brio.

210 C E D E R J

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Respostas
Aula 1

Respostas dos Exercı́cios

Exercı́cio 1.1

a) F b) V c) F

d) V e) V

Exercı́cio 1.2

Resposta: item c)

Respostas dos Exercı́cios

1.1. A − B = {−1, 13/3}


    
A × (A − B) = (−1, −1),  − 1, 13 13
3 , (1, −1), 1, 3 ,
2
3 , −1 , 2 13
3, 3 ,
13 13 13
3 , −1 , 3 , 3


1.2. B × (B − A) = (4, 4), (4, 5), (5, 4), (5, 5)

A × (A − B) = (1, 1), (1, 2), (1, 3), (2, 1), (2, 2), (2, 3), (3, 1), (3, 2), (3, 3)

1.3. a) (A ∪C) − B

A111111111
000000000 B
111111111
000000000
000000000
111111111
000000000
111111111
000000000
111111111
000000000
111111111
000000000
111111111
000000000
111111111
000000000
111111111
000000000
111111111
000000000
111111111
000000000
111111111
000000000
111111111
000000000
111111111
000000000
111111111
000000000
111111111
000000000
111111111
000000000
111111111 C

C E D E R J 211

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Métodos Determinı́sticos I | Respostas

b) (B ∩C) − A

A B

Aula 2

Respostas dos Exercı́cios

Exercı́cio 2.1

−10 −6 −2 3 9

Exercı́cio 2.2

a) −1 b) −7 c) Não

Exercı́cio 2.3

F V V

Exercı́cio 2.4

14 10 25
a) b) − c) −
15 21 21

212 C E D E R J

i i

i i
Exercı́cio 2.5

-3 1 73
... 2 2 4

-2 -1 0 1 18 19
73 1 −3 1
= 18 + , = −2 +
4 4 2 2

Exercı́cio 2.6

3 1 −12 3 19 1
a) = , = −3 + e = −4 +
6 2 5 5 −5 5
− 19
5
3 9
6
− 12
5
13

-4 -3 -2 -1 0 1 R

19 −12 3 9
b) < < <
−5 5 6 13
4 13 1 13
c) Basta mostrar que < ⇔ < ⇔ 64 < 65
20 64 5 64

Respostas dos Exercı́cios

2.1. a) 18a b) 11x c) −27m d) 3x+4y e) 14x + 11

2.2. 33

Aula 3

Respostas dos Exercı́cios

Exercı́cio 3.1

• Proposição

• Proposição

• Proposição

• Não é proposição

C E D E R J 213

i i

i i
Métodos Determinı́sticos I | Respostas

• Proposição

• Proposição

• Proposição

• Proposição

• Proposição

• Não é proposição

• Proposição

• Não é proposição

• Proposição

• Não é proposição

• Proposição

• Não é proposição

Exercı́cio 3.2

• A pêra não é uma fruta.

• Todas as pêras não são longas.

• Algumas pessoas não gostam de dançar.

• Todas as pessoas têm carro.

• Algumas pessoas não têm televisores ou não têm apare-


lhos de vı́deo.

• O dinheiro traz a felicidade.

• Há desfiles de escola de samba sem mestre-sala ou sem


porta-bandeira.

• Dom Quixote não é um personagem criado por Miguel de


Cervantes.

• Existe amor que não é forte.

• Há amor fraco.

214 C E D E R J

i i

i i
Exercı́cio 3.3

• Qualquer que seja o número inteiro inteiro x, x2 ≤ 0.

• Para todo número real α , tg2 α é igual a sec2 α menos um.

• Existe um número real x cuja raiz quadrada é 4.

• Existe um número natural x tal que 2 divide x ou 3 divide


x.
Solução alternativa: existe um número natural x divisı́vel
por 2 ou divisı́vel por 3.

• Existe número real x, tal que sen x é igual a metade da raiz


quadrada de 3.

• Para todo número racional x, existem números inteiros p


e q, tais que x é igual a p dividido por q.

• Existe número racional x, tal que x elevado ao quadrado é


igual a nove vinte cinco avos.

• Para todo número real r, r maior que zero, existe número


natural k, tal que, se n é maior do que k, então 1 dividido
por n é menor do que r.

