PENAL 2ª FASE XXXIV EXAME
Direito
Processual Penal
“Penal na veia!” (aulas ao vivo)
Professora Me. Letícia Neves
Alminhas queridas,
Sejam bem-vindas ao estudo do Processo Penal!
Preparei este material com todo o carinho para auxiliar na tua
preparação. Lembre-se que o momento exige muita dedicação e
persistência para que o objetivo seja alcançado. Você não está
sozinho nesta missão, existe uma equipe junto contigo que
também está focada na tua aprovação. Para aprimorar o estudo
sugiro que após assistir as aulas você revise o conteúdo, no
mínimo uma vez, e realize as questões indicadas. Isso auxiliará na
memorização e compreensão da matéria. Assim, ficarei confiante
com o teu estudo. A ideia é ter presente a seguinte expressão:
treino forte, jogo fácil.
Desta forma, iniciaremos a nossa caminhada, com PASSOS
PEQUENOS E FIRMES, rumo à segunda fase, mas para isso,
neste momento de preparação, contamos com o teu
comprometimento e confiança. Bora? Estamos juntos e no
caminho certo!
Letícia Neves @prof.leticianeves
2ª FASE OAB | XXXIV EXAME
Direito Processual Penal
Prof.ª Letícia Neves
SUMÁRIO
1. JUIZADO ESPECIAL CRIMINAL .................................................................................... 7
1.1 Considerações iniciais ................................................................................................... 7
1.2 Conceito de infrações de menor potencial ofensivo....................................................... 8
1.3 Critérios e objetivos dos Juizados Especiais Criminais ............................................... 10
1.4 Competência no Juizado Especial Criminal ................................................................. 12
1.5 Situações de remessa para o Juízo Comum ............................................................... 12
1.6 Citação no âmbito do Juizado Especial Criminal ......................................................... 13
1.7 Procedimento Sumaríssimo (Fase processual) ........................................................... 17
1.8 Recursos de Apelação e Embargos Declaratórios ...................................................... 18
1.8.1 Observações sobre Recursos no âmbito dos Juizados Especiais Criminais ............ 19
1.8.2 Habeas Corpus e Revisão Criminal no Juizado Especial Criminal ........................... 20
1.8.3 Pedido de Uniformização de Jurisprudência. ............................................................ 20
1.9 Suspensão Condicional do Processo .......................................................................... 21
2. DO PROCEDIMENTO DO TRIBUNAL DO JÚRI .......................................................... 26
2.1 Do procedimento do tribunal do júri ............................................................................. 26
2.2 Recebimento da denúncia ........................................................................................... 27
2.3 Indispensabilidade da Resposta à Acusação .............................................................. 27
2.4 Contraditório: Específico do Procedimento do Júri ...................................................... 27
2.5 Providências judiciais................................................................................................... 27
2.6 Instrução concentrada ................................................................................................. 28
2.7 Mutatio libelli ................................................................................................................ 29
2.8 Fase de apreciação da admissibilidade da acusação .................................................. 29
2.9 Pronúncia..................................................................................................................... 30
2.10 Impronúncia ............................................................................................................... 30
2.11 Absolvição sumária .................................................................................................... 30
2.12 Desclassificação ........................................................................................................ 31
2.13 Aditamento da denúncia ou queixa para inclusão de corréus .................................... 31
2.14 Emendatio libelli ......................................................................................................... 31
2.15 Intimação da decisão de pronúncia ........................................................................... 31
2.16 Preclusão da decisão de pronúncia ........................................................................... 31
2.17 Preparação e organização do júri .............................................................................. 32
2.18 Desaforamento .......................................................................................................... 32
2.18.1 Conceito.................................................................................................................. 32
2.18.2 Interesse da ordem pública ..................................................................................... 32
2.18.3 Dúvida sobre a imparcialidade do júri ..................................................................... 32
2.18.4 Segurança pessoal do réu ...................................................................................... 33
2.18.5 Iniciativa do desaforamento .................................................................................... 33
2.18.6 Suspensão do julgamento pelo relator.................................................................... 33
2.18.7 Inadmissibilidade do pedido de desaforamento ...................................................... 33
2.19 Excesso de Serviço ................................................................................................... 33
2.20 Ausência do defensor ................................................................................................ 33
2.21 Ausência do acusado................................................................................................. 34
2.22 Imprescindibilidade do depoimento da testemunha ................................................... 34
2.23 Suspensão dos trabalhos para condução coercitiva ou adiamento da sessão .......... 34
2.24 Infrutífera condução coercitiva ................................................................................... 34
2.25 Realização do julgamento, independentemente da inquirição de testemunha
arrolada.................... .......................................................................................................... 35
2.26 Preparo para a composição do conselho de sentença .............................................. 35
2.27 Abertura dos trabalhos............................................................................................... 35
2.28 Ausência de quórum .................................................................................................. 35
2.29 Reunião prévia do juiz com os jurados ...................................................................... 36
2.29.1 Conceito.................................................................................................................. 36
2.29.2 Incomunicabilidade dos jurados .............................................................................. 36
2.29.3 Manifestação da opinião acerca do processo ......................................................... 36
2.29.4 Fiscalização da incomunicabilidade durante o julgamento ..................................... 36
2.29.5 Certidão do oficial de justiça ................................................................................... 37
2.30 Formação do conselho de sentença .......................................................................... 37
2.31 Recusas motivadas e imotivadas............................................................................... 37
2.32 Separação do julgamento .......................................................................................... 38
2.33 Arguição de impedimento, suspeição ou incompatibilidade ....................................... 38
2.34 Estouro da urna ......................................................................................................... 39
2.35 Compromisso e entrega de peças aos jurados .......................................................... 39
2.36 Instrução em plenário ................................................................................................ 39
2.37 Interrogatório do acusado .......................................................................................... 40
2.38. Dos debates .............................................................................................................. 40
2.38.1 Correlação entre acusação e pronúncia ................................................................. 40
2.38.2 Manifestação inicial do querelante .......................................................................... 41
2.39 Limite de tempo para as partes ................................................................................. 41
2.40 Referências proibidas ................................................................................................ 41
2.41 Do questionário e sua votação .................................................................................. 42
2.42 Sentença.................................................................................................................... 43
2.43 Execução antecipada da pena no júri ........................................................................ 44
2.44 Resposta à acusação no procedimento do tribunal do júri ........................................ 45
3. MEMORIAIS DO JÚRI OU ALEGAÇÕES FINAIS POR MEMORIAIS.......................... 49
3.1 Considerações iniciais ................................................................................................. 49
4. APELAÇÃO DAS DECISÕES DO JÚRI ....................................................................... 59
4.1 Considerações ............................................................................................................. 59
5. LEI DE EXECUÇÃO PENAL ......................................................................................... 68
5.1 Comentários à lei de execução penal .......................................................................... 68
5.2 Detração penal ............................................................................................................ 71
5.3 Regimes Prisionais e Modificação do Regime durante a execução da pena ............... 72
5.4 Unificação de Penas .................................................................................................... 73
5.5 Regime disciplinar diferenciado ................................................................................... 74
5.6 Progressão de regime.................................................................................................. 76
5.7 Exame criminológico .................................................................................................... 83
5.8 Regressão de Regime ................................................................................................. 84
5.9 Prisão domiciliar........................................................................................................... 86
5.10 Remição de pena: hipóteses legais ........................................................................... 86
5.11 Permissão de saída e saída temporária .................................................................... 87
5.12 Monitoração eletrôncia............................................................................................... 89
6. LIVRAMENTO CONDICIONAL ..................................................................................... 90
6.1 Requisitos .................................................................................................................... 90
6.2 Hipóteses de revogação do Livramento Condicional ................................................... 92
6.3 Suspensão do Livramento Condicional........................................................................ 93
6.4 Incidentes da Execução Penal ..................................................................................... 93
6.5 Anistia, Graça, Indulto.................................................................................................. 94
6.6 Aspectos gerais relacionados à execução da medida de segurança .......................... 95
7. AGRAVO EM EXECUÇÃO...........................................................................................102
7.1 Cabimento e conteúdo ............................................................................................... 102
7.2 Rito e competência para o julgamento....................................................................... 103
7.3 Prazo.. ....................................................................................................................... 103
7.4 Efeitos ........................................................................................................................ 103
7.5 Estruturação da peça Agravo em Execução .............................................................. 104
8. REVISÃO CRIMINAL .................................................................................................. 112
8.1 Conceito..................................................................................................................... 112
8.2 Identificação ............................................................................................................... 112
8.3 Base legal .................................................................................................................. 113
8.4 Cabimento/conteúdo .................................................................................................. 113
8.5 Revisão e extinção da pena ....................................................................................... 115
8.6 Legitimidade .............................................................................................................. 115
8.7 Órgão competente para o julgamento da Revisão Criminal....................................... 116
8.8 Decisão na Revisão Criminal ..................................................................................... 116
8.9. Estruturação da Revisão Criminal ............................................................................ 117
9. HABEAS CORPUS ..................................................................................................... 123
9.1 Conceito..................................................................................................................... 123
9.2 Base Legal ................................................................................................................. 123
9.3 Espécies .................................................................................................................... 123
9.4 Legitimidade ativa ...................................................................................................... 124
9.5 Legitimidade passiva ................................................................................................. 124
9.6 Admissibilidade/conteúdo .......................................................................................... 124
9.7 Competência .............................................................................................................. 125
9.8 Julgamento e efeitos .................................................................................................. 127
9.9 Pedido liminar ............................................................................................................ 127
9.10 Estruturação de Habeas corpus .............................................................................. 127
10. RECURSO ORDINÁRIO CONSTITUCIONAL .......................................................... 133
10.1 Conceito................................................................................................................... 133
10.2 Base legal ................................................................................................................ 133
10.3 Identificação ............................................................................................................. 134
10.4 Cabimento em matéria penal ................................................................................... 134
10.5 Prazo e processamento do recurso ......................................................................... 135
PADRÃO DE RESPOSTAS ............................................................................................ 141
Olá, aluno(a). Este material de apoio foi organizado com base nas aulas do seu curso preparatório para a 2ª
Fase do XXXIV Exame da OAB e deve ser utilizado como um roteiro para as respectivas aulas. Além disso,
recomenda-se que o aluno assista as aulas acompanhado da legislação pertinente.
Bons estudos, Equipe Ceisc.
Atualizado em fevereiro de 2022.
Juizado Especial Criminal
Prof.ª Letícia Neves
@prof.leticianeves
1.1 Considerações iniciais
Em conformidade com o art. 24, inc. X e XI, da CF, compete à União, aos Estados e
ao DF legislar concorrentemente sobre: a criação, funcionamento e processo do juizado de
pequenas causas (inciso X); procedimentos em matéria processual (inciso XI).
O art. 98 da CF/88 dispõem que os Juizados serão providos por juízes togados ou
togados e leigos competentes para conciliação, o julgamento e execução de infrações de
menor potencial ofensivo. Dessa forma, no dia 26/09/95, foi sancionada pelo Presidente da
República a n° Lei 9.099, restringindo sua aplicação ao âmbito da Justiça Estadual. Por
subsequente, em 12/07/01, dispondo acerca da instituição dos Juizados Especiais no
âmbito da Justiça Federal, foi sancionada a Lei n° 10.259/01.
Juizado Especial Criminal Juizado Especial Criminal
(Justiça Estadual) (Justiça Federal)
Lei nº 9.099/95 Lei nº. 10.259/01
Inobstante a existência de duas legislações, no âmbito do Juizado Especial Criminal
observa-se o regramento previsto na Lei n. 9.099/95, visto que na Lei n. 10.259/01 não há
previsão do procedimento a ser observado (artigo 1º da Lei n. 10.259/01).
Importante registrar que os Juizados Especiais Criminais introduzem a denominada
jurisdição consensual no âmbito criminal, possibilitando alternativas para solucionar as
questões penais utilizando-se da composição civil dos danos, transação penal ou
suspensão condicional do processo.
Artigo 98 da Constituição Federal
Art. 98 da Constituição Federal. A União, no Distrito Federal e nos Territórios, e os
Estados criarão:
I - juizados especiais, providos por juízes togados, ou togados e leigos,
competentes para a conciliação, o julgamento e a execução de causas cíveis de menor
complexidade e infrações penais de menor potencial ofensivo, mediante os
procedimentos oral e sumaríssimo, permitidos, nas hipóteses previstas em lei, a
transação e o julgamento de recursos por turmas de juízes de primeiro grau;
§ 1º Lei federal disporá sobre a criação de juizados especiais no âmbito da Justiça
Federal. (Renumerado pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)
1.2 Conceito de infrações de menor potencial ofensivo
A redação original do artigo 61 da Lei n° 9.099/951 conceituava infrações de menor
potencial ofensivo abrangendo as contravenções penais (Lei n° 3.688/41) e aqueles crimes
cuja pena máxima prevista não ultrapassa 01 (um) ano, excetuadosos casos em que a lei
preveja procedimentos especiais.
Porém, com o advento do artigo 2°, parágrafo único, da Lei n° 10.259/01, houve uma
ampliação do conceitode infração de menor ofensivo, considerando como sendo aqueles
que a lei comine pena máxima não superior a 2 (dois) anos ou multa.
A jurisprudência e a doutrina posicionaram-se no sentido de que a Lei 10.259/01 teria
ampliado o conceito de infração de menor potencial ofensivo, aplicando o mesmo conceito
na Justiça Estadual.
Atualmente, com o advento da Lei 11.313/06, legislação que alterou as duas leis
supramencionadas, consideram-se infrações de menor potencial ofensivo, para os efeitos
de ambas as leis (lei 9.099/95 e 10.259/01), as contravenções penais e os crimes a que a
lei comine pena máxima não superior a 2 (dois) anos, cumulada ou não com multa”,
unificando o conceito e encerrando-se a discussão.
1 A Lei 9.099/95 trouxe outro conceito importante no artigo 89 – crimes de médio potencial ofensivo –
aqueles cuja pena mínima não ultrapassa 1 ano, destinatários da Suspensão Condicional do Processo.
Importante diferenciar tais crimes daqueles denominados de crimes de bagatela, estes, por sua vez, não
possuem previsão legal, o princípio da insignificância resulta na exclusão da tipicidade (material). Por
exemplo: um crime de furto simples poderá ser um crime de bagatela, todavia não se trata de um delito de
menor potencial ofensivo, e sim de médio.
Importante registar que no âmbito dos Juizados Especiais Criminais Federais as
contravenções não serão objeto de julgamento, por força do artigo 109, IV, da
Constituição Federal que exclui da competência de julgamento dos juízes federais
o julgamento das contravenções. Logo, deverá ocorrer a remessa para Justiça
Estadual, conforme consta na súmula 38 do STJ, vejamos: “Compete à Justiça
Estadual Comum, na vigência da CF/88, o processo por contravenção penal, ainda
que praticada em detrimento de bens, serviços ou interesse da União ou de suas
entidades”.
Observação: As causas de aumento e diminuição de pena (majorantes e
minorantes) deverão ser observadas para definição de competência. Assim,
deverão incidir as causas de aumento que mais aumentem a pena e as causas que
menos diminuem. Por exemplo, no caso de tentativa, deverá incidir a diminuição
da pena máxima em abstrato no mínimo em 1/3 (artigo 14, parágrafo único, CP). Já
as agravantes e atenuantes não serão observadas.
Por fim, outra questão importante é a alteração proferida no artigo 60 da referida lei
que diz respeito às regras de conexão ou continência asseguradas no Código de Processo
Penal2, eis que consta expressamente no parágrafo único que na reunião de processos,
perante o juízo comum ou tribunal do júri, serão observados os institutos da transação penal
e da composição civil.
Conceito de Infração de menor potencial ofensivo
Art. 61 da Lei n. 9.099/95. Consideram-se infrações penais de menor potencial
ofensivo, para os efeitos desta Lei, as contravenções penais e os crimes a que a lei
comine pena máxima não superior a 2 (dois) anos, cumulada ou não com multa.
2 A quem interessar vale a leitura sobre a pretensão da Procuradoria geral da República, na ADIN 5264, em
que busca obter a declaração de inconstitucionalidade do dispositivo que determina a observância das
regras de conexão e continência, visto que tal regra despreza a competência determinada pelo artigo 98 da
CF, que determina que as infrações de menor potencial ofensivo deverão observar as regras do JECRIM
(ver: http://www.stf.jus.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=288555).
.3 Critérios e objetivos dos Juizados Especiais Criminais
O artigo 62 da Lei n. 9.099/95 traz os critérios e objetivos que orientam os Juizados
Especiais Criminais. Vejamos os critérios:
C Celeridade
E Economia processual
I Informalidade
O Oralidade
S Simplicidade
Os atos processuais deverão ser públicos e podem ser realizados no período
noturno e em qualquer dia da semana, de acordo com a disposição das normas de
organização judiciária local.
Para serem válidos, os atos processuais deverão preencher as finalidades para as
quais foram realizados, atendidos os critérios dos princípios mencionados anteriormente.
Ou seja, nenhuma nulidade será pronunciada se não houver a ocorrência de prejuízo
para uma das partes.
Importante registrar que mesmo que tenhamos todos esses critérios voltados a um
procedimento célere, econômico, informal, oral e simples devemos nos ater aos preceitos
constitucionais da ampla defesa e contraditório, no intuito de resguardar os direitos e
garantias daqueles que estão na condição de autor do fato ou acusado.
Critérios e Objetivos
Art. 62 da Lei n. 9.099/95. O processo perante o Juizado Especial orientar-se-á pelos
critérios da oralidade, simplicidade, informalidade, economia processual e celeridade,
objetivando, sempre que possível, a reparação dos danos sofridos pela vítima e a
aplicação de pena não privativa de liberdade.
• A lei prevê várias alternativas para que se alcance os objetivos de reparação dos
danos, sempre que possível, e a aplicação de pena não privativa de liberdade. Convém
ressaltar que é possível que os objetivos não sejam alcançados e na pior das hipóteses
uma pessoa seja ao final condenada a uma pena privativa de liberdade, ainda que pequena,
no âmbito do juizado especial criminal. Entretanto, o ideal é que seja utilizada alguma
medida despenalizadora prevista na legislação, vejamos um breve conceito:
• Composição civil dos danos: é um acordo de natureza civil, quando realizado gera a
renúncia ao direito de queixa na ação penal privada ou a renúncia à representação nos
casos de ação penal pública condicionada, com a consequente extinção da punibilidade
(Art. 74, parágrafo único, da Lei nº 9.099/952). Essa medida impede a instauração do
processo criminal nos crimes de ação penal pública condicionada à representação e nos
casos de ação penal privada. Entretanto, eventual composição civil de danos nos casos de
ação penal pública incondicionada não gera impedimento para o prosseguimento, sendo o
caso de verificar a possibilidade de transação ou suspensão condicional do processo.
• Transação Penal: autoriza o cumprimento imediato de uma pena restritiva de
direitos ou multa, em contrapartida evita a instauração do processo criminal (Art. 76 da Lei
nº 9.099/953). Em outros termos, é uma proposta feita geralmente pelo Ministério Público
para que o autor do fato aceite uma pena diversa de prisão para evitar o processo.
Caracterizando-se nos casos de ação penal pública uma exceção ao princípio da
obrigatoriedade.
• Suspensão Condicional do Processo: possibilidade de acordo com o acusado,
depois de recebida a denúncia, o magistrado suspende o andamento da ação penal e da
prescrição. Em contrapartida, durante determinado lapso temporal (período de prova), o
acusado é submetido a certas condições. Encerrado o período de prova sem a ocorrência
de qualquer alteração, o magistrado declara extinta a punibilidade (Art. 89 da Lei nº
9.099/95). Vale ainda destacar que o instituto da suspensão condicional do processo não
se limita aos delitos de menor potencial ofensivo da Lei 9099/95, ou melhor, vale para todo
e qualquer delito que preencha os requisitos do artigo 89 da Lei nº 9.099/95, desde que não
haja vedação, como ocorre nos casos envolvendo Lei Maria da Penha.
1.4 Competência no Juizado Especial Criminal
Competência Territorial
Art. 63 da Lei n. 9.099/95. A competência do Juizado será determinada pelo
lugar em que foi praticada a infração penal.
O Código de Processo Penal (Art. 70) adotou a teoria do resultado, pois a
competência é fixada pelo local da consumação do delito. Já o artigo 63 da Lei dos Juizados
Especiais acolheu a teoria da atividade, ou seja, a competência é fixada pelo lugar em
que se deu a ação ou omissão.
Cuidado:
Na doutrina e na jurisprudência dos Tribunais, prevalece o entendimento de que a
competência dos Juizados Especiais Criminais em razão da matéria apresenta natureza
relativa, pois pode ser alterada por conexão e continência, complexidade da causa ou
impossibilidade de citação pessoal.
1.5 Situações de remessa para o Juízo Comum
Existem algumas situações em que a competência de julgamento no âmbito dos
Juizados Especiais Criminais é afastada por determinação legal. Vejamos:
• complexidade ou circunstância do caso – artigo 77, §2° e § 3°, da Lei n. 9.099/95;
• acusado não localizado para ser citado – artigo 66, parágrafo único, da Lei n.
9.099/95;
• quando ocorrer conexão ou continência com delitos da competência do Júri ou
crimes mais graves, será afastada a competência – artigo 60 da Lei n. 9.099/95;
• poderá também restar afastada a competência do JECRIM caso incida uma causa
de aumento de pena, ultrapassando o patamar da pena máxima de 2 anos. Por exemplo,
nos casos de concursos material entre dois crimes, aplica-se a regra do acúmulo material
somando no caso as penas máximas (art. 69 do CP), logo se dois crimes com pena máxima
de dois forem praticados no mesmo contexto, somando-se teríamos uma pena máxima de
4 anos, portanto, restaria afastada a competência do JECRIM;
A lei n. 11.340/06 no artigo 41 exclui a aplicação da Lei n. 9.099/95, logo não há que
se falar em JECRIM nos casos de violência doméstica e familiar.
Aplicação do procedimento sumário
Art. 538 do CPP. Nas infrações penais de menor potencial ofensivo, quando o juizado
especial criminal encaminhar ao juízo comum as peças existentes para a adoção de
outro procedimento, observar-se-á o procedimento sumário previsto neste Capítulo.
1.6 Citação no âmbito do Juizado Especial Criminal
O artigo 66 da Lei n. 9.099/95 é claro ao informar que a citação será pessoal ou por
mandado, logo se o acusado não for encontrado o processo será remetido ao juízo comum
(parágrafo único, artigo 66).
A regra é que a citação seja pessoal e no próprio Juizado Especial Criminal, pois a
pretensão legislativa é de que inexistindo acordo entre as partes ou não tendo ocorrido a
transação, seja determinada a citação do acusado no final da audiência preliminar,
conforme consta no artigo 78 da Lei n. 9.099/95.
Não cabe citação por edital no JECRim, pois conforme mencionado não sendo
encontrado o acusado haverá remessa ao juízo comum. No tocante à citação por hora certa
a matéria é controvertida, pois apesar de diversas Turmas Recursais não admitirem esta
modalidade de citação ficta, há Enunciado do FONAJE (Fórum Nacional de Juizados
Especiais) admitindo a aplicação, vejamos o Enunciado n. 110: “No Juizado Especial
Criminal é cabível a citação com hora certa”.
Fase Preliminar:
A fase preliminar ao processo está prevista nos artigos 69 a 76 da Lei n. 9.099/95.
Nesta fase, fica evidenciado o caráter consensual do Juizado, visto que inclui a
possibilidade de composição civil dos danos ou a aceitação da proposta de transação penal
como medidas despenalizadoras, que evitariam a propositura da ação penal.
Termo Circunstanciado:
De acordo com o artigo 69 da Lei n. 9.099/95, a autoridade policial que tomar
conhecimento da ocorrência de uma infração de menor potencial ofensivo lavrará o
chamado termo circunstanciado, que conterá de forma simplificada o relato dos
acontecimentos, indicações de eventuais testemunhas e se for possível o exame de corpo
de delito (neste momento pode ser dispensado).
Trata-se de um relatório singelo, baseado na simplicidade, que contém a
identificação das partes, menção ao fato, indicação de testemunha se houver.
Não se imporá prisão em flagrante para o autor do fato que se comprometer a
comparecer aos atos perante o Juizado Especial Criminal. Entretanto, caso o agente se
recuse a assumir o compromisso de comparecer ao Juizado deverá ser lavrado o auto de
prisão em flagrante, o que não significa que permanecerá preso pois é possível a concessão
de liberdade provisória com fiança pelo próprio delegado, com base no art. 322 do CPP,
visto que em se tratando de infrações de menor potencial ofensivo é plenamente cabível
arbitramento da fiança pelo delegado.
Audiência Preliminar:
De acordo com os artigos 70 e 71 a audiência preliminar ocorreria imediatamente,
porém na prática o que ocorre é a remessa do Termo Circunstanciado (TC) ao JECRIM,
para após ser marcada uma data para audiência, sendo as partes intimadas a
comparecerem. Há locais em que a própria autoridade policial determina a data de
audiência informando que as partes devem comparecer ao Fórum no dia designado.
Dessa forma, quando é feita a remessa ao Fórum, haverá a intimação nos termos
dos artigos 67 e 68. Intimação pessoal, informando, além da data da audiência de
conciliação a necessidade de acompanhamento de advogado.
Na audiência preliminar o juiz esclarecerá sobre a possibilidade de composição civil
ou de aceitação da transação (art. 72 da Lei n. 9.099/95).
1ª Fase - Conciliação Civil - Art. 72 a 2ª Fase - Conciliação penal (com
74 (composição civil dos danos) possível Transação Penal)
• Sem atuação do MP; Transação Penal (Art. 76);
• Se for Ação Penal Privada: a • Mitigação ao princípio da
composição gera renúncia à obrigatoriedade. Princípio da
queixa ou representação; discricionariedade regrada.
• Não pagamento? Não é possível
mais exercer a queixa ou
representação. A possibilidade
aqui é a execução do título judicial
(Art. 74).
Importante perceber que neste início da audiência o que temos é apenas o Termo
Circunstanciado, não falamos em acusação ou denúncia/queixa, por isso a nomenclatura
utilizada é de autor do fato, não de acusado.
A composição civil dos danos constitui um acordo de natureza civil, que, se realizado
pelas partes no caso de ação penal privada ou pública condicionada à representação,
resultará na extinção da punibilidade. Nos casos de ação penal pública incondicionada, a
composição dos danos não gera nenhuma consequência no tocante à punibilidade, dando-
se continuidade ao trâmite legal.
Em caso de não haver a composição civil, ou sendo o caso de ação penal
incondicionada, e em qualquer situação não caracterizar possibilidade de arquivamento,
será oferecida a proposta de transação, ainda na audiência preliminar, que se trata de uma
proposta de aplicação de pena restritiva de direito ou pena de multa para evitar que haja
processo penal.
A transação é instituto extremamente importante, pois evita o processo e não gera
reincidência ou maus antecedentes. Todavia, há a exigência de preenchimento dos
seguintes requisitos:
• o autor do fato não poderá ter usufruído de outra transação nos últimos cinco anos;
• não pode ter sido condenado definitivamente a crime anterior por pena privativa de
liberdade;
• as circunstâncias, como antecedentes, conduta social, personalidade, devem indicar
a possibilidade da medida.
De acordo com o art. 76 da Lei 9.099/95 a transação poderá ser oferecida pelo
Ministério Público nos crimes de ação penal pública. Entretanto, a doutrina é pacífica no
sentido de ser cabível a transação penal também nas ações penais privadas, o que é
controvertido é o posicionamento de quem seria a função de oferecer a transação. Discute-
se, portanto, se o oferecimento da transação nas ações penais privadas deveria ser feito
pelo representante do Ministério Público ou pelo Querelante, titular da ação penal.
Tem prevalecido nos Tribunais superiores que o querelante é o legitimado a oferecer
nos casos de ação penal privada. No STJ veja RHC 102381/BA, no STF veja a Ação Penal
634, neste mesmo sentido é o entendimento também adotado por Renato Brasileiro de
Lima. Portanto, inobstante a existência do Enunciado 112 do FONAJE que diz “Na ação
penal de iniciativa privada, cabem transação penal e suspensão condicional do processo,
mediante proposta do Ministério Público”, tem prevalecido a legitimidade do Querelante no
âmbito da jurisprudência dos tribunais.
O cumprimento da transação penal resulta na extinção da punibilidade, já o
descumprimento resulta na retomada da situação no momento que parou, podendo,
inclusive, ser oferecida ação penal (Súmula Vinculante nº 35 do STF). Por fim, importante
destacar que da decisão que aplica a transação, caberá recurso de apelação (art. 76, §5º,
da Lei n. 9.099/95).
Observe as regras contidas no artigo 291 do Código de Trânsito Brasileiro, que
excepcionam a aplicação dos artigos 74, 76 e 88 da Lei n. 9099/95, em situações
específicas. Inclusive, foi objeto de questionamento no Exame da Ordem dos Advogados
do Brasil n. XXXIII – questão n. 4.
Transação nos crimes ambientais
A transação penal nos casos de crimes ambientais, que se caracterizem como infrações
de menor potencial ofensivo, nos termos do art. 27 da Lei 9.605/1998 somente poderá
ser formulada caso tenha havido a prévia composição do dano ambiental, de que trata o
art. 74 da Lei n. 9.099/1995, salvo em caso de comprovada impossibilidade.
Art. 27 da Lei 9.605/98: Nos crimes ambientais de menor potencial ofensivo, a proposta
de aplicação imediata de pena restritiva de direitos ou multa, prevista no art. 76 da Lei nº
9.099, de 26 de setembro de 1995, somente poderá ser formulada desde que tenha
havido a prévia composição do dano ambiental, de que trata o art. 74 da mesma lei, salvo
em caso de comprovada impossibilidade.
Não sendo obtido qualquer acordo, prosseguirá a audiência preliminar e no final será
oferecida a denúncia ou queixa-crime, em regra oralmente, depois reduzida a termo, no
momento será realizada no próprio JECRIM, se possível. Neste momento, inicia-se o
procedimento sumaríssimo.
Atente-se para o fato de que a audiência preliminar, como o próprio nome remete,
precede à fase processual, logo somente haverá procedimento sumaríssimo se não houver
adoção de nenhuma das medidas anteriores. Leia atentamente o próximo item.
1.7 Procedimento Sumaríssimo (Fase processual)
Como mencionado, ainda na audiência preliminar, não sendo realizado nenhum
acordo ou aceitação de pena restritiva ou pena multa (transação), será oferecida de forma
oral a acusação, que poderá ser uma denúncia ou queixa-crime a depender da situação,
conforme consta no art. 77 da Lei no 9.099/1995. Perceba que, nesse momento, iniciamos
o procedimento sumaríssimo, ou seja, a fase processual, até então não havia menção à
acusação formal, somente existia o termo circunstanciado e proposta de alguma medida
despenalizadora (composição ou transação), para evitar justamente à via processual.
Após o oferecimento oral da acusação, será reduzida a termo, e o acusado, caso
presente na audiência, será citado pessoalmente, no Juizado Especial Criminal, e
imediatamente cientificado da designação de dia e hora para a audiência de instrução e
julgamento, da qual também tomarão ciência o Ministério Público, o ofendido, o responsável
civil e seus advogados. Caso o acusado não esteja presente, será citado na forma do art.
66 da Lei, por mandado a ser cumprido pelo Oficial de Justiça.
No JECRIM a citação é pessoal no próprio Juizado, pois ela ocorre em regra na audiência
preliminar. Se o acusado não estiver presente será citado pessoalmente por mandado,
não se admitindo citação por edital, sendo inclusive uma hipótese de remessa do
procedimento para uma Vara Criminal, afastando-se assim a competência – art. 66, §
único, da Lei n. 9.099/95.
No dia da audiência de instrução e julgamento (art. 81), a sucessão dos atos difere
do procedimento comum ordinário, observe bem a ordem do procedimento sumaríssimo.
Vejamos:
Audiência de instrução e julgamento (art. 81)
• proposta de composição ou transação, se não tiverem sido propostas;
• palavra ao defensor para responder à acusação; Da decisão de rejeição da acusação caberá
recurso de apelação (art. 82 da Lei
• juiz decidirá se recebe ou não a denúncia ou queixa; 9.099/95).
• em caso de recebimento, serão ouvidas a vítima e as testemunhas de acusação e
defesa;
• após, o acusado será interrogado, se presente;
• debates orais (acusação e defesa);
• sentença.
Em resumo, identifique as diferenças entre os demais procedimentos, no caso do
sumaríssimo a resposta à acusação é oral; a citação é feita antes do recebimento da
acusação, em audiência e na forma oral; se o juiz optar por rejeitar a denúncia ou queixa,
caberá o recurso de apelação, nos termos do art. 82 da Lei no 9.099/1995. Inclusive, o
prazo da apelação neste procedimento é dez dias.
1.8 Recursos de Apelação e Embargos Declaratórios
É importante mencionar que o recurso de apelação no JECRIM é dirigido à Turma
Recursal, sendo interposto no prazo de 10 dias a contar da ciência da sentença. A petição
é escrita e conterá as razões e o pedido, não se aplicando o artigo 600, § 4° do CPP. Para
contrarrazoar o prazo é o mesmo, 10 dias, artigo 82, §1° e 2°, da Lei n. 9.099/95.
• Hipóteses de interposição de Apelação no JECRIM:
Sentença Absolutória ou Condenatória
É o mesmo raciocínio do CPP, ou seja, de sentença absolutória ou condenatória é cabível o recurso
de Apelação (Art. 82 da Lei nº 9.099/95).
Da Rejeição da Peça Acusatória
•No CPP, o recurso cabível da decisão que rejeita a peça acusatória é o Recurso em Sentido
Estrito (Art. 581, inciso I, do CPP). No entanto, nos Juizados Especiais Criminais, o meio recursal é
a Apelação, sendo obrigatória a intimação da parte adversa para apresentar contrarrazões no prazo
de 10 dias (Art. 82, § 2º, Lei nº 9.099/95).
Da Decisão Homologatória da Transação Penal
É o que estabelece o artigo 76, § 5º, da Lei nº 9.099/95: da sentença prevista no parágrafo anterior,
caberá a Apelação referida no artigo 82 desta Lei.
Já os Embargos Declaratórios no JECRIM o prazo é 5 dias, conforme dispõe o art.
83 da Lei 9.099/95, poderão ser opostos diante da obscuridade, contradição ou omissão
contida na sentença ou acórdão. Os embargos declaratórios interrompem a contagem do
prazo para os demais recursos.
1.8.1 Observações sobre Recursos no âmbito dos Juizados Especiais
Criminais
No âmbito do JECRIM não é cabível Recurso Especial, há inclusive a Súmula 203
do STJ, negando o cabimento de Recurso Especial.
Tal posicionamento se justifica, em razão do artigo 105, III, da CF somente
mencionar decisões de Tribunais, não sendo o caso das Turmas Recursais, por isso a
ausência de competência do Superior Tribunal de Justiça para julgamento nesse caso.
Destaca-se que é plenamente cabível Recurso Extraordinário das decisões das
Turmas Recusais (Súmula 640 do STF).
1.8.2 Habeas Corpus e Revisão Criminal no Juizado Especial Criminal
As turmas recursais julgarão os habeas corpus impetrados contra atos de Juízes dos
Juizados. Porém, o julgamento de habeas corpus contra ato das Turmas Recursais
Criminais deverá ser julgado pelo Tribunal de Justiça do respectivo Estado ou Tribunal
Regional Federal.
Em relação à Revisão Criminal é possível, quem julgará a ação será a Turma
Recursal Criminal (STJ – CC 47.718/RS).
1.8.3 Pedido de Uniformização de Jurisprudência: artigo 14 da Lei n. 10.259/01.
De acordo com o artigo 14 da Lei 10.259/01, no âmbito dos Juizados Federais caso
haja violação às questões pacíficas no STJ é cabível o pedido de uniformização de
jurisprudência (artigo 14 da Lei 10.259/01).
O intuito é uniformizar a interpretação de lei federal quando houver divergência entre
decisões sobre questões de direito material proferidas por Turmas Recursais (HC
369717/MS,Rel. Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA, QUINTA TURMA, Julgado
em 25/04/2017,DJE 03/05/2017).
Pedido fundado em divergência entre Pedido fundado em divergência entre
Turmas da mesma Região = julgado em decisões de turmas de diferentes regiões
reunião conjunta das Turmas em conflito ou d aproferida em contrariedade a súmula
ou jurisprudência dominante do STJ será
julgada por Turma de Uniformização
Não há previsão similar no âmbito do Juizado Criminal Estadual, em situações dessa
natureza a celeuma vem sendo amenizada através das Resoluções do STJ. A Resolução
n. 03/2016 prevê:
Art. 1º Caberá às Câmaras Reunidas ou à Seção Especializada dos Tribunais de
Justiça a competência para processar e julgar as Reclamações destinadas a dirimir
divergência entre acórdão prolatado por Turma Recursal Estadual e do Distrito
Federal e a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, consolidada em incidente
de assunção de competência e de resolução de demandas repetitivas, em
julgamento de recurso especial repetitivo e em enunciados das Súmulas do STJ,
bem como para garantir a observância de precedentes.
