Formigasdo Alto Tiet
Formigasdo Alto Tiet
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Formigas do Alto-Tietê
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Rogerio R. Silva
Museu Paraense Emilio Goeldi - MPEG
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All content following this page was uploaded by Rodrigo Machado Feitosa on 13 March 2015.
editores
Silvia Sayuri Suguituru
Maria Santina de Castro Morini
Rodrigo Machado Feitosa
Rogério Rosa da Silva
Formigas
DO ALTO TIETÊ
Formigas DO ALTO TIETÊ
Silvia Sayuri Suguituru
Maria Santina de Castro Morini
Rodrigo Machado Feitosa
Rogério Rosa da Silva
editores
1a edição - 2015
Rua Machado de Assis, 10-35
Vila América . CEP 17014 038. Bauru, SP
Fone (14) 3313 7968 . www.canal6editora.com.br
456p.; 24 cm.
ISBN 978-85-7917-307-3
CDD: 577.34
Renata Pacheco
Universidade Federal de Uberlândia, Instituto de Ciências Biomédicas, Instituto de Biologia. Uberlândia, MG.
[email protected]
As formigas estão por toda parte e é muito difícil determinar quantas delas existem no nosso jardim,
no quintal, ou na praça do nosso bairro. Imagine então saber quantas formigas existem numa floresta?
... e de quais espécies? A cada metro quadrado de solo de floresta Amazônica ou de floresta Atlântica,
estima-se que existam cerca de quatro ninhos de formigas. Uma vez que as colônias de formigas podem
conter de poucas dezenas a vários milhões de operárias, a quantidade destes insetos numa floresta
tropical assume proporções gigantescas. Por exemplo, se considerarmos apenas as espécies que vivem
no chão da floresta Amazônica, estima-se que podemos contar cerca de oito milhões de operárias num
quadrado de 100 × 100 m (= 1 hectare).
Além de extremamente abundantes, as formigas são também bastante diversificadas. Existem mais
de 12.500 espécies conhecidas, mas se estima que o número total seja algo em torno de 22.000 espécies
de formigas no mundo todo, das quais cerca de 20% vivem no Brasil.
A riqueza de espécies de formigas em florestas tropicais é muito bem ilustrada no estudo feito pelo
Professor Edward O. Wilson (Harvard University, EUA) na Amazônia Peruana: 43 espécies (26 gêneros)
foram registradas numa única árvore da floresta. Isto equivale aproximadamente à totalidade da fauna
de formigas encontrada em todos os ambientes das Ilhas Britânicas!
Diante destas cifras impressionantes, pode se ter uma ideia da importância deste belíssimo livro
sobre as Formigas do Alto Tietê, editado por Silvia Suguituru, Maria Santina Morini, Rodrigo Feitosa e
Rogério Silva. Trata-se do primeiro livro sobre a fauna de formigas de uma região brasileira, contendo
ilustrações coloridas detalhadas e informações relevantes de história natural e ecologia de mais de 200
espécies. O trabalho de compilação de informações sobre a mirmecofauna da região do Alto Tiête é
especialmente relevante por abranger uma grande porção de remanescentes florestais do Estado de São
Paulo, incluindo inúmeras Unidades de Conservação onde o Bioma da Mata Atlântica encontra-se bem
preservado. O livro possui ainda outro mérito especialmente importante que é a inclusão de espécies de
formigas que vivem em praças e jardins, bem como nos arredores de zonas urbanas e agrícolas.
A riqueza de informações sobre muitas das formigas aqui relatadas não tem precedente na literatura
brasileira. São fornecidos dados sobre a distribuição geográfica das espécies, os tipos de ambientes onde
são encontradas, microhabitats preferenciais, locais de nidificação, substrato de forrageamento, hábitos
alimentares, horário de atividade, estratégias comportamentais diversas, organização social, potencial
como praga urbana ou agrícola, e até como devem ser coletadas.
O volume é também enriquecido por capítulos muito esclarecedores, escritos por alguns dos
melhores especialistas brasileiros, sobre a morfologia e sistemática das formigas, sua relevância ecológica,
e a importância de adotarmos procedimentos padronizados de coleta e de levantamentos de nossa
mirmecofauna, bem como de manutenção de nossas coleções em instituições gabaritadas para esta
finalidade.
Formigas do Alto Tietê constitui um marco no estudo de formigas no Brasil, coroando o esforço,
esmero e dedicação de uma equipe de pesquisadores de primeira categoria. Estou seguro que este livro
despertará o interesse não apenas da população curiosa em conhecer melhor os insetos que vivem ao
nosso redor, mas também de naturalistas amadores, e especialmente de estudantes atraídos pela biologia
e história natural de insetos, e de formigas em particular.
Mais do que tudo, este belo livro será um grande estímulo para a formação de uma nova geração
de mirmecólogos no Brasil.
Paulo S. Oliveira
Universidade Estadual de Campinas
Apresentação
Este projeto teve início em 1999, com auxílio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado
de São Paulo (FAPESP), ao fazer o inventário da mirmecofauna em fragmentos de Floresta Atlântica,
localizados na Serra do Itapeti. Até então, apenas o gênero Atta havia sido citado no primeiro plano de
manejo do Parque Natural Municipal Francisco Affonso de Mello (ou, simplesmente Parque Municipal
da Serra do Itapeti), realizado em 1995. Hoje, há 110 espécies registradas para essa mesma Unidade de
Conservação.
Esta obra representa o resultado de muitas expedições de coleta realizadas na Bacia Hidrográfica
do Alto Tietê Cabeceiras, em áreas de mata e urbana, que culminaram em Trabalhos de Conclusão de
Curso, Iniciação Científica, Mestrado e Doutorado; todos elaborados por alunos do curso de Graduação
em Ciências Biológicas e do Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia da Universidade de Mogi
das Cruzes (UMC). Assim, o acervo atual da Coleção Regional da Mirmecofauna do Alto Tietê é graças
aos discentes que um dia passaram pelo Laboratório de Mirmecologia/UMC; e também ao apoio de
pesquisadores como C. R. Ferreira Brandão, Jacques H. C. Delabie, Odair C. Bueno e Ana Eugênia
de C. Campos. Hoje, a coleção conta com 241 espécies/morfoespécies de formigas; os “vouchers”
estão depositados no Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo e na Coleção Regional da
Mirmecofauna do Alto Tietê (UMC).
É importante destacar que, mostrar as espécies de formigas do Alto Tietê, no formato apresentado
nesta obra, só foi possível pelo projeto ‘Coleção Biológica da Fauna de Formigas do Alto Tietê:
organização de um acervo fotográfico’ (Processo Fapesp n. 2012/50223-3) e a bolsa de capacitação
técnica concedida à Silvia S. Suguituru (Processo Fapesp n. 2012/14320-4).
Durante as nossas atividades de campo, a constatação do olhar de indiferença das pessoas sobre
as formigas é uma realidade constante. Afinal, formiga é um inseto que pode ser observado aos ‘montes’
em qualquer terreno baldio, praça ou parque urbano; que pode ser coletado ‘aos baldes’; não é bonito
como as borboletas, ‘pica’ dolorido, incomoda dentro de casa e acaba com as plantas do jardim; são
expressões que ouvimos muitas vezes. O cidadão ao saber que o estudo sobre a biologia das formigas
pode ajudar no controle das espécies que são consideradas pragas (por exemplo, formigas cortadeiras),
a valoração do trabalho que fazemos é maior. Fato triste: as pessoas acreditam que a grande maioria
das formigas é praga. Mas, também, defrontamos com a curiosidade natural das mesmas pessoas ao
saberem que as formigas desempenham papel ecológico importante nos ecossistemas. Elas também se
admiram ao ouvir que as formigas, ao construírem o ninho, fazem galerias que possibilitam a entrada da
água, ar e matéria orgânica no solo; ajudam a ação dos micro-organismos no processo de decomposição
ao dilacerarem as carcaças de animais mortos; que muitas espécies são predadoras e, assim, controlam
naturalmente os insetos pragas; enquanto que outras dispersam sementes de arbóreas em áreas de
floresta; ou, então, ao manipularem as sementes, colaboram com a redução do tempo de germinação.
Assim, esperamos que esta obra contribua para que mais e mais pessoas, não somente alunos
e futuros mirmecólogos, especialmente do Alto Tietê, conheçam a biologia, admirem a diversidade e
contemplem a beleza das formigas e, com isso, resgatem o sentimento de pertencimento em relação à
região em que elas foram registradas. Esperamos também que, os remanescentes de Floresta Atlântica
do Alto Tietê que ainda existem, e resistem a um desenvolvimento que apresenta baixa sustentabilidade,
sejam realmente protegidos. Somente haverá proteção de um bem natural quando a população der valor
e cobrar políticas públicas relacionadas ao meio ambiente, e com lideranças políticas comprometidas
com a conservação e fiscalização.
INTRODUÇÃO GERAL
Alto Tietê e áreas de estudo
“Quando a cobertura vegetal na bacia hidrográfica é adequada - e isso inclui não apenas as florestas
ripárias como também matas de áreas alagadas e demais mosaicos de vegetação nativa -, a taxa de
evapotranspiração é mais alta, ou seja, uma quantidade maior de água retorna para a atmosfera
e favorece a precipitação... o escoamento da água das chuvas ocorre mais lentamente, diminuindo o
processo erosivo. Parte da água se infiltra no solo por meio dos troncos e raízes, que funcionam como
biofiltros, recarrega os aquíferos e garante a sustentabilidade dos mananciais”
(J. G. TUNDISI/Biota Educação - Fapesp)
O Alto Tietê se localiza em uma bacia hidrográfica formada por 34 municípios, distribuídos
em 134.260 ha; essa área coincide praticamente com a região metropolitana da cidade de São Paulo.
Apesar do processo de urbanização e desenvolvimento, o Alto Tietê possui 20,2% de remanescentes
florestais em relação à superfície (NALON et al., 2008).
A região metropolitana de São Paulo se notabiliza por apresentar acelerado desenvolvimento
econômico, intenso crescimento populacional e expansão urbana desordenada, fatores que concorrem
para o agravamento de suas condições ambientais, notadamente com relação à gestão dos recursos
hídricos e à manutenção da biodiversidade (RAYMUNDO et al., 2010).
A Bacia Hidrográfica do Alto Tietê Cabeceiras possui 2,8 milhões de habitantes e engloba os
municípios de Arujá, Biritiba Mirim, Ferraz de Vasconcelos, Guarulhos, Itaquaquecetuba, Mogi das
Cruzes, Poá, Salesópolis, Suzano e parte da zona Leste da cidade de São Paulo. A região desempenha
24
papel estratégico do ponto de vista ambiental, pois 64% de seu território estão inseridos em área de
mananciais e seus municípios fazem parte da Reserva da Biosfera do Cinturão Verde da cidade de
São Paulo (RAYMUNDO et al., 2010; PAGANI, 2012). Ainda, na região, podem ser encontradas
as seguintes Unidades de Conservação: Estação Biológica de Boraceia, Parque Nascentes do Tietê,
Área de Proteção Ambiental da Várzea do rio Tietê, Área de Proteção da Serra do Itapeti, Estação
Ecológica de Itapeti e Parque Natural Municipal Francisco Affonso de Mello; e um importante
remanescente do Bioma Mata Atlântica, preservado no Parque Estadual da Serra do Mar, situado no
extremo Sul dos municípios de Salesópolis, Biritiba Mirim, Mogi das Cruzes e Suzano. ‘A concentração
de áreas de tamanha expressão ambiental, incluindo reservatórios que hoje abastecem 4 milhões de
pessoas, regiões com vocação para o lazer e turismo, além de produção agrícola, faz do Alto Tietê
Cabeceiras credor de serviços ecossistêmicos fundamentais para a sustentabilidade da metrópole de
São Paulo’ (RAYMUNDO et al., 2010, 2011).
A Mata Atlântica brasileira, que já cobriu cerca de 1.200.000 km², está reduzida a 12% de sua
área original (RIBEIRO et al., 2009) e apenas 20% estão protegidas (CÂMARA, 2003). Considerada
um dos “hotspots” em biodiversidade mais ameaçados do Planeta (MYERS et al., 2000), a Mata
Atlântica apresenta fauna e flora com altos níveis de endemismo (METZGER et al., 2009) e forma um
complexo de ecossistemas pertencentes ao Domínio Atlântico (FIASCHI e PIRANI, 2009), dentre
eles a fitofisionomia Floresta Ombrófila Densa (JOLY et al., 1999; COLOMBO e JOLY, 2010) (Fig. 1).
No Estado de São Paulo, a Floresta Ombrófila Densa pode ser dividida em três formações: as
matas de planície litorânea, as matas de encosta e as matas de altitude (JOLY et al., 1992). Na Bacia
Hidrográfica do Alto Tietê Cabeceiras, a Floresta Ombrófila Densa ainda predomina na Serra do Mar
e nas encostas da Serra do Itapeti, apesar de toda a pressão antrópica presente na região (CETESB,
1995, 1999; MARCENIUK e HILSDORF, 2010). Esta formação vegetal contribui para a proteção
e regulação do regime hídrico dos mananciais, controla o clima local, garante a fertilidade do solo e
abriga grande diversidade de espécies animais e vegetais, muitas em iminente risco de extinção.
25
Serra do Mar:
• Parque Nascentes do Tietê (Decreto Estadual n. 29.181, de 11 de novembro de
1988, alterado pelo Decreto Estadual n. 37.701, de 25 de outubro de 1993) - a
criação desta Unidade de Conservação foi pela grande importância que o rio Tietê
representa no processo histórico de ocupação e desenvolvimento do Estado de São
Paulo. O Parque possui 134,74 ha e sua vegetação é de Floresta Ombrófila Densa
degradada e com a paisagem alterada. O fragmento mais contínuo e conservado
próximo ao Parque Nascentes do Tietê faz parte do Parque Estadual da Serra do
Mar (SANTOS et al., 2004).
• Reserva do Incra - propriedade privada, com um fragmento de 50 ha de Floresta
Ombrófila Densa em estágio avançado de regeneração.