Aula 4

Respostas dos Exercı́cios

Exercı́cio 4.1

a) p ∨ ∼ q
p q ∼q p∨ ∼ q
V V F V
V F V V
F V F F
F F V V

C E D E R J 215

i i

i i
Métodos Determinı́sticos I | Respostas

b) (∼ p) ∨ (∼ q)
p q ∼p ∼q (∼ p) ∨ (∼ q)
V V F F F
V F F V V
F V V F V
F F V V V

c) (∼ p) ∧ (∼ q)
p q ∼p ∼q (∼ p) ∧ (∼ q)
V V F F F
V F F V F
F V V F F
F F V V V

d) ∼ (∼ p ∧ q)
p q ∼p ∼p∧q ∼ (∼ p ∧ q)
V V F F V
V F F F V
F V V V F
F F V F V

e) (p ∨ ∼ q) ∧ ∼ p
p q ∼p ∼q p∨ ∼ q (p ∨ ∼ q) ∧ (∼ p)
V V F F V F
V F F V V F
F V V F F F
F F V V V V

216 C E D E R J

i i

i i
f) p ∧ (q ∨ ∼ q)
p q ∼q (q ∨ ∼ q) p ∧ (q ∨ ∼ q)
V V F V V
V F V V V
F V F V F
F F V V F

g) (p ∧ ∼ q) ∨ r
p q r ∼q p∧ ∼ q (p ∧ ∼ q) ∨ r
V V V F F V
V V F F F F
V F V V V V
V F F V V V
F V V F F V
F V F F F F
F F V V F V
F F F V F F

h) (∼ p ∨ q) ∨ ∼ r
p q r ∼p ∼p∨q ∼r (∼ p ∨ q) ∧ ∼ r
V V V F V F F
V V F F V V V
V F V F F F F
V F F F F V F
F V V V V F F
F V F V V V V
F F V V V F F
F F F V V V V

Exercı́cio 4.2
p q r q∧r p∨q p∨r p ∨ (q ∧ r) (p ∨ q) ∧ (p ∨ r)
V V V V V V V V
V V F F V V V V
V F V F V V V V
V F F F V V V V
F V V V V V V V
F V F F V F F F
F F V F F V F F
F F F F F F F F

C E D E R J 217

i i

i i
Métodos Determinı́sticos I | Respostas

Exercı́cio 4.3

Mostrar as leis de Absorção através de tabelas-verdade


p ∨ (p ∧ q) ≡ p
p q p∧q p ∨ (p ∧ q) p
V V V V V
V F F V V
F V F F F
F F F F F

p ∧ (p ∨ q) ≡ p
p q p∨q p ∧ (p ∨ q) p
V V V V V
V F V V V
F V V F F
F F F F F

Exercı́cio 4.4

a) ∼ (p∧ ∼ p)
p ∼p p∧ ∼ p ∼ (p ∧ ∼ p)
V F F V
F V F V

b) ((p ⇒ q) ∧ p) ⇒ q
p q p⇒q (p ⇒ q) ∧ p ((p ⇒ q) ∧ p) ⇒ q
V V V V V
V F F F V
F V V F V
F F V F V

c) p ⇒ (p ∨ q)
p q p∨q p⇒ p∨q
V V V V
V F V V
F V V V
F F F V

218 C E D E R J

i i

i i
d) ∼ (p ∨ q) ⇔∼ p ∧ ∼ q

p q p∨q ∼ (p ∨ q) ∼p ∼q ∼ p∧ ∼ q ∼ (p ∨ q) ⇔∼ p ∧ ∼ q
V V V F F F F V
V F V F F V F V
F V V F V F F V
F F F V V V V V

Aula 5

Respostas dos Exercı́cios

Exercı́cio 5.1

p = Alfredo come lagosta


q = Alfredo fica feliz
premissas: conclusão:
p⇒q q
p
Este argumento é válido.

Exercı́cio 5.2

p = Eu trabalho com afinco


q = Eu fico batendo papo com os amigos
r = Eu termino de pintar minha cerca
premissas: conclusão:
p⇒r q
∼q⇒p
∼r
Verificar que (p ⇒ r) ∧ (∼ q ⇒ p) ∧ (∼ r) ⇒ q
| {z } | {z } | {z }
a b c

C E D E R J 219

i i

i i
Métodos Determinı́sticos I | Respostas

p q r ∼q ∼r a b a∧b (a ∧ b) ∧ c a∧b∧c⇒q
V V V F F V V V F V
V V F F V F V F F V
V F V V F V V V F V
V F F V V F V F F V
F V V F F V V V F V
F V F F V V V V V V
F F V V F V F F F V
F F F V V V F F F V

O argumento é válido.