Assim sendo, o STJ determinou aos Tribunais o julgamento das Reclamações
oriunda das Turmas Recursais. Inobstante a vigência desta resolução, há quem discuta, e
com razão, a inconstitucionalidade da medida.
1.9 Suspensão Condicional do Processo – art. 89 da Lei 9.099/95
A suspensão condicional do processo, como o próprio nome refere, é um instituto
que viabiliza a suspensão do processo criminal mediante o cumprimento de algumas
condições. Importante destacar que embora esteja previsto no art. 89 da Lei no 9.099/1995
é aplicável em todos os procedimentos processuais, desde que não haja vedação legal.
A aplicação da suspensão condicional do processo deverá se destinar aos crimes
em que a pena mínima prevista ao delito não ultrapasse um ano, observando os seguintes
requisitos:
• o acusado não esteja sendo processado por outro crime
• não tenha sido condenado por outro crime
• e a culpabilidade, os antecedentes, os motivos e as circunstâncias do crime
autorizem a concessão do instituto (demais exigências do art. 77 do CP).
Aceita as condições contidas na proposta e previstas no art. 89, §1º e 2º, da Lei
9.099/95, o juiz receberá a denúncia e suspenderá o processo pelo período de 2 a 4 anos.
Assim sendo, é possível que uma pessoa acusada pelo delito de aborto, previsto no
art. 124 do CP, ainda que estejamos diante do procedimento do júri, obtenha a suspensão
do processo, da mesma forma que uma pessoa que esteja respondendo por estelionato,
art. 171 do CP, desde que preencha os demais requisitos do art. 89 da Lei no 9.099/1995.
Importante frisar que se tratando de violência doméstica e familiar contra a mulher
não haverá aplicação de transação ou suspensão condicional do processo, uma vez que o
art. 41 da Lei 11.340/2006 expressamente afasta a Lei nº 9.099/1995, o que resta
referendado na Súmula 536 do STJ.
Em regra, o oferecimento da proposta é feito pelo Ministério Público, no momento do
oferecimento da denúncia, conforme a Lei. Porém, poderá ser feita em momento posterior,
nos casos de desclassificação ou procedência parcial da acusação, nos termos da Súmula
337 do STJ, e ainda nas hipóteses de emendatio e mutatio libelli (artigo 383, §1º, e 384,
§3º, do CPP).
O legislador omitiu a possibilidade da suspensão condicional do processo no caso
de ações penais privadas, todavia tem a doutrina e jurisprudência admitem a hipótese. O
que é matéria controvertida é de quem seria a titularidade para o oferecimento da proposta,
existindo duas posições:
No âmbito do STJ, o entendimento é de que a legitimidade seria titular da ação, ou
seja, do querelante. Já o Enunciado 112 do FONAJE é no sentidoda legitimidade para o
oferecimento ser do Ministério Público.
Caso não seja oferecida a proposta de sursis processual, aplica-se o teor da Súmula
696 do STF.
Importante, atentar para as seguintes regras quando estivermos diante de concurso
de crime: a) concurso material: suspensão somente será possível se a soma das penas
mínimas não exceder a 1 ano; b) concurso formal e crime continuado a suspensão somente
será possível se o aumento mínimo de 1/6 (arts. 70 e 71 do CP), aplicado sobre a pena
mínima do crime mais grave, não superar o limite de 1 ano. Vejamos as súmulas 243 do
STJ e 723 do STF:
• Súmula 243 do STJ: O benefício da suspensão do processo não é aplicável em
relação às infrações penais cometidas em concurso material, concurso formal ou
continuidade delitiva, quando a pena mínima cominada, seja pelo somatório, seja pela
incidência da majorante, ultrapassar o limite de um (01) ano.
• Súmula 723 do STF: Não se admite a suspensão condicional do processo por crime
continuado, se a soma da pena mínima da infração mais grave com o aumento mínimo de
um sexto for superior a um ano.
Durante o período de prova, a suspensão condicional do processo estará sujeita à
revogação, nos seguintes casos:
• Revogação Obrigatória: art. 89, §3º, da Lei 9.099/95 - se, no curso do prazo, o
beneficiário vier a ser processado por outro crime ou não efetuar, sem motivo justificado, a
reparação do dano.
• Revogação Facultativa: art. 89, §4º, da Lei 9.099/95 - se o acusado vier a ser
processado, no curso do prazo, por contravenção, ou descumprir qualquer outra condição
imposta.
A consequência da revogação será a retomada imediata do curso do processo e da
contagem do prazo prescricional. Importante destacar que durante a suspensão do
processo a contagem do prazo prescricional restará suspensa.
Por fim, expirado o período de prova, cumpridas as condições, o juiz declarará a
extinção da punibilidade, nos termos do art. 89, §5º.
1) (QUESTÃO 03 - XX EXAME)
Andy, jovem de 25 anos, possui uma condenação definitiva pela prática de contravenção
penal. Em momento posterior, resolve praticar um crime de estelionato e, para tanto, decide
que irá até o portão da residência de Josefa e, aí, solicitará a entrega de um computador,
afirmando que tal requerimento era fruto de um pedido do próprio filho de Josefa, pois tinha
conhecimento que este trabalhava no setor de informática de determinada sociedade. Ao
chegar ao portão da casa, afirma para Josefa que fora à sua residência buscar o
computador da casa a pedido do filho dela, com quem trabalhava. Josefa pede para o
marido entregar o computador a Andy, que ficara aguardando no portão. Quando o marido
de Josefa aparece com o aparelho, Andy se surpreende, pois ele lembrava seu falecido pai.
Em razão disso, apesar de já ter empregado a fraude, vai embora sem levar o bem. O
Ministério Público ofereceu denúncia pela prática de tentativa de estelionato, sendo Andy
condenado nos termos da denúncia. Como advogado de Andy, com base apenas nas
informações narradas, responda aos itens a seguir.
A) Qual tese jurídica de direito material deve ser alegada, em sede de recurso de
apelação, para evitar a punição de Andy? Justifique. (Valor: 0,65)
B) Há vedação legal expressa à concessão do benefício da suspensão condicional
do processo a Andy? Justifique. (Valor: 0,60)
Do Procedimento do Tribunal do Júri
Prof.ª Letícia Neves
@prof.leticianeves
2.1 Do procedimento do tribunal do júri
É rito procedimento destinado para processor e julgar crimes dolosos contra a vida,
previsto nos artigos 406 a 497, todos do Código de Processo Penal. A competência
constitucional está firmada no artigo 5º, inciso XXXVIII, da Constituição Federal/88.
Nos termos do artigo 5º, inciso XXXVIII, alínea “d”, da Constituição Federal/88, o
procedimento do Tribunal do Júri é o procedimento destinado a processor e julgar crimes
dolosos contra a vida, que são, segundo o artigo 74, § 1º, e artigo 394, §3º, ambos do
Código de Processo Penal:
a) Homicídio (art. 121, CP)
b) Induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio (art. 122, CP)
c) Infanticídio (art. 123, CP)
Aborto (art. 124 a 128, CP
DICA: Não é de competência do Júri o julgamento de crimes culposos contra a vida.
DICA: Latrocínio, “roubo seguido de morte”, é crime contra o patrimônio, portanto, não é de
competência de julgamento do Júri.
O rito procedimental para os processos de competência do Júri comporta duas fases:
a primeira fase inicia-se com o oferecimento da denúncia e se encerra com a decisão de
pronúncia (judicium accusationis ou sumário de culpa); já a segunda tem início com o
recebimento dos autos pelo juiz presidente do tribunal do júri, e termina com o julgamento
pelo Tribunal do Júri (judicium causae).
Procedimento da primeira fase – Sumário da Culpa (judicium accusationis)
artigos 406 ao 421, todos do Código de Processo Penal
2.2 Recebimento da denúncia: art. 406, CPP
O Juiz, ao receber a denúncia, abre prazo para a defesa responder, no prazo de 10
(dez) dias. A defesa poderá arguir preliminaries e alegar tudo que interesse à sua defesa,
oferecer documentos e justificações, especificar as provas pretendidas e arrolar
testemunhas, até o máximo de 8 (oito), qualificando-as e
Lembre-se: A base legal da Resposta à Acusação no procedimento do Júri é o artigo 406
do Código de Processo Penal e não o artigo 396 do Código de Processo Penal.
2.3 Indispensabilidade da Resposta à Acusação: art. 408, CPP
Não apresentada a resposta no prazo legal, o juiz nomeará defensor para oferecê-la
em até 10 (dez) dias, concedendo-lhe vista dos autos.
2.4 Contraditório: Específico do Procedimento do Júri: art. 409, CPP
Apresentada a defesa, o juiz ouvirá o Ministério Público ou o querelante sobre
preliminares e documentos, em 5 (cinco) dias.
2.5 Providências judiciais: art. 410, CPP
Recebida a defesa prévia e, eventualmente, a manifestação do órgão acusatório
acerca de preliminares que tenham sido levantadas ou documentos juntados, deve o
magistrado deliberar a respeito do encaminhamento a ser dado o processo.
Em seguida, determinará as diligências cabíveis (produção de prova pericial,
reconstituição do crime, entre outros). O mais relevante será designar a audiência de
instrução e julgamento, uma vez que as partes, quase sempre, arrolam testemunhas.
Observe que não há previsão expressa de absolvição sumária antes da audiência
de instrução e julgamento, visto que neste procedimento a possibilidade de absolvição
sumária está prevista como uma das decisões que encerram a primeira fase do Júri. Logo,
há discussão doutrinária a respeito do cabimento, existindo dois posicionamentos:
a) É possível a aplicação da absolvição sumária para evitar a audiência de
instrução, aplicando subsidiariamente o artigo 397 do Código de Processo Penal3, por força
do parágrafo 4º do artigo 394 do Código de Processo Penal;
b) Não é possível, pois somente se utilizam as regras do procedimento comum
ordinário de forma subsidiária. No caso, há previsão expressa de aplicação do instituto para
evitar o Plenário. Dessa forma, já se manifestou o STJ.
Inobstante os posicionamentos acima, é importante verificar nos enunciados as
informações constantes, pois somente será o caso de pedir em eventual Resposta à
Acusação que seja o acusado Absolvido Sumariamente, nos termos do artigo 397 do
Código de Processo Penal, aplicando-se subsidiariamente a regra do procedimento
comum ordinário (Art. 394, §4º, do CPP), se houver indicação de causa manifesta que
permita um juízo de certeza, antes mesmo da audiência de instrução, do contrário,
seguiremos as regras expressas para o Procedimento Especial do Júri.
2.6 Instrução concentrada: art. 411, CPP
O juiz determinará a inquirição das testemunhas e a realização das diligências
requeridas pelas partes, no prazo máximo de 10 (dez) dias. Os esclarecimentos dos peritos
dependerão de prévio requerimento e de deferimento pelo juiz. Todas as provas serão
produzidas em uma só audiência, podendo o juiz indeferir as consideradas irrelevantes,
impertinentes ou protelatórias.
Nenhum ato será adiado, salvo quando imprescindível à prova faltante,
determinando o juiz a condução coercitiva de quem deva comparecer. A audiência terá a
seguinte ordem: 1°) declarações do ofendido, se possível; 2°) declarações de testemunhas;
3°) interrogatório do acusado; 4°) debates; 5°) decisão.
As alegações escritas foram substituídas por debates orais, concedendo-se a
palavra, respectivamente, à acusação e à defesa, pelo prazo de 20 minutos, prorrogáveis
por mais 10; havendo mais de um acusado, o tempo previsto para a acusação e a defesa
de cada um deles será individual; ao assistente do Ministério Público, após a manifestação
3Nesse sentindo: Nestor Tavora e Rosmar Alencar sustentam: “Entendemos possível a antecipação da
absolvição sumária para momento anterior à audiência de instrução, com esteio no artigo 397 do CPP,
aplicado analogicamente com base no artigo 2º do mesmo Código.” in: Curso de Direito Processual Penal.
Editora JusPodivm. 2017. P. 1235.
deste, serão concedidos 10 minutos, prorrogando-se por igual período o tempo de
manifestação dadefesa.
Lembre-se: É possível converter as alegações orais por Memoriais, no prazo de 5 dias,
utilizando-se da regra contida no artigo 394, §5°, do Código de Processo Penal, ou seja
das disposições do procedimento comum ordinário (Arts. 403, §3º e 404, parágrafo único,
ambos do CPP).
Por fim, no tocante às alegações finais na primeira fase do Júri há um
posicionamento do Superior Tribunal de Justiça que merece atenção, vejamos.
Para o respectivo Tribunal Superior, não há nulidade na primeira fase do júri, quando
o defensor deixar de apresentar alegações finais, inclusive há tese firmando o
posicionamento no seguinte sentido: A ausência do oferecimento das alegações finais em
processos de competência do Tribunal do Júri não acarreta nulidade, uma vez que a
decisão de pronúncia encerra juízo provisório acerca da culpa (Tese n. 69 – ver Info n. 399).
Entretanto, se no caso em exame, a ausência de alegações trouxer prejuízo à defesa,
deverá ser sustentada a nulidade, inobstante a existência do posicionamento
jurisprudencial.
2.7 Mutatio libelli: art. 411, §3º, CPP
Ao final da instrução, pode-se constatar que os fatos narrados na denúncia ou queixa
não coincidem com as provas colhidas.
Portanto, pode ser necessário adaptar a peça acusatória ao contexto das provas
produzidas. Evitando-se qualquer surpresa ao réu, segue-se o disposto no artigo 384 do
Código de Processo Penal.
2.8 Fase de apreciação da admissibilidade da acusação
O procedimento da primeira fase, de acordo com o artigo 412 do Código de Processo
Penal, terá duração de 90 (noventa) dias.
Finda a instrução do processo relacionado ao Tribunal do Júri, cuidando de
crimesdolosos contra a vida e infrações conexas, o magistrado possui quatro opções:
a) pronunciar oréu;
b) impronunciá-lo;
c) absolvê-lo sumariamente;
d) desclassificar a infração penal.
2.9 Pronúncia: art. 413, CPP
É decisão interlocutória mista não terminativa, que julga admissível a acusação,
remetendo o caso à apreciação do Tribunal do Júri.
Na pronúncia, há um mero juízo de prelibação, pelo qual o juiz admite ou rejeita a
acusação, sem penetrar no exame do mérito. No caso de o juiz se convencer da existência
do crime e de indícios suficientes da autoria, deve proferir sentence de pronúncia,
fundamentando os motivos de seu convencimento.
Observe que a decisão de pronúncia atualmente possui uma função bem determina
em lei, pois o artigo 476 do Código de Processo Penal diz que a acusação está atrelada
aos limites da denúncia ou de eventuais decisões de recursos que a tenham confirmado.
2.10 Impronúncia: art. 414, CPP
É a decisão interlocutória mista de conteúdo terminativo, visto que encerra a primeira
fase, deixando de inaugurar a segunda, sem haver juízo de mérito. Assim, inexistindo prova
da materialidade do fato ou não havendo indícios suficientes de autoria, deve o magistrado
impronunciar o réu, que significa julgar improcedente a denúncia e não a pretensão punitiva
do Estado.
IMPORTANTE: Recurso de Apelação
Art. 416 do CPP: Contra a sentença de impronúncia ou de absolvição sumária caberá
apelação.
2.11 Absolvição sumária: art. 415, CPP
Ocorrerá quando estiver provada a inexistência do fato, provado não ser o réu autor
ou partícipe do fato, o fato não constituir infração penal ou estiver demonstrada causa de
isenção de pena ou de exclusão do crime. No caso de inimputáveis, a absolvição sumária
só é possível, agora por disposição expressa, se a inimputabilidade for a única tese
defensiva.
2.12 Desclassificação: art. 419, CPP
O juiz poderá dar ao fato definição jurídica diversa da constante da acusação,
embora o acusado fique sujeito a pena mais grave. Quando o juiz se convencer, em
discordância com a acusação, da existência de crime não doloso contra a vida e não for
competente para o julgamento, remeterá os autos ao juiz que o seja, ficando à disposição
deste o acusado preso.
2.13 Aditamento da denúncia ou queixa para inclusão de corréus: art. 417, CPP
Havendo prova, colhida durante a instrução, de que outras pessoas estão envolvidas
na infração penal pela qual está o juiz pronunciando o acusado, é preciso determinar a
remessa dos autos ao Ministério Público para o necessário aditamento.
2.14 Emendatio libelli: art. 418, CPP
O Juiz não está adstrito à classificação feita pelo órgão do Ministério Público e o réu
não se defende da definição jurídica do fato, mas, sim, dos fatos imputados.
Logo, se, no momento de pronunciar, verificar o magistrado que não se trata de
infanticídio, mas de homicídio, desde que todas as circunstâncias estejam bem descritas
na denúncia, pode pronunciar, alterando a classificação, ainda que o réu fique sujeito a
pena mais grave.
2.15 Intimação da decisão de pronúncia: art. 420, CPP
O acusado será intimado pessoalmente, esteja preso ou solto.
O defensor nomeado (dativo ou defensor público) e o Ministério Público (Art. 420,
inciso I, do CPP). Quanto ao defensor constituído, ao querelante (por seu advogado) e ao
assistente do Ministério Público (também é o advogado contratado pelo ofendido), pode-se
fazer a intimação pela imprensa. Por fim, se o acusado estiver solto e não for localizado
para a intimação, far-se-á por edital.
2.16 Preclusão da decisão de pronúncia: art. 421, CPP
Preclusa a decisão de pronúncia, os autos serão encaminhados ao juiz presidente
do Tribunal do Júri. Havendo circunstância superveniente que altere a classificação do
crime, o juiz ordenará a remessa dos autos ao Ministério Público, em seguida, os autos
serão conclusos ao juiz para decisão.
Procedimento da segunda fase - Fase da Causa (Judicium causae)
Arts. 422 ao 497, do Código de Processo Penal
2.17 Preparação e organização do júri
O libelo foi extinto pela nova redação dada pela Lei nº 11.689/2008.
No entanto, de acordo com este artigo, o legislador o substituiu por duas novas peças
(inominadas). Assim, ao receber os autos, após a preclusão da pronúncia, o presidente do
Tribunal do Júri determinará a intimação do órgão do Ministério Público ou do querelante,
no caso de queixa, e do defensor, para, no prazo de 5 (cinco) dias, apresentarem rol de
testemunhas que irão depor em plenário, até o máximo de 5 (cinco), oportunidade em que
poderão juntar documentos e requerer diligência.
2.18 Desaforamento: art. 427, CPP
2.18.1 Conceito
É a decisão jurisdicional que altera a competência inicialmente fixada pelos
critériosdo artigo 69 do Código de Processo Penal, com a aplicação estrita no procedimento
do Tribunal do Júri, dentro dos requisitos legais previamente estabelecidos.
A competência, para tal, é sempre da Instância Superior (Câmara ou Turma
doTribunal de Justiça).
2.18.2 Interesse da ordem pública
A ordem pública é a segurança existente na Comarca onde o júri deverá realizar-se.
Assim, havendo razoáveis motivos e comprovados de que a ocorrência do julgamento
provocará distúrbios, gerando intranquilidade na sociedade local, constituído está o
fundamento para desaforar o caso.
2.18.3 Dúvida sobre a imparcialidade do júri
Não há possibilidade de haver um julgamento justo com um corpo de jurados parcial.
Tal situação pode dar-se quando a cidade for muito pequena e o crime tenha sido
gravíssimo, levando à comoção geral, de modo que o caso vem sendo discutido em todos
os setores da sociedade muito antes do julgamento ocorrer.
2.18.4 Segurança pessoal do réu
Em casos anormais e excepcionais, de pequenas cidades, onde o efetivo da polícia
é diminuto e não há possibilidade de reforço, por qualquer motivo, é razoável o
desaforamento.
2.18.5 Iniciativa do desaforamento
Podem pleitear o desaforamento as partes, agora enumerados pela Lei (Ministério
Público, assistente, querelante ou acusado).
O acusado pode propor por intermédio de seu defensor, mas também diretamente,
por petição sua, afinal no processo penal, existe a autodefesa. O Juiz que preside a
instrução pode representar pelo desaforamento, exceto quando houver excesso de prazo.
2.18.6 Suspensão do julgamento pelo relator
O Código de Processo Penal permite que seja determinada a suspensão do
julgamento pelo júri até que o Tribunal possa apreciar o pedido de desaforamento.
2.18.7 Inadmissibilidade do pedido de desaforamento
Considerando-se que o pleito de desaforamento somente é admissível entre a
decisão de pronúncia, com o trânsito em julgado, e a data de realização da sessão de
julgamento em plenário, não há fundamento para ingressar com o pedido enquanto pender
recurso contra a referida decisão de pronúncia. Afinal, pode esta ser rejeitada pelo Tribunal
e o réu, impronunciado ou absolvido.
2.19 Excesso de Serviço: art. 428, CPP
Na regra atual, somente se poderá pleitear o desaforamento pela demora no
julgamento, caso seja ultrapassado o período de seis meses, contado do trânsito em
julgado da decisão de pronúncia, mas fundado em excesso de serviço comprovado.
2.20 Ausência do defensor: art. 456, CPP
Em primeiro lugar, deve-se frisar que, havendo escusa legítima, adia-se a sessão de
julgamento, sem qualquer outra providência. É preciso que a justificativa seja oferecida ao
magistrado até a abertura da sessão em plenário.
Se não houver motivo razoável, o juiz comunica à OAB, seção local, marcando nova
data para o julgamento. Nesta o réu deverá ser, necessariamente, julgado (§ 1º). Para tanto,
pode o réu apresentar outro defensor constituído, logo após a determinação de adiamento.
Não o fazendo, o magistrado intima a Defensoria Pública para que assuma o patrocínio da
defesa, observando o prazo mínimo de 10 dias.
2.21 Ausência do acusado: art. 457, CPP
O julgamento não será adiado pelo não comparecimento do acusado solto, do
assistente ou do advogado do querelante, que tiver sido regularmente intimado.
Se o acusado preso não for conduzido, o julgamento será adiado para o primeiro dia
desimpedido da mesma reunião, salvo se houver pedido de dispensa de comparecimento
subscrito por ele e seu defensor.
2.22 Imprescindibilidade do depoimento da testemunha: art. 461, CPP
É fundamental que as partes, entendendo ser indispensável o depoimento de alguma
testemunha, arrolem-na na fase de preparação para o plenário, com o caráter de
imprescindibilidade.
Não o fazendo, deixa de haver a possibilidade de insistência na sua oitiva, caso
alguma delas não compareça à sessão plenária.
O momento para arrolar testemunhas, no procedimento preparatório, é o previsto no
artigo 422 do Código de Processo Penal, após a intimação determinada pelo juiz.
2.23 Suspensão dos trabalhos para condução coercitiva ou adiamento da
sessão
Somente ocorre se a testemunha tiver sido arrolada com o caráter de
imprescindibilidade e houver sido intimada.
2.24 Infrutífera condução coercitiva
É possível que, a despeito da tentativa, falhe a condução coercitiva, razão pela qual
não se pode adiar eternamente a realização do julgamento.
Assim, se a testemunha não for localizada para a condução ou tiver alterado o
domicílio, instala-se a sessão.
2.25 Realização do julgamento, independentemente da inquirição de
testemunha arrolada
Caso a testemunha tenha sido arrolada sem o caráter de imprescindibilidade, não
comparecendo, o julgamento será realizado de qualquer modo, tendo sido ela intimada ou
não;
Se tiver sido arrolada com o caráter de imprescindibildade, se for intimada e não
comparecer, é cabível o adiamento, como regra, para que possa ser conduzida
coercitivamente na sessão seguinte.
Entretanto, arrolada com o caráter de imprescindibilidade, mas não localizada,
tomando ciência a parte de que não foi intimada e não indicando o seu paradeiro, com prazo
hábil para nova intimação ser feita, perde a oportunidade de insistir no depoimento.
2.26 Preparo para a composição do conselho de sentença: art. 462, CPP
Para a composição do Conselho de Sentença, o juiz presidente deve checar se as
partes estão presentes, assim como todas as testemunhas indispensáveis,
convenientemente separadas e incomunicáveis. Ultrapassada essa fase, poderá voltar-se
à formação do Conselho.
2.27 Abertura dos trabalhos: art. 463, CPP
Comparecendo ao menos 15 (quinze) jurados, há quorum para a instalação da
sessão, que será dada por aberta pelo juiz presidente.
O próprio magistrado anuncia o processo a ser julgado (número do processo, nomes
do autor e do réu, classificação do crime) e pede ao oficial que faça o pregão (anúncio na
porta do plenário para que todos tomem ciência, vez que o julgamento é público).
2.28 Ausência de quórum: art. 464, CPP
Se o quorum de 15 (quinze) jurados não foi atingido, é impossível instalar a sessão.
Deve o magistrado providenciar o sorteio de suplentes e adiar o julgamento para a data
seguinte desimpedida.
A partir da edição da Lei 11.689/2008, somente se faz o sorteio dos suplentes, caso
não se atinja o quorum mínimo 15 (quinze) e não mais o número legal 25 (vinte e cinco).
Ou seja, se comparecerem 18 (dezoito) jurados, instala-se a sessão, sem sorteio de
suplentes. Se vierem apenas treze, adia-se a sessão e sorteiam-se suplentes até o número
máximo 25 (vinte e cinco).
2.29 Reunião prévia do juiz com os jurados: art. 466, CPP
2.29.1 Conceito
Somente pode realizar-se, a fim de que o magistrado forneça algumas instruções a
respeito da forma e do julgamento e do procedimento do Tribunal do Júri, se as partes
estiverem cientes e, desejando, possam estar presentes.
2.29.2 Incomunicabilidade dos jurados
Significa que os jurados não podem conversar entre si, durantes os trabalhos, nem
nos intervalos, a respeito de qualquer aspecto da causa posta em julgamento,
especialmente deixando transparecer sua opinião.
Logicamente, sobre os fatos desvinculados do feito podem os jurados conversar,
desde que não seja durante a sessão – e sim nos intervalos –, pois não se quer a mudez
dos juízes leigos e sim a preservação da sua íntima convicção.
A troca de ideias sobre os fatos relacionados ao processo poderia influenciar o
julgamento, fazendo com que o jurado pendesse para um ou outro lado.
A incomunicabilidade dos jurados existe para resguardar o princípio do sigilo das
votações do júri (Art. 5º, inciso XXXVIII, alínea “b”, da CF/88), que constitui garantia das
liberdades individuais e, por isso, sua violação configura nulidade absoluta (Art. 564, inciso
III, alínea “j”, c/c o Art. 458, § 1º (atual, 466, §1º).
2.29.3 Manifestação da opinião acerca do processo
Em razão da incomunicabilidade, deseja-se que o jurado decida livremente, sem
qualquer tipo de influência, ainda que seja proveniente de outro jurado.
Deve formar o seu convencimento sozinho, através da captação das provas
apresentadas, valorando-as segundo o seu entendimento.
Portanto, cabe ao juiz presidente impedir a manifestação de opinião do jurado sobre
o processo, sob pena de nulidade da sessão de julgamento.
2.29.4 Fiscalização da incomunicabilidade durante o julgamento
É atribuição do juiz presidente, razão pela qual não pode ele afastar-se do plenário
por muito tempo, o que coloca em risco a validade do julgamento.
Se algum jurado desejar esclarecer alguma dúvida, a ausência do magistrado
prejudica a formação do seu convencimento, além do que o jurado pode fazer alguma
observação inoportuna, gerando nulidade insanável.
2.29.5 Certidão do oficial de justiça
A principal autoridade a controlar a manifestação dos jurados é o juiz presidente.
Entretanto, vale-se dos oficiais de justiça presentes para auxiliá-lo.
Em suma, ao final do julgamento, cumpre ao oficial lançar certidão de que a
incomunicabilidade foi preservada durante todos os momentos processuais.
Exemplo: na sala especial, quando estiverem reunidos em intervalos, o juiz pode não
estar presente, razão pela qual o oficial incumbe-se de fiscalizar a incomunicabilidade.
2.30 Formação do conselho de sentença: art. 467, CPP
O Conselho de Sentença no Tribunal do Júri é composta por sete jurados, escolhidos
aleatoriamente, por sorteio, dentre os que comparecerem (mínimo de quinze e máximo de
vinte e cinco).
2.31 Recusas motivadas e imotivadas: art. 468, CPP
Para a formação do Conselho de Sentença, essas são as duas possibilidades de
recusa do jurado, formuladas por qualquer das partes.
A recusa motivada baseia-se em circunstâncias legais de impedimento ou suspeição
(Arts. 448 e 449, ambos do CPP). Logo, não pode ser jurado, por exemplo, aquele que for
filho do réu, nem tampouco o seu inimigo capital.
A recusa imotivada – também chamada peremptória – fundamenta-se em
sentimentos de ordem pessoal do réu, de seu defensor ou do órgão da acusação. Na
constituição do Conselho de Sentença, cada parte pode recusar até três jurados, sem dar
qualquer razão para o ato.
A nova sistemática, introduzida pela Lei nº 11.689/2008, impõe que, havida a recusa
peremptória por qualquer das partes, o jurado está automaticamente excluído da formação
do Conselho de Sentença. Anteriormente, seria preciso coincidir a recusa da defesa com a
da acusação.
2.32 Separação do julgamento: art. 469, CPP
Conforme disposto no artigo 468, parágrafo único, do Código de Processo Penal
quando o jurado for recusado imotivadamente (recusa peremptória) por qualquer das partes
será excluída daquela sessão, prosseguindo-se o sorteio para a formação do Conselho de
Sentença.
Logo, a cada recusa de jurado, este não mais permanecerá, independentemente de
haver também recusa por parte de outro defensor ou da acusação.
Em ilustração, computando-se 25 (vinte e cinco) jurados presentes, com dois
corréus. Imaginemos que o primeiro defensor recuse os três primeiros jurados sorteados.
Serão excluídos, com ou sem a recusa do segundo defensor e do promotor. Após, outros
três jurados, sorteados na sequência, são recusados por parte do segundo defensor. Serão,
também, excluídos, independentemente da manifestação do promotor. Serão afastados.
Ao todo, nove jurados sorteados foram rechaçados e os envolvidos (dois defensores
e um promotor) já não podem exercer o direito de recusa imotivada (são três para cada
parte). Logo, dos 16 jurados restantes, por sorteio, serão escolhidos obrigatoriamente 7
para compor o Conselho de Sentença. Não haverá cisão do julgamento.
Caso estivessem presentes apenas 15 jurados, a exclusão de 9, recusa dos pelas
partes presentes, faria com que restassem apenas 6 e ocorreria o denominado estouro da
urna. Se tal se desse, haveria então a separação do julgamento.
O juiz verifica qual é o autor do fato. Será ele julgado em primeiro lugar, como
determina o artigo 469, § 2º, do Código de Processo Penal.
Com relação à preferência de julgamento em caso de separação, impõe-se que, em
caso de separação, seja julgado em primeiro lugar o acusado a quem se atribuiu a autoria
do fato, ou, em caso de coautoria, aplica-se o critério de preferência do artigo 429 do Código
de Processo Penal (presos em primeiro lugar; dentre os presos, os que estiverem há mais
tempo na prisão; em igualdade de condições, os que estiverem há mais tempo
pronunciado).
2.33 Arguição de impedimento, suspeição ou incompatibilidade: art. 470, CPP
Tão logo sejam instalados os trabalhos, deve a parte interessada em levanter
qualquer causa de impedimento ou suspeição do juiz presidente, do promotor (no caso da
defesa arguir) ou de qualquer funcionário fazê-lo de imediato, apresentando as provas que
possuir. Assim, cabe levar testemunhas, se for o caso, ou documentos para exibição
emplenário.
Aceita a suspeição, o julgamento será adiado para o primeiro dia desimpedido.
Rejeitada, realiza-se o julgamento, embora todo o ocorrido – inclusive a inquirição das
testemunhas – deva constar da ata.
Futuramente, caberá ao Tribunal analisar se houve ou não a causa de impedimento
ou suspeição.
Caso seja arguida contra o jurado, deve ser levantada tão logo seja ele sorteado,
procedendo-se da mesma forma, isto é, com a apresentação imediata das provas.
2.34 Estouro da urna: art. 471, CPP
Outra hipótese de adiamento da sessão para outra data é a impossibilidade de
formação do conselho de sentença por insuficiência do número de jurados presentes, com
potencial para o sorteio.
Se comparecerem, por exemplo, quinze jurados (quantum mínimo para a instalação
dos trabalhos), mas houver a recusa motivada, calcada em causas de impedimento ou
suspeição, de vários deles, é possível que o afastamento ocorra em número tal aponto de
inviabilizar o sorteio de sete jurados para compor o Conselho.
2.35 Compromisso e entrega de peças aos jurados: art. 472, CPP
Formado o conselho de sentença, os jurados prestarão compromisso e receberão
cópias da pronúncia ou, se for o caso, das decisões posteriores que julgaram admissível a
acusação e do relatório do processo. A lei não mais prevê a realização de relatório pelo
Juiz, em plenário.
2.36 Instrução em plenário: art. 473, CPP
Em primeiro lugar, ouve-se o ofendido. O Juiz Presidente dirige-lhes as perguntas
que entender necessárias. Em seguida, passa a palavra ao representante do Ministério
Público e ao assistente de acusação, se houver, ou ao querelante (se a ação for privada).
Na sequência, poderá a defesa reperguntar.
Finda a oitiva da vítima, passa-se à inquirição das testemunhas de acusação.
Primeiramente, o juiz faz as perguntas cabíveis. Em seguida, concede a palavra ao
Ministério Público e ao assistente, se houver. Depois, à defesa.
Após, ouvem-se as testemunhas de defesa. Inicialmente, as perguntas são
formuladas pelo juiz. Na sequência, pela defesa. Em seguida, pelo Ministério Público e
assistente.
Importante registrar a alteração legislativa que inseriu o artigo 474-A, CPP, que
determina o respeito à dignidade das vítimas ou testemunhas. Neste ponto, devemos nos
atentar a eventual cerceamento de defesa sob o pretexto de proteção. Por certo que todos
devem ser respeitados, mas a audiência de instrução é um espaço de construção da
verdade processual.
2.37 Interrogatório do acusado: art. 474, CPP
Ao final da colheita das provas em plenário, Ministério Público, o assistente, o
querelante e o defensor, nessa ordem, poderão formular, diretamente, perguntas ao
acusado; os jurados formularão perguntas por intermédio do juiz presidente.
Nos termos do §3º, do artigo 474 do Código de Processo Penal, não se permitirá o
uso de algemas no acusado durante o período em que permanecer no plenário do júri, salvo
se absolutamente necessário à ordem dos trabalhos, à segurança das testemunhas ou à
garantia da integridade física dos presentes.
Por exceção e quando for absolutamente necessário à ordem dos trabalhos, à
segurança das testemunhas ou à garantia da integridade física dos presentes poderá o réu
permanecer algemado.
Por unanimidade, o STF decidiu que o uso de algemas deve ser adotado em
situações excepcionalíssimas, pois, do contrário, violam-se importantes princípios
constitucionais, dentre eles a dignidade da pessoa humana (Súmula vinculante n. 11).
2.38. Dos debates: art. 476, CPP
2.38.1 Correlação entre acusação e pronúncia
Encerrada a instrução, será concedida a palavra ao Ministério Público, que fará a
acusação, nos limites da pronúncia ou das decisões posteriores que julgaram admissível a
acusação, sustentando, se for o caso, a existência de circunstância agravante. O assistente
falará depois do Ministério Público.
A acusação é limitada pela Pronúncia
Art. 476, CPP: Encerrada a instrução, será concedida a palavra ao Ministério Público,
que fará a acusação, nos limites da pronúncia ou das decisões posteriores que julgaram
admissível a acusação, sustentando, se for o caso, a existência de circunstância
agravante.
2.38.2 Manifestação inicial do querelante
Ocorre na hipótese de ação privada, em conexão com ação pública, mas com
desmembramento.
Exemplo: dois crimes são cometidos no mesmo cenário, um deles é doloso contra a vida
e o outro, de ação exclusivamente privada, ocorrendo o julgamento isolado do delito cujo
titular da ação é o ofendido.
Nesse caso, manifesta-se o querelante (por meio de advogado) e, na sequência, fala
o Ministério Público, como custos legis (fiscal da lei).
2.39 Limite de tempo para as partes: art. 477, CPP
A Lei 11.689/2008 alterou o tempo de manifestação reservado às partes. De duas
horas para acusação e defesa, como tempo original, passou-se a uma hora e meia.
Em relação à réplica e à tréplica modificou-se o tempo de trinta minutos para uma
hora. Havendo mais de um acusado, o tempo para a acusação e a defesa será acrescido
de uma hora e elevado ao dobro o da réplica e da tréplica, observado o disposto no § 1º
deste artigo.