• Estação Biológica de Boraceia (Decreto-Lei n. 23.198, de 16 de março de 1954)
- Unidade de Conservação com 96 ha pertencente à Universidade de São Paulo,
administrada pelo Museu de Zoologia/USP. A Floresta Ombrófila Densa é
pristina, situada dentro de uma reserva protetora de mananciais da Companhia de
Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp; adutora de Rio Claro).
• Barragem da Usina Parque de Salesópolis - usina desativada que foi doada em
abril de 1998, pela Empresa Metropolitana de Águas e Energia S.A. - EMAE,
26
Serra do Itapeti:
• Parque Natural Municipal Francisco Affonso de Mello ou ‘Chiquinho Veríssimo’
- (Lei Municipal n. 1.955, de 26 de novembro de 1970; alterado pela Lei Municipal
n. 6.220, de 20 de dezembro de 2008) - Unidade de Conservação com 352,3 ha
de excepcional valor para a conservação da biodiversidade da Serra do Itapeti
(PLANO DE MANEJO, 2011; MORINI e MIRANDA, 2012).
• Reserva Legal da Pedreira Itapeti (Termo de Responsabilidade de Preservação de
Reserva Legal n. 005/06, de 23 de maio de 2006) - área com 104,19 ha; possui
vegetação de Floresta Ombrófila Densa em estágio inicial e médio de regeneração,
capoeira aberta e talhões de eucalipto. Essa diversidade de hábitats abriga uma
fauna característica e de extrema importância na regeneração da floresta (BORGES
27
et al., 2010).
• Estação Ecológica de Itapeti - Unidade de Conservação sem plano de manejo.
Possui 89,7 ha de Floresta Ombrófila Densa em estágio avançado de regeneração.
O acesso é restrito a pesquisadores, a técnicos da Secretaria Estadual do Meio
Ambiente, assim como a estudantes para fins de educação ambiental.
• Fazenda Santo Alberto - propriedade privada, com um fragmento de 130 ha de
Floresta Ombrófila Densa em estágio avançado de regeneração.
• Núcleo Agroambiental - propriedade privada, com um fragmento de 25 ha
de Floresta Ombrófila Densa em estágio médio de regeneração. No local são
efetuadas atividades de educação ambiental.
O trabalho de campo também foi realizado em praças e casas das cidades de Mogi das Cruzes,
Biritiba Mirim e Salesópolis. Na cidade de Mogi das Cruzes, as atividades foram mais intensas,
inclusive em parques urbanos (Centenário, Leon Feffer e Ilha Marabá; Fig. 1) que ainda apresentam
vegetação de Mata Atlântica. Poucas expedições de coleta foram efetuadas na Bacia Hidrográfica
do rio Itatinga, onde se situa o Parque das Neblinas (Fig. 1). Entretanto, somente neste local foi
registrada uma nova espécie (Megalomyrmex sp. n.); além de operárias de Cylindromyrmex brasiliensis
Emery, 1901 e Acromyrmex rugosus rochai (Forel, 1904). O Parque das Neblinas possui 518 ha e é uma
Reserva Particular do Patrimônio Natural, localizado na Serra do Mar e reconhecido desde 2006
como Posto Avançado da Reserva da Biosfera do Cinturão Verde da cidade de São Paulo.
Alto Tietê Cabeceiras
Áreas de Tensão Ecológica
Floresta Estacional Decidual
Floresta Estacional Semidecidual
Floresta Ombrófila Densa
Floresta Ombrófila Mista
Savana Brasileira (Cerrado)
Figura 1. Localização geográfica do Alto Tietê Cabeceiras e do Rio Itatinga, especificando as áreas de coleta das espécies de
formigas que fazem parte deste catálogo (Fonte: IBGE, 2012; Google Earth - modificado por SUGUITURU, S.S.).
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Referências
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Formicidae
As formigas constituem uma única família de insetos, Formicidae Latreille, 1809. Pertencem
ao filo Arthropoda, subfilo Hexapoda, classe Insecta, ordem Hymenoptera, subordem Apocrita
e superfamília Vespoidea. Formicidae é comprovadamente um grupo monofilético em Vespoidea
(Fig. 1), com as seguintes sinapomorfias: presença de uma casta de operárias, presença de glândula
metapleural e pós-faringeal e constrição do primeiro segmento metassomal (BARONI-URBANI,
1989).
Com origem no Cretáceo, há cerca de 120 milhões de anos, as formigas tornaram-se o mais
rico e diverso grupo de insetos sociais do Planeta (HÖLLDOBLER e WILSON, 1990; GRIMALDI
e ENGEL, 2005), além de ser o mais estudado em vários aspectos de sua biologia e sistemática. São
abundantes em todos os ambientes terrestres, exceto nos polos, desde o Equador até latitudes de 500,
do nível do mar a altitudes de cerca de 3.000 m (BRANDÃO, 1999).
São 16 subfamílias viventes, com aproximadamente 15.000 espécies/subespécies descritas,
distribuídas em cerca de 407 gêneros (ANTWIKI, 2014a). Com o avanço tecnológico nas ferramentas
e metodologias usadas no estudo das relações entre táxons, novas propostas de classificação surgem
e o conhecimento taxonômico sobre o grupo aumenta. Assim, muitos dos nomes específicos e
subespecíficos propostos resultam em sinônimos; além do fato de que há muitas espécies a serem
descobertas e/ou descritas. Estimativas sugerem que o número total de espécies de formigas no
mundo supere 25.000, sendo que a maior parte dos táxons não descritos se encontra nas florestas
tropicais (FERNÁNDEZ e OSPINA, 2003; LACH et al., 2010).
Na Região Neotropical são conhecidas 13 subfamílias, 136 gêneros (14 são endêmicos)
e 4.165 espécies/subespécies (1.906 são endêmicas) (ANTWIKI, 2014b). No Brasil ocorrem 13
subfamílias: Agroecomyrmecinae, Amblyoponinae, Dolichoderinae, Dorylinae, Ectatomminae,
Formicinae, Heteroponerinae, Martialinae, Myrmicinae, Paraponerinae, Ponerinae, Proceratiinae e
Pseudomyrmecinae (BRADY et al., 2014); e cerca de 103 gêneros (9 endêmicos) e 1.455 espécies (542
endêmicas) (ANTWIKI, 2014b). No Estado de São Paulo são conhecidas 250 espécies (BRANDÃO,
1999).
Em uma colônia de formigas há rainha(s) e operárias; os machos ocorrem apenas no
período reprodutivo. Morfologicamente essas castas apresentam três tagmas bem definidos:
cabeça, mesossoma e metassoma, sendo que o metassoma se divide em cintura e gáster. A cabeça é
prognata, com peças bucais voltadas para frente; as antenas, além do escapo, podem apresentar até
12 segmentos. O mesossoma é dividido em pronoto, mesonoto e metanoto (segmentos torácicos),
35
Figura 2. Morfologia externa de uma operária de Acanthognathus rudis Brown e Kempf, 1969.
(Imagem: SUGUITURU, S.S.).
36
Algumas espécies apresentam no ápice do gáster um acidóporo (Fig. 3), para liberação de
ácido fórmico. As formas aladas em uma colônia são fêmeas ainda não fecundadas, que poderão se
tornar rainhas, e machos, que ocorrem apenas no período reprodutivo. O desenvolvimento de uma
formiga fêmea em rainha ou operária é determinado pela quantidade e tipo de alimento recebido no
estágio larval, tendo como mediador o hormônio juvenil produzido pelos “corpora allata” (BUENO
e CAMPOS-FARINHA, 1999); enquanto os machos surgem de ovos não fertilizados (haploides)
(KASPARI, 2003).
As operárias são responsáveis pelo trabalho não reprodutivo em uma colônia (WILSON,
1971) e, em muitas espécies, são organizadas em grupos (ou subcastas) que desempenham diferentes
tarefas relacionadas à sobrevivência, como manutenção, forrageamento e defesa da colônia (DELLA-
LUCIA et al., 1993). As subcastas podem ser temporárias ou permanentes e a diferenciação de
Figura 3. Localização do acidóporo na extremidade do gáster de uma operária de Formicinae (Fonte: BUENO
e CAMPOS-FARINHA, 1999).
37
tamanho pode ser dimórfica ou polimórfica. No primeiro caso, há operárias maiores e menores
(por ex. operárias do gênero Pheidole) e no segundo a diferenciação de tamanho é contínua (comum
em espécies dos gêneros Camponotus e Atta) (WHEELER, 1910). Na ausência do polimorfismo, as
tarefas são realizadas conforme a idade das operárias (polietismo etário); assim, as mais jovens são
responsáveis pelas atividades no interior do ninho, enquanto as mais velhas pelo forrageamento e
defesa da colônia (HÖLLDOBLER e WILSON, 1990).
Todas as espécies de formigas são eussociais, caracterizadas pela sobreposição de gerações
(pelo menos 2 gerações convivendo no mesmo ninho), cuidado cooperativo com a prole e divisão de
trabalho reprodutivo (castas reprodutoras e estéreis) (WILSON, 1976). Esta característica favorece
o estabelecimento e a sobrevivência das colônias, uma vez que aumenta as oportunidades de defesa
contra predadores e competição na busca por alimento e outros recursos (BUENO e CAMPOS-
FARINHA, 1999).
Pelo fato de as operárias não apresentarem asas, a busca por alimento ocorre na serapilheira
(na superfície e nos interstícios), no solo (superfície e abaixo dela) e na vegetação herbácea e arbórea,
com transporte do material coletado para o ninho (FOWLER et al., 1991).
As formigas representam o primeiro grupo de insetos sociais predadores que viveram
e forragearam primariamente no solo e na serapilheira (HÖLLDOBLER e WILSON, 1990).
Como a maioria dos himenópteros aculeados, as formigas utilizaram outros insetos como fonte
para suprir suas necessidades de proteínas (SUDD, 1982). No entanto, ao longo da evolução,
surgiram grupos especializados e espécies com diferentes preferências alimentares, que incluem
predadoras especialistas e generalistas, coletoras de sementes, onívoras, polinívoras e nectarívoras
(HÖLLDOBLER e WILSON, 1990). Existem ainda espécies que cultivam fungos simbiontes para
sua alimentação (TRIPLEHORN e JOHNSON, 2011) e espécies que protegem insetos sugadores
de seiva de plantas em troca de “honeydew”, uma secreção rica em carboidratos liberada pelos
insetos e utilizada na dieta das formigas (BUENO e CAMPOS-FARINHA, 1999). As operárias e
38
rainhas são alimentadas com carboidratos e as proteínas coletadas são consumidas para a produção
de ovos e utilizadas para o crescimento das larvas (FOWLER et al., 1991).
O ciclo de vida de uma colônia se divide em três etapas: fundação, crescimento e reprodução
(KASPARI, 2003; PEETERS e MOLET, 2010). O sucesso da fundação da colônia é dependente de
fatores relacionados ao solo, clima, vegetação, riqueza de recursos alimentares e também da presença
de predadores potenciais (LOFGREN et al., 1975).
Quando a colônia alcança sua maturidade, apresentando um número estável de operárias,
período que pode variar de acordo com cada espécie, a rainha começa a postura de ovos que originarão
machos e fêmeas sexuados (HÖLLDOBLER e WILSON, 1990). Os alados voam para fora do ninho
e procuram parceiros de outros ninhos (KASPARI, 2003); a cópula ocorre durante o voo nupcial.
Após a cópula, os machos morrem e a fêmea começa o processo de fundação do ninho, iniciando a
formação de uma nova colônia (CALIFORNIA, 2014). A fundação da colônia pode ser realizada de
maneira solitária (haplometrose), que resulta em uma colônia monogínica (RODRIGUES, 2009); isto
é, com apenas uma rainha fértil. Entretanto, colônias poligínicas podem ser encontradas em muitas
espécies de formigas (DELABIE, 1989).
Há raros casos, em algumas espécies de Ponerinae (BOLTON, 2003) e Myrmicinae
(HÖLLDOBLER et al., 2002), nos quais a reprodução pode ser realizada por operárias denominadas
“gamergates” definidas seguindo uma ordem hierárquica dentro da colônia (MONNIN e
PEETERS, 1999). Com ovários desenvolvidos e espermateca funcional, as “gamergates” são
capazes de acasalar e produzir ovos férteis, dando origem a machos (haploides), e outras operárias
(diploides). Nesse caso, o sistema reprodutivo se torna diferente do convencional observado nos
himenópteros sociais (PEIXOTO et al., 2008). Reprodução clonal também pode ocorrer. Isto
foi observado em Wasmannia auropunctata Roger, 1863, em que machos e fêmeas são produzidos
por partenogênese telítoca apomítica e as operárias são produzidas naturalmente por reprodução
sexuada (FOUNIER et al., 2005).
39
A estruturação das colônias de Formicidae está entre as mais complexas dos insetos sociais,
com um número altamente variável de indivíduos (PEETERS e MOLET, 2010). A abundância de
indivíduos na colônia é controlada por dois importantes fatores: (1) quantidade de recurso disponível
no ambiente, e (2) taxa de mortalidade da rainha e de operárias por predadores (KASPARI, 2003).
Em alguns grupos, as primeiras operárias surgem cerca de um mês após a primeira oviposição
e a população da colônia vai aumentando com o passar do tempo, até que o número máximo de
indivíduos seja atingido (cerca de 5 anos); a fase reprodutiva começa após essa fase (TSCHINKEL,
1988; PASSERA, 2005).
Os ninhos podem ser encontrados em plantas, cavidades em troncos de árvores, no solo
(superficialmente e abaixo da superfície) com galerias e diversas câmaras; e sua instalação pode
ser de forma monodômica (ninho único) ou polidômica (vários ninhos interligados) (BUENO e
CAMPOS-FARINHA, 1999; TRIPLEHORN e JOHNSON, 2011). Há ainda casos de espécies que
possuem ninhos satélites, utilizados para descanso por algumas forrageiras em caso de trilhas de
forrageamento longas (TOFOLO et al., 2014); e também para defesa e proteção do território. Esta
característica promove o aumento nas taxas de sobrevivência da colônia que, quando concentrada
em um só lugar, corre mais risco de predação (KREBS e DAVIES, 1993; SANTOS e DEL-CLARO
2002; SANTOS e DEL-CLARO, 2009).
