PERICULUM IN MORA E O FUMUS BONI IURIS
NAS SUSPENSÕES DE CONCURSOS
PÚBLICOS OU DE PROCESSOS SELETIVOS
SIMPLIFICADOS PELOS TRIBUNAIS DE
CONTAS
Breve discussão sobre periculum in mora e o fumus boni iuris nas
suspensões de concursos públicos ou de processos seletivos
simplificados pelos tribunais de contas.
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Quando falamos em decisões de cautelares
pelos tribunais de contas, dois termos
jurisprudenciais importantes costumam
entrar em jogo: periculum in mora e fumus
boni iuris. Mas o que exatamente essas
expressões significam?
O periculum in mora pode ser entendido
como o perigo na demora, ou seja, a
urgência ou necessidade de uma medida
cautelar para evitar prejuízos ou danos
irreparáveis. Já o fumus boni iuris se refere
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à probabilidade de que a parte que está
solicitando a medida cautelar tenha razão em sua argumentação.
Qual a diferença entre fumus boni iuris e periculum in mora? O periculum in mora se
refere ao risco de irreversibilidade do dano caso a medida não seja concedida, ao passo
que o fumus boni iuris representa a confiabilidade na presunção de existência do direito
alegado.
Quais são os requisitos do fumus boni iuris (fumaça do bom direito)? É claro que deve ser
revelado como um interesse amparado pelo direito objetivo. As incertezas e imprecisões a
respeito do direito material do requerente não podem assumir a força de impedir-lhe o
acesso à tutela de urgência. Somente é de se cogitar a ausência do fumus boni iuris
quando, pela aparência exterior da pretensão substancial ou pela total inexistência de
elementos probatórios a sustentá-las se divise a fatal carência de ação.
Esses dois elementos são fundamentais para que os conselheiros (juízes de contas)
possam deliberar de forma mais assertiva ao analisar casos como a suspensão cautelar
de concursos públicos e de processos seletivos simplificados. Por exemplo, se um
concurso público está sendo questionado por supostas irregularidades na sua realização
e há indícios de que a continuidade do certame pode gerar danos irreversíveis aos
candidatos ou prejudicar a lisura do processo, o periculum in mora é evidente. Além disso,
se há fortes indícios de que as denúncias apresentadas são consistentes e sustentadas
por provas concretas, o fumus boni iuris está presente.
Nesses casos, os tribunais de contas podem decidir pela suspensão cautelar do concurso
para evitar prejuízos maiores, enquanto a situação é devidamente apurada e analisada.
Essa medida preventiva visa proteger os interesses dos candidatos, da sociedade e
garantir a transparência e legalidade do concurso público ou do processo seletivo
simplificado.
É importante ressaltar que a decisão de conceder uma medida cautelar não significa que
houve uma decisão definitiva sobre o mérito da questão. A medida cautelar é uma forma
de proteger os interesses das partes envolvidas até que o tribunal possa analisar mais
detalhadamente o caso.
Portanto, quando os conselheiros se deparam com casos que envolvem a necessidade de
medidas cautelares, a análise do periculum in mora e do fumus boni iuris é fundamental
para garantir a justiça e a legalidade das decisões. É importante que esses elementos
sejam levados em consideração de forma equilibrada e imparcial, para que as medidas
cautelares sejam aplicadas de forma coerente e justa.