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Drenagem Urbana: Sistemas e Impactos

O documento discute o sistema de drenagem urbana, dividido em sistemas de micro e macro-drenagem. O sistema de micro-drenagem inclui sarjetas, bocas de lobo e galerias para escoar águas de chuva. O sistema de macro-drenagem inclui canais maiores para escoar as águas da micro-drenagem e prevenir inundações. A urbanização aumenta o escoamento superficial e riscos de enchentes se não houver um bom sistema de drenagem.
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Drenagem Urbana: Sistemas e Impactos

O documento discute o sistema de drenagem urbana, dividido em sistemas de micro e macro-drenagem. O sistema de micro-drenagem inclui sarjetas, bocas de lobo e galerias para escoar águas de chuva. O sistema de macro-drenagem inclui canais maiores para escoar as águas da micro-drenagem e prevenir inundações. A urbanização aumenta o escoamento superficial e riscos de enchentes se não houver um bom sistema de drenagem.
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1.

Drenagem Urbana

O sistema de drenagem faz parte do conjunto de melhoramentos pblicos existentes em uma rea urbana, assim como as redes de gua, de esgotos sanitrios, de cabos eltricos e telefnicos, alm da iluminao pblica, pavimentao de ruas, guias e passeios, parques, reas de lazer, e outros. Em relao aos outros melhoramentos urbanos, o sistema de drenagem tem uma particularidade: o escoamento das guas das tormentas sempre ocorrer independente de existir ou no sistema de drenagem adequado. A qualidade desse sistema que determinar se os benefcios ou prejuzos populao sero maiores ou menores. Outra caracterstica, de certo modo nica, do sistema de drenagem a sua solicitao no permanente, isto durante e aps a ocorrncia de tormentas, contrastando com outros melhoramentos pblicos que so essencialmente de uso contnuo. O sistema tradicional de drenagem urbana deve ser considerado como composto por dois sistemas distintos que devem ser planejados e projetados sob critrios diferenciados: o Sistema Inicial de Drenagem e o Sistema de Macro-drenagem. 1.1 Sistema Inicial de Drenagem ou de Micro-drenagem aquele composto pelos pavimentos das ruas, guias e sarjetas, bocas de lobo, rede de galerias de guas pluviais e, tambm, canais de pequenas dimenses. Esse sistema dimensionado para o escoamento de vazes de 2 a 10 anos de perodo de retorno. Quando bem projetado, e com manuteno adequada, praticamente elimina as inconvenincias ou as interrupes das atividades urbanas que advm das inundaes e das interferncias de enxurradas. So estruturas que conduzem as guas do escoamento superficial para as galerias ou canais urbano. Os elementos principais da microdrenagem so:

Meio-fio: So constituidos de blocos de concreto ou de pedra, situados entre a via pblica e o passeio, com sua face superior nivelada com o passeio, formando uma faixa paralela ao eixo da via pblica. Sarjetas: So as faixas formadas pelo limite da via pblica com os meio-fios, formando uma calha que coleta as guas pluviais oriundas da rua. Bocas-de-lobo: So dispositivos de captao das guas das sarjetas. Poos de visita: So dispositivos colocados em pontos convenientes do sistema, para permitir sua manuteno. Galerias: So as canalizaes pblicas destinadas a escoar as guas pluviais oriundas das ligaes privadas e das bocas-de-lobo. Condutos forados e estaes de bombeamento: Quando no h condies de escoamento por gravidade para a retirada da gua de um canal de drenagem para outro, recorre-se aos condutos forados e s estaes de bombeamento. Sarjetes: So formados pela prpria pavimentao nos cruzamentos das vias pblicas, formando calhas que servem para orientar o fluxo das guas que escoam pelas sarjetas.

1.2 Sistema de Macro-drenagem constitudo, em geral, por canais (abertos ou de contorno fechado) de maiores dimenses, projetados para vazes de 25 a 100 anos de perodo de retorno. Do seu funcionamento adequado depende a preveno ou minimizao dos danos s propriedades, dos danos sade e perdas de vida das populaes atingidas, seja em consequncia direta das guas, seja por doenas de veiculao hdrica. Esses sistemas encaixam-se no contexto do controle do escoamento superficial direto, tendo tradicionalmente como base o enfoque orientado para o aumento da condutividade hidrulica do sistema de drenagem.