Agradecimentos
Agradecemos à Dra. Ana Eugênia de C. Campos (Instituto Biológico-SP), pelas valiosas
sugestões.
40
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Importância da taxonomia de formigas
em estudos de biodiversidade
Antonio José Mayhé Nunes
grupo zoológico hiper-diverso representa aproximadamente 60% de todas as espécies de seres vivos
(CARVALHO, 2012), então podemos voltar à questão da estimativa conservadora da biodiversidade
total de organismos, que deve estar em torno de 1.700.000 espécies viventes. Qualquer que seja o
número de animais, segundo Martins (1994), é impossível para um zoólogo colecionar, preservar
e estudar tudo e, portanto, as pesquisas são restritas a determinados grupos zoológicos ou mesmo
a um único grupo de interesse particular de cada cientista. Martins (1994) ressaltou que pesquisas
que visam à classificação de qualquer tipo de organismo dependem fundamentalmente de coleções
taxonômicas, onde se encontram reunidos de maneira ordenada espécimes mortos, adequadamente
preservados para estudos. Além de servirem como principal fonte de informações sobre os caracteres
morfológicos dos táxons, as coleções científicas também têm uma inestimável importância por
servirem como depositárias dos elementos que testemunham vários tipos de pesquisas já publicadas.
Mas, para Marinoni e Peixoto (2010), a disseminação da informação depositada nas coleções também
é indispensável para a tomada de decisões sobre o estabelecimento de áreas prioritárias para pesquisa
e conservação, em particular as que têm biota pouco conhecida ou que abrigam grupos taxonômicos
pouco estudados.
Como acontece com a biodiversidade em geral, a maior parte das pessoas também desconhece
a alta diversidade de formigas. É comum estes insetos serem popularmente caracterizados pelo seu
tamanho, cor, dureza do corpo e por diversos hábitos peculiares. Muito frequentes são os relatos
sobre ‘formigas que andam pelas paredes ou pelo chão e, quando se encontram, tocam as anteninhas’.
É relativamente comum perguntarem sobre ‘aquele formigão amarelo, mole, que aparece à noite na
pia da cozinha e quando a gente acende a luz ele some’. Também são muito comuns as queixas sobre
‘formigas pretas ou vermelhas’, ‘minúsculas, pequenas, grandes ou gigantes’, em geral ‘duras’ e que
‘picam a gente’ ou ‘cortam folhas’, ou ainda, ‘sabe aquelas que têm cheiro desagradável?’.
Comentários deste tipo demonstram a capacidade limitada das pessoas quando querem
descrever o tipo de formiga que observaram; para simplificar costumam dividi-las em ‘formiga,
47
formiguinha ou formigão’, ‘preta, amarela ou vermelha’, ‘mole ou dura’. Ainda que informações
adicionais sobre os hábitos mais comuns sejam acrescentadas, as combinações possíveis utilizando
características morfológicas e comportamentais tão restritas não são capazes de dar uma ideia da
riqueza destes insetos, mesmo para o cidadão comum. Wheeler (1925) utilizou uma ilustração (Fig.
1) para mostrar a diversidade de caracteres adaptativos, chamando atenção para as diferentes formas
de cabeça e de mandíbulas de algumas espécies de formigas; é interessante observar a reação das
pessoas quando eu mostro a Figura 1 em aulas ou palestras.
As estimativas mais relevantes sobre o número de espécies de formigas datam do final século
passado. Wilson (1971) citou um trabalho de Francis Bernard, publicado em 1968, que registrou
7.600 espécies de formigas descritas no mundo, mas mencionou uma comunicação pessoal de
William Brown Jr. que calculava um número situado provavelmente entre 12.000 e 14.000 espécies.
Segundo Hölldobler e Wilson (1990), aproximadamente 8.800 espécies já tinham sido descritas, mas
para Bolton (1994), das 15.000 espécies que em sua opinião existiam naquela época, somente de
9.000 a 10.000 foram formalmente descritas. Para dar uma ideia sobre a diversidade de formigas
no nosso país, Brandão (1999) estimou em 2.500 o número de espécies catalogadas para o Brasil.
Atualmente podemos acompanhar a evolução das estimativas consultando a página da ‘antbase.
org’, onde recentemente encontrava-se registrado que existem quase 12.800 espécies de formigas
descritas no mundo (AGOSTI e JOHNSON, 2014), um número aparentemente ainda distante do
que deve realmente existir que, pelo que parece ser aceito por muitos mirmecólogos, está em torno
de 20.000 espécies. Como nas últimas quatro décadas o número inicial estimado quase dobrou,
permito-me imaginar que se o aumento de interessados em dedicar-se a mirmecologia continuar
e as pesquisas sobre diversidade de formigas seguirem no ritmo atual, em breve chegaremos pelo
menos bem próximo das 20.000 espécies estimadas. Porém, não podemos esquecer a necessidade da
formação de mais taxonomistas capazes de reconhecer as espécies que já existem e, portanto, aptos
para descrever milhares que ainda são desconhecidas pela ciência.
48
Figura 1. Cabeças de várias formigas. A. Mystrium rogeri, operária; B. Myrmecia gulosa, operária; C. Eciton hamatum, soldado;
D. Harpegnathus cruentatus, fêmea; E. Daceton armigerum, operária; F. Leptomyrmex erythrocephalus, operária; G. Cheliomyrmex
nortoni, soldado; H. Pheidole lamia, soldado; I. Thaumatomyrmex mutilatus, operária; K. Odontomachus haematodus, operária;
L. Cryptocerus clypeatus, soldado; M. Cryptocerus varians, soldado; N. Opisthopsis rescipiens, operária; O. Leptogenys maxillosus,
operária; P. Azteca sericea, soldado; Q. Acromyrmex octospinosus, operária; R. Dolichoderus attelaboides, operária; S. Colobopsis
impressa, soldado; T. Camponotus cognatus, soldado; U. Camponotus mirabilis, fêmea (retirado de WHEELER, 1925).
Observação: os nomes de todos os táxons foram mantidos exatamente como estão na legenda da figura original.
49
Além daqueles que não tem a menor ideia do que seja mirmecologia, quem estuda formigas
e muitos que também se dedicam a outras especialidades das Ciências Naturais, provavelmente
em algum momento da vida já ouviu comentários sobre problemas causados por estes insetos e
observou formigas em suas diversas atividades. Porém, somente poucos conseguem compreender
que a classificação é uma tarefa essencial para descrever a biodiversidade em geral, independente do
método utilizado, seja pela prática da taxonomia dita ‘tradicional’, definida por Bernardi (1981) como
o primeiro nível do trabalho de classificação (a taxonomia alfa, para descrever táxons e organizar
chaves para identificação, fundamentais para o reconhecimento das espécies, gêneros, etc.) ou pelos
métodos da sistemática filogenética (a taxonomia beta, que tem como objetivo propor hipóteses sobre
as relações de parentesco entre os seres vivos e testar as classificações propostas pelos adeptos das
outras escolas de classificação biológica). Cabe uma advertência: alguns pesquisadores consideram
que taxonomia e sistemática são sinônimos, uma controvérsia que não importa discutir aqui; utilizo
o termo taxonomia quando estou me referindo ao nível alfa da classificação.
Mas afinal, qual a importância da taxonomia para os estudos sobre diversidade de formigas?
Antes de responder esta questão fundamental é necessário lembrar que outros invertebrados
terrestres também são utilizados como indicadores biológicos, seja para estudos sobre a riqueza
de espécies ou para avaliação das respostas dos organismos a mudanças ambientais. Por exemplo,
Andersen (1999) publicou um artigo com o sugestivo título: ‘meu bioindicador ou o seu?’, citando
autores que usaram besouros, borboletas, cigarras, moscas, colêmbolos, gafanhotos e aranhas (mas
ele já tinha feito sua escolha pelas formigas). Obviamente a taxonomia tem a mesma importância
para estes organismos que tem para as formigas: o reconhecimento das espécies é o principal. Por
outro lado, muitos anos antes, Majer (1983) apresentou motivos que justificam a escolha de formigas
como bioindicadores: são extremamente abundantes, mostram riqueza de espécies relativamente
alta, muitas são especialistas, são facilmente amostradas e, em geral, facilmente identificadas. Este
último atributo pode nos levar a uma série de questões, intimamente relacionadas com a pergunta do
50
início deste parágrafo. De fato, muitas espécies de vários gêneros podem ser facilmente reconhecidas.
Entretanto, existem grupos hiper-diversos de formigas que têm problemas taxonômicos, ainda longe
de uma solução satisfatória. Nos estudos de diversidade de formigas são aqueles que aparecem
com mais morfoespécies nas listas, destacando-se Pheidole e Solenopsis, apenas para citar os dois
principais para a Região Neotropical e que representam os maiores desafios para as futuras gerações
de mirmecólogos.
Mesmo após a publicação da revisão taxonômica de Pheidole , das Américas, por Wilson (2003),
as espécies do gênero continuam sendo das mais difíceis para identificar e atribuir nomes. Além
disso, revisões recentes de grupos de espécies do gênero, apesar de não serem do Novo Mundo,
estão demonstrando que ainda existem muitas espécies para serem descritas. Sarnat (2008), revisando
o gênero Pheidole das Ilhas Fiji, encontrou sete espécies, das quais apenas duas eram conhecidas. Na
revisão de Pheidole distribuídas por seis ilhas do sudoeste do Oceano Índico, foram descritas sete
espécies novas das 13 encontradas (FISCHER e FISCHER, 2013). Imaginem o gênero Pheidole no
Brasil! Nosso país, com suas dimensões continentais, provavelmente abriga um número extraordinário
de espécies do gênero que aguardam serem descobertas e descritas.
O gênero Solenopsis somente perde para Pheidole com relação ao número de espécies que são
coletadas em estudos de diversidade das formigas que vivem na Região Neotropical. Durante muito
tempo, tanto as espécies de Solenopsis (‘lava-pés’) quanto o enigmático grupo das diminutas Diplorhoptrum,
não podiam ser identificadas com segurança. Recentemente foi publicada uma monumental revisão
de Solenopsis do Novo Mundo, que compila muitas informações sobre a sistemática e a biologia do
grupo, com a proposição de muitos sinônimos e a descrição de várias espécies novas (PACHECO e
MACKAY, 2013).
Se consultarmos as listas de espécies (ou morfoespécies) dos artigos que investigam a
diversidade de formigas no Brasil, com certeza encontraremos outros problemas taxonômicos que
aguardam solução: os gêneros hiper-diversos Camponotus e Crematogaster, o problema da identificação
51
das operárias pequenas de Atta ou de Acromyrmex e de outras espécies que têm operárias de tamanho
muito variável, etc. Enfim, para abordar estas questões ainda seriam necessárias muitas páginas.
Então, para finalizar, pretendendo apresentar uma conclusão sobre a importância da taxonomia,
não somente para a diversidade de formigas, mas em um contexto mais abrangente. Permito-me
transcrever parte do editorial de Bicudo (2004), esperando contar com a benevolência dos leitores
e o perdão do autor por abreviar seu excelente texto e, principalmente por não ter conseguido
transformar os seus argumentos em minhas próprias palavras (é óbvio que recomendo a leitura do
editorial na sua íntegra):
Agradecimentos
Agradecemos ao Dr. Carlos Roberto Ferreira Brandão (Museu de Zoologia da Universidade
de São Paulo-SP), pela leitura crítica e valiosas sugestões.
52
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Importância das formigas em estudos de biodiversidade
e o papel desses insetos nos ecossistemas
Dentre os artrópodes que habitam o chão ou o dossel das florestas tropicais, as formigas
estão entre os organismos mais abundantes, representando 90% dos indivíduos e até 95% da
biomassa animal (MOFFETT, 2000). Em função da diversidade do grupo, da grande plasticidade
comportamental e da densidade populacional elevada desses organismos nas comunidades locais, as
formigas exercem importante papel na dinâmica do ambiente (DELABIE et al., 1991; SILVESTRE,
2000). São fundamentais no fluxo de energia e biomassa dos ecossistemas terrestres e na estrutura de
comunidades desses ecossistemas como um todo (HÖLLDOBLER e WILSON, 1990). Em termos
de biomassa, a onipresença desses organismos e seus múltiplos efeitos sobre outras espécies faz
com que as formigas constituam uma das famílias de artrópodes dominantes nas florestas tropicais.
Também, as formigas exercem impacto significativo em todos os níveis tróficos, em virtude de sua
dieta e de seus diversos tipos de associações com animais, plantas e fungos (TOBIN, 1995). Além
disso, numerosas espécies dependem de recursos alimentares derivados de plantas, tais como frutos
e sementes (PIZO e OLIVEIRA, 2000). Por fim, com as minhocas e os cupins, as formigas fazem
56
O extrator de Winkler, técnica inicialmente desenvolvida para outros fins que não a captura
de formigas (BESUCHET et al., 1987), provocou uma minirrevolução na mirmecologia, pois abriu
para o estudo científico o mundo tão diversificado das diminutas formigas edáficas e da serapilheira,
até então somente parcialmente conhecidas. Na verdade, começamos a ter uma boa ideia sobre a
diversidade de formigas e sua biomassa graças ao surgimento da técnica de extração de Winkler
como uma metodologia revolucionária para a amostragem de organismos do solo desde o final da
década de 1990. Desde então, o uso da técnica para coleta de formigas começou a se generalizar em
todo o mundo (KRELL et al., 2005) e vem complementar as informações fornecidas com o uso mais
clássico da armadilha conhecida como “pitfall” (BESTELMEYER et al., 2000).