Exercı́cio 5.3

p = Eu como agrião todos os dias


q = Eu viverei mais do que 80 anos
premissas: conclusão:
p⇒q ∼q
∼q
Verificar p ⇒ q ∧ (∼ p) ⇒∼ q
| {z }
a

p q ∼p a a ∧ (∼ p) a ∧ (∼ p) ⇒∼ q
V V F V F V
V F F F F V
F V V V V F
F F V V V V

O argumento não é válido.

Exercı́cio 5.4

p = Eu dirijo meu carro


q = Eu ultrapasso os 80 km/h
r = Eu provocarei acidentes
premissas: conclusão:
(p ∧ ∼ q) ⇒∼ r r
p∧q

220 C E D E R J

i i

i i
Verificar: (((p ∧ ∼ q) ⇒∼ r) ∧ (p ∧ q)) ⇒ r
| {z } | {z }
a b

p q r ∼q p∧ ∼ q ∼r a b a∧b a∧b⇒r
V V V F F F V V V V
V V F F F V V V V F
V F V V V F F F F V
V F F V V V V F F V
F V V F F F V F F V
F V F F F V V F F V
F F V V F F V F F V
F F F V F V V F F V

O argumento não é válido.

Exercı́cio 5.5

p = Faz bom tempo


q = Dá praia
r = Eu levo minha bola de vôlei
s = Mariana fica super feliz
premissas: conclusão:
p⇒q ∼r
r⇒s
q∧ ∼ s
Verificar: ((p ⇒ q) ∧ (r ⇒ s) ∧ (q ∧ ∼ s) ⇒∼ r
| {z } | {z } | {z }
a b c

C E D E R J 221

i i

i i
Métodos Determinı́sticos I | Respostas

p q r s ∼s a b c a∧b a∧b∧c ∼r a ∧ b ∧ c ⇒∼ r
V V V V F V V F V F F V
V V V F V V F V F F F V
V V F V F V V F V F V V
V V F F V V V V V V V V
V F V V F F V F F F F V
V F V F V F F F F F F V
V F F V F F V F F F V V
V F F F V F V F F F V V
F V V V F V V F V F F V
F V V F V V F V F F F V
F V F V F V V F V F V V
F V F F V V V V V V V V
F F V V F V V F V F F V
F F V F V V F F F F F V
F F F V F V V F V F V V
F F F F V V V F V F V V

O argumento é válido.

Exercı́cio 5.6

p = Maria vem
q = Joana vem
r Carla vem
premissas: conclusão:
p⇒q p⇒q
∼ r ⇒∼ q
Verificar: ((p ⇒ q) ∧ (∼ r ⇒∼ q) ⇒ (p ⇒ r)
| {z } | {z } | {z }
a b c

p q r (p ⇒ q) ∼r ∼q ∼ r ⇒∼ q a∧b p⇒r a ∧b ⇒ c
V V V V F F V V V V
V V F V V F F F F V
V F V F F V V F V V
V F F F V V V F F V
F V V V F F V V V V
F V F V V F F F V V
F F V V F V V V V V
F F F V V V V V V V

222 C E D E R J

i i

i i
O argumento é válido.

Exercı́cio 5.7

p = Luiz sabe poupar dinheiro


q = Luiz fica rico
r = Luiz compra um carro novo
premissas: conclusão:
p⇒q q
q⇒r
r
Verificar: (p ⇒ q) ∧ (q ⇒ r) ∧ r ⇒ p
| {z } | {z }
a b

p q r a b a∧b a∧b∧r a∧b∧r⇒p


V V V V V V V V
V V F V F F F V
V F V F V F F V
V F F F V F F V
F V V V V V V F
F V F V F F F V
F F V V V V V F
F F F V V V F V

O argumento não é válido.

Aula 6

Respostas dos Exercı́cios

Exercı́cio 6.1

334 1
a) 0, 334 = > , uma vez que 3 × 334 > 1000
1000 3
1 334 1 1002 − 1000 2 1
b) 0, 334 − = − = = <
3 1000 3 3000 3000 1000
c) Basta examinar o resultado em b).

C E D E R J 223

i i

i i
Métodos Determinı́sticos I | Respostas

Exercı́cio 6.2

−187 8
a) = −15 + ⇒ q = −15
13 13

Exercı́cio 6.3

A resposta é 24,8%.

Exercı́cio 6.4

Considere que C é o total de clientes. Logo, C corresponde


a 100% dos clientes. Então, (100 − 32)% = 68% corresponde
ao percentual de pessoas fı́sicas. Segundo o enunciado do exer-
cı́cio, 2040 constitui o total de pessoas fı́sicas, ou seja, 68% do
total C de clientes. Essas informações permitem escrever
68
68% ×C = 2040 ⇔ ×C = 2040 ⇔ C = 3000 .
100
Enfim, a agência possui 3000 clientes.