2.40 Referências proibidas: art. 478, CPP
É vedado às partes:
• fazer referência à decisão de pronúncia, às decisões posteriores que julgaram
admissível a acusação ou à determinação do uso de algemas como argumento de
autoridade que beneficiem ou prejudiquem o acusado, bem como ao silêncio do acusado
ou à ausência de interrogatório por falta de requerimento, em seu prejuízo (trata-se de
dispositivo nitidamente direcionado ao Ministério Público, com prejuízo à acusação);
• a leitura de documento ou a exibição de objeto que não tiver sido juntado aos
autos com a antecedência mínima 3 (três) dias úteis, dando-se ciência à outra parte,
abrangendo a leitura de jornais ou qualquer outro escrito, bem como a exibição de vídeos,
gravações, fotografias, laudos, quadros, croqui ou qualquer outro meio assemelhado, cujo
conteúdo versar sobre a matéria de fato submetida à apreciação e julgamento dosjurados.
2.41 Do questionário e sua votação: arts. 482 e 483, CPP
Questionário é o conjunto dos quesitos elaborados pelo juiz presidente, que serão
submetidos à votação pelo Conselho de Sentença, para obtenção do veredicto final.
Nos termos do artigo 483 do Código de Processo Penal, os quesitos serão
formulados na seguinte ordem:
a) Quesito sobre a materialidade do fato
Se o conselho de sentença responder de forma afirmativa a essa questão, seguirá a
votação com a questão seguinte. Se responder negativamente, encerra-se o julgamento
com a absolvição do réu.
b) Quesito sobre a autoria ou participação
O juiz indagará aos jurados se o réu de qualquer modo contribuiu para o
cometimentodo delito.
Respondendo o Conselho de Sentença de forma afirmativa, seguirá com a pergunta
seguinte. Caso contrário, encerra-se o julgamento com a absolvição do acusado pelo júri.
Duas situações podem acontecer aqui:
• Caso não haja tese de desclassificação do delito doloso contra a vida para
outro que não seja, o quesito seguinte que deve ser inserido perguntará se “o jurado absolve
o acusado?”
• Se houver alegação de tese de desclassificação para delito diverso do doloso
contra a vida, a questão desclassificatória será dirigida aos jurados sempre antes do quesito
que indaga se “o jurado absolve o acusado?”
É o que se extrai do artigo 483, § 4º, do Código de Processo Penal, ao destacar que
uma vez sustentada a desclassificação da infração para outra de competência do juiz
singular, sera formulado quesito a respeito, para ser respondido após o segundo ou terceiro
quesito, conforme ocaso.
Da mesma forma, deve ser usado para hipótese de tentativa, nos termos do artigo
483, § 5º, do Código de Processo Penal, que enfatiza que se sustentada a tese de
ocorrência do crime na sua forma tentada ou havendo divergência sobre a tipificação do
delito, sendo este da competência do Tribunal do Júri, o juiz formulará quesito acerca destas
questões, para ser respondido após o segundo quesito.
O quesito seguinte será em relação à causa de diminuição da pena alegada pela
defesa, que somente será formulado se o acusado, a essa altura, tiver sido condenado
pelos jurados.
Por fim, os jurados são inquiridos sobre a existência de circunstâncias qualificadora
ou causa de aumento de pena reconhecidas na pronúncia ou em decisões posteriores que
julgaram admissível aacusação.
2.42 Sentença: art. 492, CPP
A sentença pode ser:
a) de condenação, devendo, nesse caso, o juiz fixar apena.
b) absolvição, caso em que o réu deverá ser posto imediatamente em
liberdade, caso estejapreso.
Atente-se para a hipótese de desclassificação do crime pelo Conselho de Sentença,
nos casos do artigo 492, §§ 1º e 2º, do Código de Processo Penal.
Diz-se desclassificação própria quando o Conselho desclassifica para outro crime
que não é da sua competência, sem especificar qual crime, assim o Juiz presidente deverá
decidir. Por exemplo, jurados não reconhecem a tentativa de homicídio, caberá o juiz o
julgamento da lesão corporal. Vale frisar que o Juiz aqui assume capacidade decisória
integral, poderá até mesmo absolver.
Sempre lembrar que sendo possível suspensão condicional do processo ou outra
medida despenalizadora devem ser oportunizadas.
Súmula 337 do STJ: É cabível a suspensão condicional do processo na desclassificação
do crime e na procedência parcial da pretensão punitiva.
Já a desclassificação imprópria os jurados reconhecem a incompetência para
julgar, mas indicam o delito cometido. Como ocorre quando reconhecem materialidade e
lesões, mas desclassificam para homicídio culposo. Aqui o juiz deve julgar com base na
decisão dos jurados, estando vinculado.
Caso haja desclassificação o crime conexo que não seja da competência do Júri será
julgado pelo Juiz Presidente.
2.43 Execução antecipada da pena no júri: art. 492, inciso I, alínea “e”, 2ª parte,
CPP
Em caso de condenação pelo Tribunal do Júri é competência do Juiz Presidente
determinar a prisão do condenado, se presentes os requisitos da prisão preventiva previstos
no artigo 312 do Código de Processo Penal. Entretanto, destaca-se que com a publicação
da Lei nº 13.964/2019 (Pacote Anticrime), foi inserida a regra de execução provisória de
pena nos processos julgados pelo Tribunal do Júri quando o quantum aplicado na sentença
condenatória for igual ou superior a 15 anos (Art. 492, inciso I, Alínea “e”, 2ª parte, do CPP),
sem prejuízo do conhecimento de eventual recurso a ser interposto.
O juiz presidente, excepcionalmente, poderá deixar de autorizar a execução
provisória se houver questão substancial cuja resolução pelo tribunal ao qual competir o
julgamento possa plausivelmente levar à revisão da condenação.
Caso não obtido o efeito suspensivo através de decisão do Juiz Presidente, o
Tribunal que julgar o recurso de apelação poderá atribuir efeito suspensivo à
apelação quando verificar que o recurso interposto não tem propósito meramente
protelatório; e a que há questão substancial que poderá resultar em absolvição, anulação
da sentença, novo julgamento ou redução da pena para patamar inferior a 15 anos.
O pedido do efeito suspensivo poderá ser feito no corpo da apelaçãoou, por
meio de petição endereçada ao relator, instruída com cópias da sentença, razões de
apelação e prova da tempestividade, além das contrarrazões e das demais peças
necessárias à controvérsia (Art. 492, § 6º, do CPP).
• Observação: caso a peça prática seja uma Apelação da 2ª fase do Júri envolvendo
uma condenação cuja pena aplicada seja igual ou superior a 15 anos, tendo o enunciado
informado que o juiz presidente determinou a execução antecipada, deverá ser elaborado
um item na peça processual, a fim de requerer ao Tribunal que conceda efeito suspensivo
à apelação (Pedido de Efeito Suspensivo) – nos termos do art. 492, §6º, CPP. O pedido
deverá ser explorar os fundamentos do §5º, demonstrando que o recurso em questão:
I - não tem propósito meramente protelatório; e
II - levanta questão substancial e que pode resultar em absolvição, anulação da sentença,
novo julgamento ou redução da pena.
IMPORTANTE
Aqui o Recurso cabível é APELAÇÃO, nos termos do artigo 593, inciso III, do Código de
Processo Penal.
PEDIU PRA PARAR
Lembrete: Peça:
Súmula 713/STF Recurso de apelação
PAROU!
2.44 Resposta à acusação no procedimento do tribunal do júri
• Base legal: art. 406, CPP
• Identificação:
A resposta à acusação é oferecida após o recebimento da denúncia e citação do
acusado. Antes, por óbvio, da instrução.
Logo, deve haver denúncia, o recebimento da denúncia e a citação do réu. Não
poderá ter sido realizada audiência de instrução e julgamento.
• Conteúdo:
Nos termos do artigo 406, § 3º, do Código de Processo Penal, na resposta, o
acusado poderá arguir preliminares e alegar tudo que interesse a sua defesa, oferecer
documentos e justificações, especificar as provas pretendidas e arrolar testemunhas, até o
máximo de 8 (oito), qualificando-as e requerendo sua intimação, quando necessário.
Em síntese, além de eventuais nulidades, deve-se buscar no enunciado informações
relacionadas a causas evidentes de exclusão de ilicitude, tipicidade e culpabilidade, salvo
a inimputabilidade por doençamental.
• Pedido:
No procedimento do júri, não há previsão legal de absolvição sumária logo após o
oferecimento da resposta à acusação. Neste procedimento, a possibilidade deabsolvição
sumária está prevista após o encerramento da instrução, nos termos do artigo 415
doCódigo de Processo Penal.
Todavia, sugere-se, para esse caso excepcional, adotar, por analogia, o artigo 397
do Código de Processo Penal. É o entendimento de Gustavo Badaró, segundo o qual
“Embora o procedimento especial dos crimes dolosos contra a vida haja a previsão de uma
‘absolvição sumária’ ao término do juízo da acusação (Art. 415 do CPP), isso não impede
de que seja aplicado o artigo 397 do Código do Processo Penal, sendo possível ao juiz,
logo após o oferecimento da resposta, absolver sumariamente o acusado. Aliás, o § 4º do
artigo 394 do Código de Processo Penal prevê que “as disposições dos artigos 395 a 398
deste Código aplicam-se a todos os procedimentos penais de primeiro grau, ainda que não
regulados neste Código". Aplica-se, pois, o art. 397 ao procedimento dos crimes dolosos
contra a vida”.4
4 BADARÓ, Gustavo Henrique. Processo Penal. 3ª ed. São Paulo: RT. 2015, p. 656.
Estruturação da peça Resposta à Acusação no Tribunal do Júri
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA... VARA CRIMINAL DO
TRIBUNAL DO JÚRI DA COMARCA... (se crime da competência da Justiça Estadual)
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ FEDERAL DA... VARA CRIMINAL DA
JUSTIÇA FEDERAL DO TRIBUNAL DO JÚRI DA SEÇÃO JUDICIÁRIA DE... (se crime
da competência da Justiça Federal)
Processo nº ...
FULANO DE TAL, nacionalidade..., estado civil..., profissão..., RG nº..., endereço
eletrônico..., residente e domiciliado ..., por seu procurador infra-assinado, com
procuração em anexo, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência
apresentar RESPOSTA À ACUSAÇÃO, com base no artigo 406 do Código de
Processo Penal pelos fatos e fundamentos jurídicos a seguir expostos:
I) DOS FATOS5
II) DO DIREITO6
a) Das preliminares
b) Do mérito
III) DO PEDIDO
Ante o exposto, requer o denunciado:
a) Seja rejeitada a denúncia;
b) Nulidades (referir todas as nulidades enfrentadas na peça);
c) Absolvição, com base no artigo 397 e inciso correspondente (por analogia);
d) A produção de provas, com designação de audiência de instrução e julgamento e
oitiva das testemunhas arroladas.
5Fazer um breve relato dos fatos. Não inventar dados. Relatar como ocorreu a prisão.
6Buscar no enunciado informações que permitam desenvolver teses voltadas à ilegalidade formal e/ou
material.
ROL DE TESTEMUNHAS
A) Fulano de tal...
B) Fulano de tal...
Local..., data...
ADVOGADO...
OAB...
Memoriais do júri ou alegações finais por memoriais
Prof.ª Letícia Neves
@prof.leticianeves
3.1 Considerações iniciais
• Base legal: Art. 403, § 3º, CPP OU Art. 404, parágrafo único, CPP.
Embora não tenha previsão na lei, admite-se, no procedimento do júri, a substituição
dos debates orais em memoriais escritos, por analogia aos artigos 403, § 3º e 404, ambos
do Código de Processo Penal. Aliás, foi o que ocorreu na peça da OAB 2010-01 e no XXXII
Exame.
Em relação à base legal propriamente dita, na peça profissional do Exame XXXII, em
2021, foi permitida a indicação como fundamento legal dos memoriais propostos o artigo
403, § 3º ou o 404, ambos do Código de Processo Penal.
• Identificação: os memoriais são oferecidos após a instrução e antes da decisão de
impronúncia, absolvição sumária ou desclassificação.
PEDIU PRA PARAR
Expressão mágica: Peça:
“encerrada a instrução”
MEMORIAIS DO JÚRI
PAROU!
• Conteúdo dos Memoriais do Júri
Assim como nas demais peças, deve-se buscar no enunciado preliminares e mérito.
Preliminar
Como já referido, as questões preliminares são aquelas que não observam aspectos
formais de determinado ato processual, gerando, invariavelmente, nulidade.
Aqui, por questão de organização, recomenda-se que as causas extintivas de
punibilidade, notadamente prescrição, sejam abordadas no campo destinado às
preliminares.
Mérito
Finda a instrução do processo relacionado ao Tribunal do Júri, cuidando de crimes
dolosos contra a vida e infrações conexas, o magistrado poderá proferir decisão de:
a) Pronúncia
b) Impronúncia
c) Absolvição sumária
d) Desclassificação
Conforme abordado, nas peças práticas profissionais deverá ser desenvolvida uma
tese que, ao final, viabilizará o correspondente pedido. Ou seja, somente se aborda na peça
aquilo que, ao final, poderá ser objeto depedido.
No caso dos memoriais escritos do procedimento do júri, as teses de mérito guardam
relação com as hipóteses que podem ensejar decisão de: a) impronúncia (Art. 414 do CPP);
b) absolviçãosumária (Art. 415 do CPP); c) ou desclassificação (Art. 419 do CPP).
Para melhor visualização do conteúdo dos memoriais do júri, convém destacar as
hipóteses de decisões que podem ser proferidas nesta primeira fase do procedimento do
Tribunal do Júri:
• Pronúncia: art. 413, CPP
É decisão interlocutória mista não terminativa, que julga admissível a acusação,
remetendo o caso à apreciação do Tribunal do Júri.
Na pronúncia, há um mero juízo de admissibilidade, pelo qual o juiz admite ou rejeita
a acusação, sem penetrar no exame do mérito. No caso de o juiz se convencer da existência
do crime e de indícios suficientes da autoria, deve proferir sentença de pronúncia,
fundamentando os motivos de seu convencimento.
Assim, nos termos do artigo 413, § 1º, do Código de Processo Penal, a decisão de
pronúncia deve se limitar à indicação da materialidade do fato e da existência de indícios
suficientes de autoria ou de participação, devendo o juiz declarar o dispositivo legal em que
julgar incurso o acusado e especificar as circunstâncias qualificadoras e as causas de
aumento depena.
Se o Magistrado se aprofundar na análise do mérito, extrapolando na linguagem,
enfatizando, por exemplo, ser o réu efetivo autor do delito ou que não agiu sob o amparo
de excludente de crime, caracteriza-se o que se denomina eloquência acusatória, gerando
nulidade da decisão de pronúncia.
• Impronúncia: art. 414, CPP
É a decisão interlocutória mista de conteúdo terminativo, visto que encerra a primeira
fase, deixando de inaugurar a segunda, sem haver juízo de mérito. Assim, inexistindo prova
da materialidade do fato ou não havendo indícios suficientes de autoria, deve o magistrado
impronunciar o réu, que significa julgar improcedente a denúncia e não a pretensão punitiva
do Estado.
• Absolvição sumária: art. 415, CPP
A absolvição sumária ocorrerá quando estiver provada a inexistência do fato,
provado não ser o réu autor ou partícipe do fato, o fato não constituir infração penal ou
estiver demonstrada causa de isenção de pena ou de exclusão do crime. No caso de
inimputáveis, a absolvição sumária só é possível, agora por disposição expressa, se a
inimputabilidade for a única tese defensiva.
Nos termos do artigo 415 do Código de Processo Penal, o juiz absolverá, desde logo
(sumariamente, portanto), o acusado quando:
Provada não ser ele o Prova indiscutível de que o réu
não cometeu ou participou de
autor ou partícipe do fato sua execução
Prova cabal de que os fatos
Provada a inexistência narrados na inicial acusatória
do fato não aconteceram
O fato não constituir Fato atípico
infração penal
Demonstrada causa de
Vide notas de excludentes de
isenção de pena ou de ilicitude e culpabilidade
exclusão do crime
De acordo com o parágrafo único do artigo 415 do Código de Processo Penal, “não
se aplica o disposto no inciso IV do caput do art. 26 do CP, salvo quando esta for a única
tese defensiva”.
Dessa forma, ainda que a inimputabilidade se encontre comprovada por exame de
insanidade mental, o Código de Processo Penal faz restrições à absolvição imprópria do
agente, pois esta implicará na imposição de medida de segurança, o que poderá ser
prejudicial ao réu, uma vez que não lhe será viabilizado demonstrar em plenário do Júri,
outras teses defensivas em favor da sua inocência, sem a imposição de qualquer medida
restritiva.
Assim, havendo outra tese defensiva e não sendo caso de absolvição sumária por
outro fundamento, o Magistrado deverá pronunciar o réu, para que seja submetido a
julgamento pelo plenário do Júri. Agora, se, por conta dessa outra tese, ficar evidenciada
hipótese de absolvição sumária, que não a inimputabilidade, o juiz deverá absolver o réu
sumariamente, sem imposição de medida de segurança (absolvição própria).
De outro lado, se a inimputabilidade for a única tese da defesa, admite-se a
absolvição sumária imprópria, com a imposição de medida de segurança.
No caso de não haver convencimento por parte do magistrado acerca da autoria,
ainda que o acusado seja inimputável, deverá ser impronunciado, pois a medida de
segurança só poderá ser imposta se ficar provada a prática de um fato típico e ilícito. Desta
forma, melhor alternativa ao acusado seria a impronúncia.
IMPORTANTE
Não confundir a absolvição sumária prevista no Art. 397 do CPP (que decorre da
resposta à acusação), com a absolvição sumária do Art. 415 do CPP, aplicável somente
ao Procedimento do Júri.
• Desclassificação: art.419, CPP
Nos termos do artigo 419 do Código de Processo Penal, quando o juiz se convencer,
em discordância com o que consta na peça acusatória, da existência de crime não doloso
contra a vida e não for competente para o julgamento, remeterá os autos ao juiz que o seja,
ficando à disposição deste o acusado preso.
Exemplo: o agente ser denunciado por crime de homicídio doloso e, ao final,
constatar-se que agiu sem a intenção de matar, passando a ser, em tese, homicídio
culposo.
Pedido
No campo destinado aos pedidos, deve-se formular pedido específico para cada uma
das teses desenvolvidas ao longo da peça.
Exemplo: Se sustentou alguma preliminar, nulidade, por exemplo, deve-se, ao final,
formular pedido expresso no sentido de que seja declarada a nulidade.
No que tange ao mérito, o pedido deve guardar relação com a(s) tese(s) invocadas:
a) Impronúncia, com base no artigo 414 do Código de Processo Penal; e/ou
b) Absolvição sumária, com base no artigo 415 do Código de Processo Penal; e/ou
c) Desclassificação, com base no artigo 419 do Código de Processo Penal.
o procedimento do júri, as teses e pedidos subsidiários guardam relação,
invariavelmente, com o afastamento da qualificadora ou causa de aumento de pena.
Estruturação da peça Memoriais do Júri
Endereçamento: Juiz de Direito da Vara do Tribunal do Júri (se crime da competência
da Justiça Estadual) ou Juiz Federal da Vara do Tribunal do Júri da Seção Judiciária (se
crime da competência da Justiça Federal)
Preâmbulo: nome e qualificação do acusado (não inventar dados), capacidade
postulatória (por seu procurador infra-assinado), fundamento legal (403, § 3º ou 404,
parágrafo único), nome da peça (Memoriais escritos), frase final (pelos fatos e fundamentos
jurídicos a seguirexpostos);
Corpo da peça (tesesdefensivas)
Pedidos:
I) Nulidades (acompanhar a ordem daspreliminares)
II) Absolvição sumária (art. 415), impronúncia (art. 414) e/ou desclassificação
(art.419) – teses alternativas, em caso de pronúncia, afastamento de qualificadoras, causas
de aumento de pena ...
Parte final (local, data, advogado... e OAB...)
Sistema Recursal
Pronúncia Impronuncia Desclassificação Absolvição
• RESE • Apelação • RESE Sumária
• art. 581, IV, CPP • art. 416, CPP • art. 581, II, CPP • Apelação
• art. 416, CPP
Estruturação da peça Memoriais no Tribunal do Júri:
A) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ... VARA CRIMINAL
DO TRIBUNAL DO JÚRI DA COMARCA... (se crime da competência da Justiça Estadual)
B) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ FEDERAL DA ... VARA CRIMINAL DA
JUSTIÇA FEDERAL DO TRIBUNAL DO JÚRI DA SEÇÃO JUDICIÁRIA DE... (se crime
da competência da Justiça Federal)
Processo nº ...
FULANO DE TAL, já qualificado nos autos, por seu procurador infra-assinado, com
procuração em anexo, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência apresentar
MEMORIAIS ESCRITOS, com base no artigo 403, §3º, parágrafo único do Código de
Processo Penal, pelos fatos e fundamentos a seguir expostos:
I) DOS FATOS7
II) DO DIREITO
A) DAS PRELIMINARES
B) DO MÉRITO
* Impronúncia: ausência de prova da materialidade e não restar provada a autoria (Art.
414 do CPP);
* Absolvição sumária (Art. 415 do CPP)
* Desclassificação: fato imputado não constitui crime doloso contra a vida (Art. 419 do
CPP)
C) SUBSIDIARIAMENTE8
7Narrar o fato, fazendo um breve relato. Não inventar dados nem simplesmente transcrever o enunciado.
8Afastar qualificadora ou causa de aumento de pena.
III) DO PEDIDO9
a) Preliminares (nulidades, prescrição, etc – acompanhar a ordem das preliminares);
b) Impronúncia, com base no artigo 414 do Código de Processo Penal;
c) Absolvição sumária, com base no artigo 415 do Código de Processo Penal;
d) Desclassificação, com base no artigo 419 do Código de Processo Penal;
e) Afastar qualificadora ou causa de aumento de pena.
Nestes termos,
Pede deferimento.
Local..., data...10
ADVOGADO...
OAB...
Obs: conforme o enunciado da peça ou da questão, os pedidos podem ser cumulativos
10A
FGV pode pedir para que seja apontado o último dia do prazo.
2) (QUESTÃO 2 - VI EXAME)
Hugo é inimigo de longa data de José e há muitos anos deseja matá-lo. Para conseguir seu
intento, Hugo induz o próprioJoséamatarLuiz, afirma ndo falsamente que Luiz estava se
insinuando para a esposa de José. Ocorre que Hugo sabia que Luiz é pessoa de pouca
paciência e que sempre anda armado. Cego de ódio, José espera Luiz sair do trabalho e,
ao vê-lo, corre em direção dele com um facão em punho, mirando na altura da cabeça. Luiz,
assustado e sem saber o motivo daquela injusta agressão, rapidamente saca sua arma e
atira justamente no curacao de José, que more instantaneamente. Instaurado inquérito
policial para apurar as circunstâncias da morte de José, ao final das investigações, o
Ministério Público formou sua opinion no seguinte sentido: Luiz deve responder pelo
excesso doloso em sua conduta, ou seja, deve responder por homicídio doloso; Hugo por
sua vez, deve responder como partícipe de tal homicídio. A denúncia foi oferecida e
recebida.
Considerando que você é o advogado de Hugo e Luiz, responda:
A) Qual peça deverá ser oferecida, em que prazo e endereçada a quem? (Valor:0,30)
B) Qual a tese defensiva aplicável a Luiz? (Valor:0,5)
C) Qual a tese defensiva aplicável a Hugo? (Valor:0,45)
3) (QUESTÃO 04 - EXAME 2010/03)
Caio, professor do curso de segurança no trânsito, motorista extremamente qualificado,
guiava seu automóvel tendo Madalena, sua namorada, no banco do carona. Durante o
trajeto, o casal começa a discutir asperamente, o que faz com que Caio empreenda
altíssima velocidade ao automóvel. Muito assustada, Madalena pede insistentemente para
Caio reduzir a marcha do veículo, pois àquela velocidade não seria possível controlar o
automóvel. Caio, entretanto, respondeu aos pedidos dizendo ser perito em direção e
refutando qualquer possibilidade de perder o controle do carro. Todavia, o automóvel atinge
um buraco e, em razão da velocidade empreendida, acaba se desgovernando, vindo a
atropelar três pessoas que estavam na calçada, vitimando-as fatalmente. Realizada perícia
de local, que constatou o excesso de velocidade, e ouvidos Caio e Madalena, que relataram
à autoridade policial o diálogo travado entre o casal, Caio foi denunciado pelo Ministério
Público pela prática do crime de homicídio namodalidade de dolo eventual, três vezes em
concurso formal. Recebida a denúncia pelo magistrado da vara criminal vinculada ao
Tribunal do Júri da localidade recolhida a prova, o Ministério Público pugnou pela pronúncia
de Caio, nos exatos termos dainicial.
Na qualidade de advogado de Caio, chamado aos debates orais, responda aos itens
a seguir, empregando os argumentos jurídicos apropriados e a fundamentação legal
pertinente ao caso.
A) qual(is) argumento(s) poderia(m) ser deduzidos em favor de seu constituinte?
(Valor: 0,40)
B) qual pedido deveria ser realizado? (Valor: 0,30)
C) Caso Caio fosse pronunciado, qual recurso poderia ser interposto e a quem a peça
de interposição deveria ser dirigida? (Valor: 0,30)
Apelação das decisões do júri
Prof.ª Letícia Neves
@prof.leticianeves
4.1 Considerações
• Identificação: Após a decisão dos jurados no Plenário do Júri, o Juiz Presidente
passa a proferir asentença, restringindo-se, se for sentença condenatória, a fixar a pena.
Assim, a apelação das decisões do Júri tem cabimento contra a decisão proferida
pelo Juiz após o julgamento no Plenário do Júri.
• Base legal: art. 593, inciso III, CPP
A base legal do recurso de apelação contra decisão do Plenário do Júri guarda
relação com o artigo 593, inciso III, do Código de Processo Penal, devendo, ainda, o
recorrente mencionar a(s) alínea(s) pelo qual está recorrendo, ou seja, artigo 593, inciso III,
Alinea “a” e/ou alínea “b” e/ou alínea “c”e/ou alínea “d”, sem prejuízo da possibilidade de
recorrer por mais de um fundamento.
Quando a parte pretender recorrer de decisão proferida no Tribunal do Júri deve
apresentar logo na petição de interposição qual o motive que o leva a apelar, deixando
expressa a alínea eleita do inciso III do art. 593 do CPP, ficando vinculado, nas razões de
apelação aos argumentos relacionados ao motivo declinado na interposição. Assim sendo,
o Tribunal somente pode julgar nos limites da interposição.
Nesse sentido é a Súmula 713 do STF: “O efeito devolutivo da apelação contra
decisões do júri é adstrito aos fundamentos da sua interposição”.
• Hipóteses decabimento
Nulidade posterior à pronúncia
Tratando-se de nulidade anterior à pronúncia, a questão já foi analisada na própria
decisão ou em recurso contra ela interposto, operando-se, por conseguinte, a preclusão.
LOPES JÚNIOR (2012, p. 1.224) elenca algumas hipóteses:
• a juntada de documentos fora do prazo estipulado no art.479;
• participação de juradoimpedido;
• inversão da ordem de oitiva das testemunhas deplenário;
• produção, em plenário, de provailícita;
• uso injustificado de algemas durante ojulgamento;
• referências, durante os debates, à decisão de pronúncia ou posteriores, que julgaram
admissível aacusação;
• referências, durante os debates, ao silêncio do acusado, em seuprejuízo;
• e, o mais recorrente: defeitos na formulação dosquesitos.
Se a nulidade ocorrer na própria sentença de pronúncia, o recurso cabível é o
Recurso em Sentido Estrito (art. 581, inciso IV, CPP).
Na hipótese de provimento do recurso, o Tribunal de Justiça ou Tribunal Regional
Federal deverá determinar a renovação do ato viciado e, até mesmo do próprio julgamento
em plenário.
Sentença do juiz presidente contrária à letra expressa da lei ou à decisão dos jurados
O juiz está obrigado a cumprir as decisões do Júri, não havendo supremacia do juiz
togado sobre os jurados, mas simples atribuições diversas de funções. Os jurados decidem
o fato e o juiz-presidente aplica a pena, de acordo com esta decisão, não podendo dela
desgarrar-se.
Como se vê, há duas hipóteses concentradas nesse inciso:
a) decisão contra lei expressa; b) decisão de forma contrária à decisão dos jurados.
Alguns exemplos de decisão contrária à lei expressa (LOPES JÚNIOR, 2012, p.
1226):
• a sentença substitui a pena aplicada pelo homicídio doloso por prestação de serviços
à comunidade em desacordo com os limites do art. 44 do CP;
• fixar o regime fechado para o réu primário condenado a uma pena inferior a 8 anos;
• decidir sobre o crime conexo sem submetê-lo a julgamento pelo júri.
Alguns exemplos de sentença contrária à decisão dos jurados (LOPES JÚNIOR,
2012, p. 1227):
• os jurados absolvem o réu e o juiz profere uma sentença condenatória, fixando a
pena, e vice-versa;
• o júri condena por homicídio qualificado e ojuiz realiza a dosimetria considerando a
pena do homicídiosimples;
• o júri reconhece uma privilegiadora e o juiz não faz a respectiva redução da pena;
• os jurados acolhem a tese defensiva de desclassificação de homicídio doloso para
culposo e o juiz condena o réu por homicídiodoloso;
• os jurados acolhem a tese de crime tentado, e o juiz profere sentença condenatória
por crime consumadoetc.
Se der provimento ao recurso de apelação interposto com base nesta alínea, o
Tribunal ad quem procederá à retificação da sentença, sem necessidade de renovação do
julgamento em plenário do Júri (art. 593, § 1º, CPP).
Quando houver erro ou injustiça no tocante à aplicação da pena ou da medida de
segurança
É outra hipótese que diz respeito, exclusivamente, à atuação do juiz-presidente,
não importando em ofensa à soberania do veredicto popular. Logo, o Tribunal pode corrigir
a distorção diretamente.
A aplicação de penas muito acima do mínimo legal para réus primários, ou
excessivamente brandas para reincidentes, por exemplo, sem ter havendo fundamento
razoável, ou medidas de segurança incompatíveis com a doença mental apresentada pelo
réu podem ser alteradas pela Instância superior.
Se der provimento à apelação interposta com base na alínea “c”, o Tribunal
retificará a aplicação da pena ou da medida de segurança, sem necessidade de renovação
do Julgamento pelo Júri.
OBSERVAÇÃO
Qualificadoras: Encontra-se pacificado o entendimento no sentido de que a discussão
envolvendo o reconhecimento ou afastamento da qualificadora deve ser abordada com
base na alínea “d” do inciso III do art. 593. Isso significa que, se der provimento ao
recurso de apelação, o réu será submetido a novo julgamento pelo Tribunal do Júri.
Em síntese, a interposição do recurso de apelação visando ao afastamento da
qualificadora deve ser com base no artigo 593, inciso III, alínea “d”, do Código de Processo
Penal.
Quando a decisão dos jurados for manifestamente contrária à prova dos autos
Contrária à prova dos autos é a decisão que não encontra respaldo em nenhum
elemento de convicção colhido sob o crivo do contraditório. Não é o caso de condenação
que apóia em versão mais fraca.
Só cabe apelação com base nesse fundamento uma única vez. Não importa qual
das partes tenha apelado, é uma vez para qualquer dasduas.
Conforme o artigo 593, § 3º, do Código de Processo Penal, se a apelação se fundar
no inciso III, alínea “d”, e o tribunal ad quem se convencer de que a decisão dos jurados é
manifestamente contrária à prova dos autos, dar-lhe-á provimento para sujeitar o réu a novo
julgamento; não se admite, porém, pelo mesmo motivo, segunda apelação.
Ocorrer nulidade posterior à
pronúncia.
A sentença do Juiz
Presidente for contrária à
letra expressa da Lei ou à
decisão dos jurados.
Das decisões do Tribunal
do Júri, quando
Quando houver erro ou
injustiça à aplicação da pena
ou da medida de segurança.
Quando a decisão dos
jurados for manifestamente
contrária à prova dos autos.
• Prazo: O prazo para interposição da apelação das decisões do Tribunal do Júri é de
5 (cinco) dias, nos termos doartigo 593 do Código de Processo Penal. Todavia, atenção
especial deve ser dada ao Assistente de Acusação, que possui o prazo de 15 (quinze) dias
para recorrer caso não esteja habilitado ainda no processo, conforme consta no artigo 598
do Código de Processo Penal. Caso já esteja habilitado, o prazo será de cinco dias.
Peça de interposição: endereçada ao juiz de 1º grau
A) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ PRESIDENTE DA ... VARA
CRIMINAL DO TRIBUNAL DO JÚRI DA COMARCA... (se crime da competência da
Justiça Estadual)
B) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ FEDERAL PRESIDENTE DO ...
TRIBUNAL DO JÚRI DA SEÇÃO JUDICIÁRIA DE... (se crime da competência da
Justiça Federal)11
Processo nº...
FULANO DE TAL, (não inventar dados), por seu procurador infra-
assinado, com procuração em anexo, vem, respeitosamente, à presença de Vossa
Excelência, inconformado com a decisão de fls..., interpor o presente RECURSO DE
APELAÇÃO, com base no artigo 593, inciso III (indicar a alínea)12, do Código de
Processo Penal.
Assim, requer seja recebido e processado o recurso, já com as razões anexas,
remetendo-se os autos ao Tribunal de Justiça ou Tribunal Regional Federal.
Nestes termos,
Pede deferimento.
Local..., data...13
ADVOGADO...
OAB...
11Competência da Justiça Federal – Art. 109 da CF/88.
12Cuidado: se for contra decisão do Tribunal do Júri indicar o fundamento (uma das alíneas do inciso III, do
Art. 593, do CPP). Súmula 713 STF
13 CUIDADO: O ENUNCIADO PODE PEDIR A INTERPOSIÇÃO NO ÚLTIMO DIA DO PRAZO
Peça de razões
A) EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO ... (se da competência da Justiça
Estadual);
B) EGRÉGIO TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA REGIÃO... (se da competência
da Justiça Federal)
Apelante: FULANO DE TAL
Apelado: MINISTÉRIO PÚBLICO
Processo nº...
RAZÕES DE RECURSO DE APELAÇÃO
Colenda Câmara (Justiça Estadual) ou Colenda Turma (Justiça Federal)
I) DOS FATOS14
II) DO DIREITO15
A) DAS PRELIMINARES
B) DO MÉRITO
III) DO PEDIDO
Ante o exposto, requer seja conhecido e provido o presente recurso, com a REFORMA
DA DECISÃO DE 1º GRAU, para o fim ....:
a) Seja declarada a nulidade do processo a partir do ato tal ... e, por consequência,
seja o réu submetido a novo Júri (se pela alínea “a”, do Art. 593, inciso III, do CPP);
b) Seja retificada a decisão, a fim de que prevaleça a decisão dos jurados, no sentido
de que (se pela alínea “b”, do Art. 593, inciso III, do CPP);
c) Seja retificada a pena, a fim de que seja fixada no mínimo legal, fixado o regime
carcerário semiaberto, etc (se pela alínea “c”, do Art. 593, inciso III, do CPP);
14Fazerbreve relato dos fatos ocorridos, conforme os dados do enunciado (não inventar nada nem
simplesmente transcrever o enunciado).
15Cuidado: Observar as hipóteses das alíneas do artigo 593, III, do CPP.
d) Seja o réu sibmetido a novo Júri pelo Plenário do Júri, nos termos do artigo 593, §
3º, do Código de Processo Penal (se pela alínea “d”, do artigo 593, inciso III).
Nestes termos, pede deferimento.
Local..., data...
ADVOGADO...
OAB...
4) (QUESTÃO 3 – XVIII EXAME)
Fernando foi pronunciado pela prática de um crime de homicídio doloso consumado que
teve como vítima Henrique. Em sessão plenária do Tribunal do Júri, o réu e sua namorada,
ouvida na condição de informante, afirmaram que Henrique iniciou agressões contra
Fernando e que este agiu em legítima defesa. Por sua vez, a namorada da vítima e uma
testemunha presencial asseguraram que não houve qualquer agressão pretérita por parte
de Henrique. No momento do julgamento, os jurados reconheceram a autoria e
materialidade, mas optaram por absolver Fernando da imputação delitiva. Inconformado, o
Ministério Público apresentou recurso de apelação com fundamento no Art. 593, inciso III,
alínea ‘d’, do CPP, alegando que a decisão foi manifestamente contrária à prova dos autos.
A família de Fernando fica preocupada como recurso, em especial porque afirma que todos
tinham conhecimento que dois dos jurados que atuaram no julgamento eram irmãos, mas
em momento algum isso foi questionado pelas partes, alegado no recurso ou avaliado pelo
Juiz Presidente.
Considerando a situação narrada, esclareça, na condição de advogado(a) de
Fernando, os seguintes questionamentos da família do réu:
A) A decisão dos jurados foi manifestamente contrária à prova dos autos? Justifique.