As informações gentilmente cedidas pela principal fabricante brasileira de armadilhas de
Winkler indicam que mais de 4.300 unidades da armadilha, além de 364 peneiras de campo, foram
vendidas para 184 compradores institucionais ou particulares entre 2000 e 2013 (Marizete Pereira
dos Santos, comunicação pessoal). Este tipo de equipamento, considerado altamente especializado,
é usado apenas para fins de estudos de campo em mirmecologia (às vezes, mas não comumente,
visa também à amostragem de outros invertebrados). Assim, a minirrevolução Winkler trouxe
consequências importantes para a qual nós estamos apenas começando a perceber os impactos
científicos, tais como, por exemplo, a possibilidade de produzir séries de dados imediatamente
comparáveis entre diferentes biomas, juntamente com as novas ferramentas estatísticas disponíveis
para acessar a diversidade (LONGINO et al., 2002; LEPONCE et al., 2004; COLWELL et al.,
2012). Outra possibilidade facilmente acessível com essa mesma metodologia será a de monitorar
a diversidade ao longo do tempo, uma vez que as consequências das mudanças climáticas são uma
das preocupações maiores da biologia e das políticas públicas nesse início do século XXI, e que os
58
m
elhores testemunhos disso serão certamente as espécies que vivem na serapilheira das florestas
tropicais. A minirrevolução Winkler contribui também para explorar a micro e mesofauna dos solos
tropicais, uma vez que, na maioria dos casos, não há praticamente nenhum dado sobre os muitos
organismos que vivem lá. Um ponto importante é que essa revolução de metodologia não é um
fenômeno local, mas se propagou rapidamente em todo o mundo.
Durante a última década, muitas contribuições científicas originais sobre biologia e diversidade
de formigas edáficas e de serapilheira vieram à luz. A relação que segue é apenas a ponta do “iceberg”
da literatura recente sobre as formigas desses estratos nos ambientes tropicais, acessadas graça ao uso
concomitante ou não das armadilhas Winkler e “pitfall”. Por exemplo, uma série de pesquisas foi feita
para acessar a biodiversidade em regiões tropicais ou subtropicais, em lugares onde a diversidade de
formigas era até então praticamente inexplorada (ROBERTSON, 2002; BRÜHL et al., 2003; HITES
et al., 2005; TORO e ORTEGA, 2006; DELABIE et al., 2007; SABU et al., 2008; GROC et al., 2009;
CALCATERRA et al., 2010; ANDERSEN et al., 2012; SILVESTRE et al., 2012). O uso dessas
armadilhas permitiu ainda que fosse ampliado o conhecimento sobre a diversidade das comunidades
de formigas também nas zonas temperadas (MARTELLI et al., 2004; GROC et al., 2007; LESSARD
et al., 2007; IVANOV e KEIPER, 2009, 2010; TISTA e FIEDLER, 2011; CARPENTER et al.,
2012; HIGGINS e LINDGREN, 2012). Alguns experimentos foram realizados no mesmo período
com o objetivo de estudar padrões biogeográficos e ecológicos (SOARES et al., 2001; BRÜHL et
al., 2003; SANDERS et al., 2007; BIHN et al., 2008; GUERRERO e SARMIENTO, 2010; BASSET
et al., 2012; PACHECO e VASCONCELOS, 2012; SILVEIRA et al., 2012; BHARTI et al., 2013),
otimizando o uso das armadilhas para a interpretação de dados ecológicos (LONGINO et al., 2002;
KRELL et al., 2005; DELSINNE et al., 2008; IVANOV e KEIPER, 2009; SABU et al., 2010, 2011;
GUENARD e LUCKY, 2011; TISTA e FIEDLER, 2011; DELSINNE e ARIAS-PENNA, 2012;
HIGGINS e LINDGREN, 2012; SOUZA et al., 2012). Formigas capturadas por Winkler e “pitfall”
são utilizadas para biomonitoramento de uso da terra ou da degradação ambiental (KALIF et al.,
59
2001; ARMBRECHT et al., 2005; ABADIA et al., 2010; FAYLE et al., 2010; IVANOV e KEIPER,
2010; HOSOISHI et al., 2013). Finalmente, armadilhas de Winkler são as grandes responsáveis
por fornecer material original nos estudos taxonômicos (às vezes complementados com estudos
moleculares) sobre Formicidae, permitindo a descrição de uma série de novos taxa, a maioria deles
de tamanho diminuto (BOLTON, 2000; FERNÁNDEZ et al., 2009; BHARTHI e KUMAR, 2012;
LACAU et al., 2012; LONGINO e BOUDINOT, 2013).
assimetria dos recursos disponíveis. Em uma floresta tropical, o fluxo de energia é sempre dirigido
do dossel para o solo (TOBIN, 1995; YANOVIAK e KASPARI, 2000), uma vez que os recursos,
em geral, tendem a se acumular de cima para baixo. Em contraste, as fontes de carboidratos para as
formigas (insetos sugadores) formam um gradiente inverso, e esses formam o recurso mais previsível
e mais abundante no dossel (YANOVIAK e KASPARI, 2000; DELABIE, 2001). Por sua vez, a
disponibilidade de nitrogênio é naturalmente reduzida no dossel, e este é um fator limitante para a
vida neste ambiente (YANOVIAK e KASPARI, 2000; WILSON e HÖLLDOBLER, 2005), o qual é
compensado pela coleta de fezes de aves que são ricas em ureia e facilmente encontradas no dossel.
Diversos autores demonstraram que a competição inter e intraespecífica entre formigas é
um dos fatores determinantes da composição de espécies, bem como da regulação das atividades e,
portanto, da estrutura das assembleias de formigas (MORRISON, 1996, 2000; SILVESTRE, 2000).
Por exemplo, estudos realizados nos Estados Unidos por Feener (1981) com as espécies Solenopsis
texana Emery, 1895 e Pheidole dentata Mayr, 1886 comprovaram que ambas competem quando
forrageiam, ocasionando a exclusão de S. texana. Delabie et al. (2000) sugerem que algum mosaico
pode ser observado na serapilheira, que seria o resultado da interação de dois grupos de formigas
de origens diferentes: o primeiro compreende as espécies que vivem no solo, muitas vezes com
comportamento críptico (sensu Andersen 1991), e o segundo grupo consistindo de umas poucas
espécies arborícolas, que oportunamente forrageiam no solo quando as condições são desfavoráveis
nas árvores (sazonalidade, escassez de presas ou de homópteros associados), o que os obrigam a
interagir com a fauna de formigas da superfície do solo. Nessas condições, o segundo grupo pode
certamente alterar a composição de espécies que habitam o solo e ter uma considerável influência na
estrutura da comunidade de formigas epigeicas.
Com uma biomassa de formigas estimada a quatro vezes àquela da soma de todos os vertebrados
terrestres numa floresta tropical (FITTKAU e KLINGE, 1973), as formigas aparecem como o grupo
de invertebrados que dominam os ambientes terrestres, sobretudo nas regiões tropicais do Planeta.
62
Essa importância numérica ligada à variedade e à complexidade das interações entre formigas, a biota
e o ambiente em geral, somada aos conhecimentos adquiridos sobre a mirmecofauna que acelerou
dramaticamente nos últimos 25 anos, como foi visto anteriormente, são fatores multiplicadores que
têm contribuído a fazer das formigas um objeto de estudo cada vez mais procurado em numerosas
áreas do conhecimento. Algumas são mais clássicas, tais como a morfologia, a taxonomia, os estudos
do comportamento ou a genética e outras disciplinas ligadas à evolução orgânica, por exemplo,
ou correspondem a áreas cuja correlação com a mirmecologia é talvez menos evidente, tais como
as ciências sociais, a robótica ou a neurobiologia. Assim, em particular no Brasil onde os estudos
acadêmicos sobre as formigas têm motivado um grande número de estudantes e profissionais, a
mirmecologia tem se firmado cada vez mais como uma disciplina de pleno direito, relativamente
independente das demais ligadas à entomologia.
Agradecimentos
Agradecemos à Dra. Inara R. Leal (Universidade Federal de Pernambuco-PE), pelas valiosas
sugestões.
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A taxonomia no trabalho do ecólogo
Renata Pacheco
As formigas estão entre os principais organismos terrestres, com grande variação morfológica
e comportamental, e fazem parte de diversos processos e interações ecológicas, que compreendem
desde a predação e competição com outros organismos até as relações mutualistas com plantas
e outros artrópodes (HÖLLDOBLER e WILSON, 1990). Podem representar de 10 a 15% da
biomassa animal em muitos ecossistemas terrestres (FITTKAU e KLINGE, 1973; BEATTIE e
HUGHES, 2002) e mais de 85% da biomassa de artrópodes na copa das árvores em florestas tropicais
(DAVIDSON et al., 2003). Mais de 15.000 espécies de formigas já foram descritas (ANTWIKI,
2014) e esse número tende a crescer com o aumento do esforço taxonômico, já que se estima a
existência de mais de 25.000 espécies de formigas no mundo (WARD, 2010).
Em estudos que envolvem coletas de formigas em grande escala (como estudos de diversidade,
comunidades etc.), o processo de separação dos indivíduos e identificação das espécies de Formicidae
está longe de ser algo trivial, uma vez que demanda tempo e considerável treinamento por parte dos
74
pesquisadores. Também, nem sempre é possível coletar muitos indivíduos da mesma espécie (ex.
espécies raras) para confirmar a identificação com especialistas (ver WARD, 2010). Isso é ainda
mais evidente para aqueles gêneros hiperdiversos, como Pheidole e Solenopsis. Essas dificuldades têm
levado muitos ecólogos a diminuir o rigor taxonômico nas identificações, cujo objetivo é buscar
novas abordagens (ex. identificação até gênero) que economizariam tempo e dinheiro (GROC et al.,
2010; VASCONCELOS et al., 2014). No entanto, é importante estar ciente de que a identificação
errada de uma unidade taxonômica pode gerar uma cascata de erros, com implicações não só na
pesquisa ecológica, mas também em planos de manejo e conservação das espécies (McNEELY,
2002; BORTOLUS, 2008) e na compreensão da biodiversidade (KHUROO et al., 2007). Dentre
os principais objetivos da ecologia de populações e comunidades está a compreensão dos padrões
da diversidade biológica e dos mecanismos responsáveis pela promoção e manutenção da mesma
(AGRAWALL et al., 2007).
A taxonomia é uma importante ferramenta para alcançar esse objetivo, tendo como fundamento
a descrição, a atribuição de nomes e a classificação da biodiversidade. De fato, é intuitivo supor que a
taxonomia e a ecologia andem de mãos dadas e, nas últimas décadas, ecólogos têm se preocupado cada
vez mais com a importância da qualidade da identificação e do acervo das espécies, pelo maior rigor
das revisões dos estudos atuais. No entanto, o conhecimento taxonômico dos ecólogos nem sempre
atende a essa demanda devido, principalmente, a quantidade de material coletado, inexperiência na
taxonomia, dificuldade em acompanhar as mudanças taxonômicas e quantidade de coleções não
unificadas que devem ser consultadas. Aliado a isso, as publicações ecológicas passaram a exigir textos
cada vez mais sintéticos, diminuindo ou mesmo extinguindo espaço para informações tidas como
de menor relevância para o entendimento do estudo, como dados de história natural e informações
taxonômicas, muitas vezes relegadas ao material complementar disponibilizado somente na internet,
ou simplesmente eliminados do artigo.
Em uma análise recente, Bortolus (2008) mostrou o quanto o conhecimento taxonômico básico
75
tem sido ignorado pelos ecólogos de diversas áreas. Dentre 80 trabalhos analisados (publicados em
oito periódicos de ecologia de alto fator de impacto durante os anos de 2005-2007), 62,5% careciam
de qualquer informação justificando ou garantindo a correta identificação dos organismos estudados
e apenas 2,5% reportaram o depósito de espécimes em uma coleção científica de referência. De
forma mais alarmante, cerca de metade destes estudos envolveu alguma manipulação experimental,
sugerindo que boa parte foi conduzida sem a garantia da correta identificação taxonômica.
Geralmente, o entendimento completo dos padrões de riqueza de espécies só pode ser atingido
com grande esforço amostral e o uso acumulativo de diversos métodos de coleta (LONGINO
et al., 2002). Aliado a isso e justificados pelo ritmo crescente da perda da diversidade biológica,
vários estudos com foco em conservação e monitoramento de áreas naturais têm buscado técnicas e
métodos para obter resultados mais rápidos e menos dispendiosos (VASCONCELOS et al., 2014).
Como exemplo tem-se a parataxonomia, que em sua forma mais radical envolve a identificação dos
organismos em ‘unidades taxonômicas reconhecíveis’ (OLIVER e BEATTIE, 1993), mesmo sem
suporte de um especialista ou do uso da literatura especializada (KRELL, 2004).
Mesmo em casos onde a ‘separação em unidades taxonômicas reconhecíveis’ é suficiente,
como em estudos de padrões de diversidade local e regional, a mesma deve ser feita de maneira
criteriosa e seguindo manuais e chaves de identificação. Isso porque os padrões de diversidade de
um determinado local podem influenciar na decisão de se preservar ou não uma determinada área
(McNEELY, 2002). Por exemplo, uma comunidade pode ser comparativamente pobre em espécies,
porém, grande parte da sua diversidade taxonômica é constituída de espécies raras ou mesmo
desconhecidas para a ciência, o que aumenta o valor da área para a conservação. Além disso, uma
76
área pode possuir uma diversidade local diferente de outras em seu entorno, o que implica que sua
conservação não só protege espécies únicas, mas também ajuda a manter alta diversidade regional
(ex. PACHECO et al., 2013).
A identificação precisa é essencial para reunir dados sobre a biologia das espécies estudadas,
assim como verificar se há (i) espécies endêmicas, (ii) de distribuição restrita, (iii) raras ou (iv)
registros novos para uma determinada região. A correta separação e ou identificação das espécies
também é essencial para o ecólogo interessado na busca por padrões biogeográficos da diversidade
e distribuição das espécies (GOTELLI, 2004). Em alguns estudos, os ecólogos procuram entender
quais fatores podem influenciar a distribuição de uma determinada espécie, ou mesmo porque duas
ou mais espécies nunca ocorrem juntas localmente, o que pode gerar importantes inferências sobre
a ecologia destes organismos, sendo essencial a correta separação morfológica entre as espécies.
Depois de identificar e conferir todas as espécies apropriadamente é importante depositar
“vouchers” em coleções regionais ou nacionais, bem como uniformizar os códigos de morfoespécies
de coleções locais dos diferentes projetos do laboratório. Dessa forma, coleções uniformizadas
permitirão comparações entre dados de diferentes projetos (ver DELABIE et al., 2012).