As tendncias modernas desse controle, que j vm amplamente aplicadas ou preconizadas internacionalmente, passam a dar nfase ao enfoque orientado para o armazenamento das guas por estruturas de deteno ou reteno. Esse enfoque mais indicado a reas urbanas ainda em desenvolvimento, podendo ser utilizado tambm em reas de urbanizao mais consolidadas desde que existam locais (superficiais ou subterrneas) adequados para a implantao dos citados armazenamentos. Este conceito no dispensa, contudo, a suplementao por sistemas de micro e macro-drenagem. So dispositivos responsveis pelo escoamento final das guas pluviais provenientes do sistema de microdrenagem urbana. Os elementos principais da macrodrenagem so: Talvegues: Destina-se a permitir a passagem, de um lado para o outro da rodovia, das guas que escoam por talvegues definidos no terreno natural. As obras ou dispositivos de drenagem de transposio de talvegues so bueiros, pontilhes e pontes. Fundos de vales: O fundo de um vale o lugar mais baixo de um relevo acidentado. uma espcie de calha, para onde fluem as guas, quer aquelas decorrentes de precipitao pluviomtrica, como aquelas provenientes de calhas secundrias. Cursos dgua: Sistema de vales por onde fluem e escoam guas superficiais na forma de crregos, riachos, rios, incluindo lagos e lagoas dispostas neste fluxo, e que so drenadas para partes mais baixas.

2.1.2. Objetivos Dentro do contexto de desenvolvimento global de uma regio, os programas de drenagem urbana devem ser orientados, de maneira geral, pelos seguintes objetivos principais: Reduzir a exposio da populao e das propriedades ao risco de inundaes;

Reduzir sistematicamente o nvel de danos causados pelas inundaes; Preservar as vrzeas no urbanizadas numa condio que minimize as interferncias com o escoamento das vazes de cheias, com a sua capacidade de armazenamento, com os ecossistemas aquticos e terrestres de especial importncia e com a interface entre as guas superficiais e subterrneas; Assegurar que as medidas corretivas sejam compatveis com as metas e objetivos globais da regio; Minimizar os problemas de eroso e sedimentao; Proteger a qualidade ambiental e o bem-estar social; Promover a utilizao das vrzeas para atividades de lazer e contemplao 2. Consequncias da urbanizao na drenagem urbana Ao contrrio de uma bacia tipicamente rural onde a rede hidrogrfica fica sempre mostra e bem definida pela topografia do terreno, as bacias urbanas, na maioria das vezes, apresentam os seus limites imperceptveis, as ruas tomam o lugar dos afluentes (a gua s aparece quando chove, ou confinada nas tubulaes subterrneas de drenagem) e um simples valo ou canal de concreto pode ser o "rio principal". Quando a cidade conta com rede de esgotos sanitrios, o limite fsico da bacia pode ser aquele formado pelas cabeceiras das linhas e o ponto onde essas se renem numa estao elevatria ou so despejadas num crrego natural, a cu aberto. A urbanizao produz grande impermeabilizao do solo, reduzindo a evapotranspirao, o escoamento subterrneo e o tempo de concentrao da bacia. Com isso, poucos minutos aps uma chuva forte, aparecem os primeiros sinais de alagamento, que pode interromper o trnsito, inundar casas e causar muitos outros prejuzos materiais.