Exercı́cio 6.5

Seja M o valor obtido após o aumento percentual. Então,


103, 4
(100 + 3, 4)% = 103, 4% = = 1, 034 .
100
Logo,
M = 400 × 1, 034 = 413, 6 .

Exercı́cio 6.6

O total correspondente ao serviço será de 10% de R$ 26,00,


ou seja, o acréscimo é de 0, 10 × 26, 00 = 2, 60. Logo, o total da
despesa corresponde a

26, 00 + 2, 60 = 28, 60 ⇔ Total de R$ 28, 60 .

224 C E D E R J

i i

i i
Exercı́cio 6.7

Denominando por M o valor final, então

M = 0, 90 × 0, 80 × 0, 70 × 2000 = 1008 ⇒ M = R$ 1.008, 00 .

Exercı́cio 6.8

Representaremos os preços dos produtos A, B e C por a, b e


c, respectivamente. Os dados do exercı́cio implicam que

a = 1, 3b ; b = 0, 8c ⇒ a = 1, 3 × 0, 8c ⇔ a = 1, 04c .

Além disso, também,

a+b+c = 28, 40 ⇔ 1, 04c+0, 8c+c = 28, 40 ⇔ 2, 84c = 28, 40 .

Portanto,
28, 4
c= ⇒ c = R$ 10, 00 .
2, 84

Usando esse último dado e as equações anteriores, encon-


tramos

a = 1, 04×10, 00 ⇔ a = R$ 10, 40 e b = 0, 8×10, 00 ⇔ b = R$ 8, 00 .

Portanto, os preços são: a = R$ 10, 40, b = R$ 8, 00 e c =


R$ 10, 00.

Exercı́cio 6.9

O preço final de venda V do carro pode ser calculado através


de
V = (1 − 0, 05) × (1 − 0, 1) × 40000 ⇔ V = R$ 34.200, 00 .

Exercı́cio 6.10

Primeiro, temos que calcular o salário bruto S do vendedor.


Como o salário bruto, com um decréscimo de 10%, resulta em
R$ 4.500,00, então
(1 − 0, 1) · S = 4500 ⇔ 0, 9 · S = 4500 ⇔ S = R$ 5.000, 00 .

C E D E R J 225

i i

i i
Métodos Determinı́sticos I | Respostas

Como a parte fixa do salário bruto é de R$ 2.300,00, o valor


correspondente ao ganho através de comissões será de R$ 2.700,00.
Com estes dados, se o valor das vendas for representado por V ,
então a aplicação de 3% sobre a parte de V que excede R$ 10.000,00
representa R$ 2.700,00 (a parte da comissão). Logo,

3%·(V −10000) = 2700 ⇔ 3V −30000 = 270000 ⇔ V = 100000 .

Portanto, o total de vendas correspondeu a R$ 100.000,00.

Respostas dos Exercı́cios

6.1. a) −2, 25 b) −6, 428571 c) 4, 46 d) 65,8


e) 0,7
13
6.2. −3, 22 < −3, 217 < 0, 272 <
29
6.3. −0, 03

Aula 7

Respostas dos Exercı́cios

Exercı́cio 7.1

a) 125 b) 625 c) 1000


d) 1

Exercı́cio 7.2

a) 310 b) 22 c) 34 d) 612

Exercı́cio 7.3

 √ −4  √ 4 √ √ √ √
√ √ 2 3 3· 3· 3· 3
a) ( 2÷ 3)−4 = √ = √ =√ √ √ √ =
3 2 2· 2· 2· 2
9
4
    −3
√ −2 −3 1 2 −3 1
b) ( 2) = √ = = 23 = 8
226 C E D E R J 2 2

i i

i i
√ √ √
( 2 − 5)2 = ( 2)2 √
+ 2 · 2 · (−5) + (−5)
√ =
2
c)
= 2 − 10 2 + 25 = 27 − 10 2

Exercı́cio 7.4
√ √
3
p √
a) −250 = −2 · 53 = 3 2 · (−5)3 = −5 3 2
3

√ √4

b) 4 48 = 24 × 3 = 2 4 3
√ √
5
p √
5 √
c) 5 −512 = −29 = 5 (−2)5 · 24 = −2 24 = −2 5 16