Gotelli (2004) fez um interessante ensaio mostrando sua ‘perspectiva como ecólogo na
interação entre taxônomos e ecólogos’, na premissa de que todo ecólogo precisa do auxílio de um
taxonomista. Nesse trabalho, o autor descreve algumas questões que podem ser consideradas tanto
por ecólogos quanto por taxonomistas, auxiliando-os a trabalharem juntos. As próximas seções
buscam resumir um pouco das ideias apresentadas por Gotelli (2004), mas também apresentam um
pouco das nossas opiniões sobre o assunto.
77
é primordial que haja organização dos alunos e conhecimento da prática correta de montagem e
rotulagem de exemplares. Troca de informações com um taxônomo é importante durante a fase de
processamento do material, especialmente se o aluno não está familiarizado com a nomenclatura, as
chaves taxonômicas e o depósito de material em instituições que são fiel depositárias de componentes
do patrimônio genético. Neste caso, é fundamental que o taxonomista dê a devida orientação para a
padronização no processo de montagem e deposição do material. Também, como já alertado, faz-se
necessário o auxílio durante a identificação que, apesar da fluência e experiência de alguns ecólogos,
algumas dúvidas são comuns quando os indivíduos são morfologicamente parecidos, porém, de
espécies distintas.
Agradecimentos
Agradecemos à Msc. Gabriela P. Camacho (Universidade Federal do Paraná-PR), ao Dr.
Heraldo L. de Vasconcelos (Universidade Federal de Uberlândia-MG) e ao Dr. Jacques H. C. Delabie
(Centro de Pesquisa do Cacau e Universidade Estadual de Santa Cruz-BA), pela leitura crítica e
valiosas sugestões.
79
Referências
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Por uma política para a coleta de formigas na natureza
disponíveis para estudos. Mais recentemente, coleções de história natural têm assumido papel de
depositários legais para fins de compartilhamento de benefícios por proprietários de terra e de
conhecimento tradicional que venha a ser utilizado comercialmente em diversos contextos.
No caso de formigas, a adoção de levantamentos estruturados (LONGINO e COWELL,
1997; AGOSTI et al., 2000; COLWELL et al., 2012) significou enorme avanço. Anteriormente,
a grande maioria dos censos resultava simplesmente em uma lista de nomes científicos, sem
maiores qualificações. Dada a conhecida dificuldade em se atribuir nomes às espécies de formigas
neotropicais, apenas o autor da lista podia avaliar comparativamente as dificuldades enfrentadas à
medida que cada linha da lista era preenchida, cujo mero arrolamento não tinha como expressar tais
problemas. Resultados de levantamentos estruturados também não permitem esta avaliação, mas
pelo menos indicam quais as espécies mais comuns e que têm, portanto, maior chance de serem mais
bem conhecidas e, logo, de serem corretamente nomeadas, reservadas as exceções. Outro aspecto
fundamental dos levantamentos estruturados é que o método empregado é explicitamente descrito,
permitindo eventual reprodução e avaliação dos esforços empregados, o que ajuda a ponderar
criticamente os resultados obtidos.
Quaisquer que sejam os modelos de levantamentos adotados, é fundamental que os espécimes
coletados sejam depositados em caráter permanente em acervos de instituições que permitam consulta
pública. Se isto não for cumprido, seremos forçados a reproduzir os indefinidamente esforços.
Desde Lineu (1758) foram descritas mais de 12.500 espécies de formigas (BOLTON, 2014).
Os exemplares tipos das 14 espécies de formigas descritas por Lineu quando da publicação da
décima edição do “Sistema Naturae” estão à disposição para exame por pesquisadores profissionais
na “Karolinska Institute” em Estocolmo, Suécia. Representa o momento inaugural da Zoologia
como a entendemos hoje e lançou as bases da curadoria técnica de coleções até hoje adotadas
internacionalmente. As estimativas mais recentes sugerem que devam existir mais de 20 mil espécies
de formigas na Terra hoje. Seria difícil imaginar que exista ainda um número significativo de espécies
83
não conhecidas na tundra ou mesmo nas florestas temperadas, sujeitas a invernos rigorosos e
conhecidas por sua diversidade faunística relativamente baixa. Seguramente o maior contingente das
mais de 8 mil espécies de formigas a serem descritas no mundo concentram-se nas florestas tropicais,
das quais o Brasil detém cerca de 20% (ver LEWINSOHN e PRADO, 2002; BRANDÃO et al.,
2006).
Um raciocínio simples indica que o território brasileiro pode abrigar de duas a três mil espécies
de formigas ainda não descritas, isto é, praticamente dobrando o que conhece hoje. Isto dá ao país
uma responsabilidade especial na construção de uma política que comporte, em período determinado,
atacar a questão fundamental e estratégica de conhecer a biodiversidade brasileira representada
pelas formigas. Outros capítulos deste livro já deixaram bem clara a importância de formigas nos
ecossistemas naturais e em vários graus de antropização, ainda que nosso conhecimento sobre elas
ser claramente insuficiente.
Não se conhece também o número total de espécimes depositados em coleções de formigas
em todo o mundo, mas pode-se estima-lo grosseiramente em cerca de 30 milhões de exemplares,
representando o trabalho e esforço somados de milhares de pesquisadores, sem desmerecer aqueles
coletores mais destacados e produtivos responsáveis por parcela significativa dos registros. No Brasil
pode-se estimar que cerca de dois milhões de exemplares estão disponíveis para estudo em coleções
nacionais abrigadas em museus, institutos, departamentos e outras instâncias de acesso público,
coletados e depositados nos acervos por centenas de pesquisadores profissionais e amadores.
A teoria ecológica já demonstrou que para aumentar aritmeticamente o conhecimento sobre
um conjunto de dados naturais, no caso de formigas, duas vezes, é necessário aumentar o esforço
exponencialmente, isto é teremos de multiplicar por quatro o esforço coletivo dispendido até hoje, o
que dá ideia da tarefa que nos espera se quisermos enfrentar o desafio.
Esta situação pega a comunidade científica global no contrapé; nunca se formaram tão poucos
taxonomistas de formigas no mundo, com exceção de poucos países, entre eles o Brasil, onde este
84
panorama é mais promissor, expresso nos resultados auspiciosos das edições bienais dos Simpósios
de Mirmecologia. A 21a edição, realizada em Fortaleza em dezembro de 2013, reuniu centenas de
alunos de graduação e pós-graduação e profissionais brasileiros e estrangeiros, demonstrando a força
destas linhas de pesquisa no Brasil e sua inserção internacional, consolidando o papel do Brasil
como um dos líderes na Mirmecologia atualmente. Laboratórios e grupos de pesquisa estabelecidos
e liderados por especialistas que vêm formando pessoal qualificado estão hoje espalhados pelo país,
solidificando diversas áreas de investigação que têm formigas como modelos de estudos. Outro
ponto que permite certo otimismo é o fato deste contingente de pessoal estar mais bem organizado
do que jamais esteve nossa comunidade científica dedicada à Mirmecologia. Foi criado um grupo
capitaneado por três jovens profissionais (Carla Ribas, Fernando Schmidt e Rodrigo Feitosa) que
mantém e alimenta continuamente o projeto Formigas do Brasil, envolvendo diversas atividades
de divulgação, ensino e pesquisa. Promovem cursos, de início anuais, mas no futuro bienais, sobre
grande parte dos aspectos envolvidos no estudo de formigas e mantém um sítio eletrônico sobre
informações gerais sobre formigas (http://formigasdobrasil.com/o-projeto/). Em futuro breve
pretendem publicar um livro sobre as formigas do Brasil, reunindo informações, taxonômicas,
biológicas e biogeográficas.
Paralelamente o Museu de Zoologia está divulgando fotos em alta resolução dos tipos
primários de formigas ali depositados, permitindo maior acesso ao maior acervo de tipos de
formigas brasileiras, complementado por iniciativas similares da “California Academy of Sciences”,
por exemplo. Para melhor aproveitar esta situação comparativamente favorável, há que se adotar
estratégias de grupo que garantam os benefícios de forma permanente.
Levantamentos precisam estar embasados em perguntas claramente formuladas, condicionando
as técnicas e métodos a serem empregados, adaptados às condições locais. Ênfase deve ser dada a
expedições a locais ainda não coletados, levando em conta infraestrutura e pessoal. Quando a equipe
responsável pelo levantamento não incluir taxonomistas, deve contatá-los previamente, pois podem
85
fornecer informações importante para o bom planejamento das coletas; muitas vezes é necessário o
emprego de técnicas específicas para responder às questões colocadas.
Um componente importante no planejamento de visitas ao campo com intuito de coleta
de quaisquer organismos na natureza é prever custo e a avaliação prévia da capacidade da equipe
em processar o material coletado, que envolve várias fases até o depósito definitivo do material no
acervo, em especial a aplicação correta de técnicas de conservação preventiva e documentação. Todo
cuidado deve ser aplicado ao registro e manutenção de informações sobre os espécimes coletados e
sobre as condições em que as coletas ocorreram, incluindo dados precisos e georeferenciados sobre
o local de coleta e sobre o momento em que ela ocorreu. A instituição que receberá a coleção deve
também ser avaliada em sua capacidade de dar abrigo permanente ao acervo e em garantir o livre
acesso de outros estudiosos, reconhecidos pela instituição. Desta forma os exemplares retirados da
sua condição natural encontram destino digno e poderão continuar a embasar projetos científicos ao
longo do tempo.
Por fim, a divulgação qualificada dos resultados retorna à sociedade resultados a quem, em
última instância, financiou a pesquisa. Ao contrário, a divulgação de informações ambíguas ou
incompletas pode levar outros ao erro e deve ser evitada.
Seria ainda extremamente favorável aproveitar este momento positivo para delinear uma
política brasileira para coleções mirmecológicas, apoiando a constituição estratégica de acervos
locais, regionais e nacionais, partilhando representantes de levantamentos e aproveitando-se do fato
de muitas vezes serem coletadas séries relativamente grandes de exemplares provenientes da mesma
colônia. Coleções nestes três níveis atendem a distintos propósitos e representam diferentes níveis
de generalização. Coleções locais permitem acumular informações sobre as comunidades de espécies
que habitam determinada localidade e suas diversas paisagens e formações florísticas. Acervos
regionais tem a missão de agregar informações sobre ecossistemas, em todas as suas expressões,
ecótonos e isolados dentro de outras formações. Coleções nacionais, por sua vez devem abrigar os
86
tipos, pelo menos os primários e, que, somados aos representantes locais e regionais, expressem
a variação interespecífica; coleções nacionais têm, pelo menos em tese, melhores condições de
oferecer qualidades perenes de armazenamento e acesso a maior número de pesquisadores. Por
razões estratégicas também, deve-se evitar a concentração de coleções nacionais em uma ou poucas
instituições; idealmente uma coleção de cunho nacional em cada grande região do país garantiria o
balanço ideal entre todos estes fatores.
Ainda que oportunidades de coleta muitas vezes surjam no bojo de iniciativas maiores, como
construções de estradas, enchimentos de lagos de hidroelétricas, etc., existem lacunas amplamente
reconhecidas no conhecimento da fauna de formigas que ocorre no Brasil, tanto em termos
taxonômicos como na representação de ambientes ou regiões, que devem ser levados em conta no
planejamento a médio e curto prazo para evitar concentrar esforços em áreas já relativamente bem
conhecidas. A caatinga tem sido apontada como uma destas lacunas (ULYSSEA e BRANDÃO,
2013), mas a Amazônia, em especial a porção oriental, é com certeza ainda muito pouco conhecida e
representada em coleções, em que pesem as dificuldades de acesso. Em termos taxonômicos, a fauna
de formigas subterrâneas e a de copa das árvores merecem ser priorizadas.
Uma política que levasse em conta estas necessidades, apoiada em uma estratégia de formação
de pessoal técnico e científico, certamente resultaria na melhoria significativa do nosso conhecimento
sobre as formigas - componentes essenciais dos ecossistemas brasileiros.
Agradecimentos
Agradecemos ao Dr. Thomas Michael Lewinsohn (Universidade Estadual de Campinas-SP),
pelas valiosas sugestões.
87
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Coleções biológicas e a conservação da biodiversidade
“Recall that the mass extinction of species, if allowed to persist, would constitute
a problem with far more enduring impact than any other environmental problem”
(MYERS et al., 2000)
Contextualizando a biodiversidade
Mensurando a biodiversidade
O número de seres vivos, formalmente descritos, é cerca de dois milhões de espécies (AMORIM,
2002; COX e MOORE, 2009); que é um valor subestimado da real biodiversidade existente no
Planeta (MAY, 1988; PIMM et al., 1995; STORK, 1997). Este valor representaria somente 1% de
toda a biodiversidade gerada desde a origem da vida. De acordo com estas estimativas, o número
de espécies existentes e já extintas, seria, supostamente, superior a 100 milhões (AMORIM, 2002).
93
Erwin (1982), baseado em um estudo com besouros que habitam o dossel de florestas tropicais,
estimou que a riqueza de artrópodes terrestres seria superior a 30 milhões de espécies. Segundo
estimativas, o número de espécies estaria entre 5 - 50 milhões (MAY, 1988).
A taxonomia é a ciência responsável pela identificação, descrição e elaboração de nomes para
as novas espécies registradas. O taxonomista é o profissional responsável por produzir conhecimentos
sobre a biodiversidade. Atualmente, o número de taxonomistas no Brasil, e no mundo, é insuficiente
para descrever a biodiversidade global e muitas espécies acabam sendo extintas antes mesmo de
serem conhecidas pela ciência.
Em muitos grupos de organismos, praticamente não existem taxonomistas desenvolvendo
pesquisas e descrevendo novas espécies. Determinados grupos taxonômicos atraem maior atenção
dos especialistas, resultando, obviamente, em maior número de espécies conhecidas. Do total de cerca
de dois milhões de organismos descritos, aproximadamente 60% deles são de insetos (CARVALHO,
2012).