Dentre os principais impactos das inundaes sobre a populao esto: os prejuzos de perdas materiais e humanos, a interrupo da atividade econmica das reas inundadas, a contaminao por doenas de veiculao hdrica como leptospirose, clera, entre outros e a contaminao da gua pela inundao de depsito de materiais txicos, estaes de tratamento, entre outros. As enxurradas tambm "lavam" as superfcies das ruas, conduzindo os poluentes (bactrias, metais pesados, leos e graxas, etc.) para os cursos dgua, afetando assim a flora e a fauna. As ruas respondem por cerca de 40 a 50% da cobertura impermevel nas reas residenciais. J os telhados, dependem do tipo de habitao construda no local. Em ambos os casos, esses dois tipos de superfcies impermeveis (alm dos estacionamentos), so os que mais contribuem para as enchentes urbanas. Com elas, surgem doenas, riscos de choques eltricos e o ataque de animais peonhentos. Segundo a Agncia Nacional de guas - ANA, estudos relativamente recentes feitos no exterior, apresentam um novo conceito em projetos de drenagem urbana. Este modelo adota pisos permeveis, canais abertos com margens arborizadas, reservatrios de reteno e outras tcnicas, que veremos seguir. Os fundamentos da drenagem urbana moderna esto basicamente em no transferir os impactos jusante, evitando a ampliao das cheias naturais, recuperar os corpos hdricos, buscando o reequilibro dos ciclos naturais (hidrolgicos, biolgicos e ecolgicos) e considerar a bacia hidrogrfica como unidade espacial de ao. As medidas de controle de inundaes podem ser classificadas em estruturais, quando o homem modifica o rio: obras hidrulicas, como barragens, diques e canalizao; e em no estruturais, quando o homem convive com o rio: zoneamento de reas de inundao, sistema de alerta ligado defesa civil e seguros. No Brasil, no existe nenhum programa sistemtico de controle de

enchentes que envolva seus diferentes aspectos. O que se observam so aes isoladas por parte de algumas cidades. 2.1 As principais solues para os problemas apresentados so: Captao dos telhados A gua da chuva, captada dos telhados, com os devidos cuidados higinicos, pode servir ao consumo humano ou, pelo menos, para lavagem de roupa, do carro e de caladas, despejo na privada e outros usos. Bacias de infiltrao A bacia de infiltrao uma depresso no terreno com as finalidades de reduzir o volume das enxurradas, remover alguns poluentes e promover a recarga da gua subterrnea. Pode ser construda s margens das rodovias e estradas vicinais. Ao longo das rodovias de pista dupla, podem ser construdos valos de drenagem gramados, que funcionam tambm como uma bacia de infiltrao. Alm de integrar-se paisagem, so muito eficientes na reteno e infiltrao das enxurradas que drenam das pistas de rolamento. Bacias de deteno A bacia de deteno um tanque com espelho dgua permanente, construdo com os objetivos de reduzir o volume das enxurradas, sedimentar cerca de 80% dos slidos em suspenso e o controle biolgico dos nutrientes. Servem a uma nica propriedade ou podem ser incorporados ao plano regional de controle das enchentes urbanas. H a necessidade de remoo peridica do lodo e de proteo contra a eventual queda de animais e pessoas. Existe tambm a bacia de deteno seca, projetada para

armazenar temporariamente o volume das enxurradas e liber-lo lentamente, a fim de reduzir a descarga de pico jusante. Como a outra bacia (permanente), dispe de estruturas hidrulicas de esgotamento.

Bacias de reteno A bacia de reteno tem os mesmos objetivos da bacia de deteno, com a diferena que libera o volume das enxurradas mais lentamente. Na Engenharia Sanitria os termos deteno e reteno costumam ser sinnimos, porm aqui, h uma sutil diferena nos dispositivos hidrulicos das estruturas (das bacias, tanto de deteno como de reteno) jusante, que liberam a gua represada de volta para a bacia urbana. reas Livres As reas possibilitam a reduo da largura das ruas, tamanhos menores dos lotes e a eliminao de caladas, meio-fio e sarjetas. Tambm reduzem o transporte de nutrientes pelas enxurradas em 45 a 60% e as reas impermeveis, em cerca de 35 a 50%. Arborizao urbana

So vrios os benefcios da arborizao urbana: retm parte das chuvas (interceptao), diminui o escorrimento superficial, alimenta o lenol fretico, d sombra, reduz a temperatura do pavimento e das guas das enxurradas, atenua o rudo, filtra o ar, d frutos (s vezes comestveis) e embeleza a rua onde est localizada. Deve-se cuidar ainda, na seleo da espcie, para aquelas que no sujem muito a rua, como as amendoeiras, e nem aquelas que, quando adultas, o tronco engrossa muito ou as razes arrebentam o pavimento das caladas.