(Valor: 0,60)
B) Poderá o Tribunal, no recurso do Ministério Público, anular o julgamento com
fundamento em nulidade na formação do Conselho de Sentença? Justifique. (Valor:
0,65)
5) (MP-MS-2011)
Tício foi denunciado pela prática de homicídio qualificado pelo motivo torpe (art. 121, § 2º,
inc. I, Código Penal). A denúncia foi recebida e, no decorrer da instrução processual, a
defesa requereu exame de insanidade mental do acusado (art.149 e seguintes do Código
de Processo Penal). Ao final do referido incidente, restou devidamente comprovado que
Tício, ao tempo da ação, em razão de doença mental, era inteiramente incapaz de entender
o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. Nos debates,
a defesa apresentou como única tese defensiva a inimputabilidade de Tício. Lastreado em
tal premissa, responda, respectivamente, a seguinte indagação: Qual decisão deverá ser
proferida pelo juiz ao final da primeira fase do procedimento do júri e qual é o recurso
cabível? Justifique.
Lei de Execução Penal
Prof.ª Letícia Neves
@prof.leticianeves
5.1 Comentários à lei de execução penal
A Lei nº 7.210/84, também conhecida com a Lei de Execução Penal, regula a
execução das penas e medidas de segurança no Brasil.
As penas, conforme o artigo 32 do Código Penal, dividem-se em: penas privativas
de liberdade, restritivas de direito e penas de multa. Já as medidas de segurança estão
previstas no artigo 96 do Código Penal, dividindo-se em: medidas de segurança de
internação ou de tratamento ambulatorial.
Em regra, quando se fala em execução penal, se pressupõe a existência de uma
sentença penal condenatória transitada em julgado. Assim sendo, a partir do esgotamento
da via recursal tem-se que será determinada a expedição / formação do processo de
execução criminal, denominado na praxe jurídica como P.E.C (Processo de Execução
Criminal).
O trâmite do processo de execução se dará em Vara de Execução Criminal, quando
assim houver, conforme determinação das regras de organização judiciária de cada Estado.
Nesta fase, o Juiz responsável por este processo é denominado Juiz da Vara de Execução,
cujo rol exemplificativo de sua competência consta no artigo 66 da Lei nº 7.210/84.
É importante registrar que, excepecionalmente, é possível a formação do Processo
de Execução Provisório, ou seja, quando a pessoa estiver executando uma pena que ainda
está sob discussão perante o Poder Judiciário, ou seja, ainda não transitou em julgado a
sentença.
Independentemente de ser preso em caráter definitivo ou provisório, a Lei de
Execução é aplicável no que couber.
Para fins da prova prático-profissional, registra-se que os pedidos ao Juiz da Vara
de Execução devem ser elaborados no formato de petições, por exemplo, o apenado
pretende progressão de regime, deverá ser postulado por meio de peticionamento um
pedido fundamentado ao Juiz, através de seu defensor (público ou privado/contratado).
Por fim, em sede de execução penal deverão ser observados todos os direitos e
garantias constitucionais, bem como aqueles previstos em Tratados e Convenções de
Direitos Humanos quando aplicáveis. Neste contexto, enfatiza-se a importância de observar
o artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal/88, que assegura o devido processo legal,
exigindo a observância do contraditório e ampla defesa, também durante a execução penal.
• Finalidade da Lei de Execução Penal
A finalidade da Lei de Execução Penal, nos termos do artigo 1º da Lei de Execução
Penal, está intimamente ligada à ideia de ressocialização, baseada na teoria da prevenção
especial positiva. Além de efetivar as disposições contidas nas decisões penais, objetiva-
se proporcionar condições para a harmônica integração social do condenado ou internado.
Para isso, a Lei de Execução Penal busca viabilizar uma série de institutos para
assegurar o contato com o mundo exterior. Aos condenados à pena de privativa por
exemplo: saídas temporárias, progressão de regime, livramento condicional, entre outros.
Vale destacar que todos os direitos não atingidos pela sentença permanecem inalterados
(Art. 3º da LEP), inclusive nos artigos 39 e 41, ambos da Lei de Execução Penal constam
listados alguns deveres e direitos que devem ser observados durante a execução penal.
• Aplicação da Lei de ExecuçãoPenal
A Lei de Execução Penal é aplicável a todos que estiverem recolhidos a
estabelecimentos prisionais sujeitos à jurisdição ordinária (Justiça Estadual ou Federal),
independentemente da origem da condenação. Logo, o que se verifica na execução penal
é olocal de cumprimento de pena, para determinar o Juízo Competente.
A título de exemplo, se um condenado pela Justiça Federal estiver recolhido num
estabelecimento sujeito à administração Estadual, o Juiz da Vara de Execução Criminal
Estadual será o competente para apreciar os pedidos e acompanhar a execução da pena.
OBSERVAÇÕES:
• Vale destacar que o processo de execução criminal (PEC) tramita junto à Vara de
Execução Criminal da Comarca (VEC), cuja jurisdição pertença o estabelecimento
prisional em que o apenado cumpre pena. Nele constará toda e qualquer informação que
gere alguma modificação na pena ou na sua forma de cumprimento.
• Súmula 192 do STJ: Compete ao Juízo das Execuções Penais do Estado a
execução das penas impostas a sentenciados pela Justiça Federal, Militar ou Eleitoral,
quando recolhidos a estabelecimentos sujeitos à administração estadual.
• Princípio da Individualização da Pena: art. 5°, inciso XLVI, CF/88 – fase
executória
O princípio da individualização da pena na fase da execução manifesta-se
incialmente com aclassificação dos condenados segundo seus antecedentes e
personalidade (Art. 5º da LEP). A classificação será feita por uma Comissão Técnica de
Classificação (CTC), que elaborará o programa individualizador da Pena Privativa de
Liberdade (PPL)ao condenado ou preso provisório (Arts. 6 e 7, ambos da LEP).
A Comissão Técnica de Classificação será presidida pelo diretor e composta, no
mínimo, por dois chefes de serviço, um psiquiatra, um psicólogo e um assistente social.
Além da classificação, para auxiliar na obtenção de mais elementos para
individualização da pena, o condenado à pena privativa de liberdade em regime fechado
será submetido ao exame criminológico. Ainda, poderão ser submetidos o condenado à
pena privativa de liberdade, em regime semiaberto (Art.8° da LEP).
Frise-se, tais questões ocorrem no início da execução da pena, com a finalidade de
apenas obter mais dados, conhecer a pessoa que está recolhida no sistema penitenciário.
Todavia, convém informar que na maioria das vezes, isso não é cumprido durante a
execução da pena.
ATENÇÃO
Identificação Genética na Execução Penal (Art. 9º- A da LEP): Nova hipótese de falta
grave a recusa em submeter-se ao procedimento de identificação do perfil genético.
Leitura Complementar: Recurso Extraordinário 973837 (ver notícia sobre o
reconhecimento da Repercussão Social no RExt:
http://www.stf.jus.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=319797)
5.2 Detração penal
Conforme o art. 42 do Código Penal:
Computam-se, na pena privativa de liberdade e na medida de segurança, o tempo
de prisão provisória, no Brasil ou no estrangeiro, o de prisão administrativa e o de
internação em qualquer dos estabelecimentos referidos no artigo anterior.
A partir da alteração legislativa provocada pela Lei nº 12.736/12, tem-se que a
detração penal deverá ser observada, desde logo, na sentença condenatória, conforme
previsto no artigo 387 do Código de Processo Penal. Atualmente, a competência do Juiz da
VEC é subsidiária, ou seja, quando não for objeto na sentença, deverá ser observado pelo
Juiz da Vara de Execução. Tal entendimento decorredo artigo 111 da Lei de Execução
Penal e do artigo 66, inciso III, alínea “c”, da Lei de Execução Penal.
Conforme o art. 111 da Lei de Execução Penal:
Art. 111. Quando houver condenação por mais de um crime, no mesmo processo
ou em processos distintos, a determinação do regime de cumprimento será feita
pelo resultado da soma ou unificação das penas, observada, quando for o caso, a
detração ou remição.
Parágrafo único. Sobrevindo condenação no curso da execução, somar-se-á a
pena ao restante da que está sendo cumprida, para determinação do regime.
A consideração da detração não poderá caracterizar uma conta corrente do indivíduo
com o Estado16.
16HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO PENAL. DETRAÇÃO. PERÍODO ANTERIOR AO FATO DELITUOSO.
IMPOSSIBILIDADE. 1. É assente a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal no sentido de que o
condenado não faz jus à detração penal quando a conduta delituosa pela qual houve a condenação tenha
sido praticada posteriormente ao crime que acarretou a prisão cautelar. 2. Ordem denegada. (HC 109599,
Relator(a): Min. TEORI ZAVASCKI, Segunda Turma, julgado em 26/02/2013, PROCESSO ELETRÔNICO
DJe-048 DIVULG 12-03- 2013 PUBLIC 13-03-2013).
Exemplo 1: Pedro comete um crime e permanece preso durante 1 ano, após é
absolvido. Pedro não poderá reaver este período, buscando resgatá-lo.
Exemplo 2: Mário comete um delito de furto simples, na expectativa de não ficar
preso, pois teria direito à detração daquele 1 ano, dito acima, referente a outro delito. Caso
seja condenado, pela prática deste delito, não terá direito à detração anterior, pois geraria
uma contacorrente.
5.3 Regimes Prisionais e Modificação do Regime durante a execução da pena
Em regra, o regime a ser cumprido vem estabelecido na sentença penal condenatória
ou quando for aplicada a pena em um acórdão pelo Tribunal, pois a fixação do regime inclui
uma das fases da individualização da pena (Art. 59, inciso III, do CP e Art. 110 da LEP).
Inclusive, será estabelecido conforme as regras contidas no artigo 33, §2º e §3º e artigo 59,
ambos do Código Penal.
Entretanto, pode ocorrer de existirem processos distintos, que ainda não iniciaram a
execução da pena, neste caso o resultado da soma das condenações determinará o novo
regime.
Por exemplo: Cross Fox possui uma condenação por um delito de roubo praticado
em Porto Alegre/RS, cuja pena aplicada foi de 5 anos, em regime semiaberto; em comarca
distinta, Caxias do Sul/RS, Cross Fox possui outra condenação à pena de 6 anos, em
regime semiaberto. Nesta situação quando Cross Fox começar a cumprir a pena, o Juiz da
Vara de Execução ao verificar a existência de duas condenações a serem cumpridas,
determinará a soma das penas, no caso totalizará 11 anos, consequentemente o regime
prisional será o fechado pelo resultado apontado.
De outro modo, caso sobrevenha nova condenação durante o cumprimento de uma
pena, a determinação do regime será feita através da soma do restante da pena que está
sendo cumprida com a nova condenação, conforme dispõe o parágrafo único do artigo 111
da Lei de Execução Penal, vejamos: “Sobrevindo condenação no curso da execução,
somar-se-á a pena ao restante da que está sendo cumprida, para determinação do regime”.
Imagine se Cross Fox estivesse executando uma pena de 10 anos de reclusão e no
momento faltasse 2 anos para terminar, caso sobrevenha nova condenação por outro crime
a 8 anos de reclusão, para determinação do novo regime, deverá ser somada a nova
condenação (8 anos) + o restante da pena em execução (2 anos), o total do somatório, no
caso 10 anos, determinará o novo regime, que pela quantidade resultará na imposição de
regime fechado. Destaca-se que nessa situação ocorrerá uma hipótese de regressão de
regime (Art. 118, inciso II, da LEP), que será estudada nos itens seguintes.
Em todas as situações, da mesma forma que ocorre na aplicação da pena, em que
o juiz se socorre da previsão contida no artigo 33, §2º, do Código Penal para a fixação de
regime, na execução penal o resultado da soma deverá ser enquadrado nas regras do artigo
33 do Código Penal.
5.4 Unificação de Penas
O termo unificação, teoricamente, deveria ser utilizado nos casos em que se
evidencia alguma hipótese de crime continuado (Art. 71 do CP) ou de concurso formal
perfeito (Art. 70, caput, 1ª parte, do CP), pois nesses casos muito embora tenhamos mais
de um crime, para fins de aplicação de pena, considera-se a pena de um deles, se idênticas,
ou a mais grave, se diferentes, e aumenta-se de 1/6 a 2/3 (sistema da exasperação). Em
outros termos, pode transformar diversas penas em uma, por determinação legal.
Destaca-se que caso não tenha sido observada a ocorrência de crime continuado
pelo Juiz da condenação, pois geralmente essas hipóteses são apuradas no mesmo
processo, se isso for constatado na execução da pena, deverá o juiz fazer a unificação da
pena, aplicando a exasperação aqui na fase da execução. Veja o recente julgado
exemplificando a questão.
Por fim, fala-se também em unificação de pena, no caso do artigo 75 do Código
Penal, para fins de delimitar o cumprimento da pena em 40 anos, ocasião em que para fins
de cálculo de progressão de regime, livramento condicional permanecerá o total da pena,
como orienta a súmula 715 do STF: “A pena unificada para atender ao limite de trinta anos
de cumprimento, determinado pelo art. 75 do Código Penal, não é considerada para a
concessão de outros benefícios, como o livramento condicional ou regime mais favorável
de execução”.
Chama-se atenção para o fato de que o termo unificação de penas é utilizado de
diversas formas na execução pena, muitas vezes gerando confusão com a hipótese de
soma de penas, pois o artigo 111 da Lei de Execução Penal não traz qualquer conceito a
respeito de cada expressão, somente refere que o regime prisional será fixado pelo
resultado da soma ou unificação das penas.
CONFERIR
AGRAVO EM EXECUÇÃO. UNIFICAÇÃO DE PENAS DECORRENTE DE
CONTINUIDADE DELITIVA. DECISÃO MANTIDA. As práticas delituosas atinentes aos
processos nºs 010/2.13.0002498-1 e 5006934-02.20034047107 aconteceram em
intervalo de tempo inferior a 30 dias (entre 22/01/2013 e 13/02/2013). Ademais, são da
mesma espécie e se perfectibilizaram de maneira muito semelhante, consistindo ambas
em roubo majorado pelo uso de arma de fogo e pelo concurso de pessoas. [...] Decisão
mantida. AGRAVO MINISTERIAL DESPROVIDO. UNÂNIME. (Agravo Nº 70076880152,
Sexta Câmara Criminal, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Ícaro Carvalho de Bem
Osório, Julgado em 10/05/2018).
5.5 Regime disciplinar diferenciado: art. 52, LEP
Alterações significativas ocorreram em virtude da aplicação da Lei nº 13.964/19
(Pacote Anticrime)
Redação Anterior Vigência da Lei nº 13.964/19
Art. 52: A prática de fato previsto como Art. 52: A prática de fato previsto como crime doloso constitui falta
crime doloso constitui falta grave e, grave e, quando ocasionar subversão da ordem ou disciplina
quando ocasione subversão da ordem internas, sujeitará o preso provisório, ou condenado, nacional ou
ou disciplina internas, sujeita o preso estrangeiro, sem prejuízo da sanção penal, ao regime disciplinar
provisório, ou condenado, sem prejuízo diferenciado, com as seguintes características:
da sanção penal, ao regime disciplinar I - duração máxima de até 2 (dois) anos, sem prejuízo de
diferenciado, com as seguintes repetição da sanção por nova falta grave de mesma espécie;
características: II - recolhimento em cela individual;
I - duração máxima de trezentos e III - visitas quinzenais, de 2 (duas) pessoas por vez, a serem
sessenta dias, sem prejuízo de repetição realizadas em instalações equipadas para impedir o contato
da sanção por nova falta grave de físico e a passagem de objetos, por pessoa da família ou, no caso
mesma espécie, até o limite de um sexto de terceiro, autorizado judicialmente, com duração de 2 (duas)
da pena aplicada; horas;
II - recolhimento em cela individual; IV - direito do preso à saída da cela por 2 (duas) horas diárias
III - visitas semanais de duas pessoas, para banho de sol, em grupos de até 4 (quatro) presos, desde
sem contar as crianças, com duração de que não haja contato com presos do mesmo grupo criminoso;
duas horas;
IV - o preso terá direito à saída da cela V - entrevistas sempre monitoradas, exceto aquelas com seu
por 2 horas diárias para banho de sol. defensor, em instalações equipadas para impedir o contato físico
e a passagem de objetos, salvo expressa autorização judicial em
contrário;
VI - fiscalização do conteúdo da correspondência;
VII - participação em audiências judiciais preferencialmente por
videoconferência, garantindo-se a participação do defensor no
mesmo ambiente do preso.
§ 1º O regime disciplinar diferenciado § 1º O regime disciplinar diferenciado também será aplicado aos
também poderá abrigar presos presos provisórios ou condenados, nacionais ou estrangeiros:
provisórios ou condenados, nacionais ou I - que apresentem alto risco para a ordem e a segurança do
estrangeiros, que apresentem alto risco estabelecimento penal ou da sociedade;
para a ordem e a segurança do II - sob os quais recaiam fundadas suspeitas de envolvimento ou
estabelecimento penal ou da sociedade. participação, a qualquer título, em organização criminosa,
associação criminosa ou milícia privada, independentemente da
prática de falta grave.
§ 2o Estará igualmente sujeito ao regime § 2º (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 13.964, de 2019)
disciplinar diferenciado o preso § 3º Existindo indícios de que o preso exerce liderança em
provisório ou o condenado sob o qual organização criminosa, associação criminosa ou milícia privada,
recaiam fundadas suspeitas de ou que tenha atuação criminosa em 2 (dois) ou mais Estados da
envolvimento ou participação, a Federação, o regime disciplinar diferenciado será
qualquer título, em organizações obrigatoriamente cumprido em estabelecimento prisional federal.
criminosas, quadrilha ou bando. § 4º Na hipótese dos parágrafos anteriores, o regime disciplinar
diferenciado poderá ser prorrogado sucessivamente, por
períodos de 1 (um) ano, existindo indícios de que o preso:
I - continua apresentando alto risco para a ordem e a segurança
do estabelecimento penal de origem ou da sociedade; (Incluído
pela Lei nº 13.964, de 2019)
II - mantém os vínculos com organização criminosa, associação
criminosa ou milícia privada, considerados também o perfil
criminal e a função desempenhada por ele no grupo criminoso, a
operação duradoura do grupo, a superveniência de novos
processos criminais e os resultados do tratamento penitenciário.
§ 5º Na hipótese prevista no § 3º deste artigo, o regime disciplinar
diferenciado deverá contar com alta segurança interna e externa,
principalmente no que diz respeito à necessidade de se evitar
contato do preso com membros de sua organização criminosa,
associação criminosa ou milícia privada, ou de grupos rivais.
§ 6º A visita de que trata o inciso III do caput deste artigo será
gravada em sistema de áudio ou de áudio e vídeo e, com
autorização judicial, fiscalizada por agente penitenciário.
§ 7º Após os primeiros 6 (seis) meses de regime disciplinar
diferenciado, o preso que não receber a visita de que trata o
inciso III do caput deste artigo poderá, após prévio agendamento,
ter contato telefônico, que será gravado, com uma pessoa da
família, 2 (duas) vezes por mês e por 10 (dez) minutos.
Atenção!
A inclusão do preso no Regime Disciplinar Diferenciado, de acordo com o artigo 54
da Lei de Execução Penal, dependerá de requerimento circunstanciado elaborado pelo
diretor do estabelecimento ou outra autoridade administrativa.
A decisão judicial que incluir o preso no Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) será
precedida de manifestação do Ministério Público e da defesa e prolatada no prazo máximo
de 15 dias, devendo ser fundamentada.
5.6 Progressão de regime
A Lei de Execução Penal adotou o sistema progressivo para o cumprimento da pena,
ou seja, a transferência do regime mais rigoroso para um menos rigoroso mediante a
observância de alguns requisitos, sendo “inadmissível a chamada progressão per saltum
de regime prisional", nos termos da Súmula 491 do STJ.
Para fins de progressão de regime, observa-se a pena total, nos termos da Súmula
715 do STF e não o limite máximo de cumprimento da pena, previsto no artigo 75 do Código
Penal.
Desta forma, quem estiver executando pena, poderá progredir, ainda que esteja
aguardando definição de recurso (Súmula 716 do STF), bastando o preenchimento do
requisito objetivo (lapso temporal) e subjetivo (bom comportamento), observando as
especificidades referentes à natureza do delito, vejamos:
• Requisitos para Progressão de Regime
O instituto da progressão de regime sofreu profunda alteração com a Lei
13.964/2019. Vejamos o antigo tratamento legal:
Progressão de Regime Base Legal
Antes da Lei 13.964/2019 anterior à Lei 13.964/2019
Primários e Reincidentes - Crimes Antiga redação do Artigo 112 da Lei
1/6
Comuns 7.210/84
Primários – Crimes Hediondos e
2/5 Equiparados Antiga redação do artigo 2º, §2º, da Lei
Reincidentes – Crimes Hediondos e 8.072/90
3/5
equiparados
A progressão de regime exige o preenchimento de dois requisitos, quais sejam:
requisito subjetivo e objetivo.
Em relação ao requisito subjetivo, foi mantido como requisito para concessão da
progressão o atestado de bom comportamento carcerário emitido pelo Diretor do
estabelecimento prisional, nos termos do artigo 112, § 1º, da LEP. Aliás, o parágrafo 7º do
art. 112 da LEP dispõe que o bom comportamento é readquirido após 1 (um) ano da
ocorrência do fato, ou antes, após o cumprimento do requisito temporal exigível para a
obtenção do direito.
Entretanto, no tocante ao lapso temporal, previamente estabelecido para o alcance
da progressão ao regime mais brando, o legislador optou por estabelecer uma exigência
em percentual de cumprimento de pena, não mais em formato de fração, excetuando a
hipótese da progressão especial para mulheres do parágrafo 3º do artigo em questão,
restando a seguinte previsão na nova redação:
Progressão de Regime: atual art. 112 da LEP
16% Primário
da pena crime cometido sem violência à pessoa ou grave
ameaça;
20% Reincidente específico
da pena em
25% Primário
da pena crime cometido com violência à pessoa ou grave
ameaça;
30% Reincidente específico
da pena em
40% condenado pela prática de crime hediondo ou equiparado, se for primário;
da pena
se o apenado for:
a) condenado pela prática de crime hediondo ou equiparado, com resultado morte,
50% se for primário, vedado o livramento condicional;
da pena b) condenado por exercer o comando, individual ou coletivo, de organização criminosa
estruturada para a prática de crime hediondo ou equiparado; ou
c) condenado pela prática do crime de constituição de milícia privada;
60% se o apenado for reincidente na prática de crime hediondo ou equiparado
da pena (reincidência específica);
70% se o apenado for reincidente em crime hediondo ou equiparado com resultado
da pena morte, vedado o livramento condicional (reincidência específica).
Somente estarão sujeitos aos novos prazos – que eventualmente trouxerem um
tratamento mais gravoso à progressão de regime – aqueles que praticarem crimes a partir
da data da vigência do Pacote Anticrime (Lei 13.964/19), qual seja, dia 23 de janeiro de
2020. Neste sentido, sempre que a nova lei trouxer algum benefício ao apenado deverá
retroagir, nos termos do artigo 5º, XL, da CF.
Dentro deste contexto, não se pode olvidar a Súmula 471 do STJ, que assegura a
aplicação do prazo de 1/6 para todos os crimes, inclusive os hediondos e equiparados,
desde que praticados antes do dia 29 de março de 2007, haja vista os efeitos atribuídos ao
habeas corpus n. 82.959-7/SP, julgado pelo Supremo Tribunal Federal, em fevereiro de
2006.
Devemos ficar atentos às lacunas existentes na legislação atual, vejamos:
• Lacuna legislativa – Progressão de Regime nos casos de reincidência em
crimes comuns:
Em relação aos reincidentes não específicos em CRIMES COMUNS a legislação não
trouxe tratamento claro para alguns casos envolvendo apenados reincidentes,
caracterizando uma lacuna, omissão legislativa.
Portanto, quando não houver enquadramento na reincidência específica como a lei
exige, deverá ser adotada uma interpretação mais favorável, atenção aos exemplos:
a) Apenado está cumprindo pena por ROUBO, mas já possui SPCTJ por furto,
crime sem violência, o que fez caracterizar a sua reincidência, porém não específica
em crime com violência, neste caso progredirá incidindo sobre a pena do ROUBO o
quantum de 25% (fração destinada aos primários, pois não podemos equipará-lo ao
reincidente específico em crime com violência e exigir 30% - seria uma interpretação mais
gravosa da condição dele).
b) Apenado está cumprindo pena por FURTO (sem violência), porém já possuía
SPCTJ por ROUBO (com violência), neste caso progredirá incidindo sobre a pena de
FURTO o quantum de 20% (neste caso a interpretação não piora a condição do apenado,
pois ele é reincidente em com um crime mais grave, e está sendo tratado como reincidente
em crime sem violência).
• Lacuna legislativa – Progressão de Regime e Crime Hediondo. Reincidente
não específico:
O novo artigo 112, VII, da LEP prevê a aplicação do lapso temporal de 60% para os
casos de delitos hediondos ou equiparados quando reincidentes específicos nestes crimes.
Na legislação anterior não havia esta previsão e a jurisprudência entendia que bastava a
reincidência, não importando se comum ou específica, para permitir a incidência de 3/5
como lapso temporal para progredir sobre a pena referente ao delito hediondo ou
equiparado.
Atualmente, diante da lacuna legislativa se a pessoa tiver sido condenada por um
crime hediondo ou equiparado, e for reincidente em crime comum, deverá ser aplicado 40%,
pois a aplicação de 60% é destinada somente aos reincidentes específicos, resultando aqui
uma lacuna legislativa que conduz a uma situação melhor ao reincidente não específico
que possui uma condenação por crime hediondo ou equiparado.
Por exemplo, condenado por crime de estupro (crime hediondo), que já possui uma
condenação transitada em julgado por um crime de furto (crime comum), neste caso será
aplicado 40% sobre a pena do crime de estupro.
Segue julgado que demonstra o entendimento, vejamos:
PENAL E PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO
ESPECIAL. EXECUÇÃO PENAL. PROGRESSÃO DE REGIME. ART. 112, VII, DA
LEI DE EXECUÇÃO PENAL (INCLUÍDO PELA LEI N. 13.964/2019). PACOTE
ANTICRIME. CÁLCULO PRISIONAL. PLEITO PELA APLICAÇÃO DO
PERCENTUAL DE 60% (OU 3/5) DO CUMPRIMENTO DA PENA PARA
PROGRESSÃO DE REGIME. RECORRIDO REINCIDENTE NÃO ESPECÍFICO EM
CRIME HEDIONDO OU EQUIPARADO. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.
1. [...]
2. Com efeito, os incisos VII e VIII do art. 112 da LEP, introduzidos pela Lei n.
13.964/2019, são taxativos e abarcam tão somente a hipótese de reincidência na
prática de crime hediondo ou equiparado. O apenado foi sentenciado por delito
hediondo (art. 33, caput, da Lei n. 11.343/2006), tendo sido reconhecida sua
reincidência genérica, decorrente de condenação anterior pela prática de crime
comum (e-STJ fl. 52). Para tal hipótese - condenado por crime hediondo, mas
reincidente em razão da prática de crime comum -, como bem ponderou o Tribunal
a quo (e-STJ fl. 54), inexiste, na novatio legis, percentual a disciplinar a progressão
de regime ora pretendida, sendo certo que os percentuais de 60% (sessenta por
cento) e 70% (setenta por cento) foram destinados aos reincidentes específicos.3.
Assim, na espécie, considerando que o apenado, condenado por crime
hediondo (art. 33, caput, da Lei n. 11.343/2006), é reincidente em crime comum
(reincidência genérica), conforme se extrai dos presentes autos (e-STJ fl. 52),
impõe-se, ante a omissão legislativa, o uso da analogia in bonam partem, para
aplicar o percentual equivalente ao que é previsto para o primário (art. 112,
inciso V, da LEP), qual seja, o de 40% (quarenta por cento), para fins de cálculo
da progressão de regime prisional, em relação ao crime anterior praticado. 4.
Agravo regimental desprovido. (AgRg no REsp 1918050/SP, Rel. Ministro
REYNALDO SOARES DA FONSECA, QUINTA TURMA, julgado em 04/05/2021,
DJe 07/05/2021).
• Informativo n. 681/2020 do STJ:
Execução Penal. Progressão de regime. Crime hediondo. Reincidente não
específico. Requisito objetivo. Lei n. 13.964/2019 (Pacote anticrime). Lacuna na nova
redação do art. 112 da LEP. Interpretação in bonam partem.
A progressão de regime do reincidente não específico em crime hediondo ou
equiparado com resultado morte deve observar o que previsto no inciso VI, a, do artigo
112 da Lei de Execução Penal.
No caso condenado por crime hediondo com resultado morte, reincidente não
específico, diante da lacuna na lei, deve ser observado o lapso temporal relativo ao
primário. Impõe-se, assim, a aplicação do contido no inciso VI, a, do referido artigo da Lei
de Execução Penal, exigindo-se, portanto, o cumprimento de 50% da pena para a
progressão de regime.
Observe que no caso do informativo do STJ a situação específica se fosse tratada
apenas com a aplicação da legislação anterior ao Pacote Anticrime resultaria na aplica
de 3/5 sobre a pena do condenado por crime hediondo com resultado morte que fosse
reincidente independente de ser específico ou não (o equivalente a 60%). Neste caso,
com resultado morte, a legislação mais benéfica não foi a que prevê 40% e sim a que
aplica 50%. Temos que pensar um pouquinho mais para entender bem esta questão,
mas resta evidente que entre a legislação antiga que trazia a exigência de 3/5 com a
nova que para crimes hediondos com resultado morte traz 50%, a segunda é melhor.
• Falta grave e Progressão de Regime
O cometimento de falta grave durante a execução da pena privativa de liberdade
interrompe o prazo para a obtenção da progressão de regime, resultando no reinício da
contagem do requisito objetivo, que terá como base a pena remanescente, nos termos do
artigo 112, §6º, da LEP. Trata-se da incorporação do entendimento jurisprudencial, pois o
novel parágrafo incorporou o teor da Súmula 534 do STJ.
• Progressão de Regime especial para mulheres
Não houve alteração no artigo 112 da Lei de Execução Penal no tocante à
progressão de regime especial para mulheres gestantes ou que forem mães ou
responsáveis por criança ou pessoa com deficiência, prevalecendo a exigência dos
seguintes requisitos de forma cumulativa, que constam no respectivo §3º:
1) não ter cometido crime com violência ou grave ameaça a pessoa;
2) não ter cometido o crime contra seu filho ou dependente;
3) ter cumprido ao menos 1/8 (um oitavo) da pena no regime anterior;
4) ser primária e ter bom comportamento carcerário, comprovado pelo diretor do
estabelecimento;
não ter integrado organização criminosa.
Destaca-se que o cometimento de fato definido como crime doloso ou falta grave,
conforme dispõe a lei, implica na revogação da progressão de regime diferenciada (Art.
112, §4º, da LEP).
• Tratamento diferenciado para integrantes de organização criminosa –
reconhecidos expressamente em sentença – Art. 2º, § 9º, da Lei n° 12.850/2013
Atualmente, com o Pacote Anticrime em vigência (Lei 13.964/2019), foi introduzida
na legislação uma norma que assegura a vedação da progressão de regime ou do
livramento condicional, bem como de outros benefícios, para os casos de integrante de
organização criminosa, expressamente reconhecido em sentença, ou de condenado por
crime praticado por meio de organização criminosa, quando houver elementos probatórios
que indiquem a manutenção do vínculo associativo, conforme consta no artigo 2º, §9º, da
Lei nº 12.850/2013.
• Progressão para o regime aberto
Frise-se, a progressão para o regime aberto possui algumas condições específicas,
previstas nos artigos 114 e 115, ambos da Lei de Execução Penal, como por exemplo, estar
trabalhando ou possuir condições de trabalhar imediatamente. Neste caso, convém reforçar
que a inexistência, por exemplo, de vaga para trabalho, não autoriza o juiz a suprir essa
condição impondo uma pena restritiva de direito como a prestação de serviços à
comunidade, pois caracterizaria uma afronta à legalidade. Inclusive, há vedação expressa
na Súmula 493 do STJ, matéria já cobrada no exame da OAB.
• Exame Criminológico e Progressão de Regime
No tocante ao exame criminológico, até 2003 era obrigatória a realização para que
se alcançasse a progressão de regime, mas com a redação dada ao artigo 112 da Lei de
Execução Penal, pela Lei nº 10.792/03, foi retirada a obrigatoriedade.
Entretanto, é possível que o Juiz exija a realização do exame, desde que em decisão
motivada, nos termos da Súmula 439 do STJ e Súmula Vinculante nº 26 do STF, parte final,
pois o início desta súmula está prejudicado pela alteração legislativa que permite a
progressão de regime para esses delitos.
• Progressão de regime e crimes contra administração pública
Nos casos de condenados por crimes contra a administração pública, aplica-se,
como requisito para progressão, além do tempo e do comportamento, a reparação do
prejuízo gerado ao erário, conforme dispõe o artigo 33, §4º, do Código Penal.
• Porte e Posse Ilegal de arma de fogo de uso restrito – Crime Hediondo
Em outubro de 2017 foi inserido como crime hediondo, no artigo 1°, parágrafo único,
da Lei nº 8.072/90, odelito de porte e posse ilegal de arma de fogo de uso restrito. A
alteração teve vigência a partir do dia 27 de outubro de 2017.
Dessa forma, a nova lei e o tratamento diferenciado oriundo da condição de delito
hediondo somente poderá incidir em crimes praticados a partir do dia 27 de outubro de
2017, pois trata-se de lex gravior, logo não poderá retroagir para alcançar fatos cometidos
antes de sua promulgação.
Em outros termos, por exemplo, se alguém condenado antes da inclusão deste
crime no rol dos delitos hediondos pretender progredir, deverá ser observado o artigo 112
da Lei de Execução Penal, 1/6 e bom comportamento, como requisitos.
Da mesma forma é importante ter bem definido os delitos que passaram a integrar
o rol de crimes hediondos com o Pacote Anticrime, para verificar o tratamento diferenciado
na execução, somente quando praticados a partir do dia 23 de janeiro de 2021. Por
exemplo, o crime de roubo com emprego de arma de fogo.
5.7 Exame criminológico
Há entendimento sumulado sobre progressão de regime e a exigência de exame
criminológico no STF e STJ.
Os Tribunais Superiores têm entendido que, muito embora a nova redação do artigo
112 da Lei de Execução Penal tenha excluído a exigência de realização de exame
criminológico para obtenção de progressão de regime, não caracteriza constrangimento
ilegal a submissão do apenado à realização de exame, desde que devidamente
fundamentada a necessidade pelo Juiz da Vara de Execução Criminal. Neste sentido,
temos as seguintes súmulas:
• Súmula Vinculante nº 26 do STF: Para efeito de progressão de regime no
cumprimento de pena por crime hediondo, ou equiparado, o juízo da execução observará
a inconstitucionalidade do artigo 2º da Lei nº 8.072/90, sem prejuízo de avaliar se o
condenado preenche, ou não, os requisitos objetivos e subjetivos do benefício, podendo
determinar, para tal fim, de modo fundamentado, a realização de exame criminológico.
• Súmula 439 do STJ: Admite-se o exame criminológico pelas peculiaridades do caso,
desde que em decisão motivada.
Falta grave e Progressão de Regime
• Súmula 534 do STJ: A prática de falta grave interrompe a contagem do prazo para
a progressão de regime de cumprimento de pena, o qual se reinicia a partir do cometimento
dessa infração.
5.8 Regressão de Regime: art. 118, LEP
A execução da pena está sujeita a forma regressiva quando o apenado praticar fato
definido como crime doloso ou falta grave (Art. 50 e 51, ambos da LEP).
Nesse caso, antes da regressão de regime deverá ser ouvido, previamente, o
apenado (Art. 118, § 2°, da LEP) audiência dejustificativa, sob pena de nulidade. A
regressão em caráter definitivo, esta prevista no artigo 118, inciso I, da Lei de Execução
Penal exige a oitiva prévia. O entendimento jurisprudência que afasta a oitiva refere-se à
regressão cautelar.
Inclusive, atualmente, a Súmula 533 do STJ que exigia a instauração de PAD
(Procedimento Administrativo Disciplinar) para o reconhecimento de falta disciplinar está
prejudicada pelo seguinte entendimento:
HABEAS CORPUS. SUBSTITUTIVO DE RECURSO PRÓPRIO. NÃO
CABIMENTO. EXECUÇÃO PENAL. FALTA GRAVE. PROCEDIMENTO
ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR - PAD. NULIDADE. OITIVA JUDICIAL DO
SENTENCIADO SOB DEFESA REGULAR. TEMA DE RECURSO REPETITIVO NO
STF - RE 972.598/RS. INEXISTÊNCIA DE OFENSA AOS PRINCÍPIOS DA AMPLA
DEFESA E CONTRADITÓRIO. HABEAS CORPUS NÃO CONHECIDO.