Exercı́cio 7.5

1 1 1 1 3 √
a) (−500) 3 = (−4·53 ) 3 = [4·(−5)3] 3 = 4 3 ·(−5) 3 = −5 3 4
 1
−1 −1 −1 1 1
b) (−32) = (−25 ) = [(−2)5 ] = (−2)−1 =
5 5 5
=−
−2 2

Exercı́cio 7.6

a) 26 b) -37 c) 7 d) -32 e) 0

Respostas dos Exercı́cios

7.1. Observe que:


√  √ √   √ 
3 2− 3 1 √ 6
E = −3 · √ −2 3− =
3 2−3 3 6
√  √ √ 
3 √ √ 3 √ 6
= − ( 2 − 3 + 3) −2 3+ =
3 3 3
√  √ √  √
3 6 √ √ 6 3−9
= − +1− 3−2 3+ =
3 3 3 3
√ √ √ √ √
( 2 − 1)3 = ( 2 −√ 1)2 · √
( 2 − 1) = √ (2 − 2 2 + 1)( 2 − 1) =
7.2. a)
= (3 − 2 2)( 2 − 1) = 5 2 − 7
√  √ √
2 2 2−4 2( 2 + 2)
−1 · √ = · √ √ =
b) 4 2 − 2 √ 4 ( 2 − 2)( 2 + 2) √
2−4 √ 3+ 2
= · (− 2 − 2) =
4 2
C E D E R J 227

i i

i i
Métodos Determinı́sticos I | Respostas

2
7.3. a) 53x−2 = 50 ⇒ 3x − 2 = 0 ⇒ x =
3
b) x = −9
c) x = 0 ou x = 1

7.4. d

7.5. Verificação.

7.6. Observe que:


p √ 6 √ √ √
1− 3 a = (1 − 3 a)3 = (1 − 3 a)2 · (1 − 3 a) =
√ √3 √ √ √
3
= (1 − 2 3 a + a2 )(1 − 3 a) = 1 − 3 3 a + 3 a2 − a =
√ √
= 1 + 3 3 a ( 3 a − 1) − a

7.7. a) Veja que


√ √ √
(3 − 2 3)(3 + 2 3) = 32 − (2 3)2 = 9 − 12 = −3

é um número negativo. Examine cada


√ um dos fatores
do√produto anterior. Como 3 + 2 3 > 0 então 3 −
2 3 é negativo.
b) Veja que
q q q q 
√ √ √ √
3+ 3− 3 3 3+ 3+ 3 3 =

√ √ √
= 3+ 3−3 3 = 3−2 3,
p √
épum número negativo (use o item a) ). Como 3 + 3+
√ p √ p √
3 3 é positivo, então 3 + 3 − 3 3 é nega-
tivo.

Aula 8

Respostas dos Exercı́cios

Exercı́cio 8.1

A tecla acima de CH e a tecla à direita de VOL.

228 C E D E R J

i i

i i
Exercı́cio 8.2
√ √
a) Se x ∈ (−1, 2) ⇒ −1 < x < 2. Em particular, x < 3.
Logo, x ∈ (−∞, 3). Isto prova a).
√ √ √
b) Se x ∈ (− 3, 10),√ então − 3 < x <√10. Se x ∈ [0, 10 2),
então 0 ≤ x < 10 2. Como 10 < 10 2, um número real x,
para estar simultaneamente em ambos os conjuntos, deve
satisfazer 0 ≤ x < 10.

Exercı́cio 8.3

a) Encontramos que
1 1 7
2x < −7 ⇒ · 2x < · (−7) ⇒ x < − .
2 2 2
Logo, todos os números reais menores que −7/2 são soluções.

Deste modo, o conjunto solução S é dado por S = − ∞, − 72 .

b) Encontramos que
5
−13x < −5 ⇔ 13x > 5 ⇔ x > .
13

13 , ∞
5
Logo, S = é o conjunto solução.

Respostas dos Exercı́cios

8.1. Note que


−13 13 × 17 221 18 −18 × 12 −216
=− =− e − = = .
12 12 × 17 12 × 17 17 17 × 12 17 × 12

−13 −18
Sendo −221 < −216, então < .
12 17
Do mesmo modo, aproveitando as contas já feitas, vem
18 13
que, 216 < 221 e, então, < . Logo,
17 12
−13 −18 18 13
< < < .
12 17 17 12

C E D E R J 229

i i

i i
Métodos Determinı́sticos I | Respostas

8.2. Note que


√√
1 −3 3 −2 3
− = e − = .
2 2×3 3 3×2

√ 3 1
Agora, −2 3 < −3. Portanto, − <− .
3 2
 2
7 √ 7 √ 2
Do mesmo modo < 2, uma vez que < 2 .
5 5
49
Ou seja, < 2. Portanto,
25

3 1 7 √
− < − < < 2.
3 2 5
√ √ 2
8.3. Mostrar que 3 < 10 é equivalente a 32 < 10 e isto
é verdade, pois 9 < 10.
√ √ 2
Por outro lado, 10 < 3, 2 é equivalente a 10 < (3, 2)2 =
10, 24. Portanto,

3 < 10 < 3, 2 .