Coleções biológicas
colecionadores. Assim, também nasceram as coleções biológicas. Esse tipo de coleção são centros
depositários de material biológico, que abrigam não só os espécimes coletados (ou parte deles) e
estudados, mas também informações associadas aos indivíduos e às populações de cada espécie
(FERNANDES, 2006). Ainda segundo Fernandes (2006), estes ‘dados biológicos, quando associados
a dados meteorológicos, edáficos, entre outros, são essenciais tanto para a compreensão da vida
no Planeta (no passado e no presente) quanto para a projeção de cenários futuros, assim como
para o entendimento de padrões de mudanças da biodiversidade e de seus impactos na sociedade,
decorrentes da dinâmica dos sistemas naturais ou de intervenções humanas sobre o ambiente’.
Além das características dos exemplares que compõem o acervo de uma coleção biológica,
outras classificações constam em coleções de acordo com a sua finalidade. Uma coleção biológica,
independentemente da natureza do seu acervo, pode ser classificada em coleção científica ou de
pesquisa, didática, pública, particular, específica de um determinado bioma ou localidade geográfica
(MARTINS, 1994).
As coleções biológicas como as de determinados jardins botânicos e zoológicos e sítios
arqueológicos abrigam seus acervos em grandes espaços abertos, sendo que os dois primeiros
tipos de coleções possuem exemplares de organismos vivos, de plantas e animais, respectivamente
(VEITENHEIMER-MENDES et al., 2009). No caso das demais coleções, geralmente, são em museus
ou laboratórios de instituições de ensino e/ou pesquisa o local onde as coleções são depositadas.
O termo museu é derivado da palavra grega Mouseion, cujo significado é casa das musas, em
homenagem as musas que, segundo a mitologia grega, seriam as protetoras das artes e das ciências.
O termo museu foi utilizado pela primeira vez por Ptolomeu I, no século III a.C., na cidade de
Alexandria. Neste, que supostamente seria o primeiro museu da humanidade, existiam salas de
reuniões, laboratórios, jardins botânico e zoológico além da famosa biblioteca de Alexandria (MEY,
2004; VEITENHEIMER-MENDES et al., 2009).
A partir do século XVI, no período das grandes navegações e a descoberta do Novo Mundo,
95
muitas coleções biológicas começaram a ser formada em diversos países europeus. Coleções essas
que existem e servem de referência até os dias atuais.
A manutenção de coleções biológicas exige investimentos e cuidados constantes. Conforme
o tipo de acervo de uma coleção é preciso o controle frequente das condições do ambiente como
temperatura, umidade e luminosidade; inserção e reposição de material preservativo como álcool,
formol, naftalina; treinamento e contratação de corpo técnico. Além disso, com o passar do tempo
os acervos das coleções tendem a crescer, ocasionando a necessidade de maiores espaços físicos para
armazenamento dos mesmos.
Considerações finais
Agradecimentos
Agradecemos à Dra. Luciane Marinoni (Universidade Federal do Paraná-PR), pelas valiosas
sugestões.
97
Referências
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PARTE II
NOTA 1
O ano de 2014 se mostrou um divisor de águas para a taxonomia de formigas. Além dos novos
gêneros descritos e já divulgados aqui, duas propostas recentes alteram drasticamente a classificação
de táxons tradicionais de formigas, com grande impacto para todos os que atuam na área.
Brady et al. (2014) recentemente apresentaram uma abrangente filogenia molecular sobre
as formigas dorilomorfas. Este estudo mostra claramente a polifilia da subfamília Cerapachyinae,
motivo pelo qual os autores propõem uma extensa sinonímia de subfamílias neste complexo. As
subfamílias que até então reconhecíamos como Cerapachyinae, Ecitoninae e Leptanilloidinae deixam
de ser válidas e passam a ser sinônimos de Dorylinae (considerando apenas os táxons Neotropicais):
Referência
BRADY, S.; FISHER, B.; SCHULTZ, T.R.; WARD, P. The rise of army ants and their relatives: diversification
of specialized predatory doryline ants. BMC Evolutionary Biology, v.14, p.93, 2014.
NOTA 2
Lembramos que, em 2010, Mackay e Mackay publicaram uma revisão do gênero Pachycondyla
em nível específico e as espécies reconhecidas por eles continuam válidas. O que Schmidt e Shattuck
(2014) propuseram foi a reorganização e distribuição das espécies de Pachycondyla em novos gêneros
de acordo com os resultados filogenéticos. Assim, para confirmar a que gênero uma espécie de
Pachycondyla (sensu MACKAY e MACKAY, 2010) pertence, basta consultar o trabalho de Schmidt e
Shattuck (2014) e ver em que gênero ela está.
Poucas espécies do presente catálogo, apresentadas como Pachycondyla, são afetadas por estas
mudanças: Neoponera bucki, Neoponera commutata, Neoponera crenata, Neoponera marginata e Rasopone
ferruginea.
Referências
MACKAY, W.P.; MACKAY, E. The systematics and biology of the New World ants of the genus Pachycondyla
(Hymenoptera, Formicidae). Lewiston, New York, Edwin Mellen Press, 2010, 642p.
SCHMIDT, C.A.; SHATTUCK, S.O. The higher classification of the ant subfamily Ponerinae (Hymenoptera,
Formicidae), with a review of Ponerine ecology and behavior. Zootaxa, v.3817, p.001-242, 2014.
Cerapachyinae
A canthostichus é um gênero de formigas
criptobióticas pouco regis
trado.
Devido ao hábito subterrâneo, muitas vezes
somente os alados são capturados durante
a fase de acasalamento. Na região do Alto
Tietê, as operárias de Acanthostichus quadratus
foram registradas na serapilheira e em frutos
maduros de Syagrus romanzoffiana (Arecaceae)
dispersos neste estrato em áreas de Floresta
Ombrófila Densa secundária. Provavelmente,
as operárias estavam predando outros animais
que se encontravam nos frutos. Colônias com
ovos, larvas, pupas e rainha foram coletadas
usando armadilhas subterrâneas (30 cm de
profundidade), contendo pequenos pedaços
de sardinha em conserva em óleo vege tal
(MORINI et al., 2004). Há registros t anto em
áreas de Floresta Ombrófila Densa como em
plantios de Eucalyptus spp.
Observação comportamental em laboratório de operárias e imaturos
de Acanthostichus quadratus. Imagem cedida por Benoit J. B. Jahyny.
117
Cerapachys Smith, 1857
Cerapachys splendens Borgmeier, 1957
Cerapachyinae
O gênero Cerapachys é cosmopolita,
de ocorrência predominantemente
tropical, e forma pequenas populações.
Atualmente estão descritas 153 espécies,
sendo seis delas na Região Neotropical.
São formigas crípticas, especializadas em
predar outras formigas. Na região do Alto
Tietê, as operárias de Cerapachys splendens
foram registradas na serapilheira de Floresta
Ombrófila Densa e de cultivos de eucalipto
abandonado. Alguns espécimes foram
coletados em frutos maduros de Syagrus
romanzoffiana ( Arecaceae). Os frutos estavam
dispersos na serapilheira de áreas de Floresta
Ombrófila Densa secundária. Provavelmente
as operárias estavam predando outras
formigas que se encontravam nos frutos,
como Pheidole spp. (por exemplo Pheidole sospes,
que era abundante no local).
118
Cylindromyrmex Mayr, 1870
Cylindromyrmex brasiliensis Emery, 1901
Cerapachyinae
Dolichoderinae
pequenas e arborícolas. É exclusivo
da Região Neotropical, com 84 espécies e
28 subespécies. As operárias são territoriais;
onívoras, mas apresentam preferência por
substâncias açucaradas. Algumas espécies
são predadoras naturais de pragas agrícolas
(PENG e CHRISTIAN, 2010). O gênero
pode estar associado à arbóreas como
Cecropia spp. (Urticaceae), muito comum
em Floresta Atlântica secundária, ou à
espécies de Melastomataceae. Na região
do Alto Tietê, as operárias de Azteca sp.1
foram registradas em troncos vivos de Croton
floribundus (Euphorbiaceae) e Alchornea sidifolia
(Euphorbiaceae).
122
Azteca sp.2
Dolichoderinae
arborícolas e generalistas que ocorre
nas regiões tropicais e temperadas, exceto na
África. Possui 123 espécies e 23 subespécies.
A população dos ni nhos de Dolichoderus
attelaboides varia de 100 a 1.000 operárias de
tamanho grande (> 3 mm), com tegumento
fortemente esclerosado e geralmente com
espinhos. As operárias coletam exsudatos no
estrato a rbóreo ou na vegetação de pequeno
porte (SILVESTRE et al., 2003). Na região
do Alto Tietê, as operárias de Dolichoderus
attelaboides e D
olichoderus sp.1 foram registradas
no tronco (1,5 m acima da superfície do
solo) de arbóreas características de Floresta
Ombrófila Densa, como Schizolobium parahyba
(Vell.) Blake; Piptadenia gonoacantha (Mart.)
Macbr; Syagrus romanzoffiana (Cham.) Glassm.;
Tibouchina mutabilis Cogn; T ibouchina granulosa
Cogn; Croton floribundus Spreng e Alchornea
sidifolia Müll Arg.
Dolichoderus sp.1
125
Dorymyrmex Mayr, 1866
Dorymyrmex brunneus Forel, 1908
Dolichoderinae
generalista, encontrado exclusivamente
nas Américas. Ecologicamente importante;
possui mais de 90 espécies e várias ainda não
descritas. Algumas espécies possuem um alto
grau de endemismo, preferência por hábitats
especializados e estrutura de população
variada. Além disso, podem servir como
potenciais agentes de controle biológico de
culturas anuais (CUEZZO e GUERREIRO,
2012). Na região do Alto Tietê, as operárias
de Dorymyrmex brunneus foram registradas na
serapilheira de áreas de Floresta Ombrófila
Densa secundária, porém, com maior
frequência em áreas localizadas nas cidades;
inclusive no centro de Mogi das Cruzes,
que é pouco arborizado. As coletas foram
realizadas com mini extratores de Winkler,
iscas (atrativo: sardinha amassada com o óleo
da conserva) e “pitfall”.
126
Linepithema Mayr, 1866
Linepithema iniquum (Mayr, 1870)
ralistas da Região N
eotropical, com 20
espécies e uma subespécie. L inepithema iniquum
é uma espécie primariamente arbo rícola,
que ocorre em diferentes altitudes na região
Sudeste do Brasil (WILD, 2007). Na região
do Alto Tietê, as operárias foram registradas
forrageando em herbáceas e arbóreas como
Schizolobium parahyba (Euphorbiaceae); Piptadenia
gonoacantha ( Fabaceae); Syagrus romanzoffiana
(Arecaceae); Eugenia sp. (Myrtaceae); Tibouchina
mutabilis (Melastomataceae); Tibouchina
granulosa (Melastomataceae) e Croton floribundus
(Euphorbiaceae). Linepithema iniquum foi tam-
bém registrada em galhos dispersos na sera
pilheira e no solo; com uma baixa ocorrência
em armadilhas subterrâneas. Nos galhos a
colônia é pequena, no máximo 128 indivíduos
e 28 imaturos. Os galhos ocupados medem
em média 19,12 (±4,77) mm de diâmetro. A
espécie também compartilha o mesmo galho
disperso na serapilheira com Pheidole pr. senilis
(FERNANDES, 2014).
127
Dolichoderinae
arborícola típica do Domínio Atlântico.
Possui hábitos generalistas e as operárias
foram observadas forrageando em troncos e
sob as cascas de arbóreas, além de samambaias
e bromélias (veja WILD, 2007). Na região do
Alto Tietê, as operárias foram registradas
forrageando em áreas de vegetação rasteira,
circundada pela malha urbana. A coleta foi
realizada usando pinças e armadilhas de
queda (“pitfall”); na borda de cada “pitfall”
foi passada uma fina camada de óleo vegetal
usado para conservar sardinhas em lata.
128
Dolichoderinae
registrada desde o nível do mar até
altitudes que atingem 2.000 m; aparentemente
é generalista (WILD, 2007) e sobrevive
inclusive em sistemas agrícolas sob manejo
convencional. Neste caso, a espécie foi
encontrada em plantações de uva no Estado de
São P aulo (MUNHAE et al., 2014). Na região
do Alto Tietê, as operárias foram registradas
forrageando em diferentes hábitats, desde
áreas de Floresta Ombrófila Densa em
estágio avançado de regeneração até praças
localizadas no centro da malha urbana. As
coletas foram realizadas com mini extratores
de Winkler, iscas (atrativo: sardinha amassada
com o óleo da conserva) e “pitfall”. Colônias
também foram encontradas em galhos
(24,23 ± 13,01 mm de diâmetro) dispersos
na serapilheira, contendo no máximo 165
operárias e 1.317 imaturos.
Ecitoninae
A subfamília Ecitoninae é composta por cinco gêneros, 156 espécies e 23
subespécies. É exclusiva da Região Neotropical. Suas espécies são predadoras
e conhecidas como formigas legionárias ou formigas de correição (DELABIE
et al., 2000). O ciclo de vida inclui fases estacionárias alternadas com fases
migratórias, cuja duração está relacionada com a espécie. Os ninhos não
são complexos e nem permanentes, mas o comportamento de nidificação
é especializado. Normalmente a colônia permanece por pouco tempo em
uma determinada área. Durante a fase estacionária, a rainha oviposita e
ocorre todo o desenvolvimento dos imaturos até a emergência dos adultos.
Em seguida, começa a fase migratória. Algumas espécies de Ecitoninae são
importantes na estruturação das comunidades de invertebrados (BRADY,
2003).
133
Eciton Latreille, 1804
Eciton burchelli Westwood, 1842
Ecitoninae
com dados precisos sobre a duração das fases
estacionária e nômade, além da alimentação e
comportamento de predação. Suas operárias
são muito vorazes, predando inclusive
vertebrados de pequeno e médio porte
(PALACIO, 2003). Eciton burchelli é a espécie
mais amplamente estudada; com ocorrência
desde o México até o Norte da A rgentina. As
operárias são polimórficas; possuem entre 3 a
12 mm. As mandíbulas dos soldados são bem
desenvolvidas. Na região do Alto Tietê, a
espécie é facilmente registrada na serapilheira
de áreas de Mata Atlântica, floresta de euca
lipto e de parques urbanos. As coletas foram
realizadas com mini extratores de Winkler,
iscas (atrativo: sardinha amassada com o óleo
da conserva) e “pitfall”.