Rio com mata ripria

Chama-se de mata ripria aquela que, partindo da margem dos rios, estendese at a vertente ou encosta mais prxima. Nas bacias urbanas, so faixas com mata de 15 a 30 m de largura, em ambas as margens, conservadas intocadas para proteger e melhorar as condies ecolgicas dos rios. Podem ser criadas trs zonas de proteo, a partir do eixo do rio: marginal, mdia e

exterior. O propsito de cada zona diferente e, portanto, devem ser formadas por vegetao e largura diferentes. No Brasil, comum ver-se construes (em geral palafitas) construdas bem na beira do rio ou crrego, dificultando o escoamento e sendo inundadas nas cheias.

Pisos permeveis As rodovias e estacionamentos perfazem at 70% das reas impermeveis nas cidades. Uma soluo vivel para esse problema so os pisos em terra (areia grossa lavada), cascalho, grama, perfil com materiais drenantes (com geotxteis, inclusive, para evitar a colmatao) ou com blocos permeveis de cermica ou concreto, com furos para a penetrao da gua. 3. Planejamento em drenagem urbana O planejamento, no seu sentido mais amplo, a atividade que tem por objetivo resolver os problemas de uma comunidade atravs de consideraes ordenadas, que envolvem desde a concepo inicial at um programa de obras, considerando um espao determinado e fixando um determinado perodo para o seu desenvolvimento completo. O planejamento da drenagem urbana deve ser feito de forma integrada, considerando os outros melhoramentos urbanos e os planos regionais, quando estes existirem. Aps estarem determinadas as interdependncias entre o sistema de drenagem e outros sistemas urbanos e regionais, o primeiro pode ser alvo de um planejamento especfico. Tal planejamento deve ser feito sob critrios bem estabelecidos, oriundos de uma poltica de administrao pblica apoiada em regulamentos adequados. Essa poltica e esses regulamentos devem sempre atender s peculiaridades locais, fsicas, econmicas, sociais e institucionais. O planejamento deve conduzir sempre ao projeto de um sistema de drenagem exequvel, tcnica e economicamente eficiente, maximizando os benefcios e minimizando os custos, coerente com outros planos setoriais e atendendo aos anseios da coletividade.

A principal vantagem do planejamento, aplicado ao sistema de drenagem urbana, refere-se obteno simultnea de menores custos e melhores resultados. Planos bem elaborados possibilitam: Estudar a bacia de drenagem como um todo e, consequentemente, chegar a solues de grande alcance no espao e no tempo, evitando medidas de carter restrito que no raro apenas deslocam e mesmo agravam as inundaes em outros locais a jusante da rea de interveno; Consolidar normas e critrios de dimensionamento uniformes para a bacia ou conjunto de bacias, tais como o perodo de retorno a ser adotado, borda-livre, coeficientes de rugosidade, gabaritos de pontes e travessias, etc; Identificar reas que possam ser preservadas ou adquiridas pelo poder pblico antes que sejam ocupadas ou seus preos tornem-se proibitivos; Efetuar o zoneamento das vrzeas de inundao; Estabelecer o escalonamento da implantao das medidas necessrias de forma tecnicamente correta e de acordo com os recursos disponveis; Possibilitar o desenvolvimento urbano de forma harmnica, pela articulao do plano de drenagem com outros planos setoriais da regio ( planos virios, planos de abastecimento de gua, planos de esgotos, etc ); Esclarecer a comunidade a respeito da natureza e magnitude dos problemas e formas de soluo de propostas e fornecer respaldo tcnico e poltico solicitao de recursos; Privilegiar a adoo de medidas preventivas de menor custo e maior alcance.

Ressalte-se, contudo, que qualquer processo de planejamento se desenvolve dentro de uma situao dinmica em que os fatores sociais, econmicos, institucionais e tecnolgicos sofrem alteraes imprevisveis, no se devendo esperar que esse processo conduza a solues perfeitas e definitivas. O termo "plano", produto imediato do planejamento, , talvez, uma palavra no muito apropriada, pois d falsa idia de concluso ou produto acabado. Existem dois fatores bsicos que no permitem isto. O primeiro que o planejamento envolve como j referido, situaes dinmicas e, o segundo, que sempre h uma defasagem entre o planejamento e sua implementao que, para programas de vulto, pode se estender por mais de uma dcada. Esses fatores determinam que o processo de planejamento seja continuamente reavaliado para que novas alternativas, baseadas em fatos correntes, e no em fatos histricos, hipteses no consumadas, ou eventuais obsolescncias, sejam a base para a tomada de decises.

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