8.4. Veja que


√ √ √
5 1 5 √ 5 5
>√ ⇔ · 5 > √ ⇔ > 1.
n 5 n 5 n

Ou seja, 5 > n. Portanto, n = 1, 2, 3 e 4, satisfazem a


desigualdade original.

8.5. a) A região da reta é:


−2
IR
−2 −1 0 1 2

b) A região da reta é:


7 10
8 4
IR
0 1 2 3

230 C E D E R J

i i

i i
c) A região da reta é:

IR
0 1 2 3

 −√2 
8.6. a) [−2, 0), b) (−1, 1), c) (−∞, 1], d) 2 ,∞
√  √ √  √
8.7. a) 2 √x − 1 < 2 2x − 1 ⇒ x − 2 < 2x −
√ 2
2 ⇒ −x < 0 ⇒ x > 0.
Conjunto solução: S = {x ∈ R; x > 0} = (0, ∞).
b) Em primeiro lugar, é obrigatório x 6= 0. Temos que
1 1−x
−1 > 0 ⇔ > 0.
x x

As soluções, portanto, ocorrem quando x e (1 − x)


possuem o mesmo sinal. Vamos fazer a tabela de
sinais.
− 0 1
1−x + + −
x − + +
1−x
x − + −

Logo, o conjunto solução é S = {x ∈ R; −1 < x < 1} =


(−1, 1).

8.8. / (−2, ∞) ∪ (−∞, −2).


a) Falso. Note que −2 ∈
3 3
b) Falso. Note que ∈ [1, ∞) e ∈/ N.
2 2
c) Verdadeiro. O número 1 pertence a ambos os con-
juntos.

8.9. Note que


1 5 5 1
−√ + n < √ ⇐⇒ n < √ + √ ⇐⇒
5 2 2 5
 
2 5 1 2 25 10 1 25 1 √
n < √ +√ = +√ + = + + 10 .
2 5 2 10 5 2 5

C E D E R J 231

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i i
Métodos Determinı́sticos I | Respostas

Ou seja, é preciso encontrar o maior n natural tal que


127 √
n2 < + 10 (∗)
10

Para avaliar o segundo


√ membro da desigualdade, usamos
o fato de que 3, 2 > 10 > 3 para encontrar que
127 √ 127 √
12, 7+3 < + 10 < 12, 7+3, 2 ⇔ 15, 7 < + 10 < 15, 9 .
10 10
Com estes dados e usando a desigualdade (∗), concluı́mos
1
que n = 3 é o maior número natural tal que − √ + n <
5
5
√ .
2
8.10. a) Como os números envolvidos são √
positivos,
√ multi-
plicando ambos os membros por 5 + 3, a de-
sigualdade fica equivalente a
√ √ √  √ √ 
1 < 2 2 5 + 3 = 2 10 + 6 .

É claro que a desigualdade é verdadeira.


 2
p √ 7 √ 7 49
b) 3 3 < ⇔ 3 3 < = . Ou ainda,
3 3 9
√ √ 2
27 3 < 49 ⇔ 27 3 < 492 ⇔ 272 × 3 < 492 .

A última desigualdade sendo verdadeira, em vista


p √
das equivalências, também é verdadeiro que 3 3 <
7
.
3
8.11. a) V. Como os números
√ são 2positivos, é suficiente mostrar
2
que (a + b) ≥ (2 a · b) ou, equivalentemente, que
a2 + 2ab + b2 ≥ 4ab. Ou ainda, que a2 − 2ab + b2 ≥
0. Ou seja, (a − b)2 ≥ 0. Esta desigualdade vale
sempre.
b) F. Tome a = −1 e b = 0.
c) V. Veja que a3 −1 = (a2 +a +1)(a −1) ≥ a2 +a +1.