I [...]
II O col. Supremo Tribunal Federal já enfrentou a matéria aqui posta, em sede de
recurso repetitivo representativo da controvérsia, no RE n. 972.598/RS, assentando
a seguinte tese: A oitiva do condenado pelo Juízo da Execução Penal, em audiência
de justificação realizada na presença do defensor e do Ministério Público, afasta a
necessidade de prévio Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD), assim como
supre eventual ausência ou insuficiência de defesa técnica no PAD instaurado para
apurar a prática de falta grave durante o cumprimento da pena? (RE n. 972.598,
Tribunal Pleno, Rel. Min. Roberto Barroso, DJe de 06/08/2020).
III- No mais, "Para afastar a conclusão do acórdão, absolver o agravado ou
desclassificar sua conduta, seria necessário reexaminar fatos e provas, providência
incabível na via do habeas corpus, de cognição limitada" (AgRg no HC n.
414.750/SP, Sexta Turma, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, DJe de 1º/08/2018).
Habeas corpus não conhecido. (HC 620.019/RS, Rel. Ministro FELIX FISCHER,
QUINTA TURMA, julgado em 09/12/2020, DJe 15/12/2020).
Em relação à exigência de sentença transitada em julgado para o reconhecimento da
falta grave pela prática de crime doloso, há entendimento sumulado vejamos:
Súmula 526 do STJ: O reconhecimento de falta grave decorrente do cometimento de
fato definido como crime doloso no cumprimento da pena prescinde do trânsito em
julgado de sentença penal condenatória no processo penal instaurado para apuração do
fato.
As faltas graves estão descritas no artigo 50, 51 e 52 (primeira parte), todos da Lei
de Execução Penal. O Pacote Anticrime introduziu uma nova hipótese de falta grave a
recusa em submeter-se ao procedimento de identificação do perfil genético (Art. 50, inciso
VIII, da LEP):
• quando o apenado sofrer condenação, por crime anterior, cuja soma da pena restante
com a nova condenação torne impossível a manutenção do regime (Art.111).
• nos casos de violação com os deveres do monitoramento eletrônico, quando o Juiz da
Execução adotar essa opção, artigo 146, alínea “c”, parágrafo único, da Lei de Execução
Penal.
OBSERVAÇÕES IMPORTANTES: posicionamento jurisprudencial retirado do
site do Superior Tribunal de Justiça:
(STJ - jurisprudência) Diante da inexistência de legislação específica quanto ao prazo
prescricional para apuração de falta grave, deve ser adotado o menor lapso prescricional
previsto no art. 109 do CP, ou seja, o de 3 anos para fatos ocorridos após a alteração
dada pela Lei n. 12.234, de 5 de maio de 2010, ou o de 2 anos se a falta tiver ocorrido
até essa data. Precedentes: AgRg nos EDcl no REsp 1248357/MS, Rel. Ministra REGINA
HELENA COSTA, QUINTA TURMA, julgado em 19/11/2013, DJe 25/11/2013; AgRg no
REsp 1414267/MG, Rel. Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, SEXTA TURMA, julgado
em 05/11/2013, DJe 25/11/2013;
A jurisprudência tem admitido a chamada regressão cautelar, que dispensa a oitiva
prévia do apenado (Art. 118, §2º, LEP), passando a exigir audiência somente nos casos de
regressão definitiva.
5.9 Prisão domiciliar: art. 117, LEP
Para cumprir a pena em residência particular o preso deverá estar em regime aberto
e se enquadrar em uma das quatro hipóteses do artigo 117 da Lei de Execução Penal,
quais sejam:
• condenado maior de setentaanos;
• condenado acometido de doença grave;
• condenada com filho menor ou deficiente físico ou metal;
• condenada gestante.
Atentar para a Súmula Vinculante nº 56 do STF, vejamos: “A falta de
estabelecimento penal adequado não autoriza a manutenção do condenado em regime
prisional mais gravoso, devendo-se observar, nessa hipótese, os parâmetros fixados no
RE641.320/RS.
Precedente representativo da Súmula Vinculante nº 56 do STF:
"3. Os juízes da execução penal poderão avaliar os estabelecimentos destinados aos
regimes semiaberto e aberto, para qualificação como adequados a tais regimes. São
aceitáveis estabelecimentos que não se qualifiquem como 'colônia agrícola, industrial'
(regime semiaberto) ou 'casa de albergado ou estabelecimento adequado' (regimeaberto)
(art.33, §1º, alíneas "b" e "c"). No entanto, não deverá haver alojamento conjunto de presos
dos regimes semiaberto e aberto com presos do regime fechado. 4. Havendo déficit de
vagas, deverão serdeterminados: (i) a saída antecipa da de sentenciado no regime com
falta de vagas; (ii) a liberdade eletronicamente monitorada ao sentenciado que sai
antecipadamente ou é posto em prisão domiciliar por falta de vagas; (iii) o cumprimento de
penas restritivas de direito e/ou estudo ao sentenciado que progride ao regime aberto. Até
que sejam estruturadas as medidas alternativas propostas, poderá ser deferida a prisão
domiciliar ao sentenciado." (RE 641320, Relator Ministro Gilmar Mendes, Tribunal Pleno,
julgamento em 11.5.2016, DJe de8.8.2016).
5.10 Remição de pena: hipóteses legais
A remição é o computodo período trabalhado ou estudado com o tem pode pena
cumprida, nos termos do artigo 128 da Lei de Execução Penal.
É possível remir tanto pelo trabalho como pelo estudo, inclusive, cumulando as duas
possibilidades.
Todavia, é importante se ater nas regras contidas nos artigos 126 e seguintes da Lei
de Execução Penal.
Por exemplo, remição por trabalho, somente nos casos de regime fechado e
semiaberto, a Lei de Execução Penal omitiu a possibilidade de remição no caso de regime
aberto. Os Tribunais superiores entendem que como não há previsão legal e o trabalho é
requisito para ingressar no regime aberto, não há direito a remição neste caso.
Já a remição por estudo, é possível em todos os regimes prisionais, inclusive, na
última etapa do cumprimento de pena, ou seja, quando o apenado estiver em livramento
condicional.
• Trabalho prisional
Espécies de Trabalho Prisional:
a) Serviço interno: qualquer regime poderá trabalhar internamente e a qualquer
momento, desdeque existam vagas.
b) Serviço externo:
Em relação ao serviço externo, é importante observar que o artigo 37 da Lei de
Execução Penal atribui ao Diretor do Estabelecimento Prisional a concessão da
autorização. Todavia, é importante registrar que há forte posicionamento doutrinário e deu
so prático no cotidiano forense de que o trabalho prisional no âmbito externo deverá ser
autorizado pelo Juiz da VEC (Neste sentido: Sídio Rosa de Mesquita Júnior, Norberto
Avena, entre outros).
5.11 Permissão de saída e saída temporária
Podem obter permissão de saída, os apenados que cumprem pena em regime
fechado, semiaberto e provisórios, mediante escolta, em duas hipóteses:
• falecimento ou doença grave CCADI (cônjuge, companheiro, ascendente,
descendente ou irmão);
• necessidade de tratamento médico.
Já a saída temporária, sem vigilância, poderá ser concedida a pena dos que
cumprem pena em regime semiaberto.
Vale destacar que foi introduzida em 2010 a possibilidade da utilização de
monitoramento eletrônico, no artigo 122, parágrafo único, da Lei de Execução Penal
(redação dada pela Lei nº 12.258/10).
Em outras palavras, a ausência de vigilância direta não impede que o juiz determine
a monitoração eletrônica. Constitui uma faculdade do Juiz, não uma obrigação legal.
Para obtenção da saída temporária, os apenados em regime aberto, deverão
preencher os seguintes requisitos:
• comportamento adequado;
• cumprimento mínimo de 1/6 para apenado primário e de, no mínimo, ¼ para
reincidentes;
• compatibilidade do benefício com os objetivos da pena.
O período de deuração conforme a lei não poderá ser superior a 7 dias, podendo ser
renovadas por mais 4 vezes, logo faz jus a 35 dias de saída. Com intervalo de 45 dias entre
as saídas. Quando se tratar de saída para fins de estudo o tempo será o necessário para a
realização das atividades discentes.
A Lei nº 12.258/10 também inovou ao estabelecer que o juiz imporá condições ao
apenado, para obtenção das saídas temporárias, permitindo que além das previstas em lei
outras poderão ser estabelecidas, vejamos a nova redação do §1º do artigo 124 daLei de
Execução Penal:
Ao conceder a saída temporária, o juiz imporá ao beneficiário as seguintes
condições, entre outras que entender compatíveis com as circunstâncias do caso e a
situação pessoal do condenado:
I - fornecimento do endereço onde reside a família a ser visitada ou onde poderá
ser encontrado durante o gozo dobenefício;
II - recolhimento à residência visitada, no períodonoturno;
III - proibição de frequentar bares, casas noturnas e estabelecimentos congêneres.
O Pacote Anticrime inseriu o § 2º, no artigo 122 da Lei de Execução Penal e dipõe
que não terá direito à saída temporária o condenado que cumpre pena por praticar crime
hediondo com resultado morte. Infere-se que a lei foi restritiva ao impedir o instituto aos
delitos hediondos, ou seja, aqueles previstos no artigo 1º da Lei nº 8.072/90.
Súmula 520 do STJ: O benefício de saída temporária no âmbito da execução penal
é ato jurisdicional insuscetível de delegação à autoridade administrativa do estabelecimento
prisional.
5.12 Monitoração eletrôncia
O monitoramento eletrônico é uma faculdade judicial, pois, de acordo com a lei,
poderá ser definido pelo juiz nos casos definidos em lei, desde que seja necessário.
A lei admite a monitoração eletrônica em duas situações: prisão domiciliar e saída
temporária no regime semiaberto.
O instituto está previsto a partir do artigo 146 – B da Lei de Execução Penal.
Livramento condicional
Prof.ª Letícia Neves
@prof.leticianeves
O livramento condicional como o próprio nome permite concluir é a liberdade
mediante condições. Trata-se da última etapa do cumprimento de pena, não se confundido
com progressão de regime, pois o livramento condicional não integra o sistema progressivo.
O instituto é regulado pelos artigos 83 a 90, todos do Código Penal e artigos 131 a
146, todos da Lei de Execução Penal, a análise é conjunta dos dois dispositivos legais.
Nesta hipótese, o apenado é liberado do estabelecimento prisional, ficando
submetido as condições previstas no artigo 132 da Lei de Execução Penal, condições
obrigatórias e condições facultativas, que dependerão de cada caso.
Os requisitos a serem preenchidos estão expostos no artigo 83 do Código Penal.
Importante destacar que o lapso temporal exigido para fins de preenchimento do
requisito objetivo não é interrompido pela prática de falta grave, nos termos da súmula 441
do STJ: “A falta grave não interrompe o prazo para obtenção de livramento condicional”.
6.1 Requisitos
Os requisitos do livramento condicional, de ordem objetiva e subjetiva, encontram-
se no artigo 83 do Código Penal.
• Requisitos objetivos:
a) Natureza e quantidade da pena: art. 83, caput, CP:
Tal como ocorre com a suspensão condicional, somente a pena privativa de
liberdade pode ser objeto do livramento condicional. Esse instituto poderá ser concedido à
pena privativa de liberdade igual ou superior a dois anos (Art. 83 do CP). A soma das penas
é permitida para atingir esse limite mínimo, mesmo que tenham sido aplicadas em
processos distintos.
b) Cumprimento de parte da pena: art. 83, incisos I, II e IV, CP:
Nos termos do artigo 83, incisos I e II, do Código Penal, o criminoso primário deve
cumprir mais de 1/3 da pena privativa de liberdade.
Assim também o reincidente, desde que não o seja em crime doloso. Para tanto, é
necessário que apresentem bons antecedentes.
Quando o condenado é reincidente em crime doloso, deve cumprir mais da metade
da pena. Por ausência de previsão legal, o agente primário portador de maus antecedentes
deverá cumprir 1/3 para o livramento condicional, já que o inciso restringe somente à
hipótese de reincidente em crime doloso (não é possível analogia in malam partem).
Tratando-se de condenado por prática de tortura, crime hediondo, tráfico ilícito de
entorpecentes e drogas afins, tráfico de pessoas e terrorismo, desde que não seja
reincidente específico em tais delitos, deve cumprir mais de 2/3 da pena (Art. 83, inciso V,
do CP). Assim, sendo reincidente específico não é admissível o livramento condicional. Há
reincidência específica, para efeito da disposição, quando o sujeito, já tendo sido
condenado por qualquer dos delitos hediondos ou demais por sentença transitada em
julgado, vem novamente a cometer um deles.
O Pacote Anticrime trouxe uma nova vedação para o livramento condicional no caso
de crimes hediondos ou equiparado com resultado morte não terá direito ao livramento
condicional (Art. 112, LEP). Registra-se que a restrição somente srá aplicada para quem
praticar delitos desta natureza a partir da vigência do pacote. Do contrário estaríamos
violando o artigo 5º, inciso XL, da CF/88.
Há também a previsão do artigo 2º, §9º, da Lei nº 12.850/13 que em caso de
manutenção de vínculos com organização criminosa reconhecida expressamente na
sentença como integrante, não terá direito ao livramento condicional.
O artigo 84 do Código Penal reza que “as penas que correspondem a infrações
diversas devem somar-se para efeito do livramento”.
ATENÇÃO
Artigo 44 da Lei nº 11.343/06: Prazo para Livramento condicional – Associação ao Tráfico
não é delito equiparado a crime hediondo, porém conforme a lei de drogas o prazo para
obtenção de livramento condicional é de mais de 2/3.
• Requisitos subjetivos:
Os requisitos subjetivos estão no artigo 83, incisos III e IV, sendo exigido o bom
comportamento carcerário atestado pelo diretor, por força do artigo 112, §1º, da Lei de
Execução Penal. Ressalta-se que com o pacote anticrime foi inserida a exigência de
ausência de prática de falta grave nos últimos 12 meses.
Requisitos do livramento condicional
Art. 83 - O juiz poderá conceder livramento condicional ao condenado a pena
privativa de liberdade igual ou superior a 2 (dois) anos, desde que:
III – comprovado:
a) bom comportamento durante a execução da pena;
b) não cometimento de falta grave nos últimos 12 (doze) meses;
c) bom desempenho no trabalho que lhe foi atribuído; e
d) aptidão para prover a própria subsistência mediante trabalho honesto;
IV - tenha reparado, salvo efetiva impossibilidade de fazê-lo, o dano causado pela
infração;
O exame criminológico poderá ser exigido, desde que devidamente fundamentada a
decisão que o determina (Súmula 439 do STJ: “Admite-se o exame criminológico pelas
peculiaridades do caso, desde que em decisão motivada”).
6.2 Hipóteses de revogação do Livramento Condicional
O livramento condicional poderá ser revogado por imposição legal ou por faculdade
judicial. Assim sendo, são duas hipóteses: a) revogação obrigatória; e b) revogação
facultativa.
a) Revogação Obrigatória (Artigo 86 do CP): Ocorre quando o liberado vem a ser
condenado irrecorrivelmente à pena privativa de liberdade por crime praticado antes ou
durante o livramento condicional.
b) Revogação Facultativa (Art. 87 do CP): O juiz poderá revogar o livramento
condicional se o liberado descumprir as condições do artigo 132 da Lei de Execução Penal
ou vier a ser condenado irrecorrivelmente por contravenção penal ou por crime cuja pena
não seja privativa de liberdade.
Os efeitos da revogação dependerão se o motivo ocorreu antes ou durante o período
de provas, ou seja, o perído do livramento condicional, conforme os artigos 88 do Código
Penal e artigos 141 e 142, ambos da Lei de Execução Penal.
Frise-se: nos casos de revogação obrigatória em razão da superveniência de
sentença penal condenatória irrecorrível por crime praticado durante o livramento
condicional, a revogação resulta na perda do período de provas e na perda do direito ao
livramento condicional em relação à condenação em que violou as regras da liberdade
condicional. Caso o crime que gerou a sentença irrecorrível tenha sido praticado antes do
livramento condicional, computa-se na pena o período de prova, período que esteve livre,
podendo ser concedido novo livramento com a soma das condenações.
6.3 Suspensão do Livramento Condicional
Conforme consta expresso no artigo 86 do Código Penal, somente revoga-se o
livramento condicional se sobrevier sentença penal condenatória transitada em julgado por
crime durante o período de prova, logo atente-se ao fato de ocorrer a suposta prática de
crime durante a liberdade condicional. Neste caso, não poderá haver revogação, e sim a
suspensão do livramento, nos termos do artigo 145 da Lei de Execução Penal.
A decisão sobre a revogação em si, bem como seus efeitos, ficará sujeita ao trânsito
em julgado referente ao novo fato.
• Extinção do Livramento Condicional
O cumprimento do período de prova sem que haja a revogação resulta na extinção
da pena, nos termos do artigo 90 do Código Penal.
Em 2018, foi publicada a Súmula 617 do STJ que refere: “A ausência de suspensão
ou revogação do livramento condicional antes do término do período de prova enseja a
extinção da punibilidade pelo integral cumprimento da pena”.
6.4 Incidentes da Execução Penal
• Conversão da Pena Privativa de Liberdade (PRD) em Pena Restritiva de Direito
(PRD): PPL não superior a dois anos; condenado em regime aberto; cumprido pelo menos
¼; antecedentes e personalidadeindiquem (artigo 180 da LEP).
• Conversão da PRD em PPL (artigo 181 da LEP): ocorrerá na forma do artigo 45 do
CP.
• Conversão da Pena Privativa de Liberdade em Medida de Segurança (artigo 183 da
LEP)
• Desvio ou Excesso de Execução (artigo 185 da LEP)
6.5 Anistia, Graça, Indulto
São institutos que extinguem a punibilidade, conforme o artigo 107, inciso II, do
Código Penal.
A anistia “é a declaração pelo Poder Público de que determinados fatos se tornam
impuníveis por motivo de utilidade social. O instituto volta-se a fatos, e não a pessoas. Pode
ocorrer antes da condenação definitiva–anistia própria–ou após o trânsito em julgado da
condenação– anistia imprópria. Tem a força de extinguir a ação e a condenação.
Primordialmente, destina-se a crimes políticos, embora nada impeça a sua concessão a
crimes comuns.” A anistia somente é concedida através de lei editada pelo Congresso
Nacional.
A graça, por sua vez, é “a clemência destinada a uma pessoa determinada, não
dizendo respeito a fatos criminosos. Trata-se de um perdão concedido pelo Presidente da
República, dentro de sua avaliação discricionária, não sujeita a qualquer recurso, deve ser
usada com parcimônia. É uma medida de caráter excepcional, destinada a premiar atos
meritórios extraordinários praticados pelo sentenciado no cumprimento de sua reprimenda
ou ainda atender condições pessoais de natureza especial, bemcomo a corrigir equívocos
na aplicação da pena ou eventuais erros judiciários.” É concedida mediante análise do
casoindividual.
De acordo com o artigo 5°, inciso XLIII, não é permitida nem a graça nem a anistia
para delitos considerados hediondos.
Por fim, o indulto também é uma causa extintiva da punibilidade, no entanto é
concedido de forma coletiva, ou seja, tornou-se comum ao final de cada ano a publicação
de um Decreto concedendo Indulto para todos aqueles que preencherem determinadas
condições.
No ano de 2007, foi publicado no dia 11 de dezembro o Decretonº 6.294/07, o qual
consta emanexo para conhecimento.
Assim sendo, qualquer preso que preencher as condições passará a ter direito ao
indulto, devendo ser apenas declarado pelo Juiz da Vara de Execuções.
Destaca-se que no mesmo Decreto há previsão legal para a concessão de
Comutação de Pena, porém esta não se confunde com o Indulto, pois não se trata de
extinção da punibilidade, mas sim um abatimento da pena, desde que haja o preenchimento
dos requisitos (ver artigos 2°e 4°do Decreto em anexo–somente para exemplificar, pois o
Decreto não poderá ser objeto de questionamento na prova).
6.6 Aspectos gerais relacionados à execução da medida de segurança
• Espécies
a) Internação e tratamento ambulatorial (Art. 96 do CP): prazo máximo de cumprimento da
Medida de Segurança – Súmula 527 do STJ: “O tempo de duração da medida de segurança
não deve ultrapassar o limite máximo da pena abstratamente cominada ao delito praticado”.
b) Conversão da Pena Privativa de Liberdade em Medida deSegurança – artigo 183 da
LEP.
c) Agravo em Execução – Efeito suspensivo – artigo 179 da LEP.
• Jurisprudência selecionada:
Conversão de Pena Restritiva de Direito em Pena Privativa de Liberdade –
Incompatibilidade de cumprimento simultâneo:
AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO
PENAL. SUPERVENIÊNCIA DE NOVA CONDENAÇÃO À PENA PRIVATIVA DE
LIBERDADE. CONVERSÃO DA PENA RESTRITIVA DE DIREITOS EM PRIVATIVA
DE LIBERDADE. POSSIBILIDADE. INCOMPATIBILIDADE COM CUMPRIMENTO
DA PENA ALTERNATIVA ANTERIORMENTE IMPOSTA. AGRAVO NÃO
PROVIDO.
1. Para a caracterização do crime de associação para o tráfico é necessário o dolo
de se associar com estabilidade e permanência.
2. A jurisprudência deste Tribunal Superior firmou-se no sentido de que, no caso de
nova condenação a penas restritivas de direito a quem esteja cumprindo pena
privativa de liberdade em regime fechado ou semiaberto, é inviável a suspensão do
cumprimento daquelas - ou a execução simultânea das penas. Nesses casos, as
penas restritivas de direito devem ser convertidas em sanção privativa de liberdade,
unificando-se as reprimendas, nos termos dos arts. 181 e 111 da Lei de Execução
Penal, respectivamente, não sendo aplicável o art. 76 do Código Penal (ut, HC
400.480/RS, Rei. Ministro FELIX FISCHER, Quinta Turma, DJe 21/9/2017).
3. Agravo regimental não provido.
(AgRg no AREsp 1880437/SE, Rel. Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA,
QUINTA TURMA, julgado em 10/08/2021, DJe 16/08/2021).
Saída Temporária Informativo 590 – STJ:
DIREITO PROCESSUAL PENAL. PRAZO MÍNIMO ENTRE SAÍDAS
TEMPORÁRIAS. RECURSO REPETITIVO. TEMA 445.As autorizações de saída
temporária para visita à família e para participação em atividades que concorram
para o retorno ao convívio social, se limitadas a cinco vezes durante o ano, deverão
observar o prazo mínimo de 45 dias de intervalo entre uma e outra. Na hipótese de
maior número de saídas temporárias de curta duração, já intercaladas durante os
doze meses do ano e muitas vezes sem pernoite, nãoseexige o intervalo previsto
no art. 124, § 3°, da LEP.
Conversão da Medida de Segurança em Pena:
PENAL E PROCESSUAL PENAL. HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO.
SUPERVENIÊNCIA DE DOENÇA MENTAL. CONVERSÃO DE PENA
PRIVATIVADELIBERDADEEMMEDIDADESEGURANÇA.INTERNAÇÃO.
MANUTENÇÃO. TEMPO DE CUMPRIMENTO DA PENA EXTRAPOLADO.
CONSTRANGIMENTO ILEGAL. ORDEM CONCEDIDA.
1. Em se tratando de medida de segurança aplicada em substituição à pena
corporal, prevista no art. 183 da Lei de Execução Penal, sua duração está adstrita
ao tempo que resta para o cumprimento da pena privativa de liberdade estabelecida
na sentença condenatória. Precedentes desta Corte.
2. Ordem concedida. (HC 373.405/SP, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE
ASSIS MOURA,SEXTA TURMA, julgado em 06/10/2016, DJe 21/10/2016).
Mandado de Segurança e efeito suspensivo no Agravo:
EXECUÇÃO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. MANDADO
DE SEGURANÇA IMPETRADO PELO PARQUET ESTADUAL, COM O FITO DE
ATRIBUIR EFEITO SUSPENSIVO A AGRAVO EM EXECUÇÃO. AUSÊNCIA DE
PREVISÃO LEGAL.ILEGITIMIDADE ATIVA. AGRAVO DESPROVIDO.
I - "O manejo do mandado de segurança como sucedâneo recursal,
notadamente com o fito de obter medida não prevista em lei, revela-se de todo
inviável, sendo, ademais, impossível falar em direito líquido e certo na ação
mandamental quando a pretensão carece de amparo legal" (HC n. 368.491/SC,
Quinta Turma, Rel.Min.Joel Ilan Pacionik, DJe de 14/10/2016).
II - Não cabe mandado de segurança com o escopo de dar efeito suspensivo
ao agravo em execução. Ora, nos termos do art. 197 daLEP ("Das decisões
proferidas pelo juiz caberá recurso de agravo, sem efeito suspensivo"), o recurso de
agravo em execução não comporta efeito suspensivo, salvo no caso de decisão que
determina a desinternaçãoou liberação de quem cumpre medida de
segurança(precedentes).
Agravo regimental desprovido. (AgRgnoHC380.419/SP, Rel.Ministro FELIX
FISCHER, QUINTA TURMA,julgado em 28/03/2017, DJe 25/04/2017).
Segunda Progressão – quantum Remanescente. Vale a data da decisão que concedeu
e não a data da efetiva transferência se não for culpa do acusado:
RECONTAGEM DO LAPSO DE 1/6 PARA A OBTENÇÃO DO BENEFÍCIO.PERDA
DOS DIAS REMIDOS: ART. 127 DA LEP. Em caso de falta grave, é de ser reiniciada
a contagem do prazo de 1/6, exigido para a obtenção do benefício da progressão
no regime de cumprimento da pena. Adotando-se como paradigma, então, o
quantum remanescente da pena. Em caso de fuga, este prazo apenas começa a
fluir a partir da recaptura do sentenciado (HC85.141-Primeira Turma).A
jurisprudência desta colenda Corte firmou a orientação de que "o cometimento de
falta grave implica a perda dos dias remidos, mostrando-se constitucional o artigo
127 da Lei nº7.210/84-Recurso Extraordinário nº452.994-7/RS, Plenário,
julgamento realizado em 23 de junho de 2005, redator designado ministro
Sepúlveda Pertence." Recurso ordinário em habeas corpus parcialmente
provido.RHC 89031, Relator(a): Min. MARCOAURÉLIO, Relator(a) p/Acórdão:
Min. CARLOSBRITTO, Primeira Turma, julgado em 28/11/2006, Dje -
092DIVULG30-08-2007PUBLIC31-08-2007DJ31-08-2007 PP-00036 EMENT VOL-
02287-03 PP-00595).
Associação ao tráfico não hediondo:
HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO PENAL. ASSOCIAÇÃO PARA O TRÁFICO.
CRIME NÃO CONSIDERADO HEDIONDO OU EQUIPARADO. BENEFÍCIOS.
REQUISITO OBJETIVO. PROGRESSÃO DE REGIME E LIVRAMENTO
CONDICIONAL. LAPSOS TEMPORAIS DISTINTOS. CUMPRIMENTO DE 1/6 (UM
SEXTO) NO CASO DE PROGRESSÃO E DE 2/3 (DOIS TERÇOS) PARA O
LIVRAMENTO, VEDADA A SUA CONCESSÃO AO REINCIDENTE ESPECÍFICO.
ARTS. 112 DA LEI DE EXECUÇÃO PENAL E 44 DA LEI N. 11.343/2006.
CONSTRANGIMENTO jurisprudência pacífica do Superior Tribunal de Justiça
reconhece que o crime de associação para o tráfico de entorpecentes (art. 35 da Lei
n. 11.343/2006) não figura no rol taxativo de delitos hediondos ou a eles
equiparados, tendo em vista que não se encontra expressamente previsto no
roltaxativo do art. 2º da Lei n. 8.072/1990.
2. Não se tratando de crime hediondo, não se exige, para fins de
concessão de benefício da progressão de regime, o cumprimento de 2/5da pena,
se o apenado for primário, e de 3/5, se reincidente para a progressão do regime
prisional, sujeitando-se ele, apenas ao lapso de 1/6 para preenchimento do requisito
objetivo.
3. No entanto, a despeito de não ser considerado hediondo, o
crime de associação para o tráfico, no que se refere à concessão
do livramento condicional, deve, em razão do princípio da especialidade, observar
a regra estabelecida pelo art. 44, parágrafo único, da Lei n. 11.343/2006, ou seja,
exigir que o cumprimento de 2/3 (dois terços) da pena, vedada a sua concessão ao
reincidente específico.
4. Ordem concedida para afastar a natureza hedionda do crime de associação para
o tráfico e determinar que o Juízo da Vara das Execuções Criminais da Comarca de
São José do Rio Preto/SP proceda a novo cálculo da pena, considerando, para fins
de progressão de regime e de livramento condicional, respectivamente, as frações
de 1/6 (um sexto) e 2/3 (dois terços).
(HC 394.327/SP, Rel. Ministro ANTONIO SALDANHA PALHEIRO, SEXTA TURMA,
julgado em 13/06/2017, DJe 23/06/2017).
Exame criminológico e fundamentação:
AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO PENAL.
PROGRESSÃO DE REGIME. EXAME CRIMINOLÓGICO. FACULDADE DO JUIZ,
MEDIANTE DECISÃO DEVIDAMENTE MOTIVADA. IMPOSIÇÃO PELO
TRIBUNAL SEM FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA. CONSTRANGIMENTO ILEGAL
EVIDENCIADO.
1. Sem razão o regimental, pois a decisão recorrida está de acordo com
entendimento jurisprudencial desta Corte Superior, uma vez que a gravidade
abstrata, a longa pena a cumprir e a reincidência não constituem fundamentos
idôneos a justificar a necessidade de realização de exame criminológico.
Precedentes.
2. Agravo regimental improvido.
(AgRg no HC 665.874/SP, Rel. Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, SEXTA
TURMA, julgado em 08/06/2021, DJe 16/06/2021).
Regressão cautelar:
RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO PENAL. FALTA
GRAVE. REGRESSÃO CAUTELAR AO REGIME PRISIONAL FECHADO.
POSSIBILIDADE. RECURSO DESPROVIDO.
1. A jurisprudência desta Corte é firme no sentido de ser possível a regressão
cautelar, inclusive ao regime prisional mais gravoso, diante da prática de infração
disciplinar no curso do resgate da reprimenda, sendo desnecessária até mesmo a
realização de audiência de justificação para oitiva do apenado, exigência que se
torna imprescindível somente para aregressão definitiva. Precedentes. Recurso
ordinário em habeas corpus desprovido.
(RHC 81.352/MA, Rel. Ministro JOEL ILAN PACIORNIK, QUINTA TURMA, julgado
em 18/04/2017, DJe 28/04/2017).
Monitoramento eletrônico:
Informativo nº 0597 Processo HC 351.273-CE, Rel. Min. Nefi Cordeiro, por
unanimidade, julgado em 2/2/2017, DJe 9/2/2017.
Monitoramento eletrônico mediante uso de tornozeleira. Pedido de retirada do
equipamento por desnecessidade. Indeferimento pelo juízo das execuções sem
fundamento concreto. Constrangimento ilegal evidenciado.
Destaque: A manutenção de monitoramento por meio de tornozeleira eletrônica sem
fundamentação concreta evidencia constrangimento ilegal ao apenado.
Destaque: A não observância do perímetro estabelecido para monitoramento de
tornozeleira eletrônica configura mero descumprimento de condição obrigatória que
autoriza a aplicação de sanção disciplinar, mas não configura, mesmo em tese, a
prática de falta grave.
Prisão domiciliar:
AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE RECURSO
PRÓPRIO. NÃO CONHECIMENTO. PRISÃO DOMICILIAR ANTEA INEXISTÊNCIA
DE VAGA NO ESTABELECIMENTO COMPATÍVEL COM OREGIME IMPOSTO.
APLICAÇÃO DO NOVO ENTENDIMENTO DO STF ADOTADO EM SEDE DE
REPERCUSSÃO GERAL (RE 641.320/RS). PRELIMINAR DE INCOMPETÊNCIA
DO STJ PARA APRECIAÇÃO DE HABEAS CORPUS DE OFÍCIO.
JURISPRUDÊNCIA CONSOLIDADA. POSSIBILIDADE. AGRAVO DESPROVIDO.
1. Esta Corte e o Supremo Tribunal Federal pacificaram orientação nosentido de
que não cabe habeas corpus substitutivo do recurso legalmente previsto para a
hipótese, impondo-se o não conhecimento daimpetração, salvo quando constatada
a existência de flagrante ilegalidade no ato judicial impugnado, fato que reclama a
concessão da ordem de ofício. Precedentes.
2. A jurisprudência desta Corte Superior é assente no sentido de que, em caso de
falta de vaga em estabelecimento prisional adequado ao cumprimento da pena, ou,
ainda, de sua precariedade ou superlotação, deve-se conceder ao apenado, em
caráter excepcional, o cumprimentoda pena em regime aberto, ou, na falta de vaga
em casa de albergado,em regime domiciliar, até o surgimento de vagas.
3. O Supremo Tribunal Federal, nos termos da Súmula Vinculante n. 56, entende
que "a falta de estabelecimento penal adequado não autoriza a manutenção do
condenado em regime prisional mais gravoso, devendo-se observar, nessa
hipótese, os parâmetros fixados no RE 641.320/RS".
4. Os parâmetros mencionados na citada súmula são: a) a falta de estabelecimento
penal adequado não autoriza a manutenção do condenado em regime prisional mais
gravoso; b) os Juízes da execução penal poderão avaliar os estabelecimentos
destinados aos regimessemiaberto e aberto, para verificar se são adequados a tais
regimes,sendo aceitáveis estabelecimentos que não se qualifiquem como
colôniaagrícola, industrial (regime semiaberto), casa de albergado ou
estabelecimento adequado-regimeaberto-(art.33,§1º,alíneas"b"e "c"); c) no caso de
haver déficit de vagas,deverão determinar: (i)a saída antecipada de sentencia do
no regime com falta de vagas; (ii)a liberdade eletronicamente monitorada ao preso
que sai antecipadamente ou é posto em prisão domiciliar por falta de vagas; (iii) o
cumprimento de penas restritivas de direito e/ou estudo ao sentenciado que progride
ao regime aberto; e d) até que sejam estruturadas as medidas alternativas
propostas, poderá ser deferida a prisão domiciliar ao sentenciado.
5. "Segundo a jurisprudência desta Corte Superior, se o caótico sistema
prisional estatal não possui meios para manter os detentos em estabelecimento
apropriado, é de se autorizar, excepcionalmente, que a pena seja cumprida em
regime mais benéfico - estabelecimento adequado ao regime aberto ou prisão
domiciliar" (HC 403.312/MG, Rel. Ministro FELIX FISCHER, QUINTA TURMA,
DJe21/8/2017).
6. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC420.220/RS, Rel.Ministro
RIBEIRO DANTAS, QUINTA TURMA, julgado em 23/11/2017, DJe 28/11/2017)
Livramento condicional:
DIREITO PENAL. INFLUÊNCIA DA REINCIDÊNCIA NO CÁLCULO DE
BENEFÍCIOS NO DECORRER DA EXECUÇÃO PENAL.
Na definição do requisito objetivo para a concessão de livramento condicional, a
condição de reincidente em crime doloso deve incidir sobre a somatória das penas
impostas ao condenado, ainda que a agravante da reincidência não tenha sido
reconhecida pelo juízo sentenciante em algumas das condenações. Isso porque a
reincidência é circunstância pessoal que interfere na execução como um todo, e não
somente nas penas em que ela foi reconhecida. Precedentes citados: HC 95.505-
RS, QuintaTurma, DJe1º/2/2010; e EDclnoHC267.328-MG, Quinta Turma, Djede
6/6/2014.HC307.180-RS, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em16/4/2015, DJe
13/5/2015.
Livramento e impossibilidade de perda dos dias remidos:
Informativo nº 0539 Período: 15 de maio de 2014. SEXTA TURMADIREITOPENAL.
PRÁTICA DE CRIME DURANTE LIVRAMENTO CONDICIONAL.
O cometimento de crime durante o período de prova do livramento condicional não
implica a perda dos dias remidos. Isso porque o livramento condicional possui regras
distintas da execução penal dentro do sistema progressivo de penas. Assim, no
caso de revogação do livramento condicional que seja motivada por infração penal
cometida na vigência do benefício, aplica-se o disposto nos arts. 142 da Lei
7.210/1984 (LEP) e 88 do CP, os quais determinam que não se computará na pena
o tempo em que esteve solto o liberado e não se concederá, em relação à mesma
pena, novo livramento. A cumulação dessas sanções com os efeitos próprios da
prática da falta grave não é possível, por inexistência de disposição legal
nessesentido. Desse modo, consoante o disposto no art. 140, parágrafo único, da
LEP, as penalidades para o sentenciado no gozo de livramento condicional
consistem em revogação do benefício, advertência ou agravamento das condições.