134
Ecitoninae
altitude. Labidus coecus é criptobiótico e possui
a dieta mais variada entre as E citoninae.
Pacheco e Vasconcelos (2012) registraram
a espécie 20 cm abaixo da superfície do
solo, em Floresta Semidecídua, cerrado sensu
stricto e em áreas de cultivo. Na região do
Alto Tietê, suas colunas foram observadas
na serapilheira de Floresta Atlântica e
de e ucalipto. Operárias também foram
registradas em arbóreas (Schizolobium parahyba,
Piptadenia gonoacantha, Syagrus romanzoffiana,
Croton floribundus e A
lchornea sidifolia); em áreas
domiciliares abaixo da serapilheira do solo;
e em parques urbanos. Operárias e soldados
foram coletados forrageando nos frutos de
Syagrus romanzoffiana caídos na serapilheira. As
coletas foram realizadas com mini extratores
de Winkler, iscas (atrativo: sardinha amassada
com o óleo da conserva), “pitfall”, armadilhas
subterrâneas e pinça.
Labidus coecus (operária)
137
Ecitoninae
operárias foram registradas na serapilheira
com o uso de mini extratores de Winkler;
a maior parte foi coletada na superfície de
frutos maduros de Syagrus romanzoffiana caídos
na serapilheira.
138
Ectatomminae
ou néctar de plantas. Algumas espécies de
Ectatomma têm sua dieta composta por alados e
operárias de formigas (PAIVA e BRANDÃO,
1989; LACHAUD et al., 1996). Ectatomma
brunneum é caracterizada como predadora
generalista (DELABIE et al., 2000), mas há
relatos que também se alimenta em nectário
extrafloral (DEL-CLARO et al., 1992). É
amplamente distribuída na América Latina e
em todas as regiões do Brasil; habita desde
áreas de mata conservadas até pastagens. Na
região do Alto Tietê, esta espécie foi coletada
em áreas urbanas. As coletas foram realizadas
com iscas de sardinha em conserva.
146
Ectatomminae
(HORA et al., 2007). Possui colônias
monogínicas ou poligínicas; neste caso,
a poliginia é facultativa. É dominante no
mosaico de formigas arborícolas da Região
Neotropical, mas também são encontradas
na serapilheira de áreas de mata. Na região
do Alto Tietê, a espécie foi registrada em
áreas urbanizadas. A coleta foi feita com
“pitfall”.
148
Gnamptogenys Roger, 1863
Gnamptogenys continua (Mayr, 1887)
Ectatomminae
Alto Tietê, apenas Typhlomyrmex major foi
registrada. A coleta foi feita na serapilheira,
de áreas de Mata Atlântica, submetida a mini
extratores de Winkler.
Formicinae
A subfamília Formicinae é composta por 11 tribos, 51 gêneros, 3.037 espécies e
859 subespécies. Suas espécies são amplamente distribuídas, especialmente
na Região Neotropical. Podem ser arborícolas, epigeicas, hipogeicas ou
subterrâneas. Muitas espécies apresentam associação com plantas e
homópteros.
157
Brachymyrmex Mayr, 1868
Brachymyrmex admotus Mayr, 1887
Formicinae
heeri Forel, 1874, Brachymyrmex micromegas Emery,
1923 e Brachymyrmex feitosai Ortiz e Fernández,
2013 foram registradas no tronco (1,5 m acima
da superfície do solo) de arbóreas características
de Floresta Ombrófila Densa, como Schizolobium
parahyba (Vell.) Blake; Piptadenia gonoacantha (Mart.)
Macbr; Syagrus romanzoffiana (Cham.) Glassm.;
Tibouchina mutabilis Cogn; Tibouchina granulosa Cogn;
Croton floribundus Spreng e Alchornea sidifolia Müll
Arg. Também foram registradas na serapilheira
e em áreas urbanas. Ninhos de Brachymyrmex
admotus foram encontrados em galhos dispersos
na serapilheira. As coletas foram reali zadas
com mini extratores de Winkler, iscas (atrativo:
sardinha amassada com o óleo da conserva),
“pitfall”, coleta manual e armadilha subterrânea.
Brachymyrmex cordemoyi
Brachymyrmex feitosai
160
Representação esquemática da técnica de coleta de formigas abaixo da superfície do solo (A) e Brachymyrmex
heeri dentro da armadilha (B). Fonte da figura A: Figueiredo et al. (2013).
Brachymyrmex micromegas
162
Camponotus Mayr, 1861
Camponotus sp.2
Formicinae
armadilhas de queda.
172
Formicinae
174
áreas p
erturbadas (veja revisão em DEYRUP
e BELMONT, 2013). Na região do Alto
Tietê, a espécie foi amplamente
registrada
em herbáceas, arbóreas, na serapilheira e nas
áreas urbanizadas. A coleta foi efetuada com
mini extratores de Winkler, iscas, pinças e
com “pitfall”.
175
Formicinae
do ninho central. Na região do Alto Tietê,
Camponotus rufipes foi amplamente registrada
em herbáceas, arbóreas, na serapilheira e nas
áreas urbanizadas. A coleta foi efetuada com
mini extratores de Winkler, iscas, pinças e
com “pitfall”.
Operárias maiores de Camponotus rufipes
Operárias de Camponotus rufipes coletando “honeydew” em associação com cochonilhas,
pulgões (foto inferior) e em membracídeos (foto superior). Imagens cedidas por Eliza Carneiro.
Ninho de palha de Camponotus rufipesem uma área de
parque urbano. Imagem cedida por Sara L. S. F. da Matta.
179
Formicinae
de afídeos, ou caçam a presa. São altamente
territoriais e podem ser usadas no controle
natural de pragas. Na região do Alto Tietê,
a espécie foi registrada apenas nas áreas
urbanizadas. A coleta foi efetuada com pinças
e “pitfall”.
180
B C
Ninho de Camponotus senex localizado na vegetação (A-C); associado à Rubiaceae (B) e arquitetura externa do ninho(C).
Imagens cedidas por Manuela O. R. Sanchez e Odair C. Bueno.
181
A B
C D
Ninho de Camponotus senex, detalhe da estrutura interna do ninho (A); operárias e larvas em detalhe (B-C) e fios de seda
liberados pelas larvas (D). Imagens cedidas por Manuela O. R. Sanchez e Odair C. Bueno.
182
C amponotus sericeiventris é
arborícola de
hábito oportunista. Sua dieta inclui
substâncias açucaradas de nectário floral
e extrafloral, exsudato de hemípteros e de
lepidópteros; além de artrópodes mortos,
presas vivas, sementes e frutos que se
encontram nas cercanias do ninho. O
forrageamento é solitário (YAMAMOTO e
DEL-CLARO, 2008). Podem ser benéficas
para as plantas em que residem, pois as
Formicinae
A B
C D
Macho alado de Myrmelachista arthuri em perfil (A) e vista dorsal (B). Revoada de M. arthuri em um galho (C) e operárias
atacando um soldado de Atta sexdens (D). Imagem (C) cedida por Márcia A. Nakano e imagem (D) por Márcia T. Iwasaki.
Myrmelachista catharinae (operária)
Myrmelachista catharinae (fêmea alada)
190
A B
C D
Macho alado de Myrmelachista catharinae em perfil (A) e vista dorsal (B). Ninhos localizados em galhos com presença de
machos (C-setas), operárias e larvas (D-setas). Imagens (C e D) cedidas por Márcia A. Nakano.
Myrmelachista gallicola Mayr, 1887 (operária)
Myrmelachista gallicola Mayr, 1887 (rainha)
Myrmelachista nodigera Mayr, 1887 (operária)
194
A B
C D
Fêmea alada de Myrmelachista nodigera em perfil (A) e vista dorsal (B). Ninhos localizados em galhos com a presença da
rainha (C-seta), operárias, larvas e ovos (D-setas). Imagens (C e D) cedidas por Márcia A. Nakano.
Myrmelachista reticulata Borgmeier, 1928 (operária)
Myrmelachista ruszkii (operária)
197
A B
C D
Fêmea alada de Myrmelachista ruszkii em perfil (A) e vista dorsal (B). Ninhos localizados em galhos com a presença de rainha
e fême alada (C-setas), operárias, larvas e ovos (D-setas). Imagens (C e D) cedidas por Márcia A. Nakano.
Myrmelachista sp.4 (operária)
Myrmelachista sp.4 (rainha)
Myrmelachista sp.7 (operária)
Myrmelachista sp.7 (fêmea alada)
202
Nylanderia Emery, 1906
Nylanderia sp.1
Formicinae
casas e hospitais, onde é vetor mecânico de
microrganismos patogênicos (ZARZUELA
et al., 2005). Habitam geralmente o solo,
em ambientes nativos ou antropizados. Esta
espécie foi registrada na área urbana da região
do Alto Tietê. A coleta foi feita com iscas de
sardinha em conserva em óleo comestível, e
“pitfall”.
Heteroponerinae
A subfamília Heteroponerinae é composta por uma tribo, três gêneros e
24 espécies. Dois gêneros ocorrem na Região Neotropical, Heteroponera
e Acanthoponera. São formigas predominantemente predadoras, com
importante papel no controle de artrópodes potencialmente prejudiciais a
algumas espécies de plantas, mas que ocasionalmente alimentam-se de
exsudatos vegetais (FEITOSA, 2011). Seus ninhos são encontrados no solo, na
vegetação ou em madeira em decomposição na serapilheira de florestas,
onde são relativamente comuns.
207
Acanthoponera Mayr, 1862
Acanthoponera mucronata (Roger, 1860)
Heteroponerinae
florestas úmidas, embora haja registros de
populações em bosques secos e em áreas
urbanas (veja revisão em FEITOSA, 2011).
No Alto Tietê foi registrada Acanthoponera
mucronata; suas operárias foram coletadas em
áreas de Floresta Ombrófila Densa em estágio
avançado de regeneração, especificamente
na vegetação herbácea, arbustiva e arbórea.
Apesar dos hábitos noturnos do gênero, a
coleta de indivíduos no Alto Tietê foi feita
durante o dia, com auxílio de uma pinça.
208
Heteroponera Mayr, 1887
Heteroponera dentinodis (Mayr, 1887)
Heteroponerinae
área peridomiciliar; provavelmente devido à
presença de Floresta Ombrófila Densa nas
adjacências das áreas urbanas. Os exemplares
foram capturados com mini extratores de
Winkler e coleta manual.
210
Myrmicinae
decomposição no solo de florestas úmidas
(BROWN e KEMPF, 1969). Na região do
Alto Tietê, foram encontradas operárias
de Acanthognathus ocellatus forra geando na
serapi
lheira e na ve getação herbácea e
arbustiva; colônias também foram obser
vadas em galhos dispersos na serapi lheira.
Os exemplares foram capturados com mini
extratores de Winkler, coleta manual e com
iscas de sardinha em conserva.
214
Myrmicinae
na colônia. Acromyrmex diasi possui ninhos
superficiais e cobertos por grama; cortam
preferencialmente dicotiledôneas (FORTI
et al., 2006). A espécie é considerada rara e
vulnerável, o que dificulta o estudo de sua
biologia (CAMPIOLO e DELABIE, 2008).
Na região do Alto Tietê, foi registrada nas
áreas peridomiciliares e nas praças urbanas.
A captura foi feita com iscas de sardinha em
conserva e “pitfall”.
216
Myrmicinae
r omanzoffiana (Cham.) Glassm., na sera
pilheira, abaixo da superfície do solo de
áreas de Floresta Ombrófila Densa em fase
avançada de regeneração e também em
diversas localidades do ambiente urbano.
As técnicas de coleta usadas foram mini
extratores de Winkler, captura ma nual,
“pitfall” e armadilhas subterrâneas.
218
A
re
cromyrmex rugosus rochai é uma
subespécie de quenquém pouco
gistrada; dados sobre sua biologia
são escassos. As operárias transportam
fragmentos de dicotiledôneas para os
ninhos subterrâneos (FORTI et al., 2006).
Na região do Alto Tietê, foi encontrada
apenas em armadilhas subterrâneas, a 30
cm de profundidade (FIGUEIREDO et al.,
2013). Esta espécie foi registrada somente
entre 1989 e 1990, no Estado de São Paulo,
por Forti et al. (2006).
Myrmicinae
219
Apterostigma Mayr, 1865
Apterostigma gr. pilosum
Myrmicinae
morfoespécies e uma espécie do grupo pilosum.
Operárias foram coletadas na serapilheira,
em arbóreas como Tibouchina mutabilis Cogn.
e Tibouchina granulosa Cogn., e também em
áreas urbanizadas, peridomiciliares e praças.
As técnicas de coleta usadas foram mini
extratores de Winkler, captura manual e
“pitfall”.
Apterostigma sp.1
Apterostigma sp.2
222
Atta Fabricius, 1804
Atta laevigata Smith, 1858
Myrmicinae
os machos produzem um menor número
de espermatozoides do que a fêmea pode
armazenar; fato que pode justificar a
necessidade das fêmeas se rem fecundadas
por mais de um macho (MARINHO et al.,
2011). Atta sexdens foi registrada apenas em
áreas com intensa urbanização, localizados na
região do Alto Tietê.
224
A B
C D
Rainha de Atta sexdens no jardim de fungo (A); machos se preparando para revoada (B); operárias manipulando o fungo (C);
em detalhe, estáfilas do fungo cultivado (D). Imagens cedidas por Odair C. Bueno.
225
Myrmicinae
Basiceros disciger
Basiceros rugiferum
Basiceros stenognathum
Basiceros sp.1
Basiceros sp.1
233
Cardiocondyla Emery, 1869
Cardiocondyla wroughtonii Forel, 1890
Myrmicinae
uma espécie exótica, seus efeitos na fauna
nativa, agri
cultura e na saúde pública são
pouco observados. No Alto Tietê, a espécie
foi registrada nas praças e capturadas com
iscas de sardinha em conserva. Pacheco e
Vasconcelos (2007) também registraram
Cardiocondyla wroughtonii em praças na cidade
de Uberlândia (MG).