232 C E D E R J

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i i
Aula 9

Respostas dos Exercı́cios

Exercı́cio 9.1

Note que
a+b b−a a+b b−a
c−a = −a = =r e b−c = b− = =r
2 2 2 2

Exercı́cio 9.2
  √
1 36 √ 36 − 25 2
r= − 2 =
2 25 50

Respostas dos Exercı́cios

9.1. A igualdade significa que a está igualmente distante dos


pontos (números) 2 e −1.
Se a ≤ −1, a igualdade é equivalente a −(a − 2) = −(a +
1) ⇒ 2 = −1, sem solução.
Se −1 < a ≤ 2, a igualdade é equivalente a −(a − 2) =
1
a+1 ⇒ a = .
2
Se a > 2, a igualdade é equivalente a a − 2 = a + 1 ⇒
−2 = 1, sem solução.
1
Logo, a = é a única solução.
2
9.2. x = −6 e x = 0
 
1 5 1 5
9.3. a) I = − − , − +
2 2 2 2
 
1 31 1 31
b) I = − , +
12 12 12 12
 √ √ √ √ √ √ √ √ 
4+ 3− 2 3+ 2 4+ 3− 2 3+ 2
c) − , +
2 2 2 2
31 √ √
9.4. a) 5, b) , c) 3+ 2
6

C E D E R J 233

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i i
Métodos Determinı́sticos I | Respostas

 
1 9 1 11
9.5. a) x + = 2 ⇒ x = ou − x + =2⇒x=−
5 5 5 5
b) x − 3 = −1 ⇒ x = 2 ou −(x − 3) = −1 ⇒ x = 4
c) x + 6 < 3 ⇒ x < −3 ou −(x + 6) < 3 ⇒ x > −9.
Logo, x ∈ (−9, −3).

Aula 10

Respostas dos Exercı́cios

Exercı́cio 10.1

a) A representação dos pontos é:

3 B
C

D
-3 -1 5

-2 A

b) 1- F, 2- F, 3- F, 4- V, 5- V

c) H+ ∩ H− = {(x, y) ∈ R2 ; y = 0} é o eixo x.

Exercı́cio 10.2

a) Observe que:
y

Q2 Q1

x
Q3 Q4

234 C E D E R J

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i i
b) (i)
y

Q2

x
Q3

Q2 ∩ Q3 = {(x, y) ∈ R2 ; y = 0 e x ≤ 0}, representa o eixo


x não positivo.

ii)
y

x
Q3 Q4

Q3 ∩ Q4 = {(x, y) ∈ R2 ; x = 0 e y ≤ 0}, representa o eixo


y não positivo.
iii)
y

Q1

x
Q4

Q4 ∩ Q1 = {(x, y) ∈ R2 ; y = 0 e x ≥ 0}, representa o eixo


x não negativo.

Respostas dos Exercı́cios

10.1. (−2, 8) e (3, 8)

10.2. (−2, 3) e (2, 7)

10.3. P = (1, −1)

C E D E R J 235

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Métodos Determinı́sticos I | Respostas

10.4. Temos que:


1 √  √
m= −2+2 2+2 = 2
2
A M B

0 1 2 2

10.5. A região é:

10.6. a = 3, D = (3, 2)

10.7. A região é:

F
1

Aula 11

Respostas dos Exercı́cios

Exercı́cio 11.1

A reta perpendicular ao eixo x e que passa pelo ponto A =


(−2, 3) encontra o eixo x no ponto P = (−2, 0). Então,
q
d(A, P) = [−2 − (−2)]2 + (3 − 0)2 = 3 .

236 C E D E R J

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Exercı́cio 11.2

Os pontos do eixo y são do tipo P = (0, a) onde a∈ R.


1
A distância do ponto P procurado até o ponto − , 1 vale
2
1. Então
  √
1 2 2 2 3
0+ + (a − 1) = 1 ⇒ a = 1 ± .
2 2
 √   √ 
3 3
Logo 0, 1 + e 0, 1 − são os pontos procurados.
2 2

Exercı́cio 11.3

Temos que

(x + 2)2 + (y − 1)2 = 22 ⇒ x2 + y2 + 4x − 2y + 1 = 0 .