Precedentes citados: REsp 1.101.461-RS, Sexta Turma, DJe 19/2/2013; e AgRg no
REsp 1.236.295-RS, Quinta Turma, DJe 2/10/2013. HC 271.907-SP, Rel. Min.
Rogerio Schietti Cruz, julgadoem27/3/2014.
Livramento e comportamento – absurdo:
EXECUÇÃO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS.
LIVRAMENTO CONDICIONAL. FALTAS GRAVES. AUSÊNCIA DE REQUISITO
SUBJETIVO.LIMITAÇÃO DO PERÍODO DE AFERIÇÃO DO REQUISITO
SUBJETIVO. IMPOSSIBILIDADE. CONSTRANGIMENTO ILEGAL NÃO
EVIDENCIADO. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.
1. O Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento no sentido de que, malgrado
não interrompa o prazo para fins de livramento condicional (Súmula/STJ n. 441), a
prática de falta grave impede a concessão do aludido benefício, por evidenciar a
ausência do requisito subjetivo exigido durante a execução da pena, nos termos do
disposto no art. 83, III, do CódigoPenal.
2. Segundo entendimento fixado por esta Corte, não se aplica limite temporal para
a análise do preenchimento do requisito subjetivo, devendo ser considerado todo o
período de execução da pena, a fim de se averiguar o mérito do apenado.
Precedentes. Desse modo, no caso concreto, o cometimento de 2 (duas) faltas
graves durante a execução penal é causa suficiente para o indeferimento do
benefício legal, consoante exposto no art. 83, III, do Código Penal. Agravo
regimental a que se negaprovimento. (AgRgnoHC417.233/RS, Rel. Ministro
RIBEIRO DANTAS, QUINTA TURMA, julgado em 28/11/2017, DJe 01/12/2017).
Livramento e delito e período de provas:
EMBARGOS DECLARATÓRIOSEM HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO
PENAL.NOVO DELITO PRATICADO DURANTE O LIVRAMENTO CONDICIONAL.
NECESSIDADE DE SUSPENSÃO EXPRESSA DO BENEFÍCIO DURANTE O
PERÍODODEPROVA. PRORROGAÇÃOAUTOMÁTICA. IMPOSSIBILIDADE.
EXTINÇÃO DA PENA. INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO, OBSCURIDADE OU
CONTRADIÇÃO NO ACÓRDÃO EMBARGADO.
PREQUESTIONAMENTO.INCONFORMISMOCOMOJULGADO.
EMBARGOSREJEITADOS.
1. Os embargos de declaração são cabíveis quando houver ambiguidade,
obscuridade, contradição ou omissão, nos termos do art. 619 doCódigo de Processo
Penal, pressupostos não caracterizados na hipótese dos autos.
2. O julgador não é obrigado a manifestar-se sobre todas as teses expostas no
recurso, ainda que para fins de prequestionamento, desde que demonstre os
fundamentos e os motivos que justificaram suas razões dedecidir.
3. O livramento condicional deve ser suspenso ou revogado de forma expressa
no curso do período de prova. Do contrário, a pena restará extinta, nos termos dos
arts. 90 do Código Penal, e 146 da Lei de Execução Penal.Precedentes.
4. Na hipótese, o embargado cometeu delitos em 12/12/2008 e 12/6/2009,
durante o prazo do livramento condicional, cujo término estava previsto para
30/9/2010. Sobrevindo a nova condenação, o Juízo da Execução revogou-lhe o
benefício em 18/1/2013, com base no art. 86, I, do CódigoPenal.
5. Embargos declaratórios rejeitados.
(EDcl no HC 302.641/SP, Rel. Ministro JOEL ILAN PACIO RNIK, QUINTA TURMA,
julgado em 17/05/2016, DJe 25/05/2016).
Conversão da PRD em PPL:
EXECUÇÃO PENAL. HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE RECURSO
ESPECIAL. NÃO CABIMENTO. PENA RESTRITIVA DE DIREITOS. CONVERSÃO
EM PRIVATIVA DE LIBERDADE. REGRESSÃO DE REGIME. AUSÊNCIA DE
OITIVA DO CONDENADO PARA POSSÍVEL JUSTIFICAÇÃO. NECESSIDADE.
CONSTRANGIMENTO ILEGAL CONFIGURADO. HABEAS CORPUS NÃO
CONHECIDO. ORDEM CONCEDIDA, DE OFÍCIO.
I – [...]
II - A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça se firmou no sentido de que,
para a conversão de medidas restritivas de direito em pena privativa de liberdade,
é indispensável a intimação do condenado para que esclareça as razões do
descumprimento, em audiência de justificação. assegurando-lhe o direito ao
contraditório e à ampla defesa.
III - Na hipótese, ante a mera notícia de que o paciente retirou em cartório,
pessoalmente, o ofício para dar início à prestação de serviços à comunidade, mas
não compareceu ao local indicado, converteu a pena restritiva de direitos em
privativa de liberdade, determinou a regressão de regime e consignou que somente
após o cumprimento do mandado de prisão, seria designada a audiência de
justificação (fl. 125), o que configura constrangimento ilegal.
Habeas corpus não conhecido. Ordem concedida, de ofício, para cassar as decisões
das instâncias ordinárias, e determinar ao Juízo da Execução que ouça previamente
o sentenciado em audiência de justificação, antes de decidir acerca da conversão
da pena restritiva de direitos em privativa de liberdade.
(HC 486.269/SP, Rel. Ministro FELIX FISCHER, QUINTA TURMA, julgado em
21/02/2019, DJe 01/03/2019).
Agravo em Execução
Prof.ª Letícia Neves
@prof.leticianeves
7.1 Cabimento e conteúdo
É recurso destinado à impugnação de decisões interlocutórias proferidas no curso
da execução criminal, disciplinada na Lei nº 7.210/84. Não há um rol taxativo, sendo cabível
para impugnar qualquer decisão proferida pelo juízo da execução penal, cuja competência
é definida no artigo 66 da Lei de Execução Penal (Lei nº 7.210/84), como, por exemplo, em
relação aos seguintes temas:
• Decisão que concedeu ou nega a progressão de regime;
• Que determina a regressão do regime carcerário e perda dos dias remidos;
• Que indefere o pedido de unificação das penas, com base, por exemplo, na
continuidade delitiva;
• Que concede ou denega pedido de livramento condicional;
• Que indefere o pedido de saídas temporárias;
• Concede ou denega o pedido de indulto, comutação, remição.
• Base legal: art. 197 da Lei 7.210/84 (LEP)
• Identificação:
PEDIU PRA PARAR
Expressão mágica: Peça:
“decisão pelo juízo da execução” AGRAVO EM EXECUÇÃO
PAROU!
7.2 Rito e competência para ojulgamento
A Lei de Execução Penal não definiu o rito a ser seguido no agravo em execução,
definindo, apenas, no seu artigo 197, que “Das decisões proferidas pelo Juiz caberá recurso
de agravo, sem efeito suspensivo”.
Nesse sentido, a doutrina e jurisprudência amplamente dominante, adotam o
entendimento de que deve ser adotado o mesmo rito do recurso em sentido estrito,
notadamente no que se refere ao prazo, ao juízo de retratação e ao processamento.
Tal entendimento restou consagrado na Súmula 700 do STF, a qual: “É de cinco
dias o prazo para a interposição de agravo contra a decisão do juiz da execução penal”.
A interposição do recurso deve ser dirigida ao juiz de primeiro grau que proferiu a
decisão, para que este possa rever a decisão, em sede de juízo de retratação.
As razões de recurso devem ser endereçadas ao Tribunal competente (Tribunal de
Justiça, se da competência da Justiça Comum Estadual; ou Tribunal Regional Federal, se
da competência da Justiça Federal).
7.3 Prazo
Interposição: 05 dias
Razões: 02 dias
Como a FGV costuma cobrar a interposição e a apresentação das razões
simultaneamente, priorizar o prazo de 05 dias para interpor, já com as razões inclusas.
7.4 Efeitos
Assim como no recurso em sentido estrito, o agravo em execução possui efeito
regressivo, uma vez que a interposição do recurso obriga o juiz que prolatou a decisão
recorrida a reapreciar a questão, mantendo-a ou reformando-a, aplicando-se
analogicamente o artigo 589, caput, do Código de Processo Penal.
Se o juiz mantiver a decisão, determinará a remessa dos autos à instância superior;
se reformá-la, o recorrido, por simples petição, e dentro do prazo do prazo de cinco dias,
poderá requerer a subida dos autos. O recorrido deverá ser intimado, no caso de retratação
do juiz.
Nos termos do artigo 197 da Lei de Execução Penal, o agravo em execução, em
regra, não tem efeito suspensivo. Ou seja, as decisões proferidas em sede de execução
penal devem ser, em regra, imediatamente executadas.
ATENÇÃO
Agravo em Execução e Medida de Segurança: artigo 179 da Lei de Execução Penal –
atribui excepcionalmente o efeito suspensivo nos casos de execução de Medida de
Segurança.
7.5 Estruturação da peça Agravo em Execução
A estrutura do agravo em execução segue dois momentos, sendo a peça bipartida:
a) interposição do recurso (afirmar que pretende recorrer); b) razões do recurso de agravo
em execução.
• Interposição
a) Endereçamento: Juiz da Vara de Execuções Penais;
b) Preâmbulo: nome, capacidade postulatória (por seu procurador infra-assinado),
fundamento legal (art. 197 da Lei nº 7.210/84 – Lei de Execução Penal), nome da peça
(Agravo em Execução), frase final (pelos fatos e fundamentos jurídicos a seguir expostos);
c) Juízo de retratação, em analogia ao artigo 589, CPP (importante);
d) Parte final: “Nesses termos, requer o processamento do presente recurso. Pede
deferimento, data, advogado... e OAB...
• Razões
a) Endereçamento: Tribunal de Justiça;
b) Identificação: agravante/recorrente, agravado/recorrido, nº processo...
c) Saudação: Justiça Estadual: Egrégio Tribunal de Justiça – Colenda Câmara – Eméritos
Julgadores – Douta Procuradoria da Justiça;
d) Corpo da peça: breve relato, preliminares e mérito;
e) Pedidos: conhecimento e provimento do recurso, reforma da decisão e pedido específico
conforme o caso apresentado;
f) Parte final: “Termos em que pede deferimento”, local, data, advogado... e OAB...
Peça de interposição: endereçada ao juiz de 1º grau:
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ... VARA DE
EXECUÇÃO PENAL DA COMARCA DE ... ESTADO ...
Processo nº...
FULANO DE TAL (não inventar dados), já qualificado nos autos, por
seu procurador infra-assinado, com procuração em anexo, vem, respeitosamente, à
presença de Vossa Excelência, inconformado com a decisão das fls., interpor o
presente AGRAVO EM EXECUÇÃO, com base no artigo 197 da Lei 7.210/84 (Lei
de Execução Penal).
Nesse sentido, requer seja recebido o recurso e procedido o juízo de
retratação, nos termos do artigo 589 do Código de Processo Penal. Se mantida a
decisão, requer seja encaminhado o presente recurso, já com as razões inclusas, ao
Tribunal de Justiça do Estado..., para o devido processamento.
Nestes termos,
Pede deferimento.
Local..., data...
Advogado...
OAB...
Razões de agravo em execução: endereçadas ao tribunal competente
EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO ... / TRIBUNAL REGIONAL
FEDERAL ...
Agravante: Fulano de Tal
Agravado: Ministério Público
Processo nº ...
RAZÕES DE AGRAVO EM EXECUÇÃO
Colenda Câmara
I) DOS FATOS
II) DO DIREITO
* decisão que concede ou nega a progressão de regime;
* que determina a regressão do regime carcerário e perda dos dias remidos;
* que indefere o pedido de unificação das penas, com base, por exemplo, na
continuidade delitiva;
* que concede17 ou denega pedido de livramento condicional;
* que indefere o pedido de saídas temporárias;
* concede ou denega o pedido de indulto, comutação, remição.
Em síntese, hipóteses previstas no artigo 66 da LEP (Lei nº 7.210/84).
III) DO PEDIDO
Ante o exposto, requer seja CONHECIDO E PROVIDO o presente recurso, com a
REFORMA DA DECISÃO DE 1º GRAU, para o fim de que ...
Nestes termos,
Pede deferimento.
Local..., data...
Advogado...
OAB...
17No Exame XVI a Banca atribuiu 0,20 para o pedido de expedição de alvará de soltura referente à
concessão do livramento condicional. Portanto, recomendável fazer o pedido neste caso.
6) (QUESTÃO 02 – XXIII EXAME)
Gabriel, condenado pela prática do crime de porte de arma de fogo de uso restrito, obteve
livramento condicional quando restava 01 ano e 06 meses de pena privativa de liberdade a
ser cumprida. No curso do livramento condicional, após 06 meses da obtenção do benefício,
vem Gabriel a ser novamente condenado, definitivamente, pela prática de crime de roubo,
que havia sido praticado antes mesmo do delito de porte de arma de fogo, mas cuja
instrução foi prolongada.
Diante da nova condenação, o magistrado competente revogou o livramento condicional
concedido e determinou que Gabriel deve cumprir aquele 01 ano e 06 meses de pena
restante quando da obtenção do livramento em relação ao crime de porte, além da nova
sanção imposta em razão do roubo.
condenado, definitivamente, pela prática de crime de roubo, que havia sido praticado antes
mesmo do delito de porte de arma de fogo, mas cuja instrução foi prolongada.
Diante da nova condenação, o magistrado competente revogou o livramento condicional
concedido e determinou que Gabriel deve cumprir aquele 01 ano e 06 meses de pena
restante quando da obtenção do livramento em relação ao crime de porte, além da nova
sanção imposta em razão do roubo.
Considerando a situação narrada, na condição de advogado(a) de Gabriel, responda
aos itens a seguir.
A) Qual o recurso cabível da decisão do magistrado que revogou o benefício do
livramento condicional e determinou o cumprimento da pena restante quando da
obtenção do benefício? É cabível juízo de retratação em tal modalidade recursal?
Justifique. (Valor: 0,65)
B) Qual argumento deverá ser apresentado pela defesa de Gabriel para combater a
decisão do magistrado? Justifique. (Valor: 0,60)
7) (QUESTÃO 04 – XIX EXAME)
Carlos foi condenado pela prática de um crime de receptação qualificada à pena de 04 anos
e 06 meses de reclusão, sendo fixado o regime semiaberto para início do cumprimento de
pena. Após o trânsito em julgado da decisão, houve início do cumprimento da sanção penal
imposta. Cumprido mais de 1/6 da pena imposta e preenchidos os demais requisitos, o
advogado de Carlos requer, junto ao Juízo de Execuções Penais, a progressão para o
regime aberto. O magistrado competente profere decisão concedendo a progressão e fixa
como condição especial o cumprimento de prestação de serviços à comunidade, na forma
do Art. 115 da Lei nº 7.210/84. O advogado de Carlos é intimado dessa decisão.
Considerando apenas as informações apresentadas, responda aos itens a seguir.
A) Qual medida processual deverá ser apresentada pelo advogado de Carlos,
diferente do habeas corpus, para questionar a decisão do magistrado? (Valor: 0,60)
B) Qual fundamento deverá ser apresentado pelo advogado de Carlos para combater
a decisão do magistrado? (Valor: 0,65)
8) (QUESTÃO 02 – XVIII EXAME)
No dia 10 de fevereiro de 2012, João foi condenado pela prática do delito de quadrilha
armada, previsto no Art. 288, parágrafo único, do Código Penal. Considerando as
particularidades do caso concreto, sua pena foi fixada no máximo de 06 anos de reclusão,
eis que duplicada a pena base por força da quadrilha ser armada. A decisão transitou em
julgado. Enquanto cumpria pena, entrou em vigor a Lei nº 12.850/2013, que alterou o artigo
pelo qual João fora condenado. Apesar da sanção em abstrato, excluídas as causas de
aumento, ter permanecido a mesma (reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos), o aumento de
pena pelo fato da associação ser armada passou a ser de até a metade e não mais do
dobro. Procurado pela família de João, responda aos itens a seguir.
A) O que a defesa técnica poderia requerer em favor dele? (Valor: 0,65)
B) Qual o juízo competente para a formulação desse requerimento? (Valor: 0,60)
9) (QUESTÃO 02 - XVI EXAME)
No dia 03/05/2008, Luan foi condenado à pena privativa de liberdade de 12 anos de
reclusão pela prática dos crimes previstos nos artigos 213 e 214 do Código Penal, na forma
do Art. 69 do mesmo diploma legal, pois, no dia 11/07/2007, por volta das 19h, constrangeu
Carla, mediante grave ameaça, a com ele praticar conjunção carnal e ato libidinoso diverso.
Ainda cumprindo pena em razão dessa sentença condenatória, Luan, conversando com
outro preso, veio a saber que ele havia sido condenado por fatos extremamente
semelhantes a uma pena de 07 anos de reclusão. Luan, então, pergunta o nome do
advogado do colega de cela, que lhe fornece a informação. Luan entra em contato pelo
telefone indicado e pergunta se algo pode ser feito para reduzir sua pena, apesar de sua
decisão ter transitado em julgado. Diante dessa situação, responda aos itens a seguir.
A) Qual a tese de direito material que poderia ser suscitada pelo novo advogado em
favor de Luan? (Valor: 0,65)
B) A pretensão deverá ser manejada perante qual órgão? (Valor: 0,60)
10) (QUESTÃO 02 - XIV EXAME)
Mário foi condenado a 24 (vinte e quatro) anos de reclusão no regime inicialmente fechado,
com trânsito em julgado no dia 20/04/2005, pela prática de latrocínio (artigo 157, § 3º, parte
final, do Código Penal). Iniciou a execução da pena no dia seguinte. No dia 22/04/2009, seu
advogado, devidamente constituído nos autos da execução penal, ingressou com pedido
de progressão de regime, com fulcro no artigo 112 da Lei de Execuções Penais. O juiz
indeferiu o pedido com base no artigo 2º, §2º, da Lei8.072/90, argumentan do que o
condenado não preencheu o requisito objetivo para a progressão deregime.
Como advogado de Mário, responda, de forma fundamentada e de acordo com o
entendimento sumulado dos Tribunais Superiores, aos itens a seguir:
A) Excetuando-se a possibilidade de Habeas Corpus, qual recurso deve ser
interposto pelo advogado de Mário e qual o respectivo fundamento legal? (Valor:
0,40)
B) Qual a principal tese defensiva? (Valor: 0,85)
11) (QUESTÃO 04 - XII EXAME)
Marcos, jovem inimputável conforme o Art. 26 do CP, foi denunciado pela prática de
determinado crime. Após o regular andamento do feito, o magistrado entendeu por bem
aplicar medida de segurança consistente em internação em hospital psiquiátrico por período
mínimo de 03 (três) anos. Após o cumprimento do período supramencionado, o advogado
de Marcos requer ao juízo de execução que seja realizado o exame de cessação de
periculosidade, requerimento que foi deferido. É realizada uma rigorosa perícia, e os
experts atestam a cura do internado, opinando, consequentemente, por sua desinternação.
O magistrado então, baseando-se no exame pericial realizado por médicos psiquiatras,
exara sentença determinando a desinternação de Marcos. O Parquet, devidamente
intimado da sentença proferida pelo juízo da execução, interpõe o recurso cabível
naespécie. A partir do caso apresentado, responda, fundamentadamente, aos itens a
seguir.
A) Qual o recurso cabível da sentença proferida pelo magistrado determinando a
desinternação de Marcos? (Valor: 0,75)
B) Qual o prazo para interposição desse recurso? (Valor: 0,25)
C) A interposição desse recurso suspende ou não a eficácia da sentença proferida
pelo magistrado? (Valor: 0,25)
12) (QUESTÃO 01 – XI EXAME)
O Juiz da Vara de Execuções Penais da Comarca “Y” converteu a medida restritiva de
direitos (que fora imposta em substituição à pena privativa de liberdade) em cumprimento
de pena privativa de liberdade imposta no regime inicial aberto, sem fixar quaisquer outras
condições.
O Ministério Público, inconformado, interpôs recurso alegando, em síntese, que a decisão
do referido Juiz da Vara de Execuções Penais acarretava o abrandamento da pena,
estimulando o descumprimento das penas alternativas ao cárcere. O recurso, devidamente
contra-arrazoado, foi submetido a julgamento pela Corte Estadual, a qual, de forma
unânime, resolveu lhe dar provimento. A referida Corte fixou como condição especial ao
cumprimento de pena no regime aberto, com base no Art. 115 da LEP, a prestação de
serviços à comunidade, o que deveria perdurar por todo o tempo da pena a ser cumprida
no regime menos gravoso. Atento ao caso narrado e considerando apenas os dados
contidos no enunciado, responda fundamentadamente, aos itens aseguir.
A) Qual foi o recurso interposto pelo Ministério Público contra a decisão do Juiz da
Vara de Execuções Penais? (Valor: 0,50)
B) Está correta a decisão da Corte Estadual, levando-se em conta entendimento
jurisprudencial sumulado? (Valor: 0,75)
Revisão criminal
Prof.ª Letícia Neves
@prof.leticianeves
8.1 Conceito: art. 621, CPP
É uma ação penal de natureza constitutiva e sui generis, de competência originária
dos tribunais, destinada a rever decisão condenatória, com trânsito em julgado, quando
ocorrer uma das hipóteses do artigo 621 do Código de Processo Penal.
Permite-se, portanto, pela revisão criminal, que o condenado possa pedir a qualquer
tempo aos tribunais, nos casos expressos em lei, que reexamine o processo já findo, a fim
de ser absolvido ou beneficiado de alguma forma.
PRESSUPOSTO: pressuposto indispensável ao cabimento do pedido que a
sentença condenatória tenha transitado em julgado, ou seja, que da decisão não caiba
qualquer recurso, inclusive extraordinário.
Não é peça de interposição É AÇÃO
8.2 Identificação: art. 621, CPP
PEDIU PRA PARAR
Expressão mágica: Peça:
“sentença transitada em julgado...”/
REVISÃO CRIMINAL
“processo findo...”
PAROU!
8.3 Base legal
Artigo 621 do Código de Processo Penal
8.4 Cabimento/conteúdo: art. 621, CPP
a) quando a sentença condenatória for contrária ao texto expresso da lei penal
A sentença condenatória é contrária à lei quando não procede como ela manda ou
quando nela não encontra respaldo para sua existência.
Exemplo: réu condenado por fato que não constitui crime ou condenação a pena
superior ao limite máximo previsto em lei.
Quando se tratar de interpretação controversa do texto de lei, não cabe revisão criminal,
para se buscar outra análise do mesmo preceito. A hipótese deste inciso é clara: afronta
ao texto expresso de lei – e não do sentido que esta possa ter para uns e outros.
b) contrariedade à evidência dos autos
Contrária à evidência dos autos é a condenação que não tem apoio em provas idôneas,
mas em meros indícios, sem qualquer consistência lógica e real.
Para ser admissível a revisão criminal, torna-se indispensável que a decisão
condenatória proferida ofenda frontalmente as provas constantes nos autos.
Exemplo: seria o equivalente a dizer que todas as testemunhas idôneas e imparciais
ouvidas afirmaram não ter sido o réu o autor do crime, mas o juiz, somente porque o
acusado confessou na fase policial, resolveu condená-lo. Não havendo recurso, transitou
em julgado a sentença.
c) quando a sentença condenatória se fundar em depoimentos, exames ou
documentos
A lei utiliza a qualificação comprovadamente para denominar o falso dessas peças
constitutivas do conjunto probatório, determinante para a condenação.
Portanto, não é qualquer suspeita de fraude, vício ou falsidade que levará a reavaliação
da condenação com trânsito em julgado. Torna-se nítida a exigência de uma falsidade
induvidosa.
Não basta que seja a prova falha, precária ou insuficiente. Não fundamenta a revisão,
por exemplo, simples falta de fundamentação de laudo pericial.
Provada, todavia, a falsidade do testemunho, colhido eventualmente até sob coação, da
perícia ou do documento, não se justifica manter-se aquilo que constitui fraude à Justiça,
mesmo porque a CF prevê a inadmissibilidade em juízo de prova ilícita.
Com o pedido, o requerente deve apresentar a prova que possua para demonstrar a
falsificação, já que não se permite na revisão a reabertura do processo para a produção
de novas provas.
d) quando, após a sentença, se descobrirem novas provas de inocência do
condenado ou de circunstâncias que determine ou autorize a diminuição especial
da pena
Prova nova é aquela produzida sob o crivo do contraditório, não se admitindo, por
exemplo, depoimentos extrajudiciais. É também aquela que já existia à época da
sentença, mas cuja existência não foi cogitada.
Surgindo novas provas que indiquem que o condenado deveria ser absolvido, ou de
existirem circunstâncias atenuantes ou causas de diminuição de pena não cogitadas, ou
não estarem presentes circunstâncias agravantes, qualificadoras ou causas de aumento
de pena indevidamente reconhecidas, deve ser deferido o pedido revisional.
Se as provas inéditas, surgidas depois da sentença condenatória definitiva ter sido
proferida, inocentarem o acusado, seja porque negam ser ele o autor, seja porque
indicam não ter havido fato criminoso, é de se acolher a revisão criminal.
8.5 Revisão e extinção da pena: art. 622, CPP
Permite a lei o pedido de revisão a qualquer tempo, inclusive após a extinção da
pena.
Há, na hipótese, interesse de agir, pois, além do aspecto moral ínsito à revisão de
uma condenação, pode a decisão condenatória causar gravames ao condenado, não só na
esfera civil e administrativa, como também no campo penal (por exemplo, caracterização
da reincidência).
Impede-se a reiteração do pedido de revisão sem novas provas, evitando-se assim
simples repetição indefinida daquilo que já foi examinado. Assim, apenas um novo pedido
com pretensão diversa, ou alicerçado em novas provas, que possibilite nova apreciação por
novos fundamentos de fato e de direito, merece conhecimento.
IMPORTANTE!
A jurisprudência tem se manifestado no sentido da necessidade de Ação de Justificação
Criminal para a produção de prova nova. Vejamos o item 15 da Edição nº 63 da
Jurisprudência em tese do STJ: “A justificação criminal é a via adequada à obtenção de
prova nova para fins de subsidiar eventual ajuizamento de revisão criminal”.
Dessa forma observa-se o procedimento previsto no artigo 381 do CPC para a produção
probatória, visto que não há previsão no CPP para tal procedimento.
8.6 Legitimidade: art. 623, CPP
Como demonstra este artigo, trata-se de ação privativa do réu condenado, podendo
ele ser substituído por seu representante legal ou seus sucessores, em rol taxativo –
cônjuge, ascendente, descendente ou irmão. Nucci entende que companheiro(a) também
pode.
Portanto, a revisão pode ser pedida pelo próprio réu, independentemente de estar
representado por seu procurador.
A revisão pode ser proposta por procurador legalmente habilitado, não se exigindo a
outorga ao advogado de poderes especiais.
8.7 Órgão competente para o julgamento da Revisão Criminal
É da competência originária dos tribunais, jamais sendo apreciada por juiz de
primeira instância. Se a decisão condenatória definitiva provier de magistrado de primeiro
grau, julgará a revisão criminal o tribunal que seria competente para conhecer do recurso
ordinário.
Caso a decisão provenha de câmara ou turma de tribunal de segundo grau, cabe ao
próprio tribunal o julgamento da revisão, embora, nessa hipótese, não pela mesma câmara,
mas pelo grupo reunido de câmaras criminais.
Tratando-se de decisão proferida pelo Órgão Especial, cabe ao mesmo colegiado o
julgamento da revisão.
Cabe ao STF o julgamento da revisão criminal de sus julgados, em regra, os de
competência originária.
Da competência prevista pelo artigo 624 do Código de Processo Penal, deve-se
excluir o Tribunal Federal de Recursos (extinto) e acrescentar o Superior Tribunal de Justiça
(Art. 105, inciso I, alínea “e”, da CF/88) e os Tribunais Regionais Federais (Art.108, inciso
I, alínea “b”, da CF/88), que tem competência revisional.
8.8 Decisão na Revisão Criminal: art. 626, CPP
Em princípio, a revisão só pode ser julgada procedente havendo nulidade insanável
no processo ou erro judiciário. Mas, apesar do caráter taxativo do artigo 621 do Código de
Processo Penal, a decisão em que se julgar procedente a revisão pode alterar a
classificação da infração, absolver o réu, modificar a pena ou anular o processo,
tendo como único obstáculo a impossibilidade de se agravar a pena imposta pela
decisão revista.
Assim, além de se rescindir complementarmente a sentença ou acórdão para
absolver o acusado, nada impede, por exemplo, conforme jurisprudência, que se
desclassifique a condenação de tentativa de homicídio culposo para lesão corporal culposa,
ou de falsificação de documentos para falsa identidade; que se reveja e reduza a pena; que
se reconheça nulidade absoluta, anulando-se o processo, embora a nulidade manifeste
também possa ser atacada por meio de habeas corpus.
8.9. Estruturação da Revisão Criminal
A) Endereçamento: Tribunal competente – Art. 624 do CPP;
B) Preâmbulo: nome e qualificação do requerente (qualificar, pois se trata de ação - não
inventar dados), capacidade postulatória (por seu procurador infra-assinado), fundamento
legal (Art. 621, inciso...), nome da peça (Revisão Criminal), frase final (pelos fatos e
fundamentos jurídicos a seguir expostos);
C) Corpo da peça (dos fatos e do direito): Lembrem-se que se trata de uma ação;
D) Pedidos: (a) alteração da classificação do crime; (b) absolvição; (c) modificação da
pena; (d) nulidade do processo.
Observação: Pedido conforme o fundamento invocado
(VER ARTIGO 626, CPP)
E) Parte final: local, data, advogado e OAB.
IMPORTANTE!
COMO NÃO SE TRATA DE RECURSO, NÃO HÁ PEÇA DE INTERPOSIÇÃO.
• Pedido Liminar
É possível a postulação de pedido liminar quando, no caso concreto, for identificado
que há perigo em manter o erro diante da demora do julgamento, bem como diante do
fundamento indicado na peça resta plausível o direito alegado. Podemos pleitear a liminar
por exemplo, para suspender a execução de determinada pena, com a expedição de alvará
de soltura, a fim de que o interessado aguarde em liberdade o julgamento da Revisão
Criminal.
Enfim, apesar de não ter um artigo específico é admitida a medida liminar, desde
que presentes os requisitos das medidas cautelares: fumus boni iuris e periculum in mora.
Jurisprudência:
HABEAS CORPUS. LATROCÍNIO. SENTENÇA CONDENATÓRIA COM
TRÂNSITO EM JULGADO. "ERRO MATERIAL" EM RELAÇÃO AO REGIME
PRISIONAL RECONHECIDO PELO JUÍZO DA EXECUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
REFORMATIO IN PEJUS. INDEVIDA REVISÃO CRIMINAL PRO SOCIETATE.
ORDEM CONCEDIDA. 1. Se é certo que a fixação do regime inicial aberto para uma
condenação por latrocínio (art. 157, § 3º, do Código Penal) com reprimenda de 18
(dezoito) anos de reclusão, caracteriza evidente "erro material", não menos certo
que, no caso concreto, houve o trânsito em julgado da sentença sem que o órgão
acusador opusesse embargos de declaração ou interpusesse recurso de apelação.
Dormientibus non succurrit jus. Tratando-se, com se trata, de Direito Penal adjetivo
não se pode falar em correção ex officio de "erro material", máxime contra o réu. Tal
instituto é próprio do Direito Processual Civil (art. 463, I, do CPC). Na esfera penal
prevalece o princípio do non reformatio in pejus que impede o agravamento da
situação do réu sem uma manifestação formal e tempestiva da acusação nesse
sentido. Inteligência da Súmula 160/STF. "Trata-se da cabal confirmação do
entendimento de que, neste, como noutros temas, o processo penal não é
estruturado por princípios comuns ao processo civil, senão por regras próprias, em
razão da prevalência dos interesses públicos que constituem a substância e o objeto
permanente do conflito jurídico típico que se presta a decidir e, sobretudo, por força
do valor supremo do jus libertatis, do qual o processo é concebido e disciplinado
como instrumento de tutela". (STF, HC 83.545/SP, Rel. Ministro CESAR PELUSO,
Primeira Turma, DJ 3.6.2006). Nesse viés, seja por nulidade absoluta, seja por "erro
material", não se pode agravar (quantitativamente ou qualitativamente) a situação
do réu sem recurso próprio do acusador, sob pena de configurar indevida revisão
criminal pro societate. Precedentes do STJ. Ordem concedida para, reconhecendo
o trânsito em julgado da condenação, manter o regime inicial aberto, como fixado
na sentença.
(HC 176.320/AL, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Rel. p/ Acórdão
Ministro JORGE MUSSI, QUINTA TURMA, julgado em 17/05/2011, DJe
17/09/2012).
Endereçamento: Presidente do Tribunal de Justiça ou do TRF:
A) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR DESEMBARGADOR PRESIDENTE DO EGRÉGIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO... (se crime da competência da Justiça Estadual)
B) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR DESEMBARGADOR FEDERAL PRESIDENTE DO
EGRÉGIO TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA ... REGIÃO... (se crime da competência da Justiça
Federal)
7 a 10 linhas
FULANO DE TAL, nacionalidade, profissão, estado civil, RG..., endereço eletrônico...,
(não inventar dados), por seu procurador infra-assinado, com procuração em anexo, vem,
respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, propor REVISÃO CRIMINAL, com pedido
liminar18, com base no artigo 621, inciso ..., do Código de Processo Penal, pelos fatos e
fundamentos jurídicos a seguir expostos:
I) DOS FATOS
II) DO DIREITO
III) DO PEDIDO
Ante o exposto, requer seja julgada procedente a presente ação de revisão criminal, a fim de que
seja:
• Pode solicitar a concessão liminar, se for o caso;
• Absolvido o revisando, com base no artigo 626 do Código de Processo Penal (pode combinar
com o artigo 386 do CPP); e/ou
• Anulado o processo, com base no artigo 626 do Código de Processo Penal;
• Alterada a classificação para o crime, com base no artigo 626 do Código de Processo Penal;
• Modificada a pena, a fim de que (Ex: seha afastada a majorante; reconhecida a causa de
diminuição da pena)
• Reconhecido o direito do revisando à indenização, nos termos do artigo 630 do CPP;
Nestes termos, Espera deferimento.
Local... e Data...
ADVOGADO... OAB...
18 Pedido Liminar, se for preciso, na maioria das vezes é pertinente.
13) (QUESTÃO 02 – XXIV EXAME)
No dia 10 de setembro de 2014, Maria conversava na rua com amigas da escola, quando
passou pelo local Túlio, jovem de 19 anos, que ficou interessado em conhecer Maria em
razão da beleza desta. Um mês após se conhecerem e iniciarem um relacionamento, Túlio
e Maria passaram a ter relações sexuais, apesar de Maria ter informado ao namorado que
nascera em 09 de julho de 2001. Ao tomar conhecimento dos fatos, o Ministério Público
denunciou Túlio pela prática do crime do Art. 217-A do Código Penal.
Após a instrução e juntada da carteira de identidade de Maria, na qual constava seu
nascimento em 09 de julho de 2001, Túlio foi condenado nos termos da denúncia, tendo
ocorrido o trânsito em julgado. Dois anos após a sentença condenatória, os pais de Maria
procuram os familiares de Túlio e narram que se sentiam mal pelo ocorrido, porque sempre
consideraram o condenado um bom namorado para a filha. Afirmaram, ainda, que
autorizavam o namoro, porque, na verdade, consideravam sua filha uma jovem, já que ela
nasceu em 09 de julho de 2000, mas somente foi registrada no ano seguinte, pois tinham
o sonho de sua filha ser profissional do esporte e entenderam que o registro tardio a
beneficiaria profissionalmente.
Diante de tais informações, em posse de fotografias que comprovam que Maria, de fato,
nasceu em 09 de julho de 2000 e da retificação no registro civil, os familiares de Túlio
procuram você na condição de advogado(a).
Na condição de advogado(a) de Túlio, considerando apenas as informações
narradas, responda aos itens a seguir.
A) Diante do trânsito em julgado da sentença condenatória, existe medida judicial a
ser apresentada em favor de Túlio, diferente de habeas corpus, em busca da
desconstituição da sentença? Justifique e indique, em caso positivo. (Valor: 0,65)
B) Qual argumento de direito material deverá ser apresentado pelo(a) patrono(a) de
Túlio em busca da desconstituição da sentença? Justifique. (Valor: 0,60)
14) PROPOSTA DE PEÇA PROCESSUAL (DEFENSOR MG/2009 – ADAPTADA -
FUMARC)
Pajero Full, um jovem advogado, estava exercendo a função de advogado, perante a 1ª
Vara de Família de Canoas, RS, por ocasião da contestação apresentada em processo de
investigação de paternidade, imputou à genitora do investigante a prática de atos sexuais
com diversos homens, afirmando ainda que aquela se dedicava habitualmente à
prostituição.