234
Carebara Westwood, 1840
Carebara sp.1
Myrmicinae
(veja revisão em DORNHAUS e POWELL,
2010). C ephalotes angustus é caracterizada
pela presença de fragmose acentuada nos
soldados. São es
cassos os conhecimentos
sobre sua bioecologia. Na região do Alto
Tietê, foi registrada em arbóreas e na
vegetação herbácea de p raças. Os exemplares
foram capturados usando iscas de sardinha e
coleta manual.
236
Myrmicinae
exploratórias de defesa e comunicação
são categorias comportamentais muito
frequentes nas operárias. Os exemplares
foram capturados usando “pitfall”, instalados
em áreas urbanizadas do município de Mogi
das Cruzes.
240
Crematogaster Lund, 1831
Crematogaster arata Emery, 1906
Myrmicinae
A coleta foi feita com mini extratores de
Winkler.
250
Cyphomyrmex Mayr, 1862
Cyphomyrmex auritus Mayr, 1887
Myrmicinae
254
Myrmicinae
256
Myrmicinae
na vegetação. Esta espécie foi registrada na
região do Alto Tietê em herbáceas, arbóreas
e na serapilheira. A coleta foi realizada com
mini extratores de Winkler e captura manual.
258
Myrmicinae
ninhos subterrâneos ou embaixo das rochas;
a população normalmente é pequena. Soares
e Schoereder (2001) registraram operárias em
galhos dispersos na serapilheira de Floresta
Atlântica Semidecídua; o que corrobora
os registros na região do Alto Tietê. O
forrageamento das operárias é epígeo com
recrutamento massivo (SILVESTRE et
al., 2003). A coleta foi realizada com mini
extratores de Winkler, em áreas de Floresta
Ombrófila Densa preservadas; e em galhos
dispersos na serapilheira de parques urbanos.
260
Myrmicinae
262
Myrmicinae
pisos e roda pés ( BUENO e CAMPOS-
FARINHA, 1999). É uma espécie muito
comum em ambientes urbanos (CAMPOS-
FARINHA et al., 2002). Na região do Alto
Tietê, Monomorium pharaonis foi registrada em
ambientes peridomiciliares e urbanizados. A
coleta foi manual e com iscas de sardinha.
268
Mycetarotes Borgmeier, 1950
Mycetarotes parallelus Emery, 1905
Myrmicinae
270
Mycetosoritis Wheeler, 1907
Mycetosoritis aspera Mayr, 1887
Myrmicinae
(jatobá), pois as operárias ao manipularem as
sementes ajudam no processo de germinação
desta importante espécie para a Mata
Atlântica (OLIVEIRA et al., 1995). Além
disso, os nutrientes acumulados nas câmaras
que formam o ninho são aproveitados pelas
plantas (veja revisão em BARROS et al., 2010).
O fungo é cultivado a partir de material em
decomposição (SILVESTRE et al., 2003). A
coleta foi feita com pinças e iscas de sardinha
em conserva.
272
Myrmicocrypta Smith, 1860
Myrmicocrypta sp.1
Myrmicinae
274
Oxyepoecus Santschi, 1926
Oxyepoecus myops Albuquerque & Brandão, 2009
Myrmicinae
ninho; o forrageamento é solitário. A dieta é
generalista, coletam sementes, fragmentos de
plantas e artrópodes, principalmente outras
formigas e cupins. Na estação seca coletam
mais sementes, e na estação chuvosa há
um equilíbrio entre sementes e artrópodes
(BECHIOR et al., 2012). Na região do Alto
Tietê, operárias foram registradas na serapi
lheira e ambiente urbano. A captura foi com
“pitfall” e mini extratores de Winkler.
330
Procryptocerus Emery, 1887
Procryptocerus hylaeus Kempf, 1951
Myrmicinae
lizada com mini extratores de Winkler.
344
S trumigenys cultrigera
possui mandíbulas
longas e de ação cinética. Há registros
de sua presença na serapilheira de florestas
úmidas do Brasil e até mesmo em áreas
urbanas (ULYSSÉA et al., 2011; LUTINSKI
et al., 2013), mas trabalhos sobre sua
bioecologia são inexistentes. Na região
do Alto Tietê, a espécie foi registrada na
serapilheira de Floresta Ombrófila Densa
em estágio avançado de regeneração e em
florestas de eucalipto abandonadas. A coleta
foi realizada com mini extratores de Winkler.
Myrmicinae
346
Myrmicinae
avançado de regeneração, em florestas de
eucalipto abandonadas e em praças urbanas.
A coleta foi realizada com mini extratores de
Winkler e iscas de sardinha em conserva.
348
Myrmicinae
350
Myrmicinae
352
Myrmicinae
354
Myrmicinae
356
Myrmicinae
se de “honeydew”, pequenas presas e insetos
mortos (MARTINEZ e WEIS, 2011); o
recrutamento é em grupo e os ninhos são
polidômicos (veja revisão em LANAN,
2014). Na região do Alto Tietê, Tetramorium
bicarinatum foi registrada em ambientes
peridomiciliares. As coletas foram realizadas
com iscas de sardinha em conserva e captura
manual.
358
Myrmicinae
espécie que forrageia predominantemente
durante a noite; não há formação de trilhas.
Os ninhos são construídos no solo, a uma
profundidade de 111 a 208 cm e as colônias
possuem cerca de 1.000 operárias. O substrato
para o cultivo do fungo é constituído por
fragmentos de vegetação seca (veja revisão
em ARAÚJO et al., 2002). No Alto Tietê,
operárias foram capturadas na serapilheira de
Mata Atlântica e em floresta de eucalipto.
Trachymyrmex sp.2
Trachymyrmex sp.4
Trachymyrmex sp.5
363
Wasmannia Forel, 1893
Wasmannia affinis Santschi, 1929
Myrmicinae
(Cham.) Glassm.; T ibouchina mutabilis Cogn;
T. granulosa Cogn; Croton floribundus Spreng e
Alchornea sidifolia Müll Arg. Também foram
registradas em herbáceas, na serapilheira e em
áreas urbanas. Ninhos de Wasmannia affinis
e Wasmannia auropunctata (não tem imagem
para essa espécie), foram registrados em ga
lhos caídos na serapilheira. As coletas foram
realizadas com mini extratores de Winkler,
iscas (sardinha em conserva), “pitfall” e
captura manual.
Wasmannia sp.1
Wasmannia sp.1
Wasmannia sp.2
Wasmannia sp.2
Ponerinae
A subfamília Ponerinae é composta por 42 gêneros e cerca de 2.000
espécies, amplamente distribuídas em diversos climas e hábitats no mundo.
São formigas predadoras por excelência, podendo ser generalistas ou
especialistas.
371
Anochetus Mayr, 1861
Anochetus altisquamis Mayr, 1887
Ponerinae
com mini extratores de Winkler, “pitfall” e
isca de sardinha em conserva.
372
Ponerinae
registradas 13 morfoespécies e uma espécie,
distribuídas de maneira ampla nos fragmentos
de Mata Atlântica, florestas de eucalipto (em
diferentes fases de cultivo e com presença de
sub-bosque), bem como em áreas urbanas.
Hypoponera foreli foi uma das poucas espécies
registradas apenas na serapilheira das áreas de
floresta do Alto Tietê.
Hypoponera sp.1 (operária)
Hypoponera sp.1 (rainha)
3.ps arenoposp.3
Hypoponera pyH
Hypoponera sp.4
5.ps arenoposp.5
Hypoponera pyH
Hypoponera sp.6
Hypoponera sp.7
Hypoponera sp.9
Hypoponera sp.10
Hypoponera sp.11
Hypoponera sp.12
Hypoponera sp.14
Hypoponera sp.16
Hypoponera sp.18
388
Leptogenys Roger, 1861
Leptogenys crudelis (F. Smith, 1858)
Ponerinae
Tietê, a espécie foi registrada em áreas de
mata, eucalipto e urbanas. As coletas foram
feitas com mini extratores de Winkler, iscas
de sardinha em conserva, “pitfall” e captura
manual.
392
A B
C D
Ninhos de Odontomachus affinis (A-D). Entrada do ninho de O. affinis na base do tronco de uma arbórea (D). Imagens
(A-C) cedida por Magno A. Lopes e (D) cedida por Marcos F. dos Santos.
393
Ponerinae
Cabralea canjerana (Meliaceae) coletado pelas
operárias é usado na alimentação das larvas
(BOTTCHER e OLIVEIRA, 2014). Na
região do Alto Tietê, a espécie foi registrada
forrageando solitariamente em arbóreas,
frutos de Syagrus romanzoffiana dispersos na
serapilheira, em praças e áreas urbanizadas. As
coletas foram feitas com mini extratores de
Winkler, captura manual e “pitfall”.
394
Ponerinae
Densa em estágio avançado de regeneração.
A coleta foi efetuada com mini extratores de
Winkler.
398
Ponerinae
400
Ponerinae
402
Ponerinae
1995). Na região do Alto Tietê, operárias
foram coletadas forrageando na serapilheira
de Floresta Ombrófila Densa e de eucalipto.
A captura foi feita com mini extratores de
Winkler.
404
Proceratiinae
408
Pseudomyrmecinae
412
manual.
413
Pseudomyrmecinae
414
Pseudomyrmecinae
Pseudomyrmex sp.3
Pseudomyrmex sp.3
Agradecimentos
Agradecemos:
Ao Laboratório do Dr. Luiz Carlos Forti, especialmente à Dra. Ana Paula P. de Andrade
Crusciol (Universidade Estadual Paulista-SP), pela identificação de Acromyrmex rugosus rochai;
Ao Dr. Antonio J. Mayhé Nunes (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro-RJ), pela
identificação de Trachymyrmex fuscus e
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maio 2014.
437
LISTA TAXONÔMICA
441
“...essa interação de formigas carnívoras com frutos ricos em proteínas e gordura é muito comum no cerrado e
na Mata Atlântica.
...acontece que uma grande quantidade de frutos chega ao chão da floresta, e uma quantidade muito grande de
espécies de formigas se interage com estes frutos.
...ao levar a semente para a vizinhança do formigueiro, as formigas aumentam a chance de germinação e de
crescimento da planta jovem, visto que o solo próximo ao ninho é ‘uma ilha de nutrientes’.
...Com o progressivo desaparecimento dos animais que fazem a dispersão primária das sementes, o papel das
formigas na ecologia das árvores tende a ganhar mais importância. Se os frutos deixam de ser coletados na
copa e carregados para longe, mais deles cairão no chão junto à árvore e ficarão disponíveis para as formigas.
Com os bichos maiores ficando cada vez mais raros, a quantidade de fruto que é removida da copa para algum
lugar por aves ou mamíferos vai ficando progressivamente menor. Assim, a proporção do que chega ao chão vai
ficando progressivamente maior.
...Esse novo protagonismo das formigas trará consequências. Acho que o impacto disso afeta muito mais a
gente do que imaginamos.
...Sumindo a bicharada grande, as sementes não vão poder mais ser levadas para longe. Então, a capacidade
de regeneração das florestas começa a ser reduzida, porque os frutos vão ter uma distância de dispersão muito
menor...”
(trechos da entrevista concedida pelo ecólogo, Dr. Paulo S. Oliveira, ao Jornal da UNICAMP; Título
da matéria: ‘Formigas ganham importância com a extinção maciça de espécies’, set. de 2014)
Lista geral das espécies e hábitat de registro.
Hábitat de registro
Lista Taxonômica Herbácea Arbustiva Arbóreas
Galhos
dispersos na
Associada a
frutos de S. Serapilheira Subterrânea Peridomicílio Praça
Áreas Parques
Página onde
a espécie se
urbanizadas urbanos
serapilheira romanzoffiana encontra
Hábitat de registro
Lista Taxonômica Herbácea Arbustiva Arbóreas
Galhos
dispersos na
Associada a
frutos de S. Serapilheira Subterrânea Peridomicílio Praça
Áreas Parques
Página onde
a espécie se
urbanizadas urbanos
serapilheira romanzoffiana encontra
Hábitat de registro
Lista Taxonômica Herbácea Arbustiva Arbóreas
Galhos
dispersos na
Associada a
frutos de S. Serapilheira Subterrânea Peridomicílio Praça
Áreas Parques
Página onde
a espécie se
urbanizadas urbanos
serapilheira romanzoffiana encontra
Hábitat de registro
Lista Taxonômica Herbácea Arbustiva Arbóreas
Galhos
dispersos na
Associada a
frutos de S. Serapilheira Subterrânea Peridomicílio Praça
Áreas Parques
Página onde
a espécie se
urbanizadas urbanos
serapilheira romanzoffiana encontra
Hábitat de registro
Lista Taxonômica Herbácea Arbustiva Arbóreas
Galhos
dispersos na
Associada a
frutos de S. Serapilheira Subterrânea Peridomicílio Praça
Áreas Parques
Página onde
a espécie se
urbanizadas urbanos
serapilheira romanzoffiana encontra
Hábitat de registro
Lista Taxonômica Herbácea Arbustiva Arbóreas
Galhos
dispersos na
Associada a
frutos de S. Serapilheira Subterrânea Peridomicílio Praça
Áreas Parques
Página onde
a espécie se
urbanizadas urbanos
serapilheira romanzoffiana encontra
Hábitat de registro
Lista Taxonômica Herbácea Arbustiva Arbóreas
Galhos
dispersos na
Associada a
frutos de S. Serapilheira Subterrânea Peridomicílio Praça
Áreas Parques
Página onde
a espécie se
urbanizadas urbanos
serapilheira romanzoffiana encontra
Hábitat de registro
Lista Taxonômica Herbácea Arbustiva Arbóreas
Galhos
dispersos na
Associada a
frutos de S. Serapilheira Subterrânea Peridomicílio Praça
Áreas Parques
Página onde
a espécie se
urbanizadas urbanos
serapilheira romanzoffiana encontra
FORMATO 24 x 20 cm
ISBN 978-85-7917-307-3
9 788579 173073