Respostas dos Exercı́cios

3 7
11.1. (a) x = 1; (b) x = ; (c) x ≥ ; (d) x = −1
2 2


11.2. (a) 3 2; (b) B = (2, 0), (c) D = (−1, −3)

 
2
11.3. P = 0,
3

11.4. x2 + y2 + 4x + 6y + 9 = 0

11.5. C = (−1, 0), r = 2

√  √ 
11.6. a) C = (0, 2) e r = 4 b) A = 2 3 , 0 e B = −2 3 , 0

C E D E R J 237

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Métodos Determinı́sticos I | Respostas

Aula 12

Respostas dos Exercı́cios

Exercı́cio 12.1

a) x = 49

b) −13

c) x = 19
2
d)
3

Exercı́cio 12.2

x = −3 e y = 0

Exercı́cio 12.3

x = 3 e y = −1

Exercı́cio 12.4
√ √
a) x1 = 3 e x2 = − 3

b) x = 0
8
c) x1 = 0 e x2 = −
3
√ √
d) x1 = 15 e x2 = − 15

e) x1 = 1 e x2 = −9

f) x1 = −1 e x2 = −2

Exercı́cio 12.5
√ √
3 10 3 10
− <x<
10 10

238 C E D E R J

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Exercı́cio 12.6

x ∈ (−∞, −2) ∪ (5, +∞)

Exercı́cio 12.7

a) x = 1 e y = −2

b) x = 12 e y = 8

c) x = 2 e y = 1 ou x = 1 e y = 2

d) x = 4 e y = 3 ou x = −4 e y = −3

Exercı́cio 12.8

4
a) x = 9 c) x = −
5
5
b) x1 = 5 e x2 = − d) x1 = −1 e x2 = −2
2

Aula 13

Respostas dos Exercı́cios

Exercı́cio 13.1
 √  √ 
a) D( f ) = 0, 6 ∪ 6, ∞

b) D(g) = R

c) D(h) = (−∞, −1) ∪ (3, ∞)


 
2
d) D(q) = ,3
3

C E D E R J 239

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Métodos Determinı́sticos I | Respostas

Aula 14

Respostas dos Exercı́cios

Exercı́cio 14.1

A intercessão com o eixo Ox ocorre quando y = 0, logo A =


(−2, 0).

Exercı́cio 14.2

a) O gráfico é uma reta que passa pelos pontos (0, 10) e


(10, 0).

b) O gráfico é uma reta para x ≤ 1 e uma hipérbole voltada


para cima para x > 1. A medida que x aumenta, os valores
de y se aproximam de 0, e o gráfico se aproxima do eixo
Ox.
2
x y = x+1
1 1
2
2 3
1
3 2
99 0, 02
999 0, 002

Exercı́cio 14.3

a) O gráfico é uma parábola voltada para baixo. Para traçar o


gráfico, devemos calcular o vértice e as raı́zes. Identifica-
se da equação:
a = −1, b = 1 e c = 6
∆ = 1 − 4 · (−1) · 6 = 25

240 C E D E R J

i i

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1 25 1 25
V = − ,− = , , o vértice é o ponto de
−2 −4 2 4
máximo, as raı́zes:
−1 ± 5
x= ⇔ x1 = −2, x2 = 3
−2
x y
−2 0
−1 4
0 6
1 25
2 4
1 6
3 0

b) O gráfico é uma parábola voltada para cima:


∆ = 9 − 4 · 1 · 3 = 9 − 12 = −3
   
(−3) (−3) 3 3
V= − ,− = ,
2 4 2 4
O vértice é o ponto de mı́nimo, e o gráfico não intercepta
o eixo Ox porque a função não possui raı́zes.

C E D E R J 241

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Métodos Determinı́sticos I | Respostas

Aula 15

Respostas dos Exercı́cios

Exercı́cio 15.1

a) y ≤ −x + 3 e −1 < x < 1

4
x y 3
−1 1 2
0 3
1 2 −1 1

b) −2 ≤ y ≤ −x + 3

3
x y
−1 4
0 3
1 2

−2

242 C E D E R J

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Aula 16

Respostas dos Exercı́cios

Exercı́cio 16.1

Para determinar o ponto de equilı́brio temos que igualar a


demanda e a oferta.
D = Q ⇒ 136 − 2P = 10P − 80 ⇒ 12P = 216 ⇒ P = 18.
Portanto, PE = 18 e QE = 180−80 = 100 ponto de equilı́brio
E(18, 100).

Exercı́cio 16.2

Considere a demanda de mercado D = P2 − 18P + 10 e a


oferta Q = 12P − 72.
Faça os gráficos das curvas de demanda e oferta e determine
PE e QE, respectivamente, o preço e a quantidade de equilı́brio.
Para determinar o ponto de equilı́brio temos que igualar a
demanda e a oferta.
D = Q ⇒ P2 − 18P + 10 = 12P − 72 ⇒ P1 = 3, 04 ou P2 = 26, 95.
Fazendo-se o estudo da função demanda, a demanda é posi-
tiva no intervalo 0 < P < 0, 57 ou P > 17, 43, portanto, o ponto
de equilı́brio é E(26, 95 , 251, 40).

C E D E R J 243

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