Pajero Full foi informado por seu cliente das atividades exercidas pela genitora do
investigante durante as entrevistas necessárias para elaboração da defesa técnica por ele
exercida.
Sentindo-se difamada e injuriada com as alegações de Pajero Full, profundamente
indignada a mãe do investigante ofereceu queixa-crime contra o advogado. A queixa-crime
foi distribuída ao juízo da 2ª Vara Criminal comum daquela cidade, ao entendimento de que
aquela causa é de maior complexidade, considerando o acervo probatório, fugindo,
portanto, da competência do juizado especial.
Desta forma, o Juiz da 2ª Vara Criminal de Canoas, RS, após ter restada inexitosa a
conciliação, recebeu a denúncia e determinou a citação do querelado, que sustentou, em
sua defesa preliminar, não ser possível a existência e a continuidade do processo por lhe
faltar um dos pressupostos de constituição e desenvolvimento regular do feito.
O magistrado responsável pelo julgamento indeferiu o pedido formulado na defesa
preliminar, dizendo que deixa para apreciar todas as questões de fato e de direito por
ocasião da sentença final.
Elabore a peça processual cabível contra a decisão do magistrado, apontando todos
os argumentos jurídicos para a modificação da decisão hostilizada.
15) Fátima foi vítima de acidente fatal no trânsito, na ocasião Fausto dirigia o seu veículo e
deu causa à morte. Inconsolado com a perda, Carmelo, o viúvo, se comprometeu a buscar
a responsabilização do autor do crime. Durante o processo criminal, que tramitou perante
a 1ª Vara Criminal de Florianópolis, em que o motorista Fausto respondeu em liberdade,
não foi possível comprovar qualquer modalidade de culpa por parte de Fausto, logo a
absolvição foi a medida imposta. Após o trânsito em julgado da decisão, Carmelo localizou
uma testemunha presencial do delito, de nome Sabrina, que não tinha mais sido localizada,
porém estava presente no momento do fato, tendo sido inclusive ouvida durante a polícia,
mas infelizmente na fase judicial não foi possível, pois estava residindo no exterior. Sabrina
informou que Fausto não estava vindo ao lado da via que indicou em juízo, que o acidente
se deu em virtude dele ter feito uma manobra irregular, tendo assim surpreendido Fátima
que estava no local adequado. Sabrina informa ter guardado por cautela uma foto que tirou
logo após o fato que demonstra a parada inicial do veículo na ocasião do acidente. Diante
dos fatos responda:
Considerando a prova nova, testemunha ocular, é possível oferecer para Carmelo
alguma medida ou ação criminal? Justifique a sua resposta.
Habeas corpus
Prof.ª Letícia Neves
@prof.leticianeves
9.1 Conceito: art. 647, CPP
É o remédio judicial que tem por finalidade evitar ou fazer cessar a violência ou a
coação à liberdade de locomoção decorrente de ilegalidade ou abuso de poder.
9.2 Base Legal
Artigos 647 e 648 do CPP e art. 5º, inciso LXVIII, da CF.
9.3 Espécies
A doutrina costuma apontar, basicamente, duas espécies de Habeas Corpus:
a) Habeas corpus liberatório ou repressivo
Havendo violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso
de poder, pode-se impetrar habeas corpus para afastar o constrangimento ilegal e
restabelecer a liberdade de locomoção do paciente.
b) Habeas corpus preventivo
Se a violência ou coação em sua liberdade de locomoção ainda não ocorreu, mas há
fortes razões para considerar que está na iminência de se configurar, pode-se impetrar
habeas corpus preventivo, buscando o “salvo-conduto”, mediante ordem impeditiva da
coação, conforme prevê o artigo 660, § 4º, do CPP.
9.4 Legitimidade ativa: art. 654, CPP
Pode ser impetrado por qualquer pessoa, independentemente de habilitação legal
ou representação de advogado (dispensada a formalidade da procuração).
9.5 Legitimidade passiva
No polo passivo da ação de habeas corpus está a pessoa – autoridade ou não –
apontada como coatora, que deve defender a legalidade do seu ato, quando prestar as
informações.
Acrescenta-se, ainda, que a Constituição Federal não distingue, no polo passivo, a
autoridade do particular, de modo que é possível impetrar habeas corpus contra qualquer
pessoa que constranja a liberdade de locomoção de outrem.
Exemplo: imagine-se os inúmeros casos de internação irregular em hospitais
psiquiátricos ou mesmo da vedação de saída a determinados pacientes que não liquidam
seus débitos no nosocômio.
9.6 Admissibilidade/conteúdo: art. 648, CPP
a) Quando não houve justa causa – Art. 648, inciso I, do CPP: Justa causa é a existência
de fundamento jurídico e suporte fático autorizadores do constrangimento à liberdade
ambulatória. A hipótese trata da falta de justa causa para a prisão, para o inquérito e para
o processo.
Só há justa causa para a prisão no caso de flagrante delito ou de ordem escrita e
fundamentada da autoridade judiciária competente, salvo nos casos de transgressão ou
crime militar.
Falta justa causa para o inquérito policial quando este investiga fato atípico ou quando já
estiver extinta a punibilidade do indiciado.
b) Quando alguém estiver por mais tempo do que determina a lei – Art. 648, inciso II,
do CPP: A nova reforma processual penal, ao concentrar os atos da instrução numa única
audiência, visou, em especial, concretizar o princípio constitucional da celeridade
processual, impedindo, por consequência, que os réus fiquem sujeitos ao constrangimento
ilegal da prisão por excesso de prazo.
c) Quando quem ordenar a coação não tiver competência para fazê-lo – Art. 648,
inciso III, do CPP: Só pode determinar a prisão a autoridade judiciária dotada de
competência material e territorial, salvo caso de prisão em flagrante. A incompetência
absoluta do juízo também pode ser reconhecida em sede de habeas corpus.
d) Quado houver cessado o motivo que autorizou a coação – Art. 648, inciso IV, do
CPP: Exemplo: sentenciado que já cumpriu sua pena, mas continua preso.
e) Quando não for alguém admitido a prestar fiança, nos casos em que a lei a autoriza
– Art. 648, inciso V, do CPP.
f) Quando o processo for manifestamente nulo – Art. 648, inciso IV, do CPP
g) Quando extinta a punibilidade – Art. 648, inciso VII, do CPP
9.7 Competência
a) Do juiz de direito de primeira instância: Basicamente, para trancar inquérito policial.
Porém, se o inquérito tiver sido requisitado por autoridade judiciária, a competência será do
tribunal de segundo grau competente, de acordo com a sua competência.
O juiz não pode conceder a ordem sobre ato de autoridade judiciária do mesmo grau.
b) Do Tribunal de Justiça: Quando a autoridade coatora for juiz de direito e representante
do MP Estadual.
Exemplo: se o promotor de justiça requisita a instauração de inquérito policial, sem lastro
para tanto, o habeas corpus deve ser impetrado perante o tribunal de justiça. No caso,
estando a autoridade policial obrigada a atender a requisição, o promotor de justiça é o
verdadeiro responsável pela coação.
c) Do Tribunal Regional Federal: Se a autoridade coatora for juiz federal (artigo 108, inciso
I, alínea “d”, da CF/88).
d) Do Superior Tribunal de Justiça: Art. 105: Compete ao Superior Tribunal de Justiça: I
- processar e julgar, originariamente:
- nos crimes comuns, os Governadores dos Estados e do Distrito Federal, e, nestes e nos
de responsabilidade, os desembargadores dos Tribunais de Justiça dos Estados e do
Distrito Federal, os membros dos Tribunais de Contas dos Estados e do Distrito Federal, os
dos Tribunais Regionais Federais, dos Tribunais Regionais Eleitorais e do Trabalho, os
membros dos Conselhos ou Tribunais de Contas dos Municípios e os do Ministério Público
da União que oficiem perante tribunais;
(...)
- os habeas corpus, quando o coator ou paciente for qualquer das pessoas mencionadas
na alínea "a", ou quando o coator for tribunal sujeito à sua jurisdição, Ministro de Estado ou
Comandante da Marinha, do Exército ou da Aeronáutica, ressalvada a competência da
Justiça Eleitoral;
e) Do Supremo Tribunal Federal: Art. 102: Compete ao Supremo Tribunal Federal,
precipuamente, a guarda da Constituição, cabendo-lhe:
I - processar e julgar, originariamente:
(...)
i) o habeas corpus, quando o coator for Tribunal Superior ou quando o coator ou o paciente
for autoridade ou funcionário cujos atos estejam sujeitos diretamente à jurisdição do
Supremo Tribunal Federal, ou se trate de crime sujeito à mesma jurisdição em uma única
instância.
9.8 Julgamento e efeitos
A concessão de habeas corpus
liberatório implica que seja o
paciente posto em liberdade,
salvo se por outro motivo deva
ser mantido na prisão.
b) Quando a ordem for concedida
a) Se a ordem for concedida para
para trancar inquérito policial ou
anular o processo, este será
ação penal, esta impedirá seu curso
renovado a partir do momento em
normal, isto é, haverá o trancamento
que se verificou o vício.
do inquérito policial ou ação penal.
A decisão favorável do habeas corpus pode ser estendida a outros interessados que se
encontrem na situação idêntica à do paciente beneficiado.
9.9 Pedido liminar
Importante destacar que somente será necessária a criação deste item se for
evidente a possibilidade de antecipação de algum pedido. Por exemplo, se estivermos
diante de alguém preso ilegalmente e o conteúdo demonstrado no enunciado demonstrar
de forma clara que é possível convencer o julgador, desde logo, pela concessão da
liberdade em caráter liminar, ou seja, antes do julgamento definitivo da ação impugnativa,
o pedido deverá ser realizado.
9.10 Estruturação de Habeas corpus
a) Endereçamento: Juiz ou Tribunal Competente;
b) Preâmbulo: nome e qualificação do impetrante (qualificar, pois se trata de ação - não
inventar dados), fundamento legal (artigo 5º, inciso LXVIII, da CF/88 e artigo 648,
inciso...), nome da peça (Habeas corpus), apontar a autoridade coatora, frase final
(pelos fatos e fundamentos jurídicos a seguir expostos);
c) Corpo da peça (Dos fatos e do direito): abordagem voltada ao constrangimento ilegal
à liberdade de locomoção;
d) Pedidos: conforme o fundamento invocado: (a) trancamento do inquérito policial; (b)
trancamento da ação penal (se ainda não existir sentença); (c) extinção da punibilidade;
(d) nulidade; (e) revogação da preventiva; (f) relaxamento da prisão em flagrante; (g)
liberdade provisória (todos com alvará de soltura);
e) Parte final: local, data, advogado e OAB.
A) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR DESEMBARGADOR PRESIDENTE DO EGRÉGIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO (se a autoridade coatora for juiz de direito estadual, por
exemplo)
B) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR DESEMBARGADOR FEDERAL PRESIDENTE DO
EGRÉGIO TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA ... REGIÃO... (se a autoridade coatora for juiz
federal, por exemplo)
7 a 10 linhas
FULANO DE TAL (nome e qualificação), advogado inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil
sob o nº ..., com endereço profissional..., vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência,
impetrar HABEAS CORPUS, com pedido liminar19, com base no artigo 5º, inciso LXVIII, da
CF/88, combinado com o artigo 647 e 648, inciso..., do Código de Processo Penal, contra ato
do BELTRANO DE TAL (autoridade coatora), em favor de CICLANO DE TAL (nome do paciente),
nacionalidade, estado civil, profissão, RG..., pelo fatos e fundamentos jurídicos a seguir expostos:
I) DOS FATOS
II) DO DIREITO (Do constrangimento ilegal)
1º parágrafo: apontar a tese
2º parágrafo: fundamentar a tese
III) DO PEDIDO
Ante o exposto, o impetrante requer a concessão da ordem de habeas corpus, pra o fim de
• Determinar o trancamento do inquério policial ou ação penal (por falta de justa causa)
• Declarar a extinção da punibilidade
• Declarar a nulidade
• Revogar a prisão preventiva, com expedição do alvará de soltura/relaxar a prisão;
• Relaxamento da prisão em flagrante, com expedição do alvará de soltura;
• Concessão de liberdade provisória, com expedição do alvará de soltura;
Nestes termos, espera deferimento.
Local... e Data...
ADVOGADO...OAB...
19 Pedido Liminar, se for preciso, na maioria das vezes é pertinente
Obs.: os fundamentos de mérito do HC se encontram, invariavelmente, no artigo
648 do CPP
Peça resolvida: habeas corpus. Adaptada da questão 03 - XV EXAME
A Receita Federal identificou que Raquel possivelmente sonegou Imposto sobre a Renda,
causando prejuízo ao erário no valor de R$ 27.000,00 (vinte e sete mil reais). Foi instaurado,
então, procedimento administrativo, não havendo, até o presente momento, lançamento
definitivo do crédito tributário. Ao mesmo tempo, a Receita Federal expediu ofício
informando tais fatos ao Ministério Público Federal, que, considerando a autonomia das
instâncias, ofereceu denúncia em face de Raquel pela prática do crime previsto no Art. 1º,
inciso I, da Lei nº 8.137/90. Assustada com a ratificação do recebimento da denúncia após
a apresentação de resposta à acusação pela Defensoria Pública, Raquel contrata Wilson
para, na condição de advogado, tomar as medidas cabíveis. Com base somente nas
informações de que dispõe e nas que podem ser inferidas pelo caso concreto acima, redija
a peça cabível, sustentando, para tanto, as teses jurídicas pertinentes.
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR DESEMBARGADOR FEDERAL PRESIDENTE DO
EGRÉGIO TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA ... REGIÃO...
WILSON, nacionalidade, estado civil, advogado inscrito na Ordem dos Advogados do
Brasil sob o nº ..., com endereço profissional..., vem, respeitosamente, à presença de Vossa
Excelência, impetrar HABEAS CORPUS, com pedido liminar¹, com base no artigo 5º, inciso
LXVIII, da CF/88, combinado com o artigo 647 e artigo 648, inciso I, do Código de Processo
Penal, contra ato do Juiz Federal da Seção Judiciária de ..., em favor de RAQUEL,
nacionalidade, estado civil, RG..., CPF..., pelos fatos e fundamentos jurídicos a seguir expostos:
I) DOS FATOS
O Ministério Público Federal ofereceu denúncia em faze de Raquel pela prática do
crime previsto no artigo 1º, inciso I, da Lei nº 8.137/90.
Foi ratificado o recebimento da denúncia após a apresentação da resposta à acusação
pela Defensoria Pública
II) DO DIREITO
A paciente foi denunciada pela prática do delito previsto no artigo 1º, inciso I, da Lei
8.137/90, sendo o recebimento da denúncia ratificado pela autoridade coatora. Todavia, o fato
praticado por Raquel é atípico porque não houve o efeito lançamento definitivo do crédito
tributário, nos termos do que se dispõe a Súmula Vinculante nº 24 do STF. Assim, não há justa
causa para ação penal, pois o fato atribuído à paciente é atípico. Logo, verifica-se flagrante
constrangimento ilegal à liberdade de locomoção de Raquel, razão pela qual o trancamento da
ação penal é a medida que se impõe.
.
III) DO PEDIDO
Ante o exposto, o impetrante requer:
a) Seja expedido ofício à autoridade coatora, a fim de que preste informações;
b) Seja intimado o Ilustre Representante do Ministério Público Federal;
c) A concessãoda ordem de habeas corpus, para o fim de que seja trancada a alçao penal,
nos termos do artigo 648, inciso I, do Código de Processo Penal.
Nestes termos, espera deferimento.
Local... e Data...
ADVOGADO...OAB...
Recurso Ordinário Constitucional
Prof.ª Letícia Neves
@prof.leticianeves
10.1 Conceito
Trata-se de recurso destinado a impugnar decisão denegatória de mandado de
segurança, mandado de injunção, habeas data e habeas corpus, decididos em única ou
última instância, interposto no STJ ou STF, conforme a matéria e o tribunal que profere a
decisão recorrida.
Diferentemente do Recurso Especial e Extraordinário, o Recurso Ordinário não exige
prequestionamento para ser conhecido.
No processo penal, o Recurso Ordinário Constitucional em Habeas Corpus é o mais
utilizado, cabível como consta na Constituição Federal/88 quando estivermos diante de uma
decisão denegatória de habeas corpus proferida no âmbito dos Tribunais.
10.2 Base legal
Base legal: Art. 102, inciso II, alínea
STF
“a”, da CF/88
Base legal: Art. 105, inciso II, alínea
STJ
“a”, da CF/88
10.3 Identificação
PEDIU PRA PARAR
Peça:
Expressão mágica:
Recurso Ordinário
“denegatória de habeas corpus...”
Constitucional
PAROU!
10.4 Cabimento em matéria penal
No Supremo Tribunal Federal (STF)
a) Decisão denegatória de habeas corpus e de mandado de segurança
decididas em única instância pelos Tribunais Superiores (artigo 102, inciso II, alínea
“a”, da CF/88).
Trata-se de recurso destinado a impugnar, em matéria criminal, decisões
denegatórias de habeas corpus e mandado de segurança proferidas em única instância por
Tribunais Superiores, ou seja, Superior Tribunal de Justiça (STJ), Tribunal Superior Eleitoral
(TSE), Tribunal Superior do Trabalho (TST) e Superior Tribunal Militar (STM).
b) Decisão relativas a crimes políticos (artigo 102, inciso II, alínea “b”, da
CF/88).
Entende-se por crime político o delito praticado contra a ordem política e social,
previstos na Lei 7.170/83.
A competência para julgar o crime político é da Justiça Federal, nos termos do artigo
109, inciso IV, da CF/88.
Considerando a competência firmada no artigo 102, inciso II, alínea “b”, da CF, que
não se refere a decisões de única ou última instância, conclui-se que, tratando-se de crime
político, o 2º grau será, sempre, o STF mediante recurso ordinário.
No Superior Tribunal de Justiça (STJ)
a) Decisões dos Tribunais de Justiça dos Estados e do Distrito Federal ou dos
Tribunais Federais, que, em única ou última instância, denegarem a ordem de habeas
corpus (artigo 105, inciso II, alínea “a”, da CF/88).
Nesse caso, impetrado habeas corpus no Tribunal de Justiça contra decisão de um
juiz, em sendo denegado, cabe à parte ingressar com recurso ordinário constitucional para
o STJ.
b) Decisões dos Tribunais de Justiça dos Estados e do Distrito Federal ou dos
Tribunais Federais, que, em única, denegarem a ordem o mandado de segurança
(artigo 105, inciso II, alínea “b”, da CF/88).
Trata-se da hipótese de um determinado Tribunal Estadual ou Federal julgar
mandado de segurança ajuizado em caso de sua competência originária e, ao final, denegar
a segurança pleiteada. Nesse caso, cabe Recurso Ordinário Constitucional para o STJ.
10.5 Prazo e processamento do recurso
Nos termos do artigo 30 da Lei nº 8.038/90, será interposto no prazo de cinco dias,
com as razões do pedido de reforma, perante o STJ, quando a decisão denegatória for
proferida por Tribunais Regionais Federais ou pelos Tribunais dos Estados e do Distrito
Federal.
O mesmo prazo de 05 (cinco) dias para interposição do recurso ordinário
constitucional em habeas corpus deverá ser observado perante o STF, já acompanhado
das razões, conforme Súmula 319 do STF: “O prazo do recurso ordinário para o STF, em
habeas corpus ou mandado de segurança, é de cinco dias”.
O Recurso Ordinário Constitucional para o Supremo Tribunal Federal deve ser
interposto perante o Superior Tribunal (STJ/STM/STE) que proferiu a decisão denegatória
do habeas corpus ou mandado de segurança, mediante petição já acompanhada das
respectivas razões. As razões recursais devem ser dirigidas às Turmas do Supremo
Tribunal Federal.
O Recurso Ordinário Constitucional para o Superior Tribunal de Justiça deve
ser interposto perante o respectivo Tribunal de Justiça ou Tribunal Regional Federal que
proferiu a decisão denegatória de habeas corpus ou mandado de segurança. as razões
recursais devem ser dirigidas às Turmas do Superior Tribunal de Justiça.
A petição de interposição deve estar acompanhada das respectivas razões do pedido
de reforma da decisão.
Observação: Na hipótese de recurso ordinário constitucional contra decisão
denegatória de mandado de segurança, o prazo será de 15 DIAS (artigo 33 da Lei
nº 8.038/90) para o STJ.
Em regra
Prazo: 05 dias
Peça de interposição endereçada ao presidente do tribunal que proferiu a decisão
recorrida:
A) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR DESEMBARGADOR PRESIDENTE DO
EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO... (se o crime da competência da
justiça estadual)
B) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR DESEMBARGADOR FEDERAL
PRESIDENTE DO EGRÉGIO TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL... (se o crime da
competência da justiça federal)
C) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR MINISTRO PRESIDENTE DO COLENDO
SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA (quando o habeas corpus for denegado no STJ)
7 a 10 linhas
FULANO DE TAL, já qualificado nos autos, por seu procurador infra-assinado,
com procuração em anexo, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência,
interpor o presente RECURSO ORDINÁRIO CONSTITUCIONAL, com base no
artigo 102, inciso II, alínea “a”, da CF/88 (se for da competência do STF) ou no artigo
105, inciso II, alínea “a”, da CF/88 (se for da competência do STJ), combinado com
os artigos 30 e 32 da Lei nº 8.038/90, requerendo seja o recurso recebido e
processado e, no final, remetido ao Supremo Tribunal Federal (ou Superior Tribunal
de Justiça).
Nestes termos,
Pede deferimento.
Local..., data...
ADVOGADO... OAB...
Peça de razões recursais.
COLENDO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL ou COLENDO SUPERIOR
TRIBUNAL DE JUSTIÇA
Recorrente: FULANO DE TAL
Recorrido: MINISTÉRIO PÚBLICO
RAZÕES DE RECURSO ORDINÁRIO CONSTITUCIONAL
Douta Turma
Eminentes Ministros
I) DOS FATOS
II) DO DIREITO
Os fundamentos de mérito invariavelmente guardam relação com as hipóteses do
artigo 648 do CPP.
III) DO PEDIDO
Ante o exposto, requer seja conhecido e provido o presente recurso, para o fim de
que seja reformado o acórdão, concedendo-se a ordem de habeas corpus, a fim de
que (exemplos...):
Trancamento do inquérito policial ou ação penal (por falta de justa causa);
Extinção da punibilidade;
Nulidade;
Revogação da prisão preventiva, com expedição do alvará de soltura;
Relaxamento da prisão em flagrante, com expedição do alvará de soltura;
Concessão de liberdade provisória, com expedição do alvará de soltura.
Nestes termos, pede deferimento.
Local..., data...
ADVOGADO... OAB...
16) (QUESTÃO 02 - XIV EXAME)
Cristiano foi denunciado pela prática do delito tipificado no Art. 171, do Código Penal. No
curso da instrução criminal, o magistrado que presidia o feito decretou a prisão preventiva
do réu, com o intuito de garantir a ordem pública, “já que o crime causou grave comoção
social, além de tratar-se de um crime grave, que coloca em risco a integridade social,
configurando conduta inadequada ao meio social.” O advogado de Cristiano, inconformado
com a fundamentação da medida constritiva de liberdade, impetrou Habeas Corpus perante
o Tribunal de Justiça, no intuito de relaxar tal prisão, já que a considerava ilegal, tendo em
vista que toda decisão judicial deve estar amparada em uma fundamentação idônea. O
Tribunal de Justiça, por unanimidade, não concedeu a ordem, entendendo que a decisão
que decretou a prisão preventiva estava corretamente fundamentada. De acordo com a
jurisprudência atualizada dos Tribunais Superiores, responda aos itens a seguir.
A) Qual o recurso que o advogado de Cristiano deve manejar visando à reforma do
acórdão? (Valor: 0,65)
B) Qual o prazo e para qual Tribunal deverá ser dirigido? (Valor: 0,60)
PADRÃO DE RESPOSTAS
1) (QUESTÃO 03 - XX EXAME)
Andy, jovem de 25 anos, possui uma condenação definitiva pela prática de contravenção
penal. Em momento posterior, resolve praticar um crime de estelionato e, para tanto, decide
que irá até o portão da residência de Josefa e, aí, solicitará a entrega de um computador,
afirmando que tal requerimento era fruto de um pedido do próprio filho de Josefa, pois tinha
conhecimento que este trabalhava no setor de informática de determinada sociedade. Ao
chegar ao portão da casa, afirma para Josefa que fora à sua residência buscar o
computador da casa a pedido do filho dela, com quem trabalhava. Josefa pede para o
marido entregar o computador a Andy, que ficara aguardando no portão. Quando o marido
de Josefa aparece com o aparelho, Andy se surpreende, pois ele lembrava seu falecido pai.
Em razão disso, apesar de já ter empregado a fraude, vai embora sem levar o bem. O
Ministério Público ofereceu denúncia pela prática de tentativa de estelionato, sendo Andy
condenado nos termos da denúncia. Como advogado de Andy, com base apenas nas
informações narradas, responda aos itens a seguir.
A) Qual tese jurídica de direito material deve ser alegada, em sede de recurso de
apelação, para evitar a punição de Andy? Justifique. (Valor: 0,65)
B) Há vedação legal expressa à concessão do benefício da suspensão condicional
do processo a Andy? Justifique. (Valor: 0,60)
GABARITO COMENTADO
A) A tese de direito material a ser alegada pelo advogado de Andy é que, no caso, não
poderia ele ter sido punido pela tentativa, tendo em vista que houve desistência voluntária.
Prevê o Art. 15 do CP que o agente que voluntariamente desiste de prosseguir na execução
responde apenas pelos atos já praticados e não pela tentativa do crime inicialmente
pretendido. Isso porque o agente opta por não prosseguir quando pode, ao contrário da
tentativa, quando o agente não pode prosseguir por razões alheias à sua vontade. No caso,
a execução já tinha sido iniciada, quando Andy empregou fraude. O benefício, porém, não
foi obtido, sendo certo que o crime não se consumou pela vontade do próprio agente. Assim,
sua conduta se torna atípica e deveria ele ser absolvido.
B) Não há vedação legal, podendo Andy fazer jus ao benefício da suspensão condicional
do processo. O crime de estelionato possui pena mínima de 01 ano, o que está de acordo
com as exigências do Art. 89 da Lei nº 9.099/95. Ademais, prevê o dispositivo que não
caberá suspensão se o agente já houver sido condenado ou se responder a outro processo
pela prática de crime. Todavia, no caso, Andy havia sido condenado pela prática de
contravenção penal, logo não há vedação à concessão do benefício.
DISTRIBUIÇÃO DOS PONTOS:
ITEM PONTUAÇÃO
A) Deveria ser alegada a ocorrência de desistência voluntária (0,40), o que
0,00/0,15/ 0,25/0,40
torna a conduta do agente atípica OU o que faz com que responda apenas
/0,50/0,55/ 0,65
pelos atos já praticados (0,15), na forma do Art. 15, primeira parte, do CP (0,10).
B) Não há vedação legal, tendo em vista que Andy ostenta condenação pela
prática de contravenção penal e não de crime (0,50), sem violação ao Art. 89 da 0,00/0,50/ 0,60
Lei nº 9.099/95 (0,10).
2) (QUESTÃO 2 - VI EXAME)
Hugo é inimigo de longa data de José e há muitos anos deseja matá-lo. Para conseguir seu
intento, Hugo induz o próprioJoséamatarLuiz, afirma ndo falsamente que Luiz estava se
insinuando para a esposa de José. Ocorre que Hugo sabia que Luiz é pessoa de pouca
paciência e que sempre anda armado. Cego de ódio, José espera Luiz sair do trabalho e,
ao vê-lo, corre em direção dele com um facão em punho, mirando na altura da cabeça. Luiz,
assustado e sem saber o motivo daquela injusta agressão, rapidamente saca sua arma e
atira justamente no curacao de José, que more instantaneamente. Instaurado inquérito
policial para apurar as circunstâncias da morte de José, ao final das investigações, o
Ministério Público formou sua opinion no seguinte sentido: Luiz deve responder pelo
excesso doloso em sua conduta, ou seja, deve responder por homicídio doloso; Hugo por
sua vez, deve responder como partícipe de tal homicídio. A denúncia foi oferecida e
recebida.
Considerando que você é o advogado de Hugo e Luiz, responda:
A) Qual peça deverá ser oferecida, em que prazo e endereçada a quem? (Valor:0,30)
B) Qual a tese defensiva aplicável a Luiz? (Valor:0,5)
C) Qual a tese defensiva aplicável a Hugo? (Valor:0,45)
GABARITO COMENTADO
Resposta à acusação, no prazo de 10 dias (art. 406 do CPP), endereçada ao juiz presidente
do Tribunal do Júri OU Habeas Corpus para extinção da ação penal; ação penal autônoma
de impugnação que não possui prazo determinado; endereçado ao Tribunal de Justiça
Estadual.
A tese defensive aplicada a Luiz é a da legítima defesa real, instituto previsto no art. 25 do
CP, cuja natureza é de causa excludente de ilicitude. Não houve excesso, pois a conduta
de José (que mirava com o facão na cabeça do Luiz) configurava injusta agressão e
claramente atentava contra a vida deLuiz.
Hugo não praticou fato típico, pois, de acordo com a Teoria da Acessoriedade Limitada, o
partícipe somente poderá ser punido se o agente praticar conduta típica e ilícita, o que não
foi o caso, já que Luiz agiu amparado por uma causa excludente de ilicitude, qual seja,
legítima defesa (art. 25 do CP).
OU Não havia liame subjetivo entre Hugo e Luiz, requisito essencial ao concurso de
pessoas, razão pela qual Hugo não poderia ser considerado partícipe.
DISTRIBUIÇÃO DOS PONTOS
ITEM PONTUAÇÃO
A) Resposta à acusação (0,1), no prazo de 10 dias (art. 406 do CPP) (0,1),
endereçada ao Juiz da Vara Criminal / do Júri (0,1).
OU 0,00/0,10/0,20/0,30
Habeas Corpus para extinção da ação penal (0,1); que não possui prazo
determinado (0,1); endereçado ao Tribunal de Justiça (0,1).
B) Legítima defesa (0,3). Não houve excesso, pois a conduta de José
configurava injusta agressão e atentava contra a vida de Luiz (OU
0,00/0,20/0,30/0,50
fundamentação jurídica da legítima defesa) (0,2).
Obs.: A mera indicação de artigo não é pontuada.
C) Não praticou crime (0,2), pois, de acordo com a Teoria da Acessoriedade
Limitada, o partícipe somente poderá ser punido se o agente praticar conduta
típica e ilícita, o que não foi o caso, já que Luiz agiu amparado por uma causa
excludente de ilicitude (0,25). 0,00/0,20/0,25/0,45
OU
Não havia liame subjetivo entre Hugo e Luiz (0,2), razão pela qual Hugo não
poderia ser considerado partícipe (0,25).
3) (QUESTÃO 04 - EXAME 2010/03)
Caio, professor do curso de segurança no trânsito, motorista extremamente qualificado,
guiava seu automóvel tendo Madalena, sua namorada, no banco do carona. Durante o
trajeto, o casal começa a discutir asperamente, o que faz com que Caio empreenda
altíssima velocidade ao automóvel. Muito assustada, Madalena pede insistentemente para
Caio reduzir a marcha do veículo, pois àquela velocidade não seria possível controlar o
automóvel. Caio, entretanto, respondeu aos pedidos dizendo ser perito em direção e
refutando qualquer possibilidade de perder o controle do carro. Todavia, o automóvel atinge
um buraco e, em razão da velocidade empreendida, acaba se desgovernando, vindo a
atropelar três pessoas que estavam na calçada, vitimando-as fatalmente. Realizada perícia
de local, que constatou o excesso de velocidade, e ouvidos Caio e Madalena, que relataram
à autoridade policial o diálogo travado entre o casal, Caio foi denunciado pelo Ministério
Público pela prática do crime de homicídio namodalidade de dolo eventual, três vezes em
concurso formal. Recebida a denúncia pelo magistrado da vara criminal vinculada ao
Tribunal do Júri da localidade recolhida a prova, o Ministério Público pugnou pela pronúncia
de Caio, nos exatos termos dainicial.
Na qualidade de advogado de Caio, chamado aos debates orais, responda aos itens
a seguir, empregando os argumentos jurídicos apropriados e a fundamentação legal
pertinente ao caso.
A) qual(is) argumento(s) poderia(m) ser deduzidos em favor de seu constituinte?
(Valor: 0,40)
B) qual pedido deveria ser realizado? (Valor: 0,30)
C) Caso Caio fosse pronunciado, qual recurso poderia ser interposto e a quem a peça
de interposição deveria ser dirigida? (Valor: 0,30)
GABARITO COMENTADO
Incompetência do juízo, uma vez que Caio praticou homicídio culposo, pois agiu com culpa
consciente, na medida em que, embora tenha previsto o resultado, acreditou que o evento
não fosse ocorrer em razão de sua perícia.
Desclassificação da imputação para homicídio culposo e declínio de competência,
conforme previsão do artigo 419 do CPP.
Recurso em sentido estrito, conforme previsão do artigo 581, IV, do CPP. A peça de
interposição deveria ser dirigida ao juiz de direito da vara criminal vinculada ao tribunal do
júri, prolator da decisão atacada.
Em relação à correção, levou-se em conta o seguinte critério de pontuação:
DISTRIBUIÇÃO DOS PONTOS
ITEM PONTUAÇÃO
A) Incompetência do juízo, uma vez que Caio praticou homicídio culposo (0,2),
pois agiu com culpa consciente, na medida em que, embora tenha previsto o
0,00/0,20/0,40
resultado, acreditou que o evento não fosse ocorrer em razão de sua perícia (0,2).
B) Desclassificação da imputação para homicídio culposo OU declínio de
competência (0,15), conforme previsão do artigo 419 do CPP (0,15). 0,00/0,15/0,30
C) Recurso em sentido estrito (0,15), conforme previsão do artigo 581, IV, do CPP.
A peça de interposição deveria ser dirigida ao juiz de direito da vara criminal 0,00/0,15/0,30
vinculada ao tribunal do júri (0,15), prolator da decisão atacada.
4) (QUESTÃO 3 – XVIII EXAME)
Fernando foi pronunciado pela prática de um crime de homicídio doloso consumado que
teve como vítima Henrique. Em sessão plenária do Tribunal do Júri, o réu e sua namorada,
ouvida na condição de informante, afirmaram que Henrique iniciou agressões contra
Fernando e que este agiu em legítima defesa. Por sua vez, a namorada da vítima e uma
testemunha presencial asseguraram que não houve qualquer agressão pretérita por parte
de Henrique. No momento do julgamento, os jurados reconheceram a autoria e
materialidade, mas optaram por absolver Fernando da imputação delitiva. Inconformado, o
Ministério Público apresentou recurso de apelação com fundamento no Art. 593, inciso III,
alínea ‘d’, do CPP, alegando que a decisão foi manifestamente contrária à prova dos autos.
A família de Fernando fica preocupada como recurso, em especial porque afirma que todos
tinham conhecimento que dois dos jurados que atuaram no julgamento eram irmãos, mas
em momento algum isso foi questionado pelas partes, alegado no recurso ou avaliado pelo
Juiz Presidente.
Considerando a situação narrada, esclareça, na condição de advogado(a) de
Fernando, os seguintes questionamentos da família do réu:
A) A decisão dos jurados foi manifestamente contrária à prova dos autos? Justifique.
(Valor: 0,60)
B) Poderá o Tribunal, no recurso do Ministério Público, anular o julgamento com
fundamento em nulidade na formação do Conselho de Sentença? Justifique. (Valor:
0,65)
GABARITO COMENTADO
A decisão dos jurados não foi manifestamente contrária à prova dos autos, tendo em vista
que o acusado e sua namorada alegaram a existência de legítima defesa. De fato, a
namorada da vítima e uma testemunha afirmaram que esta causa excludente da ilicitude
não existiu. Contudo, existem duas versões nos autos, com provas em ambos os sentidos,
logo os jurados são livres para optar por uma delas, de acordo com a íntima convicção. Não
houve arbitrariedade ou total dissociação da prova dos autos, mas apenas escolha de uma
das versões. Assim, a soberania dos vereditos deve prevalecer, não cabendo ao Tribunal
fazer nova análise do mérito, se a decisão não foi manifestamente contrária às
provasproduzidas.
Não poderá o Tribunal anular o julgamento com base na existência de nulidade ocorrida
durante a sessão plenária. De fato, prevê o Art. 448, inciso IV, do CPP, que estão impedidos
de servir no mesmo Conselho os irmãos. Ocorre que o enunciado 713 da Súmula não
vinculante do STF afirma categoricamente que “o efeito devolutivo da apelação contra
decisões do júri é adstrito aos fundamentos de sua interposição”. O Ministério Público
apresentou apelação apenas com fundamento na alínea ‘d’ do Art. 593, incisoIII, do Código
de Processo Penal. Assim, está limitado o efeito devolutivo, de modo que o Tribunal
somente poderá analisar a existência de decisão manifestamente contrária à prova dos
autos. Decisão em contrário prejudicaria a ampla defesa, pois eventual nulidade não foi
combatida pela defesa em sede de contrarrazões. Poderia, ainda, o candidato basear sua
resposta no enunciado 160 da Súmula do STF, que afirma que é nula a decisão que acolhe,
contra réu, nulidade não arguida pela acusação.
DISTRIBUIÇÃO DOS PONTOS
ITEM PONTUAÇÃO
A) Não. A decisão dos jurados não foi manifestamente contrária à prova dos
autos, pois está baseada em uma das versões existentes nos autos OU porque
0,00/0,15/0,45/0,60
as declarações do réu e de sua namorada escoram a decisão (0,45), devendo
prevalecer a soberania dos vereditos OU a íntima convicção dos jurados (0,15).
B) Não, pois o Tribunal está limitado ao conteúdo da apelação apresentada pelo
Ministério Público, OU Não, pois decisão em contrário prejudicaria a ampla
0,00/0,10/
defesa e/ou contraditório, tendo em vista que não foi rebatido em contrarrazões
0,55/0,65
(0,55), na forma do enunciado 713 da Súmula não vinculante do STF OU do
enunciado 160 da Súmula do STF (0,10).
5) (MP-MS-2011)
Tício foi denunciado pela prática de homicídio qualificado pelo motivo torpe (art. 121, § 2º,
inc. I, Código Penal). A denúncia foi recebida e, no decorrer da instrução processual, a
defesa requereu exame de insanidade mental do acusado (art.149 e seguintes do Código
de Processo Penal). Ao final do referido incidente, restou devidamente comprovado que
Tício, ao tempo da ação, em razão de doença mental, era inteiramente incapaz de entender
o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. Nos debates,
a defesa apresentou como única tese defensiva a inimputabilidade de Tício. Lastreado em
tal premissa, responda, respectivamente, a seguinte indagação: Qual decisão deverá ser
proferida pelo juiz ao final da primeira fase do procedimento do júri e qual é o recurso
cabível? Justifique.
GABARITO COMENTADO
O juiz na 1ª fase deverá absolver sumariamente o acusado, considerando que a única tese
defensiva é a inimputabilidade, nos termos do artigo 415, parágrafo único, do CPP. O
recurso cabível nesse caso seria o de apelação, nos moldes do artigo 416 do CPP.
6) (QUESTÃO 02 – XXIII EXAME)
Gabriel, condenado pela prática do crime de porte de arma de fogo de uso restrito, obteve
livramento condicional quando restava 01 ano e 06 meses de pena privativa de liberdade a
ser cumprida. No curso do livramento condicional, após 06 meses da obtenção do benefício,
vem Gabriel a ser novamente condenado, definitivamente, pela prática de crime de roubo,
que havia sido praticado antes mesmo do delito de porte de arma de fogo, mas cuja
instrução foi prolongada.
Diante da nova condenação, o magistrado competente revogou o livramento condicional
concedido e determinou que Gabriel deve cumprir aquele 01 ano e 06 meses de pena
restante quando da obtenção do livramento em relação ao crime de porte, além da nova
sanção imposta em razão do roubo.
condenado, definitivamente, pela prática de crime de roubo, que havia sido praticado antes
mesmo do delito de porte de arma de fogo, mas cuja instrução foi prolongada.
Diante da nova condenação, o magistrado competente revogou o livramento condicional
concedido e determinou que Gabriel deve cumprir aquele 01 ano e 06 meses de pena
restante quando da obtenção do livramento em relação ao crime de porte, além da nova
sanção imposta em razão do roubo.
Considerando a situação narrada, na condição de advogado(a) de Gabriel, responda
aos itens a seguir.
A) Qual o recurso cabível da decisão do magistrado que revogou o benefício do
livramento condicional e determinou o cumprimento da pena restante quando da
obtenção do benefício? É cabível juízo de retratação em tal modalidade recursal?
Justifique. (Valor: 0,65)
B) Qual argumento deverá ser apresentado pela defesa de Gabriel para combater a
decisão do magistrado? Justifique. (Valor: 0,60)
GABARITO COMENTADO
Narra o enunciado que Gabriel cumpria pena privativa de liberdade pela prática de crime
de porte de arma de fogo, quando obteve livramento condicional. No curso do livramento
condicional, todavia, vem a ser condenado pela prática de crime de roubo, tendo o
magistrado da execução decidido pela revogação do benefício e também por desconsiderar
o período de pena cumprido em livramento. Da decisão proferida pelo juízo da execução
cabe Agravo em Execução, na formado Art.197 da Lei de Execuções Penais, com prazo de
interposição de 05 dias. Não há previsão expressa em lei sobre o procedimento a ser
adotado no recurso de agravo, de modo que pacificou a doutrina e a jurisprudência que o
processamento a ser adotado é semelhante ao do recurso em sentido estrito. Diante disso,
cabível o juízo de retratação pelo magistrado competentepara execução.
O argumento a ser apresentado pela defesa de Gabriel é que não poderiam ter sido
desconsiderados os dias de livramento condicional como pena cumprida. De fato, Gabriel
foi condenado, definitivamente, pela prática de crime no curso do livramento condicional,
logo cabível a revogação do benefício. Trata-se, inclusive, de hipótese de revogação
obrigatória. Ocorre que a condenação que justificou a revogação foi em razão da prática de
delito anterior à obtenção do benefício, e não de novo crime praticado no curso do
livramento. Dessa forma, as condições do livramento condicional vinham sendo
regularmente cumpridas pelo apenado, de modo que os dias em que ficou em livramento
deverão ser computados como pena cumprida e não desconsiderados. Assim, errou o
magistrado ao afirmar que deveria Gabriel cumprir 01 ano e 06 meses de pena,
desconsiderando os 06 meses cumpridos de livramento. Nos termos do aqui exposto estão
as previsões dos Art. 86 e do Art. 88, ambos do Código Penal, além do Art. 141 da Lei
7.210/84.
DISTRIBUIÇÃO DE PONTOS
ITEM PONTUAÇÃO
A) O recurso cabível da decisão é de Agravo de Execução, (0,40) na forma do
Art. 197 da LEP (0,10), cabendo ao magistrado exercer juízo de retratação em 0,00/0,15/0,25/
razão da aplicação, no recurso de agravo, do rito previsto para o recurso em 0,40/0,50/0,55/0,65
sentido estrito (0,15).
B) O argumento para combater a decisão é o de que o período em livramento
condicional deveria ser considerado como pena cumprida (0,20), tendo em 0,00/0,20/0,30/
vista que o delito que justificou a revogação é anterior ao benefício (0,30), nos 0,40/0,50/0,60
termos do Art. 88 do CP OU Art. 141 da Lei nº 7.210/84 (0,10).
7) (QUESTÃO 04 – XIX EXAME)
Carlos foi condenado pela prática de um crime de receptação qualificada à pena de 04 anos
e 06 meses de reclusão, sendo fixado o regime semiaberto para início do cumprimento de
pena. Após o trânsito em julgado da decisão, houve início do cumprimento da sanção penal
imposta. Cumprido mais de 1/6 da pena imposta e preenchidos os demais requisitos, o
advogado de Carlos requer, junto ao Juízo de Execuções Penais, a progressão para o
regime aberto. O magistrado competente profere decisão concedendo a progressão e fixa
como condição especial o cumprimento de prestação de serviços à comunidade, na forma
do Art. 115 da Lei nº 7.210/84. O advogado de Carlos é intimado dessa decisão.
Considerando apenas as informações apresentadas, responda aos itens a seguir.
A) Qual medida processual deverá ser apresentada pelo advogado de Carlos,
diferente do habeas corpus, para questionar a decisão do magistrado? (Valor: 0,60)
B) Qual fundamento deverá ser apresentado pelo advogado de Carlos para combater
a decisão do magistrado? (Valor: 0,65)
GABARITO COMENTADO
A medida processual a ser apresentada pelo advogado de Carlos é o agravo previsto no
Art. 197 da Lei nº 7.210/84, também conhecido como agravo de execução ou agravo em
execução. Prevê o mencionado dispositivo que, das decisões proferidas em sede de
execução, será cabível o recurso de agravo. No caso, o enunciado deixa claro que houve
decisão condenatória com trânsito em julgado e que a decisão a ser combatida foi proferida
pelo Juízo da Execução, analisando progressão de regime.
O argumento a ser apresentado pelo advogado de Carlos é o de que a decisão do
magistrado foi equivocada, pois não é possível fixar, como condição especial ao regime
aberto, o cumprimento de prestação de serviços à comunidade. O Art.115 da LEP prevê
expressamente que o magistrado, no momento de fixar o regimeaberto, poderá fixar
condições especiais, além das obrigatórias e genéricas estabelecidas nos incisos desse
dispositivo. Ocorre que a legislação penal não disciplina quais seriam essas condições
especiais, de forma que surgiu a controvérsia sobre a possibilidade de serem fixadas penas
substitutivas em atenção a esta previsão. O tema, porém, foi pacificado pelo Superior
Tribunal de Justiça, que, no Enunciado 493 de sua Súmula de Jurisprudência, estabeleceu
a inadmissibilidade de serem fixadas penas substitutivas (Art. 44 do Código Penal) como
condições especiais ao regime aberto. A ideia que prevaleceu foi a de que, apesar de ser
possível o estabelecimento de condições especiais, estas não podem ser penas previstas
no Código Penal, sob pena de bis in idem ou dupla punição.
DISTRIBUIÇÃO DOS PONTOS
ITEM PONTUAÇÃO
A) A medida processual a ser apresentada é o Agravo OU Agravo de Execução
0,00/0,50/0,60
OU Agravo em Execução (0,50), na forma do Art. 197 da Lei nº 7.210/84 (0,10).
B) Inadmissibilidade de ser fixada prestação de serviços à comunidade (ou pena
substitutiva) como condição especial ao regime aberto (0,40), na forma do 0,00/0,15/0,25/0,40/0,
Enunciado 493 da Súmula do STJ (0,10), sob pena de configurar dupla punição 50/0,55/0,65
OU bis in idem (0,15).
8) (QUESTÃO 02 – XVIII EXAME)
No dia 10 de fevereiro de 2012, João foi condenado pela prática do delito de quadrilha
armada, previsto no Art. 288, parágrafo único, do Código Penal. Considerando as
particularidades do caso concreto, sua pena foi fixada no máximo de 06 anos de reclusão,
eis que duplicada a pena base por força da quadrilha ser armada. A decisão transitou em
julgado. Enquanto cumpria pena, entrou em vigor a Lei nº 12.850/2013, que alterou o artigo
pelo qual João fora condenado. Apesar da sanção em abstrato, excluídas as causas de
aumento, ter permanecido a mesma (reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos), o aumento de
pena pelo fato da associação ser armada passou a ser de até a metade e não mais do
dobro. Procurado pela família de João, responda aos itens a seguir.
A) O que a defesa técnica poderia requerer em favor dele? (Valor: 0,65)
B) Qual o juízo competente para a formulação desse requerimento? (Valor: 0,60)
GABARITO COMENTADO
A defesa técnica de João poderia requerer a aplicação da lei nova, que é mais benéfica
para o acusado. A redação anterior do Art.288, parágrafo único, do CP previa que, no caso
de crimes praticado com armas de fogo, a pena seria dobrada. Hoje, o dispositivo prevê
que a pena, nessa mesma hipótese, será “apenas” aumentada de, no máximo, metade.
Assim, no caso de João, como sua pena base foi aplicada em 03 anos, a pena final restaria
em, no máximo, 04 anos e 06 meses. A nova lei, então, é favorável ao condenado, de modo
que pode retroagir para atingir situações pretéritas, na forma do Art. 2º, parágrafo único, do
CP.
Considerando que já houve trânsito em julgado da sentença condenatória, o juízo
competente para formulação do requerimento é o da Vara de Execuções Penais, na forma
do enunciado 611 da Súmula não vinculante do STF ou do Art. 66, inciso I, da LEP.
DISTRIBUIÇÃO DOS PONTOS
ITEM PONTUAÇÃO
A) Poderia requerer a redução de sua pena pela aplicação da Lei nº 12.850/13 ou
pela aplicação da nova redação do artigo 288, parágrafo único, do Código Penal,
0,00/0,10/0,55/0,65
que traz previsão mais favorável ao acusado e deve retroagir (0,55), na forma do
artigo 2º, parágrafo único, do Código Penal OU do artigo 5º, XL, CRFB (0,10).
B) O juízo competente é o da Vara de Execuções Penais (0,50), na forma do
enunciado 611 da Súmula não vinculante do STF OU do Art. 66, inciso I, da LEP 0,00/0,10/0,50/0,60
(0,10).
9) (QUESTÃO 02 - XVI EXAME)
No dia 03/05/2008, Luan foi condenado à pena privativa de liberdade de 12 anos de
reclusão pela prática dos crimes previstos nos artigos 213 e 214 do Código Penal, na forma
do Art. 69 do mesmo diploma legal, pois, no dia 11/07/2007, por volta das 19h, constrangeu
Carla, mediante grave ameaça, a com ele praticar conjunção carnal e ato libidinoso diverso.
Ainda cumprindo pena em razão dessa sentença condenatória, Luan, conversando com
outro preso, veio a saber que ele havia sido condenado por fatos extremamente
semelhantes a uma pena de 07 anos de reclusão. Luan, então, pergunta o nome do
advogado do colega de cela, que lhe fornece a informação. Luan entra em contato pelo
telefone indicado e pergunta se algo pode ser feito para reduzir sua pena, apesar de sua
decisão ter transitado em julgado. Diante dessa situação, responda aos itens a seguir.
A) Qual a tese de direito material que poderia ser suscitada pelo novo advogado em
favor de Luan? (Valor: 0,65)
B) A pretensão deverá ser manejada perante qual órgão? (Valor: 0,60)
GABARITO COMENTADO
Luan foi condenado pela prática de crimes de estupro e atentado violento ao pudor em
concurso material. O entendimento que prevalecia antes da edição da Lei nº 12.015 era a
da impossibilidade de aplicação da continuidade delitiva entre essas duas infrações, pois
não seriam crimes da mesma espécie. Ocorre que, com a inovação legislativa ocorrida no
ano de 2009, a conduta antes prevista no Art. 214 do Código Penal passou a ser englobada
pela figura típica do Art. 213 do CP. Apesar de não ter havido abolitio criminis, certo é que
a lei é mais benéfica. Sendo assim, poderá retroagir para atingir situações anteriores e
caberá a redução de pena de Luan. A jurisprudência amplamente majoritária entende que,
de acordo com a nova redação, o Art. 213 do CP passou a prever um tipo misto alternativo.
Assim, quando praticada conjunção carnal e outro ato libidinoso diverso em um mesmo
contexto e contra a mesma vítima, haveria crime único. Outros, minoritariamente, entendem
que o artigo traz um tipo misto cumulativo, de modo que ainda seria possível punir o agente
que pratica conjunção carnal e outro ato libidinoso diverso por dois crimes. De qualquer
forma, mesmo para essa segunda corrente, caberia a redução de pena de Luan, pois agora
seria possível a aplicação da continuidade delitiva, já que os crimes são de mesma espécie.
O examinando poderá adotar qualquer uma das duas correntes, desde que assegure a
aplicação da nova lei mais benéfica para Luan.
O órgão competente perante o qual deverá ser formulado o pedido de aplicação da lei mais
benigna e, consequentemente, da redução da pena é o juízo da Vara de Execuções Penais,
considerando que já ocorreu o trânsito em julgado da sentença condenatória, na forma da
Súmula 611 do STF ou do Art. 66, inciso I, da LEP.
DISTRIBUIÇÃO DOS PONTOS
ITEM PONTUAÇÃO
A) A tese adequada é a da aplicação da lei mais benéfica ao condenado, que
importará na redução da sua pena, (0,30) tendo em vista que a alteração
legislativa transformou o tipo penal do estupro em misto alternativo, portanto
0,00/0,10/0,25/0,30/
crime único OU tendo em vista que a alteração legislativa transformou o tipo
0,35/0,40/0,55/0,65
penal do estupro em misto cumulativo, sujeito à aplicação da continuidade
delitiva (0,25) o que permite sua aplicação para fatos pratica dos antes de sua
entrada em vigor, ainda que a decisão seja definitiva (0,10).
B) O pedido deverá ser formulado perante a Vara de Execuções Penais, pois
existe decisão com trânsito em julgado (0,50), na forma da Súmula 611 do STF 0,00/0,10/0,50/0,60
OU do Art. 66, inciso I, da LEP (0,10).
10) (QUESTÃO 02 - XIV EXAME)
Mário foi condenado a 24 (vinte e quatro) anos de reclusão no regime inicialmente fechado,
com trânsito em julgado no dia 20/04/2005, pela prática de latrocínio (artigo 157, § 3º, parte
final, do Código Penal). Iniciou a execução da pena no dia seguinte. No dia 22/04/2009, seu
advogado, devidamente constituído nos autos da execução penal, ingressou com pedido
de progressão de regime, com fulcro no artigo 112 da Lei de Execuções Penais. O juiz
indeferiu o pedido com base no artigo 2º, §2º, da Lei8.072/90, argumentan do que o
condenado não preencheu o requisito objetivo para a progressão deregime.
Como advogado de Mário, responda, de forma fundamentada e de acordo com o
entendimento sumulado dos Tribunais Superiores, aos itens a seguir:
A) Excetuando-se a possibilidade de Habeas Corpus, qual recurso deve ser
interposto pelo advogado de Mário e qual o respectivo fundamento legal? (Valor:
0,40)
B) Qual a principal tese defensiva? (Valor: 0,85)
GABARITO COMENTADO
A questão objetiva extrair do examinando conhecimento acerca da lei penal no tempo
(regramento legal e entendimento jurisprudencial), bem como da execução penal.
Nesse sentido, relativamente à alternativa “A”, o examinando deve indicar que o recurso a
ser interposto é o agravo, previsto no artigo 197 da LEP.
Tendo em conta a própria natureza do Exame de Ordem, a mera indicação do dispositivo
legal não será pontuada. No que tange ao item “B”, por sua vez, a resposta deve ser
lastreada no sentido de que, de acordo com os verbetes 26 da súmula vinculante do STF e
471 da súmula do STJ, Mário, por ter cometido o crime hediondo antes da Lei 11.464/2007,
não se sujeita ao artigo 2º, §2º, da Lei8.072/90, por se tratar de novatio legis in pejus,
devendo ocorrer sua progressão de regime com base no artigo 112 da Lei de Execuções
Penais, observando o quantum de 1/6 de cumprimento depena.
Cabe destacar que tal entendimento surgiu do combate ao artigo 2º, § 2º, da Lei 8.072/90,
que previa o cumprimento de pena no regime integralmente fechado para os crimes
hediondos ou equiparados. Após longo debate nos Tribunais Superiores, reconheceu-se a
inconstitucionalidade da previsão legal, por violação ao princípio da individualização da
pena, culminando na progressão de regime com o quorum até entãoexistente, qual seja,
1/6 com base no artigo 112 da LEP.
O legislador pátrio, após o panorama jurisprudencial construído, alterou a redação do artigo
2º, § 2º, da Lei 8.072/90, autorizando a progressão de regime de forma mais gravosa para
aqueles que cometeram crimes hediondos, por meio do cumprimento de 2/5 para os réus
primários e 3/5 para os reincidentes.
No entanto, a nova redação conferida ao artigo 2º, §2º, da Lei8.072/90, por meio da Lei
11.464/2007, externa-se de forma prejudicial àqueles que cometeram crimes hediondos em
data anterior a sua publicação, tendo em vista que os Tribunais Superiores autorizavam a
sua progressão com o cumprimento de 1/6 dapena.
Diante dessa construção jurisprudencial, os Tribunais Superiores pacificaram o
entendimento por meio dos verbetes 26 da súmula vinculante do STF e 471 da súmula do
STJ.
DISTRIBUIÇÃO DOS PONTOS
ITEM PONTUAÇÃO
A) Agravo (0,30), artigo 197 da LEP (0,10).
0,00/0,10/0,30/0,40
Obs.: A mera indicação do artigo não pontua.
B) Mário não se sujeita ao artigo 2º, § 2º, da Lei 8.072/90 por se tratar de novatio
legis in pejus OU com base na irretroatividade da lei penal mais gravosa o artigo
2º, § 2º, da Lei 8.072/90 não se aplica a situação de Mário OU a antiga redação
do artigo 2º, da Lei 8.072/90 é inconstitucional (0,35), razão pela qual a 0,00/0,10/0,35/0,40/
progressão deve ocorrer com base no Art. 112 da LEP, observando o quantum 0,45/0,50/0,75/0,85
de 1/6 de cumprimento de pena (0,40). / Tal entendimento é fundamentado nos
verbetes 26 da súmula vinculante do STF ou 471 do STJ (0,10).
Obs.: A justificativa é essencial para atribuição de pontos.
11) (QUESTÃO 04 - XII EXAME)
Marcos, jovem inimputável conforme o Art. 26 do CP, foi denunciado pela prática de
determinado crime. Após o regular andamento do feito, o magistrado entendeu por bem
aplicar medida de segurança consistente em internação em hospital psiquiátrico por período
mínimo de 03 (três) anos. Após o cumprimento do período supramencionado, o advogado
de Marcos requer ao juízo de execução que seja realizado o exame de cessação de
periculosidade, requerimento que foi deferido. É realizada uma rigorosa perícia, e os
experts atestam a cura do internado, opinando, consequentemente, por sua desinternação.
O magistrado então, baseando-se no exame pericial realizado por médicos psiquiatras,
exara sentença determinando a desinternação de Marcos. O Parquet, devidamente
intimado da sentença proferida pelo juízo da execução, interpõe o recurso cabível
naespécie. A partir do caso apresentado, responda, fundamentadamente, aos itens a
seguir.
A) Qual o recurso cabível da sentença proferida pelo magistrado determinando a
desinternação de Marcos? (Valor: 0,75)
B) Qual o prazo para interposição desse recurso? (Valor: 0,25)
C) A interposição desse recurso suspende ou não a eficácia da sentença proferida
pelo magistrado? (Valor: 0,25)
GABARITO COMENTADO
Como se trata de decisão proferida pelo juiz da execução penal, o recurso cabível é o
Agravo, previsto no Art. 197, da Lei de Execução Penal - 7.210/84.
O prazo para a interposição do recurso é de 05 (cinco) dias, contados da data da publicação
da decisão no D.O., conforme dispõem as Súmulas do STF 699 e700.
SÚMULA 699 - O PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO DE AGRAVO, EM PROCESSO PENAL,
É DE CINCO DIAS, DE ACORDO COM A LEI 8038/1990, NÃO SE APLICANDO O
DISPOSTO A RESPEITO NAS ALTERAÇÕES DA LEI 8950/1994 AO CÓDIGO DE
PROCESSO CIVIL.
SÚMULA 700 - É DE CINCO DIAS O PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO DE AGRAVO
CONTRA DECISÃO DO JUIZ DA EXECUÇÃO PENAL.
Via de regra, o recurso de Agravo em Execução não tem efeito suspensivo, conforme
previsão do Art. 197, da LEP. Todavia, a hipótese tratada no enunciado é a única exceção
à regra supramencionada, i.e., o agravo possui, na hipótese do enunciado, efeito
suspensivo, conforme previsto no Art. 179, da LEP. Portanto, a interposição desse recurso
suspende a eficácia dasentença.
DISTRIBUIÇÃO DOS PONTOS
ITEM PONTUAÇÃO
A) Agravo em Execução (0,55), previsto no Art. 197 da Lei de Execução Penal - 7.210/84
(0,20). 0,00/0,55/0,75
Obs.: A mera indicação ou reprodução do conteúdo do artigo não pontua.
B) O prazo para a interposição do recurso é de 05 (cinco) dias (0,15), conforme previsto na
Súmula 700 ou Súmula 699, ambas do STF (0,10). 0,00/0,15/0,25
Obs.: A mera indicação da Súmula não pontua
C) A interposição desse recurso suspende a eficácia da sentença, conforme previsto no Art.
0,00/0,25
179, da LEP c/c Art. 197, da LEP (0,25).
12) (QUESTÃO 01 – XI EXAME)
O Juiz da Vara de Execuções Penais da Comarca “Y” converteu a medida restritiva de
direitos (que fora imposta em substituição à pena privativa de liberdade) em cumprimento
de pena privativa de liberdade imposta no regime inicial aberto, sem fixar quaisquer outras
condições.
O Ministério Público, inconformado, interpôs recurso alegando, em síntese, que a decisão
do referido Juiz da Vara de Execuções Penais acarretava o abrandamento da pena,
estimulando o descumprimento das penas alternativas ao cárcere. O recurso, devidamente
contra-arrazoado, foi submetido a julgamento pela Corte Estadual, a qual, de forma
unânime, resolveu lhe dar provimento. A referida Corte fixou como condição especial ao
cumprimento de pena no regime aberto, com base no Art.115 da LEP, a prestação de
serviços à comunidade, o que deveria perdurar por todo o tempo da pena a ser cumprida
no regime menos gravoso. Atento ao caso narrado e considerando apenas os dados
contidos no enunciado, responda fundamentadamente, aos itens aseguir.
A) Qual foi o recurso interposto pelo Ministério Público contra a decisão do Juiz da
Vara de Execuções Penais? (Valor: 0,50)
B) Está correta a decisão da Corte Estadual, levando-se em conta entendimento
jurisprudencial sumulado? (Valor: 0,75)
GABARITO COMENTADO
Agravo em Execução (Art. 197 da LEP).
Não, pois de acordo com o verbete 493 da Súmula do STJ, é inadmissível a fixação de
pena substitutiva (Art. 44 do CP) como condição especial ao regimeaberto.
Ademais, embora ao Juiz seja lícito estabelecer condições especiais para a concessão do
regime aberto, em complementação daquelas previstas na LEP (Art. 115 da LEP), não
poderá adotar a esse título nenhum efeito já classificado como pena substitutiva (Art. 44 do
CPB), porque aí ocorreria o indesejável bis in idem, importando na aplicação de
dúplicesanção.
Ademais, o Art. 44 do Código Penal é claro ao afirmar a natureza autônoma das penas
restritivas de direitos que, por sua vez, visam substituir a sanção corporal imposta àqueles
condenados por infrações penais mais leves. Diante do caráter substitutivo das sanções
restritivas, vedada está sua cumulatividade com a pena privativa de liberdade, salvo
expressa previsão legal, o que não é o caso.
Precedente: STJ - Habeas Corpus n. 218.352 - SP (2011/0218345-1)
13) (QUESTÃO 02 – XXIV EXAME)
No dia 10 de setembro de 2014, Maria conversava na rua com amigas da escola, quando
passou pelo local Túlio, jovem de 19 anos, que ficou interessado em conhecer Maria em
razão da beleza desta. Um mês após se conhecerem e iniciarem um relacionamento, Túlio
e Maria passaram a ter relações sexuais, apesar de Maria ter informado ao namorado que
nascera em 09 de julho de 2001. Ao tomar conhecimento dos fatos, o Ministério Público
denunciou Túlio pela prática do crime do Art. 217-A do Código Penal.
Após a instrução e juntada da carteira de identidade de Maria, na qual constava seu
nascimento em 09 de julho de 2001, Túlio foi condenado nos termos da denúncia, tendo
ocorrido o trânsito em julgado. Dois anos após a sentença condenatória, os pais de Maria
procuram os familiares de Túlio e narram que se sentiam mal pelo ocorrido, porque sempre
consideraram o condenado um bom namorado para a filha. Afirmaram, ainda, que
autorizavam o namoro, porque, na verdade, consideravam sua filha uma jovem, já que ela
nasceu em 09 de julho de 2000, mas somente foi registrada no ano seguinte, pois tinham
o sonho de sua filha ser profissional do esporte e entenderam que o registro tardio a
beneficiaria profissionalmente.
Diante de tais informações, em posse de fotografias que comprovam que Maria, de fato,
nasceu em 09 de julho de 2000 e da retificação no registro civil, os familiares de Túlio
procuram você na condição de advogado(a).
Na condição de advogado(a) de Túlio, considerando apenas as informações
narradas, responda aos itens a seguir.
A) Diante do trânsito em julgado da sentença condenatória, existe medida judicial a
ser apresentada em favor de Túlio, diferente de habeas corpus, em busca da
desconstituição da sentença? Justifique e indique, em caso positivo. (Valor: 0,65)
B) Qual argumento de direito material deverá ser apresentado pelo(a) patrono(a) de
Túlio em busca da desconstituição da sentença? Justifique. (Valor: 0,60)
GABARITO COMENTADO
A) Sim, existe. A medida judicial a ser apresentada em favor de Túlio é a ação de
impugnação conhecida como Revisão Criminal, com fundamento no Art. 621, inciso II ou
inciso III, do Código de Processo Penal. Isso porque, após a sentença condenatória com
trânsito em julgado, foi verificado que o documento de identificação de Maria era
ideologicamente falso, já que constava data nascimento diferente da real. A mudança na
data de nascimento de Maria altera o fundamento para condenação, tendo em vista que,
na realidade, era maior de 14 anos na data dos fatos. O examinando pode, ainda, defender
o cabimento do instituto da revisão criminal com base no surgimento de provas novas, após
a sentença, que comprovem a inocência do acusado, quais sejam as fotografias e
declarações dos pais no sentido de que a certidão de nascimento da filha era falsa e que,
na verdade, Maria era maior de 14 anos na data dos fatos.
B) O argumento a ser apresentado é de atipicidade da conduta praticada por Túlio, tendo
em vista que Maria era maior de 14 anos na data dos fatos. O Art. 217-A do Código Penal
prevê o crime de estupro de vulnerável, sendo uma de suas hipóteses quando o agente
pratica conjunção carnal ou ato libidinoso diverso com menor de 14 anos. Mesmo que Túlio
acreditasse que Maria era menor de 14 anos, objetivamente ela não o era, uma vez que
nasceu em 09 de julho de 2000. Provado que seu nascimento ocorreu mais de 14 anos
antes dos fatos, necessária a absolvição de Túlio em razão da atipicidade da conduta.
Importante destacar que os atos sexuais praticados foram consentidos por Maria, logo não
há que se falar em crime de estupro do Art. 213 do Código Penal.
DISTRIBUIÇÃO DOS PONTOS
ITEM PONTUAÇÃO
A) A medida judicial cabível é da revisão criminal (0,40), com fundamento no
Art. 621, inciso II OU III, do Código de Processo Penal (0,10), tendo em vista
0,00/0,15/0,25/
que a condenação foi baseada em documento comprovadamente falso OU em
0,40/0,50/0,55/0,65
razão do surgimento de prova nova, após a sentença, apta a demonstrar a
inocência do acusado (0,15).
B) O argumento é de que a conduta de Túlio era atípica (0,20), tendo em vista
que, objetivamente, Maria era maior de 14 anos na data dos fatos e houve 0,00/0,20/0,40/0,60
consentimento na prática dos atos sexuais (0,40).
14) PROPOSTA DE PEÇA PROCESSUAL (DEFENSOR MG/2009 – ADAPTADA -
FUMARC)
Pajero Full, um jovem advogado, estava exercendo a função de advogado, perante a 1ª
Vara de Família de Canoas, RS, por ocasião da contestação apresentada em processo de
investigação de paternidade, imputou à genitora do investigante a prática de atos sexuais
com diversos homens, afirmando ainda que aquela se dedicava habitualmente à
prostituição.
Pajero Full foi informado por seu cliente das atividades exercidas pela genitora do
investigante durante as entrevistas necessárias para elaboração da defesa técnica por ele
exercida.
Sentindo-se difamada e injuriada com as alegações de Pajero Full, profundamente
indignada a mãe do investigante ofereceu queixa-crime contra o advogado. A queixa-crime
foi distribuída ao juízo da 2ª Vara Criminal comum daquela cidade, ao entendimento de que
aquela causa é de maior complexidade, considerando o acervo probatório, fugindo,
portanto, da competência do juizado especial.
Desta forma, o Juiz da 2ª Vara Criminal de Canoas, RS, após ter restada inexitosa a
conciliação, recebeu a denúncia e determinou a citação do querelado, que sustentou, em
sua defesa preliminar, não ser possível a existência e a continuidade do processo por lhe
faltar um dos pressupostos de constituição e desenvolvimento regular do feito.
O magistrado responsável pelo julgamento indeferiu o pedido formulado na defesa
preliminar, dizendo que deixa para apreciar todas as questões de fato e de direito por
ocasião da sentença final.
Elabore a peça processual cabível contra a decisão do magistrado, apontando todos
os argumentos jurídicos para a modificação da decisão hostilizada.
GABARITO COMENTADO
A peça a ser elaborada é um Habeas Corpus, para trancamento da ação penal, com base
no artigo 648, inciso I, do CPP e artigo 5º, inciso LXVIII da Constituição Federal.
Tese da atipicidade da conduta considerando o artigo 142 do Código Penal.
15) Fátima foi vítima de acidente fatal no trânsito, na ocasião Fausto dirigia o seu veículo e
deu causa à morte. Inconsolado com a perda, Carmelo, o viúvo, se comprometeu a buscar
a responsabilização do autor do crime. Durante o processo criminal, que tramitou perante
a 1ª Vara Criminal de Florianópolis, em que o motorista Fausto respondeu em liberdade,
não foi possível comprovar qualquer modalidade de culpa por parte de Fausto, logo a
absolvição foi a medida imposta. Após o trânsito em julgado da decisão, Carmelo localizou
uma testemunha presencial do delito, de nome Sabrina, que não tinha mais sido localizada,
porém estava presente no momento do fato, tendo sido inclusive ouvida durante a polícia,
mas infelizmente na fase judicial não foi possível, pois estava residindo no exterior. Sabrina
informou que Fausto não estava vindo ao lado da via que indicou em juízo, que o acidente
se deu em virtude dele ter feito uma manobra irregular, tendo assim surpreendido Fátima
que estava no local adequado. Sabrina informa ter guardado por cautela uma foto que tirou
logo após o fato que demonstra a parada inicial do veículo na ocasião do acidente. Diante
dos fatos responda:
Considerando a prova nova, testemunha ocular, é possível oferecer para Carmelo
alguma medida ou ação criminal? Justifique a sua resposta.
GABARITO COMENTADO
No âmbito criminal não há medida ou ação a ser oferecida a Carmelo, uma vez que não se
pode diante de prova nova desfavorável ao réu relativizar a coisa julgada. Assim sendo, a
Revisão Criminal somente poderá ser feita dos processos com sentença condenatória
transitada em julgado, como regra, conforme o artigo 621 do CPP. A sugestão seria buscar
orientação na esfera civil, para fins de eventual responsabilização.
16) (QUESTÃO 02 - XIV EXAME)
Cristiano foi denunciado pela prática do delito tipificado no Art. 171, do Código Penal. No
curso da instrução criminal, o magistrado que presidia o feito decretou a prisão preventiva
do réu, com o intuito de garantir a ordem pública, “já que o crime causou grave comoção
social, além de tratar-se de um crime grave, que coloca em risco a integridade social,
configurando conduta inadequada ao meio social.” O advogado de Cristiano, inconformado
com a fundamentação da medida constritiva de liberdade, impetrou Habeas Corpus perante
o Tribunal de Justiça, no intuito de relaxar tal prisão, já que a considerava ilegal, tendo em
vista que toda decisão judicial deve estar amparada em uma fundamentação idônea. O
Tribunal de Justiça, por unanimidade, não concedeu a ordem, entendendo que a decisão
que decretou a prisão preventiva estava corretamente fundamentada. De acordo com a
jurisprudência atualizada dos Tribunais Superiores, responda aos itens a seguir.
A) Qual o recurso que o advogado de Cristiano deve manejar visando à reforma do
acórdão? (Valor: 0,65)
B) Qual o prazo e para qual Tribunal deverá ser dirigido? (Valor: 0,60)
GABARITO COMENTADO
De acordo com a jurisprudência atualizada, tanto do STJ como do STF, bem como com o
mandamento descrito no Art. 105, II, “a”, da Constituição Federal, em Habeas Corpus
caberá Recurso Ordinário. O Art. 30, da Lei nº 8.038/90, determina ser de 05 (cinco) dias o
prazo para interposição de recurso ordinário contra decisão denegatória de Habeas Corpus
proferida pelos Tribunais dos Estados. No caso narrado no enunciado, o recurso deve ser
dirigido ao Superior Tribunal de Justiça, conforme informa o Art. 105, II, “a”, da Constituição
Federal, já que se trata de decisão proferida pelo Tribunal de Justiça.
DISTRIBUIÇÃO DOS PONTOS
ITEM PONTUAÇÃO
A) Recurso Ordinário (0,65). 0,00/0,65
B) O recurso deve ser dirigido ao Superior Tribunal de Justiça (0,40), no
0,00/0,20/0,40/0,60
prazo de 05 (cinco) dias (0,20).